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BRANCO E NEGRO
Tradução: Vilde Pedro Andreazza Grandee36
SOS Racismo! Bom dia!
Sim! Onde aconteceu?
Não! Deve me fornecer o endereço correto.
Sim!
Quem é que bateu em quem?
Tudo bem! Tudo bem! Mandaremos em seguida um mediador!
E assim vocês se conheceram no Kênia?
Sim. Nas minhas férias, vou sempre à África.
Não, eu não, era minha primeira vez. Eu tinha um pouco de medo.
Ela é de uma família... - Pode-se dizer?
Sim, claro!
Os meu pais são meio racistas...
Um pouco! O pai parece um troglodita! - Me desculpe, tá!
Mas é a verdade!
Infelizmente, é a verdade!
Bem, mas podemos ser melhores que os nossos pais.
Mãe... Desculpe, mas não é o momento.
Sim, mãe! Eu te ligo!
Desculpem!
Gostaríamos de saber um pouco mais sobre essa cabana...
"Dois Corações" é uma cabana africana.
É um jeito diferente para festejar o amor de vocês dois...
não só com amigos e parentes, mas também com os Áfricanos.
A contribuição de vocês garante água limpa às zonas áridas...
e mantém "Maestri di Strada".
Ajuda a África a não necessitar mais de ajuda...
É muito bonito que vocês tenham escolhido isso...
Me parece adequado que, em um dia assim tão feliz, também se pense naqueles que não têm tanta sorte, não?
Bem! Temos também uma sugestão para a lista de casamento...
Oh! Que bonito! Não sei! Uma lâmpada africana ou aquelas máscaras maravilhosas. Que acha?
Sim! Sim!
Na realidade, a lista de casamento para a África significa renunciar...
os presentes em favor das entidades que mantém os projetos na África.
Talvez a lavadora sirva...
Sim!
Desculpem! Um momento!
Mãe! Não!
Nada de bolo animado!
Nada de ursos gigantes!
Principalmente, nada de sereias que abrem a porta...
Certo? Do contrário, faço a festa em minha casa....
Me desculpem!
Parecia que estava organizando o funeral deles...
Tinham tanto daquelas coisas...
Quando penso em quantos brinquedos minha filha tem, me dá uma raiva.
- Coitada da menina... - É, Bertrand, se não fizer assim
ninguém dá nada, certo? - Puro e amargo?
Sim, obrigada.
Coloque-me o vestido.
Calce-me os sapatos, porque eu sou a princesa.
Rápido, a maquiagem... arrume meus cabelos.
Ai, você me machucou! Você é feia, má, má...
Querida!
Carlo? Giovanna? Onde estão?
Querida!
Oi, querida, como vai? Ah, está brincando com Aisha!
. Ótimo! Mas deve vesti-la, está frio. - Sim...
Esta noite, eu e seu pai vamos sair, Carmen virá.
Não quero! Você está sempre com aqueles negros de cor.
Querida... Não, não se diz assim.
Não se diz nem negro, nem de cor. Como se diz?
- Negros. - Que esperta!
Carlo?
O que tem?
- Estou muito mal. - O que sente?
Tenho um...
Não, não comece a pensar nisso, já estamos atrasados!
Não, amor, esta noite não, meu dia foi horrível!
No ano passado, em outubro já havíamos arrecadado 5000 euros a mais...
E de repente chegaram os policiais. - Como?
Dante... entregou a impressora na casa de uma cliente,
o marido não estava e colocou-a no sofá. - A impressora?
Não, a mulher.
Desta vez desfaço a sociedade. - Não faria isso nunca.
- Elena, esta noite não vou. - Eu estou fazendo isso!
É uma grande história, é importante!
- É sempre importante. - Escute, Carlo, faz quanto tempo que trabalho lá?
- três anos? - seis, estava grávida de Giovanna.
- E quantas vezes você me acompanhou? - quatro ou cinco.
Três! Em seis anos!
É que eu me sinto desconfortável... Não sei por quê.
Além disso, há sempre alguém que me conta de uma cidade africana,
como se tivéssemos estado lá na noite anterior e eu nem sei ao menos onde é.
Vamos, não estou preparado.
Elena, não dá, sinto-me angustiado.
Mas por quê?
Porque fazem discursos cansativos... Talvez seja um tremendo egoísta.
- Eh! - Eh... Mas quantas coisas fazem com que eu me sinta mal.
- Oi! - Oi, Carmen.
Agora, escute, Giovanna...
Sabem... hoje fui à academia.
Não tenho nenhuma vontade de sair,
mas minha esposa insiste, diz que estou criando uma barriguinha.
E eu estou me empenhando.
Em meia hora de esteira, por pouco não sofri um ataque...
O instrutor estava contente,
veio até mim e me apertou a mão:
"Parabéns, o senhor conseguiu queimar apenas 200 calorias!".
Ele me explicou que uma pessoa
deve ingerir 2500 calorias por dia
para continuar em forma,
e que na Itália, cada um de nós,
em cada dia, acumula cerca de 3600.
Todo aquele cansaço e somente 200 calorias...
Restam ainda um excedente de 900 calorias.
E agora quem explica isso a minha mulher?
Um menino do Burundi...
todo dia, deve caminhar duas horas a pé,
para conseguir a água com a qual sua mãe vai lhe preparar
três pãezinhos de tapioca, deste tamanho.
As 600 calorias que consome,
são subtraídas das 1600 que ingere a cada dia.
- Quanto faz? - Mil...
Mil...
Mil, comparadas as 2500 das quais aquele menino
necessitaria que seu organismo não fique debilitado
e garantir-lhe um crescimento normal.
Oh, que angústia?
Agora quem tem vontade de ir embora e comer com voracidade?
Oh...
É certo que é um primeiro contato... com um pouco de efeito, mas funciona...
De resto, trata-se de recolher fundos para uma coisa importante.
Eu sou negra, certo?
- Realmente... - E não posso mais ouvir falar
que a África morre de fome!
Desculpe-me, mas agora entre vocês também se tratam por negros.
E como que deveríamos nos chamar? Vocês são brancos... nós, negros.
Aquele ali, então ... não chamaria de negro.
Efetivamente...
Me passa a idéia de que não fala nada que não seja sobre a África,
que não saem de férias nunca...
Nada... projetos de ajuda para a África.
E você de onde é?
Dacar.
Ah...
É a capital do ... Senegal.
Certo, certo...
Fique tranquilo, ninguém sabe disso.
- Há quanto tempo está na Itália? - Dez anos.
Nunca te vi por aqui.
Nunca venho aqui, detesto este tipo de reuniões.
Em Nairóbi são 130.000 as crianças
que vivem abandonadas pelas ruas.
Com 60 euros pode fornecer... - Conheço todos aqueles que estão com ela...
- Com 120 você financia... - Buscam o perdão.
Como?
O avental branco da criada negra que serve à mesa.
Pode promover a construção de salas, serviços higiênicos,
cisternas para o aproveitamento da água da chuva,
ou a realização de cursos de educação sanitária.
