All language subtitles for Tout le monde aime Jeanne (2022)

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Original subtitles

TODA A GENTE GOSTA DE JEANNE

És uma mulher incrível, Jeanne.

És brilhante.

Fazes coisas brilhantes.

É um procedimento simples.

A corrente marinha permite à estrutura em cesto

apanhar os microplásticos.

A própria estrutura é feita de plástico reciclado

e lixo.

Colocámos uma câmara na estrutura,

que mostra em direto a quantidade de lixo apanhada.

Esperamos recolher 30 a 50 toneladas no primeiro mês.

Muito em breve.

És uma heroína!

Tens um trabalho útil! O que dizia a jornalista?

E se lhe disser que é a mulher do ano?

Mulher do ano?

Mulher do século!

O PLÁSTICO NÃO É FANTÁSTICO

Achas que é a roupa certa?

Talvez ir trocar?

É um exagero.

Os óculos de sol...

É para te levarem a sério? Tens pasta de dentes na t-shirt.

E que sapatos ruidosos!

Não se ouve mais nada!

Vês o autocarro?

Podias atirar-te debaixo.

Atira-te!

Força, Jeanne, atira-te!

Atira-te...

Porquê o impulso? Porque a tua vida é um fiasco?

Cala-te.

Agora vais chorar?

Já não te gabas tanto.

Pagas pela tua arrogância, Jeanne.

E se lhe disser que é a mulher do ano?

Sou brilhante.

- É demasiado. - Mentirosa!

O que aconteceu à mulher do ano?

Apetece-te fumar? Mau, provoca cancro.

Cancro da garganta! Dring!

Cancro do pulmão! Dring!

Cancro da garganta.

Cancro, enfisema...

Se morreres agora, o que dirá a lápide?

Um autêntico fiasco.

Laurent, pode explicar-nos o que aconteceu

hoje em Le Croisic?

É complexo.

As estruturas do Nausicaa estão presas por cabos de titânio.

Na inauguração, os cabos partiram-se.

Vemos aqui a fundadora do Nausicaa, Jeanne Mayer,

mergulhar para segurar as estruturas.

Belo mergulho, mas em vão.

As estruturas pesam toneladas.

Exato. E o peso da água puxa-as para o fundo.

Vemos imagens das câmaras presas às estruturas

que se estão a afundar.

Imagens impressionantes.

Isso, continuem a filmar!

FIASCO EM LE CROISIC: PROJETO NAUSICAA AFUNDA-SE

Sonia HAMI Ordem dos advogados de Paris.

Vou ser franca.

Está à beira da insolvência pessoal.

A única opção é liquidar.

Nesses casos, é liquidar. Ao máximo.

Vai ter credores até às orelhas, com a sua máquina de plástico.

Máquina anti-plástico.

Mas não acabou. Há investidores interessados.

Não digo que acabou tudo.

Digo que tinha rendimentos...

e já não tem.

Os investidores retiraram-se.

- Leu a cláusula em letras pequenas? - Li.

Leu? Muito bem. A cláusula diz que é fiadora.

Todas as pessoas simpáticas que investiram na sua empresa

já não vão ser simpáticas.

O banco não a vai ajudar. Como digo,

o banco empresta guarda-chuvas quando está sol.

Está muito endividada.

Tenho clientes que passaram de 400 m²

para centros de acolhimento.

Não cheguei a isso.

Ainda consegue pagar a renda?

É complicado, mas o senhorio é compreensivo.

Muito bem. Pais?

O pai...

morreu há muito tempo. A mãe no ano passado.

Ah, lamento.

Muito bem... Deixou-vos bens?

Sim. Um apartamento em Lisboa.

Nada mau. Está em vosso nome?

Sim. Pô-lo em nosso nome antes de morrer.

Muito bem!

Ótimo!

- É uma via. - Sim, ótimo.

Depois fechou as contas, limpou o frigorífico,

levou o lixo à rua, tentou ligar-nos em vão...

e foi atirar-se de uma ponte.

É terrível.

Lamento.

Maupassant dizia que o suicídio é a coragem dos vencidos.

Eu aconselharia

a vender o apartamento.

Não sei quanto vale,

mas mesmo dividido parece-me razoável.

Para não dizer obrigatório.

Não se vende o apartamento.

Porquê?

Temos de pensar nisso.

- Não. - Sim.

Jeanne, tem de ser!

Deixo-vos ver isso em família.

Quanto aos seus honorários...

Não tens as possibilidades, querida.

Faço-lhe um favor porque conheço o seu irmão.

- Obrigado, Sonia. - De nada.

- Ligue-me à vontade, sim? - Sim.

- Adeus. - Coragem.

Exagera. Típico dos advogados.

Não estou "à beira da insolvência pessoal".

- Queres dinheiro emprestado? - Claro que não!

- Queres vir morar lá para casa? - Não é preciso.

Então, o que vais fazer?

Vou ver, há investidores dinamarqueses interessados.

- Queria criar uma nova... - Vais acabar na cadeia.

É grave ter dívidas, entendes?

Não vou para a cadeia. Não fiz nada de mal.

Fizeste.

Meu Deus, Jeanne!

Vais para a cadeia!

Vão-te fazer limpar a casa-de-banho com o cabelo, Caracóis de Ouro!

Não há escolha.

Vai para Lisboa, esvazia o apartamento, vende-o.

