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Faz muito tempo,
em uma terra misteriosa e distante,
dessas que agora s� existem nos contos,
viviam algumas irm�s.
Elas eram trig�meas,
o que chamava a aten��o de todos
toda vez que acompanhavam sua m�e at� o povoado.
Mas quando todos os olhares se concentram em voc�
�s vezes
o mal tamb�m vira as costas.
- N�o. - Quanto tempo?
A inje��o!
Segure ela.
O que aconteceu, mam�e?
Nada, meu amor.
� o terceiro ataque esta semana.
Seus �rg�os est�o come�ando a falhar,
e ela desenvolveu resist�ncia
ao tratamento.
O melhor ser� intern�-la e
nos prepararmos.
- Oh, n�o. - N�o posso...
Obrigada, doutor.
Ah, n�o, n�o.
N�o escutou o m�dico?
Ela tem que ser internada, n�o numa cidadezinha no meio do nada.
N�o vamos levar a Luna para um hospital.
Por que insiste em ignorar os especialistas? Eles sabem o que est�o fazendo.
Aqui est� o que seus especialistas disseram. Eles a expulsaram.
N�s vimos todos os m�dicos aqui, Houston e em outros lugares.
Tua ci�ncia n�o funciona.
Voc� est� louca.
N�o vamos colocar a vida de Luna nas m�os de...
Nas m�os de quem?
S�o as minhas m�os.
Isso vai funcionar.
Confie em mim.
N�s vamos amanh�.
Meu amor.
Vamos ver. Na mala ou com voc�?
Comigo.
Nala. Apresse-se com suas coisas, filha.
Pode se apressar com suas coisas, por favor?
- J� estamos? - N�o posso, n�o posso com ela.
Como se algu�m tivesse acordado do outro lado da cama.
Como voc� se sentiria se fosse for�ado a ir para uma cidade no meio do nada?
Meu amor. Isso � por Luna.
Tua m�e acredita que h� algo l� que podemos fazer por ela.
� tudo para ela.
N�o se esque�a do teu mai�.
Sua m�e uma vez me disse que havia uma piscina na casa dela.
Nala, pode se apressar, por favor?
At� logo.
Becca!
Est� levando Luna para o tratamento?
N�o.
Vamos viajar para ver a fam�lia.
Est� tudo bem.
N�o se pode viver de hospital em hospital.
Miguel, n�o chegue perto da Luna.
Ela � muito delicada.
� melhor prevenir. � que est� gripado de novo,
e n�o quero que ela pegue
al�m de tudo que Luna j�...
Sim.
N�o sei onde as crian�as pegaram a gripe, mas j� tem muitas gripadas.
Sabe? Pega. Acho que esqueci alguma coisa em casa.
Aqui, de uma vez por todas, agora que te vejo.
CUIDE DE TEU FILHO!!!! N�O QUEREMOS MAIS CRIAN�AS DOENTES NO PR�DIO!!!!
Me escuta.
Voc� j� � uma mocinha.
Preciso poder contar com voc�.
Esta viagem n�o vai ser f�cil.
Vou precisar de todo teu apoio.
Luna precisa de voc�.
Eu preciso de voc�.
Eu j� estou indo na porra da viagem, certo?
O que mais voc� quer?
N�o sei o que fiz de errado com voc�.
Posso fazer uma lista.
Presta aten��o, seu escroto!
Papai disse uma grosseria.
Voc� est� bravo, papai?
N�o, meu amor.
Papai est� nervoso porque vai conhecer a sogra.
O que � uma sogra, mam�e?
� uma dor de cabe�a, meu amor.
Guillermo!
- O que � isso? - O enterro de um menino.
Nala!
� uma festa de despedida, meu amor.
De um menino que foi pro c�u.
Com os anjinhos?
Sim, meu amor. Com os anjinhos.
Chegamos.
- Est�o bem? - Estamos.
Venham, meninas, para conhecerem a vov� Josefa.
Enfim pude conhec�-las.
Que meninas lindas.
Oi, vov�.
A pequena Luna.
Ah, mam�e.
Voc� deve sr Nala.
Muito prazer.
Voc� se parece muito com sua m�e.
Espero que nada mais por fora.
Ah, por favor. N�o comecemos, t�?
Como voc� est�?
Obviamente, n�o t�o bem como voc�, Rebecca.
