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NICO, O UNIC�RNIO Tradu��o de Raquel Rosa
INSTITUTO NACIONAL DE COMUNICA��ES
O qu�?
Sim, eu sei.
- Bom dia, senhoras e senhores. - Bom dia, Sra. Noise.
Bem-vindo! Este � o livro que usamos.
Muito bem, podem ir.
N�o se esque�am de entregar os trabalhos sobre o Sistema Solar na quarta.
Vamos l� jogar!
Vamos l� jogar!
Bruce, o que est�s a fazer?
- Estou a escolher um taco, importas-te? - V� l�, Bruce, n�o temos o dia todo.
Pois, pois...
Tu primeiro.
- Porque n�o? - Deixa-o em paz, Bruce.
Ele n�o pode jogar.
D�-me o taco.
Calma, temos um batedor.
Vamos, joga bem.
- � preciso eu ir a�? - Lan�a a bola.
C�us!
- Corre! Vamos! - Corre!
N�o o deixem ganhar.
- Vamos! Apanha a bola! - Corre! Vamos l�!
- Corre! - Vai! D�-me a bola!
Vamos! Corre!
D�-me a m�o.
- Bela jogada. - Sim, nada mau.
Para um aleijado.
Ol�.
Estava preocupada.
Perdeste o autocarro?
Estava a jogar Basebol.
- Os mi�dos s�o simp�ticos? - N�o.
D� tempo ao tempo. As coisas v�o mudar.
Fui aceita no curso que te falei.
- Parece que vamos os dois para a escola. - Que �timo.
Espero passar.
Algumas pessoas n�o passam no curso, mas n�o podem escapar aos testes.
M�e, podes amanh� levar-me � escola em vez de eu apanhar o autocarro?
Sim, claro.
E depois da escola? Tenho que trabalhar das 16h �s 17h.
Espero por ti no centro comercial.
N�o podes fazer isto, Billy. N�o podes andar muito. � longe.
- H� coisas que n�o podes fazer. - Porque tivemos que vir para c�?
- Esta casa � uma porcaria. - S�o as contas.
Al�m disso, a renda � muito mais barata do que em Boston.
Assim posso poupar mais dinheiro para a escola e n�o ser� para sempre.
- O pai n�o iria gostar desta casa. - N�o, ele ia gostar da cidade.
- Ele era uma boa pessoa, certo? - Sim, ele era uma boa pessoa.
� por isso que temos tantas saudades dele.
N�o temos saudades dele?
L� est� ele no c�u a olhar para n�s,
pensando porque ainda n�o acabamos de arranjar a casa.
- Vais continuar. - Faz bem feito.
F�-lo j�!
N�o vamos continuar. Est� na hora de ir dormir.
- Vamos l�, m�e. - N�o. Para com isso!
J� chega.
- Vamos. - Est� bem.
UNIC�RNIOS
- At� logo. - At� logo.
Se quiseres comprar alguma coisa no centro comercial.
- Obrigado. - Tem um bom dia.
Certo.
CENTRO COMERCIAL
- C�us! Adoro isto pai, obrigado. - S� precisas de praticar, filho.
Vamos l�.
Nada mau.
Rapaz da cidade, h�?
Ol�.
Como correu o teu teste?
O gato comeu-te a l�ngua?
- Porqu�? Tens um? - Tenho.
- Tenho coisas para fazer. - Est�s com medo?
- N�o! - Ent�o vem.
O Billy n�o pode ir por causa da perna.
Pois, tot�.
- Vamos! Ele vai ficar. - Adeusinho.
Adeus, Billy.
Dois d�lares.
A entrada � por ali.
N�o gostei. Viste aquele sangue humano? Era t�o estranho.
Palha.
Tens fome?
Aqui tens.
- O que pensas que est�s a fazer? - Eu ia dar-lhe palha.
Deste comida?
- N�o, senhor. - N�o.
- Ent�o n�o tens que fazer isto, certo? - N�o Senhor... Mas ela parecia ter fome.
Willett!
- Quem queres enganar? - Como assim?
Este animal a� que nem se mexe.
Fizemos um acordo, vinte d�lares bem justos.
N�o disseste que o animal j� estava morto.
- Ela n�o est� nada morta. - N�o, eu dou-te dez d�lares.
- Este � o valor que o animal vale. - V� l�, t�nhamos um acordo.
- Pegar ou largar. - Deixa para l�.
Desculpa.
O meu cavalo n�o est� morto e n�o vale dez d�lares.
Dou-lhe vinte d�lares, senhor.
O qu�?
