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Original subtitles

JOGADA DE AMOR

Pâmela.

Massimo.

-Massimo! -Sou eu, sou Massimo.

Francisco!

Francisco!

-Francisco! -Sou eu.

Sou eu, sou eu.

Acho que posso te ajudar.

Peter!

-Aqui estou. -Sim, Peter!

-Você é meu leão!

-Sim.

-O quê? -Continue, Peter!

-Então vou continuar.

-Tudo bem? -Olá.

Em uma semana você teve muitas profissões.

Um criador de buldogue francês, um especialista em

culinária coreana, um diplomata inglês.

Caras, eu sou bom.

Sou profissional, as mulheres acabam se divertindo tanto quanto eu.

Sua mulher, por exemplo, pode gostar de se divertir com um diplomata inglês.

Não, não fale da minha esposa. Além disso, ela não faz seu tipo.

Não quis ofender. Eu só estava brincando.

Parabéns pelo espetáculo.

-Muito obrigado. -Alto nível.

Como sempre.

Você não está cansado de inventar tantas histórias?

Quando as mulheres me chamam por outro nome, elas me deixam louco.

Mas você tem que parar, Gianni.

-Por quê? -Porque você tem cinquenta anos.

49, por favor. Ainda tenho 49 anos.

Queria que tentasse só uma vez conquistar alguém sendo você mesmo.

Uma mulher, não uma garota de vinte.

O que será agora?

Sim.

Obrigado.

Minha mãe.

Vocês fizeram as pazes?

Como está a querida Maria?

Está morta.

Falta um pouco de mostarda.

Só um pouco.

CEMITÉRIO FLAMINIO

Hoje é dia de folga geral?

Sinto muito.

Meus pêsames. Sinto muito.

Onde diabos ele está?

Mesmo nos últimos anos em que enfrentou situações difíceis,

nunca perdeu a energia, o amor pela vida.

Minha mãe era como uma leoa.

Mesmo quando nos abandonaram.

Eu estava no funeral errado.

Minha mãe nunca nos deixou faltar nada.

Funeral filipino.

Nunca foi fácil para ela, uma mulher solteira com filhos gêmeos.

Agora dou a palavra para...

O padre Libório, amigo íntimo de mamãe, que encerrará este funeral

compartilhando algumas de suas memórias pessoais, obrigado.

Maria era uma mulher forte como um carvalho e flexível como um junco.

Papai não veio.

-Todos nos lembramos... -Pelo menos ele foi consistente.

Ela estava sempre pronta para dar um sorriso a todos os necessitados.

As chaves da casa da mamãe.

Maria era uma mulher feliz.

Você deveria ir buscar suas coisas. Isso a deixaria feliz.

Não tem nada meu na casa da mãe.

Ela estava sempre aberta e disponível com qualquer pessoa.

Está bem, eu vou. Feliz?

Uma mulher...

cheio de impulso e paixão, semelhante aos bulbos de tulipa.

Ou como o grande espetáculo de ir ao cinema à noite.

Que tal.

Ao lixo.

Papai.

Com licença.

Eu sempre tenho você em

imagina você

Que esta tarde te verei E que esta noite porque

Eu não consigo tirar você da cabeça E esta noite

Entrei porque a porta estava aberta.

-Bom dia. -Bom dia, sou a nova vizinha.

Estou me mudando agora.

Estava procurando alguém que pudesse me ajudar a mover uma cadeira.

Sem problema. Eu vou.

Não, não. Não se preocupe.

Olhe, eu trabalho como cuidadora de pessoas como você.

-Para pessoas como eu. -Como você.

E agora estou procurando um emprego.

Se você acha que posso te ajudar, estou a disposição.

Obrigado. Qual seu nome?

Desculpe. Alessia.

Gianni. Não se preocupe.

-Deixe para lá. -Eu pego.

Não é necessário.

Acho que alguma coisa caiu lá no fundo, você pode pegar?

Ah sim, já o vi. É um broche.

Isso é.

Obrigado. Você não deveria ter se incomodado.

Que amável.

Você gosta de costurar? Não, isto pertence à minha mãe.

Minha mãe...

Esta casa era dela.

Embora ela esteja morta.

Morreu recentemente.

Eu sinto muito.

Agora

Eu moro aqui.

Relembrando sua vida.

É difícil. É muito difícil.

Força.

Por isso te digo que se precisar de ajuda

de pegar alguma coisa...

-Obrigado. -Cozinhe ou o que seja, estarei aqui.

É só bater na minha porta.

Por favor, sem formalidades.

Então, quando você quiser.

Alessia.

Gianni.

Obrigado. E desculpe o transtorno.

Não é nada incômodo.

-Tchau. -Bem-vinda.

Obrigada.

Alessia, nova vizinha é um pedaço de...

Mãe, por favor, não me julgue assim, e olha só quem fala.

Padre Libório?

Qual será sua nova aventura?

Transar com a vizinha como um cadeirante.

É impressionante. Cada vez é mais difícil.

Eu conseguirei.

Sabe o que vou fazer?

Comprar calças de veludo cotelê com enfeites de feltro.

Não sei porque, mas tem efeito nelas.

-Qual? -Efeito Cruz Vermelha.

Pena. Muita pena.

Sim. Isto é para a colonoscopia.

-Com seus 50 anos é necessário... -49, cara.

Quando treina, seus batimentos ficam abaixo de 108?

-Sempre. -Onde será a próxima maratona?

-Milão. -Sem problema, você está fisicamente bem

Me sinto ótimo.

Mas no aspecto mental tenho certas preocupações.

Eu tenho uma dúvida. Se convencê-la a transar com você

Como vai fazer isso em uma cadeira de rodas?

Eu me coloco à vontade.

Deixo-a fazer tudo.

Nada mal, não é?

Você é muito galante.

-Bom dia. -Fuma mesmo, suas bolas vão encolher.

-Bom dia. -Bom dia.

-Bom dia. -Bom dia.

Relembro que não vendemos calçado desportivo.

Não vendemos nem tênis.

Vendemos uma ideia.

Se pago 120 a 200 euros por este sapato,

é porque comprei uma ideia.

Em forma.

Inteligente.

E jovem.

Coloquem isso na cabeça.

A consulta está agendada.

-O quê? -Colonoscopia. Sexta-feira, às quatro.

