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Vão subir ao palco dentro de segundos.
Ouçam o público!
Senhoras e senhores, um aplauso para os Rolling Stones!
Fui atraído para aquele ambiente
e a minha vida mudou.
Os Rolling Stones explodiram nos anos 60, transformando tudo...
"Não me sinto satisfeito"
...incluindo um adolescente chamado Ronnie Wood.
Fiquei apanhado pelo movimento e pela música, que era contagiante.
E as raparigas eram incríveis.
Viu-os tornarem-se a maior banda de rock do mundo.
Estava perante o meu futuro.
Estava perante o que queria fazer.
Parecia-me um bom emprego.
Era o melhor emprego que se podia ter.
Achei que um dia faria parte da banda.
É uma história que fala de destino
ou de como um momento fez com que Ronnie Wood
mudasse não só a sua vida, mas a da banda que começou tudo.
O Ronnie diz que sempre soube
que ia fazer parte dos Rolling Stones.
Na guitarra, Ronnie Wood!
Desde o início, desde o "Senhoras e senhores,
a maior banda de rock do mundo, os Rolling Stones!"
No meio da natureza de Richmond, numa curva do Rio Tamisa,
está uma casa que é o centro da cena rock de Londres.
Chama-se The Wick (O Pavio)
e pertence a Mr. Ronnie Wood, o guitarrista principal dos Faces.
Todos conhecíamos Ronnie Wood.
Vivia numa bela casa em Richmond, com uma vista linda.
A vida era mais barata, naquela altura.
Entrei e vi umas lareiras lindas e umas salas ovais lindas
e fiz tudo para a comprar, claro.
Não tinha dinheiro para tudo,
mas tentei e, de repente, tinha The Wick.
Ele nunca prestou atenção ao lado financeiro.
O Ronnie é o Ronnie, sem preocupações. Um verdadeiro boémio.
É um guitarrista original.
Mick e Keith eram fãs dos Faces.
Lembro-me de levar o Mick a ver os Faces.
Foi no Rainblow, na Circular do Norte.
Lembro-me de voltarmos, de carro,
e de ele os gabar.
O Ronnie e eu éramos muito chegados no início dos anos 70.
Fizemos dois álbuns com o Ronnie.
Vivia em casa dele, de graça. Foi ótimo. Obrigado, Ron.
Keith mudou-se para lá depois da sua casa, Redlands, ter ardido,
confirmando que The Wick era o lugar certo para estar.
Os que apareciam iam comigo para a sala de bilhar,
onde conversávamos, onde fazíamos planos,
contávamos anedotas e histórias.
Era um grande bar onde se podia ir a qualquer hora.
Às vezes, ficava descontrolado,
com gente a mais a dormir no chão.
Mas naquele estúdio fez-se boa música.
Uma das primeiras coisas que Ronnie fez em The Wick
foi transformar a cave num estúdio de gravação.
- Alguém está a gravar? - Sim.
Repetir!
No meu primeiro álbum,
houve muitos músicos a entrar e a sair.
O Paul tinha descido as escadas com a Linda
e, de repente, aparece o George e Gregg Allman.
Vinham todos. Keith Moon e Ringo na bateria,
Jim Capaldi também aparecia.
Imensos bateristas à espera
para tocarem a música seguinte.
Havia, pois, imensos músicos
e muita confusão.
Até o Mick gosta de aparecer, via quase sempre Ronnie no estúdio.
Ele estava com uma espécie de disco a solo
e eu costumava lá ir e tocar guitarra e fazer demos.
Ele tinha sempre uma música e íamos tocando.
"Se mergulhasse a caneta No meu coração"
E escrevíamos versos.
Eu estava a escrever "I Can Feel the Fire"
e pedi ao Mick para cantar comigo.
Eu já tinha a música. Ele acedeu.
"Sinto o fogo queimar"
Estávamos nisso e,
entre canções, também trabalhávamos na "It's Only Rock and Roll".
Quando construiu o estúdio, ofereci-lhe uma bateria,
e foi a pior coisa que podia ter feito.
Andy Newmark, o baterista, estava exausto e tinha ido dormir
e nós queríamos gravar.
Lembrei-me do Kenney Jones e liguei-lhe.
Ligava-me sempre quando ia deitar-me.
Disse-lhe que estava lá o Mick e o David e ele disse logo que vinha.
Já tinha bebido, claro,
e tive de ir devagar para evitar a Polícia.
Chegou cá passada uma hora.
Estávamos a tocar e já seriam três da manhã.
Estávamos a improvisar sobre a canção.
Era Willie Weeks no baixo, Kenney na bateria
e David Bowie a dizer "It's only rock and roll" ,
a fazer o coro.
Era só uma demo,
mas quando Mick grava "It's Only Rock and Roll" com os Stones,
não conseguem recriar a magia de The Wick
e a banda decide manter as gravações originais.
