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Original subtitles

DEPOIS DO �DIO

Boa noite, borracho.

Ol�, Lucille, como vai isso? - Bem...

E a tua m�e, Betty? - Vai andando.

Ora aqui tens.

Ent�o, isso vai indo?

Muito bem, e tu? - Tamb�m...

Como est� o Sonny?

Acho que bem...

Vera, tudo bem contigo?

Tudo, e contigo? - Muito bem.

Bebes qualquer coisa? - Aceito, obrigada.

Wild Turkey...

Estou dorida, mete devagarinho. - Sim, minha senhora.

Obrigado, Vera. - De nada.

Que � que tens, amor? Pareces t�o triste...

Estou bem...

Queres comer qualquer coisa?

Conversar? - At� um dia destes, Sonny.

Bom dia, pai.

Esta merda arrefeceu; eu faco-lhe outro.

Que merda fazem aqueles pretos ali fora?

Fiz-te uma pergunta, n�o ouviste?

Macac�ides dum raio... Daqui a nada instalam-se aqui,

sentam-se ao meu lado, v�em a minha televis�o...

Dantes eles sabiam o seu lugar.

Ningu�m aturava c� misturas.

A tua m�e tamb�m odiava pretos.

Manda-os desampararem de minha casa.

Baixa essa coisa.

N�s viemos ver o Sonny... - Quero l� saber quem vieram ver.

Manda-os desandar.

N�o s�o teus amigos? Manda-os dar uma curva!

Por que esperam?!

Se fosse a ti, tinha mais cuidadinho...

Tem tudo o que precisa?

Cuidado ao cirandar pela casa... - Sim, j� sei.

Est� a ver estes dois mi�dos?

S�o meus filhos.

Estavam em minha casa.

N�o precisava de lhes meter medo, n�o lhe iam fazer mal nenhum.

E n�o era preciso expuls�-los a tiro.

Est� a perceber? - N�o os quero no meu quintal.

S�o amigos do seu filho.

Ele tinha-os convidado a entrar e n�o faziam mal a ningu�m.

Quando se quiser armar em cowboy,

sabe onde me encoontrar.

N�o os deixes chegarem-se.

Acho que me ouviu, n�o foi? - E tu tamb�m me ouviste.

Andem, venham-se embora.

Tudo bem, Dappa? - Sim, tudo.

De certeza? - S� que estava solta...

Viste a tua linda obra?

Pe�o desculpa, a culpa foi minha.

Pois foi. - Mas n�o volta a acontecer.

S� paramos quando souberem todos o que fazer.

N�o tens porra nenhuma com isso.

E nem me devias falar assim, visto seres mulher e tudo.

Sou mulher mas sou livre.

Cuidado, Georgia Ann, ele ainda te processa por ass�dio sexual.

Booter, isso vai?

Paga-me s� os 2 e 50... - Espera, tenho-os eu aqui.

Guarda o troco. - Obrigada, mr. Grotowski.

Tal como disse, n�o quero mais broncas, ouviste?

N�o quero ver nenhum de voc�s dando bronca, muito menos tu.

Portanto, quando chegar a hora,

n�o podes fazer merdas.

Ningu�m pode, incluindo eu e os outros todos.

E tu n�o �s diferente de n�s, n�o podes estragar tudo.

Aquele � o filho do Hank. - Est�-lhes nos genes.

Mas se ainda � um puto... - Amanh� j� ser� um homem.

Em lnglaterra chegam a dar uma festa ao gajo, na noite anterior.

Chamam-lhe o Baile dos Monstros.

Eles n�o querem advogado ou sacerdote nenhuns l�,

vamos ser s� n�s os dois.

E n�o podemos pensar o que fez ou nada sobre ele;

� o nosso trabalho, tem de ser bem feito e pronto.

Tenho-me fartado de desenhar. E tu?

Bom, olha, n�o temos muito tempo.

Vou dar-te todos os meus desenhos

e toda a minha roupa porque depois, quando cresceres,

talvez ela te sirva e tu gostes de a usar.

Depois de hoje n�o te vejo mais?

Porqu�?

Porque eu n�o presto. - Quem disse?

Digo eu.

Mas digo-te uma coisa.

Tu n�o �s como eu. - Sou, sim.

