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Original subtitles

O programa a seguir cont�m imagens fortes e refer�ncias � viol�ncia sexual.

Verifique a classifica��o et�ria.

Tentar encontrar o animal que voc� quer ca�ar

� bem parecido com meu trabalho como investigador.

A habilidade mais importante nessas coisas

� a paci�ncia.

Uma mulher com quase 50, nua, deitada de bru�os,

degolada.

Essa � a cena de um crime muito violento.

Pessoas inocentes n�o mentem.

CULPADO POR ASSASSINATO

Dentro de mim, sei que tem mais coisa nesse caso.

Acho que podem ter pegado a pessoa errada.

Deve ter sido um dos piores dias da minha vida.

Sabemos que a verdade est� em algum lugar l� fora.

DETETIVES DA WEB

Moro numa cidade rural muito pequena, Buchanan, Michigan.

� a cidadezinha pitoresca onde todos se conhecem.

No in�cio de 2000, me tornei bombeiro volunt�rio.

A coisa me pegou na hora. Adorei.

Eu adorava sair e ajudar as pessoas todos os dias.

Pra mim, n�o era nada chutar a porta, apagar o fogo.

Quando apag�vamos o fogo, entr�vamos e come��vamos a investigar o inc�ndio.

Acabei sendo promovido a chefe dos bombeiros.

De repente, estou lutando por or�amentos

e n�o apagando inc�ndios.

Eu n�o estava me sentindo realizado.

DEZEMBRO DE 2014

Um dia, est�vamos no quartel,

e Bob chegou com seus fones de ouvido.

Perguntei o que ele ouvia. Era um podcast chamado Serial.

Ent�o ou�o essa hist�ria de um crime e de um assassinato tr�gico

e de uma poss�vel condena��o injusta.

Meio que fiquei obcecado com isso.

Em algum lugar dentro de mim, havia esse investigador

que dizia algo como: "Espera a�, essa n�o � a hist�ria toda",

e queria ir atr�s de mais respostas.

Fiz um podcast para que os interessados nisso

pudessem escrever para conversarmos.

Bob gostava de corrigir erros.

Ele fazia isso todos os dias como bombeiro,

e era algo que se transpunha perfeitamente num podcast.

� dif�cil lembrar de 2015.

Havia poucos podcasts sobre crimes n�o solucionados.

Era uma coisa nova.

Ningu�m ficou mais chocado do que eu

quando, em semanas ap�s come�ar a lan�ar esses epis�dios

que eu estava gravando com um equipamento de $100,

eu tinha uns 10 mil inscritos.

Comecei a me dar conta

de que existia um verdadeiro potencial para n�s, leigos,

darmos continuidade a casos arquivados h� muito tempo.

Recebia todos esses e-mails de ouvintes.

As pessoas me pediam para investigar casos de familiares,

de pessoas tidas como injustamente condenadas.

Eu precisava de um nome.

Tenho essas duas tatuagens nos antebra�os, as palavras verdade e justi�a em latim.

Ent�o, escolhemos Truth and Justice como o novo nome do podcast.

Testando, um, dois.

Ol� a todos e bem-vindos de volta ao Truth and Justice.

Sou o host, Bob Ruff,

e quero agradecer a todos por baixar este epis�dio.

N�o sei como dizer isso,

a n�o ser chamar todos voc�s de ex�rcito do Truth and Justice,

porque, juntos, somos uma for�a a ser reconhecida.

E, juntos, nossa voz ser� ouvida.

Voc�s est�o certos.

Ele come�ou...

no por�o dele.

A coisa foi crescendo.

BRUCE RUFF PAI DE BOB

E n�o que eu soubesse o que estava acontecendo,

mas ele dizia: "Sim, recebi uns 30 e-mails."

E, na semana seguinte, ele continuou

e disse: "Cara, recebi uns cem e-mails."

E, algumas semanas depois, ele tinha e-mails demais para ler.

Quando ele veio at� mim e disse:

"Acho que quero fazer isso em tempo integral,

"e desistir da minha carreira nos bombeiros."

Eu nunca disse a ele: "N�o fa�a isso."

Pensei nisso e disse: "Rapaz, isso pode ser arriscado."

Eu tinha reuni�o com minha equipe de bombeiros.

Tinha decidido que n�o queria mais fazer parte daquilo.

Cheguei em casa

e conversei com minha esposa. Eu disse:

"Acho que quero largar meu emprego

"e investigar essas condena��es injustas em tempo integral."

E minha esposa me deu muito apoio,

talvez at� demais j� que esse n�o � um pedido sensato.

Na verdade, eu n�o me preocupei nem um pouco.

Disse para ele fazer.

Nem quero falar isso porque vou me arrepender,

mas ele � t�o inteligente,

e no que quer que ele fa�a, ele d� tudo de si.

Mesmo quando comete algum erro, ele n�o desiste.

Ele continua at� encontrar uma solu��o.

Ent�o nunca fiquei preocupada, e deu certo.

- Ent�o... - Sim, voc� � louca.

1o DE JANEIRO DE 2016

A partir de 1o de janeiro de 2016,

eu n�o era mais bombeiro. Eu tinha um podcast em tempo integral.

NO AR

Era como se uma nova vida soprasse em mim.

Foi como ter reacendido o fogo.

Criei o site do Truth and Justice

para postar os documentos e as fotos

dos quais estava falando.

Para que os ouvintes tamb�m pudessem v�-los e revis�-los.

Estava fu�ando todos os e-mails que estava recebendo,

e me deparo com este e-mail sobre um cara chamado Kenny Snow.

Tinha sido condenado injustamente no condado de Smith, Texas.

Isso despertou meu interesse na hora.

Kenny me ligou e me contou tudo sobre o caso.

Quase que de passagem,

Kenny alegou ter sido manipulado por um promotor

a prestar falso testemunho.

Em 1998, ele ajudou a condenar

outro colega presidi�rio da pris�o do condado

em troca de um acordo com o promotor do Estado.

Ele me disse ter prestado falso testemunho

pra p�r outro homem em pris�o perp�tua por assassinato.

Assim que comecei a ler sobre o caso, fiquei viciado.

JANEIRO DE 2016 BUCHANAN, MICHIGAN

23 DE JULHO DE 1993 TYLER, TEXAS

Emerg�ncia do condado de Smith. Qual a emerg�ncia?

Preciso que algu�m venha aqui.

Senhora, qual o problema?

- Minha prima mora ao lado. - Pois n�o?

Acho que invadiram a casa e a mataram ontem � noite.

Acabei de entrar na casa, e a vi no ch�o.

Certo. Qual o seu nome?

Meu nome � Johnie Pryor.

Voc� a viu deitada?

Sim, abri a porta.