O Mick estava a fazer a mistura nos Island Studios.
- Bem alto. - Vamos lá.
Ele disse: "O Keith vai tocar as partes dele."
E o Keith: "Por precaução,"
tirei a tua guitarra."
E eu respondi: "Obrigadinho, Keith.
Mas esqueceste-te de tirar a de 12 cordas."
E ele...
"Sei que é só rock 'n' roll Mas eu gosto
Sei que é só rock 'n' roll Mas eu gosto"
Foi a primeira gravação de Ronnie com os Stones,
mas percebeu que não ia constar dos créditos.
O Mick disse: "Tu ficas com a 'I Can Feel the Fire',
que, nas palavras de Keith, tinha caído no esquecimento,
e nós com "It's Only Rock and Roll".
Eu concordei.
O single acabou por chegar ao Top 10 no Reino Unido,
mas Ronnie tinha em vista um prémio maior.
Ainda estava fixado nos Stones e no que podia fazer para lá chegar.
Entretanto, esperava-o muita diversão na estrada com os Faces.
Éramos uma banda de farra, porque bebíamos
e estávamos sempre bem dispostos,
às vezes, demasiado bem dispostos.
Os Faces apanharam a onda da primeira invasão britânica
e fizeram uma digressão mundial com uma receção arrebatadora.
Nunca se tinha visto nada assim,
sobretudo eu e o Woody nas nossas calças de veludo,
com grandes cruzes, cabelo armado e maquilhagem.
O que era aquilo?
Os penteados dos Faces eram o máximo
e o visual e o ambiente tornavam a música deles crua e sensual.
Mexiam comigo.
O público estava cheio de cor, era uma festa.
Pertencemos ao público, quando tocamos.
"De manhã, não digas que me amas"
Havia quem se sentasse no palco
e não nos importávamos.
Na última digressão americana caí em cima do público.
Tudo correu bem.
Tomo sempre alguma coisa antes de atuar.
Temos de aprender a rir-nos de nós mesmos.
Se não aprendermos, estamos tramados.
O importante era divertirmo-nos,
porque gostávamos da companhia uns dos outros e de tocar juntos.
Numa das primeiras digressões dos Faces, deram-nos câmaras Super 8
e filmávamo-nos uns aos outros.
Era como fazer espetáculos uns para o outros.
Dá-lhe!
Faces, Rod Stewart, vocalista, no seu Marcos,
Ron Wood, guitarrista, com as miúdas.
Achava que se poupasse e comprasse um carro desportivo,
arranjava uma namorada fixe
e depois acabava-se tudo, porque não durava muito.
Não sabíamos onde nos levava a música e o rock and roll.
Os Rolling Stones também enfrentavam um futuro incerto.
Fora da estrada há mais de um ano e viciados em drogas,
pairava um nevoeiro sobre a banda.
Que futuro vê agora?
Não sei. Não faço ideia.
Não sei o que fazer, até ser altura de o fazer.
Nem sei o que vou fazer amanhã.
Sei que tenho de ir a Londres,
mas é só isso que consigo prever para o futuro.
"Angie, Angie
Quando desaparecerão Todas essas nuvens?"
Ronnie já fazia parte da esfera social dos Stones
e o destino dá-lhe um lugar na primeira fila,
num momento decisivo na história da banda.
Estava sentado num sofá,
com Mick Jagger aqui e Mick Taylor aqui.
O virtuoso guitarrista de 25 anos Mick Taylor
tinha substituído o fundador Brian Jones em 1969.
Nunca mais me esqueço. Estávamos a conversar e a beber
e, a certa altura, Taylor diz a Jagger:
"Vou sair da banda e é agora."
Podia parecer uma altura estranha para desistir.
A banda tinha tido um dos maiores sucessos da história do rock,
com "Let It Bleed", "Sticky Fingers" e "Exile on Main St."
Mas Mick Taylor debatia-se com o vício da heroína
e a vida como Rolling Stone começa a desgastá-lo.
Acha que os Stones
lhe dão todo o retorno musical que gostava de ter?
Não.
Gostava de fazer muitas coisas com outras pessoas
e fá-lo-ei quando tiver oportunidade.
É frustrante em termos individuais,
mas acho que acontece a todos os que pertencem a um grupo.
Após anos de incansáveis digressões e gravações,
começam a aparecer ruturas.
Os Stones exilam-se por causa dos impostos
e, além disso, são proibidos de tocar no Japão,
na Austrália e na América do Norte.
Em França, há um mandado de captura para Keith.
Quem acha que vai ser o próximo Rolling Stone?
Não sei. Há muitos guitarristas bons,
mas é preciso que haja uma ligação com os outros
e tem de ter muita paciência.
"Angie, Angie
Está na hora de nos despedirmos"
Continuávamos pelo mundo à procura do que nos agradava.
