All language subtitles for Il Viaggio Di Capitan Fracassa - di Ettore Scola - con Massimo Troisi - Dvd

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Original subtitles

N�o pot�vel.

� a �gua polu�da no 2� grau.

- Serve para compressas. - Tem algu�m doente?

� meu dever me inteirar do que sofre quem est� nessa carro�a.

Porque se estiver com febre bub�nica ou petequial...

sou for�ado a atear fogo ao vosso acampamento...

matar os animais e vos botar em quarentena.

Sou o Inspetor Real da Sa�de, Higiene P�blica...

e Perigos de Cont�gios.

Cuido de problemas de sujeira e podrid�o.

Inspeciono aldeias, burgos, castelos, postos postais...

cloacas, esgotos, fossas, po�os, cacimbas...

currais, mict�rios, latrinas, escarradeiras...

lixeiras e vazadores de todos os tipos.

Os que aqui vedes, s�o o que resta...

de uma Companhia Viajante de Arte C�nica.

N�s e o jovem de quem nossa colega est� tratando.

E ele n�o sofre de mal contagioso...

e sim de um ferimento a espada e pneumonia dupla.

Isso que me diz n�o � da minha compet�ncia.

Conte-me que houve com vosso amigo?

Como foi ferido?

Falar �...

dividir um pouco o problema. Alivia.

Eu o conheci no ano passado.

O que disseste?

Que eu o conheci no ano passado.

Quero "repartir" com os outros.

E naquela �poca, mais ou menos...

viaj�vamos com nosso grupo teatral, e...

atravessando o territ�rio da Gasconha...

acabamos ficando perdidos numa noite.

N�o se via nada. S� rel�mpagos, trov�es, chuva.

Sopravam ventos do norte, do sul, do oeste. Falta qual?

- Do leste. - Isso. De todas as partes.

Des�am! Precisamos empurrar!

Um castelo!

Bem que eu disse que por aqui haveria algum!

Des�am todos!

R�pido!

Peguem isso.

Esperem!

Se nos vivem neste estado, os donos do castelo...

n�o nos receber�o como gente digna...

e n�o nos convidar�o � mesa deles! Arrumemo-nos!

Pietro!

Pietro!

Est�o batendo!

Quem ser�?

Desculpai-nos, nobre castel�o.

Somos a famosa Companhia Viajante de Arte C�nica...

em viagem a Paris...

e vos pedimos abrigo por esta noite.

Perdoai-nos invadir vossa fortaleza...

em hora t�o avan�ada, nobre castel�o.

Ele n�o � o castel�o.

Infelizmente, senhores, as intemp�ries...

causaram s�rios danos � pintura dos quartos de h�spedes...

agora sendo restaurados.

Quanto �s cozinhas, lamento ter de vos comunicar que...

j� h� algumas horas terminaram seus servi�os.

Por�m, os senhores de Sigognac...

nunca se furtam ao dever da hospitalidade...

sequer a artistas viajantes como v�s.

Acomodai-vos e ficai � vontade.

Sua senhoria, Jean Luc Henry Camille, bar�o de Sigognac!

Serafina Poisson, para vos servir.

Senhoria! Senhoria!

Senhoria!

Maldito sejas! Cretino!

Demente!

Imbecil! Paspalh�o!

Tagarela!

"Sua senhoria, Jean Luc Henry Camille"...

Bar�o de qu�? Falido! Vestido em trapos!

De cabe�a raspada por causa dos piolhos.

N�o podia ter ficado calado, velho nojento?!

N�o podias dizer que eu era um servo idiota como tu?!

Quero te dar uma boa li��o.

Tenho ganas de te quebrar a espinha!

De te dar uma bela bastonada! Onde est� meu bast�o?

Botei no fogo.

N�o h� mais nada nesta casa! Que vergonha!

Vai dormir.

J� para a cama!

- Desculpa-me, Pietro. - N�o foi nada.

E agora, dorme e sonha.

Sonhar? N�o conhe�o nada! S� teu rosto...

e com ele n�o quero sonhar.

Ent�o tenta sonhar com a Srta. Serafina Poisson.

O rostinho dela me pareceu muito gracioso.

E gracioso foi o modo com que ela se curvou diante de ti...

e te olhava.

Olhava para mim? Eu n�o notei.

Ademais, n�o me interessa. Nada, nada.

Ela me olhava?

Te olhava, te olhava!

E como te olhava!

- Pelo nojo que causo, me olhava. - Boa noite.

O que � isso?

Cupins.

S�o os �nicos que vivem nesta casa e conseguem comer.

Dorme!

Quem �?

N�o quero perturbar. Por favor, acomodai-vos.

Vim apenas fazer um pedido.

N�o sei se notaram que aqui reinam a mis�ria e a solid�o.

Falta tudo, n�o?

Aquele jovem t�mido que h� pouco conhecestes...

teve um imprevidente genitor...

que dilapidou, em guerras e v�cios, todos os bens da casa.

Mas teve o m�rito de salvar a vida de Henrique IV...

pai do atual rei Lu�s XIII, durante o s�tio a Paris.

E recebeu, como recompensa do rei Henrique...

esta espada.

Quando meu jovem amo for � corte...

o rei Lu�s abra�ar� como a um irm�o...

o filho do salvador do seu pai.

Devolver� a ele todos seus bens e patrim�nios...

e Ihe restituir� o orgulho e a dignidade que n�o mais possui.

Ele est�, tristemente, consumindo aqui sua juventude!

Se ficar aqui, seu futuro ser� curto.

Se ouvi bem, vos dirigis a Paris.

Pois bem, eu vos pe�o, levai-o convosco!

N�o, n�o respondais agora. Pensai no assunto. Meditai.

Eu vos deixarei dormir. Amanh� vos arranjo �gua quente.

Pensai.

Boa noite.

Conosco?

A Paris?

E como lev�-lo? N�o temos mais lugar.

E se houvesse, o que nos renderia?

Por�m, se o rei acolher como a um irm�o...

talvez tenhamos oportunidade de encenar uma r�cita...

para a Corte, no Teatro Real, no m�nimo!

- Com certeza! - Sem d�vida!

Sua Senhoria Jean Luc...

� uma grande honra que nos concede Vossa Senhoria...

juntando-se a n�s nessa ida a Paris.

Muito obrigado.

Bom-dia, o Sr. Bar�o.

Bota ali.

Eis a bagagem.

Bagagem de um bar�o?

- A espada do rei! - J� sei.

Olha como � belo meu amo.

Amigo...

Velar�s por ele como um pai pelo filho, um servo ao amo?

Ele n�o conhece a vida nem as mulheres. Ele nunca...

E por que devo eu velar?

�s a �ltima roda da carro�a, como eu.

Ou talvez porque as o mais feio da companhia.

O mais feio da companhia? N�o posso velar por ningu�m.

- Ou talvez porque te dou isto. - N�o quero nada!

S�o 100 moedas de ouro que poupei durante os bons tempos...

...em que era pago. - 100 moedas de ouro!

Amigo...

Com este dinheiro ele agora � teu.

- O dinheiro? - N�o. O bar�o.

Te vendo ele. Em vez de me pagares, eu te pago.

Sob a condi��o de que ele nunca saiba deste trato.

Ele ficaria humilhado. � sens�vel.

- Aten��o, nem uma palavra! - Nem meia palavra.

Todos prontos? Partamos!

"Ama-o. Ama-o como eu o amei", me disse o velho...

me dando aquele saco de moedas.

