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Original subtitles

Está tudo bem, pai?

Estou a tentar fazer o almoço.

Não é preciso. A mãe deixa-me comer na cantina.

Eu quero. A mãe faz noite nas Urgências.

Apesar de ser melhor nestas coisas,

acho que sei fazer uma sande.

Manteiga de amendoim e geleia. Adoras.

É uma escola sem frutos secos.

-A sério? -É a minha boleia.

Ganhaste. Frango da cantina.

Está bem. Adeus, pai.

FALASTE COM A KATE? PASSA-SE ALGO NO HOSPITAL.

Fala a Kate. Deixe mensagem.

Kate.

-Tentei ligar-te. -Não tenho o telemóvel.

Deixámos tudo quando a polícia nos retirou.

-Apanharam-no? -Não havia ninguém.

-De que estás a falar? -Foi uma partida parva da internet.

Havia fotos do atirador. Publicações de pessoas.

Eu sei. Todos acreditámos. Foi assustador.

Não compreendo. Porque fariam algo assim?

O CRIADOR DE TROLS (Nº 38) PARTE 2

Harold. Por favor.

Tinhas a porta destrancada. É sensato?

Vieste em negócios ou lazer? Há muita coisa em Nova Iorque.

Vim porque tento contactar-te há dias em vão.

Consegui apanhar um voo com o Depto. de Justiça.

Não atendes o telemóvel?

Deitei-o ao lixo. Estava a dar comigo em doido.

Desligar foi libertador.

O Freelancer anda aí.

O Wujing quer expor a tua relação connosco

e tu deitas o telemóvel ao lixo?

Sabias que, quando a Madeline Albright era Secretária de Estado,

usava broches e alfinetes muito específicos

para enviar mensagens pouco subtis aos inimigos no estrangeiro

sem nunca ter de dizer uma palavra?

Um alfinete de uma cobra após os iraquianos lhe chamarem serpente

por tentar impor sanções mais severas.

Um broche de escaravelho quando se reuniu com os russos,

depois de porem uma sala sob escuta no Departamento de Estado.

Lembrei-me disto no outro dia,

numa loja de antiguidades em West Village.

Não consegui resistir.

O Wujing não passa de uma mosca, Harold.

Uma praga. Um incómodo.

Esse incómodo matou o teu amigo Robert Vesco, entre outros.

Às vezes, não sei se ainda levas isto a sério.

Sei bem que as moscas podem ser perigosas, até letais.

Mas, sobretudo, apenas irritantes.

Está na hora de esmagar esta. Ele reapareceu.

Ouviste falar do embuste no Hospital Geral de DC?

Da situação de reféns que não aconteceu?

Nas notícias. O que tem quer ver com o Wujing?

Sei de fonte segura que ele arranjou ajuda

de outro ex-membro da Lista Negra, o Criador de Trols.

O embuste do hospital tem todos os sinais.

Média manipulados, redes sociais a fervilhar,

uma resposta muito real das autoridades.

Mas ele não trabalhou contigo

há muitos anos? Mudaria de lado?

Se o Wujing o tiver convencido de que foi preso por minha causa,

imagino que ele tivesse motivos para se vingar. E bem o merece.

Investiga o embuste. Suspeito que levará a ele.

E ele vai levar-nos à mosca zumbidora Wujing.

Está bem, assim faremos. Com uma condição.

Arranja um telemóvel novo.

Era o Cooper. Encontrou o Red. Vive nuns banhos públicos.

Deu-nos o nome de outro membro da Lista Negra, o Bo Chang.

Espera, o Criador de Trols?

Detesto ser a aluna nova, mas quem é esse Criador de Trols?

O Bo Chang

ajudou o Reddington e a Keen a ocultar a sua localização

quando estavam em fuga.

É especialista em campanhas de desinformação coordenadas.

Ele e a equipa usam redes sociais, fotos adulteradas e relatos

para criar a ilusão de uma crise.

