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Original subtitles

- Art Subs - 14 anos fazendo Arte para voc�

LEGENDA - Durenkian -

Espere, deixe-me ajud�-la.

- A� est�. - Obrigada, senhor.

N�o foi nada, tenha um bom dia.

ELE

- Bom dia, Sr. Farel? - Sim.

- Posso levar? - Muito obrigado.

Sim, pai, sou eu.

Acabo de chegar em Paris, estou a caminho de casa.

Imagino que esteja ansioso, amanh� � o grande dia.

Estou com pressa e ansioso por encontrar com voc�.

At� daqui a pouco.

E obrigado pelo t�xi.

Tchau.

V� em frente, atenda.

- N�o, tudo bem, � meu filho. - Com vai ele?

Muito bem. Continua em Stanford...

Ele � brilhante.

Stanford!

O senhor que n�o estudou deve estar orgulhoso.

Muito orgulhoso.

Jean, n�o vou protelar, � preciso parar o "Grande Oral".

Um programa com 30 anos.

As pessoas querem mudan�as, novidades.

Pensei que escaparia da estrofe sobre minha idade.

Seu programa vai parar, voc� n�o.

Al�m disso, todos precisamos de novas caras, n�o?

N�o � a voc� que ensinarei que n�o se fica casado a vida toda.

Ali�s, como vai Claire? D� um beijo nela por mim?

Seus recursos em vulgaridade sempre me surpreendem.

- Terminamos? - N�o leve para o lado pessoal.

- De modo algum. - Eu receberei o ministro,

- nos vemos depois. - Lamento, mas n�o terei tempo.

Mas � claro, perd�o. � a grande noite.

- Comandante da Legi�o de Honra. - Grande oficial.

Pr�xima etapa, a grande estrela?

Ter� a seguran�a do funeral nos Invalides.

Desde que passou a dirigir os programas ela quer minha pele.

Como um tipo t�o complexo pode ser t�o bin�rio?

H� os que o amam e os que n�o o amam.

Ela n�o gosta do meu programa, ent�o n�o me ama.

Ela se vinga de todos os cretinos que precisou seduzir

para chegar onde est�.

- Trepou com ela tamb�m? - H� ao menos 10 anos.

- Explicado, ela est� se vingando. - Do qu�?

Percebeu a viol�ncia no que diz?

Olhando o notici�rio, tenho outra defini��o de viol�ncia.

- Tem raz�o. Onde est�o eles? - Aqui, no seu escrit�rio.

- Bom dia! Mostrem. - Bom dia!

Uma compila��o de todas as entrevistas dele

nos �ltimos 4 meses.

S� 4 meses? � preciso ir muito mais longe.

- Vou olhar isso. - Os tu�tes?

Est�o aqui. Eu sublinhei os que criaram pol�mica

e as respostas dos oponentes mais retuitadas.

Esque�amos os tu�tes, s�o ofensivos demais.

Se o atacarmos frontalmente teremos s� meias palavras.

Precisamos peg�-lo com delicadeza.

Quero que ele sinta confian�a.

Se a fun��o "lida" � deixada ativa o m�nimo esperado � responder.

Vim de S�o Francisco por ele!

� por causa das grava��es.

Quando ele tem um programa sempre chega mais tarde.

Ele me fez lavar seu terno para amanh� � noite. O azul.

Eu trouxe um terno.

Ele insistiu que fosse o azul.

Ele insistiu?

Ele vai dizer como devo cortar o cabelo, tamb�m?

N�o sei porque vim, ele me deixa louco!

Sirva-se. Fiz para voc�, querido.

� muita gentileza, Marianne.

Felizmente est� aqui, ou ningu�m me receberia.

Falamos do meu pai, mas tenho uma m�e, tamb�m.

Voc� a encontra?

Sabe se ela est� bem? Ela n�o me conta nada.

N�o a vejo mais muito

depois que ela foi morar com aquele sujeito.

- Falei de voc� nesse instante. - Com quem?

- Com Marianne. - Um beijo para ela.

Darei.

Ela manda um beijo tamb�m.

Sim, estou em casa. Ou seja, na de papai e eu.

� muita gentileza me convidar para jantar, mas acabei de chegar.

A que horas?

� daqui 15 minutos.

Boa sorte, ent�o.

Certo, at� mais tarde.

Tamb�m de amo. Tchau.

Ela estar� no notici�rio daqui 15 minutos.

Uma mulher de 38 anos foi estuprada por v�rios imigrantes

em Calais, na semana passada. Para falar conosco, Claire Farel,

ensa�sta, e Florence Laplace,

diretora da Associa��o Mulheres de Palavra,

que defende os emigrantes neste caso.

Claire Farel, ol�!

- Ol�. - Comecemos por voc�.

Voc�, de primeira, se distinguiu de certas intelectuais de esquerda

que afirmaram temer as instrumentaliza��es racistas.

Obrigada. Sim, o que se nota � quem em lugar de condenar

os atos violentos cometidos contra essa mulher,

a Sra. Laplace nos alerta contra os am�lgamas.

Atualmente chegamos a uma aberra��o

onde as feministas defendem estupradores ao inv�s das v�timas.

� evidente que condeno todas as formas de am�lgama,

mas me recuso a fechar os olhos a esses atos repreens�veis

cometidos por esses homens em nosso territ�rio,

sob o pretexto de que s�o imigrantes.

Li o que escreveu. Voc� pratica um feminismo branco e burgu�s,

desconectado de tudo e desta �poca.

Sabemos todos

que o problema de fato � a viol�ncia sexual em geral.

Mas voc� designa os emigrantes

como �nicos respons�veis e isso � inaceit�vel.

Se leu assim como diz,

sabe que denuncio h� longos anos,

bem antes que seja moda, a viol�ncia sexual em geral.

Mas aqui, s�o homens vindos de lugares

onde o corpo da mulher � controlado pelo homem.

Mas a viol�ncia sexual sempre existiu, n�o foi importada!

O patriarcado sempre existiu, sem delimita��o geogr�fica.

Voc� faz o jogo da extrema direita?

Dever�amos nos calar

porque temos medo que a extrema direita fa�a pontos?

N�s denunciamos os respons�veis por aquilo que fazem,

n�o pelo que s�o.

Este pa�s � regido por leis

e cada pessoa neste territ�rio deve se submeter a elas.

Como pelos 14 mil casos de estupro registrados por ano na Fran�a,

sem falar das milhares de v�timas que n�o ousam denunciar,

todos cometidos por homens, dos doentes aos pais de fam�lia.

V� ao tribunal e ver�

que o agressor pode ser qualquer um.

Voc� se diz feminista, mas escolheu

abandonar as mulheres.

Todos os agressores sexuais,

insisto em todos, devem ser pesadamente condenados.

Quando se trata de estrangeiros,

nossa vontade n�o deve ser enfraquecida.

Obrigado, Claire Farel e Florence Laplace.

Infelizmente, n�o temos mais tempo.

Sim?

Se mudar de ideia.

Obrigado, Marianne.

ESTOU EM PARIS.

GOSTARIA DE TE ENCONTRAR.

PARA: YASMINA RESPONDA POR FAVOR.

SINTO FALTA DO SEU CORPO.

YASMINA, ME LIGUE???!!!

Al�?

Pare de escrever para mim.

- Quero encontrar com voc�. - N�o.

Vou passar na sua casa.

N�o, n�o vai passar.

Minha nova fun��o n�o � compat�vel com nossa hist�ria.

A Sra. Diretora do Gabinete do Ministro da Economia, � isso?

Alexandre, eu gostaria que voc�

destru�sse todas as nossas mensagens.

E-mails, SMS...

N�o.

� meu patrim�nio sentimental, ele me � caro.

Acontece que eu querer l�-lo.

Por favor.

- Eu me acaricio lendo-os. - Pare!

Paro com a condi��o de te ver.

Voc� mesma apagar� tudo.

Bar do hotel Park Hyatt, rua de La Paix.

Quando?

Dentro de 20 minutos.

Aqui est�.

Fa�a o que quiser.

"M�e".

Essa � a sua m�e.

Ela se saiu bem no r�dio hoje.

Certeza que quer apagar tudo?

Sim, certeza.

N�o quer guardar isto?

"Estou a fim de voc�,

- todos os dias e noites." - Apague.

E isto.

"Eu te amo. Estou louco por voc�. Louco por sua buceta."

"Penso em voc� e gozo."

Apague, j� disse.

Agora de voc�. "Voc� � o mais doce, mais meigo,

mas tamb�m � o pior."

"Quero que me preencha at� cansar, quero pertencer a voc�."

- "Que fa�a de mim sua cadela." - Pare de brincar. Apague.

De mim, novamente.

"Estou a fim de voc�,

vou me enfiar em voc� e faz�-la gozar.

Vou te fazer mal."

"Voc� � uma putinha, mas estou apaixonado por voc�."

Pare!

Eu te amo.

Veja em que estado voc� me deixa.

Sei que voc� est� molhada, estou a fim de voc�.

J�. Vou pegar um quarto.

Eu encontrei algu�m.

Mentira.

N�o, � verdade.

Vai ter um filho com ele?

Por que n�o manteve o nosso?

- N�o quero mais falar disso. - Por causa do meu pai?

- For�ou voc� a abortar? - Ele me ajudou.

E voc� o escutou, obedeceu!

- Voc� trepou com ele? - V� � merda!

- Ele cavou sua vaga no minist�rio? - Pare!

Eu quero ter um filho com voc�.

Acabou, Alexandre. Acabou!

Acabou!

Acabou.

Eu te amo.

Apague minhas mensagens.

Eu te amo.

Como voc� se saiu mal, n�o acredito.

Como se desse o taco para apanhar dele.

Pare, Jean,

n�o preciso escutar suas putarias.

Foi passada para tr�s, esqueceu de tudo,

de todos seus argumentos b�sicos.

Eu sei.

O principal, devia t�-la atacado sobre a condescend�ncia de classe.

Voc� tinha todos os meios de esfregar na cara dela

que a compaix�o com os pobres � desprezo mal escondido por ela.

Que justificar os atos deles � mant�-los dominados.

Acabou? A aula magna terminou?

Voc� devia esclarecer no Twitter.

Que se dane o Twitter!

�, pois �. At� a pr�xima.

Por isso me ligou? Para me foder?

Estou fazendo compras,

Alexandre vir� jantar em casa esta noite.

O outro vai estar?

Eu moro com o outro, como voc� diz.

Alex me disse que nem conseguiu falar com voc� desde a chegada.

Agora � voc� a me dar li��es. A esposa que abandonou o domic�lio.

Jean, por que me liga?

Voc� sabe o quanto � importante amanh� para mim.

Gostaria que lesse meu discurso.