Dona Josefa. Muito prazer.
Por favor n�o me chame de dona, que me faz parecer velha.
Desculpe. Josefa.
Muito prazer.
O prazer � todo meu.
Amor. Pode ir buscar as malas?
N�o, n�o. Deixa, deixa.
Eu digo ao Pedro para peg�-las.
Vamos, meninas, conhecer a casa da vov�?
Fazia falta um homem t�o bonito na fam�lia.
A casa n�o tinha tr�s andares, mam�e?
Sim, meu amor. Tem tr�s andares.
Mas o terceiro � s� o s�t�o,
aonde ficava o quarto da vov� Teresa.
Para o Instagram?
De uma...
Qual � o wifi?
O que � wifi?
Amor, aqui nem tem sinal.
Mas n�o v�o te fazer mal uns dias sem TikTok tamb�m.
Que porcaria de lugar.
Nala.
Por que n�o vai com a Luna conhecer o jardim?
- Sim! - Sim?
V�o. V�o explorar.
Quer pegar insetos?
N�o.
Que bom. Voc� pega?
Luna, isso � para crian�as pequenas.
Ali est� a piscina.
Ainda bem que botei o mai� na mala.
Te surpreendeu que ele te ligou?
Sim. Sim, me surpreendeu.
Nunca imaginei que estava em seus planos voltar.
Pois, �s vezes, os planos mudam.
Voc� acha que eu viria se tivesse outra escolha?
Mas n�o te d� medo?
N�o te d� medo o que possa acontecer?
Voc� n�o aprendeu nada?
Claro que me d� medo.
Mas vou fazer o que tiver que fazer pela minha filha.
Vou dizer a Abigail para lhes dar frutas.
Abigail? Quem � Abigail?
A namorada de Pedro.
Ela tamb�m me ajuda.
Vivem juntos numa casinha aqui perto.
Que moderno que est� o campo, n�o �?
Abigail, menina.
Essas s�o minhas netas.
Oi, meninas!
D�-lhes algumas frutas e deixe-as ficar aqui com voc�.
Sim, dona Josefa.
Entrem, sejam bem-vindas.
Sentem-se.
J� conheciam Las �nimas?
Nunca tinham vindo?
Querem um pouco mais de canjica?
Escutem s�.
Que n�o tenham conhecido Las �nimas eu deixo passar.
Mas � s�rio que nunca haviam provado canjica?
� muito gostoso.
- Um aqui. - Obrigada.
- E outro aqui. - Obrigada.
De nada.
Gostoso, n�o �?
Que bom que gostaram.
Tamb�m acho que ficou gostoso.
Mam�e, h� quanto tempo voc� n�o vinha a Las �nimas?
Ah, amor...
Voc� sabe que sou muito ruim como os n�meros.
N�o s� com os n�meros.
Ei, Guillermo.
Voc� est� de acordo com essa viagem?
Sim, claro.
� um prazer finalmente conhec�-la, e tamb�m � bom que as meninas...
Essa n�o foi minha pergunta, querido.
Me refiro a se est� de acordo
com o motivo da viagem...
Podemos falar de outra coisa na mesa, sim?
� s� uma pergunta.
Acho que voc� faz qualquer coisa pelos seus filhos.
Vejo isso todos os dias com os pais do pr�dio,
com essa epidemia que h�.
H�... uma epidemia em seu pr�dio?
Tem sempre crian�as doentes.
Mas minha m�e me disse que n�o est�o t�o doentes quanto eu.
Felizmente Nala e Luna n�o se contagiaram.
Amor.
Podemos falar de outra coisa? Podemos?
Guillermo!
Voc� gosta da comida veracruzana?
Sim, me agrada.
Mas tenho que admitir que aqui � mais gostosa.
� que Rebecca �
� um pouco sem gra�a.
Como est�o, meninas? Tudo bem?
Entediadas.
Com certeza o campo � sossegado demais pra voc�s.
Nala. Tua av� te mandou um presente.
Que nojo.
N�o � t�o feio.
� horr�vel.
Bom, vou deixar aqui caso queirar usar.
O que os garotos fazem para se divertir aqui?
Quando eu era menina
o que eu mais gostava � que me contassem contos.
Lendas do campo.
Conta uma pra gente?
N�o.
A maioria d� medo.
N�o quero te assustar.
