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Inspirado em fatos reais

Alguns eventos e personagens são frutos da ficção

10 de Janeiro de 2005

O ROUBO DO SÉCULO legendas @drcaio

As artes marciais, as artes plásticas...

todas as minhas atividades...

quero... que sejam...

uma coisa só. Quero que tenham uma direção natural.

Um filósofo disse...

que o bem maior para o ser humano

é encontrar uma vocação.

Uma verdade que seja autêntica para uma pessoa.

Uma verdade para qual possa

também dar a vida.

Então, seria importante...

apressar para encontrar essa vocação.

Não deve passar... não deve passar.

À força não se opõe mais força, porém, mais técnica.

Já disse isso mil vezes: não nos opomos

à força de um rival superior, em vez disso, a usamos.

Mão com mão.

Ponte.

- Viu? - Sim.

Bem. Vamos.

BANCO RIO

Sabe do que precisa para fazer um buraco assim?

Sebas, está na mesa.

Já vou, amor.

Que bruxa!

Se não fosse por ela não sei o que seria da minha vida.

Tenho certeza.

O que você disse?

Se fosse outro cara, diria que você está louco

e que é um babaca.

Você está maluco, mas não é babaca,

então eu sou o babaca

que quero saber em que porra você quer se meter.

Você vai precisar de carros

e ferramentas, e não tenho dinheiro.

Então, primeiro tem que encontrar um financiador.

Um financiador...

Você está louco. Onde quer que eu compre?

O Senhor está com vocês.

- E com Seu espírito. - Evangelho segundo São João...

No momento, não tenho um peso.

Mas, se posso te ajudar, conte comigo.

Alguém vem à mente?

- Elevemos nossos corações. - São dirigidos ao Senhor.

- Damos graças ao Senhor... - Tem um cara.

nosso Deus.

É bom e certo.

É bom e certo render graças...

Como se eu fosse para a Austrália, Meu Deus!

É só uma cuspida, vou apenas para Montevidéu.

Para minha pobre mãe ver

os netos que não via há muito tempo.

- Certo. - Ela é muito velha, coitadinha.

Sim, envelhecer...

- Sim... - E resmungou...

"Não me traga as crianças". “Mas mamãe, às vezes pode”.

- Temos que aproveitar... - Está certo.

- Bem, eu trouxe o dinheiro... - Não, não.

Me paga quando entregarmos a documentação.

Apenas alguns dias.

Verificamos os dados e é tudo seu.

Certo, mas eu já trouxe os 2.000 dólares.

- Não sei agora... - Não, mas são 2.000 pesos!

- Que boa notícia está me dando! - Mas, sim!

- Entendi errado por telefone? - Eu te disse 2.000 dólares?

- Foi o que eu entendi. - Desculpe, não é tão caro...

Meu Deus, por favor, não...

Que pena, não vou para casa agora...

não gostaria de levar esse

dinheiro comigo, posso deixar com você?

- Se for problema, me diga... - Não, não, não.

- Posso? Me faz um grande favor. - Sim.

- Não, imagine, não é nada. - De verdade.

- Vou deixá-los aqui. - Trago os 2.000 pesos.

- Sim, e te devolvo os dólares. - Por favor.

Sim, eles são seus.

E me diga, é casada há muito tempo?

- Bem, é isso. Pegue aqui. - Sim, 500, sim.

- Sim? - Vale a pena ver...

- Obrigada. - Claro...

Se o seu pai não vem... não te vejo nunca.

Tchau, um beijo.

Estou trabalhando... é por isso.

- E você como está, se cuidando? - Muito bem. Tudo perfeito.

Me cai muito bem.

O escritório de advocacia...

Gerencio todos os estagiários com mão firme, indo e vindo...

Não eram computadores?

Bem, no ano passado, sim. Mas não deu certo.

- De jeito nenhum. - Infelizmente, nada a fazer.

Feito.

Ótimo, isto é perfeito.

E, Lu, quando jantamos?

- Esta noite. Apareça. - Esta noite, não posso.

Não se meta em problemas, papai.

Mas que problemas, agora... Chega de problemas. Te amo.

Eu também.

CABELEIREIRA

Aqui está!

PERIGO ELETRICIDADE

Dá um oi para Larin!

Tchau.

Deus!

Meu Deus... estou sem fôlego. Que susto levei!

Também levei um susto.

Olha como ainda tremo.

Desculpe, se te assustei também.

- Como você se chama? - Carmen... e você...

- Eu sou Enrique. Gutierrez. - Enrique. Não...

Não, porque sou novo aqui. Eu comecei ontem.

Estou cumprindo uma tarefa...

Disseram para deixar tudo pronto para a assinatura amanhã...

Não encontro em lugar nenhum o testamento de Sananez.

- Sabe onde pode estar? - Não, eu cuido da limpeza,

não de testamentos ou qualquer outra coisa.

Que azar...

Por que não chama a Dra. Rosa, ela deve saber.

Assim vou durar muito pouco aqui!

- Está bem. - Não...

Bem, faça o seu trabalho, que eu dou um jeito.

Tchau, querida. Foi um prazer.

- Carmen, tchau. - Que bonita, Carmencita...

- Enrique, me disse... - Gutierrez. O estagiário.

Se perguntarem, o estagiário veio à noite.

- Certo. - Para o caso Sananez.

- Tchau, querida. - Boa sorte.

Mas onde estará...

Sananez, Sananez...

Alô, Mario. Aqui é Fernando Araújo.

Doc Debauza pediu para chamá-lo para um trabalho.

Neste momento estou no carro e você está entrando em um bar.

Gostaria de falar com você. Espero que não seja violento.

Se puder, vamos nos encontrar

na sexta-feira na sorveteria Via Flamínia.

É um lugar público,

para que possa se sentir confortável.

Não sou um psicopata.

Eu estarei lá às 17h.

Peço desculpas, se por acaso te incomodei...

Qual é a sua, idiota?

Por que está me seguindo? Quem é você?

Araújo. Fernando Araújo.

Que porra você quer? Tem uma arma?

- Tem uma arma? - Não se preocupe, não há nada.

- Não, nada? - Não.

Não se meta comigo, idiota! Quer me foder?

Fernando, quer me foder?

Quer me foder?

Marito, é o Doc.

Dei seu número para um amigo. Bom rapaz.

Trate-o bem, está bolando algo interessante.

Me conta.

Alô, Mario. Aqui é Fernando Araújo.

Doc Debauza pediu para chamá-lo para um trabalho.

Neste momento estou no carro e você está entrando em um bar.

Gostaria de falar com você. Espero que não seja violento.

Se puder, vamos nos encontrar

na sexta-feira na sorveteria Via Flamínia.

É um lugar público,

para que possa se sentir confortável.