Seu ponto de vista e suas cr�ticas me fazem falta.

Voc� me faz falta.

Volte agora, essa piada j� demorou muito.

Cuide do seu filho.

Estou trabalhando.

Jean, at� amanh�!

Boa noite.

Lamento, estou um pouco atrasada.

Espero n�o ter esquecido nada.

Reagrupei todas as interven��es dos 5 �ltimos anos.

Nossa, � muito trabalho.

Vou deix�-lo trabalhar.

Fiz voc� vir at� aqui, n�o quer sentar?

Tem certeza?

Com prazer.

O que deseja beber?

O mesmo que o senhor.

Por favor?

Mais um.

Relaxe, ningu�m vir� roubar sua bolsa.

�.

- Obrigada. - Obrigado.

Bem, ent�o...

Ao programa, ao ministro e � sua condecora��o.

E a voc� tamb�m, Quitterie.

- Detesto meu nome. - Est� errada,

ele � muito elegante.

Quitterie.

� antigo e elegante.

N�o sei se sabe, mas vem do latim e significa "tranquila".

Voc� �?

Quitterie era filha de um pr�ncipe da Gal�cia, na Espanha.

Como o pai queria cas�-la for�ada ela fugiu.

Infelizmente, os delegados do pai a alcan�aram

e a decapitaram na hora, no dia 22 de maio de 477.

Eu adoro...

tais destinos rom�nticos.

E... como sabe de tudo isso?

Me informei.

Esque�o toda vez a que ponto acho voc� lindo.

Entre.

� para proteger a casa.

- N�o pensou em usar um alarme? - Vai, entre.

Senti saudades!

Vai me mostrar a casa?

Sim. Ser� bem r�pido.

Aqui � o quarto de h�spedes.

Aquele � da Mila ap�s ela vir morar com o pai.

Aqui � o nosso.

O banheiro est� ocupado. Voc� vem?

J� vou.

Voc�s ficaram com o quarto menor?

E olha n�s de volta � sala.

� legal.

Agrad�vel.

Voc� ir� se esfor�ar?

Estou t�o feliz por pertencer a uma fam�lia recomposta.

Boa noite.

Boa noite.

- Adam, muito prazer. - Prazer, feliz em conhec�-lo.

�timo que veio, n�o � usual, deve ter muitos compromissos.

Como ver minha m�e. E meu pai,

que ainda n�o vi, que verei de longe amanh� � noite

e que n�o verei antes de ir embora.

- Bem, vou buscar algo para beber. - N�o, eu busco.

N�o, fique.

O que �?

Alex, por favor.

Ele me faz feliz.

Por isso queria que voc� o encontrasse, ele me faz feliz.

Voc� tamb�m � linda.

Vamos nos encontrar, n�s dois, antes que se v�?

Engenharia Civil e de Meio ambiente.

� uma t�cnica mas tendo uma perspectiva �tica.

- N�o d� sono. - �timo.

Lamento. Felizmente, n�o esperaram por mim.

- Vou guardar minhas coisas. - Mila!

Venha c�, quero te apresentar meu filho.

Ol�!

Mas venha!

- Muito prazer, Alexandre. - Mila.

- J� comeu? - Estou com fome.

- Vou esquentar. - N�o, sossegue, Claire.

� minha m�e, n�o quer saber.

Eu disse que n�o queria ir nesse casamento.

Homens e mulheres separados at� � mesa...

� religioso demais,

n�o aguento mais.

Mas teria adorado usar seu vestido.

Pegue-o quando quiser.

- Obrigada. - Mila quer ir

aos EUA ap�s o colegial, fazer uma escola de cinema

- em Nova York. - H� escolas �timas.

- Assim parece. - Alex � cin�filo demais.

E muito bom pianista.

M�e!

- Sirvo o senhor? - Pode esquecer "o senhor"?

Sirvo voc�, ent�o?

H� quanto tempo est� no conservat�rio?

Seu jantar estava muito bom.

N�o mude de assunto.

E voc� nem tente...

Por favor, toque algo para n�s.

- Por que faz isso? - Porque adoro ver voc� tocar.

Porque tenho orgulho de voc�.

Porque faria bem a esse velho piano que foi abandonado.

E como os vizinhos nos detestam,

daremos raz�o a eles.

- Bravo! - Parab�ns!

Bonito demais!

Vai, agora o meu peda�o.

Vamos l�, seu peda�o.

Eu adoro.

A� est�.

Bravo!

- Eu preciso ir. - Aonde vai?

R�mi organizou uma noite de veteranos do Henri IV.

N�o quer levar Mila. � uma chance para se conhecerem.

Poderia contar sobre Nova York.

Mila, o que acha?

Alexandre acompanhar� voc�.

N�o quero incomodar voc�.

De jeito nenhum.

Vou r�pido.

Onde v�o?

- A Saint-Mand�. - Saint-Mand�?

N�o voltem muito tarde.

- Deixe-os viver! - Boa noite.

- Divirtam-se. - Boa noite, Adam.

- At� logo. - At� logo.

Tchau.

- Te amo. - Tamb�m te amo.

Havia um rapaz

Muito estranho E encantado rapaz

Diziam que vagava muito longe, Muito longe

Sobre terras e mares

Um pouco t�mido E de olhos tristes

Mas muito sabido Ele era

H� tempos que abandonei as mulheres.

- Claro. - Mas te asseguro.

Mas me contento

de almo�ar com aquelas que aceitam meus convites.

Pago a conta sonhando em possu�-las

e elas me veem como um velho senhor

que tem a eleg�ncia de n�o ser libidinoso.

Mas a verdade, � que sou incapaz de...

N�o, ora!

N�o.

A� est�.

A� est� onde me encontro com voc� nesta cama.

Pare. Temos tempo.

Sua compaix�o � bem pior que minha impot�ncia.

Voc� acha que um impotente me faria este efeito aqui?

Quando minha mulher

me deixou, vim morar aqui

algumas semanas.

N�o suportava estar sozinho em casa.

Depois, acabei voltando para casa.

Por�m tomei gosto pelo hotel.

Percebi que...

que gostava deste anonimato,

desses lugares pessoais onde o tempo n�o existe.

No hotel, n�o se sente o tempo passar.

N�o trabalhei o suficiente.

Culpa de quem?

T�o linda...

maravilhosa...

Voc� me deixa excitado.

Estou excitado, viu?

Excitado.

Foi agora que voc� me excitou.

Achei que voc� estava morto.

N�o, F�lix Faure � assim, chuchu.

Preciso me preparar.

Nos encontramos daqui a pouco no escrit�rio?

Onde est� a estagi�ria?

Pediu demiss�o esta manh�.

- Por qu�? - Problemas familiares.

Estava muito confusa, nada clara.

- N�o disse mais nada? - N�o. Vai trabalhar com Instagram,

se quiser minha opini�o.

Bom dia, senhora. Somos da pol�cia.

- Bom dia. - Sr. Farel fica em que andar?

- Sr. Farel? 4� andar. - 4�.

Marianne!

Marianne!

- Bom dia. - Bom dia.

Pol�cia judici�ria. � Alexandre Farel?

- Alexandre Farel? - Sim.

- Vamos fazer uma busca. - Uma busca?

Mas o que fazem aqui?

- Est� sozinho aqui? - Estou.

Busca de qu�? Onde v�o?

H� uma mulher que denunciou voc�.

- Ela o acusa de estupro. - Estupro?

N�o sei do que est�o falando, mas � imposs�vel.

Seu quarto � por aqui?

N�o, aqui � casa do meu pai, Jean Farel.

Eu moro na Calif�rnia. Est�o totalmente enganados.

- O crime foi na Fran�a. - Esse � o escrit�rio do meu pai.

J� disse, moro na Calif�rnia.

- Aqui � seu quarto? - Sim, mas vim ontem.

- Mostre seu quarto. - Podem verificar.

� um erro com certeza.

Enfim, � absurdo!

S�o as ordens que temos.

- � este quarto? - �.

- O que � isto? - Amanh� volto aos EUA onde moro.

N�o mais. Aconselho a buscar reembolso da passagem.

Que intimidade � essa?

- Isto eu levo. - N�o meu computador!

N�o tenho c�pias. Preciso dele para meus exames finais.

De quem � isto?

Da minha namorada.

Namorada? Quem � ela?

- N�o sou obrigado a dizer. - Qual � o nome dela?

N�o sou obrigado a dizer.

Escute bem isto. A partir de agora,

o senhor est� preso por at� 48 horas.

Na delegacia, ter� direito a um m�dico e um advogado.

Se n�o tiver advogado, ser� nomeado um. Ficou claro?

- Est� bem claro? - Est�.

Muito bem. Vou levar o celular.

Pode se trocar se quiser. Ir� conosco para a delegacia.

Contatamos o n�mero que deu.

Falou com meu pai?

Caiu na secret�ria eletr�nica e deixamos mensagem.

Lamento.

� claro!

Aqui. Isso mesmo.

Permane�a flex�vel.

V� encontrar meu colega.

- Doutor, o cliente o aguarda. - Obrigado.

- Ol�. - Ol�.

ADVOGADO EM REUNI�O

Sou Arthur C�l�rier, defensor p�blico.

N�o posso ficar aqui.

N�o fiz nada, quero sair, me tire daqui.

Acalme-se, eu entendo.

- Podemos falar � vontade? - N�o importa, me tire daqui!

Farei tudo para isso. Vai dar tudo certo.

Olhe para mim.

Vai dar tudo certo.

Preciso que me fale rapidamente a seu respeito.

E?

Sou estudante em Stanford,

preciso voltar para os EUA, sen�o perco os exames.

Cada coisa em seu tempo. Que idade tem?

- 22 anos. - Vinte e dois anos.

Sabe do que � acusado?

Sim. Dizem que estuprei uma garota.

E isso � verdade? Voc� a estuprou?

N�o. N�o, � claro que n�o.

Ou�a. Vou explicar como isso acontece.

Uma garota faz uma den�ncia, ela � interrogada,

depois vai ao servi�o m�dico judicial para amostragens.

Eles verificam se houve mesmo o encontro,

fazem uma busca por tra�os de esperma e DNA,

e quando h� provas materiais procedem � pris�o.

Ent�o voc� n�o est� aqui por acaso.

A denunciante deve ser cred�vel, ent�o me conte.

Ontem � noite, fui a uma festa com...

a filha do companheiro da minha m�e.

Ela tem 17 anos e nossos pais insistiram que sa�ssemos juntos.

A sa�da foi sossegada na maior parte.

Uma hora ela prop�s darmos uma respirada.

Fora, fumamos um baseado escondido, pois ela tinha medo da pol�cia.

Nos beijamos, nos acariciamos...

