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O programa a seguir cont�m imagens fortes.
Verifique a classifica��o et�ria.
Na festa naquela noite, ela saiu de casa e nunca mais voltou.
NeKeisha Hodges-Hawkins foi baleada e morta...
algu�m atirou numa multid�o ap�s uma festa de anivers�rio.
Surpreendentemente, ningu�m dep�s para identificar...
N�o... Era sua amiga, voc� tem que depor, garotinha burra.
Quem baleou e matou NeKeisha.
Dizia "Ao vivo" na minha p�gina, ent�o cliquei.
Kalvon Hawkins est� ao vivo 12 de novembro de 2016
Se eu n�o fizesse isso por Keisha, eu n�o seria homem.
Isso tocou uma comunidade...
Kalvon Hawkins est� ao vivo 8 de novembro de 2016
- Com certeza. - Parecia que Kalvon
n�o ia parar at� obter uma resposta.
Eu vou conseguir justi�a.
Cidade de Michigan
ESCOLA SECUND�RIA DA CIDADE DE MICHIGAN
Somos muito felizes.
KALVON HAWKINS PAI DE NEKEISHA
�ramos s� n�s cinco.
Era o que precis�vamos.
�ramos eu, Janice, Little Kal, Kenyatta e Keisha.
Keisha sempre pregava pe�as, mas ela tamb�m era inteligente.
Era o meu cora��o.
O tipo de pai que acho que fui,
s� queria proteger minha fam�lia.
Era a �nica coisa que eu queria fazer.
A festa � amanh�. Voc� vai? Bjs
Vamos tentar ir. Estamos fora da cidade. N�o estou dirigindo.
Te aviso se conseguir voltar a tempo... Bjs
24 DE JULHO DE 2011 NOITE DA FESTA
Na noite da festa, Kalvon e eu est�vamos assistindo TV.
NeKeisha saiu vestida do quarto dela.
Eu disse: "Onde voc� pensa que vai? Porque estou vendo a hora.
"Onde voc� pensa que vai?"
Ela disse: "Para a casa de Paw Paw."
Eu disse: "Est� mentindo."
Espero te ver hoje. Que cor vai vestir?
Claro que vou vestir vermelho
N�o sei... talvez amarelo. Voc� vai saber hoje � noite...
Ela disse: "Sim, vou, pai, n�o estou mentindo para voc�."
Mas eu senti algo.
Eu senti.
Garota, cad� voc�? Voc� est� vindo?
Acho que ela n�o nos contou da festa...
JANICE HODGES-HAWKINS M�E DE NEKEISHA
porque sabia que o pai n�o ia querer que ela fosse.
Kalvon � muito protetor. � mais f�cil conseguir permiss�o
para ir � casa de um amigo do que para ir a uma festa.
Indo... Estou atrasada! Como est� a festa? Bjs
Ela disse: "Te amo." Eu disse: "Eu tamb�m".
Mas algo em meu cora��o dizia quando ela descia as escadas:
"Ela est� mentindo. Voc� n�o devia deix�-la ir."
Ela saiu de casa e nunca mais voltou.
Fomos a uma festa de anivers�rio.
Algu�m postou sobre a festa nas redes sociais.
Deve ser por isso que muitos foram para l�.
Muitos alunos do ensino m�dio e colegas de turma.
Uns mais velhos que eu...
KENYATTA HODGES-HAWKINS IRM�O DE NEKEISHA
Eu s� tinha 13 anos na �poca.
Michigan � uma cidade pequena. Todos se conhecem.
Todos l� se conheciam.
KRUEGER MEMORIAL HALL MICHIGAN, INDIANA
Quando cheguei, todos estavam se divertindo.
Era uma festa do sem�foro.
Luzes vermelhas, roupas vermelhas.
Roupas amarelas.
Parecia superlegal. O ambiente era �timo.
Quando umas pessoas chegaram mais tarde
que a vibe come�ou a diminuir.
Como se todos soubessem dessas pessoas ou as conhecessem pessoalmente.
Sabiam que o problema estaria aonde quer que elas fossem.
Tinha muito menos pessoas dan�ando e se divertindo,
e todos olhavam por cima dos ombros.
Duas meninas se desentenderam.
Elas come�aram a discutir.
Ent�o os caras que entraram e trouxeram energia ruim a todos
tamb�m come�aram a discutir.
Tinha muita confus�o acontecendo.
O caos estava sendo instaurado.
E ningu�m queria ser respons�vel pelo caos,
ent�o mandaram todos embora.
Nos expulsar criou um caos maior
porque ent�o havia uma multid�o andando por a�.
22:00
O telefone tocou. Era Keisha.
Ela disse: "M�e, voc� pode vir me buscar?"
Eu disse: "Onde voc� est�?"
Ela respondeu: "Vim para a festa. N�o quero ficar aqui.
"Voc� pode vir me pegar?"
Janice saiu.
22h15
Me lembro de ter ouvido em seguida oito ou nove tiros.
S� se ouviam as pessoas gritando a plenos pulm�es.
Algo me dizia para ir em dire��o aos gritos.
Reconheci a garota que estava gritando. Era minha prima.
Ela gritava a plenos pulm�es.
"Atiraram nela. Atiraram na cabe�a dela."
Continuei andando. Ent�o vi minha irm�.
Ela estava deitada no ch�o.
Foi a� que percebi que ela...
Ela tinha sido baleada.
Ela ainda respirava, mas como se estivesse com falta de ar.
Me ajoelhei bem ao lado dela.
Segurei a m�o dela.
A pol�cia foi enviada ao local, Krueger Memorial Hall,
onde disseram que os disparam foram feitos.