Não sou um psicopata. Eu estarei lá às 17h.

Peço desculpas, se por acaso te incomodei...

Qual é a sua, idiota?

Ei, Fernandito.

- Mario. - Como vai?

- Bem? - Bem.

Faz muito tempo que não me vê.

- Você está bem? - Sim, sim.

- Sua tia? - A tia, bem.

Bem.

Olha, Fernandito, eu trabalho sozinho.

Não sei porque Doc falou de mim.

Porque você é o numero um.

Tem cabeça... culhões...

e dinheiro.

Tem filhos?

Mario, não se ofenda pelo que vou falar,

mas sabe porque você foi preso tantas vezes?

Não.

- Diga-me por favor. - Porque você rouba pouco.

Eu não fujo. Não sou um ladrão.

- Sou um ladrão profissional. - Tem razão.

Cada coisa com seu nome.

Proponho algo para você.

Um só roubo...

colossal.

Posso mostrar-lhe uma coisa?

Mas, no caixa para clientes, não tem dinheiro.

O banco central determinou que,

uma vez que tenha mais de 10.000 pesos,

o caixa deve depositá-los no cofre subterrâneo.

- Quer? - Não, não.

A parte substancial está no cofre,

onde o banco guarda o dinheiro

que serve para abrir naquele dia.

Quem imaginava que os bancos guardavam

no cofre a parte mais lucrativa!

Bem, onde quer chegar para me dar uma pequena ideia

sobre o que você quer me dizer?

Já vai ver.

Só um minuto.

O que está fazendo?

Calça 41, não?

Estamos a 18 metros de ser milionários.

Aqui em cima está o Banco Rio.

A maré chega até aqui?

Sim, em dois momentos do dia a maré está baixa.

Começamos a trabalhar em um e saímos em outro.

Mas se tiver uma chuva repentina não tem sinal aqui, como faz?

Temos que seguir a previsão do tempo

e entrar só quando fizer tempo bom.

Nada mal...

nada mal.

Oi, Lu.

Sabia que aconteceria.

Estou fora de mim: venho aqui feliz de jantar com você,

você sabe como sou fiel à pontualidade, bem...

não caio em um buraco no meio da calçada?

Me diga, mas pode acreditar em uma coisa semelhante?

- Terrível. - Pois é, vapt! E ele me engole!

Mas olhe um pouco.

- Fiz carne com purê. - Sim, bom.

- Sim, inutilmente. - Não...

Vou dormir porque amanhã trabalho, levanto cedo.

Quanto a você, tome seu vinho, relaxe, que para isso...

Não, Lu, não fique tão brava,

caí num buraco em plena avenida Santa Fé,

- que devo fazer... - Santa Fé, e quê?

- Que... - Diga, Santa Fé, e quê?

Bem... aquela com... Aona. Sim, Aona.

- Santa Fé e Aona. - Sim.

- Gaona. - Sim.

Viu como não posso contar com você?

Não, não, sempre pode contar comigo, por favor, lhe peço.

Você fumou um baseado?

Vende drogas agora? O que está acontecendo?

Está louca? Não sou mais viciado,

o que está dizendo?

Você cheira a maconha!

Já sei. Sim, vou explicar.

Não, paramos aqui. Basta.

Como poderia?

Lu?

- Luciana? - Fecha a porta quando sair.

Bem, vamos fazer um buraco

e entramos em qualquer sala do banco.

Todas essas salas possuem sensores de movimento.

- Sendo a primeira coisa... - A temperatura.

Instalei o mesmo sistema aqui, na semana passada.

E já sei como funciona.

O sensor de movimento não identifica os movimentos,

mas...

a diferença de temperatura.

Um momento...

Vai ser difícil ser feito...

De onde veio esse boneco? Ele vai à missa com você?

Calma, Mario, dê uma chance a ele.

Se você não gostar do que ele mostrar, vamos embora.

O cara não é nenhum idiota.

Vê?

Usando esses trajes feitos de sacos

de dormir para grandes altitudes

o sensor não detecta...

a temperatura corpórea, e não dispara o alarme.

Então devemos entrar no banco

disfarçados assim, com sacos de dormir?

Sim.

Sim.

Com esses trajes, vamos poder... andar...

tranquilamente por todo o banco

sem que o movimento dispare o alarme.

- Tranquilamente. - Tranquilamente.

E como planeja abrir o cofre do banco?

Me dê tempo para isso.

Agora precisamos de uma planta do banco.

ESTACIONAMENTO

Por favor, venha comigo, senhor.

- Está bem. Qual é o motivo? - Me acompanhe.

Sinceramente, não entendo o porquê.

Por quê?

O que você suspeita?

CAIXAS DE DEPÓSITO DE SEGURANÇA

Você está equivocado, eu não estava tirando fotos.

Estava olhando o menu.

Não estava tirando foto.

Por favor, sou um artista. Tudo isso é ridículo.

Bem, lhe devo desculpas, senhor.

E quem me paga por esse constrangimento?

- Não, quem me paga? - Ninguém, senhor.

- É o nosso trabalho, não? - Bem...

Eu deveria falar agora com a Secretaria dos Direitos Humanos.

- E, não... - Por favor, não crie problemas.

Planta baixa.

Aqui há um bueiro com o medidor.

Subsolo. O cofre do banco está aqui,

mais ou menos nesta altura.

E aqui, as caixas de segurança. Centenas

Mas a nossa porta de entrada...

será esta.

Que é uma salinha onde me detiveram:

esse lugar é perfeito para entrar.

Então...

profundidade no esgoto, 18 metros.

Agora, o que precisamos saber

qual a distância entre o poço de inspeção e o banco.

Não pode esticar um metro na rua,

tem a guarita de segurança

- e o guarda do banco. - Tem razão.

Pensemos outra coisa.

7 metros e 10 centímetros do poço de inspeção ao banco.

18 metros de profundidade até o canal de drenagem.

Temos os dois lados de um triângulo e assim podemos...

encontrar a hipotenusa.

- A hipotenusa, o quê? - Vá, vá, vá, vá!

Exato.

O túnel, daqui até aqui, assim. Viu?

E este ângulo, ângulo de inclinação,

se calcula com o arco tangente.

Arco tangente: 2º ano de Geometria.

E esse idiota, atrasava nas aulas de Geometria também?

Era sempre o melhor da classe.

Sempre com essa merda, não?

Merda, não, Mario.

Isto é uma experiência sensorial... sim?

Tudo o que você pensa, ou que produz sob cannabis

é o contrário da tensão.

- Estado cannábico. - Tudo ao contrário. Olha...

isso... me aguça a observação

Eu fumo... e fico super concentrado.

Por isso o coloco num planejamento como este.

