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Original subtitles

VEM COMIGO

- Bom dia. - Bom dia.

Gostaria de ir tomar um café ou assim?

Porquê tomar um café?

Para quebrar o gelo. Quero sair consigo.

Podemos avançar essa etapa.

Não. Quero sair consigo normalmente.

De graça.

Porque haveria de ser graça para ti?

Porque sou contra a prostituição.

Não se compra o corpo dos outros.

Não?

Gosto muito de si.

Certo.

Todos os homens me dizem isso.

Duvido disso.

Senão iam ter com outra.

Mas é consigo que quero fazer amor.

Não quero apenas dar uma e ir embora.

Não quer ir tomar um copo e conversar?

Não tenho tempo. Estou à espera de alguém.

Depois, então?

É a tua primeira vez?

Não faz sexo fora do horário de trabalho?

Até sou casada.

- Nunca o trai? - Não.

Mais uma coisa parva...

Faço-lhe coisas que os seus clientes não fazem.

Tenho de ir.

Este é o meu número.

Liga-me?

Promete?

Estou?

Médéric?

É o próprio.

Tenho uma hora livre depois do trabalho, às oito. Estás livre?

Sim, claro.

Encontramo-nos às 8:15 no Hotel de France, está bem?

Na rua onde nos conhecemos. Pergunta por mim.

Isadora.

Pergunto pela Isadora, apenas?

Sim.

Até logo.

Até logo.

Boa noite.

Isadora, por favor.

Quarto 205. Segundo andar.

- Obrigado. - Ao seu dispor.

Entra.

- Tudo bem? - Sim.

O que estás a ver?

Qualquer coisa.

Engraçado.

Decides parar de trabalhar às oito?

Todos os dias?

O meu marido não gosta que eu chegue tarde.

Não há problema?

Concordas que seja de graça?

Calma, calma...

Não exageres.

Juro que estou a gostar. Não tens de pagar.

Há dois mortos e vários feridos.

- Não sentes nada? - Acho que houve um atentado.

Que merda.

Foi aqui.

- Em Clermont? - Na Place de Jaude.

Para.

Tenho de ir.

Quero comer-te.

Quero vir-me nas tuas mamas.

Para. Não podemos continuar.

Só demoro cinco minutos.

Não podemos fazer nada.

Estou com tanta vontade.

É muito grave.

Então? Não te incomodes.

Estava preocupado.

Também eu. Ia ligar-te quando ele acabasse.

Belo dia para horas extra.

Conseguia ouvir-te lá fora.

O mundo não para de girar por causa de um atentado.

Porque não atendeste?

Ele estava a demorar muito.

Devolve-lhe o dinheiro.

Não é preciso.

Lamento.

Há muita agitação por aqui.

É uma situação caótica.

É difícil saber o que aconteceu.

Houve alegadamente disparos

e um ataque de machete.

Já viu as notícias?

Sabe-se quem foi?

Tenha cuidado. Os terroristas podem ainda não estar mortos.

São 30 euros.

Obrigado.

Tem jeito para as mulheres.

Aposto que ela faz o mesmo com todos.

Não assim.

Consigo aconteceu mesmo alguma coisa.

Não se importa de empregar crianças?

A Charlène não é uma criança.

Ela está no oitavo ano.

Pronto, adeus.

Adeus.

Senhor?

Tem cinco euros para uma sandes?

Não me assuste assim.

Depois de um atentado.

Por eu ser árabe?

Não podes tirar o carapuço para falar com as pessoas?

Tenho frio sem o carapuço.

Não estou envolvido naquilo.

- Só pedi dinheiro. - Calma. Estamos todos agitados.

Tem cuidado.

Não comi nada hoje.

Não me pode dar mais um pouco?

Dois euros já é bom.

Nem dá para um kebab.

Vá, boa noite.

Um grupo atacou pessoas aleatoriamente com machetes.

De acordo com testemunhas,

gritaram "Allah Akbar".

Dois atacantes foram abatidos,

mas outros podem ainda estar em fuga em Clermont.

Suspeita-se que tenham um cinto explosivo.

Por isso, as autoridades pedem que fiquem em casa.

A situação permanece perigosa em Clermont-Ferrand.

Bem-vindos, novos espetadores.

Continuamos a acompanhar

o ataque desta noite.

A taskforce do terrorismo reuniu-se há momentos.

É conhecida a identidade do primeiro atacante:

Um franco-marroquino de 20 anos

fã de artes marciais e de armas antigas.

Vivia com a mãe numa aldeia

e era desconhecido da polícia.

Não há informações sobre o segundo atacante.

A sua identidade é um mistério.

Ele não tinha cadastro policial e vivia com a sua mãe.

Não há novidades sobre o segundo atacante.

A sua identidade é um mistério.

As câmaras de vigilância de um centro comercial

revelam um terceiro homem. A polícia diz...

Estou?

- Bom dia. - Sim?

Este é o número da Isadora?

És o homem de ontem à noite?

Não, não era eu.

