Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
CENTRO COMUNITÁRIO, HUNGRIA
A HUNGRIA ESTÁ CHEIA DE PÔSTERES ANTI-SOROS
O governo húngaro lançou uma campanha nacional de pôsteres anti-imigrantistas
com a imagem de George Soros.
A maioria dos americanos não faz ideia de quem é George Soros,
mas é um dos homens mais temidos do mundo.
Onde há Soros, há guerra, sangue e ruína!
Soros não é mais bem-vindo na Polônia,
na República Checa, na Eslovênia e na Romênia.
Nos pôsteres: "não ao governo de Soros".
Sangue derramado na Ucrânia.
Sangue derramado em muitos outros lugares
onde Soros se envolveu.
Todos precisamos acordar para o tamanho de George Soros
e o tamanho de sua organização.
GRUPOS DE SOROS EXPULSOS DO PAQUISTÃO
Um grande ataque a George Soros está em curso.
George Soros é um dos homens mais ricos do mundo.
Ele seria o culpado por colapsos financeiros
na Tailândia, Malásia, Indonésia, Japão e Rússia.
Qual é a diferença entre filantropia e ativismo político?
Esse ultraesquerdista está por trás dos conflitos políticos nesse país.
Literalmente um colaborador dos nazistas.
O maior traficante de drogas do mundo.
A maior doação para Hilary Clinton foi dele.
Ele traiu os Estados Unidos.
Quer saber quem financia o fundamentalismo islâmico
no Egito e na Síria? George Soros.
Acha que George Soros financiou os neonazistas
que marcharam em Charlottesville?
Não seria interessante descobrir?
George Soros é uma das pessoas mais diabólicas do mundo.
Esse homem é cria do diabo.
Conversei com uma pessoa que conhece George Soros,
e a casa dele é toda preta, com móveis pretos.
Que cara bizarro! É um demônio, já era de se esperar.
Quais são as piores coisas que já disseram sobre o George?
Parece que não estão falando de um homem, mas de outra coisa.
Que ele não é um de nós.
Você está sendo gentil demais, porque eles dizem...
Já li que ele era um demônio,
que tinha uma conspiração global com os Sábios de Sião.
Por que o George é visto dessa forma?
Mas isso é muito sinistro,
"ele não é um de nós", ou seja, é diferente.
É um judeu, um especulador.
Para algumas pessoas,
ele foi responsável pela crise financeira,
um homem que especula contra os interesses do país,
que quer interferir em nossos negócios.
Para essas pessoas, o que ele faz, o que ele representa,
o que ele apoia, são coisas inaceitáveis.
Ele é o nosso inimigo. Não é um de nós.
É uma coisa muito sinistra.
Ele não é humano.
Ele é daquelas pessoas
sobre as quais existem muitas teorias da conspiração,
ou que são consideradas responsáveis
por certos acontecimentos.
Se as pessoas não sabem o que está acontecendo no mundo,
foi George Soros.
Tem alguma coisa especial,
e possivelmente problemática
em indivíduos cuja voz é tão propagada
por causa da quantidade de dinheiro que eles têm.
Ele tem tanto dinheiro e tantos funcionários
que em várias formas, temos que vê-lo como soberano.
E acho que pessoas soberanas,
que não são responsabilizadas ou limitadas,
têm um poder que inerentemente deixa as pessoas nervosas.
Não acho que as pessoas entendam o tamanho da influência de Soros.
Nunca tanto dinheiro foi utilizado no sistema
para reorganizar a sociedade.
O problema é que o dinheiro não está ligado a nenhum sistema político.
É uma batalha de ideias, basicamente.
Quando a verdade é monopolizada por uma pessoa,
um grupo ou um governo,
quando as pessoas são negadas seu direito de se falar,
seu direito de se expressar,
seja por sua religião, sua cultura,
seu gênero, sua orientação sexual ou raça...
Há muitas formas de se reduzir ou negar liberdades pessoais.
Desde censura
até aprisionamento, até abuso físico.
A questão é um conflito entre quem quer uma sociedade aberta
e quem quer negar os direitos das pessoas.
Eles querem negar os direitos das pessoas para ter poder,
para ter ganhos pessoais,
e George Soros é contra isso.
No mundo idealizado por George Soros,
uma pessoa tem acesso
aos mesmos benefícios da sociedade que qualquer outra.
É um conflito de ideias.
Com licença, acho que temos permissão para entrar e falar com a moça.
Quem é esse pessoal?
Não conheço.
Não sei quem são.
Sra. Liu, por que quer se candidatar?
Está no meu direito exigir uma eleição.
É o meu direito, exigir uma eleição.
Por que não posso abrir a minha porta?
Por que quer fugir?
É porque é meu direito, quero exercitar meu direito.
Quero exigir uma eleição.
Que roupa é essa?
Estou indo a uma festa à fantasia.
Toma essa!
Vocês são todos terroristas, diga o que quiser.
Todo muçulmano é terrorista e ponto.
São imigrantes parasitas que bebem nossa água,
comem nossa comida e respiram nosso ar grego.
Falando essa porcaria de espanhol aqui.
Um pequeno fato sobre esse playground...
Se uma criança palestina quiser entrar,
ela vai apanhar dos colonos.
Este é o nosso jardim, que nós amamos,
veja como cuidamos bem dele.
Vá à merda!
Com a ajuda de Deus...
-Espero que Deus acabe com vocês. -Vamos expulsar vocês do bairro.
Onde estaríamos hoje se não fosse a guerra civil?
Onde estaríamos sem escravidão? Está falando sério?
Acha que deve haver outro genocídio?
Não acho que tenha havido nenhum genocídio.
LONDRES 1992
O dia será conhecido como quarta-feira negra.
Foi o dia que a crise da moeda europeia finalmente explodiu.
George Soros apostou cinco bilhões de libras,
vendendo quando estava em alta,
na intenção de comprar de volta a preços baixos se a libra caísse,
e ganhar uma fortuna.
Você pegou todo o fundo Quantum
e apostou essa quantidade uma vez e meia.
Isso sim é entrar com tudo.
Com licença.
O governo subiu as taxas de juros duas vezes no dia, para 15%,
em sua grande batalha para elevar o valor da libra.
Mas após um dia frenético, a libra volta a despencar.
Hoje foi um dia extremamente difícil e turbulento.
George Soros ganhou um bilhão de dólares quase da noite para o dia.
Que tipo de homem apostaria mais que toda sua fortuna
contra o Banco da Inglaterra,
e doaria uma quantia tão grande de seus rendimentos?
Em 1979, você começou a financiar os estudantes na Cidade do Cabo.
Por que teve vontade de fazer isso?
Acho que é melhor falarmos da minha vida.
Podemos começar ou com a minha vida
ou com a filosofia.
Com a filosofia, um de nós dois vai ficar perdido.
Então é melhor começar com...
Eu nasci em 1930, em Budapeste,
em uma família de classe média meio incomum,
porque meu pai era uma pessoa incomum,
e ele teve uma influência enorme na minha vida.
Era muito bom morar em Budapeste se você tivesse dinheiro
e fosse da família certa.
Piscinas, bares, cinemas,
cafés, restaurantes,
teatros excelentes e concertos.
A Academia de Música era muito famosa.