Eu n�o me assusto.
Tem certeza?
Por favor, sim? Vamos! Vamos!
- E se voc� n�o conseguir dormir mais tarde? - Sim, vou conseguir dormir.
- Anda. - Nala?
Sim, sim, por favor.
T� bem, t� bem, mas s� uma.
T�, t�.
A lenda das trig�meas.
H� muito tempo
viveram as trig�meas,
que enquanto dormiam de noite,
come�aram a ser visitadas por um ser maligno.
Era uma bruxa.
- Uma bruxa? - Sim.
Uma bruxa muito m�.
As bruxas sugam o sangue das crian�as para roubar sua juventude.
E assim continuarem jovens para sempre.
E o que aconteceu com a menina?
A bruxa ficou chupando seu sangue todas as noites durante muitos anos
at� que a menina ficou doente.
Come�ou a crescer fraca,
com muitos problemas de sa�de.
Suas irm�s, toda noite, colocavam uma tesoura debaixo do seu colch�o
pois se acredita que com isso se afugenta as bruxas,
mas j� era tarde.
A bruxa havia sugado demais.
Ent�o, para ajud�-la,
suas irm�s andaram at� chegar a uma cabana muito distante
aonde vivia uma feiticeira que havia chegado do Caribe.
Uma das meninas tinha muito medo
mas a outra estava decidida
e a convenceu.
A feiticeira lhes prop�s um trato.
As ensinaria a fazer um Bac�.
Com isso poderiam salvar a vida de sua irm�.
Como com uma vaca?
N�o. Um Bac�. com B mai�sculo.
O Bac� � um ser mitol�gico
que vem do lugar mais sombrio do Caribe.
� um ser que concede desejos.
O que voc� pedir.
Mas em troca
traz coisas ruins a quem faz isso.
Quer dizer, te d� uma coisa
mas te pede algo em troca.
Em troca de lhes ensinar a fazer o Bac�
e assim salvar a vida irm�,
elas pediam riquezas e as davam � feiticeira.
Assim, elas teriam as recompensas do Bac�
sem os males que isso traria.
Segundo diz a lenda
tem que ser enterrado um ovo de avestruz,
com o sangue de uma cabra,
uma serpente, e um menino.
Enterr�-los sob a lua cheia
em uma regi�o especial
que s� as bruxas conhecem.
As meninas fizeram isso.
E depois de seis noites de bruxaria
algo nasceu do ovo.
Algo?
Quando nasce um Bac�
pode nascer um cachorro, ou um gato.
�s vezes, um rato.
Um galo.
Ou at� um beb�.
Mas � um Bac�.
Com o Bac�, a trig�mea melhorou
ainda que nunca tenha se recuperado de todo.
As meninas cumpriram o trato
entregando as riquezas � feiticeira.
Mas ela as seduziu para manter para as meninas a seu servi�o,
prometendo lhes ensinar os segredos da magia negra.
E uma das meninas,
a mais corajosa
se viu atra�da pela magia negra,
enquanto que a outra
decidiu se afastar de tudo isso.
At� que um dia
a menina corajosa
que j� havia se convertido em aprendiz das artes ocultas,
encontrou a fita de sua irm�,
descobrindo que a feiticeira
era a mesma bruxa que havia adoecido sua irm�,
e havia ficado jovem chupando seu sangue,
e decidiu que teria que mat�-la.
As bruxas n�o existem... Ou existem?
Sim. Sim, existem.
E elas est�o vindo atr�s de voc�.
Para com�-la
� noite.
�bvio que n�o, sua boba!
S�o apenas hist�rias para assustar criancinhas.
Bem, Nala,
no campo se escuta muitas coisas.
O que voc�s tr�s fazem a�?
Ela estava contando uma est�ria de terror pra gente.
Eu te pro�bo de contar hist�rias e fofocas da cidade para minhas filhas.
Eles s�o muito novas para ouvir essa merda.
Fui clara?
Agora, v� com Luna.
Nala. Preciso falar com voc�. Venha comigo.
O que foi agora?
Teu pai e eu vamos sair amanh� cedo.
Vamos ficar fora uns dias. Preciso que cuide de Luna.
O que?
- Por que voc�s v�o sair? - Por Luna.
Voc� sabe que viemos pra c� para ajudar tua irm�.
Ou seja, j� n�o foi suficiente arrastar a gente pra c�?