Esses acontecimentos são tão convincentes

que geram uma resposta real dos média e das autoridades.

Interessante. Mas com que objetivo?

São apenas distrações.

Concebidos para que possa cometer outro crime

durante o caos. Prendemo-lo, na altura.

Cumpriu pena, mas saiu por bom comportamento.

O Red acha que está a trabalhar com o Wujing

como vingança por ser preso pelo FBI.

-O embuste do Hospital Geral de DC. -Sim. Como sabias?

Foi tendência no Rambler ontem.

Estive a ver em direto. Não viram?

Não uso o Rambler. É assim que se diz?

Não é a minha onda.

O Chang deve ser bom.

As fotos parecem autênticas. Relatos.

Pessoas que viram um atirador.

Uma enfermeira refém.

Vi um direto de uma mulher a partir de uma despensa.

Estava escondida, com medo de respirar e de se mexer

porque o atirador estava lá fora.

Ela até tinha áudio. Foi muito convincente.

Comecemos por rever as publicações falsas nas redes.

Devias liderar, Siya. Pareces ter jeito para isto.

Tenho vergonha de dizer que percebo de Rambler.

Não haverá pedra por virar.

Desculpem a minha ausência. Há novidades sobre o caso?

Analisámos todas as publicações que começaram a tempestade.

Muitas continham a mesma foto do atirador com uma refém.

Descobrimos que o atirador e a refém eram reais,

mas de outro incidente em 2013 num centro médico no Ohio.

A foto era falsa.

Há algo nos metadados da imagem que remeta para o Wujing?

Infelizmente, não.

Analisámos as 14 contas que iniciaram isto.

Metade eram de funcionários reais do hospital.

O Chang pirateou-as. As outras eram falsas, com IP em todo o mundo.

Concentrámo-nos no embuste, mas o que queria ele esconder?

Também fomos por aí.

Com base nos casos anteriores,

ele encobre sempre um crime local.

Não há relatos de crimes nas últimas três horas.

Verifiquei com a polícia.

Talvez ainda esteja por denunciar.

Temos de descobrir o que é.

Diz ao Wujing que estamos no prazo.

Entendido.

Encerrámos o hospital por causa de um crachá?

Sem falsa modéstia, é mais do que um crachá.

É o primeiro dominó

para o maior roubo de tecnologia militar na história dos EUA.

Ainda não houve denúncias,

mas analisámos as chamadas para o 112 entre as 7h00...

Desculpem. Pensei que não tinha som.

-Precisas de atender? -Não é nada. É o Herbie.

O Herbie do Reddington? Como tem o teu número?

O caso Dockery. Na verdade, tem-me ligado muito.

Ele tem um fraquinho por ti.

Tem um fraquinho por nós.

Pergunta pelo trabalho, se precisamos de ajuda.

Tem boas intenções, mas limites não são o forte dele.

-Ressler, o que estavas a dizer? -Certo.

Houve várias chamadas para o 112 no embuste.

Duas disputas domésticas, um assalto e uma luta num bar.

Um homem agredido na luta no bar

foi tratado nesse hospital.

Podia estar relacionado,

mas investigámos e pareceu ser pessoal.

Também há este.

Um contínuo de um edifício ao lado

fez uma chamada para o 112.

Viu alguém com uma ferramenta para entrar num Audi cinza.

Deu a matrícula à polícia, mas o carro já tinha desaparecido.

O dono denunciaria,

se fosse o caso.

O carro pertence a Graham Flynn, de 42 anos, de Bethesda.

Assistente sénior do Congressista McFarley.

É do Comité de Inteligência.

Defesa e Segurança Nacional.

Isso faz dele um alvo digno do Wujing.

Um carro assaltado? Porquê?

Não sei, mas o Graham Flynn é a melhor pista.

Vão falar com ele.

Red? Estás aqui?

Acabei de fazer uns vapores magníficos.

