All language subtitles for Jassy. Knowles 1947.1

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Original subtitles

JASSY, A VIDENTE

N�o h� forma de ganhar o Hatton. S� restam voc� e o Helmar outra vez.

E ent�o, Nick?

Aposto quinhentos.

- Que dizes a mais quinhentos? - Pode ser.

Aqui tens. O que me dizes a este jogo?

Muito bem, Chris, finalmente ganhou!

N�o, ganhou ele outra vez. Parab�ns, Nick!

� voc� a dar, Sir Williams.

V�o desculpar-me, mas as apostas s�o muito altas para mim.

Porque � que os ricos t�m sempre medo?

Porque preferimos continuar a ser ricos.

Tom�s! Diga ao Senhor que esta � a �ltima dan�a.

- Os convidados come�am a ir-se. - Muito bem, minha senhora.

Viu por a� o meu filho Barney?

Foi at� ao jardim com a Srta. Helmar.

Se o vir, diga-lhe que quero falar-lhe.

Dir-lhe-ei, minha Senhora.

� o baile mais maravilhoso que j� vi.

- Agrada-me que assim seja. - Qualquer um o diria.

Porque est�s t�o s�rio, Barney?

Porque se o meu pai continuar a jogar, estas noite em Mordelen v�o acabar.

Bem, � o que fazem todos. O meu pai � dos piores.

Talvez, mas Mordelen n�o lhe pertence.

Oxal� lhe pertencesse, � uma casa maravilhosa.

N�o imaginas como isto me afecta.

Todos os meus antepassados nasceram em Mordelen, tal como eu.

E todos os Hatton foram assim bonitos como tu?

Parece-te exagero, ter tanto carinho por uma casa?

Claro que n�o, Barney! Entendo como te sentes mas...

- Mas, o qu�? - Gostava de ser eu a casa.

Caramba! O dinheiro decidiu vir nesta direc��o.

O que foi? Que se passou?

A Senhora manda dizer que o baile terminou

e que os convidados come�am a ir-se.

Bem, n�o acho que isso nos interesse.

Caramba! A mim interessa-me, tenho de ir.

H� esposas que se podem fazer esperar mas a minha n�o � uma delas, amigos.

A minha tamb�m n�o.

John, nunca te tinha visto abandonar uma partida.

- Esta partida deixou-me falido. - Mas n�o fui eu que te levei o dinheiro.

- Pois, mas algu�m foi. - N�o ficarei para tapar as goteiras.

Que diferen�a faz? A chuva � bastante saud�vel.

- Boa noite, Hatton. - Obrigado por tudo.

Desculpe, Senhor, mas a sua esposa e filha

pedem para lhe dizer que est�o prontas para voltar para casa.

Bem, e o que esperam? Pensam que me vou antes de me desforrar?

Diga-lhes que v�o sozinhas, irei quando me apetecer.

Muito bem, Senhor.

Bem, s� restamos n�s os dois, Nick. A que vamos jogar agora?

Joguemos aos dados.

Est� bem, n�o pode correr pior do que as cartas.

Perd�o, Senhora, o Sr. Helmar suplica que tenham a amabilidade de...

Voltar para casa, sozinhas? � isso, n�o �?

- Sim, minha senhora. - Obrigada.

De certeza que o recado que ele deu, n�o foi assim t�o cort�s.

Lamento, querida. Porque n�o passam c� a noite?

N�o! Nem pensar, obrigada.

Al�m disso, � melhor que eu n�o veja o meu dono e senhor,

depois de uma noite de jogo.

Obrigada. Vamo-nos Dilys.

- Vai visitar-nos, Barney. - Irei, prometo.

- Boa noite. - Adeus.

- Boa noite. - Boa noite.

Obrigada.

Se ao amanhecer o meu marido estiver falido, � melhor que n�o volte.

- D�em-lhe trabalho nos est�bulos. - Est� bem, adeus.

� imposs�vel continuar assim, a fortuna n�o vai durar sempre.

J� conheces o pap�, nada nem ningu�m o far� mudar de ideias.

Isso � verdade.

Infelizmente � verdade.

O que foi m�e, o que se passou?

M�e, ele levou as tuas j�ias?

- N�o pode fazer isso. - Mas f�-lo.

Bom dia, Barney, o que desejas?

Quero as j�ias da minha m�e.

� lament�vel, mas a tua m�e ficou sem as j�ias, agora pertencem ao Nick.

Pela primeira vez, a minha esposa vai alegrar-se por eu ter ficado a jogar.

Pai, est�s b�bado. N�o sabes o que fazes.

Pelo contr�rio, sei perfeitamente o que fa�o.

Perdi 20 mil e tal libras, a minha cigarreira de ouro...

...o meu coche e os cavalos, os meus c�es de ca�a e finalmente as j�ias da tua m�e.

S� me resta uma coisa, que tamb�m vou apostar.

- E o que �? - Esta casa.

Mordelen?

- Mordelen, precisamente. - Sir Edward, impe�a-o, por favor.

� in�til, rapaz. Tentei faz�-lo toda a noite.

- Mas, pai, sup�e que a perdes. - Perderei uma boa aposta.

Sim, mas o que acontecer�...

Sil�ncio, n�o interrompas uma partida amistosa entre cavalheiros!

Mordelen contra tudo o que ganhaste, concordas?

Pai!

Porque n�o? Sem fortuna n�o podemos c� ficar.

Tudo como est�? Moveis, quadros, tudo?

Deixa-me, pelo menos, as roupas.

Sim, n�o me interessam. N�o me ficariam bem.

A Quinta Verde � da minha mulher.

- Deixemos de fora a Quinta Verde. - Chris, por amor de Deus! Pensa bem!

� demasiado tarde para pensar.

�s tu a jogar, Nick.

Como queiras.

�s testemunha, filho.

Est� b�bado, Sr. Helmar. N�o tem o direito...

Que o diabo me ajude.

Malditos dados! Agora � a tua vez.

� dif�cil que percas com este jogo.

Mas � melhor que os jogues, por via das d�vidas.

Mas � melhor que os jogues, por via das d�vidas.

Obrigado, Nick, por este jogo t�o interessante.

A casa � tua, boa noite.

Espero que um dia nos venhas visitar.

N�o acredito que obrigue o meu pai a cumprir com isto.

Vou dar-te uma oportunidade de recuperares tudo outra vez.

Bebamos um copo juntos. Queres?

Acorda, Barney! N�o h� criados para nos ajudar.

C� estamos, na nossa nova mans�o.

- Nunca imaginei. - Os mendigos n�o escolhem, querida.

- � t�o pequena e m�sera. - Melhor, podes cuidar dela sozinha.

Meggie!

Na verdade n�o sei porque est� a chorar.

Meggie,

pensei que me tinhas abandonado. N�o devias ter vindo.

Como p�de achar-me capaz disso, Senhora?

Eu n�o perten�o a Mordelen. Perten�o-lhe a si.

Entretanto podes ir tirando as coisas do coche, Barney.

Depois, levas os cavalos para o est�bulo.

D�-lhes de comer.

Bem, n�o vale a pena pensares muito, rapaz, aqui ter�s muito para fazer.

- Que tal se vive na quinta? - O que tem a ver com isso?

N�o se pode queixar muito, tem onde se abrigar e alimentar.

- H� pessoas que nem isso t�m! - Eu sei disso.

Claro que s� l� est� h� seis meses.

Ainda tem muito tempo para se habituar.

Em quanto tempo consegue ferrar um cavalo?

Depende para quem estou a trabalhar.

E neste momento, n�o estou com pressa.

- Porque demoraste tanto? - Tive de esperar que me servissem.

- N�o sabiam que era para mim? - Sabiam, pai.

Lindy!

Vai l� e traz-me outra!

- E, desta vez, n�o fiques l�! - Sim, pai.

Bem, aqui o tem.

N�o deve estar acostumado com estes cavalos fracos.

N�o � meu, � do meu pai. Anda!

Alto l�, rapaz! Eu n�o trabalho de borla!

Esqueci-me.

S� os ricos � que se esquecem de pagar.

Nunca se esque�a da Quinta Verde, menino Barney.

Anda, cavalo!

Que fazem, meninos?

- � melhor ir andando. - Porqu�?

- S�o coisas nossas. - O que fez ela?

- � uma cigana maldita. - Tenha cuidado, a m�e dela � bruxa.

- V� l�, Barney, n�o a defendas! - Mas o que lhe querem fazer?

- Vamos afog�-la. - Veremos se o diabo a quer.

Dez contra uma rapariga? Sobe a� para tr�s!

Meu Deus, deviam ter vergonha.