Agora voc� vai me deixar aqui
sozinha com uma velha amarga?
N�s vamos procurar um tratamento alternativo para sua irm�.
Mas � longe e o lugar n�o � seguro pra voc�s.
Rebecca, eu n�o quero ficar aqui!
A porra da casa est� cheia de m�s vibra��es! E a vov� tamb�m.
Voc� � insuport�vel.
E desde quando voc� me chama pelo meu nome? Eu sou tua m�e.
Bem, isso � o que voc� diz a sua m�e.
Amor, amor.
Eu te entendo.
Mas eu preciso que voc� fique e cuide da tua irm�.
Ah, � sempre tudo por causa da Luna!
E voc� entende que sua irm� est� gravemente doente, certo?
S� por isso voc� me trouxe, n�o �?
Quer saber?
Pense o que quiser.
Isso n�o est� certo, Becca.
Temos que traz�-las com a gente.
N�o pode, amor.
N�o sabemos como ele vai reagir.
Vamos deix�-las com a tua m�e, assim?
Voc� n�o a v� h� anos.
Voc� se sente calma?
Sim. Voc� j� a viu.
� uma velha amarga e seca,
mas inofensiva.
O pior que pode acontecer � ela beij�-las com mau h�lito.
Meu amor...
confie em mim.
Nala, j� � uma mocinha.
Preciso poder confiar em voc�.
Quando voltarmos
voc� e eu teremos uma conversa muito importante.
Voc� j� est� em idade de entender...
V�o ser s� uns dias.
Tratem de n�o queimar a casa, est� bem?
Um abra�o para o papai.
Nala me lembra muito como voc� era na idade dela.
Espero que n�o seja t�o tola quanto.
Vov�. N�o sei se mam�e te disse, mas
eu sou vegetariana.
Isso � modinha da cidade.
N�o tem outra coisa?
Isso n�o � um restaurante, mamita.
Luna.
Coma bem
para que melhore.
E voc� tamb�m, mamita.
N�o, obrigado. N�o estou com fome.
N�o sei como sua m�e se acostumou com voc�.
Mas nesta casa
n�o se desperdi�a a comida.
Me entendeu, mamita?
Nala, como voc� est� bonita. Que lindo fica em voc�.
Obrigada.
Mas acho que n�o posso usar isso.
Ei! Cuidado!
Obrigada.
Tem que ter cuidado com esta piscina.
Desde que trabalho aqui, est� fechada.
Que desperd�cio.
Se voc� quiser, eu posso limpar ela.
De verdade?
Com certeza fica pronta antes de voc� ir embora.
Nala, o que voc� est� fazendo?
E voc�, Pedro,
v� para a cozinha.
Abigail precisa de voc�.
Sim, senhora.
Cubra-se!
Ou as pessoas daqui
v�o pensar que voc� � uma puta.
Se cubra logo!
Trinta, trinta e um, trinta e dois,
trinta e tr�s, trinta e sete, trinta e oiro, trinta e nove...
Quanto?
Luna, o que aconteceu?
E se meus pais n�o voltarem pra pegar a gente?
N�o pense nisso.
Claro que v�o voltar, s� se foram por uns dias.
Luna, est� tudo bem.
Est� bem? Eu estou aqui.
E vou cuidar de voc�.
Prometo.
O outro.
Papai
Est�o a�? Preciso falar urgente com voc�s
Luna?
Luna?
Luna!
Querem morangos?
Sim, obrigada.
- Ei, Abigail. - Sim?
Como acaba a hist�ria das trig�meas?
N�o sei se devo contar.
Lembre-se do que a tua m�e disse.
Ela n�o est� aqui.
N�o.
Nala, essa hist�ria � muito forte pra voc�s.
Luna pode se assustar.
Luna, verdade que n�o se assustou?
Viu? Anda.
N�o pode deixar assim.
Bom, est� bem.
Se lembram que paramos
quando descobriram que a feiticeira
era a mesma bruxa que havia adoecido sua irm�.
Bem, pois uma trig�mea
convenceu a outra a matar a bruxa
para se vingar de tudo que havia deixado sua irm�zinha doente.
Uma noite elas entraram na cabana
e dentro de uma ab�bora elas encontraram a pele da bruxa.
- A pele? - Sim.
As bruxas tiram a pele para poder voar.