Posso tirar uns dias.

Posso ir sozinha.

Qual é a tua, Zozo.

Toma.

- Aposto que vais ligar ao Vítor. - Não.

Vais lhe ligar.

Sinto-me como um mafioso.

"Toma, é uma prenda, algo para ti.

- "É todo teu." - Eu reembolso-te, Simon.

Não. Também quero aparecer no jornal.

"Graças ao irmão arruinado, Jeanne Mayer volta à tona

"e salva os oceanos."

Podes pagar as passagens aéreas?

Pois claro. Toma.

6745.

A usar com moderação, por favor.

Sou um simples fisioterapeuta.

Vamos?

Obrigada, Simon.

- Ficas bem? - Sim.

Ligas-me?

Vá...

- Até logo. - Até logo.

O MÊS DE SETEMBRO MAIS QUENTE ALGUMA VEZ REGISTADO

O que vamos fazer?

Vamos todos morrer!

Quando fez sexo pela última vez?

Em sonhos ou a sério?

O Metro conta?

Quando um homem tocou no seu seio direito?

Lembra-te.

Quando se apercebeu, gritou.

"Oh não!" como se tivesse pisado uma merda de cão.

Não te lembras?

Depois chamou-te puta.

Ouviste-o em loop, na tua cabeça.

Puta.

PUTA.

Puta.

Vá, não sejas sonsa.

Vais ter de aprender a voar.

Tinha rendimentos e já não tem.

Está arruinada.

É pobre!

Que fronha.

Com a tua sorte, vai estar ao teu lado.

É o que acontece por fixares as pessoas!

Oh não!

Vai querer conversa.

Irritas-me, Jeanne!

Mayday!

Bip, bip!

- Posso? - Não!

Sim.

Vejamos que tática escolheu o indivíduo.

Desculpa, não me lembro do teu nome.

Talvez por não nos conhecermos.

Toma! Boa, Jeannezinha.

Jeanne?

Jeanne Mayer?

Sim.

- Incrível! - Conhecemo-nos?

Não te lembras?

Liceu Francês de Lisboa?

Zero.

É incrível.

Toda a gente estava apaixonada por ti.

- Nada disso. - Sim.

- Que disparate. - A sério.

Quando cheguei, diziam todos:

"Vês aquela rapariga? É a Jeanne. Estão todos apaixonados por ela.

"Toda a gente gosta da Jeanne."

O meu único amigo, Manuel Erkin...

- Lembras-te? - Não.

Peruano baixinho, sem pescoço. Bigode sedoso.

Dizia, com trágica resignação:

"De qualquer forma, toda a gente gosta da Jeanne".

Com sotaque: Toda a gente costa da Ranne.

Era fixe tirar uma foto...

para os teus fãs da altura.

Que pateta.

Vai ser giro.

A quem a vais enviar?

Criamos um grupo.

- Isto não tira fotos? - Pois não.

Que loucura.

Jeanne Mayer...

É do "mayor"!

Última chamada para a passageira Jeanne Mayer.

Embarque imediato Porta M23.

O quê? Disseram-me M48.

A mim ninguém me chama.

Estão-se nas tintas.

Acho que não te lembras. Chamo-me Jean.

Jean, Jeanne. Tem graça!

Bom dia.

São os últimos.

Não verifiquei, mas acho que sim. Podemos ir, obrigado.

O que fazes agora? Algo fixe?

Dirijo um instituto de investigação ambiental.

Cá está, algo fixe.

- Como se chama? - Nausicaa.

- Como? - Nausicaa, Projeto Nausicaa.

Diz-me algo.

Soa familiar. Qual o propósito?

Fabricamos estruturas autónomas

que limpam os microplásticos e o lixo dos oceanos

usando a corrente marinha.

Isso é bestial. Como dizes que se chama?

Nausicaa! Projeto Nausicaa!

Nausicaa? Diz-me algo.

- Não faz mal não conheceres. - Não faz mal?

Nunca ouvi falar.

- É o meu lugar. - Desculpe.

Podem sentar-se, obrigado.

Bom...

Não és nada uma desilusão.

Comparado com o que imaginava que te ias tornar...

na altura.

É giro, sempre pensei que ias morrer jovem.

Estou mesmo feliz por estares viva.

É o meu lugar, com licença.

Não. Desculpe.

Lamento. Onde é o 11?

Mesmo aí.

E agora um pequeno teste.

Vai:

(A) aceitar a sandes, nojenta mas grátis?

(B) recusar. Não é hora do jantar nem tem fome.

(Vais arrepender-te)

Escolhe não comer a sandes.

Parabéns! É uma adulta!

Bónus: Imagine que o seu vizinho é um terrorista

e peça um sumo de tomate.

Sumo de tomate!

A bebida que só se bebe no avião!

Jeanne?

Bom voo.

Jeanne!

Não te esqueças da hora portuguesa.

Sim.

Menos uma hora.

Corremos para o passado a 900km/h!

Bem-vindos a Jeanne Airlines.

Está a bordo do voo JM212

para a cidade onde morreu a Mãe.

Voou pela última vez

logo após a morte dela.

Tu e Simon chegaram ao centro.

Estava cheio de turistas. Tinhas esquecido como era belo.

Não conseguiam encontrar a esquadra.

Obras por todo o lado.

À noite, sentiste-te mal entre a Travessa do Terreirinho

e o Largo das Olarias.