- Foi difícil? - Não, absolutamente. Vamos?
Não, venha! Quero te apresentar uma pessoa.
- Elena... - Ele é Carlo, meu marido.
- Prazer, Bertrand. - Carlo...
Oi, Nadine.
Nadine trabalha na Embaixada do Senegal.
Nós estaremos lá no Ano Novo.
Existem muitas opções de colônia de férias
muito instrutivas para as crianças.
Faria muito bem a Giovanna, é cheia de frescuras!
Coitada da menina...
Não, é que queremos sair somente nós dois.
Por sorte, pelo menos você não tem atividade relacionada à África.
- Não... - Não, Carlo trabalha com computadores.
Ah, fantástico! Então vou levar meu computador, está estragado.
Há um mês, Nadine passou um período na África...
Mas...
O que aconteceu?
Parecia doida, queria fazer mechas como tia Veronique,
mas ficaram muito feias.
Mas por quê, amor? Estava tão bonita...
Eu queria a "Barbie noiva". A Barbie noiva é loura.
Existe uma quantidade muito grande de mulheres que são loiras,
porque eu sou feia? - Não, você é linda.
Mas o que isso tem a ver? Estava lhe contando de princesas!
As princesas são todas loiras!
Você é a minha princesa...
Sabe o que faremos amanhã, já que papai viaja e não nos vê?
Não.
Vou te levar à casa da tia Vero e vamos alisar nossos cabelos.
Sim!
Bastava que tivesse comprado pra ela uma boneca loira como queria.
Primeiro deve se sentir bonita como é.
Fala como se ela fosse obesa e hipocondríaca.
Se tivéssemos ficado no Senegal, eu teria comprado a boneca.
Ela quer porque todas as amigas dela, cada qual já tem a sua boneca.
Talvez seja você que tem algum problema com as...
bonequinhas loiras...
O que é? Está com medo?
Você também quer uma dessas?
Não, quero apenas esta bonequinha aqui.
Os senhores Lodoli chegaram.
A Ilha de "Goré" é muito linda! Possui um belo mar, é verdade,
mas também o museu da escravatura. De lá vinham embarcados...
Nos interessa muito a história do país, certo?
Sim. Como se come?
Não, desculpe, queria... - Come-se bem.
Mas se tenho que te dizer a verdade, não sou uma especialisata na cozinha africana.
- Nem eu. - Com quem deixou a menina?
- Com meus pais. - Que bom!
Tentei convencer Bertrand a deixar as crianças com minha irmã.
Não confia?
Diz que pode transformá-las em duas selvagens...
Giovanna, quando está com os avós, quer que a chamem de Alteza Serenissima.
Quantos anos têm os seus? - Felicité tem 7 e Christian, 5.
No sábado, faremos uma festa pelo aniversário de Giovanna. Por que não vêm?
- Obrigada!Com prazer! - Que bom!
Será um grande prazer!
Estou certa de que vocês se sentirão muito bem no Senegal.
Temos uma palavra "Teranga",
o prazer de receber as pessoas em casa.
No sábado, então, esperaremos por vocês. - Ok.
- Tchau. - Tchau.
- Tchau. - Tchau, então.
Não entendo como nunca pensei nisso.
- Em quê? - Em convidá-los.
Só espero que minha mãe não ataque com:
"Como é bonita a bunda de bandolim" e papai com a história da "Maramba".
Mas o que você tem com isso?
Você não se incomodaria se os seus pais fizessem assim?
É uma festa de crianças, que quer que aconteça?
Fique tranqüila! Seus pais, deixe-os comigo.
Devo pedir que Farida não use o avental branco?
Vá lá!...
Sabe o que encontrei segunda-feira no meio do sofá?
Um brinco?
Deve esperar! Nadine, deixe eu contar...
É uma outra história! Não era um brinco.
Agora ficou esperto como uma raposa,
acredita que não deixa pistas.
Quem é que não deixa pistas?
Meu pai.
Aquele porco nojento do seu tio Amadou.
Mas pra tia Vero não lhe sacaneiam tão facilmente debaixo do seu nariz, certo?
Mas o que está usando?
Um novo ácido, uma bomba! Vem de New York, verá...
Nos esticam como os cadáveres.
Morrem antes ou depois que põe esse produto na cabeça?
Tia... Tia, os cabelos ficam lisos lisos, lisos?
Mais lisos que uma cobra, meu amor.
Uma vez me chamaram à escola
porque a professora de Desireé estava doente,
não tinha ainda chegado à porta de casa e escuto:
BUM BUM BUM. Penso: "serão os ladrões."
Pego um pedaço de pau, vou devagar, devagar... subo...
O que eu encontro ali debaixo do meu marido? A professora.
- O que disse? - Que sei isso...
Mas se a aborrece assim, porque não o deixa ir embora?
Quer realmente saber por quê?
(Canta "La vie en rose")
Porque os homens são todos iguais... Todos!
Ah, exceto Bertrand.
Você pegou o único africano que mantém as suas coisas dentro da calça.
Mas que coisas?
Apurem! Seremos os últimos como sempre!
Por isso, papai fica bravo e diz que somos lerdos.
Não vamos dizer a papai que chegamos atrasados.
Pro papai, devemos sempre contar tudo!
Oi! Bem-vindos à festa de Giovanna.
A sereia!
Entrem.
Podem me dar os casacos, por favor?
A criada negra com o avental branco.
Venham, venham. Não tenham medo...
Segure, pegue o balãozinho.
Olhem, mais duas crianças!
Oi. Como estou contente ao revê-los.
Que belas crianças!
Minha mãe.
- Nadine. - Oi, Nadine.
Colocamos aqui o presente...
- Oi. - Oi.
- Leve os meninos pra jogar... - Mãe, deixe-os à vontade.
- Vamos, crianças, vão até lá... - Vão jogar.
- Muito prazer, Esmeralda. - É a minha irmã.
- Oi. - Poxa, como é elegante!
E esta saia tão especial, onde conseguiu?
Armani.
Mas olha...
Ei, venham comigo! Ali, junto com os outros!
Mãos pra cima!
- Onde está? - Eu a perdi de vista.
- Ti disse pra ficar em cima! - Estou tentando!
Fala italiano também?
Sim, claro!
A senhora deve ser a colega de cor de Elena.
- A mulher do colega negro. - Muito prazer.
Fui muitas vezes à África, sabe, com minha empresa...
Namíbia... Na biblioteca, não!
Venha, venha até lá que estaremos mais tranqüilos.
O deserto é belo..
misterioso, fascinante.
Que sorte tem de estar lá perto, a um tiro de fuzil!
A senhora vai até lá com freqüência?
Em todas as férias...
A senhora se parece com uma pessoa que conheci na África.
- Não... - Os mesmos olhos, a boca...
Desculpem. Alfonso, preciso de sua ajuda.
Mas estou conversando, tenha paciência!
Eu sei, mas é urgentissimo. Desculpe, me perdoe.
Já volto.