-Não falte. -Obrigado. Falamos disso depois, Lucy.

Luciana

Dúvidas?

Com licença, não acha que a diversidade contribui com nossa imagem?

Por exemplo, no bem-estar social.

Como os campeões paralímpicos, que em nossa sociedade são um emblema

de luta e retenção, com que os jovens podem se conectar.

Obrigado.

Finalmente.

Finalmente um de vocês teve uma ideia concreta.

Uma ideia

de merda, sem direção e retórica.

Pessoal, sejam sinceros,

Quem quer que um inválido entre por aquela porta?

Sinto muito, não é meu público.

Não produzo rodas para cadeiras de rodas, senhorita.

Eu produzo sapatos.

Os que quando usados demais, com o tempo...

-Eles se desgastam? -Como é?

-São consumidos. -Isso mesmo, eles se desgastam!

Quantos sapatos uma pessoa com deficiência compra na vida?

Eles não são meu público, sinto muito.

Meus clientes vêm do Instagram pelos influenciadores, entendeu?

Mas os atletas paralímpicos têm muitos seguidores.

Para quem você trabalha? Para um grupo de caridade?

-Como ela se chama? -Giulia, é novata, contrato a termo.

Contrato a termo. Perfeito, terminado hoje.

Obrigado. Pode ir.

Agora?

Agora, vá embora.

Isso é uma competição.

Nem segundo, nem terceiro lugar vencem.

Estamos sozinhos e queremos chegar em primeiro.

Vocês nunca devem esquecer que estão juntos nesta batalha.

Mas apenas um vence.

Lúcia.

Aqui sua roupa de pobre.

-Obrigado, Lúcia. -Lúcia, não, Luciana.

Meu nome é Luciana.

Luciana é nome de pobre, de proletária.

De miserável, desculpe.

Vamos ver o que temos aqui.

Que feio.

Muito velha.

Perfeito.

Que carro lindo.

Mas como você se veste, não é possível ter tudo nesta vida.

Você gosta? É meu.

Mexa essa bunda se quiser se tornar alguém na vida.

Quem?

Não tenho ideia.

Este é o meu território.

Seu território?

Você já o viu aqui antes?

Nunca.

Foda-se

Bom dia.

Bom dia.

Gianni.

Alessia.

Como esta?

Meio triste.

Eu estou incomodando?

Não, de jeito nenhum.

Eu juro.

Eu queria ver se você gostaria de vir tomar um café ou um vinho.

Alguma companhia.

Agora?

-Se estiver incomodando... -Não me incomoda.

-Realmente Alessia? -Não me incomoda.

-Vou pegar as chaves. -Sério?

-Vou pegar as chaves, espera. -Que bom.

Já volto.

Espere.

Onde está o café?

Aqui estão os pires.

As xícaras.

Aqui está o café.

Ao lado das alcachofras.

Com biscoitos?

Sim.

Com o que você quer?

Com leite ou açúcar?

Açúcar.

Com açúcar é perfeito.

Perfeito, porra.

Não sei se tem açúcar.

Açúcar?

Onde?

Onde você pensou em colocá-lo?

Ela era diabética, mas.

Tudo bem?

-Sim. -Vou te ajudar.

-O que é isso? -Oh, Deus.

-Queria poder andar... -Espera aí.

-para alcançar o açúcar. -Pronto.

Agora solte.

Pode soltar.

Aqui está a cadeira.

-Obrigado! -A cadeira!

-Desculpe. -Não se preocupe.

-Veja onde ela pôs! -Quer que eu pegue?

-Em um desses potes. -Este?

É o outro.

Este?

-Aqui está. -Muito obrigado.

-Sem açúcar. -Prefiro amargo.

-Mantendo a linha? -Vou à maratona de Milão...

como espectador, e por isso...

Há quanto tempo você trabalha?

-Assistência domiciliar? -Isso.

Dois anos atrás. E você em que trabalha?

Sou inválido, não trabalho.

Deficiente. Isso não o impede de fazer muita coisa.

Verdade.

-Por exemplo, você é deficiente. -Sim.

Mas isso não o impediu de olhar meus seios.

Não.

-Olhou. -Eu...

-Olhou. -Mas eu...

Bem, você está certa.

São lindos, você sabe.

-Vamos gritar: "Viva os peitos!" -Sim, vida longa...

aos peitos.

-Vou comer mais biscoitos. -Pegue o que quiser.

-É casado? -Não, sou livre.

Especialmente pela minha condição.

É difícil encontrar alguém,

especial.

Calma. Há gostos para todo tipo de pessoa.

Eu não sirvo para relacionamento sério, monogamia, casamento.

-Bravo! -Eu só quero me divertir.

-Você também? -Eu também. Planos para esta noite?

-Esta noite... -Sim.

Vou patinar no gelo com uns amigos, no centro.

É complicado, certo?

Se eu soubesse, teria colocado correntes nas rodas.

Não, somos todos jovens.

Bem, muito obrigada pelo café. Eu adorei vir.

-Adeus, Gianni. -Tchau.

-Muito obrigada. -Igualmente.

Tchau.

Alessia.

Você está me vendo assim, mas eu trabalho.

Um trabalho muito importante. Sou o dono da High Speed.

Ah, sei.

Tenho 148 lojas entre a Itália e o resto da Europa.

Eu sou a High Speed.

Certo.

Eu também tenho uma vila.

Não como este lugar. Com todo o respeito.

Estou falando isso para que você não pense que sou só isso.

-Tem compromisso domingo? -Domingo? Não.

Vamos à casa de campo dos meus pais?

Já quer me apresentar aos seus pais? E aquela conversa?

Gostaria muito que você fosse.

Então, eu aceito.

Bom.

Estou contente.

Nota-se.

-Até domingo. -Até domingo.

-Tchau. -Tchau.

Gianni!

Olha ele.

-Gianni. -O que foi?

Não te dei o endereço.

Via Tiberina 1547.

Via Tiberina 1547.

-Tchau. -Tchau.

Tudo bem?

-Sim. -Quer que eu vá te ajudar?

Não, eu gosto de ver o sol em todo o seu esplendor.

É verdade.

Como é bonito!

Me dê uma mão.

Me dê uma mão.

Você consegue mexer a bunda sozinho.

-Até domingo. -Até.

Adeus, Gianni.

Muito obrigado por ajudar.

