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convida voc� a experimentar
O MENU
Gata.
Por favor, n�o fume. Mata seu palato.
E meu palato morrer� feliz.
Margot, esta noite � important�ssima.
Os perfis de sabor s�o supersutis.
Quando fuma, n�o consegue
- apreci�-los. - Qual �?
Por favor. Por favor.
Est� bem. Jesus!
Obrigado.
At� que enfim!
Vai caber todo o mundo?
Facilmente. S�o s� 12 clientes.
Por noite?
Como lucram?
Cobrando $1.250 por pessoa.
Est� brincando, n�?
Vamos comer um Rolex?
N�o vamos falar de pre�o!
V� na onda.
Deixe ser m�gico.
A�! A grana � sua.
- Nada mal! - Valeu, cara.
Voc� merece.
Sabe quem vai amar? Betty!
Foda-se o departamento cont�bil.
Nem � jantar com cliente.
Somos babacas, n�?
S� faltava! A elite da degusta��o.
Chegam b�bados � entrada.
- Oi. - De barco.
Como chegar�amos a...
De salto numa prancha!
Essa, n�o!
Puta que pariu!
Lillian Bloom. Ai, meu Deus.
Quem � Lillian Bloom?
Cr�tica gastron�mica da Saveur.
Ela descobriu o Slowik.
� oficial.
Esta noite ser� insana.
Todos a bordo para Hawthorn!
Hawthorn! Todos a bordo!
Senhoras e senhores, acomodem-se
para a viagem � Ilha Hawthorn.
- Obrigado. - Aten��o!
E zarpar, marujos!
Tomara que n�o afunde.
Sim, senhor. Sim.
Jarg�o de barco.
- �, �. - Barco.
- Estamos num barco. - �.
Pessoa Famosa a bordo?
PF na �rea.
Nem t�o famoso. � de 1998.
� Pessoa, e � Famoso.
Meu Deus. Veja s�.
N�o ia servir de distra��o?
N�o deixar que me incomodem.
Sabemos que n�o se incomodou.
Vi todos os filmes dele.
- Escute. - Dizem que � gourmet.
Ele acha que �.
Chef Slowik d� boas-vindas
com ostras locais numa emuls�o de resed�
com caviar de lim�o e mert�nsia. Bom apetite.
- Lindo. Obrigado. - Obrigada.
� um cl�ssico dele.
O caviar de lim�o � um alginato.
Alginato tipo...
De algas. Coma.
Certo, �.
- Lama de lago. - N�o �...
Delicioso.
Ai, meu Deus.
Faz rir.
Faz rir de t�o bom que �.
� bom.
Mas prefiro s� a ostra.
Amo ostras.
� o equil�brio dos ingredientes.
Precisa do bocado de resed�.
N�o fale "bocado".
Tarde demais. Bocado.
Oi.
Obrigada.
Parece baile de formatura.
N�o fui a bailes de formatura.
Jura? Por que n�o?
Nenhuma das descoladas como voc� aceitou.
Coitadinho!
Fodam-se aquelas peruas.
- Bryce. - Bem-vindos.
Bem-vindo, Sr. Lorimer.
- Oi. Felicity Lynn. - Oi. Boa noite.
- Damien Garcia. - Sr. George Diaz.
- Bem-vindo. - Deu meu nome?
Dei o nome real.
- E os fot�grafos? - Prazer.
� uma ilha. Dei seu nome.
Bem-vindos a Hawthorn.
Sr. Ledford e Srta. Westervelt?
N�o.
Desculpe. Foi um...
N�o � a... A Srta. Westervelt n�o p�de...
� a senhorita...
Prazer, Margot.
Oi. Muito prazer.
Margot. Bem-vinda.
Faremos de tudo para tornar sua noite a mais agrad�vel poss�vel.
- Obrigado. - Por aqui.
Obrigada.
Ai, meu Deus. Desculpe.
Foi constrangedor. N�o quis...
N�o, tudo bem.
N�o se preocupe.
Desculpe.
Sr. Leibrandt.
Sra. Leibrandt. Bem-vindos.
Vamos direto se n�o se importar.
- J� fizemos o passeio v�rias vezes. - Sim, j� fizeram.
Estimados convidados, conversem no caminho, por aqui.
Obrigada. Por favor, venham comigo.
Em que trabalha agora?
Obrigado por perguntar.
Ainda me reconhecem.
� uma fase de apresentador na carreira.
Sabe? � o que me faz feliz.
A Ilha Hawthorn possui 4,8 hectares de florestas e pastos.
Temos a abund�ncia do mar ao redor.
�, certo.
Ali, estamos colhendo vieiras. Voc�s as comer�o � noite.
- N�o, fale s�rio. Porcaria! - Sim.
Colha com vontade, cara!
Estamos famintos!
Caramba!
Gosto do conceito de ser um bioma de ideias culin�rias.
Certo. Funciona como um sal�o de Epicuro.
N�o, gostei mais de bioma.
Bioma � melhor. Sim, �.
Chegamos � base do Monte do Papo-Furado.
Isso � loucura.
Sinta o cheiro.
Vamos estar com fome.
Sou f� de gastronomia.
Adoro tudo isso.
E sou amigo pessoal do chef.
Show, irm�o.
A defuma��o segue a tradi��o n�rdica.
N�s s� usamos carne de vacas leiteiras
maturada por incr�veis 152 dias para relaxar os feixes de prote�na.
- Sim. - Podemos olhar?
Li na internet.
Ah, �? Posso ver?
Churrasco coreano.
N�o toque nas prote�nas. Est�o imaturas.
O que acontece se servir no 153� dia?
� o inferno na Terra por acaso?
Suponho que as bact�rias entrariam
na corrente sangu�nea e chegariam �s membranas da medula.
Depois disso, a pessoa ficaria incapacitada
e expiraria em breve.
Sim, o inferno na Terra.
Que bom que somos profissionais.
Quero trabalhar para ela.
Legal.
� aqui que moramos.
�? Moram aqui de verdade? Todos voc�s?
Todos n�s.
Menos o chef.
�, bem...
A uni�o faz a for�a.
N�o, Sr. Feldman.
� muito mais do que isso.
Somos uma fam�lia.
O dia come�a �s 6h com 5 horas de prepara��o.
N�s colhemos, fermentamos,
matamos, marinamos,
liquefazemos, esferificamos.
N�s geleificamos.
- Eles "geleificam"? - Sim.
N�s geleificamos.
O jantar dura 4 horas e 25 minutos.
O dia termina depois das 2h.
Ent�o � melhor morar aqui.
Nunca torram os miolos?
- "Torrar"? - �, desculpe.
Se cansam de fazer o mesmo?
O chef se cobra padr�o m�ximo, e n�s tamb�m.
N�s s� torramos algo de prop�sito,
para deixar delicioso.
E agora... Quem est� com fome?
Tem comida no final?
Do barco � mesa de jantar.
Elsa.
Com licen�a.
Elsa. Elsa, oi.
Quem mora ali?
O chef.
N�s podemos ver?
Nem n�s entramos no chal� do chef, Sr. Ledford.
Vamos.
Nada de perturbar o Grande Imperador da Subsist�ncia.
�, est� bem.
Nem o bode daqui d� bode?
N�o. Antigamente...
Pegaria o grand�o?
Escolhemos a hora de postar.
E os melhores lugares.
Reservo os melhores.
Com meu nome.
Bem, eu...
Oi, de novo.
Senhores, o parfait?
Olhe essa vista!
Quer tirar foto?
Aonde vamos, chefe?
Venha c�. Troque de lugar comigo.
- Senhorita... - Mills.
Srta. Mills. Sentar� na cadeira da Srta. Westervelt.
Ter� uma vista melhor.
Bem, eu n�o preciso de vista melhor.
