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Tradu��o e sincronia: Andr� Vinicius Jobim
Na Sandrew fazem filmes.
Na Sandrew fazem bons filmes.
- Anda, eu quero o papel. - N�o.
- V�, por favor. - N�o.
VILGOT SJ�MAN, 42 ANOS JOVEM DIRETOR
- Gostaria muito. - N�o.
- � imposs�vel. - Venha.
SOU CURIOSA
SOU CURIOSO
Mas eu n�o, prossigam com os seus filmes.
Pensei que era minha m�e.
Sua m�e?
Compre o nosso filme, Compre-o!
Um filme em duas vers�es, amarela ou azul.
Compre o amarelo ou o azul. Compre porque s�o dois.
O mesmo filme, ainda que diferentes.
- Azul. - Um filme azul.
- Simples. - Um filme amarelo.
Aqui temos a vers�o amarela!
- A vers�o amarela! - A vers�o amarela!
UM FILME EM AMARELO
Mais alto!
Mais alto!
Viva Clart�!
- Viva! - Bravo!
Mais � esquerda!
� esquerda, � esquerda, � esquerda.
� esquerda, esquerda, esquerda!
No Rio de Janeiro
se pode foder gr�tis.
- Olhe ali, voc� v� aquele garoto? - Sim
Ele estuda arte dram�tica.
Poderia faz�-lo de escravo.
- Ele? - Sim
Poderia me conseguir uma cena de amor com ele.
J�
- Uma cena como? - Uma dessas rapidinhas.
Queridos amigos, � uma honra estar aqui.
Foi-me dito que entre os presentes,
encontram-se verdadeiros revolucion�rios.
Mas se organizam a revolu��o como organizam esta reuni�o
prefiro nem pensar.
� uma vergonha que ela n�o saiba nada sobre pol�tica.
Meu Deus, uma estudante de teatro!
"Em Babi Yar
n�o se levanta nenhum monumento,
apenas o terr�vel precip�cio ... "
Falarei a Lena do destino do socialismo na Su�cia.
Melhor falar dos dois grandes l�deres do socialismo na Su�cia.
Um de cabe�a grande e vaidosa
e outro de cabe�a pequena e encolhida.
Eu quero ser famoso.
Eu quero ser famoso.
Uma casa em Linding�.
Uma casa em Linding�.
Eu quero ser famoso.
Eu quero ser famoso.
Uma casa em Linding�.
Uma casa em Linding�.
LENA VAI E VEM, TESTANDO.
Lena escondida em minha cama.
Ela n�o se atreve a dizer para a sua m�e que dorme comigo.
A m�e tem que acreditar que Lena dorme...
na casa de uma amiga.
Bergman disse que � perigoso apaixonar-se pela protagonista.
Voc� fica cego.
Mas com ele nunca aconteceu.
Conheci Lena quando filmamos "491".
Mas, ent�o, nada aconteceu entre n�s dois.
Sentimos apenas uma ligeira atra��o.
Nada demais, pequenas coisas.
Bons tempos!
A Su�cia � uma sociedade de classes?
Uma sociedade de classes? Como?
Estritamente falando, n�o.
Porque todos n�s, sempre
mais ou menos tentamos nos manter unidos.
Eu n�o sei.
Eu n�o posso responder.
Pergunte a outros.
Acho que n�o.
- Acha que n�o? - N�o.
Nada de pol�tica.
A sociedade sueca � uma sociedade de classes?
Sim.
- Voc� acredita? - Sim
Um arquiteto ou um m�dico ganham de 10 a 15 vezes mais
que algu�m que trabalha em um restaurante.
Isso parece justo?
- � justo. - � justo.
� necess�rio levar em conta que estudam cerca de sete anos.
Com muito sacrif�cio.
Parece-me que de dez a quinze vezes
� demasiado, � muito desproporcional.
N�o, n�o me parece demasiado.
N�o �.
� justo, na medida em que..
uma pessoa que n�o est� preparada,
n�o consegue chegar ao ensino superior.
E dos que chegam, poucos concluem os estudos.
- Tenho que ir. - Muito obrigado.
As mulheres t�m as mesmas oportunidades dos homens?
Sim, certo?
Claro que elas t�m.
Diria inclusive que tem mais chances. N�o s�o as mulheres que mandam agora?
Existe uma hierarquia bem definida no hospital?
N�o.
Existem diferen�as entre os m�dicos e o resto do pessoal da sa�de?
Naturalmente, quando comemos, existe.
- Quando comem? - Sim
Quando comemos, existe, sim.
- A sociedade sueca � classista? - O qu�?
- A sociedade sueca � classista? - N�o.
- Pode esclarecer isso? - Eu n�o entendo o que diz.
Desculpe interromp�-lo.
- A sociedade sueca � classista? - Eu n�o sou sueco.
- N�o fala sueco? - Sim, mas eu n�o sou sueco.
Eu n�o entendo, eu sou alem�.
Eu ... Eu ... Eu n�o sou sueco.
- A sociedade sueca � classista? - Sim
- Como � mesmo? - Classista.
Acho que sim.
Sim, sim, penso que sim.
N�o, eu n�o acho.
A igualdade atingiu seu limite m�ximo?
Talvez possa avan�ar um pouco mais.
N�o se pode chegar mais longe.
Haver� sempre uma diferen�a
para que a sociedade possa funcionar.
Nessas entrevistas, n�o quero ...
Nos anos 30 havia diferen�as de classe.
As diferen�as continuam, talvez sejam maiores.
Depende das pessoas, certo?
Olha, se voc� tirar a roupa de v�rias pessoas,
ver� que elas s�o iguais.
Basta vesti-las para termos uma sociedade de classes.
Para esclarecer esta quest�o,
fui para a sede do movimento oper�rio.
Perto de Branting.
N�o � uma sociedade de classes, mas, �...
N�s vivemos em uma democracia, em uma sociedade democr�tica.
- � do sindicato? - Como?
- � do sindicato? - N�o.
- Ningu�m �? - N�o, ningu�m.
- Sindicalista? - N�o.
- Sindicalista? - N�o.
Como voc� explica que o movimento oper�rio
seja t�o conservador no que concerne �s mulheres?
Bom, voc� constatou
que o movimento oper�rio � conservador com as mulheres.
Bem, temos que esclarecer isso.
� poss�vel que seja assim,
e que haja muitos conservadores neste pa�s
e que exista uma porcentagem elevada deles mesmo no movimento oper�rio.
Por acaso h� menos oportunidades para as mulheres
porque ganham sal�rios muito piores?
Isso � o que voc� diz.
Sim, eu digo.
Afirma o contr�rio?
N�o afirmei nada, demonstre voc�.
Que provas t�m?
N�o v� dizer coisas que n�o pode provar.
Por exemplo, minha m�e costura peles.
Bom, trabalha todos os dias do ano e n�o ganha mais
do que 14 mil por ano.
Quanto eu ganharia se costurasse peles?
Mas nunca costurar� peles. Certo?
Quem sabe?
Voc� acha que a Su�cia � uma sociedade de classes?
Sim, um pouco pode-se dizer que �.
O que voc� pode fazer com rela��o a isso?
Ascender socialmente, claro.
Temos que nos adaptar � sociedade em que vivemos.
- Voc� trabalha no sindicato? - N�o.
- O que faz? - Eu sou um arquiteto.
Sim, � uma sociedade de classes.
- � claro. - O que far� a respeito?
N�o pensamos em fazer nada no momento.
Por que n�o?
N�o, bom... fa�o parte da sociedade.
Vivemos em uma sociedade de classes e eu sou parte dela.
Temos que aceitar as regras democr�ticas,
um indiv�duo n�o influi.
Um indiv�duo n�o pode fazer nada.
Nada? N�o pode fazer nada?
N�o, n�o como eu acredito.
Eu n�o perten�o a nenhum sindicato.
- � necess�rio negociar. - Negociar?
- Sim - E ent�o?
- Voc� n�o sabe? - N�o.
Voc� n�o � das que seguem tudo isso?
N�o.
- Mas vai por a� perguntando.. - Claro que pergunto.
Pergunto ao povo consciente.
Leia o jornal e assim voc� vai aprender.
N�o � poss�vel falar sobre isso?
O que acontece com estas negocia��es?
D�o resultados?
Quanto tempo passar� at� que exista igualdade na Su�cia?
Igualdade de classes e de sal�rios?