N�o, n�o �s.

�s tudo o que h� de bom em mim.

�s o meIhor de mim, � isso que tu �s.

Este homem que v�s aqui sentado � que n�o �s.

Oi, mi�da... Hoje vens muito bonita.

Est�s sempre bonita.

J� contaste ao pap� aquilo da escola, Tyrell?

Ah pois, v�o p�r um desenho meu na capa da revista da escola.

Desenho de qu�, sabes?

V�, diz-lhe, ele est� l� com disposi��o para adivinhas.

Desenhei-te a ti, sentado,

sozinho na cadeia.

O tema era a solid�o...

Muitos parab�ns, meu! Aperta aqui esta pata.

� assim mesmo...

Que � que tem o carro?

Verte �leo do radiador.

Leva-o j� a uma garagem para que um mec�nico o veja,

se aquece de mais arranjas uma grande chatice.

E a casa?

Vou perd�-la, n�o tenho massa para continuar os pagamentos.

Sinto muito, mi�da.

Deixa-me falar a s�s com a tua m�e.

V�, ent�o?

S� vim c� para poderes despedir-te do teu filho.

H� quase onze anos que corro para aqui, Lawrence.

E estou farta.

Farta de vir aqui.

Est� na hora. - J�?

Bom, tenho de ir andando...

S�o horas de ir, Ty.

Mas eu ligo-te, espera junto ao telefone.

V�, tens de me largar...

Por todas as vezes que te magoei, pe�o desculpa.

Minha senhora, venha.

Eu sei o caminho! Anda-te embora, Tyrell.

Como n�o houve apelos, parece que vai mesmo ser hoje.

Est�o todos bem?

Tu, Georgia Ann? - Estou bem.

Dappa, o capuz?

Arranjado e pronto a ser usado.

Querem dizer alguma coisa?

Ele gosta de desenhar, isso acalma-o.

Desenhar... Est� bem.

Phil, d�s-lhe tudo o que for preciso para ele desenhar?

Bom, Tommy, conduzes tu hoje a ora��o?

Abrir cela 1 3!

Venho buscar as tuas coisas.

Ficai sabendo que o Senhor salva os Seus ungidos.

V�s v�-lO-eis no Seu c�u

e � forca salvadora da Sua m�o direita.

Cuidado com isto. - Descansa, n�o vai haver azar.

Fechar a 1 3!

Descanso � s� o que me resta.

...Uns em quadrigas, outros a cavalo,

mas recordando todos o nome do Senhor Nosso Deus.

Eles trouxeram os ca�dos, que se reergueram e est�o de p�.

Deus, permite que o rei nos ouca ao chamarmo-lo.

Vou p�r-tas mas sem as apertar.

Vai tudo correr bem, sim?

E o meu �ltimo telefonema?

O director diz que � m� ideia.

Vira-te.

E se ligasse ele ao meu filho e dissesse que eu tentei?

N�o deve dar.

Abrir a 1 3!

Anda.

Fechar a 1 3!

Eu n�o demoro nada, n�o saias da�.

O meu papel e o l�pis?

Tenho direito a papel e um l�pis.

Eu sei e j� v�m a caminho.

Est� prometido.

Obrigado.

De nada.

Toma l�, Lawrence.

J� acabaste?

Deixa ver.

Est� muito bem, mesmo.

Melhor do que sou em pessoa.

Obrigado. - De nada.

Tu est�s bem?

Respira fundo.

Sonny, senta-te.

Mandei-te sentar, n�o ouves?

V�, Lawrence, tem calma...

V� l�, larga isto.

V�, larga, est� tudo bem...

Sempre achei que um desenho

captura bem melhor uma pessoa do que uma fotografia.

Porque s� um ser humano sabe como ver um ser humano.

Espera a�, chega c�.

Que raio � isto, Tyrell?

Que te disse eu sobre comeres essas merdas?

N�o te proibi de comer essas merdas?!

Olha para ti, para estas banhas. Olha-me este teu cu!

V�-me s� tanto chocolate...

Vais l� comer tanto chocolate!

E a porcaria deste quarto!

Sabes o porqu� de tanta porcaria? Porque � onde vive um porco!

Sobe-me para a balan�a!

Sobe para ela! Que � que diz?

86 quilos...