Quero ver a cozinha.
Obrigada!
Primeiro, o ros�.
Bom apetite.
SRTA. WESTERVELT
Fiquem � vontade para observarem os cozinheiros inovando.
Mas, por favor, n�o fotografem os pratos.
O chef acredita que a beleza de suas cria��es
est� na natureza ef�mera.
Venha. N�o podemos perder.
� feito com Pacojet?
Exatamente, senhor.
O Pacojet pulveriza e deixa com textura de neve.
Legal.
�. Eu tenho um.
Entende das coisas, Sr. Ledford.
Sabe meu nome?
N�s sabemos quem janta conosco.
O chef est�? Adoraria falar com ele.
Por que n�o se senta?
J� vamos servir.
Certo. Est� bem. Obrigado.
Mais Lambrusco, senhora?
A aten��o ao detalhe. � surreal!
- Ele sabia meu nome! - N�o perguntou o dele.
�, voc� sabe...
Ali est� ele.
N�o acredito.
Ele est� olhando para mim?
ENTRADA
Chama isso de ins�pido?
� ins�pido.
Gosta de inverno?
- N�o. - Muito maluco!
Conserva de mel�o andino,
neve de leite e renda carbonizada.
- Obrigado. - Bom apetite.
ENTRADA: mel�o andino, neve de leite, renda carbonizada
Essa obsess�o incessante por neve.
� uma praga � qual ningu�m � imune.
Sente um gosto de bode?
L� no final. Uma cabritinha.
Ela falou leite.
Me pergunto...
- N�o falou leite de qu�. - N�o.
Quero ouvir sua ideia
mas, primeiro, quero agradecer pelos �ltimos 2 anos.
A oportunidade foi...
A melhor da vida?
- Teremos mais. - � uma despedida.
Posso fazer o brinde?
- N�o �, n�o. - �, sim.
- � uma nova fun��o. - Deus!
Mam�e me botou na Sony.
Avisei h� duas semanas.
Meu celular do trabalho.
- O cart�o. - O qu�? � intransfer�vel.
A chave da sua casa em Los Angeles.
- N�o tenho bolso. - Chave do ap�.
Chave do ap� que a esposa n�o sabe.
- E a Amanda? - N�o vou segunda-feira.
Vamos falar da nossa vida?
- Somos �ntimos? - Tamb�m n�o quero.
- N�o � uma boa? - � obriga��o?
N�o � bom, Bryce. Ouviu?
Eu e a Amanda n�o combinamos. N�o � bom.
� culpa sua?
Ela me obrigou a comer a colega.
Claro que � culpa minha.
Sou um babaca.
Mas trabalhamos.
- Temos grana. - A grana e trabalho.
- � isso a�. - � isso a�.
Somos rid�culos, n�?
Ai, meu Deus! Algu�m nos mate.
N�o, eu n�o vou...
Eu quero morar dentro disso.
E tudo bem
se eu n�o curtir como voc�?
N�o. Tudo bem.
Estou com a mais descolada.
E qual � a dessa vibe gourmet?
Sei l�! As pessoas tem seus �dolos...
Atletas, m�sicos,
pintores e por a� vai...
Essa gente � idiota.
O que fazem n�o importa.
Malham com bolas, tocam ukuleles, etc.
Chefs
tocam na mat�ria-prima da vida em si.
E da morte propriamente dita.
Vi cada epis�dio de Chef's Table duas ou tr�s vezes.
Vi o do Slowik umas 20 vezes.
Eu o vi explicar o momento exato que um morango amadurece.
Eu o vi servir uma vieira crua durante a �ltima contra��o muscular dela.
� arte � beira do abismo
que � onde Deus trabalha. � a mesma coisa.
Falou bonito, Tyler.
- Pare. N�o. - N�o! Falei s�rio.
Acho que come�o a entender.
- Jura? - Um pouquinho.
PRIMEIRO PRATO
Aprovado.
Sim, chef.
Boa noite.
Boa noite.
- Boa noite. Oi. - Oi.
Bem-vindos a Hawthorn.
Sou Julian Slowik e, esta noite, ser� um prazer aliment�-los.
A cortina sobe.
Nas pr�ximas horas,
voc�s v�o ingerir gorduras,
sais, a��cares, prote�nas,
bact�rias, fungos,
v�rias plantas e animais
e, �s vezes, ecossistemas inteiros.
Mas preciso implorar-lhes algo.
S� uma coisa.
N�o comam.
� s�rio?
Degustem.
Saboreiem.
Deliciem-se.
Reflitam sobre cada peda�o que colocarem na boca.
Tenham consci�ncia.
Mas n�o comam.
O nosso menu � precioso demais para isso.
E olhem ao redor.
C� estamos n�s, numa ilha.
Aceitem.
Aceitem tudo.
E perdoem.
Falando nisso...
Comida!
Sim, sim. Podem servir.
A� v�m eles.
Parece uma banda marchando.
O primeiro prato se chama "A Ilha".
No prato, h� plantas da ilha
colocadas sobre rochas do litoral
com �gua-do-mar filtrada quase congelada
que dar� sabor ao prato ao derreter.
� o que o cara estava pescando...
O qu�?
Desculpe, chef.
N�o h� problema.
S�o as mesmas vieiras.
Eis o que devem se lembrar sobre o prato:
n�s, as pessoas nesta ilha, n�o somos importantes.
A ilha e os nutrientes que ela fornece
existem no estado perfeito sem n�s para colher,
manipular ou digerir.
O que acontece neste sal�o � insignificante
comparado ao que acontece na natureza,
no solo, na �gua
e no ar.
N�s n�o passamos de um nanossegundo assustado.
A natureza � atemporal.
Bom apetite.
Uma lembran�a animadora.
Est� chorando?
� que � tudo muito comovente. � tudo muito bonito.
Quase bonito demais para se comer.
O melhor restaurante da minha cidade natal era...
O chef ficou com raiva de mim?
Pela vieira?
N�o precisa cham�-lo de chef, Tyler.
Ele nem sabe da sua exist�ncia.
Eu quero que ele...
- Goste de voc�. - �. Mais ou menos.
Voc� � o cliente.
Est� pagando para ele servir voc�.
N�o importa se ele gosta de voc� ou n�o.
Espere. O que disse?
Nada.
Relaxe. Coma a sua pedra.
Para acompanhar, de nossos amigos de Carolina Morey,
um Chassagne-Montrachet
premier cru de 2014.
N�o vem de um vinhedo.
Vem de uma �nica fileira de vinhas.
- Perfeito. - � m�gico.
Impress�es? Tenho a sensa��o de ser bem...
� quase �timo. Chega l� �s vezes.
Tem seus momentos.
H� car�ncia ao empratar.
Pin�as demais.
Os sabores est�o l�. Tudo n�tido.
Tudo muito tal�ssico.
- "Tal�ssico"? - Oce�nico.
- Talassa era a personifica��o do mar. - Talassa e Ponto.
- Isso. - Correto.
Estamos comendo o oceano.
Estamos comendo o oceano.
O que achou?
Gostoso.
No programa n�o � gostoso.
Tem que embelezar.
Tenha paci�ncia. N�o � neurocirurgia!
- � uma viagem culin�ria. - Entre na onda!
Mostre sua ideia para o marketing.
Estamos na It�lia, certo?
Me filmam de cal�a capri numa Vespa verde-pastel
indo � fazenda de algum Giuseppe comprar queijo.
Eu como o queijo e, depois,
d�o um close.
Fecho os olho, finjo orgasmo
e apare�o na �frica do Sul.
Ent�o talvez fale que racismo n�o � legal
e blablabl�, levo o Emmy!
- �? - J� posso comer?
Vai ao ar em 3 streamings na segunda?
