Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Estar aqui a falar contigo não é um jogo.
Isto é a máfia.
Isto não é como roubar um doce a uma criança.
Se os meus chefes sabem, matam-me.
A minha função é entregar malas
com notas falsas, dólares falsos.
Trazem a mala já feita,
ligam-me e dizem: "Tens uma mala para levar."
- Sabes quanto dinheiro lá vai? - Da última vez eram 500 mil.
- Quanto? - 500 mil falsos.
- Impressionante. Tudo numa mala? - Tudo numa mala.
Todo o dinheiro que enviam vai parar aos EUA.
É uma organização, há várias pessoas envolvidas.
É algo muito forte.
Todas as cidades têm segredos.
E Lima não é diferente.
O meu passaporte.
Na última década,
um novo crime foi crescendo.
Pesos, dólares, euros...
- São todos contrafeitos. - Este?
E surgiu um novo tipo de artesão gangster.
Rende mais do que a cocaína.
Mas é um mistério para mim quem são e como trabalham.
E há mais quem os procure.
Estas imagens são da Polícia Nacional peruana,
que tem estado a pressionar
e a pôr Lima na linha da frente na guerra contra a contrafação.
Foi assim que vim aqui parar, à Prisão de Lurigancho,
uma das prisões mais perigosas da América do Sul.
A Polícia falou-me de um contrafator apanhado recentemente,
um homem que perseguiam há anos.
Vamos esconder a tua identidade, ninguém saberá quem és.
Protejo a identidade daqueles com quem falo. Prometo.
- Ninguém sabia que fazia isto. - Como era o teu trabalho?
Bom. Um dos melhores.
Está com máscara por duas razões.
Não quer ser conhecido como chibo
e não quer que a sua filha saiba que está preso.
Ele disse-lhe que aceitou um emprego fora.
- Fazias sempre dólares? - Sim, nada mais.
- Porquê? - Por ser tão fácil.
Com quanto dinheiro...
- Me apanharam? - Sim.
- 10. - 10 milhões de dólares falsos?
Calcula-se que 60 por cento de todos os dólares falsos
sejam produzidos no Peru.
Se quisesse falar com alguém lá fora que faça isto...
- É muito difícil. - Porquê?
Porque são extremamente cuidadosos. Porque isso pode prejudicá-los.
- E em termos de segurança? - Anda sempre alguém com eles.
- Armado? - Claro.
Ele diz que foi apanhado por causa de um informador.
Mas este homem começou a ser procurado a 5600 km a norte daqui.
Duas semanas antes, falei com os Serviços Secretos.
A agência a que associamos estes agentes que protegem o Presidente,
também protege o nosso dinheiro.
Quando se detetam notas falsas, seja onde for,
são enviadas para aqui para o equivalente a uma autópsia.
Vejo os analistas examinarem todos os componentes.
O papel, a tinta, as cores.
Cada nota falsa tem pistas da sua origem.
Descobrem-se marcas.
A composição de uma tinta ou a densidade do papel.
As notas são catalogadas,
o que ajuda a identificar os intervenientes na contrafação.
No início do século XXI,
as primeiras notas peruanas surgiram no Peru,
onde não havia leis de contrafação, o que foi uma surpresa.
Este agente quer manter-se anónimo por segurança.
Diz que a agência abriu uma sucursal em Lima em 2012,
porque a contrafação estava a aumentar.
São artistas. Nota-se na execução e na perícia.
São produzidas em grande número e com muita qualidade.
Quanto custa o dinheiro falso?
As autoridades querem todos atentos
depois de aparecerem notas falsas na cidade.
Mais uma apreensão de notas falsas em Limestone.
A contrafação é um crime que prejudica toda a gente.
Das economias nacionais, aos negócios e às lojas familiares.
Elas não têm valor.
Está no banco e olham-na como uma criminosa. Foi roubada e nem sabe.
Pensamos nos mercados negros como um mundo à parte,
mas estão à nossa volta, escondidos à vista de todos,
difíceis de ver, até alguém nos deixar entrar.
Isso é especialmente verdade nesta reportagem em Lima.