Ela me chupou e � isso, foi s�.

S� isso?

Voc� n�o se deitou com ela?

N�o.

� um pesadelo.

Voc� precisa se controlar, pois arrisca ficar aqui 48 horas.

Preciso sair daqui. Meu pai pode pagar a fian�a.

N�o h� fian�a, n�o � igual aos EUA.

Ficarei com voc� durante todos os interrogat�rios.

Combinado?

Eles come�ar�o fazer perguntas gen�ricas,

voc� se sentir� � vontade.

Depois, ser�o cada vez mais ligadas aos fatos,

com objetivo de cercar voc�

sobre as coisas inexatas que possa ter falado.

Nunca teve problemas com a justi�a?

N�o.

Vamos fazer isso sossegados.

Voc� n�o sabe, mas...

sou filho de Jean Farel.

� preciso que isso n�o se espalhe.

- O apresentador de TV? - Isso.

E minha m�e � ensa�sta. � Claire Farel.

Se cair na m�dia pode causar dano a meus pais.

Pense em voc�, certo?

� voc� o acusado, n�o seus pais. Quer que eu os avise?

Sim, preciso v�-los.

N�o � permitida nenhuma visita nessa situa��o,

lamento.

N�o sei o que a garota falou, mas permane�a calmo e coerente.

N�o mude de vers�o durante o interrogat�rio, entendeu?

Responda � pergunta feita, sem acrescentar nada.

Mantenha a exatid�o, a concis�o.

Acho que saberei fazer isso.

Cheguei tarde hoje, lamento. Liguei na hora.

N�o faz mal, obrigado, Marianne.

Vai almo�ar aqui?

N�o, estou sem fome, obrigado.

Dr. Lancel, por favor.

Sim.

Jean Farel.

Sim, doutor.

O senhor tinha raz�o,

apesar dos contatos, n�o me deixaram v�-lo.

Assim que puder, o mais r�pido poss�vel.

Muito bem.

At� mais. Em seu escrit�rio, sim.

Obrigado.

Senhor Presidente,

� muito significativa a honra que me faz,

pois � costume n�o falar ap�s o senhor.

N�o abusarei dessa honra e tamb�m...

serei breve.

Jean!

Diga que n�o � verdade!

� imposs�vel.

� imposs�vel, imposs�vel.

Tenho certeza que eles nada tem contra ele.

Ela o seduziu e depois com certeza se arrependeu,

principalmente se ela � judia praticante.

Ele nunca devia ter feito isso.

Ele tem muitas formas para seduzir uma garota

sem usar a viol�ncia.

Fora isso, me perdoe!

Nosso filho? Com essa garota?

Com certeza � uma maluca.

Tudo isso me parece um pouco oportunista.

QUITTERIE: SINTO SUA FALTA. LAMENTO TER SA�DO R�PIDO.

PROBLEMAS FAMILIARES. ESTOU A FIM DE VOC�.

Vai dar tudo certo, sossegue.

Isso vai assentar r�pido, muito r�pido.

Acredite em mim.

Vou pedir a Lancel de tentar um acordo financeiro.

S�o pessoas que n�o t�m recursos.

N�o deve ser muito complicado eles recuperarem o bom senso.

Vai fazer isso?

S� espero que ele n�o confesse uma idiotice sob amea�as.

Ele de fato a estuprou?

Percebe o que est� dizendo?

Imagine por um momento que seja verdade.

- Que ele a for�ou... - Se ele fez isso

e confessar...

ser� preso.

Ser� preso.

Ser� destru�do.

Ponho minha m�o no fogo. Sossegue,

Lancel vai cuidar disso.

Fa�a tudo o que puder para tir�-lo de l�.

Terminei o colegial com 16 anos.

Passei no vestibular da polit�cnica com tr�s tacadas.

- O que isso quer dizer? - Na primeira tentativa.

Em seguida, fui aceito em Stanford.

Uma jovem chamada Mila Wizman

o acusa de t�-la estuprado na noite de 10 de outubro,

em um dep�sito de lixo perto do metro em Saint-Mand�.

O que tem a dizer?

Que � mentira.

Reconhece ter mantido rela��es com ela?

N�o, n�o deitei com ela.

Qual � sua orienta��o sexual?

Sou heterossexual.

E suas pr�ticas sexuais?

- O que gostaria de saber? - O que faz com suas namoradas?

- N�o sei. - N�o cabe a n�s saber.

Tudo.

Pratica penetra��o anal?

� melhor responder.

� melhor responder.

J� me aconteceu,

mas se quer saber, a sodomia n�o � minha �rea.

Sem fela��o, cunnilingus, toque vaginal?

- Por que essas perguntas. - Voc� � acusado de estupro.

- Devemos analisar tua vida sexual. - N�o me trate de "voc�".

E eu lhe fiz uma pergunta, consegue responder?

- Por vezes. - O que "por vezes", diga!

Por vezes, chupo bucetas e me deixo chupar, gosta assim?

Baixe o tom, t�?

Esse � meu tom, suas perguntas s�o indiscretas.

Voc� � sempre grosso?

N�o.

Voc� pratica a masturba��o?

Como o senhor, como todo mundo.

N�o entendi a resposta. Qual a frequ�ncia?

2 vezes por dia, � considerado pervertido, � isso?

Certo, anote uma vez por dia.

Voc� usa sites ou v� filmes pornogr�ficos?

N�o.

Seu HD vai dizer.

Certo, de vez em quando, vejo filmes porn� cl�ssicos.

Quer dizer, n�o ter� nada bizarro estilo homem com uma cachorra.

N�o estuprei ningu�m.

O relat�rio m�dico afirma que houve penetra��o.

N�o fui eu.

� certeza que n�o teve rela��es sexuais com essa garota?

N�o, ela me fez uma fela��o.

Quero dizer, por ela pr�pria.

Eu a acariciei, s� isso.

Acariciar? O que significa para voc�?

Eu enfiei um dedo. Gostou?

A v�tima afirma que voc� a estuprou.

Ela disse que ela insistiu em dar uma volta,

insistiu em ir nesse local?

- Por que ela afirma o contr�rio? - N�o sei.

N�o estou dentro da cabe�a dela.

Para se vingar com certeza. Eu falei que era para um trote.

Tinha que mostrar uma calcinha de uma garota da festa.

Eu peguei a calcinha dela.

Ela come�ou a chorar... � estupidez, confesso.

Depois eu a deixei e voltei para a festa.

Acha que eu voltaria l� se eu a houvesse estuprado?

Ela � filha do companheiro da minha m�e.

N�o sou idiota!

Eu a humilhei e me arrependo.

Mas foi meu �nico erro.

Ela quis se vingar, agora isso me parece claro.

Nada mais a declarar?

Sim.

Eu n�o fiz nada, sou inocente.

Posso voltar para casa, por favor?

N�o. Est� em pris�o preventiva por 24h, renov�vel uma vez.

N�s aguardamos o resultado do DNA.

Droga, de onde vem isso? N�o perdem tempo os filhos da puta.

Aqui, ou�a, da AFP.

"Suspeito de estupro,

o filho de Jean Farel foi preso preventivamente,

enquanto o jornalista deveria receber a Legi�o de Honra."

Comigo tamb�m come�ou.

"Quando s�o estrangeiros voc� reclama,

mas quando � seu filho voc� desaparece."

"Todos os agressores sexuais devem ser pesadamente condenados."

"Espero que n�o lhe falhe a mem�ria a grande merda que voc� �."

- Pare de ler. - "Indigna��o de geometria vari�vel

pois quando s�o os �rabes � grave, mas quando � o filho voc� some."

"Onde anda a feminista?" � um pesadelo.

Vamos ao meu escrit�rio?

Fede a golpe montado.

- � para nos anular, parece claro. - Espere.

O vazamento pode vir de qualquer lugar.

Pode ser a pr�pria litigante,

os investigadores e at� mesmo o procurador.

Tenho a impress�o que � litigante interessa que fiquem sabendo.

Podemos falar um pouco do meu filho?

Estamos aqui para isso, Claire.

Ele tinha namorada?

N�o que soub�ssemos.

Antecedentes de viol�ncia, problemas particulares?

N�o.

- Ele se droga? - N�o.

O que ele arrisca?

O problema � que se h� penetra��o, h� estupro.

Claro, h� uma escala de penas muito grande.

Pode ser pris�o curta com sursis, at� 15 anos de reclus�o,

mas isso s� ocorre raramente,

em casos mais graves quando h� agravantes.

H� muito poucos casos de estupro que terminam no tribunal penal.

N�o quero ser otimista demais, mas o risco � m�nimo.

A quest�o principal ser� a do consentimento.

Um caso de estupro vira r�pido um problema social.

Espero n�o estar lhe chocando demais, Claire.

Pois precisaremos sondar

os m�nimos detalhes da vida da litigante.

Ser� que ela bebeu, dan�ou, jantou com quem ela acusa?

Ao final, � poss�vel que pensem que ela buscou isso.

Isso pode de fato ser requalificado como agress�o sexual

frente a um tribunal criminal,

com riscos muito menos pesados.

- Preciso encontr�-lo. - Quando?

Amanh� ele dever� comparecer frente ao juiz de instru��o.

Poderei encontr�-lo no Pal�cio de Justi�a antes.

Mas onde ele passar� a noite?

Vai!

Entre � direita ali, vai!

Abra a porta.

ELA

Pegue um len�o.

Obrigada.

N�o posso deixar voc� fazer isso.

- Vou chamar seu pai. - N�o, por favor!

Calma, se der queixa...

Que eu me acalme? Que me acalme?

Mas se voc� der queixa... Ou�a, querida.

Ou�a, minha filha. Pense nas consequ�ncias.

Se um dia quiser casar, se der queixa, ir�o saber.

Pare!

Preciso que voc� me ajude.

Eu quero dar queixa.

Eu quero que chamemos o rabino.

Al�?

Sim, al�?

Fui estuprada.

N�o sei o que devo fazer.

Para que as queixas tenham resultado...

Voc� apanhou? Tem sinais de ter apanhado?

Eu quero fazer a queixa.

N�o falarei dos gastos com advogado.

Fa�a como quiser.

Qual � seu nome?

Mila Wizman.

Data e local de nascimento?

3 de junho de 2001 em Toulouse.

- Nacionalidade? - Francesa.

Nome do seu pai?

Adam Wizman.

Profiss�o?

Professora de literatura.

- Nome de solteira da sua m�e? - Val�rie Berdah.

Profiss�o?

Prot�tica dent�ria.

- Situa��o civil? - Ela � solteira.

N�o tenho namorado.

Endere�o de e-mail e rede social?

Tenho conta no Facebook em meu nome, igual para...