Dois idiotas.

Este é o lugar.

Vamos ver.

Onde estava a alavanca?

Aqui está. A roda.

Agora com paciência a segunda roda.

Maldita puta!

Era uma expressão.

Não pela profissão.

Eu não quis dizer...

Não tenho nada contra isso.

De onde é? De Varsóvia?

Vladivostok?

São Petersburgo?

Porta Furba.

Você é local?

Eu não adivinhei porque você é loira.

Você é a segunda geração, certo?

Que hostilidade.

Finalmente, tenha um bom dia.

Que hostil.

Vem do leste.

O leste te deixa insensível. Sem nenhuma empatia.

Porta Furba.

Tinha que ser de Porta Furba.

Não seja preconceituoso. Em Porta Furba há gente simpática.

Por que as pessoas vão morar no campo?

O campo é uma tortura.

Sempre odiei o campo.

Ah, um cachorro.

Não!

Momi, não. Momi, largue já.

Larga isso, agora, Momi.

É um amigo.

Perfeito. É um longo caminho.

Tomei um pouco de ar fresco.

É uma bela paisagem.

Meus sobrinhos. Margarida e Francisco.

Digam olá para Gianni.

Olá, crianças.

Você não está com calor?

-Ouvi relâmpagos. -É meu irmão Luigi e minha cunhada Sara.

Oi Luigi, muito prazer.

-Bom dia. -Senhora.

-É um prazer. -O prazer é meu.

Peço desculpas. O cachorro pulou no buquê

-Meu marido Carlos. -Muito prazer.

Entre.

Mas que casa linda.

Obrigada.

-Fique à vontade. -Obrigado.

É minha avó, Margherita. Este é Gianni, aquele de quem te falei.

Prazer.

Ele não é tão velho quanto você disse.

Alessia nos disse que você é o vizinho do lado.

Sim, na verdade a casa pertence à minha mãe.

Mas com sua doença, ela...

Espero que não seja nada sério.

Ela morreu.

Ah, isso significa que foi sério.

Melhor tirar a capa de chuva. Se não vai suar muito.

-Por isso perguntei se estava com calor. -Tem razão.

-Ajude-me com isso. -Claro.

Muito bem.

Eu vou colocar aqui.

Você quer um pouco disso?

Tia Chiara chegou!

Olá a todos.

Tia Chiara!

-Olá, filha. -Oi, mãe. Oi, pai.

Aqui está.

Esta é minha irmã, Chiara.

Este é Gianni, meu amigo.

É um prazer.

Gianni. Um prazer.

E Chiara não é casada.

Ela está solteira.

Acho que poderiam compartilhar suas histórias.

-Já que vocês dois são... -De Roma!

Vovó, minha linda vovó.

-Minha vida. -Olá.

-Viu que coloquei seus brincos?

Já está pronto.

Vamos comer.

Crianças, vamos comer.

Armaram para você.

Você estava de olho na jovem.

Mas te empurraram a paralítica.

Vamos. Sentem-se.

Também não gosto de encontros às cegas.

Mas já que estamos aqui, com o que trabalha?

Eu vendo sapatos.

Você conhece a High Speed?

-Claro que sim. -A multimarca é minha.

Eu a conheço porque adoro sapatos e adoro fazer compras.

Bem, agora que existe a conveniência de fazer compras online.

Não, não.

Adoro ir ao shopping, ver os acessórios,

comprá-los e sair cheia de sacolas, tipo Uma Linda Mulher.

Você faz esporte?

-Não. -Porque não?

-Não -Mas esporte é importante na vida.

Eu jogo tênis, mas não é meu trabalho.

Eu me dedico à música.

Eu toco violino.

Você gosta de música clássica?

Bem, música clássica...

É meio chato.

Bem, um pouco, realmente.

Deve ser muito difícil né?

Tocar violino.

Sim, mas comecei quando era muito jovem.

Incrível. Que alegria.

Quase uma vergonha. Totalmente.

Ela na cadeira de rodas, a avó com o oxigênio.

O irmão parecia um pouco lento.

-O que você fez? -O que acha?

Eu me levantei, me desculpando.

Disse que estava interessado na outra. A irmã saudável.

-Isso é tudo. -Como é ela?

Parece deliciosa. Perfeita.

Quero dizer a mais velha.

-Deficiente, como você acha? -Eu entendo.

Mas eu te pergunto como pessoa, interessante, engraçada?

-O que isso importa? -Mas é boa, sim ou não?

Ela é uma boa mulher, fato. É bonita.

Então por que não tenta?

Eles vão quebrar suas cadeiras de rodas para flertar.

Gianni, é impossível, mesmo para você.

Não.

O que você quer apostar?

-Bom dia. -Bom dia.

Vim procurar por Gianni. Ele esqueceu isso em casa.

Ele não está.

Eu sou o irmão dele.

Ah, muito bem.

Gêmeo.

Diferente. Muito.

-Muitíssimo.

É que vi a cadeira de rodas e pensei...

Quer entrar?

Sim, obrigado.

Vou deixar isso aqui dentro.

Seu irmão é um homem excepcional.

De verdade.

Desejo de superação.

Força de vontade.

Se move.

Mil coisas.

Ele me contou sobre o projeto de esgoto em Botsuana.

Além disso, todo fim de semana ele vai comprar croquetes

para alimentar os cachorros de rua.

Ele é uma pessoa bonita.

Não quero que ele se ofenda porque o apresentei à minha irmã.

Gianni não é do tipo que se ofende se alguém o apresenta a sua irmã.

Ela é deficiente.

A situação dele é parecida, então...

Talvez se compartilhassem experiências, eles pudessem ser um casal, não sei.

E diga-me.

Como foi que aconteceu?

Aconteceu...

Acidente de viação?

Sim.

-É para... -Para...

-plégico? -plégico.

Sim.

Embora não tanto. Só um pouco.

Não pode ser transferência?

Desde 1996 não faço cheques.

Em nome de quem?

Descanse em paz, limitado.

Mas vou pagar minha parte.

Pagar o quê? Não seja ridículo.

Mas eles poderiam ter me cobrado.

Até lhes dei uma referência crível: um banho de emoções.

Aqui está.

Você pelo menos gosta?

Escolhi o mármore rosa que a mamãe gostava.

É um túmulo.

Diga-lhes para terminar logo, por esse preço.