Estávamos mesmo exilados.
A comunicação entre nós era difícil.
"Angie"
Meu Deus,
na altura todos se drogavam demasiado.
A banda devia ter ido para reabilitação durante um ano,
incluindo eu.
" Não podem dizer que nunca tentámos"
Mas as coisas eram o que eram.
Na festa, o impacto da saída de Mick Taylor torna-se real.
Mick diz: "Acho que ele estava a falar a sério."
E eu digo: "Também acho."
E ele diz: "O que faço?"
E eu digo: "Não sei, Mick. O que achas?"
E ele diz: "Queres entrar?"
E eu digo: "Estava a ver que não me convidavas." Foi engraçado.
Ele diz: "Mas não estás numa banda?"
Foi uma decisão importante para o Ronnie,
porque já tinha tocado em muitas bandas.
Eu disse-lhe que não queria
desfazer os Faces
mas para me ligar, se ficasse desesperado.
Na véspera de começar "Black and Blue",
Mick Taylor decide sair da banda.
Encontrámo-nos em Heathrow para ir para a Alemanha gravar o disco.
Nessa altura, fizeram audições a muitos guitarristas.
Eu ficava louco. Ficava ali sentado
à espera
e eles a ouvir um guitarrista de Tombuctu, sei lá.
A imprensa musical começa a especular
sobre quem seria o próximo Rolling Stone.
É um problema para vocês?
Sim, é um problema,
porque estávamos a dois dias
de vir para Munique para gravar
e tínhamos muitas ideias para o novo espetáculo
e ainda temos de arranjar outro guitarrista.
Jeff Beck foi lá
e Steve Marriott também.
Quem poderia entrar nos Stones? Eu podia... Éramos seis.
Ry Cooder era um deles, Mick, que tocava com David Bowie, eu,
que, pelo menos, era considerado alguém que podia entrar na banda.
Tinha esperança que o telefone tocasse
e que fossem os Stones.
Todos os guitarristas tinham. Pelo menos Waddy Wachtel tinha.
Com menos um membro, a banda decide usar as audições
para completar o álbum.
Primeiro, ouvimos os candidatos. É um processo longo.
Quero falar dos que ficaram zangados.
Tínhamos uma forma organizada de selecionar pessoas
e aparecem no álbum.
A pensar na grande digressão americana e com audições fracassadas,
Mick decide cobrar um favor.
Estava no meu leito de morte em LA, mesmo doente,
nem me mexia. Toca o telefone e é o Mick
que diz: "Ronnie, estou desesperado, preciso de ti."
E eu disse: "Está bem."
Ronnie aterra em Munique e vai direto aos Musicland Studios.
O átrio continua cheio de guitarristas.
Tinham-me dito para estar no estúdio às duas.
Entrei e disse: "Pessoal, tenho uma música.
É assim..."
E o Charlie disse: "Só cá está há 5 minutos e já quer mandar em nós."
Toda a gente começou a tocar.
Eu alinhava com o Ronnie
quando improvisávamos juntos.
O Mick começou a cantar
e acrescentou umas palavras.
Eu pensei, é ele e já tenho trabalhado com ele
numa boa.
"Negrita"
Já tínhamos tocado juntos, conhecíamo-nos,
e isso facilitou bastante a escolha.
Após vários meses a tentar encontrar guitarristas,
Ronnie encaixou na perfeição.
Ele encaixa em qualquer lado, não ocupa muito.
E era de Londres... Todos o conhecíamos,
talvez eu melhor, porque tínhamos gravado juntos,
o que tornou tudo ainda mais óbvio.
Lançada finalmente em Black and Blue,
os créditos de "Hey, Negrita" são de Jagger/Richards, como sempre,
mas, desta vez, também "inspirada em Ron Wood".
Estavam à espera de mais pessoas
e eu disse: "Cancelem. Vêm para quê?"
E eles concordaram
porque tinham encontrado o que queriam.
E foi assim que o destino de Ronnie ficou traçado.
Num momento de perigo, eles não queriam um vaidoso,
um virtuoso na banda.
O Eric queria ter ficado com o lugar,
mas eu disse-lhe: "Mas tinhas de viver com eles."
Sessão de afinação.
Claquete um. Take três.
Fazia sempre isto.
Já nessa altura sabia o que tinha de fazer.
Sabia que alguém tinha de os picar.
Tinha de ser.
O Ron é o meu grande amigo e é divertido.
"Se me animares Nunca mais paro"
Tenho de ir... só mais um minuto. Levanto-o e...
O Ronnie é das pessoas naturalmente mais engraçadas
e não leva ninguém, ou nada demasiado a sério.
O Ronnie prega partidas, vê-se logo.
Quando o Ronnie chega, toda a gente se diverte.
Ele tinha aquele toque londrino.
Ronnie Wood era perfeito para os Stones.