Endere�o de e-mail?

Superstar20@hotmail.fr.

Mila?

Gostaria de me contar?

Fui estuprada ontem � noite.

A que horas, exatamente?

� noite.

Voc� conhece a identidade do agressor?

� o filho da companheira do meu pai.

- Alexandre Farel. - Pode soletrar?

F-A-R-E-L.

Como o jornalista. � o filho dele.

Poderia me descrever os fatos?

Ele me...

levou a uma festa.

Ele me fez fumar

e beber.

E...

Ele me estuprou em um dep�sito de lixo.

Voc� o seguiu voluntariamente?

Ele me disse que tinha uma faca.

Ele a amea�ou com essa faca?

Eu estava com medo.

E depois?

Ele me...

pegou pelos cabelos.

- Ele disse... - O que ele disse?

O que ele disse?

Ele me pegou pelos cabelos, ele disse...

Ele disse...

Ele disse...

Me incomoda precisar repetir.

Lamento, mas preciso do depoimento.

Quer que eu saia?

Ele disse...

"Chupa aqui, putinha."

Eu n�o estava a fim.

Eu s� queria voltar para casa

e pensei que se eu fizesse,

ele me deixaria ir embora.

Eu estava com medo.

E depois?

E...

M�e, eu sinto muito.

Lamento.

Ele disse...

"Sinto que voc� est� molhada,

vou fazer voc� gozar."

E ele me penetrou, dizendo que ia...

me comer e tamb�m que ia me fazer mal.

Que eu iria gostar disso.

Al�, Adam?

Estou no hospital.

� Mila.

Mila foi estuprada. Espere, Adam, ou�a.

Mila foi estuprada pelo filho de Claire.

Acabamos de dar queixa. Estou no hospital.

Qual hospital? Qual hospital?

Chego a� j�.

Adam?

Adam?

Adam, voc� me assusta. O que houve?

Seu filho estuprou minha filha.

O qu�?

Ontem � noite, Alexandre estuprou Mia.

N�o.

Quem disse isso?

Foi Val�rie?

Foi Val�rie quem disse?

Adam, olhe para mim,

� imposs�vel.

Imposs�vel, ouviu?

Olhe para mim.

Minha filha fez den�ncia contra seu filho.

Ele a estuprou em um dep�sito de lixo.

� imposs�vel, n�o faz o menor sentido.

E sua ex faz uma den�ncia sem falar com voc�?

O inqu�rito j� come�ou.

Adam, n�o � verdade.

Asseguro a voc� que n�o � verdade.

Ele jamais faria isso. � meu filho, eu o conhe�o.

Jamais, ouviu?

Adam, n�o � verdade.

Acha que ela � mentirosa?

Imagina a coragem necess�ria para falar � m�e dela?

O que custa a ela fazer a queixa?

Ela precisa retir�-la. Com certeza � um mal entendido.

Brigaram ou n�o se entenderam bem.

Precisamos falar com eles, em primeiro lugar, certo?

Sua vida ser� perdida!

A vida de quem, da Claire? Quem ter� a vida perdida?

A vida de quem?

Adam, por favor.

Por favor, Adam!

Voc� precisa p�r o calcanhar,

a parte de tr�s do p� no estribo.

A mesma coisa do outro lado.

Deite o corpo para tr�s.

Deite completamente. V� se soltando, isso.

Eu vou colocar o avental assim

para que me enxergue o m�nimo poss�vel.

Pronto. Tudo bem, est� bem instalada?

Vou fazer o exame ginecol�gico.

Voc� sente alguma dor, um incomodo em algum lugar?

N�o.

Vou fazer as amostragens.

Bem, n�o h� les�es traum�ticas.

Pronto, terminou.

Aqui est�o suas roupas para se vestir.

Vou deixar os medicamentos junto com um copo de �gua

e um lanche.

Os medicamentos s�o a p�lula do dia seguinte,

preven��o de DST

e HIV.

Adam!

- Onde ela est�. - Psiquiatria. N�o acaba nunca.

Como ela est�?

Est� me perguntando se tudo bem?

- Sim, como ela est�? - Pergunta se tudo bem?

N�o sei se ela ir� se recuperar um dia.

� culpa sua.

Tudo isso � culpa sua.

Se n�o estivesse com sua puta.

- Pare. - � culpa sua, ouviu?

- � por sua causa! - N�o comece, calma.

- Se n�o tivesse ido embora! - Calma!

Voc� abandonou nossa fam�lia.

Fez de tudo para Mila ir morar com voc�.

Voc� � o �nico respons�vel.

Levando-a para o seu mundo,

fez dela uma garota que pode ser estuprada.

Minha filha.

Pare, pare, pare...

Quem ir� quer�-la, agora?

Eu lamento, eu...

Estou cansada.

- N�o consigo repetir. - Apenas quero saber

como voc� se sente.

N�o sei.

Voc� � v�tima de estupro, Mila.

Voc� est� no que chamamos estado de choque.

� uma condi��o p�s-traum�tica.

Voc� ir� sentir coisas estranhas.

Talvez ter ataques de p�nico.

Ou n�o lembrar do que se passou,

sentir-se um pouco perdida.

Ou ent�o, deixar de sentir,

ficar num estado que os outros qualificariam de normal,

como se nada tivesse acontecido.

- N�o h� uma regra. - Quero ir para casa.

S� penso em ir dormir.

Sim, j� est� na hora, n�o?

- Posso ir? - Sim.

Mas seria bom nos reencontrarmos.

Como puderam pensar nisso? Como ousam?

Noah, concentre-se.

Vai!

N�o aceito nenhum acordo financeiro.

Sim, doutor.

� claro.

Obrigado, at� amanh�.

Bom, at� amanh�.

At� amanh�.

Meninas.

- Vou indo. - Tchau, pai.

Beijo, meu amor.

- Est� acabando seus deveres? - Estou.

Tudo bem?

Certeza que n�o quer ficar e jantar?

N�o, vou indo.

Mila, voc� vem me ajudar a p�r � mesa?

Pai!

- Acha ruim eu ficar aqui? - N�o, claro.

Eu te amo, minha filha.

Pode ficar aqui esta noite, se quiser.

Obrigada.

Vou lev�-lo ao tribunal.

- Aqui seu casaco. Est� frio. - Obrigado.

- Ol�. - Ol�.

� Alexandre Farel, est� aqui por estupro.

Aqui est� o processo. A revista.

- T�. - Verifique isto.

Voc� vai ser acusado.

H� ind�cios contra voc�.

Vai precisar justificar a presen�a de seu esperma nas roupas dela.

Eu ejaculei ap�s ela me chupar, que ela fez por vontade pr�pria.

Alexandre, n�o. Desta vez, n�o.

Nem impulsivo, nem arrogante.

Acha que saber� fazer isso?

Sim?

- Bom dia. - Bom dia.

- Sou o Dr. Lancel. - Bom dia.

Fui designado pelo pai de Alexandre para substitu�-lo.

As instru��es dele s�o muito claras.

Devido aos ataques na m�dia em torno deste caso,

� imperativo que n�o se exprima publicamente,

principalmente nas redes sociais.

Diga ao meu pai que se trata de um caso meu.

J� tenho um advogado.

Ele est� comigo desde o in�cio. Tenho confian�a nele.

Muito grato.

Certo, meu jovem, compreendo perfeitamente.

- Podemos conversar? - Sim, claro.

A fam�lia da litigante recusou um acordo.

- Contatou a fam�lia dela? - A pedido de Jean Farel.

Se precisar de qualquer coisa

minha porta estar� sempre aberta.

- Obrigado. - De nada.

Tem certeza de sua escolha?

Voc� n�o tem a menor obriga��o comigo.

Fico com meu advogado.

Sr. Farel, decidi acus�-lo de estupro.

Ter� acesso ao inqu�rito atrav�s de seu advogado.

E a dura��o prevista de inqu�rito � de cerca de um ano e 6 meses.

Levando em conta suas garantias de representa��o,

n�o escolho o juiz de liberdades e de deten��o

para pedir-lhe seu lugar de deten��o provis�ria.

Dito de outra forma, o senhor est� livre.

Assim sendo, o senhor est� sob controle judici�rio

com as obriga��es e interdi��es seguintes:

Tem obriga��o de responder a todas as minhas convoca��es.

Igualmente, tem a obriga��o

de submeter-se �s medidas de instru��o,

e, em particular, �s avalia��es psicol�gica e psiqui�trica.

Est� proibido de sair do territ�rio nacional

e, sobretudo,

proibi��o de ter contato com a licitante,

de aproximar-se dela de perto ou de longe.

Se violar esta interdi��o,

poder� ser preso novamente.

Fui bem claro?

Foi.

3 MESES MAIS TARDE

Gostaria que voc� estivesse comigo.

N�o me pe�a para apoiar Alexandre, voc� sabe o que penso.

At� a noite.

At�.

Bom dia.

Sacola, telefone e chaves, por favor.

- Sra. Farel! - Por favor!

- Voc� est� atrasado. - Fiz o que pude.

Obrigado, senhor.

Vamos l�, chefe.

As m�os.

Tudo bem?

Vai dar tudo certo. Seja natural, r�pido e conciso.

Vai lembrar?

� obsceno essa gente toda.

Vamos l�.

A Corte!

A audi�ncia est� aberta, podem sentar.

Poderia declarar � Corte sua identidade,

data e local de nascimento,

domic�lio e profiss�o?

Meu nome � Alexandre Farel,

nascido em 4 de janeiro de 1996.

Sou engenheiro e moro em Paris no XVI�, Av. Exelmans, 93.

Conforme ao artigo 327 do c�digo de procedimento penal,

vou agora apresentar os fatos imputados ao acusado,

como expostos na ordem acusat�ria,

assim como os elementos imputados e n�o imputados.

O senhor � acusado de ter, por viol�ncia, coa��o ou amea�a,

cometido o ato de penetra��o sexual em Mila Wizman,

impondo-lhe uma penetra��o bucal

e uma penetra��o digital e peniana vaginal.

Tais fatos teriam acontecido em Saint-Mand�,

em 10 de outubro de 2018.

Este crime � punido com um m�ximo de 15 anos de reclus�o.

Tr�s meses antes da audi�ncia pela Corte, em 7 de janeiro de 2021

Alexandre Farel foi interpelado

ap�s haver abordado Mila Wizman na via p�blica,

violando seu controle judici�rio,

que o proibia de entrar em contato com a parte civil.

Portanto, ele foi preso por mandato do juiz.

O senhor est�, portanto, preso desde 7 de janeiro de 2021,

ou seja, h� tr�s meses.

Nesta audi�ncia o senhor pode se expressar o quanto quiser,

mas tamb�m pode se calar se for essa sua escolha.