E sem deduções.

Então você experimentou um milagre?

Porque você não está mais em uma cadeira de rodas.

O que você vai fazer esta manhã?

Vai alimentar os pobres cães vadios ou trabalhar para o Projeto Botsuana?

Apesar de ter chegado aos cinquenta, continua fazendo merda

49. E ainda tenho cabelo na cabeça.

Como a natureza tem sido má com você, não é?

Serviço de correio de voz.

Depois de ouvir o bipe, por favor, deixe sua mensagem.

Oi Chiara, eu sou Gianni. Lembra?

Sabe, eu estava pensando,

Quer sair no sábado?

Podemos fazer uma boa caminhada.

Bom perdão.

Podemos dar uma...

volta.

Podemos tomar uma bebida e sentar em algum lugar...

Bem, estamos sempre sentados.

Enfim, se você gosta da ideia, me avisa.

Tchau.

Tchau.

Que idiota.

Não posso falar, mas não quero ficar mal, é difícil.

Mas que caralho.

Relembro que amanhã você tem uma reunião com o diretor do centro sul às 14h.

E lembro que compramos isso para você me dar esse tipo de recado, então use-o.

Sim, está bem. Há uma pessoa lá fora.

Não tenho nenhum compromisso para hoje.

Não posso expulsá-la.

E por que não pode?

Ela é deficiente. Seria muito, não é?

Posso?

Bom dia.

Bom dia.

-Bom dia. -Bom dia.

Obrigado.

Eu recebi sua mensagem.

Infelizmente não posso no sábado,

mas hoje tenho torneio de tênis e estava tão perto...

Por que não passar aqui?

Procurei sua loja online e achei o endereço.

Por que eles sentaram você na mesa?

Não...

É que...

Te dá vergonha.

Aqui no seu trabalho, com os clientes.

Te entendo.

Também não suporto o olhar de compaixão.

Depois fingem que não somos diferentes.

Porque somos.

Não somos iguais.

Isso é um fato.

Mas a cadeira é nossa melhor amiga.

E não devemos nos envergonhar disso.

-Pode vir um momento? -Não, diga.

-Venha você. -Não!

Aproxima-te. -Não vem.

Luciana, por favor.

Está bem. Como quiser.

Está bem.

Eu estou indo. Como disse, tenho este torneio.

Vá e depois vamos beber algo.

-Diga-me, a que horas? -Às sete, no Centro Esportivo Colombo.

Conhece?

Sim, claro.

Na verdade, tentamos patrociná-lo, pois era uma iniciativa importante

nos concentramos em ser socialmente conscientes.

-Sério? -Esta publicidade já é um pouco antiga.

Em suma, os atletas com deficiência de hoje.

Eles são um emblema para os jovens.

Além disso, posso compreendê-lo.

Sinto muito, mas não posso esperar.

Você tem que dar resposta sobre a colonoscopia.

Porque foi alterado.

O procedimento não, é sempre pelo ânus.

Mas eles mudaram o dia.

-Tudo bem se for na quinta-feira? -Tudo bem, Luciana.

É melhor eu ir.

Vou deixá-lo com seus problemas internos.

Tem que fazer isso por precaução.

Tchau.

Chiara.

Duas coisas.

Primeiro devo dizer que comecei a gostar de encontros às cegas.

-E o segundo? -Você parece uma campeã de atletismo.

Te vejo mais tarde.

Lúcia.

Sim, pode falar.

Arranje uma cadeira de rodas.

Como assim?

Uma cadeira de rodas.

Para deficientes.

-Às 6h30. -Onde procuro?

Você deve ter um amigo deficiente.

Desgraçado.

-Tire o dedo do botão, estou ouvindo.

Eu odeio este dispositivo.

Bem-vindo à Final Nacional do circuito LAB 3.11.

Entrando em campo, Chiara Vitale, número cinco no ranking nacional.

E Giulia Capocci, número um no ranking nacional.

É uma porcaria, está quebrado. Porra, Lúcia.

Com tudo o que te pago, devia ter comprado uma nova.

-Você jogou muito bem, Chiara. -Eu sei.

Gianni!

-Tchau. -Tchau.

-Olá. -Você veio.

Você estava fantástica.

E também parecia um jogo real. Parabéns.

Obrigada.

Você está na minha cadeira.

Oh, com licença.

É só que o grau de estupidez que...

Que existe nas ruas desta cidade.

Estava vindo, e passei em cima de...

-Um cocô? -Um cocô!

-Isso é uma desgraça. -É um clássico na rua.

-Então eu lavei e sentei nessa... -Não se preocupe.

Amanhã vou buscá-la em seu escritório.

-Não, nada disso. -Peço à Luciana que leve à sua casa.

Então diga-me...

Quer beber alguma coisa?

Com prazer.

Mas meus amigos têm que ir.

Como funciona a federação desportiva?

Ou seja, um cadeirante pode jogar contra alguém com uma

perna de carbono, por exemplo?

Quem é que decide quem joga contra quem?

Quem decide que um cadeirante joga com outro cadeirante?

Ou que alguém sem braço, joga com alguém sem braço?

-Ou pode misturar... -Gianni, já entendemos.

Eu jogo basquete.

Mas você não pratica esportes? -Não.

Mal muito mal. Eu ensaio teatro.

-É bom para o moral. -Eu jogo vôlei.

Seu corpo precisa sentir que você ainda o respeita.

No inverno eu esquio.

E acima de tudo, não deve menosprezá-lo dessa maneira.

Pratico recitação de canto e dança contemporânea.

-Você está envergonhado? -Não se importe com o resto das pessoas.

Você tem que se aceitar por quem você é.

Eu jogo futebol.

-Olá. -Olá.

Bom dia. Sou Luciana, assistente...

De Gianni, claro. Entre.

Obrigada.

Por favor.

-Você pode colocar lá? -Aqui?

Sim, obrigada.

Gianni agradece pela cadeira.

E estas são para você.

Que atencioso.

Ele me pediu para dizer que estava impressionado com sua partida...

-Sente-se. -Sim.

e que já recuperou sua cadeira de rodas para sua deficiência.

Foi o que ele disse.

Você é muito linda.

Este elogio faz parte da mensagem?

Não é o que penso, embora saiba que ele concorda comigo

porque gosta de mulheres bonitas.