Cerca de 25% dos habitantes da cidade
eram judeus, como a família de Soros e a minha.
De repente, era tudo um sonho, e não éramos mais aceitos.
Na verdade, a experiência mais formativa foi em 1944,
com a ocupação alemã.
Eles precisam ter cuidado,
porque um dia, nossa paciência acaba,
e os judeus terão suas bocas petulantes e mentirosas
caladas para sempre.
O holocausto visitou a Hungria
de forma bastante agressiva,
porque o ritmo...
400 mil pessoas foram mortas em poucas semanas.
O holocausto chegava a um novo patamar.
O pior é que algumas pessoas acreditavam no Hitler.
Por um tempo muito curto, mas foram muitas pessoas.
Elas inventavam ideias sobre Hitler.
Algumas delas eram bastante interessantes.
Eram totalmente fantásticas, interessantes e complicadas,
muito acima do nível normal.
Eu achava aquilo grotesco.
Hoje, acho que eles caíram
em uma armadilha de suas próprias ideias.
Budapeste são duas cidades,
e no meio delas, há o famoso "Danúbio Azul".
Para mim, era o "Danúbio Vermelho", porque era mesmo.
Os nazistas húngaros levavam as pessoas para lá,
amarravam três pessoas umas nas outras
e atiravam na do meio para que todas caíssem.
Se vissem algum movimento, atiravam de novo para garantir.
A minha família era judia,
e por isso, fomos alvos durante a ocupação.
Eu teria morrido se meu pai
não tivesse entendido a gravidade da situação logo no começo.
Ele conseguiu os documentos de identificação do concierge,
que ofereceu ajudar com o que podia.
Nós sobrevivemos à ocupação alemã
com identidades falsas.
Não apenas sobrevivemos,
meu pai ajudou muitas outras pessoas
a sobreviver também.
Isso moldou a minha forma de ver a vida,
e me preparou para enfrentar a dura realidade,
não desistir, e sim lutar para triunfar.
Costumávamos dançar, mas não dançamos mais.
Não tenho fotos de quando éramos jovens.
Lembra de quando conheceu o George?
Sim, conheci o George quando estávamos na piscina,
e o pai dele o carregava nos ombros.
Quando ele cresceu, teve dificuldades com a mãe,
o pai e o irmão. AMIGA DE INFÂNCIA
Todos eram muito duros com ele. AMIGA DE INFÂNCIA
E ele apanhava muito dos outros meninos.
Lembro que ele tinha 7 ou 8 anos,
e o pai dele o mandou subir muito alto para mergulhar.
Eu estava apavorada, e o pai dele dizia: "Vai, vai."
O pai colocava muita pressão nele.
Ele mandava em todo mundo.
Quando ele dizia "pula", você pulava, acredite.
Meu pai certamente falava sobre a influência do pai dele,
e como o admirava,
como era importante para ele.
Qualquer filho vê o pai como herói,
mas o meu pai realmente teve essa experiência
de ter um pai que se arrisca, é criativo, inteligente
e extremamente esperto, reconhecendo tudo que acontecia,
sem ignorar as coisas só porque não gostava.
Foi a habilidade de Tivadar naquele momento,
ver que o mundo estava de cabeça para baixo.
"O Estado, que devia nos proteger, será nosso inimigo.
Temos que tomar medidas drásticas para sobreviver."
Ele me ensinou que existem tempos anormais,
em que as regras normais não se aplicam.
Em épocas normais, se você segue ordens, geralmente dá tudo certo.
Mas naquela época, se você seguisse, seria morto.
Em outubro de 1944, em Budapeste,
os judeus não podiam comprar cigarros.
E como George e o pai
viviam como cristãos, com identidades falsas,
e não tinham a estrela amarela em seus casacos.
Eles foram à tabacaria para o pai comprar um maço de cigarros.
Quando saíram,
havia judeus do lado de fora,
e eles pediram para comprar uns cigarros do pai do George.
Ele distribuiu os cigarros para os judeus.
E George perguntou ao pai: "Por que fez isso?
Esse lugar é muito perigoso para nós.
Por que deu os cigarros para eles?"
A resposta do pai foi:
"Porque não quero que os judeus
achem que todos os cristãos são ruins."
Não que ele queria ser uma boa pessoa, ou tinha um bom coração.
O motivo não foi esse,
e sim algo mais fundamental, mais profundo.
Ele pensou no futuro, depois de todos aqueles horrores,
quando judeus e cristãos voltariam a viver juntos.
George contou essa história
porque ela teve um grande impacto na sua forma de pensar.
Para nós, é muito difícil se identificar com a guerra.
55 milhões de pessoas morreram no mundo todo na guerra.
A destruição foi gigantesca nas moradias, na infraestrutura,
em escolas e hospitais.
E as crianças da época
nunca deveriam ter vivido aquela situação.
Essas coisas nos marcam para o resto da vida.
CORPOS ESCAVADOS DE VALA COMUM DA 2ª GUERRA MUNDIAL
BUDAPESTE 1944
As tropas nazistas foram expulsas,
e uma nova tirania substituiu a antiga.
A ocupação soviética envolveu uma operação militar ativa,
estuprando e saqueando
em uma escala significativa.
A primeira coisa que os russos fizeram quando chegaram
foi apertar a mão do meu pai, que era macia.
Então, gritaram: "Capitalista!"
E colocaram-no na parede, com uma arma na cabeça.
Eles queriam me levar para o general.
Eu tinha 16 anos.
Os russos eram terríveis.
Eles pegavam os jovens que estavam na rua,
e alguns, eles simplesmente executavam.
De repente, dois soldados russos pararam na nossa frente.
MÃE DE GEORGE, ELIZABETH
Eles me fizeram deitar,
e um deles ficou perto da minha cabeça com uma arma.
Eles me estupraram, os dois.
Foi assim que aconteceu.
GEORGE SOROS E SUA MÃE
O comunismo é um sonho por um mundo melhor.
De alguma forma, busca-se abundância
justiça social, paz e felicidade através da luta de classes.
Agora, se o velho mundo está descreditado,
cheio de escombros,
se 6 milhões de judeus foram exterminados,
faz sentido que o sonho de um novo mundo,
ou um mundo melhor, seja bem recebido.
O problema dos comunistas
é que não se consegue abundância, justiça social e paz
prendendo, deportando
e assassinando pessoas por motivos políticos.
CORPOS DE UMA VALA COMUM DA ERA SOVIÉTICA
Nós crescemos cientes das adversidades
que nossos pais enfrentaram na Europa.
Meu pai me contava histórias antes de dormir
sobre a ocupação soviética na Hungria,
e o pai dele era sempre o herói.
Minha mãe falava menos sobre suas experiências
crescendo na Alemanha durante a guerra.
Mas nós sabíamos que eles eram imigrantes,
sabíamos que tinha sido a guerra e a discriminação
que os fizeram fugir da Hungria.
Depois da guerra, fui para Londres,
onde conheci um livro de Karl Popper,
"A Sociedade Aberta e Seus Inimigos".
O livro me influenciou muito,
porque me ajudou a aplicar a minha própria experiência
com comunismo, nazismo, essas ideologias,
em uma estrutura teórica.
Ele argumentava que havia uma similaridade
entre regimes nazistas e comunistas,
porque ambos acreditavam ter a verdade definitiva.