Chegaram à esquadra.

Um pirilampo girava como uma luz de discoteca.

Disseram que um taxista a tinha visto saltar da ponte.

O Simon foi identificá-la.

Tu foste para o apartamento.

+ 33... é um número francês.

6... 63... 14... 27... 87.

- Ligas-me? - Sim.

Esperas alguém?

Não. Mais ou menos.

Jeanne!

Olá!

Olá, Jeannezinha!

- Fizeste boa viagem? - Sim.

- Dás-me um beijo? - Desculpa.

É o Jean. Vítor, Jean.

Muito prazer, Victor.

- Vítor. - Victor, sim.

Vítor.

Pois, Victor, com "c".

Não.

Sim, V-I-C-T-O-R.

Não, não.

Não faz mal. Os Franceses enganam-se sempre.

Como sabes que sou francês?

- Quem é ele? - Um velho amigo da Jeanne.

É bonito, de facto.

É muito bonito, é verdade.

Bonito sorriso, bonita barba.

Não é uma barba que tapa imperfeições.

Esta sublinha os traços.

Lindo. Uma barba de estátua grega.

Podia esculpir-te!

Vou andando. Fico à espera que ligues

para o copo que prometeste.

Deixo-te escolher o sítio, já que me conheces bem.

- Tchau, Victor. - Tchau.

Tchau.

Onde estavas?

Agora é um hotel.

Que tristeza.

Vês? Obras por todo o lado.

- Olha! - Caraças!

Está impossível.

Ficas bem no mausoléu?

É triste vir cá sozinha.

Não tenho escolha.

Subo para um café?

Não.

Já não tenho nenhum desejo de ir para a cama contigo.

Eu também não. Quem pensa que é?

- Obrigada pela planta. - Não é para ti.

Combinamos algo?

Quando penso que disse a este tipo que o amava!

Na verdade, ele disse primeiro.

Só fui educada.

Primeiro andar. Cheiro a lixívia.

Segundo andar. Horrível.

Cheiro a cabelo e torradas.

Por um estranho mecanismo, imaginas cabelo torrado.

Terceiro andar.

Cheiro a carne fria e tabaco.

Último andar.

Cheiro a Mãe.

Meus queridos,

Não consigo...

Mãe.

Lembras-te, Jeanne? A mãe ficava sempre contente por te ver

com o seu sotaque alemão: "Querida!

"Estou tão feliz por te ver! Engordaste?

"Dá-me um beijo a sério! Tens nojo?

"Vinho, querida?

"Tenho 2 garrafas. Bebes tão rápido.

"Fico sempre impressionada.

"Fico contente que estejas cá. Vens pouco.

"Há tanto tempo. Tinha medo de não te reconhecer.

"Que cabelo comprido! Pareces cansada! Senta-te! Pareces pronta para sair.

"Tens namorado? Estás com melhor ar.

"Como vai o teu trabalho complicado? Digo que és mulher do lixo.

"Porque tratas do lixo.

"Comprei sobremesa, queres?

"Eu não como açúcar! Tenho apego à vida.

"Não queres?!

"És tão irritante!

"Tens um dom!

"O sol estraga a pele.

"É pior que o tabaco.

"Cuidado. Os homens são violentos.

"Têm pulsões. Tem cuidado.

"Atenção às outras mulheres.

"Roubam os homens que amas.

"Mas não sejas paranóica!

"Atenção ao dinheiro!

"Vigia o teu peso.

"Pus a máquina de exercícios no teu quarto. Espero que não te importes.

"De qualquer modo, nunca vens."

nausicaa.com/recolha.

Lixo recolhido: 0.

Que superficialidade. É outra geração.

Tu, Jeannezinha, és uma mulher moderna.

Viajas. Tens uma carreira. Fazes videoconferências.

Não faz mal odiares as mamas, o rabo, as pernas.

Claro. Não tem importância.

És uma mulher moderna.

É ridículo pensar no rabo enquanto o planeta arde!

Porque não lhe atendeste?

Ou ligaste de volta? É fácil marcar um número.

Porque não atendeste? Porque não ligaste de volta?

É tudo culpa tua.

Estaria viva se o tivesses feito.

Tudo culpa tua!

Este número não está disponível,

provavelmente porque a pessoa morreu por culpa sua.

Antes do meio-dia é alcoolismo.

Bêbeda!

Pare de insistir, minha senhora.

Já disse que não estou interessado.

- É o Jean? - Sim. Sou o Jean.

Ficaste com o meu saco de pano?

O teu saco de pano...

Sim, Sra. Mayer, temos a sua bagagem.

Sem etiqueta, apesar das regras das companhias.

É uma vergonha.

Podias devolver-mo? Está cheio de cigarros

e coisas importantes.

Sim, onde estás?

Envio-te a morada.

- Então, até já. - Sim, até logo.

- Mas levas-me? - Claro.

Achas que te ia abandonar?

- Não sei, é possível. - Claro que não.

Vendia-te, não te abandonava.

- É aqui, é aqui! - Ok.

- Queres ficar com o capacete? - Não.

Não te venho buscar, regressas a pé.

Jeanne!

Como estás?

Transborda alegria!

- Jeanne Mayer! - Olá.

Obrigada.

É simpático. Estava de saída.

- Mas podes ficar. - Não, não.

