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Original subtitles

DANÇAS EXÓTICAS O MELHOR ESPETÁCULO DO SOHO

Vadias em palco para a abertura.

Toca a subir as escadas.

- Para o palco. Vamos. - Já vou.

Mexe-te!

Vadias para o palco. Vamos.

- Nem acredito. - Só me fazes rir.

Como é que foste acabar numa espelunca destas?

É temporário.

E tu?

Sou pecadora, não é temporário. Vim para ficar.

Isso não é pecado.

É, quando somos freiras.

O hábito não esconde muita coisa, mas não gémeos.

- São lindos. - Não podes cuidar deles, não?

O quê? Agora?

Sim. Vivo ao fundo da rua.

Há um careca ali fora

que vai dar bom dinheiro por uma mãozinha.

Querida...

Acertámos em cheio.

Bernard Beaumont, o empresário do teatro,

quer conhecer-te.

Palavra? A mim? Que disse ele?

Que tens boas mamas e que quer sexo a três.

Paga o dobro. Só temos de...

Não vou fazer isso, por mais que ele pague.

Deixa-a, Ivy. Sua tarada.

Ela não vai fazer isso para te poderes drogar.

Ela vai cuidar dos meus filhos.

Não faças isso. Os gémeos são do pior.

Como te atreves, sua vadia?

Não.

Podem...

Chega!

Desculpe.

Tu.

Só dás chatices.

As pessoas vêm cá para ter entretenimento do bom.

Não vêm cá para te ver brincar com um leque.

- Do bom? - Sim.

- Vêm é à procura de carne fresca. - Como te atreves?

Se pagasse bem às raparigas, elas não teriam de...

Diz lá. Diz lá.

Entreter empresários com o orifício traseiro.

Sua cabra!

Vou apanhar-te.

Sai daqui. Nunca mais voltes.

AGENTE DE TEATRO

É um desespero.

Mais uma oportunidade perdida.

Sir Bernard Beaumont é um dos melhores produtores.

É um pervertido do pior. Não vou voltar.

Brian, ajude-me.

Brian, preciso de trabalho.

Ainda aqui está?

Pareceu ouvir-me um som irritante.

- A Beryl Charlton telefonou... - Chega, Patsy!

Obrigado. Eu trato disto.

Jovem, apesar de ter roubado um guião,

ter mentido com quantos dentes tem,

ter humilhado e intimidado o melhor produtor da Light Entertainment,

parece que querem ouvi-la.

Patsy, o guião.

Para o papel de Cecily?

Na verdade, arrisquei e sugeri-a para o papel de Jim.

Claro que é para o papel de Cecily, sua tola.

Mas a Beryl Charlton disse que nunca me escolheriam.

Se for a Beryl a decidir, não escolhem.

Já o produtor, o tal de Mahindra, achou-lhe piada.

Mesmo com o descaramento.

Recomponha-se.

- A audição é às 14h. Não se atrase. - Às 14h.

Obrigada. Obrigada.

Obrigada, Brian. Obrigada.

Pronto.

Dê cabo deles, querida.

Emprestam-me dinheiro para o autocarro?

- Olá. - Adeus, querida.

Raios!

Olá.

O trânsito estava mau, achei melhor vir a nado.

Devo a todos um pedido de desculpas.

Sobretudo a si, Sr. Mahindra.

Foi errado da minha parte. Lamento.

Desculpas aceites.

- Queremos que leia do guião. - Com certeza.

Sim. Obrigado.

Alto.

Desculpem.

Queremos que leia com o Clive.

Sim.

É para ver se existe química.

Antes que o Tony e o Bill façam piadas com o bico de Bunsen,

ver se temos química é ver se trabalhamos bem juntos, Sophie.

- Queremos química cómica. - Sim, e química sexual.

Isso é muita coisa para um único tubo de teste.

Porque não começamos com a cena em que a Cecily e o Jim

planeiam um jantar em casa?

Leio com a minha voz ou com a da Cecily?

Adorava ouvi-la ler na voz da Cecily.

Ou seja, tem de ser chique, Sophie.

Interior do apartamento, vê-se o Jim.

A sua noiva, Cecily, entra à procura de uma coisa.

Olá, querida. Posso ajudar?

Creio que deixei aqui a minha mala.

Não.

"Creio que deixei aqui a minha mala."