Não a vejo há algum tempo.

Posso falar com ela?

Porquê?

Para um encontro.

Vou passar-lhe.

- Estou? - Sou eu. Quero muito ver-te.

- Eu também. Quando? - Não sei...

Sim, quinta-feira, às 17 horas.

- Em minha casa? - Até quinta.

Sim.

Estou?

Boa tarde.

- A Isadora está? - Não.

Não sabe quando volta?

Acha que sei a agenda dela?

Ok, não vou insistir.

HAVIA UM TERCEIRO HOMEM?

Não se pode afeiçoar assim à Isadora.

Só vai arranjar problemas.

Só a quero ver.

O marido dela é ciumento. Não quero problemas.

Somos um hotel reputado.

Ok.

- Adeus. - Adeus.

Boa noite.

Posso entrar, por favor?

Só uma hora ou duas e prometo que vou embora.

Por favor.

Entra.

- Salvou-me a vida. - Não é nada.

Ele poderá ter iniciado os ataques.

Contra a vontade dos seus colegas talvez por ódio à cidade.

Parece que o grupo não estava de acordo.

Trouxe-te roupa seca.

Obrigado.

Muito obrigado.

- Também levo isto? - Não. Obrigado.

- Não está molhado? - Não, obrigado.

- Posso secar tudo lá em cima. - Não.

Prefiro ficar com elas.

Onde as vais secar?

Ali.

Não passes a noite toda aqui.

Não, prometo, senhor.

Tens para onde ir?

Boa noite, daqui fala a PSP.

Boa noite, senhor.

Estou a ver a fotografia.

Penso que o terceiro terrorista poderá estar à minha porta.

Como assim?

Não tenho a certeza...

É difícil ter uma ideia com esta foto.

Porque acha que poderá ser ele?

Ele está na rua. Não tem para onde ir.

É raro ver um árabe sem-abrigo.

Ele também tem um cinto estranho.

Qual é a espessura de um cinto explosivo?

Onde está?

- Rua Ledru. - Em Clermont?

O que é que ele faz aí?

Ele disse-me que queria sair da chuva,

para se aquecer e eu deixei.

Vamos mandar alguém. Nome e morada.

Se não for ele, depois não me culpem de nada.

Não, fez bem em ligar-nos. O seu nome?

E o cinto explosivo?

Não é provável, mas nunca se sabe.

O seu nome e a morada. Alguém virá.

O homem pode ter agido sozinho

por razões desconhecidas.

Uma fonte dentro da polícia disse

que havia discórdias dentro do grupo.

- Não se mexa! - Deixaram-me entrar!

Mãos para cima! No ar!

Entra.

- Como está, senhor? - Bem.

A Isadora não está.

O Sr. Renard já vai descer.

Sabe onde ela vive?

Pode lê-lo mais tarde?

Trabalha aqui todos os dias?

Venho depois da escola. Quero trabalhar aqui.

Não és um pouco nova demais?

O Sr. Renard é simpático.

Ele deixa-a aqui sozinha muitas vezes?

Nem por isso.

Ele é da sua família?

Boa tarde, senhor.

Boa tarde.

Hotel de France. Fala a Charlène.

VEM TER COMIGO À CATEDRAL AMANHÃ ÀS 13. COM CARINHO, ISADORA.

ATAQUE DE CLERMONT: SUSPEITO DETIDO EM SAINT-ÉTIENNE

Estou tão feliz por te ver.

O meu marido está desconfiado.

- Não chegamos muito longe. - Longe o suficiente.

- Vamos para minha casa. - Não há tempo.

Ei!

Para!

Pode seguir aquele Audi?

Discretamente?

Sim, por favor.

Espera!

Não me batas a porta na cara.

- Tu enervas-me! - Para de gritar!

- Boa tarde, PSP. - Sim, bom dia.

Uma mulher está a ser violentada,

mas não tenho a certeza.

Vou mandar alguém em prevenção. Onde está?

Rua de Gergovie.

- 38? - Exato.

Já não vamos a essa morada.

Como assim?

Estou?

Procura alguém?

Não...

Estava a fazer uma chamada.

Vem de longe?

Porque me perdi.

Não gostamos de ver homens sós por aqui.

Quero voltar ao centro da cidade.

Se tem carro, é por ali.

Por ali, se for a pé. Mas está longe.

Estou a pé.

O que faz aqui?

Uma senhora deixou-me entrar.

Pediu-me para ser limpo.

Vais ficar por aqui? Não te arranjaram um sítio?

Não. Deixaram-me ir embora.

E voltaste para aqui?

Não tenho para onde ir.

Agora sabe que sou inocente.

- Porquê? - Deixaram-me ir.

- E os teus pais? - Estão em Lyon. Não quero voltar.

Morreria lá, juro.

Preferes estar na rua?

Não é para sempre.

Senhor?

Posso usar a sua sanita?

Por mais louco que pareça, as testemunhas concordam:

Não gritaram "Allah Akbar",

mas o nome "Omar".