Faz maravilhas aos pulmões e às vias nasais.

Já para não falar dos meus poros.

Sim. Tens uma espécie de brilho.

É a era dos cuidados pessoais. Experimenta.

Também é a era da tecnologia. Toma.

Acho que era inevitável.

Chama-me antiquado,

mas prefiro interações cara a cara.

Ótimo. Porque tens de ir visitar o nosso amigo Phil.

Porquê? Problema com o carregamento?

Sim. Recusou-se a recebê-lo, não pagou e não devolve as chamadas.

Começa a construção para a semana.

Não o fará sem materiais.

Ele sabe como é difícil arranjar aço agora?

E cobrei um favor para acelerar o processo. Vou falar com ele.

Mas antes, mais uma coisa. O Rogelio ligou.

Encontrou o homem que procurávamos em Nova Orleães.

Num hotel, com um nome falso.

Então é melhor ires lá apanhá-lo,

antes que desapareça.

Trá-lo para Washington. Eu vou lá depois de visitar o Phil.

Sr. Thieman. Que bom termos conseguido!

O Hex Root nunca tinha saído do Pentágono.

Sim, agradecemos a preocupação. O que é a política sem pompa?

O comité está a reunido e ansioso pela apresentação.

Vão subir.

O Wujing foi claro. Uma oportunidade, nada mais.

Liga para a Fábrica de Trols. Está na hora.

Falaste com o Flynn?

Disse que iam a caminho,

atendou a assistente.

Ele está numa reunião à porta fechada

a decorrer agora.

O Chang entrou no veículo de um homem

-que ia ter uma reunião secreta? -Não pode ser bom.

É num escritório satélite deles,

o Edifício Stevenson, por razões de segurança.

Começo por expressar a nossa gratidão

à NSA, Sr. Thieman.

Como sabe, pedimos esta demonstração há algum tempo.

Sim, persistentemente.

Gastámos milhões no programa.

Seria irresponsável não ter alguma supervisão

dos progressos da agência.

-Consegue compreender isso. -Claro.

Sem mais demoras...

Isto é o Hex Root.

Um programa de malware mundial

que ataca sistemas de supervisão e aquisição de dados.

Foca-se em CPL

que permitem a automatização de processos eletromecânicos.

Desenvolvemos programas secretos semelhantes,

mas o Hex Root é único por ser acionado

por esta unidade móvel e poder ser levado para o terreno.

Desculpem interromper. Temos um problema no edifício.

Que tipo de problema?

Tenho uma atualização. Incêndio no Edifício Stevenson.

Ou uma explosão que provocou um incêndio. Tenho de atualizar.

Há várias partilhas nas redes sociais.

Contactei os Bombeiros

e tratam-no como ameaça credível.

-Tem de ser o Chang. -Tem.

Estou a ver fumo a sair pelas janelas.

Se for outro falso alarme, é convincente.

Estamos a dois minutos.

Um pacote suspeito? O quê? Ninguém sabe deste sítio.

Ainda não sei pormenores,

vamos seguir o protocolo e retirar.

Comité para este, NSA para oeste.

Esperamos até a Polícia do Capitólio chegar.

-A apresentação está suspensa. -Por agora. Fica para outra altura.

-Área restrita! -Temos de passar.

Lamento, não posso permitir.

Temos uma diretiva presidencial.

-Afaste-se ou eles retiram-no. -Ai sim? A sério?

Mãos onde as possamos ver!

Mãos no ar!

-Mãos atrás da cabeça! -Não posso fazer isso.

Vais poder daqui a pouco.

Perdão. Agente Ressler, FBI. Este é o Agente Zuma.

-O seu chefe? -Ao telefone com o Sec. da Defesa.

Estamos a lidar com uma crise.

-Falamos mais tarde. -O FBI, senhor.

Sr. Congressista. Agentes Zuma e Ressler, FBI.

Acreditamos que o alvo desta charada,

o incêndio e a explosão, era a vossa reunião.