JILLIAN ASHLEY POL�CIA DA CIDADE DE MICHIGAN
Poderia haver feridos.
Ao chegarem � cena, os policiais notaram
que havia uma jovem no ch�o.
Tamb�m foram informados de outra poss�vel v�tima
que estava a caminho do hospital.
FOTOS DA CENA DO CRIME
Quando cheguei l�, havia uma ambul�ncia.
Ao lado da ambul�ncia, havia um len�ol branco no ch�o.
Eu sabia que ela estava debaixo daquele len�ol branco.
Fui at� l� e retirei o len�ol
e fiquei olhando para ela e...
Chorei e balancei a cabe�a porque dizia:
"Eu te disse que algo podia acontecer."
Ela estava no ch�o.
CENA DO CRIME
Tive que me recompor para poder ligar para Kalvon
e contar que ela tinha sido baleada.
Quem quer fazer essa liga��o?
Essa � a pior liga��o que se tem que fazer.
Estava sentado.
Meu telefone tocou. Era a Janice.
Atendi. Ela disse: "Keisha est� morta."
Ent�o...
Mam�e
Ela tinha acabado de sair desta casa. Eu disse: "� tudo culpa minha."
Digo isso porque devia t�-la impedido. Eu sabia que ela estava mentindo.
NeKeisha fazia bolos.
JANICE HODGES-HAWKINS M�E DE NEKEISHA
Ela fazia bolo nos feriados.
Ela me via fazendo os bolos e queria aprender.
Ent�o ela come�ou a fazer bolo sozinha.
Quando NeKeisha nasceu, Kalvon a adorava.
Tinha medo de segur�-la.
Ela era pequena. Ele disse: "N�o, eu n�o quero segur�-la.
"Posso quebr�-la." Ele dizia isso.
"Eu posso quebr�-la. N�o quero fazer isso."
Mas ele era muito fofo.
Ela era o meu cora��o. Ela era o nosso beb�.
Era a mais importante.
Se ela fosse passar a noite na casa de algu�m...
KALVON HAWKINS PAI DE NEKEISHA
...a casa ficava quieta comigo, Janice, Little Kal e Yatt.
Mas quando Keisha voltava, a casa virava uma loucura.
Keisha era engra�ada, era boba.
Minha rela��o...
KENYATTA HODGES-HAWKINS IRM�O DE NEKEISHA
com minha irm�, �ramos insepar�veis.
Ela era uma amiga incr�vel.
Ela era amorosa, tinha muita empatia.
Era minha melhor amiga
porque ela era a primog�nita e era minha �nica filha.
Faz�amos tudo juntas. �ramos muito pr�ximas.
Quando fa�o bolos, lembro dos feriados
e de como ela levava os bolos
para outras fam�lias, como as fam�lias dos amigos.
Lembro disso. Gosto de fazer bolo e ter essa boa lembran�a.
Fazer bolo me traz um pouco de paz.
25 DE JULHO DE 2011 CENA DO CRIME
NeKeisha Hodges-Hawkins foi baleada e morta numa festa na cidade de Michigan.
Sempre que um delito � cometido, sobretudo um desta magnitude,
em primeiro lugar, os policiais tentam obter informa��es.
JILLIAN ASHLEY POL�CIA DA CIDADE DE MICHIGAN
� praticamente levantar informa��es.
Procura-se obter o m�ximo de vest�gios.
CENA DO CRIME
Como fios de cabelo, impress�es digitais, c�psulas,
qualquer coisa que possa ser diretamente ligada ao criminoso.
Pelo que entendi, estava acontecendo alguma rixa
entre alguns dos caras de l�.
Uma rivalidade entre dois grupos de jovens de lados opostos da cidade.
O que contribui...
JOHN ESPAR EX-PROMOTOR DE LA PORTE
...para a viol�ncia na cidade de Michigan?
� o acesso a armas de fogo, por exemplo.
Quando � entre jovens,
� o fato de que as circunst�ncias combinam juventude e imaturidade,
e uma mente em desenvolvimento com uma arma mortal.
Membros de gangues n�o iam falar com a pol�cia. Isso era um problema.
Dezenas de pessoas, talvez mais de 100,
estiveram aqui e provavelmente viram o tiroteio.
Eu diria que havia
entre 100 a 150 crian�as em idade escolar l�.
Falei com v�rias pessoas. A coisa estava complicada.
Havia relatos em toda a parte dependendo de onde estavam
quando os tiros ecoaram.
Um nome se repetia.
Cameron Kent. Ele estava na festa.
Houve testemunhas
que disseram que de fato o viram atirar.
Quando a festa chegou ao fim, ele desceu a colina
onde v�rias pessoas da festa estavam.
Ele sacou uma arma e atirou para o alto.
Cameron Kent tinha sido acusado por um dos feridos...
FERIDO: JAMES SANDERS
...que acreditava que Cameron Kenthad era o respons�vel por seu ferimento.
Cameron Kent era um suspeito para n�s naquele momento.
Conversamos com ele por muito tempo. At� que uma hora...
ele disse onde estava a arma.
Cameron foi a �nica pessoa identificada como autor de disparo naquela noite.
Homem acusado de matar jovem de 17 anos - CIDADE DE MICHIGAN
Autoridades acusam homem de Michigan por homic�dio culposo, duas acusa��es por...
Ele acabou sendo acusado pela morte de NeKeisha.
Cameron vinha � nossa casa o tempo todo
brincar com Keisha, Yatt e Little Kal.
Na noite em que ela foi assassinada,
Cameron veio at� mim, me abra�ou e disse que sentia muito.
N�o pensei nada a respeito disso
porque sabia que ela e ele eram amigos.