E como ninguém possui a verdade definitiva,
se você tem um dogma desses, precisa impor à força.
Então, o comunismo e o nazismo tiveram algo em comum.
Isso realmente me fez pensar.
Ele propôs uma alternativa, uma Sociedade Aberta,
baseada no reconhecimento de que ninguém tem posse da verdade,
e é necessário um processo crítico.
É preciso respeitar as opiniões e interesses das outras pessoas,
e encontrar uma forma
de pessoas com perspectivas diferentes viverem juntas,
o que obviamente seria uma democracia.
Quando chegou a este país depois de sua educação na Inglaterra,
o que você estava pensando?
O que esperava encontrar? O que queria encontrar? Já encontrou?
Eu escolhi o Ocidente porque buscava liberdade.
Mas sinceramente, eu vim aos EUA para ganhar dinheiro.
Ele era o cara dos fundos de investimento.
Isso foi antes de existirem milhares de fundos,
como é o caso agora.
E eu sabia que ele tinha ganhado mais dinheiro
que qualquer um em Wall Street.
A minha habilidade era estar sempre na frente,
por ter flexibilidade na minha forma de pensar.
Nós agíamos como ovelhas, em grande parte.
E George Soros era a pessoa que não seguia as ovelhas.
Se visse muitas ovelhas correndo em uma direção,
ele pensava: "Vou olhar para o outro lado.
Do que estão fugindo?"
Conforme observamos o mundo e pensamos nele,
teorizamos sobre ele, formamos ideias sobre ele,
esse mundo é afetado,
assim como seu comportamento.
E essa é a reflexividade
que George Soros articula com tanta veemência.
Vou dar mais um exemplo.
Estou esquiando em San Moritz.
Eu compro o Financial Times
e leio que a Rolls Royce está com dificuldades financeiras.
Quando chego ao topo da montanha,
ligo para o corretor
e compro títulos do governo britânico, ou "gilts".
Isso é apenas leitura...
Eu não estava pensando em comprar gilts, mas...
Explique, não entendi.
Por que... Não entendi.
Porque aquilo teria um efeito na economia britânica,
e o governo diminuiria as taxas de juros.
E quando as taxas de juros caem, o preço dos gilts sobe.
É um exemplo de como as coisas estão conectadas.
Na época em que eu monitorava os mercados financeiros de perto,
eu enxergava essas conexões.
A maior lição que aprendi durante a guerra
é esperar o inesperado.
As situações que encontramos
são tão fora de contexto em relação ao que crescemos aprendendo
que temos que examinar a estrutura do nosso pensamento.
Assim, percebemos
que todos nós trabalhamos com ideias preconcebidas.
E essas ideias não necessariamente correspondem à realidade.
Há uma lacuna entre percepção e realidade.
Foi essa lacuna que eu explorei e da qual tirei vantagem.
Como é ter muito dinheiro?
Primeiro, é muito agradável,
porque você não tem preocupações.
Também traz um certo grau de liberdade,
além de um certo grau de poder.
O ato de fazer dinheiro,
que causa estresse por ser tão intenso,
estava o deixando infeliz.
Foi muito difícil e desagradável,
porque ele assumia riscos enormes.
No meu dia a dia, acho as pessoas sem graça.
Inclusive, eu diria
que não tenho memória de muitos momentos,
porque não estava presente.
Eu não tinha interesse.
Acho que eram várias transições acontecendo simultaneamente.
Ele estava se divorciando da minha mãe.
Naquele ponto da vida,
ele já tinha ganhado mais dinheiro que poderia gastar.
Estava ficando desmotivado com os negócios,
foi uma época triste, de certa forma.
Quando eu cheguei aos 50 anos,
era extremamente bem-sucedido,
mas aquilo me consumia.
Era muito desgastante,
e não parecia valer a pena se esforçar tanto,
sofrer tanto gerenciando o fundo de investimento
só para ganhar mais dinheiro.
Tudo isso fez parte dessa época turbulenta.
Qual é o sentido da minha vida? Por que faço o que faço?
Eu me perguntei por que estava fazendo aquilo.
ÁFRICA DO SUL 1979
Dada a situação que encontramos aqui na África do Sul,
tivemos que explorar formas alternativas
de resolver os problemas ou reestruturar a sociedade
sem colocar em risco o futuro dos brancos.
Basicamente, alguns podem se incomodar,
mas é uma questão de sobrevivência branca.
Este Partido Nacionalista
governa a África do Sul há 26 anos,
sob condições árduas.
E vou lhes dizer, apesar de tudo,
o mérito do Partido Nacional está no fato
de que ele ajudou a manter a África do Sul por 26 anos
diante de tantas dificuldades.
Estamos tentando dizer ao mundo que temos boas intenções,
e que podem ser explicadas com princípios morais cristãos.
Mas claro, tudo isso leva tempo.
George Soros se interessou muito
pela causa antiapartheid.
Acreditamos que no nosso país, não deve haver minorias ou maiorias,
apenas pessoas.
E essas pessoas serão iguais perante a lei.
Eu conheci a África de dentro,
porque tinha um amigo lá.
Ele dava aulas de sociologia,
e decidiu voltar à África.
Foi uma oportunidade para ir visitá-lo,
e pude conhecer a situação da África do Sul
do ponto de vista dos negros.
George acreditava em uma África do Sul pós-apartheid,
mas achou que o necessário eram negros com escolaridade,
que pudessem ter um papel
no governo de uma futura África do Sul
não governada pela minoria branca.
Como africâner, só posso dizer que temos uma novidade para você.
Teremos uma novidade para os sul-africanos negros
que quiserem nos dominar.
No final das contas, o que devemos e vamos fazer,
se acreditarmos na sobrevivência da nossa nação, é enfrentá-los.
Vamos tirar vocês daqui rapidinho, está bem?
Vocês são a causa para isso agora.
-Entendi. -Então saiam.
Certo.
Eu achava que neste lugar,
eu poderia causar um grande impacto
dando poder às pessoas através da educação.
Essas bolsas eram para estudantes negros.
Havia a necessidade de disponibilizar fundos
para pagar o alojamento,
para pagar os livros que fossem necessários,
mas também para pagar os custos de vida.
Descobrimos que havia um benfeitor chamado George Soros
por trás das bolsas.
Foi a minha primeira empreitada filantrópica séria.
Se havia pessoas que não sabiam quem eu era
e estavam dispostas a ajudar, isso não me torna responsável
por fazer boas ações também?
O que eu e os outros podemos fazer
para garantir a construção de uma África do Sul em que queremos viver?
Eu tinha fantasias juvenis de salvar o mundo.
Eram o que eu chamava de "fantasias messiânicas",
acho que a maioria dos adolescentes têm.
Eu tive um pouco mais sucesso
em colocar essas fantasias em prática.
Para ele, era crucial mostrar
que não ajudava só pessoas como ele.
Você não é moralmente responsável só pela sua parte do mundo,
não é responsável apenas pela sua família ou seu país.
De certa forma, é responsável por tudo que acontece no mundo.
Eu vejo um simbolismo nisso, na África do Sul,
um húngaro branco
que provavelmente nem conhecia o lugar direito
queria ajudar, o que também passava uma mensagem
sobre os limites da nossa responsabilidade moral.