Não é urgentissimo, mas quero te pedir se, por gentileza,
poderia entreter minha mãe, sabe que não conhece ninguém...
Só que estava conversando com aquela linda mulher negra...
Nadine!
- Oi, mamãe! - Oi, querido.
- Oi, Alfonso. - Oi... - Giovanna, vó Olga está aqui!
Este é para Giovanna, um pensamento...
- Vou colocá-lo já no quarto. - Como vai, linda da vovó?
Sabe, mamãe disse:"Nada de Barbie!".
Disse isso? Vou um momento à cozinha.
Linda da vovó...
Mãe, Alfonso quer saber tudo sobre o Sudoku.
- Jogue você também? - Não. O que é o Sudoku?
É normal fazer festas assim?
Conversaremos sobre disso quando o assunto se referir a você.
Você sabe que os filhos, quando vêm tarde no casamento,
tornam-se ainda mais cheios de ganja?
Você percebe que me fala sempre sobre a mesma coisa?
Filhos e mártires. "Cada vez mais tarde, com o passar dos anos."
Quando vou acordar dessa angústia?
Trate de arranjar um noivo por um pouco mais de tempo,
assim poderá apresentá-lo pra ela e ficará calma! - Pois é, deveria fazer tudo isso
para levá-lo para almoçar na casa da mãe? - Poxa!!
Lamento, me desculpe... - Não...
- Não se preocupe. - Desculpe.
Vamos ao bolo e aos presentes, assim termina esse pesadelo.
- Papai, voltou com a história da Paris-Dacar? - Não, trataram-na como se fosse a empregada...
e seu pai está quase apresentando a história da Maramba!
- Meu Deus, a Maramba! Se mamãe escuta esse nome... - Não devia me ajudar?
Não posso amordaçá-lo e prendê-lo no bar!
Faccio partire i regali, porta questo.
Pode parar de comer pipoca?
- Desculpe, o toalete? - Subindo a escada, à esquerda.
Deixo aqui...
Então, eu estava lá na África e era hóspede de um chefe de uma tribo...
Não, não é possível!
Eu a encontro... O nome dela era Maramba...
Era maravilhosa, perdi completamente a cabeça.
- Desculpem, Adua está te chamando na cozinha. - Eu?
Coloque as velinhas no bolo.
- Eu? - Disse que neste ano deve ser assim!
Tenho cara de quem coloca velinhas?
Mamãe, chega de comer, vamos.
Por favor, vá até aquela senhora negra...
- Qual? - Mamãe!
- Devo lhe ensinar o Sudoku? - Faça aquilo que quiser,
basta que não a aborreça um único momento!
- Eu sou a avó paterna. - Nadine.
Não consigo imaginar o que farão quando Giovanna se casar.
É casada?
Sim, aquelas duas crianças são... Bem, é evidente quais são.
Eu e meu marido ficamos juntos por 40 anos,
também trabalhávamos juntos. Avevamo un negozio di alimentari...
Começamos com a balança com pesos e chegamos à eletrônica.
- Fantástico! - Mas sempre juntos.
Certo. É verdade mesmo que têm o ritmo no sangue.
E um maravilhoso assento de bandolim?
Então, pode-se dizer? Veja, Elena me proibiu.
- Mamãe! - Quem disse foi Esmeralda!
Crianças, os presentes!
Tire o papel...
Olha que bonita! Agradeça à vó Olga!
Obrigado, vó Olga.
Tire o papel! Tire o papel...
A Barbie noiva!
Obrigado, vó Adua.
Mas não foi pedido que ninguém dessa uma Barbie?
E daí? Era uma edição limitada,
não poderíamos perdê-la. Não é, querida?
Ouça, queria finalizar a minha história...
Numa manhã, debaixo da tenda, Maramba me disse...
Minha mulher está ai, melhor nos distanciarmos um pouco.
Maramba me disse: "Nunca estive com um homem como você...
Comparados a você, os negros perdem a cor".
- Que homem! - É!
(Em napoletano) Oh... Mas este pastor está dormindo?
Ah, está aqui?
- Me procurava? - Não... Sim.
Percebi que, durante toda a tarde, me observava.
Não...
Sim.
É que estava com medo que não se sentisse bem.
E você? Está se sentindo bem aqui?
Acabei te dando muito trabalho, né? - Não. Não, não...
Relaxe, deu tudo certo.
Falta só que seu sogro me peça quanto quero por uma "saidinha" com ele
e depois todos poderemos ficar tranqüilos...
Mamãe!
Mamãe!
Roubaram minha Barbie noiva! - Não, não, não chore,
não desaparece assim uma boneca Barbie. Deixe que a vó resolve isso.
Mamãe, eu te peço, verá que agora a encontraremos.
- O que é que aconteceu? - Ela perdeu somente uma Barbie.
Não, alguém a roubou! Estava aquii! Roubaram!
Então...
vamos ver quem é que está fazendo essa brincadeira...
nada divertida.
- O que aconteceu? - E que sei eu sobre isso?
Roubaram a Barbie noiva! Roubaram a Barbie noiva!
- Você não a pegou, certo? - o que está dizendo, mamãe?
- Tem certeza? - Sim...
- Obrigado por tudo. - Boa tarde!...
Seria gentil se a acompanhasse.
Deixe-a ir, Alfonso, As crianças estão cansadas.
- Muito obrigada. - Até logo...
Foi você que a pôs aqui?
Foi você que a pôs aqui?
- Risponda! - Nadine, olha... - Risponda!
Foi você que a pegou? Está maluca?
Nós somos ladrões?
Responda, foi você que pôs isso aqui?
Agora, peça desculpas imediatamente.
Desculpe...
Quando contar pro seu pai... Você é uma ladra?
Desculpe.
Oh, não, ela tem razão, a Barbie é muito bonita, não é verdade?
Talvez ela não tenha dessas... - Tem muitas, senhora!
Quando era pequeno e pobre, roubava tudo aquilo que podia.
Olha aonde chegamos! - Alfonso, outra vez com essa história?
- Estava tentando justificar... - Basta!
- Peça-lhe desculpas imediatamente! - É ela que deve me pedir desculpas.
Tem razão, ela deve lhe pedir desculpas.
Felicité, peça desculpas já! - Não!
Então, vamos sumir com esta Barbie.
Não, Carlo, a Barbie é de Giovanna.
Não, Mamãe, esta Barbie agora é de Felicité
e Giovanna lhe dará de presente, certo? - Não!
Estamos brincando? Este é um presente de aniversário para a menina...
e, além disso, não a queremos, temos muitas Barbie, certo?
Mas eu não tenho a Barbie noiva!
- Não tem essa. Eu já havia dito isso. - Mas, coitada...
Eu também desejava sempre aquilo que não tinha.
Vocês fazem assim só porque é negra!
Obrigada por tudo...
Obrigada! Até logo.
Não vamos contar isso ao papai.
Não, não vamos.
Com licença!
Me desculpe, talvez esteja lhe incomodando?
Não, não, não, nenhum incômodo.
O que... posso fazer?
Ele não liga, procurava Carlo.