As pistas estão em todo o lado.
Parece que todos foram vítimas de notas falsas.
As paredes de algumas lojas parecem uma galeria
dos artesãos criminosos da cidade.
Nesta sociedade de notas,
um contrafator tem oportunidade a cada troca de mãos.
E é aqui que mais dinheiro troca de mãos,
nos cambistas de Lima que cambiam dinheiro na rua.
Umas vezes, o cliente tenta passar notas falsas ao cambista,
outras vezes é ao contrário.
Nunca recorro aos cambistas.
Não se sabe o que é verdadeiro. É um mundo bastante sombrio, digamos.
Contacto o meu amigo Fernando Lucena.
É jornalista de investigação e vai apresentar-me um cambista corrupto.
O homem que vou conhecer é como um traficante.
É o meu ponto de entrada para o submundo
e espero que me apresente alguns intervenientes maiores,
aqueles que enviam milhões em notas falsas para os EUA.
É o nosso homem.
Não queres mostrar a cara? Ele não quer mostrar a cara.
Fala-me do teu trabalho.
Sou cambista.
- Trocas dólares por soles? - Dólares por soles.
Dólares falsos?
Sim. Não vais comprar nada?
Perguntou-se se era uma compradora disfarçada.
Tem-los contigo? Posso vê-los?
Vai mostrar-nos os dólares falsos que vende.
Posso ver?
Tens medo de mos dar? Estavas a agarrá-los com força.
Parecem-te verdadeiras?
Parecem-me ótimas.
O som... Soa-me a dinheiro, não?
- É de boa qualidade? - Muito boa qualidade.
Tire a nota, incline-a, sinta-a,
sinta a textura rugosa e macia,
tem marca de água e filete,
camadas e camadas de pormenores.
Cada elemento é um desafio para os contrafatores,
mas quanto melhor o trabalho, mais podem cobrar,
e mais os seus serviços serão procurados.
Como sabes se são falsas?
Ensinam-nos três passos para ver se são falsas.
Tocar, observar e inclinar.
Tocas, sentes a textura, a qualidade,
a impressão em relevo,
e inclina-la.
Tocar, observar e inclinar.
Todos temos uma relação íntima com dinheiro.
Perseguimo-lo, ganhamo-lo, poupamo-lo,
tomamos grandes decisões por causa dele.
No entanto, é tão comum que nunca o observei bem.
As melhores notas falsas são tão bem feitas
que nem se nota.
Diz-me o seguinte, se continuarmos em contacto contigo,
podemos falar com mais quem as faça?
- Não me parece. - Porquê?
Não, ficava numa posição comprometedora.
Se fizesse isso,
acabava morto ou... Não.
Eles são muito cautelosos.
Só estar aqui já é perigoso para mim.
Antes de partir, confirmou-me o que os Serviços Secretos disseram.
Assim que o desenho das notas é produzido,
há três cargos essenciais na operação de contrafação.
O impressor, que é o artesão que produz notas,
o finalizador, que acrescenta textura e polimento às notas
para parecerem verdadeiras,
e o burrier que transporta o dinheiro para fora.
Quero encontrar os três, algo nunca feito por alguém de fora.
É a melhor maneira de perceber como funciona este mercado negro
e as circunstâncias e motivações de quem o gere.
Entra em ação outro contacto meu,
um produtor cuja alcunha é o prato tradicional peruano, Ceviche.
No Peru, somos peritos em fazer algo a que chamamos coisas alternativas.
- Alternativas... Falsas? - Sim.
Somos artistas,
mas não temos potencial para o fazer legalmente.
Nos últimos anos, criou laços no submundo de Lima,
especialmente através de alguém a quem chamamos Diego.
Ceviche diz-me que a contrafação em Lima
é gerida por várias famílias.
Diego dá-se bem com uma delas.
Cada família controla oficinas clandestinas,
onde impressoras antigas despejam muitas folhas com notas falsas.
Tanto dinheiro.
É difícil entrar em organizações criminosas ligadas pelo sangue.