- Pega, seca-te com isto. - Obrigada.

N�o sei o que me teria acontecido se voc� n�o aparecesse.

Porque te perseguiam?

Acham que a minha m�e � bruxa, mas asseguro-lhe que n�o �.

- � apenas uma cigana. - Vai zangar-se com o que te aconteceu?

Ela foi-se embora. Voltou para a fam�lia dela.

Ent�o, nesse caso, n�o vejo motivo para te molestarem.

Bem, na verdade, a culpa foi minha.

Esta manh�, disse � Funny Moyes que a m�e dela...

...tinha ca�do no mercado e partido um bra�o.

- E n�o foi verdade? - Sim, foi.

Tu estavas l�?

- N�o. - Ent�o, como sabias?

Eu vi acontecer.

E costumas ver esse tipo de coisas?

N�o, nem sempre. S� �s vezes.

Sim mas... como � que fazes isso?

N�o sei, sinto-o.

- Como te chamas? - Jassy Woodroofe.

- Jassy? - Parece-lhe estranho?

� um nome B�blico, foi o meu pai que o escolheu.

J� estou com melhor aspecto?

Sim, j� est�s, sentes-te melhor agora?

Sim, mas acho que a m�e da Moyenes me vai despedir depois do que se passou.

� melhor vires para minha casa.

Porque � que a sua filha procura trabalho, Sr. Woodoofre,

deve ter muito que fazer, l� em casa.

Sim, tem. Mas n�o h� outra maneira.

O inverno � duro e um carpinteiro nem sempre encontra trabalho.

- �s asseada? - Sim, minha senhora.

Mostra-me as tuas m�os.

As unhas.

- Entendes que aqui levantamo-nos cedo? - Sim, senhora.

Muito bem, vens uns dias � experi�ncia. O trabalho aqui � duro.

- 0 trabalho duro n�o me assusta. - Muito bem.

- Come�as imediatamente. - Obrigada, minha senhora.

Porta-te bem, Jassy. Adeus e muito obrigado, Senhora.

Adeus.

Por aqui.

Meggie, esta � a nova empregada.

- Depois de tudo o que lhe disse! - Isso s�o supersti��es idiotas.

O pai dela � um homem honrado e temente a Deus.

Leva-a aos est�bulos para que esfregue as malgas.

Escusa de cruzar os dedos, n�o sou uma bruxa a s�rio.

Isso � o que tu dizes, mas eu n�o me fio nas apar�ncias.

Segue-me.

N�o, n�o por amor de Deus, n�o!

Por amor de Deus, n�o!

Lindy!

Deixa-me!

N�o, n�o!

Assim vai aprender!

O que fizeste, canalha?

Pobre coitada!

Lindy, do�-te muito?

Ouve! O que tens?

Lindy, o que tens, pelo amor de Deus!

Fala comigo!

Para j�, n�o se pode fazer mais nada. Foi um golpe bastante grave.

Quanto tempo vai ela ficar assim, Doutor?

� imposs�vel prever. As cordas vocais est�o gravemente afectadas.

A perda da fala pode ser apenas tempor�ria... ou permanente.

N�o sei dizer-lhes.

Ent�o, a minha filha n�o voltar� a falar?

Lamento, senhora, mas tenho muito poucas esperan�as.

Quem lhe fez isto, merece ir parar � cadeia.

Adeus, Sra. Wicks.

Leve-a ao meu consult�rio na pr�xima semana.

Quando o restauro terminar, n�o quero nada de m� qualidade.

Quero uma entrada exactamente igual � do desenho que lhe mostrei.

Sr. Helmar, o port�o que me mostrou pareceu-me bem em Floren�a. Conhe�o-o.

� perfeito em qualquer lugar, mas aqui neste ambiente...

Ent�o, mudarei o ambiente. Ou�a Sr. n�o sei quantos Sedley,

sabe quanto paguei para mandar vir a m�rmore de It�lia? Duas mil libras.

- Sim, mas... - N�o h� mas nem meio mas!

Eu sei o que quero, e vou consegui-lo.

Sim, Sr. Helmar.

Conseguiu este trabalho porque a minha mulher me pediu muito.

Se n�o o quer fazer, n�o tem de dizer nada, entendido?

- Sim, Sr. Helmar. - Ent�o n�o discuta.

Claro, Sr. Helmar. Sim, Sr. Helmar.

- Desculpa, Beatriz, mas n�o aguento. - A s�rio?

Nem se for eu a pedir-lhe, Sr. Sedley?

- O Sr. Hatton. - Obrigado, Fielding.

Boa noite, Chris, ainda n�o come�amos.

- Podes sentar-te aqui. - Obrigado, mas antes vou beber algo.

- Vais ganhar, esta noite? - Espero bem que sim.

- Boa noite, Chris. - Boa noite.

- Quanto cr�dito lhe vai conceder? - O suficiente para o fazer feliz.

Beatriz!

- Quinhentos. - Passo.

Eu tamb�m.

Cubro.

Um par de reis.

Tr�s seis.

- Um momento! - O que foi? Que se passa?

Quantos seis de ouros h� neste baralho?

N�o � de admirar a tua sorte, batoteiro de um raio.

Desculpa, Nick, nunca o tinha feito em toda a minha vida.

Compreendo agora porque me pediste cr�dito.

- Tinha de jogar. - Pois, aqui, foi a �ltima vez.

P�e-te a mexer.

Um momento, bebe um pouco de vinho.

Fielding, acompanha o Sr. Hatton!

Obrigado, mas sei onde � a sa�da.

Lamento, cavalheiros, mas n�o devia t�-lo deixado jogar. Sentem-se.

- Quem � a dar? - Para mim, acabou.

Mas acabamos de come�ar. Fennell, n�o vai tamb�m, certo?

- Obrigado, por hoje j� chega. - Stephen!

Por amor de Deus, ele portou-se como um mafioso de primeira.

N�o insista, n�o gostei das suas maneiras, Nick.

Obrigado.

- Onde est� a Senhora? - Est�... n�o sei, senhor.

Fred!

- Onde est� a Senhora? - N�o a vejo desde o jantar, Senhor.

- E o Sr, Sedley? - Tamb�m n�o o vejo, desde o jantar.

Beatriz!

Beatriz!

- O que fazes a p� a estas horas? - Ia mesmo agora deitar-me.

- Onde est� a tua m�e? - N�o sei.

Onde est� a tua m�e?

Acho que est� no jardim.

Vai-te deitar!

Nick!

N�o, Nick! Eu...

Nick!

N�o, Nick! P�ra, tem piedade, Nick!

- Vais mat�-lo! - E porque n�o?

N�o quero, eu amo-o.

Isso n�o � raz�o. H� quanto tempo dura isto?

- Desde Junho. - Nunca pensei que fosses capaz.

Odeio-te! Odiei-te todos estes anos.

Eu sabia que havia outra pessoa.

- Vou-me embora com ele. - N�o vou impedir-te.

A minha esposa n�o voltar� a entrar nesta casa.

Fa�a com que todos os criados saibam.

E o que lhes interessa?

Perguntam se n�o nos chegam 10 xelins semanais.

Bem, � uma pena! Mas n�o se pode pagar mais.

Dizem que os vossos filhos morrem de fome? E o que fazem?

Os vossos filhos? Pois n�o tenham tantos.

Garanto-te que enquanto falamos, eles est�o tranquilos nas suas casas.

E n�s... aqui estamos, com o est�mago vazio.

E se lhes queimarmos as quintas, muda alguma coisa?

- Talvez n�o, se forem s� as quintas. - Peguemos fogo �s suas casas.

- Ele tem raz�o! - Que temos a perder?

Se chegarem fogo �s casas deles, chamar�o os soldados.

Como ides lutar contra eles?

Eu lutarei com tudo o que tiver, n�o vou ser como um c�o.

Ou�am, amigos!

Sei que h� mulheres e crian�as cheias de fome.

E isso tem de acabar.

Mas inc�ndios e revoltas, n�o v�o resolver nada.

- Ent�o o que fazemos? - Usaremos a raz�o e a justi�a.

E de onde vai sair essa raz�o e essa justi�a?

Dos lavradores e dos propriet�rios.

Falemos-lhes da verdade e eles ajudam-nos.

Temos de lhes expor o nosso caso, a todos eles.

Temos de agir honestamente, e ter confian�a na justi�a do Senhor.

Eu tenho ideias de lhes falar agora mesmo.

- Quem vem comigo? - Vamos todos!

E tu?

- Onde vais primeiro? - A Mordelen.

Anda l�, precisamos de ti, tens poder de argumenta��o.

Est�o todos de acordo?