Carlo não está, pode deixar comigo. Estamos aqui pra isso.
- Nadine... - Oi.
Oi.
Desculpe...
- Trouxe o computador. - Você fez bem. Deixe comigo.
Eh... venha, venha.
Há quanto tempo tem esse computador?
Quer me vender um novo?
Mais um pouco e se torna peça de antiquário.
Acessou o sistema, por um milagre.
Está bem, vou trabalhar nele e vejo se consigo reconfigurá-lo.
- Talvez não valha mais a pena? - Bem, vamos ver.
- Então, como faremos? - O quê?
- Você me liga? - Ah, sim, sim, eu te ligo.
Tem uma caneta?
Sim, está aqui... Desculpe.
Mas que... que boba, Elena tem o nosso número.
Eu te acompanho.
Então... Tchau.
Eu te ligo. - Tchau.
Certos dias me esqueço disso,
depois basta que me olhem daquele jeito e sou uma negra outra vez.
Passou tanto tempo, mas é como se tivesse chegado ontem...
Quando passeio por Roma, uso um chapéu sobre os olhos,
calço jeans largo e óculos de sol, mas não serve pra nada.
Enquanto me oferecem um café ou um jornal,
me olham daqule jeito que parece que não tenho roupa.
As mulheres são lindas...
gostaria de saber como fazem para conservar os cabelos sedosos
e luminosos, compartilhar com elas receitas e idéias...
Eu e Bertrand não fazemos nada
além de visitar negros que falam da África.
Como eles são?
Por que eles estão sempre aqui entre nós?
Por que nunca tivemos nem mesmo um amigo branco?
Por que nunca tivemos nem mesmo um amigo negro?
- Eu tenho um monte de amigos negros. - Não, digo amigos de verdade,
aqueles com quem tem vontade
Os filhos de Nadine eram os únicos que estavam na festa.
Desculpe! E os doi médicos de Nairobi?
Vieram também para o jantar...
Sim, está certo, já faz dois anos.
Desculpe, por que está fazendo estas perguntas?
Bem, na festa, aconteceu de tudo.
Sim, de fato, seria melhor não tê-los convidado.
É, melhor... de modo a não acontecer pequenos embaraços.
Mas por que está me dizendo isso?
Certo perché finché uno se ne sta per conto proprio,
todos politicamente corretos, todos se querem muito bem,
e depois que começam a te conhecer melhor... então as coisas mudam.
Sabe que talvez tenha razão?
Eles também vivem muito isolados, sabe?
Não se mostram facilmente.
Mas, quem sabe, gostariam de fazer isso.
Te amo tanto... Você se interessa pelo meu trabalhoo
e eu não te perguntei nem mesmo como vão os negócios da sociedade.
Mas... as coisas vão se organizar, como sempre.
O que quer dizer? Que tem que sair?
É domingo. Você deve ficar aqui, com sua filha e sua mulher.!
- Devo? - Deve, é isso!
- O que quer dizer "devo"? - Não tenho razão?
Então foi inútil que tivessem abolido a escravidão,
porque eu sou seu escravo? - São 2 anos, 2, que não trabalha!
E agora, no domingo?
Eu que trabalho sei muito bem isso... "Bum, bum, bum".
Mas o que está dizendo?
Bum, bum, bum?
Eu também tenho a mesma curiosidade
que me olham fixamente por onde passo,
as vezes começo a imaginar o corpo deles,
imagino-me entrando na cabeça deles pra ver como são.
- Mamãe, estou com calor. - Está bem...
Tenho sempre aquele sonho: minha casa no campo, em Dacar,
mas ao meu redor existem somente homens e mulheres brancas.
Levei-os até lá para que vissem como é realmente a África.
- Quem é? - O computador!
- Oi. - Oi.
- Cheguei cedo demais? - Não, não, não se preocupe.
- Desculpe-me pela bagunça, viu! - Não se preocupe.
Ontem minha irmã e toda a família vieram para o jantar,
Cada vez fazem como na Festa da Independência.
Aqui se diverte muito na Festa da Independência...
Levei as crianças pra escola e liguei pro trabalho
pra dizer que chegaria mais tarde,
voltei aqui com a idéia de pôr tudo em ordem... em vez disso...
não estou com vontade de fazer nada.
Faria um café ou isso seria muito cansativo?
Sim, sim, certo.
Tive que resetar todo o sistema.
Vai resistir ainda por algum tempo?
Sim, sim, não sei para que finalidade o utiliza...
isto é, se utilizá-lo para escrever não há problema problema.
Quer dizer, não sei para que fim você o usa.
Escrevo... Você não abriu as pastas, né?
Não, está brincando?
Não, não, temos uma regra que diz que a privacidade deve ser sempre respeitada
Sente-se.
- Eh... pego o açúcar. - Sim, certo.
Obrigado.
Lamento que veja a minha casa assim.
Bertrand e eu nos importamos muito com isso.
Ele não concorda com minha irmã e com meu cunhado.
Por isso, vejo-os somente quando está fora.
Bem...
obrigado e... me chame se tiver outros problemas.
- Quanto devo? - Nada.
- Está louco? Quero pagar. - Não, absolutamente.
Desculpe, mas por quê?
Porque... porque somos amigos e os amigos não cobram favores.
Está certo, convido-os para jantar...
assim não vai pensar mal de mim.
- Ok, obrigado. Tchau. - Tchau.
Rua Carlo Emery 84, tchau.
Era Carlo, disse que ele vem me buscar,
assim não terá que me acompanhar outra vez.
Assim poderei lhe agradecer. Nadine estava muito contente.
De quê?
Pelo computador.
Qual computador?
De Nadine, ele foi realmente muito gentil,
ele também o entregou em casa. Não te contou nada?
No. Quando foi?
Na semana passada, quando eu estava em Bruxelas.
Não te disse nada?
Não.
Você é igual a todos aqueles que vieram antes (de você)!
Todos vocês!
Aqui vocês colocaram a corrente no pescoço,
aqui vocês marcaram a pele e aqui vieram amontoados nos navios,
como animais incapazes.
E você...
Você também é igual a todos aqueles que vieram antes (de você)!
Deve bater para chamar a atenção,
pra sentir-se igual a ele, a namorada deve enganá-lo?
Esta é a herança que nos deixaram as gerações que nos precederam,
é a merda que flutua dentro de nós. Vamos jogá-la fora...
E depois dos insultos
talvez possomos nos conhecer e nos respeitar... e
conviver de modo civilizado.
- Oi. E talvez ocorra um milagre...
- O que há? - Nada.
- Por que bateu nele? - Ele me chamou de negro sujo.
Então, eu o fiz ficar negro.
Você não me contou que havia consertado o computador de Nadine.
Por mim, poderia ser até bolinhas de vidro verdes,
mas ele roubou minha namorada. - Nem pensei nisso.
E se fosse ele que tivesse te enganado com ela?
Seria igual, eu lhe disse isso: seu grande monte de merda.
Você foi também a casa dela para entregar o computador; não costuma fazer isso.