Entrar numa operação destas, especialmente com câmaras,
é quase impossível.
Estamos à espera que nos liguem a indicar o local do encontro.
É com quem?
Com o dono da fábrica e o capataz, o braço direito dele.
- Quais são os riscos? - Os riscos disto são muitos.
Podem raptar-nos e pedir resgate, que é o pior.
Há sempre riscos neste ramo,
mas um encontro de dia deixou-me à vontade.
Partindo do princípio de que ligariam.
Três horas depois, nada do Diego.
- Que se passa? - Vêm a caminho, ligaram-me.
- Vou sair com... - Vamos ter à escola Guadalupe.
Depois vamos ter contigo.
Estamos a 40 minutos, despacha-te.
Sei que tudo vai começar quando a adrenalina entra em ação.
Vamos encontrar-nos com um gangue de contrafatores
num dos piores bairros de Lima.
Nada de câmaras a partir de agora, e só T-shirts.
Todos com T-shirts, nada de camisas, nada de relógios.
Dizes-me isso à última hora?
Disseste que reconfirmavas, que me ligavas.
Mudaram o local de encontro em cima da hora.
- Já lá estão. - Já lá estão?
Estão à nossa espera.
Com a mudança de local, vamos chegar atrasados.
Pensei se não seria uma desculpa para não aparecerem.
Os contrafatores de Lima andam muito nervosos.
Se andassem atrás de mim, também estaria.
Tem havido grandes apreensões,
incluindo uma dias antes de chegarmos,
onde intercetaram 5 milhões de dólares em notas falsas.
A Polícia Nacional deu-nos estas imagens.
Não eram o que eu esperava.
Imaginava as operações de contrafação em armazéns
ou fábricas em zonas sombrias,
mas boa parte parece acontecer em bairros residenciais.
Em ruas calmas, em garagens, escondidos à vista de todos.
Nada de câmaras.
Por razões óbvias, não pudemos gravar o encontro,
mas eu conto-vos como correu.
Já fui a muitos primeiros encontros clandestinos nestes 15 anos.
Nunca sabemos onde nos metemos.
Num café, Diego apresentou-nos ao patrão e ao guarda-costas,
cheio de tatuagens.
Uma em inglês dizia: "Só Deus me pode julgar."
O ambiente é tenso, de suspeita.
Como sempre faço nestas situações,
peço cervejas.
Pouco depois, partilho o meu currículo não oficial.
Fotos no meu telemóvel com homens como estes, pelo mundo inteiro.
Depois, chega a comida.
Mais conversa, mais bebidas.
Explico que ouvi dizer que são os contrafatores mais talentosos.
É surpreendente como os elogios abrem portas.
Passei no teste quando o guarda-costas me deu uma alcunha.
Apontou para mim e disse:
"Minha rainha, vais ver coisas fantásticas amanhã à noite."
Em todas as cidades, há pessoas que seguem as regras
e há outras que não.
Costuma ser difícil distingui-las.
É sempre uma aventura entrar no mundo criminoso.
É por isso que adoro o que faço.
É o saber que, assim que entramos,
vemos o que poucos forasteiros veem.
Um universo governado pelas suas leis e estruturas de poder
que nos ensina muito sobre as nossas.
- Estamos preparados. - Como te sentes?
Empolgado.
Eu também.
- É melhor irmos andando. - Sim, senão atrasamo-nos.
Chegou a hora.
- O que se passa? - Quer que veja primeiro o lugar.
Para me explicar como se entra.
E vai entrar um de cada vez?
Sim, provavelmente não entramos juntos,
porque são muitos e gringos, portanto, podia haver problema.
Em muitos locais da América Central e do Sul,
o termo gringos é sinónimo de americanos.
Neste caso, os contrafatores estão alerta
por gringos poderem ser agentes dos Serviços Secretos.
Vão observar-nos assim que chegarmos.
- Têm quem sabe quando chegamos. - Claro.
- Está? - Ouve.
Antes de chegares ao parque,
há uma entrada nas traseiras do antigo Ministério da Educação.
Espero lá por ti.