- Basicamente. - Que merda!
� um desastre!
Foi pego b�bado ao volante. Sem �frica do Sul.
- Gostou? - Da comida de lontra?
�, honesta.
J� comi conchas boas com o meu chef, o Ricardo.
Conhece o Ricardo. � �timo.
Incr�vel.
Podemos dizer que estivemos aqui.
Meu pai dizia que se paga a experi�ncia.
Isto parece
paisagismo de sub�rbio.
Que merda!
Vi o Perry numa enoteca outro dia.
Como vai ele?
Voc� sabe...
O Perry.
Obrigado.
Tudo empratado em 5 minutos!
Sim, chef!
SEGUNDO PRATO
Ele vai ficar fazendo isso?
P�o. Existe algum tipo de p�o h� mais de 12.000 anos,
principalmente entre pobres.
Farinha e �gua.
O que seria mais simples?
At� hoje, gr�os representam 65% de toda agricultura.
Frutas e vegetais s� 6%.
Camponeses gregos molhavam o parco p�o dormido em vinho no caf� da manh�.
Como Jesus nos ensinou a rezar sen�o implorando pelo p�o de cada dia?
Implorar pelo p�o de cada dia.
�, e sempre foi, a comida do simpl�rio.
Mas voc�s, queridos comensais, n�o s�o simpl�rios.
Ent�o, esta noite,
n�o ganhar�o p�o.
PRATO SEM P�O s� acompanhamentos saborosos
- � brincadeira! - � piada.
Isto � surreal!
Como n�o? N�o � piada.
N�o servir p�o num restaurante famoso pelo p�o. Adorei.
- O qu�? - Obrigado.
N�o � uma imita��o, �?
- O qu�? - N�o.
� pegadinha.
Est� falando s�rio?
Isso dito, por favor, saboreiem os acompanhamentos desacompanhados.
"O p�o que n�o comer�o hoje
foi feito do tradicional fulvo avermelhado,
projetado por nossos parceiros do Tehachapi Grain Project,
dedicados a preservar gr�os tradicionais."
Isto � loucura!
Esses cuspezinhos ao redor da aus�ncia de p�o
est�o muito bons.
� quase um acinte, n�o �?
� maquiav�lico mesmo.
Ele sempre soube que comida � uma quest�o de classe social...
Assim como eu.
Claro.
Mas devo dizer que essa emuls�o est� ligeiramente talhada.
�.
Eu n�o ia falar nada.
Notei assim que serviram.
Est� talhada, sim.
O que � muito... Voc� n�o...
N�o deveria ver isso num restaurante desta categoria. Olhe ali.
- �, bem ali. - �.
Ai, meu Deus. � radical ao extremo.
O jeito que ele tece alegorias hist�ricas.
A brincadeira � adivinhar
qual � o tema subliminar da refei��o.
S� saber� no final.
Espere. Voc� gosta disso?
�. Gosto.
Ele praticamente te insulta.
N�o. Voc� n�o entendeu.
� um conceito.
Sei o que � um conceito.
Ele est� contando uma hist�ria.
A comida dele emociona.
N�o � um mero chef, � um contador de hist�rias.
Ele n�o liga para regras.
Posso ser uma qualquer,
mas algumas regras deveriam ser respeitadas.
Tipo, eu sei l�...
Servir comida num restaurante.
Querida, ningu�m diria que � uma qualquer.
Fa�o meu pr�prio p�o.
- Faz? Eu n�o sabia. - Fa�o.
Fa�o. Fica bem r�stico.
Estilo campon�s, bastante fermento.
Que fermento usa?
Eu fa�o o meu com ma��s.
� claro que faz o pr�prio fermento com ma��s.
Sua marota!
Srta. Bloom?
Outra emuls�o talhada.
Cortesia do chef Slowik.
- Oi. - Com licen�a.
Est� tudo a seu gosto?
Na verdade, n�o. Obrigado por perguntar.
A comida � �tima, e entendemos o conceito.
Mas poderia servir p�o, por favor?
E sem gl�ten para o meu amigo?
N�o.
"N�o"?
N�o.
Ent�o t�...
� inteligente. N�o queria dar essa carteirada,
mas voc� sabe quem somos, certo?
Sei.
Sabe? Voc� sabe quem somos?
Eu sei quem s�o.
Sabe que trabalhamos com o Verrick, n�?
N�o, trabalham para o Sr. Verrick.
- Exato. - Ai, porra.
Ent�o sabe que somos do mesmo time.
Passe um p�ozinho a� na encolha.
Por favor.
N�o contamos a ningu�m.
- Eu prometo, falou? - N�o.
Voc� disse "n�o"?
Eu disse "n�o". Sim.
- T� bem. - T� bem.
- Caramba. - Est� bem.
Isso � tudo. Obrigado.
Posso?
N�o precisa... Tudo bem.
Comer� menos do que deseja e mais do que merece.
� um prazer servi-los.
Mantenho a cetose, o que � bom.
A falta de p�o faz voc� se concentrar.
� muito bom. Me embalsamem nisso!
- N�o vai nem provar? - N�o.
- N�o? - N�o.
Est� uma del�cia.
- Eu vou pegar e comer. - � vontade.
Foi sem querer.
Acontece.
Desculpem. Foi um...
N�o, me desculpe.
N�o tocou na sua comida.
N�o tem comida.
�, n�o. Isso � comida.
Ent�o ainda h� muita para vir.
- N�o quero embuchar. - N�o seria poss�vel.
Eu projetei exatamente as por��es.
Ent�o voc� n�o embuchar�.
Por favor, coma.
O menu s� faz sentido se comer.
Mas nos mandou n�o comer.
N�o foi o que quis dizer.
Sabe disso.
Obrigada pela preocupa��o,
mas sou capaz de decidir quando como e o qu�.
Obrigada.
� muita humilha��o.
"Humilha��o"?
O cara � um escroto.
Por favor, n�o.
N�o precisa ser grossa.
O qu�?
Ele pediu que comesse.
- N�o gostei. - Experimente.
Por favor.
Servimos em 3 minutos!
Sim, chef!
TERCEIRO PRATO
� um Pinot Noir de 2013 de Ross Cobb.
Hiperdecantado por imers�o
para retirar do repouso.
Notas de carvalho eslovaco com cereja e tabaco,
e uma sensa��o sutil de saudade e arrependimento.
Sim. Apreciem.
Saudade e arrependimento.
Meus prediletos.
Ela est� olhando de novo.
De onde conhecemos?
N�o conhecemos.
Ela se parece muito com a Claire.
Por que diz isso? N�o se parece em nada.
N�o acha?
Nada a ver com a nossa Claire.
O mesmo rosto long�nquo.
Sem obsess�o, por favor!
Eu sei. Se estivesse de sa�da...
Certo.
Mas n�o est�.
Para onde voc� iria?
Para a Coexecutivos Associados.
O que � isso?
Est� em desenvolvimento. Eu desenvolveria,
ou ajudaria a desenvolver projetos...
Melhor que trabalhar para mim?
- Tenho futuro l�. - Entendi.
� uma corpora��o...
Um futuro diferente. Faz sentido?
- Na corpora��o... - Que bom que � s� uma hip�tese.
O pr�ximo prato se chama "Lembran�a".
E � isso que pretende evocar.
Uma lembran�a.
Vou contar uma lembran�a minha.
Eu cresci na cidade de Waterloo em Iowa.
Ter�a era noite do taco.
Ter�a de taco!
E essa senhora aqui.
Ela � minha m�e.
Como podem ver, est� bem b�bada.
N�o � incomum.
Quando eu tinha 7 anos,
numa ter�a, o meu pai chegou em casa embriagado.
Muito b�bado.
Tamb�m nada incomum.
