All language subtitles for Web.of.Death.S01E04

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Original subtitles

O programa a seguir cont�m imagens e refer�ncias � viol�ncia sexual.

Verifique a classifica��o et�ria.

Quando se faz uma promessa aos idosos, n�o se quebra essa promessa.

Voc� tem que cumpri-la.

Encontr�-la,

traz�-la para casa.

15/07/1929-21/05/2020

Foram as instru��es da minha av�.

Muitos se perderam.

Muitos foram mortos.

Ainda est� acontecendo.

Ela levou mais de 28 facadas.

N�o tinha nenhum documento.

Nenhuma indica��o de quem era, de onde ela veio.

� a irm� de algu�m, possivelmente a esposa de algu�m,

e deve haver pessoas que a conheciam.

Na verdade, ningu�m ligou para perguntar sobre ela.

O caso esfriou.

N�o pode contestar a evid�ncia de DNA.

N�o tem como.

Procuro h� 40 anos.

N�o d� para desistir.

Nem para parar.

N�o pod�amos imaginar o que aconteceu.

Aonde voc� foi?

DETETIVES DA WEB

Sou Steve Rhods.

Detetive da Promotoria de Ventura...

DETETIVE - CONDADO DE VENTURA

...da unidade de casos arquivados.

Quando abro um caso arquivado, vou direto �s provas.

Que tipo de provas temos?

Era 15 de julho de 1980.

O xerife da �poca foi chamado a uma planta��o de amendoeiras,

na Highway 99, arredores da cidade de Delano.

L�, eles encontraram uma mulher, vestida, ca�da no meio das �rvores.

FOTOS DA CENA

N�o havia documentos, nenhuma indica��o de quem ela era,

de onde ela veio.

Perto dela, no ch�o, havia uma garrafa de cerveja,

e um ma�o de cigarros.

Marcas de pneus.

E era s� isso que havia,

al�m do que o corpo guardava.

Depois, fizeram uma aut�psia nessa mulher,

a quem chamamos de a Desconhecida de Kern County.

Descobriram que ela havia sido esfaqueada mais de 28 vezes.

O �lcool no sangue era 0,3,

ent�o ela estava bastante embriagada no momento da agress�o.

E o m�dico legista sentiu que se tratava de les�o corporal dolosa.

Os t�nis eram de um branco imaculado.

N�o havia sangue na parte de cima dos t�nis.

Ela foi esfaqueada deitada e nunca se levantou.

O sangue n�o escorreu para os p�s.

Ent�o, a presun��o era de que ela foi morta em outro lugar,

levada para aquele pomar e deixada l�.

Eu sou Dawn Ratliff, e eu sou a legista chefe

do gabinete do xerife do condado de Kern.

A causa da morte foram as v�rias facadas.

Havia tamb�m les�es defensivas.

Estabelecidas causa e forma da morte...

LEGISTA CHEFE, CONDADO DE KERN

...uma das primeiras prioridades � concluirmos uma identifica��o,

e, em seguida, encontrar membros da fam�lia

e notific�-los sobre a morte.

Coletamos as digitais, mas n�o estavam em arquivos.

Foi a� que o caso dela ficou mais dif�cil.

Provas foram coletadas da Desconhecida de Kern,

e foram preservadas, guardaram tudo no freezer.

Meu primeiro pensamento � que ela era algu�m, e que dariam falta.

Mas ningu�m ligou para perguntar sobre ela.

Ent�o ela ficou como a Desconhecida do Condado de Kern, n�mero 5.

NA��O SAMSON CREE

Fam�lia � muito importante para n�s. Em qualquer comunidade ind�gena.

Um cuida do outro e um procura saber do outro.

Fa�o p�o bannock e cuido dos irm�os.

Fam�lia sempre foi importante para n�s.

Meu nome � Violet Soosay, esse � meu nome em ingl�s.

Meu nome Cree �... Pisimwakskwew, mulher do sol.

E procuro minha tia desde os meus 20 anos.

Tia Shirley era muito alegre.

Muito gentil.

Meus cabelos eram bem cacheados,

e eu corria quando algu�m vinha com um pente ou uma escova.

N�o de Shirley. Shirley era algu�m em quem eu confiava.

E ela estava sempre penteando meu cabelo.

Ela sempre me fez sentir muito especial.

Eu cruzava o campo s� para ir v�-la todos os dias,

porque eu era muito ligada a ela.

Sim, eu a amava muito.

Eu a amava muito mesmo.

No in�cio dos anos 70, como muitos de n�s viv�amos na pobreza,

mais gente estava se aventurando fora da reserva.

Indo para centros urbanos.

Shirley achou que devia ajudar a m�e, e trabalhar fora da reserva.

Era o que pensava.

Acho que ela gostava de viver fora da reserva,

porque ela tinha o esp�rito livre.