Se não tivesse fumado maconha,

este roubo não teria o equilíbrio que tem.

Não te faz falar?

Você não percebe mas fala, fala, fala.

Quando alguém comete um ato imoral, como roubar um banco,

quanto mais pensa sobre os efeitos

secundários que irá produzir

com a maior empatia e ética pessoal possível,

muito melhor será a reação social consequente.

A coisa é assim.

Aqui ninguém vai passar fome até o reembolso do seguro.

Inclusive haverá alguém que vai declarar mais do que tinha

guardado.

Aqui não há danos reais.

O banco perde sim, mas as pessoas ficarão encantadas.

- Equilíbrio... - Natural.

Em suma, ouvindo você, qualquer um quer ser roubado, sério.

Por que não deixa um recado para os detentores das caixas,

explicando tudo isso. Ficarão encantados.

Agora, realmente quero saber como você vai abrir o cofre.

Você continua com o equilíbrio natural

e eu continuo esperando em vão?

Me fala, só para eu ter uma ideia.

Desculpe pessoal, tive que levar Lolito a um aniversário.

Não queria ficar. Fez um escândalo!

Vamos, porque temo não chegar nesse equilíbrio natural.

Fala, fala, fala, como fala!

Aqui está, chegamos.

- Devíamos ter mais gente. - Vamos trabalhar, pessoal!

- Está vendo? - Sim.

- Sostienilo. - Sim.

Opa!

- Vai baixá-lo? - Sim.

- Cuidado com o corte! - Sim.

Como pensa em abrir a caixa?

Com uma alavanca, como antigamente.

- Você é um romântico. - Não sei.

Não sei, depois de forçar a vigésima ou trigésima caixa,

se forma ácido lático, músculos enfraquecem,

há mais chance de acidentes. Temos que encontrar outro jeito.

Que acidente? Temos 12 horas para abrir algumas caixas.

Se fosse um fim de semana levaria mais de 48 horas.

E um maçarico? Basta um minuto para abrir uma.

Calculamos mais de 400 caixas de segurança,

com um maçarico seria 1 minuto, ou 1 minuto e meio, por caixa.

Ficaríamos 7 horas dentro do banco. É muito tempo.

Tem que ser mais rápido. Precisamos estudar a fechadura.

E como estudamos se nenhum de nós conhece o cofre.

Temos que alugar uma caixa.

Fazendo isso, teriam nossos dados.

Não nesta agência, Mario, em outra.

- Vai querer? - Não, passo.

Acabe essa coisa, me faz morrer!

- Sr. Vitette. - Obrigado.

De nada.

- Numero 8-20. - Sim.

Perfeito.

Tudo bem?

Sim, sim, tudo bem por hoje.

Agora, só faltaria...

ajustar o túnel para 69 graus.

Precisamos de um teodolito.

- Um quê? - Um teodolito.

O ângulo de escavação deve ser preciso,

senão vamos sair na locadora em frente.

Temos que comprar um.

- 3.000 dólares. - Bem, por que não roubá-lo?

- Não podemos. - Por que não?

Equilíbrio natural, Mario.

- Continua com essa bobagem? - Não é bobagem.

Quanto mais terei que gastar? Está brincando comigo?

- O resto está bem, Fernando? - Estou trabalhando nisso.

- Eu resolvo isso... - Pode me ouvir um momento?

Um tripé, um transportador...

e um apontador laser.

Teodolito.

Vamos? Disse para minha mulher que fui pescar.

Certo, é ali.

Mais 100 e chegou.

Onde merda vai ser isso? Deixe-o funcionando.

Estamos gastando gasolina por nada.

Você é novo, sei que falam muito bem de você, mas não te conheço.

Vou explicar o quadro da situação,

para que você entenda melhor o panorama.

Estamos em uma perua roubada, e você roubou uma muito estranha,

esperando um idiota que deveria estar aqui e não veio,

e além disso, neste bairro de merda...

Então deixa ligado, porque se houver qualquer surpresa...

- podemos sair correndo, certo? - Certo.

Faça o que ele mandar.

Agora, estamos todos ferrados. Realmente queríamos.

Que merda, por favor!

- Salve. - Salve.

O que estão fazendo?

Esperando um amigo, mas parece que não vem.

- Me passa o documento? - Sim, claro.

Qual é o problema, senhor? Estamos em uma democracia!

Não há dúvida, senhor.

Documento...

seguro...

Quem é Walter Galarraga?

- Meu tio, policial. - Seu tio.

Salve, algum problema?

- Olá, rapaz. - Salve.

- São nossos amigos. - Sim.

- Chela, foi você? - Sim, Mami, eu chamei.

É que fiquei preocupada.

Você sabe, vi essa perua,

essas caras... essas pessoas.

Desculpe, policial, desculpem, rapazes, desculpe.

- Chela... - Está bem, está bem.

Muito bem, senhora. Foi uma boa atitude.

Cuidando da segurança da vizinhança. Parabéns.

- Tudo certo agora? - Sim, tudo bem.

- Obrigado, policial. - Bem...

E...

o que você acha, primo?

- A embreagem puxa muito? - Parece um pouco curta.

Você não pode retirar?

A perna não vai esticar.

É pesado.

Como está se sentindo?

Pelo que eu sei, bem. Sinto que esforço.

Conserto o carburador porque tem mais chance de recuperar.

Está bem.

Vamos começar.

- Se você puder. - Acho que sim. Sim.

Vai falar ou perguntamos?

- Falar de quê? - O que sua mulher faz aqui?

Onde devo colocá-la se ela mora aqui?

Devíamos ter ficado sozinhos.

- Não foi dito nada. - Como?

Não foi dito nada.

A "turca" não vai falar.

Ela também está nisso. Nunca me traiu, vai fazer isso agora?

Não, o que estou dizendo é que você tem um vício, que é foder.

- E isso não é bom? - Sim, isso não é bom.

E o que tem a ver as mulheres com a fé?

Foder também é um ato de fé, ou não?

Cuidado! Cuidado!

Cacho?

Daniel?

Tito está fora do jogo.

Sim... sim...

se juntar algum pedaço, já que não tem mais terra.

E o túnel ficou com a mesma largura.

Então foi só essa parte.

- A broca está destruída. - Não, vamos interromper.

- Amanhã compramos outra. - Não, basta, paro aqui. Basta.

Fizemos mais da metade do túnel, estamos a 7 metros do banco.

Apenas me diga se você sabe como abrir o cofre.

Falta mais do que pensei mas vou resolver.

Tudo isso é em vão.

Não existem soluções impossíveis.

- Há problemas mal colocados. - Chega de bobagens.

Basta!

Isto é para profissional.

Estamos apostando em tudo: segurança,

tempo e, no meu caso, dinheiro.