É fácil especular.

Porquê gritar o nome de um cúmplice?

Foi vingança?

Acabaste?

Já vou sair.

Pode emprestar-me isto até amanhã?

Está bem.

Importa-se que tome banho, por favor?

Posso só ver o meu e-mail enquanto me seco?

Não vou demorar muito.

Claro.

Obrigado.

Vai comprar um kebab.

Vou ficar lá fora.

- Eu abro a porta. - Jura?

Prometo. Toca no "Roman."

Obrigado.

- Até logo. - Sim.

- Sim? - Boa noite.

Boa noite.

Não devia deixar entrar aquele miúdo.

- Não deixei. - Quem foi?

Não sei.

É inofensivo.

Foi preso por alguma razão.

Eles libertaram-no.

Eles não tinham provas, e depois?

Porquê correr o risco?

Boa noite.

Sr. Coq, sabe quem deixou entrar o miúdo?

Não, eu só o alimentei.

Brilhante ideia! Agora nunca mais vai embora.

A culpa é do Sr. Roman.

Estava a chover. Não o podia deixar lá fora.

Então porque não lhe oferece casa?

Não o quero aqui.

Nem eu.

Nem na escadaria.

Viu a sua bandeira negra?

O que tem?

Uma bandeira negra em árabe. Não lhe diz nada?

Viu escrituras em árabe?

O Sr. Laur contou-me.

- Como é que ele viu? - De casa dele, com binóculos.

Ter uma bandeira do ISIS não faz dele terrorista.

É estranho ele a ter na sua mala.

Também é estranho ser sem-abrigo.

É raro para um árabe.

Prova que ele é inocente.

Como assim?

Os terroristas têm refúgios.

Eles não dormem em escadarias.

Agora acontece em todo o lado.

Veja o que um tipo num camião pode fazer!

Verdade. Qualquer um se pode passar.

O que se passa?

Deixou o rapaz entrar?

Só lhe dei um cobertor.

Tem noção?

Também não gostaria de ser ajudado?

Eu não sou um jihadista!

O Sr. Laur disse isso?

O Sr. Laur diz disparates.

- Baseado em quê? - Anos de experiência.

O miúdo não pode ficar aqui para sempre!

Só até ele se encaminhar.

Ele vai encontrar um abrigo.

Mantê-lo aqui só agrava os seus problemas.

Pelo menos está ao quente...

Alimentá-lo mantém-no vivo.

Pode dar-lhe esperança e confiança,

e até mantê-lo vivo.

Ou dissuadi-lo de futuros ataques.

Claro, se eu estivesse a congelar nas ruas,

quem sabe o que eu faria?

Ele vai atrair a escória local.

Nunca nos veremos livres deles.

Então, expulsem-no.

Mandem-no para o frio, mas eu não.

Não vale a pena se alguém o deixar entrar a seguir.

Temos de concordar.

Só uma ou duas noites.

Depois podemos decidir.

Isto é que é a França!

Não fazemos nada, esperamos e vemos...

SÉLIM, ONDE ESTÁS? POR FAVOR, RESPONDE.

OS PAIS ESTÃO PREOCUPADOS. QUANDO VENS PARA CASA?

VÊ ISTO, SÉLIM. É DE LOUCOS!

ACESSO NEGADO DEVIDO A CONTEÚDO TERRORISTA

Procura alguém?

Não.

Vou por ali.

Não vamos falar de trabalho.

A minha oferta interessa-te, certo?

Claro.

Vamos?

Talvez outro dia?

Quando podes começar?

Meados de janeiro seria ótimo.

Começaríamos devagar. Algumas horas por semana.

Ou começo ou não começo.

Ok, então.

Queres trabalhar comigo ou...?

Claro que sim.

Não aparece.

Acabaram de cancelar o meu encontro.

Convidas-me para tomar um copo?

Não, Florence.

Tenho de acordar cedo amanhã.

Falamos na sexta à noite

ou na quinta à tarde.

- Vives aqui? - Sim.

Apenas uma bebida rápida para planear a chamada de sexta-feira.

A minha namorada está a dormir.

- Tens uma namorada? - Sim.

Não podes ter uma amiga em casa?

Não vamos fazer barulho.

Vá lá, nunca trais?

Tento não trair.

Não deviam estar cá fora.

O que tem a ver com isso?

Não é altura para beijar cá fora.

Essa é boa! Na verdade, é a altura perfeita.

Não deveria estar a apanhar terroristas?

Também fazemos isso.

Cuidado, senhora. Viu o meu distintivo.

Sou dona de um negócio. A espinha dorsal deste país.

Quero viver em paz.

Florence, é o trabalho dele.

Peço desculpa. Ela bebeu demais.

Estamos todos nervosos.

Rua Ledru e Reynaud para intoxicação pública.

Intoxicação pública? O quê?

Estou bem e de pé.

- O que é? - Estou sóbria.

Quero um teste do balão. Não têm direito.

Sim, temos.