E chorava, porque sabia que nunca mais veria seu patr�o.

- Nem as moedas. - Nem as mo...

Nem se o patr�o haveria de voltar a ver seu castelo.

Estais triste?

Eu tamb�m, quando parti da It�lia, chorava baldes de l�grimas.

Mas eu parti como um pobre emigrante.

Mas v�s, v�s ides falar com o rei. N�o h� compara��o.

Comportem-se, senhoritas!

Coleciona pedrinhas?

N�o. Ele quer se cansar mais para perder peso...

porque ele, quanto mais magro, mais faz rir...

quando faz a cena do enforcado.

Faz a plat�ia chorar de rir, magro assim.

E agora quer parecer a corda do enforcado.

Rapaz!

Quando riem de mim fico feliz.

Para rirem mais, empunho minha espada de pano.

Mas s� quando estou em cena.

Fora de cena uso espada de ferro!

Calma, Matamoro! Ele s�...

Vossa juventude leva a confundir o falso com o real.

Desta vez, entendais como falso ou o meu desd�m real...

como eu aceito como sendo real vossa falsa boa educa��o.

- O que ele disse? - Estava brincando, bar�o.

Ele me ofendeu!

Deveis me pedir desculpa!

Deveis me pedir desculpa!

Depois ele pede.

- Ele me empurrou! Isso n�o se faz! - Concordo.

Ele vos empurrou. Ele � assim mesmo.

E n�o vos pediu desculpas.

Se eu fosse censurar algu�m, censuraria a v�s.

A mim?

Se devo ser um servidor obediente...

deveis ser um patr�o com autoridade.

E quem vos mandou ser meu servidor?

Bem, me fostes...

Quem mandou o qu�? E por que me tratais de "v�s"?

Trata-me de "tu", sou um servo! "Tu!" Faze isso, faze aquilo...

E vos mostrarei como se faz.

� assim. Primeira coisa: o olhar firme e ombros retos.

Aten��o para os ombros. N�o vos deiteis sobre o cavalo.

J� vi que n�o sois treinado. N�o faz mal. Deixemos de estar.

Sem desmontar e bem firme...

direis:" Sr. Matamoro! Sois para mim um grande falador...

e n�o tenho tempo para isso! Est�o me esperando em Paris!"

� assim que se faz. Montai agora.

Com um servo como eu, far�eis inveja.

E o que me dar�eis em troca? Comida, bebida.

Sou mais pobre que todos v�s.

Quem foi rico, jamais � pobre. V�s brigastes com o dinheiro.

Meus pais brigaram.

Por v�s, depois, fazem as pazes.

Sereis o patr�o da minha velhice. Fa�amos um pacto.

Dais a m�o a um servo?

N�o quereis se entender.

Em vez de "tu", me chamais de "v�s"!

Em vez de ser arrogante, me dais a m�o!

Sou um servo de um patr�o que n�o sabe ser patr�o!

Corpo erguido! Estais todo curvado!

Olhai para frente!

O Pietro n�o vos ensinou nada.

E os sal�rio ele roubava.

N�o havia sal�rio.

Que bonito! Eu deveria rir, mas n�o, pois estou nervoso.

Naquele primeiro dia, viajamos o dia todo.

- Quando paramos para dormir... - Numa pousada?

Pousada? Na carro�a. Dorm�amos na carro�a, ora essa!

E j� �ramos oito, mas apertados que num navio negreiro.

Ent�o, para evitar ao bar�o ficar no meio daquele mont�o de gente...

Ihe preparei um bom lugar para a noite.

Senhor bar�o...

Est� tudo bem?

Precisais de alguma coisa?

Cobri-vos com isso, para vos aquecer.

Estais com frio, senhor bar�o?

Se quiseres algo, sabeis o que fazer?

Basta bater uma vez, assim...

e logo algu�m vir�.

Se quiserdes que seja eu, dois toques.

Boa noite, senhor.

Boa noite, senhorita.

Senhoras e senhores!

Patr�es e servos! Chegou aqui o teatro viajante!

Vamos para Paris...

mas interrompemos a viagem para vos dar a honra de nos admirar...

mesmo neste imundo lugarejo!

Podereis vos deleitar com os melhores chistes...

grandes e in�ditas cenas de amor, cheias de emo��es...

duelos, mortes e muitas outras elucubra��es!

Podereis rir at� n�o mais poder, e vos esbaldar de gargalhar!

Levai convosco a crian�ada!

E se n�o tendes dinheiro, com alimentos podereis pagar!

Basta um salame, meio p�ozinho...

nozes, batatas...

uma boa ricota...

Ai de quem faltar ao do teatro esta noite.

Para que castanha? Basta uma p�ra!

Est� bem assim, Sr. Matamoro.

Som de trombetas! Fragor de armas! Sinais de morte!

Sou o capit�o Matamoro! Estou sempre cortando cabe�as...

arrancando membros, estripando!

Um cavalo? Alto l�! Quem me desafia ao combate?

� valente!

� morte!

Por que essa gritaria pouco educada?

Don Giovanni, v�s aqui?

Sois o tem�vel capit�o Matamoro!

Em N�poles v�s desonrastes uma dama que era prometida a mim.

Mas talvez sem o saber, suponho.

Eu sabia sem d�vida que a duquesa era sua prometida.

Se n�o duelamos, o que n�o se fez em N�poles, fa�amos aqui...

em Sevilha!

N�o � o mesmo. S�o duas cidades diferentes!

Ao duelo! Empunhe a espada. Ao duelo!

- Agradei voc�? - Sim, muito.

Obrigado pelo elogio.

Outras aventuras me aguardam.

Patr�o...

sopa de peru, f�gado � bordalesa...

creme doce...

vinho e...

Esconjuro! Meu Deus! � a morte!

Don Giovanni...

- Est� falando! - D�-me sua m�o!

- E aonde � que vamos? - A m�o!

N�o a d�.

Fique calada.

N�o a d�.

A m�o vamos!

N�o! N�o patr�o!

Estou ardendo! Queimando!

- Socorro! Estou em chamas! - Em chamas?

- Caterinone... - Patr�o!

- Meu filho! - Patr�o...

Poupe-Ihe a vida! � um pai que Ihe implora!

Solte-me!

Seu filho deve pagar.

Ent�o, que eu n�o veja!

Ao inferno!

Patr�o! Patr�o!

Que cansa�o.

Mas em Paris tudo ser� diferente.

As ruas, a gente, a Corte!

O Rei tornar� meu patr�o rico e famoso! E eu finalmente...

n�o mais serei o servo nas farsas,serei um servo real!

E terei 5 de tudo: 5 refei��es por dia...

5 gorros, 5 pares de sapatos, 5 camisetas, 5 cal�as...

Ficarei o dia todo na cozinha e a noite tamb�m.

Caldeir�es, panelas, frigideiras, tachos, n�o me bastar�o.

Onde assar o pernil? Refogar o rim?

Cortarei o trecho:"a vaca ventosa, cada passo um vento... "

Diante do Rei? N�o, s� cortar, jogar fora!

E mais aquele outro: "Espeto de se enfiar nas coxas... "

Perco mais 10 quilos at� Paris. O Rei se esbaldar� de tanto rir.

Far� de mim cavalheiro da Suprema Arte Burlesca...

e Isabella, � minha morte, ter� minha pens�o

Abaixo o trivial diante do Rei!