N�o tentei toc�-la, apenas a vi deitada.

- Certo. Ela � negra? - Sim.

Qual o nome dela?

O nome dela � Elnora, Elnora Griffin.

Elnora Griffin era uma mulher de quase 50 anos.

ALLISON CLAYTON - SUBDIRETORA INNOCENCE PROJECT DO TEXAS

Ela tinha se mudado de Dallas para Tyler.

Ela estava morando no trailer, bem ao lado de Johnie.

Ela morava sozinha e trabalhava num dos hospitais locais.

Elnora n�o foi trabalhar na sexta-feira, 23 de julho.

MIKE HALL JORNALISTA

E Johnie trabalhava com ela.

Johnie tinha ligado para ela algumas vezes. Ningu�m atendeu.

Ela foi at� l� e bateu na porta.

Ningu�m atendeu.

Johnie � a propriet�ria, ent�o ela tinha a chave do trailer.

Abriram a porta, e era um caos total.

O colch�o estava fora do estrado.

CENA DO CRIME

Um abajur tinha ca�do.

Havia montes de fezes no ch�o.

No meio daquilo tudo, estava a amiga deles,

Elnora, de bru�os, nua, degolada.

Elnora era bem baixinha.

Ela tinha uns 1,32m e n�o pesava nem 45kg.

Os investigadores da delegacia chegaram

e era �bvio que tinha ocorrido uma luta.

Um dos investigadores disse que era...

a pior cena de crime que ele j� tinha visto.

Os outros disseram que ela quase foi decapitada.

Eles come�aram a investigar. Conversaram com os vizinhos.

Falaram com Johnie.

L� � uma cidadezinha do interior, ent�o a not�cia se espalhou r�pido.

Elnora morava num trailer bem ao lado.

Ela era muito amiga da minha av�.

Eu e meu irm�o vimos nossa av� chorando.

Perguntamos: "O que houve?"

E minha av� disse que Elnora tinha sido assassinada, morta.

Ficamos tipo: "N�o!" Meu cora��o gelou.

Senti muito por ela e sua fam�lia porque eu a conhecia.

Ela era gente boa...

talvez t�mida,

reservada, quieta, bem baixinha.

Mas ela estava sempre alegre.

Investigadores acreditavam que ela havia sido morta na noite anterior

entre 9h30 e 10h30.

Com essa teoria inicial,

come�aram a perguntar

sobre quem tinha estado l�, s� que ningu�m sabia de nada.

Eles n�o avan�aram muito.

A pol�cia entrevistou Leonard Mosley,

um dos namorados s�rios de Elnora na �poca.

Sempre que estamos lidando com assassinatos de mulher,

os primeiros a serem investigados s�o os parceiros rom�nticos

porque sabemos que esse � um padr�o de viol�ncia feminina muito estabelecido.

Leonard disse a eles:

"Liguei para Elnora e disse

"que eu estava indo pra casa dela

"naquela noite depois do trabalho."

"Mas," continuou ele, "eu n�o queria. Eu estava cansado. N�o queria ir."

Leonard entregou a declara��o de Angela,

a namorada dele, que morava com ele na �poca e � m�e do filho dele.

Angela disse estar com Leonard em casa naquela noite.

E a pol�cia aceitou sua hist�ria.

Meio que descartaram Leonard como suspeito e seguiram em frente.

Finalmente tiveram sorte quando falaram com algu�m

que realmente tinha falado com Elnora na noite anterior.

O nome dela era Cubia Jackson.

Ela apareceu e foi a primeira a dar um nome a eles.

Ed Ates.

Ed Ates era um garoto do bairro.

Cresceu na regi�o e depois ganhou uma bolsa de estudos em Oklahoma.

L� se envolveu numa pequena confus�o,

e acabou passando um tempo atr�s das grades.

Depois de alguns anos,

ele voltou pra casa da av� que o criou.

Tanto ele quanto o irm�o Kelvin, dois anos mais novo.

Eu e meu irm�o Ed faz�amos tudo juntos.

Er�mos unha e carne.

Fic�vamos na floresta, pescando, ca�ando.

�ramos t�picos garotos.

Ele era alto. Tinha 2m.

Ele trabalhava fazendo basicamente de tudo.

Ele aparava grama.

Retirava ninhos de vespas.

Fazia o que fosse preciso para as pessoas

que precisassem de um cara grande, alto e conhecido

para o trabalho de quintal.

Os investigadores j� tinham conversado com Ed e o irm�o, Kelvin.

Mas, quando eles ouviram o que Cubia Jackson disse,

procuraram Ed de novo.

De repente, ele tinha se tornado suspeito.

Ent�o pediram que ele fosse at� a delegacia.

Nisso, a m�e dele apareceu,

e, com isso, Ed concordou em ir,

mas a m�e teria que ir junto.

O caso de Ed n�o sa�a da minha cabe�a.

Eu sabia aqui dentro

que havia mais coisa nesse caso do que est�vamos vendo.

E a pessoa errada poderia estar na pris�o.

O investigador em mim n�o podia deixar as coisas assim.

Procurei a delegacia do condado de Smith.

Nunca recebi resposta de nenhum dos policiais.

Dei entrada para obter uns registros p�blicos em Smith,

e falei com umas senhoras na secretaria

que disseram para eu ir e que teriam a caixa me esperando.

Reservei um voo para o Condado de Smith, Texas.

Acabei passando tr�s dias na secretaria

completamente imerso em mim mesmo.

Tentei entrar no caso e examin�-lo do zero.

Foi por isso que examinei os arquivos da pol�cia.

O que o policial escreveu na noite em que esteve l�?

O que o r�u disse na noite em que esteve l�?

23 DE JULHO DE 1993

DELEGACIA DO CONDADO DE SMITH

DET. HUKILL: Quando esteve pela �ltima vez no trailer?

ED: H� cerca de uma semana, ela... havia um ninho de vespas

atr�s do trailer, e ela queria que eu fosse falar com ela sobre isso.

DET. HUKILL: Voc� a viu de uma semana para c�?

ED: Eu a vi ontem.

Ela foi l� em casa umas 17h30, 18h, mais ou menos essa hora.

Eu disse que provavelmente iria amanh� � noite

ou de manh� cedo para capinar ao redor da casa dela.

Ele estava explicando a eles que ele n�o esteve no trailer de Elnora

na noite do assassinato dela.

Que ele n�o teria motivos para estar na casa dela

no meio da noite.

Ele n�o fazia ideia

do motivo de ela ter sido assassinada de forma t�o violenta e brutal.

DET. HUKILL: A senhora que faleceu recebeu um telefonema de uma vizinha

para saber dela ontem � noite por volta das 22h30.