E elas j� sabiam o que as mata.
- Sal? - Sim.
O sal mata as bruxas.
Naquela noite,
quando a bruxa voltou
as meninas j� estavam l� esperando para verificar se seu plano tinha funcionado.
Naquela noite a bruxa morreu.
Queimada por dentro.
Mas com seu �ltimo suspiro ela p�s um mau-olhado nelas.
Ele jurou que a inveja as consumiria, que seria sua ru�na.
E o que aconteceu com elas depois?
Sofreram uma �ltima desgra�a...
Lembrem-se, meninas,
que o Bac� te d� algo
mas te pede algo em troca.
O Bac�
levou a vida da m�e.
O que pode ser pior
do que matar a pr�pria m�e
sem nem sequer saber?
Diante desse infort�nio,
a irm� que nunca
quis criar o Bac�
nem mexer com estas artes,
decidiu remediar seu erro.
A essa altura, o Bac� j� tinha crescido.
Dizem que n�o � f�cil matar um Bac�.
Mas ela estava decidida.
A morte do Bac�
fez com que a trig�mea voltasse a ficar doente at� seus �ltimos dias,
enquanto a morte da m�e
provocou uma profunda inimizade
entre essas duas irm�s,
o que as separou para sempre.
Uma delas
continuou praticando a magia negra,
enquanto que a outra
jurou que n�o voltaria a praticar.
E quando se tornou conhecido na cidade
que as trig�meas haviam praticado bruxaria,
elas tiveram que fugir. Se esconder.
Nunca mais se voltou a saber delas.
- E se funcionar? - O que?
O sal.
Se matar as bruxas?
Nala. Isso � uma hist�ria.
Nala!
Por que voc� pediu ao Pedro para limpar a piscina?
Ele se ofereceu.
N�o sei como te educaram, mas nesta casa
se voc� quer uma coisa, fa�a voc� mesma.
Ou seja, como?
Vamos, limpe a piscina.
J�!
Eu?
- Vov�... - N�o venha com vov�.
Enquanto voc� estiver na minha casa
vai fazer exatamente o que eu te disser, mamita.
N�o vou deixar a Luna aqui sozinha.
Dona Josefa, eu posso ajudar...
Se acalme, Nala.
Eu cuido da Luna.
Vai.
O que espera?
Que fique bem limpa!
Terminou?
Amanh� voc� continua.
Voc� sabe que tudo isso � para o seu bem, certo?
Voc� sabe disso, n�, mamita?
E agora v� dormir.
Isso n�o � hora de ficar perambulando.
Luna?
N�o!
Luna, n�o!
O que foi? Luna! Luna!
Bom dia, dorminhoca.
A dorminhoca � voc�.
Ei. Quer ir pegar lib�lulas?
Outro dia encontrei um monte na piscina.
- S�rio? - �.
- Vamos? - Vamos.
Luna!
Voc� est� bem?
Espera um pouquinho. Estou indo.
Abigail!
Isso � o que acontece
quando voc� s� ouve a si mesma.
Vov�! Luna est� passando mal!
As meninas est�o muito bem.
- Temos que falar com meus pais! - Sim, as duas.
� minha m�e?
Um momento, por favor.
Est�o l� fora.
Sim, no jardim.
- Pedro limpou a piscina pra elas. - O que?
Elas est�o muito bem, n�o se preocupe. Tchau.
Eu queria falar com ela!
- Ela desligou porque estava com pressa. - Isso n�o est� certo!
Cuidado com as palavras, menina.
Ou quer passar todo o dia limpando a piscina?
Qeu bom que estamos de acordo...
mamita.
Voc� est� queimando, minha preciosa.
Voc� tem que falar com meus pais.
Pra que?
N�o h� nada que eles possam fazer.
Temos que avisar eles.
Avisar o que?
O que voc� fez com sua irm�?
Eu n�o fiz nada.
Luna estava perfeitamente bem ontem.
Voc� dormiu com ela.
O que voc� fez com ela, mamita?
Calma.
Luna est� bem.
E voc� tem que comer.
N�o queremos que fique doente tamb�m.
� que n�o entendo por que n�o quer falar com meus pais.
Com certeza Dona Josefa n�o quer preocup�-los.
Abigail.
Voc� acha que minha av� poderia ser...
uma bruxa, como as do conto?
Nala!