- Uma traição é sempre uma traição! - Sim...
O que me aborrece é que tenha feito às escondidas.
Não fizemos nada escondidos. Poderia nos ver quem quisesse.
Isso era visto por todos. Somente você que não não via.
E sabe por quê?
Porque nem poderia imaginar que ela preferia um negro a você!
Bertrand me disse que vocês ficaram conversando.
Sim, simpático...
- Desculpem? - Sim?
Simpático, né?
Que pena que estava em Bruxelas!
Eu não sou um pacote! Eu decido com quem desejo estar!
- Não se intrometa! - Certo, é isso! Fique quieta!
Oh!
Mas você disse que havíamos conversado...
Não é possível que tenha feito isso. Não é possível...
- Há quanto tempo isso vem acontecendo? - Como há quanto tempo?
Não é possível, não é possível. Não com ela!
Mas o quê?
- Você tem um caso com Nadine? - Elena, te peço...
- Tem um caso? - Eu a vi somente uma vez,
quando levei ... - Você e Nadine?
Vamos, não coloque essa idéia na cabeça...
Mas como é que aconteceu?
- Eu a vi somente uma vez. - Diga-me!
- Eu a vi somente uma vez. - Diga-me!
O quer que te diga?
- Diga-me! - Basta, vamos, basta...
Você tem um caso com Nadine?
Não aconteceu nada,
o computador não ligava e e fui a casa dela para repará-lo.
Não posso...
Não, hoje não vou.
Estou com problemas, sim.
Não, nada dei grave. Nem doenças, nem mortes, nem acidentes...
somente um pequeno problema familiar, uma coisa de nada.
Ele não pode fazer a coleta de fundos?
Escute, não me interessa nada a coleta de fundos!
Se não arrecadarmos muito, não me interessa!
Eu também posso ter problemas?
Hoje quero me preocupar somente com os meus! Claro?
Não me toque!
Mas quando você me dizia todas aquelas coisas... Mas que cretina!
Que cretina!
Como pôde fazer uma coisa dessas logo comigo?
Por qual motivo você escolheu sair com uma ne...
Com a mulher de um colega que trabalha comigo?
Trabalho com eles e você nunca se importou com nada!
O que é? Queria recuperar tudo numa só vez?
Foi apenas um caso, tinha o computador estragado
e eu o entreguei na casa dela.
Que nojo!
- Nojo de quê? - Que nojo de você!
Não dê uma de defensor da igualdade comigo!
Você, antes de me encontrar, não sabia onde era a África!
Vamos, Elena...
- Você deve ir embora! - Vamos...
Fora!
Não entendo como pôde ter aceitado uma coisa desse tipo...
ele te mandou embora de casa e você deixou lá os seus filhos!
Bertrand estava muito perturbado, por um lado, é melhor assim.
É certo que está bastante aborrecido, você aprontou com ele, Nadine.
Mesmo separada dele, mas se continuasse em sua casa,
o máximo que teria acontecido seria dormir uma noite no sofá.
Oi, Amadou.
Ei! Minha irmã te cumprimentou!
Ei! Que faz que não responde?
Por que não a cumprimenta?
Esta é a minha casa! Não quero escândalo no bairro,
deve ir embora!
Falou o príncipe do Barém.
Olha que esta casa não é sua! É a minha casa!
Eu pago o aluguel,
enquanto você esconde as putas aqui no sofá...
e eu pago as quotas também por isso.
Fazer algo assim enquanto Bertrand está trabalhando fora?
Mas não existe! Levar um branco a sua casa?
E aquelas que você traz aqui enquanto eu estou trabalhando, de cor são?
Olha, eu não "pego" as mulheres brancas, não!
Outro dia havia um cabelo loiro e comprido assim aí no sofá!
Me explique como chegou aí?
Você faz as mechas em uma negra?
No bairro, eu sou a única que faz mechas! Entendeu?
E se é assim, a próxima que me pedir mechas, sabe o que vou fazer?
Corto-lhe a garganta, no lavatório.
E, de qualquer modo, minha irmã fica aqui todo o tempo que quiser,
aquele que corre o risco de terminar na rua é você, compreendeu?
Que está fazendo, tia? Você vai embora?
Sabe, eu também estou apaixonada por um branco, ele se chama Andrea.
- Nunca mais a vi, nem conversei com ela. - Eu a conheço? Ajeite-se.
Ela estava na festa de Giovanna.
A negra?
Nadine, como percebeu?
- E Adua sabe disso? - Não.
Mas não era Elena a maníaca por africanos?
- É... - Como aconteceu esta mudança?
- Eh. - Vamos...
Oi. Onde é o quarto de Kalish?
- No lado de lá, no fundo do corredor. - Obrigada.
- Oi. - Oi...
Não quero que fique sozinha aqui. Te peço, volte pra minha casa.
Não quero mais falar sobre isso, Vero... Volte pra casa, estarei muito bem aqui.
E as crianças?
Non gli abbiamo ancora detto nulla.
Saio de casa enquanto dormem!
Mas numa noite, Felicitè...
se levantou e não me encontrou.
Mas você está apaixonda, Nadine, por ele...
ou pela idéia de estar com um branco?
Você também me pergunta isso?
Não é difícil, me agrada!
Me agadava...
Não deveria, mas aconteceu.
E pensa que pode dar certo com ele!
E você, com Amadou?
Em certas noites eu me acordo
e ele vem sobre mim como uma criança.
Eu não distingo mais o seu abraço do meu,
a sua mão da minha... somos a mesma carne.
Se eu não o vir mais, talvez Bertrand me perdoe.
Já difícil para os homens, imagine para os nossos.
Talvez ela esteja em casa com as crianças, o marido deve tê-la perdoado
e não lhe aconteceu nada de sério.
Há muito tempo também tive uma tentação...
Na loja vinha sempre uma senhora bonita e elegante,
cabelos ondulados sempre em ordem...
Morávamos lá, no final da rua.
Depois a coitadinha morreu...
e o marido começou a vir, todos os dias.
Eu lhe preparava pratos congelados, porque sem ela,
não conseguia nem mesmo fritar um ovo na frigideira.
E quando a campainha da loja fazia"dling"
e eu o via entrar com tecido de lã, a gravata bege...
bem, fazia minha cabeça girar.
Mamãe...
E eu comecei a levar pra ele a compra pra casa.
Às vezes, livros! Carlo, as paredes cheias de livros,
algo difícil de acreditar, ele me contava sobre seu trabalho,
de sua mulher...
Ah, como falava...
Non entendia nada daquilo,mas continuava a observar ao meu redor,
e pensava: "Como seria a minha vida aqui dentro. Que mulher seria?".
- A senhor teve algum caso com ele? - Não, imagine...
éramos muito diferentes!
Pensei que teria terminado de tirar o pó de todos aqueles livros,
e então queria tanto tirar o pó do "Almanaque dos Campeões"
do seu pai, certo?
Hoje quero que leia isso pra mim.
Papai chegou... Esta noite ele lê isso pra vocês, ok?