Prendem bons cidadãos,

enquanto os jihadistas andam em liberdade.

Florence, vou para a cama.

Também devias.

Falamos amanhã, está bem?

- Anda! - O que se passa?

Vou pôr um colchão em minha casa.

Não, estou bem.

Quero dormir.

É mais confortável. Anda.

Não tens amigos?

É estranho.

É fácil fazer amizades com a tua idade.

Assim, evito problemas.

Não te aborreces?

Vais deixar-me fazer a cama sozinho?

Não vais tirar a roupa?

Não, estou demasiado cansado.

Fala a PSP.

Há muçulmanos radicalizados na minha sala de estar.

Radicalizados, como?

Eles estão a rezar tão devotamente.

Já telefonou antes?

Desta vez é urgente!

Começamos a desconfiar.

Pode enviar fotografias?

E se eles virem?

Tenha cuidado.

Levanta-te.

Ainda tenho sono.

Tenho de ir. Não te vou deixar sozinho.

Vou portar-me bem. Vou dormir até voltar.

Não te conheço,

nem sei de onde és...

De Lyon. Eu já lhe disse.

Deixarias um estranho em tua casa?

Sim.

- Não. - Como sabe?

Aposto que não deixarias. Mas isto é sobre mim.

- Não quero a tua opinião. - Não me trate assim!

Não me despreze por ser sem-abrigo!

Porquê ter convidados, se os expulsa?

Merda.

Juro pela minha mãe que não vou roubar.

Não é a casa do Sr. Médéric?

- Até logo, querida. - Adeus, amor.

Não devias estar aqui!

É uma loucura.

Não podia esperar. Tinha saudades.

Não podes ficar aqui. Vai!

Ele não te devia tratar assim.

Só te quero ajudar.

Anda para minha casa.

É melhor não te envolveres.

Tenho de abrir.

Sr. Petit! Que surpresa.

Senhora.

Vi um estranho à porta de sua casa.

Não vi ninguém.

Vi um homem parecido na terça.

Contei ao seu marido.

- Ele não me disse nada. - Para não a preocupar.

Como é a segunda vez em três dias, quis alertá-la.

Muito obrigada, Sr. Petit.

Especialmente com o seu marido fora.

Obrigada. Vou ter cuidado.

- Saiu para trabalhar? - Sim.

Chame, se precisar de mim.

- Não estou longe. - Está bem.

Use a luz do alpendre, se precisar de mim.

Obrigada.

Já vou!

Estou preocupado. Deixe-me ver o jardim.

Não é preciso.

O seu marido gostaria que eu o fizesse.

Não me parece.

Certo...

- Ele pode ter entrado. - Para quê?

Com o seu trabalho, é preciso ter cuidado.

Chega. Não vai revistar a casa toda.

Só estou a verificar na minha saída.

Não está ninguém, não é?

- Tenha um bom dia. - Você também.

Médéric?

Bom dia, Florence.

Belo trabalho ontem à noite. Que cavalheiro!

O que querias que dissesse?

Que o que os islamitas querem é que a gente se esconda em casa.

Estavas insuportável. Não estavas a ouvir.

Segui o teu conselho e fui diretamente para casa.

Preciso de uma spin-off. Conheces a Enola 1?

Eles são bons com B-to-B e B-to-C.

Mas fracos no intercâmbio de dados e no DMP.

E nos cross-device?

Não, mesmo para os cross-device.

Começaste o benchmarking?

Sintam-se em casa!

Porque estás aqui?

Só estávamos a rezar enquanto esperávamos.

Tome. A Isadora mandou-me.

O GÉRARD SABE DE TUDO.

NUNCA MAIS ME VENHAS VER.

Alguma resposta?

Não tinham mais nada para fazer?

Estava na hora.

Não tenho resposta. Podes ir.

E tu também.

Foi no planalto do Cézallier, a 50 km a sul de Clermont,

num local isolado, que o homem explodiu o seu cinto.

Não sabemos se foi um suicídio ou um acidente.

Sabemos que o homem estava isolado,

sozinho nesta paisagem de neve e sem ameaçar ninguém.

Ele nem tinha sido localizado. Mas a polícia apela à prudência.

Toma, querida.

Obrigada.

Estás bem?

Em que estás a pensar?

No jovem que se explodiu.

E nos outros também.

O que aconteceu nas suas vidas?

Não tenhas pena deles.

- Eles estão mortos. - Por opção.

Não sei se não será pior.

Pior do que o quê?

Do que morrer de repente, sem saber o que te aconteceu.

Mas para escolher a morte...

Planeá-la durante semanas ou meses deve ser horrível.

O que queres dizer?

Temos um problema real.

É o nosso problema?

Estes miúdos não têm qualquer consideração pela vida.

Não te preocupa?

São apenas alguns malucos.

Já começam a ser muitos.

É mais do que pobreza ou religião.

Significa que não há esperança.

Significa que a vida não vale a pena viver.

Significa que não vai parar.

Isso não te assusta?

Não tenhas medo.