- � preciso muito tempo. - Por qu�?
As pessoas s�o conservadoras.
Elas n�o gostam de grandes mudan�as.
Por exemplo?
� necess�rio seguir aumentando
a atividade e a interven��o do Estado
nas empresas e no mundo dos neg�cios.
Isso � uma coisa.
O que mais?
Mais?
O que mais podemos fazer?
Voc� acha que faz alguma coisa contra a sociedade de classes?
- Faz algo para que ela desapare�a? - Embora seja pouco, sim.
Por que � pouco?
Depende da posi��o que se tem na sociedade.
Eu tenho que estar na parte de cima da escala social para fazer algo v�lido?
N�o, n�o, n�o, n�o.
Devemos fazer press�o desde baixo
para que repercuta em todo o sistema.
E aqueles que est�o no topo,
aqueles que tem influ�ncia, fazem alguma coisa?
OLOF PALME, 39 ANOS MINISTRO DOS TRANSPORTES
... entretanto existem reminisc�ncias da antiga sociedade de classes.
Vivemos naquilo que alguns chamam de uma sociedade baseada em rendas.
E isso tem uma explica��o muito simples.
Ganha-se menos no campo do que nas cidades.
Mulheres ganham menos que os homens.
Ganha-se menos quando se � mais velho...
e quando se � jovem.
Nosso sistema de ensino...
perpetua e aperfei�oa...
o sistema de classes com base no rendimento.
Algu�m que termina a Universidade
tem rendimentos em torno
de 6 ou 7 vezes superiores a de uma pessoa
com estudos b�sicos que trabalha no campo.
Vem aqui.
Essas batidas se ouvem na grava��o.
O problema das classes est� evidente na sociedade sueca.
E � algo contra o que lutamos desde o in�cio.
A que classe voc� pertence?
� �bvio que perten�o � classe m�dia.
Voc� l�, voc� v� as coisas acontecendo
e elas acabam por formar um padr�o.
Isso aconteceu comigo entre os 15 e 20 anos.
Em seguida
descobri a sociedade americana.
Em que ano voc� viajou para os E.U.A.?
Em 47 ou 48.
Fui de carona.
Tr�s meses e sem dinheiro.
O que eu li acabou por me influenciar.
A fic��o tem um significado pol�tico.
Existe uma rela��o entre a economia e as impress�es visuais.
� uma boa combina��o.
- O qu�? - Nada, quanto tempo voc� precisa?
Eu n�o sei, 15 minutos.
MARTEN, "O RATO", 5 ANOS
- Quem? - O "rato".
O "rato", sim, ele est� aqui.
Queria perguntar algo, mas ele se arrependeu.
Eu n�o queria que Olof fosse ministro.
Nem eu.
Voltemos para a Su�cia. Segundo uma determinada vis�o,
no estrangeiro dizem que fomos longe.
Voc� acha mesmo?
Sim, claro que fomos longe se compararmos
com a Su�cia de antigamente
cerca de 30 ou 40 anos atr�s.
Mas n�s n�o chegamos longe
se queremos realmente
alcan�ar a utopia de uma sociedade sem classes, igualit�ria.
Quase tudo est� por fazer.
Temos um governo social-democrata,
mas em 30 anos
se conseguiu muito pouco.
Agora n�o.
Est� chateado?
Est� chateado.
Ano: 1974.
S�o 6 ou 7 anos.
Espera viver at� l� pelo menos...
Deixe de brincadeiras, ok?
Voc� est� muito mau-humorado.
Por acaso percebeu como Magnus e voc� se comportavam enquanto Palme falava?
O qu�?
Eu preciso de calma para fazer este filme, ok?
E voc�s dois, sentados, brincando, assim n�o � poss�vel.
Eu n�o suporto os discursos de Olof Palme.
Eu n�o entendo o que ele diz.
Voc� poderia fingir.
Pelo menos poderia fingir entender alguma coisa.
� por isso que eu n�o tenho uma cena de amor com Magnus?
Voc� est� louco.
Ou�a.
Quer uma garota para o papel principal?
- Sim - E tamb�m quer uma em sua cama?
Sim.
Se voc� conseguir combinar as duas coisas, ser� melhor, certo?
- Voc� quer o papel principal? - Sim
- E algu�m na sua cama? - Sim
Quem se aproveita de quem?
Nos aproveitamos um do outro,
mas n�o nas mesmas condi��es.
Acredita que � necess�rio ter uma f� religiosa
para aderir ao movimento da n�o-viol�ncia?
MARTIN LUTHER KING JR, 37 ANOS
N�o necessariamente.
Se algu�m n�o suporta que lhe ataquem,
o que ocorre?
Fala com ele e diz
que n�o pode estar no movimento?
Recomendamos para aqueles que n�o podem
resistir a um ataque direto,
aos que respondem violentamente
que n�o participem das manifesta��es.
Nossas regras devem ser respeitadas.
Eu gosto dele.
Acreditamos que algu�m que n�o suporta ...
- Claro que voc� gosta. - Sim.
Fale sobre coisas mais interessantes que Olof Palme.
- N�o, n�o � isso. - Ele acredita no que diz.
n�o deveria participar ... e o desanimamos.
N�o-viol�ncia?
N�o-viol�ncia?
N�o-viol�ncia?
N�o-viol�ncia?
Como fazem os "mods" e todos esses?
Voc� j� ouviu falar da n�o-viol�ncia?
- Da n�o-viol�ncia? - Sim
- Eu n�o, pelo menos. - N�o, n�o sei nada sobre isso.
Muito obrigado.
Ao utilizar m�todos n�o-violentos,
demonstram ter uma cultura
que os impede de fazer mal aos outros.
Dr. Martin Luther King, por exemplo.
Voc� conhece os m�todos que ele utiliza?
Sim, mas n�o quero lutar por sua causa.
Melhor ou pior?
Mais ou menos igual.
Voc� j� pensou em ser objetor de consci�ncia?
N�o, nunca.
N�o.
N�o.
N�o.
N�o.
Sim.
Minha �nica id�ia... e n�o acho que seja o �nico
� sair do ex�rcito o mais r�pido poss�vel
De um certo modo,
voc� sai muito antes dos outros, se n�o revelar que � um objetor.
Ao contr�rio, se me declaro objetor, acabo ficando mais tempo aqui.
Olha, agora o ex�rcito me paga.
Paga para ficar dez meses em Estocolmo.
Eu tenho comida e cama, acabo o servi�o � uma e meia ..
Sim, e posteriormente, te ensinam a matar.
Voc� entra em um sistema, tem uma miss�o.
N�o nos ensinam nada.
VOC� EST� LIVRE DO SERVI�O MILITAR
N�s n�o sabemos o que fazer em uma guerra.
Ent�o, dever�amos ter um ex�rcito?
- N�o, absolutamente. - Ent�o, por que n�o ser um objetor?
Deve-se objetar no plano militar e de defesa.
Voc� pode trabalhar pela paz
em alguma institui��o civil.
Existem alternativas civis ao servi�o militar.
Encorajamos todos que sejam objetores de consci�ncia.
Se invadirem a Su�cia, como nos defenderemos?
Voc� acha que � poss�vel lutar em tal caso?
N�o estou formado para a luta,
n�o me ensinaram nada disso.
E se ensinam aos que s�o formados?
Pergunte a eles.
Eu n�o sei, n�o acredito.
Depende do local que ocupe no ex�rcito.
O que voc�s fariam se nos invadissem?
Em primeiro lugar, nunca iria me render.
A Su�cia n�o se rende, mesmo que o r�dio anuncie
que fomos derrotados.
Devemos considerar falso, n�o devemos levar a s�rio.
- Simplesmente ... - Ensinam isso a voc�s?
Est� no programa.
Todos recebem um folheto chamado "Em caso de guerra".
RECUSE A MORTE!
TORNE-SE UM OBJETOR DE CONSCI�NCIA!
APOSTE NA N�O-VIOL�NCIA
Se voc� ensinar a todo um pa�s,
a todos os seus habitantes,
as possibilidades se multiplicam.
EM CASO DE INVAS�O
Se voc� conseguir ensinar a todos, a possibilidade pode ser maior.
Eles saber�o que muitos ser�o torturados,
que muitos ir�o morrer,
mas a vantagem � que haver� menos mortos
que em uma guerra normal com bombardeios.
Reduzem-se as baixas.
Isso tem que valer para alguma coisa.
Onde est�vamos?