Na "Jerusal�m" recitarei com os m�sicos da Corte...

"E dessa maneira passa a bela mulher que parece dormir. "

Ter� as damas aos seus p�s. N�o olha para mim nem agora!

Bar�es, duques, pr�ncipes. Senhores, por favor!

Tive cortejadores jurando amor eterno que sumiam pela manh�.

Atriz serve s� para uma noite, n�o para a vida.

E quando � abandonada, s� representa o seu sofrimento.

A primeira qualidade de uma comediante � distin��o.

Todas s� sabem mostrar pernas e coxas.

- Aquelas que podem. - Deixe-me ver como fica.

O que voc� tem?

Est� com cara de quaresma.

- Tenho fome. - Mas se j� comemos ontem...

- Bar�o. - Vi como � �gil.

Para mendigar � preciso ser �gil.

Ainda menina, eu ajudava meu pai.

Ele vendia ung�entos e eu fazia piruetas.

Bar�o... Bar�o!

Devo Ihe confessar uma coisa.

Eu Ihe menti desde o primeiro instante, inclusive ontem � noite.

"Toc, toc", lembra-se?

Quando ouvi que era esperado na Corte...

comecei minha representa��o.

A me fazer de graciosa e dengosa convosco.

Mas agora...

Ele era o tirano!

Com as intrigas dos "Tr�s Capit�es", fizemos muito sucesso.

Enquanto em Avignon n�o se teve permiss�o de representar.

Mas isso eu j� contei.

Mas agora as coisas mudaram.

Sr. Bellombre... um bom ator, sim.

Mas n�o da sua grandeza, Sr. Matamoro.

Quando se representa ast�cia de mulher, ardil para agradar...

ou para se mostrar enamorada...

fica no �ntimo mesmo ap�s a pe�a terminar.

E percebe-se que...

ou melhor, quero dizer...

que quando pensei estar mentindo...

estava sendo sincera.

P�ra! P�ra! Quero subir.

Seguir o Sr. Matamoro n�o � brincadeira!

Por qu�?

N�o permito que pade�a. Sorria j�.

Uma atriz s� deve sofrer ou se alegrar quando est� em cena.

A vida com seus pequenos desejos...

deve servir de exerc�cio, de ensaio geral...

para interpretarmos as grandes paix�es...

que devemos mostrar ao p�blico. Diga-me sua fala.

- Qual? - Uma que interrompa a minha.

Amores e aventuras...

Ter� mil deles em cenas.

Mil vezes rir�, mil vezes chorar�, mil vezes...

renascer�, minha pequena.

- Mil vezes fingir� comer. - Minha pequena...

- Estou falando s�rio. - E eu n�o?

Tamb�m gosta daquele canastr�o?

- S� gosto de voc�. - Epa, Zerbina, p�ra.

Sopa de peru, f�gado... Esconjuro! A morte!

Don Giovanni... D�-me sua m�o!

e assim naquela noite, no celeiro abandonado...

na quentura da palha e de Serafina...

o meu frangote tornou-se galo.

Coragem! Anime-se... N�o fique assim.

Por favor, viajante.

Ele vai morrer. Eu sinto isso.

- S� me resta uma esperan�a. - Qual?

A de que nunca acerto.

Quando sinto que vai acontecer algo, d� sempre o contr�rio.

Ent�o n�o morrer�.

Desta vez estou com medo de acertar.

Ele iria envelhecer...

rico em Paris, mas em vez disso...

em vez disso vai morrer jovem no meio de uma estrada.

Ele estava t�o contente! Tinha se tornado...

Ele j� havia perdido at� aquela sua...

Antipatia, digamos. Ele era um pouco azedo no in�cio.

Mas tornou-se um rapaz que sempre gritava, cantava, ria...

Desaparecia sempre fazendo coisas. Sa�a � galope...

De repente...

Serafina!

Um outro cogumelo para voc�.

Obrigada.

O que �? Ele � jovem e se diverte! Deixe-o em paz!

Reagir � in�til. Um movimento e meu bando sanguin�rio...

matar� um a um a bala.

Voc�s: Esteban, Pedro, Paulo, Carlos, Antonio, Matasierpes...

Ao meu sinal, atirem!

Da carro�a! Objetos e dinheiro, entreguem tudo!

Vou contar at� tr�s. Um...

Dois...

Cuidado, bar�o!

Quieta, Chiquita, quieta!

Pulcinella! O que est� fazendo?

Cuidado!

- Chiquita, socorro! - Estou indo, Agostino!

Sangue!

S�o bonecos! Espantalhos para espantar p�ssaros.

O que posso dizer? A vida est� muito dura. Falta tudo.

O butim � sempre escasso.

N�o d� para dividir com um bando de gente.

O povo est� pobre, h� fome e carestia. Quem vamos roubar?

Por que n�o v�o roubar os ricos?

Os ricos est�o bem protegidos e bem armados.

- Por que voc� n�o os rouba? - Eu?

N�o precisava dar tapas. � uma crian�a.

Uma crian�a?

Chega, chega, Chiquita.

- Que salteadora � voc�? - � a minha futura noiva.

- Que bonita! - Tome, � sua.

Como se diz � senhora?

- A senhora eu nunca matarei. - Obrigada.

Est� contente? � preciosa.

Teve um mau dia, Sr. Matamoro, massacrou todos os bonecos.

"Tudo vai bem quando acaba bem. "

Todos daremos alguma coisa...

aos nossos infelizes colegas de estrada.

O pobre Agostino perdeu o dia.

Imagine se dou minha faca sarracena a ele...

E voc�, Leandro?

Para a mendic�ncia nunca h� limites.

Serafina j� deu. E o senhor, Sr. Matamoro?

Pulcinella! Pulcinella!

- E ent�o? - Um momento!

Fome e frio, insepar�veis companheiros da nossa viagem.

E com a chegada do bar�o, novas dores, novos suspiros...

foram entrando para dentro da carro�a.

De que origem?

De origem ciumenta, de rivalidade de sentimentos.

Uma vez Matamoro chegou a agredir sua amada Isabelle.

Estavam fechados na carro�a. Matamoro a acusava...

Voc� sonhou.

Sonhei que nos seus sonhos diz o nome dele?

Sonhei com seu rubor e tremor quando ele a olha?

A raiva quando ele olha a outra?

- N�o � verdade! - Todos perceberam.

At� os bois. At� o cavalo dele!

Que vergonha. Eu vou me matar!

N�o, meu amor, n�o fa�a assim. Por favor.

Acalme-se, por favor, meu tesouro. N�o me fa�a sofrer.

Minha pequena... N�o me cause amarguras.

N�o, senhor tio. Mesmo que eu me mate, estou bem.

N�o deve se preocupar comigo.

Como posso? Aproveita todo pretexto para sofrer.

Pretexto? Pretexto? O que � a minha vida?

Dificuldades, fadiga, humilha��es e fome. Tenho fome, fome!

O Sr. Matamoro jejua com compostura! Bem, eu n�o!

J� Ihe trarei comida.

N�o vou comer. Eu disse que quero morrer.

Repita. Com mais clareza.

N�o comerei. Eu quero morrer.

Por que diz disso? Est� aqui conosco. Ser� uma grande atriz.

Vou me matar.

N�o fale assim.

Eu Ihe pe�o, acalme-se. Ver� que tudo vai dar certo.

Sabe o que vou fazer?

Falarei com esse rapaz imaturo. Voc� ver�.