Ent�o n�o perdeste peso nenhum!

V� l�, anda...

Vem para a sala esperar pelo telefonema do pap�.

Foi ordenado e decidido que o ju�zo pronunciado nesta inst�ncia,

condenando o r�u � morte segundo as normas vigentes neste Estado,

seja cumprido neste dia.

Lawrence Musgrove, tem alguma coisa que gostasse de dizer?

Prima o bot�o.

Sabes o que fizeste? Tu sabes o que fizeste?!

Tu est�s-me a ouvir?!

Tu sabes o que fizeste?! Sabes o que fizeste?

Fodeste os �ltimos passos da vida daquele gajo!

Gostavas que algu�m te fodesse os teus �ltimos passos?

Sa�ste-me igualzinho � puta da tua m�e!

N�o devias ter feito isso...

P�e-te de p�, meu panasca! Anda c�!

Um merdas, � o que tu �s! Est�-me a ouvir?!

Tira-me essas patas de cima, preto dum raio!

Nem parece teu... - Parece meu, sim.

Parece meu e sou quem te pode deixar sem emprego!

Nunca mais deixes que te apanhe a tocar num superior!

Ouviste bem? - Ouvi!

E de ti, nem uma palavra. - S� quero harmonia...

Meu grande merdas!

Est�s a sangrar, a�.

De p�, j�.

Quero-te fora de minha casa, e j�.

P�e-te tu na rua!

Estafermo dum raio...

Que � que vais fazer, h�?

Que � que vais fazer?!

Que tal, gostas assim?

Ainda �s muito teso, �s?

Diz qualquer coisa.

Diz qualquer coisa!

Levanta-te.

Tu odeias-me...

Responde.

Odeias-me, n�o �?

�, odeio-te.

Sempre odiei.

E eu sempre te amei.

Espera, aonde � que vais?

Vou p�-los na parede.

Quanto marca? - 2 d�lares e 85.

Billy, juro que visto a bata a correr e come�o j� a trabalhar.

N�o precisas. - O carro voltou a dar problemas.

N�o houve um dia desta semana que chegasses a horas!

Billy, eu preciso deste dinheiro, vou ficar sem a minha casa.

Olha, e se fosses para casa e tirasses uns dias?

Nem sequer devias a� estar.

Pois n�o, por isso devias ter-me dado esta semana.

E paga. - Olha, j� contratei outra.

Vamos a despachar isto.

H� alguma passagem que gostava que eu lesse?

S� quero ouvir a terra embatendo no caix�o.

Ele era fraco...

Depois de enterrado, pode dizer qualquer coisa se quiser.

Como est�? Quer ver a ementa?

N�o � preciso, eu sei o que quero.

Ent�o pronto, diga.

Uma ta�a de gelado de chocolate e um caf�.

Quer com a��car, natas...? - N�o, sem nada.

� s� isso. - S� isso?

Vera, � o Hank.

Falo muito tarde?

Ora aqui tem, gelado de chocolate...

D�-me uma colher de pl�stico, para o gelado?

Rais partam! Pe�o muita desculpa...

N�o tem import�ncia. - A s�rio, foi sem querer...

Traga uns guardanapos, sim?

E disse que queria...? - Uma colher de pl�stico.

A Lucille? - Estou eu no lugar dela.

Queria pagar...

Que � que isso tem?

Devo-me ter enganado na quantia...

Se n�o a consegue abrir, diga quanto � e eu pago-lhe.

3 d�lares e 92.

Tome quatro e guarde o troco.

Obrigada.

Ol�, cowboy, apeteceu-te uma queca na madrugada, foi?

H� muito que n�o te via?

N�o me ando a sentir grande coisa.

E sempre com isto ou aquilo para fazer, sabes como �...

E contigo, isso vai? - Vai indo.

Como est� o Sonny?

Hoje n�o vou ser capaz, Vera. - De certeza, amor?

N�o vou mesmo... Desculpa.

N�o precisas de pedir, fica para outra vez.

Podes ficar com o dinheiro. - J� tencionava.

Ad�os.

Sente-se, Hank.

Obrigado, e agrade�o-lhe muito ter-me recebido.

Ent�o, que o traz c�?

Decidi despedir-me,

e n�o quis deixar de lho vir dizer pessoalmente.