Tens vinte d�lares?
N�o tenho vinte d�lares agora, mas tenho isto.
Adiantamento. Sem reembolso.
- Ol�. - Ol�.
Tenho de dizer-te, Joe. Nenhuma mulher faz um caf� t�o bom.
Que tal um aumento.
- Obrigada pela tentativa. - Vou continuar a tentar.
Parece que v�o reabrir o restaurante na Estrada 22. J� estiveste l�, Joe?
N�o.
E tu, Julie?
- N�o, nunca estive l�. - Nem eu.
N�o sei se gostarias de sair um dia desses e jantar fora.
Eu?
Bem... Eu n�o sei.
- Que tal no S�bado � noite? - S�bado � noite?
S�bado � noite.
- Uma sa�da de amigos. - Certo.
Eu n�o posso na S�bado � noite. Eu tenho que... fazer isto.
- Isto? - Ela quer dizer, trabalhar.
- Fica para uma pr�xima. - Sim, claro.
Quando?
- Como? - Eu disse quando.
Quando.
- Bem... - Arranja-te no Domingo.
Domingo.
- Apanho-te �s 19h00. - N�o sei se posso ir.
�s 19h00.
Ele sabe onde moras.
- O p�nei da exposi��o � muito fixe. - Que bom.
- Um tipo pediu vinte d�lares por ele. - Quem pede vinte d�lares por um p�nei?
� s� vinte d�lares.
- Eu j� dei um adiantamento. - Fizeste o qu�?
Teve de ser.
Deste dinheiro a algu�m por um p�nei que n�o podemos pagar?
Ele ia mat�-la se n�o arranjasse os vinte d�lares.
N�o devias ter-lhe dado dinheiro. J� devias saber.
Al�m disso, n�o poderias mont�-la. Sabes disso.
Primeiro o dinheiro, depois a minha perna. C�us, decide-te.
Raios.
Unic�rnio, criatura de f�bula.
Um cavalo m�gico que projeta magia pela testa.
E representa um segredo secreto da esperan�a e da boa sorte.
Sabes, os unic�rnios n�o existem.
- Ent�o podia usar um pouco de sorte. - � s� um p�nei.
Ele vai mat�-la.
Nem fa�o ideia quanto custaria ficar com um animal como este?
Ele podia comer relva e coisas.
Ele vai precisar muito mais do que relva e de coisas.
Poucas quantidades. Ele n�o custa assim tanto dinheiro.
Ei, rapaz.
Anda c�!
N�o queres vir. N�o me escapas.
Anda c�.
Muito bem.
Vou ensinar-te a respeitar.
Anda c�! Anda c�!
- Ol�, Joe! - Ol�, campistas.
Ol�.
C�us, isto � �timo.
- Cinto. - Prontos?
Ele est� muito animado.
Parece que passou um tornado por aqui.
O meu p�nei.
- Chegaste tarde de mais. Ela morreu. - Voc� matou-a.
- V� como falas. - E voc� tamb�m, meu caro.
Vamos, querido.
N�o h� nada que possamos fazer.
Ela est� bem.
Ela est� viva.
S�o vinte d�lares.
Ontem o meu filho deu-lhe um adiantamento.
Ontem foi ontem. O pre�o aumentou.
Pegar ou largar.
Foi um prazer negociar consigo.
N�o sei muito sobre a vida, Sr. Willett.
Mas uma coisa eu sei, vamos recuperar o que pediu a mais.
Sim, senhora. Isto � verdade.
- Um dia vai desejar que n�o fosse. - Deus ajuda aqueles que se ajudam.
Cuide bem do animal, est� a ouvir?
Vamos, como te sentes? Ainda tens dores?
N�o te mexas.
- Nada mau, h�? - Nada mau, ela est� linda.
Onde � que encontraste este animal t�o limpo?
Sab�o e �gua.
- Eu gostaria de mont�-la. - N�o, senhor.
O m�dico disse que n�o podes magoar-te.
Podes acabar numa cadeira de rodas. N�o andas no p�nei.
N�o quero atrasar-me para o trabalho. Tenho de ir. O almo�o est� no frigor�fico.
- Adeus, m�e. - Adeus.
Bem-vinda � quinta mais famosa. Vais dormir ali.
Aqui podes correr e fazer coisas.
Posso ensinar-te uns truques e um dia podemos participar num concurso.
Seria convidada?
- O que fazes aqui? - Vim visitar-te.
Ouvi dizer que salvaste um p�nei.
As pessoas s� falam disso.
Aquele homem ia mat�-la e tudo o resto.