Ent�o, ela apenas viveu a vida dela em Vancouver.

Mas Shirley era muito cuidadosa.

Ela enviava cart�es de Natal, cart�es de anivers�rio,

cartas, constantemente, para a m�e,

e eu tenho certeza de que em dezembro de 1979,

minha av� n�o recebeu um cart�o de Natal.

Em mar�o de 1980,

ela n�o recebeu o cart�o de anivers�rio.

E foi quando ela disse: "Algo est� acontecendo. Algo est� errado."

N�o pod�amos imaginar o que havia acontecido.

Para onde foi?

E foi cerca de um ano depois,

em 1981,

quando minha av� disse para minha tia Belle,

e para mim, para procur�-la,

e prometer que a trar�amos para casa.

Encontr�-la,

traz�-la para casa.

VIOLET SOOSAY MASKWACIS, ALBERTA

CONDADO DE VENTURA, CALIF�RNIA

PROMOTORIA - CONDADO DE VENTURA

Eu me tornei policial na juventude,

no gabinete do xerife aqui em Ventura.

Fui detetive, em crimes contra a propriedade,

e depois fui para homic�dios.

E, quando me aposentei em 2012,

fui convidado para cuidar de casos arquivados.

SARGENTO DO XERIFADO

Eu gosto de um bom problema.

Gosto de resolver o problema.

Eu gosto especificamente de cuidar de nossas v�timas.

Elas foram injusti�adas,

algu�m precisa falar por elas, e � isso que eu escolho fazer.

A Desconhecida de Kern � uma das v�rias investiga��es em que trabalho.

Em 18 de julho de 1980, por volta das 12h35,

patrulheiros do xerife de Ventura

foram enviados at� um corpo

no estacionamento da Escola Westlake.

Ela n�o tinha bolsa,

sem documentos, sem joias.

Facadas �bvias eram vis�veis no peito e nos bra�os.

Na �poca, em 1980, n�o havia DNA.

Praticamente tudo o que os investigadores puderam fazer

foi entrevistar quem estava assistindo ao jogo de futebol nas proximidades

e tirar fotografias.

No final do dia, realizaram a aut�psia.

Eles documentaram 23 les�es no corpo, 13 dos quais eram facadas.

Estava gr�vida de tr�s meses.

Havia ind�cios de viol�ncia sexual.

Na �poca, tentou-se identificar a Desconhecida de Ventura

pelas digitais, sem resultados.

Relat�rios de desaparecidos foram enviados,

de v�rios estados, e nenhum resultado.

E esse crime ocorreu tr�s dias depois que a Desconhecida de Kern foi encontrada.

DESCONHECIDA, KERN, 15 DE JULHO DE 1980

DESCONHECIDA, VENTURA, 18 DE JULHO DE 1980

N�o saber o que tinha acontecido com Shirley

foi realmente dif�cil.

Em 1981,

quando fui procurar ajuda da pol�cia,

eles nos disseram:

"� s� mais uma ind�gena morta."

"S� mais uma."

Foi o que me disseram.

N�s �ramos olhados como se n�o f�ssemos nada, sabe?

Foi quando eu aprendi, no in�cio de nossa busca,

que eles n�o iriam nos ajudar.

Eu sabia que tinha que continuar procurando por Shirley.

Eu fiz uma promessa para minha av�

que eu iria encontr�-la e traz�-la para casa.

Periodicamente, ao longo dos anos,

minha tia Belle e eu,

enquanto tivemos combust�vel, comida

e dinheiro para hospedagem,

n�s part�amos.

A viagem para Vancouver levava 12 horas.

N�s n�o par�vamos � noite

porque, quanto menos tempo voc� passa no motel,

mais tempo voc� vai ter para procurar, certo?

Na primeira vez

havia a empolga��o de:

"Vamos encontr�-la, vamos conseguir."

E, depois da primeira viagem,

voc� come�a a perceber: "Meu Deus."

Voc� entra na cidade e v� todos os pr�dios e todas as pessoas.

Foi esmagador.

Pensamos: "Meu Deus, onde vamos procurar?

Com quem vamos falar?"

� uma cidade enorme.

E como voc� vai olhar

em todos os cantos e recantos de Vancouver?

H� muitos becos.

Foi assustador.

Apenas a enormidade do que est�vamos tentando fazer.

Mas depois de um tempo, s� vag�vamos pelas ruas.

Fic�vamos procurando ind�genas nas ruas.

Se fosse seguro sair, n�s sair�amos.

De vez em quando, havia Cree, ent�o fal�vamos em nossa l�ngua

e pergunt�vamos se eles tinham visto Shirley ou sabiam dela.

E foi de partir o cora��o

ter que virar e voltar de m�os vazias.

Nenhuma informa��o nova para compartilhar com minha av�.