- O que � que querem? - Queremos falar consigo. Sr. Helmar.

- Conhe�o-te bem. - Trabalhei em sua casa.

Agora n�o tenho tempo para ouvir disparates.

N�o quero ouvir-vos. Se n�o sa�rem imediatamente, expulso-os � for�a.

Barney, tens de me levar a Mordelen, por favor!

- Mas o que se passa, Jassy? - � o meu pai, vamos depressa.

- Jassy, tem calma. Que se passou? - O meu pai corre perigo de morte.

- Como � que sabes? - N�o sei, vejo-o!

- Isso s�o parvo�ces ciganas! - N�o podem entender.

- Vamos, por favor! - Aguarda aqui um momento!

- Onde vais? - Vou selar o cavalo.

- J� disse para sa�rem da minha casa! - Est� b�bado, � in�til falar com ele.

Tens raz�o. Voltaremos outro dia, Sr. Helmar.

Quando n�o estiver b�bado.

Miser�vel! Olhem para o vosso amo e senhor!

O que vos faz suar sangue, por uns m�seros 10 xelins semanais.

Se n�o sa�rem j�, solto-vos os c�es.

- Acalme-se! - Atirem-se a eles!

Quieto!

Jassy, por amor de Deus, o que se passa contigo?

O que aconteceu?

Pai, pai!

Quando quiseres, Jassy.

- � demasiado tarde. - Jassy!

Est� morto.

O que queres dizer?

Mataram-no.

Vou lembrar-me sempre que se ofereceu para me acompanhar.

Gritou ao subir as escadas.

N�o sei o que dizia.

Soltaram os c�es e uma arma disparou-se.

N�o, Jassy, foi tudo um sonho.

Ficarei contigo at� ele voltar para casa.

Ele j� est� chegar � casa.

A que horas aconteceu?

Estavam a dar oito horas, na torre.

Senhora!

Lamento, Jassy, mas tomei uma decis�o.

- � pelo meu trabalho? - N�o, n�o � pelo teu trabalho.

- Ent�o porque �, Senhora? - N�o gostava de ter de to dizer,

mas � melhor que o saibas.

- � por causa do meu filho Barney. - Ele quer que eu me v�?

N�o.

Mas � bastante impression�vel e tu �s uma rapariga atraente.

N�o � conveniente que te continue a ver, entendes?

Acha que ele pode apaixonar-se por mim?

Tu gostas dele, n�o gostas?

N�o, n�o � apenas isso. Eu amo-o muito.

Nunca poderei amar mais ningu�m.

Vais compreender que n�o � poss�vel continuar com esta situa��o.

- Tens de ir embora. - Acha que isso far� diferen�a?

Talvez n�o.

Aceitar�s ir para Byron?

Vou para onde possa arranjar trabalho.

Tenho l� uma amiga, directora de um col�gio de raparigas.

Vou dar-te uma carta para lhe mostrares.

A Sra. Hatton fala muito bem de si.

Diz que o seu pai faleceu e que a sua m�e �... cigana.

- A sua m�e � cigana? - �, sim senhora.

Horada, limpa, diligente...

Deixe-me ver as suas m�os.

As unhas.

Bem, faremos uma tentativa. Toque aquela campainha.

N�o sei que trabalho fazia para a Sra. Hatton...

...mas aqui vai ter muito que fazer.

A Sra. Hatton pagava-lhe seis libras ao ano? � verdade?

Sim, senhora.

Vai ter de se conformar com cinco.

Sra. Whitefield, esta � a Jassy Woodroofe, a nova criada.

Muito bem, Senhora.

A Sra. Whitefield � a governanta, v� com ela e fa�a o que lhe mandar.

- J� terminaste, Jassy? - Sim, Senhora.

- Varreste tudo? - Sim, Senhora.

- Primeiro, trouxeste o carv�o? - Sim, senhora.

- Ent�o, vai-te deitar. - Obrigada, Senhora.

Tens de te levantar antes das seis.

Limpar tudo muito bem, preparar a lareira e acend�-la.

Depois p�es aquela chaleira com �gua ao lume.

Sim, Senhora.

Depois enches a carvoeira...

...e tens de recolher os sapatos do dormit�rio.

- E o que fa�o com eles? - Tens de os limpar.

Pensei que ia ficar l� fora.

- Quem fechou a janela? - Eu, Senhorita.

Pois ent�o, n�o o voltes a fazer.

- Quem �s tu? - Sou a nova criada.

A outra era muito compreensiva! E tu, ser�s?

Sim, senhora.

- Sabes quem sou? - Sei. � a Srta. Helmar de Mordelen.

- N�o, sou a Dilys, repete. - Dilys.

N�o voltas a fechar a janela, est� bem?

N�o, senhorita.

- N�o vais dizer nada? - N�o, senhorita.

- Boa noite. - Boa noite.

- Como te chamas? - Jassy.

- Boa noite, Jassy. - Boa noite.

Jassy!

Venham.

Esta � a Jassy, a Eduina a Maud e a Cec�lia.

- � uma cigana verdadeira? - Claro, olhem para os olhos dela.

- E o cabelo t�o negro. - Comes r�s, e coisas do g�nero?

- L�s a sina? - Como todas as ciganas.

- Podes ler a minha? - Vamos, estamos atrasadas.

Vai at� ao nosso dormit�rio esta noite.

A Sra. Whitefield disse-me para n�o o fazer � noite.

- Ela n�o vai saber. - N�o h� qualquer perigo.

Diz que vais.

- Vou ver se posso. - Quero saber quantas vezes vou casar.

Tu nunca vais arranjar marido.

E para que o quer? A Cec�lia nunca diz que n�o.

Isso � mentira! Sou muito reservada com os homens.

A campainha!

V� l� se apareces, Jassy.

O que est�s a fazer?

Ent�o?

Pe�o desculpa, n�o queria ser mal intencionada.

- N�o, n�o o sujei. - Sim, estou a ver que n�o.

- Vou arrumar agora o quarto. - Depois, vou ficar por aqui.

Espera l�, �s a Jassy, n�o �s?

Sim, senhora.

Sabes quem sou?

Sim, senhora: � a auxiliar da directora, a Srta. Hamilton.

Isso mesmo. Onde te ensinaram a ler?

Foi o meu pai que me ensinou.

- Que livros leste? - Apenas a B�blia.

Mas isto s�o poemas, � muito bonito.

O que estavas a ler? Diz-me!

- Posso recit�-lo. - A s�rio? Ent�o recita-mo.

Se soubesse descrever a tua beleza

A linda perfei��o do teu olhar

Diriam que era um poeta sonhador

O que admite n�o conhecer rosto mais lindo � face da Terra.

Arrumarei o quarto quando me avisar, senhora.

Meu Deus!

E pela manh�, encontraram-na morta.

- Que horr�vel! - Esta noite n�o vou dormir.

- Conta-nos outro, Jassy. - N�o, l�-nos a sina.

- L�-me a minha. - N�o, n�o adivinho o futuro, nem quero.

- Mas n�o disseste que vias coisas? - S� �s vezes.

E s� quando est�o a acontecer.

- Mesmo que seja longe daqui? - �s vezes, sim.

N�o acredito nisso.

Mostra-me as tuas m�os.

Senta-te aqui.

Est�s triste.

Algu�m que amas muito, est� doente.

A m�e dela est� doente, todos sabem disso.

Ela ouviu-nos a falar.

N�o tem de se preocupar mais.

Ela est� melhor.

Estou a v�-la...

...a passear na praia, � luz do luar, com um senhor moreno...

...alto e magro.

O teu pai � assim, Maud?

Sim, mas n�o pode estar na praia com a minha m�e.

- Porqu�? - Porque vivemos longe do mar.

Eu disse-vos que era uma farsa.

Talvez a tua m�e esteja na praia com outro que n�o seja o teu pai.

A minha m�e jamais faria uma coisa dessas.

Foi tudo inven��o tua, e por sinal, bem cruel.

A minha m�e est� muito doente, tenho de ir para casa, para a ver.

Eu sei que n�o tem salva��o, que vai morrer.

Vem a� algu�m!

Jassy.

A Eduina tem uma coisa para te dizer.

Desculpa, Jassy, perdoa-me, por favor.

Tudo o que disseste ontem � noite � verdade.

- A Maud teve not�cias da m�e. - Recebeu uma carta esta manh�.

Est� muito melhor e foi para Brighton.

Disse que antes de se deitar, passeia todas as noites na praia com o meu pai.

- Vou escrever-lhe e falar sobre ti. - Est� bem, mas n�o voltes a ofend�-la.

Estou muito feliz por saber que est� bem.

Eu tamb�m.