Salvaste-a.
Sim.
Ela � t�o bonita. Porque � que ele queria mat�-la?
N�o sei. As pessoas fazem coisas destas, sem qualquer motivo.
- Ent�o, j� andaste no p�nei? - N�o posso, por causa da perna.
- Pois, desculpa. Esqueci-me. - Estou a falar da perna dela.
Posso mont�-la o dia todo se quiser.
Est� a ficar frio. Acho melhor ir andando.
- Ouve, desculpa se eu... - N�o tens de pedir desculpas.
S� porque eu tenho um problema na perna, isso n�o significa o fim do mundo.
- Desculpa. - Para de dizer isto.
Vamos.
Acho que �s muito corajoso.
Gostas? Ela acha que sou corajoso. Vamos.
- D�-me o suficiente para um m�s. - Isso s� d� para uma semana.
Pague ali.
Desculpa, querido. N�o temos dinheiro para a alimenta��o dela.
O que eu comprei s� vai durar uma ou duas semanas, e acabou.
- Eu posso arranjar um emprego. - Mesmo assim n�o seria o suficiente.
Al�m disso, temos que poupar ao m�ximo para que eu possa estudar.
Ent�o, porque n�o posso arranjar outro emprego?
Isto � uma cidade pequena, Billy. Trabalho naquilo que consigo arranjar.
Estou a pensar no nosso futuro.
Mais estudos d�-nos uma vida melhor.
Cuido de ti e quero que entres na universidade.
N�o podemos pedir dinheiro emprestado?
� claro que n�o. Teria que ter dois empregos para pagar o empr�stimo.
- Disseste que eu podia ficar com ela. - Eu sei, mas n�o podemos.
- Mentiste-me. - Eu n�o te menti.
Eu n�o menti. Eu s� n�o sabia.
Porque � que isto est� sempre a acontecer?
Se o pai estivesse aqui, ele n�o ia deixar isso assim.
N�o estar�amos a viver no meio do nada com t�o pouco.
N�o.
Creio que n�o.
- Ol�. - Ol�.
- Billy? - Sim.
- Prazer em conhecer-te, sou o Tom. - Igualmente.
- A tua m�e est� em casa? - Sim, entre. M�e!
O que foi?
Ol�, est�s linda! Est�s pronta para irmos.
Eu gosto.
Hoje � domingo, 19h00.
19h00 � muito cedo para ti?
N�o. Eu n�o posso sair contigo.
- Estou a tirar pl�sticos, refor�ar paredes. - Podes fazer uma pausa, m�e.
Eu tamb�m.
Posso ficar sozinho.
Bem, eu.... Vou mudar de roupa.
Espero que n�o te importes de esperar.
- Eu posso esperar. - Muito bem.
Toma.
Ouvi dizer que tens um p�nei.
Podes mostrar-me? Gostava de v�-lo.
Claro.
Estava em muito mau estado quando veio. Ainda n�o est� perfeita, mas vai melhorar.
Ela � linda.
N�o sei muito sobre cavalos, mas tens a certeza de que ela n�o est� gr�vida?
Gr�vida?
N�o seria melhor chamar um veterin�rio? Ela est� com uma gravidez avan�ada.
�timo.
- Promete que ficas bem. - Vou ficar bem.
Deixei o meu n�mero ao p� do telefone. Liga-me se precisares de alguma coisa.
O jantar est� no forno. N�o te esque�as de o desligar.
Que mais? Outra coisa.
N�o te esque�as de fazer os trabalhos de casa. Tens o n�mero...
M�e! Diverte-te. Vou ficar bem.
Certo.
Vamos? Esqueci-me da mala.
Ela est� nervosa. Ela n�o faz isto muitas vezes.
J� percebi.
- Billy, foi bom conhecer-te. - Igualmente.
- Prometo que ela n�o chega tarde. - Certo.
Muito bem.
- Desculpa. - Desculpa.
- Adeus. - Divirtam-se.
- Temos um prato che�ssimo. - Pois �.
S� vamos acabar isto amanh� de manh�.
Tiveste um pesadelo?
Est�s bem? Est� frio.
Talvez isto possa ajudar.
N�o est�s muito bem.
Esquecemo-nos do guarda-chuva.
C�us, est� muito frio.
- Toma. Obrigada. - Obrigado.
Diverti-me muito. Obrigado.
- Quero agradecer-te por tudo. - Diverti-me.
- Podemos repetir um dia destes. - Gostaria muito.
- A s�rio? - Sim.
Boa noite.
Boa noite.