Acho que � isso que mexe comigo.

Ela era a matriarca, sabe?

Voc� n�o vai contra as palavras e as expectativas

de sua matriarca.

Para dizer a ela que n�o a encontramos.

"Da pr�xima vez", sabe?

Eu sei que ela ficou decepcionada.

Muitas vezes.

E depois,

ela simplesmente apagava as luzes e sentava no escuro.

E eu sei que ela estava chorando.

Em 1980,

a coleta de provas era limitada a pegadas de pneus, digitais.

Tire uma foto, escreva um relat�rio, saia e converse com algu�m.

E leve aquele bloquinho com voc�.

O DNA ainda n�o havia sido inventado.

N�o havia DNA.

Hoje temos DNA.

� a solu��o m�gica para identificar tudo e todos.

Estamos sentados aqui, espalhando DNA por toda a sala.

Voc� sai, eu posso entrar aqui e limpar tudo isso agora e te identificar.

Para mim, quando reviso um caso sem solu��o,

se houver algo que seja remotamente DNA, eu vou pegar o caso.

Voc� n�o pode contestar o DNA.

N�o tem como.

Comecei a procurar por Shirley on-line no in�cio dos anos 2000.

A ideia de procurar algu�m on-line

era novo para mim naquela �poca.

No come�o, eram mais ou menos apenas obitu�rios.

Depois meio que reduzindo para Soosay,

e anos.

N�o havia nada que eu pudesse encontrar l�.

Sem resultados

A menos que voc� tenha acesso a sites da pol�cia,

n�o tem como tentar obter nenhum arquivo de casos.

Acesso negado Autoriza��o necess�ria

N�o tenho autoriza��o.

Ent�o, isto n�o era uma op��o.

Minha m�e sempre contou hist�rias.

Sempre contava hist�rias sobre Shirley,

tem sido uma s�rie de emo��es para minha m�e.

Quando se trata de ind�genas,

eles s�o quase como que empurrados para o lado.

Voc� come�a a procurar pessoas desaparecidas,

a maioria n�o � ind�gena.

O que posso fazer de diferente?

Para onde eu vou daqui?

O governador Schwarzenegger, da Calif�rnia,

� um grande apoiador da ideia do banco de dados de DNA.

Como vai funcionar?

Proposta 69, Calif�rnia,

faz a coleta obrigat�ria do DNA de cada criminoso condenado.

H� mais de um milh�o de kits de DNA no banco de dados da Calif�rnia,

e em janeiro do ano que vem,

eles v�o coletar o DNA de todos os presos por crime.

Eles resolvem de quatro a cinco casos n�o resolvidos por dia na Calif�rnia

por causa da lei do Governador Schwarzenegger.

Proposi��o 69 aprovada, dando � nossa for�a policial,

as ferramentas de �ltima gera��o para deter criminosos.

Assine. Este � o cart�o que diz que voc� est� nos dando seu sangue e saliva.

Sob a lei da Calif�rnia, todos os condenados por crimes violentos,

crimes sexuais, roubos, roubos de carros e inc�ndios criminosos

devem fornecer amostras de DNA.

N�s mandamos as cal�as da Desconhecida de Ventura,

calcinhas, unhas, para perfil de DNA.

Ent�o n�s carregamos esse perfil

em um banco de dados nacional que chamamos de CODIS.

Em 2012, h� uma ocorr�ncia com Wilson Chouest.

CENA DO CRIME - VENTURA

Tamb�m somos informados de que � compat�vel com Kern.

CENA DO CRIME - KERN

Ent�o, come�amos a trabalhar nos dois casos ao mesmo tempo.

Em 1980, eles tinham o DNA, mas s� mais recentemente

os cientistas puderam vincular ao homem que acham que � o respons�vel

por corpos que surgiram no sul da Calif�rnia.

Este � o Sr. Wilson Chouest,

um veterano do ex�rcito dispensado por v�cio em hero�na.

Wilson Chouest � um estuprador condenado.

Na pris�o, foi obrigado a fornecer uma amostra de DNA,

que � carregada no banco de dados de DNA.

Esse banco de dados encontrou o caso da Desconhecida de Kern

e da Desconhecida de Ventura.

Wilson Chouest � o nosso cara.

Sem d�vida nenhuma.

N�s s� temos que entrevist�-lo para descobrir qual � a hist�ria dele.

Hoje � 23 de setembro, 10h35 da manh�.

Estamos na Pris�o Estadual de Corcoran.

Sou Steve Rhods, investigador do gabinete da Promotoria.

Estou acompanhado de...

Arnie Aviles, Gabinete do Xerife de Ventura.

Vamos entrevistar Wilson Chouest.

Como voc� est�?

- Tudo bem. - Steve Rhods. Lembra de mim?

Sim.

Como voc� est�?

Tudo bem comigo.