Compreendeu o resumo que acabei de fazer?

Sim.

Reconhece os fatos pelos quais � acusado?

N�o. Ela consentiu.

ESTA��O SAINT-MAND�

Os especialistas n�o querem se pronunciar

sobre a natureza coercitiva da rela��o.

Uma rela��o consensual pode ser violenta e causar les�es,

uma rela��o n�o consensual pode n�o causar les�es.

Segundo as an�lises toxicol�gicas a v�tima bebeu e fumou maconha.

O acusado tamb�m. Ele tamb�m usou coca�na.

Como se passou a pris�o preventiva do Sr. Farel?

Hora desligado, hora agressivo.

Ele n�o nos levou a s�rio. Via-se pelo modo de responder.

E mais, no primeiro interrogat�rio ele negou a rela��o sexual.

Em que ponto ele mudou de vers�o?

Ao dizermos que hav�amos detectado seu DNA

no corpo e roupas �ntimas da litigante,

ele mudou de atitude.

Sra. Vallet,

a senhora est� habituada com casos de estupro?

Infelizmente sim, isso � frequente.

A atitude da Srta. Wizman era a de uma v�tima de estupro?

Sim. Ela estava chocada ao extremo e muito emotiva.

Segundo a senhora, ela mentia ou era sincera?

Nada nos permitia duvidar da sinceridade da Srta. Wizman.

E em rela��o � mentira do Sr. Alexandre Farel?

Um homem pode mentir porque tem medo,

porque tem vergonha, porque a realidade de seus atos

lhe parecem insuport�veis.

Muito obrigado.

Alexandre Farel � uma pessoa muito inteligente, polida, cort�s.

Ele se mostrou conciliador ao longo da consulta.

Ele n�o apresenta qualquer antecedente patol�gico importante,

qualquer sinal de dissocia��o ps�quica,

qualquer ideia delirante,

nem qualquer manifesta��o alucinat�ria

de natureza a evocar um processo psic�tico.

Ele n�o era, no momento dos fatos,

portador de um problema psiqui�trico

que pudesse abolir ou atenuar

seu discernimento

nem o controle de seus atos.

Eu digo, a via da realeza � ser desenvolvedor no Google.

Voc� faz cerca de...

no Airbnb e eles pagam 180 mil contos por ano.

E por que eu iria para o Google por 130?

No Uber os caras me ofereceram 110 mil!

N�o sou mendigo!

Voc� estudou s� para ganhar dinheiro.

N�o para mudar o mundo porque ele � sacana,

- porque tem guerra... - Os ursos morrem na Ant�rtica.

Porque os meganhas s�o racistas!

Mila Wizman teve uma inf�ncia feliz,

mas ela anda mal desde que os pais divorciaram.

Ela diz que gostava muito da nova companheira do pai,

mesmo se a culpava por haver acabado com a fam�lia.

Ela tem menos contato com a m�e, uma judia religiosa.

Mila alimenta um forte sentimento de culpa,

pois a m�e repete que se ela n�o fosse morar com o pai,

nada teria acontecido.

Sobre a vis�o dela dos fatos,

ela descreve bem a manipula��o da qual foi v�tima

e sua estrat�gia de defesa.

Esta aparente submiss�o

para n�o ati�ar

uma eventual viol�ncia de seu agressor.

Mila tem dificuldades para dormir.

Ela tem pesadelos no curso dos quais

ela rev� a cena do estupro.

Nota-se um problema da imagem do corpo

com o sentimento de estar suja.

Ela tem rituais para se lavar,

ela provoca v�mitos ap�s ter comido.

Ela aumentou de peso.

Encontra-se tamb�m problemas de adapta��o social.

Ela n�o confia em ningu�m,

tem medo dos homens.

A repercuss�o � importante,

ela toca sua personalidade.

O que espera deste processo?

Que ele reconhe�a o mal que me fez.

Em que condi��es encontrou-se sozinha com o Sr. Farel?

Eu o acompanhei a uma festa.

Ele era polido e gentil, eu confiei nele.

Ele me prop�s uma bebida.

Eu disse que n�o.

E ele insistiu muito,

apresentando como um champanhe de marca famosa.

Eu peguei a ta�a porque

tinha vergonha de me passar por imbecil. Eu a bebi.

Fiquei zonza.

Tinha vontade de vomitar.

Falei que ia dar uma respirada

e ele foi comigo porque...

digamos que era perigoso uma garota s� na rua.

A Srta. declarou que n�o se drogou.

As an�lises toxicol�gicas provaram o contr�rio.

Eu tinha medo que dissessem que eu tinha fumado,

que estava fora de controle, que n�o estava em estado normal.

Eu n�o queria problemas com a pol�cia.

- J� teve? - N�o.

Nunca.

Durante o trajeto, o Sr. Farel tentou lhe beijar,

- lhe abra�ar? - Sim.

Ele p�s a m�o sobre meu ombro.

Voc� deixou?

N�o de verdade.

Mas o seguiu de livre e espont�nea vontade �quele dep�sito?

Sim, mas para fumar. S� para isso.

Eu estava zonza por causa do �lcool.

Nunca bebo.

Chegando l� voc�s fumam

e, em seguida, ele lhe pede que fa�a uma fela��o, � isso?

Ele me pegou pelo pesco�o

e grudou minha cabe�a contra o sexo dele.

Voc� o fez saber que n�o concordava

falando ou gesticulando?

Eu n�o concordei.

Eu disse que tinha um namorado,

mas, enfim, eu n�o podia fazer nada e...

ele enfiou seu...

o sexo dele na minha boca.

Fazia mal?

Ele segurava meu cabelo como uma coleira de cachorro.

Ele puxava.

E voc� deixou?

Eu estava apavorada.

Depois ele come�ou a pegar nos meus peitos

e embaixo tamb�m.

Eu vi que...

ele queria ir adiante, ele insistia.

Voc� disse n�o a ele nesse momento?

Eu n�o conseguia mais falar, era como se eu fosse dupla.

Eu via meu corpo, mas...

eu n�o estava mais l�.

Eu tinha medo.

Ele...

Ele p�s o corpo dele sobre o meu para me impedir de sair.

Ele me pediu para tirar meu jeans.

Ele ordena e voc� faz?

Eu tinha medo, quando est�vamos na rua,

ele disse que devido aos atentados ele sempre carregava uma faca.

Voc� viu essa faca?

No in�cio, voc� declarou

que ele a amea�ou com uma faca

e depois, nunca houve faca.

S�o apenas perguntas, senhorita.

- Tento compreender. - O que eu podia fazer?

Voc� est� com um cara que diz: "Tenho uma faca".

Ele tirou minha calcinha, ele...

Ele tirou minha calcinha.

Enfiou os dedos.

Ele me fazia mal com o vai e vem.

Ele me disse para deixar com ele,

que eu gostava disso,

e...

que ele ia parar quando eu tivesse gozado.

E...

Ele me empurrou para tr�s

e me penetrou com seu sexo.

Ele ejaculou?

Na parte debaixo das costas, sim.

Ele vestiu a roupa,

e eu, as minhas coisas.

Depois falou que ia para a festa.

Eu disse que ia voltar para casa.

E...

Ele tinha ficado com minha calcinha.

Ele me disse que...

que era s� um trote.

Eu comecei a chorar,

acho que ele se desculpou.

Senhorita, voc� disse que alguns pensaram

que sua palavra n�o valia nada.

Ora, sua palavra tem valor,

eu lhe digo, a justi�a acredita em voc�.

Obrigada.

Voc� tenta esquecer? Por isso � �s vezes pouco exata?

Voc� diz que ele pronunciou as seguintes palavras:

"Chupa aqui, putinha."

� verdade?

Penso que deve se expressar se pretende sair daqui

diferente da pessoa que era ao chegar.

Sinto muito. Tenho vergonha.

N�o � voc� quem deve ter vergonha.

Voc� tem certeza que ele compreendeu bem

que voc� n�o consentia?

Sim.

No entanto, meu cliente afirma

que voc� n�o manifestou nenhuma oposi��o.

Ele estava violento.

Mas voc� n�o pediu socorro?

Ele meteu a m�o sobre a minha boca.

Sim. Ele diz que escorregou o dedo em sua boca.

Voc� descreve um ato de viol�ncia

e ele descreve outro, de natureza er�tica.

Era bem claro que ele sabia o que fazia.

N�s n�o negamos seu sofrimento,

simplesmente nosso cliente n�o tem a mesma percep��o das coisas.

Voc� concorda em reconhecer que em estado alcoolizado,

podemos fazer coisas anormais?

N�o sei, n�o tenho esse h�bito.

Por que aceitou ir com o Sr. Farel

para a rua e depois �quele dep�sito?

Porque eu me sentia mal e confiei nele.

O Sr. Farel a abra�ou na rua, ent�o...

se segue com ele � porque isso lhe agrada?

N�o sei. Eu estava mal por causa do �lcool, n�o estou habituada.

Chegando ao dep�sito,

n�o acha que legitimamente podia vir � mente dele

que voc� estava interessada por ele?

N�o.

Desde a chegada, voc� aceitou que ele a beijasse.

N�o, ele n�o me deu escolha.

Voc� podia sair, a porta n�o estava fechada a chave.

Primeiro, eu n�o sabia, e tinha medo por causa da faca.

Mas essa faca voc� jamais a viu?

N�o.

Porque nunca houve uma faca.

Nunca houve uma faca!

Ele disse que tinha uma e eu acreditei.

Voc� o acha bonito?

Pergunto simplesmente se o acha sedutor.

Qual � a rela��o, o que isso muda?

Voc� tem um namorado?

Sim.

Declarou aos investigadores que era virgem,

depois, os resultados mostraram que voc� j� tinha mantido rela��es.

Eu menti porque tinha vergonha.

Vergonha do qu�?

Eu tinha medo que minha m�e soubesse, ela n�o sabia.

Ela � bem estrita, eu disse.

Para sua m�e � importante ser virgem?

Sim, ela � muito religiosa.

E voc� j� teve rela��es antes dele?

Sim.

Com quem?

Um s� homem.

Durou muito tempo?

Algumas semanas.

Que idade ele tinha?

- Trinta e dois anos. - E voc� tinha?

Dezessete anos.

Ele era solteiro?

N�o.

Ele era casado, tinha filhos.

Sim, tr�s.

- Voc� sabia disso? - Sim.

Portanto, antes de seu encontro com o Sr. Farel,

voc� teve rela��es com um homem 15 anos mais velho

e afirmou � pol�cia que era virgem.

Eu menti porque tinha vergonha,

minha m�e havia ficado cada vez mais religiosa.

Srta. Wizman, por que romperam a rela��o?