Até agora eu te dei corda, Fernando, chega.

Quer viver uma aventura? Vá, pule de pára-quedas,

bêbado, faça o que você quiser,

simplesmente preciso saber como abrir o cofre. Responda.

Dentre todos, qual é você?

Sírio.

O olho do céu.

Gosto de Sírio. Gosto do nome.

É uma loucura, porque se você começar a pensar...

estamos vendo o passado das estrelas.

A luz leva anos para chegar aqui,

então algumas já não existem.

É verdade.

Achamos que existem, mas elas se foram.

"Achamos que existem...

mas elas se foram"!

- Quem é? - Fernando.

- Estou com gente. - Mario, preciso conversar.

Fernando, eu te ligo amanhã. Não me enche o saco.

Espero.

Está bem, suba mas não bata na porta.

Mario. Abra para mim.

Mario.

- Estava ocupado. - O que você quer?

- Já resolvi. - O quê?

Tudo.

- Você fumou? - Isso não importa.

- Vamos ver. - Mario, os bancos

estão bem protegidos quando estão fechados,

e estão bem protegidos quando estão abertos,

mas as medidas são diferentes.

Existem boas medidas de segurança

para evitar roubo do caixa.

E boas medidas de segurança para evitar o "buraco".

Mas, até agora, ninguém nunca criou um sistema de segurança,

no caso de que aconteçam...

as duas coisas ao mesmo tempo.

"Buraco" e "roubo express".

Então, nós...

entramos no banco...

quando está aberto ao público.

- O cofre estará aberto... - Sem alarmes.

Para a polícia...

deve ser algo normal,

um roubo expresso, de ladrões que roubam caixas de clientes.

Mas as coisas dentro do banco se complicam...

e nós, o que fazemos nesse momento?

Fazemos "cuco'".

Relógio "cuco"...

Mostramos que não queremos fugir pela porta.

E se a polícia acredita que não queremos fugir pela porta,

porque é um roubo express,

jamais vão pensar que temos um "buraco"!

"Buraco" que usaremos não para entrar no banco, mas para...

Sair!

Como se chama?

Tensão...

relaxamento.

Tensão...

relaxamento.

Tensão...

ESTACIONAMENTO

Senhoras e senhores isto é um assalto.

Quero todo mundo deitado no chão! Vamos, todos!

- Todos! - Todos para baixo!

Quieto aí, ou vai acabar mal!

Você também no chão. Para o chão!

Não olhe para cima.

Eu disse para ficar abaixada ou vou te matar!

Delegacia de Acassuso?

Serrano, do Banco Rio. Estão roubando o banco!

Me dê o dinheiro! Vamos, encha! Tudo! Encha, encha, eu disse!

Você também, idiota! Vamos, mexa-se!

Vamos!

Não seja um idiota, encha. Ponha tudo na maleta. Vamos!

Vamos, coloque mais! Mais. Tire-os daqui!

- Não tem mais. - Aqui, porra.

- Não tem mais! - Não seja idiota!

Continue enchendo também!

Etapa 1: "Cuco".

Venha, venha! Levante.

Faça o que digo e não acontecerá nada.

Cuco!

Continue enchendo!

- Pare, polícia! - Não! Não, não, não atire.

Nem você. Saia daí.

Largue a arma!

Solte-o!

Entre.

- Não, não olhe. - O que aconteceria?

Então.

- Etapa 2: "Bunker". - Bunker.

- Venha, você. Venha. - Eu?

Você, anda. Anda!

Vamos, venha aqui. Vamos, vamos.

Vamos, venha aqui.

Vamos, vamos.

Na escada. Vai devagar, que não acontecerá nada.

Vamos! Vamos. Cale-se.

Vamos, vamos, saia.

A bolsa, olha aqui.

Vamos.

Vamos!

Saia, ou vou matá-la!

Martin, por favor abra!

Martin, abra, Martin!

Martin, por favor abra!

- Ainda não vi meu sobrinho! - Vamos, Martin!

Não atrapalhe tanto. Não temos nada a perder.

A polícia está lá fora.

Não complique as coisas. Vamos. Venha, venha.

Não complique tudo, vamos.

- Saia ou a mato - Eu conheço ele. Vai matá-la.

Pare ou ele ficará mais nervoso.

Não acontecerá nada, mas saia. Vamos.

Saia.

Bem... você se fez o bonzão, não?

Está bom.

Pare que isso aqui tudo vai para o inferno!

Entregue-se!

Não machuque ninguém. Você está cercado!

- Tome, pegue aqui. - Não.

Sem problema. Vamos, vamos, vamos.

Me dá o seu celular.

Todos com a mão para cima!

Se querem falar comigo, será por aqui.

Anda, senão me arrependo. Vamos. Anda.

Entregue-se!

Não se façam de espertos! O banco está cheio de reféns.

- Você, daquele lado. - Primeiro vou para o outro.

Saia daqui e eu te mato.

Etapa 3: "Câmeras".

Etapa 4: "Romper", Pepe.

Termino?

Etapa 5: "Canhão Power".

- Como se chama essa besta? - Canhão Power.

Já.

Tempo.

7 segundos!

Etapa 6: "Tempo".

Vi que estava prestes a fugir com um refém, mandei parar

e não poderia fazer mais nada do que voltar para o banco.

Depois de um tempo, libertaram Serrano.

Sim, entraram 4 ou 5.

4 ou 5?

Eu vi 4, senhor.

Eles têm uma pistola, um fuzil...

Puseram o capuz, tentaram roubar o caixa do primeiro andar

mas viram que estavam cercados...

- Quantos reféns são? - Entre funcionários e clientes,

- cerca de trinta pessoas. - Câmeras?

Eles entraram no bunker, mas há um novo sistema de segurança

que salva a informação em um disco rígido na central.

- Bem, o que mais? - Pediram meu celular...

- e devolveram minha arma. - Sua arma de trabalho.

Sim.

Talvez tenham feito de propósito,

para evitar uma sanção disciplinar.

E se fossem colegas?

Não tenho ideia, senhor.

O que foi, rapaz?

Estou mijando.

Não estou ouvindo.

Estou mijando.

Não pode esperar?

Vá mijar naquele vaso.

O que foi, rapaz? Não quer sair?

Não olhe para ele, Doc.

Que porra está acontecendo lá em cima? Você ouviu?

Estão subindo no telhado.

Bastardos, querem entrar no banco.

Vamos atirar neles.

- Alô? - Alô, alguém me ouve?

Sou Miguel Sileo,

responsável para solucionar toda essa confusão.

Vou falar com você?

Alô?

Toma.

O que é isto?

É o manual de negociação do Grupo Halcón.

- De onde você pegou isso? - Um amigo juiz.