Seduz todas elas.

E ele te cortejou?

Eu? De jeito nenhum.

-Por que é um cadeirante? -Quem?

-Gianni. -Ah sim.

Não é isso não. É outro motivo.

Mas não é tão mal.

Ele é um homem bonito com uma boa posição.

Você tem chance.

-Porque eu também sou cadeirante? -Não, não estou dizendo isso.

Digo isso porque você parece forte, otimista.

E para o amor, isso funciona, certo?

Para uma mulher como você, otimismo no amor é que dure o máximo possível.

Para mim é que chegue.

ORQUESTRA TEATRO REGIO TURIM

Aqui está.

Lúcia.

Preciso de um ingresso para o concerto do dia 12 no Teatro Regío em Turim.

Regio.

Pode estar na caixa ou no melhor assento que você encontrar.

-Música clássica, certo? -Porque não?

Porque o último ingresso que pediu foi para uma reunião de uma banda pop.

É tudo que preciso, Lucy, obrigado.

O que você está fazendo não é nada bom.

Essa mulher não é burra.

É apenas uma surpresa.

Ah, sim.

E a surpresa é que você estará andando, certo?

Ele vai ver você entrar com suas pernas bem torneadas.

Cem euros.

Dou-te cem euros e depois devolvo-te.

-Cem euros é um bom negócio. -Trezentos.

-Bom, 150 porque você é legal. -Trezentos.

Ei, acho que você está confuso.

Duzentos.

-Duzentos. -Trezentos.

Você é um... Trezentos.

Aqui, trezentos euros. Eu tenho.

Qual é o nome do homem?

-Próspero. -Próspero!

Você quer dar um passeio? O que me diz?

Me dê uma mão.

Isso. Pegue o Próspero.

Não deixe o Próspero cair.

Com cuidado. É próspero.

Vamos, caminhe.

Então. E aqui está.

Próspero.

Puxa vida.

-Sim. -Vejo você em algumas horas.

Como é que isto funciona?

Se eu apertar aqui...

Próspero, ele vai te pagar a bebida.

Desculpe.

Senhora.

Você me emprestaria? Obrigado.

Chiara, parabéns.

Você foi fenomenal, eu lhe garanto.

Foi um prazer.

Parabéns.

-Belo concerto. -É verdade.

Foi estupendo.

Vamos comer alguma coisa na trattoria. Você nos alcança?

Sim, eu os alcanço.

-Tchau. -Já vou.

O que você está fazendo aqui?

Por acaso procurei um concerto na internet e depois vim.

Foi um belo concerto.

-Muito obrigado. -Verdade.

Vem jantar conosco?

Não.

Você vai jantar comigo esta noite.

Em um restaurante à sua altura.

Vamos outro dia à trattoria.

Está bem.

A cadeira é nova?

Não, é do Próspero.

Ele é um antigo colega meu.

Boa noite.

Bem-vindo.

-Boa noite. -Bem-vinda, senhora.

Chiara, tenho que te dizer uma coisa.

Eu menti para você.

Não é verdade que eu...

estava por aqui, vim aqui para te ver.

Não devemos mentir.

-Senhora, posso? -Sim.

Com licença. Bom proveito.

-Obrigado. -Obrigada.

Por que brindamos?

Tim-tim.

À mentira.

-Desculpe, senhora -Cuidado.

Me desculpe, se eu tocar neste botão, ela avança do nada.

Foi um acidente.

Com licença.

É muito sensível.

Sinto muito.

Que bagunça.

Há uma coisa que eu percebi.

Você é instável.

-Você troca de cadeira todos os dias. -E você é bonita.

Obrigado.

Com as costas nuas.

E minha bunda não é ruim.

Só ninguém pode ver.

-Quando você volta? -Amanhã.

-Que voo? -Não, eu vou de ônibus.

-Quanto tempo você leva? -Sete horas.

Sete horas sentado.

Essa era a música favorita da minha mãe.

Alessia me disse que sua mãe faleceu recentemente.

-Sinto muito. -Mas não se preocupe.

Não tínhamos um bom relacionamento.

Mal nos víamos.

E por quê?

Quando meus pais se separaram, meu irmão e eu tivemos que escolher um lado.

-Quem você escolheu? -A mim.

Então, para minha mãe, me tornei um inimigo.

Para o meu pai, um covarde.

E para o meu irmão, um idiota.

Por que falar de coisas tristes quando temos assunto mais interessante?

Qual?

A sua bunda.

Preciso chamar o garçom.

Na nossa condição não é fácil.

Então vou apertar até o rapaz chegar.

Espere.

-Dê-me. -Obrigada.

Gosto de tirar os sapatos porque...

Me lembro de quando dançava a noite toda.

Às vezes é útil ser instável.

-Sim. -Você subestimou minha cadeira elétrica.

É do outro lado.

É aqui?

Sim.

Obrigado pela carona.

Já estamos aqui.

Subo para um último drinque?

Sim.

Está bem.

Obrigado.

-Boa noite. -Bom dia.

Já é de manhã.

Eu vou em frente, ok?

-O número, Chiara. -5º andar 508.

-Nós ficamos presos. -Desculpe.

Me perdoe.

Com licença, mas amanhã...

Tenho que sair cedo.

Certeza?

Sim.

Certeza absoluta?

-Boa noite. -Obrigada.

Obrigada.

Olá.

Olá.

Bom dia.

Prazer, Roberto.

Igualmente.

Em que quilômetro está?

-Segundo ou terceiro. -Segundo, ainda?

A que horas acordou?

Tarde, eu estava na cama.

Você estava na cama?

Gosta de estar na cama?

Tecnicamente,

um homem deficiente pode...

Sim, Gianni, ele pode tecnicamente ter uma ereção.

É como um reflexo.

Embora eu não entenda sua preocupação se você está só fingindo.

Seria mais útil pensar no que ela está sentindo.

-O que acha? -As possibilidades são infinitas.

-Infinitas? -Sim.

Depende do nível da lesão.

Como sabe tudo isso?

Porque eu te conheço, Gianni.

E eu sabia que mais cedo ou mais tarde teríamos essa conversa.

-Você me ama. -Esse é o problema.

-Posso te dar um conselho? -Claro.

Esta aposta é um lixo, esqueça.

-Diga porque. -Porque sim.

Porque você tem 49 anos.