A reunião era confidencial.

Oiçam, estou sob pressão...

É óbvio que aconteceu algo crítico aqui hoje.

O homem por trás disto é muito perigoso.

Sabemos que queria algo daqui. Só não sabemos o quê.

Queria o Hex Root.

-Hex Root? -Uma nova ciberarma.

A nossa reunião era com a NSA.

Iam demonstrar o Hex Root

quando começou o caos.

A equipa da NSA sofreu uma emboscada e a arma foi roubada.

O facto de ter desaparecido é catastrófico.

-Pode falar-nos mais do Hex Root? -Tecnologia militar de topo.

Passa qualquer ciberdefesa

e oculta-se em qualquer rede.

Agora está perdida.

Sabem que mais? Esqueçam.

Não faz mal, Agente Ressler. Eu entendo-o.

Mas a próxima guerra mundial será uma ciberguerra.

E esta nação fará o que for preciso para se defender

do conflito global que se avizinha.

Era essa a ideia do Hex Root.

A equipa da NSA?

Está com a segurança. A tentar descobrir quem os atacou.

Olá, Philip.

Reddington. Como me encontraste?

Phil, és tão previsível como o público-alvo

do clube masculino mais pretensioso.

O que aprendi a apreciar nos nossos anos de negócios.

Imagina a minha surpresa quando não me pagaste

e rejeitaste o meu carregamento pela primeira vez em 17 anos.

Eu sei. Mas estou num lugar complicado.

A sério? Isto até é confortável. Um pouco abafado. Bafiento.

Dizem-me que te juntaste ao FBI.

Estou preocupado. Não quero acreditar neles.

Talvez devesses. Porque juntei.

Também trabalho com agentes da Mossad,

do MI6, da CIA, do FSB.

Tenho juízes comprados.

Pessoas de esquadras policiais de Nova Iorque a Nova Deli.

Mas forma como falavam do FBI era diferente.

As pessoas insinuavam

que entregavas pessoas a uma equipa secreta.

Que alguns dos meus associados

foram para a prisão federal por tua causa.

Em criança, passei muitos verões na quinta da minha avó.

Ela criava porcos, galinhas, algumas vacas, ovelhas.

E havia uma cabrinha, a Belka.

A coitada só tinha um olho.

A minha avó achava-a horrível, mas eu gostava muito dela.

Aqueles verões eram um paraíso

e a minha avó dava-me rédea solta.

Ela só tinha uma regra. Ficar longe do barracão verde.

Ano após ano, só pensei naquele barracão.

Sonhei e tive pesadelos com aquele lugar.

O que poderia lá estar?

Que tipo de segredos continha? E quem entrou lá?

E quando? Porquê?

Bem, um dia,

a Belka desapareceu.

Deve ter saído do curral.

Procurei por toda a propriedade.

Estava a ficar tarde. Estava a escurecer.

E depois ouvi-o. O seu pequeno balido familiar.

E vinha do barracão.

Não sei como foi lá parar,

mas enchi-me de coragem e abri a porta.

Sabes o que estava no barracão?

Não.

Nada.

Literalmente nada, a não ser um pouco de feno. E a Belka, claro.

Todo aquele medo, trepidação, antecipação,

para nada.

Conta a ti mesmo todas as histórias que quiseres sobre mim.

Mas não há lá nada, a não ser uma cabra zarolha.

Continuas a enriquecer?

Claro. E agradeço.

Compreendes a vantagem competitiva que ofereço?

Aço, madeira, cimento, quase ao preço de custo.

Carregamentos rápidos quando problemas de fornecimento

estão a atrasar projetos durante meses, senão anos.

Há quanto tempo não tens um problema laboral?

Eu sei tudo o que fizeste por mim.

Então, para de te preocupar com o FBI.

Tenho um lugar especial no coração para a planificação que fazes.

Mas não te iludas,

não o podes fazer assim sem mim.