SOCIAL-DEMOCRACIA: CONSCI�NCIA CULPADA
Negocia��es, manifesta��es, greves, paralisa��es
sabotagens e greves de fome.
N�O-COOPERA��O
SABOTAGEM Sabotagem, boicote econ�mico.
CONFRATERNIZA��O Desobedi�ncia civil, paralisa��o.
- Governo paralelo. - Isso tamb�m.
- Para quem enviamos isso? - Para o alto comando.
� necess�rio ensinar isto �s pessoas.
- Ontem eu tentei no chuveiro. - S�rio?
Que tal?
N�o foi nada bom.
- Voc� deixou reto? - Fiz como voc� havia me dito, assim.
E com o aspirador de p�?
Conhe�o uma que utilizou o aspirador.
Para isso prefiro usar um vibrador.
INSTITUTO NYMAN
- Magnus! - O que � isso?
Deixe-me passar.
Mas o que � isso? Voc� roubou?
Quieto.
N�o tem perigo, est� dormindo.
Papai, estourou a guerra civil na Espanha.
Motins em Adalen, matam trabalhadores.
Greve Geral!
O que disse?
- Como voc� conseguiu? - Sim, isso, como?
- Voc� foi perseguido? - N�o aconteceu nada.
Voc� foi �timo, Magnus, fant�stico.
- Hey, Lena. - O qu�?
O que � o Instituto Nyman?
Eu fiz tudo sozinha.
Ningu�m me ajudou.
Os jornais pouco falam das coisas, n�o confio.
A ci�ncia � lenta, n�o d� resultados.
Devemos fazer sozinhos.
- Magnus, inicie com as c�pias. - O que � esta bolsa?
O que � isso?
Grandes pr�mios.
Uma casa de praia na Espanha.
Um cruzeiro ao redor do mundo.
Uma semana na academia com a princesa Birgitta.
As pessoas s�o t�o ego�stas
que preferem n�o trabalhar a pagar mais impostos?
Deixam de trabalhar porque n�o ganham fortunas?
Voc� n�o acha que o trabalho significa alguma coisa?
Voc� � t�o est�pido?
Sabe o que me parece?
Que voc� � de direita.
Leiam "Svenska Dagbladet"!
O jornal com opini�es ultrapassadas!
O jornal com gota, "Svenska Dagbladet"!
O jornal com dores no ci�tico!
O jornal com as opini�es mais ultrapassadas!
ESTUDANTES CONSERVADORES
Alguns nascem com limita��es.
Sentem-se perdidos, s�o desajeitados,
s�o incapazes para os estudos.
Para outros, � o oposto.
Desde o nascimento, s�o inteligentes,
t�m possibilidades, sa�das.
Devemos recompens�-los por isso?
Eles t�m os melhores empregos, com sal�rios mais elevados.
Eles fazem o que querem, possuem uma boa posi��o social.
Voc� n�o acha que dever�amos mudar isso?
Ent�o?
Bom dia.
Voc� sabe se algum marginalizado mora aqui?
Algu�m pobre que n�o tem como pagar o dentista?
Pode ser um viciado em drogas.
Sou do "Expressen" o peri�dico com rabo preso.
Queremos que os conservadores ven�am em 68
e, para isso, estamos entrevistando dez pessoas em p�ssimas condi��es sociais.
Pode nos ajudar?
Sim, suponho que a sociedade de classes sempre existir�.
N�o podemos fazer alguma coisa?
- N�o, nada - Por que n�o?
Bem, ela sempre acaba reaparecendo
ainda que voc� tente destrui-la.
Basta olhar o que est� acontecendo na URSS.
Eles podem ter suas casas, suas profiss�es, tudo muito bem.
Mas n�o se pode tentar?
N�o deu certo em pa�ses com condi��es muito piores.
Parece-me horr�vel.
Eu fui � Embaixada da R�ssia com uma pergunta simples.
FUNDARAM UMA NOVA SOCIEDADE CLASSISTA?
Ent�o, Ulla, Magnus e eu fomos �s ag�ncias de viagens.
EST�O DE ACORDO COM A GUERRA CIVIL?
FRANCO A VENCEU
VOCE GOSTA DE FRANCO?
SALAZAR � SEU AMIGO
Eu fui para o aeroporto.
Havia turistas que retornavam da Espanha.
N�o era dif�cil distinguir os ricos e os pobres.
Voc� est� com vergonha de ir para um pa�s com uma ditadura?
Vergonha?
- Envergonhou-se - N�o mesmo.
N�o, por qu�?
Pelo regime ditatorial de Franco.
Tamb�m h� tend�ncias ditatoriais na Su�cia...
quando uma garrafa de u�sque custa 50 coroas.
Isso me parece uma forma de ditadura.
Bem, ficamos em d�vida...
- Pensamos em Israel. - � dif�cil saber ...
E como a viagem para Espanha era mais barata, fomos pra l�.
E na sua opini�o, como vive o espanhol de forma geral?
Muito bem.
N�o parecem viver em condi��es ruins.
Em Can�ria n�o est�o reclamando.
Eles s�o muito pobres, vivem muito mal, isso se nota.
Voc� gosta de Franco?
Eu prefiro n�o me manifestar.
Por que n�o?
- Por que eu devo dizer? - E por que n�o?
- Tem algo a dizer? - N�o, acho que n�o.
- Eu prefiro n�o opinar. - Por que n�o?
Melhor perguntar a Hasse Ekman.
Se voc� perguntar aos espanh�is
o que eles acham de Franco,
eles dir�o:
"Franco est� bem".
O que aconteceria se n�o dissessem isso?
Rua, rua.
- Voc� j� pensou em Franco? - Nunca pensei em voc�.
- N�o, em Franco. - Em Franco?
- O que acha dele? - Voc� o conhece?
- N�o. - Eu tamb�m n�o.
O que voc� diz sobre o seu regime?
Estive l� de f�rias, n�o irei falar de pol�tica.
Fui l� para tomar banho de praia, descansar, n�o falarei de pol�tica.
- Isso se esquece logo adiante. - Voc� esquece?
- � claro. - Sim?
- Se esquece de tudo. - Voc� n�o se importa?
- � outra coisa. - � o cansa�o.
De tudo, absolutamente.
Bem, eu n�o diria isso,
mas eu realmente n�o tenho opini�o sobre o assunto.
- Voc� n�o tem opini�o? - Eu n�o tenho.
Um pa�s inteiro passa por uma ditadura,
mas voc� n�o se importa.
N�o exatamente, mas eu n�o me envolvo nisso.
BOICOTE �S VIAGENS PARA A ESPANHA!
AS VIAGENS � MALLORCA S�O UMA VERGONHA
ESTAFAM OS TRABALHADORES ESPANH�IS
ENFRAQUE�AM O ESTADO FRANQUISTA
LEVEM O SOCIALISMO � ESPANHA!
Ol�.
- Ol�. - Ol�.
- Voc� est� me ouvindo? - Sim
O que voc� precisa t�o de repente?
Eu quero ir a um hipnotizador.
Antes seria bom que voc� pagasse aquilo que me deve.
Claro, mas ...
N�o te dou alguma coisa de vez em quando?
- Sim, de vez em quando. - O que posso fazer?
- Como vou pagar o aluguel? - Eu preciso disso hoje!
- Cale a boca, voc� quer que me despejem? - Ent�o o qu�?
Voc� me prometeu.
Voc� me prometeu pelo menos dez vezes e nada!
Quieta!
E j� faz tr�s meses que voc� me emprestou pela �ltima vez!
- Sempre a mesma coisa! - Pare!
Ok, ok.
- Tudo bem. - Estou esperando
Preciso que leve um recado.
E eu preciso que me adiante cem coroas.
N�o, n�o pode ser.
- Ok, ent�o onde devo ir? - Ao Conservat�rio.
Eu tenho que levar um recado, estou indo.
Evert Svensson, o encarregado, se ocupa de defender a f�brica.
- Qual � a sua miss�o aqui? - Sabotar essas m�quinas.
Que m�quinas s�o?
M�quinas que fabricam bombas injetoras
de motores a jato e a diesel.
- Equipamentos sens�veis? - Muito, s�o eletr�nicos.
Voc� pode explicar como faz a sabotagem?
Demonstrarei.
Bem, este � um retransmissor.
Basta que algu�m mexa em um detalhe do retransmissor
para que ele deixe de funcionar.