Um dia de cada vez.

Dia a dia, sim.

Temos fotografias que baixamos da Internet,

de pessoas aleat�rias.

E dizemos: "Esse estupro aconteceu em um posto dos correios na rodovia 101."

E Wilson diz: "Eu estava preso na �poca".

Certo, voc� n�o cometeu esse.

Este aconteceu quando voc� estava preso tamb�m.

N�o foi voc�.

Estamos ganhando a confian�a de Chouest.

Ent�o mostramos a ele a foto da Desconhecida de Ventura.

Temos uma mulher que foi esfaqueada.

Sim.

- Ventura? - No condado de Ventura.

- Sim. - Esfaqueada em Ventura.

Ela foi desovada em uma �rea remota.

E ela tem esperma na calcinha.

Este aconteceu perto de um estacionamento da Escola Westlake, na 101.

Wilson nem olha para a foto dela.

Ele nos diz: "Eu nem sei onde fica a rodovia 101."

Wilson Chouest passou toda a vida adulta em San Fernando Valley.

N�o pode ir de uma ponta de San Fernando Valley

� outra dirigindo, sem passar pela 101.

Simplesmente n�o pode. Ent�o, � mentira.

Preciso da verdade.

Melhor,

preciso de uma mentira.

Poderia provar a verdade, mas provar a mentira � mais f�cil.

Temos o DNA, sabemos quem ele �.

Ent�o, temos uma mulher

que foi morta em julho de 1980, enquanto voc� estava em liberdade.

Estava livre em julho.

E ela foi esfaqueada at� a morte.

Ela foi abusada sexualmente.

E seu DNA estava na calcinha dela.

Seu DNA estava nas unhas dela.

Certo?

- Meu DNA, n�o. - Seu DNA.

Os n�meros s�o enormes.

Inacreditavelmente grandes.

Tr�s dias antes desta garota ser encontrada,

esta foi encontrada em Kern

em um pomar de am�ndoas perto de Delano.

Ela foi esfaqueada.

Certo.

Seu DNA estava na calcinha dela.

- N�o. - Sim.

Precis�vamos que Wilson dissesse quem eram, onde as conheceu,

e ele se recusou a reconhecer que tinha algo a ver com isso.

- Voc� esteve naquela cena. - N�o.

N�o, eu n�o estive.

Dois ou tr�s dias depois,

fui at� a cadeia e o prendi pelos crimes.

O Sr. Chouest foi preso por homic�dio hoje.

O principal � tentar identificar quem s�o essas mulheres,

porque s�o irm�s de algu�m, talvez esposas de algu�m.

Deve haver pessoas que as conheciam.

Queremos dar um encerramento para as fam�lias,

e para que saibam o que houve com a m�e,

irm� ou filha, quando ela n�o voltou para casa naquele dia.

Ol�, m�e.

Eu estava vendo essas fotos

porque essas s�o as principais que temos da tia Shirley.

Acho que esta � minha favorita.

Sim, acho que � a favorita de todos.

E foi durante as f�rias escolares de ver�o, do internato,

e todas as meninas tiraram uma foto.

Esta � a tia Shirley,

minha irm� Lillian, minha irm� Pat.

E tamb�m tem meu pai.

Estes s�o todos meninos do internato.

Sim.

O internato era para tirar a cultura ind�gena das crian�as,

e come�ou no final de 1800, at� 1996.

Ent�o, foi um s�culo inteiro

retirando as crian�as dos lares tradicionais.

E assim, havia uma grande desconex�o.

- E d� para ver os chap�us que usavam. - Sim, � muito legal.

Eu nem sei como chamam,

mas eu lembro que usavam muito.

O internato era um terreno f�rtil

para abuso sexual, psicol�gico e f�sico.

Era a realidade que tivemos que enfrentar.

Muitos deles se tornaram alco�latras.

Se tornaram viciados.

Ent�o, esses internatos,

sim, eles nos educaram,

mas eles fizeram mais mal do que bem

para a maioria.

Minha m�e morreu h� dois anos.

Ela nunca nos abra�ou ou nos beijou.

Porque ela esteve no internato.

Meu cora��o s� se abriu quando ela compartilhou,

e entendi por que ela fazia o que fazia.

Eu estive no internato,

mas tive a sorte de meu pai me mandar para a casa dos meus av�s

para ter uma imers�o cultural por dois anos, e volta r

para saber quem eu era.

Ainda tenho que lidar com...

recorda��es,

voc� sabe...

com muita SEPT do internato.

Ent�o, ao criar meus filhos, eu falo sobre a hist�ria.

Eu falo sobre o que aconteceu.

Mas voc� s� tem que falar a verdade.

Houve muitos traumas intergeracionais que foram passados adiante.