Espero o pagamento total até amanhã de manhã.

E se algo assim voltar a acontecer, não haverá uma conversa educada.

Tenho de apanhar o comboio.

Estamos a fazer progressos.

Estou com a polícia e a segurança.

Confirmámos o porquê do ataque ao Flynn.

O Chang usou as credenciais dele para aceder a uma entrada.

Onde emboscou o agente da NSA e os guardas.

Como as obteve?

Presumimos que as clonou. É uma das competências dele.

Daí ter entrado no carro do Flynn. Nada foi roubado.

Sabemos como o Wujing planeou

e o que queria, mas porquê?

Porque não? Roubaram uma bomba nuclear digital.

Destrói qualquer coisa.

-Pessoas, empresas, governos. -Isso vale muito dinheiro.

Acho difícil a motivação ser só financeira.

Para que usaria ele esse dispositivo?

-É a Malik e o Cooper. -Isto não pode esperar.

O agente da NSA disse-me

que há um localizador escondido dentro da caixa de metal

-que contém o Hex Root. -Conveniente.

Só a NSA para fazer isso.

-Podem dizer-nos a localização? -Não.

Mas vi as coordenadas no PC. Enviei-tas por SMS.

Estão a reunir uma equipa para avançar.

Temos de ser rápidos.

-Conseguimos? -Superar a NSA?

Acho que sim.

Vamos enviar já uma equipa tática para o local.

O que se passa?

O que temos aqui? Burrito extrapicante, sem arroz.

O meu tem jalapenhos.

-FBI! Mãos à vista. -Agente federal!

Para baixo!

Sr. Chang, olá outra vez.

-Que lugar é este? -Só o escritório.

Harold Cooper. FBI.

Rod Thieman, NSA. O que faz a sua equipa?

Isso é confidencial.

Operamos sob autoridade especial do procurador-geral.

Decerto compreende a necessidade de discrição.

Seja o que for, obviamente devem ser muito bons no que fazem.

Chegaram primeiro à nossa arma.

Estamos a examinar os discos rígidos

para ver se o programa foi comprometido.

Podem ser eles. Não.

Herbie.

Quem é este Chang, afinal?

Licenciado do MIT.

Começou como engenheiro de segurança no GetToGather.net.

Agora cria acontecimentos para cometer crimes.

Mas nunca fez nada perto de roubar uma arma da NSA.

Fá-lo sozinho ou trabalha para mais alguém?

Sei tanto como o senhor.

Sabemos que está com o Wujing. Roubou o Hex Root para ele.

Mas não sabemos porquê.

Agente Ressler, bem me parecia que a sua cara não me era estranha.

Arruinou a minha vida.

Tenho a certeza de que fez isso sozinho.

E tu. Acho que ambos nos fartámos de trabalhar para o Reddington.

-Mas o FBI? A sério, Dembe? -Pode tratar-me por Agente Zuma.

Sabem porque alinhei com o Wujing?

Por causa do Reddington.

Estive a contrato com ele três anos.

Fiz algum do meu melhor trabalho com ele.

Tirei-o de Washington com a Keen em plena caça ao homem nacional.

E como é que ele me retribuiu? Entregou-me a vocês.

Ele é uma víbora.

Porque acha que ele o denunciou?

Não. Não, não, não. Não vou entrar nesse jogo.

Ambos sabemos para quem trabalham.

Porque é que o Wujing quer o Hex Root?

Não tenho mais nada a dizer. Digam isso ao Red e ao chapéu dele.

Aquele maldito chapéu.

Quando o vi, não resisti.

Aqui tens.

Está igualzinha a ti.

Não te esperava. Precisas de sítio onde dormir?

Não, não, não. Não é uma visita de cortesia.

O Harold Cooper contactou-me.

O Harold? Adoro esse tipo. É tão majestoso. E firme.

E tem uma certa delicadeza.

É tudo muito específico. Ele disse que tens ligado à Menina Malik.