Assim que a polícia souber do roubo

em poucos minutos estaremos cercados:

alguém tem que mantê-los ocupados

enquanto abrimos os cofres.

- Tem que ser você. - Como, eu?

Você é louco.

Eu sou um ladrão. Subo nas varandas, chuto o balde

faço mal se houver necessidade, mas isso é outra coisa, não.

Mario?

Você tem que atuar.

Não é tão difícil.

Você tem que fazer.

Tensão, relaxamento, tensão, relaxamento.

Quero que tenham o tempo todo,

enquanto fazemos os exercícios.

Atuar é ação, ou não?

Conectem-se com outras pessoas que vieram para a aula,

e começa a entender onde somos diretos. Vamos, Mario.

Divirtam-se! Dividam o espaço!

E expire! Tensão, relaxamento.

Não precisa ser apenas mental!

Qual é o seu animal, Mario?

Vamos, libere seu animal interior.

Teso! Agora!

Tenso! E...

solto!

Gente, isso é importante! Nunca sair de cena,

sempre em cena, para a cena, com o outro.

Invente formas. Imagine. Atuar é imaginar. Agora!

Alô, alguém está me ouvindo?

Alô? Tem alguém aí?

Tire todo esse pessoal que está no telhado.

Não quero ver um maldito policial

ou vou matar um refém vivo,

diretamente. Ouviu?

Me dá um minuto.

Está chegando um helicóptero do grupo Halcón,

em que setor pode pousar?

Muito bem. Está mais calmo?

Agora sim, está bem.

Por que não recomeçamos?

Meu nome é Miguel Sileo...

- Qual é o seu nome? - Me chamo Walter.

Olá, Walter, peço que fique calmo,

me diga o que você precisa. Como posso ajudar?

- Quem é você? O negociador? - Sim, sou o negociador.

Bem, onde você está? Quero te ver.

Aproxime-se. Aproxime-se, por favor, vamos.

Olha.

Esse é você.

Se tem algum idoso ou alguém nervoso, por que não soltá-lo?

Libertei um há um tempo, sem machucá-lo, o que mais quer?

Calma, não vai acontecer nada.

Se ninguém fizer uma cagada, não vai acontecer nada.

Você cuida do que acontece fora e eu cuido daqui dentro.

- O promotor chegou? - Está vindo.

Fale para ele se apressar. Dou uma hora. Vamos.

Tensão...

relaxamento.

Tensão...

relaxamento.

Tensão...

relaxamento.

Tensão...

A frente da rua é toda controlada

por câmeras de vídeo: há duas entradas,

a porta principal e o estacionamento.

Não sabemos onde estão agora os reféns, onde os mantêm.

Talvez distribuídos em 3 andares, ou...

vão trocando de lugar. Não sabemos onde estão.

O que você imagina, promotor?

Por enquanto, há tentativa de roubo.

Posso ir ao banheiro, por favor?

De novo, filho?

Você sabe que é um chato? Sim, você sabe.

- Levante-se. - Não, tudo bem.

Levante-se e venha comigo. Anda, vamos.

Sem problema, venha.

Calma, venha Você urina em si mesmo?

Sem problema. Calma, calma.

Não tenha pressa, Sileo.

Walter?

Olá, Miguel, e o promotor?

- Me dê tempo. Está vindo. - Mas vem de triciclo?

Dou a minha palavra que estou fazendo tudo que posso,

mas você tem que me ajudar... um refém.

Liberte um refém, para que pensem

que você também quer um final feliz.

Entende?

Calma rapaz, está tudo bem.

Agora, sim, você vai urinar com prazer.

Mije no carro da polícia, vamos. Faça, faça tudo, vamos.

- Venha, venha. - Venha, venha aqui!

- Vamos, venha aqui! - Vamos! Rápido, rápido!

Temos ele, vamos, vamos! Vamos!

Vamos.

Olá, sou Miguel Sileo do Grupo Halcón.

Vou lhe fazer umas perguntas.

Me diga quantos ladrões você viu?

Arma, que tipo de arma?

Os reféns estão todos juntos ou estão separados?

Fique calmo...

Walter, obrigado por soltar o rapaz.

De nada.

Talvez na próxima vez me mande alguém que possa falar algo.

- Como estão as coisas aí? - Bem.

- Aguento bem. - Estou com o promotor:

violação da liberdade... tentativa de roubo...

essas são as coisas contra, mas você não machucou ninguém,

sem ferimentos e, portanto...

encontre um bom advogado e saia imediatamente.

Se ficar ainda muito tempo, as coisas podem piorar...

Suponha que um idoso morra... eles vão culpar você.

Então não posso te ajudar.

Quer saber, Miguel, os rapazes que estão comigo são jovens e...

eu não os controlo bem: eles não querem

voltar para a prisão, entendeu?

- Quer que eu fale com eles? - Não se preocupe...

Eu vou acalmá-los.

Vamos Marciano, que aqui tem...

De quem é este celular?

- De quem é este telefone? - É meu.

Desculpe. Acontece que... é meu aniversário.

Calma, vovó. Calma.

Não, não precisa ficar preocupada.

Não tenha medo, vovó.

- Sem problema. Seu aniversário? - Sim...

Que lindo... Qual é o seu nome?

Susana.

Feliz aniversário, Susy.

- Ei, Doc? - Sim.

Por que não encontra um doce, algo para colocar uma vela.

Alguém tem um doce?

- Para Susanita poder comemorar? - Eu tenho. Aqui está.

- Me dá aqui. - Fique calma.

Isto acabará logo.

É o Ramirez, tenho novidades.

Tenho dois corvos e um canário e uma senhora idosa.

Estão trazendo para um alfajor com um fósforo aceso.

Parecem estar comemorando o aniversário.

Está brincando, Ramirez?

Parabéns pra você

O que é isso? Um velório? Vamos!

Parabéns pra você

Parabéns, Susanita

Parabéns pra você!

Bravo!

E agora um presente nosso, Susy.

Vamos para casa.

Sim, agora. Vamos.

5, 6, 7, 8, vamos!

A sua bolsa, meu amor.

- Vamos para casa, Susy. - Sim...

Comemorar o aniversário com os netos.

- Sim. - Eu te peço um favor, meu amor.

Este é um presentinho para o policial que vai recebê-la.

Diga a ele: "Walter mandou para você".

E se perguntar "como Walter te tratou?", você diz "fantástico!"

Diga "Nos comportamos tão bem com ele".

Então... tchau, meu amor, tchau.

Senhora, chegue mais perto!

Tchau, tenha uma bela festa!

Pronto. Venha, senhora.

Tchau, minha vida!

Calma, calma. Venha.

- Vamos, pronto. Cuidado. - Vamos, vamos.

Miguel, eu te libertei uma vovozinha.