Era um músico muito diferente de Mick Taylor, que era
uma espécie de músico de blues brilhante e meticuloso.
O Ronnie era mais tipo banda inglesa divertida.
É a energia que trazemos que faz a diferença.
Qualquer um pode tocar como está na gravação,
mas subir ao palco, tocar e a banda adorar,
era isso que o Ronnie fazia.
Ronnie é anunciado como o novo guitarrista em Manhattan,
no lançamento da digressão dos Rolling Stones pela América.
Sem os jornalistas verem,
a banda montou o equipamento na parte de trás do camião.
Iam passear o circo dos Stones pelas ruas de Nova Iorque.
Nem queria acreditar, mas lá estavam eles,
em plena Lower 5th Avenue.
Estávamos na rua e a tocar música ao vivo. Era de loucos.
Reunimos a imprensa num restaurante
a pensar que vinham os Stones
e circulámos a tocar "Brown Sugar",
com os jornalistas todos a saírem a correr do restaurante.
"Açúcar mascavado Porque sabes tão bem?"
Foi divertido. Não foi nada perigoso.
Estávamos a divertir-nos.
Foi uma brincadeira.
Foi muito ao estilo do Ronnie.
Sempre que muda um membro da banda,
assumimos características novas
e o Ronnie era diversão.
Era mais animador, humorista e isso ajudou muito.
Ele veio dos Faces,
que saltavam e eram engraçados,
porque ele é assim.
Portanto, em 1975,
ele trouxe-nos um novo propósito
e voltámos a sentir-nos uma banda.
Se fôssemos cinco Mick e Keith, era de mais.
Precisávamos daquele Yin Yang.
Para mim, a magia de uma banda é a química.
De volta ao seu ritmo,
os Stones fizeram 46 espetáculos pelos Estados Unidos.
Foi uma loucura. Annie Leibovitz seguia-nos para todo o lado
e havia jornalistas, fãs e muita loucura.
Muitas culturas diferentes.
Juntavam-se pessoas com personalidades diferentes.
Ronnie tinha percorrido os EUA com os Faces,
mas a escala dos Stones é digna de se ver.
Foi a primeira banda que conheci com alguma organização.
Recebíamos informação, sabíamos o que íamos fazer e quando,
o que íamos tocar, os tons das músicas.
Nos Faces não tinha nada disto.
Chegámos a compor algumas canções
pouco antes de subir ao palco.
Muito bem, vamos tocar isto.
Nos Faces era sempre: "E agora, Ron?"
Dizíamos: "Qual é que vem a seguir, Ron?"
Foi engraçado passar disso para a organização dos Stones.
O turbilhão, o furacão, o tornado,
o pico de estar lá, os picos da droga e da bebida.
Durante muitos anos, não tive os pés na terra.
Deus vos abençoe.
Senti que estava em casa.
Tive a sensação de voltar a casa, quando me juntei à banda.
Quando conheci o Ronnie, senti que ele podia ser meu irmão.
Ele encontrou um irmão mais novo.
Canção um. Primeiro ato.
O Ronnie presta-se ao papel de irmão mais novo dos Stones.
Era o mais novo de três rapazes criados em Yewsley,
um subúrbio da classe operária em Londres.
Querida família! Eles eram muito liberais.
Art, o meu irmão mais velho, e Ted, o do meio, eram ambos artistas,
músicos, muito encorajadores e orgulhosos do pequeno Ronnie.
O diretor da escola chamava-me "o artista"
e a minha mãe adorava.
O Ronnie tem um espírito maravilhoso.
Quando vê algo especial e quer captar esse momento,
regista-o lindamente e dilui isso no seu trabalho artístico.
Adoro pintar.
Adoro combinar isso com a música e vice-versa.
É isso que me mantém.
É fabuloso e nunca estou aborrecido.
A minha família apoiou-me muito.
Quando deixei crescer o cabelo
o meu pai dizia: "Se queres ser como aquele miúdo, força."
E eu: "A sério, pai? As pessoas não sabem se sou rapaz ou rapariga."
E ele disse: "Tu és tu."
A família de Ronnie tinha uma identidade própria muito forte.
A minha mãe nasceu no barco Oriente.
O meu pai nasceu no Antelope.
Os meus pais e a minha família estavam, desde o século XVIII,
ligados à água. Viviam em barcos e em barcaças,
eram verdadeiros ciganos da água.
A minha mãe disse-me que o meu avô Wood
tinha uma família no Norte e outra em Paddington.
"Filho da mãe", dizia ela.
Sou um nómada.
Vivemos com malas. É assim que somos.
O meu pai falava-me das rotas que seguia.
Se eu pisava o risco, ele dizia:
"Achas que estás no iate do teu pai?"