Amanhã, venho aqui pegá-los; vou levá-los pra escola.
Bertrand...
Bertrand, aconteceu uma única vez.
Não tenho nada a dizer. Você fez sua escolha.
Eu não o vi mais!
Em que acredita?
Que eu não tivesse nunca a vontade de andar com uma mulher branca?
Por que disse branca?
Por que não disse apenas uma mulher?
É esse o seu problema.
É por isso que não quer nem mesmo conversar.
- Ah, é você?
- Venha. - Desculpe, mas vi a porta aberta...
- Entre. - Não quero incomodá-la.
Não me incomoda. Posso te dizer uma coisa?
Sim, diga.
Desculpe se me intrometo, não quero desencorajá-la,
mas tive três noivos italianos. - Três?
No começo são loucos de amor, mas na primeira discussão,
parece que falam com uma escrava, que fizeram um favor.
Querem só ensopar o tubo (cannolo) branco no café preto,
depois te largam.
Nunca esteve... jogado... em um buraco negro?
Tem medo...
de não sair vivo?
Ah...
Dai, non avere paura.
Entre... que eu te faço... negro!
é todo auma outra coisa, sabe?
é negra!
Ehm... Forse cercavi Carlo? Non c'é.
Vim pagar o conserto.
Quanto é?
Bem, depende de quanto tempo foi gasto... com o computador.
Pergunte isso a Marco!
Elena o expulsou de casa, sabe disso?
Verdade? Onde está?
- Na casa da mãe, coitado. - E eu, ao contrário só me divirto, certo?
Pensava que para a senhora... certas coisas assim tão graves, não?
Certo, como não. Por isso, estou há duas semanas...
naquele nojo de apartamento na Praça Vittorio,
sozinha e sem as minhas crianças! Vá pro inferno!
Vamos, me dá as sacolas.
Pare um momento. Pode me escutar?
As coisas na vida não são sempre brancas ou ne...
Existem as nunças
Sim, você transou com a mulher de de meu colega, onde está a nuança?
Risponda!
- Estou falando com você. - Atenda!
Pronto! Pronto! - Dante... é Dante.
Queria só lhe dizer que a sua pantera esteve aqui.
O técnico?
O técnico especializado...
está sozinho na Praça Vittorio, coitadinho, sem suas criaturas...
Que mal-humorado o seu técnico!
E que seios...
Quando os vi em minha frente, me... Pronto?
Era Dante...
Carlo, eu agora não posso falar sobre isso com você,
me dê um pouco mais de tempo.
Está bem!... Pense nisso... todo o tempo que quiser, ok?
Estão me chamando... Tenho que ir, estou com pressa, me desculpe. Tchau, tchau...
Vá se foder!
Vá se foder...
Pode me dar?
Vá pegar os canapés e veja se os outros drinques estão prontos.
Sim.
Senhora, os italianos só falam italiano.
Quer saber o que tem nos bolinhos.
Verdura...
Nadine, me desculpe se vim até aqui.
Desculpem... Você deixou sua casa, não me disse nada.
Estou trabalhando, Carlo. O que houve que resolveu vir até aqui?
Me desculpe, o garçom errou a festa.
Sim, eu errei a festa!
Lamento o incômodo e asseguro que nem há necessidade que me acompanhe...
Carlo!
Você tem razão, eu fiz uma bobagem.
Não sabia que você também estava fora de casa.
Não deve se preocupe, eu estou bem. E você se sente bem aqui?
Mas você não havia escrito que estava de estar sempre com negros?
Nadine...
Nadine...
É por isso que você veio, né?
- Tinha lido o diário! - Mas o que isso tem a ver?
Certo! A pobre moça negra
que procura ficar com o maravilhoso rapaz branco!
Chega, não podemos encerrar esta história?
Qual história?
Nadine, eu não...
não sei nem de que cor você é, nem de que cor eu sou.
Não me lembro, não entendo mais...
Parecia que houvesse alguém nos observando,
equanto fazíamos amor. Quantos são?
- Isso ´de de alguém que vende? - Sim.
Agora é minha, só minha! Ninguém encosta a mão!
Gosto de estar aqui... parece que estamos na África.
Eu não gosto! Gosto da minha casa,
esta aqui em Roma, não aquela no Dacar.
Por quê? Com era aquela no Dacar?
Era grande e bonita, mas estava sempre cheia...
Uma irmã, cinco irmãos,
meu pai era médico, nunca estava em casa.
Minha mãe...
...acredito, que ficar com a gente a aborrecesse muito,
nós crescemos com uma babá.
Mas agora é mesmo o meu destino.
- Como? - Ser um pobretão.
Não, juro, estou buscando o melhor desde quando era ainda um rapaz.
No centro, com os amigos, escolhia escolhia sempre aqueles de boa família.
Nunca estudava... em casa, era a ovelha negra...
a gente diz "ovelha negra" porque, pra nós, as ovelhas são brancas.
O que é isso?
Chama-se "bimbin".
Quando nasce uma menina,
a mãe lhe dá de presente um pequeno colar desses de levar na cintura.
Depois de moça...
e mulher...
vão mudando...as cores,
se perfuma...
é o nosso segredo.
Então, você é arquiteto...
como minha vilha. - Sim.
Vamos a minha biblioteca, lá estaremos mais tranqüilos.
- Querida, esse Roberto. - Riccardo!
Ah, Riccardo, que boba...
Giovanna... Por que não veio?
Está com Carlo.
- Carlo, faz tempo que não se vê... - Tem muita coisa pra fazer!
- Você está pálida. - Mamãe, por favor!
- Está nervosa. - Deixe-a estar.
Farida, por favor, somos dois a menos, leve isso pra lá.
Punho de ferro, porque ela tem um gênio muito forte,
mas as mulheres adoram ser comandadas, maltratadas.
Bem, você casa logo com ela, deve engravidá-la,
por que já está com a idade um pouco avançada.
Mas faz apenas uma semana que nos conhecemos...
Poxa, pensava que fosse mais... Entretanto ela...
Carlo saiu de casa? Você o deixou?
Ele me deixou, mamãe!
Mas como é possível? Ele te deixou?
Será uma daquelas crises que acontecem...
Vamos, mamãe!
Mas Farida é da família...
E tu o que sabe de crises matrimoniais?
Não sei e não quero saber!
- Onde encontra alguém como você? - Já encontrou... Nadine!
Na festa, mamãe? A bunda de bandolim?
A negra?
Ah, não! Não vamos recomeçar, mamãe!
Ah, não me digam que esta... Farida, o que está olhando?
Nada...
Deixe-a em paz, não venha com idiotices como de costume.
Idiotices, idiotices...
Só que eu não sei...
A gente ajuda, lhes dedica a vida, mas tu, olha...
- Mamãe! - O que está acontecendo?
Pense nas coisas que poderia fazer. O que é que te falta? Nada. Tem tudo.
Você é bonita, inteligente, eu... - Mamãe, vou embora, tá?
O que está acontecendo?
Carlo teve um caso com a moça negra da festa.