Obsessivamente.

Usou mesmo essa palavra?

Estraguei tudo, não é?

Qual é o teu objetivo?

Tenho de sair de casa. Todo o meu trabalho é feito aqui.

Ninguém me quer num crime ou tribunal

depois de tudo o que aconteceu.

E ao trabalhar com eles, por momentos,

senti que estava de volta. Numa equipa.

E o esconderijo secreto onde trabalham,

com a carrinha escurecida e os óculos,

foi tão emocionante!

Queres mesmo isto, não é? Emprego a tempo inteiro?

Quero. Não a tempo inteiro. Tenho a Sue e os matraquilhos.

Mas maioritariamente tempo inteiro. Quando puder, claro.

Se falares com o Harold,

eu não começaria com todas as outras obrigações.

Como não tenho o número dele,

e sinto que não quer que tenha,

quando falares com o Harold, podes interceder por mim?

-Aquilo é... -Cocó. Sim.

-Mesmo a tempo. -Define o teu dia, não é?

Perfeitamente.

Pronto, anda cá.

Ele não vai falar. Tem demasiado medo.

-Do Wujing? -Medo do Raymond.

Não importa. Temos de continuar.

E descobrir porque é que o Wujing roubou o Hex Root.

É óbvio que há um plano maior.

Talvez não precisemos dele para descobrir.

Em que estás a pensar?

O Wujing pôs o Freelancer atrás da equipa na semana passada.

-Porquê? -Recolher provas fotográficas

da nossa ligação com o Red.

E agora há outro membro da Lista Negra ressentido

enviado pelo Wujing.

Seria lógico ter o mesmo objetivo.

Encontrar mais provas.

Vê o que ele roubou.

Um vírus que invade e controla um sistema informático.

O nosso sistema informático.

Com os nossos ficheiros e táticas.

Para não falar do acordo de imunidade que o Raymond tem.

Já imaginaste isso saber-se? Já estou a ver as manchetes.

Com as nossas caras.

Está bem, eu acredito. Só tenho mais uma pergunta.

Onde é a entrega? Tem o Hex Root.

Como vai dá-lo ao Wujing?

-O que ganho com isso? -Que tal sobrevivência?

-Se estivermos metidos com o Red... -E não estamos.

...tudo o que é dito aqui chega a ele.

Incluindo ter ajudado a equipa dele a capturar o Wujing.

Isso pode ser suficiente para o manter vivo na prisão

e a salvo da vingança do Red.

Isso se a equipa trabalhasse com ele.

Mas não trabalha.

A entrega é hoje às 16 horas. Parque Madison, nordeste.

Garantam que o Reddington sabe que vos estou a ajudar.

São imagens de satélite do parque. Há muitos esconderijos.

Achas que o Wujing vai aparecer?

O Chang parece achar que sim. Aceitou ajudar-nos.

-Devemos envolver o Raymond? -Sabemos o objetivo do Red.

Não nos compete ajudá-lo a matar o Wujing.

Prendemos um criminoso, impedimos uma guerra

e protegemos esta equipa.

Quero vigilância no parque na próxima hora.

Se o Wujing aparecer, isto acaba. Hoje.

Tudo bem? Sabe como funciona?

Sei. Mas não diria que está tudo bem.

Não acredito que estou com o Red.

Não está. Está com o FBI.

Outra vez a charada? Assuma de uma vez.

É uma caixa duplicada.

Os aparelhos não funcionam,

não a abra durante a entrega.

Vamos rever isto mais uma vez.

Ele conseguirá?

Concebeu e executou um plano para roubar uma arma secreta da NSA.

-Vai sair-se bem. -Posso ser sincera contigo?

Fiquei um pouco abalada com a decisão do Cooper

de não contar isto ao Red.

Não devíamos ser uma equipa?

Como pode funcionar, se lhe escondermos coisas?

Ele também esconde coisas.

