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Tento obter uma amostra de bi�psia de uma delas.
Decidi, muito novo,
que o mar e estudar como os animais se comportam em ambientes extremos
era algo que me interessava.
Vejam aquilo.
Se queremos encontrar os maiores animais do planeta...
...no lugar mais desafiante e extremo do mundo,
temos de estudar baleias no Ant�rtico.
Isto � de loucos.
Quando estamos t�o perto de um animal
que tem 35 toneladas e 15 metros de comprimento,
podemos encontrar-nos numa situa��o perigosa.
Temos de gerir as emo��es.
Est� muito frio. Se cairmos � �gua...
...acabou.
ANT�RTIDA: A VIDA NO LIMITE D� O TEU MELHOR
PLATAFORMA DE ROSS
TEMPERATURA: -26 �C
� de manh�.
A temperatura ideal para beber.
Aqui, o caf� n�o fica quente muito tempo, talvez cinco minutos.
Temos copos t�rmicos,
por isso, demora um pouco mais,
mas queremos beber o caf� depressa.
A equipa da Plataforma de Ross est� a centenas de quil�metros
de qualquer outro ser humano,
numa placa de gelo flutuante sensivelmente do tamanho do Texas.
Algu�m precisa de �gua?
Mantenham-se hidratados.
C� est�.
Nos �ltimos quatro dias, superaram a zona de cisalhamento mort�fera...
Abrimos isto.
...e uma tempestade de condi��o 1.
Por causa do nev�o e da pouca visibilidade,
vamos ficar aqui at� que melhore.
Tudo para conhecer o passado da plataforma de gelo,
para ajudar a prever o seu futuro num clima em mudan�a.
� aqui que come�a o trabalho a s�rio.
� emocionante. Vamos a caminho e usamos a Ci�ncia.
Come��mos a fazer o que nos trouxe c�.
Falamos da travessia h� muito tempo e de quanto combust�vel precisamos.
Come��mos, � estranho.
� bom, mas continuo impaciente.
Quero come�ar a usar o batedor e responder �s perguntas cient�ficas.
Tenho a certeza de que vamos perder a plataforma de gelo
e partes do manto de gelo da Ant�rtida Ocidental, no futuro.
Vai transformar-se em �gua, mas n�o sabemos para onde vai
e quanto far� subir o n�vel do mar.
Seis ou sete metros obrigam-nos a reorganizar a nossa civiliza��o.
Eliminamos algumas das zonas mais povoadas do mundo.
A baixa de Londres desaparece.
Para estudar a hist�ria geol�gica da plataforma de gelo,
t�m de encontrar sedimento no fundo do mar,
para colherem amostras nos anos futuros.
Podemos lan�ar a fita.
Depois, abrimos caminho.
Queremos garantir que este � o s�tio certo.
Trouxemos este equipamento todo.
O objetivo imediato � ver o fundo do mar,
garantir que est� l�, que � plano e que n�o h� rochas no caminho.
- Em que n�mero estamos? - Dezassete.
Para o mundo cient�fico, � importante.
� important�ssimo para n�s.
Muito tempo e esfor�o de muita gente. H� muito que depende disto.
Para determinar se est�o no local certo,
a equipa vai lan�ar um peso hidr�ulico de 225 kg,
ou batedor, no gelo
e usar� o som refletido,
ouvido por 96 microfones geol�gicos,
para criar uma imagem do que n�o veem.
Cortamos uma fatia da plataforma, at� ao fundo do mar,
viramos a fatia de lado e vemos as v�rias camadas do mar.
Bate, para tirar a neve.
- Para n�o termos um curto-circuito. - Exato.
Queremos ter a imagem do que existe debaixo da plataforma.
Esperamos que conven�a as pessoas que dizem:
"As altera��es clim�ticas s�o um problema.
O di�xido de carbono vai derreter o gelo e vamos ficar em apuros."
Preparamos o equipamento h� seis meses e queremos come�ar.
Pronto?
- J� est�. - Sentiste?
- N�o ativou. - Ativa quando sobe?
Ativou.
N�o � bom.
Assim que o peso desce, toca num interruptor
que ativa o sistema que liga os microfones.
Por alguma raz�o, faz isso quando o peso sobe, n�o quando desce.
Tentamos perceber porque faz isso.