Por que raz�o?

Foi ele, pois n�o queria largar sua mulher.

� verdade que voc� amea�ou enviar � mulher dele

todos os SMS que voc�s haviam trocado?

Sim, mas eu estava muito mal.

Ah.

Srta. Wizman, voc� deseja mal aos homens?

N�o.

Voc� j� foi agredida sexualmente antes do encontro com o Sr. Farel?

N�o.

N�o?

No entanto, no Twitter, no dia seguinte ao caso Weinstein

e do lan�amento do #BalanceTonPorc l�-se o tu�te seguinte:

"Eu tinha 13 anos, estava num acampamento, doente.

Meu monitor entrou em meu quarto

a pretexto de ver minha temperatura e enfiou a m�o na minha calcinha.

#Livre-seDasPorcarias."

Lembra desse tu�te?

N�o lembra mais de ter sido agredida por ele

ou de haver postado esse tu�te?

De ter escrito isso.

- Mas confirma a agress�o? - Sim.

- Em que ano foi esse acampamento? - N�o lembro mais.

� importante, pois afirma ter sido

agredida sexualmente por esse monitor.

- Eu tinha 13 anos. - A �nica vez

que saiu sem seus pais,

n�o foi acampar e voc� tinha 10 anos.

N�o foi um acampamento, foi na casa de uma amiga.

- O pai dela me fez isso. - N�o tenho mais perguntas.

Obrigada, Srta. Wizman.

Qual �, caras? Mais a��o a�!

- Pediu mais a��o? - Claro!

Sim, voc� seduz uma garota da festa

e tem at� as 2h para trazer a calcinha dela.

- Qualquer uma? - �, divirta-se, cara!

E quem perder, eu posto uma foto dele no Instagram!

Vou pegar aquela ruiva.

Ainda n�o trepou com ela? Ela trepou com todo o col�gio.

E aquela?

Desculpe.

Para voc�.

N�o, obrigada.

Voc� n�o dan�a, n�o bebe...

Se h� um champanhe a beber � este aqui.

Estou com um pouco de dor de cabe�a.

Sa�de!

N�o quer sair, dar uma respirada?

J� v�o?

N�o, j� voltamos!

No dep�sito, a Srta. Wizman diz

que voc� enfiou seu sexo na boca dela.

N�s nos beijamos e pedi a ela para me fazer uma fela��o.

Eu tirei meu sexo e ela o levou � boca dela.

Ela n�o manifestou discordar disso?

N�o, mas logo senti que n�o era muito coisa dela,

ent�o pedi para ela parar e me acariciei.

O que pretende dizer com "N�o era muito coisa dela".

Ela n�o estava � vontade, me fazia mal com os dentes.

Achei que ela n�o tinha experi�ncia.

Ela n�o disse que n�o queria, que tinha medo de voc�?

Se ela n�o quisesse teria me dito n�o.

Ela diz que voc� ordenou.

Que voc� teria dito: "Chupa aqui, putinha."

No calor do momento, posso ter dito.

� algo que se diz, n�o?

O que acontece em seguida?

Em seguida, deitamos no ch�o.

Eu cheirei coca�na em cima da barriga dela

e ela deixou.

Deitei em cima dela, pedi que tirasse o jeans,

porque o atrito do bot�o me fazia mal.

Ela tirou.

Ela continua a n�o falar nada?

N�o, ela faz, s� isso.

E em seguida?

Em seguida...

Tirei a calcinha dela e enfiei no bolso.

Introduzi meus dedos no sexo dela para faz�-la gozar,

abaixei meu jeans e penetrei nela.

Mas eu n�o tinha preservativo,

ent�o me retirei e ejaculei sobre ela.

Nesse momento, percebeu bem que ela estava apavorada.

N�o.

Sen�o eu teria parado.

Ela deixava e at� tive a impress�o que ela sentia prazer.

Ela deixava talvez porque estivesse paralisada?

N�o.

No que se baseia para afirmar isso?

Fico um pouco incomodado em dizer.

N�o fique incomodado.

O sexo dela estava encharcado.

Ela gozou.

Lhe acontece seguido de deitar t�o r�pido com as garotas?

Estamos em 2021, senhora ju�za.

Quando gente da minha idade se agrada, em geral, deitam juntos.

Por que ela fez a den�ncia? Por que mant�m sua vers�o?

Para se vingar por eu ter falado no trote?

Acredite, tenho vergonha em ter aceito essa aposta est�pida,

vergonha de t�-la humilhado confessando que era para um trote.

Eu fui pat�tico, sujo, um porc�o,

chame-me como quiser, mas n�o sou um estuprador.

Doutor, o senhor tem perguntas?

Se a rela��o sexual era consensual, por que neg�-la?

Durante v�rias horas,

voc� falou que n�o houve rela��o.

Voc� esperou seu DNA confirmar.

- Voc�... - J� lhe disse.

Eu fiquei com medo.

Ficou com medo porque a estuprou?

N�o.

Seu DNA foi encontrado no corpo dela.

Rapidamente reconheci ter feito amor com ela.

Detalhe importante, voc� � descrito pelas testemunhas

como um homem atencioso, sens�vel.

Voc� a teria levado a um local t�o s�rdido

quanto um dep�sito de lixo mesmo?

Era um local de manuten��o,

se me permite.

Fomos �quele local para fumar,

pois ela n�o quis fumar no parque.

Sr. Farel, que livro lia durante os acontecimentos?

- N�o sei, leio muito. - Os policiais encontraram

um romance de Georges Bataille intitulado "Minha M�e".

Lerei a quarta cobertura, se me permitem.

"Iniciado � orgia e � libertinagem,

o adolescente descobre uma vida de perdi��o

onde misturam-se vergonha, gozo

e desgosto."

N�o vejo onde est� o problema.

O problema � que � um livro obsceno.

Na literatura n�o h� obscenidade.

Baudelaire era julgado obsceno e hoje � lido no col�gio.

Tamb�m quer retir�-lo do programa? Est� em moda.

Baudelaire fala s� de amor,

enquanto voc�, Sr. Farel,

sublinha em seu livro frases bem particulares.

Vou ler uma, na p�gina 62.

"Quando ele me encontrou nua, ele me estuprou,

mas ensanguentei o rosto dele.

Eu queria arrancar os olhos, mas n�o consegui."

Espero que o senhor e ningu�m aqui

tenham lido Sade ou Bataille.

Cuidado, podem acabar em um tribunal.

Doutor,

poder� falar mais tarde.

Continuemos na �rea liter�ria, se assim quiserem.

O senhor venceu um concurso liter�rio h� uns anos.

Poderia falar do assunto desse conto.

� uma hist�ria de amor.

O senhor escreveu a hist�ria

de um jovem estagi�rio com uma conselheira pol�tica.

O homem a for�a a fazer uma fela��o,

depois a estupra duas vezes.

A ideia foi de uma mulher com quem eu sa�a, na �poca.

Seria bom ela vir dar a vers�o dela.

Era uma fantasia entre adultos consensuais.

Era uma fantasia, talvez,

mas um dia o senhor passou ao ato.

Est� com frio?

Espere.

Farel!

Louis! Como vai o meu Louis?

J� est�o indo?

N�o, vimos dar uma respirada.

- Como vai, faz muito tempo! - Tudo bem?

Mila, Louis.

Estudamos juntos no Henri IV.

Est� na Stanford, me disseram?

E voc�? HEV!

- Sim, mas... - Mas, o qu�...?

Venha, vamos tomar uma.

Espere por mim, volto daqui 10 minutos.

- Vai voltar? - Claro.

- Contente em v�-lo. - Eu tamb�m.

Faz anos que n�o encontro com ele.

Tudo bem?

Melhorou? Dar uma respirada me fez bem, tamb�m.

Quer ir se sentar?

Venha.

Eu sou uma mulher

e sou, tamb�m, uma m�e.

Que palavra devo lhes aportar hoje?

A quem escutar�o?

Qual delas ser� cr�vel?

Esta mulher que sempre militou pela causa das mulheres?

Esta que como todas aqui seguidamente se viu

em situa��es desagrad�veis, e mesmo bem amea�adoras,

que nos obrigam a achar em n�s recursos para se esquivar

ou enfrentar,

sem constranger aquele cujo comportamento

nos ofendeu ou depreciou,

e de quem ignoramos se ir� se vingar

e de que maneira.

Esta mulher que aprendeu a dizer n�o.

� esta mulher que deve se dirigir a voc�s hoje?

Esta mulher n�o existe mais.

Eu descobri a distor��o entre os discursos engajados,

humanistas,

e a realidade da exist�ncia.

A imposs�vel aplica��o das mais nobres ideias

quando os interesses pessoais lhe impede qualquer discernimento.

Ent�o, s� resta a m�e

que ainda pode lhes falar hoje.

A m�e

de Alexandre Farel.

Meu filho.

Pois trata-se dele, do meu filho...

�nico.

Um filho que nunca foi violento, nem brutal.

Um filho inteligente, meigo, am�vel.

Um filho exemplar

que sempre me deixou feliz

e no qual tenho toda confian�a.

Acusado hoje por Mila,

a quem sempre apreciei,

na qual reconhe�o o sofrimento.

Eu a reconhe�o.

Eu disse, sou uma m�e

e ela tamb�m, de certo modo, foi como uma filha.

N�s estamos, voc�s e eu, no mesmo lugar,

o lugar do rei Salom�o.

Nos pedem para escolhermos entre essas duas vidas, jovens,

e j� destro�adas.

Devemos sacrificar uma vida em detrimento da outra?

� a �nica solu��o que temos?

Tenho um sentimento de desperd�cio absoluto.

Mila preferiu ficar com o advogado

e o psic�logo da Associa��o de Ajuda �s V�timas.

Eu ouvi o testemunho dela.

O advogado do meu filho foi muito duro, lamento de verdade.

Ele s� faz o trabalho dele, n�o tem nada a ver com voc�.

Preferimos esperar aqui fora a pedido dela e do advogado

para que ela pudesse se expressar com mais liberdade.

E tamb�m pensei que seria um momento dif�cil.

Quer comer algo?

Talvez um caf�.

Faz dois anos que me preparo para isso,

para a viol�ncia da audi�ncia.

Onde est� Val�rie?

Shabat dentro de algumas horas.

E Jean?

No programa dele.

O que est� lendo?

Li v�rias vezes, pode levar se quiser.

Obrigada.

Sinto saudades suas.

Eu tamb�m sofri com nossa separa��o.

Se quer saber se refiz minha vida,

se estou feliz...

N�o, n�o refiz minha vida e n�o estou feliz.

N�o.

N�o havia escolha.

V�o retomar.

Deixo voc� ir sozinha? Para n�o nos verem juntos.