- � dif�cil de descobrir? - Muito.
Al�m disso, sou o respons�vel por tornar dif�cil a localiza��o,
exatamente para que levem mais tempo consertando.
Este � apenas um detalhe de um plano geral?
� um mero detalhe.
Existem muitos m�todos � nossa disposi��o.
Voc� n�o acha que corre perigo de ser despedido caso o inimigo descubra?
Talvez, mas � preciso diferenciar entre a causa e as pessoas.
Vamos lutar contra a causa do inimigo.
CONFRATERNIZA��O Confraternizaremos com os soldados.
- Voc� acredita na n�o-viol�ncia? - � claro.
Assisti a um curso de forma��o para adultos
e me pareceu uma filosofia razo�vel e apropriada.
Esteve no ex�rcito, se eu estou certo.
- Voc� acredita na n�o-viol�ncia? - Sim
Acho que se mostrarmos
a efici�ncia do plano de sabotagem ...
- Lena! - Saia!
- Lena. - V� para o inferno!
- Maldita garotinha. - O que houve?
�s vezes n�o entendo ela.
Somente assim o inimigo respeitar� a Su�cia.
Que consequ�ncias tem uma sabotagem?
Conseq��ncias grav�ssimas.
Por exemplo, os avi�es n�o ir�o voar.
Os novos �nibus n�o ir�o circular.
Est�o cegos, ficaram cegos.
- Os ministros? - Sim
Bom, os que t�m indagado
e est�o interados sobre tudo isso.
Acreditam que aqueles que enxergam ir�o cuidar dos cegos.
Ent�o, imagine quantos ficam...
Imagine quantos existem neste pa�s.
� dif�cil imaginar quantos cegos existem neste pa�s.
Sim, sim.
Os pa�ses ricos mandam um dinheiro aqui e outro ali
aos pa�ses pobres, voc� sabe.
Mas, primeiro, devemos olhar para casa.
O que voc� disse?
N�o seria melhor que cuid�ssemos de nosso pa�s,
antes de se preocupar com a situa��o dos outros?
O Terceiro Mundo.
Sim, querem educ�-los
para serem funcion�rios administrativos,
para transform�-los em metal�rgicos,
para encher caldeiras.
Eu n�o sei do que se trata, mas ...
Caldeireiros, tudo bem, mas metal�rgicos ...
esses trabalham com tornos, m�quinas delicadas.
� preciso saber como manej�-las para que haja ...
Preste aten��o.
Onde voc� trabalha?
Ele trabalha em uma loja de roupas masculinas.
Bem, voc� entendeu?
Em Ryd�ns.
- � divertido? - �s vezes.
Est� em Kungsgatan.
- O que faziam? - Convers�vamos.
N�s convers�vamos sobre roupas.
- �? - De meu trabalho.
- Falavam de roupa? - Sim
- � um menino muito simp�tico. - Com certeza.
Claro, tem que ser, se voc� trabalha em uma loja.
Eu posso dar uma olhada no seu quarto?
V� em frente, mas � uma bagun�a.
Eu posso?
V� em frente.
V�.
Tome, o dinheiro que voc� me pediu.
Onde voc� conseguiu?
Tem somente 95 coroas.
Como voc� se parece com sua m�e.
Por que voc� tem uma foto de Franco na parede?
CONCURSO!
- Ei, o que � isso? - Arquivos.
O que significa "R"?
� de religi�o.
- Est� muito vazio. - Comecei recentemente.
- E o "M"? - Masculino.
Masculino.
- Voc� coleciona homens? - N�o, colecionava.
Olhe.
Voc� � muito bonita.
- Foi? - Voltou ao trabalho.
� melhor eu ir.
S�rio?
N�o.
Muito obrigado.
Voc� n�o sabe?
Obrigado.
- N�o. - Sim
- N�o d� certo. - N�o d� certo?
- N�o, imposs�vel. - Imposs�vel?
- Claro que sim. - N�o.
- Dar� certo. - N�o.
Voc� vai ver que sim.
Venha, me ajude.
- Como � lento. - J� vou.
CUIDADO
R�pido.
FECHADO NA HORA DO ALMO�O
FECHADO TODA A TARDE
Kristina.
Kristina.
Kristina.
Vamos, se apresse.
- Colocamos len�ol? - Sim.
Pegue a ponta e estique.
SOU LIVRE
- Travesseiro? - Travesseiro, sim.
J� posso.
- Eu fa�o isso sozinho. - J� est� feito.
J�?
Ei.
A cadeia informa que a m� recep��o
no sul da Su�cia deve-se
a um problema de pouca ere��o.
Muito socialista, um verdadeiro fan�tico.
Pertencia a grupos de jovens e tamb�m cantava.
- �? - Cantava bem.
Tamb�m recitava poemas.
Depois foi para a Espanha,
em fun��o da Guerra Civil.
As Brigadas Internacionais.
Quanto tempo?
Tr�s semanas.
- Feriu-se? - N�o.
- Por que voltou t�o cedo? - N�o sei.
- Voc� perguntou a ele? - N�o me respondeu.
� muito desagrad�vel ter Franco na parede.
�.
Eu n�o gosto.
Fotos dos campos de concentra��o.
N�o gosta de Franco?
11.273?
Os dias desde que fugiu da Guerra Civil espanhola.
Tem carteira de motorista?
- Tem carteira de motorista - Sim
- Voc� j� fez a comunh�o? - Sim, sim.
- Voc� j� pensou em ser objetor? - Sim
Como voc� dorme com essas fotos?
"As mulheres devem ganhar o mesmo que os homens?
N�o.
- A mesma liberdade sexual? - Sim
- Voc� � casado ou solteiro? - Solteiro.
Devemos separar Igreja e Estado?
N�o.
- Ser� que devemos abolir a monarquia? - N�o.
- Em quem voc� votou pela �ltima vez? - Para os conservadores.
- E antes? - No Partido do Povo.
- A sociedade sueca � classista? - N�o, de forma nenhuma.
- De onde conhece meu pai? - Da loja de quadros.
Tomamos um caf� e conversamos.
Stig Bjorkman, nascido em 41, confirmado.
Tem carteira de habilita��o.
- Pode emprestar dinheiro a meu pai? - Sim.
- Achei que sim. - Alegre-se, Lena, alegre-se!
- Quando voc� passou a gostar de mim? - Na loja de quadros.
- Acha que foi bem? - Na entrevista?
Sim, fui muito bem, muito bem mesmo.
Com quantas voc� j� dormiu?
Nunca contei, e voc�?
- Quanto � isso? - 23.
- Os 19 primeiros foram brincadeiras. - Anda j�.
Eu sou o n�mero 24.
INSTITUTO DE CINEMA
CENSURA
Ulla, contate a R�dio Su�cia e pergunte pelo pastor Dalm�n.
O diretor Skoglund manda lembran�as.
Diga a ele que temos um problema n�o-resolvido
O que acontece?
Ei, Lena.
Eu estou indo.
- Tenho que ir. - N�o, n�o v�.
- Realmente, eu tenho que ir. - N�o.
S�rio Lena, � muito tarde.
Vamos l�, me escute, Lena.
Tenho que ir.
� tarde demais, voc� est� dormindo.
- N�o, eu vou com voc�. - N�o, n�o, n�o, voc� se deita.
- Dorme. - N�o, � melhor ir com voc�.
Ok, mas r�pido, r�pido.
Vista-se, v�, r�pido.
- R�pido. - Sim
Minhas cal�as.
Onde est�o minhas cal�as?
E meus suti�s?
- N�o os coloque. - Sim
Rune!
Ol�, podemos subir?
Como est� tudo?
Sim.
Bom dia.
Bom dia.
- R�pido. - Espere!
14 de junho, ter�a-feira.
Raiou o sol �s 2:35.
Temperatura em Estocolmo 16,7 graus.
Santo do dia: Hakan.
No Rio de Janeiro
voc� pode foder gr�tis.
O primeiro-ministro acorda
disposto a resolver os problemas da Su�cia.
Tamb�m o ministro da Economia
os esquerdistas ran�osos
e toda a economia mista.
O chefe da direita esfrega os olhos...
acordou do pesadelo.
Torsten Eriksson
levanta-se e faz xixi
enquanto pensa sobre a seguran�a da pris�o de Kumla.
Per Wrigstad se arrasta at� o Expressen.
Das profundezas dos cora��es suecos
cantamos uma bonita can��o
em honra a nosso rei.