Foi, Clive? Eu não julgo. Ajudo-o a procurar mais tarde.

Desculpe. Desculpe, Clive. Desculpe.

- Posso voltar a tentar? - E a cena 10?

Quando a Cecily ralha com o Jim por não descongelar o borrego.

Vamos fingir que esta bola é a carne.

Estão em pânico porque tentam descongelá-la a tempo do jantar.

Uma botija de água quente e um secador resultam sempre.

Mas não com frango, fica a cheirar mal.

Isto não é muito ao estilo da Cecily.

- Muito bem. - Pronto.

Chegaram. Estou a ouvi-los. Esconde a carne.

Jim, não é altura para disparates.

- O quê? A fala não é essa? - Desculpem. Voltei a fazer o mesmo.

Passe-ma. Muito bem.

Desculpem.

Vêm aí. Estou a ouvi-los. Esconde a carne.

Muito bem.

Que se passa? Sim.

Na cara não! Na cara não!

Vá. Mais uma vez. Muito bem.

E...

Vêm aí. Estou a ouvi-los. Esconde a carne.

- Devia estar de folga. - Não sou uma foca de espetáculos.

- Esconde a carne. - Tudo bem. São vegetarianos.

Apanhe isto. Vamos.

Está a fazer o meu papel.

Que estou a fazer? Continuo a jogar.

A jogar? Ao galo?

Estou a ouvi-los. Esconde a carne.

Parabéns, Jim!

Muito obrigado, Sophie.

Pode dar-nos um minuto para falarmos?

O público vai mesmo acreditar nesta relação?

Eu e ela?

Bem visto. Podem pensar o que faz ela com um imbecil.

Só tem de dizer as falas e estar bonita.

Isto é a Emmeline Pankhurst a revirar na campa?

- Sophie, podemos falar? - Sim.

Infelizmente...

Tudo bem. Esqueçam. Devia ter dado ouvidos à tia Marie.

"Não tenhas ideias, jovem. Deixa-te ser a Miss Beldade de Blackpool."

Vir para Londres como se fosse especial...

É uma Rainha de Beleza?

Pensando bem, vou sair pela porta e não pelo armário dos arrumos.

Sophie, o que ia dizer...

Infelizmente, não tomamos a decisão final,

mas...

Por nós, está contratada.

Céus!

Não.

Por favor.

Tome.

Prepare-se, pai. Notícias de última hora.

Quem vi hoje?

O capitão Smythe doThe Awkward Squad.

Adivinhe? É muito mais alto do que soa na rádio.

- O Clive Richardson? - Sim.

Parece que só o viu no corredor ou assim.

Foi ao local onde fazem as comédias.

Numa visita guiada?

Ela não disse.

O médico diz que ele tem de se cuidar, mas ele não ouve.

- Como, Marie? - Ótimo, Aiden. Obrigada.

Ele diz que cozinha,

mas vi-o a comer sopa em pó

mesmo da embalagem.

- Não posso. - É verdade.

- Aqui tem. - Obrigada.

- Até logo. - Até logo, Betty.

Como está?

Ando ocupado.

- Anda a sair com alguém? - Está a perguntar?

Não sei o que lhe deu.

Só me apetece ir a Londres e trazê-la de volta.

- Adeus, Aiden. - Adeus.

PEAR STREET, N.º 14 - APARTAMENTO 7 LONDRES

Vou ao centro televisivo.

Vou conhecer o Ted Sargent, responsável da Light Entertainment.

Light Entertainment.

Ainda agora andavas com penas nas mamas.

Meu Deus! Nem me lembres.

O produtor, o Dennis, é um cavalheiro.

Se a reunião correr bem, ele diz que sou contratada.

Que bom. Sempre pagavas a renda.

Meu Deus!

Estou tão nervosa.

Nervosa? Não sejas parva. Tem só cuidado com a linguagem.

O meu futuro está nas mãos dele.

Muito bem.

Nesse caso,

dou-te uma dica que me ajuda sempre.

Quando chegares à reunião, senta-te.

Olha esse Ted Sargent nos olhos

e imagina-o a cagar.

- Bom dia, Sophie. - Bom dia, Dennis.

Bem-vinda.

Por aqui.

Será melhor manter-me séria?

Sedutora?

O quê? Agora?

Com o Ted Sargent.