Há uma tendência que tem a ver com o estilo de vida nómada
de atracar algures, e tenho recordações vagas
de infância, de leite doce, leite condensado,
que tomava na cabine do meu pai, no seu barco.
Foi o fim de um legado.
Os meus irmãos e eu fomos os primeiros a nascer em terra.
Os meus pais relacionavam-se e adaptavam-se bem
e eu herdei isso.
Esta banda trabalha com duas guitarras
e são muito importantes.
Estas guitarras a trabalhar em conjunto são a base da banda.
Para os Stones, o Ronnie foi o guitarrista
que se adaptou à vida na estrada e a tocar com Keith.
O Ronnie teve de aprender as canções dos Stones, claro,
mas como é que encaixa,
que parte é que tem de ser exatamente como a gravação?
O Keith disse-me algumas coisas
dos arranjos e isso, de que se lembrava.
Como o Ronnie tinha andado a aprender, sabia melhor do que eu.
Eu corrigia-o, tipo: "Essa música não acaba, no álbum.
Não tens um fim, temos de arranjar um."
E ele dizia: "Tens razão.
Lá porque escrevi as músicas, não tenho de as saber todas."
Ronnie foi atirado para o fundo do poço.
Navegar é assim.
Os antigos marinheiros usavam as estrelas,
nós usamos a batida.
Ou todos sabem que têm de parar.
Ou fazemos figura de parvos.
Num espetáculo ao vivo, é preciso ler os sinais
e a parte estranha da comunicação verbal.
"Amo-te."
Ou: "O que estás a fazer?
Que raio é isso?"
"O que está ele a fazer?", tipo: "O quê?"
É muito divertido.
A outra missão de Ronnie era ser companheiro de Keith,
com quem pudesse tocar, porque as ideias nascem assim,
com guitarras acústicas.
Havia miúdas lindas, mas eu e o Keith esquecíamo-nos delas,
porque tocávamos sem parar e as miúdas
a olhar para o relógio e a bocejar.
"Estou aqui há três dias e ele nem me disse olá."
"Já vou, só tenho de fazer isto."
A música era tão poderosa que se sobrepunha a tudo.
Era uma obsessão que tinha começado cedo.
Quando eu andava de calções,
a família estava sempre animada, todos eram artistas.
Quando tocavam, incluíam-me,
fosse com pente e papel, com kazoo ou...
Comecei por tocar washboard.
"Mesmo que a mãe não deixe Vou tocar a música como quiser
A mamã não me deixa Tocar wahsboard"
E depois faz-se um solo.
Era um solo de 12 compassos.
Era como se a câmara estivesse focada em mim.
Depois, tocava pente e papel e tocava trompete.
Também é um bom baterista, tipo maníaco.
Na verdade, já experimentou tudo.
De repente, vem com uma corneta.
Queria ser saxofonista
e tínhamos de o aturar a tocar corneta por todo o lado.
Ronnie Wood é um dos músicos mais inspirados
e brilhantes que já conheci.
Podem pôr-lhe qualquer instrumento nas mãos.
Adoro o facto do Ronnie ser o catalisador,
o tipo que congrega tudo,
que pensa no que fazer e concretiza.
O meu ego era secundário.
Estava ocupado a concentrar-me, a aprender, tipo:
"Aqui é preciso uma pedal steel . Vou aprender a tocar."
Para o Ronnie, entrar numa banda como os Rolling Stones
foi fazer um negócio artisticamente faustiano,
ou seja, fazer parte da maior banda de sempre,
o que era o máximo,
mas deixar de poder fazer tudo o que era capaz
para se integrar na banda.
- "É ali" - "Ali"
- O que é isso? - Desliga.
Keith, mostra a cara...
- Assim está bem? - Isso.
O Keith era mais chegado ao Ronnie
do que ao Mick ou ao Brian.
Claro que, na altura, havia muita droga envolvida.
Quem estivesse com o Keith tinha sempre problemas.
É verdade, Ronnie...
De volta à digressão americana, a dupla Keith e Ronnie
acaba por dar espetáculo aos residentes de Fordyce, Arkansas.
Pode dizer-nos o que aconteceu?
Se pudesse, dizia, mas não acredito.
Eu compro um. Está bem?
A Polícia viu o carro guinar na estrada
e mandou-o parar por causa disso.
Parámos num café na beira da estrada
e eu e o Keith ficámos umas horas na casa de banho, pedrados,
e alguém nos denunciou,
porque nunca mais saíamos.
Naquelas pequenas cidades é um rebuliço.
Quando a Polícia entrou
estávamos a fazer malabarismo com várias drogas,
a fazer ilusionismo...
DTF significa "deitar tudo fora", como quando chegamos a uma fronteira,
fumamos um bocado e depois vai tudo pela janela fora.
É a regra. Deitar tudo fora.
DTF, deitar tudo fora.
A Polícia foi atenciosa e tratou o grupo com respeito
e foram todos muito cordiais.