Homem de Michigan acusado em tiroteio em festa de 16 anos
Quando disseram que ele tinha sido preso,
pensei: "N�o pode ser."
"N�o podia ter sido ele."
25 DE SETEMBRO DE 2011
Talvez ap�s dois meses e meio,
quando o relat�rio de bal�stica retornou
e uma compara��o da arma que foi recuperada
foi feita com a bala recuperada do corpo de NeKeisha.
Descobriu-se que n�o eram compat�veis.
Que a arma que o jovem portava naquela noite
n�o poderia ter sido a arma que tirou a vida de NeKeisha.
As acusa��es foram retiradas.
Autoridades da cidade de Michigan retiram acusa��es em tiroteio fatal
Claro que esse foi um ponto de virada crucial na investiga��o,
j� que agora outro atirador era procurado.
Querem um atalho?
Sim, queremos.
Mostrem o caminho. N�o sei aonde estou indo.
Bem onde est� aquela flor roxa.
Quando soltaram Cameron, eu disse: "Precisam descobrir quem fez isso."
Essa deve ficar atr�s.
Aquela grande.
Eu s� queria saber quem tinha matado meu beb�.
E o que tinha acontecido.
Um pai n�o deve enterrar um filho.
Os filhos devem enterrar os pais.
NEKEISHA NICOLE "MONSTRA" HODGES-HAWKINS
Ela nem chegou a viver.
Quatro dias antes de fazer 18 anos, ela ganhou um caix�o de anivers�rio.
Que presente.
NOVEMBRO DE 2011
Est�vamos havia dois meses e meio em uma investiga��o
cuja �nica pista levou a um beco sem sa�da e errado.
Totalmente errado.
POL�CIA DA CIDADE DE MICHIGAN
As autoridades tiveram que retornar ao p�blico.
Mas havia uma relut�ncia
da comunidade em se envolver
em investiga��es policiais quando a viol�ncia � o crime.
Eles podiam estar com medo de retalia��o.
ESCOLA SECUND�RIA DA CIDADE DE MICHIGAN
Os jovens n�o queriam depor porque, na comunidade negra,
n�o se acredita em dela��o.
Os pais dos jovens disseram para eles ficarem de fora.
Foi o que fizeram.
Diziam que ningu�m falaria.
E quando os outros depunham, at� onde se sabia,
talvez houvesse um pouco de: "Por que eu deveria?"
Acho que tinha ficado decidido
que, at� mais provas se desenvolverem e aparecerem,
o caso permaneceria sob investiga��o.
E as pistas seriam seguidas � medida que fossem desenvolvidas.
Pede-se que qualquer um com informa��es sobre o tiroteio de Hodges-Hawkins
ligue para o sargento detetive Matt Barr
Mas, infelizmente, pistas n�o chegavam.
As pistas esfriaram.
Naquela �poca, as autoridades estavam de volta � estaca zero.
Nos anos seguintes, est�vamos totalmente perdidos.
Eu estava com raiva.
N�o podia sofrer.
Ao contr�rio, isso deveria ter nos aproximado,
para que pud�ssemos contar um com o outro.
Mas era como se nos separasse.
Minha fam�lia era assim.
Quando ela foi morta, n�o era mais assim.
Estava tudo separado.
A fam�lia estava morta.
N�o havia mais uma fam�lia.
Isso acabou com a gente.
Kalvon estava muito deprimido. N�o falava.
Ele n�o sa�a do quarto.
Eu s� queria ficar deitado, me afundar em minha tristeza.
Eu s� queria dormir.
S� pensava em Keisha.
Meu pai tinha perdido toda a esperan�a.
Em vez de aceitar e perdoar o que j� havia acontecido,
ele estava preso ao passado.
Porque, na mente dele, no cora��o dele,
ele tinha fracassado com a gente. Com NeKeisha. N�o p�de proteg�-la.
Ele n�o conseguiu salv�-la
do que ele sentiu o tempo todo:
"Era isso o que eu estava tentando impedir.
"Por isso eu era t�o duro.
"Por isso eu era t�o rigoroso
"porque era isso o que eu estava tentando impedir."
E isso ele n�o conseguiu.
Mas voc� ainda tinha outros filhos.
Eu senti um ressentimento enorme.
Mas ver minha m�e sendo essa fortaleza, essa rocha,
essa mulher forte,
mostrou que n�o posso deixar de ser um homem forte.
E ser um pilar de sustenta��o para minha fam�lia.
E outros 10
Cansado... entendam direito e n�o falem... de mim
Eu deveria estar falando sobre a morte de Kiesha...
se Keke acha que precisava dizer algo... ela deveria ter vindo aqui e dito algo...
voc� sabe, perto do estacionamento... voc� foi l� e se lavou com �gua sanit�ria...
Eles precisam de justi�a
voc� n�o sabe... re�na os fatos
Sei mais do que voc� pensa... voc� estava na garoupa da scooter que Charles estava...
Eu estava no �ltimo ano da faculdade com meu primeiro diploma.
De repente...
EILEEN SILK STEBBINS AMIGA DE INF�NCIA DE NEKEISHA
...fazem uma p�gina de slam no Facebook.
Uma p�gina de slam � uma p�gina an�nima onde as pessoas escrevem coisas
sobre outras pessoas, mas n�o se sabe quem as postou.
Ouvi um "ding". E depois "ding". Depois outro "ding". Pensei:
"Droga, quem est� me escrevendo?
Olhava para o telefone e pensava: "Keisha?"
Ent�o comecei a ler.
Estavam falando sobre...
KALVON HAWKINS PAI DE NEKEISHA
...a morte dela.
