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A HIST�RIA DE UM JOVEM HOMEM POBRE
- Quebrou meu cavalinho! - N�o quebrei, caiu!
Que nada! Fez de prop�sito, seu covarde!
Cale-se! Est� b�bada!
Eu, b�bada? N�o bebi uma gota!
Uma gota n�o, um litro!
N�o vai abrir? Pode ser not�cia boa.
"Devolvemos os documentos enviados a esta diretoria...
pois a ocupa��o das vagas do corpo docente...
ocorreu baseada no Concurso 106 B 94."
Viu como montaram os tubos do g�s?
Segundo a vizinha, o condom�nio vai para 500 mil.
Ela est� se lixando, o filho conseguiu emprego p�blico.
Quase 2 milh�es por m�s
Comprou um carro...
e deu uma TV em cores para a m�e.
- Do ch�o n�o se cai. - O que disse?
Eu atendo?
Pronto. Quem? Andreina?
N�o est�, lamento. N�o sei.
Est� bem. Adeus.
Pediu para avisar que ligou. Ligou ontem tamb�m.
"Afunde a ponta do metal para que beba o sangue deste peito.
Amigo, voc� venceu. Eu perdoo. Perdoe tamb�m...
n�o o corpo, que nada teme, mas a alma."
Gosta?
Continue... e procure entender o que l�. Comece aqui!
"A m�o, longa e fria, erguida para o cavaleiro...
sem palavras. indicando paz, passa a bela mulher..."
Passa como? N�o acabou o duelo?
- Passa... vai morrer! - Morrer!
Florinda morre no duelo. Passa e parece dormir. Leia!
- Passa e parece dormir." - Continue aqui!
"Vendo que a gentil alma se liberta... cede � volta..."
"Se liberta... cede..."
Assim � que se l�? Na sua idade! Eu estava ouvindo.
N�o adianta, ele n�o se aplica.
Professor, apesar do seu esfor�o, ele piorou.
A professora vai reprov�-lo. Ele � tonto mesmo, olhe!
Pare com isso!
Por isso queria dizer... ali�s, vamos viajar por duas semanas.
N�o adianta, chega, por este ano. Veremos na 8a. s�rie.
Se chegar l�. Isto � seu.
- Obrigada, professor. Adeus. - Adeus.
"Vendo que a gentil alma se liberta, refreia o vigor colhido..."
- At� logo. professor. - Adeus.
Estou mal, e voc� nem liga. Entra e sai, vem e vai.
Eu n�o existo!
Mas, um dia, voc� me pagar�, e como!
N�o come�a, n�o come�a.
Voc� banca o mach�o e se aproveita da minha doen�a...
Como v�o as coisas?
Como em cada dia 20, claro!
Melhor guardar os cristais, ou, no fim do m�s, v�o a leil�o.
Se bem que ningu�m usa.
Quando era crian�a, voc� gostava tanto!
Abria o m�vel e pegava as duas garrafas e os 12 copinhos...
Ganhamos do Sr. Pieralisi quando nos casamos.
Fomos muito amigos. Vivia na papelaria do seu pai.
Devia procur�-lo. Talvez precise de algu�m na tipografia.
- Para que estas 8800 liras? - O qu�?
Para o detergente.
- Que detergente? - Da lavadora.
Est� quebrada h� 3 meses, para que detergente?
N�o quero que o dono da venda saiba.
Tire carta de motorista para acharem que tem carro.
- N�o compra rem�dio, s� sab�o! - Compro mesmo!
Moro neste pr�dio h� 40 anos.
Respeitada porque com seu pai nunca me faltou nada.
Agora quer que saibam que a minha aposentadoria...
nem d� para consertar a m�quina de lavar?
Dr. Persico, boa noite.
Boa noite, Sr Bartoloni.
Aproveito para desculpar-me com o senhor e sua m�e.
- Voc�s nos ouviram � noite. - N�o tem de que se...
Tenho, sim. N�o � assim que se vive num pr�dio, n�o?
V� o terra�o da minha casa? Aquele iluminado?
L�, moram a raiva, o �dio, a inveja, a amargura.
Ela me agride, insulta, humilha...
- Falo de minha mulher. - Entendi.
Entendeu? Que vida eu levo... miser�vel, de cachorro.
Se fosse cachorro... est� vendo? Ele � o dono da casa!
Ela o adora, e eu tenho de descer para ele cagar.
Ande logo! Temos companhia. Posso oferecer-lhe um drinque?
Desde que me aposentei, fa�o tudo. Ela � meio paral�tica.
Ela sempre reclama de tudo. Berra, quebra tudo.
Atira as coisas, � uma f�ria desenfreada!
Vamos!
Veja. Ontem comprei na feira duas merluzas.
Estavam vivas, n�o frescas. Levei para casa.
Ela n�o gostou. Come�ou a berrar feito louca.
Foi a� que a vi pela primeira vez e me apaixonei.
Voltei a v�-la todas as noites, por um m�s inteiro.
Um dia, na sa�da do teatro, entreguei-lhe um abacaxi.
Um abacaxi?
Era seu nome art�stico: "Karline Abacaxi".
Aqui est�.
Esta fui eu quem tirou.
A fotografia era o meu hobby, depois, virou trabalho.
30 anos fazendo levantamentos aerofotogr�ficos.
Minist�rio da Agricultura.
Eu mesmo revelo. Tenho equipamento e a c�mara escura.
- Me perdi. Do que eu falava? - De Karline.
Isso mesmo.
Veja. Doutor, apresento-lhe Karline.
N�o � uma beleza sobrenatural?
- Outro? - N�o, obrigado!
Ap�s duas semanas, s� duas...
casei-me com Karline.
12 de abril de 1951.
Depois mudou tudo, tudo. Casou e engordou.
Deixe a garrafa. Engordou, engordou...
Acontece �s estrangeiras que v�m � It�lia.