Quantos anos?

Quarenta e nove.

-Gianni. -Olá, Chiara.

Olá. Pode falar.

Diga-me. Eu só queria ouvir você.

Estou te interrompendo?

Não, estou me servindo um prato de macarrão.

Aliás, Chiara.

Você teria uma noite livre para jantar?

Sim, parece ótimo.

Que tal amanhã?

Perfeito.

Te mando meu endereço.

Sim. Sim, obrigado.

-Até amanhã. -Até amanhã.

-Tchau. -Tchau.

-Olá, Roberto. -Eu estava um pouco atrasado?

Um pouco.

Deve haver um jeito de você me perdoar.

Eu diria que sim.

É jantar hoje à noite? -Sim.

-Feliz?

Sim.

-Sim, feliz, mas...? -Sim, feliz e sem nenhum senão.

É só que ele me olha como um homem olha uma mulher.

Isso não acontecia há muito tempo.

Bom para Gianni.

Então você gosta?

Sim.

Por que você não fez isso?

Pobrezinho.

Ele sofre.

Se você gostar.

Eu sei porque te conheço.

Eu gosto porque me faz sentir inteira.

-Eu sou um gênio. -Por quê?

Admita que tenho bom gosto.

Já veremos. Com o tempo.

-Embora seja o fim do mundo. -Por quê?

Porque eu sou especialista em encontrar parceiros para os outros.

Mas para mim...

absolutamente nada.

Olá.

Olá.

Entre, por favor.

Obrigada.

Eu trouxe para você.

Obrigado. Não precisava ter se incomodado.

Espumante. É perfeito.

-Sua casa é linda. -Você gosta?

Sim.

Vamos, entre com confiança.

Que genial.

Sabe quando você dá aos arquitetos a liberdade de projetar...

E se brindarmos?

Siga-me.

Vamos falar sobre isso?

-O quê? -Disso.

Por que não podemos andar?

Vamos, você começa.

Bem, nada. Eu tive um acidente.

Super homem. Talvez você o conheça.

Christopher Reeve, a coisa do cavalo, sabe?

-Não. -Sim, sim.

Você teve sorte porque ele estava paralisado até aqui.

Sim, mas eu caí de um cavalo menor, foi...

um ponei.

Ou um burro, talvez.

Apesar do tamanho.

É bom poder ser irônico sobre isso.

-Gostou da história? -Gostei.

Você não vai me perguntar?

-Não sei se isso te incomoda. -Eu quero te dizer.

Você me contou sua história e eu quero contar a minha.

Atravessei um cruzamento na estrada.

E o carro acabou girando quatro vezes.

O cara no outro carro quebrou a clavícula e eu não conseguia mais andar.

O violino ao meu lado estava bem.

Incrível, não é?

Você se divertiu muito?

Sim.

Muito.

Aqui.

E você?

Também.

Aqui...

Monumento nacional.

E você tirou uma foto!

Um gênio.

-Mas como você fez? -É igual, me dá.

-Não parece inválido. -Pare de brincar.

-Nos digam. -Eu não transei com inválida.

-Mas como é? -Não me faça dizer vulgaridades.

Bem, conte como foi.

O que acha? Bom.

Como você imagina?

O que aconteceu?

Ai Deus.

Desculpe, sou muito desajeitada com as mãos.

Até pareço um inválido.

Você está com raiva?

Eu vou te devolver.

Vista suas roupas.

O que você precisa?

Luciana. Chame aquela garota...

A da ideia inclusiva. A novata.

-Giulia? -Giulia.

Não trabalha mais aqui, você a demitiu.

-Eu? -Sim, na frente de todos na reunião.

Eu não posso dizer mais nada irônico.

Luciana, admiro muito o seu trabalho, mas...

Mas você não parece entender um pouco de ironia com senso de humor.

-Ligue para ela, por favor. -Farei isso.

Como está Chiara, a violinista?

Não sei.

Não tive notícias dela.

E já disse a ela que não é inválido? Deficiente.

Não. É que...

Não tenho tido tempo.

Você não tem nada na agenda hoje. Poderia ir contar a ela.

Você vai fugir?

O mestre da fuga.

-Olá? -Olá.

É bom ouvir você.

Me perdoe. Eu estive fora a trabalho.

Estive ocupada também, com ensaios.

Como você está indo com isso?

Bem, bem.

É raro. Parece que você está andando.

Eu?

Não.

Por que diz isso?

Nada.

Parecia que você estava andando.

Não, imagine. Estou sentado na minha cadeira.

Como sempre.

Ouça, eu liguei porque...

Eu gostaria de vê-la para dizer algo importante.

Olá.

-Olá. -Entre, fique à vontade.

Estou terminando. Só preciso ensaiar uma partitura.

Entra.

Já terminei.

Agora sou toda sua.

Vejo que você aprendeu.

Pensou em mim esses dias?

Muito.

O que você quer me dizer?

Sua avó também toca violino?

Sim.

A culpa é praticamente dela.

Quando eu era pequena, ela sempre me levava ao fosso da orquestra.

É minha melhor amiga.

É um pouco difícil de lidar.

Quando meu ex-namorado quis terminar comigo,

ela quebrou todas as janelas do carro dele.

-3000 euros em danos. -Viu só? A vovó é durona.

E quando ele te deixou?

Após o acidente.

Que bastardo!

Mas eu entendo.

É normal.

Isso mudou tudo entre nós.

Mas...

Ele estava me traindo com outra e não me disse a verdade.

Foi isso que me machucou, o fato de que ele mentiu para mim.

Tem uma coisa que eu não suporto.

Pessoas que contam mentiras.

Vem comigo.

Deixei registrado que sou contra este jantar.

Ele ameaçou me demitir e por isso eu me apaixonei.

Exagerada.

Isso me deixa muito envergonhado. Muito.

Ela queria conhecer meus amigos e eu não conseguia pensar em mais nada.

Além disso, vocês são os únicos que estão cientes do que está acontecendo.

Que desgraça.

Não sei o que me acontece.

Sou jovem, com bom físico, muito cabelo.

-Está apaixonado. -Está delirando.

Pode acontecer com qualquer um, até com você.

Eu vou dizer a verdade.

Encontrarei o lugar certo, a hora certa, e lhe direi.

Estou avisando, se você não contar, eu conto.

Se ele não contar, eu conto.