A ideia é que se você quer ser livre,
a única condição para isso
é que todos sejam livres.
EUROPA ORIENTAL 1980
Aquela casa especial que você está vendo
não é um sonho de Le Corbusier,
está mais para um sonho de George Orwell,
é uma casa construída pela polícia há três meses.
Todo dia, eles ficam lá dentro
e acompanham tudo que eu faço.
São meus novos vizinhos.
A Human Rights Watch fazia reuniões toda quarta-feira de manhã,
e George começou a participar
por causa de seu interesse
no que parecia ser uma luta muito árdua
para tentar garantir a proteção dos direitos
em uma Europa Oriental dominada pelos soviéticos.
Nem todo mundo foi preso pela polícia.
Mas todos tinham medo: "Bebemos um pouco ontem
e falei tal coisa,
será que ele vai contar para alguém?"
E acredito que essa natureza cotidiana do horror do sistema
é uma coisa totalmente esquecida.
É um sistema terrível de informantes universais,
de uma vigilância universal.
Você não pode confiar em pessoa alguma.
Um filho pode denunciar o pai, e uma esposa, o marido,
sem contar no que amigos podem fazer uns com os outros.
Por quanto tempo um homem pode continuar vivendo assim?
Não sei.
Eu convidava as pessoas que me contavam suas histórias
para que contassem a todos o que estava acontecendo
com seus pais, suas mães, seus tios.
Acho que ele aprendeu, como todos nós,
naquelas reuniões de quarta-feira, sobre o que estava acontecendo.
E discutíamos o que podíamos fazer.
Participar de trabalhos de direitos humanos
foi uma experiência de aprendizado para mim.
Fui um aprendiz.
Ele achava que indivíduos podiam fazer a diferença
ao lidar com regimes opressivos.
Um beneficiado meu tinha sido amigo de George Soros na escola,
e disse que eu devia falar com um homem rico dos EUA,
mas eu não conseguia encontrá-lo, ninguém conhecia o George.
Mas o George me encontrou, e assim nos conhecemos.
Ele perguntou quanto eu precisava.
Eu disse que US$ 10 mil seriam úteis.
Ele disse: "O quê? 10 mil dólares?"
Pensei: "Meu Deus, pedi demais."
Mas fiquei firme e disse: "Sim, seria ótimo."
Ele balançou a cabeça e disse: "Pense maior."
Você começou a viajar pela Europa Oriental
fazendo alianças com indivíduos pró-democracia,
investindo em seres humanos.
O que eu fiz foi apenas encontrá-los e apoiá-los.
Eles fizeram todo o trabalho.
-Com o seu dinheiro e... -Sim, com o meu apoio.
Uma das coisas que os regimes totalitários faziam era controlar,
através de vigilância e controle da mídia,
como as pessoas conversavam.
Então, quando a Soros Foundation começou a doar copiadoras,
as pessoas podiam se comunicar
de formas cada vez mais difíceis de o governo controlar.
Nós publicamos tudo que foi proibido,
toda a literatura estrangeira.
George Orwell,
Milan Kundera,
Georgy Konrád,
todos eles foram proibidos.
A ideia dele é que você precisa dar muito apoio a vários lugares
para ajudar a abrir a sociedade.
A ameaça era que suas críticas ao Partido Comunista
e o modo de vida socialista
se transformassem em uma plataforma para atacar o regime
e uma força política organizada.
Era disso que tínhamos medo.
O empresário americano George Soros
criou uma fundação de caridade na URSS.
Ele financiou muitos programas,
como programas de viagem para pesquisadores, cientistas
e os jovens que cursavam universidades ocidentais.
Esses propósitos tinham um denominador comum:
abrir o país.
Eu enxerguei uma abertura no sistema soviético.
E eu a interpretei como uma sequência de expansão e contração,
e a contração estava chegando.
ABERTURA DA FRONTEIRA DA HUNGRIA - 1989
Eu vejo a história da mesma forma que vejo mercados financeiros.
Penso em mercados financeiros como um processo histórico.
Em outras palavras, não têm uma tendência de se equilibrar,
não voltam para onde vieram, estão sempre indo para frente.
Com a história, é a mesma coisa.
ALEMANHA ORIENTAL 1989
Talvez, depois de João Paulo II,
Gorbachev e Lech Walesa,
ele tenha sido a pessoa mais importante
para o fim do comunismo,
com seus esforços nesses países.
Era o tipo de aventura,
a satisfação que eu tinha,
fazer parte desse tipo de atividade.
Era um mar de russos, basicamente.
-Que loucura, quanta gente! -Era 1991.
A cortina de ferro tinha caído.
Era um show grátis no aeroporto,
e até o horizonte, pessoas e mais pessoas.
Nós subimos no palco e fizemos o nosso show.
O helicóptero se aproximava, e eles gritavam para as pessoas:
"Parem!" As pessoas estavam naquela loucura,
e na frente, havia homens uniformizados.
Estavam parados de uniforme, e após três ou quatro músicas...
"Que se dane!" Tiraram o uniforme,
começaram a sacudir a cabeça e se divertir.
Nós vimos uma sociedade fechada se transformar e se tornar livre
na nossa frente, individualmente, nas pessoas.
Foi incrível!
Poucas pessoas acordam e pensam: "Vou mudar o mundo."
A maioria que faz isso deve ser temida.
São Hitler, Stalin, Gengis Khan,
o tipo de gente megalomaníaca e violenta
que acha que sua relação com o mundo é digna de dominação.
Não é a resposta normal que as pessoas têm.
Elas acordam de manhã e pensam:
"Consigo sobreviver a este dia? Vou ficar bem?"
Então, a visão que faz alguém pensar que pode impactar o mundo
é de uma ambição que pouquíssimas pessoas têm.
Quero saber até que ponto você acha
que suas ideias sobre a comunidade internacional,
sobre reformas, sobre tudo com que você se envolve,
receberam mais atenção conforme você acumulava tanto dinheiro?
Que as pessoas diziam: "Ele deve saber do que está falando,
veja o dinheiro que ele ganhou."
Com certeza, eu só tenho uma plataforma
porque ganhei alguns bilhões de dólares.
De certa forma, os mercados financeiros
serviram como laboratório para que eu testasse minhas ideias.
Acho que o meu sucesso
serve como uma espécie de justificativa
para que pensem que minhas ideias têm mérito,
que não são bobagens.
Em 1992, já fazia mais de uma década que George investia
no fim do comunismo,
o totalitarismo socialista da antiga União Soviética,
na Europa Oriental e no mundo.
Esse objetivo foi atingido muito mais rápido
do que ele ou qualquer um esperavam.
Nesse ponto, ele teve que se perguntar:
"Essas sociedades da antiga URSS e Europa Oriental
tentaram estabelecer sociedades abertas...
Qual seria a sociedade aberta ideal?"
Na ideia de sociedade aberta, quais são os dispositivos,
os aspectos dessa sociedade que devem ser livres e abertos
para dar a seus membros
a oportunidade de se expressar e participar?
O voto é um aspecto, mas há muitos outros.
A Eritreia vai esperar 30 ou 40 anos para ter eleições?
Talvez mais, quem sabe?
Eleições não são um elemento central de uma democracia?
Sem eleições, não se tem democracia.
Depende do que você quer dizer com democracia.