Nessa conversa,

a mulher teve a impress�o de que havia algu�m na casa

e perguntou � senhora se tinha algu�m l�.

A senhora disse a ela: "Sim, tinha."

Quando ela perguntou quem estava l�, ela respondeu: "Edward Ates".

Foi como uma declara��o no leito de morte.

� por isso que estou tendo que ir falar com voc� como testemunha

e agora como um poss�vel suspeito. Est� me entendendo?

ED: Estou.

A. HUKILL: Certo.

De repente, Ed Ates tinha se tornado o suspeito n�mero um

para a delegacia de Smith.

O investigador Hukill, observando a sola de um dos sapatos, notou

que havia algo nas ranhuras da sola do sapato.

DETETIVE: S�o os sapatos de ontem?

ED: S�o. Tudo o que estou vestindo, vesti ontem.

DET. HUKILL: Est� se perguntando por que estou raspando isso?

ED: Sim, mais ou menos.

DET. HUKILL: Algu�m pisou nas fezes dentro da casa.

Ele achou que parecia e, depois de lev�-lo ao nariz,

cheirava a fezes.

De volta � cena do crime, eles viram peda�os de algo

que pensavam ser fezes humanas no ch�o.

Eles imaginaram que eram de Elnora,

que tinha sido estrangulada.

Pensaram que, durante o ataque,

o agressor tivesse pisado nas fezes de Elnora.

E essa pessoa pode ter deixado um rastro dessas fezes na cozinha de Elnora.

Agora o detetive Hukill achava que aquilo talvez fosse uma prova.

Hukill ent�o pegou o sapato

e o raspou, bem do fundo,

um pouco dessa subst�ncia e colocou num saquinho pl�stico.

Como parte do interrogat�rio,

perguntaram se ele tinha �libi pra essa noite.

DETETIVE: A que horas voc� foi dormir ontem, Ed?

ED: Pouco depois de uma, digamos �s 1h15.

Porque me deitei assim que cheguei.

DETETIVE: Ent�o, o que voc� fez ontem � noite,

pra ter que ficar acordado at� 1h00 desde que anoiteceu?

ED: Desde que anoiteceu?

DETETIVE: At� ir se deitar.

ED: Fui para a casa de Monica Bush.

DETETIVE: Quem � Monica Bush?

ED: Era minha namorada, mas terminamos.

Fui visit�-la ontem � noite.

DETETIVE: Qual o seu carro? O que voc� dirige?

ED: Ela estava de carro, ela tem...

DETETIVE: Ela te pegou em casa?

ED: Ela tem um Cutlass... um Cutlass Ciera.

DETETIVE: Certo. Ela foi te buscar?

Ent�o um dos investigadores ligou para ela.

DET. HUKILL: Falei com sua namorada pelo telefone quando fui tomar caf�.

Ela est� desdizendo tudo o que voc� disse.

Est� dizendo que voc� realmente esteve l�,

mas que ela n�o foi te buscar.

De repente, os investigadores acharam que estavam diante de um mentiroso.

Pessoas inocentes n�o mentem. Elas contam o que realmente aconteceu.

Se ele mentiu sobre isso, sobre o que mais ele mentiu?

N�mero um, ele � ex-presidi�rio.

N�mero dois, ele foi mencionado mais cedo naquela noite

por algu�m que conhecia Elnora Griffin.

N�mero tr�s, ele morava ao lado de Elnora Griffin.

N�mero quatro, ele est� mentindo para n�s.

DET. HUKILL: Edward, algo n�o est� batendo aqui.

ED: Entendo o que voc� diz.

DET. HUKILL: Estou dizendo que nem tudo est� aqui,

tem coisa faltando em algum lugar.

Vou te perguntar de novo.

Por favor, me ajude a tirar isso a limpo.

Depois que terminaram com Ed,

eles voltaram � cena do crime

e passaram muitas horas

revendo tudo, tentando encontrar algo

com o que descobririam o autor desse terr�vel assassinato.

Eles encontram o carro de Elnora, mas algu�m disse a eles que o carro

estava num local diferente do que costuma ficar estacionado.

Isso era meio que incomum.

Elnora, segundo Johnie, um primo dela,

normalmente estacionava em frente de casa.

O carro, no entanto, foi encontrado meio escondido

nos fundos da casa dela.

A pol�cia disse que o agressor de Elnora mudou o carro de lugar

para n�o deixar evidente

que Elnora estava em casa, logo depois de ser assassinada.

Eles foram examinar o carro.

Na verdade, o assento estava todo para tr�s.

E Elnora, claro, era muito baixinha.

Ent�o, quem empurraria o assento do carro para tr�s?

Um homem muito alto.

Todas essas coisas come�aram a entrar na mente dos investigadores.

No dia seguinte, entrou no caso

o promotor-assistente do condado de Smith, David Dobbs.

David Dobbs era jovem e carism�tico,

um promotor-assistente muito inteligente.

Ele tinha a fama de ser brilhante.

Ele sabia como reunir provas.

Sabia como convencer o j�ri.

Ele queria que o caso fosse o mais rigoroso poss�vel.

26 DE AGOSTO DE 1993

Quase um m�s depois do assassinato de Elnora Griffin,

Ed Ates finalmente foi preso.

Ed foi formalmente indiciado pelo assassinato de Elnora,

mas conseguiu pagar fian�a, e por isso n�o est� na cadeia.

Mas ele est� solto sob fian�a, aguardando julgamento.

Eu era universit�ria.

Estava em Tyler, Texas.

Na noite em que conheci Edward, eu estava numa festa de Halloween.

Estava jogando cartas com uns amigos.

Esse cara entrou.

Era muito alto,

estava bem fisicamente.

Pensei: "Parece com Michael Jordan." Ent�o conversamos um pouco.

E trocamos n�meros de telefone.

No dia seguinte, ele me ligou sete vezes.

Claro, ele era muito charmoso e simp�tico,

e t�nhamos nos dado muito bem.

A partir da�, �ramos quase insepar�veis.

Est�vamos em meu apartamento,

e ele disse que tinha algo que queria me contar.

Era algo s�rio.

Ele me contou de um julgamento dele por assassinato ainda pendente.

Eu n�o podia acreditar.

Haviam designado dois advogados a Edward.

Eles diziam: "N�s vamos vencer.

"A prova � circunstancial."

Mantivemos o relacionamento

como se nosso sonho de nos casarmos

e termos uma fam�lia fosse se concretizar.

Tivemos nosso primeiro beb�, Kyra, em outubro de 1995.

�ramos felizes. �ramos um casal. Est�vamos apaixonados.

E sab�amos que ficar�amos para sempre juntos.

23 DE JULHO DE 1996

Em 1996, Ed Ates foi julgado pelo assassinato de Elnora.