Minha m�e se zangou e gritou com ele. Foi quando
ele enrolou o fio de um telefone no pesco�o dela e puxou.
Eu chorei.
Eu gritei, implorei que parasse.
Para faz�-lo parar,
eu tive que esfaque�-lo na coxa com uma tesoura de cozinha.
Lembra-se disso, m�e, n�o se lembra?
Eu o devia ter esfaqueado na garganta aquela noite.
Mas n�o somos muito inteligentes na inf�ncia.
Foi, como podem imaginar, uma noite de taco memor�vel.
- Que bom que n�o esfaqueou. - O qu�?
Teatral?
Voc� gostou?
� o pano de fundo que faz dele um chef artista.
O cara tem um senso de humor sombrio.
Ele � muito intenso.
Ent�o! Eu sirvo a voc�s.
Sobrecoxa de frango de Bresse defumada na casa al pastor,
e nossas tortillas feitas com milho ma�z.
Um cl�ssico de Hawthorn.
Obrigado.
Sempre mudamos o menu
mas, como a Srta. Bloom sabe, esse prato existe desde o primeiro dia.
� como disse uma vez...
P�s voc� no mapa.
Me p�s no mapa.
Exatamente qual mapa seria,
eu me pergunto.
Enfim, como sempre inovamos e tememos a irrelev�ncia,
a atualiza��o de um cl�ssico!
As imagens foram feitas usando uma m�quina de impress�o a laser.
� a primeira vez que usamos.
Tomara que esta noite de taco evoque lembran�as em todos n�s.
Bom apetite.
� claro que ele tinha que fazer um taco.
Aqui est�.
O que s�o, Lil?
S�o restaurantes.
Que escrevi uma resenha e fecharam.
Uma piada ent�o?
Acho que sim.
Richard, o que s�o?
FELIZ BODAS
Coisas de taco. Para tacos.
N�o, as fotos.
S�o todas nossas!
Esta � depois de voc� retirar o melanoma da testa.
Veja o curativo.
N�o � bacana? Se lembraram de n�s!
Tyler, � voc�?
S�o minhas desta noite tirando fotos.
Qual � a desse cara?
Eu sabia. Ele me odeia.
Achei que ele n�o fosse ligar.
- Pe�o desculpas? - Pelo qu�?
CHAMANDO O DOUTOR SUNSHINE
O qu�?
Chamando o Dr. Sunshine.
Deus. Tinha me esquecido desse.
Papel bobo. Roteiro ruim.
Filmagem divertida.
Talvez uma piada por serem amigos, certo?
�, voc� sabe, amigos.
Eu tenho algum amigo?
Esperem.
Gente, o que � isso?
S�o as...
Como ele conseguiu?
ILHAS CAYMAN TRANSFER�NCIA.
Isso n�o � bom.
Com licen�a.
Posso ajud�-lo?
Pode.
O que � isso?
S�o tortillas.
Sim, e o que � isto aqui?
S�o tortillas
que cont�m registros fiscais da EchoBrite
provando que sua firma criou cobran�as falsas.
Como conseguiram?
Desculpe, mas o chef n�o revela receitas.
Sabe como est�o ferrados?
Vamos fechar este lugar pela manh�. Ouviu?
N�o, n�o ser� necess�rio.
Bom apetite.
Esse aqui � voc� e...
Quem � essa mulher?
Eu que vou saber? � falso.
� alguma piada cretina.
� um taco, ouviu? N�o vai prejudicar.
Pode servir num tribunal.
N�s podemos negar tudo.
Se tentarem nos dedurar...
Certo!
Se dedurarem, deduram o Verrick.
Tamb�m se ferram.
Estamos tranquilos.
Certo?
- �, de boa! - Estamos bem.
N�o podem tirar fotos assim.
Pare de falar e me deixe pensar.
Tenho que consertar isso. S�rio.
Vou te dizer como consertar. Devolva.
Com licen�a.
- Com licen�a! Senhor, oi. - Margot! Margot!
Estalou os dedos para mim?
Sabe h� quanto tempo espero uma reserva?
N�o, e n�o me importo.
N�o se devolve comida para a cozinha, menina.
Agrade�a entrar.
- Do que me chamou? - De menina,
porque est� agindo como uma.
Me pe�a desculpa agora.
N�o pode falar comigo assim.
Posso, porque eu estou pagando.
Cale a boca e coma.
Meu Deus.
Meu Deus.
� incr�vel. Precisa experimentar.
N�o, obrigada. N�o quero atrapalhar.
Srta. Mills?
Posso ajud�-la?
Procuro o banheiro.
Por aqui.
Obrigada.
O que h� atr�s da porta prateada?
Algo muito especial.
N�o, n�o pode...
N�o deveria estar aqui.
Quero saber exatamente do que,
no �ltimo prato, voc� n�o gostou.
Mal tocou na comida.
Por qu�?
Preciso saber. Por que n�o come?
Por que se importa?
Levo meu trabalho a s�rio, e voc� n�o come.
Isso me magoa.
Acho que n�o estou com muita fome.
J� lhe disse quem sou.
Sou Julian Slowik, e sou o chef.
Mas quem � voc�?
Vou perguntar de novo. Quem � voc�?
Eu sou Margot Mills.
De onde voc� �, Margot?
Sou de Grand Island em Nebraska.
Sente-se melhor?
Quer o endere�o do trailer da mam�e?
N�o � quem quer que eu pense que �.
Quem � voc�?
Eu sou a Margot.
N�o deveria estar aqui.
Por favor, saia da minha frente.
QUARTO PRATO
Ainda teatral, mas minimalista,
como os japoneses, um "minimirasuto".
- Ele foi brincalh�o, certo? - Sim.
Vamos falar dos tacos.
� um di�logo.
� brincalh�o.
Estou empolgado.
Pronto para o pr�ximo prato
- que acho que voc�s... - Com licen�a.
O que est� havendo?
Deixe-me terminar, por favor? Tudo bem?
Obrigado.
Senhoras e senhores, conhe�am o sous-chef Jeremy Louden.
O Jeremy criou o pr�ximo prato.
Chama-se "A Bagun�a".
Nascido na cidade de Sparks em Nevada,
o Jeremy estudou no Instituto Culin�rio em Hyde Park.
O objetivo dele, como escreveu numa carta comovente,
era trabalhar para mim aqui em Hawthorn.
N�o � mesmo, Jeremy?
Sim, chef.
O Jeremy � talentoso.
Ele � bom.
Ele � muito bom.
Mas n�o � �timo.
Ele nunca ser� �timo.
Ele quer desesperadamente o meu prest�gio, o meu emprego, o meu talento.
Ele aspira a grandeza, mas nunca a alcan�ar�.
Correto, Jeremy?
Sim, chef.
Como eu na idade dele,
o Jeremy abandonou tudo para alcan�ar os objetivos.
Assim como a minha, a vida dele � press�o.
Press�o para servir a melhor comida do mundo.
Mesmo quando tudo corre bem, a comida � perfeita,
os fregueses e os cr�ticos ficam felizes,
n�o h� como evitar a bagun�a.
A bagun�a que faz na sua vida,
no seu corpo,
na sua sanidade,
dando tudo que tem para agradar pessoas que nunca conhecer�.
Jeremy,
gosta desta vida? Da vida que voc� sonhou?
N�o, chef.
Quer a minha vida?
N�o minha posi��o ou talento.
Minha vida.
N�o, chef.
Senhoras e senhores, seu quarto prato:
A Bagun�a do sous-chef Jeremy.
Caramba!
Deus!
O que � isso?
O que deu em voc�?
Que porra � essa?
Foi um choque. Eu n�o esperava.
O que � isso, cara?
Por favor, sentem-se.
- Est� tudo bem. - Por favor.
- O que houve? - Faz parte do menu.