N�o ativou outra vez.
Com uma diferen�a de milissegundos entre o batedor e os geofones,
o resultado � in�til.
Acho que vejo o problema. O tren� tem muitas liga��es atr�s.
N�o est� bem centrado. Temos de o puxar para tr�s.
Os nossos sistemas v�m de zonas diferentes do mundo.
A fita de geofones vem da Alemanha,
o sistema inform�tico e os geodes v�m dos Estados Unidos.
� enervante perceber se esses componentes interagem
e se funcionam na Ant�rtida.
Ativou. Est� bom.
- Estamos prontos para avan�ar? - Sim, avan�amos.
Se a nossa equipa n�o conseguir encontrar o local adequado,
esse aspeto do programa termina.
Estamos um bocadinho preocupados.
MAR DE ROSS
Sobe para a posi��o oito.
A centenas de quil�metros da plataforma de gelo,
ao largo do Estreito de McMurdo,
est� o quebra-gelo Polar Star da Guarda Costeira dos EUA.
Veio da Tasm�nia,
passou pelo c�rculo polar ant�rtico
e abriu uma via mar�tima vital para reabastecer bases no continente.
Ap�s quatro dias, v�o apenas a meio.
A que dist�ncia estamos de Hut Point?
Estamos a cerca de nove milhas n�uticas.
Temos de abrir um canal com 30 km de comprimento,
de um modo que permita a navega��o segura dos navios de abastecimento.
Demora uma semana a quebrar constantemente o gelo.
- Qual � a velocidade? - 3,2.
Imaginem tentar conduzir o carro por uma parede de cimento.
� muito dif�cil.
Ao partirmos o gelo, vemos que algumas pe�as s�o mais duras.
Vemos pelo modo como fratura.
Em breve, talvez tenhamos de recuar e tentar de novo.
Est� a ficar denso depressa.
Passamos por uma sec��o onde o gelo tem mais de tr�s metros de espessura,
mas tamb�m � muito duro.
Parece que este � o gelo de v�rios anos.
Temos de recuar e for�ar o caminho.
O gelo de primeiro ano tem, em m�dia, 30 a 180 cm de espessura
e derrete completamente no ver�o.
Mas o gelo de v�rios anos acumula-se.
Quando o ar congela com a �gua, tamb�m endurece.
Vamos...
...recuar.
A dada altura, o gelo torna-se demasiado denso para ser quebrado.
Temos de recuar e for�ar.
Tenho o leme a meio e recuo os tr�s.
Recuamos e avan�amos a uma velocidade de seis a oito n�s.
S�o quase 13 mil toneladas a uma velocidade de 11 a 15 km/h,
a for�ar o gelo.
� muito peso e impulso.
Parece que o caminho est� livre.
Vou parar e depois come�amos a for�ar.
- Capit�o, velocidade de colis�o. - Entendido, chegar aos sete n�s.
Recuar e for�ar � um processo muito violento.
Imaginem um sismo de 10 ou 12 na escala de Richter.
- Dez n�s. - O navio vai bater no gelo.
Preparem-se para o impacto.
Abana o navio todo.
Sentimos nos p�s, no conv�s.
Tentamos agarrar-nos e torna-se violento depressa.
- Estamos na velocidade certa? - Estamos.
- A que velocidade vamos? - Nove n�s.
Est� a cair. Vamos recuar e ver se podemos tentar de novo.
Sim, senhor.
A parte mais dif�cil deste processo � recuar,
porque as h�lices e o leme ficam expostos a bocados de gelo
que acabam de lan�ar para a �gua.
Vejam a popa e mantenham o gelo fora do leme.
Devagar.
O que aconteceu?
Chocou com qualquer coisa.
- Bolas. O que era? - Estibordo.
Parem.
Tento encontrar o centro.
Controlo principal chama movimento. O que diz o indicador?
Qual � a posi��o do leme?
Aguardem.
Movimento chama controlo principal. O leme est� a quatro direita.
Quatro direita? N�s vemos... quatro esquerda.
Aqui mostra quatro direita.
Se afetar o leme, pode afetar a condu��o do navio.
Se o Polar Star n�o terminar a miss�o de abrir o canal,
os navios n�o passam e n�o levam comida e combust�vel � Ant�rtida.
Est�o cerca de 5000 pessoas no continente
que dependem da comida e do combust�vel.