Eu deveria falar sobre a morte da Kiesha... V�o todos ser pegos...
mas mandem mensagem com o tamanho de voc�s
E o que diziam as mensagens?
"Voc�s precisam parar de brincar. Sabem quem matou Keisha" e tudo mais...
Pensei: "Como assim?"
N�o... Era sua amiga, voc� tem que depor, garotinha burra!
Foi quando come�aram a dizer nomes e "essas roupas foram usadas".
"Sei que essa arma estava l�."
Meio que dando dicas de quem matou Keisha.
Jogando as roupas no rio para que n�o saibam que ele estava atirando
Mas estavam tentando apag�-las.
Mas antes de apag�-las, fizeram uma captura de tela e me enviaram.
Me levantei na hora e fui � delegacia mostrar a eles.
Eu disse: "Vejam isso".
Eles n�o deram a m�nima.
A informa��o que ele recebia
JILLIAN ASHLEY, CHEFE ADJUNTA POL�CIA DA CIDADE DE MICHIGAN
seria informa��o de terceiros. Seria boato.
A pol�cia precisa encontrar a fonte
e ver o que testemunharam no momento em que o incidente ocorreu.
No dia seguinte, voltei � delegacia
e disse: "Voc�s n�o v�o ajudar?" Ele disse: "O que falamos?"
Eu disse: "�ltimo aviso. E posso perguntar mais uma vez.
"Voc�s n�o v�o ajudar?"
Eu n�o sabia fazer uma live no Facebook.
Porque fazia tempo que n�o entrava no Facebook por estar deprimido.
Dizia "Ao vivo" na minha p�gina, ent�o cliquei.
E apareceu: "Tr�s, dois, um".
Em Hollywood, isso significa a��o.
Kalvon Hawkins est� ao vivo 8 de novembro de 2016
Estou ao vivo na delegacia da cidade de Michigan
tentando conseguir ajuda para minha filha. Essas pessoas n�o v�o me ajudar, cara.
Essas pessoas daqui.
Eu entro aqui, e est�o falando do assassinato da minha filha on-line,
e esses policiais n�o v�o me ajudar.
Me expulsaram da delegacia ontem � noite,
disseram que n�o podem fazer nada por mim, cara.
Mataram minha filha quatro dias antes do anivers�rio, cara.
Tive que enterr�-la no anivers�rio de 18 anos, e os policiais n�o v�o ajudar.
Tenho todas as capturas de tela e n�o querem fazer nada a respeito disso.
Te expulsaram daqui ontem � noite?
N�o estou falando com o detetive mais porque ele n�o ajuda.
Que tal se eu arrumar outro detetive?
Algu�m vai ajudar...
Fiquei sabendo da live do Facebook...
KENYATTA HODGES-HAWKINS IRM�O DE NEKEISHA
por um colega de turma.
Eu estava na escola na hora.
Algu�m disse: "Sim, seu pai est� no Facebook agora."
Perguntei: "Do que est� falando?"
Vou ficar aqui todos os dias.
N�o estou nem a�.
Essa n�o era a mesma pessoa que conhecia umas semanas atr�s.
Algu�m vai me ajudar. Est�o falando do assassinato da minha filha on-line.
Ao vivo e direto.
Eles acham que � uma piada.
Uma hora, ele est� na escurid�o do quarto dele,
e de repente est� na rua protestando,
falando mais, demostrando uma energia emocional.
Foi incr�vel.
� uma loucura, cara. Vou manter minha c�mera gravando.
Me animei por ele ter encontrado for�as para se levantar e lutar.
Isto � rid�culo.
N�o consigo dormir. N�o consigo nem trabalhar.
� simplesmente...
Eu tinha medo porque...
JANICE HODGES-HAWKINS M�E DE NEKEISHA
era mexer com a pol�cia,
e eu pensava: "Talvez isso v� levar a algum lugar."
Estamos contigo, irm�o.
Tudo bem, irm�o. Te agrade�o, cara.
BUZINE! JUSTI�A PARA NEKEISHA
Passou de eu ir � delegacia o tempo todo sozinho
a 85 mil pessoas assistindo ao vivo.
Ligavam para n�s de Dubai e de toda a parte.
Mais de 150 jovens viram minha filha ser morta,
e os idiotas dos pais deles os trancam em casa e dizem a eles
para n�o falarem nada. Mas e se fosse o filho de voc�s?
Tive que enterrar minha filha no anivers�rio dela de 18 anos.
Algu�m vai me ajudar.
As pessoas estavam respondendo...
Cara, eu chorei... esse homem est� sofrendo e voc�s n�o dizem NADA!
Querendo ajudar...
#Justi�aparaKeisha
Tem que dar em algo, certo?
N�o desistam! Justi�a � o m�nimo que o mundo pode fazer por ela!
Que pai forte voc� �, Kalvon, amo voc�s! Aguentem firme
Onde est�o? Precisam de mais pessoas?
N�o consegui chorar quando vi minha filha com um buraco na cabe�a.
N�o consegui chorar quando vi minha filha
deitada no caix�o.
N�o choro faz muito tempo.
Mas ontem, com tudo isso no Facebook?
N�o, aquilo me fez chorar, cara.
Aquilo abriu a ferida novamente.
Enquanto eu reclamava e esbravejava, e sa�a de mim...
Quando eu menos esperava, a frente da delegacia
estava cheia de pessoas.
Havia pessoas l� me apoiando.
Isso tocou uma comunidade. Com certeza, tocou...
JOHN ESPAR EX-PROMOTOR DE LA PORTE
...e foi uma coisa impressionante ver grupos se reunindo
do lado de fora da delegacia num esfor�o para pedir justi�a,
uma investiga��o mais minuciosa,
para reavivar um caso que havia esfriado.