- Céus! Não, não. - Não.

Não vai fazer das suas, pois não?

Das minhas?

Sim, não vai fingir que conheceu alguém ou...

Não, Dennis. Juro.

Vou ficar calada e aceitar tudo o que ele diz.

Na verdade, ele desconfia de pessoas

que lhe dizem o que ele quer ouvir.

Nada de bajular.

Nada de bajular.

Nada de sedução.

Nada de disparates.

Entendido.

Meu Deus! Espero que ele aceite.

É bom os escritores gostarem de si.

Ele não vai querer perder mais talento para o outro lado.

Ainda não recuperou de perder o Hancock.

- Ele é que perdeu o Tony Hancock? - Sim.

- Não fale disso ao Ted. - Não, não.

Por favor.

Bom dia.

Bom dia.

Dennis, soube que os rapazes decidiram

adaptar o guião para o ajustar à Mna. Straw.

Querem que a Cecily venha de Blackpool.

É de onde eu venho.

Sim, e gostamos do sotaque da Sophie.

Achamos que nos traz valor.

Mas, infelizmente, não traz público.

A nossa querida diretora Beryl Charlton

achou que a Marcia Belle fez uma ótima audição e tem perfil.

Talvez mais tarda haja oportunidade para a Mna. Straw.

Sim, a Marcia Belle é uma opção.

Não engraçada.

Na minha vasta experiência,

a beleza e a comédia raramente se juntam.

A rapariga serve como voz da razão,

não para ser tola.

Tudo bem. Eu percebo.

Sou um risco.

Não quer outro fracasso como oForeign Matters.

Eu gostei, mas...

Infelizmente, o programa não encontrou o seu público.

Ora bolas! Estava escondido?

Dennis, estou curioso.

Que o faz pensar que arriscaria a reputação da emissora

por uma desconhecida inexperiente de Liverpool?

Desconhecida, de Blackpool.

A Sophie é diferente.

Talvez as pessoas de Blackpool

queiram ver-se representadas na televisão.

Obrigada, Dennis, mas o Ted Sargent tem razão.

Só porque a gente operária do Norte acha piada

não quer dizer que o programa seja para mim.

O Bill, o Tony e o Clive são leais.

Nunca irão embora para fazer o programa do outro lado

como o Tony Hancock.

Este fim de semana, vou ao Festival Montra

com o menestrel.

Canta e dança?

- Dennis. - Sim.

Dou-lhe 24 horas para preparar um novo guião para a Mna. Straw

antes de eu ir para o aeroporto.

Vou presenciar uma leitura amanhã de manhã às 10h.

Sim, muito bem. Obrigado.

Vinte e quatro horas.

Mantemos o Jim como político chique.

Estudou na escola pública, é do Partido Trabalhista...

Mantemos a cena do chefe para o jantar?

- Podemos mudar? Não presta. - Cavalo de Troia.

Mantemos o tradicional, mudamos umas coisas.

Como é que ele conheceu a Cecily, a nortenha de classe operária?

Numa ida ao bar, talvez a engravide.

A engravide? Não é o caso.

O meu pai morria logo.

Sophie, é uma personagem. Chama-se atuar.

- Devias tentar, Clive. - Devias tentar escrever.

Mas és o macaco dele, Tony?

Vai-te lixar.

A minha personagem não pode trabalhar em Whitehall?

A fazer o quê?

Limpezas?

- E se for empregada do Jim? - Boa, isso é bom.

E se o Jim tiver de fingir que a empregada é a noiva?

- Margaret. Chama-se Maggie. - Não.

Tem de fingir que é fina e fazer um jantar chique.

Foie gras,tártaro. Isso tudo.

Não sou boa a cozinhar. Já queimei água.

Vamos usar isso. Obrigado.

Gosto. Gosto. É um casal estranho.

Estranho? Obrigada, Dennis.

O Dennis acha que toda a gente é estranha.

É verdade. Vá lá. Precisamos de um nome.

Sophie...

Que lhe vem à cabeça quando pensa em Blackpool?

Terra e furões.

- A trabalhar no poço... - Disenteria. Esgoto.

É umasitcom,não é um drama do Ken Loach.

Que combina com uma mulher de Blackpool?

Doces e desilusão pura?

E Doris?

Mas ela tem 90 anos?

A leitura para o Ted Sargent é às 9h45.