Então Jeanne Mayer cresceu aqui...

Imagino todos os rapazes escolherem bem a roupa.

Para passar pelo teu bairro.

Como tudo mudou.

Não mudou nada.

Vês? Como parecem felizes.

Ela parece tão feliz. Foi às compras.

E esta mãe, com o carrinho de bebé vazio.

Bonito, não é? Adoro essas cenas perfeitas.

É reconfortante.

Tenho de ir ter com um agente imobiliário.

- Vais vender? - Sim.

Estou interessado em comprar.

Sim?

E adoro este bairro.

Tem 4 assoalhadas, mas é enorme.

Desculpa, está desarrumado. Estou a esvaziá-lo.

A casa é incrível, adoro! É fantástico!

- A sério, gostas? - É lindo!

- Está dentro do que procuras? - Completamente.

Afinal és rica.

Não, quando a minha mãe comprou não valia nada.

Agora os preços subiram.

Desculpa, não sei qual é o teu orçamento.

O meu orçamento?

Vou ser muito claro. Não tenho teto, sigo o meu instinto.

Posso ir até 3 ou 4 milhões, máximo.

Honestamente...

Adoro. Olha para esta vista!

Qual é a tua profissão?

Não tenho. Porque é que vendes?

Sou obrigada, fui...

- Fui à falência. Estou endividada. - Parabéns.

Sabia que eras uma revoltada!

Sabes, a dívida é uma ficção bancária

mantida pelo neocapitalismo.

Isto é lindo, adoro.

- Mas és rico? - À minha maneira, sim.

Certo.

Obrigada por ter vindo.

Ficamos por aqui, não?

Não, espera, estou a visualizar.

O escritório... talvez faça outra coisa.

Adoro.

Não tenho crédito, pode ser muito rápido.

É o...

É um agente imobiliário real.

Perfeito.

Espera, deixa-me...

Olá!

Sra. Mayer?

Olá, sou a Sra. Mayer. Olivia Byrn.

Muito prazer.

Igualmente.

Tem um ar "muito francês"!

Sou o Sr. Mayer.

Bom dia!

- Não. - Sim.

Vamos.

A sala...

Tem um trabalho interessante.

Tenho.

É como um parasita.

Um parasita muito útil.

Não lhe ligue, está bêbado.

Tem toda a razão.

É o que digo ao meu assistente.

Não precisam de nós mas não conseguem viver sem nós!

O que é que ela disse?

São boas paredes. Não é gesso.

Encantador.

Do início dos setenta?

Sim, início dos setenta.

Devo deixá-la com a minha linda esposa.

Tenho de ir...

para o escritório...

Para o meu trabalho.

- Um trabalho útil! - Sim.

Adeus, meu amor.

Estás muito bonita hoje.

Obrigada.

Até logo.

Trate bem da minha linda esposa, por favor.

Tratarei.

Adeus!

- Adeus. - Adeus.

Tem um marido encantador.

De facto.

Vamos então... para o átrio.

- Quarto grande. - Sim, por aqui.

Vamos começar...

Tem varanda...

Adoro!

Cá estamos.

Deus, olhe para isto!

Vê-se Lisboa inteira!

Na verdade, só metade. Mas sim.

Sê educada com a senhora tagarela. Veio para ajudar.

- Vai deixar mobília? - Tudo o que quiser.

"Tudo o que quiser."

Podias ser ainda menos simpática?

Que alcova encantadora. O que é isto?

Portas de correr!

Maravilhoso!

Um amigo da minha mãe pintou-as.

Muito artístico. Tão realista.

Sim, muito.

Quarto principal.

Sim.

Vejamos.

Importa-se?

Vamos abrir!

Desculpe.

Não via isto desde os anos 60.

Melhor.

Um pouco de ar.

Que luz fantástica!

Sim.

O apartamento é seu?

Não, da minha mãe.

Tem bom gosto.

Vai-se mudar para um lar?

Poderíamos chamar isso à morte.

Que divertida!

- Lamento muito, querida. - Tudo bem.

Que divertida!

Isto é uma parede mestra?

- O que temos aqui? - Madeira.

Eu sei, estou a ouvir o som.

Não me parece.

Não me sinto nada bem.

Está bem, querida?

Devia respirar num saco de papel? Beber água? Comer açúcar?

A mãe roubava açúcar nos cafés. Era mais forte que ela.

"É permitido. Paguei, posso levá-los."

Punha-os no fundo dos bolso.

Tinha sempre açúcar nos bolsos dos casacos.

Melhor?

Não se importa?

Esta zona mudou tanto.

A sua mãe fez um bom investimento.

...não acha?

Desculpe, não estava a ouvir.

Sabe, aquela senhora ali?

É a última moradora do prédio.

Toda a gente a quer pôr na rua.

Estive no apartamento dela.

Damo-nos bem.

É uma personagem.

"Lisboa autêntica". Não cede.

Alguns colegas

fariam tudo para expulsar as pessoas.

Eles estão prontos para qualquer coisa.

Até sabotagem:

ratos,

cortar cabos de elevador, eletricidade.

Coisas manhosas.

Eu nunca faria isso.

Fantástico. Ficamos em contacto.

Ok, adeus.

Eu diria que não,

fantasmas não existem.

Quando vemos, como no seu caso,

uma pessoa falecida, ou desaparecida,

ou morta, como por exemplo a sua mãe,

falaria de alucinações.