Todos os dias estamos aprendendo sobre nossa pr�pria hist�ria

e nossas linhagens

e o que nossa fam�lia e nossos ancestrais passaram.

Voc� carrega isso... para sempre.

E at� voc� ter filhos,

e at� se tornar consciente de como...

essas coisas afetaram voc�,

� quando voc� tem o poder de mudar.

E para mim, at� hoje, sofro com minha pr�pria maternidade.

Mas eu sei que estou...

Eu sou uma boa m�e para meus filhos.

Ol�.

- Oi, Lily. - Oi.

Oi.

Voc� est� bem?

Quer levar um lanche l� para cima?

- Sim. - Certo.

Sempre fui muito grata pela minha m�e,

porque eu entendo, e eu sei que a vida poderia ter sido t�o diferente

para n�s, para mim, para meus filhos.

Depois de prendermos Wilson Chouest pelos assassinatos das mulheres,

senti: "Sim, este caso est� pronto para ser julgado.

Vamos levar ao promotor."

E foi a� que conheci o promotor John Barrick.

Eu estava sentado no meu escrit�rio um dia

e meu chefe veio at� mim e disse: "H� este caso,

os investigadores querem que algu�m d� uma olhada nisso.

Se importaria de vir a uma reuni�o e ouvir o que t�m a dizer?"

Eles come�am falando sobre os fatos do caso,

a cena do crime.

N�o havia muitas provas na cena do crime.

N�o havia testemunhas oculares.

Mas ent�o, bem no in�cio da apresenta��o,

ele falou do DNA.

Que encontraram manchas de s�men

na roupa �ntima da v�tima no condado de Ventura,

e foi compat�vel com Wilson Chouest.

E eu larguei minha caneta e parei de fazer anota��es.

E para mim, eu estava: "Bem, � isso."

Percebi que John parou de tomar nota.

Para mim, foi preocupante,

eu pensei: "Eu o perdi."

Quando voc� faz tribunais com j�ri e eu j� fiz alguns,

h� dois tipos de provas que os jurados adoram,

v�deo de c�meras de seguran�a e DNA.

E para mim, se voc� tem um dos dois, voc� vai em frente.

Eu n�o quero jogar p�quer contra John Barrick.

E quando terminamos,

ele levantou, disse que estava bom.

"Leve para o gabinete, vamos indici�-lo."

Fiquei muito feliz.

Foi nessa reuni�o que eles mencionaram

que havia outra v�tima n�o identificada em Kern,

tr�s dias antes, na mesma situa��o.

Estuprada, assassinada, n�o identificada.

Eu disse: "Quais s�o as chances de ter duas v�timas n�o identificadas,

em dois condados e os estupros/assassinatos ocorrerem

em tr�s dias, por um suspeito que � um conhecido

estuprador em s�rie cumprindo pena por estupros em s�rie?"

N�o tinha nem o que pensar.

Eu ia dar prosseguimento.

Foi assim que decidimos avan�ar com os dois casos no condado de Ventura.

O julgamento durou um m�s.

As provas funcionaram como planejado.

N�o s� t�nhamos o s�men, mas t�nhamos DNA em separado,

um de uma garrafa de cerveja em Kern, e das unhas

da v�tima no condado de Ventura.

Sab�amos que, durante o julgamento,

voc� tenta convencer 12 estranhos a n�o terem d�vidas

de que as provas que mostra s�o verdadeiras, isso pode ser dif�cil.

S� de fazer 12 pessoas concordarem em algo.

Ent�o � um momento muito estressante quando se � promotor.

Ventura decidiu julgar ambos os casos, dobrando a carga de trabalho

e dando a ambas as v�timas uma chance de justi�a.

Quase 40 anos ap�s os assassinatos, as v�timas tiveram justi�a.

Mesmo n�o tendo prazer

de condenar um r�u,

tenho uma grande satisfa��o profissional

em dizer que voc� jamais sair� em condicional.

Seu �ltimo suspiro ser� dado na pris�o estadual.

Que � onde voc� merece estar

e vai ficar por minha ordem.

E, com isso, Wilson Chouest foi condenado � pris�o perp�tua

sem possibilidade de condicional.

Eu teria ficado chocado se o j�ri tivesse decidido

pela inoc�ncia em algo. Mas ele disse: "Obrigado."

Cada um fez o seu trabalho. Ficamos felizes.

Wilson est� no lugar dele, na pris�o.

� meio estranho para os promotores fazer um julgamento de assassinato

em que n�o haja fam�lia da v�tima no tribunal,

e acho que o medo � que se n�o h� o apoio da fam�lia,

talvez o j�ri n�o se importasse com o caso.

Mas eu achei que foi o oposto,

eles se importaram ainda mais.

Como as v�timas eram desconhecidas, eles se tornaram defensores delas.

Ficou cada vez mais claro que eu precisava ser a fam�lia delas.