Agrade�o a aten��o...

Mas e se esperarmos umas semanas antes de preenchermos os pap�is?

N�o ia levar a lado nenhum, a minha decis�o est� tomada.

Est� bem...

Vai fazer-nos falta.

Trouxe o meu distintivo...

Porque n�o fica com ele? - N�o me ia servir de nada.

Aqui tem, pai.

N�s temo-nos um ao outro, filho.

Lembra-te disso.

Eu despedi-me.

Foi asneira da grossa.

J� n�o ia ser capaz.

Fazes lembrar a tua m�e.

E isso � mau, calculo?

A tua m�e n�o servia para nada.

Para mim foi s� um estorvo.

Tive mais rata depois de ela se suicidar

do que durante o tempo todo que foi minha mulher.

Mas o que interessa aqui � que me deixou � nora.

E tu est�s a fazer o mesmo.

Rais partam!

Anda embora, d�-me a minha mala.

Porqu�, que � que foi? - Temos de ir a p�.

Tyrell, sai do meio da rua!

N�o fa�as isso, p�ra quieto!

A s�rio, isto � exactamente o que andava � procura.

Apesar de ser a mais cara de todas.

Mas se est�s disposto a reduzir um pouco o pre�o...

Quem sabe se, conversando, n�o chegamos a um acordo?

Olha, d�-me uns dias para pensar. Tens o meu n�mero...

Tive muito prazer, gostei de falar contigo.

Anda, T., vamos embora.

� assim que v�s a tua m�e? - Mais ou menos...

Vejo-te amanh� de manh�? A ti tamb�m, mi�do.

V�, p�e-te de p�!

Anda, T., levanta-te!

Socorro, espere!

Volte para tr�s!

Por favor, fofo, acorda.

Foi atropelado por um carro!

Temos de o levar j� ao hospital!

Vai ser precisa uma maca, trago ali um puto muito ferido.

Vamos precisar de ajuda.

� a m�e do menino?

Acompanhe-me, sim?

O mi�do � seu?

Que houve?

Acho que foi atropelado.

Aquela que entrou ali � a m�e e diz que foi atropelado.

E o condutor fugiu? - Realmente, n�o fa�o ideia.

Se houve atropelamento e fuga, tenho de fazer um relat�rio.

Bolas, nem sequer os conhe�o, eu sei l� o que ia escrever.

Fique, conte � Pol�cia o que fez, o que viu...

� coisa de cinco minutos.

Sei que n�o se deve mexer em pessoas atropeladas,

mas que outra coisa podia fazer?

O puto estava ali na estrada, a mulher estava hist�rica...

Pensei que o melhor era met�-lo no carro

e traz�-lo o mais depressa que podia, e foi o que fiz.

Fez um bom trabalho... Portanto, ia s� a passar?

lsso, ia s� a passar por l�, n�o a conheco nem nada.

Vou dar-lhe o meu cart�o.

Se surgirem mais elementos, prosseguimos a investiga��o.

E podemos contact�-lo, se for preciso?

Fa�o o que for preciso... - J� tenho aqui o seu n�mero.

� s� isto? Posso ir?

Pode, claro. Obrigado.

Mas e o puto, safou-se?

N�o, ele morreu.

Mrs. Musgrove, vai ficar com o meu cart�o;

se se lembrar de seja o que for n�o deixe de me ligar, sim?

E lamento muito.

D�-me alguma coisa com que a limpar...

Tome a sua mala. - Ele morreu...

O meu beb�... - Eu sei, minha senhora.

Vai lev�-la a casa?

Mas se mal a conheco...

Eu levo-a a casa. - Acho boa ideia.

Faz-me um favor e deita isto fora?

Muito agradecido.

Onde � que vive?

A senhora vai ter de me dizer onde vive.

Vou abrir a sua carteira...

Quero que saiba que s� a abro para ver se encontro uma morada.

Era melhor chamar algu�m da sua fam�lia ou um amigo qualquer...

Porque eu vou ter de ir.

Acha que fica bem?

A Pol�cia disse que ligasse de manh� para os lnqu�ritos.

Como disse?

Amanh� ligo para os lnqu�ritos, eles v�o fazer-lhe uma aut�psia.