O atributo que mais define uma sociedade aberta moderna
é a institucionalização da dúvida,
o questionamento das coisas.
E acho que uma imprensa livre, independente,
é a melhor forma de se ter isso, a melhor ferramenta.
Imagine um presidente apontar para um jornalista,
ameaçá-lo, dizer que ele pagará caro.
Depois disso, atiraram em mim.
A lei pode ser um instrumento de libertação,
igualdade e imparcialidade, ou um instrumento de opressão.
Kalief Browder, 16 anos, acusado de roubar uma mochila,
passou mais de mil dias na prisão de Rikers Island sem julgamento
antes de ser solto.
O juiz disse que se eu me declarasse culpado,
seria solto no mesmo dia, mas eu não era o culpado!
Todo tipo de liberdade de expressão,
e certamente a artística, é fundamental.
As pessoas precisam dessa liberdade, exercendo-a ou não, elas precisam.
Conservadores religiosos no Irã não estão de brincadeira
quando alertam contra um suposto "comportamento ocidental decadente".
Seis homens e mulheres foram presos por dançarem "Happy" no YouTube.
Liberdade de religião não é o direito de privar liberdades dos outros
em nome da religião.
Nabila Korad tem 17 anos. Ela e a irmã mais nova, Hind,
se recusaram a descobrir a cabeça na escola
e foram expulsas.
Uma educação que traz o pensamento crítico em sua essência,
não é só aprender a ler.
Essas crianças romani estão às margens da sociedade
em toda a Europa Oriental,
onde a falta de acesso à educação limita suas oportunidades.
Você gostaria de ir à escola?
Gostaria.
Você sonha com o quê?
Com nada.
Direitos são uma aspiração de como queremos viver.
Eu decido como vivo, o que digo, o que penso, quem eu amo,
com quem eu me associo e quem quero ser.
Isso é a sociedade aberta,
não se trata de simples valores que você pode repetir,
ou de alguma filosofia,
é a ideia de uma sociedade que se autocorrige.
Eu lembro de estar na escola e um colega me perguntar:
"Por que o seu pai doaria para os húngaros,
se eles tentaram matar a sua família?"
Ele disse que estava determinado a voltar
e ajudar a criar uma sociedade em que poderia viver.
SOROS INAUGURA UNIVERSIDADE NA HUNGRIA
Pode haver muita gente viva hoje com sua própria visão
de como mudar o mundo.
George Soros é um dos poucos
com os meios e a determinação necessários para isso.
Quer um exemplo?
Que tal seu compromisso recente de doar US$ 500 milhões à Rússia
ao longo de três anos,
para melhorar a educação o sistema de saúde,
e treinar os militares para empregos civis?
Sentíamos que as sociedades podiam ser transformadas,
que com recursos, podíamos construir a democracia,
a liberdade, uma sociedade aberta.
Conhecer pessoas interessantes,
estar nos momentos importantes de sua época,
fazer parte da história,
era algo que me intrigava e atraía muito.
A filantropia começou aos poucos,
e se tornou uma empreitada enorme.
George começou a expandir o trabalho, da Europa Central
para toda a África, toda a América Latina,
a Ásia, os EUA, ele trabalhou em mais de 120 países.
Eles recorrem às pessoas comuns
para saber o que elas pensam sobre sua sociedade,
como elas podem participar de forma mais aberta
e como suas opiniões podem ser consideradas.
Quando vemos um problema que precisa ser resolvido
e identificamos um grupo de pessoas
que por acaso conhecem e entendem esse problema,
que têm uma forma de lidar com ele,
nós empoderamos essas pessoas ou organizações para isso.
Como sabe que não estão se aproveitando de você?
Tenho a tendência de dar o benefício da dúvida.
Eu começo basicamente...
agindo com confiança, e vejo o que acontece.
Enquanto têm a minha confiança, eles estão no comando.
Eles sabem melhor que eu da situação de seu país.
Geralmente sua percepção é diferente da minha,
e geralmente, eles estão certos.
Já faz uns 20 anos.
A nossa escola ficava na Rua 144, um dos piores lugares do Harlem.
Não tinha nenhum branco naquela escola,
era estranho ver alguém de fora ali.
Olhamos para a rua, e tinha um cara se aproximando.
Ele tinha parado longe da escola.
Era o George, e eu não conseguia acreditar que era George Soros!
Ele queria descobrir algo por conta própria,
e não queria o filtro de bajuladores tentando fazer a tradução.
Ele queria ir direto aos jovens, e foi o que fez,
tínhamos uma mesa com as crianças sentadas,
e o George perguntava como era crescer no Harlem,
quais eram suas dificuldades, seus medos,
do que elas gostavam.
Ele decidiu que queria ajudar.
O meu pai foi um exemplo para mim,
mas durante toda a vida, ele ajudou os outros pessoalmente.
Ele fazia isso "no varejo", de pessoa em pessoa,
e eu, fazia no atacado.
Eu gastava grandes quantias de dinheiro
com pessoas que não conhecia.
As pessoas tendem a achar que esses problemas são grandes demais,
"deixe para o governo, deixe para os outros".
"O que eu, como indivíduo, posso fazer?"
Mas George nunca teve essa atitude,
ele sempre sentiu que o indivíduo pode fazer a diferença,
e ele não hesitava em tentar.
SARAJEVO, BÓSNIA ANTIGA IUGOSLÁVIA - 1992
Ataque os bairros muçulmanos, onde há poucos sérvios.
Bombardeie até eles ficarem loucos.
A Bósnia tinha muitas religiões, muitos grupos étnicos,
e eles viviam juntos.
Obviamente, havia algo intrínseco no povo daqui,
algo que existiu por centenas de anos.
As pessoas moravam aqui, muçulmanos, católicos ortodoxos, judeus...
Então, o que houve?
Como houve uma guerra em uma cultura tão maravilhosa?
Nós não víamos o que os nacionalistas estavam preparando.
Dois terços da Bósnia sofreram ataques de forças sérvias.
Os sérvios não estavam atacando nenhum outro território,
apenas estavam se defendendo.
Como já dissemos, não somos e não podemos ser policiais do mundo.
Hoje, George Soros fez a maior doação já recebida
pelas maiores organizações de caridade do mundo.
O que está acontecendo na Bósnia é genocídio.
E isso me toca profundamente,
porque como judeu húngaro,
eu mesmo já fui um alvo em potencial em um genocídio.
Na época, eu estava nas Nações Unidas,
trabalhando no Departamento de Operações de Paz,
fortemente envolvido com a situação dos Bálcãs.
E George, apesar de não ser da ONU ou do governo,
estava tão inconformado que foi muito atuante.
George Soros fez muitas coisas que ajudaram a manter a Bósnia viva.
Ele tentou restaurar a água em Sarajevo, eletricidade...
Nós providenciamos aquecimento à gás para as pessoas,
trouxemos sementes, para que pudessem plantar sua própria comida
durante o cerco.
E houve um grande esforço para manter atividades culturais.
SUSAN SONTAG DIRIGE ESPERANDO GODOT FESTIVAL DE CINEMA DE SARAJEVO 1993
Enquanto aconteciam todas aquelas batalhas,
Soros conseguiu nos trazer jornais impressos.