- Desculpa. - Est� tudo bem.
- At� amanh�. - At� amanh�.
Billy?
Billy?
Billy?
Billy!
O que fazes aqui com o tempo assim, querido?
Ol�, m�e. Que horas s�o?
J� passa da meia-noite. Devias estar na cama.
- Certo. - N�o est�s bem.
Vamos, ela vai ficar bem.
Deixa-a descansar. Vamos.
Ligamos ao veterin�rio de manh� se ela n�o melhorar.
N�o tens muito febre.
Mas eu acho que devias ficar hoje em casa.
- Ficas bem sozinho? - Sim.
Certo. Tens comida no frigor�fico.
- Est� bem, m�e? - Ok?
- Adeus, m�e. - Depois ligo para saber de ti.
- Volta para a cama. - Est� bem.
Carolyn, tens uma chamada no gabinete.
Aten��o!
N�o quero incomodar-te, mas... �s a �nica pessoa em que posso confiar.
Acho que o meu p�nei est� com problemas.
Carolyn? O que te traz c� hoje?
- Pesquisas para um trabalho. - Livros sobre cavalos.
- Ainda bem que conseguiste. - Est�s bem?
- Estou bem. - O que se passa?
- Acho que ela vai ter um beb�. - A s�rio?
- Sim. - Calma.
- O que vamos fazer? - N�o sei.
- Nem sei o que procurar aqui. - Temos que chamar algu�m experiente.
- N�o podemos chamar ningu�m. - Porqu�?
Um pressentimento. Temos que fazer isto sozinhos.
Tudo bem.
- Estou assustada. - Tamb�m eu.
- Precisamos de toalhas e mantas. - Vou buscar.
Obrigado.
Vai ficar tudo bem. Calma. Calma.
- Toma. - Obrigado.
Calma.
- Isto chega? - Talvez. Toma.
- Se vais fazer o toque tens que... - Espera a�!
- Queres que eu fa�a o toque? - Sim. J� vi o meu pai a fazer isso.
- Se calhar a bolsa arrebenta. - N�o vou conseguir.
Arrebentar a bolsa como tem que ser.
Calma. Calma. C�us!
Carolyn, vai nascer.
Ele t�o bonito. � um milagre.
Sim, um milagre.
- Pensei que n�o fosse capaz. - Tamb�m eu.
- Espera a�, o que � aquilo? - O qu�?
V�!
- � um chifre. - Os cavalos n�o t�m chifres, Billy.
N�o os cavalos de corrida.
O primeiro unic�rnio foi avistado por por Ad�o e Eva no Jardim do Para�so.
Desde ent�o, ele s� aparece em situa��es raras. Um unic�rnio visto por um homem.
Sim, mas os unic�rnios n�o existem.
- N�o v�s aquilo? - � s� um incha�o.
Um unic�rnio nunca pode ser derrotado pela for�a.
S� uma pessoa com um cora��o puro � que pode ter um.
- �s um "cora��o puro"? - Eu n�o sei.
Como � suposto eu saber?
- Nunca esquecerei este dia. - Nem eu.
Gosto de ti, Billy.
Gosto muito de ti.
Vou andando antes que o meu pai fique muito chateado.
�s a rapariga mais corajosa que j� conheci.
- A s�rio? - Juro.
N�o digas a ningu�m.
Sabes, sobre o cavalo ou talvez do unic�rnio.
N�o te preocupes. N�o digo nada.
S� precisas de uma grande hist�ria.
Sabes o relat�rio daquele tipo da CNN.
Vem a� um bom artigo. Estou a dizer-te, ser� desta.
Deixa-me em paz.
Terias uma grande hist�ria se fosse mais falado.
Al�m do mais, ningu�m l� o "Prescott Press".
Exceto n�s.
- Queres mais alguma coisa? - N�o.
- Caf�? - N�o, obrigado.
- Ol�, Tom. Como est�s? - Muito bem, Joe. E tu?
Vou indo.
- Ol�. - Como est�s?
- Estou bem e tu? - Nada bem.
N�o preguei olho a noite toda, queria ligar-te.
- Teria gostado. - N�o me vou esquecer disso.
- Vamos. - Com licen�a.
Claro.
N�o te v�s embora.
Deus, ajuda-me. Estou apaixonado.
Billy?
- M�e! M�e! - Devias estar na cama.
- Tens que ver isto. - O qu�?
V� l�. V�!
Meu Deus!
- Meu Deus! - Fixe, n�o �?
O que achas?
Alexandre o Grande possu�a o melhor unic�rnio de todos.