Combinámos encontrar-nos num parque da Baixa.
Ironicamente, muito perto do Palácio da Justiça.
Algures nestes edifícios faz-se dinheiro falso.
Estabelecemos duas regras.
Só a equipa que conheceram pode entrar.
E, assim que entrarmos, ficamos o turno todo,
das 20 h às 08 h.
Ninguém sai.
Deve ser emocionante ver o nosso valor aumentar
a cada nova folha de notas que é impressa.
Uma pessoa pode pagar as dívidas, comprar um carro ou uma casa.
Não é difícil ver a atração.
Ou o desespero que leva alguém a fazer este trabalho.
Uma hora e o Diego sem ligar.
Duas horas e o Diego tem o telemóvel desligado.
O que achas que aconteceu? Talvez a Polícia ou...?
Não, podem ter-lhe tirado o telemóvel e tê-lo deitado fora, não sei.
As coisas não correm bem.
Passaram três horas e ainda não apareceram.
Podemos dizer que nos deixaram pendurados.
Isto não vai acontecer hoje.
Vamos, Ceviche. Eu acho que...
Já esperámos muito tempo. Eles não vêm.
Não há pior do que estar tão perto e regressar sem história.
Mas desistir não é opção.
Eles continuam por aí e eu vou encontrá-los.
As histórias arrefecem. Às vezes, não se explica.
Criamos uma ligação, fazemos planos, as coisas parecem correr bem,
e depois damos connosco à espera de uma chamada que nunca chega.
Nestes momentos, recordo a mim mesma que nada mudou.
A história existe.
Algures na cidade,
impressoras despejam folhas de dólares falsos.
Não querem saber quem enganam.
Vou arranjar outra maneira de entrar.
Encontrámos estes criminosos.
Fomos percebendo que era ali.
As paredes estavam cheias de contraplacado e esferovite,
o que abafa o barulho.
Tomam muitas precauções.
Nada é tão rápido como queremos.
Este bairro é pouco seguro, portanto evitemos mostrar as câmaras.
Mas acredito que outra porta irá abrir-se.
Em que áreas de Lima operam os gangues?
Salvador, Ventanilla, mas sobretudo nos arredores.
Estavam a avaliar-nos.
Os círculos deles são muito fechados.
A tua palavra aqui vale muito.
A tua palavra é tudo. Vale mais do que a tua pistola.
Até conseguir encontrar alguns contrafatores,
apoio-me nos contactos que já tenho.
PRISÃO DE LURIGANCHO
- Como te apanharam? Onde estavas? - A imprimir.
- Estava a operar a máquina. - A sério?
Chegaram enquanto imprimia notas.
A Polícia entrou
e atirou-nos ao chão.
O coronel disse-me que em todas as suas refeições
só pensava em apanhar-me.
Tinham-me no sistema deles, mas nunca conseguiram apanhar-me.
Apanharam-me a imprimir notas de 100 dólares.
Estavam quase prontas.
- Porque eras tão bom? - Sou um perfecionista.
A acertar nas cores e tudo isso.
Sabes todos os pormenores destas notas?
Claro.
Tenho aqui dinheiro. Mostras-me como se faz?
Há que saber as cores de cor.
Para os níveis de cor serem os mesmos. E pronto.
Para a cor exata.
Trabalhas sempre com uma nota verdadeira, com uma falsa
e com a que fazes.
É assim que se faz.
Está a mostrar-nos como trabalha.
A segurança é esta. Vês aqui a marca?
Chamamos a isto o fantasma.
O fantasma. A marca de água.
Deve ver-se sempre bem.
Tem de ser melhor do que esta.
- E até do que esta. - Até melhor do que a verdadeira.
Se esta é a concorrência, a tua tem de ser sempre melhor.
Trabalhava quase sempre durante o dia.
Tinha de fazer as cores à luz do dia para as ver em condições.
Trabalhava num local público.
Às vezes, trabalhava com a porta aberta.
Em locais públicos, com pessoas ao pé de ti?
Em centros comerciais, lojas de impressão.
- Não locais grandes com máquinas? - Não, só uma impressora.