Voc�s simplesmente n�o sabem a dor que �.
N�o conseguir dormir � noite.
Quando voc� finalmente prega os olhos,
voc� v� sua filha deitada no ch�o. Eles est�o cobrindo ela.
E ela est� gritando: "Pai, me ajuda!"
Ajudar com o qu�? Como posso ajudar?
Eu sei como vou ajudar.
Vou vir aqui e tentar conseguir justi�a. Ali�s, desculpe.
Eu vou conseguir justi�a.
N�o iam varrer isso para debaixo do tapete,
n�o iam conseguir fazer isso.
Muitas pessoas estavam fazendo muitas perguntas.
L� vai ent�o.
Algu�m da South Bend News disse que est� a caminho.
E eu vou contar tudo.
Em 2016, eu era rec�m-formada. Era meu primeiro emprego como rep�rter.
Eu lembro...
KALVON HAWKINS EST� AO VIVO 8 DE NOVEMBRO DE 2016
Lembro de ver a live de Kalvon no Facebook.
Era tanta emo��o pura ali.
JESSI SCHULTZ EX-REP�RTER DA WSBT-22 NEWS
E sofrimento, tristeza e raiva.
Eu queria falar com ele.
Meu diretor na �poca disse:
"Se quiser fazer isso, fa�a tudo em uma hora
"e volte a tempo de colocar no ar."
Todos os dias, voc� e eu clicamos em nossos feeds do Twitter,
vemos o Facebook ou postamos fotos no Instagram.
Em alguns casos, as redes sociais est�o dando voz �s v�timas.
NeKeisha morreu na cidade de Michigan.
Cinco anos sem respostas.
O pai dela sempre se perguntando quem matou a filha.
Eles diziam: "N�o podemos fazer nada."
Ent�o fui para a rua e descobri como fazer uma live no Facebook.
Esse v�deo viralizou.
Est� on-line. Est�o falando sobre isso.
A mim parecia que Kalvon
n�o iria parar at� obter uma resposta.
Achei que ele n�o conseguia pensar em mais nada que n�o fosse NeKeisha.
Al�m do que estava ocorrendo com o caso dela.
Sou um pai orgulhoso.
Se eu n�o fizesse isso por Keisha,
eu n�o seria homem.
Tudo o que quero � ajuda.
Ponto final. Na lata.
Me ajudem.
Tudo o que pe�o � s� um pouco de ajuda!
Quero ajuda.
As redes sociais revelaram ser...
JOHN ESPAR EX-PROMOTOR DE LA PORTE
...uma ferramenta muito valiosa.
Bom dia, Facebook.
Sou eu de novo.
Pessoas est�o vindo de La Porte
e de toda a parte para ajudar.
Quando minha filha foi morta...
Isso vai para o assassino da minha filha.
Enquanto voc� vai com a farinha, eu j� voltei com o p�o.
Mais cedo ou mais tarde, vou conseguir justi�a,
e a� voc� estar� acabado.
Isso fez com que o chefe na �poca
encarregasse o caso a novos detetives.
MANIFESTA��O POR NE'KEISHA HODGES HAWKINS CIDADE DE MICHIGAN
DET. JILLIAN ASHLEY DELEGACIA DA CIDADE DE MICHIGAN
Estamos tendo esta manifesta��o hoje porque precisamos de testemunhas.
Precisamos que as pessoas deponham e digam: "Eu estava l�".
Voc� talvez fosse jovem naquela �poca, e eu entendo.
Voc� est� mais velho. Um pouco mais forte.
Voc� acha que pode fornecer a Detetive Ashley, a Detetive Painter,
informa��es sobre o que aconteceu?
Jillian Ashley e Anna Painter
fizeram o que precisava ser feito.
N�o retomaram a investiga��o de onde ela tinha parado,
mas a recome�aram.
Eu nunca fiz isso antes,
pegar um caso e dizer: "Vamos recome�ar."
E, junto com a detetive Painter, decidimos retirar arquivos do caso.
O que eu retirei do arquivo deste caso
foram as provas coletadas em 2011.
Isso aqui, e posso sentir o peso,
� a pistola autom�tica.
Aqui diz:
"pequena pistola semiautom�tica de colora��o marrom e preta."
Ela continha o n�mero de s�rie.
E dizia: "Recolhido de Cameron Kent".
ARMA DE CAMERON KENT DA INVESTIGA��O DE 2011
Est� vendo isso?
Nosso racioc�nio estava come�ando do zero.
Para n�s, foi pegar o depoimento de cada pessoa.
Acho que foram mais de 140.
E apenas ouvi-los novamente.
Era um monte de entrevistas
de todos os que foram
entrevistados em 2011.
Tentamos entrevistar de novo quase todos
que realmente estava na cena.
Na �poca da investiga��o de 2011,
havia duas testemunhas.
Skyiesha Pender e Michael Cooper.
Michael Cooper identificou o atirador.
Michael Cooper dep�s:
"Tenho informa��es sobre a morte dela,
"sobre o respons�vel.
DELEGACIA DA CIDADE DE MICHIGAN
"Era um jovem chamado Charles Gerron.
"Tinha uma arma naquela noite.
"Eu o vi atirar na multid�o.
"Ele � o respons�vel pela morte de NeKeisha."
Mas a declara��o de Michael Cooper n�o foi corroborada na �poca.
Charles Gerron n�o era desconhecido da pol�cia.
Ele teve incidentes com policiais antes,
j� aos 16 anos de idade.
E Skyiesha Pender estava na festa.
Ela ouviu os tiros sendo disparados.
Mas ela n�o deu mais nenhuma informa��o que pudesse ser �til.