Sinto a press�o de cumprir essa miss�o.
A 3700 km,
ao largo da Pen�nsula Ant�rtica,
est� o navio de investiga��o Ortelius.
Podem dizer-nos que passagem?
A passagem de bombordo est� pronta.
O laborat�rio flutuante do Dr. Ari Friedlaender
� um bote insufl�vel pequeno
no vasto Oceano Ant�rtico.
Hoje, procura baleias-de-bossa.
Est� bastante vento esta manh�, sopra a 37 km/h.
S�o condi��es de limite,
mas fazemos a ci�ncia poss�vel, a bi�psia.
Est� muito vento para os ve�culos n�o tripulados
e o mar est� muito agitado para tentarmos marcar.
Tentamos fazer o que o tempo nos permite.
Usamos uma besta com uma flecha modificada que flutua.
Atingimos a baleia e recolhemos um bocado de gordura
do tamanho da borracha na ponta de um l�pis.
Essa amostra � crucial para n�s,
porque podemos ver se � macho ou f�mea.
Se for f�mea, se est� gr�vida.
Podemos analisar a gen�tica, para saber de que popula��o veio.
Podemos ver o que os animais comem.
H� baleias � nossa frente.
Estamos contra o vento.
Vou tentar ficar paralelo, para obtermos uma amostra.
Seria fant�stico.
Embora uma bi�psia, s� por si, forne�a muitas informa��es,
o grande pr�mio seria uma bi�psia de uma baleia j� marcada.
Teve algum sucesso nesta �poca.
Fixe.
E volta � mesma zona de alimenta��o
para tentar encontrar as mesmas baleias.
Quando marcamos a baleia, a aventura come�a.
� importante obter uma bi�psia de cada animal marcado,
porque nos permite compreender melhor o comportamento que observamos.
Sinceramente, n�o sei se � uma baleia marcada.
N�o consigo perceber.
N�o �.
Um bi�logo no terreno deve ser paciente.
Ainda mais na Ant�rtida, porque precisamos das condi��es certas.
Sinceramente, nunca me considerei paciente,
mas temos de ser.
Aqui, estamos � merc� dos animais e fazemos o que podemos.
Vou continuar por aqui, para a apanharmos do outro lado.
Quanto mais pudermos fazer por cada baleia, melhor.
� um animal que ador�vamos poder ver ao longo do tempo,
para sabermos que vida tem.
Identificamos baleias individuais atrav�s de marcas caracter�sticas.
As baleias-de-bossa s�o �timas, porque, na parte de baixo da cauda,
t�m um padr�o �nico, preto e branco.
Temos uma baleia-de-bossa a nadar lentamente, � superf�cie.
� a que queremos, com a barbatana dorsal mais pequena. Fant�stico.
A besta da bi�psia tem um alcance de 50 metros.
Quanto mais se aproximar,
maior a probabilidade de assustar um dos animais de 30 toneladas.
Ao abordar a baleia, a seguran�a humana � a maior preocupa��o.
� a �poca de acasalamento e os machos saem da �gua para nos atacar.
N�o queremos fazer nada que os leve a reagir depressa.
O barco pode virar.
Est� muito frio. Se cairmos � �gua, acabou.
O pior cen�rio n�o � apenas hipot�tico.
Em 2015, na costa central da Calif�rnia,
uma baleia-de-bossa enorme saltou do mar
e quase esmagou dois cano�stas.
Em �guas t�o frias,
a morte por hipotermia � mais prov�vel do que por impacto.
Vejo-a debaixo de �gua.
Olha para n�s.
Antes de fazer isto, quero ter a certeza absoluta
de que estou na posi��o certa, de que estou no �ngulo certo,
de que tenho o animal certo. Depois, n�o posso falhar.
Vai mergulhar.
Parece que a perdemos � superf�cie.
V�-se bem onde desceu. Vou acelerar um pouco.
BA�A DE PLENEAU
Vi-a.
Ari pode obter uma amostra de tecido de uma baleia-de-bossa...
Deixo que nos veja.
...se atingir um alvo em movimento a 15 metros de dist�ncia.
Acertei.
� dif�cil ver o dardo na �gua.
Vi onde caiu, mas tenho de ir devagar.
Bolas.