Mas n�o percebo, aut�psia para qu�?

Foi atropelado por um carro.

Talvez os possa ajudar a descobrir quem foi.

Julga mesmo que v�o conseguir?

Julgo que v�o fazer o melhor que sabem, sim.

Ele era um mi�do preto; acha que se v�o mesmo ma�ar?

Tome a sua mala; vou deix�-la aqui no ch�o.

Tenho realmente muita pena.

Mr. Grotowski, tivemos muita pena do que aconteceu ao Sonny.

Gost�vamos muito dele. - E estamos muito tristes.

Qual de voc�s � o Willie e qual � o Darryl?

Ele � o Willie, ele o Darryl.

Agrade�o-lhes muito.

la agora para o Caf�; quer que lhe d� boleia?

N�o se importa mesmo?

Como � para l� que eu ia...

Gosta desta m�sica?

Porque posso p�r outra.

N�o tem carro?

Avariou-se, ando a poupar para comprar outro.

Tenha um bom dia de trabalho, ouve?

Pai, olhe o que tenho aqui. - Que chaves s�o essas?

Comprei uma bomba de gasolina.

N�o me digas?

J� est� comprada e paga, agora � nossa.

Qual nossa, o dono dela �s tu.

Eu c� n�o a comprei.

Faltava l� comprar agora uma bomba...

N�o me diga?

Eu tinha continuado a fazer o que sabia.

Que era o qu�? - Guarda numa pris�o.

Pois eu agora j� n�o sou guarda, sou dono de uma bomba.

J� fechei o neg�cio, � tarde de mais para recuar.

Arranjo-lhe alguma coisa para comer?

Ora aqui tem...

Como � que isso vai?

Vou indo bem... N�o come nada?

Um gelado de chocolate. - Com uma colher de pl�stico.

lsso mesmo.

N�o quer mais nada?

N�o v�o sendo horas de largar?

Quer que lhe d� boleia?

N�o lhe podia pedir isso... - Fica no meu caminho para casa.

De certeza que n�o se importa? - N�o, tenho muito gosto.

Fica na Prospect Street. - E a do Clement?

Comprou a bomba do Clement?

Eu conhe�o-o... E n�o o suporto.

N�o vai dirigi-la ele, vou eu. - Ainda bem.

Obrigada pela boleia.

Posso perguntar uma coisa?

Por que me ajudou?

Que quer dizer?

Quando nos levou ao hospital. Fez isso, porqu�?

N�o sei, acho que por...

Porque era o que devia fazer.

O meu filho morreu.

Ele morreu e...

Eu nunca fui muito bom pai.

Ele era bom rapaz.

E acho que eu s�...

Quando vi o que estava a passar,

fez-me pensar em alguma coisa, lembrou-me alguma coisa...

Sabe como � quando pensa nem conseguir respirar?

E quando n�o sa�mos...

De dentro de n�s pr�prios, sabe como �?

N�o quer entrar?

Adoro estas cortinas.

Trouxe as cortinas fiadas.

Nunca ouvi falar de ningu�m que comprasse fiadas cortinas...

E que � que diz, n�o as acha t�o giras?

Adoro aquelas cortinas. - T�m um encarnado bonito, sim.

Comprei-as c� fiadas,

e o homem da loja disse-me...

Que n�o tinha ordens para isso.

Mas deve ter gostado de mim, deixou-me traz�-las fiadas.

Vi logo que cortinas vermelhas iam ficar bem em minha casa.

Por isso trouxe-as e agora tenho cortinas vermelhas.

Caramba, a isso � que chamo emborcar whiskey.

Deus nos valha...

O meu marido costumava adorar o seu Jack Daniels.

Como est� aqui escrito, ele � bom...

Espere a�, vou mostrar-lhe uma coisa.

Que traz a�, o livro do ano da escola ou coisa assim?

N�o, estes desenhos...

O que v� aqui s�o os desenhos do meu marido.

Foi o Lawrence, o meu marido, que os desenhou.

Morreu electrocutado aqui perto, na Jackson.

Fez tanto que...

E estes aqui s�o do meu filho, do Tyrell.

Desenhou ele estes, todos estes aqui s�o dele.

Herdou o jeito para desenhar do pai, acho.