Temos que ser a fam�lia delas, a voz delas.

E irmos at� o fim.

Participar do julgamento foi provavelmente uma das coisas mais importantes

que eu fiz na minha vida.

O nosso chamado � pela v�tima.

� quem estamos defendendo.

E essas duas mulheres...

RECONSTITUI��O - V�TIMA DE VENTURA

...foram ignoradas em vida, ignoradas na morte porque n�o tinham nome.

RECONSTITUI��O - V�TIMA DE KERN

Aquelas mulheres n�o mereciam nada disso.

Elas deveriam ter sido tratadas como todo mundo.

Outros podiam sentir que o trabalho estaria feito

a essa altura, Rhods se sente diferente.

Eu sinto que precisamos mand�-las de volta para as fam�lias.

N�o acabou at� eu descobrir quem elas s�o e mand�-las para casa.

O meu �nico lamento no caso

� n�o poder ligar para os pais

e dizer: "Eu fiz justi�a por sua filha."

� meu �nico lamento.

Parcialmente alcan�ado.

Mas a conquista final ainda est� por vir, espero que em breve.

MARCHA POR MULHERES IND�GENAS DESAPARECIDAS E ASSASSINADAS

Infelizmente, com Shirley,

ela era uma de muitas...

CONSCI�NCIA E A��O - "MAIOR CONSCI�NCIA LEVA � MAIOR A��O"

...muitas que se perderam.

� quase uma coisa semanal,

algu�m de n�s desaparecer, nossos filhos desaparecerem.

Precisamos que as pessoas se importem.

Precisamos que as pessoas se conscientizem de que isso ainda est� acontecendo.

CHEGA DE IRM�S ROUBADAS

Minha fam�lia est� aqui porque conhece minha luta ao longo dos anos,

e ao estarem aqui,

reconhecem e respeitam o caminho...

...que eu tenho trilhado.

Minha jornada sempre foi quase solit�ria.

Caminhando sozinha.

Agora, estou com outras pessoas.

Sinto que n�o estou sozinha.

N�o consegui salv�-la, n�s tentamos.

O mal que a levou era t�o forte que eu n�o percebi.

Dever�amos ter feito mais.

A nossa experi�ncia, infelizmente, me ensinou

e a muitas outras mulheres ind�genas que n�s sempre...

...temos que cuidar umas das outras.

Esta � a nossa realidade h� muitos, muitos anos.

Tenho que ter essas conversas com minha filha.

Agora ela tem seis anos.

Com o passar do tempo, teremos conversas mais profundas

sobre a realidade das mulheres, e das mulheres ind�genas especificamente.

Minha av� desapareceu e foi assassinada em Vancouver.

O nome dela � Jean Smith.

E minha tia, Marlene Currie, tamb�m foi assassinada em Montreal.

Estou aqui em honra da minha prima, Savannah Buffalo,

a falecida Sophie Coyote, a falecida Matilda.

Os casos foram encerrados muito r�pido.

A �ltima vez que vi Shirley foi em 1977,

no vel�rio e funeral do meu pai.

Anos depois, vov� nos pediu para procurar Shirley e traz�-la para casa.

E para todos os povos origin�rios que entendem,

quando se faz uma promessa aos anci�es, voc� faz o seu melhor

para cumprir a promessa que fez a eles.

E eu continuei.

ELA � M�E - IRM� - PRIMA - MELHOR AMIGA DE ALGU�M

Muitas pessoas n�o querem falar dessas coisas.

Mas para trazer o esp�rito de volta, precisamos reconhec�-los.

Precisamos garantir que estamos fazendo o nosso melhor

para dar voz a elas.

Meu nome � Gina Wrather, e sou volunt�ria do Projeto DNA Doe.

O Projeto DNA Doe come�ou em 2017.

PROJETO DNA DOE

� uma organiza��o sem fins lucrativos.

Trabalhamos com as pol�cias

para identificar indigentes

com o uso de DNA e genealogia gen�tica investigativa.

Afixadas nestas paredes, perguntas ecoam para dezenas de fam�lias.

Sem saber o que houve com os entes queridos sumidos h� anos,

�s vezes d�cadas.

Nossos fundadores perceberam que a mesma tecnologia

e os mesmos m�todos que s�o usados

para identificar os pais biol�gicos de adotados

poderia ser usado para identificar esses indigentes.

N�o desistimos de nenhum caso.

N�o importa se leva dez horas

ou dez mil horas, porque todos n�s voluntariamos nosso tempo.

Se o seu DNA estiver a�,

poderia potencialmente resolver um caso?

Claro.

Eu me tornei um viciado em crime s� de ver esses programas,

de ouvir podcasts.

Eu os vi identificarem...

o Assassino do Golden State.