Desta vez,
em vez de lhe acertar em cheio, acertou e ressaltou.
Vemos apenas parte da pele. N�o tirou uma amostra de gordura.
� quase s� pele.
� importante tentar obter pele e gordura,
porque os v�rios tecidos permitem-nos saber coisas diferentes.
As baleias-de-bossa adultas sust�m a respira��o quase 45 minutos
e nadam a 11 km/h ou mais.
Se Ari perder esta baleia,
pode voltar � superf�cie num raio de oito quil�metros.
Quer�amos uma amostra daquela baleia.
Temos uma ideia da dire��o que segue.
Podemos igualar a velocidade e a rota,
mas acabam por desaparecer.
No continente, na Base Scott,
a estac�o cient�fica permanente da Nova Zel�ndia...
Temos muito para fazer.
Se tivermos um cat�logo das bi�psias feitas,
devemos ficar atentos a esses.
...a equipa de megafauna marinha
tamb�m se prepara para estudar baleias.
Em vez de baleias-de-bossa, procuram orcas.
Temos de estar no lado certo do canal, com a luz por tr�s,
e das condi��es certas na �gua.
Temos menos de tr�s horas de helic�ptero.
Na Ant�rtida, tudo demora tr�s a dez vezes mais do que pensamos.
Ao contr�rio de Ari, n�o usam barcos.
Voam at� ao limite do gelo, encontram um s�tio para pousar
e ficam a cent�metros da �gua,
para fazer bi�psias com dardos lan�ados
por uma espingarda modificada de calibre .22.
Os dados obtidos podem ajudar a regular o direito internacional.
Temos oito canos e pontas extra.
Isto chama-se "robalo chileno" nos restaurantes de Nova Iorque,
mas, na verdade, chama-se marlonga.
Os cientistas suspeitam que a marlonga-negra
seja o alimento principal de algumas popula��es de orcas.
Se competirmos pela mesma comida,
as 25 na��es que supervisionam a pesca t�m de saber.
Tentamos perceber
o papel ecol�gico da orca na Ant�rtida.
N�o sabemos quantas existem.
E � crucial, se quisermos saber a quantidade de marlonga que comem.
Queremos garantir que n�o fazemos algo que n�o devemos.
As baleias est�o normalmente no canal aberto pelo Polar Star
ou � beira do gelo marinho.
Hoje, a l�der da equipa, Regina Eisert,
procura animais no gelo
e um lugar est�vel para aterrar.
Podemos ver ao longo da margem?
Claro que sim.
Queremos que seja seco e que a margem seja brusca.
O gelo deve ser espesso. N�o queremos po�as derretidas
ou fendas paralelas � margem.
Na pior das hip�teses, o helic�ptero fura o gelo. Seria mau.
A decis�o costuma ser minha, como l�der da expedi��o.
H� orcas mais longe da costa.
Pass�mos por um grupo grande.
H� mais � uma hora, a uns 300 metros da costa.
H� uma fenda.
Baleias e fendas, n�o � bom.
E aqui? Temos baleias de novo, �s nove horas.
H� outra fenda de mosaico paralela debaixo de n�s.
Nos mosaicos, peda�os de gelo aparentemente est�veis
partem-se em bocados grandes.
Aterrar na �rea � um risco enorme.
Aquela fenda deve ser melhor.
Talvez possamos seguir pelo sul.
H� muitos mosaicos. � s� para aventureiros.
Os animais est�o junto ao gelo, porque comem focas e pinguins.
As baleias n�o querem estar a cem metros.
Querem estar junto ao gelo. A a��o acontece toda junto ao gelo.
Reagimos ao que vemos no momento.
Podemos ver mais a este?
N�o podemos usar esta margem. Vale a pena procurar baleias aqui?
N�o � bom quando o gelo est� est�vel, mas a berma n�o.
Tenho de chegar � berma.
Pode ser tudo muito est�vel,
mas a parte da frente do gelo move-se e n�o podemos ir l�.
Nesta altura, n�o h� um lugar bom e evidente.
Desculpem a confus�o. Podemos voltar para o canal?
Para perto do mar, de leste.
- Claro que sim. - Obrigada.
Esperamos que venham ter connosco.
PLATAFORMA DE ROSS
Queres analisar alguns dados?
A equipa da Plataforma de Ross passou quatro horas
para percorrer 1900 metros.