Qualquer um da corte pedia ajuda nos templos.
Todos os reis podiam prestar homenagem � nobreza com os animais mais especiais.
Que tal, m�e?
Achas que os unic�rnios s�o menos normais do que os p�neis?
- Talvez eles n�o sabiam tudo. - Seria �timo.
Quem tem fome?
O quanto cresceste. Raios partam.
N-I-C-O. Nico!
Carolyn?
- Nico. - O qu�?
Nico!
� bom.
Nico.
O estado de Vermont participou pouco, mas destacou-se na guerra entre os estados.
Algu�m pode dizer-me outro nome da guerra entre os estados?
- Sim, Billy? - Se me permite...
N�o me sinto bem.
Billy? Espera.
Temos que ser r�pidos.
- Billy? Ele est�... - Onde est� a m�e dele?
Sangue.
- O que foi? - O meu p�nei.
Temos que encontr�-la.
Se calhar � melhor irmos por caminhos diferentes.
Concordo.
Meus Deus!
O que se passa?
O que se passa?
- O meu p�nei est� morto. - O qu�?
O que aconteceu?
Um animal est�pido atacou-a. De uma ponta � outra.
Querido.
- E a cria? - Ele est� bem.
N�o foi atacado.
Querido, est�s bem?
Sim.
Podemos ir l� cima e enterr�-la?
Sim, claro que podemos.
� muito mais do que um animal.
Sim.
Ele est� a dormir?
N�o.
- Tive um c�o que morreu. - C�o?
Sim, era grande. Jurei que n�o queria ter outro, mas...
N�o queria o meu cora��o destro�ado outra vez.
O meu pai arranjou-me outro c�o.
Disse-lhe que n�o queria, mas ele era mais esperto do que eu.
Levei uma semana a costumar-me e depois adorei.
Nunca me esqueci daquele c�o.
- A s�rio? - Sim.
Ensinou-me o que � a amizade,
a confiar e como nunca esquecer algu�m que morre ou ausente.
Bem, vou indo.
- Diz "adeus" ao Billy por mim. - Eu digo.
Sabes, deixaste esta casa muito mais acolhedora.
- Obrigada. - Julie?
Julie, eu posso ajudar-te. N�o precisas de fazer tudo sozinha.
Sim, eu sei. Mas agora n�o preciso.
Tudo bem.
- Boa noite. - Boa noite.
Sabes? Aqui diz que o puma � o inimigo tradicional do unic�rnio.
Isso explica tudo.
Sim, tens raz�o. Faz sentido. Se fosse um unic�rnio.
- O Nico � um unic�rnio. - O Nico?
Sim, este � o nome dele.
Billy? O carro n�o pega.
Vou chamar o Joe para ajudar-me. Est�s pronto?
M�e, hoje n�o h� escola. � dia de PDA.
Joe, � a Julie. Aconteceu outra vez.
Podes vir c� dar uma ajuda? Obrigada.
M�e?
O que aconteceu com a l�mpada?
- Como? - A l�mpada, est� partida.
Sim, pois.
- Alimentaste o Nico esta manh�? - N�o. Porqu�?
Acho que ele tem fome.
Tudo bem.
Ol�, Billy.
- Como est� o teu cavalo? - Ele est� muito bem.
�timo.
Ele est� mesmo bem?
Quando eles perdem a m�e muito cedo, ficam fr�geis.
- N�o, �s vezes ele fica irritado. - N�o me digas.
- Vou ver o que se passa. - N�o, eu vou busc�-lo.
Lindo menino. Calma.
Bonito, n�o �?
- Isso n�o bate certo. - Ele � grande para a idade.
Entendo.
- Para que � o chap�u? - O chap�u? � para proteg�-lo do sol.
Bem.... Vou lev�-lo para dentro.
- Est�s bem? - Sim.
Uma dor tomou conta de mim.
Sim, acontece. Vou atr�s de ti.
No caso de sentires outra dor.
A bateria n�o est� boa. Seria melhor o mec�nico ver.
Sim.
Billy...
Precisamos de conversar, mais logo. Quando chegar a casa.
Adeus, m�e.
- Carolyn? Como vais? - Bem.
- Tens planos? - N�o.
- Queres vir connosco? - Para!
- Para onde? - N�o sei. Isso importa?
Acho que ela tem outras coisas melhores para fazer, n�o �, Carolyn?
- Anda l�, vai ser divertido. - Sim.
- Sim, est� bem. - Certo, vamos.
Pessoal voltem... Carolyn, para onde vais? � por aqui.