Pode ser um sinal inicial

de esquizofrenia,

degeneração cerebral,

ou dos olhos. Nada de grave.

Esquizofrénica? Que seca.

É gravíssimo!

- Cale-se. - Só está cansada.

Silêncio!

ALUCINAÇÕES CANCRO TUMOR

Sinais de morte iminente...

Sinais de cancro terminal. Para onde se vai depois da morte?

E agora, o jogo!

Claudia Mayer disse o seguinte aos filhos?

Atenção! Primeira frase.

"Espinhas é no peixe, não na testa."

Sim! Em 92, a Simon, depois do judo!

- Resposta certa. - Boa!

"Nunca tive de me vestir à puta para agradar aos homens."

Em 96! A Jeanne que vai para uma festa!

Certo.

MERGULHO DO ANO!

Agora, categoria "Culpa".

"Nunca, nunca me ligas."

Verdade! A Jeanne e Simon, diariamente desde que saíram de casa!

Está certo.

CÃO GRANDE SIMPÁTICO COM BEBÉ

Agora, categoria "cinismo depressivo".

"Quando estou aborrecida,

"pesquiso preços de lápides. Ha, ha, ha."

A Jeanne, no seu aniversário!

Certo.

Quando foram as palavras seguintes

ditas por Claudia aos filhos: "Amo-te."

- Quando Jeanne se formou com louvor! - Errado.

- Quando a Jeanne teve meningite! - Errado.

Antes de se suicidar!

Acabou o tempo.

A resposta certa é:

nunca.

Olá!

- Olá, tudo bem? - E tu?

Tens a certeza de que estás bem?

Sim, ótima.

- Então, tens comprador? - Não.

Estás a conseguir arrumar?

Nem por isso. Não muito bem.

Merda.

Se precisares de cigarros,

há no meu quarto, atrás do armário.

Certo.

E um saco de erva, com sorte.

- Melhor não. - Não?

Ok.

Vi a mãe.

Eu também, engraçado.

Ela está bem?

Vi-a.

Juro que a vi. O quê?

Encontraste a erva!

Lamento.

Lamento não estar aí contigo.

Minha pequena Jeanne.

O cão manda beijos.

O cão não quer saber de mim.

Claro que quer.

- Fizeste-me rir. Até logo. - Beijos.

Bom dia!

Bom dia, Jeannezinha. Dormiste bem?

Onde estamos?

Lembras-te do hino português?

Hoje, arrumações. Vais conseguir. É simples.

Colocas objetos em sacos e caixotes. Deitas fora.

O município trata do lixo.

Acaba em grandes lixeiras.

Depois no mar e nos rios.

Hoje arrumas a cozinha!

Está demasiado sol para arrumar.

Arrumas de noite.

Vitamina D é importante.

E estás tão bonita hoje!

Tão. Tão. Bonita.

Não, obrigada.

Já tenho um encontro, lamento.

Um bom cão, fiel!

Vai nos fazer bem roçar-nos um pouco.

Podemos confiar nele.

Serviço de qualidade. Satisfeito ou reembolsado.

Qualidade!

O que é isto?

O anormal!

Pensar que tomei duche para isto!

Este gajo não serve para nada.

O que fazer? Encontrar uma desculpa!

Rápido, ou vamos ter de falar do bebé.

Vai dizer que tem 14 meses e não 1 ano e 2 meses.

Porque é que as pessoas insistem em ter filhos?

Bem.

Vamos mostrar interesse.

Porta-se bem?

É um bebé como todos.

Quando ela souber comunicar conto-te, mas por agora...

Espera.

Toca na cabeça dela.

- Não. - Vê como é mole.

- É mole. - Tão fixe.

Quem é a mãe?

É professora primária, chama-se Margarida.

Que idade tem?

27.

Achas que sou parvo.

Sempre o achaste.

- Podias ser a mãe desta criança. - Não, obrigada.

Não a ouças.

Jeanne...

Estás bem?

Muito bem. E tu, Vítor?

Sei que tens um coração de pedra, mas...

deve ter sido difícil, não?

- Porque não me ligaste? - Já não estávamos juntos.

Também posso ser teu amigo.

Não chores, Jeannezinha!

Não chores!

Um dia casarás!

O Regresso do Sexy.

CAMPEÃ ECOLOGISTA EXCÊNTRICA

Máquina anti-plástico revolucionária.

Não quer dizer nada.

Ela guardava tudo.

Não quer dizer nada, Jeanne!

Guardava caixas de bolos, de ovos, de sapatos.

"São práticas. Não as deites fora!

"É perfeito para arrumar sabonetes.

"Podes pôr lá fotos. Jóias.

"Fazer velas dentro de boiões.

"Adoro caixas."

Mãe...

Não estou nada bem.

Vou precisar de ajuda.

Temos de falar, Jeanne.

Tenho de te explicar.

Como podias imaginar que a tua mãe decidisse morrer?

Tinhas demasiado medo que morresse num acidente.

Quando eras pequena,

tinhas medo que morresse num avião ou num comboio

ou a atravessar a rua.

Quando ia para a cama, tinhas medo que deixasse de respirar.

Estavas tão obcecada com a ideia

que imaginavas o dia do seu funeral.

O que vestirias,

o que dirias.

Não fazes grande coisa.

Hoje podias tratar do guarda-roupa.