Usaram o batedor dezenas de vezes,
� procura do fundo do mar, por baixo do gelo.
Agora, t�m os primeiros dados.
� a primeira ci�ncia que vamos fazer, quando tivermos os resultados.
Estaremos no s�tio certo?
� emocionante. Todos os cientistas adoram ver resultados e dados.
Se n�o for o resultado pretendido, pensamos no que fazer a seguir.
Vemos o sinal de som complexo
recebido por cada geofone.
Depois do lan�amento, o som desce,
atravessa o gelo e chega ao mar, bate no fundo e volta a subir.
Deve demorar 0,4 ou 0,5 segundos. Cerca de meio segundo.
Se for um reflexo muito n�tido, o som deve ser muito forte,
rivaliza com o som que percorre o gelo.
N�o h� um som evidente aqui.
N�o h� nada aqui.
� horr�vel.
Demor�mos quatro horas a processar e limpar os dados.
"Vemos o fundo do mar?"
N�o podemos, n�o est� l�.
� desolador quando n�o funciona ou quando falhamos,
mas temos de continuar.
O pr�ximo passo � seguir 20 ou 10 km rio abaixo e procurar de novo.
N�o queremos mover o acampamento, por isso, vamos continuar.
Tem de estar aqui.
Na primeira vez, comprimimos a neve
para remover o ar e ter uma boa superf�cie.
A segunda vez, esta...
...� a que registamos.
� sempre melhor, porque usamos a energia toda para obter o som.
Depois, � gravado pelos geofones, naquela linha.
N�o...
O tren� est� a sofrer.
Acho que o partimos.
Fica tudo arruinado com o frio.
Torna-se tudo mais quebradi�o.
Usa porcas normais, com um anel de pl�stico por dentro.
Quando apertamos, deve ficar presa ao parafuso.
N�o deve sair.
Na Ant�rtida, desaparafusam-se.
N�o, n�o...
� o princ�pio do fim.
Estamos cansados, o tren� est� cansado.
Esperamos que aguente.
V� l�, tren�, �s capaz.
A 385 km, na foz do Estreito de McMurdo...
Controlo principal chama movimento.
Podem verificar a dire��o?
Vemos flutua��es nas leituras.
O Polar Star est� parado no gelo.
O indicador do leme n�o concorda com o tim�o.
O capit�o Walker s� pode ligar os motores
quando souber que n�o h� danos no leme ou nas h�lices.
Entendido. Problemas de dire��o. Pedimos que investiguem.
Mas est�o a mais de seis metros de profundidade
e s� h� um modo de procurar danos.
Ponham duas pessoas em fatos de mergulhador para inspecionar.
Entendido.
Se houver danos na dire��o, debaixo de �gua,
n�o tenho forma de saber que danos s�o.
N�o tenho c�mara no casco para ver as h�lices e o leme.
Os mergulhadores v�o descer.
Vou enviar a equipa de mergulho pela lateral,
para inspecionarem debaixo de �gua e ver se est� tudo bem.
Lembrem-se, pode entrar �gua ou ar por cima do capuz.
Estejam atentos.
Vamos estender a prancha.
A nossa miss�o mais importante, aqui, � manter o navio a funcionar.
A dire��o, os lemes, vamos ver se est� tudo bem.
Tenho de ver.
Mergulhadores na �gua.
Para garantir que as h�lices pararam,
os mergulhadores n�o se podem aproximar.
Mergulhador verde. Ouves-me?
Ou�o perfeitamente.
Esse caminho leva-os por baixo do gelo intacto.
Enviar mergulhadores para a �gua mais fria do mundo
n�o � uma decis�o tomada de �nimo leve.
Para os mergulhadores, � perigoso estar debaixo do gelo.
Se acontecer alguma coisa, podem ficar presos e n�o conseguiriam sair.
Diz ao mergulhador verde que a corda dele ficou presa no gelo.
Mergulhador verde, a corda est� presa no gelo.
Eu sei. N�o avan�o.
Est�s embrulhado, amigo.
- Est� a tocar no gelo. - O vermelho que verifique as cordas.
Mergulhador vermelho, v� se o verde n�o est� preso.
Entendido.
Mergulhadores, fala o supervisor. Veem-se?
N�o vejo nada.