- Eram impressoras legais? - Sim.
Qualquer loja serve, desde que se saiba o que se faz.
Eu pensava que era em locais escondidos.
A Polícia passava enquanto eu imprimia.
- A sério? - Sim.
- Não tinhas medo? - Não.
- E ninguém sabia? - Não.
Era como uma varinha de condão a dizer: "Não há aqui ninguém."
Sempre que me procuravam, não encontravam nada.
Não encontravam nada na loja de impressão?
- Não. - Porquê? O que fazias?
- Mudávamos de local. - Ah, iam mudando de local.
Mudávamos sempre os locais para ninguém perceber o que se passava.
Como estás, amigo? Estamos a dirigir-nos para o local, sim?
- Estamos perto. - Sim, encontram-no lá.
Perfeito. Estamos aí daqui a 5 minutos.
- Perfeito. Obrigado, adeus. - Sim, sim.
- Parece estar tudo bem. - A sério?
- Até agora tudo bem. - Vamos fazer figas.
São 5 da manhã e o meu contacto em Lima, Fernando,
sabe de um impressor disposto a falar connosco.
Temos um encontro numa loja de impressão legal,
onde vamos conhecer alguém que é mestre das tintas
e ver as operações de impressão.
Quais as regras?
Ele disse-me para ser uma equipa pequena.
Não digas o nome dele à frente de ninguém e sê discreta.
Queremos ter a certeza de que cumprimos as regras,
porque queremos conseguir isto.
Estamos todos ansiosos, nervosos,
e esperamos que corra como planeado.
Paramos à porta de um centro comercial à espera do contacto.
Vejo dois homens.
- É ele? - É.
Acabou de sair.
Fred, se ele te vir, estamos...
Está aqui.
Vamos lá.
Sei que está nervoso, mas tem de confiar em nós,
porque não queremos que nada lhe aconteça.
Como jornalista, faço isto há 15 anos
e protejo sempre quem trabalha connosco, prometo.
É isto?
Incrível. Estão a imprimir dinheiro falso.
É manhã cedo em Lima
e o cheiro de tinta fresca está no ar.
Descobri um impressor especializado em dólares americanos falsos.
É diferente dos outros submundos que conheço.
É tão às claras que estou nervosa por eles.
Isto é espantoso. Estamos numa loja de impressão.
É cedo, as lojas estão fechadas, portanto, foi algo surreal
percorrermos os corredores com tudo fechado,
e haver uma luz e estarem a imprimir dinheiro falso.
Estou no centro de tudo, sou o dono do circo.
Se quiser que o palhaço cante, ordeno-o.
Por outras palavras, sou o cérebro por detrás disto.
A impressão é o aspeto mais ousado das notas falsas.
É barulhenta, longa, e muitas vezes feita em locais públicos.
É também muito difícil.
São precisos anos para saber os segredos.
As tintas, o papel, a máquina.
Falsificar notas é metade arte, metade ciência.
Muito poucos têm a combinação certa de talentos.
- Já tem a cara de Franklin? - É o primeiro passo.
Fazer o fantasma.
Isto é o começo de tudo o que fazem aqui.
Todas as notas aqui feitas começam nesta placa de metal.
É a marca de água, o fantasma?
As placas são feitas por desejados desenhadores essenciais à operação.
O início do trabalho é a alma do trabalho.
Se não fizer isso, nada presta. O trabalho não vale nada.
Vejam só. As notas estão a sair.
Vamos à segunda parte, o fundo.
A segunda parte é a cor creme de todas as notas.
Há várias cores, não há só uma.
Quanto tempo demora o processo todo?
- Um mês e meio. - Porquê tanto tempo?
Por causa das tintas.
As várias cores pegam-se. Vai ver.
- E tem de as deixar secar. - Sim, secar.
Que loucura. O processo todo demora um mês e meio.
Quantas notas imprime a máquina num mês e meio?
- Cinco mil deste tamanho. - Cinco mil? Vezes doze por página?
- Sim. - Seis milhões de dólares?
- Sim. - Não!