Nala, por favor.
N�o diga bobagens.
Olha. Dona Josefa � uma mulher muito r�gida,
mas na verdade � puro amor.
Ela � incapaz de fazer mal a algu�m.
Todos na cidade a amam e respeitam h� anos.
N�o v� me meter em problemas por te contar essa hist�ria.
Correio de voz. Esta liga��o ser� cobrada...
Nala.
O que voc� faz aqui?
Entrar no s�t�o sem minha permiss�o?
Assim n�o d�.
Como pode Rebecca criar a uma filha assim?
A cada dia me decepciona mais.
Voc� tem respeito por alguma coisa, mamita?
Essa noite voc� vai pra cama sem jantar.
Eu estava procurando sinal para falar com meus pais!
Essa � tua desculpa?
Me d� o telefone.
- Me d�! - N�o.
Me d�, estou dizendo.
Solta! Solta!
Solta! Solta!
N�o!
Porra de velha louca!
Olha a casa, que linda.
O que aconteceu?
O tempo.
A vov�.
E olha. A piscina funcionava.
Por ue as pessoas nadavam vestidas?
Olha a mam�e. Que bonita.
�.
E a vov� Josefa.
E esta aqui
� a m�e da vov�.
Ou seja, nossa bisav�.
Voc� se lembra que mam�e uma vez nos contou sobre sua av� Teresa?
Nunca havia visto uma foto dela.
Luna, preciosa.
Voc� parece melhor agora.
E voc�, mamita,
hoje recebeu uma li��o muito importante.
Boa noite, meninas.
"Domi."
Luna! Luna!
Luna, levante. N�s temos que ir agora!
Nala, � muito cedo.
Ah, Luna, por favor. Se apressa.
Nala, quero dormir mais, me sinto mal.
- Nos temos que ir! - Eu me sinto mal. Por favor, n�o.
Luna, por favor. Eu te carrego.
Vem. Vem, eu te ajudo.
Vem.
Luna.
A vov� disse pra n�o nos afastarmos da casa. O que voc� est� fazendo?
O que ela diz n�o importa.
O que � isso?
Vem. Me segue.
Nala, j� estamos muito longe. Quero voltar para casa. estou com medo.
A casinha da Abigail!
Ela convidou a gente pra comer canjica. Vamos.
Luna!
Nala, estou me sentindo muito mal.
Estamos quase l�, Luna. Eu preciso que voc� pare.
Eu quero minha cama.
Luna, fa�a um �ltimo esfor�o, por favor.
N�o posso carregar voc� at� l�. Por favor, preciso que me ajude.
Com cuidado.
Eu preciso que voc� fique aqui. Sim?
Vou chamar a Abigail.
Socorro!
Abigail, socorro!
Abigail?
Abigail?
Luna!
Luna! Luna, Luna, estou aqui!
Ai, mamita.
O que voc� fez com sua irm�?
Me traga uma seringa que est� na prateleira da cozinha. R�pido!
Calma, garotinha, agora, agora.
Isso, isso.
Vamos lev�-la de volta.
Sim, minha garotinha. Agora.
Voc� quase a matou!
A culpa disso � tua!
Eu sei o que voc� faz com a Luna � noite! Eu te vi!
Voc� enlouqueceu com os contos da Abigail, mamita.
Eu sei de tudo! Sei que voc� � uma bruxa!
Eu sei que chupa o sangue da Luna.
� por isso que vamos embora.
Voc� acha que voc� decide quando se v�o?
Teus pais deixaram voc�s aos meus cuidados!
Luna tem meu sangue!
Eu n�o vou permitir que voc� a machuque mais.
Abra, bruxa maldita!
Nala?
Pedro?
Pedro! Pedro, me tira daqui por favor!
Me pediram pra ver como voc� est�.
- Minha av�? - N�o, Abi.
Queria saber como voc� est�.
N�o, n�o. Voc�s s�o bruxos.
- Eu os vi. - O que?
Nala, do que est� falando?
Sim!
Eu vi. Eu vi voc� e a Abigail...
de manh�, com a faca.
Voc�s est�o ajudando minha av� a matar a Luna!
Escuta o que voc� est� falando.
Quem te deu essas ideias loucas?
Mas...
Se n�o est� ajudando ela, me ajuda. Me tira daqui, por favor!
Por favor!