Se não confiarem nele e ele não confiar na equipa,

como podem montar casos criminais com base nas informações dele?

Parece disfuncional, mas acredito

que o Raymond tem boas intenções.

Vocês eram muito próximos.

Deve ser estranho esconder-lhe coisas agora.

Escondemos coisas um do outro para nos protegermos.

É uma desconfiança saudável. Confio nisso.

Tenho de pensar que este sítio daria com a minha mãe em doida.

Ela era tão pragmática!

Achas que alguma vez teve dúvidas sobre trabalhar com ele?

De certeza que sim. Todos temos. São ossos do ofício.

Mas a tua mãe era reservada. Guardava muita coisa.

-Referes-te a quê? Segredos? -O Raymond sabe melhor do que eu.

Investigou quando a Diane Fowler

pôs a tua mãe na equipa, há muitos anos.

Não sei os pormenores, mas sempre tive a impressão

de que ele sabia algo do passado de todos.

Estamos prontos. Vamos.

-Há novidades? -O nosso homem chegou.

Não tens tempo de o ver antes,

mas ele aceitou fazer o trabalho.

Desde que seja dentro do prazo.

Voltaremos a reunir-nos depois. Tenho de ir.

-Olá, Agnes. -Olá, Pinkie.

Estás a cozinhar?

Estou a fazer uma coisa. Não sei se lhe chamaria cozinhar.

O Harold está?

Está no trabalho. E a mãe saiu.

Deixam-te em casa sozinha.

Eu sei cuidar de mim.

De certeza que sim. Algo cheira muito bem.

-O que estás a preparar? -É uma pergunta complicada.

Toma. Prova isto.

É horrível, não é?

Não. Deixa um pouco a desejar.

O que tem?

Ou talvez seja algo que não tem, mas devia ter.

Sim, provavelmente.

Queria um vídeo para o "vlog"

e esta é a terceira tentativa.

Vai ser estranho mostrar um bolo mau.

A Julia Child só se formou na Le Cordon Bleu

aos 39 anos.

Na verdade, chumbou no primeiro exame lá.

Prática leva à perfeição.

E, às vezes, alguma ajuda também não faz mal.

-Posso? -Claro.

Vamos desligar aquilo. Só enquanto estou cá.

Mas é o objetivo de um "vlog". Significa blogue de vídeo.

E podes gravar à vontade quando eu sair.

Muito bem. Vamos ver esta receita.

Está tudo nesta taça.

Mais informações sobre o pó de café abaixo.

Ainda faltam dois ingredientes cruciais.

-Um pouco mais de açúcar, só isto. -Está bem.

E também...

Não temos nada chique europeu,

se é isso que... Maionese? Em bolo de chocolate?

Mas isso é nojento.

Não, dá-lhe o nível perfeito de humidade.

Aqui vamos nós. E riqueza.

O segredo é misturar os ingredientes gentilmente.

Quando acabarmos, se não for o bolo mais decadente que já comeste,

levo-te pessoalmente a Viena

para um Sachertorte no Café Demel.

O bolo mais famoso do mundo. A sua história é muito controversa.

Tudo começou em 1832, com um príncipe.

Ainda não há sinal do Wujing.

Ele não devia ter chegado há cinco minutos?

Vou tentar aproximar-me.

Devo ficar aqui? Algo não está bem.

-O Wujing nunca se atrasa. -Mantenha a posição.

Gorro de malha. Casaco preto. Botas. Minha esquerda.

Aproxima-se por trás.

Vim buscar a encomenda.

É o Freelancer.

O Veseli. O que faz ele aqui?

-Avançamos? -E se o Wujing estiver aqui?

Ficamos quietos até ele se revelar?

Não podemos esperar. Temos de avançar. Agora!

O que estás a fazer? O que se passa?

FBI! Para!

Entra!

-Era o...? -Richard Deever. Meu antigo colega.

Ainda trabalha para o Wujing.