Seremos fi�is a ele e � realeza.
Tornaremos mais leve o peso da coroa.
A f� que nele depositamos nunca se quebrar�.
Ou�a-me povo, essa � a lei.
Carl-Gustav!
Onde voc� est�?
- Posso fazer alguma coisa? - N�o, est� tudo bem.
Estou preparado.
- Est� frio l� fora? - N�o, Majestade.
� uma bela manh� de ver�o.
- Quero dizer, fresquinha. - Um pouco.
Esperemos que Carl-Gustav venha com os bilhetes
Ele prometeu se encarregar disso.
Devia passar pela ag�ncia de viagens ontem.
Eu entendo que n�o � o momento, mas diga-me, como se sente?
Sentir? Em rela��o ao qu�?
H� milh�es de anos que existem reis na Su�cia.
Qual a sensa��o de ser o �ltimo?
D�-me um momento
e vou pensar em alguma coisa.
Sim, j� pensei.
� importante distinguir entre o indiv�duo e o seu papel hist�rico.
� algo que nos ensinam desde a inf�ncia.
Lutei toda a minha vida
para separar minhas tarefas da minha pessoa.
Acredite em mim quando digo que me esforcei.
Mas �s vezes, � dif�cil.
Muito dif�cil.
Nancy Eriksson disse na televis�o,
que os socialistas n�o querem que saia do poder.
Pelo contr�rio, voc� tem sido um representante ...
- Sim, sim, eu sei. - Vov�.
Eu estou aqui.
Onde voc� estava? Eu pensei que voc� tinha esquecido.
Bem, eu ...
- Aqui est�o eles. - Obrigado.
Foi �timo conhec�-la, Lena.
Mas eu estou cansado. Vou descansar um pouco.
Estamos indo para Rydens.
Foi um prazer.
Mas como voc� se sente?
Voc� sempre ser� o pr�ncipe herdeiro.
N�o dou a m�nima para isso.
Pode ligar pra mim?
- Como? - Est� no guia de Rydens.
Espero que fa�a tempo bom na It�lia.
N�o muito quente.
- Em Roma ... - Estou seguro de que est� bom.
N�o me importaria ir,
mas h� tanto o que fazer no Instituto.
Vamos.
Cuidado com o degrau, � isso a�.
Voc� vai com papai para a It�lia.
Eu sei que d�i, mas est� quase tudo pronto.
Olha como Lotta est� linda.
Quem vem?
- Quem vem? - Papai.
Ol�.
Ol�.
- Ol� Lotta. - Papai.
- Sim - � o papai.
Sim, � o pai.
Sartre sugeriu que o tribunal atuasse da mesma forma
que o Tribunal de Nuremberg
para julgar os crimes de guerra no Vietn�.
"N�s n�o representamos governos ou partidos,
n�o aceitamos ordens de ningu�m".
Essas foram suas palavras ao iniciar o julgamento.
"Nossa falta de poder", acrescentou,
"garantiu nossa independ�ncia".
Onde est�?
Assim.
- N�o, comida. - Isto � comida.
Vamos, coma.
Vamos, voc� tem que comer.
Voc� quer alguma coisa? Um sandu�che?
Sim, obrigado.
Uma cerveja?
Marie.
O que �?
Abra.
- Emoldurou o quadro. - Voc� gosta?
- N�o, agora eu pinto muito melhor. - Mas � bom.
Passamos muito bem esta tarde.
Voc� est� feliz?
Sim.
�s vezes me esquecia do quadro da vergonha.
Mas algo me lembrava
que meu pai tinha fugido da Guerra Civil espanhola.
Ansiosos para darmos nossas opini�es,
Ulla, Magnus e eu fomos �s Embaixadas.
Havia um carro da pol�cia diante da Embaixada Norte-americana.
O carro ficou l� durante todo o ver�o.
Expliquei a eles que era um posicionamento intelectual.
SU�CIA CONFIOU NOS EUA
AGORA NOS ENVERGONHAMOS
Foi uma r�pida demonstra��o.
SABEM POR QU�?
Estados Unidos, assassinos!
Estados Unidos, assassinos!
EUA FORA DO VIETN�
No dia seguinte fomos at� a embaixada chinesa.
Em seguida, at� o embaixador sovi�tico, mas ele n�o estava.
SOCIALISMO SEM TIRANIA
Quem estava era Yevtushenko.
Ele disse que nossos cartazes mentiam.
Como? O que voc� quer dizer?
� muito simples.
Milh�es de pessoas em todo o mundo
vivem na pobreza, algo que voc�, Lena Nyman,
n�o suportaria nem cinco minutos.
Se voc� escolhe a solu��o capitalista,
ter� livre iniciativa,
ser� capaz de falar, fazer coisas agrad�veis,
mas o desenvolvimento demorar� 300 anos.
Pois que demore 300 anos.
Tente entender, devemos consegui-lo em 30 anos.
O analfabetismo ser� erradicado em 30 anos.
Teremos uma forte industrializa��o em 30 anos.
Voc� acha que isso pode ser conquistado com ternura?
N�o, mas tenha em mente uma coisa, Lena.
O que para voc� � coa��o, n�o � para eles.
H� mil anos que vivem na opress�o.
Trinta anos a mais, para eles
n�o significam nada se sabem que estar�o melhor.
Mas e o pensamento �nico?
E os expurgos? E as deporta��es?
A escravid�o?
Que me diz de seu pa�s sob o comando de Stalin?
Ele escreveu poemas sobre o terror em que viviam.
Voc� nega?
Nega?
N�o, n�o nega.
Ele sente que a constru��o de um novo Soviete tem exigido um grande sacrif�cio,
mas � preciso correr riscos.
Riscos.
Mas voc� percebe que s�o riscos horr�veis?
� claro que sim.
Mas lhe parece um risco menos horr�vel
que milh�es morram de fome em todo o mundo?
Ali estava eu com o meu medo dos russos e dos chineses,
mas eu sabia que provavelmente eles tinham raz�o.
Isso mexia comigo.
Quando meu pai morreu, eu estava com ele.
N�o, n�o, espere um minuto, assim n�o.
N�o complique sua vida.
Primeiro desenhe uma linha linha fraca.
Assim.
E ent�o, com for�a, assim.
Pronto.
Quando morreu, estava com ele.
Deitado.
Na mesma cama.
Eu n�o parava de dar voltas.
Eu acordei uma s�rie de vezes naquela noite,
n�o conseguia pensar,
estava inquieto.
Quando eu acordei
ele estava com uma coleira azul.
- Os animais sentem a morte? - � claro que sentem.
Uma vez na Espanha
fui a uma tourada, e quase vomitei.
Tome uma bebida.
O que pensa de B�rje? Voc� gosta dele?
� muito simp�tico.
� um bom menino.
Comecei a gostar muito dele.
Voc� acha que eu n�o vi nada pela porta antes de ir?
Claro que sim.
Mas o importante desse garoto, no meu modo de ver...
Bem, nesse dia, conversamos em um bar.
Ele falou de sua filha.
E fazia isso com muito carinho.
Falava dela
como voc�, quando era pequena e sua m�e fugiu.
- Essa puta. - N�o diga isso.
- Era boa. - N�o era!
Voltou depois de oito anos para me levar com ela.
Aqui estou eu sozinho com meu tra-la-l�-l�.
Escuto o rio se movimentando no fundo do vale.
Escute, como se chama ...
- Como se chama? - Quem?
- Esta, a m�e da crian�a. - Marie, ou algo assim.
Levarei meu violino e tocarei,
o rio ser� o contrabaixo.
O que ele quer de mim
se tem uma filha, Marie e n�o sei mais o qu�?
Fique calma, voc� nem se deu conta.
Sim, mas � outra coisa.
Pelo menos eu n�o fico quieta.
Mas este bastardo n�o me disse nada.
Inferno, at� voc� sabia!
Querido rio, rugindo no vale.
Voc� e eu somos velhos e grisalhos.
As meninas querem amantes
que saltem bem alto e corram velozes.
Nosso tempo j� passou.
Eu estraguei tudo.
Nos sentamos e olhamos
os novos pretendentes dan�arem
com as meninas.
Nosso tempo j� passou, nos sentamos e olhamos
os novos pretendentes dan�arem com as meninas.
Interrompemos a programa��o
para dar uma nova informa��o.
Depois de intensos debates
no Parlamento sueco,
temos o resultado da vota��o
sobre o Plano de Defesa Nacional.