Havia dois afro-americanos no j�ri.

E se ele era negro,

tinha que ser julgado por seus pares.

Ap�s dois dias de delibera��es,

o j�ri estava num impasse irremedi�vel.

Oito a quatro para culpado.

E os dois afro-americanos eram os �nicos

que eram a favor de inocente.

Ent�o, no terceiro dia, o juiz declarou a anula��o do julgamento.

5 DE ABRIL DE 1997

Sab�amos que t�nhamos deixado tudo aquilo para tr�s

e que agora pod�amos vislumbrar nosso futuro.

Est�vamos em casa uma noite, e ele me pediu em casamento.

Falei: "Claro." Eu estava em �xtase.

Estava euf�rica por ter me casado com o amor da minha vida.

E, ent�o, no ano seguinte,

tudo veio abaixo.

AGOSTO DE 1998

Smith � um condado em que a lei � seguida,

e os promotores do condado de Smith

n�o s�o de desistir de algo que acham que precisa ser corrigido.

Eles n�o estavam prestes a desistir da acusa��o

de um homem tido como assassino.

Ent�o eles processaram Ed novamente.

No segundo julgamento, os advogados dele nos asseguraram

que o resultado seria o mesmo.

At� que eu descobri

que todos no j�ri eram brancos.

Naquele momento, eu fiquei preocupada,

e tamb�m conseguia ouvir o medo na voz de Edward.

Achei que realmente poder�amos come�ar a levar uma vida normal,

sem medo de ele ir para a pris�o.

No primeiro julgamento, o Estado n�o tinha muitas provas

contra Ed Ates.

Mas, de repente, eles tinham uma nova testemunha, uma arma secreta.

A nova testemunha era um cara que ele conheceu na pris�o em Smith.

O nome dele era Kenny Snow.

Kenny disse que Ed lhe pediu para mentir

e dizer que outro preso havia dito que ele havia matado Elnora Griffin.

A coisa parecia muito ruim para Ed.

O que os advogados de Ed fizeram foi dizer

que Kenny Snow mentiu sobre isso para mandar Ed Ates para a pris�o.

E que ele conseguiu uma redu��o na pena por contar essa mentira.

ORGULHO DO LESTE DO TEXAS

Kenny Snow a exist�ncia de um acordo.

A promotoria negou a exist�ncia de um acordo.

Eles disseram que Kenny Snow s� estava tentando esclarecer

o que Ed Ates realmente tinha feito.

Quando eles lerem o veredicto de culpado,

foi como se o ar no meu corpo...

simplesmente tivesse sa�do.

Nunca me esque�o de Kim, da vov� e da mam�e.

Elas gritavam no tribunal.

Nunca vou esquecer do olhar no rosto de meu irm�o.

Ele estava t�o enojado.

Provavelmente um dos piores dias da minha vida.

Eu estava apavorada...

O TEMPO COM A FAM�LIA VALE CADA SEGUNDO

porque Kyra...

Como eu explicaria a uma crian�a de dois anos

que o pai n�o voltaria para casa?

NO AR

Ol� a todos. E bem-vindos de volta ao Truth and Justice.

Agora � 1h00 da manh� de quinta-feira.

Vinha trabalhando dia e noite a semana toda.

Essa viagem transcorreu muito bem.

Obtive muitas informa��es novas.

Estou com mais de 500 p�ginas de documentos na mala agora.

As partes mais fortes do caso do Estado contra Edward Ates.

Temos o depoimento de Cubia Jackson,

que diz ter ligado para Elnora Griffin em casa

na noite do assassinato.

Ela disse que estava l� conversando com Edward.

Tinha o fato de Edward Ates ter mentido sobre o �libi.

Havia o depoimento de o banco do carro de Elnora

estar empurrado para tr�s.

Encontraram material fecal na sola dos sapatos de Edward Ates.

Tinha o depoimento de Kenny Snow.

Como a acusa��o afirmou no encerramento, quando se junta tudo,

tudo aponta claramente para o fato

de que Ed Ates tinha assassinado Elnora Griffin.

Foi o suficiente para uma condena��o.

Mas havia muito mais coisa nessa hist�ria.

Assim que pus no ar,

o feedback que recebi dos meus ouvintes era:

"N�o estamos entendendo direito

"a disposi��o em que isso ocorreu."

A primeira coisa a fazer era criar um diagrama da cena do crime.

A cena do crime,

onde certos aspectos das provas estavam na cena do crime.

Fiz o upload de tudo pro site

para os ouvintes tamb�m poderem revis�-lo.

O ataque come�ou obviamente no quarto.

Ela foi estrangulada.

Ela conseguiu fugir e foi para a sala de estar.

LOCALIZA��O DO CORPO

Imagine algu�m passando por tudo isso.

Elnora era muito baixa.

Tinha menos de 1,5m de altura.

Ed era um cara de 25 anos e 2,0m e era troncudo e musculoso.

Voc� nunca seria capaz de me explicar como uma mulher de uns 45kg

se soltaria de um Ed musculoso de 2,0m.

Havia gotas de sangue no ch�o, em dire��o � cozinha.

Elnora nunca conseguiu chegar � cozinha.

LOCALIZA��O DO CORPO SANGUE

As gotas de sangue deviam estar entre 1,8m a 2,5m � frente dela.

A teoria do Estado para isso era que eram respingos.

A hemorragia foi arterial,

e aquilo era poss�vel.

Aprendo com rastros de veados ao longo dos anos,

que se sabe pelas gotas de sangue

em que dire��o algu�m sangrando est� se movendo.

Dava para ver que quem estava sangrando ali, n�o estava se movendo.

Havia v�rias gotas

que haviam ca�do direto no ch�o,

o que significa que podiam ter vindo do assassino.

Pedimos a um ouvinte que trabalha com tra�os de sangue para dar uma olhada.

Era muito improv�vel que as gotas de sangue naquela parede

tivessem vindo da mesma fonte que as gotas que estavam no ch�o.

As duas manchas diferentes n�o pareciam ter vindo da mesma dire��o.

GOTAS VERTICAIS DIRE��O DOS TRA�OS DE SANGUE

Infelizmente, talvez nunca saibamos de quem � o sangue.

Elas nunca foram sequer coletadas.

BUCHANAN, MICHIGAN

Voc� est� no ar com Truth and Justice.

Este � o Chris, do Texas.

Continue assim, cara. N�o consigo agradecer o suficiente

o que tem feito para essas pessoas. � simplesmente incr�vel...

MANTENHA-SE FIRME

...como esta comunidade se uniu.

Uma das principais provas contra Ed

era uma pegada na cozinha

na qual os detetives detectaram

tra�os de fezes,

como se o assassino tivesse pisado

em fezes no quarto e depois desse um passo na cozinha.