Vermelho, vira � esquerda.
Estou � procura.
Verde, olha para cima, para veres o caminho.
MAR DE ROSS
Seis metros debaixo de �gua...
...mergulhadores tentam procurar danos nas h�lices e no tim�o.
Vermelho, vira � esquerda.
Mas um deles ficou preso no gelo.
O vermelho tenta ajud�-lo.
Levanta o bra�o.
Mergulhador verde solto.
Est� bem?
- Est�o ambos bem? - O vermelho est� bem.
- O verde est� bem. - Est�o ambos bem.
L� v�o eles. Agora come�a a divers�o.
Para onde v�o?
Vamos ver como est� tudo.
S� tenho um leme.
Se o perder, n�o posso conduzir o navio.
- Meu, queres ver aqui? - Sim.
Este n�o � o mundo normal.
� a Ant�rtida.
Temos de fazer coisas perigosas.
O peso nos meus ombros
� cumprir essa miss�o de reabastecer a Ant�rtida.
Como est� tudo?
A h�lice est� boa.
O eixo est� bom.
Vamos ver o leme.
Senhor, aqui parece estar tudo bem.
Muito bem, ponham os motores em 30 minutos de espera.
Trinta minutos de espera.
- Est� tudo bem. - Est� �timo.
Vermelho, v�s vida marinha a seis metros de mim?
H� uma orca grande aqui.
CANAL MCMURDO
A placa ocidental parece melhor.
N�o vejo fendas, linhas de press�o ou po�as.
O gelo parece bom. N�o vi baleias.
A equipa de megafauna marinha deixou as orcas para tr�s,
no limite do gelo, porque n�o era est�vel para aterrar.
Querem que aterre?
- Sim, por favor. - Est� bem.
Agora, est�o no canal, onde o gelo deve ser mais resistente.
� uma boa �rea de trabalho.
Temos de convencer as baleias de que � boa para se alimentarem.
N�o temos nada.
Do helic�ptero, vemos muito e n�o vimos nada.
Dev�amos voltar. N�o sei se temos permiss�o, mas...
Vamos ver este s�tio. Podemos usar o hidrofone.
Est� bem.
Para fazer esta investiga��o, s� sa�mos quando � seguro.
A decis�o � minha, sou l�der da expedi��o.
Quando o perigo � evidente, n�o podemos trabalhar.
� muito frustrante, mas a ci�ncia � assim.
Encontram um local para p�r o hidrofone dentro de �gua,
para que possa ouvir se h� baleias por perto?
Podemos usar hidrofones, que j� usamos para gravar as vocaliza��es.
S�o interessantes, porque t�m quase uma l�ngua.
Podemos identificar o grupo pelo dialeto.
Ouvimo-las de bastante longe, muitas vezes antes de as vermos.
Recebemos um aviso.
Vou ligar.
Depois, vai para a �gua.
Se n�o resultar, devemos partir. N�o temos de passar horas parados.
Ou�o baleias.
Ben.
Baleias.
H� muitos guinchos.
Ouvir uma baleia no hidrofone nunca foi uma raz�o para ficarmos parados,
porque podemos ouvi-la no hidrofone e nunca a ver.
- Podemos ouvi-las a 8 km daqui. - Dev�amos preparar as espingardas.
Est� bem. A estrat�gia melhor � ir para onde elas est�o.
Para mim, esperar que as baleias apare�am � um fracasso.
Onde � que est�?
Est� ali.
Sem pinguins, por favor.
A minha perspetiva � sempre a mesma. Temos de ir ter com elas.
Ou�o as baleias distintamente. Guinchos de baleias entusiasmadas.
Mas n�o est�o aqui.
Se pudermos voltar ao local onde as vimos,
� a melhor op��o.
Onde havia mosaicos. Havia baleias junto ao gelo,
mas onde os mosaicos se separavam,
se o helic�ptero pousar numa pe�a coerente,
mesmo que, tecnicamente, seja um mosaico,
o helic�ptero pode pousar no meio.
Seria melhor n�o ter de esperar que as baleias venham ter connosco.
Est� bem.
Se houver esperan�a de que apare�am, ficamos quietos.
Mas, se n�o houver baleias, � in�til.
Vamos.
BA�A DE PLENEAU
Fiquem atentos. Vejam se vem � superf�cie.