Uma coisa � clara,
h� divis�o de opini�es no seio de alguns partidos.
Os resultados s�o os seguintes.
A maioria de social-democratas votaram a favor.
O PC votou esmagadoramente pela n�o-viol�ncia,
a direita votou contra.
Portanto, temos 187 votos contra
e 196 votos a favor.
Aprovou-se, assim, a proposta de defesa n�o-violenta.
Todos os cidad�os dever�o comparecer
a um curso de quatro meses de t�cnicas n�o-violentas
e participar de treinos a cada tr�s anos.
Pela primeira vez na hist�ria da Su�cia
isso aplica-se para homens e mulheres.
De acordo com pesquisas recentes,
a popula��o � contra esta reforma.
Alguns grupos de estudantes surpreenderam
pelo seu conservadorismo.
No inverno passado, visitamos os novos recrutas.
Naquele dia, o programa chamava-se: "S�cio-drama",
um conceito constru�do pelo movimento de direitos civis nos EUA.
Era uma das primeiras tarefas dos recrutas.
Tratava-se de bloquear uma estrada de ferro.
O que voc� faria se fosse sua esposa, maldito bastardo?
Pare, pare!
Fa�amos a autocr�tica.
Em frente.
Vou calar a boca, falem voc�s.
A mim n�o me parece uma situa��o realista.
N�o me parece l�gico que as coisas aconte�am dessa forma,
que venham desarmados.
- Eu concordo. - � a situa��o ideal.
Se � uma situa��o real e vem um trem de muni��o,
creio que n�o ter�o receio em rela��o aos bloqueios na via.
Voc� me permite participar?
Voc� pode controlar a si mesmo e n�o revidar?
� muito dif�cil, mesmo aqui, nas manobras.
Podemos controlar a agressividade quando se v� cair um companheiro?
Acho que sim.
- Voc� n�o se sente como um covarde? - N�o.
- Voc� est� feliz por estar aqui? - Bem, feliz ...
Antes, as mulheres estavam livres do ex�rcito.
- Voc� acha que foi uma evolu��o positiva? - Sim, claro.
Por que s� os homens podem lutar?
Por que somente eles podem morrer?
Isso realmente n�o faz sentido, � um absurdo.
Conversaremos com o instrutor.
De fora, isso parece um acampamento de exploradores.
N�o tem muito o que ver com a guerra.
� t�o realista quanto as manobras do ex�rcito cl�ssico.
Na verdade isso lembra os cowboys subjugando os �ndios.
Sinceramente, n�o vejo a diferen�a.
Trata-se de fazer amizade com o inimigo?
Sim, tal como na Primeira Guerra Mundial,
quando os soldados de ambos os lados
trocaram cigarros e confraternizaram.
Mas confraterniza��o n�o abre a porta para a propaganda?
Claro, mas tamb�m poder� abrir espa�o para nossa propaganda.
Isso � importante.
Temos de ser abertos.
Ent�o, quem pode suportar melhor a press�o?
Aqueles que conhecem as t�cnicas
de uma guerra convencional
s�o os que melhor resistem ...
Bem, agora mudamos de lado.
Bem, os defensores que estavam aqui abaixo
agora ser�o os atacantes.
E os atacantes defender�o as vias.
Eles ficar�o ali.
� importante que todos sintam o est�mulo,
que sintam o prazer, a excita��o
que produz a viol�ncia.
Todos devem passar por isso. Iniciemos.
Mudem de lado!
R�pido ou vamos congelar.
Pronto.
Agora!
Nas profundezas do meu cora��o
creio sinceramente
que acabaremos vencendo.
Bastardo de Estocolmo!
Vai se foder, filho da puta!
MENSAGEM � HUMANIDADE
VAMOS ACABAR COM
AS CLASSES PRIVILEGIADAS DO MUNDO
AVISO AOS N�O-BRANCOS
N�O CONFIEM NELES, OS BRANCOS S�O TRAIDORES
Ol�.
Quem � voc�?
- Procure no arquivo, o n�mero 24. - O que voc� est� fazendo aqui?
Vim buscar Lena para um trabalho.
N�o estava.
- Sabe onde est� Lena? - Sim
- Onde? - Em um retiro.
N�o sabe o que � um retiro?
- Onde est�? - Ela quer ficar tranq�ila.
J�, j�, mas quer me ver antes.
- O que voc� est� fazendo aqui? - Moro aqui.
- O qu�? - Moro aqui.
Me pediu para cuidar disso.
- Se foi? - N�o sei.
- Foi? - Quer paz!
O que voc� est� procurando? Lena quer ficar tranquila.
Eu moro aqui, eu n�o sei onde est�.
- Est� mentindo. - N�o.
- Voc� est� mentindo! - N�o!
O qu� est� acontecendo?
- Ei, onde est� Lena? - Em Smaland.
- Onde fica Smaland? - Rumskulla.
Muito obrigado.
06:15 MEDITA��O
07:30 DESJEJUM
TODOS GOSTAM DE COMOMIDADE TANTO QUANTO VOC�
OS 10 MANDAMENTOS DE GYLLENSTEN
TER� SOMENTE DEUSES PRIVIS�RIOS
12:45 ALMO�O
N�O-VIOL�NCIA MARTIN LUTHER KING E LENA
14:10 LUTA CONTRA O LIXO
18:30 JANTAR
22:05 EDUCA��O SEXUAL (TEORIA)
VARIA��O E RENOVA��O SEXUAL
ESTUDOS DIAL�TICOS
- Voc� vai � igreja? - Nunca.
- Por que n�o? - Por que n�o dizem a verdade.
- N�o dizem a verdade? - N�o.
N�o dizem a verdade, n�o.
N�o tenho mais que v�-los.
Eles vem rezar pelos pobres, mas olhe como s�o.
Olhe o que eles fazem.
Gostaria de uma mulher que lhe ajudasse, Tor?
Claro, eu sempre quis ter uma.
Voc� gostaria?
Antes,
meu irm�o cozinhava para n�s.
Anteriormente,
vivia em casa e cozinhava para todos.
Assim pass�vamos ent�o.
Sempre felizes.
Volt�vamos de onde fosse
porque sab�amos que estava tudo preparado.
Mas n�s nunca cheg�vamos a tempo para o almo�o.
N�o, n�o fa�a isso.
- Porque voc� est� cortando? - Acabou o filme.
� muito simples.
- Use o outro bra�o. - Carregue a c�mera.
Utilize este bra�o.
N�o tem que ser essa posi��o.
Existem muitas outras.
COORDENADORA DE PRODU��O
Nyman!
Nyman, olhe isso.
Venha.
Em linha reta.
Estique bem as pernas e mantenha-se reta.
ASSISTENTE DE PRODU��O
ENGENHEIRO DE SOM
ASSISTENTE DE SOM ASSISTENTE DE C�MERA
SUPERVISOR DE SOM
Lena!
Lena!
Oi, Lena!
Lena!
Venha.
Levei tempo para encontrar voc�, Lena.
- Voc� me procurou muito? - Sim, muito.
Que carro t�o bonito.
Gosta?
Mudei de emprego.
Deixei Ryd�ns.
- O que voc� est� fazendo agora? - Vendo carros.
O que voc� tem feito todo esse tempo?
Olha, esta sali�ncia, entravam por aqui.
Por aqui entravam Selma, Alma, Hulda
Emilia, Amanda, Emil, Oscar, todas as crian�as.
1882, 1883, 1884.
- E essas pedras? - Era o fog�o.
E este lugar pequeno era a casa.
Quarto Mandamento: Proteja aqueles que n�o podem proteger-se.
Quarto Mandamento: Proteja aqueles que n�o podem proteger-se.
- O s�timo? - O s�timo?
Se voc� tiver mais do que voc� precisa, compartilhe com os outros.
- E se n�o, roube. - E se n�o, roube.
Quem diabos � Gyllensten?
Lars Gyllensten era o m�ximo.
Para que serve isso?
Os antigos mandamentos n�o servem para nada.
Por isso voltei a escrev�-los, um, dois, tr�s, etc.
- O primeiro? - O primeiro.
Somente ter� deuses provis�rios.
O que � aquilo?
Escola p�blica de Gronshult.
Tem eletricidade, um po�o, o venderam por 3.000 coroas.
- � muito barato, apenas 3.000? - Sim
As pessoas v�o para a cidade, as mulheres.