Foi a �nica coisa que aquele preto jamais deu ao filho,

ensinou-o o desenhar.

� coisa de fam�Iia, parece...

Ela era bom menino. Era mesmo bom menino.

Era t�o bom...

E gostava a s�rio de mim.

Gostava mesmo de mim. - Eu percebo...

Era t�o gordo!

Era t�o gordo, enfardava...

Fosse o que fosse que eu trouxesse para casa, sumia.

N�o importa o qu�! Se trazia frango da Popeye,

antes de poder dar uma dentada j� o puto o tinha comido todo!

Comia at� rebentar!

Nunca viu ningu�m comer como...

Comia chocolates e gumballs...

Obrigava-me a lev�-lo ao super do K-Mart

e fartava-se de meter moedas naquela m�quina de gumballs.

E n�o descansava enquanto n�o apanhava a vermelha.

Tinha sempre de apanhar a gumball vermelha.

Devia ser um mi�do de for�a, estou a ver?

Apanhava a gumball vermelha e s� descansava depois de a comer.

Eu fui uma boa m�e,

n�o passou um dia que eu n�o fizesse...

Fui uma m�e muito, muito boa.

N�o queria que o meu beb� fosse assim gordo,

porque quem � homem e preto, na Am�rica, n�o pode ser.

E tentei que ele...

Fartava-me de lhe dizer, N�o podes ser assim gordo,

na Am�rica n�o se pode ser assim t�o gordo, e preto.

N�o sei o que quer que fa�a...

Quero que...

Quero que me fa�a sentir melhor.

Faca-me sentir melhor.

Fa�a que me sinta bem, faca-me sentir bem.

Pode fazer-me sentir bem? Pode fazer-me sentir bem?

Pode fazer-me sentir bem?

Faca-me sentir bem!

N�o tenho por que me fazer sentir bem...

Fa�a-me sentir-me bem, faca-me sentir-me bem.

Eu quero sentir-me bem, quero sentir-me bem...

Eu tamb�m me senti.

Eu precisava de ti. Precisava tanto de ti...

H� tanto tempo que eu n�o sentia nada...

Obrigada.

J� est�s melhor?

Ter vomitado n�o teve nada a ver contigo, ouves?

Pai?

Estou na merda da casa-de-banho!

Que � que lhe aconteceu?

Torci um tornozelo quando quis tomar banho.

Bolas, n�o lhe recomendei que tivesse cuidado?

Mexa os dedos.

Sentiu alguma coisa?

Que me estou a afundar.

Que quer dizer? - Que j� n�o sirvo para nada.

Pare com isso. - Nem sequer lavar-me consigo.

N�o consigo ir � cozinha sem cair,

n�o consigo atender o telefone antes de parar de tocar...

J� nem homem me sinto.

Mas � um homem, pai.

J� nem me lembro a que cheira uma mulher.

Est� ali um homem. - Onde?

Como est�?

Ol�, como est�? - Bem...

Que posso fazer por si?

Tenho ali fora um Comanche de 89

a precisar de uma lubrifica��o, de velas,

e lembrei-me se n�o queria tratar disso.

E precisava dele para quando?

O mais depressa que pudesse.

Maggie, larga j� isso, p�e isso no ch�o.

Se lho tiver pronto ao fim da tarde de amanh�, serve-lhe?

Agradecia muito.

E talvez os seus dois filhos, se n�o tivessem nada que fazer,

o pudessem lavar, polir e tudo?

� que penso vend�-Io. - Est� bem.

Eu pergunto-lhes, mas de certeza que n�o se h�o-de importar.

Posso l� aceitar...

Era do meu filho,

e ele daria muita import�ncia a que fosse �til a algu�m.

N�o disse que n�o queria.

S� que n�o o posso aceitar.

Eu quero que seja teu, a s�rio. Significava muito para mim.

Damos uma volta nele?

Nem sequer cal�ada estou...

Deixa isso, n�o vamos longe.

S� para sentires a condu��o.

Que � isto? - Uma alavanca de mudancas.

E aqui tens o seguro, o t�tulo de registo, os pap�is dele todos.

Gostava muito de te ver hoje.

Eu tamb�m gostava... - A s�rio? N�o te importas?

Ent�o at� logo.

J� est� bem...

� a Leticia!

Vou entrar, Hank!