De certa forma,
as notícias eram tão importantes quanto pão para o povo de Sarajevo,
porque eles saíam dos abrigos para buscar pão e jornal.
BÓSNIA, SÉRVIA E CROÁCIA ASSINAM TRATADO DE PAZ
Depois dos Acordo de Dayton, pela paz na Bósnia,
o George já tinha doado mais dinheiro para implementar os acordos de paz
que o governo americano.
São países grandes, a União Europeia, os EUA.
Por que um indivíduo, por mais que seja rico,
deveria ir salvar Sarajevo?
Acredito que a lógica nesse caso é dizer às pessoas
que elas não estão sozinhas
e que algo pode ser feito.
O PRESIDENTE SÉRVIO MILOSEVIC É ACUSADO DE CRIMES DE GUERRA
Na época, não havia um sistema internacional de justiça
para responsabilizar as pessoas pelos crimes que cometeram.
O tribunal da Iugoslávia foi o primeiro.
E nos bastidores, George ajudou a garantir que o tribunal existisse.
Membros do tribunal de Haia, vocês podem é me chupar.
Vão se ferrar.
Essa é a cafeteria
onde a polícia sérvia matou meus quatro filhos.
CORPOS DE UMA VALA COMUM NA BÓSNIA
Foi uma virada impressionante vê-los sendo forçados
a ouvir os testemunhos das pessoas,
e ver como o poder pode ser tirado de alguém.
Como você mede sucesso e fracasso?
Quando você faz um investimento,
esse investimento é um objeto fantástico,
muito atraente para você.
E quando você atinge o seu objetivo,
ele se transforma em outra coisa.
O objeto fantástico desaparece, ou perde o brilho.
Torna-se uma decepção.
George passou décadas envolvido com Mianmar.
Até quando o país estava totalmente fechado.
Em certo ponto, ele se envolveu muito com Aung San Suu Kyi.
Você é conhecida mundialmente por batalhar pela liberdade,
é uma ativista de direitos humanos, uma versão asiática de Mandela.
Não sei se eu me compararia com Mandela,
mas sei que as pessoas me comparam com ele.
Em retrospecto, entendo como o meu julgamento foi falho.
POVO ROHINGYA FUGINDO DA VIOLÊNCIA EM MIANMAR
Ele disse que estão espancando, matando e queimando as pessoas.
É o que estão fazendo.
Começaram a atirar, e as pessoas saíram para ver o que era.
Então, chegou o helicóptero, e começaram a bombardear a vila.
Já se preocupou com ser lembrada como a defensora de direitos humanos
que falhou em impedir uma limpeza étnica no próprio país?
Não, porque não acredito que isso esteja acontecendo,
limpeza étnica é uma expressão forte demais.
PROVAS DO GENOCÍDIO ROHINGYA EM MIANMAR
Muita gente teria ficado tão envergonhada
por ter feito essa aposta no passado,
por ter confiado em um indivíduo assim,
que nunca mais voltaria a se envolver,
ou ficaria com medo de trocar o pneu com o carro andando.
George decidiu agir,
e se tornou um grande defensor dos rohingya.
Acredita que o seu trabalho filantrópico
é um contrapeso para as decisões mais impiedosas que teve que tomar
quando trabalhava com finanças?
Não, não há conexão.
Não estou fazendo meu trabalho filantrópico
por qualquer sentimento de culpa
ou necessidade de ter boas relações públicas.
Estou fazendo isso porque tenho o dinheiro e porque acredito.
Bem, Soros é a personificação do problema.
Ele tem um efeito incrível em políticas de nível fundamental
em dezenas de países,
e isso causa muito ressentimento nas pessoas que moram nesses países.
"Por que esse cara que não conhecemos
envia essas ONGs ao nosso país para influenciar nosso governo?"
Esse homem está brincando de Deus.
São apenas as doações que ele já fez.
Vou mostrar assim, não temos muito tempo.
Isso aqui não é nem metade.
Mas fora isso, não há nada para ver aqui!
Sigam com suas vidas!
Outros filantropos, como Bill Gates,
não são vistos dessa forma.
As pessoas aceitam os termos dele, que fez uma fortuna,
e quer gastá-la para tornar o mundo um lugar melhor.
A oferta de George não vem com esses termos implícitos,
e certamente não é assim que é aceita.
Ele gosta de controvérsia e de debate.
E em suas próprias palavras,
ele é um filantropo político.
Isso significa que, para grandes establishments
que só têm a ganhar com o status quo,
ele é uma ameaça.
Tem gente muito, muito irritada com o senhor,
pelo dinheiro que colocou em projetos
relacionados a drogas nos EUA, por exemplo.
Com certeza, e fico feliz que esteja irritando algumas pessoas,
quer dizer que estou fazendo diferença.
"Tanto o governo Bush quanto os regimes nazistas e comunistas
praticam políticas do medo."
Fazer comparações entre o presidente dos EUA e esses regimes...
Muita gente vai dizer: "O que você está fazendo?"
Quando o presidente Bush disse
"quem não está do nosso lado, está do lado dos terroristas",
lembrei desses regimes, mas eu não devia ter falado nada.
Você acha que pessoas ricas têm uma influência excessiva na política?
Sim, eu acho.
Não uso meu dinheiro para ganhar influência política
em nome dos meus interesses privados,
algo que muitos ricos fazem.
Tem muita desinformação por aí
sobre o que ele fez, ou por que motivo.
E às vezes, quando as pessoas o atacam,
dizem que ele fez alguma coisa, eu penso:
"É verdade, com certeza,
e tenho orgulho por ele ter feito isso."
A informação estar correta, mas é questão de perspectiva
se aquilo fez algum bem social ou destruiu as estruturas da sociedade.
George Soros continuou expandindo sua filantropia,
e começou a trabalhar com pessoas e grupos
que enfrentavam problemas mais espinhosos,
como políticas de drogas, reformas na justiça criminal,
direitos LGBT, casamento gay,
direitos de imigrantes e minorias, e direitos reprodutivos das mulheres.
E conforme se envolvia com mais assuntos,
ele fazia mais inimigos.
Soros não se incomoda
em se envolver com as questões mais polêmicas:
imigração, aborto, uso de drogas, o povo romani,
essas coisas que realmente inflamam as pessoas.
É um dos motivos pelos quais ele é tão odiado.
São questões muito delicadas, e se chega alguém de fora
dizendo "não, não, façam isso",
surge muito ressentimento.
O fato de eu ter me envolvido com tantas questões diferentes
e ter assumido posições controversas
é algo que está se voltando contra mim agora.
O seu pai é considerado o bicho-papão. Como você se sente?
Bem, ele foi demonizado por uma comunidade
por ser sinônimo da causa progressista.
Quem está financiando o Black Lives Matter?
Um dos grandes doadores parece ser George Soros, nosso velho amigo.
É um movimento anarquista financiado por George Soros.
Muitas das pessoas fazendo bagunça
trabalham para as organizações de fachada de George Soros.
Não foi um evento espontâneo,
foi organizado por grupos da extrema esquerda,
que recebem milhões de dólares
do ativista progressista George Soros.
Acredita que o George Soros esteja por trás disso?
Acho que sim, isso é compatível com seu padrão de ataque...
O mundo faz mais sentido
se houver apenas um gênio de 85 anos
controlando o mundo,
fazendo as coisas que você não gosta e que lhe causam medo.