- J� n�o ag�entam esta vida. - N�o.
- O sexto? - Ent�o, qual �?
N�o ir� adquirir doen�as ven�reas.
N�o trar� ao mundo filhos indesejados
nem usar� a viol�ncia sexual.
Dever� praticar o controle de natalidade,
pois nascem muitas crian�as.
Fora isso, pode ser prom�scuo.
- Masturbar-se. - Masturbar-se.
- Ser pornogr�fico. - Pornogr�fico.
E tudo relativo a sexo
que desperte tua natureza animal.
Que me desperte...
Se voc� vende dois ou tr�s carros por m�s
ganha em torno de 1.200 coroas.
Um vendedor mediano ganha...
O que � isso?
Nada, dois irm�os que vendem sucata.
Bem, o vendedor mediano ganha cerca de 700 a mais.
Se consegue vender 8 ou 10 carros ...
N�o, n�o vende mais de 4 ou 5 carros.
O caso � que ganha cerca de 1.600 por m�s.
Sim, h� muita concorr�ncia.
Logo voc� tem os melhores vendedores.
- T�pica cidadezinha despovoando-se. - Sim, parece.
- � uma pena. - Sim
Ser� que essas crian�as n�o se cansam daqui?
Bem, ver�, entre eu e voc�, h� coisas que ...
Mas, olha, 64 foi um ano extraordin�rio.
Com um pouco de sorte, ganhava-se 20 mil naquele ano.
- Vinte mil? - Livre de impostos.
- Livre? - N�o haver� mais um ano como esse.
- Olhe estas constru��es. - Sim, eu vejo.
Olha, faz cem anos que levantaram isto.
- Suaram e cansaram para construir. - Sim.
- E deixaram tudo agora - Exatamente.
- Abandonaram tudo. - Sim
Mas os melhores ganham 40.000 por ano.
No Rio de Janeiro
voc� pode comer de gra�a.
Sim, � isso a�,
voc� pode comer de gra�a.
- Est� bem assim? - Muito bem.
E a chave?
- Esqueci. - N�o, est� no chaveiro.
Eu separei e me esqueci.
Bonitas luvas.
Mas deveriam ser mais curtas.
E est�o furadas aqui.
V� busc�-las.
N�o.
Va busc�-las.
N�o.
Diga a Marie.
Foi um imbecil em n�o me dizer.
Se voc� tivesse me dito,
nada teria acontecido.
Mas voc� ficou quieto, como um maldito ...
Um maldito o qu�?
Voc� vai casar com ela?
Eu n�o sei.
Acho que n�o.
Eu tenho uma filha.
Marie e eu temos conversado sobre isso.
Uma crian�a � uma responsabilidade, mas...
N�o acho que iremos casar.
N�o, n�o casaremos.
AVISO � HUMANIDADE: ESTOU BEM, LENA
A maior �rvore da Europa.
Ela tem 14 metros de di�metro
e 2.000 anos.
O que voc� acha?
Sim, sim.
- O qu�? - Acho que sim.
- Talvez. - N�o est� mal.
Eu n�o ag�ento.
EXERC�CIO TELEVISIVO
- Doem os seus ossos? - N�o, as coxas.
Quer massagear minhas coxas?
Estas.
- Aqui. - O que houve?
Toca.
- � assim? - N�o, claro que n�o.
Nos ensinam a apert�-las.
Por qu�?
N�o devemos sentar com as pernas abertas
o m�sculo se atrofia, apenas podemos abrir as pernas.
E voc�, est� com problemas?
Hein?
Voc� n�o disse que tinha dormido com 23 rapazes?
- Os primeiros dezenove n�o valem. - Por qu�?
Dormi com eles porque eles queriam.
Para que tivessem um orgasmo.
Eu n�o podia acreditar
que voc� gostasse de algu�m com minhas fei��es.
Com seios ca�dos.
Barriga grande
E toda minha flacidez.
B�rje.
B�rje.
"Os desejos de Madeleine
s�o ordens para B�rje".
"Neste caso, um secador".
"Um bonito secador novo".
Comprado em uma liquida��o.
Com um desconto de 40%.
PROTEJA AQUELES QUE N�O PODEM PROTEGER-SE
UMA PRAIA LOTADA NA ESPANHA
UM LUXUOSO CRUZEIRO
O GANHADOR PODE SER
VOC�
Lena.
Vem, Lena.
Para Madeleine.
Vem, Lena.
Para Madeleine.
Para Madeleine.
Para Madeleine.
Para Madeleine.
Para Madeleine.
Madeleine � morena ou loira?
Morena.
- A classe social? - Alta.
- Gorda ou magra? - Muito magra
- Como uma modelo? - Melhor ainda.
- Casada ou solteira? - Prometida, mas vai romper.
- Por voc�? - Sim, por mim.
- A conheceu antes de mim? - Sim
- Trepa melhor que eu? - N�o sei.
- N�o dormiu com ela? - Ainda n�o.
- Por que voc� n�o faz isso? - O qu�?
Dormir com ela, claro!
Por que voc� n�o dormiu com ela?
Eu estou farto da sua maldita curiosidade!
Estraga tudo com suas perguntas.
Discursos, interrogat�rios!
E voc� tem a puta mania de n�o dizer nada!
Nem uma palavra sobre Madeleine ou Marie!
Olha, pegue Marie e Madeleine
e adicione aos seus arquivos de merda.
- Vamos, fa�a isso. - Eu n�o quero Marie
nem essa cadela da classe alta!
Voc� quer um urso de merda.
- V� � merda! - Deixe ele em paz!
Porco! Filho da puta!
Olhe, deixe disso, "Mulher insatisfeita".
Sim, boa falta lhe faz.
Dessas voc� j� tem bastante.
- O que eu tenho? - Mulher insatisfeita!
Solte-me!
Venha aqui.
Um maldito secador! E rosas!
Olhe em volta!
Voc� est� metido em algo muito grande, demais para voc�!
Voc� � um mentiroso de merda!
Voc� tem merda em vez de c�rebro.
Por que n�o voc� faz dieta?
Melhor fazer o regime da parede.
Eu n�o quero ... Ou�a!
Eu n�o quero essas tetas em meu MG.
Filho da puta mentiroso! Mentiroso!
N�o dormi muito na noite passada em Fagerdal.
Eu co�ava o corpo inteiro e sonhei muitas coisas estranhas.
Lembro-me de um sonho,
a equipe de futebol de Rumskulla
corria pela floresta.
Conseguia atrapalhar todos, a equipe A e B.
Mas nem todos estavam.
S� havia 23.
Lena.
Lena.
Lena.
Lena.
Lena.
Eu quero falar.
Sou eu, Martin Luther King.
Olha, Martin.
Sinto muito n�o estar a altura.
Mas � assim.
� uma merda.
B�rje � uma merda e lhe matarei a pancadas!
Cortarei seus test�culos!
Voc� mesmo que disse, certo?
"Aqueles que n�o podem respeitar a n�o-viol�ncia
n�o devem participar".
Voc� precisa de pessoas capazes de se controlar.
N�o voltarei a defender a sua causa!
O Conselho de Ministros aprovou a esperada reforma
do Sistema de Defesa Nacional.
O texto a ser entregue
a todos os pa�ses ser� o seguinte:
"O governo sueco faz saber a opini�o p�blica
que se a Su�cia se ver sujeita a ocupa��o inimiga,
resistiremos por qualquer meio
com exce��o da viol�ncia".
"O forte treinamento de t�cnicas de n�o-viol�ncia
a que se submeteram todos os cidad�os suecos,
homens e mulheres, por um longo tempo,
fez com que nos sent�ssimos seguros de que a Su�cia � capaz
de fazer frente a um ataque inimigo".
AP�IEM A BOMBA AT�MICA SUECA
Entre os pa�ses n�rdicos Apenas a Su�cia � neutra.
Para manter nossa neutralidade, precisamos de algum impedimento.
Se n�o for assim, todos ir�o querer uma bomba nuclear.
Todo o Norte ter� sua bomba.
Tal como as coisas est�o,
o risco de guerra nuclear seria alt�ssimo.
Apoiamos em nome da paz.
Na verdade � um mensagem contra a bomba.
� a nossa contribui��o.
Obrigado.
Assim, nos manifestamos contra
uma bandeira t�o perigosa.
Para mim parece uma quest�o muito s�ria.
Isto � horr�vel.