Caramba, é imenso dinheiro. Que loucura.
Fazem 6 milhões de dólares
com uma máquina que lhes custou 7 mil dólares.
As pessoas das outras lojas sabem que fazes isto aqui?
Não, não sabem.
Imaginas se vissem? Quem não ia falar?
Isto é crime. Estamos a cometer um crime.
O impressor fica nervoso à medida que o tempo passa.
Ouvimos lojas a abrir, vozes no corredor.
Vamos ser o mais rápidos possível para eles não verem.
Espera. Põe a tinta e tira o papel. O papel todo.
Faz isto o mais depressa possível.
A disposição mudou e estão nervosos,
porque se veem as notas, a placa de metal,
portanto, querem ser rápidos.
Sim, depressa. Se nos veem, temos problemas.
Vejam só.
Isto é incrível.
Temos a marca de água, a cor de fundo e a cara de Franklin.
Sim, está bem. Ele está a esconder tudo.
Anda alguém nos corredores.
- Vá, vamos. - Temos de ir.
Penso, a caminho da carrinha, que o que mais me surpreendeu no impressor
foi algo que me surpreendeu no prisioneiro.
Ambos tiveram dúvidas quanto à contrafação,
mas perceberam que aperfeiçoar a sua arte
era a melhor maneira de manter a procura.
É como qualquer outro trabalho.
Tens um investidor. Um trabalhador.
Como noutro trabalho normal.
A parte má é ser ilegal.
A minha função era imprimi-las e entregá-las.
A responsabilidade depois era do finalizador.
As notas saem da máquina
e ainda há trabalho a fazer para ficarem convincentes.
Fernando encontra outro artesão do submundo, o Finalizador.
O seu papel é acrescentar textura e peso às notas
para passarem no teste tocar-observar-inclinar.
Vamos para El Salvador, na parte sul de Lima,
uma área que os habitantes dizem que é picante.
Aqui há todo o tipo de crime imaginável.
A Polícia chama-lhe cidade selvagem. A taxa de homicídios não é baixa.
É ele? Continua a filmar.
Olá, como estás? Mariana. Tudo bem?
Vamos chamar-te Ronaldo, sim?
Como não queres usar o teu nome verdadeiro e és finalizador,
és como o jogador português de futebol, Cristiano Ronaldo.
Podes mostrar-me o que compraste?
- Vai mostrar-nos o que comprou. - Isto é a esponja.
- Uma esponja normal. - Isto é para cortes precisos.
Isto é para cortar as notas, para cortar a direito.
E isto é cola para dar uma textura diferente ao papel.
Quando compras este material todo,
não receias que suspeitem para o que é?
Não, porque são artigos simples, coisas que toda a gente compra.
São como artigos escolares.
Não têm nada de suspeito.
Não são produtos suspeitos.
Os EUA gastam milhões e milhões de dólares a combater a contrafação,
e estes contrafatores safam-se com artigos escolares.
Para não darmos nas vistas,
vamos ter à oficina dele.
Enfiamos as câmaras em sacos.
Será que os vizinhos dele imaginam o que se passa aqui?
Se soubessem...
A minha busca pelas melhores notas contrafeitas do mundo
trouxe-me a este bairro nos arredores de Lima.
E até este homem, a quem chamam Finalizador.
A sua aptidão tem bastante procura.
Podes explicar-me o processo do que fazes?
Primeiro, temos a folha.
Mergulhamo-la numa tina com lixívia e vinagre
para sobressair a cor verdadeira.
É um processo meticuloso todo feito à mão.
Com um pau de gelado, aplica cola para dar peso e textura.
- Estás a remover o excesso? - Sim, para ficar macia.
Para ficar bem, junta aquilo a que chama amido de milho.
Posso?
Que reconheço logo.
Junta-se leite e dá-se às crianças para comer, não é?
Usa-se nas papas de crianças. Comia isto em miúda.
Aplicamos nesta parte da nota que precisa de textura.
O amido de milho tem um brilho
que fica no papel.
Posso ver?
Sinto-o um bocado aqui.