Faz parte do show.
- � um show? - Isso? N�o �...
� por isso que pagaram.
� um truque? O que foi aquilo?
� uma experi�ncia exclusiva.
- Voltem aos seus assentos. - O que � isso, cara?
Muito obrigado.
Ele est� morto?
- Foi um tiro de festim... - Fique onde est�.
- Pode sentar-se? - J� vi isso.
N�o tem gra�a.
O que � isso?
- � real? - O que est� havendo?
- Pareceu bem real. - N�o, n�o.
- � s� teatro, n�? - A que se refere, senhora?
Ele atirou em si mesmo.
Pareceu bastante real, Lillian.
� s� teatro. � encena��o.
- � de verdade? - � isso que ele faz.
Faz parte do menu.
A BAGUN�A
Vegetais na press�o, peixe assado, confit de batata,
beef au jus, medula
Aqui jaz Jeremy Louden
Comam!
Bom apetite.
Quinto prato em prepara��o.
Sim, chef!
Tyler, o que h�?
Eis um Cabernet Franc biodin�mico
dos nossos amigos de Domaine Breton.
N�o h� acr�scimo de sulfitos.
Aroma pungente como festa no terreiro
e uma combina��o �tima com prote�nas assadas. Apreciem.
Vamos embora. Agora.
Vou pegar a estola.
- Esque�a. Levante-se. - Mas eu...
Sr. Leibrandt?
- Vamos embora. - Algo errado?
Vamos embora.
N�o h� barcos.
Chamo um helic�ptero.
Seria dif�cil sem servi�o telef�nico.
Saiam da frente.
Obede�a, pelo amor de Deus!
Eu manobro aqui.
- Eu manobro. - Com que m�o, Sr. Leibrandt?
O qu�?
Com que m�o manobra? Esquerda ou direita?
Do que est� falando?
Podemos escolher?
Escolher o qu�?
Pois bem. M�o esquerda.
Dedo indicador.
Me deixem sair!
N�o!
- Deixem o cara! - O que � isso?
- Calma. Deixem-no! - Deixem o coroa em paz!
Sr. Leibrandt, por favor, fique quieto.
O que est�o fazendo?
Richard!
Richard!
Fiquem sentados.
Por favor, fiquem sentados.
O que...
O que h�? Chamem um m�dico.
Quer ajuda ao seu lugar?
� um dedo. O dedo. Ali.
Ele est� gritando de dor!
Por favor, sentem-se.
Senhor?
N�o tem gra�a! Jesus Cristo!
Faz parte do menu.
Meu Deus!
� real, n�o �? N�o consigo.
- N�o posso ser ref�m. - Fale com ele!
Voc� o conhece, certo?
Eu inventei.
Por qu�?
Porque gosto de citar famosos. Foi por isso, falou?
A alian�a do seu marido.
- Obrigada. - Por nada.
Ted. Ted!
Eu diria sinceramente que tudo isso � por nossa causa.
Me refiro a n�s.
Por isso ele me mandou mensagem.
E � incr�vel. Certo?
A atua��o � incr�vel.
Do que est� falando?
Chef Slowik quer v�-la na cozinha.
- Posso ir tamb�m? - N�o.
N�o, desculpe, mas est� toda errada.
Por que faz isso?
� simplesmente errada.
Do que est� falando?
Quem � voc�?
Margot.
Meu nome � Margot.
J� servi muitas Margots. Voc� n�o � uma.
N�o.
O que isso importa?
Importa, porque esse menu, esses convidados,
a noite inteira foi exaustivamente planejada.
Voc� n�o faz parte desse planejamento,
e est� estragando tudo.
Para prosseguir, eu preciso saber onde se senta.
Conosco ou com eles?
� muito importante.
E, ent�o, me deixar� viver?
Deix�-la viver? N�o!
� claro que n�o.
N�o v� que estragaria o menu?
Vamos todos morrer esta noite.
N�o � mesmo?
Sim, chef!
A pergunta �:
Quer morrer com quem fornece, ou com quem toma?
Mas eu morro de qualquer forma?
� arbitr�rio.
N�o � arbitr�rio. Nada nesta cozinha � arbitr�rio.
Por favor, escolha.
S�o decis�es importantes,
e o menu � cronometrado.
Em 15 minutos, farei um intervalo entre pratos.
� o tempo que tem para decidir.
� o nosso lado ou o deles.
Enquanto isso, volte ao lugar.
O pr�ximo prato � um primor.
Pratos em 5 minutos!
Sim, chef!
Amo todos voc�s!
Tamb�m o amamos, chef!
Ele te ofereceu um curso?
Do que foi? Prote�na ou vegano?
Prote�na ou vegano?
Maldi��o! Isso n�o � justo.
Por que voc� ganha um curso?
Fuma direto. Nem consegue degustar.
LIMPEZA DE PALADAR bergamota selvagem e ch� de trevo vermelho
Encurralados. Foco.
Qual � a melhor jogada aqui?
Quais as op��es?
A porta � vigiada,
mas pode ser uma boa.
Algu�m viu se d� pelo corredor?
Temos que agir,
e nada de covardia.
Funcionou no meu filme O Resgate.
Quando trouxerem garfos e facas, invadimos.
Somos melhores na faca?
Que outra op��o n�s temos?
- N�o sei. - E a�? N�s...
Dane-se! Vou quebrar a vidra�a.
V� com tudo! Com vontade!
Merda!
Vou lev�-lo � sua mesa.
Merda.
Lamento, cara.
- Deus. - Merda.
Dizem que
"�s vezes, tudo que precisa � uma boa x�cara de ch�."
Aprendi isso crescendo em Bratislava.
Ch� n�o s� limpa o palato
como � um b�lsamo para encarar duras verdades.
Mas, antes de continuarmos,
alguma pergunta sobre mim ou Hawthorn?
Alguma pergunta?
Isso � bergamota, chef?
�, sim.
- Chef? - Sim?
Acho que falo por todos quando digo que...
Quero saber... Queremos saber...
Para que tudo isso?
Vou lhes contar.
Pensem em voc�s como ingredientes de um conceito de degusta��o.
- O qu�? - Um conceito de sabor.
Figurativamente falando.
� o melhor jeito de descrever.
Nada disso deveria ser surpresa para a maioria de voc�s.
Srta. Bloom.
Lillian, se me permite. Minha querida defensora inicial
sabe o dano que ela causou a muitas vidas.
N�o, n�o, n�o. Espere, chef.
N�o, voc� n�o fala.
Desculpe, chef.
Voc� pediu uma entrevista
- com Lillian Bloom. - O qu�?
- E gerou este restaurante. - Abona a podrid�o dela.
Voc� abona a podrid�o dela.
Voc� a acalenta.
Voc� a mima.
Mais emuls�o talhada.
Adorou eu ter lhe enviado um convite para esta noite.
Adorou eu ansiar a sua presen�a.
Seu ego foi alimentado.
Mas j� era de se esperar. Tamb�m alimentou meu ego.
Tem 10 minutos, Srta. Mills.
Por favor. Meu marido precisa de um hospital.
Estou bem. Liberem minha esposa.
Meus fregueses leais.
Quantas vezes comeram aqui nos �ltimos 5 anos?
N�o sei. Umas 6 ou 7 vezes?
Foram mais, Dick.
Foram onze. Foram onze vezes.
Muitos se consideram aben�oados por terem jantado uma vez.
Sr. Leibrandt, d� o nome de um prato que comeu da �ltima vez que esteve aqui.
Onze vezes, veio de barco at� aqui
onde apresentamos cada prato todas as vezes.
Explicamos exatamente o que lhes servimos.
Me diga um prato que comeu da �ltima vez.
Ou da vez anterior.
Um. Por favor.
Bacalhau.
O qu�?