Mas eu j� o sabia, desde ontem � noite.

Quem �?

Dilys, onde vais?

O regimento do Carlos vai mudar-se e eu vou com ele.

Como assim, esta noite?

- Deixei um bilhete � Sra. Twisdale. - V�o perseguir-te.

N�o o far�o, o Carlos vai defender-me,. Deixa-me ir, estou atrasada.

Dilys, n�o fa�as isso, asseguro-te que te arrepender�s.

N�o vale a pena, Jassy, prefiro morrer a n�o estar com o Carlos.

Ele sabe que vais ter com ele?

- Dilys, pensa bem no que vais fazer. - D� cumprimentos a todas elas.

Achas que vai casar contigo?

Claro que vai casar comigo, n�o entendes o que eu sinto por ele.

- Adeus, Jassy, n�o te preocupes. - Adeus.

A Dilys.

Pe�o-te que sejas razo�vel.

- Porque n�o me levas contigo? - J� te disse que seria um esc�ndalo.

N�o se nos casarmos.

N�o me posso casar, Dilys, n�o tenho meios para o fazer.

Ent�o, o que disseste, n�o era verdade?

Claro que era!

Disse-te que estaria contigo cinco minutos, mas agora tens de ir.

N�o quero voltar.

- Pois, mas eu tenho de ir. - Eu n�o posso voltar, Charles.

- Deixei um bilhete a contar tudo. - Um bilhete? Mencionaste o meu nome?

Disse que a fugir com o homem que amo.

Mas n�o pode ser.

�s muito gira e encantadora mas, nada de fugas.

V� l�, n�o sejas tonta. Volta e rasga esse bilhete.

- Adeus. - N�o, Charles. n�o.

Espera...

...n�o tens de casar comigo.

- Mas leva-me contigo. - N�o sejas maluca, adeus!

Vou contigo, quer tu queiras ou n�o.

Vou seguir-te. J� n�o me queres?

Dilys, pelo amor de Deus, vai embora!

- Se me deixares eu morro. - N�o sejas dram�tica.

- Vou-me matar! - Isto j� foi longe demais!

Est�s a magoar-me!

N�o me sigas mais! Est�s a entender?

Dilys!

Dilys!

Dilys, est�s ferida?

O que foi? O que se passou?

Ele foi-se embora, foi-se embora.

- J� n�o me quer. - Anda, anda comigo.

- N�o, deixa-me em paz. - N�o entendes que tens de voltar?

Jassy, ele destruiu-me...

Que estupidez! Amanh� come�as de novo.

Fica aqui e espera que eu te chame.

Sobretudo, n�o te mexas.

- Onde andaste? - Fui � cidade, Senhora.

A estas horas da noite? Fazer o qu�?

Fui ver a minha m�e.

- Como sabia que ela l� estava? - Pressenti, acontece-me �s vezes.

- E acha que acredito? - Talvez seja verdade, Elisabeth.

- Sim, Senhora, � verdade. - Esta hist�ria � pura mentira.

O que sabe sobre isto?

Nada, Senhora, nunca o tinha visto, nem sei do que se trata.

- Onde est� a Dilys Helmar? - Deve estar a dormir.

Voc� sabe que n�o est�.

Acho que ela n�o sabe, veja os olhos dela.

Jassy, diz-me sinceramente que n�o sabe que a Dilys Helmar fugiu?

Eu n�o vejo a Srta. Helmar desde o pequeno almo�o.

A Jassy n�o tem culpa de nada, Sra. Twisdale.

Obriguei-a a fazer isto.

Amanh� de manh� vai-se embora desta casa.

- Est� aqui algu�m, Jassy? - N�o.

- Achas que a v�o castigar? - N�o, nada disso, expulsaram-na.

Talvez seja melhor assim.

Quem era ela, na verdade?

Foram buscar-lhe um carro. Sabes o caminho que vai ter ao bosque?

Quer que l� estejas dentro de meia hora.

Como isto � emocionante. Viste-o ontem � noite?

N�o.

Os homens s�o abomin�veis. A Dilys est� destro�ada.

- Achas que a afectou? - A mim, afectou de certeza.

O que disseste? A s�rio? Conta-me tudo, Jassy.

Adeus.

Jassy!

- Vir�s para minha casa comigo! - Mas, Dilys...

Por favor, Jassy, eu preciso de ti.

Mas a que prop�sito? Como criada, ou qu�?

N�o, vais como minha amiga. � claro.

- N�o quero fazer isso, Dilys. - Porque n�o?

- Cocheiro! - Diga, senhorita.

- N�o pare at� chegar a Mordelen. - Muito bem, senhorita.

Dilys, isto n�o vai ser poss�vel. Olha para as minhas roupas.

Quanto a isso, d�-se um jeito, acredita.

N�o devia ter-te trazido aqui.

- Porque n�o? - J� vais ver.

- Bom dia, Fred. - � voc�, pensei que fosse uma visita!

Que fazes a�? Entra!

- Onde est� o meu pai? - Ele espera-a?

- N�o. - Est� no est�dio.

- O que lhe vais dizer? - Nada!

Meu Deus, � a Dilys!

Mas o que...

O que fazes aqui?

- Pai, vim para casa. - Como assim?

Quem � a tua amiga?

Cala a boca e volta para a cozinha.

Isso n�o s�o maneiras, de falar comigo.

P�e-te a mexer!

Pai, apresento-te a Jassy. Veio para ficar connosco.

- J� a conhe�o? - N�o.

Eu j� te vi antes, mas n�o importa. N�o sabia que estavas de f�rias.

N�o estou de f�rias. pai. N�o vou continuar naquele col�gio.

Como? Podiam ter-me avisado. Quantos anos tem?

- Dezanove. - Ser� melhor irem.

Pisguem-se!

Vai haver uma festa esta noite, quero que estejam bem bonitas.

- Disseste Woodroofe? - Sim, Sr. Helmar.

- Bem, que achas da minha casa? - � muito bonita.

Dilys, quem era aquela rapariga ao fundo das escadas?

Velo para c� como gar�onete.

Estou a ver!

Desde que a minha m�e se foi. passa assim a vida.

- E a tua m�e onde est�? - Morreu.

- Lamento! - Obrigada.

Bem, suponho que isto aqui � melhor do que o col�gio.

Para mim, � muito melhor.

- Ent�o, fica comigo, Jassy. - Ficarei o tempo que quiseres.

Bem, vou se te arranjo outro vestido.

Esta noite quero estar muito elegante, assim como tu tamb�m tens de estar.

Qual � o que queres?

Dilys. nunca tinha visto tantos vestidos bonitos juntos.

Quero este, pode ser?

A estadia n�o � paga, t�m parte das colheitas e querem melhores tarefas!

Nunca est�o satisfeitos.

Talvez, se lhes deres o que precisam...

N�o sejas maluco, Stephen, se n�o fosses meu filho achava que..

Que maravilha!

- Que agrad�vel surpresa tinhas! - � apenas a minha filha, parvo!

Apenas a tua filha? N�o � normal seres t�o modesto.

- Apresento-te a senhorita... - Woodroofe.

Muito gosto. Como est�s, Dilys? Foi uma agrad�vel surpresa.

- Agrad�vel e bel�ssima, por sinal. - Obrigada.

Ol�, Stephen. N�o vais dizer que n�o me conheces, pois n�o?

Perdoa-me, fiquei surpreso. Est�s muito crescida.

Alegro-me que tenhas notado.

- O jantar est� servido, senhor. - Obrigado.

Tenho a certeza de que a conhe�o de qualquer lado.

N�o pode ser. Estou certa que n�o.

� curioso, eu juraria que o apelido Woodroofe me era familiar.

Deve ser, voc� conheceu o meu pai.

O seu pai?

Sim, e n�o acho que se tenha esquecido.

Voc� alvejou-o em frente a esta casa.

Esta noite, fui feliz. Talvez pelo traje.

Fica com ele, ficas linda com ele.

Mas foste tu que fizeste conquistas.

O Stephen! � mais tonto do que pensava.

- Ontem achava que o Carlos me amava. - Isso passa-te dentro de duas semanas.

Deve ser o meu pai, n�o deve estar bem da cabe�a.

- Queres que saia? - N�o.

- �s tu, pai? - Sim, quero falar com a Jassy.

- Eu digo-lhe que est�s a dormir. - N�o, eu falo com ele.

- Diga, Sr. Helmar. - N�o parei de pensar no seu pai.

Foi uma grande desgra�a. N�o teria acontecido se eu n�o tivesse bebido.

E espero que saiba esquecer o passado.

O passado � o passado, mesmo que n�o o esque�amos.