Para que conste, não foi culpa minha.

-Dizem ao Reddington que tentei? -Ande.

Não acredito que era ele.

Estrangulava-o, se pudesse.

Não te censuro. O tipo alvejou-te.

Lamento muito.

Parece que o meu amigo Deever fugiu com o Veseli.

-Temos pistas? -O alerta foi emitido.

Incluindo a descrição do carro.

Temos todos os agentes à procura dele.

Temos de deixar o carro.

Já nos toparam. Mais do que toparam.

Calma. Não temos de andar muito e estamos mais seguros lá.

Foi uma surpresa ver-te chegar.

Não sabia que estavas com o Wujing.

Foi por mim que o Wujing soube da arma da NSA.

Estavam a fazê-la quando estava na CIA.

Quando descobri que planeavam apresentá-la à direção,

soube que era a oportunidade dele.

O Wujing pediu-me para vigiar a entrega.

Ainda bem que estavas lá para me apanhar.

Embora tenha medo do que vai acontecer

quando chegar ao Wujing de mãos a abanar.

Vai correr tudo bem. Ele está nesta direção.

Olá, Alban.

-Já posso ir? Fiz o que pediste. -Mais devagar.

Era o nosso acordo.

Trazia-o e tu libertavas-me.

Não disse que te libertava. Disse que te deixava viver.

PIZA DO NICK

Menina Malik, está a gostar de estar com a equipa?

Hoje não correu muito bem. Perdemos o Veseli. Depois o Deever.

E nem sequer vimos o Wujing.

O Deever. Partilham um passado, não é?

De certeza que sabe que ele é o agente da CIA que me traiu.

O que este trabalho tem de bom

é que a nossa sorte pode mudar num ápice.

Vou enviar-lhe uma morada. Espere, o telemóvel é novo.

Pronto. Sugiro que vá já para lá.

-Porquê? -Tem lá um presente.

Considere-o um presente de boas-vindas à equipa tardio.

PIZA DO NICK

Olá, parceiro. Tiveste saudades minhas?

Soube que hoje visitaste a Agnes.

Estava a delirar sobre os méritos da maionese.

Sim. Passei por aí.

Queria falar contigo sobre o Herbie Hambright.

Herbie. Está um pouco carente de atenção, não está?

É verdade. Acho que devias contratá-lo.

Desculpa?

Ele quer muito fazer parte de uma equipa.

Da tua equipa, na verdade.

Seria maravilhoso para ele.

Mas devo avisar-te, ele não joga só em equipa.

-Que belo apoio. -É uma escolha pouco convencional.

O que posso dizer? Não há analista forense mais qualificado.

Fez um ótimo trabalho para nós, mas temos de o analisar.

Não foi despedido pelo Ministério Público por falhar?

Não, o Ministério Público falhou e o Herbie deixou o emprego.

Foi muito duro para ele.

Claro que sou parcial. Adoro o tipo.

Algures entre aquelas fragilidades, está uma mente incrível.

Ele vê as coisas de formas que os outros não veem.

Acho mesmo que ele podia dar uma nova perspetiva.

Vou ver se consigo que seja aprovado. Provisoriamente.

Parece-me bem.

Harold, não pude deixar de reparar que te esqueceste de me informar

do teu plano para apanhar o Wujing.

E tu que encontraste o Deever.

-Não me esqueci. -E o Veseli?

O que vais fazer com ele?

O que me apetecer.

Não posso permitir que o mates.

Ou ao Wujing. Qualquer um da Lista Negra.

Lá se vai o sermos transparentes.

Sabes, Harold, na verdade, tenho-te escondido uma coisa.

Algo importante.

Está na hora de tu e a equipa saberem.

Se jogarmos bem as cartas,

esta guerra com o Wujing acaba dentro de 72 horas

e a minha ligação à equipa ficará para sempre em segredo.

Como se nunca tivesse existido.

Legendas: Cláudia Pereira

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