É pequeno, não demora muito.

Ou do quarto do Simon.

Não, Jeanne, não!

O que é que eu disse?

Tens de arrumar. Não!

Jean? É a Jeanne.

É simples. Comparas dois frascos, como um consumidor consciente.

Vês o que contêm, e afinal já não queres!

Voltas a pôr no sítio. Mas deixas cair um no saco.

Agora tu.

Pego em dois frascos,

comparo...

ponho um no sítio e deixo cair...

Não faz mal. Vá, sobe.

Tentamos com algo mais leve.

Muito bem!

Andar com um cleptomaníaco vai resolver os teus problemas.

Não entendo, qual é o plano?

Vais regressar a França, um dia?

Vais ficar e fundar uma família com o Jean, o Vítor, as crianças?

Preocupas-me!

Theodora, qual a raiz da palavra "trabalho"?

Trepalium, quer dizer tortura em latim.

"Instrumento de tortura", sim.

Quais as duas únicas coisas mesmo essenciais

à vida na terra?

Uma faca e água potável.

Muito bem.

O que respondes se a mãe quiser que vás para uma Escola de Negócios?

Participar no esgotamento especulativo do planeta

não me tornará feliz.

Quero uma ocupação que faça de mim uma mulher livre.

Muito bem.

O meu pai não me ensinava isto.

É meu tio.

É filha da minha irmã.

Desenrasco-a. O pai vive no estrangeiro.

E a mãe está em viagem de trabalho em Dijon.

O quê?

- Diz que é proibido fumar. - Eu sei, obrigado.

É um cigarro eletrónico.

Veja, é eletrónico. Não queima.

- O que disse? - Temos de sair.

Sair?

Só fazes isso nas grandes cadeias.

Enchem os bolsos à custa dos pequenos produtores.

É muito importante.

Toma, lanche.

Lanche.

Obrigada.

- Pintaste-te? - Não.

- Sim. - Não.

Puseste algo nos olhos.

Talvez.

Dá-te um ar trágico.

Está um pouco borrado. Bonito.

Obrigada.

Fica-te bem.

Está verde, vamos.

Então, vestes-te sempre de preto?

Nem por isso.

Sabes que o preto é a cor da esperança para os Maias?

Tudo bem?

Vai demorar.

O que fazes?

- Onde vais? - Já volto.

- Que senhor tão simpático. - O quê?

É gratuito.

Mas como?

O que disseste?

- Que és cega. - O quê?

És cega.

- Vamos ver tubarões? - Sim.

Olha um ali!

Jeanne?

Tudo bem?

Consegues-te levantar?

Calma...

Também me acontecia quando estava em depressão.

Não estou em depressão!

Está bem.

Acho que...

não comi o suficiente de manhã.

Deve ser uma hipoglicémia.

Queria ver os pinguins.

Da próxima vez.

Vou para casa, não me sinto bem.

Claro. Percebo.

Não há nada a perceber, só vou para casa.

Ok.

Queres vir à praia no fim de semana? Ou preferes deprimir sozinha?

Adorava vir com vocês. Vês?

- A que praia vão? - Eu ligo-te.

- Ok. Vá, tchau! - Vemo-nos no fim de semana!

Sim, sim.

Depressiva? Que disparate é esse?

Que diagnóstico da treta. Pensa que é médico?

Uma depressiva não trabalharia para um instituto que salva oceanos!

Que salva o mundo!

Não me parece!

Já tenho problemas suficientes.

Não sou depressiva. Uma depressão é grave.

Tem de se tomar medicação.

- Estou? - Olá, Jeannezinha.

- Estás bem? - Ótima.

- Fazes algo no fim de semana? - Não sei.

Acho que vou à praia. Podes vir se quiseres.

- Depois diz qual. - Ok, tchau.

Grande ideia, a praia! Tens de fazer a depilação.

Está tudo bem.

Tenho de o dizer 4 vezes para funcionar.

Está tudo bem...

Está tudo bem...

Vou ter um ataque cardíaco!

O fim do mundo está perto!

É difícil encontrar trabalho!

Porquê trabalhar se vamos todos morrer?

Descobri que tenho hipoglicémias.

Severas. Devo ter carências em vitaminas.

Durmo demasiado.

Não ultrapassei a morte da mãe. Vejo o fantasma dela.

Não posso também ser depressiva.

Amanhã acordo cedo.

Em dois dias está feito. Vendo a casa e vou-me embora!

Então, mãe!

"Calista esperava há semanas.

"Sob a mão quente e suave nas suas calças de flanela,

"sentia o monte de vénus palpitar.

"Enfim, os lábios de Steve tocavam-na.

"E podia ceder à paixão."

Srª Mayer, os investidores estrangeiros não têm medo de nada.

Vendi um apartamento onde uma família morreu intoxicada.

Monóxido de carbono.

É agora um magnífico loft.

Vivem lá duas mulheres.

Um casal.

São lá muito felizes.

Ok.

Adoro arte.

Magnífica cozinha.

Os armários não.

Tudo bem.

- Tenho de sair. - Abrimos...

Vou andando. Não abra os armários!

Ok. Adoro isto!

Posso confessar algo, Srª Mayer?

Lamento uma coisa na vida.

Não consegui convencer aquela senhora

a vender o apartamento.

Está a ver a senhora ali?

Tentei tudo. Tudo.