Descobrem a massa, e pronto!
Ela ia engordando, se deformando e ficando ciumenta.
N�o era ci�me de outra, mas da Karline que me encantara.
Ci�me de si mesma. Rasgou suas fotos.
S� ficou esta.
A� jogou roupas e sapatos, tudo o que pertencera �quela Karline.
Ela apagou, eliminou.
V� entender o que se passa pela cabe�a de uma ex-bela mulher.
A psique humana � s� cacete.
Sabe, doutor, continuo chamando-o de doutor...
- ...mas � professor. Sua m�e diz... - N�o � verdade.
- O qu�? - O que minha m�e diz.
- Disse que ganhou concursos. - Prestei 6.
N�o ganhei nenhum. N�o sou nada.
Chegou ao que eu dizia. Vivemos na injusti�a.
Veneno e prepot�ncia s�o o nosso p�o do dia-a-dia.
Veja eu.
Karline � rica.
Herdou de um tio judeu como ela.
Tem um monte de dinheiro escondido em casa.
E me nega tudo. Ainda toma minha aposentadoria.
Farei uma confid�ncia.
Diga onde arrumaria for�as para suportar a vida?
- H� uma pessoa, uma... - Temos de fechar!
Uma pessoa em quem confio, com quem me abro.
Eles v�o fechar.
A Srta. Marcella, da mercearia, da venda de p�o, macarr�o.
Vende p�o e pizza.
Esta � a loja dela.
Doce, t�mida, um amor.
Quando ri, surgem duas covinhas, aqui e ali.
Cabelos de seda preta ao redor de um rosto perfeito.
Igualzinha � Dale Arden.
- Quem? - A namorada de Flash Gordon.
- N�o leu? - N�o!
Voc�s, jovens, n�o leem.
O caso tem quase um ano. Nada expl�cito.
N�o tantos sinais, sorrisos, olhares...
p�es crocantes...
Amostra de presunto e isto.
Isto aqui.
Est� vendo?
- Presente dela. - Bonito.
Bonito! "Por qu�?", diria o senhor.
Elas gostam de mim. Mesmo agora. Olhe!
Mod�stia � parte, tenho meu "savoir faire".
Doutor, venha c�.
Olhe! Diga a minha idade. Diga sinceramente!
Espere, vou revelar um segredo. Chegue perto.
Veja. O bigode � pintado, percebeu?
- Vamos, diga 64... 65... - 64.
Suba, suba...
70 anos redondos!
Arrumei o terno do seu pai.
- Usava o mesmo n�mero que voc�. - Que sorte!
Por qu�? O tecido e a cor s�o bons.
Para trabalhar na Alit�lia.
Viu? Vamos, ande logo, que j� � tarde.
Bom dia!
Coitada! Cisma que v�o ao por�o roubar o enxoval dela � noite.
- Bom dia, Sra. Persico! - Bom dia, Srta. Marcella!
Parab�ns, professor, sua m�e nos contou!
- Me conte tamb�m. - At� logo, volto mais tarde.
Eu a espero.
Vou entregar as cal�as. Voc� vai ver o lugar de suplente?
- Sim, vou. - Eu lhe pe�o...
Seja gentil e educado.
Vai chegar tarde?
Tchau, Vincenzino.
- Bom dia, Sr. Bartoloni. - Bom dia, senhora.
Srta. Marcella...
seu cappuccino quente e cheio de espuma.
- O senhor se preocupa todo dia. - Quatro p�es e um...
Espere, menina, a mo�a est� tomando caf�. Seja boazinha!
Veja, um bigode como o seu.
- Gostou? - Gostei.
Srta. Marcella...
- Quatro p�es... - E um peda�o de pizza. J� sei!
Amigo como seu pai, nunca mais tive.
- E a papelaria? - Vendemos.
Fizeram bem. N�o d� mais nada.
Tivemos de vender... as d�vidas, tratamento, hospital...
Sei. Fui logo visit�-lo.
Hoje, ter tipografia � como ter loja de polainas, quem compra?
Cart�o de visita, eles imprimem na esta��o, nas m�quinas.
Imprim�amos at� a noite.
Aqueles, 3 mil c�pias, este, 10 mil.
Veja as m�quinas, bonitas, n�o?
Quer alca�uz?
Quando crian�a, voc� o procurava no meu bolso.
- Lembra-se? - Sim... como n�o?
E a Sra. Isolina, como vai? Grande bela mulher!
Voc� ia para a universidade quando seu pai...
Formei-me h� 6 anos em filosofia.
Muito bem. E o que faz, leciona?
� fil�sofo!
Claro que, para voc�s, jovens, � dif�cil.
Se eu puder ser �til... veio dizer-me alguma coisa?
N�o, a mam�e pediu, se desse para vir cumpriment�-lo e...
E voc� veio me cumprimentar. Fez muito bem.
Eu ajudaria voc� com muito prazer, mas como?
Pediria para me dar uma m�o, mas para fazer o qu�?
Deixe-me pensar.
Acho... que esta semana vai entrar um pedido de folhetos.
Liquida��o de tapetes, algo assim, eu acho. Eu aviso voc�.
Eu me pergunto...
� justo que um diplomado com nota m�xima...
seja ajudante de tipografia...
por 200 ou 300 mil liras?
Tome outro alca�uz. Fique com a caixa.
Espere.
Estou no 7, mas seria melhor perto do 8, n�o?
- Ou�a... com licen�a. - Ol�.
Sabe se, aqui, precisam de ajuda?
Imagine! Ele demitiu um, na semana passada...
para cortar gastos.
- Pensei que quisesse comer. - Foi por isso que entrei.
Senhor Bartoloni! O que est� fazendo?
N�o � o seu cachorro? Vai achar o caminho?
Acha nada! Est� doente, n�o enxerga nem ouve.
Quero fazer um desaforo para aquela maldita.