- Foi um acidente... - Eu sei Sr. Helmar.

- Boa noite. - Boa noite, e...

Perd�o.

A� um Barney salvou-me de dar um mergulho.

- O Barney Hatton? - Sim. Achas que vamos v�-lo?

N�o deves querer ir � casa de um homem solteiro.

Dir�amos que �s a Sra. Twisdale.

- O meu pai vai chatear-se. - Ele n�o precisa de saber.

Como queiras.

- Santo Deus, � a Jassy Woodroofe. - Meggie, podemos entrar?

Sim.

Est�s muito elegante.

- Quem �? - A Srta. Helmar.

E o Sr. Barney, est� em casa?

N�o, saiu cedo, esta manh�. Foi lavrar o campo.

Vamos esperar por ele. Senta-te, Dilys.

Umas senhoritas como voc�s n�o podem esperar aqui.

J� chegou, reconhe�o os passos dele.

- Barney, esqueceste-te de mim? - N�o, claro que n�o, est�s mudada.

Eu tamb�m mudei, Barney?

N�o, tu est�s igual, Dilys.

- Fico contente. - Bem, tudo tratado.

Vamos sentar-nos na sala-de-jantar.

Est� tudo tal como deixei.

Olha, Dilys. foi o meu pai que fez o escrit�rio para o Barney.

E esta cadeira � de Mordelen, n�o �?

Sim, isso mesmo. Por favor, senta-te, Dily.

E o rel�gio continua nas 14:40.

- Barney. - Sim?

- Porque n�o vens ver-nos? - Sabes que � imposs�vel.

- Por aquela disputa t�o tonta. - Aquilo n�o foi uma tolice.

Foi numa mesa de jogo e o meu pai estava b�bado.

Mas, ainda assim. obrigou o meu pai a pagar-lhe e apropriou-se da casa.

Eu n�o sou culpada, Barney.

- Ent�o, n�o vir�s ver-nos? - Voltarei a Mordelen quando for minha.

Ser� melhor mudar de assunto.

Vou lavar os copos.

Diz � Maggie para o fazer.

Vai ser dif�cil faz�-lo. Ainda est� com os dedos cruzados.

Fecha a porta. Fecha a porta, v�.

Ao falar de Mordelen, ainda tens a express�o no olhar que tanto adoro.

- Voltar� a ser minha, um dia. - Nessa altura, poderei ver-te?

- Falo a s�rio. - N�o duvido.

- Sabes no que tenho pensado? - N�o.

No �ltimo baile de Mordelen.

Quando fugimos para o jardim.

Lembrei-me no momento em que te vi.

Acho que foi isso que me fez vir aqui.

Parece t�o distante.

Tudo mudou.

- Barney. - Sabes o que est�s a fazer?

Sim, sei.

A Jassy vai voltar.

- Quando voltarei a ver-te? - N�o, ser� dif�cil.

- Por favor, Barney. - Na quarta, �s 18:00.

Barney!

- Onde est� a Dilys? - Foi visitar os Fennell.

N�o pensei que fosse t�o sensata.

Escute, Jassy, estou aborrecido e solit�rio.

- Joga �s cartas? - N�o.

- Gam�o? Dados? - N�o.

- Xadrez? - Sim, sei jogar xadrez.

Muito bem, se me fizer companhia, jogaremos xadrez.

Onde est� a Amelia?

Na cozinha, no seu posto.

Ser� que ela n�o sabe jogar xadrez?

Est�s feliz?

- Foi dif�cil vir? - N�o.

Disse que ia a casa dos Fennell.

- Fazer o qu�? - Ver o Stephen.

Porqu� o Stephen?

O meu pai quer que me case com ele.

Vais dizer-lhe que casar�s comigo!

N�o, Barney, � melhor n�o o dizer j�.

- Quero guardar segredo. - E eu quero que todos saibam.

Ainda n�o. Queria ficar sempre assim.

Bem, desde que me continues a amar.

Barney, nunca poderei amar algu�m como te amo a ti.

- Quem lhe ensinou a jogar? - O meu pai.

Nunca vi uma mulher a jogar xadrez.

Se calhar, fui a primeira a quem perguntou.

Obrigada, Sr. Helmar, eu sei mover os pe�es.

Vejo que foi bem ensinada no col�gio.

O que aprendi, aprendi sozinha.

- Xeque. - Mate.

Entra, entra, n�o fiques a�.

Lamento muito, mas n�o posso pagar-lhe, n�o tenho nem um tost�o.

As d�vidas de honra t�m de ser pagas.

Eu sei.

O teu pai quis ganhar-me no �nico jogo que sei jogar.

Chegaste muito tarde. Quem te acompanhou?

O Stephen.

- Conseguiste que se declarasse. - N�o.

Quanto mais cedo, melhor.

- Perdeste? - Cinco xelins.

Estamos em paz. J� n�o bebia uma ch�vena de caf� pot�vel h� muito tempo.

- Boa noite. - Boa noite.

Boa noite.

Pelo menos, hoje vai para a cama sereno.

Ser� que n�o h� forma de comer algo decente?

Malditos parasitas! Est�o o dia todo estatelados.

O que est�s a� a fazer, a gesticular como um macaco?

Leva esta porcaria e traz-nos p�o e queijo!

N�o, n�o, vou ver o que se pode fazer.

Diz � imbecil da cozinheira que est� despedida.

Est�o todos despedidos!

Enche-me o copo, mentecapto!

Quando � que a tua amiga pensa ir embora?

N�o tem para onde ir.

Ent�o, que fique.

Vale mais do que todos voc�s juntos.

N�o tens porque ficar ofendida. Pareces mesmo a tua m�e!

Doce... Doce e corrompida!

Doce... Doce e corrompida!

Encantadora e cheia de veneno.

Est�s a ouvir-me?

Bem, Sr. Helmer, agrada-lhe mais isto?

Parece que... Tem boa cara.

- Vai gostar, � o jantar dos criados. - O qu�?

- Disse-lhes que estavam despedidos? - Sim.

Escute, por favor, vou propor-lhe uma coisa:

Quanto quer para ser a governanta desta casa?

20 libras por ano, pagos trimestralmente.

- De acordo. - E adiantado.

Quero ser eu a lidar com os criados.

Quanto a isso, n�o haver� problema.

E... a Amelia?

- Comece pela Amelia. - Entendido.

O primeiro trimestre.

- Tome os cinco xelins. - O qu�?

As d�vidas de honra s�o para ser pagas.

- � tudo, ap�s cinco anos de trabalho? - � tudo ao que tem direito.

Some-o ao que roubou e n�o morrer� � fome.

N�o sei porque me despediram. Eu nunca fiz nada.

- Por isso mesmo. - Bem, que aproveite o que lhe deixo.

Agora, voc�s.

Acho que fa�o mal em n�o despedir-vos tamb�m, mas ainda vou a tempo.

Agora, sem elas, ter�o menos distrac��es.

Se se portarem bem, ficam, se n�o, ter�o o mesmo destino.

Isto � tudo.

- Jenny? - Diga, senhorita.

J� estive na cozinha e n�o era melhor que tu.

A senhorita?

Agora, �s primeira-dama, recebes o dobro.

Obrigada, senhorita.

E espero que te limites ao teu trabalho, eu trato do resto.

- Com licen�a, Srta. Jassy. - Entre, Sra. Wicks.

- Aos vossos postos! - Trago a roupa limpa. Lindy!

- Credo, Sra, Wicks! � muito pesado para ela.

Aviso-a de que a minha Lindy � muito forte.

"Bra�os fortes e cabe�a d�bil" J� conhece o ditado.

Lindy.

Curioso, s� a vi fazer isto com o Sr. Woodroofe, que descanse em paz.

- O meu pai gostava muito dela. - Que homem mais bondoso.

Ainda o vejo a converter o meu marido, como se tivesse sido ontem.

Foi uma pena n�o o ter feito antes daquele golpe.

Como est�?

Est� como pode ver. Nunca mais falar�.

N�o a fa�a trabalhar demasiado.

Tem de trabalhar. A Lindy devia estar a servir, tal como eu.

- Mas quem vai empregar uma muda? - Diga-me, deixa-a trabalhar aqui?

Se pudesse fazer isso, Srta. Jassy, nem sabe o favor que me faria.

Ela � trabalhadora, saber� fazer tudo o que lhe pedir.

Vai ficar barata, basta um cantinho para dormir e um pouco de comida.

E � limp�ssima, vai ver. Mostra as m�os �s Senhorita.

N�o.

N�o, n�o � preciso.

Lindy, queres vir trabalhar comigo?

Est� bem, Sra. Wicks. Ela vai c� ficar.