Bacalhau.
Bacalhau.
N�o foi bacalhau, sua besta.
Foi halibute.
Um raro halibute pintado.
Que diferen�a faz?
Faz diferen�a para o halibute.
E para o artista cuja obra vira coc� nas suas tripas.
Eu deixei minha obra chegar a um pre�o
que s� a classe de pessoas neste sal�o pudesse acess�-la.
Fui enganado ao tentar satisfazer pessoas que n�o podem ser saciadas.
A come�ar por ela.
Mas � a nossa cultura, n�o �?
Meu restaurante � parte do problema.
Diz que o restaurante � seu.
Mas, se � para sermos francos,
n�o �.
Tem raz�o. Doug Verrick � meu anjo investidor.
� dono da ilha e do restaurante.
Como Hawthorn � a minha vida,
eu diria que Doug Verrick � meu dono.
S� que ficou um pouco complicado,
porque eu virei dono de Doug Verrick.
- Jesus! - Meu Deus!
Puta merda.
Como impedimos isso?
- N�o. - Por favor, pare.
Diga como parar. N�s vamos impedir.
- N�o podem parar. - Temos grana.
Diga quanto que n�s lhe damos.
� s� dizer um n�mero, cara!
N�o.
N�o preciso do seu dinheiro.
Ele o manteve aberto durante a pandemia, escroto!
�, manteve.
E questionou meu menu.
Chegou a pedir substitui��es
apesar de n�o haver substitui��es em Hawthorn!
Anjo ca�do, por favor.
N�o!
N�o, n�o!
Que inferno!
- N�o. - Escutem.
- Isso �... - Escutem!
N�o! Julian!
- Isso � loucura. - Mandei escutarem!
N�o...
Escutem.
- N�o. Isso � loucura. - Escutem!
Est�o ouvindo?
E...
E...
Submerge e...
Sil�ncio.
Est�o ouvindo?
Ouvem o sil�ncio? Escutem! Conseguem ouvir?
Esse sil�ncio significa
que estou livre.
Seu tempo acabou, Srta. Mills.
O chef falar� com voc� no escrit�rio dele.
Entre.
Tomou sua decis�o?
Tomei.
O que decidiu?
Que voc� tinha raz�o.
Eu n�o deveria estar aqui.
Falo com o maior respeito, porque sei que voc� � genial,
mas tudo isso
n�o � para mim.
N�o sabe se sou genial ent�o n�o fale.
Soa falso.
Est� bem.
Eu n�o sei se � genial.
Eu esperava mais.
V� se foder!
Terei que tomar sua decis�o por voc�.
Seu lugar � aqui com os da sua estirpe.
E que estirpe � essa?
Com os coletores de fezes.
Achou que eu n�o notaria?
Conhe�o um fornecedor de servi�os como eu quando vejo um.
Sr. Leibrandt. De onde o conhece?
Olhou para ele a noite toda.
Acho que voc� sabe.
N�o, eu n�o sei.
Ele pagou por uma experi�ncia.
Digo-lhe como um fornecedor de experi�ncias para outro
que voc� n�o se abala f�cil.
Como ele abalou voc�?
- N�o abalou... - Margot.
Mandou que eu concordasse com tudo e o visse se masturbando.
Espec�fico...
N�o mesmo.
Bem pouco original.
O que me abalou
foi ele me mandar falar que � um homem bom,
que eu era a filha dele,
que ele me amava, que eu o amava e...
Ele � rom�ntico.
N�o quero detalhes.
Sei o que � um cliente ruim.
Pois �...
Gosta de fornecer seus servi�os?
Gosto.
Ou melhor, eu gostava.
Gosta de fornecer os seus servi�os?
Gostava,
mas n�o desejo cozinhar para ningu�m h� anos.
Sinto falta dessa sensa��o.
Venha comigo.
Todos est�o tristonhos demais.
Senhoras e senhores, para o pr�ximo prato,
vamos respirar o ar noturno!
Vamos l� para fora!
- Por favor. - Todos para fora.
Se acharmos um barco, fugimos.
Fregueses tamb�m. Venham.
Sigam o chef.
Chef, adoraria dar uma palavrinha com o senhor.
- Venham! - V� na frente.
Fregueses na frente.
Richard.
Sigam-me.
Ao tranquilo ar noturno.
N�o tenham medo.
N�o h� motivo para medo.
Talvez haja um barco para nos tirar daqui.
Para qu�?
- O qu�? - Sair para qu�?
Do que est� falando?
- Estamos mortos. - Tudo bem.
- Vamos morrer esta noite. - �, vamos.
O pr�ximo prato ser� apresentado pela sous-chef Katherine Keller.
Boa noite, pessoal.
H� 3 anos, Julian Slowik tentou me comer.
Eu rejeitei o ass�dio dele.
Uma semana depois, tentou de novo.
E, de novo, eu o rejeitei.
Mas ele n�o me demitiu.
N�o.
Ele me manteve na cozinha, e se recusou a olhar nos meus olhos,
ou me dirigir a palavra por 8 meses.
Ele pode fazer isso,
porque ele � o astro.
Ele � o homem.
O pr�ximo prato se chama "Del�rio Masculino".
Eu pe�o desculpas.
Merda.
Aos comensais masculinos,
oferecemos a chance de fugir.
Ter�o 45 segundos de vantagem,
depois disso, membros da equipe tentar�o pegar voc�s.
Se pegarem...
Tudo bem.
Os 45 segundos come�am agora.
- Segure. - O qu�?
Me desculpe. Sabe que sou p�ssimo.
� �tima cr�tica.
Eu mando ajuda sem falta.
Voc� tamb�m.
Deixo a seu encargo.
Querem entrar comigo?
Est� friozinho.
� por aqui.
Est� bem.
Venham.
V�o!
SEXTO PRATO
DEL�RIO MASCULINO
caranguejo-sapateira, iogurte fermentado, ulva seca, umeboshi, alga
- Obrigada. - Obrigada.
� fant�stico.
A acidez da umeboshi,
e as ondas de fermenta��o.
� intenso, mas se mant�m n�tido.
� delicioso.
�, bem,
isso teria significado muito.
� muito bom.
Sim, � bom mesmo.
Sabe, eu gostei do e-moji.
Umeboshi.
- Umeboshi. - Umeboshi.
Est� muito bom.
- � muito talentosa. - Obrigada.
Geralmente n�o gosto de espuma, mas...
N�o corra do meu lado!
� voc� que est�!
� uma floresta enorme! Saia de perto!
- Fique longe de mim! - V� se foder!
Porra.
Meu Deus.
E voc� conhece meu marido.
Sim.
Conhe�o.
Certo.
Pode nos contar.
Vamos morrer esta noite?
N�o funciona se viverem.
- O que n�o funciona? - O menu.
Por que n�o?
Precisa de um final
que amarre conceitualmente.
Sen�o � sabor sem import�ncia.
Abra seu restaurante.
Eu poderia ajud�-la.
- Garanto que poderia. - Eu poderia.
S� ter�amos que conversar
sobre essa morte.
Todos morrerem foi ideia minha, na verdade.
Estou superorgulhosa.
- Algu�m quer vinho? - Por favor.
Obrigada.
Ouvi um estalo.
Merda!
Merda!
Um mimo para o �ltimo a ser pego.
Ovo Passard com cr�me fra�che e bordo.
OVO PASSARD ovo, cr�me fra�che e bordo
- Bom apetite. - Obrigado.
N�o que voc�s se importem comigo,
mas meu nome n�o � Margot.
� Erin.
Sou de Brockton em Massachusetts.
Pronto, falei.
Acabou a festa.
Venham, senhores.
- Bem-vindos. - O que ganhou?
Senhor? Por favor.
Com licen�a. Desculpe. Aceito. Obrigado.