Billy!
Quero mostrar-te uma coisa.
- Porque isto aconteceu? - Foi o Nico que fez.
Como?
Os unic�rnios podem fazer qualquer coisa.
N�o consigo acreditar.
Parece um para�so.
- O Nico est� enorme. - � verdade.
Billy, vais ficar rico.
- O qu�? - As pessoas v�o pagar para ver isto.
Do que est�s a falar? Pareces um adulto parvo a falar.
Quero dizer... Tu sabes, tu e a tua m�e...
Achas que n�o temos dinheiro e por isso as pessoas v�m ver isto.
Podias cobrar as entradas.
Eles podiam ver o Nico e ficarias famoso.
Que grande ideia, Carolyn.
Idiotas por perto do Nico e depois querem mont�-lo.
Brilhante!
Depois algu�m vai dizer-me que � melhor lev�-lo para um laborat�rio
para fazer experi�ncias com ele.
- S� queria ajudar. - N�s n�o precisamos de ajuda.
- Se calhar n�o precisas de mim. - Ent�o n�o venhas com ideias est�pidas.
- Carolyn? Onde estavas? - Em lugar nenhum.
- Se calhar estava com o aleijado. - Cala-te.
O que est� ele a fazer agora? A brincar com o unic�rnio?
�s t�o est�pido.
Sou est�pido? O Billy alimenta um p�nei dizendo que tem um unic�rnio.
�s parvo.
Eu n�o ando com algu�m que diz que tem um unic�rnio.
O Billy tem um unic�rnio. Eu j� o vi.
Como assim: "J� viste?".
- Viste um unic�rnio? - V� l�, malta.
Estava a brincar.
Um unic�rnio, h�?
- Malta, que tal irmos ao cinema? - Sim, porque n�o?
Podemos fazer muito dinheiro, uma vez que o Billy tem um unic�rnio.
- Ele n�o tem. - E depois?
Podemos dizer a todos. Isso vai dar que falar.
- Os nossos nomes no jornal. - Vamos ficar ricos.
Isso mesmo, certo?
Adeus, Carolyn.
Sabes, Nico? Mais cedo ou mais tarde algu�m vai descobrir tudo.
N�o sei o que fazer.
Se te virem aqui, eles levam-te.
N�o?
Achas que n�o?
Consegues perceber o que estou a dizer?
Fixe!
- � uma boa hist�ria se for verdade? - � verdade.
- Viram este animal? - Sim. N�s j� o vimos.
- N�o � verdade? - Sim.
J� o vimos.
Sabem que mais, trazem uma foto e depois falamos.
Espere, espere!
Quanto ganhamos se existir mesmo um unic�rnio?
Acho que voc�s podem escolher a quantia.
Bem, vamos l� ver. Que tal cem mil d�lares?
- Claro, porque n�o? - A s�rio?
Eu disse-vos, malta. J� voltamos com as fotos.
Prepare o dinheiro.
Um unic�rnio. Acreditam nestes mi�dos?
C�us, vamos ficar ricos. � a melhor oferta de todas.
Vamos fazer de tudo para tirar as fotos.
- O qu�? O que andaram a dizer? - Vamos ganhar cem mil d�lares.
- S� precisamos de fotos. - Vou buscar c�mara do meu pai.
Arranja tamb�m uma. Vemo-nos na rua n� 25 e depois vamos para a casa do Billy.
Esperem! N�o podem fazer isso.
Carolyn? Est�s connosco ou com o aleijado?
- Quem escolhes? - Somos teus amigos.
- Tens de fazer uma escolha. - A s�rio, Carolyn. N�o tem piada.
O Billy tinha raz�o. Voc�s s�o uns idiotas.
Vamos embora.
Queres uma, Nico?
N�o precisas de ficar nervoso.
V�s isto tudo?
Parece um bosque.
Est� diferente e exagerado.
Sabes que mais, s� precisamos de uma pequena nascente como t�nhamos falado.
� incr�vel.
Fixe!
Billy? Billy? Onde est�s?
Estou aqui. Entra.
Desculpa. Perdoa-me. Por favor.
Est� tudo bem.
A culpa foi minha. N�o devia ter gritado contigo.
- S� querias ajudar. - N�o, n�o percebes.
- Disse a verdade sobre o Nico. - A quem?
- Ao Bruce e ao pessoal. - O qu�?
Eles estavam a gozar contigo. S� queria mostrar-lhes que n�o �s doido.
- Se calhar eles n�o acreditaram em ti. - Eles v�m a� para tirar fotos ao Nico.