Sim.

Tenho dezenas de clientes por dia, n�o lembro mais.

Depois, a gata entrou no ve�culo.

Chorava como se fosse o fim do mundo...

Sabe se ela lhe deu uma nota

ao sair do seu ve�culo?

Isso n�o sei.

Ela lhe deu 5 estrelas.

Obrigado.

Enquanto ela nos diz que acabou de ser estuprada,

a Srta. Wizman parece ter energia e discernimento suficientes

para dar nota ao chofer.

N�o tenho mais nada a acrescentar.

V�rias vezes ele me obrigou a acariciar seu sexo,

mesmo eu n�o querendo.

Ele pegava minha m�o, apertava o sexo dele,

depois usava minha m�o para se acariciar

como se eu fosse marionete.

E isso voc� n�o considera que seja uso de viol�ncia?

N�o sei, � comum.

Todas n�s conhecemos caras que tentam, que insistem

e, por vezes, atacam direto.

Uma vez, no banco de tr�s do carro dele,

ele disse que estava a fim de mim e quis tirar meu jeans.

Eu o repeli e ele n�o insistiu.

E houve outra vez que...

ele me prop�s me sodomizar,

eu disse n�o.

Mas ele me prop�s isso porque ele n�o...

Pois eu disse que queria ficar virgem,

mas n�o era para fazer uma coisa violenta.

E quando eu disse n�o, ele concordou.

Ele s� me pediu para fazer uma fela��o,

pois n�o era muito legal deix�-lo naquele estado.

- E foi o que voc� fez? - Foi.

Voc� estava a fim?

N�o, n�o exatamente.

Isso lhe parece normal?

N�o sei...

O que � normal e o que n�o �?

Lamento ter sido a origem do trote.

Nunca pensei no mal que poderia fazer humilhando as garotas,

dizendo que quando uma consegue � gra�a �s cotas.

Esta hist�ria me chocou profundamente.

N�o sei se Alexandre fez isso, ou n�o,

e mesmo se espontaneamente duvido da vers�o dessa garota

porque...

n�o consigo acreditar que meu amigo possa fazer algo assim,

vou me abster de falar qualquer coisa contra ela,

pois compreendi, ouvindo estes testemunhos das garotas,

que elas queriam ser acreditadas e ouvidas.

Est� com medo?

De jeito nenhum.

Sossegue, tenho algo para nos defender.

Depois dos atentados, Bataclan e tal,

nunca saio neste pa�s sem minha faca.

N�o quer vir?

Venha, vamos ficar num lugar mais quente.

A noite em que Alexandre saiu com Mila Wizman,

ele bebeu...

Ele bebeu, fumou, se drogou.

Ele n�o estava em seu estado normal e com o exemplo...

de um pai infiel,

um mulherengo, sedutor, n�o tenho orgulho disso,

ele cresceu com a ideia de que o sexo era...

algo superficial, sem consequ�ncias,

sem compromisso.

Meu filho,

que conhe�o melhor que ningu�m sem contar a m�e,

n�o � um estuprador perverso como alguns descrevem.

Sendo assim, eu digo.

Eu digo.

Quando uma garota segue um rapaz at� um local em plena noite,

ela sabe o que faz.

Ela sabe o que faz.

Ent�o, talvez depois ela se arrependeu por vergonha,

mas, enfim, em todo caso,

naquele momento,

ela n�o falou claramente esta palavra,

que teria freado meu filho.

Ela n�o disse: "N�o".

Vamos reconhecer, estamos na zona cinzenta.

E ele j� pagou bastante pelo que aconteceu.

Ele n�o pode seguir os estudos em Stanford,

sua carreira nos EUA est� perdida, talvez para sempre,

est� preso h� 3 meses.

Tr�s meses!

Porque por azar cruzou essa garota na rua.

Mas ele quis pedir perd�o!

Ele quis trocar algumas palavras com ela,

ele quis...

Ele quis se explicar, como fazem as pessoas civilizadas.

Ela come�ou a gritar! A gritar!

Por ter cruzado com ela por acaso, ele est� preso.

Porque n�o devia se aproximar dela, porque ela n�o quis escut�-lo.

Ela se meteu a gritar em pleno dia, numa rua movimentada como se...

como se ele quisesse agredi-la, mat�-la, esfol�-la, sei l�...

A� est�, ap�s isso...

Ap�s isso ele est� apavorado.

Apavorado.

N�o sai mais da cela.

Ele n�o dir� nada, mas...

ele est� destru�do.

N�o tenho certeza se ele se recupera.

Seria injusto de condenar...

de destruir,

de destruir a vida de um rapaz

por 20 minutos de a��o.

Jean Farel, voc� fala de zona cinzenta?

Estima ser v�tima de uma maquina��o?

N�o, por favor, deixem a Srta. Wizman.

- Olhe o mal que isso faz a ela! - N�o comece!

N�o comece!

Vinte minutos de a��o?

E a zona cinzenta?

A zona cinzenta � inventada pelos homens para se justificar.

No MeToo � incont�vel o n�mero de garotas

que contam ter sido perseguidas ou agredidas sexualmente,

mas � estranho,

nenhum homem se v� como tendo um dia perseguido

ou agredido uma garota.

Mas h� coisa pior que a viol�ncia, de fato.

� o menosprezo deles.

Eles tentaram nos comprar com a grana deles.

Vivemos um del�rio.

O que fazer agora? O que fazer?

Nada, prepare a mesa.

Era s� ela dizer n�o, porra! "N�o!"

N�o � dif�cil, "N�o."

� a primeira palavra que uma crian�a aprende a dizer.

N�o aguento mais esse discurso deles...

- Jean, por favor. - Discurso de v�tima!

Quando uma garota me segue a um local,

ela sabe o que ela quer, n�o?

N�o me far�o acreditar que somos os �nicos a querer trepar.

- Conhe�o as mulheres que chega... - E se fosse sua filha?

Se fosse sua filha que lhe dissesse que um homem a havia estuprado?

O que voc� faria?

Eu o mato.

Voc� conheceu o Sr. Farel em 2017, ele era seu estagi�rio.

Como a natureza do relacionamento evoluiu?

N�o sei mais.

N�s nos gost�vamos, era dif�cil esconder.

O que acontecia nos encontros?

Faz�amos amor em um hotel na periferia de Paris.

Quem pagava o quarto?

Eu, quase sempre.

Voc� o ama?

Sim.

Se voc� n�o estivesse a fim de fazer amor,

ele se mostrava insistente?

Nunca.

Nunca ele me for�ou a fazer seja l� o que for.

N�s nos entend�amos muito bem. Quero dizer, sexualmente.

Ele n�o lhe impunha

acarici�-lo, fazer coisas?

Ele n�o tinha necessidade de me obrigar.

Por vezes ele se mostrava violento?

N�o.

Ele tinha exig�ncias peculiares?

Ignoro o que a senhora entende como sendo "peculiar".

- Ele lhe impunha fela��es? - Ele n�o me impunha nada.

No momento dos fatos, encontrava com ele?

N�o, eu o havia deixado

a tempos, mas o havia encontrado a pedido meu.

Eu desejava que ele apagasse as mensagens que trocamos.

Muito bem.

Tem algo mais a acrescentar?

Alexandre � um rapaz meigo.

Ele � complicado, � claro.

Ele gosta das rela��es de for�a, pode ser brutal,

mas nunca foi violento comigo.

Doutora?

O que aconteceu quando...

quando comunicou ao Sr. Farel que iria deix�-lo?

Ficou triste, com raiva, � normal.

Ele tentou continuar?

Sim, claro.

De que forma?

Ele dizia que era louco por mim, que queria viver sempre comigo.

No entanto, fez uma den�ncia contra ele por persegui��o.

- Para assust�-lo. - Sentia medo dele?

- N�o, claro. - No entanto,

foi at� a delegacia do XVI� em Paris

e fez uma den�ncia?

J� disse, queria dist�ncia dele, mas retirei a den�ncia.

Srta. Vasseur, algu�m a pressionou

para que viesse hoje testemunhar em favor do Sr. Farel?

De forma alguma.

Vou reformular a pergunta.

O pai de Alexandre

lhe prometeu ajud�-la na sua carreira pol�tica

se testemunhar em favor do filho dele?

Teria ele prometido, por exemplo,

convid�-la a um de seus programas?

� evidente que n�o.

N�o tenho mais perguntas.

Srta. Vasseur,

no laptop do Sr. Farel encontrou-se algumas trocas de e-mail.

Em uma dessas mensagens, ele lhe diz que tem vontade,

eu cito, "de lhe fazer mal".

Um di�logo banal entre duas pessoas que desejam uma � outra.

Ele tamb�m lhe escreve:

"Voc� � uma putinha, mas estou muito apaixonado por voc�."

N�o era agressivo. Fal�vamos cruamente durante o amor.

Tem raz�o em dizer isso. A parte civil o arrasou

pois ele havia dito � Srta. Wizman ap�s alguns beijos:

"Chupa aqui, putinha" e "Vou te fazer mal".

S�o express�es que ele tem h�bito de usar?

O que bem mostra que ele teve um relacionamento normal com ela.

Srta. Vasseur,

seria mesmo a senhorita quem pediu para ele escrever um conto

colocando em cena um estagi�rio e uma conselheira pol�tica?

Sim, eu me arrependo.

Hoje vejo que isso se virou contra ele.

Mais nada a acrescentar.

Eu lhe agrade�o.

ARGUMENTA��ES FINAIS

Estamos frente ao tribunal de justi�a

porque Mila Wizman precisa de sua escuta.

O fato de ver seu sofrimento reconhecido

e sancionado,

ir� ajud�-la a se reconstruir.

Ao longo de todos os procedimentos e do processo,

precisou recontar de novo o eterno indiz�vel,

enquanto a �nica coisa que gostaria

era esquecer.

Nas agress�es sexuais,

recontar � reviver.

Eu me levanto, mas n�o vou embora, Mila.

Eu me levanto

e permane�o em p�.

E tomo a palavra em seu lugar

e no de todas as mulheres abusadas, for�adas,

obrigadas, submetidas, negadas, amorda�adas,

por todas aquelas que s�o designadas culpadas

por n�o terem podido ou sabido dizer n�o.

Quem n�o fala, consente?

N�o.

Quem n�o fala, se submete.

Mila se submeteu.

N�s n�o estamos em uma zona cinzenta

nesta noite de 10 de outubro de 2018.

A �nica zona cinzenta deste caso � aquela do dep�sito de lixo,

ou ap�s faz�-la beber quando ela nunca bebe,

de faz�-la fumar quando ela nunca fuma,

ele decide lev�-la para a noite fria.

Mas � uma zona vermelha!