Veja o que ela fez, veja!
Veja, doutor... veja.
Veja que desastre.
Ela rasgou todos, por maldade.
Sabia que este era meu �nico tesouro.
Uma cole��o maravilhosa, doutor.
De 1934 at� hoje. Tinha todos.
"Sobrinhos do Capit�o", "Arcibaldo", "Mandrake", todos...
"Cino e Franco", "Nembo Kid", at� "Tex Willer".
Numerados, catalogados... � noite...
eu os folheava, relia.
Aquele bucho...
O doutor n�o sabe, mas corre perigo.
- Eu? - O senhor n�o, ela, minha mulher.
Vou cham�-lo de "voc�". Falo da minha mulher.
Amava Karline Abacaxi com toda a minha alma.
Hoje. minha alma s� quer uma coisa...
que o inferno queime essa Karline azarenta.
Fala como nos seu gibis?
Vou lhe dizer uma coisa.
Al�m dos rem�dios. ontem, ela secou uma garrafa de conhaque.
Levantou, derrapou e caiu de barriga no terra�o.
Despencou no vazio.
Num flash, vi minha vida futura com Marcella.
Flash? Isto � telenovela!
Ela estava s� desmaiada.
Quando a ergui... voc� nem imagina o peso dela...
Comecei a chorar.
Chorei porque fui feliz por meio minuto.
Sr. Bartoloni, pare com isso!
Por que o que vi por meio minuto n�o pode se realizar?
Antes de morrer, um homem deveria satisfazer seu desejo.
Concorda, Vincenzo?
Estou passando mal. Tenho �nsia de v�mito.
Aquela bagaceira toda... avisei que n�o estou acostumado.
Ajude-me. Vincenzo, ajude-me. N�o h� tempo.
Vendo que eu chorava, a maldita entendeu tudo.
Leu em meus olhos o que eu queria.
Hoje, destruiu minha cole��o!
Isto � s� o come�o. N�o h� tempo, temos de agir.
- Voc� � jovem, eu sou velho. - Velho? Um homem como o senhor?
Seria descoberto, porque tenho um motivo.
Mas, voc�...
Seria s� provocar um acidente, uma queda como a de ontem.
Mas, desta vez, fatal!
Ningu�m saberia, nem descobriria.
- E ent�o? - Ent�o? Do que est� falando?
Do que estou falando?
Enquanto fico no bar voc� sobe, eu lhe dou a chave.
Voc� entra e me livra do inimigo que tenho em casa.
Ela matou a Karline jovem e deve ser eliminada.
� uma coisa justa, � moral.
Sua vida mudar�, como a minha.
Os 30 milh�es escondidos na chapeleira ser�o seus.
Responda, vai fazer?
Sim, ou n�o?
Obrigado, obrigado.
O que foi?
- Com uma condi��o. - Tudo, tudo que quiser.
Tudo!
Que o senhor mate minha m�e!
Maldi��o!
Por que nunca atende o telefone?
Por que nega? O que me d� raiva, al�m da covardia...
� ter certeza de que n�o se cansou de mim. Antes fosse!
Posso me cansar antes. N�o � este o problema.
Estamos conversando. Pode ir para outra mesa?
Voc� � o �nico caso de marginal volunt�rio.
Voc� se fecha para n�o sofrer, e veja no que d�.
J� notou?
Mas est� contente, assim pode se lastimar.
Acha que todos o olham, julgam, est� no centro.
A v�tima, o incompreendido.
Voc� � presun�oso, isso sim!
Veio para me dizer isto?
Certo, sou um merda. J� falou. Tchau.
Acertou, sumi porque n�o quero ficar com ningu�m.
Nem com quem tem dinheiro.
Voc� � mesmo mesquinho. Me d� nojo.
Sou mesmo, quer ver quanto o mesquinho tem no bolso?
Quer ver? Olhe!
E voc�, quanto tem na sua carteira Gucci?
Vamos! $ 100, $ 200 mil? Quanto tem para os gastos de hoje?
Ent�o...
$ 100, $ 200...
$ 325 mil liras.
Quer um empr�stimo?
Por que me trata assim?
Eu? E voc�, ent�o?
Me apaixonei porque voc� era diferente de todos que conhe�o.
Invejava voc� porque � inteligente, reservado, o melhor de todos.
Se, para voc�, isto � dignidade, ent�o � pior que os outros!
Vincenzo.
Colocarei isto aqui.
Sil�ncio.
- S� eu posso entrar aqui. - Est� bem... n�o...
Ande, vamos. Venha.
Quieto.
Veja, � voc� com sua m�e.
Tirei do alto, daqui. Olhe o p�tio do alto, v�?
Esta... � a Srta. Marcella.
Tirei hoje. Veja que maravilha.
Gostou?
- Sim, mas j� vou, estou ensopado. - N�o, espere!
Devagar!
Venha. Venha.
Vou mostrar-lhe uma coisa.
Foi aqui que ela caiu.
Entendeu agora? Vou lhe mostrar uma coisa.
Venha, Vincenzo, olhe.
Est� vendo? Aqui, ela guarda o dinheiro.
Mandei fazer uma c�pia da chave.
Voc� pode entrar e sair quando quiser. Espere, n�o v�!
Estou ouvindo!
O que est� fazendo? Traga-me sorvete.
Levo j� o sorvete.
Vincenzino!
Hoje encontre a Srta. Salotto. Voc� lembra dela?
Ela lhe dava aulas de piano. Ficava lindo tocando!
Depois voc� largou, que pena, levava jeito!
Sempre na cama!
Teve not�cia das substitui��es? Nenhuma novidade?
Como envelheceu a Sra. Salotto, de cabelos brancos, manca...
mas continua simp�tica.
E o piano que o papai havia alugado... voc� se lembra?
- Lembra, Vincenzino? - N�o, mam�e, sem novidades.