Ficar� honrado em saber...

que � o objeto de tanta paix�o da parte da minha pequenina...

Se ficou imbecil com a idade, eu n�o vou pagar.

N�o Ihe permitirei que me envergonhe. Cuide da sua vida.

Estou farta de ser a tonta, a boba da Companhia.

J� n�o suporto mais suas car�cias...

e seus beijos pegajosos de velho vesgo, tonto e imbecil!

Mais na vida que no teatro, n�o faz mais ningu�m rir.

O que s�o esses tufos? Eles s�o frios.

Isto � neve? Mas que feia!

- N�o! � linda! - Est� nevando!

Linda para voc�s, franceses, n�rdicos. N�o gostei.

Amea�a tempestade. Vamos para a carro�a.

Recolham tudo!

N�o se esque�am de nada.

Os animais! Vamos cobrir os animais!

Zerbina, o sapato. A�!

Eu n�o gosto. Barone, d�-me!

Tio!

Matamoro!

Matamoro!

Matamoro! Responda! Sou seu diretor.

Tio!

Ali! Ali!

V� com ela.

Eu?

E por que deveria?

Ser� que n�o percebeu? Ela o ama.

Isabella?

Mas eu n�o... eu n�o a...

N�o � verdade!

Ama-se sempre a quem nos ama.

N�o amo ningu�m; porque ningu�m me ama.

E eu n�o te amo?

Sim. Mas s� porque eu Ihe disse que o amava.

Aqui s� h� uma pessoa que te ama bem pouco.

Tu mesma.

V� com ela. Agora ela ficou completamente sozinha.

E tu, n�o ficar�s sozinha?

N�o se preocupe comigo, Bar�o. Minhas solid�es duram pouco.

� culpa minha.

Sua culpa?

Ele pensou que eu te amava.

�... Por�m...

Mas n�o sabia que n�o o quero.

Porque � um Bar�o e vai para a Corte.

E agora, ele n�o mais vive...

o meu amor e est� ali.

Ama Leandro?

Amo Serafina, Madame Leonarda...

Zerbina, Pulcinella e Tiranno.

A todos.

Menos a mim.

- N�o � louco nem infeliz. - Infeliz.

O teatro d� alegria a todos, exceto a quem o faz.

Dentro da carro�a havia muita tristeza...

porque o pobre Matamoro n�o nos seguia mais.

Por sorte, t�nhamos fome.

Por sorte?

Sim. Porque com fome sente-se menos a tristeza.

Por isso, pobres s�o mais alegres do que ricos.

Isso os ricos dizem.

N�s, meio mortos de fome, chegamos � hospedaria...

do "Sol Azul e o Galo Que Dorme"...

onde a dona, antiga amante de Tiranno...

nos deixou comer a cr�dito.

Sem invadir o do vizinho, por Diana!

Sr. Marqu�s. Sempre mais jovem e bonito. Sentimos sua falta.

Serei mais freq�ente. J� vi que ca�ar javali � perda de tempo.

Aceite. Sr. Marqu�s...

a sauda��o da Companhia de Artes C�nicas Melpomene e Talia...

em viagem a Paris, e da qual sou...

fundador, o empres�rio e ator principal.

Entre seus muitos m�ritos, n�o esquecerei ter encontrado...

e vislumbrado na sua alegre carreta viajante...

tr�s deusas como estas...

capazes de deixar embara�ado o pr�prio P�ris.

Quatro deusas!

N�o elevei os olhos at� Juno, rainha das deusas...

a mais alta, no v�rtice do Olimpo.

Fechem. Tomem cuidado. N�o sei por qu�...

Desculpo-me humildemente pelo susto que meus c�es...

excitados pela ca�ada, causaram aos senhores.

Embora, quase sempre, o medo no rosto de uma bela mulher...

seja um ornamento muito agrad�vel...

que aumenta a gra�a e a fragilidade.

Para Ihe agradar, posso repetir.

Idiota.

O instinto c�mico n�o � freq�ente nas mulheres.

Talvez por temerem estragar, com o sorriso, a sua beleza.

Demonstra o contr�rio. Que pap�is prefere?

J� o disse o Sr. Pulcinella.

Astuta c�mplice dos patr�es para o amor triunfar, intrigante...

Eu me interessaria. Se n�o h� nenhum impedimento...

podem vir e se exibir no meu castelo. Fica s� a quatro l�guas.

Bem, � coisa poss�vel.

Creio que podemos fazer.

A servi�o de Vossa Senhoria.

�timo. Assim poderei admir�-la em uma de suas pe�as.

Em nossa nova pe�a, "O Enganador de Sevilha"...

sua esposa camponesa, pela qual Don Giovanni enlouquece.

N�o se pode critic�-lo.

Insensata! Idiota!

Imprudente!

Precisava mencionar "O Enganador de Sevilha"?

Sem o pobre Matamoro, quem faz o rival?

E as bravatas do capit�o?

Devemos renunciar.

Mas Sr. Tiranno, falei sem pensar.

"A Confidente Infiel'. "O Anel do Esquecimento"...

"Amor de Gard�lio".

N�o, n�o. Ao sair ele disse...

"Amanh� aplaudiremos o seu Don de Giovanni".

Posso fazer a parte de Matamoro.

E eu duelarei com voc�? � alta e magra? Sabe usar a espada?

Por favor, sem dizer heresias!

Agora, vamos dormir.

Amanh� cedo continua-se a viagem a Paris...

tendo dado um pontap� em 50 moedas de ouro.

50 moedas...

Eu!

Eu sou alto...

sou magro e sei manejar a espada.

Voc�?

- Est� maluco? - N�o, mas ficarei.

E sendo inexperiente terei medo...

e exporei aos insultos do p�blico e serei tamb�m infeliz.

Patr�o, fique quieto.

Ele n�o est� se sentindo bem.

Ele comeu. N�o est� habituado. Comer faz mal a ele.

Fique caladinho, patr�o.

Quer se tornar saltimbanco como n�s?

Um cigano como n�s? Por favor. Bar�o, deve ir a Paris.

Sen�o perder� o Rei, e eu um patr�o. N�o devemos fazer isso.

Olhe para mim, estou dizendo uma coisa at� importante.

Isabella. P�ra com esses seus olhares de borboleta sedutora.

Deixe-o em paz! Veja s�... J� vi que perdi o patr�o.

E por que n�o? Muito bem. Muito bem!

Est� bem! Resolve ser ator. Todo mundo quer ser artista.

Soprem. Soprem ventos! At� que estourem suas bochechas!

Isto n�o � para mim! Voc�s s�o do Norte.

"E com um �nico golpe da minha e infal�vel... "

"infal�vel espada".

� um roteiro, um guia. Pode improvisar.

"Estou pronto, pronto a cortar as cabe�as... "

"as cabe�as de 50... "

"De 150 bravateiros da Armada Turca. "

150.

- "Soam trombetas... " - Zerbina, a lona!

For�a! Empurrem!

- Caro Duque! - Marqu�s de Gruy�re.

- N�s o aguard�vamos. - Pois cheguei.

Marquesinho Nicolo...

� sempre um prazer para mim rev�-lo.

Se esse � seu prazer, n�o o invejo.

- Essa sopeira! � inconveniente! - Como tudo que � bom.

Sua irm� tem o privil�gio da imut�vel beleza.

Passou o tempo em que era sens�vel as suas mentiras.

Por que chamou Duque de mentiroso?

Eu sei por qu�. E ele tamb�m.