N�o defendam esta bandeira, meninos. N�o queremos bombas.
Como se atrevem a sair defendendo isso?
Al�m disso, fazer isso junto ao pal�cio � uma estupidez.
Tentamos descobrir o que pensa o povo sueco.
Sim, eu entendo, � mais uma coisa psicol�gica.
Obrigado.
A M� CONSCI�NCIA DA SOCIAL-DEMOCRACIA
Cuidado, Lena, isso d�i.
Mas onde d�i mais?
Queremos a sua opini�o, sim, a sua.
Ganhe uma semana de academia com a princesa Birgitta,
ou esta praia lotada na Espanha,
ou alguns de nossos pr�mios de consola��o.
Ningu�m ir� embora do nosso concurso de m�os vazias.
Se pode adivinhar o que Lena pensa sobre a social-democracia...
Pode ser que seja pior em outros pa�ses,
mas todas as sociedades tendem a categorizar as pessoas..
de acordo com sua posi��o social e econ�mica.
Este pa�s tamb�m tem uma tend�ncia a fazer isso.
Mas eu acredito que aqui h�
um sentimento geral de igualdade,
de que fomos muito longe, o que voc� acha?
Sim, conseguimos muita coisa.
N�o s� em termos de ascens�o,
mas tamb�m em termos
de oportunidades.
Isso � bom.
Outra coisa � acreditar que a igualdade atingiu n�veis elevados
como afirmam cr�ticos benevolentes da sociedade de bem-estar.
B�rje.
Voc� vendeu um carro ao engenheiro Johansson.
Eu me lembro bem.
E ele est� muito chateado com suas promessas.
Eu j� lhe disse que voc� n�o devia prometer nada.
R�dio, far�is anti-neblina, e todas essas coisas!
Voc� n�o pode fazer isso, � sua �ltima chance.
Na pr�xima vez, eu te despe�o.
Estou muito irritado, poderia mandar voc� para ..
- Ol�. - Ol�.
Podemos ir a algum lugar?
Sim.
Saio agora. Vou lev�-la onde quiser.
Vamos at� a garagem?
N�o.
Dormiu com Madeleine?
Eu aposto que voc� fez algum progresso com ela.
Mas espero que n�o muitos, porque eu estou com sarna.
Ent�o � isso o que eu tenho!
Corta!
Voc� tinha que acrescentar: "de voc�".
Eu sei. Bem, vamos repetir.
Essa garota se aproveita de mim, me usa.
Me usa como todo mundo.
Como todas as outras.
Este filme � a sua chance.
N�o vai deixar escapar, claro que n�o.
E B�rje lhe ap�ia.
Sa�de, pr�ncipe herdeiro, parab�ns!
Ele est� se lixando para ela.
S� quer competir comigo.
Desculpa, Lena, mas...
os �culos.
Os �culos?
- Retire-os enquanto voc� conversa. - Voc� n�o disse que ...?
- N�s concordamos que ... - Ou�a!
Coloque-os no come�o da cena,
mas se voc� os tirar...
- Decida-se, droga. - Voc� mudou novamente.
- Voc� disse ... - Eu n�o mudei nada.
- Marianne. - Foi decidido que os levaria.
Sendo assim, eu tenho raz�o.
Voc� n�o entende nada.
Primeiro, voc� o leva e, em seguida, se as ...
Quarta tomada sim, quinta n�o, sexta sim,
s�tima n�o, decida-se de uma vez!
Outra vez?
- Sim, vamos repetir. - Vamos repetir.
- Por isso estamos aqui. - Claro.
Mas diga-nos como deve ser, Lena e eu estamos te escutando.
Que bom, que am�vel da sua parte.
- Bom, tiro os �culos ent�o? - Vamos recome�ar.
Voc� fala de Madeleine,
e quando fala da sarna voc� olha nos seus olhos, certo?
Tire-os.
- Combinado? - Sim
Sem �culos?
V� tranq�ilamente, h� um acidente,
voc� para, vem a pol�cia
� uma desgra�a e o dia continua.
N�o est�o concentrados, est� dif�cil conseguir alguma coisa.
- Sim, estou vendo. - Est�?
Bem, se nota no ambiente.
Eu n�o sei como consegue trabalhar sob essas condi��es.
Voc� falou com ele?
N�o.
N�o vai falar?
Sim.
Se � para voc� ficar assim, melhor dizer a ele.
- Acho que sim. - N�o pode ficar pior.
N�o.
- Vamos ver. - Tenha cuidado.
- Sim, um pouco mais. - Mais, veremos agora.
Est� bom?
Olhe.
Ele comprou a moldura de ouro, voc� sabe quanto custou?
- N�o. - 280 Coroas.
- � muito. - Sim
E o que far� com ela?
Ir� se sentar e dizer aos seus convidados:
- Ei, lave os p�s. - Sim, sim, sim.
Vai se sentar e dizer aos convidados:
- "Isso me custou 280 coroas". - Bom, e da�?
� uma grande moldura dourada. � muito bonita.
Al�m disso, tem muito valor.
Depois de passar metade da minha vida neste trabalho..
acho que aprendi o valor da arte.
Voc� deve saber que uma moldura serve apenas para decorar,
e que o quadro sempre � mais importante que a moldura.
Que isso?
Ela voltou? Chegou quando?
Poderia pelo menos dizer ol�, n�o � pedir muito.
E os recortes da �sia Oriental?
- N�o os encontrei. - Recortes?
Onde diabos voc� esteve durante todo o ver�o?
Ningu�m se atreve a entrar a� com esse monte de coisas.
- N�o? - N�o.
Chega!
Voc� deveria ficar em casa..
em vez de pegar carona para l� sabe onde.
Voc� devia enviar um postal para seu pai.
Eu estava preocupada com voc�.
- Seria a primeira vez. - Sim.
Eu estava morrendo de vergonha no trabalho..
n�o sabia onde voc� estava.
Isso n�o interessa a ningu�m.
Sim, e B�rje
veio aqui atr�s de voc�.
- Voc� vai sair de casa? - Vamos ver.
Casa? A isto voc� chama de casa?
N�o durmo na cozinha?
- N�o fa�o tudo por voc�? - Voc� se sente culpado.
- Tem um quarto. - Voc� se sente culpado!
Lembra-se da escola?
Voc� foi � festa de final do curso!
Pela primeira e �ltima vez!
Deus, como eu tinha vergonha!
Como eu tinha vergonha de voc�.
Voc� acha que eu posso trazer algu�m aqui?
Aqui?
Voc� est� louco!
Voc� s� fez uma coisa boa em todos os dias da sua vida,
sabe qual?
Ir para a Espanha.
Por que n�o permaneceu l�?
Por que n�o?
Por que voc� voltou t�o r�pido?
Como um rato maldito.
O que ela est� fazendo?
Co�a muito?
Co�a muito?
Algu�m est� na luz.
Obrigado.
At� o pesco�o.
Lena est� na frente dos ladrilhos
co�ando-se ...
Sim, a liberdade � dif�cil, pequena Lena.
Dif�cil � a liberdade, Lena.
� algo que arde e co�a entre as pernas.
Por isso voc� est� aqui agora.
Na se��o 2 �s 7 da manh�..
- O qu�? - Esfregue a virilha.
Esfregando-se com DDT.
- Deixo voc� em algum lugar? - Eu n�o vou para o mesmo caminho que voc�.
- Aonde voc� vai? - � assunto meu.
Tchau.
Tchau.
Wic Kjellin, telefone.
Wic Kjellin, telefone.
Este pa�s � como um lago cheio de patos.
S� sabe fazer "quack, quack".
N�s n�o controlamos nossas rea��es pol�ticas.
ALUNA DE ARTE DRAM�TICA, 23 ANOS Os suecos t�m id�ias
que n�o se atrevem a expressar.
Fica muito bonita quando se entusiasma.
Sempre me entusiasmo.
- Ol�. - Ol�.
- Voc�s j� se conheciam? - N�o.
Meu nome � Scherer.
Lena.
Como?
Lena.
E a outra chave?
Bem, me devolva quando voc� puder.
O que disse?
Foi dif�cil?
Deus, estou feliz que acabou.
Compre o nosso filme,
o �nico filme em duas vers�es,
amarela e azul.
Compre a amarela, compre a azul.
Compre as duas.
O mesmo filme, ainda que diferentes.
Tradu��o e sincronia: Andr� Vinicius Jobim
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