Sim, mam�e, me lembro da Srta. Salotto. sempre arrumada.
E do papai e de voc� e de mim que tocava t�o bem. Lembro tudo!
N�o levante a voz!
Pena que larguei o piano!
Levava tanto jeito. Tamb�m para as l�nguas.
Uma l�ngua serve sempre. Tudo pode servir no futuro.
Eis a vida... eis o futuro.
- Quem dizia estas bostas? - N�o fale assim!
Quem? Voc�. ou papai? Os dois diziam!
- N�o diga palavr�es, podem ouvir. - Pouco me importa!
- Os Persicos s�o mortos de fome! - Pare com isto!
O filho est� desempregado.
Queriam um filho professor, reitor, mas ele � um fracasso!
30 anos, e vivo da pens�o da mam�e de 700 mil liras!
700 mil por m�s, ouviram?
Mam�e s� conta mentiras e passa cal�as por 4 mil liras!
Entrega no outro lado da cidade!
N�o quer que saibam! Eu digo!
Merda, nem uma s� aula particular.
- Ouviram? Somos mortos de fome! - N�o grite! Entre!
Desgra�ado, que vergonha!
A culpa � sua. Do seu g�nio dif�cil.
N�o cumprimenta ningu�m. � inconstante.
Mas onde voc� vive?
Aldo! Ele nunca responde.
Hoje sinto muita coceira. N�o estou aguentando mais.
Pintou os cabelos hoje. � rid�culo!
Tome, coce voc�... n�o alcan�o o tornozelo.
Isso, assim!
Isto voc� sabe fazer.
Voc� lambeu meu creme.
Lambeu, porco. V�, traidor! Puteiro!
Se prepara e se enfeita para sair.
O Sr. Bartoloni lhe agrada? Ele � fascinante.
Que nojo de sorvete!
Muito bem! Est� vendo?
Parar... n�o � dif�cil. Gire com for�a...
empurre... pronto!
Muito bem!
Ent�o "Pre�os m�nimos, tapetes com defeito".
Conseguimos uma letra bonita.
- Boa, sim. - Um Brodoni sombreado reto.
- Viu a Srta. Andreina? - Bom dia.
- Veio retirar algo? - N�o.
- Entregar? - N�o, procuro a Srta. Andreina.
- Andreina? Pode falar conosco. - Diga.
- Deixe, passo mais tarde. - Andreina, voc� o conhece?
- Eu, n�o! - Como, n�o?
Posso explicar.
- Por que o empurraram? - Pedi voc� em casamento.
- O que responderam? - "Fique na lista de espera."
Sou o delegado, venha, doutor.
- Eu subo tamb�m? - Sim!
A per�cia est� fazendo medi��es e tirando fotos.
Aquele � o marido da v�tima.
- Seja forte! - Obrigado, obrigado.
Vamos, coragem! Coragem!
Meu jovem amigo!
Obrigado. Obrigado.
- Meus p�sames! - Obrigado.
Sou o advogado Di Peggio.
A dor n�o tem pre�o, mas a empresa � respons�vel.
- Telefone. - Obrigado.
- Tome. - Obrigado.
- Meus p�sames. - Obrigado.
Chega! Quanta gente! Todos gostavam da minha Karline.
Ainda dois dias atr�s...
Quero recolher-me na minha dor.
V�o tranquilos, voltem �s suas casas!
Srta. Marcella.
Obrigado, obrigado.
- Meus p�sames. - Obrigado, obrigado...
- Ele � Giuliano. - Prazer.
- Seu irm�o? - Meu noivo.
Giuliano, confeiteiro, noivo dela. Em dezembro, nos casamos.
Est�o todos convidados! Me desculpe!
Vincenzino, � linda!
- Ele adiantou tanto dinheiro? - Adiantou!
Como pagaremos as presta��es?
Daremos um jeito. N�o se preocupe.
Bom dia. A Srta. Andreina est�, por favor? Obrigado.
Mam�e, abaixe, n�o ou�o nada. Aperte a tecla azul.
� lindo!
- Voc� � louco. - Olha que acabou.
- O que pode um auxiliar tip�grafo. - � um trabalho lindo!
- Nem tanto, n�o �? - Sem ele, n�o voltaria para mim.
- Vamos dan�ar. - N�o sei dan�ar.
Imagine! Todos sabem.
- N�o insista. - Vamos, se solte!
Est� indo bem. Vamos.
Ainda acordada, m�ezinha? Vamos dan�ar, solte-se!
Relaxe. Todos sabem dan�ar, solte-se, relaxe...
Achamos isto debaixo da cama.
Al�? Teresa, sou eu. Tudo pronto.
Est�o vendo os freios. Voc� vai buscar?
Hoje n�o d� para viajar. Amanh� d� na mesma.
Falei... mas ele decidiu trabalhar hoje.
Ia dizer que n�o porque Teresa quer viajar?
Al�? Teresa? Entre!
Desligar assim � um desaforo.
Esta mo�a marcou hor�rio com o Dr. Moscati.
Pode entrar.
Entre, por favor. Doutor? Srta. Vinetti.
Como vai? Por favor!
Se precisar, estou aqui!
J� sei que s� os parentes pr�ximos t�m licen�a.
N�o vim ver Vincenzo. Se ele soubesse que vim, ficaria louco.
Com o g�nio que tem, se fechou como uma ostra
Percebi quando o vi na biblioteca.
Ia l� para me iludir que continuava estudando.
Vim para c� depois do colegial.
Mam�e morreu, e fiquei cuidando do papai e de dois irm�os.
Me desculpe.
Quero dizer que minha vida era caseira.
Assim, quando podia, ia � biblioteca...
para ler... estudar...
tamb�m para n�o fazer nada.
Mas Vincenzo... sempre o via... muito s�rio, compenetrado...
alheio... nada mais existia. Eu, muito menos.