Sentem se, por favor.

Podemos come�ar?

Comecem!

N�o consigo, n�o consigo, n�o consigo!

Se n�o consegue, Sr. bar�o...

pode-se cortar a parte do Matamoro. Quem vai perceber?

N�o diga heresias!

Temos um bar�o ansiosamente esperado em Paris. Brincadeira?

- Beba! - O que � isso?

- � cacha�a. - Chega, est� bem, Bar�o.

- Mais um pouco, um pouco... - N�o beba!

Que o objeto � esse?

� um instrumento para se ver mais de perto. Veio de Pisa.

Um objeto interessante.

- O que devo fazer, Pulcinella? - O que fazer?

O que fazer? Espera um momento.

Coloque isso. Ficar� mais tranq�ilo.

Se um dia um desses nobres o encontrar, n�o o reconhecer�.

N�o consigo respirar.

Com a boca. N�o com nariz. Respire com a boca.

- N�o posso falar. - Pela m�scara?

N�o. Pelo medo.

Sim, pelo medo. Estou dizendo. Vamos parar. Ainda d� tempo.

- Parab�ns! - N�o d� mais tempo.

J� que entrou na dan�a, dance.

- �timo! Sem igual! R�pido! - Obrigada.

- Eu me envergonho. - Vai faz�-lo por mim?

Bastar� para que me ame?

J� bastou. V�!

E tamb�m muito graciosas. Vejo-o encantado.

- � a sua vez! Sua vez! - V� l�.

- Estou indo. - Em cena!

Empurraram-me!

N�o me lembro de nada.

"Som de trombetas, estr�pito de armas, sinais... "

Sinais de trombetas. Sons de armas!

Estr�pito de mortes! Eis o capit�o...

- Eis o capit�o... - N�o se lembra!

- Que a droga! - Matamoro. Ator errado!

Tornado! Capit�o Tornado.

O maior dos guerreiros, de m�xima fama.

Com um s� golpe desta...

desta infal�vel espada, decepei a cabe�a de 100...

- de 50... -50?

"150 bravateiros da Armada Turca. "

"Bravateiros da Armada Turca. "

Arruaceiros da Armada Purva.

� morte!

Eu n�o tenho medo de ningu�m.

Vai, vai, vai voc�...

Por que essa algazarra mal-educada?

Vejo que me reconheceu! E agora...

Ir� me dizer que desonrei uma dama que Ihe era prometida.

� isso. � isso mesmo!

Ent�o, estou pronto a Ihe dar as satisfa��es devidas.

Lute!

E voc� me dir�...

E eu Ihe direi?

Dir�:" Sim, eu lutarei. "

� o que eu Ihe direi. Exatamente.

Como adivinhar o que eu vou dizer?

Lute, covarde!

Desembainhe a espada.

J� desembainhei!

Capit�o Mata... Capit�o Tornado, exijo cruzar com sua espada.

Esteja � vontade... Eu serei o padrinho.

- Ele sabe improvisar! - Como todo t�mido

- E n�o queria. � bom! Bom! - Bom... esse era o meu receio.

Defenda-se, covarde! Defenda-se!

Outras aventuras me esperam.

Estou morrendo de vontade de conquistar Tisbea!

Ela me salvou da morte. Eu o farei conhecer a vida.

� lind�ssimo! E o fez construir s� para voc�?

Se quiser, poder� encenar neste teatro todas as noites. Sozinha.

E eu serei seu �nico espectador.

Quer visitar meu castelo?

- Tamb�m as cozinhas? - Tamb�m as cozinhas.

Tenho trabalho duplo: recitar a minha parte...

e ao mesmo tempo controlar o jogo c�nico de todos os outros.

Artistas. Os jovens s�o velhos...

e as pobres miser�veis, belas e sedutoras.

Parab�ns, etc...

Obrigada, etc...

N�o gosto de usar met�foras.

N�o sou daqueles que chamam de "alegria do forno", o p�o...

"honra do queixo", a barba...

e de "belo viol�o", ao o traseiro. Eu amo a clareza.

Bem, de um certo modo, eu entendo.

Em cena, � bela, e de moralidade leviana.

De perto, � igualmente bela.

Gostaria de saber: � igualmente leviana?

Bem... Mas que coisa...

Para mim tudo est� bem.

Aceitaria ficar aqui comigo toda vida?

Em troca, teria um t�tulo...

pelo que vale.

Mais comida e moradia.

Se, por�m, ag�entar somente um ano, 500 moedas de ouro.

Um m�s, 100.

Uma semana, 20.

S� esta noite, 5.

Digamos, 6?

Bem... Mas que coisa!

Isto voc� j� tinha dito.

Ent�o, direi diferente.

Da clareza, n�o gosto.

Adoro a met�fora.

Gosto da "alegria do forno" coberta de "flor de leite".

Ou seja, p�o com manteiga.

Em resumo...

Resumirei.

Enfie tudo no seu "viol�o".

E assim termina um amor que poderia ser eterno. Madame!

Desde quando est� a�?

Meu Deus, que vergonha!

N�o h� do que se envergonhar, eu Ihe asseguro.

Retire-se!

Aqui n�o � o seu lugar!

Como pode julgar que n�o � sem me conhecer?

N�o quero julgar, nem conhec�-lo.

Se n�o sair imediatamente deste quarto, pedirei socorro.

De que tem medo?

N�o da prepot�ncia que, com voc�, n�o usarei.

Ser� da sua fraqueza?

Diga. Tenho esperan�a?

Nenhuma.

Est� se comportando...

sem dignidade.

Estou admirada. Um duque...

Um duque...

enfeiti�ado por voc�.

Sempre um duque �...

Eu o preveni...

Cuidado...

Socorro! Socorro!

Senhor! Exijo satisfa��o!

O que est� acontecendo aqui?

O que houve?

- O que aconteceu com voc�? - N�o sei bem.

Parece-me que esse jovem...

mesmo errando, quer ouvir satisfa��es. Talvez eu o fa�a.

N�o, Excelent�ssimo! Quer duelar com um garoto?

Ouvi dizer que ele � o melhor espadachim da Fran�a.

Ele n�o � como o senhor. � um simples ator.

N�o o reconhece porque ele estava de m�scara.

� o que em cena levava pontap�s de todos.

- Pronto. Caso encerrado. - Tem raz�o.

Ser� surrado por meu servos.

Ou talvez nem isso...

Fingirei que a pe�a tinha um adendo:

a agress�o gaiata desse comediante.

Senhor, sou Jean Luc Henry Camille, Bar�o de Sigognac.

A minha linhagem � dois s�culos mais antiga que a dos Vallombrosa...

duques de recente nomea��o.

Seus av�s sempre deram preced�ncia aos Sigognac!

Viu a cara que ele fez quando soube quem era? Saiu r�pido.

� um bar�o, e como bar�o deve agir.

E voc� � um servo. E servo n�o se intromete! N�o se meta!

N�o ousa!

Como est� bonito, bar�o.

Como me tratou mal t�o bem.

Agora � um patr�o de verdade.

Arrogante, autorit�rio e imbecil como todo patr�o.

Tudo est� bem quando acaba bem. Vai ter ceia.

Vem c�. O que fazer? Ser a Senhora de Tolui?

Eu disse que me desagrada. N�o me importo com ouro.

Ele me disse que pensasse.

Devo dar uma resposta amanh� de manh�.

Prefiro ficar contigo.