Para o Jornal.
O que vais fazer, Billy?
Vamos buscar o nosso dinheiro.
Desapare�am!
Saiam daqui!
Saiam daqui!
Palermas.
Porque � que n�o v�o embora?
- Meu, a tua m�e � jardineira? - D�-me isso.
Sorri, travesso!
Vai buscar o unic�rnio para tirar as fotos.
- Onde est� ele? - V� l�, queremos v�-lo.
Diz-nos onde ele est�. Podemos dar-te algum dinheiro.
- Sim, certo. - Isso mesmo, vamos.
- Onde est� o cavalo? - Ele n�o est� aqui.
Saia da minha frente, aleijado.
O que fizeste ao cavalo?
Deixa para l�. Eu mesmo o procuro.
Unic�rnio? Lindo menino.
O que foi isto?
- Billy! Salva-me. - Nico, para!
Billy, ele vai matar-me.
- Parem! - Nem pensar.
Nem pensar.
- D�-me as fotos! - Voltem aqui, seus parvos.
- Est�s bem? - Diz � minha m�e o que aconteceu.
Precisamos de um lugar seguro para o Nico.
Diz-lhe que vou para a montanha rochosa.
- � muito alta. Vais morrer. - Vou ficar bem.
Diz-lhe que vou ficar bem.
- O que querem? - Queremos o dinheiro.
- Eu... - N�o, t�nhamos um acordo.
E temos. Eu... Preciso de falar com o meu pessoal.
� justo.
Justo.
Joe, � desta. Algo que andava � espera.
- Porque n�o disseste nada? - O qu�?
Tens uma grande hist�ria em m�os nunca contada.
Eu vi isto e fez-se luz na minha cabe�a.
A nossa estrela.
Joe, isto � o meu sucesso.
Meu Deus!
Tenho de ir, Joe.
- O Billy... - O qu�?
Sra. Hastings!
- O Billy! - Onde est� ele?
Vai escalar a montanha rochosa com o Nico.
Ele disse que vai ficar bem.
- O que vai fazer? - Tom, est�s a�?
Fala o Tom.
Recebi uma chamada de uma quinta aqui perto e h� um rapaz desaparecido.
Estou a caminho.
Fica aqui, Carolyn.
Quando o Tom chegar, diz que fui procurar o Billy.
Est� bem.
A not�cia que anda a circular foi divulgada pela "Prescott".
Parece que o mundo descobriu que existe um unic�rnio a viver numa quinta.
Billy Hastings de 11 anos...
Tom, est�s a�? Ouves-me?
Fala o Tom.
J� estou no local, n�o muito longe da quinta.
N�o consigo avan�ar. Preciso de refor�os. Entendido?
Vou ver o que posso fazer.
Julie?
Julie!
Billy?
Billy?
O que foi?
Tom, temos dois carros a caminho. Est�o quase a�.
Passa-me aos refor�os.
C�us.
Acho que ele j� nos viu.
A n�o ser...
Nem sei se consigo aguentar-me ou n�o.
� a �nica hip�tese.
Espera a�.
Billy?
M�e!
- Billy, n�o! - Tem de ser.
Billy!
Tem que ser, m�e. Querem entreg�-lo ou vend�-lo.
Tenho de lev�-lo para a pedra grande.
Se eu fizer isso, ele � libertado.
N�o podes fazer isso sozinho, Billy.
N�o posso deix�-los ficar com ele. Tens que despist�-los.
N�o digas para onde eu vou. Ajuda-me.
N�o � uma brincadeira, m�e.
- Prometo voltar. - Billy?
- Est�s a v�-lo? - Tomara que sim.
A m�e tamb�m est� l� em cima?
D�-me um minuto.
- J� chega, pessoal. - Viste-o?
- Como � que ele �? - N�o h� nada para ver.
� verdade ou n�o? Onde est� ele?
- Parece que viste algo. - N�o vi nada. N�o h� hist�ria.
Eu sei que est�o preocupados com o Billy, mas isto � uma opera��o policial.
Esta zona est� interdita. Quero que saiam daqui. J�!
- N�o podem afastar a imprensa disto. - H� uma vida em risco, posso fazer tudo.
Tenho homens no terreno para ajudar a procurar o jovem perdido no bosque.
- Espere um pouco. - N�o comeces.
Tenta ouvir uma vez.
David, leva as crian�as para a cidade. Coloca as bicicletas na carrinha do Joe.
Tudo bem, Joe? E verifica que ele sai daqui.
Tom, a constitui��o d�-me o direito de estar aqui.