É essencial que todos vão dormir cedo. Bill.

Mas a personagem da Sophie não tem nome.

Pensem.

Vais chegar a um bom nome.

As alterações de última hora vão ser feitas de manhã.

Mas o nome dela importa? Qual é o mal de Doris?

Desculpem ser imbecil, mas sinto que o foco...

Podemos mudar o nome do Clive

de Jim para Hugh Gars, ou fazemos de manhã?

Estou a fazer-vos um favor ao aparecer amanhã para a leitura.

Era bom que houvesse respeito.

Bill, alguém se recusou a ler para o Ted Sargent?

O ator Reggie Lake não apareceu para uma leitura com o Ted Sargent.

- Reggie Lake. Quem é o Reggie Lake? - Exato.

- Barbara. - Que foi?

Tem bom ritmo.

Barbara de Blackpool.

Pronto, já temos o nome. Podemos mudar o título?Dining In?

Passa a serBarbara & Jim.

Sim.

Gosto.

Jim & Barbara.

- Boa noite, Soph. - Muito bem, Tony.

- Olá. - Boa noite.

Aiden?

- Que fazes aqui? - Estou a fazer uma coisa romântica.

É melhor subires.

- Tive saudades... - Fala baixo, vais acordar a minha amiga.

Aiden.

- Estiveste a beber? - Precisava de coragem.

Foi um grande choque teres ido embora.

- Achei que estaríamos juntos para sempre. - Devias ter perguntado.

Já tive tempo para pensar e estou disposto a dar-te outra oportunidade.

Volta comigo. Posso oferecer-te mais do que isto.

Herdei o negócio.

- Posso pagar um bangalô. - Não quero um bangalô.

Posso fazer uma coisa que sempre quis fazer.

Um programa de comédia na televisão.

Estás a viver num mundo de fantasia, querida.

És bonita e isso tudo, mas pessoas como nós não vão para a TV.

- Tudo pode mudar amanhã. - Quanto tempo vais...

Tudo pode mudar amanhã.

Sei que já fiz isto, mas vou voltar a fazer.

Melhor.

Amo-te, Barbara.

Quero envelhecer contigo.

Concedes-me a honra de ser minha esposa?

Calma, amor. Calma.

Comi agora uma cebola depickle.

Bom dia, amor.

Fiz-te o pequeno-almoço.

Fui um homem moderno.

Caraças!

Que horas são?

- Bom dia. - Bom dia.

Onde está Sua Alteza?

No pântano, a fazer pinturas de guerra?

Ela sabe que tem de chegar até às 9h45, não sabe?

Não digo nada. Devíamos ter contratado uma profissional.

- Estou atrasada, Aiden. - Só quando aceitares.

Não posso aceitar.

As coisas mudaram.

Vi um mundo diferente.

Um mundo sem mim?

Desculpa.

Agora não, Sr. Norris.

Caraças!

- Dennis. - Ted.

Bom dia.

Onde está a Mna. Straw?

Vem a caminho.

Beryl, contacte o agente da Marcia Belle.

Diga-lhe que tem o papel de Barbara emJim & Barbara.

Com todo o gosto.

Desculpem.

O meu relógio está com a hora de Blackpool.

Sim.

Bem-vindos a este novo programa de comédia.

Chama-seJim & Barbara.

Foi escrito por Tony Holmes e Bill Gardener.

Com o Clive Richardson, claro, e apresentando a Sophie Straw.

Olá.

As luzes esbatem-se com a Barbara e o Jim à porta de casa.

Música, créditos finais.

Obrigado a todos.

Beryl, suspenda a Marcia Belle.

Então, temos luz verde?

Eu informo quando tiver decidido.

Aconteça o que acontecer, obrigada por esta oportunidade.

De...

E se o velhote do Sargent não aceitar?

Escrevemos tudo para ela.

Ela não estragou nenhuma das piadas.

Sabemos que o Dennis gosta dela.

Viste a cara dele quando o abraçou?

Mal vi a cara dele com a ereção dele.

- Que nojento. - Sim.

Se ela conseguir o papel, vão ter de ser convincentes como casal.

Desde que sejam bons atores, vai correr bem.

És o perito.

Aqui vamos nós.

É altura de chatear o Tony.

Já sabias quando ela casou contigo?