É o que eles querem.

Já chega.

Não vale a pena.

O que se passa hoje?

Estás bem?

Foi um acidente ou um suicídio?

- Adeus. - Adeus, Isadora.

Ainda não há uma relação óbvia com os ataques de Clermont.

- Quem é? - Sou eu.

Beija-me.

- Sim? - Deixe-me entrar!

Abra, vá lá!

Entraste?

Larguem-me!

Cala-te!

Deixem-no em paz, patifes!

Não te metas!

Vem aí a polícia.

Qual é o problema dele?

- Desaparece! - É privado!

Que diabo é isto?

Desapareçam!

Que está a fazer?

Eu mostro-vos, seus otários.

Mostrar?

- Estamos em nossa casa! - Não os provoque.

Vamos embora!

Tragam os vossos amigos!

Dou cabo de vocês, seus merdas.

Estás bem, querido?

Dói-me.

Levanta-te. Vamos para dentro.

Anda. Levanta-te.

Pronto, tenham pena dele.

Tinhas de os trazer até aqui?

Não sabia onde ir. Teria feito melhor?

Eu não ando com bandidos.

Deixa-o em paz!

Agora também temos de o defender!

Não acham que já chega?

Da forma como os provocou, eles estarão de volta.

Eu provoquei-os?

Poupa-me!

Eles quase atacaram o seu marido.

Talvez tenha exagerado.

Onde estava, espertalhão?

Todos falam, mas ninguém se mexe!

Dói-me. Chamem o INEM.

O que estás a fazer?

Levo-o para nossa casa. Ele tem de descansar.

Ok. Mas não a noite toda.

Veremos isso.

Diga-me, Sr. El Alaoui...

- Decidiu cobrir a sua esposa? - Não.

O que traz ela na cabeça?

Ela é que decidiu usá-lo.

Não a posso impedir.

Sr. Roman?

- Estava a dormir? - Nem por isso.

Ele pode passar aqui a noite?

O meu marido quer que ele saia.

- E o hospital? - Está cheio.

Não há sítios livres com este frio.

E com os cortes orçamentais...

O que seria de esperar?

Ele é um miúdo resistente.

Não és, Sélim?

Ainda me dói a cabeça, o braço e o joelho.

Tenho companhia. Perguntou à Sra. Dupuis?

Não. Está com medo.

Entra.

Obrigada. Que Alá o proteja.

Adeus.

Adeus.

O que é que eles queriam?

Não sei, eles são loucos. Eles fumam o dia todo.

Eles começaram a chamar-me gay. Pareço-lhe homossexual?

De qualquer forma, não há problema se fores.

Eles pareciam zangados. Eles vão voltar.

Também quer que vá embora?

Mesmo para ti, é a melhor solução.

Foi só para me assustar. Eles não vão voltar.

Posso tomar um duche?

Sim, vai.

- Não demores muito. - Prometo.

Boa noite.

Boa noite, senhora.

Isadora, Sélim.

Ele vai dormir na sala.

Vai tomar o teu banho.

Dá-me as tuas roupas. Vou lavá-las.

Obrigado.

- Tens fome? - Não, obrigado.

Médéric? É a Florence!

Tenho de falar contigo.

Estou a ligar-te há uma hora.

Estou ocupado. Podes adiar?

Porque não atendeste o telefone?

Desliguei-o.

- Desliga-lo à noite? - Sim.

O cliente adiantou a chamada. Podemos fazê-la aqui?

Não, tenho companhia. Como é que entraste no edifício?

Não me estragues isto!

Tem de ser esta manhã?

Ele vai precisar de especificações. Vou ficar presa a pormenores.

OK. Encontramo-nos no teu escritório.

- Eu espero. - Vai. Encontramo-nos lá.

- Não me deixes pendurada! - Dou-te a minha palavra.

Tenho de ir.

Não vou demorar muito.

Não passes aqui a manhã toda.

Bom dia.

O que se passa?

Pensei que os anormais tinham voltado.

- Viu alguém? - Não.

Mas temos de ter cuidado.

Disseram à polícia que ele falou na Jihad e na Síria.

Outra vez o primo do Sr. Laur?

Não, a polícia veio avisar-nos.

Eles acreditam naquele bando?

Porque não?

El Alaoui não dá o braço a torcer.

Ele desconfia do Sélim.

Não é estranho o El Alaoui odiá-lo tanto?

Desde o primeiro dia?

Ainda bem que não estamos a lidar com toda a raça dele.

Ele não é um pouco duro com Sélim?

Como assim?

Talvez esteja a esconder algo.

Como por exemplo?

Não sei. Estou só a pensar.

Estou do seu lado. Mantemos o miúdo aqui.

Assim, fica fora de sarilhos.

Não sou necessariamente a favor dele ficar.

Pensei que gostava de árabes jovens.

Onde teve essa ideia?

Eu não nasci ontem.

Não é de todo a minha onda.

Boa tarde.

Boa tarde.

- Está tudo bem? - Sim.