Sente-se a textura. Mudou. É incrível.
Também trabalha com notas de 100 e de 50,
mas as de 20 são mais fáceis de falsificar e menos examinadas.
Com poucos artigos que se compram em qualquer lado, e muita paciência,
o toque, o som e o cheiro das notas são bastante convincentes.
- A tua família sabe que fazes isto? - Não, ninguém sabe.
Ninguém? Então onde pensam que estás?
Pensam que estou a fazer um trabalho extra.
O que faria a tua mulher se descobrisse?
Levava os meus filhos para longe.
- Então tens outro emprego? - Sou motorista.
Ganhas mais a fazer isto ou como motorista?
- A fazer isto. - Quanto mais?
O dobro. O dobro.
E pensas que estás a enganar pessoas, que elas perdem dinheiro?
Sim, já pensei nisso, mas prefiro não pensar.
O dinheiro passa de mão em mão,
mas dinheiro é dinheiro e afeta toda a gente.
Penso em mim e naquilo de que preciso.
Acho sempre fascinante como se acaba a trabalhar em mercados negros.
De certo modo, a contrafação é mais um crime de oportunidade.
Um motorista descobre que tem a paciência e a perícia
para finalizar notas de noite.
Um impressor de calendários e cartões de visita
percebe que pode usar as mesmas máquinas e aptidões
para produzir montes e montes de notas falsas.
Mas o tempo e trabalho gastos numa nota convincente de nada valem
se as notas não chegarem à economia legal.
E é aí que entra este homem.
Chamam-lhe burrier, termo peruano composto pela palavra burro
e courier, correio.
Há duas maneiras, a da múmia, em que vai preso ao corpo.
Enchem-te até aos tornozelos, levas um casaco grande e passas.
Prefiro a mala com fundo falso.
Ligam-me, vou buscar a mala, entrego-a e volto. Só isso.
Se te dissessem, antes de teres família,
que ias cometer um crime assim,
acharias possível ou...?
Meti-me nisto, porque não estava bem.
O carro tinha problemas, as contas apareciam, a renda, tudo.
E por isso me atrevi a fazer isto.
É muito arriscado e, sempre que saio para fazer isto,
ponho-me nas mãos de Deus, como todos, para que nada aconteça.
Com tantos riscos, porque falas connosco?
Assim como me arrisco no transporte, arrisco-me na entrevista.
Tenho tomates para isso.
Só entrego uma encomenda.
Não tenho que saber para onde vai.
As redes sabem que parte dos carregamentos será confiscada.
Têm então um exército de formigas que leva o dinheiro para os EUA
de avião, de carro, de barco, a pé.
Até pelo correio enviam notas falsas.
Mas não basta pôr as notas falsas no país.
Têm de as pôr em circulação.
O jogo da contrafação requer receber troco.
Vamos a vários centros comerciais,
podemos ir a uns a norte da cidade, a outros a sul,
a uma loja de conveniência.
Gastamos 8 ou 9 dólares e pagamos com a nota de 100,
e ficamos com 90 e tal dólares em notas genuínas.
- Verdadeiras? - Sim.
Ganham-se uns milhares num dia sem fazer grande coisa.
É como ter um ATM só nosso.
Quando os contrafatores são apanhados,
as suas notas falsas vão para os Serviços Secretos,
onde são examinadas, catalogadas,
usadas na acusação, e depois destruídas.
Algumas destas notas falsas devem ser do Peru.
Talvez tenham passado pelos homens que conheci.
- Está bonita. - Incrível.
Mesmo que acabem com o negócio em Lima,
haverá outros.
Nunca irá acabar.
Existirá sempre.
- Não te sentes mal a fazer isso? - Sim, mas é como ganho a vida.
Muitos fazem o que é correto e, no fim, não ganham nada com isso.
Tudo na vida tem riscos.
Não vem aí ninguém.
Mas, pela família, às vezes fazemos coisas que não devíamos.
É um velho truque e uma verdade.
Se está desesperado por fazer dinheiro,
uma opção é fazer dinheiro.
Legendas: Sara Morna Gonçalves
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.