- Estás bêbedo, Bill. - É quando estou no meu melhor.

- E o lado prático? - Credo! Deixa isso.

Não tens nada com isso.

Estamos a tentar resolver isso tudo.

Se esta comédia pegar,

temos de ir buscar os factos de um casamento a algum lado

e não vão partir de mim de certeza.

Vá, já chega.

Vá, Bill. Por favor.

- Tenho de me deitar. - Por favor.

Caraças!

Meu Deus! Deve ser o senhorio.

Depressa. Esconde-te.

Aqui em baixo.

Porque nos escondemos? Ele não tem chave?

Cala-te e tenta camuflar-te com o chão.

Sophie, está aí?

Brian, que faz aqui?

Credo!

Houve algum terremoto? Há sobreviventes?

Marjorie.

Bom dia, Marjorie.

Sente-se. Cuidado com a perna torta.

- Perdão? - A da cadeira.

Bem...

Parece que conseguiu o papel.

Os ensaios começam já.

Sugiro que, com o primeiro ordenado,

instale um telefone e talvez uma máquina da roupa.

Primeiro dia.

Não se preocupe. É muito fácil.

- O diretor está quase a chegar. - O diretor não é o Dennis?

Quem me dera. O Ted Sargent quis o Bert.

É para nos manter na linha.

- Porque queria o Dennis? - Vai ver.

O guião não tem piada, é muito grande e nunca vamos filmar numa noite.

Cumprimentem o Bert Redwood, o nosso diretor.

Desculpe, Bert. A culpa é do Tony. Escreveu as partes sem piada.

Muito bem.

Vamos conseguir corrigir tudo

com a sua experiência, Bert.

Não me culpem se ainda aqui estivermos à meia-noite.

Mahatma, ou lá como se diz o seu nome.

- Sabe que me chamo Mahindra. - Mahindra, Mahatma. O que for.

Desde o início.

Sophie Straw, nem me ouço pensar. Pode fazer mímica?

Chega. Não.

Credo!

Faça a ação sem som.

Clive, está à esquerda, ao telefone.

Está a ser deixado pela Celia.

- Cecily. - Que importa?

Sophie Straw, ainda a limpar, mas a ouvir a chamada.

Bateu numa câmara.

O quê?

No dia vai ter quatro câmaras apontadas a si.

Se ficar aí, vai estar ao colo do operador de câmara.

Por mais que ele goste, não dá boa televisão.

Desculpe, Bert. Senti que era o sítio certo.

Sentiu que era o sítio certo.

Sentiu que era... Sabe que isto não é oHedda Gabler.

Não estamos a falar de sentimentos, estamos a falar de umasitcomda treta.

Mantenha-se onde lhe digo para estar.

Não é no armário.

Talvez eu possa ajudar.

Bert, quando eu estou ao telefone,

ajudaria se eu estivesse aqui para a Sophie...

Bert, temos uma fala melhor para ela.

Sr. Redwood, o seu fato?

Parece-me superficial.

Sabem que mais?

Vale mais cortar a cena toda!

Ficaria muito curto.

- E nada engraçado. - Como o Bert.

- Muito bem. - Pronto.

Está feito.

Amanhã no estúdio para experimentar o guarda-roupa. Às 9h.

Sophie, o departamento de imprensa marcou-lhe uma entrevista.

Para mim?

- Olá. Diane Lewis, revistaCherry. - Olá.

Vamos?

Nunca dei uma entrevista.

A avaliar pelo ensaio, aguenta-se bem.

Credo! O Bert é muito entrevadinho.

Não escreva isso. Vou ter problemas.

Tarde de mais. Já está.

Sou mesmo uma tola.

Calma, estou a brincar.

Já leu a revistaCherry?

É como aWoman's Weekly?

É para meninas.

Não é tanto sobre fazer bolos

e mais sobre temas importantes do dia.

Como as roupas que usa,

quem é o seu namorado e o que cozinha para ele.

Não gosta do seu trabalho?

- Estudei para ser repórter. - Palavra?

Mas está a custar entrar na indústria.

Pois.

Por agora, este trabalho serve e adoro as borlas,

temos acesso ao Vaults of St. James.

- Ao quê? - Uma discoteca baril.

- Como o Talk of the Town. - Com menos pensionistas.

É a melhor de Londres, ia gostar.

Telefone-me um dia destes e eu levo-a lá.