O Detetive Waller, em seu relat�rio, diz que cheirou a pegada.

Ele nunca a enviou para determinar se, de fato, era o que realmente era.

Algu�m teria que ter pisado nas fezes e depois andado uns 10m

pela cena do crime sem deixar pegadas.

E ent�o, por algum motivo, deixar uma pegada

na cozinha, sem nenhuma outra.

Isso n�o fazia sentido.

Alguns ouvintes conseguiram aplicar filtros na foto das impress�es.

Tentamos ver se o padr�o combinava com os sapatos de Ed.

Eu nem tinha certeza se era uma pegada. Certamente n�o era prova conclusiva,

e com certeza n�o era a prova conclusiva que eles fizeram parecer que era.

Quando comecei a olhar o caso mais de perto,

o caso passou a ficar mais fraco.

O que n�o queria dizer que Ed era inocente.

Eu n�o sabia.

Eu mantinha a mente aberta, mas, com certeza, ia colocando um alfinete

nessas coisinhas que ia encontrando na investiga��o.

Este � meu kit para quando eu vou ca�ar.

Em Michigan, se passa muito tempo sentado em barracas esperando veados.

Tudo aqui tem seu prop�sito.

Voc� poderia falar como nosso ex�rcito do Truth and Justice:

"Todos t�m suas pr�prias habilidades para nos ajudar a resolver esses casos."

Outra grande pe�a do caso contra Ed

foi a posi��o do banco no carro de Elnora.

Ed � alto. Ela � muito baixa. Disseram que o banco

tinha sido empurrado para tr�s.

E eu n�o vi uma �nica foto

que mostrasse a posi��o do banco.

O que � muito doido.

N�o havia prova de que o banco do carro

tivesse sido empurrado para tr�s como disseram.

Quando compartilhei essas informa��es no podcast,

ouvintes passaram a me procurar.

Laura Lester, do Canad�, me escreveu para dizer que tinha pouco mais de 1,5m

e que ela n�o achava nada estranho

que banco de Elnora estivesse para tr�s.

Ela disse que ela � t�o baixinha que ela puxa o banco

todo pra frente quando dirige.

Mas ela sempre empurra o banco pra tr�s

quando ela entra e sai do carro.

Disse que n�o � f�cil entrar e sair daquele espa�o apertado

com o banco empurrado todo pra frente.

O banco estar ou n�o pra frente ou para tr�s n�o prova nada

porque n�o conhecemos os h�bitos de Elnora.

Uma descoberta importante

veio de um ouvinte chamado Bob Carlsen.

Bob me pediu para verificar o plugue do telefone na cozinha.

O telefone da cozinha tinha sido arrancado da parede

e estava no ch�o do quarto.

Mas o que Bob notou na foto ampliada do plugue do telefone

� que o suporte de cima tinha sido quebrado.

Vimos que o fio tinha sido arrebentado.

A ponta do plugue do cabo do telefone ainda estava na tomada.

O telefone foi arrancado direto da parede.

Elnora estava nua, ent�o algu�m tinha que estar com ela no quarto.

Mas do outro lado da cena do crime, bem perto da porta dos fundos,

havia um telefone arrancado da parede, e esse telefone foi levado

pela cena do crime e colocado bem do lado de fora

da porta do quarto onde os ataques come�aram.

� muito dif�cil imaginar

um cen�rio em que um invasor tenha feito isso sozinho.

Acho que havia tr�s pessoas na cena do crime naquela noite.

Algu�m entrou pela porta dos fundos,

arrancou o telefone da parede e depois foi confrontar Elnora,

e o outro criminoso estava no quarto da frente.

Mas n�o havia provas forenses que ligassem Ed a Elnora.

Nem impress�es digitais, nem cabelo, nem sangue.

Nada.

O mais importante talvez seja Ed Ates n�o ter por que matar Elnora.

Havia muitas provas circunstanciais contra Ed Ates.

Era alto, morava ao lado.

Mentiu para eles.

Mas nunca encontraram um motivo.

Tendo ficado preso por 14, 15 anos, voc� acha que nada mudou.

Nossas visitas a ele eram sempre restritas.

Mas � uma sala com talvez

vinte mesas, ent�o n�o havia privacidade.

Eu j� n�o tinha mais esperan�a,

e as visitas se tornaram cada vez mais esparsas.

Eu estava perdendo a esperan�a.

E a vontade de ir v�-lo ficava

cada vez mais dif�cil.

Mais dif�cil v�-lo.

Ele me disse: "V� viver sua vida."

"N�o se preocupe comigo."

Essa conversa foi dif�cil.

No in�cio de 2016, por volta de janeiro, escrevi uma carta para o Ed.

Disse que queria falar sobre o caso dele. Nunca tive resposta dele.

Passaram-se v�rias semanas, e escrevi uma segunda carta para o Ed.

Eu s� disse: "Acho que posso te ajudar."

Disse a ele: "� s� uma conversa."

Cerca de uma semana depois, recebi uma carta de Ed pela primeira vez.

Um dia recebi uma carta...

de um cara chamado Bob Ruff.

Ele dizia que estava lendo sobre meu caso

e achava que poderia me ajudar.

Fiquei tipo: "Me ajudar?"

S� o que tinha na cabe�a era que nada ia mudar.

S� fiz amassar e jogar a carta fora.

Cerca de dois anos e meio, talvez tr�s, Kim n�o aparecia.

Eu n�o via as crian�as.

Meu filho e minha filha estavam ficando mais velhos.

Minha av� tinha morrido, e era assim que meu cora��o estava.

Minha m�e tamb�m tinha morrido.

N�o pude me despedir.

Foi mais ou menos como virar um fantasma, sabe?

Depois da segunda carta, ele quis falar comigo.

Ent�o trocamos mais algumas cartas.

Marcamos um hor�rio para ele me ligar.

Gravei a primeira liga��o com Ed.

Ol� a todos. E bem-vindos de volta ao Truth and Justice.

Voc�s est�o prestes a ouvir uma entrevista de quase uma hora

com Ed Ates.

Ol�. Esta � uma chamada a cobrar de...

Edward Ates.

Um infrator da unidade prisional de Coffield.

Esta chamada est� sendo gravada e est� sujeita a monitoramento.

ED: Ol�, Sr. Ruff.

Oi, Ed. Como vai?

ED: Bem. Como voc� est� hoje?

Tudo certo.

Ed parecia n�o acreditar

que um desconhecido de Michigan tinha entrado em contato com ele.

Minha primeira pergunta foi sobre ele ter mentido pra pol�cia

sobre como foi � casa da Monica.