Quem � voc�?

Entrou pela minha casa dentro? - Pe�o desculpa...

Vinha � procura do Hank?

Vinha, ele est�?

Quem � voc�?

Chamo-me Leticia Musgrove.

E eu e o Hank somos...

Amigos.

Diz-me c�, meu amor,

n�o tens a� um cigarro?

Parece-me que devia fazer tudo menos fumar...

V� l�, tens ou n�o?

Lume?

Ent�o, o Hank est�?

Deve estar a� a aparecer.

Chamo-me Buck e sou pai dele.

lsso � para o Hank?

�, � uma prenda.

Eu depois dou-lha.

Rais partam!

Alguma coisa deve ter feito bem para merecer um chap�u t�o bom.

�, pois deve...

Na minha juventude tamb�m tinha queda para carne preta.

O Hank saiu ao pai.

N�o se � homem enquanto n�o se racha lenha da escura.

Leticia? Espera!

Aonde vais?

Que foi? - Conheci o teu pai.

Tira-me a m�o de cima!

Que fez ele para... - J� n�o tem import�ncia.

Larga-me duma vez!

N�s somos fam�lia.

Sou teu pai, lembra-te disso.

Qual � o teu problema?

Parece estar tudo... - Obrigada.

N�o preenchi a �ltima linha do fundo...

Essa linha a�.

V�o cuidar bem dele, n�o �?

Porque quero que morra em paz.

Deve gostar muito dele?

N�o, nem por isso.

Mas � meu pai, que � que vou fazer?

Prometeram amanh� instalar aqui um televisor.

Livraste-te de mim finalmente, foi?

Eles tomam boa conta de si.

H� um telefone ali no corredor, de onde ligar.

Ent�o, chegou a hora... - E o que parece.

Estou de p�s e m�os atados.

Tamb�m eu.

N�o quero morrer assim...

Tamb�m eu n�o.

Adeus, pai.

Queres que te devolva o carro? - N�o, quero l� que mo devolvas.

Quis que fosse teu.

Quis que soubesses que o pus num lar.

N�o tenho tempo para falar. - Mas quero que fales comigo.

Como vai isso, Ryrus? - E o senhor?

Bem... - Quem � a Leticia?

A minha namorada.

Gabinete do Xerife!

Quem me est� aos murros � porta? - Horas de se p�r a andar.

N�o, espere, espere. - Acabou-se o prazo.

N�o, resolva isso com o senhorio que depois vou-me logo embora.

Eu tenho dinheiro...

Sugiro que se v� vestir.

Na rua n�o me p�e!

Eu tenho o dinheiro, s� o estava a poupar para...

Pintei o tecto e a parede, dei-lhe uma arrumadela...

Achei que ia sendo altura.

Eu trago os teus pertences para n�o teres de te ralar.

Vou fazer umas tantas coisas para a cozinha,

portanto se quiseres descansar, p�r-te � vontade...

Faz o que te apetecer.

lsto era do Tyrell.

Achei melhor p�-la aqui, este era o quarto do meu filho.

Est� bem, toma.

Podes entrar, se quiseres.

Posso v�-las? - Claro, � vontade.

Esse a� � ele.

N�o se parecia contigo.

Pois, sa�a � m�e.

N�o me importo de dormir no quarto em frente,

se preferires dormir sozinha...

N�o, ia sentir-me assustada, se me deixasses aqui sozinha.

Quero que te sintas � vontade, c�.

Tamb�m quero que te sintas � vontade.

E quero cuidar de ti.

Ainda bem, porque bem preciso que cuidem.

Posso tocar-te?

Sentiste aquilo?

Se senti...

E soube-te bem?

N�o te magoei nem nada?

N�o duma forma m�...

Que foi?

Nada, lembrei-me de...

Vou sair para comprar gelado.

Agora?

� o que me apetece.

Compras para mim tamb�m?

Pode ser... De qual gostas?

De chocolate.

Comprei gelado de chocolate.

Sentes-te bem?

De certeza?

Est�s muito bonita.

Vem sentar-te nos degraus, queres?

Anda.

Passei pela nossa bomba ao voltar para casa.

Gosto daquele cartaz.

Acho que vamos ficar bem.

Traduc�o de Correia Ribeiro

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