- Faço-lhe uma avaliação amanhã. - Isso.

Adeus.

Jean?

Quando foi a tua depressão?

Quando esteve no hospital!

Estiveste internado?

Sim, 3 meses.

Toda a gente devia passar por isso. Fez de mim o homem que sou.

Ele dizia que era o Clube Med!

Tinhas vergonha?

Não, era uma piada parva.

Clube Medicamento, Clube Med.

Dão-te muitos medicamentos. É uma festa.

Que horror.

Assusta-te?

Tenho medo da loucura, como todos.

As pessoas têm uma ideia errada. Não é estar encolhido,

a ouvir vozes, com alucinações. Pode ser assim, mas...

Devia ser grave, para seres internado.

Tive um surto psicótico. Já ouviste falar?

- Não. - É fixe.

- Não. - Ao início é aborrecido.

Insónias. Pensas que tens ideias brilhantes.

Depois, é mais...

"Sou João.

"Sou o Alfa e o Ómega.

"Sou o Princípio e o Fim.

"Sou o Primeiro e o Último. Fora daqui!

"Cães,

"impúdicos, assassinos, idólatras.

"Os que amam ou praticam a mentira!

"Sou São João do Apocalipse!"

É abominável.

Andava com vinho ou cerveja

e benzia as pessoas para as salvar.

Sabias que estavas louco?

Não estava louco. Era São João.

Que horror.

"Que venha e beba, aquele que tem sede!

"A água da vida!"

Benzi um polícia com vinho. Prendeu-me e internaram-me.

E a tua irmã confia-te a filha?

Claro que sim, agora tenho tudo sob controle.

Mas tu tens tendências, não é?

Não, de todo.

Tens macaquinhos no sótão, Jeanne Mayer?

Não.

Um pouco pírulas?

Gosto disso.

Nada disso.

Vamos embora?

Se quiseres.

A ansiedade é pior em sítios bonitos.

Não estou angustiada.

Só estou a tentar ajudar.

Não preciso de ajuda.

O meu professor de coro!

Pensava que já não vinhas.

É a melhor hora, não há ninguém.

Podemos nadar todos nus.

Vens?

Não, estou farta.

Venham jantar lá a casa.

- Sim, sim! - Não, não.

- Porquê? - Vamos para casa.

Porquê?

O pai disse que não.

Não é meu pai, é meu tio.

E tu?

Eu aceito.

Vamos.

Tens a certeza?

- O quê? - Têm a certeza?

Sim, sim.

Ok.

Depois fazemos outro dia de playa.

Vá, sobe.

- Nunca disseste que era teu professor. - Não sabia que o conhecias.

Certo.

Outro dia de playa...

Fazemos outro dia de playa?

Porque disse isso? Que foleiro.

Obrigada.

Que raio estou aqui a fazer?

É bonito aqui.

Sim, gosto da casa. Sinto-me de férias o ano todo.

Balelas.

Tem mulher e criança. Controla-te, Jeanne!

- Posso beber um copo de água? - Não, não...

Vamos para a cama com ele?

Devia lavar as mãos.

Mexeu no guiador da mota. É nojento.

Gostava que ele as lavasse.

Não há nada para comer.

De qualquer forma, vou andando.

Ok.

Mudei o final.

Antes era...

Agora é...

Ah, claro.

Sempre gostei dessa canção.

A Jeanne vai embora...

Já ninguém o para.

Vejo-a vestir-se...

E os meus olhos choram.

Podes levar-me a casa?

Não queres dormir cá?

Não.

Tenho preguiça de pegar na mota. Está frio.

Deprimes-me. Tanto.

Enganas a tua mulher. Estás aí...

Não a engano.

- Claro. - É verdade!

Ela dorme com quem quiser! Eu também.

Arranja-me dinheiro.

O quê?

Dinheiro para um táxi. Quero ir para casa, estou cansada.

Obrigada.

Não te preocupes.

És fabulosa à mesma.

Tenho a certeza que vais destruir imensos casamentos.

Certo. Vá, tchau Vítor.

Tchau.

Foi bom, não foi?

O sexo.

Estúpido, que medo!

- Olá, Jeanne. - Olá.

- Vou brincar, pai. - Vai.

Olá.

Vens, Zuzu?

Porque não disseste nada?

Para te surpreender! O que tens vestido?

Estava a dormir.

Caraças.

Fogo.

Estamos em casa da mãe.

Estamos.

Pareces uma atriz dramática.

Mostra-me os meus aposentos, por favor.

- Tens fome? - Sim.

Tenho ovos.

Gosto de ovos.

- E cerveja. - Boa.

Fizeste 5 caixas em 10 dias?

É porque seleciono.

Não se seleciona! Revistas para o lixo.

Ou nunca mais acaba, olha!

Não podemos deitar fora os National Geographic.

Claro que podemos. Não os vais reler.

"Não estou contente, Jeanne! Ponho-te num internato!

"Estou furiosa, Jeanne, furiosa."

Merda de fita-cola.

Pronto.

Tiveste uma proposta, pelo menos?

- Não. - Ainda não?

Ainda bem que cheguei.

O teu irmão está aqui.

Está tudo bem.

Fazemos uma pausa para café...

depois encaixotamos. Vais mostrar-me como fazes.

Está bem, Jeanne?

Vou ajudar-te.

O que se faz com estes pratos?