Stephen.

Stephen!

Nunca amarei ningu�m como te amo a ti. Nunca.

Ningu�m nos ver� aqui, vamos!

- Ora, n�o estamos melhor aqui? - N�o, Barney, n�o.

Mas, Dilys, o que se passa contigo?

Pois... a Meggie est� c� e poderia ver-nos.

E o que importa? Meggie! Meggie!

- Ouvi-o da primeira vez. - Ch�, por favor.

- Com uns biscoitos. - Quem se esconde atr�s de si.

- N�o a v�? - J� sabia que era uma das duas.

- Disse-te que n�o queria ser vista. - Porqu�? N�o tarda, ser� a tua casa.

Dilys, que se passa?

- Podemos ser vistos por mais algu�m. - E que importa isso?

- O meu pai podia descobrir. - N�o ter� outro rem�dio.

- N�o sei porqu�. - Porque n�o nos casamos em segredo?

Casar? Quem falou em casamento?

Queres continuar como at� agora?

Escondendo-nos no bosque com medo de sermos descobertos.

Dilys, escuta, amas-me ou n�o? E se me amas...

Claro que te amo Barney, sabes bem.

Mas no matrim�nio h� algo mais do que amor.

H� que pensar onde viveremos e como.

Os biscoitos est�o fresquinhos. Fi-los h� uma hora.

N�o h� nada melhor que os meus biscoitos.

- Bolas, esqueci-me do leite! - Passamos bem sem ele.

- Quem poder� ser agora? - Seja quem for, n�o estou, entendido?

Est� bem, est� bem. N�o nasci ontem.

Boa tarde, Meggie, vim ver o Barney.

Ainda n�o voltou.

- E onde est�? - N�o sei, mas aqui n�o est�.

Mas n�o me feche a porta. por favor, posso esperar.

Venho falar de neg�cios.

Agora, sou governanta de Mordelen e quero que me forne�a queijo e farinha.

Vou esperar aqui dentro.

Dilys!

Eu... perd�o. A Meggie disse-me que n�o estavas e pensei esperar.

Ordenei-lhe que o dissesse.

Queria ficar a s�s com a Dilys, para a convencer a casar comigo.

Barney, eu nunca disse...

J� n�o te vais casar com o Stephen?

Fennell?

- O que te fez supor isso? - Se n�o me engano, foste tu.

- Isso era para enganar o meu pai. - E a mim tamb�m?

- Vais casar-te com o Barney? - Claro.

Ent�o, espero que sejam muito felizes.

Jassy, n�o vais diz�-lo ao meu pai, pois n�o?

�s um burro, exp�-lo assim, diante de uma criada.

- A Jassy n�o � uma criada. - A Jassy n�o passa de uma empregada.

� a esposa que te conv�m.

Estarias muito bem com ela, e estaria no seu ambiente.

Posso falar consigo. Sr. Helmar?

Dilys!

Dilys!

Dilys! Dilys! Dilys!

Dilys! Tens andado a ver o Barney Hatton nas minhas costas?

Pai, pai! Por favor, larga-me!

Larga-me imediatamente!

Stephen! Stephen!

Stephen! Stephen!

- A Srta. Helmar? - N�o est�.

- E quando voltar�? - N�o sei, senhor.

H� muito tempo que n�o est� em casa.

- E a Srta. Woodroofe? - Sim, est�, senhor.

- Diga-lhe que quero falar com ela. - Sim, senhor.

Barney!

O que fazes aqui? Pensei que n�o voltarias a esta casa.

- Tinha de vir. Que aconteceu � Dilys? - Nada.

H� j� tr�s semanas que n�o a vejo. Aconteceu-lhe alguma coisa?

N�o, est� com os Fennell.

- Ficar� l� at� ao casamento. - Casamento?

- O casamento do Stephen Fennell. - Com quem vai casar-se?

Coma Dilys.

Coma Dilys?

- Isso n�o � verdade! - �, pois.

Espera!

� poss�vel que a ames tanto? - � preciso perguntares?

Achei que o que mais te importava era Mordelene.

Jassy! Por acaso, a Dilys acredita nisso?

Porqu� n�o? Eu acredito.

Mas � um absurdo, comparar uma casa com uma mulher.

N�o, no fundo, preferes Mordelen � Dilys.

N�o te aflijas, Barney. Farei com que volta a ser tua.

Juro que o farei.

Bom dia, Hatton. Em que posso ser �til?

- Vim ver a Dilys. - N�o ser� poss�vel, n�o est� bem.

- Mas onde vais? - Busc�-la.

Espera. Talvez n�o saibas que a Dilys � minha noiva.

- E agora, bom dia. - Se � verdade, ela que mo diga.

Dilys, isto � verdade?

Sim.

Ent�o, vais casar-te com o Stephen?

Sim, Barney, mas ouve...

Tamb�m mo prometes-te, lembras-te?

- N�o, Stephen, nunca lho prometi. - Eu sei de tudo.

A Dilys falou-me de tudo.

Queres aproveitar um namorisco para a obrigares a casar.

Parab�ns, Dilys, tens uma grande imagina��o.

Compreendo agora a sorte que tenho.

- Se o voltar a fazer, terei de ir. - O que lhe deu?

Voc� n�o � de carne e osso, como toda a gente?

Bem, suponha que sim. Isso � motivo para me importunar?

N�o posso evitar, � superior �s minhas for�as.

- J� mo demonstrou. - O que tem contra mim?

- Nada. - Ent�o case-se comigo.

Com o senhor? N�o acreditei que o casamento lhe interessasse.

Nunca mo pediu.

Estou a faz�-lo agora. Case-se comigo.

- N�o. - Porque n�o?

- Porque n�o o amo. - Desde que queira casar, n�o me importa.

- O que ganho com isso? - O que deseja?

- Mordelene. - Enlouqueceu?

Pelo contr�rio, estou perfeitamente s� e sei o que pe�o.

Ponha Mordelene em meu nome e prometo que me casarei.

A escolher, podia ter escolhido a Lua.

N�o tem de se chatear. Pediu-me um pre�o e dei-lho.

Se n�o quer pag�-lo, � problema seu.

Eu sei esperar.

� voc� a jogar.

Dado que o Nicol�s e a Jassy...

...decidiram unir-se atrav�s do v�nculo sagrado...

...e demonstrar f� perante Deus e os homens...

...comprometendo-se a guardar fidelidade m�tua...

...e declarando-o atrav�s da troca de an�is...

...que unir� as vossas m�os...

...eu vos declaro, marido e mulher.

- Boa noite, Nick. - Onde vais?

- Para o meu quarto. - N�o te esqueces de nada?

- Acho que n�o. - N�o nos casamos esta manh�?

Sim.

- E ent�o? - Fizemos um contrato.

Casei-me em troca de Mordelen.

Mas n�o te prometi fazer vida matrimonial e n�o penso faz�-lo.

- E n�o pensas mudar de ideias? - N�o.

- N�o podes enganar-me assim! - N�o te enganei.

Jogamos e eu ganhei. Boa noite.

Bom dia. Nick. Est� um dia espl�ndido.

Bom dia. N�o tomo nada, obrigado.

Jassy, o que disseste ontem n�o � verdade, certo? Diz-me que � mentira.

� completamente verdade.

- N�o queres viver comigo? - N�o.

Ganhaste a casa de forma desonesta.

N�o, ganhei-a da mesma forma que a ganhaste ao Hatton.

- Pronto, fica com a casa. - Estou completamente decidida.

Dar-te-ei, al�m disso, tudo o que pedires,

posi��o, vestidos, dinheiro, tudo.

Agora, j� tenho o que quero.

Porque me odeias tanto? Que te fiz eu? Diz-me!

S� amei dois homens na minha vida.

Mataste um e arruinaste outro, nunca te perdoarei.

Se te portares bem, podes ficar nesta casa.

N�o me toques, porque se o fizeres, farei com que te expulsem daqui.

� bom que tenhas entendido!

N�o, deixa-me em paz, estou ocupada!

Est� quieta!

N�o sei como continua nesta casa!

O que se passa, Lindy?

O que queres dizer-me?

Tem a ver com o Sr,. Helmar?

Aconteceu-lhe algo mau? N�o, espera, temos de pedir ajuda. Fred! Fred!

Chame o Fringan e venham connosco, o senhor sofreu um acidente!

Podia ter sido pior.

Foi uma sorte terem-no encontrado rapidamente, se n�o...

- Debaixo dos p�s. - Debaixo da cabe�a.

N�o, n�o, n�o. H� que manter as pernas o mais altas poss�vel.

� muito grave, doutor?