A próxima ligação é de Batavia, Illinois.
Sr. Soros, eu queria saber se quer pedir desculpa
aos sobreviventes do Holocausto que você explorou,
e ao grande público americano, que você tentou manipular
com suas atividades desonestas e antiamericanas.
-Sr. Soros? -Lamento, não posso fazer isso.
Pode continuar me acusando, mas se não tiver alguma prova
que apoie suas acusações,
não posso ajudá-lo, lamento.
Ano passado, fui convidada ao Fórum Mundial sobre Antissemitismo.
No final da conversa, abrimos para perguntas,
e a primeira pessoa que se levantou disse:
"Vocês não falaram sobre George Soros ser nazista."
Centenas de pessoas, metade da plateia,
se levantaram e aplaudiram a pergunta.
Sempre que há esses ataques em alguém como o George.
O que dá poder a eles são pequenas frações
e elementos de verdade,
que são usados para fabricar algo totalmente incorreto,
falso e vergonhoso.
Ele tinha 13 anos quando os nazistas chegaram a Budapeste,
e seu pai mandou os meninos embora para casas separadas.
George foi morar com um funcionário do Ministério da Agricultura,
cujo trabalho era fazer o inventário
de grandes propriedades deixadas por judeus.
Um dia, o George foi junto.
Ele andou pela propriedade,
e como ele já escreveu,
estava com medo que as pessoas percebessem que ele era judeu.
Ele passou alguns dias lá, e depois, voltaram a Budapeste.
A partir disso, as pessoas inventaram
que ele tinha colaborado com os nazistas.
Ele tinha 13 anos.
Esse cara sabia o que estava fazendo,
e ajudou a executar judeus.
Tem todo um histórico de judeus sendo retratados
como controladores do dinheiro, dos sistemas bancários.
Ao mesmo tempo, Soros se tornava cada vez mais político,
e doava muito dinheiro ao Partido Democrático dos EUA.
Algumas pessoas o odeiam porque ele é judeu,
e outras, por suas opiniões políticas.
Com frequência, as duas coisas estão juntas.
Quem é esse rico que veio para os EUA e se tornou bilionário
para falar mal do país?
Você está caindo na armadilha dos seus colegas da Fox News...
-Não, não... -Não vou citar nomes,
porque acho que eles são tão desprezíveis
que não vou nem mencionar seus nomes.
-Sr. Soros, não acho... -Eu respeito você,
-por isso estou aqui. -Eu sei. O que pergunto...
-Vamos falar de política. -Não, faz parte da mesma história.
Contem a história toda,
digam ao seu público quem eu realmente sou,
o que eu realmente represento.
Eu escolhi morar neste país,
e quero que ele faça jus
aos princípios que o tornaram tão grandioso.
Nós estamos perdendo esses princípios.
Fomos enganados, e precisamos corrigir isso.
Acho trágico que o homem que fez mais
para derrubar o comunismo na Europa Oriental
que qualquer outro nos EUA
seja odiado pela direita americana.
Isso sem falar da Hungria,
um país pelo qual ele fez tanta coisa,
onde ele criou uma universidade,
e cujo primeiro ministro, Orban, estudou com uma bolsa de Soros,
mas onde ele é descrito com termos absurdamente antissemitas
como uma ameaça ao país.
Há grandes predadores nadando nessa água.
É o império transnacional de George Soros.
NÃO DEIXEM SOROS RIR POR ÚLTIMO
Você precisa de histórias, e há muitas sobre inimigos,
ciganos, judeus, George Soros...
PROTESTO ANTI-SOROS NA GEÓRGIA
MANIFESTANTES QUEIMAM LIVROS COMPRADOS POR SOROS NA RÚSSIA
BOMBA ENTREGUE NA CASA DE GEORGE SOROS EM NOVA YORK
Você também precisa de uma história sobre a sua grandeza histórica,
no passado, nos anais do tempo,
que os seus inimigos não deixam você ter hoje.
UNIVERSIDADE FINANCIADA POR SOROS REMOVIDA DA HUNGRIA
Não deixam que seja o grande país que todos sabem que é,
ou deveria ser, e foi em algum momento.
Às vezes, eu fico deprimido,
e às vezes, fico sobrecarregado.
Eu me levanto,
mas de vez em quando, sou derrubado, sim.
Uma coisa é certa:
os refugiados deviam ser amarrados e fuzilados.
Assim, os outros não ousariam vir.
Não queremos que outros países venham corromper nossos valores cristãos.
FRONTEIRA DA HUNGRIA É FECHADA 2015
Fizemos suposições quanto à direção que o mundo tomaria
depois do final da Guerra Fria.
O progresso parecia estar garantido.
Mas agora, pelo que observamos em cada região,
descobrimos que o arco da justiça pode voltar a pender
para um preconceito corrosivo,
que é violento não apenas em sua retórica,
mas na sua forma de tratar cidadãos, imigrantes, refugiados.
Instituições que acreditávamos ser fortes, resistentes e sustentáveis
estão mais vulneráveis e expostas do que nunca.
MANIFESTAÇÃO NEONAZISTA NOS EUA
Vou dizer uma coisa, e não vai ser fácil.
Nós fomos muito bem-sucedidos em convencer as pessoas
a não confiar em processos políticos,
a não confiar nas instituições
e a não confiar na política em geral.
E é isso que alimenta o populismo.
"Tem alguém vindo que vai ajudar a resolver nossos problemas.
Vamos segui-lo, e assim poderemos ignorar as instituições,
ignorar os freios e contrapesos que complicam a nossa vida.
Não precisamos abrir mão de nada,
e sim de soluções rápidas e eficazes."
Você foi a única líder alemã que levantou a possibilidade
de atirar nos refugiados na fronteira.
Eu nunca disse isso.
Vou lembrá-la do que disse no jornal:
"Os guardas alemães na fronteira
devem impedir que ela seja atravessada ilegalmente,
e usar armas de fogo se necessário."
O presidente das Filipinas acabou de admitir
que ele mesmo costumava matar suspeitos.
Só para mostrar a vocês,
se eu posso fazer isso, vocês também podem.
Há enforcamentos em massa, condições horríveis,
julgamentos de prisioneiros vendados que duram de um a três minutos.
Qualquer coisa pode ser falsificada hoje em dia,
estamos vivendo na era do fake news, você sabe, todos sabem.
Ainda são 20 mil ou mais prisioneiros políticos?
Os seus valores não se aplicam necessariamente
aos nossos valores em nossos países.
Mas você não se preocupa ao ler esses relatos
de jovens dizendo que foram torturados por dias?
É preocupante como uma questão de lei e ordem da República?
Eles são demônios, estão à venda, não são gente.
Direitos humanos é inicialmente uma questão ética
sobre aquilo que temos motivo para valorizar.
O que temos motivo para querer para nós, seres humanos?
Mas direitos humanos também trazem implicações
para as obrigações dos outros.
Se você entende que a liberdade é importante
não só para você, mas para todos,
eu diria que pela lógica,
você veria um sentido para fazer as coisas,
não apenas para servir seu próprio interesse,
mas para promover algo em que você realmente acredita.
George não tem muita simpatia
por essas maiorias que se sentem ameaçadas,
porque para ele, há pessoas que se sentem ameaçadas
e pessoas que são ameaçadas.