Srta. Bloom. Por favor.
Permita-me. N�o, tudo bem.
Tome.
Deus.
Como foi l�?
Me dei bem. Arrebentei.
Fui o �nico que fugiu.
Desculpe. Eu sou um fiasco.
Tudo bem.
Eu roubo dinheiro de voc�.
Eu sei.
Sei que sabe.
Falei mal de voc� para a Sony.
Eu sei. Mandou c�pia para mim.
Pessoal!
Infelizmente, o meu menu n�o pode continuar como planejado
at� n�s resolvermos um contratempo.
Voc�.
Eu?
Voc�.
Me diga por que est� aqui.
- Porque eu queria... - Engula primeiro.
Quis experienciar a sua comida.
E o que soube?
O que soube antes de vir?
Me disse que seria o melhor menu j� criado.
Certo. E? E?
E que todos morreriam.
"Todos morreriam."
Viria com uma acompanhante.
Tenho a impress�o que viria com uma acompanhante.
N�o com a jovem aqui hoje.
O que houve com ela? A sua acompanhante?
Ela terminou comigo, chef.
E voc� trouxe a Margot.
Por qu�?
Porque n�o aceita reserva para um.
Ent�o a contratou sabendo que ela morreria.
- Sim. - Seu almofadinha de bosta!
Eu vou te matar, Tyler.
Acalme-se.
N�o pode culp�-la, pode?
Por 8 meses, me correspondi com voc�.
Dei a voc�, Tyler, acesso ao nosso mundo.
E fiz voc� jurar segredo.
Por que acha que eu faria isso?
- Me quis aqui, porque... - Por qu�?
Disse que entendo muito de comida.
Exato. N�o � como os outros, �?
- Sabe o que � um Pacojet. - Sei.
- Notou que era bergamota. - Notei.
- Senti o gosto. - �, sentiu.
Mas voc� a identificou.
- Distinguiu. - Certo.
Fiquei impressionado.
- S�rio? - Sim, sim.
Voc� � um cozinheiro.
O lugar de cozinheiros � na cozinha.
Certo?
Sim, chef.
- Venha comigo. - � s�rio?
Eu? Jura?
Sim. Tenho algo para voc�.
Est� bem.
Venha. Est� com a Elsa.
� um jaleco de chef.
Cortesia de Hawthorn.
- Bacana. - Obrigado.
Ficou elegante. N�o ficou, Margot?
- N�o ficou bem? - Sim, chef.
Sr. Menino Bonito.
Eu vou personalizar o jaleco.
"T, Y...
L, E...
R."
Obrigado.
Obrigado.
- Estou orgulhoso. - Obrigado, chef.
Tyler. Agora, cozinhe.
O qu�?
Cozinhe.
- � cozinheiro. Cozinhe. - N�o sei se consigo aqui.
- Cozinhe. Cozinhe. - Agora? Eu n�o...
Cozinhe! Ande logo, agora.
Do que precisa? Temos tudo.
- Levantem-se. - Sem medo.
O que voc� quer?
- Venham ver a demonstra��o. - Todos, por favor.
O Tyler vai demonstrar a per�cia culin�ria dele.
- Levantem-se. - Todos, por favor.
Venham. Aproximem-se.
Do que precisa?
- Alho-por�. - Tragam alho-por�. Alho-por�.
Esta � sua esta��o. O que mais?
Mer...
- Merda? Vai querer merda? - N�o.
- Chalotas. - Chalotas para o grande gourmet!
- O fenomenal Sr. Comida. - Com licen�a.
Juntem-se aqui. Vamos aprender com o Tyler.
� um novo m�todo de cortar do qual n�o faz�amos ideia.
E agora?
Manteiga.
"Manteiga"? Alho-por� e chalota na manteiga.
Testemunho uma revolu��o culin�ria.
Quer uma prote�na?
- Cordeiro. - Cordeiro!
Est� pronto, chef.
Est� pronto? Tem certeza?
Quer geleificar no Pacojet?
N�o.
Na verdade, est� bem...
ruim.
PAPO FURADO DO TYLER
cordeiro malpassado, alho-por� e chalotas intrag�veis,
total falta de coes�o
� por sua causa que o mist�rio se esvaiu da nossa arte.
Percebe isso agora, n�o �?
Desculpe, chef.
Venha c�, filho. Venha.
Venha c�.
Sim, chef.
Agora, tamb�m est� livre.
Senhoras e senhores, pe�o desculpas a todos.
O que viram n�o fazia parte do menu desta noite.
N�s primamos por perfei��o,
o que n�o existe. E, para mim, � muito dif�cil aceitar essa verdade.
Ent�o me perdoem.
Venha comigo.
Isso conclui a demonstra��o.
Sentem-se.
Me escutem.
S� h� mais um prato saboroso no menu.
A� vem a sobremesa.
A sobremesa exige um grande barril que deveria estar naquele canto.
V� algum barril?
- N�o, n�o vejo. - Eu tamb�m n�o.
� porque minha colega negligente, a Elsa, se esqueceu de mandar trazer.
Margot, voc� pegar� o barril para n�s.
- Eu? - Lembra-se da casa de defuma��o?
Talvez lembre... Eu n�o...
- Chef, talvez um de n�s devesse... - Margot � uma de n�s agora, Elsa.
Certo, Margot?
- Sim. - Sim, o qu�?
Sim, chef.
Elsa, d� a ela a chave.
Sim, chef.
V�.
V�!
Com licen�a.
Desculpe, chef.
Sir Slowik.
Oi.
E a�?
Veja bem...
O que eu...
S� quis falar, porque...
N�o quero soar todo sei-l�-o-qu�,
mas acho que nada disso � justo.
Talvez.
Se...
Quer saber por que est� sendo punido?
Claro.
Vi o filme Chamando o Dr. Sunshine e n�o gostei.
Espere. O qu�?
Foi num domingo.
Minha �nica folga em meses.
O dia mais precioso. O dia que tinha permiss�o de viver.
Vi o filme Chamando o Dr. Sunshine sozinho no cinema.
N�o fui eu que dirigi. Eu s� atuei nele.
A lembran�a do seu rosto naquele filme...
E v�-lo novamente agora me assombra.
Me persegue.
O que acontece ao artista quando ele perde o prop�sito?
� lament�vel.
N�o, tem raz�o.
Mas e ela?
Onde fez faculdade?
Na Brown.
Bolsa de estudo?
N�o.
Lamento. Vai morrer.
Filho da puta!
Jura?
Ningu�m entra na casa do chef.
Se acha especial?
Desobedeceu a essa regra.
Eu cuido dos fregueses para o chef poder cuidar do menu.
Foi uma chatea��o desde que chegou.
Desculpe.
Posso perguntar
por que morrer por ele?
N�o vai me substituir.
Substituir voc�?
Acredite: eu n�o...
N�o, n�o. N�o!
Pare!
Chega!
Ele n�o me falou do barril.
Eu n�o esqueci.
Ai, que horror!
NO RESTAURANTE TANTALUS UM CHEF NO FIO DA NAVALHA
POR LILLIAN BLOOM
FUNCION�RIO DO M�S AGOSTO DE 1987
BEIJE O COZINHEIRO
N�o acredito.
Al�?
Feliz anivers�rio, caro Bryce
Feliz anivers�rio para voc�
Contou que � meu anivers�rio?
Pareceu legal h� 3 horas.
Obrigado.
Bem, deixe a�
e sente-se.
Quero que entenda uma coisa, Margot.
Eu sou um monstro.
N�o, fui um monstro.
Eu me prostitu�.
Mas, esta noite, tudo que fa�o � puro.
Abnegado.
E, finalmente, a dor quase sumiu.
M�os de chef.
M�os de asbestos.