Esta manh�, novos detalhes da rigorosa investiga��o

que revelou quem era o assassino de Golden State...

mais de 40 anos depois da matan�a come�ar.

Fontes policiais informaram ao ABC News

que eles usaram um site de genealogia para ajudar a ligar o DNA de Joseph DeAngelo

a cenas de crimes anteriores.

Pegar essa prova e comparar com os membros da fam�lia

dentro do banco de dados on-line at� encontrarem o suspeito.

A ideia

de encontrarem esse indiv�duo,

com toda aquela coisa do DNA,

vendo o programa, pensei: "Caramba!

Aqui est�. � isso.

Isso pode realmente ajudar."

Ent�o pesquisei meu DNA, nossa genealogia familiar.

E ent�o meu amigo colocou no site ancestry.com.

Mas ningu�m disse nada.

Em 2016, entrei para a for�a-tarefa...

DETETIVE - CASOS ARQUIVADOS

...do Assassino do Golden State.

A genealogia gen�tica pega o DNA do suspeito,

e constr�i a �rvore geneal�gica do suspeito

na tentativa de identific�-lo e seus parentes.

Quando vi o sucesso de identifica��o

de Joseph DeAngelo como o assassino,

Voltei para casa e apliquei na Desconhecida de Kern.

Steve me ligou um dia e disse: "Acho que precisamos...

LEGISTA CHEFE. CONDADO DE KERN

pensar em DNA geneal�gico."

Eu tinha a Desconhecida de Kern,

mas a parte que faltava era que eu n�o tinha um esp�cime.

N�o tivemos esp�cimes de 1980 que haviam sobrevivido.

Ent�o eu pensei bem e decidi que

talvez pud�ssemos tentar obter uma amostra de DNA

das roupas usadas na cena do crime.

Estavam muito degradadas.

FOTO DA CENA DO CRIME

Mas o laborat�rio criminal conseguiu levar algo para an�lise.

Estavam procurando volunt�rios para este caso...

PROJETO DNA DOE

e ent�o coloquei meu nome.

Quando enviamos originalmente,

acho que havia 19 compatibilidades,

o que � muito pouco,

e conseguimos ver a etnia imediatamente.

Era mais prov�vel que ela fosse ind�gena...

AMER�NDIO - 64% �RTICO - 14%

ALTAICO ANCESTRAL - 4% OUTROS - 18%

...do que ser hisp�nica.

Ent�o come�amos a procurar

nos grupos ind�genas do Facebook

e come�amos a apelar para eles.

Quero um nome no t�mulo dela.

Atualiza��o! Desconhecida de Kern

Quero mand�-la de volta para a fam�lia.

� o lugar dela.

A fam�lia merece saber o que houve.

E isso � obsessivo?

N�o, acho que n�o.

S� faz parte do trabalho.

Est� ficando impaciente?

Vamos resolver. S� n�o sei quando.

� um caso dif�cil.

TODOS IMPORTAM

� realmente gratificante para mim ver o que ele faz.

Acho que ningu�m percebe como ele leva o trabalho a s�rio.

E como ele � dedicado a isso.

Ele recebe telefonemas

da hora em que chega em casa, durante a noite, 20h30, 21h.

Pode ser feriado,

pode ser fim de semana, algu�m est� sempre ligando para ele,

e ele est� sempre no telefone.

Ele dorme, respira, tudo.

Ele � muito dedicado �s v�timas.

Perdi dois anivers�rios seguidos por causa de assassinato.

Mickey sempre apoiou tudo o que eu fiz.

Ela me acusa de saber mais sobre o crime do que eu

sei sobre as responsabilidades dom�sticas.

Mas... E ela est� certa.

Se eu tivesse que cuidar de contas, n�o conseguiria.

Tivemos um momento importante em setembro de 2019.

Tivemos uma nova compatibilidade no GEDmatch.

DESCONHECIDA

Ela estava dentro da faixa de primo de segundo grau.

E dos bisav�s,

apenas um bisav� era ind�gena.

E ent�o dissemos: "Estamos no caminho certo aqui."

Assim que identificamos o bisav�,

sab�amos que ele viveu toda a vida

na �rea de Maskwacis.

Os filhos dele viveram toda a vida l�,

os netos viveram a vida inteira l�.

NA��O CREE

Ent�o, sab�amos que algu�m l� provavelmente sabia quem ela era.

Este caso foi uma montanha-russa,

porque �s vezes eu sentia

que n�o ir�amos solucionar.

N�o houve uma identifica��o ind�gena

at� a presente data.

Eles est�o sub-representados

nos bancos de dados de teste.

Tiveram a hist�ria apagada.

E assim, em fevereiro de 2020,

fizemos mais um apelo nos grupos Ind�genas do Facebook.

Precisamos que todos compartilhem e que olhem para esse rosto.

E precisamos que considerem,

se pode ser algu�m que voc� conhecia em 1980.