- E a senhora? - Estou bem.

- Correu tudo bem com o miúdo? - Sim.

- Ainda está em sua casa? - Sim, acho.

Consta-se que

disse que a jihad é a forma de combater o capitalismo.

A única.

Ele diz coisas dessas.

Foi isso que irritou os rufias.

É o que eles dizem.

A polícia diz que pensaram

que ele era um espião a tentar apanhá-los.

Não dissemos nada,

mas eu livrava-me dele. Só traz sarilhos.

Que bem fará isso?

Podemos viver em paz.

Porque é que acreditam naqueles bandidos?

Alguém diz "jihad" e vocês acreditam logo?

Não confio em ninguém, muito menos neles.

- Eles são um problema. - Desculpem. Tenho de ir.

- Tenha um bom dia. - Obrigado, você também.

Sim, estou?

- Onde estás? - Tive um problema.

- Não posso ir. - Como assim? Faltam 5 minutos!

Desculpa, tenho de resolver uma coisa.

Não consigo trabalhar assim, Médéric.

Acontece. Ainda nem comecei a trabalhar para ti.

Vem, ou terei de procurar outra pessoa.

Florence!

És tu, Médéric?

Já voltaste?

Fui para nada. Ela cancelou.

Podias ter dormido mais.

Vais passar o dia aqui?

Eu ia embora, mas começamos a ler BD.

São dez e meia.

Ninguém vai procurar um abrigo por ti.

Ele ainda não está curado.

Não, está muito melhor.

- Empresta-me isto? - Se quiseres.

Adeus.

Vou fazer chá. Queres?

Sim.

O que se passa?

Grita baixo da próxima vez. Ouvi-te lá de baixo.

Não estavas cansada do sexo?

Tive tanto receio de já não querer mais homens

que tive de tentar logo.

- Porque não comigo? - És diferente.

Eu amo-te.

Ainda mais depois de ter dormido com Sélim.

Exceto que estou a tentar livrar-me dele.

Para ele se mexer e sair da merda.

O sexo é importante para isso.

Agora que fez sexo, vai ter confiança.

- Ele é virgem? - Daí a jihad.

O que é que ele te disse?

Ele não usou estas palavras,

mas penso que queria morrer.

E depois de foder, já não quer?

É para isso que servem as prostitutas.

A primeira vez é difícil, sobretudo para os muçulmanos.

Agora ele pode viver.

Ele fez-te gemer? Um virgem?

Sr. Coq? É o Médéric.

Entre.

Não estás à procura de um abrigo?

Não viu os rufias lá em baixo?

Sim. Por isso é que vim cá.

Quer fumar?

Não, obrigado.

Temos de fazer alguma coisa.

Nós vamos tratar deles.

Não devíamos telefonar à polícia?

O Kader ligou à pouco.

Eles vieram e foram embora.

Não são seguranças.

Têm falta de pessoal.

Só nos temos a nós. Vamos mostrar que não temos medo.

Mas se estiverem armados...

Venha ver.

É mesmo necessário?

Um homem e até a polícia desarmada é bom.

Não me oponho.

Mas os rufias têm armas.

E se não tiverem? Podem decidir ir buscar.

Têm de ver que correm um risco.

Para pensarem duas vezes.

Ouça, Sr. Coq.

Não pode dar uma arma ao Sélim.

Ele tem de se defender.

Ainda não sabemos nada. Pode ser jihadista.

São tretas.

Eles acham que ele roubou droga. É por isso.

Ele devia devolvê-la.

Ele não roubou.

São tão burros, que vão atrás do novato.

Ouça...

Não sei o que estão a planear, mas é má ideia.

- Vou falar com eles. - Acha que vão ouvir?

Quanto mais irritados,

menos falamos. Acabaremos todos mortos.

Eu só quero falar.

Por favor, deixem o Sélim em paz.

- Ele tem de ir. - Perdemos um irmão nos ataques.

Ele é inocente.

Ele ajudou-os. Ele anda com os jihadistas.

Como sabem disso?

Então, porque não está na prisão?

A polícia é dura connosco,

mas não com os jihadistas.

- Pensas que quê? - É de loucos.

- Eles agora só trabalham nisso! - Não...

Levaram uma eternidade a aparecer.

- Ao centro da cidade. - Na época de Natal?

10 minutos!

10 minutos, moço.

- O que se passa? - O que achas?

Ela está aqui. Eu sinto-a.

Sente-se a pessoa que se ama.

Senta-te aqui.

Senta-te.

Anda!

Estamos juntos há 30 anos.

Não te vou deixar separar-nos.

Querias sexo. Eu compreendo.

Acontece a todos.

Suponho que, para ela,

encontrar alguém que lhe desse prazer,

sobretudo com a idade dela,

a deixou louca. Perdeu a cabeça.

Ela ignorou as consequências.

Portanto, a culpa não é tua.

Até é lisonjeiro

um homem jeitoso como tu sentir-se atraído por ela.