Depois de eu resgatar o Billy e a m�e, podemos falar sobre a constitui��o.
- Vai embora. - Vamos andado.
Precisamos de cavalos. N�o conseguimos entrar nos trilhos.
Liga ao Luke Hapling e arranja o m�ximo de cavalos que conseguires.
Entendido.
Daqui fala o Tom.
Fala, Tom.
Vou precisar de mais refor�os da pol�cia estadual.
- J� pedi. Ter�o que esperar um pouco. - Precisamos j�. V� o que podes fazer.
Farei os poss�veis.
C�us, devagar.
Espera.
Conseguimos despist�-los.
Lindo menino. Vamos.
- Tom. - Julie!
Est�s bem?
- Sim. - Est�s mesmo?
Estou bem.
- Viste-o? - Sim.
Ele est� muito longe. N�o consegui apanh�-lo.
- Vi-o l� em cima... - N�o fales.
- Beba um pouco. - Bebe �gua.
Pronto.
Vamos encontr�-lo.
Muito bem, n�o vamos perder tempo. Est� a ficar frio.
Temos uma vida para salvar.
Vou ficar em contacto contigo.
- Fica bem. - Achas que temos cavalos suficientes?
Disseste para eu arranjar os que eu conseguia.
- Carolyn? - Carolyn, devias estar na cidade.
Por favor, sou a melhor amiga do Billy. Talvez a �nica amiga.
Ele d�-me ouvidos.
Tens raz�o. Vamos.
Fica por perto. Vamos l�.
- Viste-o ali, certo? - Sim.
� um longo caminho.
Tamb�m acho, mas ele veio por aqui.
N�o h� nada aqui, mas as coisas podem complicar-se. Tem cuidado.
Ei, amigo.
Estou. Fale.
O unic�rnio...
Sei muito bem onde ele est�.
Esta � a hist�ria de momento que est� a dar que falar.
Dois residentes esconderam um animal com medo de que houvesse testemunhas
para testemunhar. Segundo o "Prescott" o jovem Billy tem um unic�rnio.
Ele vai para as montanhas para salvar a criatura de ser levada ou vendida.
Ele acha que o v�o seguir nas colinas.
- Sargento, est�s a ouvir? - Sim.
- Est�o prontos? - Sim.
�timo.
A m�e vai conduzir-nos at� ao pico para fazermos o trilho at� l�.
Entendido.
- O Dobbs est� aqui. - Dobbs!
� mesmo um unic�rnio.
- Nunca estive na pedra grande, e o senhor? - Pedra Grande.
- O trilho n�o vai para a pedra grande. - O Billy disse que ia para l�.
- O qu�? - Foi o que ele me disse.
Ele disse que ia para l�.
Tive que dar-lhes uma oportunidade.
- "Eles"? - Ao Billy e ao Nico.
Julie, o Billy � o teu filho e o Nico � s� um cavalo.
Vamos dar meia-volta.
Cuidado, Nico.
Vamos l�, puto.
Apanho-o.
Apanhamo-lo depois, temos assuntos a tratar.
- Est�s bem? - Estou melhor.
C�us, eles est�o a seguir-nos. Assim v�o apanhar-nos.
Corre ou morres.
N�o!
Meu Deus!
C�us.
O que est�o a fazer?
- Ali est� ele. - Billy!
Billy, volta!
Billy!
Aquele cavalo est� a fugir daqui, ele vai levar o Billy para outro lugar.
- Creio que n�o consigo apanh�-lo. - Vamos apanh�-lo.
N�o sabemos para onde v�o, mas vamos descobrir.
Dobbs, tens mais uns passageiros.
O que � isto?
Unic�rnios.
Porque estamos aqui?
O que se passa?
Nico, que lugar.
Deve ser a tua casa.
A minha perna? N�o d�i.
Posso andar. Posso correr, Nico.
Posso correr.
Consigo sentir.
Consigo sentir, Nico.
Posso correr.
Para onde me levas?
M�e?
Bem, ela est� preocupada.
Acho que sabes, tenho de voltar.
Sim, eu vou. Quero que saibas que gosto de ti.
Nunca me esquecerei de ti.
J� n�o precisas disso.
Adeus.
Ali!
- Billy! - M�e!
Meu Deus! Olha para ti.
- Billy, a tua perna. - Cair j� n�o � um problema.
Ol�, Billy. Onde est� o teu cavalo?
Que cavalo?
Onde est� o Nico? Onde est� o unic�rnio, Billy?
Unic�rnio? Todos sabem que os unic�rnios n�o existem.
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