Em 2016, Skyiesha Pender declarou estar com a mesma pessoa.
Mas tentar faz�-la falar mais
foi um pouco desafiador no come�o.
Mas quando ela come�ou a falar, ela deu uma declara��o muito �til.
Em 2011, ela estava num relacionamento com Charles Gerron.
Ela disse que estava na festa
e que ele apareceu l�.
E que depois que a festa acabou,
entre 50 a 75, 100 crian�as
sa�ram e foram para o estacionamento
e para a rua.
E ela disse que ouviu o som
do que ela achou serem fogos de artif�cio � dist�ncia, na colina.
Seguido por tr�s sons altos de tiros ali perto
que ela olhou diretamente para Charles Gerron e o viu
atirando na multid�o descendo a colina
e, ent�o, deu meia-volta e correu na outra dire��o.
FOTOS DA CENA DO CRIME
Ela se lembrou dele ligando para ela depois.
Ela se lembrou ter dito a ele que tinha acabado.
E, naquele momento,
a investiga��o tinha o que n�o tinha antes.
Que foi
uma testemunha confirmando o depoimento de outra testemunha.
Depois que Skyiesha dep�s,
t�nhamos o bastante para um mandado de pris�o para Charles.
Embora n�o tiv�ssemos o tipo de prova que desej�vamos,
que seria alguma prova f�sica no caso.
Ter a arma.
Algo f�sico que o ligasse ao crime.
N�o t�nhamos isso.
Mas eu sabia que t�nhamos �timas provas testemunhais.
T�nhamos duas pessoas,
cujos depoimentos foram fornecidos separadamente um do outro.
E por isso,
foram apresentadas acusa��es pelo crime de homic�dio.
FOTO DA PRIS�O DE CHARLES GERRON
Jessi Schultz aqui, com a WSBT.
Estou na cidade de Michigan.
Estou bem em frente da delegacia
porque enfim foi feita uma pris�o no caso NeKeisha Hodges-Hopkins.
N�o acreditava que tinham achado algu�m
e que tinha demorado s� um m�s ap�s a live dele no facebook.
Queria agradecer
a cada um dos dezessete... todos voc�s.
Os mais de 17 mil espectadores
que compartilharam esta hist�ria para obter ajuda para n�s.
Falei com os pais de NeKeisha hoje,
que me disseram que acabaram de tirar um peso das costas.
O pai dela disse que a noite passada foi a primeira noite
em que ele dormiu uma noite inteira em cinco anos.
Eles terem dito que fizeram uma pris�o hoje
foi o melhor presente de Natal que se poderia esperar.
Charles e eles costumavam atirar por aqui...
KALVON HAWKINS PAI DE NEKEISHA
...o tempo todo. Eles eram maus.
Costumavam correr por a�
atirando e aterrorizando a comunidade.
As pessoas da comunidade tinham medo deles.
Provavelmente por isso que n�o queriam depor.
Ter sido preso n�o significa que seria condenado.
Uma pris�o em si era excelente.
Mas quer�amos que isso passasse pelo sistema judicial
e saber como isso acabaria.
MICHIGAN, INDIANA
Quando os dois detetives...
NEBRASCA
foram aonde Michael Cooper estava morando e trabalhando,
e o comunicaram que o caso havia sido autuado,
eles n�o estavam preparados para a conversa que se seguiu.
Ele era muito reservado.
Ele disse: "Eu n�o me lembro direito."
Era s� uma maneira de dizer: "N�o quero me envolver."
Michael retirou o depoimento anterior.
Negou que aquilo tivesse acontecido.
Ele disse: "Eu inventei.
"Contei aos investigadores o que eles queriam ouvir.
"Contei o que aconteceu cinco anos e meio atr�s.
"Voc�s n�o acharam que o que eu tinha a dizer era forte o suficiente.
"N�o me perturbem agora.
"Eu segui em frente."
Os detetives retornaram
aos dois promotores designados ao caso
e disseram: "Temos um problema".
A perda da confirma��o de uma testemunha
foi devastadora para meus promotores na �poca.
Eles tinham em mente um caso que n�o poderiam provar em julgamento.
Essa testemunha n�o confirmada por nenhuma outra,
que n�o contou sua verdade durante cinco anos e meio,
n�o seria suficiente.
E eu entendia isso.
A virada dos acontecimentos tinha nos levado at� aquele ponto.
Basicamente de volta ao come�o.
Fomos for�ados a iniciar uma conversa
de que a defesa estava procurando e falando de um crime
muito menos grave do que o crime de assassinato.
Far�amos uma transa��o penal?
Extinguir�amos o caso
e esperar�amos que mais provas se desenvolvessem
ou que outras testemunhas depusessem?
Talvez recuper�ssemos a arma
que nunca tinha sido encontrado em cinco anos e meio?
Ficou decidido
que o indiciariam por imprud�ncia criminosa.
Era o crime que eles achavam que podiam provar.
Kalvon me ligou
e disse que tentavam fazer um acordo.
Foi uma grande surpresa para mim.
Porque quando apresentei o caso,
achei que t�nhamos o suficiente para conseguir manter a a��o.
Como investigadora, nunca queremos fazer acordos
porque entendemos que isso significa
que o suspeito n�o vai receber o que acreditamos que ele merece.
Sei que a fam�lia sentiu o mesmo.
Falam de justi�a.
Brincam com a gente por cinco anos e meio.
Como se a vida do meu beb� n�o valesse a pena...
Isso acaba quando eu disser que acabou, cara.
16 DE JUNHO DE 2017
Justi�a. Est� escrito nas paredes
do Tribunal de La Porte, na cidade de Michigan.