N�o, n�o posso fazer isso. Vou ter problemas com a patroa.
Tenho que cuidar da Luna.
O que posso fazer � ficar de olho em Luna, para que voc� fique tranquila.
N�o deixe que aconte�a nada com ela, por favor!
- Eu tenho que ir. - Pedro, por favor, n�o vai!
Pedro?
Nala!
Eu preciso que voc� venha, mamita.
Aconteceu um acidente horr�vel.
Luna?
Na piscina.
Pedro.
Que desgra�a.
Morrer t�o jovem,
e tudo por tua culpa!
Como minha culpa?
Voc� pediu para ele limpar a piscina.
Deve ser por isso que ele trope�ou, bateu a cabe�a
e se afogou.
Aonde est� Luna?
Tranquilamente dormindo no quarto.
- Eu tenho que ver ela! - Sim.
Mas primeiro vamos receber a pol�cia
que n�o deve demorar a chegar.
Pedrito era como um filho pra mim.
E num acidente assim.
- Algu�m j� falou com a vi�va? - Est� se referindo a Abigail?
Pelo que sei, ele acabou de se casar anteontem, acho que sim.
N�o foi um acidente!
Ela matou ele! Ela � uma bruxa!
Ela chupa o sangue da minha irm� todas as noites.
Pedro tentou ajudar a gente e ela matou ele.
Por favor, desculpem minha neta.
Ela est� muito alterada.
Como foi ela que mandou o Pedrito limpar a piscina...
Bem, senhora. Vamos deix�-la com seus assuntos familiares.
Boa tarde. Vamos.
N�o! Por favor, n�o v�o!
N�o, n�o!
N�o! Por favor, n�o v�o, por favor!
Voc�s t�m que nos ajudar, minha irm� pode morrer.
Ah, mamita!
Acho que voc� tem um s�rio problema de aprendizagem.
Quer ver tua irm�?
Olha.
Veja como voc� deixou sua irm�zinha pelo que fez com ela.
Luna, Luna.
O que est� fazendo!
O que � isso?
Uma mostra de sangue.
Tua m�e me pediu pra tirar.
Isso n�o � uma amostra de sangue!
Bem, quando voc� vai deixar de me culpar por tudo?
Nala?
Sim.
Sim, sou eu.
Calma.
Nala!
Al�? Al�?
Nala.
Amor, a liga��o est� muito ruim.
M�e! M�e!
M�e, a vov� � uma bruxa!
Meu amor... Est� me escutando?
Nala. � a mam�e. Filha, como voc�s est�o? Como est� tua irm�?
Mam�e.
Ah, mamita.
Voc� vai matar tua m�e de susto
agora que ela est� fazendo algo muito importante pela sa�de da Luna.
Eu sei o que voc� est� fazendo.
Parece que s� h� uma forma de voc� entender!
- Anda. - Me solta!
Voc� vai usar?
Nala!
Voc� bateu na vov�!
Temos que ir r�pido!
- Pra onde? - R�pido!
E vamos deixar a vov� l�?
- Vem. - Nala, eu n�o posso ir com voc�.
Vem!
Vamos, Luna. Vamos.
O que � isso?
Me espera aqui.
Precisamos de ajuda.
Abigail?
Abigail!
Abigail! Abigail.
Abigail?
Pedro!
Luna.
Luna.
N�o, n�o.
N�o.
Luna!
N�o!
Luna, por favor.
Por favor, me perdoa.
Fica comigo.
Por favor.
Luna?
Como voc� est�? Como est� se sentindo?
Estranha.
Como se eu tivesse acabado de acordar.
Nala! Luna!
Luna.
- Luna. - Nala!
Nala, voc� est� bem?
- Luna. - Luna.
Ol�, mamita.
"Jele".
Como voc� est�?
- Voc� disse alguma coisa? - N�o.
Est� exausta, desidratada.
Mas vai ficar tudo bem.
- Confia em mim. - N�o, n�o, Rebecca. Agora.
Que bom que a Luna est� bem, mas vamos embora agora.
Se ela n�o tiver acordado quando estivermos prontos,
iremos direto para um hospital.
Desculpa, Josefa. Obrigada pela hospitalidade, mas temos que ir.
Eu entendo, Guillermo.
Ela quase matou Luna!
No que estava pensando para lev�-la assim no meio da noite?