Ele nem me via.
Um dia, eu o segui at� um..
um bar de pratos quentes.
Entrei por causa dele, n�o para comer. Fa�o sempre regime.
Veja que barril!
Vi que havia um lugar vago...
ent�o pedi cenouras e uma Coca.
A� me empurraram, e derramei Coca no palet� dele...
nos cabelos, no prato.
Ficou zangado, muito zangado. Temi que me odiasse.
Mas me fez sentar...
me pagou uma Coca e n�o pediu nada.
N�o aceitaria que pagasse, imaginei!
Era sens�vel, tudo o humilhava.
Mesmo sem ter dinheiro para o metr�.
Certa noite, n�o quis ser levado para casa, s� at� o metr�.
Eu, que desde os 20 anos cuidava da fam�lia e da loja...
nunca me apaixonara e, aos 30, tinha cora��o de garota.
Nele havia a tristeza de quem, aos 30, n�o achava seu rumo.
Ele queria ensinar o que tinha aprendido, mas n�o deu em nada.
H� tanto burro por a�...
Vi o ministro falando errado na TV.
Juro, eu mesma ouvi!
Acha justo? Eu n�o acho.
Que algu�m como ele n�o tenha nada.
Depois de um beijo no metr�, que podia ser o come�o, ele sumiu.
N�o atendia mais ao telefone... sumiu por orgulho.
Logo que achou um subemprego qualquer...
ele voltou. Feliz como quem ganha no cassino.
Nos v�amos todo dia.
Desta vez, foram poucos. Eu ia busc�-lo.
Tamb�m no dia 11 de setembro, quando aquela mulher morreu.
Que estavam juntos, a senhorita j� disse.
J� est� registrado. Hoje falou muito mais. Obrigado.
Lamento que n�o tenhamos provas.
N�o temos provas daquilo que continua dizendo.
Ele n�o confirma seu depoimento.
Como? Ele n�o confirmou que estava comigo?
Ele quer me manter fora do processo.
Provas? Por isto � que eu vim?
Ontem recebi esta multa que levei por estarmos os dois na moto.
11 de setembro �s 18:30, na rua Mancini, Roma.
Finelli, uma fotoc�pia, por favor!
Na noite em que fomos dan�ar...
fizemos amor na minha lavanderia.
Aquela foi nossa primeira vez.
Naquela noite, ele foi preso.
Para mim, � como se tivesse sido h� um ano.
Certos momentos parecem t�o longos!
Fez bem em vir. Obrigado!
A multa fortalece o depoimento.
Sim? Que bom.
� melhor pagar.
Adeus, obrigada.
- Desculpe a intromiss�o. - Desde quando se desculpa?
Disse � mo�a que consideraria mais o depoimento dela...
mas aqui n�o diz que o passageiro era Vincenzo Persico.
Pode ser outro, n�o?
Tem raz�o!
S� disse que daria um cr�dito maior.
Entendi, fez bem.
Foi chamado.
De novo!
- Tchau, Vince. - Tchau, Vitto.
- Foi solto? - N�o, outro interrogat�rio.
N�o � poss�vel!
Tudo tem limite.
Em 40 anos, nunca tive um caso assim.
Tirei muitos da cadeia.
N�o est� aqui para nos fazer favor!
� acusado de um homic�dio!
Mas o que h�?
Falando, � pior: "N�o lembro, n�o falo naquela mo�a...
n�o respondo... os 30 milh�es. ganhei do vizinho".
O que tem na cabe�a? Parece idiota, retardado.
Se pleitear "incapacidade mental" talvez consiga.
Mas diga o que quer.
Vamos, fale!
Nada. O que sabia, j� falei.
N�o basta!
At� a verdade voc� faz parecer mentira.
Este procurador n�o � dos piores.
Conheci outros mais duros.
Este n�o � simp�tico, mas � bastante escrupuloso.
Outro, no lugar dele, encerraria o caso...
e mandaria o inqu�rito para frente.
- Bom dia, doutor! - Bom dia.
- Bom dia, doutor. - Bom dia, advogado.
- Bom dia! - Por favor.
O senhor j� se identificou nas fotos do Sr Bartoloni.
Seu vizinho tinha motivos para espion�-lo.
Ele diz que, desde que a mulher dele morreu...
sua vida mudou.
"18 de setembro: 70 mil, lavadora. 50 mil, mam�e.
100 mil, entrada TV.
20 de setembro: 80 mil, penhor, 60 mil. Boutique, mais 40 mil."
Enquanto, dias antes, os valores eram bem diferentes...
1200 liras... 700...
2100...
Parecem contas de 1950.
Ficou claro que, estando empregado...
receber� um vale de um m�s adiantado.
O dinheiro da falecida achado na casa de Persico...
estava intacto.
Fica imposs�vel ligar as despesas do meu assistido...
ao falecimento da Srta. Karline.
Se fosse assim claro, como o diz, advogado...
eu j� teria conclu�do meu inqu�rito.
- E hoje n�o estar�amos aqui. - Na antev�spera de Natal.
Tenha paci�ncia por eu voltar em v�o aos pontos j� tratados.
"Em v�o?". Agrade�o-lhe por ser minucioso.
Gastou logo todo o seu vale.
Assinou promiss�rias e assumiu compromissos.
Porque sabia que tinha 30 milh�es guardados.
Sem levantar suspeita.
Disse que aquele dinheiro...
lhe fora dado espontaneamente pelo Sr Bartoloni.
No por�o, na noite ap�s a morte da mulher.
Isto � negado pelo Bartoloni.
Saiu de casa s� ap�s 2 dias quando foi ao funeral.
Tem o testemunho da m�e de Vincenzo, Dr. Finelli...
"� noite, depois da desgra�a, estava recortando o an�ncio..."
Vincenzino, o que houve?
- Estamos sem luz. - Deve ser o temporal.