Eu vi como � boa a cozinha aqui, aquela sopa de pistache, e...

a cozinha � bela aqui.

Quero ficar com voc�, ir a Paris com voc�.

A voc�...

N�o Ihe desagrada se eu ficar aqui?

Sim, um pouco! Desagrada-me um pouco.

Amanh� � capaz de j� n�o me desagradar.

Sabe como eu sou, n�o? Sou...

um tipo estranho. E n�o se pode confiar nessas coisas...

Eu s� sou feliz com voc�, Pulci.

Feliz? Aqui...

Aqui talvez ser� infeliz, mas...

mas pelo menos estar� satisfeita.

� melhor ser feliz ou estar satisfeita?

� melhor estar satisfeita.

Satisfa��o pode...

durar toda a vida. A felicidade...

Sabe como �, n�o?

Por�m...

quero ficar contigo!

Zerbina...

Zerbina, n�s...

n�s nascemos s�ditos.

Temos de nos sujeitar.

Quando ter� outra oportunidade de fazer o papel de marquesa?

Ter um quarto de patroa, leito de patroa...

colch�es...

de l�, silenciosos...

Usar� peles no inverno, vestidos frescos no ver�o.

Camisolas de seda...

n�o como esta aqui...

de tecido grosso.

Ele a tratar� bem. � um bom homem.

Sim, ele � bom.

E � bonito, pode-se dizer.

- Que � bonito, � bonito. - Ficar� bem.

E eu virei v�-la.

E eu...

toda vez Ihe farei um belo jantar.

E assim, renunciou ao amor de Zerbina...

por amor.

Amor?

Quem falou isso? Quem est� dizendo que...

Saiba que nunca me apaixonei por nada nem ningu�m.

Est� bem? Exceto por pizza de p�o com figos dentro.

Como ele est�?

- Ainda n�o viram ningu�m? - Nada.

E continuam esperando? Enquanto isso, o pobre coitado...

N�o, obrigado.

A quem est�o esperando?

Deve chegar um grande m�dico.

Um grande especialista em ferimento de duelo.

Duelo. Mas que duelo? Disse-me que o duque...

n�o aceitou o desafio do bar�o e saiu com calma do quarto?

Bem, antes de tudo...

voc� me disse que se eu quiser falar, eu falo.

Na hora que eu sa� do castelo do Marqu�s de Gruy�re...

pela manh�, Sigognac n�o estava, Isabella n�o estava.

- O que aconteceu? - Ora!

Bem, aconteceu que...

de madrugada, Isabella...

acordou assustada...

porque se lembrou de um detalhe de uma antiga pe�a...

em que Matamoro, para desafiar um nobre a um duelo...

sem que outra pessoa notasse...

ele tinha de tirar o chap�u com a m�o esquerda.

Por que com a m�o esquerda?

C�digo de cavalheiros. Coisa deles.

Talvez uma tradi��o de origem espanhola.

Pode ser.

mas, certamente, uma tradi��o tola.

Porque parece que isso custou a vida a muitos...

s� porque eles eram canhotos.

Mas a quest�o n�o � essa.

Isabella, eis a quest�o...

de madrugada...

lembrou-se de que o duque de Vallombrosa...

saudara o bar�o tirando o chap�u com m�o esquerda.

E ela deu um grito.

Se mostrar ser inteligente, al�m de nobre...

implore-me perd�o e Ihe pouparei a vida.

O duelo n�o terminou.

E ent�o?

Fa�a o que deve fazer.

N�o! Pare!

- Isabella! Por que veio? - Aqui n�o � seu lugar.

- D�-Ihe miseric�rdia. - J� ofereci.

- Para mim o duelo terminou. - N�o. N�o para mim.

S� me resta mat�-lo, ou este duelo nunca terminar�.

- Renda-se! Por mim! - Nunca!

- Renda-se voc�. Fuja! - Eu? E por qual a raz�o?

� mais forte.

O mais forte ceder ao mais fraco? Nunca aconteceu isso.

- Ter� minha gratid�o! - Gratid�o n�o serve para nada!

E se me entregar a voc�?

Faria isso s� para Ihe salvar a vida?

A vida dele, a sua e a minha.

Com o assassinato de um, o que ser� da vida dos outros?

Cale-se! V� embora! Termine o seu duelo!

Irei com voc�.

N�o! Termine este duelo!

Isabella!

Duque, voc� � um covarde!

� um covarde!

Eu vou impedir!

Ele ficou horas desmaiado sob um dil�vio universal.

Quando o encontrei...

o bar�ozinho j� tinha perdido litros de sangue.

Foi por um momento s�, mas eu pensei...

logo que voc� chegou com Pulcinella todo ferido, gemendo...

"Bem-feito", pensei...

"Assim ir� parar de correr atr�s daquela pata. "

� jovem de minh'alma!

Tanta dor que me causou!

At� voc� quis fazer Serafina sofrer.

"Darei um golpe duro nela tamb�m ", disse.

Com a crueldade de um jovem.

Mas talvez seja eu a malvada.

Em vez de chorar pelo que Fizeram com voc�...

choro pelo que fizeram comigo.

O que ela tem que eu n�o tenho?

Talvez por n�o saber como ela �.

Serafina voc� j� conhece...

Est� pronta para dar rir � noite choramingar de dia.

Mas como � Isabella?

� de fato pura candura?

Ela n�o tem duas faces tamb�m?

Um papel de atriz assim como eu na vida?

Como me lamento! Aborre�o at� a mim mesma!

� porque estou cheia de medo.

S� faltam 15 anos para fazer 50.

A alvorada.

E tudo recome�a a terminar.

Mas sim, que alegria!

Como ele est�?

Estacion�rio.

Como voc�.

Serafina, a vida toda ouvi voc� dizer que est� velha.

Voc� me escutou?

Delirei... de fome.

Damos sempre a culpa � fome.

Lamentos, velhacarias, crimes... De quem � a culpa? Da fome.

- E um pouco � verdade. - Um pouco � verdade...

Seria verdade, se quem n�o tem fome...

se comportasse bem. Mas n�o parece ser bem assim.

N�o fa�a assim...

Pobre mocinha.

De pobre j� me chamaram.

De mocinha nunca.

Que chatice, Serafina!

Est� sempre pesando o que Ihe dizem e o que Ihe fazem?

Mas, deixe disso!

Quem est� resmungando?

N�s, Sr. Tiranno. Estamos repassando.

- V�o repassar l� fora. - J� est�o fora.

Ent�o que entrem. Enfim vamos dormir!

Ele viver�?

N�o sei. Melhor seria se n�o nos tivesse encontrado.

Melhor para ele e para n�s.

Pulcinella, essa m�o � a sua m�o?

Sabe que � bonita mesmo, Serafina?

Voc� tamb�m.

- Mas essa m�o � a sua. - Desculpe.

Continue. Onde est� escrito que devemos sofrer sempre?

Voc� diz "sofrer".

Para os homens, � diferente. O tempo n�o � muito malvado.

Quando se � jovem...

Pulcinella! Pulcinella...

Voc�s, atores jovens, s�o frios, " n�o cruzam a ribalta".

Mas o senhor, com todo respeito, exagera.

Exagero... basta-me a m�o para me fazer entender.

Est� vendo? Move demais, a m�o rodeia.

Trabalhem. E voc�s, rodeiem

Qualquer resist�ncia � in�til!

Outra vez isso?

Um movimento e meu bando sanguin�rio far� uma matan�a.