JUSTI�A POR NEKEISHA
� algo que o pai de NeKeisha Hodges-Hawkins receia
que sua filha nunca v� conseguir.
Minha filha n�o vai morrer em v�o.
Ela n�o � estat�stica. Isso eu garanto a voc�s.
Hawkins e fam�lia achavam que a dor deles estava quase no fim.
Mas Gerron fez um acordo por uma acusa��o menor
de imprud�ncia criminosa esta semana.
Hawkins diz que luta dele por justi�a,
a luta que ele pensou que finalmente chegaria ao fim,
agora est� longe de terminar.
N�o h� raz�o para que o assassinato da minha filha fique sem solu��o.
E 100 a 150 pessoas a viram ser morta.
Kalvon, a fam�lia e os apoiadores de dentro da comunidade
clamaram ao tribunal que rejeitasse o acordo,
e que permitisse nos arriscarmos no julgamento.
O juiz n�o aceitou o acordo,
e, como eu havia decidido,
n�o extinguimos o caso e aguardamos mais provas.
Seria uma tarefa dif�cil
convencer o j�ri com apenas uma testemunha,
mas poderia ser o suficiente.
SETEMBRO DE 2017
A necessidade mais urgente de provar este caso
era nos encontrarmos com Michael Cooper,
a outra testemunha forte que tinha prestado depoimento em 2011.
Ent�o n�s o intimamos
para se apresentar para um interrogat�rio.
Michael recebeu um mandado para comparecer em Indiana
e n�o o fez.
Conseguimos convenc�-lo de um jeito n�o convencional,
por�m necess�rio.
Conseguimos det�-lo por algo bem pequeno,
e traz�-lo de volta a Indiana.
Quando ele de fato estava em Indiana, fomos falar com ele.
INTERROGAT�RIO 1
Quando me sentei com ele,
eu disse: "Vi seu depoimento.
"Sei o que voc� disse cinco anos e meio atr�s.
"Acho que sei o que voc� deve estar pensando.
"Que voc� disse o que sabia.
"Ningu�m te ouviu.
"Ningu�m acreditou em voc�
"porque ningu�m fez nada a respeito disso.
"Mas estamos aqui e acreditamos em voc�.
"E gostar�amos de ter essa conversa com voc�."
Nesse processo,
ele decidiu: "Vou fazer isso."
Ele iria falar.
Ele nos contou o que viu naquela noite
e o que sabia
sobre a morte de NeKeisha e sobre quem a matou.
Mas o caso ainda precisava de provas f�sicas
que fossem capazes de ligar Charles Gerron ao crime.
Nosso caso nunca foi dos mais fortes.
Um dos problemas do caso
era que o atirador tinha sido identificado
como vestindo uma camisa quadriculada ou xadrez.
Mas o r�u n�o usava essa roupa
naquela noite de julho de 2011
quando foi entrevistado pela pol�cia.
A entrevista inicial dele em 2011.
Lembro dele chegando com uma roupa verde brilhante.
Um verde bem chamativo.
Tomamos conhecimento de algumas provas muito boas
nos preparativos para o julgamento.
Nunca vou esquecer. Era a sexta-feira antes do julgamento na segunda-feira.
TR�S DIAS ANTES DO JULGAMENTO
Enquanto prepar�vamos o caso para julgamento,
eu me encontrava pela primeira vez com Skyiesha.
Apenas como uma tentativa desesperada, sem expectativa real,
perguntei se ela havia tirado alguma foto com o telefone naquela noite.
Ela me disse que n�o.
Um dos fatos do caso que eu sabia era...
Na festa de anivers�rio,
havia uma cabine que tinha sido montada para as crian�as
tirarem fotos.
Perguntei se ela tinha tirado alguma foto
com Charles na cabine.
Ela disse que tinha.
"Voc� tem essas fotos?"
E ela disse: "N�o.
"Joguei fora naquela noite."
"Fui at� onde NeKeisha estava morrendo,
"e eu sabia que Charles Gerron tinha feito aquilo."
Ela disse: "Eu joguei as fotos no ch�o.
"Apenas as joguei no ch�o."
Ent�o me lembrei de ter visto no meu relat�rio
sobre as fotografias da cena do crime,
um envelope
do qual apenas uma fra��o da fotografia
podia ser vista.
Liguei rapidamente para a investigadora-chefe.
Pedi que ela me encontrasse na delegacia
na sala de provas.
E pegamos o que estava na caixa de provas,
um envelope com fotos.
E o r�u estava l�.
Ele usava roupa xadrez preta e branca ou cinza.
E naquele momento,
as provas f�sicas que confirmavam
o depoimento das duas testemunhas-chave
foram juntadas �s provas do julgamento ou do caso.
Voc� pode chamar isso de prova conclusiva num caso em que a arma n�o foi achada.
Porque era muito relevante.
Era clara, era forte e era uma prova da verdade real
de que Charles Gerron tinha matado NeKeisha Hawkins.
19 DE SETEMBRO DE 2017 O JULGAMENTO
O tribunal estava lotado dos dois lados.
Com os familiares de Gerron e os de Hodges-Hawkins.
Dava para sentir a tens�o no ar.
N�o perdi um dia do julgamento.
Eu estava l� cedo todos os dias que t�nhamos julgamento.
Todos estavam emotivos.
TRIBUNAL DO CONDADO DE LA PORTE
Os Hodges-Hawkins tiveram que reviver o pior dia de suas vidas
em todos os dias do julgamento.
Essa foi a coisa mais dif�cil da vida.
Choramos no tribunal.
Foi dif�cil, mas foi terap�utico.
Posso dizer que Charles Gerron estava frio como pedra.