N�o, s� falta aqui.
S� aqui?
Vou ver o interruptor no por�o.
- Ande logo, tenho medo. - De que, mam�e?
Meu filho demorou para voltar e perguntei o porqu�.
N�o respondeu e foi para o quarto.
Como disse, tinha um pacote na m�o, acho.
N�o tenho muita certeza.
Por que n�o falou do dinheiro para a sua m�e?
Por que n�o disse que ganhara do Bartoloni...
como disse a n�s?
- N�o acreditaria. - Sua m�e?
E n�s temos de acreditar!
Admita que sua vers�o � incr�vel!
- Sim, o qu�? - Admito que � incr�vel.
E por que Bartoloni lhe daria o dinheiro?
Por qu�? Em troca de qu�?
- Achou que aceitei a proposta. - Ele nega ter feito.
E o senhor declarou estar b�bado quando a ouviu.
Mas Bartoloni a renovou na casa dele ao meu cliente s�brio.
E desta "visita" tamb�m n�o temos provas.
Ele esqueceu o guarda-chuva na casa do Bartoloni.
Poderia ter ficado l� no dia da... desgra�a.
Vamos! Um assassino esquece o guarda-chuva. E nem chovia!
Precavido e distra�do!
Bartoloni n�o nega os passeios e os drinques no bar.
Em resumo, eram amigos.
Bem, sim...
ele me dava pena.
Era um homem s�, gentil...
atrapalhado, mas, no fundo, era simp�tico...
Ele o denunciou e o mandou para a cadeia. N�o parece amizade...
mas uma forma de afastar suspeitas de si mesmo.
- Na hora do �bito, Bartoloni... - 18:25.
Bartoloni estava no bar da pra�a. Confirmado pelo gar�om.
Estava l�, como toda noite. Eu lhe servi o de sempre.
Ele puxou conversa.
Bra�o de Ferro, na Am�rica, � "Popeye".
Escreve-se "Popeye", com "Y".
Esta � uma reprodu��o de 1943.
Quando Segar era desenhista. Depois entrou Zabody...
- Zabody... gosta do Popeye? - Sua pobre esposa...
A minha mulher!
Karline! Karline!
H� o testemunho do tip�grafo, o tal de...
Pieralisi... onde Vincenzo trabalhava.
N�o h� muito trabalho, n�s fechamos... depende.
18:00, 19:00, mas naquela noite lembro bem, fechamos...
Bom, aos 79 anos, pode escapar um minuto a mais... a menos.
18:00! Lembrei, �s 18:00 em ponto!
18:00 em ponto.
N�o, deixe, termine amanh�.
O que vou fazer? Quer uma carona, ou algu�m vem...
- Vieram busc�-lo, como ontem. - Isso, obrigado!
J� vou! Salmonte?
At� amanh�.
Eu dirijo?
Posso dizer uma coisa, sabendo que n�o v�o ligar?
Aquele meio milh�o de vales eu dei a ele com gosto.
Porque Vincenzo � um bom rapaz.
Eu o conhe�o desde que usava cal�as curtas.
Era amigo �ntimo do pai dele.
�ntimo.
Ignorando a aproxima��o, bem compreens�vel, da testemunha...
mesmo saindo do trabalho �s 18:00,
poderia chegar em casa em menos de meia hora.
Sabemos que, � noite, iam busc�-lo na tipografia.
A mesma pessoa com quem foi dan�ar?
Ela mesma nos disse.
Mas o senhor n�o confirma nem quer falar nela.
Que pessoa?
Como quiser!
Por que n�o denunciou Bartoloni pela proposta de homic�dio?
Considerou-a uma proposta de trabalho normal?
Sim, enquanto durou o pesadelo.
Naquela noite, com aquela gente no p�tio, fiquei aliviado.
Houve muitas mudan�as! Aquela mulher infeliz.... estava morta.
E o pobre marido poderia declarar-se � Srta. Marcella.
- Quem � a Srta. Marcella? - A mo�a do mercado.
O Sr. Bartoloni gostava dela.
Aqui n�o foi mencionada nenhuma Marcella.
Sim, mande entrar!
Sr. Procurador Substituto.
Boa tarde, doutor.
Conhece o Sr. Vincenzo Persico?
Quem?
Sr. Bartoloni.
Vincenzo...
estou em pris�o domiciliar por instiga��o � delinqu�ncia.
- � verdade, advogado? - Verdade absoluta!
Se o conhe�o?
- Era como um filho! - Sente-se!
Eu o chamei, pois algumas declara��es suas...
contrastam com as de Persico.
Ele disse, hoje tamb�m, que o senhor lhe prop�s...
eliminar sua mulher.
"Eliminar a minha..."
Voc� disse isso?
A primeira vez na rua, perto de sua casa.
Nega ter dito algo?
Como negar uma acusa��o assim... t�o precisa?
� verdade.
Eu levava o cachorro para passear, como toda noite.
Agora, quem o leva � Ernesta...
a antiga zeladora.
Vincenzo esperava na rua.
Eu o ouvira brigar com a m�e.
Quantos gritos... quantos palavr�es!
Ele disse...
Vincenzo, tenho de contar a eles...
O que ele disse?
Literalmente: "Sr. Bartoloni, mate minha m�e".
Assim, � queima-roupa.
Comecei a tremer.
Voc� ouviu isso?
Sim, eu disse isso.
Naquela noite, havia brigado com minha m�e...
mas falei por falar, havia bebido. Dei at� risadas.
Sim, depois, � verdade!
Mas, que susto!
Vincenzo, vi bem os seus olhos. N�o riam.
Atraiu o Sr Persico � sua casa...
para... fazer uma inspe��o.
"Atra�''?
Eu apenas o convidei.
S� quis mostrar onde revelo as fotos.
Fal�vamos tanto dela.
- N�o � verdade que lhe mostrei? - Sim, Sr. Bertolini.