Depois de falhar a primeira tentativa de bi�psia,
Ari segue a mesma baleia-de-bossa para se tentar redimir.
J� a vi.
As baleias est�o a 80 metros.
Sobem com a corrente.
Ali est� o macho, com a dorsal mais pequena.
Perceves.
Incr�vel.
Vou buscar o dardo.
Excelente. Foi um sucesso. Vejo a gordura pendurada.
Ali est� a baleia. N�o se sente incomodada.
Voltou � superf�cie.
Muito bem, hoje tivemos sucesso.
� a baleia da nossa amostra.
Bem...
Que loucura.
Passa por baixo de n�s.
Quando as baleias decidem aproximar-se,
relaxamos e deixamos que aconte�a.
� uma pequena invers�o de pap�is.
O contacto visual com uma baleia deixa-nos humildes.
Percebemos que se passa algo,
� um animal vivo que pensa em algo.
� uma liga��o forte.
Temos duas baleias amig�veis e curiosas.
� uma oportunidade �nica ver os animais de perto.
A Ant�rtida � o lugar do mundo onde nos sentimos mais pequenos.
Trabalhamos com animais do tamanho de um autocarro
e sentimo-nos pequenos muito depressa.
� natureza extrema.
� a Natureza sem qualquer filtro.
Temos a oportunidade de estar l� e de trabalhar nesse ambiente.
N�o podia pedir mais.
A 3380 km, numa regi�o de gelo quase inexplorada...
N�o sei se ser� o fim do tren�.
A equipa da Plataforma de Ross est� num local novo,
� procura de uma imagem clara de sedimento no fundo do mar.
S� piora.
As condi��es extremas podem ser fatais para a maquinaria
e t�m pouco tempo.
V� l�, sacana.
Acho que quer desistir.
Na Ant�rtida, o frio contrai tudo.
O metal encolhe e torna-se mais quebradi�o.
As porcas e os parafusos encolhem e as coisas desaparafusam-se.
O ambiente estraga tudo. O material eletr�nico costuma falhar.
Os parafusos da placa de a�o come�aram a soltar-se.
Est�o t�o soltos que a placa subiu
e girou � volta do parafuso que continua preso.
Temos de a p�r no s�tio.
Esmag�mos completamente o centro.
Podemos ver as fendas, onde estava a placa de a�o.
Foi atingido repetidamente.
A rosca desapareceu. Por vezes, o peso caiu aqui.
Estragou a rosca e os parafusos sa�ram.
N�o quer mais.
H� outra maneira de a manter presa?
Vou usar uma marreta e vou dobrar isto.
Tem de chegar.
Tenho de pensar que vai correr tudo bem.
Se o batedor deixar de funcionar, temos problemas.
H� muito que depende disto.
Temos de encontrar o local e de ter sucesso.
Talvez seja suficiente.
Volta para o s�tio.
Estou mais preocupada com a madeira. Sobreviver� a mais uma ronda?
N�o sei quanto tempo aguentar�.
Vai.
MAR DE ROSS
Os mergulhadores est�o a chegar. N�o foi um mergulho profundo.
Os mergulhadores da Guarda Costeira n�o encontraram danos no navio.
Os mergulhadores regressam. Preparem-se.
Enquanto os mergulhadores regressam...
Verifica o fus�vel.
...a casa das m�quinas tenta ver porque n�o funcionam os sistemas.
Controlo principal, o que veem no leme?
Esquerda, 29.
O que aparece na dire��o?
Vejo dez esquerda.
Nem movi um grau, segundo o leitor digital.
Vou mudar os dois para o local.
Ligar. Isso mesmo.
O Polar Star � um navio antigo.
Temos sistemas de controlo topo de gama, do s�culo XXI,
mas os sensores desse sistema
foram talvez projetados na Administra��o Johnson.
Controlo principal, pode alternar os lemes?
Vamos alternar.
Alternar o leme.
Vamos voltar para esquerda quatro, para ver o que mostra a�.
Agora, mostra quatro esquerda.
Entendido. Sigam o anal�gico e ignorem o digital.
Oxal� n�o haja mais problemas.
Vamos a isto.
Parece ser apenas uma flutua��o nos indicadores.
Temos um tim�o digital e um anal�gico.
Estavam desencontrados.