Obrigado, Walter. Falou com os rapazes? Como está tudo aí?

Mal. A situação ficou complicada agora.

Porra.

A coisa pode terminar melhor do que pensei.

Viemos fazer uma coisa rápida

mas demorou tanto que foi tudo por água abaixo. Uma vergonha.

Entregue-se, é o que deve fazer.

É fácil falar, Miguel.

Olha, vou te dizer...

Faz 2 semanas que saí depois de ficar 15 anos preso, Miguel.

Está entendendo o que quero dizer?

Sim, eu entendo. Mas quanto mais o tempo passa,

mais complicado fica, entende? Tem que se entregar.

Divino, divino, não posso acreditar, não posso.

Comandante, Sniper 1, alguma novidade?

- Corvo de terno cinza na mira. - Entendi, Sniper. Mantenha.

Não, não vou voltar para a prisão, não, não.

Walter, você é inteligente, não?

- Acabou. - Sim, sei que acabou.

Por favor, traga o promotor aqui

para garantir que eu saia daqui vivo,

e que não vão me bater... porque você sabe que é assim.

Eu trago o promotor,

mas depois de falar com ele o que você vai fazer... é sair.

Entregar-se.

- Eu só posso fazer isso. - Sim, sim.

Tenho pessoas acima de mim, poderosas, são eles que decidem.

Eu sei. Já sei disso tudo.

- Me escute. - Que azar.

Suspeito fora de alcance.

Tchau, Miguel.

Olé!

Disse que vai se entregar.

E o que você acha?

Há algo estranho.

Que merda...

O que aconteceu?

Está superaquecido. Tem que esfriar.

- Alô? - Walter, vai falar o promotor.

- Vou passá-lo. - Certo.

Mario, precisamos de mais tempo.

O que houve?

Boa tarde, Walter, aqui é o promotor Chester.

O Power superaqueceu, é necessário

mais tempo para esfriá-lo.

Alô? Alô, alô. Walter?

Walter?

Miguel, está aí?

Sim, com o promotor. O que houve?

Que sobrenome disse o promotor? Chester?

Sim.

Esse idiota, filho da puta?

Esquece, Miguel! A última vez que bateram em mim.

Esse rato de esgoto não levantou um dedo por mim.

- Posso garantir que... - Cale a boca, delinquente!

Lembra de como você riu quando o inspetor bateu na minha cabeça?

Você está confundindo, Walter.

Estou confundindo? Eu? Estou confundindo?

Seu idiota desgraçado você vai me por de volta lá?

Me por de volta lá?

Eu te digo uma coisa: vou me entregar

somente através do meu advogado.

Caso contrário, não tem nenhuma conversa.

Calma, Walter.

Eu ficar calmo? Fascista de merda!

Me passa o Miguel.

Walter, me dá o número do advogado

e já ligamos para ele.

Então acabamos com isso. Me dá o número.

Agora vou te dar o telefone do meu advogado, já vou passar.

- 15-4... - 15-4...

- 6-5-9... - 6-5-9...

2-8-1-1.

28-11, e o nome?

Juan Carlos Mendizabal.

Diga a ele que eu sou "o homem do terno cinza".

Tem dúvidas sobre mim? Sou uma pessoa irrepreensível.

Começou.

E chega em um segundo?

Quantas vezes vou ter que falar, meu Deus!

Mas é tão difícil, eu te disse, a história dele... Sim, quem é?

- Dr. Mendizabal? - Sim, quem é?

Sou o Promotor Chester da Promotoria de San Isidro.

Aqui, agora, foram feito reféns no Banco Rio em Acassuso

e um dos ladrões pede a sua presença.

Parece que é cliente seu.

Sim, mas tenho tantos clientes,

me diga pelo menos um nome. Quem é?

Se identificou como o "homem do terno cinza".

Mas que coisa estranha. Se apenas saísse!

Doutor, esse homem tem um monte de reféns, entende?

Bem, me dê o endereço e já vou para aí.

Libertador e Peru.

Muito obrigado, já estou saindo.

- Sonia, vou sair. - Bem.

Ele já vem.

Parou novamente.

Quanto tempo tem ainda?

Demos 5 minutos.

- Vamos, Ferdi. - Tenta agora.

O que houve? Como está indo?

Conseguimos?

Tudo bem?

Mas não te interessa o dinheiro!

Não, não é o dinheiro, não.

Brecht perguntava o que é pior roubar um banco, o fundá-lo.

Você está se justificando.

Não. Não...

Não sou um Robin Hood.

Acontece que estou completamente tomado por este pensamento.

Eu me levanto e vou para a cama, sempre pensando no plano.

Acredito que seja perfeito.

Um planejamento, Fernando, começa falhar quando seu criador

acredita que tem um plano perfeito.

Isso Brecht não disse.

Eu estou dizendo.

Etapa 7:

"Armas e corrimão".

Armas e corrimão!

Vamos, seu idiota.

Doc.

Anda.

Etapa final: "Fuga e Reunião".

Certo.

Walter?

- Falaram com meu advogado? - Sim, está vindo.

Sabe o que estava pensando, Miguel?

Já estamos aqui há um bom tempo.

E antes de nos entregar gostaríamos de comer algo.

E o que querem comer?

Peça-nos 5 pizzas.

Muito bem, 5 pizzas. E para beber?

Coca-Cola.

Que não demore muito,

porque não quero passar a tarde esperando.

Walter.

Walter?

Que bastardo...

Estavam prestes a sair. Por que estão ganhando tempo?

- Ou para quê? - Estão bloqueando as entradas.

Ou se preparando para um confronto.

- Mas... - O que mais pode ser?

- Sileo? - O quê?

- O diretor do banco. - Sou o diretor.

Diga-me, existem saídas que não são

a entrada, o telhado ou o estacionamento?

- Não lhe disse o suficiente? - Me responda.

- Não, não há mais saída. - Tem certeza?

Sim. Por favor.

- Cuide das pessoas. - E o que fazemos aqui?

- Mas vá embora! - Venha por favor.

- E, quem me paga? - Já vamos pagar.

Chefe, as pizzas chegaram.

O número chamado está fora da área de cobertura.

O número chamado está fora da área de cobertura.

Que bastardo.

Tome o dinheiro.

Bem.

Quem falou?

Quem está falando?

Quem foi?

O que está falando, Mario?

Por aí, começou a espalhar o boato.

Fala do Banco Rio também.

Uma pena, pensei que fossemos profissionais.

Aqui ninguém abre a boca.

Bem, legal o que você diz.

Isso é o que eu quero verificar.

Talvez estejam falando sobre outro "trabalho".

Você acha? Bem, pode ser.

- Fique calmo, Mario. - Calmo? Estou muito calmo.

Só quero saber quem falou demais.