Que tal?

Alguém canta?

Parece que sim.

-Boa noite. -Por aqui.

-Precisam de ajuda? -Não, obrigado.

-Seus amigos chegaram. -Obrigada Mauro.

-Olá. -Olá.

-Este é Dario. -Chiara.

-Um prazer -Luciana, você já a conhece.

-Já a conheço.

-Olá. -Olá.

-Seus casacos. -Obrigado.

Ajude-me com meu casaco.

Obrigado.

-É um karaokê. -Sim.

Obrigada. Até logo.

Desculpe-me, mas eu amo karaokê.

-Com licença. -Onde você está indo?

É muito boa.

Parece que sim.

-Bebê? -Bebê.

Não conhecia esse seu lado misterioso.

Eu não sou o único que tem um, não é?

Chiara, você tem que saber uma coisa...

O molho de soja!

Não se preocupe, isso já está manchado, sim.

-Dario. -Sim?

-Venha comigo ao banheiro. -Claro.

-Sinto muito, mas o molho... -Às vezes acontece.

Devagar devagar.

Olha, eu a conheço e ela não está pronta.

Se eu contar a ela agora, ela não vai aceitar.

Não é justo.

Ela nunca vai aceitar, Gianni.

Eu a conheço melhor do que você.

-Você se comporta como um adolescente. -É o que você diz.

Você está certo, feliz?

Como vocês vão?

Se você quer que eu te dê uma mão...

Meu avô também não anda.

Por isso tenho experiência.

Não, obrigado. Eu cuidarei disso.

-Certeza? -Sim, obrigado.

Olá.

Olá.

-São para você. -Para mim?

Obrigada.

Entre.

Olá.

-Olá. -Como vai, Alessia?

Eu acertei o aleijado e adorei. Ele merece.

-Não me importa. -Está tudo em ordem.

Tudo em ordem.

Ouça, vendedor de sapatos.

Você irá até minha irmã e contará a verdade.

Você vai dizer que você anda, que é um charlatão e que não a ama.

E acima de tudo, você vai dizer a ela que você é um pedaço de merda.

Você tem dois dias.

Alessia.

Alessia!

Alessia.

Eu tentei dizer a ela, mas não é fácil.

E, em dois dias, não sei...

Você não acha que poderia contar a ela?

Tenho certeza que você encontrará a melhor maneira de contar a ele.

Sabe de uma coisa?

O deficiente é você.

Bem, eu acho que você não a ama. Você só sente pena.

Se não estivesse em uma cadeira de rodas, com certeza...

Não, pai. Não tem nada a ver com pena.

Ela é mais corajosa do que eu, mais forte.

Sou eu que me sinto uma merda, só isso.

Não, você é uma merda.

Obrigado, pai. É sempre um prazer vê-lo.

Então diga a verdade.

Se eu disser a verdade agora...

eu a perco.

Você tem que pensar em algo, Gianni.

Você poderia ficar com uma mulher só...

a vida inteira?

Tem razão.

Você e eu somos iguais.

Não, claro que não somos iguais.

Olha, você é um homem com muitas mulheres.

E eu sou um homem velho.

Com muitas mulheres.

Então eu sou um velho solitário.

Perder sua linda mãe foi a coisa mais estúpida

que eu poderia fazer na minha vida.

Então por que não foi ao enterro?

Sinto muito.

Desculpe a interrupção, mas temos que fechar as inscrições

para a viagem a Lourdes no sábado.

E o padre Paolo está nos pedindo os nomes dos participantes.

Então, se você quiser participar, venha por aqui, por favor.

Deixe-o sozinho.

Posso dizer?

Sinto que ele não é bom para você.

Eu acho que você não precisa disso.

Claro que eu sei que não preciso disso.

Óbvio.

Mas no final...

-Gianni. -Como vai?

-Bem e você? -Quer me acompanhar até Lourdes?

-Quando? -Amanhã.

Amanhã? De ônibus?

Eu não tenho certeza. Vou pensar.

Entendo que é importante para você.

-Sim é. -Está bem.

-Então você vai? -Sim, já disse.

-Certo, até amanhã. -Até.

O quê?

-Ele quer ir para Lourdes. -Para Lurdes?

Senhorita. O tamanho lhe serviu?

Sim, mas você pode me trazer outra cor?

-Eu vou trazer. -Obrigada.

Não entendo o que pretende encontrar em Lourdes.

Um milagre.

Um milagre?

Alessia.

Gianni caminha.

Como você, como ela, como todas vocês.

Ele nunca foi deficiente.

-Mas... -Não faça essa cara, você sabe.

Eu te conheço. Quando faz essa cara,

Ou está tramando algo louco ou se sente culpado.

E como você soube?

Porque eu sou deficiente.

Mas decidi fingir que não percebi. Não falei nada com ninguém

para me dar um momento de felicidade.

Em troca de uma mentira.

Porque é bom se sentir amado.

Ou pelo menos acreditar.

Você tem que aproveitar os belos momentos que encontra.

A vida é única.

A única outra cor que temos é esta. Quer experimentar?

Por favor.

Parece loucura para mim, honestamente.

Lembro que você o apresentou a mim.

Sim.

E um presente nunca deve ser recusado.

Melhor não?

Há quanto tempo sabe?

O suficiente para me acostumar.

E por que não me contou?

Porque você teria me parado.

Eu sei que é uma loucura.

Eu queria ver até onde ele iria.

Ainda não consigo acreditar.

Eu sei que o pior será quando acabar.

Quando eu tenho que parar de fingir e acreditar.

E o que você vai fazer quando isso acontecer?

O que devo fazer?

Eu vou dizer adeus.

Desculpe, é só...

é uma história muito triste.

Desculpe.

Jesus está passando por aqui

Jesus está passando por aqui

E quando passa tudo se transforma

A tristeza vai embora e a alegria chega

E quando passa tudo se transforma

A tristeza vai embora e a alegria chega

Quanto tempo leva Lourdes a Toulouse?

Quanto tempo leva Lourdes a Toulouse?

Uma hora e meia, eu acho.

Irmã, chega, chega desse pandeiro.

Quem é aquele que reina?

Jesus reina.

Quem é aquele que ama?

Jesus ama.

Já chega, não aguento mais uma música.

Senhora, chega que não suporto o som infame deste pandeiro.