E os outros c�modos, sua mulher? E onde guarda o dinheiro?
E n�o lhe deu c�pia da sua chave de casa?
Senhor procurador...
quero saber se meu colega pode...
interrogar meu cliente.
N�o, advogado, n�o estamos no tribunal.
- Falava da c�pia da chave. - Ent�o, a chave?
Ela fica sempre sobre o m�vel perto da entrada.
Quando Vincenzo saiu, ela sumiu.
Como tenho c�pia, n�o liguei.
Pensei depois...
quando entendi que a minha Karline havia sido...
E que algu�m entrara na casa para roubar o dinheiro.
Encontrado na casa de Vincenzo.
Persico, exponha sua vers�o sobre a posse do dinheiro.
Est� tudo a�, n�o?
- Sim, mas... - Repita!
Desci ao por�o para ver o fus�vel.
- Queria falar-lhe. - E desligou nossa luz?
Obrigado, Vincenzo. Serei grato por toda a vida.
Tome.
- Como prometi, $ 30, s�o seus. - P�s na minha m�o e fugiu.
Decidi devolv�-lo.
Mas ficou com ele.
Temi encontrar algu�m. Deixei para o outro dia.
Depois do funeral, n�o o vi mais. N�o atendiam � porta.
Ouvi bater, mas fiquei fechado...
no escuro...
No sil�ncio daqueles c�modos vazios.
Sem a minha Karline.
Rodeado de seus objetos, suas roupas.
Quanto tempo fiquei im�vel sem me mexer?
De repente, ouvi sua voz!
Estava rindo, alegre, diferente...
Pelo olho m�gico, via voc� sair e voltar cheio de embrulhos.
- Ir dan�ar, presentear mulheres. - Sempre pelo olho m�gico?
Eu segui voc�!
N�o acreditava. Tinha at� fotografado voc�.
Depois voltei e chamei o delegado.
Tive de denunci�-lo.
Por que nunca me pediu? Eu lhe daria o dinheiro.
Por que n�o confiou em mim?
Dizia que estava tudo bem. Dava aulas...
sem problemas!
Est� enganado.
Minha m�e dizia isso. Eu sempre neguei.
Dei-lhe minha confian�a.
Amizade e carinho de pai.
E ele... voc�s ouviram?
"Est� enganado...
o senhor est� gag� e minha m�e � mentirosa."
Indiferen�a, desprezo, t�pico da idade!
Eles podem tudo, s� porque s�o jovens t�m todo direito!
No meu tempo, ser jovem era...
respeitar, obedecer, manter os p�s apertados num sapato s�?
Hoje, a juventude � uma profiss�o.
"O que faz na vida?"
"Eu? Sou o jovem."
Os velhos, como eu, como ele, como ele...
n�o t�m direito algum.
Incomodamos, temos de sumir! Isto pensam os jovens!
E fazem a gente viver no p�nico, s�o patifes!
Vamos impedir que prejudiquem.
� uma quest�o de leg�tima defesa!
N�o... modo de falar.
Conhece a Srta. Marcella?
A mo�a que trabalha na venda.
Conhe�o, sim. Vende p�o, macarr�o e frios.
Por favor, advogado.
Qual era sua rela��o com ela?
Rela��o? Como Karline estava paralisada...
eu fazia as compras. Tinha rela��o com o a�ougueiro...
Sentia peia padeira o mesmo que sentia pelos outros?
N�o entendi a pergunta.
- Era uma fornecedora qualquer? - Por que esta pergunta?
Mas � ele...
- Vamos! - Posso ir?
Senhor substituto. Boa noite, doutor Colega!
Vincenzo, Lord Lister.
De 1933.
Eu tinha 9 anos.
Fique, fique com ele.
Que Deus nos proteja, meu filho.
Boa noite, doutor.
Tem algo a acrescentar, Vincenzo?
Hoje demos um passo � frente, merit�ssimo.
E alguns para tr�s.
Acarea��es s�o para esclarecer. N�o �, Finelli?
Entre.
Agrade�o que esteja aqui.
Quero mostrar-lhe algo. Fique � vontade.
No dia 12, seguinte � morte da Sra Karline...
e um dia antes do funeral dela...
como em todas as noites, �s 21:45 desci aqui.
Para examinar o meu enxoval.
Ele fica no por�o, v�?
Neste ba� de nogueira. Certo?
Chovia. Estava ali contando as toalhas...
quando, de repente, ouvi passos.
Pensei que fosse a Sra. Ernesta.
Quando era zeladora, tinha a chave dos por�es...
e roubava de todo mundo, tenho certeza!
Mas n�o era ela.
Era o Sr. Bartoloni.
Pensei: "Ser� que � ele quem mexe no meu enxoval?"
Mas n�o...
come�ou a mexer nos registros da luz...
e depois...
encostou-se na parede a um metro de mim.
Fiquei bem quieta, olhando-o atrav�s desta grade.
Em seguida, ouvi outros passos.
Quem vi chegar?
O do quarto andar: Vincenzo.
O que faria ele ali, naquela hora?
- Tinha de falar-lhe. - Desligou nossa luz?
Obrigado... serei grato por toda vida.
Tome.
Eu prometi. $ 30, pegue, s�o seus.
Por qu�?
Est� feliz?
Est� enganado, n�o fui eu, juro, Sr. Bartoloni.
Quieto! A desgra�a est� feita, d� na mesma.
N�o d� na mesma!
Disse que n�o o faria.
N�o quero saber de nada.
Fiquei satisfeito.
Isto � seu, pegue.
Sou livre. Imagina o que � isso?
Gra�as a voc�... eu nasci hoje.
Obrigado.
Opa!
O que haveria no embrulho? Ele disse: "S�o 30"!
Mas, 30 o qu�? 30 colherzinhas?
Bom dia, senhora. Estava passando por aqui.