Ferdi.

Mario, está falando bobagem.

Sim?

- Eu estou falando bobagem? - Sim, você.

Pare, pare.

- Viu o que disse esse babaca? - Pare, pare, pare!

- Estou falando bobagem? - Está falando.

Chega, Mario, abaixe a arma.

Mario, abaixe a arma.

Puta merda, quem falou?

É de brinquedo, idiota.

Vá se foder, uruguaio.

Desculpe, desculpe, pessoal, mas queremos que ficasse claro

um ponto importante: não vamos

entrar no banco com arma de verdade,

- usaremos réplicas. - Réplicas!

Isso é uma piada?

Se você bebeu, todos vamos beber.

Não precisamos de ninguém que trema as mãos e escape um tiro.

E se escapa deles e temos que nos defender?

Depois do massacre de Ramallo, nenhum

policial se atreverá a entrar no banco.

Enquanto houver reféns, nenhum tiro será disparado.

Além disso, se nos pegarem...

as réplicas...

evitarão vários anos lá dentro.

Acreditem em mim, o plano é perfeito assim como está.

Mas, se alguém tiver alguma dúvida, que fale agora.

Sim, eu. Como a policia saberá que usamos réplicas?

Todos calmos, sim? Fiquem assim onde estão.

Não, para baixo, olhe para baixo.

Assim. Vamos, assim.

Fiquem calmos, está chegando as pizzas...

Não sei como fizeram isso, mas saíram do banco.

Para os esgotos. Sabe o que fazer?

O pessoal do Ramirez entra no esgoto,

nós vamos por cima e os prendemos.

- Não. - Como não?

Não sabemos se estão dentro ou não.

Não pode dar mais tempo!

Não vê que vieram para isso? Não atendem o telefone,

não pegam a pizza, isso

mostra que não há ninguém no banco.

- O que precisa? - Não me confunda.

- Não é assim. - Isso me confunde

Estou dizendo não e sou eu no comando!

- Sim... - Vou sancionar!

- Não vê a realidade! - Não basta para entrar.

Se há uma encruzilhada, que cabeça vai rolar?

- Que encruzilhada! - Que cabeça vai rolar, Miguel?

Minha irmã está ligando de dentro!

Põe sua vida em perigo, senhora!

- Alô? - Por favor, deixe-me passar.

Desligue o telefone dela, por favor!

Por favor desliguem seus celulares!

- Está ligando de lá! - Chamam de dentro, chefe.

Por favor, desliguem os celulares, por segurança!

- Preparem-se para entrar. - Desliguem os celulares.

Reagrupar! Avançar!

Atenção! Polícia!

Polícia!

Fora! Fora! Fora!

- O que acontece agora? - Acontece,

por querer economizar na puta que pariu do motor.

Eu disse quanto custava um novo e não gostou.

Você disse que reconstruiu. Temos milhões de dólares,

- o que são dois mil pesos? - Diz isso agora, Felício.

Estamos prontos. Vamos com os remos.

E com o dinheiro? Como vamos fazer?

São muitos quilômetros para levar a pé.

Sim, levaríamos mais de três horas.

Pensei usar bote inflável.

A motor? Não há profundidade.

Então, se descobrirem o plano do esgoto,

estarão nos esperando no rio.

Pronto, estamos fritos.

- Tem razão. - Podemos construir um dique.

- Feito? Podemos ir? - Vamos! Vamos!

Isso, isso! Reto, reto!

Vamos, vamos,vamos!

Vamos, rápido! Vamos!

Isso. Continuamos! Continuamos.

Esquerda, esquerda.

Ajude-me!

- Eu os persigo! - Tem armadilhas!

Eu os persigo!

Vai! Vai, mais forte! Vamos!

Vai, vai, vai...

Vamos, vamos.

Muito bem, Mario.

Senhor, tenho novidades.

As armas encontradas são réplicas. Repito, são réplicas.

Nutria1, a Nutria2, me ouve?

- Nutria1, a Nutria2, me ouve? - Te ouço.

Vamos!

- Polícia! Identifique-se! - Sou Sileo!

Não, não...

Esta deve ser a kombi mais cara do mundo.

BANCO RIO

Que filho da puta!

NO BAIRRO DE RICOS SEM ARMAS NEM RANCORES

É SOMENTE DINHEIRO E NÃO AMORES

Incrível!

Parabéns, pessoal.

Parabéns. De verdade.

Agora, modestos.

E discrição.

Na história da polícia argentina não me lembro de uma gangue que

agiu com tanta organização, tanta técnica e tanta sorte,

quanto a que fez o roubo do Banco Rio.

Evidentemente uma gangue muito preparada, mas estejam certos...

todos, que em breve estarão tomando mate na cadeia.

Mais tarde novas informações de nossa Unidade Exclusiva...

Nome?

Meu, ou do meu marido?

Dele.

Alberto de la Torre, meu marido.

É quem roubou o banco. O Banco Rio.

- Ele roubou o banco? - Sim.

Todo o dinheiro está na minha casa, no teto.

- Quer anotar o endereço? - Um momento por favor.

Um momento.

Delegado!

Pare! Pare!

- Vamos, filho da puta! - Por que me parou, idiota?

Fique calmo, filho da puta!

Fodam-se vocês todos!

Filhos da puta!

- Sai fora! - Não me toque!

- Pare! - Não me toque!

Vá pra puta que pariu!

Puta que pariu!

Ruben "Beto" de la Torre acaba de ser capturado,

depois de uma perseguição cinematográfica.

Supostamente um dos integrantes da gangue do roubo do Banco Rio.

Estão procurando o cara que organizou

o roubo do banco em Buenos Aires.

Estão por aqui?

Eles nunca vão encontrar.

Conheço gente de Buenos Aires que me contou como foi.

E como foi?

Saiu de Montevidéu, passou pelo Brasil.

Eles já acertaram tudo lá.

O criador do golpe não é qualquer um.

É um político muito conhecido de Buenos Aires.

A esta altura, estará em Miami

ou em uma ilha onde ninguém o conhece.

Nunca saberemos quem é.

Com aquele de ferro perto de uma tampa.

- Posso trazer o carro à noite? - Sim.

Ei, pare! Pare, pare!

- Vamos! Vamos! - Vamos!

Vamos.

Muito bom. Me surpreendi, de verdade. Muito bom.

O quê?

O quê? Vamos, o que foi?

Vá...

Não vai começar o jogo? Coloque, vamos.

Quer ver um filme? Para mim tanto faz.

Põe o jogo.

E se eu desligar é melhor?

Desligue.

Assim conversamos. Melhor, não?

- Venha, Lu. - O quê?

- Venha, não é nada. - O que foi?

- Venha, entra aqui! - Mas, papai!