Daqui por uma semana já a esqueceste,

mas eu amo-a de verdade.

Tenho saudades dela a toda a hora.

É por isso que lhe bates?

Já estiveste apaixonado?

Mesmo a sério?

Sim.

E não te passavas quando não sabias onde ela estava

e ela não queria saber?

Sim. Mas não é razão para bater.

É o que é.

Não consigo controlar-me.

Outros homens fariam muito pior.

Enviavam-na para o hospital.

Para a manter na rua?

Estou-me nas tintas!

Eu não preciso disso. A escolha é dela.

Sempre gostou de sexo.

Eu também gosto de sexo, mas não me vendo.

Farias isso?

Porque não?

Não é uma coisa de homens.

Claro que é.

Ok, já percebi o que queres dizer.

Darias um broche para viver?

Talvez.

Se eu fosse maricas.

Até a homens que não te agradam?

Nenhum homem me agrada!

- Até a mulheres que não te agradam? - Chega!

Agora vai buscá-la!

Não sei onde ela está.

Ela passou a noite aqui.

Tivemos uma discussão e saiu há 2 horas.

Uma discussão porquê?

Não queria sair da cidade com ela.

Tem uma chave inglesa ou um alicate?

A nossa torneira está a vazar.

Sim. Vou buscar uma.

Mas não pode entrar porque tenho companhia.

Não há problema.

Bom dia.

Devolvo logo que possível.

Sim, mas não a uso todos os dias.

Tenho de urinar.

Deixa o teu telemóvel.

Eles ainda estão lá. Rápido.

É um presente do meu marido.

Nunca iria usar isto na vida.

Experimente.

Diz-lhe que eu a amo perdidamente.

E que não me importo que ela pare.

Só quero falar.

Tens o meu número.

Já começou o Carnaval?

E tu não dizes nada?

O que há para dizer?

Precisamente. Deixa-os tomar o controlo.

Queres ter vizinhas sem rosto?

Não.

Concordo, mas o que posso dizer?

Como assim?

Tu dirias para se vestirem de forma diferente?

Acabei de o fazer.

Eles não se opõem.

- Para onde foram? - Ela não me quis dizer.

Ela não deixou um bilhete?

É melhor não saber.

As prostitutas eslavas são sempre problemáticas.

Ela não é eslava.

Com um nome daqueles?

Quer uma cerveja?

Sim, claro.

- Ela não telefonou? - Não.

Obrigado.

Posso?

Não está a perceber.

Essas raparigas têm chulos mafiosos.

Não, é apenas o marido dela.

Mesmo que ficasse com ela,

imagine viver com uma prostituta,

partilhando-a com outros homens.

- Ela quer parar. - Todas dizem isso.

Essas raparigas adoram sexo.

Nunca ficam satisfeitas.

É por isso que se prostituem.

Mais tarde mudam de profissão, mas continuam iguais.

Não gosta de viver sozinho?

Faz o que quer e quando quer.

Ainda é novo. Tem tempo.

Há assuntos mais importantes.

Um edifício a defender.

Temos de segurar as pontas.

Senão, vão dar cabo da zona.

Os nossos apartamentos perderão valor.

Vamos lutar contra isto, juntos.

As verdadeiras amizades são assim.

- E o El Alaoui? - Claro. Ele não nos esqueceu.

Ele está a vigiar de casa.

Ele mantém-nos atualizados.

Posso beber outra?

Hotel de France. Fala a Charlène.

Obrigado.

Saúde.

- Boa noite. - Quer um quarto, senhor?

Procuro a Isadora.

Não a vemos há dois dias.

Não podes falar?

Não estou a perceber.

Como assim?

Não reconheces este homem?

- É o amante da Isadora. - Pois é.

Já me lembro. Ela tem tantos.

Mas este é especial, não é?

Os estagiários trabalham muito.

Eu é que quis mais horas.

Estou muito ocupada durante o dia, mas à noite

o Sr. Renard tem tempo para me ensinar.

O que fazes aqui?

Estou à procura dela.

- No hotel? - Em que outro sítio?

- Olá, Charlène. - Sr. Gérard.

Gostaria que fossem discutir para outro lugar.

Sim. Vamos para baixo.

- Não vou poder ajudar. - Vais, vais. Anda.

Traga a menina para baixo.

- Que horas eram? - Um pouco depois das 5.

- O queria? - Encontrar um esconderijo.

A Isadora não precisa de ti para isso.

Estás a mentir! Diz a verdade.

Calma. Ainda é uma criança.

Charlène, conta-lhe.

É normal. Ele quer a esposa de volta.

- Então? - Ela foi com outro homem.

Um jovem vagabundo.

Finalmente...

Descreve-o.

Jovem.

Tem 20 anos, no máximo.

Ele tem cães?

Mais alguma coisa?

- É árabe. - Cristo!

Incrível. Ela nunca muda.

Um sem-abrigo árabe aparece, convida-o para sua casa

e apresenta-o à Isadora?

Tem noção do que está a acontecer?