Dada a sua idade e estado de sa�de, qualquer queda pode ser algo s�rio.

Amanh� vamos reavali�-lo.

Mas o que devo fazer?

Bem, at� recuperar os sentidos, nada.

Ter� de ficar em repouso absoluto.

Nada de alimentos s�lidos, nem vinho. Se tiver sede, d�-lhe �gua ou leite.

Se estiver irrequieto.

Mas o mais importante, � n�o o deixar beber �lcool, entendeu?

Sim, doutor.

Lindy, isto foi culpa minha.

Sou t�o culpada como se lhe tivesse dado um tiro.

Se morrer agora, fui eu que o matei.

Mas n�o morrer�, Lindy, n�o o permitiremos.

Cuidaremos dele, mais ningu�m lhe tocar�.

N�o quero que se diga que n�o fiz o necess�rio para o salvar.

A��car.

Pois sim! Como se eu n�o soubesse preparar sopas de p�o e leite.

N�o me importa que fa�am o meu trabalho.

Vais dar-me jacintos!

N�o, s�o papas com p�o e mel, feitas por mim.

- Porque n�o me d�s um jarro de vinho? - Porque o doutor disse...

Maldito doutor.

Leva essa porcaria daqui!

Eu punha mais, para que recuperasse as for�as.

Acho que assim j� chega.

Eu levo.

Talvez n�o queira que se recomponha.

- N�o quero pescada. - � o que te faz bem.

Pescada, que porcaria. Queres envenenar-me?

Ou esse espantalho sai, ou n�o comerei.

Se n�o fosse a Lindy, n�o estarias vivo.

Encontrou-te e cuidou de ti com devo��o.

Porque tens de te comportar com um menino mal-educado.

Vem c�!

Aproxima-te.

Quando falares comigo, tem maneiras.

N�o chores, Lindy. N�o tem import�ncia.

- Est� algu�m? - Espera um pouco.

Para quem � isso?

� para o senhor, disse-nos que lhe apetecia carne.

Deixe isso a�. O Sr. Helmar j� jantou.

Se vir algu�m a levar-lhe comida ou bebida, despe�o-o.

Voc� ser� o respons�vel.

Aqui t�m, que vos disse?

N�o acha que isto � um pouco estranho?

- J� est�s a fazer disparates. - Eu fa�o o que me apetecer.

Naturalmente, s� est� bem a chatear algu�m.

Ora, que imundice me trouxeste desta vez?

� um delicioso caldo de galinha.

Caldo de galinha! Eu quero costeleta e duas garrafas de Borgo�a.

- Queres que morra � fome? - V�, n�o digas disparates e come.

J� te disse para teres maneiras quando falas comigo!

- Quando fazes isto, quero ver-te... - V�, diz! Diz!

Ver-me morto, certo? Porque n�o dizes?

Se j� o sabes, n�o � necess�rio.

Oxal� morresse!

Para estar assim...

Ningu�m quer saber de mim, ningu�m me d� de beber...

...ningu�m me faz companhia.

Ficas surpreendido, depois da maneira como te comportas?

- Est�s a proibi-los de entrar aqui. - N�o � nada disso.

Onde est� a Dilys, porque n�o veio?

A Dilys n�o quer vir, j� te disse.

- Est�s a afast�-la de prop�sito. - Enviei v�rias cartas, mas n�o vem.

N�o � suficiente, vai l� e diz-lhe que eu ordenei que regressasse.

Se quiseres, eu vou.

Mas, na �ltima vez, falaste-lhe como se fosse um tronco, esqueceste-te?

N�o, e tamb�m n�o me esquecerei...

...da forma como me trataste enquanto estive acamado.

N�o, Lindy, volta. N�o temas, n�o te far� nada, tens de cuidar dele.

Quando eu chamar, vem a correr, entendido?

Ent�o, a carcereira j� se foi?

A tua ama, idiota! Foi buscar a Dilys?

Ora, assim, poderei ser dono de minha casa por um bocado.

Vem c�, n�o te farei nada se fizeres o que te disser.

Aproxima-te.

Desce at� ao est�dio e abre o arm�rio que est� sob a janela, entendeste?

Pega numa garrafa de Conhaque e traz-ma.

Vais obrigar-me a ir eu?

V�, idiota, traz a garrafa!

J� n�o era sem tempo, foste em quatro patas?

Assim est� melhor.

N�o falemos mais deste assunto!

Diga ao Sr. Helmar que a minha esposa n�o o ir� ver.

Mas, e se for grave?

Srta. Woodroofe, o Sr. Helmar corre perigo?

J� lhes disse nas cartas a opini�o do doutor.

Ontem disse que lhe parecia muito melhor.

Ent�o, porqu� a necessidade repentina de ir v�-lo?

Dilys, ele quer ver-te. Foi o recado que me mandou dar-te.

Eu acho que devia ir.

Lindy, o que foi que fizeste?

Srta. Woodroofe, por acaso, o meu sogro...

...quer falar com a minha esposa sobre a casa...

- O que se passa? - Que se passa, Jassy?

- Morreu! - Quem?

- O Nick, eu vi-o. - O qu�? Disse que estava melhor.

Tenho de ir, acompanhem-me, por favor.

- Quando morreu? - H� uns 20 minutos, senhor.

O Fred encontrou-o.

Ia a caminho da cozinha, quando o ouvi queixar-se.

Subi a correr, mas quando lhe peguei na m�o j� tinha morrido.

Havia algu�m com ele?

- Sim, senhor, a muda. - A muda?

Sim, uma tonta protegida da Jassy.

Porque � que o deixaram sozinho com ela?

- N�o podemos responder, senhor. - Tem de responder.

Disseram-nos que todos os empregados que entrassem no quarto,

seriam despedidos.

- Quem lhes disse isso? - A Srta. Woodroofe.

Podem voltar ao trabalho.

Avisei o doutor, suponho que o queira ver.

- Voc� avisou o doutor? - Por acaso, surpreende-o?

H� muitas coisas que me surpreendem, Srta. Woodroofe.

Ao que parece, adquiriu uma grande autoridade nesta casa.

� melhor que o diga.

Dilys, o teu pai casou-se comigo.

N�o posso acreditar! Quando?

Dia 16 de Abril.

- Aproveitaste o tempo. - Porqu� o segredo?

Ele empenhou-se em escond�-lo. Acho que tinha vergonha do casamento.

E compreende-se.

Percebes o que significa? F�-lo para te tirar Mordelen.

Nada disso, tanto eu como o Sr. Helmar agimos livremente.

Casei-me com ele com uma condi��o pr�via e ele aceitou.

- E qual foi? - Passar Mordelen para o meu nome.

E assim foi, ante o Not�rio Pearson. Totalmente legal e irrevog�vel.

- Discutiremos isso mais tarde. - Estou disposta a isso.

Entretanto vou enviar um relat�rio do ocorrido ao meu pai.

Ao seu pai? Porqu� ao seu pai?

Vai ver. � Governador do Condado e Juiz de Paz.

E agora, senhores do Jurado,

expus ante voc�s, tal como era o meu dever...

...os factos que sustentam a base da acusa��o.

Se aceitarem os factos, a situa��o � a seguinte:

T�m a acusada Jassy Woodroofe, agora Helmar,

casada com um homem muito mais velho.

Um homem pelo qual nunca demonstrou o menor afecto.

Um homem que era respons�vel pela morte do seu pai.

Um homem, cuja morte representava uma grande fortuna para ela.

Pe�o-vos que pensem se ela o preferia vivo, ou morto.

De qualquer forma, n�o tarda, ter�o uma opini�o formada.

Subsiste o facto, de que a sorte...

...colocou nas suas m�os uma arma humana, a acusada Wicks.

E eu considero que os factos demonstram que a acusada Helmar...

...utilizou deliberadamente a Lindy Wicks...

...da mesma forma que os outros assassinos,

utilizam uma arma branca, ou de fogo...

...para levar a cabo a morto do seu esposo.

H� mais outra coisa:

Sabem que a acusada Wicks, est� privada da fala.

Ningu�m lamenta isso mais do que eu.

Com algumas palavras, poderia aclarar muita coisa.

Agora, senhores do Jurado, vou expor as provas perante voc�s.

Quantas vezes viu o patr�o desde que adoeceu?

Nem uma vez.

- Dizes que nunca viste? - Nunca, senhor.

Porque n�o?

Porque a senhora ordenou que n�o entr�ssemos no quarto.

- Ent�o e a rapariga, a Lindy? - Entrava e sa�a a toda a hora.

E voc� dava-lhe ordens?

Apenas a Sra. Woodroofe, ou melhor, Helmar.

E ela parecia perceber as ordens que recebia da acusada Helmar?