Não foram para uma cela,
ficaram detidos na sala por algum tempo,
para revistarem o veículo.
Atirei tudo pela janela.
Quando lá chegámos, quiseram revistar tudo
e eu disse que não iam encontrar nada. Já tinha ido tudo.
Quando estávamos no tribunal, apareceu a cidade em peso.
Tomámos conta do tribunal.
Eu e o Keith fomos para o lugar do juiz e tínhamos o martelo.
Dávamos autógrafos
e trocávamos chapéus com as pessoas e isso.
Vocês são fixes.
Tudo o que assumimos haver nas digressões,
a passadeira vermelha nos hotéis e isso,
no tempo deles, só os fãs é que gostavam deles.
Na altura, ninguém acarinhava bandas de rock em digressão.
Ninguém os queria, eram sujos e drogados.
O Inimigo Público número um nos EUA é o consumo de drogas.
Naquela altura, andavam contra a corrente.
Eram a sério.
Os problemas por causa da droga na digressão de 1975
reforçaram o laço entre Keith e Ronnie.
Comecei os Rolling Stones com Brian Jones,
um guitarrista com um estilo próprio, e criámos o nosso som.
Depois, veio Mick Taylor, um guitarrista totalmente diferente.
Tivemos de separar a base do solo.
Depois, comecei a trabalhar com o Ronnie
e achei que era a pessoa certa.
O Ronnie tem uma capacidade de se interligar
com tudo o que o Keith faz, o que é um ótimo dom.
Se Deus criasse um catalisador perfeito para o Keith,
seria o Ronnie Wood.
Ronnie era capaz de tocar tanto base como solo,
o que dá a Keith todas as possibilidades.
A sua amizade torna-se parte do seu som.
O Ronnie ainda era o tipo novo
e a banda também devia sentir isso.
Mas quando o Ronnie entrou,
voltou o pôr o Keith em destaque.
Acho que o inspirou a voltar a tocar.
Tocam muito bem juntos.
O Keith adora tocar com o Ronnie, porque é um intercâmbio.
Não sei, não ouço nenhum deles.
Somos os homens do machado e estamos a chegar.
Esta relação é mesmo especial.
É muito especial, porque se alimentam um do outro.
É uma espécie de pergunta e resposta.
O Keith pergunta, o Ronnie responde. O Ronnie pergunta, o Keith responde.
Quando os ouço, às vezes nem sei qual deles estou a ouvir,
são acordes, ritmo, frases.
Provavelmente, Ronnie tocou muito do que é atribuído ao Keith.
São uma pessoa com quatro braços.
Tecem uma teia nas guitarras.
A antiga arte de tecer é feita de dar e receber.
É o espaço entre o que tocamos,
o significado do que tocamos, sem caprichos.
Quando dois loucos trabalham juntos,
são como tecelagem à antiga.
Adoro ver Ronnie e Keith a tocar juntos.
É interessante vê-los ensaiar.
Não são homens de esquemas,
não é isso que fazem.
Sentem, respiram,
vivem, guiados pelos dedos,
são livres e não estão preocupados
com o que podia ser considerado erro em seres humanos normais.
Sabemos que se um for para um lado, o outro sabe para onde ir.
Se surge um solo num determinado número, nem olhamos um para o outro.
Se eu quiser fazer um solo, faço. Se ele quiser fazê-lo, faz.
- A sério? É assim à vontade? - Sim.
Há alguma altura em que nenhum dos dois faça um solo?
Sim. Quando ele dá cabo de mim e eu dele.
A beleza dos Stones é que nunca se sabe.
Estão sempre na corda bamba.
Esperem o inesperado.
Mas a cena do arame não se resume à química natural.
Com as drogas, produtos farmacêuticos do melhor,
surgia sempre uma grande música, ou um grande quadro.
Tinha muito a ver com o ritual, enrolar o charro, encher o cachimbo.
Isso seguia
o ritual da estrutura da música.
Dava-nos uma sensação de invencibilidade,
de sermos capazes de tudo.
Mas, fora do palco, há quem chame a Ronnie aprendiz de feiticeiro.
Aprendiz de feiticeiro é um elogio,
porque, de certa forma, tinha entrado num terreno muito perigoso,
com gente a morrer,
para acompanhar o consumo de droga de Keith.
Éramos da pesada.
Durante várias décadas andámos todos muito pedrados.
Mesmo nos dias mais loucos,
acendia um interruptor a dizer:
"Vou para o palco, tenho de me recompor."
Acho que foi isso que me salvou a vida e a todos nós
nos anos de consumo excessivo, o foco de termos de estar bem
em frente ao público e de lhe dar o que queria.
Claro que depende da droga em questão,
e da forma como cada um reage.
As drogas pesadas chamam-se assim por alguma razão
e temos de ser fortes para as aguentar, é só.