Carrego uma forma de ferro fundido do forno � mesa sem prote��o.
N�o posso mais ser ferido.
Como disse o Dr. King: "A experi�ncia da dor nos ensina
que liberdade nunca � dada voluntariamente pelo opressor.
Ela deve ser exigida pelo oprimido."
Ele citou Martin Luther King?
- �. - �, citou.
O qu�?
Vejo que encontrou o nosso r�dio.
Limpem tudo no sal�o imediatamente!
� um barco!
Chamou algu�m?
- � um barco. - � um barco.
O que est� fazendo?
- Calma. - O que faz com ele?
Cuidado a�!
Apertado.
�timo.
Ser�o tentados a pedir ajuda.
- Implorar at�. - N�o, n�o.
N�o seria s�bio. Ele n�o pode ajud�-los.
Perguntem-se duas coisas.
Primeiro: querem mesmo ser respons�veis pela morte de um inocente?
E, em seguida, perguntem-se: a noite toda,
por que n�o tentaram se revoltar mais?
Para sair daqui?
Sinceramente, podiam.
Algo para se pensar.
Boa noite, seu guarda. Em que podemos ajud�-lo?
Recebi queixa de um dist�rbio.
Aqui?
Que tipo de dist�rbio?
De natureza violenta.
- � o dono? - Sou o chefe-executivo.
A posse mudou de m�os, mas isso � outra hist�ria.
N�o quero ser grosso mas, como pode ver,
estamos no meio do servi�o.
Algu�m aqui pediu socorro por ondas curtas esta noite?
N�o temos o h�bito de servir
r�dios de ondas curtas com a refei��o.
Voc� �...
Sim, sim. Sou eu.
Sou o maior f�.
Obrigado.
Quer um aut�grafo?
N�o quero incomodar.
N�o. Inc�modo nenhum.
S� que n�o tenho...
N�o, n�s temos caneta.
Vamos fazer isso.
Obrigado.
- Como se chama? - Dale.
Dale. E a�, Dale?
Oi.
Voc� � �timo.
Eu e a patroa amamos o...
Como se chama? O que faz o cirurgi�o?
Chamando o Dr. Sunshine.
�! Achei �timo.
Aqui est�.
Muito obrigado.
Legal.
Me desculpem perturb�-los.
Eu j� vou indo.
Por tudo que faz, cara.
Obrigado pelo seu servi�o.
SOCORRO
M�os na cabe�a! Todos! Agora!
N�o. Est� brincando.
Est� brincando.
N�o � brincadeira.
Qual �? � obviamente um mal-entendido.
Socorro!
- �. - Ele quer matar todos n�s!
Voltem aos lugares! Todos voc�s!
Ele � maluco!
Na sua cadeira agora.
Sil�ncio! Voltem todos aos lugares.
Sentem-se. Agora!
Sil�ncio!
- � ele! � ele! - Ele!
- Todos voc�s! - Ele quer matar todos n�s!
N�o falem!
Voc�.
De joelhos com as m�os acima da cabe�a.
Obrigado.
Est� ferrado!
Meu Deus!
Todos est�o com ele. Cuidado.
- Calma. - V� se foder!
- Se acalmem. - Foda-se!
Ningu�m se mova at� eu mandar.
Ningu�m se mova!
- N�o. - O que est� fazendo?
- Ele, ele, ele! - N�o!
Obrigado, Dale. Obrigado.
Bom trabalho.
Numa cozinha, trabalhamos juntos, ou nada d� certo.
Trabalhamos em equipe.
Voc�,
Margot de Nebraska,
traiu o v�nculo sagrado da confian�a
e provou ser descuidada no seu of�cio.
Eu me enganei.
� uma devoradora, uma tomadora.
Como todo o resto.
�ltimo prato! Servimos em 5 minutos!
Sim, chef!
N�o gosto da sua comida.
O que disse?
Disse que n�o gosto da sua comida,
e gostaria de devolver.
Lamento ouvir isso.
O que na minha comida n�o � do seu gosto?
Para come�ar,
voc� tirou o prazer de comer.
Todo prato que serviu hoje foi um exerc�cio intelectual
em vez de algo que queira se sentar para apreciar.
Quando como a sua comida,
tem gosto de n�o ter sido feita com amor.
Isso � rid�culo. Sempre coz�nhamos com amor.
- N�o �? - Sim, chef!
Todos sabem que amor � o ingrediente mais importante.
Ent�o est� se enganando.
Pensei que, esta noite, fosse a noite das verdades.
Essa � uma dela. Cozinha com obsess�o,
n�o com amor.
At� seus pratos quentes s�o frios.
Voc� � chef.
Seu �nico prop�sito na Terra � servir comida
de que gostem, e voc� fracassou.
Voc� fracassou.
E voc� me entediou.
E a pior parte �
que eu ainda estou com fome.
Ainda est� com fome?
Sim, estou.
Muita fome?
Faminta.
Est� com fome de qu�?
O que tem a�?
Tudo.
Sabe o que eu adoraria?
Me diga.
Um x-burguer.
�, n�s sabemos fazer um x-burguer.
Um x-burguer de verdade.
N�o uma bobagem chique desconstru�da.
Um x-burguer de verdade.
Eu lhe fa�o um x-burguer tradicional muito bom.
Duvido que consiga.
Vou faz�-la sentir que � o primeiro x-burguer que j� comeu.
Aquele barato que seus pais mal podiam comprar.
- Prove. - Como vai querer?
Ao ponto. Queijo americano.
� o melhor para x-burguer,
porque derrete sem rachar.
Quanto me custar�?
Sai por $9,95.
Vem com fritas?
- Niels. - Sim, chef?
- A fritadeira ainda est� ligada? - Sim, chef.
Fatias onduladas ou finas?
Isso, sim, � que �
um x-burguer.
Sim.
Isso � um x-burguer.
Infelizmente, o meu olho foi maior do que a barriga.
Eu compreendo.
Posso levar para viagem?
Um momento, por favor.
PRATO SUPLEMENTAR: UM X-BURGUER
s� um x-burguer benfeito
Um x-burguer para viagem.
E uma sacola de brindes.
Obrigado por jantar em Hawthorn.
Obrigada
por tudo.
Antes do �ltimo prato, temos que falar da conta.
N�o aceitamos gorjeta. A gratifica��o j� est� inclu�da.
Por favor, curtam as sacolinhas.
H� brindes dentro.
Uma lista de provedores locais,
granola artesanal,
um dedo de Doug Verrick
e uma c�pia do menu de hoje.
N�o, n�o.
Na conta da revista.
Falei que voc� n�o iria embora.
Mais uma vez,
obrigado por jantarem conosco.
Voc�s representam a ru�na da minha arte
e da minha vida.
Agora, v�o fazer parte dela.
Uma parte que eu espero que seja a minha obra-prima.
O prato final de sobremesa � uma brincadeira com uma comida infantil.
O s'more.
A maior agress�o j� concebida ao palato humano.
Chocolate duvidoso e �gua com a��car gelatinada
presos num biscoito industrial.
� tudo que h� de errado conosco, mas associamos � inoc�ncia,
� inf�ncia.
M�e e pai.
Mas o que transforma essa monstruosidade � o fogo.
Deus.
A chama purificadora.
Ela nos nutre, nos aquece,
nos reinventa. Forja
e nos destr�i.
Devemos nos entregar � chama.
Puta que pariu! Por favor.
Precisamos ser purificados.
Nos tornarmos limpos.
Como m�rtires
ou hereges.
Podemos ser integrados
e renovados.
Obrigada.
Amo todos voc�s!
Amamos voc�, chef!
marshmallow, chocolate, biscoitos, clientes, equipe, restaurante
O MENU
Tradu��o e Adapta��o: M�rio Menezes
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