Querida Bubble,

o trabalho na fábrica está cheio de ação, como sempre.

A caldeira do açúcar pifou, mas conseguimos arranjá-la.

A vida em casa é pacata.

Mal posso esperar por te ver em ação.

Disse à Marie que vou a uma convenção de rock.

Ela acha que me vou juntar aos Rolling Stones.

Estou a rebentar de orgulho.

Tenho um sorriso no rosto e ando mais feliz.

Vemo-nos lá. Ying tong iddle I po.

Cá estamos.

Pode dar-me um minuto?

CAMARIM

- Isto é tudo para mim? - Sim.

Mais uma vez, obrigada...

... por apostar em mim.

Vai ser fantástica. Deu outra vida ao programa.

Sempre quis encontrar alguém como a Sophie.

Em termos de comédia, claro.

Claro.

Pronto. Vou deixá-la a sós.

O Bert quer mesmo que eu vista isto?

Quer mostrar o seu corpo, querida.

Mas... Sou a empregada da limpeza.

Quem lava o chão assim vestida?

É umasitcom.Não preza pelo realismo.

Muito bem. Que achas?

Pronto.

Mas o Jim diz: "Dá para encher a boca."

Está bom.

- Porque não resulta? - Ritmo.

Experimenta um "quase" ali.

Quase dá para encher a boca.

Quase dá para encher a boca.

Quase dá para encher a boca.

- Outra vez. - Quase dá para encher a boca.

Quase dá para encher a boca.

Quase dá para encher a boca.

- Quase dá para encher a boca. - Quase dá para encher a boca.

- Polly. - Quase dá para encher a boca.

Tem de ir ao guarda-roupa.

Aconteceu alguma coisa?

O museu telefonou e quer o fato de volta.

A senhora não gosta da roupa.

Quando vejo comédia, gosto das personagens com imperfeições.

São reais.

Boa noite, George.

Boa noite, George.

- Boa noite. - Deita-te cedo.

Boa noite. Portem-se bem. Se não se portarem bem, tenham cuidado.

Aproveita a tua folga, seu sortudo.

Aqui estamos.

Sophie, bem-vinda ao espaço. Veja se tem tudo.

Os adereços e isso têm de estar onde precisa deles.

Esta mansão é sua, como diria o Bill e o Tony.

Quando é que dissemos isso?

Ele acha que somos o rei e a rainha.

- Que pera perfeita. - Marota.

Soph, a fruta é falsa. No cenário é tudo falso.

Incluindo o ator principal.

- Na cara não! - Mais falsidade.

Muito bem, crianças. Obrigado.

Não destruam o cenário.

Às vossas posições. Obrigado.

- Olá a todos! - Céus!

Não, é só o Bert na sala de controlo.

Sophie Straw, estamos no ensaio. Porque não está no figurino?

Estou no figurino, Bert.

Não está no figurino que planeei, Sophie Straw.

Foi decisão minha.

- Não vou acatar ordens de um... - De um quê?

- Continuem. - Vamos lá despachar esta maldita cena.

A Barbara vai entrar com o aspirador.

Não vai ter tanta piada agora que não se vê o decote.

Câmara 1.

Sophie, mostre-me o que vale.

Isto é que é engraçado.

Pois.

Primeiras posições. Ação.

Cecily, querida. Claro que és a única mulher da minha vida.

Jim? Quer que lhe limpe as miudezas?

A palavra miudezas devia ter piada.

Talvez falte a lógica.

Isto pode não ser bom,

mas posso pegar no meu espanador e dizer:

"Jim, posso esfregar nas suas miudezas?"

- Boa ideia, Sophie. Experimente. - Esfregar tem mais piada.

Olá, sou a Cecily.

Quer que eu seja o Jim?

O quê?

Olá.

Encontrei isto no tapete.

Nunca recebi um telegrama.

Espero que estejas orgulhosa.

Primeiro a tua mãe e agora tu. Abandonaram-no.

O coração dele não aguenta.

Há um comboio amanhã de manhã. Apanha-o.

Não posso ir amanhã, tia Marie.

Não podes vir?

Ia desiludir muitas pessoas.

- Vou no sábado. - Sábado?

Sábado já ele deve estar morto.

Não entende, tia Marie.

Não.

Não.

Legendas: Sara Cunha

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