Uma zona onde Alexandre Farel reina,

em seu mundo, bem nascido, como mestre.

Com regras para dele.

De acordo com seu jogo, era um trote para ele.

Em seu universo, sua festa, seus amigos.

E ele � forte em tudo isso, � desse ascendente,

desse ascendente de macho dominante e burgu�s,

de "filho de", do intelectual brilhante,

de rapaz mais velho, � dessa for�a toda

que ele se lan�a sobre Mila,

a judiazinha do meio modesto que n�o conhece os c�digos

para ganhar o jogo com facilidade.

O jogo dele!

Que consiste em se desafiar, em se divertir,

para levar a calcinha de uma garota em seu bolso

como um trof�u.

Isso � ilegal?

N�o.

E o Sr. Farel com certeza n�o pensa ter cometido um crime,

pois teve seu desejo saciado.

Ele acrescentou:

"Ela gozou."

Ele falou: "Ela gozou."

Seria ent�o este

o resultado de 5 dias de audi�ncia?

N�o, Sr. Farel, ela n�o gozou!

N�o, ela n�o quis ser penetrada v�rias vezes.

N�o, ela n�o quis ser coberta de esperma.

N�o, ela n�o quis ser obrigada a lhe fazer uma fela��o.

N�o, Sr. Farel.

O senhor n�o sabia se Mila queria pois isso pouco lhe importava,

completamente esmagada, destru�da,

apagada, anulada,

sob seu corpo dentro do seu jogo.

T�o pouco lhe importava quanto tinha certeza

por n�o se inquietar durante 20 minutos de a��o.

Essa voz, que o senhor abafou, Sr. Farel,

eu tento aqui devolv�-la a Mila

e todas as mulheres em horr�vel cortejo,

que como ela e antes dela

gritaram: "N�o!"

Vindo do interior de seus corpos que se quebram

trazendo a voc�s

a justi�a devida em nome dos homens.

E eu deveria dizer, em nome dos homens e das mulheres.

Sra. Ju�za, senhoras e senhores jurados,

eu ignoro tanto se condenar�o Alexandre Farel

quanto a pena que ser� estabelecida,

mas uma coisa � certa,

Mila Wizman, por 20 minutos,

ser� condenada � perpetuidade.

A dificuldade neste caso,

n�o � a materialidade dos fatos.

Nessa noite, entre 10 e 11 de outubro de 2018,

n�o foi contestado que houve rela��o sexual

entre o Sr. Farel e a Srta. Wizman.

N�o, a verdadeira dificuldade,

est� na personalidade do acusado

e no mist�rio da passagem ao ato.

H� o Alexandre Farel, estudante dedicado,

o rapaz vulner�vel, duvidoso de si, atencioso,

e depois h� o outro, que tamb�m existe,

que pode ser arrogante, violento, possessivo, invejoso.

Por que este homem, um dia, cometeu um crime?

Naquela noite, era poss�vel, f�cil, ent�o ele fez.

Ele cometeu o que se poderia chamar de um estupro oportunista.

Penso que o Sr. Farel � sincero, sua vida n�o � mais o que era.

Ele tinha sucesso nos estudos, era amado...

e um dia, seus limites cederam.

Ao conden�-lo, deveriam pensar tamb�m na reinser��o do Sr. Farel.

Como este homem reencontrar�, um dia,

seu lugar na sociedade?

Mas h� tamb�m a v�tima.

A Srta. Wizman sofreu muito durante este processo,

pois � doloroso recordar de atos que lhe fizeram mal

e continuam a fazer mal.

Mas tenho certeza que ela � mais forte do que pensa.

Certo que j� existem as premissas do perd�o.

A investiga��o estabeleceu que a viol�ncia sexual do Sr. Farel

� isolada a esta noite de 10 de outubro de 2018.

N�o tenho nenhuma vontade de virar a mesa da sua vida, Sr. Farel.

No fundo, o senhor sabe que houve estupro

que agora existe um antes e um depois.

N�o lhes pe�o que o mantenham preso.

Tenho a convic��o que n�o h� um perigo para a sociedade.

� um homem culpado,

mas cuja culpabilidade deve ser sancionada

a uma outra personalidade.

N�o irei requerer uma pena de reclus�o.

O Sr. Farel n�o tem nenhum antecedente de agress�o sexual,

n�o tem nenhuma ficha criminal.

Os especialistas psiqui�tricos em unanimidade

afastaram qualquer forma de perigo

e de risco a uma nova passagem ao ato.

Por isso lhes pe�o 5 anos de pris�o com sursis.

A pena de sursis m�ximo.

Mas n�o � um presente.

O senhor teria esses 5 anos sobre a cabe�a

como uma espada de D�mocles.

Doutor?

Sra. Ju�za,

senhoras e senhores da Corte,

senhoras e senhores jurados.

O que este caso nos ensina,

� que todo mundo pode um dia se encontrar do lado errado.

Mesmo quando se � bem nascido.

E voc�s t�m direito de detestar Sr. Farel.

� como se diz, um privilegiado,

que tem um sentimento de superioridade

talvez inerente � sua casta.

Ent�o, sim, ele � arrogante

quando cede ao trote.

Sim, ele foi vulgar,

grosseiro, at�,

quando disse � Srta. Wizman: "Chupa aqui, putinha."

Voc�s t�m direito a n�o gostar disso.

Voc�s t�m direito a n�o gostar dele,

de ach�-lo insuport�vel.

Mas n�o gostar dele n�o faz dele

o culpado de um estupro.

E a �nica pergunta que devem se fazer

� a de saber

se ele penetrou a Srta. Wizman � for�a

sabendo que ela n�o consentia.

Jamais se saber� o que houve naquele local.

Ao contr�rio,

h� uma certeza com a leitura do arquivo.

N�o houve amea�as verbais,

simplesmente linguagem expl�cita de car�ter er�tico.

Em nenhum momento, Mila Wizman disse n�o,

n�o disse pare, nem o repeliu com gestos,

nem verbalizou sua recusa, gritando ou chorando.

O exame m�dico n�o revelou nenhuma les�o em particular.

N�o houve tapas, nem outro tra�o de viol�ncia.

Diga o que disser a Srta. Wizman

ningu�m a for�ou a ir a essa festa, a beber,

a acompanhar o Sr. Farel para fumar em um local.

Em nenhum momento ela a amea�ou com uma faca.

Em nenhum momento ele a amea�ou, nada mais.

Enquanto hoje, por certo,

a Srta. Wizman percebe e analisa tudo como coa��o.

Pois ela nos disse,

no ambiente judeu ultra praticante de onde ela vem,

o que aconteceu n�o � habitual.

Contrariamente ao Sr. Farel que �, ele, um animal social,

habituado a esse tipo de rela��o, ao sexo de uma noite.

Eles n�o t�m a mesma hist�ria.

Eles n�o t�m a mesma cultura, a mesma rela��o com a sexualidade.

E, no entanto,

eles t�m dois pontos em comum.

T�m medo do julgamento social

e viram suas vidas desperdi�adas.

Hoje, Srta. Wizman come�ou seus estudos de cinema.

Ela tenta se reconstruir.

Alexandre j� est� encarcerado h� tr�s meses.

N�o esque�am disso.

Todo dia ele � humilhado e apanha de outros detentos.

Todo dia ele � injuriado e linchado nas redes sociais.

E � preciso dizer, esse tribunal medi�tico

produz tu�tes agressivos e vingativos

e prejudicou gravemente a presun��o de inoc�ncia do meu cliente

e nisso ela j� foi destru�da.

Nenhuma universidade se disp�e a aceit�-lo.

Pesquisando seu nome no Google a primeira associa��o � estuprador.

N�o se trata de alterar a imagem da Srta. Wizman

e negar sua dor, ou impedi-la de se expressar,

ainda mais quando a palavra das mulheres enfim se liberta,

mas n�o � um motivo para que a palavra da defesa

seja amorda�ada.

Nem um motivo para que a defesa

de pessoas enviadas por fatos de agress�o sexual

se torne uma defesa proibida.

N�o se pode se resignar � vers�o de uma das partes.

Aqui n�o h� apenas uma verdade,

mas duas percep��es de uma mesma cena.

O Sr. Farel,

nunca cessou de clamar sua inoc�ncia

e � completamente consciente

que venho lhes pedir a absolvi��o dele.

O que pe�o por ele, hoje, � a justi�a de verdade,

� aquela que ir�o produzir.

E minha �nica ambi��o � de convenc�-los de sua inoc�ncia

em rela��o � lei,

e n�o � moral.

O ponto essencial �

a quest�o do consentimento da Srta. Wizman.

Se lerem a jurisprud�ncia da c�mara criminal,

eis o que � dito.

"A absolvi��o de um estuprador

n�o postula absolutamente o consentimento da v�tima."

Se absolverem o Sr. Farel,

isso n�o significa que a v�tima deu seu consentimento.

Portanto, vossa miss�o

� de se colocarem no lugar dele

pois � o processo contra ele.

� ele quem arrisca ficar preso.

N�o se tem nada que possa contradizer

a convic��o dele naquele momento.

Nada.

� a palavra de um

contra a palavra do outro.

N�o existe a verdade,

mas precisamos encontrar uma verdade jur�dica.

Voc�s foram sorteados

para fazer justi�a,

e embarcaram em um combate.

Nos imploram a nos juntarmos � causa das mulheres,

nos juntarmos a esse combate

indispens�vel.

Mas a justi�a n�o tem necessidade de combatentes,

ela necessita de ju�zes

imparciais.

O que voc�s t�m a julgar hoje,

s�o os atos do Sr. Farel

e nada al�m disso.

Sua tarefa n�o � menos imensa.

� sua decis�o e somente ela

que condiciona o destino do Sr. Farel.

Se o condenarem

porque t�m uma d�vida m�nima

sobre o que aconteceu naquela noite,

violar�o a lei

e trair�o o juramento

que prestaram como jurados.

Ent�o, na d�vida,

n�o arru�nem em definitivo a vida de um rapaz

que clamou sempre a sua inoc�ncia.

O risco seria condenar um inocente.

N�o aceitem,

esse risco.

Sr. Farel, deseja acrescentar alguma coisa?

Eu desejaria me dirigir � Mila.

Eu nunca tive a inten��o de fazer mal a voc�.

Se sofreu devido ao meu erro, lhe pe�o desculpas.

Alexandre Farel foi considerado culpado,

mas colocado em liberdade.

Foi condenado a cinco anos de pris�o com sursis.

Se reincidir, cumprir� a pena em deten��o.

BASEADO NO ROMANCE DE KARINE TUIL 'AS COISAS HUMANAS'

- Art Subs - 14 anos fazendo Arte para voc�

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