Em 1978, Keith escapa por pouco a uma pesada sentença no Canadá
por posse de heroína e decide desintoxicar-se.
Mas quando estava a afastar-se das drogas pesadas,
o Ronnie afunda-se ainda mais no vício.
Naqueles tempos loucos, a base livre em cachimbo descontrolava tudo.
A cocaína base livre tornou-se uma obsessão perigosa
no meio musical de LA, no final dos anos 70.
Eu achava que era o melhor que havia.
Levava para festas e dava a provar a toda a gente.
Em poucos anos, a base livre torna-se uma epidemia.
A cocaína crack, parece tão inocente como um rebuçado,
mas está a transformar as cidades em zonas de combate.
Depois, acabou por perder a piada.
Mas fumar o cachimbo era assustador, e fazíamos tudo para o conseguir.
Mas a base livre era de loucos.
Tinha de parar.
É mais fácil dizer do que fazer.
No verão de 1981,
os Stones preparam-se para outra grande digressão nos EUA.
Só há um problema,
encontrar uma seguradora que cubra
um Ronnie cada vez mais descontrolado.
Confrontado com a perspetiva real do seu parceiro ser deixado para trás,
Keith faz-lhe uma proposta.
O Ronnie tinha alguns problemas. Eu tratava disso e ficava assim.
O Ronnie era um Rolling Stone
e eu precisava daquele homem como de respirar.
A digressão de 1981 começou bem, mas ao fim de 10 dias,
Keith fica a saber que Ronnie está a consumir crack no hotel.
O Ronnie estava do outro lado
e alguém vem dizer: "Ele está a fazer aquela cena."
Tinha-me prometido,
porque eu garanti que ele não...
Estava a desiludir-me, a certo ponto.
Só estava a drogar-me, mas ele não gostava,
não concordava com o cachimbo.
E pensou que eu tinha outra mulher. É muito moralizador.
Tive um ataque de fúria
e percorri o hotel.
Havia muita gente no hotel à minha procura.
Cheguei ao quarto do Ronnie e bati à porta.
- Acabei por abrir. - Senti o cheiro daquilo.
E eu também lhe dei.
Entrámos todos no quarto do Ronnie.
Ele atirou-se a mim e o sofá tombou.
O Ronnie ia cair da janela e eu agarrei-o
e parou tudo. Depois, só nos ríamos.
E foi isso. Foi a única situação.
Fartámo-nos de rir. Fui ao quarto ao lado
e o Mick e o Charlie estavam no chão,
a jogar um jogo.
Disse-lhes: "Estou cheio de sangue!"
Eles disseram: "Está bem. És tu a jogar."
Os irmãos são assim. São irmãos.
Gostemos ou não, é nosso irmão. O Keith pode falar mal do Ronnie,
mas os outros não, só o Keith.
Esse direito é só dele.
Ronnie consegue parar de fumar crack,
mas continua a consumir droga e bebida durante 30 anos.
Eu não podia criticar muito,
mas, às vezes, achava-o imprudente.
Mick e Keith defenderam o Ronnie em muitas situações.
O Ronnie bebia, como todos nós,
mas bebia mais. Com ele era sempre mais.
O Mick perguntou-me: "Não achas que precisas de ajuda?
Não era melhor?" Eu concordei em tentar.
"E quando?", perguntou ele.
"Daqui a quinze dias."
"Que tal amanhã?"
E eu disse: "Gosto de desafios. Vamos lá."
Foi a minha primeira reabilitação.
Tentou tantas vezes deixar fosse lá o que fosse, a bebida.
Deve ter tido muitos conselheiros.
Era o Ronnie! Tipo: "Entre."
E conhecia um tipo novo
e depois outro, passados três meses.
Entrem e cumprimentem-se.
Ao fim de tantos anos, o corpo sente que precisa.
O corpo pedia mais, mas eu não aguentava mais.
Foi quando comecei a ver a luz.
Ele queria ser uma pessoa sóbria, mas era difícil.
É difícil, porque passámos a vida toda naquilo.
É muito difícil. Há um período de privação
e achamos que já está, que estamos limpos. Podemos fumar só um.
É um grande erro, porque não podemos fumar nada.
Mas em 2010, com 63 anos, Ronnie fica finalmente limpo.
Fi-lo com a ajuda da malta, com a chamada Irmandade.
É maravilhoso.
Fiz 90 reuniões em 90 dias e voltei a fazê-las.
Adorei cada minuto.
Desde então, sempre mantive a mesma serenidade.
Acho que nunca a vou perder. É uma sensação boa.
E, agora, Keith Richards vai cantar para vocês.
" Ela é o meu pequeno rock 'n' roll
Ela é o meu pequeno rock 'n' roll
Depois da disputa de Ronnie e Keith,
é a outra relação no coração dos Rolling Stones
que precisa de reabilitação.