- S�o sempre os mesmos? - Eu n�o Ihe disse?

Bom dia.

Onde est� a linda senhora?

Na carro�a.

- O que prepara de bom? - Erva cozida.

Bom!

Coitadinho!

O que est� fazendo?

Uma linda senhora como voc�, chorando?

Ou�a...

Quer o colar de volta?

Isso! Quer de volta?

Mas...

tem certeza?

Palavra do "Implac�vel".

Cura at� esqueleto.

� o maior cirurgi�o vivo. Uma grande sabedoria.

Posso ir busc�-lo. N�o fica longe, 5 ou 6 horas, ida e volta.

E ent�o?

Ent�o... Por�m...

Diga. Por�m...?

O dinheiro.

Se n�o � por muito dinheiro, ele nem se mexe.

Mas, muito dinheiro... Muito dinheiro � quanto?

- Por qu�? - Para se saber.

100 ou 200 moedas de ouro, ao que se sabe.

Agiotas e protegidas de nobres vestem-se de tecido de ouro...

Enquanto os artistas est�o rotos! Rotos, mas honrados!

O que disse?

Que n�o temos um centavo.

J� descemos.

Ele disse que sabe de um bom m�dico, que cura tudo.

Vamos supor que...

que voc� pusesse dinheiro nas m�os daqueles dois.

Se eu tivesse, poria.

Sim, eu tamb�m, se os dois fossem boas pessoas.

Porque n�o se d� dinheiro a...

Afinal, ele � um salteador, e ela, uma salteadora.

Sabe como ele se chama? " O Implac�vel".

Poria dinheiro na m�o de algu�m que se chama assim?

Tentaria do mesmo jeito.

S�o 100 moedas de ouro.

- 100 moedas de ouro? - 100 moedas de ouro.

D� a ele, pois isso eu n�o consigo.

Foram dadas pelo servo dele, que me disse...

"Leve o bar�ozinho... "

"para uma vida melhor".

Est� vendo aonde eu o levei.

100 moedas de ouro.

Faremos com que baste. Chiquita!

Pegue o cavalo! Chegar�o primeiro!

Com aquele? Chegaremos depois!

Tu est�s contente?

Certo, s�o 100 moedas!

E Serafina, para me agradecer, me deu um beijo.

E o salteador?

Ele? "5 horas ida e volta". Passaram-se tr�s dias.

Voc� viu o grande cirurgi�o, a grande sabedoria?

Viu o salteador, a salteadora e o "muito dinheiro"?

- N�o! - Nem n�s!

Pronto, agora eu j� Ihe contei...

de fio a pavio tudo o que aconteceu, desde um ano atr�s...

at� esta manh�, quando nos conhecemos.

Pulcinella!

Veja quem est� chegando.

O grande cirurgi�o!

E ent�o, Excelent�ssimo?

O diagn�stico qual �? Sou um pouco do ramo.

Deve conseguir passar a noite.

Escute,"Implac�vel". Deu todas as moedas ao...?

Todinhas! Palavra de honra!

Prosseguirei minha viagem.

A esta hora?

Melhor. � noite as estradas parecem mais limpas.

N�o vai ficar para saber se ele sara ou morre definitivamente?

N�o, obrigado.

Prefiro imaginar que o infeliz jovem ficar� s�o e forte.

� uma pessoa gentil.

Tem fam�lia?

- A minha profiss�o � errante. - Como a nossa.

Se voltasse atr�s, quem sabe?

Talvez escolhesse a sua.

Seria uma bela escolha.

- Adeus, Pulcinella. - Adeus.

- Conservem limpos os bois! - Sim, fique tranq�ilo.

- Usem pente-fino. - Est� bem.

- Enterrem as fezes! - Adeus. Sim, sim.

E fervam as meias, ao menos uma vez por semana!

Sim, como n�o?

A sorte.

A sorte.

A sorte!

A sorte.

Por ter cometido, junto a seu bando de salteadores...

todos foragidos da justi�a...

in�meros roubos, agress�es, assaltos e emboscadas...

em dias e locais diversos...

em estradas principais, a e trilhas nas montanhas...

causando danos a indefesos s�ditos do Rei Lu�s XIII...

conforme senten�a do Real Tribunal de Justi�a...

o r�u, Agostino Feera de Collas, vulgo 'O Implac�vel"...

sofrer� a pena capital o diante do povo reunido...

mediante espancamento e quebra dos ossos do corpo...

at� que a morte sobrevenha.

A sorte.

A faca. D�-me a faca sarracena.

"Madre de Dios"!

Meu amor...

Segurem-na!

Abriu os olhos!

Patr�o! Meu patr�o!

Est� querendo dizer algo.

- Est� querendo dizer algo. - Est� querendo dizer algo.

Escutemos o quer dizer.

N�o consegue.

Onde estou?

- Onde estou? - Est� aqui, patr�o.

- Meus amigos... - Fique calado.

- Devemos ajud�-lo! - Quem Ihe disse?

- Meus amigos... - Est� aqui, patr�o.

Est� voltando a cor p�lida, que � a sua natural!

N�o o interrompa.

Leandro...

Sr. Tiranno...

Madame...

Meu Pulcinella...

Serafina.

Falta o Matamoro.

E falta a...

Zerbina.

E falta Isabella.

Cretino! Ele n�o lembrava!

E falta Isabella.

No meu del�rio, sentia-me dividido.

Minha mente vivia e revivia a minha hist�ria.

E tamb�m outras hist�rias...

cenas de amor, cenas de morte, sonhos e pesadelos.

- Quero escrever! - Quero escrever...

- Um grande drama! - Grande drama.

- C�mico. - C�mico.

�timos pap�is para todos.

Papel... caneta...

e tinteiro! J�!

Caneta, papel e tinteiro.

- Paneta, pincel e cinteiro! - Papel, caneta e tinteiro!

T�tulo...

N�o me lembro.

� a �ltima coisa. Depois se acha.

Primeiro ato.

Ponto e par�grafo.

Primeira cena...

Lisabella � prisioneira do meu castelo em Vallerbosa.

Leandro, a l�ngua presa!

Lisabella � prisioneira do meu castelo em Vallerbosa.

Ficar� presa at� que se entregue a mim.

Senhor Duque!

Contra o amor, n�o adianta usar a for�a.

J� me prende a corrente do amor.

Corrente? Que a prende a quem?

Est� bem, Serafina. Est� bem, Leandro.

Agora vamos ver o Sr. Tiranno.

Em cena, o velho duque, pai do Duque de Vallerbosa.

Senhor Tiranno, entre enquanto estou duelando com seu filho.

Est� salvo, gra�as a Deus.

- Desembainhar espadas! - Medroso!

- Lute! - Sim, lutarei!

Covarde!

Um duelo! Parem todos!

- Papai, salve-me! - Quem desafia o meu filho?

Bom pai, duque, apresento-Ihe o Capit�o Tornado.

Ah, o Capit�o Tombado!

- N�o. Tornado. - Tombado � mais engra�ado.

� um pai aflito. N�o deve fazer rir.

- Sou o diretor! - E eu, o autor!

- Tenho 50 anos de ribalta! - E j� s�o demais!

Deve dizer: TOR-NA-DO!

Como mudou o rapaz!

- TOM-BA-DO! - Arrebento com tudo!

E � at� desbocado!

Est� bem. Capit�o Tornado...

mostre o medalh�o!

Que medalh�o?

Sabe-se o que acontece nesses duelos!