N�o via nenhuma raz�o pra ele ter feito isso.

Eu estava na delegacia com o detetive Hukill.

Ele disse: "O que fez aquela noite?"

DELEGACIA DE SMITH

Respondi: "Ia na casa de Monica Bush,

"a minha namorada.

"Fui � casa dela ontem � noite."

Ele disse: "Como voc� foi pra l�?"

SALA DE INTERROGAT�RIO

Tirei o carro da minha av� da garagem e dirigi at� l�.

Eu n�o pedi o carro emprestado,

e minha m�e estava sentada ao meu lado.

Agora ia ter problemas com minha m�e tamb�m.

Acho que tinha mais medo da minha m�e do que deles.

Ent�o eu disse que a Monica veio e me pegou.

Conseguia entender por que ele mentiu pelo simples fato:

ele sabia que minha m�e n�o brincava.

T�nhamos muito medo da nossa m�e.

Meu pai batia na minha m�e. Ela se cansou.

Ela deu um basta.

Minha m�e atirou no meu pai.

Arrancou o ded�o do p� dele.

Ele contou que foi o erro mais idiota que j� cometeu.

Apavorado, ele mentiu.

Ent�o ele manteve a mentira.

Uma mentira idiota.

Pra come�o de hist�ria, o que levou a pol�cia at� Ed

foi a declara��o de Cubia Jackson.

N�o sabia o que fazer.

N�o havia nada no arquivo da pol�cia que sugerisse uma teoria

de por que ele estava l�.

E o que o Cubia disse

foi o que determinou o que aconteceu no julgamento,

porque Elnora disse a ela: "Estou conversando com Edward."

E pensei: "O qu�?"

E eu disse: "Por que ela diria algo assim?"

Porque eu a conhecia.

Eu era muito bom com todas essas senhoras,

entende?

Como um rel�gio,

toda segunda-feira de manh�, eu tinha uma pilha de transcri��es

do programa dele.

"Tenho mil perguntas..."

Parecia que eles falavam de mim em todo programa.

Todo programa. Pensei: "Irm�o, esse cara n�o est� brincando."

Enquanto lia as transcri��es,

essas pessoas iam fazendo perguntas.

Era como se fossem investigadores tamb�m.

"Eu queria ter a resposta a essa pergunta, mas ningu�m perguntou."

Conforme conhecia e conversava mais com Ed,

ele passava a confiar em mim e se abria comigo

e falava sobre fam�lia e outras coisas.

Nossa, era devastador.

Quando perguntei a Ed se ele ainda era casado,

ele me disse:

"Nem eu sei se ainda sou casado ou se sou divorciado."

Ele n�o fazia ideia. E esse foi um dos...

Essa foi uma das coisas que realmente...

Tenho muito orgulho do trabalho que fizemos.

Neste caso foi...

Acabei entrando em contato com Kyra e Kim.

Em 2012, pedi o div�rcio em dezembro.

N�o tinha nada para dizer que precisasse de um tribunal.

Ent�o, �quela altura, eu n�o corri mais atr�s.

Sim, ainda est�vamos casados.

Quando as tempestades da vida ca�am violentamente,

e o mundo parecia estar de cabe�a para baixo...

Eu fui visitar Edward.

Eu estava muito nervosa.

Mas ele parecia estar animado

e feliz em me ver

e disse: "Sempre serei casado com voc�."

Smith � um condado em que a lei � seguida.

H� um sentimento...

MIKE HALL JORNALISTA

sulista muito antigo nele.

E h� muitas igrejas batistas.

IGREJA BATISTA DE LAWLER

� parte do Cintur�o B�blico.

Parece Mississippi de 1962.

Bem-vindo a Tyler, Texas!

E, assim como o Velho Sul, � muito conservador.

� quase imposs�vel provar que algu�m � inocente

e ent�o tir�-lo da pris�o.

� um processo longo e �rduo.

Fica cada vez mais evidente

que Ed muito provavelmente n�o foi o homem que matou Elnora Griffin.

Eu fu�ava cada faceta do caso.

Voltava e dava outra olhada.

Buscava aquele detalhe de novo. Investigava mais.

E n�o foi preciso pesquisar muito antes de me deparar com este documento

que mostrava Kenny Snow retirando seu depoimento.

Assim que mencionei o nome de Kenny Snow para Ed,

sentimentos muito ruins vieram � tona.

Em 2010, a fam�lia de Ed juntou dinheiro para contratar uma nova equipe jur�dica

para recome�ar a contestar a condena��o de Ed.

� necess�rio algo grande para desfazer uma condena��o.

�s vezes, pode assumir a forma de provas novas

no Texas, pelo menos, se voc� puder provar que � inocente.

O meio utilizado para reverter uma condena��o

� o chamado de mandado de habeas corpus.

Uma das primeiras coisas que essa equipe fez foi ir at� Kenny Snow.

Com o depoimento de Kenny enfraquecido, toda a condena��o seria enfraquecida.

Kenny disse a eles: "Sim, eu menti. Menti sobre Ed.

"Menti porque me disseram

"que pra conseguir um bom acordo sobre as acusa��es que tinham contra mim,

"eu precisava dizer algo que fizesse Ed Ates ser condenado.

"Ent�o, foi o que eu fiz."

Kenny havia escrito um depoimento dizendo que o que ele havia dito

no julgamento era tudo mentira.

E, com isso, Ed Ates tinha muni��o de verdade a seu favor.

David Dobbs foi o promotor que moveu a��o contra Ed n�o uma, mas duas vezes.

Kenny Snow alegou que David Dobbs

criou esse acordo para ele,

em que, em troca de prestar esse testemunho contra Ed,

David daria uma senten�a mais leve em seu pr�prio caso.

Claro que isso n�o foi comprovado. Mas essas foram as alega��es de Kenny.

O tribunal acabou tendo uma audi�ncia sobre esses depoimentos

para verificar se aquilo tinha acontecido.

Kenny Snow foi trazido da pris�o para o condado de Smith.

David Dobbs foi intransigente durante toda a audi�ncia.

N�o houve acordo. N�o houve acordo de cavalheiros.

Ele disse: "As coisas n�o funcionam assim em Smith".

Eles tinham entrado com um caso muito forte,

enfraquecendo o depoimento de Kenny Snow.

Mas quando eles tiveram a audi�ncia, tudo havia desmoronado.

No fim das contas, ele n�o testemunhou na audi�ncia.

Ele ficou com medo.

O advogado dele acabou mudando completamente

as declara��es de seu depoimento. O tribunal de primeira inst�ncia disse:

"N�o se pode acreditar em Kenny Snow porque ele � mentiroso."

E o advogado mudou a hist�ria dele.

Ent�o n�o se pode acreditar no advogado.