Keith, fale-me da sua relação com o Mick.
Estão a celebrar os 25 anos da banda.
Sim. Conheço-o desde os quatro ou cinco anos.
Fomos juntos para a escola.
A informação mais recente é dos dois, ontem, no quarto dele...
Fantástico, deixei-os em paz.
Vocês dão-se tão bem. Já nos conhecemos desde os 4 anos
e agora têm ambos 80.
É fantástico.
- Eles dão-se muito bem. - És muito engraçadinho.
"Ela é o meu pequeno rock 'n' roll"
O Ronnie é um ótimo mediador dos dois.
Quando vê que há fricção, tenta curar as feridas.
Ronnie foi sempre sensível.
Ronnie não gosta de confrontos, de agressividade.
Há rumores de namoradas, de agentes,
de pessoas que dizem que alguém disse algo sobre nós....
Temos de deixar andar.
Não podemos ser afetados por isso.
Mais um bocadinho.
A banda está junta há 60 anos,
mas houve alturas em que os Stones quase acabaram.
Podia ter acontecido, sim, em algumas ocasiões.
Podia ter acontecido quando o Ronnie entrou,
quando Mick Taylor saiu
e ainda, nos anos 80, quando o Mick quis trabalhar sozinho.
Obrigado, irmão. Adoro-te.
Mick lança o primeiro álbum, "She's the Boss", em fevereiro de 1985.
Umas semanas depois, os Stones
começam a gravar o álbum que seria Dirty Work.
Tu lembras-te, porque só há este e outro no álbum.
É este.
Calma, não vamos gravar uma faixa,
só estamos a ter ideias.
Desta vez, nem Ronnie consegue aligeirar o ambiente.
Quando lá cheguei, estava muito mau.
Para de desperdiçar, Wood.
Se puseres já ritmo, dás cabo das notas.
Está com vontade de ir em digressão?
Adoro andar na estrada, mas, agora, para ser sincero,
depois de um ano em estúdio com eles,
gostava de me afastar.
Certo.
Sabe, acho que é...
A relação está frágil
e em digressão isso ia notar-se no palco.
Ouvi-os a discutir.
Ouvia os gritos à porta fechada.
O Keith sentia muito ódio.
Não queria ouvir o nome dele, nem voltar a vê-lo
e etc.
Era mau ambiente.
Desta vez
não queriam entender-se.
Os Stones pararam as digressões indefinidamente.
Os que os rodeavam questionavam se seria o fim de tudo.
Lemos muito sobre a sua relação com o Mick, recentemente,
que quer ir em digressão, mas o Mick não
e que isso é motivo de tensão. É isso?
Sim. Mas não é possível dar concertos destes
sem questões ocasionais.
Esta foi do domínio público.
Mais um momento determinante para Ronnie.
Tinha de manter a instituição, tinha de agir.
Perguntei ao Mick se falava com o Keith se eu o levasse.
Ele disse que sim
e fui tratar disso.
Acabei por ligar ao Mick a dizer que podíamos fazer qualquer coisa.
De repente, tudo voltou ao normal.
Foi como se... custa-me falar
em autoridade,
mas foi como se houvesse uma autoridade superior...
a dizer, Keith, anda!
Foi a força de um poder superior.
Senhoras e senhores, um aplauso para os Rolling Stones.
Depois de um longo e frio inverno, chega a primavera.
Acho que o adoram por isso.
Às vezes, também o odiavam, porque queriam estar zangados
e aparecia o Ronnie a fazê-los rir sobre qualquer coisa.
Tipo: "Cala-te, Ronnie."
"Vida de infância"
Tenho de manter isto a funcionar, custe o que custar.
"É muito fácil"
Durante mais de 60 anos, Ronnie Wood nunca deixou a chama apagar-se,
desde que viu os Stones, ainda adolescente,
até para lá dos seus 70 anos, a acompanhá-los.
Foi o Ronnie que salvou os Stones?
Claro que sim.
Aconteça o que acontecer, ele diz:
"Vamos ultrapassar isto." Vai correr tudo bem."
Eu diria que sem Ronnie não haveria Rolling Stones,
pelo menos não agora. Ele é incrível. É a cola que os une.
"Cavalos selvagens
Não me afastam
Cavalos selvagens
Não me afastam"
O Ronnie é o MSG, a coisa pegajosa que mantém tudo unido.
"Vi-te sentir
Uma dor incomodativa"
Era uma cola forte, com dois cavalos a tentar descolá-la.
É a imagem que tenho.
De qualquer forma, há um laço que não pode ser quebrado.
- Araldite. - Araldite.
"Cavalos selvagens
Um dia vamos montá-los
Cavalos selvagens
Não me afastam
Cavalos selvagens
Um dia vamos montá-los"
Obrigado.
Maria José Ferreira Iyuno-SDI Group
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