- Bela mulher... - Bela?
Não bela do jeito que estão pensando...
Em qual sentido?
Queria dizer... Teria sido apenas uma...
algo sem importância, de sexo.
- Como "de sexo"? - Maramba...
Não... Adua não faça assim. Foi uma coisa sem importância.
Eu estava sozinho, estava no deserto... São mulheres diferentes de vocês.
- Diferentes como? - Elena, papai fala bobagens, sabe disso!
Digo bobagens? O que você sabe sobre isso?
- Imagine! - No sexo, elas têm uma velocidade a mais...
- Droga! - Só em relação a sexo, Adua.
- Prostitutas! - Elena!
Meu Deus... o que eu disse...
A gente lhes dá um trabalho, uma casa, e ainda as convida pra as festas
e elas ainda levam a Barbie e também o marido.
- Mamãe, o que está dizendo? - Aquilo que você está pensando.
Adua, aquele é uma mulher de classe, é muito gentil,
não são todas iguais. - Escute, não converse mais comigo!
Sei muito bem o que passei!
Fui ao deserto para resgatá-lo, está bem?
Tinha perdido completamente a cabeça!
Um momento de fraqueza, Adua...
Sim, fraqueza.
Eu vou...
Sim, sim, talvez seja melhor.
Devia ver como andava por lá feito Lawrence da Arábia,
com o turbante... Era o chefe do vilarejo,
com aquela "bata" longa... Sempre com aquela...
- Papai com a bata e Maramba... - Não fale o nome dela!
Como era, como era?
Uma coisinha negra... absolutamente insignificante.
Desculpe... Lamento, eu queria apenas minha capa de chuva.
Boa noite!
Eu pus as suas roupas no armário,
não consigo ficar aqui nenhum momento sem você.
Oh, estamos aqui nesta noite com o nosso amiguinho. Então...
Era uma vez um pequeno mouro que se chamava?
- "Pik Badaluc". - Pik Badaluc, ótimo.
Aqui estão o paapi e a mamãe de Pik, da família dos Badaluc...
A resposta do espelho...
não foi aquela que a rainha esperava:
"Bela, você é bela, oh, minha rainha,
mas no mundo ainda mais bonita que você.
Ela tem os lábios cor-de-rosa como a rosa,
e a pele branca como a neve..."
Todos os dias não vejo a hora em que venha me buscar.
E certo, veja em que lugares bonitos eu te trago.
Nós... se não tivéssemos as crianças... Nada!
Minha irmã disse que agora tudo vai bem,
mas que depois pode não ser assim. - Bem, ... Animador!
Olha, para o Natal teremos que nos organizar...
Passaremos com os meus ou com os seus?
Se meu pai soubesse disso,
não me deixaria mais entrar na casa dele, em Dacar.
Você aprendeu onde é Dakar agora?
Sim...
Mia mãe... ao invés, diria: venham, venham,
coloco os garfos para as crianças ou comem com as mãos?
E você, em que país está vivendo?
Sabe o que vamos fazer? Então, vamos passar o Natal aqui.
Giovanna toca a flauta como um anjinho e os seus dançam o "tip tap",
as pessoas se emocionam e nos dão dinheiro.
Como você é linda!..
Mamãe, sou eu!
Te acordei?
Papai está bem?
As crianças estão bem. Nadine também.
Não. Tudo bem.
Não, mamãe. Eu já lhe disse que não queremos mais de dois filhos.
Não, não queremos voltar pra Dacar, mamãe.
Talvez iremos pra festa de Tabaski.
Um beijo, mamãe.
Um abraço ao papai e aos meus irmãos!
Depois a mulher morreu, coitada, e ele começou a vir,
todos os dias, com uma bela jaqueta, a gravata bege...
Falava de um modo, eh...
Com todos aqueles livros, eu não entendia nada daquilo...
Quando a campainha da loja fazia "dling"...
A senhora teve um caso?
Três anos.
Três anos?
Mas meu marido não sabia disso... Nunca soube.
E Carlo também não.
Depois me pediu que ficasse com ele pra sempre...
mas éramos diferentes demais.
Eu não consigo ficar com nenhum outro que não seja Carlo,
mas pra ele não é assim. Sei que todos pensam o contrário...
Ele tem coragem de mudar, mas...
eu não, tenho medo que não volte.
A diversidade seduz, Elena!
Um se sente repentinamente excitado...
de um modo que toda a vida pode mudar, mas a longo prazo, não dura,
nunca dura.
Atenta, viu?
Numa manhã, quem sabe, vai se acordar e vai pensar:
"O que faz esta na minha cama? Quem é?".
E vai sentir vontade de ter uma mulher...
como aquelas que sonhava quando era moço.
É verdade!
E quando você lamentar aqueles Pik Badaluc
que te cortejavam quando era menina?
Aqueles que me cortejavam? Tive muitos deles, sabe?
Primeiro em Dacar, depois em Bruxelas. - Sim, sei disso, posso imaginar.
Na sua cabeça há uma mulher branca linda, Carlo,
eu sei disso... eu a vejo em todo canto e a odeio!
Gostaria de tirá-la da cabeça de minha filha... da sua,
mas não posso, porque ela é a mais forte.
Sabe que tem razão?
O que disse?
É, você tem razão.
Desculpe, você se imagina uma negra, na cena de um filme...
não pode dar certo.
À noite, você desaparece da minha lembrança,
o que me sobra é a fonte, não pode dar certo...
Idiota!
Ah, sim?
Dá certo! Dá certo!
Dá certo...
é a irmã de minha mulher, não é coisa pra você!
Deixe-a estar e volte pra sua casa! Entendido?
Oh, mas quem você é, o cuzão? Eh? O que quer?
Não encoste a mão nela, entendido? Senão eu te mato, entendido?
Eu te digo pela última vez: volte pra sua casa!
Como "a casa tua"? Volte você pra sua casa!
Parte-se, portanto, do treinador, o elenco principal,
para o qual vem anunciada a manobra da defesa...
- Deixe estar. - Carlo, deixe-me fazer.
Não importa.
LINGUA AFRICANA
Prazer, Carlo.
Vamos, Nadine, deixe-o estar, vamos embora.
LÍNGUA AFRICANA
LÍNGUA AFRICANA
O que está dizendo agora? O que tem a ver com Bertrand?
LÍNGUA AFRICANA
Por que não estão mais discutindo? Diga alguma coisa, vamos, rebata-o !
- LÍNGUA AFRICANA - Por que está assim gentil? Oh!
LÍNGUA AFRICANA
O que disse?
Eu não sou alguém que te faz desaparecer por um momento. Mas com quem você cresceu?
Está vendo que é você que está insultando os meus!
Os seus? Um troglodita que me espera às escondidas
e me enche de porrada? Belos exemplares, os seus!
Você se esqueceu da festa da sua menina, é?
Seu sogro que me tratava como a puta?
Como fez para resistir com aquela gente?
Alguma coisa em você deve ser igual a eles!
São os pais de Elena, que tenho a ver com isso?