N�o vamos reverter a condena��o de Ed.

Quando comecei o caso de Ed, eu realmente achava

que, se voc� conseguisse mostrar provas claras

de que uma pessoa condenada realmente era inocente,

eles a deixariam sair da cadeia. A justi�a criminal americana

� feita para manter as pessoas na pris�o.

Uma vez condenado,

o fardo de reverter essa convic��o � chamado de trabalho herc�leo

por muitos profissionais da �rea, e isso n�o � exagero.

Oi, Bob. Quem fala � Sonny Levine.

Acabei de ouvir seu epis�dio hoje,

e eu nunca ouvi voc� com voz de derrotado.

Pensei em ligar para te dizer para ser perseverante.

Estamos progredindo.

Uma hora, as coisas v�o dar certo.

Embora seja grato pela mensagem de Sonny, ele interpretou mal minhas emo��es.

N�o estou me sentindo para baixo ou perdi a esperan�a.

Estou triste com a devasta��o que ocorreu.

A situa��o de Edward Ates simplesmente me parte o cora��o.

Essa tristeza se transformou em f�ria.

No que me diz respeito, a linha foi tra�ada na areia no condado de Smith.

Eu estava ficando cada vez mais convencido de que Ed era inocente.

Se voc� pegasse qualquer elemento do caso do Estado contra ele

e futucasse s� um pouco,

a coisa simplesmente se desfazia.

Eu n�o tinha mais o que fazer.

O caso dele tinha chegado num beco sem sa�da,

e ele precisava de algu�m para represent�-lo.

O �nico lugar que eu conhecia e que poderia ajud�-lo �quela altura

seria o Innocence Project.

LUBBOCK, TEXAS

O Innocence Project do Texas � uma organiza��o sem fins lucrativos

cuja miss�o � encontrar pessoas que foram condenadas injustamente

por crimes graves no Texas, e obter a absolvi��o deles.

N�s realmente somos a �ltima esperan�a para praticamente todos

que nos procuram por ajuda. Levamos nosso trabalho

muito a s�rio.

Eu mencionei num epis�dio de podcast

que eu gostaria de poder nos conectar com o Innocence Project,

e, de fato, recebi um e-mail de um ouvinte

que dizia: "Sou amigo pessoal de Michael Ware.

"Ele � diretor executivo do Innocence Project do Texas.

"Falei com ele, e ele est� disposto a conversar com voc�."

Pensei: "Excelente".

Lembro-me muito bem do dia em que descobri

o caso de Ed Ates. Mike Ware me ligou um dia

e disse: "Olha, tem um cara que tem um podcast.

"Foi ele quem trouxe esse caso para mim.

"Acho que tem algo nisso, e queria que voc� desse uma olhada."

Para ser sincera, lembro que

virei os olhos e disse: "Ele tem um podcast?"

Era algo muito recente na �poca.

Liguei para Bob Ruff, que explicou tudo sobre o caso de Ed.

Dava pra ver que ele tinha feito o dever de casa.

H� uma lei aqui no Texas que diz que s� se tem uma chance.

Se tiver a aud�cia de desafiar suas convic��es,

voc� s� vai faz�-lo uma vez.

� um apelo autom�tico,

que � quase que automaticamente sempre recusado.

E foi, no caso de Ed.

Ele j� tinha tido uma chance.

Mas ach�vamos que superar�amos essas quest�es processuais.

Liguei para Michael Ware, que disse:

"N�o temos muitos recursos para muito trabalho bra�al."

Ele disse: "Vamos precisar de todo o registro do julgamento.

"Todas as transcri��es", que, no caso dele, tinha 27 volumes.

Fiz outra viagem � secretaria.

Meio que fiquei amigo das senhoras que trabalhavam l�.

Dessa vez, levei meu produtor, Mike.

T�nhamos um scanner que realmente era impressionante,

um equipamento sofisticado.

Ele conseguiu us�-lo para digitalizar todos os documentos.

Ele disse que foi um ouvinte que deu para ele, de modo que isso

mostrou o poder do crowdsourcing na investiga��o.

Bob retornou

umas semanas depois: "Estou com as transcri��es do julgamento."

Isso mereceu meu respeito porque eu sabia o trabalho

que d� para chegar a esse ponto.

Foi quando soube que ele falava s�rio,

e foi a� que soube que ele poderia nos ajudar.

Muitas vezes, teremos defensores de fora que aparecer�o

e dir�o: "Meu cara � inocente."

� um n�vel muito superficial, mas Bob estava bem mais avan�ado.

Ele realmente tinha uma compreens�o s�lida do caso.

Dava para perceber que ele realmente tinha investigado.

Ent�o pensei: "Certo, acho que vamos fazer isso."

Quer�amos fazer testes de DNA em diversas provas

da cena do crime.

Dissemos ao Truth and Justice: "N�o temos fins lucrativos.

"Nossos recursos s�o limitados.

"Precisamos de ajuda."

Testes de DNA podem ser muito caros.

Estamos falando de milhares de d�lares,

e, claro, como o pessoal do Truth and Justice sempre faz,

eles se ofereceram a ajudar a pagar

os testes de DNA desse caso.

4 DE JANEIRO DE 2018

Ol� a todos, e bem-vindos de volta ao Truth and Justice.

Aqui � seu host, Bob Ruff, e este � o �ltimo epis�dio

da segunda temporada do Truth and Justice.

A advogada de Ed, Allison, se recusou a desistir da luta

e continuou a trabalhar na absolvi��o total de Ed.

Oi, Allison. Como voc� est�?

Bem. obrigada. Como voc� est�?

Muito bem. Obrigado por ter ligado.

Est�vamos esperando ansiosamente por qualquer atualiza��o no caso de Ed.

Todos os testes retornaram, e est�vamos falando

sobre gotas de sangue, raspas das unhas de Elnora,

itens no corpo dela, ao redor dele.

De todos esses provas, quantas se encaixavam com Ed Ates?

Nenhuma sequer.

Ed n�o estava em lugar nenhum na cena do crime.

Ele n�o estava em lugar nenhum de Elnora.

Ed n�o estava em nenhum lugar naquela casa ou naquela cena.

Ainda t�nhamos aquela raspagem do sapato.

Os resultados desse teste de DNA foram

que Elnora Griffin estava exclu�da.

N�o era ela,

na sola do sapato de Ed.

O caso est� aberto.

Est� quente. Allison trabalhava com tudo

que hav�amos ajudado no ano anterior.

Pensamos que se d�ssemos � comiss�o de liberdade condicional,

cartas de pessoas que sabiam do caso de Ed,

isso ajudaria a indicar n�o s� que provavelmente

havia um homem inocente na pris�o,

mas tamb�m que havia muita gente de olho nesse homem,

e que, portanto, ele n�o devia ser algu�m

que sairia e se encrencaria

porque muitas pessoas haviam se dedicado ao caso desse homem.