Ele n�o demonstrava muita emo��o.
Ele n�o mostrava um pingo,
nem uma gota de remorso.
Ele ria no tribunal.
John Espar se esfor�ou muito
para provar que Gerron estava armado.
Ele estava armado antes da festa.
E trouxe testemunhas para dizer:
"Voc� estava l� antes disso quando viu Charles Gerron com uma arma?"
Eles responderam: "Sim".
Os promotores tentar�o convenc�-los
de que Gerron teve a inten��o de disparar a arma que matou NeKeisha.
O advogado de Charles Gerron tentava muito provar
que o depoimento da testemunha n�o era cr�vel.
Skyiesha Pender namorou com Gerron em 2011.
EX-NAMORADA DO SUSPEITO TESTEMUNHA
Ela disse ter visto Gerron com uma arma na noite em que Hawkins morreu.
Depois naquela noite,
ela viu Gerron disparar a arma numa multid�o.
A defesa que eles apresentaram
foi argumentar que, em nosso sistema judicial,
essa quantidade de provas ou que essa qualidade de provas
n�o � suficiente para condenar a pessoa plenamente.
Kalvon e Janice receavam
n�o obterem o veredito pelo qual lutavam.
26 DE SETEMBRO DE 2017 DIA DO VEREDITO
Quando ouvi todas as provas e o j�ri foi deliberar,
eu n�o estava segura.
Achei os dois resultados poss�veis,
culpado ou inocente.
Porque ambos apresentaram um caso v�lido.
Provavelmente, o momento mais tenso para um promotor
� esperar pela volta do j�ri.
Quando se fez o poss�vel e o resultado est� nas m�os do outro.
Ent�o voc� espera.
Disseram que ele era culpado.
Meus joelhos dobraram.
Foi como se fosse
meu anivers�rio.
O j�ri considerou Charles Gerron culpado pelo assassinato
de NeKeisha Hodges-Hawkins.
Vi membros da fam�lia NeKeisha Hodges-Hawkins
abaixarem a cabe�a e chorarem em sil�ncio.
VEREDITO DO JULGAMENTO DE GERRON POR ASSASSINATO
Charles Gerron parecia calmo o tempo todo.
Fiz isso por voc�, pequena.
Este � o melhor presente de anivers�rio.
Ela cuidou de mim o tempo todo.
Por tudo isso.
Ela pode dormir, e eu tamb�m.
Feliz anivers�rio para mim.
Eles nunca v�o ter a filha de volta.
O m�ximo que poder�amos fazer por eles
naquele momento aconteceu.
Finalmente tinha acontecido.
Eles finalmente estavam num ponto onde poderiam come�ar a se curar
da perda inimagin�vel que sofreram.
- Eu te amo. - Eu te amo.
Estou ao vivo aqui na delegacia da cidade de Michigan.
Quando Kalvon usou o Facebook Live em seu benef�cio,
era algo relativamente novo a se fazer.
N�o acho que ele sabia o que estava fazendo
ou o poder que ele estava explorando
quando pressionou "Ao vivo". E deu certo.
Seis anos de luta tinham chegado ao fim.
Keisha pode dormir.
Agora posso dormir.
A justi�a foi feita, e fiquei feliz.
Feliz que minha fam�lia pode se curar agora.
A justi�a ter sido feita me ajudou a me perdoar
por saber que n�o havia nada que eu pudesse ter feito.
Agora eu n�o tenho mais que fingir.
Posso tentar superar minha tristeza e minha depress�o.
Nunca vou reaver minha inf�ncia com essas li��es.
Mas agora posso processar as coisas de uma maneira muito saud�vel.
Naquela noite, sentei no final da rua
e eu os observei limpar o sangue da rua.
Eu os observei fazer tudo o que precisavam em rela��o a ela
e fiz as pazes com o fato de que ela se foi.
Ent�o tive essa sensa��o de paz
desde que ela se foi.
Porque sei que, um dia, a verei novamente.
N�o acredito
que Kalvon tenha encontrado a paz que encontrei
porque � dif�cil para ele fazer as pazes com o fato de que ela se foi.
Perder um filho nunca tem fim.
� apenas lidar com isso dia ap�s dia.
�s vezes falamos sobre Keisha.
Sobre as coisas bobas que ela fazia.
� assim que nos lembramos.
Podemos estar fazendo algo,
e um de n�s cai na gargalhada e diz: "Cara, aquela garota era louca."
E apenas rimos.
E vamos rir disso.
Podemos acabar chorando, mas rimos.
Sinto falta da risada.
Ela era t�o engra�ada.
� muito triste n�o poder ver o que ela teria se tornado.
D� para imagin�-la como conselheira de relacionamentos?
Os clientes dela provavelmente teriam terminado.
Teria sido hil�rio, mas...
Lembra dela jogando basquete?
Ela ficava na quadra e usava t�nis bonitos.
- Ela jogava. - Ela tinha t�nis bonitos.
Mas ela sabia jogar v�lei.
Ela era incr�vel no v�lei.
A pessoa mais baixa do mundo sabia jogar v�lei.
Acho que ele n�o percebe a magnitude do que fez.
� porque ele est� na cabe�a dele o tempo todo.
Quando ele sair da cabe�a dele,
voc� vai poder ver como ele � incr�vel.
Tentei te mostrar minha aprova��o.
Ele pegou as circunst�ncias dele e literalmente as mudou.
Se isso n�o for inspirador, realmente n�o sei o que �.
EM 31 DE OUTUBRO DE 2017
CHARLES GERRON FOI CONDENADO A 50 ANOS DE PRIS�O.
UM RECURSO FOI NEGADO EM 2018.
Legendas: Mauricio Mendes
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