S� queria cumpriment�-la. Incomodo?
N�o, fique � vontade, merit�ssimo.
Desculpe... ia tirar a mesa.
Fique � vontade. Trarei um caf�.
N�o, obrigado...
"Os Quinze", eu tamb�m tinha.
Ele fez porque estava desesperado.
O caf�!
Coitado, no dia do enterro, o Sr. Bartoloni dava pena.
Estava fora de si. Imagine que me abra�ou duas ou tr�s vezes.
- Antes, a senhorita havia... - Senhora h� duas semanas.
...falado do seu noivo?
N�o, acho que n�o. Era namoro recente.
Parab�ns e muitas felicidades. Foi muito gentil.
- Feliz Natal. - Igualmente.
Ap�s a aut�psia, o caso foi arquivado. Morte acidental.
Ap�s alguns dias, o Dr. Gavotti, da delegacia Nomentano...
Hora: 20:30...
...recebeu uma den�ncia de homic�dio seguido de assalto...
do Sr. Bartoloni... marido da v�tima.
O inqu�rito foi reaberto e, numa busca na casa do acusado...
foi encontrada, numa caixa de sapatos debaixo da cama...
a quantia de 30 milh�es, em notas de 100 mil.
Procedeu-se a deten��o cautelar de Persico.
- Surge uma segunda hip�tese. - Segunda.
A Sra. Karline Bartoloni est� em casa sozinha.
A porta � aberta por fora.
Aldo? Aldo? � voc�?
Mambo, o que acontece?
- Quem �? - Quieta.
- Fique quieta. - Quem � voc�?
- N�o vou fazer nada, juro. - O que quer?
- Espere um segundo. - Socorro! Socorro!
Pare! Pare!
E Persico a joga da sacada.
Este Persico que atira a v�tima da sacada n�o me convence.
Mata por dinheiro, depois o recusa? A testemunha disse isso.
Esta prova est� prejudicada. A testemunha � louca.
Bem... terceira hip�tese!
Terceira hip�tese.
Bartoloni decide levar a cabo seu projeto pessoalmente.
Ap�s encher a mulher de rem�dios...
Sete gotas...
Suas sete gotas.
M�dicos nojentos! Dinheiro jogado fora.
Que gosto horr�vel.
Vai... vai... vai... at� sua dona!
Assim que pode, Bartoloni chega ao bar.
Por que est� a�, Mambo?
Esta vers�o � perfeita.
Mas tem falhas.
- Matou e pagou o Persico? - Claro!
- Talvez ele pense... - Escrevo?
Pensa que acreditar�o num acidente. Bom para todos.
Persico gozar� do dinheiro, e eu, da vida com a padeira.
Por qu�?
Se houvesse inqu�rito quem seria culpado?
E por que o denunciou? N�o havia inqu�rito.
Acertou contra a pr�pria cabe�a. Ficou deprimido. Emo��o pura.
Por que deprimido? Ele a queria matar e conseguiu.
A mulher n�o tem nada a ver com isso.
O Bartoloni de 70 anos logo sente o marasmo senil,
seguido de uma forte desilus�o.
- E qual era esta forte desilus�o? - Est� interrogando?
N�o, � apenas entusiasmo.
No enterro, ele soube que a bela padeira estava noiva.
Que vai se casar em breve.
Ficou sozinho, sem a mulher odiada e a amante desejada.
Sem presente e sem futuro.
A dor e a raiva pela injusti�a o levam � procura...
de um bode expiat�rio.
- Do autor de seu pr�prio crime. - Ent�o � loucura vingativa.
S�ndrome compulsiva-obsessiva. Quem o privou de tudo?
Quem � agora o inimigo dele?
O jovem n�o tem dinheiro.
O pr�dio todo ouviu que ele � pobre. Ele � jovem e culpado.
- Ent�o ele o denuncia. - E portanto...
Portanto?
Portanto, portanto, portanto...
Palavra estranha... perde o sentido, se repetida.
Portanto...
Portanto, o procurador substituto...
n�o encontrou uma �nica prova de culpabilidade. Certo?
Em 2 de janeiro, haver� novo pedido de envio ao tribunal...
dois acusados, com hip�teses dos fatos. Quer mais?
O tribunal, entre testemunhos, brigas, per�cias, r�plicas...
escolhe uma hip�tese. Justa? Injusta?
N�o admitimos adjetivos, n�o h� "justi�a injusta", � um ox�moro.
Tomara que seja a justa.
- Falei demais. Que horas s�o? - 4:40.
Ande, ou vai perder a enguia.
Abra.
Bom!
N�o v�o nos servir?
� s� o que falta.
De resto...
o primeiro m�s foi duro.
Quatro numa cela.
Depois pedi, e a diretora me p�s numa individual.
Ningu�m incomoda, n�o h� responsabilidade, cuidam de tudo.
Voc� acorda, toma ar... refei��es �timas e fartas.
Resumindo: 5 estrelas.
O senhor � um cliente modelo.
Se quero ler, leio. Se quero pensar, penso.
Nunca penso, durmo o dia todo.
Em resumo, pensei que a cadeia fosse pior.
Cadeia � pior. Os anos s�o mais longos que os meses.
N�o pensa nunca... na liberdade?
Para fazer o qu�?
Ajudo minha m�e, � dever de um bom filho.
A aposentadoria fica toda para ela.
Apesar de seus esfor�os, ainda n�o o condenaram.
E a mo�a n�o lhe fez falta?
Imagine se ainda pensa em mim!
O senhor nunca tem d�vidas.
Deveria ser juiz.
Obrigado... pelo caf� tamb�m.
As �rvores s�o altas.
O c�o � fiel.
O c�o � fiel.
O macarr�o... o macarr�o...
� gostoso.
O macarr�o � gostoso.
O a��car...
� doce.
Subrip: deadmeadow Maio de 2018
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