Eu senti

que tinha esgotado todos os caminhos para encontrar minha tia.

E em uma reuni�o de mulheres em Calgary,

falei em um grupo de mulheres

que eu perdi minha tia, que ela estava desaparecida

desde 1979 e fiz uma promessa

para minha av� que eu iria encontr�-la e traz�-la para casa.

Eu estava no fim da linha.

Quatro dias depois...

Facebook.

Meu Deus. Minha amiga,

ela disse: "Entra no Facebook.

"Eles encontraram uma mulher de Maskwacis."

E ent�o eu entrei no Facebook,

fiz login e falei: "� ela!

Essa � ela."

Recebi um telefonema de Violet e ela disse: "Acho que essa � minha tia".

E enquanto ela estava descrevendo as circunst�ncias,

parecia cada vez mais prov�vel.

O fator definidor seria a compara��o de DNA.

E perguntei a Violet se ela tinha algum teste de DNA. E ela disse sim.

Pedimos a quem testa para baixar

os dados de DNA para o pr�prio computador e carregar no GEDmatch.

E esse era o passo que faltava a Violet.

Ent�o, ela disse: "Vou fazer o upload".

Quando eu estava na frente do computador, carregando meu DNA,

essa foi a minha d�vida de �ltima hora.

Pensei: "E se n�o for?" Sabe?

Diferente de quando eu vi a foto

e pensei: "� ela!"

Eu estava t�o otimista.

E ent�o eu a orientei, ela carregou,

fiz a compara��o um a um.

DESCONHECIDA DE KERN

E eu disse: "Violet, esta � sua tia."

Foi o momento mais emocionante

em toda a minha experi�ncia no Projeto DNA Doe.

Ela n�o disse nada.

Foi pura emo��o.

N�o foi... N�o foram palavras. Foi um som.

Sim, eu senti.

Acho que surtei.

N�o sei se gritei ou chorei, ri ou o que quer que seja.

Devo ter parecido louca para ela.

Mas eu tive que me desculpar,

e eu fui para o meu quarto

e eu gritei no meu travesseiro e ent�o eu sa�.

Passei por tantas emo��es.

� que foram...

Trinta anos de emo��es que vieram...

Uma atr�s da outra.

Foi luto.

Foi um al�vio.

16/05/1959-25/02/2015

Mas ela continuou dizendo: "Eu cumpri minha promessa.

Eu encontrei voc�.

Eu cumpri minha promessa."

O mais dif�cil, � claro, foi saber como ela havia falecido.

Foi realmente doloroso.

Ela de alguma forma foi parar na Calif�rnia.

Eu n�o sei o que aconteceu.

Triste por a encontramos dessa maneira,

mas feliz por podermos traz�-la para casa.

Hoje, as not�cias do gabinete do xerife,

finalmente, n�s sabemos

o nome da mulher deixada para morrer h� quatro d�cadas.

Uma v�tima n�o identificada mesmo ap�s a pris�o do assassino.

Shirley Soosay foi identificada quando a sobrinha, Violet,

se deparou com um post do Projeto DNA Doe.

Muito trabalho foi feito nesse caso,

muitas madrugadas para chegar a esse objetivo,

e o objetivo era justi�a para as v�timas.

Quando Shirley foi identificada,

procurei Violet. Foi bom falar com ela.

Gostei de saber que ela sabia que havia algu�m lutando pela Shirley.

06/02/1945-14/07/1980

Isso me d� uma sensa��o de: "Isso � o que eu devo fazer."

Steve Rhods,

ele n�o desistiu dela.

E eu o amo por isso.

Ele tem um lugar especial na nossa fam�lia.

Assim como Dawn Ratliff.

E Gina, o Projeto DNA Doe.

Achei que estava fazendo isso sozinha.

Mal sabia eu que havia outros

que estavam fazendo a mesma coisa, s� t�nhamos que nos encontrar.

Estavam tentando descobrir a identidade dela.

Eu estava tentando encontrar minha tia.

Saber que eu realmente n�o estava sozinha,

foi muito reconfortante.

As pessoas se importam.

E minha tia de esp�rito livre est� voltando para casa.

Este momento demorou 40 anos.

A volta de Shirley Ann Soosay

A volta chorosa e alegre para algu�m que morreu h� anos.

Os restos foram levados para uma funer�ria em Wetaskiwin,

onde foi recebida por Violet e motociclistas de Maskwacis

para escoltar Shirley no caminho de casa.

Agora que Shirley pode ser devidamente enterrada,

Violet tamb�m pode finalmente descansar.

N�o h� mais incertezas.

Temos certeza de que ela est� em casa agora.

A Desconhecida de Ventura permanece n�o identificada.

Steve Rhods continua procurando a fam�lia dela.

Legendas: Danielle Soares

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