- Fique aí! - Papai, o que foi?

Fecha a porta, Lu, por favor! Fique aí! Fique aí, lhe peço.

Se fizerem perguntas, fique aí dentro

Polícia!

Vire-se! No chão!

No chão, eu te disse, deite-se. No chão!

Solte-a, filho da puta!

Solte-a, não toque nela!

- Papai! - Tire as algemas.

Recebido, base. Algo mais?

Homem de 38 anos tomou sua mulher como refém.

Em 5 minutos estamos aí.

Chefe, prenderam Walter, do Banco Rio.

Não dou a mínima.

Comigo, boneca!

Estou com saudades, morena!

Como está?

Olha, falei com advogados...

Perdoe-me, Lu.

Perdoe-me.

Perdão por tudo.

Perdão por todas as besteiras que fiz e por

o quanto eu te fiz sofrer desde criança.

Por todas as vezes que menti para você, perdão.

Eu sei que...

escutou isso muitas vezes, Lu...

mas agora acabou.

Acabou.

Terminou.

Nunca mais.

De verdade.

E hoje eu queria te ver...

porque queria olhar em seus olhos e falar para você.

E que...

você confie...

o que o papai lhe disse...

hoje, é verdade.

Entendo tudo, hein?

Entendo tudo.

Sua raiva...

sua cólera...

- sim, que você quiser... - Te dar um soco?

Me dar um soco, sim.

Se começar a pensar nos homens mais importantes da História

nas famílias mais poderosas,

sempre vai encontrar algo tenebroso, algo obscuro.

Como se entendessem que para se destacar, antes de tudo,

tinham que "se sujar".

Mas você se sente "sujo" pelo que vai fazer?

Não.

Deveria me preocupar?

O que você acha?

Você fez um bom trabalho.

Não, visto que será nossa última sessão, eu te digo, Daniel,

você fez um bom trabalho.

Por que acha que fiz um bom trabalho com você?

Porque a uma semana de cometer o roubo do século,

me sinto o homem... mais "puro" do mundo.

- Olá. - Olá.

- O que está fazendo por aqui? - Um retiro espiritual.

Algum problema?

Documento?

Que idiota! Deixei no hostel.

Que idiota. Não posso ser mais assim. Desculpe.

Podemos dar uma olhada?

Tenho escolha?

Foda-se... o que posso fazer.

Comando, atenção. Acho que temos o suspeito que procura.

- Obrigado. - Araújo. Leve tudo!

Tchau, Luis.

Graças a Deus.

Sai daí sem nada, hein?

E a tia?

A tia? Ficou dentro de casa.

Veja.

LIBERTADO HOJE O CRIADOR DO ROUBO AO BANCO RIO

Veja.

- Parabéns. - Obrigado.

Gostava de você com o casaco, hein?

Mas, mesmo este não acho ruim.

Não posso dizer o mesmo...

- O que está fazendo aqui? - Não, não tenha ilusões.

É só uma saída temporária. Às 20h devo retornar.

Considere como um adeus.

É, tão cedo?

Sabe que podemos fazer um massacre, não, Mario?

- Estou aposentado, Fernando. - Sim.

Eu também.

- Cortesia dos guardas. - Ainda nessa, meu Deus!

- Me concentra. - Te "concentra"...

- Concentre-se. - Depois de tanta insistência...

Profundamente.

- E? - Concentra.

- Viu? - Concentra, sim, sim.

E quanto! Que forte!

Mas vá se foder, idiota!

Foi um golpe cuidadosamente planejado.

Os ladrões fugiram com dinheiro e joias do cofre

através de um túnel cavado no subsolo, onde colocaram

armadilhas, para evitar perseguições.

O bote foi achado em um canal que passa logo abaixo do banco.

Vamos ver se, antes do julgamento,

seremos capazes de esclarecer o que

aconteceu com o "roubo do século".

E também porque de todo o dinheiro

não restaram nem as moedas.

5 PESSOAS

FORAM CONDENADAS PELO CHAMADO

"ROUBO DO SÉCULO"

AS PENAS FORAM

ENTRE 7 E 15 ANOS

Eu estava em Montevidéu quando roubaram o banco!

O TRIBUNAL DE CASSAÇÃO CRIMINAL REDUZIU AS PENAS

PORQUE

NÃO FOI PROVADO QUE AS ARMAS USADAS ERAM VERDADEIRAS

ATUALMENTE

TODOS ESTÃO EM LIBERDADE

ANTONIO BEBAUZA O "DOC"

NUNCA FOI IDENTIFICADO

COMENTA-SE

QUE FALECEU EM UM ACIDENTE DE CARRO DOIS ANOS DEPOIS DO ROUBO

Ruben de la Torre, Beto, 8 anos teria comprado uma potente 4x4,

e um apartamento em Flores.

ESTUDA JORNALISMO

O suposto engenheiro Sebastian Bolster, "Marciano"

teria 20.000 dólares, guardados no freezer da casa.

1 ANO E 9 MESES DE PRISÃO

CONTINUA COM SUA OFICINA MECÂNICA

Luis Mario Vitette Sellanes, ladrão uruguaio,

com antecedentes criminais,

PASSOU 7 ANOS NA PRISÃO

FOI EXTRADITADO PARA O URUGUAI ONDE OBTEVE SUA LIBERDADE

ESTÁ PROIBIDO DE VOLTAR PARA A ARGENTINA

POSSUI UMA JOALHERIA NO URUGUAI

5

FERNANDO ARAÚJO

O IDEALIZADOR DO ROUBO DO SÉCULO ESTEVE PRESO 1 ANO E 7 MESES

É ARTISTA PLÁSTICO

Evidentemente, tínhamos programado

perfeitamente os planos A e B,

para poder realizar a fuga.

MIGUEL ÁNGEL SILEO, EM 2019, SE APOSENTOU COMO NEGOCIADOR,

DEPOIS DE CONDUZIR MAIS DE 60 NEGOCIAÇÕES

E LIBERTADO 168 PESSOAS

NENHUM DE SEUS CASOS TEVE VÍTIMAS FATAIS

NUNCA SE PODE CONHECER O VALOR TOTAL DO SAQUE

AS ESTIMATIVAS VARIAM ENTRE 8 E

25 MILHÕES DE DÓLARES

Os ladrões, com seu saque, agiram como profissionais,

ou simplesmente realizaram um sonho adolescente?

FORAM RECUPERADOS 1 MILHÃO 172.000 DÓLARES E 8 KG DE JOIAS

TODOS OS CLIENTES LESADOS PELO ROUBO

FORAM REEMBOLSADOS PELO BANCO

NO BAIRRO DE RICOS SEM ARMAS NEM RANCORES

É SOMENTE DINHEIRO E NÃO AMORES

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