Acho incr�vel como essa comunidade se uniu.

N�o est� certo o que est� acontecendo com esses caras,

e precisamos dar um jeito nisso agora.

Recebemos centenas de cartas

dos meus ouvintes enviadas � comiss�o de condicional

apenas mostrando apoio ao Ed.

N�o foi s� nos Estados Unidos.

Estamos falando de pessoas na Esc�cia, na Austr�lia, no Reino Unido.

Literalmente pessoas de todo o mundo

escreveram � comiss�o de condicional para dizer: "Libertem o Ed".

"Libertem o Ed."

Est�vamos entusiasmados e esperan�osos, mas n�o t�o esperan�osos.

Estava no escrit�rio, e o telefone tocou.

A primeira coisa que ouvi foi Allison,

com as l�grimas escorrendo, mal conseguindo pronunciar as palavras.

Ela disse que Ed estava indo pra casa.

E foi...

Mais uma viagem com l�grimas pra casa para...

contar � minha mulher e filhos que Ed ia pra casa.

5 DE SETEMBRO DE 2018

Os primeiros que vi foram minha fam�lia.

Ent�o vi. Estava atravessando a rua,

e meu filho veio, correu e me abra�ou.

Ent�o ficamos ali por um minuto.

Ficamos parados ali.

Senti aquele amor vindo dele.

Ent�o chegaram minha esposa e minha filha.

Ficamos abra�ados l� por um tempo.

Ent�o eu vi... Me virei, e Bob estava l�.

Ele est� sentado ali, com l�grimas nos olhos.

Fiquei tipo: "N�o estou tentando n�o chorar

"com todas essas pessoas aqui."

Ele veio at� min e me abra�ou.

Os olhos cheios de l�grimas.

Meus olhos ficaram marejados, e eu o abra�ava.

E havia a Allison, e era...

Sabia que, �quela altura, eu estava indo para casa.

Tenho fotos no escrit�rio

que vejo todos os dias quando chego ao trabalho.

S�o do dia da libera��o do Ed, 5 de setembro de 2018.

Nunca vou me esquecer. Na verdade, uma de minhas

fotos preferidas � essa linda foto

que tenho de Ed e Kim abra�ados e de seus filhos agora crescidos

vendo os pais se abra�ando. Foi lindo.

Esse � o tipo de euforia

que voc� persegue para sempre.

� claro que desatei a chorar quando o vi saindo.

Eu estava... Foi uma ocasi�o muito feliz.

Meu marido, que ficou preso 20 anos...

estava em casa.

Minha alma g�mea voltou. Meu marido estava de volta.

Era inacredit�vel.

Se n�o fosse por Bob Ruff, tenho certeza de que ainda estaria

na penitenci�ria do Tennessee.

Tenho muito orgulho disso.

Contei a todo mundo que eu conhecia.

Eu disse: "Cara, isso vai ser grandioso."

Eu ainda tenho essa foto no meu telefone.

Ed Ates com as m�os para cima. Aquela foto ali em cima.

O cara n�o merecia o que recebeu.

Fico feliz por algu�m o ter livrado disso.

Ele � muito bom nisso.

Mas se fizesse outra coisa, seria bom em outra coisa.

- Voc� � um pai muito orgulhoso. - Sou, sim.

� bom ouvir isso, Bob?

Claro que �.

Estou livre agora e posso levar minha vida e ver minha fam�lia todos os dias.

Acordo e olho o lado positivo das coisas todos os dias.

N�o estou onde estava. Esse vai ser um grande dia.

Ele est� aqui. Ele est� em casa. Estamos construindo um lindo lar.

� uma �tima sensa��o poder chegar nele,

toc�-lo, olhar pra ele e abra��-lo.

Um sentimento que, por muito tempo, pensei

que n�o seria mais capaz de ter.

� uma enorme alegria s� de t�-lo aqui.

De verdade.

Ainda oramos e buscamos...

BEM-VINDO AO LAR, ED COM AMOR, T&J

a completa absolvi��o de Ed.

Queremos que aconte�a? Sim.

O quanto antes? Sim.

Ed ainda tem um assassinato na ficha. Ele n�o foi absolvido.

Isso ainda �...

outra coisa muito dif�cil de fazer no sistema judici�rio criminal do Texas.

O Innocence Project do Texas precisa apresentar novas provas.

Sabemos que h� impress�es digitais muito n�tidas no telefone,

bem onde se teria pegado o telefone e o arrancado da parede.

Elas s�o do verdadeiro assassino.

Acho que, se chegarmos a um ponto

em que possamos obter esses padr�es, que est�o com o FBI,

acho que poderemos um dia saber

o que realmente aconteceu com Elnora.

Nos mantemos firmes. Estamos determinados.

N�o vamos parar. Vamos seguir em frente.

N�o seremos felizes at� que Ed seja totalmente absolvido.

Elnora Griffin foi muito mais do que v�tima de um assassinato cruel.

Espero que todos que est�o ouvindo saibam e entendam por que fazemos este trabalho.

E espero que, se algu�m que amou Elnora estiver ouvindo,

que voc� entenda que n�o � quest�o de tirar da pris�o

quem foi condenado pela morte sem sentido.

� quest�o de saber a verdade.

ELLIE: S� queria falar sobre o epis�dio de Elnora,

em seu �ltimo podcast. Foi demais.

E eu s� quero agradecer a voc�s o que est�o fazendo.

�s vezes a gente se esquece da v�tima.

H� uma verdade l� fora que sabemos que existe.

Este caso n�o termina at� termos descoberto quem matou Elnora Griffin.

E este � o podcast Truth and Justice.

Ainda estamos buscando justi�a para Elnora Griffin.

A palavra "detetive" j� foi pejorativa.

Mas agora a uso como um distintivo de honra.

Olha s� o que fizemos.

Olha s� todos esses casos que foram resolvidos,

pessoas que foram libertadas, assassinos que foram pegos

por nossa causa, detetives virtuais bobos.

Ent�o, aceito de bom grado.

Os familiares de Elnora recusaram o convite para participar deste programa.

Eles expressaram o desejo de se lembrar de Elnora em vida, e n�o na morte.

A delegacia do condado de Smith e o ex-Procurador David Dobbs

foram procurados para uma entrevista na ocasi�o das filmagens,

mas n�o quiseram participar.

Nenhuma conduta impr�pria das partes jamais foi investigada

no que diz respeito a seus pap�is na pris�o e acusa��o de Ed Ates.

Legendas: Mauricio Mendes

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