Tem muita gente excluída tentando encontrar uma voz.
Quero que elas sejam ouvidas.
Significa que ele concorda com tudo que esses grupos,
ou alguns desses grupos, querem fazer?
Não tenho certeza, sinceramente.
Mas isso é o interessante,
você não apoia algo
porque aquilo se encaixa em todas as suas ideias sobre o mundo,
mas por se encaixar com seus princípios em geral
de que se aquela voz não for representada,
será pior para a sociedade como um todo.
É importante distinguir
entre a democracia e a sociedade aberta,
porque a democracia, através de eleições,
pode levar a um governo majoritário, que não é uma sociedade aberta.
A sociedade aberta é caracterizada pela proteção das minorias.
JUDAÍSMO É CRIMINALIDADE
Não é simplesmente se importar pelas pessoas próximas a você,
seus parentes, sua tribo, pessoas como você,
do seu bairro, da sua casa.
É se importar com todos, não importa de onde eles venham.
A Solução Final foi declarada só em 1941.
Você já estava com Hitler por 10 anos na época.
Mas você sabe, a Solução Final era um segredo,
e era um segredo para mim também.
Ele disse que seu maior arrependimento
foi seu acordo implícito, ou Billigung, em alemão...
Seu acordo implícito
para o assassinato dos judeus.
Então, quando isso foi publicado na Alemanha, no "Die Zeit",
ele fez uma nota de rodapé:
"Billigung, não por conhecimento,
mas por fechar os olhos."
Eu liguei para ele e disse: "O que isso quer dizer?
Não se pode fechar os olhos para algo que não se sabe.
Se você fecha os olhos, é porque sabe."
E ele disse: "Nunca mais quero falar sobre isso."
Uma mulher o escondeu durante a guerra.
Fomos a Budapeste várias vezes para vê-la.
Em um jantar, ela reclamou do trabalho horrível
que a Fundação estava fazendo pelos romani.
E o meu pai...
ficou horrorizado.
"Como essa mulher...
Ela salvou a minha vida
porque eu era uma minoria.
E ela odeia os ciganos, outro grupo de pessoas."
De onde vem o ódio?
Eu sempre quis entender por que essas coisas acontecem,
e não odiar meus algozes.
É difícil explicar o tratamento...
que sofremos.
Eu fui parar num lugar chamado Omarska,
a 8km da minha vila, onde eu tinha ido à escola.
Foi um choque ser vigiado pelos meus colegas de classe,
de escola, até mesmo um professor.
Fomos desumanizados
até um nível em que era possível
que eles nos matassem sem sentir absolutamente nada.
Com frequência, eles torturavam as pessoas por dias.
Ainda é muito difícil...
aceitar que as pessoas que cresceram com você são capazes daquilo.
Quando falamos dessas atrocidades,
as pessoas acham que alguns seres humanos são predispostos a matar,
a cometer esses crimes, e tenho certeza que não é o caso.
Se quer saber como é um genocida, vá ao banheiro e olhe no espelho.
Lamento, mas é verdade.
A realidade é extremamente complexa, infinitamente complexa.
Inclusive, sua complexidade é amplificada
pela necessidade de simplificação.
E nossa forma de simplificar a torna mais complexa.
É difícil tentar entender o que está acontecendo.
Seja qual for a interpretação que eu desenvolva,
seja qual for a concepção que eu crie,
ela tende a ser tendenciosa,
incompleta ou distorcida.
Mas entendo que mesmo assim, tenho que criar essa concepção,
porque preciso simplificá-la o suficiente
para poder tomar decisões.
É uma luta eterna tentar entender
o que realmente acontece no mundo,
e como torná-lo um lugar melhor.
A situação é a de um homem negro
em uma sala negra, procurando um chapéu negro
que talvez não esteja lá.
Essa é a situação. E o que podemos fazer?
Ele só pode fazer isso.
Ele pode ir tentando tatear, procurando o chapéu,
na incerteza.
Essa é mais ou menos a situação
de alguém que quer resolver um problema.
CENTRO DE REFUGIADOS DO MEDITERRÂNEO, ATENAS
Tentar melhorar o mundo é mais difícil que ganhar dinheiro,
porque para ganhar dinheiro,
você pode reduzir todas as consequências
para um denominador comum
que pode ser expressado em dólares,
de preferência não em centavos,
e tem uma receita líquida.
Quando você se envolve e tenta melhorar o mundo,
as coisas não podem ser somadas.
A sua contribuição
para esse conceito nebuloso,
o bem comum,
é o próprio rendimento.
Olhando para trás, você tem arrependimentos?
Eu já tive a impressão que de todos os meus esforços,
basicamente nenhum realmente teve sucesso.
Mas então, descobri que muitos deles tiveram sucesso, sim.
É que o resultado
não parecia com o que eu esperava.
Não era tão atraente,
tão bonito quanto eu imaginava.
E não é só uma característica da minha filantropia,
mas uma característica, podemos dizer,
de todas as empreitadas humanas.
Precisamos que as pessoas entendam
o poder que elas têm dentro de si.
Há um livro maravilhoso
de um poeta sufi do século 12
chamado "Conferência dos Pássaros".
É sobre uma revoada de pássaros em busca de um líder.
Um deles diz: "Eu sei onde podemos encontrar um líder,
mas teremos que voar em vales perigosos,
e talvez vocês não queiram fazer isso.
Tem o vale do medo, o vale do ódio,
e vales do amor, etc."
Quando eles finalmente chegaram ao seu destino,
e esperavam ver seu líder,
aquele que os guiaria no resto do caminho,
o que eles viram?
Cada pássaro estava diante de um espelho.
Acho que o que queremos inspirar nas pessoas é isso:
claro que elas precisam ter ídolos que lutaram por direitos,
mas é importante que percebam
que dentro de cada pessoa, há uma consciência que precisa ser ativada.
A missão de um defensor da liberdade é,
quando você vir que seus dias chegaram ao fim,
viver uma tradição de coragem,
da determinação de enfrentar até mesmo a morte
por seus princípios.
Eu pensei nisso,
não por ser corajoso,
mas porque era meu dever.
O George faz parte de uma rede de pessoas.
Tem um mundo inteiro de pessoas nessa caminhada,
fazendo as mesmas coisas de outras formas
para ajudar a proteger os direitos de outras pessoas
viverem suas vidas como quiserem, sem medo de serem perseguidas.
Com ele, eu aprendi
que mesmo se não houver esperança,
você não tem escolha senão lutar,
senão se envolver.
Eu jogava no mercado para vencer, para ganhar dinheiro,
e me dediquei muito a isso.
Em um momento, achei que fosse ter um ataque cardíaco,
e pensei: "Se eu morrer agora, eu terei fracassado.
Mas se eu for morto em uma explosão lutando por uma sociedade aberta,
acho que não terei fracassado."
Estou disposto a dar a minha vida por isso.
AJUDA NO COMBATE CONTRA A COVID-19 NO MUNDO TODO
JUSTIÇA RACIAL NOS EUA
DIREITOS LGBTQ EM MONTENEGRO
PROCESSO DE RECONCILIAÇÃO NO CAMBOJA
Tradução e Legendas: 4ESTAÇÕES
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.