O anal�gico parece ser mais preciso do que o digital.
Tentem chegar ao limite do gelo.
CANAL MCMURDO
Vem a� um grupo de baleias.
H� baleias �s onze horas.
A equipa de megafauna marinha volta ao limite do gelo.
Espera encontrar um local seguro para aterrar.
Vamos ver se encontramos um s�tio para pousar.
Vamos por aqui.
Com uma berma a separar-se,
t�m de pousar mais longe das baleias do que pretendem.
Pode ser aqui?
� bom para aterrar.
Quando estamos l�,
n�o queremos falhar por 30 metros. Ficamos muito longe.
Temos pouco tempo para trabalhar.
Temos de atacar no momento certo.
Temos algumas no limite.
Metade da baleia saiu da �gua, ali.
Boa. Ali est� uma.
Vamos para ali, sim?
Era uma barbatana grande.
� grande.
- H� uma fenda. - N�o � seguro.
Vi o horizonte mover-se.
N�o avancem mais. Pode come�ar a separar-se.
Afastem-se, h� uma fenda.
Venham c� ver.
Veem? Move-se com a ondula��o.
Esta pe�a soltou-se e acabar� por se afastar.
Por causa do trabalho, do tempo e do dinheiro investido,
� muito frustrante quando tudo est� a postos e n�o posso trabalhar.
Devem estar a brincar.
N�o h� garantia de que n�o se separe.
Move-se.
N�o as vamos apanhar, pois n�o? Pelo menos, vamos na dire��o certa.
N�o, n�o estaremos desse lado.
Estar na berma e n�o ver nada � frustrante, mas a ci�ncia � assim.
A grande frustra��o � n�o poder estar na berma do gelo.
Estar t�o perto e n�o poder dar o �ltimo passo.
� isso que me irrita.
Esta noite, temos mais um...
Mais um fracasso.
Parece uma panela de press�o.
Cheg�mos muito longe e sentimos a viagem a desvanecer.
Cada momento � crucial. Podemos n�o ter outra oportunidade.
N�o temos amostras de bi�psia.
� um pouco frustrante.
Espero que tenhamos sorte nos �ltimos dias.
� uma treta.
Sim.
PLATAFORMA DE ROSS
Se come�armos a ver o processamento,
neste ecr�.
A equipa da Plataforma de Ross conseguiu usar o batedor
para uma �ltima oportunidade de encontrar o fundo do mar.
� um reflexo fraco.
Chegou o momento da verdade.
Vemos um pequeno reflexo, aos 210, talvez?
Temos as imagens unidas.
Podemos ver as 35 imagens, no topo.
� muito confuso.
H� qualquer coisa ali, na base do gelo.
Esperamos algo aqui.
Talvez no seis?
Desce.
- Meu Deus, vejam. - O que �?
- Temos o fundo do mar. � bom. - Temos?
S�o cerca de 780 milissegundos.
Estou muito aliviado, depois de ontem.
Prometi que demoraria uma hora e demorou quase doze.
Um projeto como este demora v�rios anos a concretizar.
Esperamos compreender a forma��o da Plataforma de Ross.
� isso que pretendo.
� a pr�xima ci�ncia que nos vai impressionar.
S� pass�mos um ano a planear,
gast�mos milhares de d�lares e 40 mil no batedor,
e mais 2000 d�lares para o transporte,
para mandar vir este equipamento eletr�nico dos EUA.
- Pormenores. - Cada passo foi uma luta.
Nenhum dos passos foi f�cil.
Sucesso. Ap�s tantos planos, tornou-se real.
Agora, pensamos: "Como � o resto?
Temos um s�tio. E o resto?" Queremos explorar mais.
� emocionante. Gosto de boas not�cias.
Temos o fundo do mar.
- Estamos no s�tio certo. - Estamos.
Fico feliz por estar no destino final.
Estamos no s�tio certo.
C�us, � t�o emocionante.
Ainda falta muito. Acab�mos de chegar ao local.
Temos de montar o acampamento e de fazer uma pista
para que os avi�es possam deixar equipamento e mais membros da equipa.
� o primeiro passo de um processo enorme,
nas pr�ximas semanas.
Grande dia, pessoal. H� muito para fazer.
Muito bem, vamos trabalhar.
Tradu��o: Ana Rita Santos
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