-Luciana. -Isso quebra minha cabeça...

e os ovários.

E quando passa tudo se transforma

A tristeza vai embora e a alegria chega

O que vamos fazer?

Devemos perguntar a alguém.

Se seguirmos as pessoas, iremos com o fluxo.

-Vamos perguntar. -Vamos perguntar.

Vamos perguntar aqui, neste negócio.

-Com este homem? -Sim.

-Bonjour, senhor, desculpe-me.

A pousada do Milagre, qual é?

Italianos?

Como você adivinhou?

Na praça principal, você verá um ponto de encontro.

Ali está o padre Walter.

Ele é italiano.

Obrigado.

Au revoir.

Obrigada.

Bela loja.

Obrigado.

Bem-vindo.

Em Lourdes, a simplicidade da oração

cria a necessidade da comunhão fraterna.

Aqui a diversidade é derrubada.

Aqui pode-se abandonar-se diante do olhar amoroso de Nossa Senhora

Para pedir consolo.

Você.

Me siga

-Eu? -Sim.

Você.

Você.

Enfermeira. Espere aí.

Enfermeira, ela me diz.

Corrija-se.

Que desgraca.

Se se levantar dessa cadeira agora, vai mentir de novo.

Você não é paralítico.

De Lourdes as pessoas saem com uma foto da gruta, uma

foto de Santa Bernadette e uma garrafa de água benta.

Mas raramente com as próprias pernas.

Pelo menos desde que estou aqui. Talvez eu traga má sorte.

Agora eu acho que a coisa mais importante para as pessoas

que vêm aqui é que elas venham com toda a sua fé.

E quando vão embora...

Elas partem com um desejo, de voltar aqui e acreditar novamente.

Não extinga a esperança em seus corações.

Não faça nenhum gesto que os decepcione ou machuque.

Agora vou deixar você seguir sua consciência.

E saiba que, se você se levantar, tiraremos fotos de você.

E selfie.

Como eu te disse...

Milagres raramente acontecem.

Como você sabia que eu não tenho deficiência?

Porque eu os conheço.

Os verdadeiros.

Você anda com esses sapatos.

Gerome.

Dê-me um cigarro.

Era meu.

Te espero no ônibus.

Gianni!

Você anda!

É um milagre! É um milagre, ande!

Vamos. Deixe-me ver como você anda.

Gianni.

Posso ir com você?

Obrigado.

Fábio!

Você sabe o que aconteceu com os outros?

Não!

Oi mãe.

Não...

Nada, só isso...

Acabei errando de novo.

Eu conheci essa garota e...

Não, uma mulher.

Ela é uma mulher bonita.

Lindo.

Ela faz muitas coisas.

Ele joga tênis e toca violino também.

Apaixonado? Não sei.

Eu gosto.

Isso é tudo.

Gostaria de poder apresentá-la a você.

Perdi muito tempo com você.

Me perdoe.

Já terminou, senhor?

-Desculpe, sim. -Obrigado.

Eu estava conversando com minha mãe.

Sim.

Pode segurar a senhora, por favor?

Obrigado.

-Vai demorar muito?

-Não, uns dois minutos.

Todos esperam na reunião.

Que reunião?

A apresentação na sala de reuniões.

Sim.

Já viu seu e-mail?

Espere.

Não vá.

Abra.

Não.

Você não viu e-mail.

É um karaokê.

Está bom.

Tem uma playlist dos anos 80, incluindo "Like a Virgin".

-É para agradecer. -Vou embora.

É disso que trata o correio.

Já enviei minha demissão com cópia para os Recursos Humanos.

Não é como você diz.

Não é possível cruzar a linha de chegada sozinho.

Tivemos um crescimento de 0,2%,

o que, sendo um número de inverno, não parece nada ruim.

Então, parabenizo você e como você já sabe, nós trabalhamos...

na nova campanha, que agora vou mostrar a você.

Espere.

Giulia.

Vem aqui.

#JOGADADEAMOR

Achei que você fosse mais alto.

Ela não atende o telefone.

Porque ela é uma mulher inteligente.

Ela sabe como homens como você são.

Aborrece-te estar perto de pessoas diferentes e deficientes.

O que lhe interessa é estar em forma. Ser jovem.

-Olha, eu tenho 50 anos e nunca me senti tão velho.

Você acha?

Mas por favor.

Não é por causa da idade.

Eu achava que era assim até chegar...

-A colonoscopia. -Por favor, pare.

Sem detalhes.

Qual é a pior coisa que poderia acontecer comigo aos 50 anos?

Meu cabelo iria cair.

Que eu não...

conseguiria mais.

Perderia o vigor e teria barriga.

Mas eu sabia disso e me preparei fazendo exercícios.

O enxerto...

O Viagra.

Às vezes.

Mas isso...

Eu não estava preparado para isso.

Não posso dormir.

Onde está?

Que faz?

Com quem está?

Quero falar com ela, vou me comportar, quero segurá-la, abraçá-la,

conversar com ela a noite toda, porque nunca tive uma mulher assim...

Sinto muito.

Acho que você tem que ir.

Senhora, desculpe-me. Vou limpar.

Agora corra!

Eu não deveria ter vindo incomodá-la.

Você não entendeu.

É preciso muita paciência porque você não entende nada e eu não tenho.

Você deve ir para a State Highway 675

na saída Orte.

Se apresse.

Eles vão tocar hoje à noite no teatro Menotti em Spoleto.

Se você sair agora, você os alcançará na escada de Narni.

Obrigado.

Se você a fizer sofrer...

Essas pernas, eu vou cortá-las completamente

E é assim que você vai acabar em uma cadeira de rodas.

Desculpe.

Eu sei o que sou.

Você pode me chamar de diferente, uma pessoa com deficiência

ou com mobilidade reduzida de seus membros inferiores,

ou um inválido.

Mas entenda que eu não preciso de você.

Especialmente quando se trata de uma pessoa como você.

Nós podemos ir?

Por favor desculpa-me.

Vamos?

O que faz aqui?

Eu estava passando e...

Pesquisei na internet por trilhas de corrida em Roma.

E é por isso que eu vim.

Você vai desistir?

-Parabéns, velho! -Olha quem fala.

-Fala! -Não!

Para o inferno com a fala! Vamos dançar.

Vamos dançar!

JOGADA DE AMOR

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