Sim, senhor, ela parecia perceber tudo,

n�o havia nada que n�o lhe pudesse ensinar.

N�o havia nada que a Sra. Helmar n�o lhe pudesse ensinar. Obrigado.

Como trabalhador da cozinha,

um dos seus deveres seria levar a comida ao quarto do Sr. Helmar.

Em qualquer outra casa, sim, senhor.

Mas n�o nesta casa, hein?

Entendido.

Quer explicar ao tribunal como se preparavam e serviam as comidas?

A Sra. Woodroofe preparava-as, senhor.

Umas vezes levava-as, outras vezes era a muda.

E as bebidas?

N�o lhe dava bebidas, senhor, apenas leite e �gua.

Isso n�o entendi, Sir Edwards.

Disse a testemunha, merit�ssimo, que apenas bebia leite e �gua.

Entendido! Isso � diferente.

Sim, merit�ssimo, trata-se de uma testemunha muito experiente.

Obrigado.

Agora, Sr. Burton, quero que recorde o que ouviu...

...quando estava a bisbilhotar � porta do quarto.

N�o estava a bisbilhotar, senhor.

Pe�o-lhe desculpas.

Refiro-me a quando passou casualmente no corredor e escutou certas palavras.

Voc� disse que ouviu o Sr. Helmar a dizer: "Queres envenenar-me?"

Isso � verdade.

Lembra-se, por acaso, qual foi o jantar naquela noite?

Sim, lembro-me: Foi pescada.

- Uma pescada inteira? - N�o, senhor, apenas um bom peda�o.

E o resto da pescada?

- Comeram-no na cozinha? - N�o, senhor, a cozinheira deitou fora.

- Deitou fora, porqu�? - Porque n�o lhe apetecia.

Nenhum de n�s queria comer o que Sra. Helmar preparava para o Sr. Helmar.

Voc� viu a acusada Helmar no dia da morte do Sr. Helmar?

- Sim. - Onde?

Em minha casa, foi visitar a minha esposa.

Que dist�ncia separa Mordelen da sua casa?

- Duas milhas. - Duas milhas.

E agora, quer dizer ao jurado o que se passou nessa visita?

E agora, quer dizer ao jurado o que se passou nessa visita?

Vimos que a Sra. Helmar ficou com um aspecto estranho.

Ficou com um olhar extraviado e disse: "Morreu!"

Acho que a minha esposa perguntou: "Quem � que morreu?"

E a Sra. Helmar respondeu: "O Nick, eu vi-o."

E de seguida, segundo entendi, voc� e a sua esposa...

...acompanharam a acusada a Mordelen. - Sim.

Durante o caminho pediu explica��es � acusada,

em rela��o � extraordin�ria cena que acaba de nos descrever?

Sim, lembrei-lhe que uns minutos antes,

nos tinha dito que o Sr. Helmar estava bastante melhor.

Ent�o perguntei-lhe o porqu� de tal contradi��o.

E o que lhe respondeu?

Disse: "Eu vi-o morrer."

- "Eu vi-o morrer." - Obrigado Sr. Fennell.

J� conhece a acusada Helmar h� bastante tempo, n�o � verdade?

Sim, esteve ao servi�o da minha m�e.

- Considera-a uma boa amiga? - Sim, uma boa amiga, claro.

- E est� disposto a ajud�-la? - Sim, naturalmente.

E veio dizer-nos que, anteriormente, ela tinha tido esse tipo de vis�es?

Digo-o porque n�o tenho a menor d�vida de tal facto.

Refere-se �quela vez em que chegou � Quinta Verde,

e lhe disse que lhe tinham morto o pai?

Sim.

- E tem a certeza que foi uma vis�o? - Tenho.

- Tem absoluta certeza? - Claro, absolutamente!

Como sabe que a acusada n�o estava em Mordelen quando lhe mataram o pai...

...que n�o foi depois para a Quinta Verde?

- N�o o podia ter feito. - E porque n�o?

Porque n�o teve tempo. Mataram-no quando soavam as oito horas...

Um momento. Mataram-no quando davam as oito horas na torre.

- Qual torre? - A que existe em Mordelen.

Supondo que o rel�gio de Morlene estivesse 10 minutos adiantado

e o da Quinta Verde

ent�o, podia ter estado em ambos os lugares

enquanto o rel�gio dava as oito horas?

- N�o acha? - Sim... � poss�vel.

Supondo...

Obrigado, Sr. Hatton.

- Sim, mas... - � tudo.

Senhores do j�ri j� chegaram ao veredicto?

Sim, Merit�ssimo.

Acham a acusada Belinda Wicks, culpada ou inocente de assass�nio?

Culpada.

Acham a acusada Jassy Helmar culpada ou inocente de assass�nio?

Culpada.

Acham que ambas as acusadas s�o culpadas de assass�nio.

Assim sendo, ser� este o veredicto de todos v�s?

Este � o veredicto de todos n�s.

Acusadas, est�o convictas de assassinato.

T�m algo a dizer contra a pena de morte que lhes ser� imputada segundo a lei?

Jassy Helmar?

Milorde...

...eu sou inocente, mas n�o quero pedir clem�ncia para mim.

S� suplico que n�o culpem a Belinda Wicks, dos seus actos.

Que toda a culpa recaia sobre mim,

porque me enganei ao julgar que ela seria capaz de olhar pelo meu marido,

deixando-o a s�s com ela.

Belinda Wicks, se me entender, abane com a cabe�a.

Tem algo contra a pena de morte que lhe ser� imputada segundo a lei?

Quer que eu repita a pergunta?

N�o! Ela n�o!

- Sil�ncio! - Merit�ssimo?

Acho que algo parecido com um milagre ir� impedir um grave erro da justi�a.

Suplico ao Merit�ssimo, que permita � acusada ser ouvida como testemunha.

O que tem a dizer, Sir Edward?

Senhoria, o julgamento terminou.

Ambas as acusadas foram culpadas de assass�nio.

Perante isto, o nosso dever � fazer cumprir a lei.

Concordo com o meu ilustre colega, a acusada, deve ser ouvida.

Ordeno ent�o, que seja ouvida como testemunha e sob juramento.

Ponha a sua m�o direita em cima da B�blia.

Repita comigo. Juro por Deus Todo-o-Poderoso...

- Juro... - Mais alto.

- Juro por Deus Todo-o-Poderoso. - Juro por Deus Todo-o-Poderoso.

Que as declara��es, por mim prestadas, a este tribunal...

Que as declara��es, por mim prestadas, a este tribunal...

- Ser�o a verdade. - Ser�o a verdade.

- Toda a verdade. - Toda a verdade.

- E n�o mais do que a verdade. - E n�o mais do que a verdade.

- Que Deus me ajude. - Que Deus me ajude.

E quando lhe ocorreu a ideia de administrar o veneno ao Sr. Helmar?

Quando peguei na garrafa.

Era Conhaque, forte, e n�o deu pelo veneno.

A Sra. Helmar j� tinha sa�do de casa.

Sim, n�o o podia fazer com ela presente.

Teria visto e ficaria muito zangada comigo.

Como explica que pudesse ver a morte do seu marido.

N�o � de admirar, ela adivinha as coisas.

Toda a gente sabia disso!

Senhoria, a senten�a foi cumprida.

Sir John, aqui est� o documento que me pediu.

- Queria falar comigo? - Sim.

A Sra. Helmar deu-me instru��es, para que esta carta lhe fosse entregue.

Obrigado.

Querido Barney, junto com esta carta deixo a escritura de Mordelen em teu nome.

Fico feliz por te poder entregar o que sempre desejaste.

Casei-me com o Nick Helmar apenas para isto.

Desfruta, pois � unicamente o que tenho para te oferecer.

Recorda-me algumas vezes quando me for.

Porque, enquanto respirar, recordar-me-ei de ti.

Barney!

J� te deram a minha carta?

Sim, porque fizeste isto?

A quem mais o podia fazer?

N�o posso aceitar, Jassy.

� uma casa demasiado grande para uma cigana sozinha, n�o achas?

Compartilha-a comigo.

Nunca pensei que te ia ouvir dizer isso.

Estou a falar a s�rio.

Eu sei que sim, mas agora que voltaste a Mordelen, a minha miss�o est� cumprida.

Eu vou-me embora.

N�o, Jassy, por favor. � maravilhoso pensar que voltei a Mordelen mas...

Mas � assim que tem de ser, Barney.

Sempre que falas em Mordelen os teus olhos irradiam a luz...

...que eu nunca tinha visto.

Adeus, Barney.

Nunca me esquecerei de ti.

Jassy!

FIM

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