Depois descobre-se que � irm�o do meu filho...

e esta, a irm� de minha filha!

Mostrem pois os medalh�es, com a ef�gie de suas m�es.

Mostrem os medalh�es... Medalh�es.

Medalh�es...

Este rosto!

Quem � essa mocinha, mademoiselle?

� a minha m�e, abandonada pelo cavalheiro que a desonrou.

- Morreu ao me dar � luz. - Ent�o...

Desde ent�o, come�aram as minhas desventuras.

Medo do futuro, falta de amor...

facilidade para chorar, tornozelos grossos.

Na verdade, no roteiro da pe�a n�o tem isso!

Est� improvisando!

Improvisando? H� trinta anos que ela repassa essa fala.

Retomar, desde a m�e abandonada.

Abandonada pelo cavalheiro que a desonrou.

Morreu ao me dar � luz.

Ent�o... ent�o... voc�... voc�...

Aquele cavalheiro, ai de mim, era eu!

Filha minha!

Pai meu!

Voc�, Lisabella, minha irm�!

E voc�, duque, meu irm�o!

Um abra�o...

- Meu primo! - Tio! Vov�!

Mam�e! Minha mam�e!

- Meu filho! - Mais r�pido!

- Irm�o! - Irm�!

- Minha filha! - Meu filho!

Mas que fam�lia complicada!

Meu Deus! Vov�! Vov�!

- Meu primo! - Fim do segundo ato. Fecha a cortina.

- Isabella! � voc�! - Serafina!

- Por que fica aqui? - N�o quero ver ningu�m.

Ningu�m?

Como est� elegante!

- Posso ver? - Claro!

Como est� bonita!

Eu nunca estarei penteada assim.

Nem vestida assim.

Vindo aqui, eu temia o pior.

H� dois dias, foi o castelo um inspetor de Sa�de...

que havia encontrado voc�s.

Ah, sim. Uma pessoinha enfadonha, mas simp�tica.

Disse que acampavam aqui, e que Sigognac estava � morte.

E o Duque me disse: "V� ver como est� aquele rapaz".

Um gesto bel�ssimo.

Como � cruel o amor!

Quem ama n�o � amado...

e quem � amado n�o ama.

E quem n�o sabe a quem amar...

terceiro ato, abre com as n�pcias de Lisabella com o Capit�o Tornado.

- Sr. Tiranno, queira ler. - Com essa luz n�o vejo bem.

Madame, queira ler.

Sim. Entretanto...

� preciso ler tamb�m os sinais pretos?

Leandro?

- Na verdade, assim de repente... - Bar�o!

Aqui ningu�m sabe ler.

Sempre decoramos os trechos. S� o Matamoro sabia ler.

- Recolha as folhas. - � melhor.

- Eu lerei. - Eu sei ler.

Voc�, descanse.

Agora v� at� a fonte. H� uma surpresa para voc�.

O que �?

� uma surpresa!

Isabella voltou?

Novos sofrimentos. Serafina! Est� contente?

V� se danar!

A... T... O...

I... I... I

Terceiro.

Fim do terceiro ato.

Voc� mudou.

Voc� est� mais bonita!

Nossa hist�ria n�o � assim.

- O que falta? - Nossos sofrimentos.

Est�o l�. Disfar�ados pela bufonaria.

Sem sofrimento, n�o faria rir.

- E precisa fazer rir? - Todos querem rir.

Porque todos fazemos rir. Menos os duques.

Devem-se respeitar duques, n�o �?

N�o, Sigognac.

O duque n�o fala com a l�ngua presa?

� bonito? � forte? � generoso o duque?

Sim.

Permitiu que viesse visitar os buf�es!

Est� louco, Sigognac.

Admito.

N�o louco de amor.

Sigognac agora ama o teatro.

E voc� n�o o ama mais.

Nunca o amei muito.

Amei quem amava o teatro.

Iludidos. Para voc�, os sonhos s�o belos se forem realiz�veis.

Como s�o inteligentes esses bar�es!

Sete.

Tem sete an�is.

Ou�a bem! o Sr. Duque...

jamais tentou me beijar! Espera que eu diga que o amo.

Eu jamais serei t�o nobre.

- � muito miser�vel. - Obrigado. S� um ator poderia.

D�-me um tapa.

Por qu�?

Matamoro sempre me dava o tapas para eu n�o chorar.

Por que quer chorar agora?

Porque j� n�o nos amamos.

Sim.

N�s �ramos bonitos.

Duque, eu queria lhe dizer...

Deve seguir o seu destino.

No meu n�o estava escrito que eu seria feliz. Seja voc�.

Essas suas l�grimas...

Eu n�o queria mais v�-las. Por isso eu a trouxe aqui.

S�o as �ltimas, Fran�ois. N�o as ver� mais.

"Quando Pulcinella...

- " vestido de padre ofi... - Oficia.

O primeiro amor triunfa sempre, Bar�o. Ou � o segundo?

Voc�s aprontaram muita confus�o...

- Vamos partir! - Repassa-se texto na viagem.

Vamos partir para Paris. Paris nos espera.

- Conhece a estrada para l�? - Conhecemos.

- H� um ano o Rei nos espera! - Seremos recebidos na Corte!

- Vamos a Paris! - J� preparo o manifesto.

O roteiro! Devo rever o texto.

Bar�o, esque�a o texto.

Pense no encontro com Luiz XIII...

que mudar� sua vida e a minha!

Paris! Cidade de toda a gente! Meta de toda viagem!

Majestade, eis a espada que Henrique de Navarra...

seu augusto genitor...

deu como reconhecimento ao meu pai...

que Ihe havia salvo a vida no ass�dio a Paris.

Prestam-Ihe homenagem comigo a minha doce esposa...

Para servi-lo, Majestade.

O pr�ncipe de Vallerbosa, pai dela...

Para servi-lo!

E o meu fiel servo Pulcinella.

Majestosa Majestade e Senhor! Majestosa Majestade!

Super-soberano.

Que antip�ticos!

Majestade, como est� para dar ao meu patr�o...

gl�ria e patrim�nios...

quero esclarecer que tenho direito a 5 de tudo:

cinco refei��es por dia, cinco pares de sapatos, cinco camisas...

Onde � que seu pai salvou a vida do meu? Onde voc� disse?

No ass�dio a Paris. Cinco refei��es...

Meu pai? Jamais participou!

- Chegou ap�s tudo acabado. - Tudo acabado.

Seja como for, esse espada n�o Ihe pertence!

- A espada do Papa! - O que essa impostura?

Disse que o Rei nos esperava na corte!

- Com impaci�ncia! - E com ansiedade!

Majestade! N�o nos esperava com impaci�ncia e ansiedade?

Eu, a voc�s? Pelo amor de Deus!

- Jamais! - Majestade!

Assim me faz ca�rem os bra�os.

Ent�o, Pulcinella, voc� inventou tudo!

A mim disse o seu servo Pietro!

- Pietro? - Pietro!

Amigos, vou revelar uma coisa...

- Boa ou m�, Tornadinho meu? - Horr�vel, esposinha minha!

Nesses �ltimos anos, o pobre Pietro estava bem esclerosado.

De miolo mole?

Passou at� a juntar a moedas falsas. Um pouco aqui e ali.

Moedas falsas?

Pietro?

Vou desmaiar! Vou desmaiar!

Quero desmaiar.

Quero desmaiar! Deixem-me desmaiar! Desmaiei.

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