Os jihadistas raptam as mulheres

e levam-nas para casa, como troféus.

Um diplomata turco roubou duas. Desapareceram para sempre.

As mulheres são mercadoria para eles.

Não! O Sélim não é jihadista.

Como sabes?

Ele é homossexual.

Como sabes?

Estava apaixonada por ele.

Ele disse-te isso?

Sim.

Está apaixonado pelo Sr. Médéric.

Então, ele não fugiu com a Isadora?

Ouve, sua cabra! Chega de histórias de amor.

O que te disse a Isadora?

Diz-me já!

Ela deu-me uma morada onde o Sr. Médéric

a pode encontrar.

Tome.

Espera, Charlène! Já é tarde.

Não, eu dei-lhe uma morada falsa.

Volta para o hotel. Eu vou.

Nunca a irá encontrar. Consegue juntar-me com o Sélim?

- Está apaixonado por mim. - Talvez me possa ajudar.

Pode fazer isso por mim?

Vou pensar nisso.

Vamos.

Importas-te? É a minha esposa.

Vamos para casa.

Entra.

Vamos ficar aqui especados?

Não fazem nada?

Sélim, leva a Charlène para casa.

- Ele pode ficar a dormir? - Sim.

Preferia a sua casa.

Não. Os bandidos estão à tua espera.

Tenho de me despachar.

Quer livrar-se de mim?

Não. Quero que acompanhes a Charlène.

Porque não a leva?

Estou ocupado. Ponto final.

Olha, Sélim. Não há nada entre nós.

Porque não?

Não sou gay.

Então? Posso ir, sem dormir consigo.

É melhor ires com a Charlène.

Isto foi gravado num smartphone de um vizinho.

Calculei que devia vigiar o teu apartamento.

O que aconteceu?

Vê só.

O vizinho filmou com um Samsung.

Tem uma óptima qualidade. É melhor que a do iPhone.

Sou eu quem está a atirar.

Olha para eles a fugirem.

Tudo isto por um pedaço de droga.

Que droga?

Esconderam-na no quadro elétrico.

- No edifício? - No Hall de entrada.

O Kader percebeu logo.

Então o Sélim roubou?

Não, eu é que roubei.

Vivemos numa sociedade de leis.

Os justiceiros não são tolerados.

- Meu Deus! - Os paramédicos chegaram a tempo.

A esposa dele ligou.

Está em estado crítico.

Normalmente vemos isto nos subúrbios de Paris.

Aqui estamos no centro de uma cidade média, longe de bairros.

O local onde a violência irrompeu...

Posso pedir um favor?

Claro.

Não é tão precisa.

Mas a curta distância, é óptima.

É discreta, para que te possas aproximar.

Como assim?

Com esta, não podes.

Não a consegues esconder.

Sim, mas...

Gosto mais desta aqui. Tenho mais controlo.

Também gosto mais dessa.

Não faças nada de estúpido.

É só para o intimidar.

Senhor?

Vi as notícias. Que horror!

O Médéric Roman está em casa?

Vem comigo.

Mas que treta é esta?

Não vão a lado nenhum.

Para trás!

Qual é o problema?

O que queres?

O quê?

O que vais fazer?

Estou à espera.

Que grande erro, seu otário.

Vamos.

Vai-te foder!

- Para! - Sai daí!

Para, Gérard!

Dá cabo dele!

Levanta-te!

Levanta-te, Médéric!

Para!

Vais matá-lo.

Percebeste agora?

Anda. Vamos.

Tenho de ficar de olho no meu apartamento.

Fico em tua casa, então.

Olha, Florence...

Para não ficares sozinho.

Gostaria que trabalhássemos juntos, a partir do próximo mês,

mas quanto ao resto...

Quanto ao resto?

Não vai acontecer.

És tão tacanho.

Somos colegas, mas isso não significa que não possamos dormir juntos.

Eu sou homossexual.

Não podemos fazer sexo de qualquer modo?

Não quero. Nem hoje, nem nunca.

E a Isadora?

Foi uma exceção.

Vês? Não quer dizer nada. Está tudo na tua cabeça.

Talvez, mas ainda assim é impossível.

Não temos de dormir juntos.

Sim... Não temos.

É melhor ires para casa.

Bem, ficamos por aqui.

Vou chamar um Uber lá em cima. A polícia pode deter-me outra vez.

O que fazes aqui?

Não posso ficar em casa da Charlène. Posso ficar aqui?

Podes ficar comigo e com o Médéric.

Como assim?

Depois desta noite, não posso ficar sozinho.

Então, fica com o Sélim.

Sinto-me mais seguro contigo.

Confias nele?

Não somos propriamente estranhos.

Sim. Se quiseres.

Talvez a senhora possa...

Possa...?

Tenho dois quartos.

- Sim. - Porque não?

Vamos. Tenho frio.

Que tal tomarmos um último copo?

Faz-se tarde, não acham?

Médéric!

Espere por mim!

Espere!

Tradução: Carina Rodrigues

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