Você fez a festa da sua filha na casa deles!
Não me provoque porque sei ser muito estúpido, se quero.
Em frente, fale! Diga tudo o que pensa.
Não do jeito que faz sua mulher, que enche a boca pra falar da África
e depois se descobre que é filha de dois racistas!
Então não se pode mudar? Assim se nasce e assim se morre.
Você como Amadou e eu como meu sogro, certo?
Mas então, eu e você, o que estamos fazendo?
O que ainda temos pra nos dizer? Nada!
- Boa noite. - Boa noite.
Reservei um apartamento duplo em nome de Lodoli.
Penso que seja sem café da manhã.
Pensa mal, café da manhã no quarto, obrigado.
Pagamento em dinheiro ou cartão de crédito?
Qual prefere?
Oi.
Desculpe, pensava que não estivesse mais ninguém aqui.
Está indo embora?
Sim.
Não aconteceu nada, não aconteceu nada.
Não chore, não chore, não aconteceu nada.
Não aconteceu, não aconteceu nada, não chore.
Quero voltar pra minha casa, Carlo.
Ei, ei... Vamos, eu te levo pra casa.
Não chore, não quero que chore, eu te levo pra casa.
Pronto, pronto... não chore.
Estou chorando porque se volto pra minha casa... não vou revê-lo mais.
Então, não vou levá-la pra casa. Nem mesmo se me pedir,
tampouco se chora, se dá uma de louca, nem você, nem a sua família...
Ei, não gosto de vê-la chorando... vamos, me abrace, me abrace...
Venha aqui... Não chore.
E tudo aquilo que estudei na Universidade, lá em Bruxelas,
era realmente superior, em relação às nossas escolas,
mas quando eu voltava ao meu quarto, me sentia só.
Eram perfeitas pra mim, todas as coisas que estudava,
se devia me esquecer da minha casa, da minha cultura...
era mais aquilo que tinha perdido ou aquilo que estava ganhando?
Quando... quando encontrei Nadine,
pensei que, juntos, talvez
poderíamos ter as duas coisas.
Dacar, as lembranças... e uma vida somente nossa,
diferente daquela dos nossos pais.
Eu também já me senti assim.
Pensa que... o meu...
A primeira lembrança da minha vida é de quando tinha 4 anos,
quando estava com meu pai na África,
montada em um elefante.
Usava sainha curta
e os pelos duros do elefante me picavam as coxas.
Foi meu pai que me passou toda a paixão pela África.
Depois percebi que era diferente.
Imaginei as suas mãos tocando uma moça negra.
Meu pais é somente um racista que ainda não sabe que é,
há tantos assim...
Durante toda a vida, procurei ser diferente...
e em vez disso...
são quase 7 anos que trabalhamos juntos
e nunca saímos pra beber alguma coisa.
Exceto quando fizemos o assessor da cultura se embriagar,
para fazer... aquela resenha de cinema do Zimbabwe.
Mas como era feio aquele filme!
Horrível...
Sim?
Está com quanto?
Onde está Bertrand?
Vou em seguida.
O que aconteceu?
Christian está doente,
mas agora já está tudo bem.
Tentei te avisar.
Onde estava?
Eu pensei em ir embora daqui
voltar a Dacar e levar as crianças embora
pra me vingar de você.
Mas não consigo ir pra nenhum lugar sem você.
- Bom dia! - Bom dia!
Quando vier a senhora do quarto 59...
...pode entregar-lhe isso, por gentileza? Obrigado.
Ah, e também fecha pra mim a conta.
A senhora já pagou hoje cedo.
Ah, pensou nisso também!
Deixou isso para o senhor.
- Está bem. Obrigado - Até logo.
Não conseguiria dizer nada olhando nos seus olhos...
Ah, bom dia.
Não que não tenha coragem,
é que no final acabei cedendo e teria sido um erro,
siamo troppo... Diversi.
Nunca daria certo.
Papai!
- Oi, querida! - Oi.
Bertrand sabe tudo sobre você, vocês cresceram juntos.
Eu peguei uma pizza pra vocês, não sabia você já havia comprado uma...
Não, não, não comprou, ela se esqueceu.
Não sou assim tão competente como pensa.
Quantas vezes me imaginei na casa de vocês...
As fotos do casamento de vocês...
Quero que volte pra casa.
< Sopra! Muito bem...
Parabéns pra você...
Só quem vive uma história como a nossa sabe...
que uma vez que tenha ido além da fronteira...
o outro parece ser parte sua pele da sua pele...
como você é agora pra mim, Nadine.
mais familiar que minha irmã meu pai e minha mãe.
Oh, a Barbie noiva, Obrigado, papai!
Odeio quem disse pra você que nunca daria certo...
Mas é assim!
Ótimo, Bertrand, assim entende que nós preferimos as mulheres brancas.
- Mas como "preferimos as mulheres"... - O que está dizendo!
Estou brincando, viu.
Estão em dia com as vacinas?
A cólera, a malária... sei que existe ainda a febre amarela.
Mamãe, estamos em dia.
Adua... Certifique-se de que as garrafas de água mineral
estejam bem tampadas. porque eu bebo...
só do meu cantil.
Se alguém procurasse as trilhas desta nossa história,
o que encontraria?
A minha camiseta azul no fundo do armário...
duas entradas de cinema amassadas...
Os nos nomes pertinho um do outro no registro do hotel.
O que é preciso, afinal de contas, para apagar uma história como essa?
Crianças, escutem esta história.
Quem me contou foi o Deus da Floresta.
Uma vez estava sentado em um rochedo
e escutava uma sereia que nas costas de um golfinho
cantava com uma voz realmente doce, que o mar enraivecido,
com aquele canto tornou-se gentil.
Naquele dia...
viu onde havia caído a flecha do Deus do Amor.
Ela caiu sobre uma florzinha branca como o leite,
mas que naquele momento estava vermelhar por causa do ferimento.
As meninas o chamam de amor sem pensamentos...
Você me leva ao banheiro?
Vamos.
Por favor, mamãe, quero terminar.
Vamos, Felicité, estamos atrasados, devemos ir.
Oi, Nadine.
Oi.
Como vai?
Bem, e você?
Bem.
- Vou ao banheiro, papai. - Vá, vá...
- Giovanna cresceu... - Sim, os seus também.
Você realmente está bem.
Você também.
Devemos ir, estamos atrasados.
- Tchau. - Tchau.
Papai, vou brincar.
Nadine! Nadine...
As crianças...
Não posso, Carlo.
Não consigo ficar sem você.
Nem eu.
Nadine, eu não deixei de pensar em você um segundo sequer.
Eu também não.
Desculpem! Desculpem, mas a menina loira
está tentando estrangular aquela...
aquela... -Negra!
Deixe que briguem!
Ou se se machucam, devem se acostumar uns com os outros.
Vão se adaptar, eles e todos os outros.
- Não é verdade! - Claro que é!
Então, façam as pazes, vamos.
-Não, eu não quero! -Eu também não!
Tradução: Vilde Pedro Andreazza Grandee36
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