Ajuda-nos, Sacha.

Quais é que queres?

- Estes? - Pode ser.

Pronto, é assim mesmo.

Exatamente. Percebeste a técnica.

Arrumamos este aqui.

Este, aqui.

Este na prateleira de cima... assim.

Os mais frágeis em cima.

Este, aqui!

Isso. Este também.

O serviço...

...de casamento.

Já não precisamos deste.

A porcelana frágil

vai para aqui.

- Levas estes para Paris? - Sim...

Olá!

Bom dia.

- Desculpa. - Bom dia.

Entra. O meu irmão, Simon.

- Ah, ok. - Jean.

Não quero interromper.

Não interrompes.

Não ligaste.

E como sou...

demasiado orgulhoso para ligar, cá estou.

Fizeste bem.

Queres ajudar a arrumar?

- Estamos nas arrumações. - Com prazer.

Sou um robô.

Ninguém me pode destruir.

O Simon, quando era pequeno, queria ser bailarina.

Queria um maillot para o Natal.

Não tem graça.

Lembras-te do vídeo com as japonesas?

Tinham um ar tão sério, mas...

tão extravagante. Era estranho.

- Tão estranho. - Mostra.

- O quê? - A coreografia.

Não...

- Não posso. Tinham 20 anos! - E então?

Não sei...

Davam um passo em frente, e torciam o pé de trás assim.

- E depois? - Levantavam os braços.

Tipo...

Isso.

- Sim, isso. - Força.

Exactamente assim.

- Ok, continua. - Lindo, parecem cisnes.

Pé direito.

- Isso é mais clássico. - Não gostas?

É bonito. Mas era mais tipo...

Fica descansada Tenho o que é preciso.

Nunca se perde quando se ama.

Estão cá os livros, o teu cãozinho Felizes.

Aqui estão as chaves da felicidade Que espera por ti!

Chama-me se porventura não abrirem.

Sabes onde me encontrar Fico por aqui.

Amo-te.

E lembra-te da comunhão do Nicolas...

Tens as mãos tão pequenas.

Que azar, ia-te levar a Itália.

Numa viagem de amor.

Que azar.

Também te amo.

Oh não, merda!

Que pena.

- Estou? - Boa noite, Srª Mayer?

- Jeanne Mayer? - Põe a música!

É a própria. Quem fala?

- Sim, quem? - É o Léopold.

Era estagiário no Nausicaa. Recorda-se?

Claro que me lembro de si, Léopold.

- Algum problema? - Não.

Estou a ligar porque...

Continuei a ver as imagens das câmaras.

Até depois...

do que aconteceu.

Estava tão triste.

Não pense mais nisso, Léopold. Acabou.

Certo, mas não. Continuei a ver...

Vá ao essencial, Léopold!

Queria só dizer-lhe para ver.

Desde ontem, aparecem coisas incríveis.

Já se viu isto, ou é algo novo?

É como o primeiro homem na lua.

É de loucos.

A que profundidade está?

Entre 1000 e 2000 metros abaixo da superfície.

Na zona mesopelágica.

É incrível.

Talvez relance a tua carreira.

Não. Não recolhem plástico.

É lindo.

Anda, Jean.

É importante acabar isto.

É importante acabar. Quando acabas, podes avançar.

Vamos esvaziar isto.

Jean, ajuda-me.

Pareces a mãe com rímel.

"Como estou canzada! Tão canzada!

"Depois do que fiz por vozês. Que ingratidão!

"Vou acabar no pzicólogo."

"Ya, ya."

Não sabia pôr batom.

Pois não!

Quando a minha mãe morreu, guardei a escova dela 2 anos.

Não a conseguia deitar fora.

Porque vamos embora?

Bom dia Jean.

Oi! Quantos anos tens?

Queres ir tomar uma bica?

Bica?

Tens a certeza?

Queres ir tomar uma bica?

Por favor?

Mensagem de Jean Aeroporto.

Oi!

Olá Jeanne.

Tenho um convite bastante reles.

Querem vir à apresentação da Théo?

Sentamo-nos? Aqui?

Podemos encaixar-nos.

Não é grande pianista.

Não, toca bem. Mas irrita-me.

- Sim? - Sim.

Tem...

sobrancelhas irritantes.

- Os dentes também. - Sim, percebo.

Esquecidos no céu.

Metal ao sol.

Destroços aéreos.

Projectam a sua sombra.

Desaparecida.

A aviadora.

Bebemos um copo a seguir?

Mas o seu coração ainda bate.

Um novo alcácer.

Nas nuvens.

A toda a volta.

Navega ao acaso.

Desaparecida.

A aviadora.

Gostaram?

Sim, foi muito giro, parabéns.

- Muito giro. - Parabéns. Fantástico.

Bem, vamos beber um copo?

Não.

Vamos, vou pôr a Théo na cama.

- Pode-se deitar tarde. - Não.

- Tchau, Théo! - Tchau.

Onde vamos?

Na verdade, estou cansado.

E tens de dormir, Sacha.

Não estou cansado.

Vamos para casa.

- Vá, tchau. - Tchau.

Meu Deus!

Acho que se tocaram.

- Por aqui? - Sim.

Força, Jeanne!

Força, Jeanne! Coragem!

Força!

Escrito, realizado e desenhado por Céline Devaux.

Legendas Fabienne Martinot

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