N�o a culpe.
Est� em plena adolesc�ncia.
Ou j� esqueceu o que voc� e eu fizemos quando t�nhamos a idade dela?
Embora eu n�o concorde com o que voc� fez por Luna,
fico feliz que tenha funcionado.
Olha.
Olha como est� bem.
N�o tenho como te agradecer, Josefa.
Vendo minha fam�lia com sa�de fico satisfeita.
N�o acredito que ela te atacou. Sinto muito.
Ela � uma menina.
Est� em uma fase complicada.
Ela est� com ci�mes,
confusa.
Josefa.
Obrigada. Obrigada.
Agrade�o a voc�...
por me dar de novo uma fam�lia.
Ah, mamita.
Me escute bem.
Nem morta vou deixar a Luna.
J� tenho tudo pronto.
Vou pegar Nala e me despe�o de sua m�e.
Meu amor.
Meu amor, o que aconteceu?
Se eu n�o voltar em cinco minutos, v� buscar Nala e v�o embora.
E n�o se separe de Luna.
Josefa!
Josefa!
O que voc� fez?
�s vezes os planos mudam.
Voc� tirou minha m�e de mim, agora ficarei com suas filhas.
H�... uma epidemia em seu pr�dio?
Tem sempre crian�as doentes.
Mas minha m�e me disse que n�o est�o t�o doentes quanto eu.
As bruxas sugam o sangue das crian�as para roubar sua juventude.
E quando se tornou conhecido na cidade
que as trig�meas haviam praticado bruxaria,
nunca mais se voltou a saber delas.
Acredita-se que a trig�mea doente envelheceu e morreu
e de suas duas irm�s, aquela que tinha decidido ficar longe da bruxaria
tamb�m come�ou a envelhecer,
enquanto a outra fugiu
e se conservou jovem para sempre
chupando o sangue de crian�as todas as noites.
Meu amor.
J� se sente melhor?
N�o fa�a essa cara.
Eu sei que tem sido dif�cil para voc� mas voc� se saiu muito bem.
Em algumas semanas
a vov� vir� morar com a gente.
Coitada. Est� t�o sozinha aqui. N�o acha?
N�s j� vamos.
Te esperamos no carro. Sim?
Voc� me deixou com medo.
O que aconteceu?
E Nala?
J� acordou.
Est� perfeita!
Insuport�vel como sempre.
Ela s� foi se despedir sua av�.
Meu amor, como voc� se sente?
Voc� colocou o vestido.
Eu sei que as despedidas podem ser muito dolorosas.
Mas vai ficar tudo bem.
Voc� tem algo a�.
Est� perfeita.
Vamos.
O que voc� est� olhando?
Sim!
Meu amor.
Eu queria continuar monitorando-a estes dias apenas para ter certeza,
mas n�o h� sinal de nenhum sintoma.
Realmente estamos do outro lado.
Eu sempre disse que n�o acredito em milagres
mas n�o tenho como explicar isto.
O que importa � que ela est� bem.
Doutor, e... Nala?
Como sabe, j� a verifiquei v�rias vezes durante esses dias
e n�o encontrei nada f�sico ou neurol�gico que me intrigasse.
Ela n�o fala h� quatro dias. Isso � normal?
Conhe�o v�rios psic�logos quem posso encaminh�-los...
Agora amor, agora.
Ela vai ficar bem.
Isso vai passar.
Confie em mim.
Voltando a Luna, nunca havia visto uma recupera��o assim.
Eu n�o entendo como p�de mudar tanto.
� um milagre, doutor.
O mundo adulto
� complicado e fant�stico.
Eu sei que voc� acha que sabe muitas coisas.
O dia de hoje,
quando voc� come�a a ser mulher,
� o dia em que realmente
vai come�ar a aprender...
mamita.
O que pode ser pior do que matar a pr�pria m�e
sem nem sequer saber?
Esse foi o pre�o que o Bac� cobrou
para salvar a vida de Luna.
Diz a lenda que a maldi��o da bruxa se cumpriu
e as duas irm�s que a haviam matado
receberam seu castigo.
Elas viveriam com o sangue dos outros
apenas para cair nas m�os
do seu pr�prio sangue,
uma ap�s a outra
ensinando suas tradi��es
para as novas gera��es
desde que
estivessem prontas para aprender.
Legenda: .:MGross:.
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