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Timothy Flynn, o que se matou.
Ele tinha marcas?
O que procura?
- Sra. Myers - Tem o meu gado!
- Não me ameace. - A ameaça já está na sua cama.
Desejo-lhe tudo de bom com o parto.
O que temos?
Matar e roubar. Não tem estômago para isto, pois não?
Santo Deus. Temos de falar com o Billy Myers.
Onde está ele?
- Oiça! - Tenho alguém a investigá-lo.
Parece-me que viu alguma coisa nos seus dias de soldado.
O meu amigo, onde está ele?
Diga-me tudo o que sabe sobre o massacre em Chalk River.
CHALK RIVER TERRITÓRIO DO WYOMING
1875
QUINZE ANOS ANTES
Bom dia.
Não há que enganar. Quatro mulas.
Tudo como pedido.
Só procuro o saca-rolhas.
É mesmo um quebra-cabeças.
Um grupo de caça precisaria de um reboque para as peles.
É para apalpar o terreno.
Para quê?
- Gado. - Não há.
Volte daqui a uns anos. Vou deixar isto tudo negro com chifres de vaca.
- Grande negócio. - Errado, se não for.
Estamos bem.
Que farpela janota!
É bonito, não é?
Vi um cheyenne com algo parecido, mas usou a pele de um branco.
Então, não precisará da minha.
- Falta dinheiro. - Foi o acordado entre cavalheiros.
- Pareço um cavalheiro? - Não me sigo pelas aparências.
Então, seja lá um cavalheiro.
Quanto?
Mais 100 dólares, 25 por mula.
- Como chegou a isso? - Trinta cada.
Por certo que aguenta...
... um homem com a sua ambição.
Pague-lhe.
Melmont. O dinheiro.
Um acordo é um acordo.
Mas que raio?
Aquele alto por baixo dos óleos dele não é a pila.
Pague-lhe. É uma ordem.
E digo-lhe porquê.
Depois de fazermos o acordo, dei um passeio pela sua cidade.
Uma pocilga miserável.
Parece que tem fama de fazer este tipo de coisas,
por isso, achei melhor fazer o meu próprio negócio.
É patriota, Sr. Biskind?
Porque vi que tem um grande mastro à porta de casa.
E eu sou um grande fã de heráldica.
Espero ter o meu brasão de armas.
Mas não sei o que lhe poria.
Números, talvez. Porque sou bom com isso.
E a minha faca, claro. Porque foi assim que comecei.
Uma bala no seu cérebro...
Não, não.
Não, vai querer ouvir isto, acredite. É interessante.
Então, sabendo que isto seria assim...
...escondi um pedaço de tecido a cerca de quilómetro e meio.
Ora, se não lhe disser onde está esse pedacinho de tecido,
e se você não for buscá-lo,
e se não voltar para Casper o mais depressa possível...
... e se não içar esse pedaço de tecido no seu grande mastro,
o homem a quem paguei para o vigiar,
se não o vir...
... vai matar a sua mulher.
Não, não pode ser.
Eu pareço-lhe um cavalheiro?
É verdade?
Um acordo é um acordo.
Cheyenne.
Bolas. Parece um naco de carne.
Não para a mãe dele.
Porquê a exibição?
Assusta-me como o caraças.
- Não disse que tinham partido? - E partiram.
Vão voltar?
- Não, o tempo deles acabou. - Isso que se lixe.
Então, este sítio está disponível?
- Enterremo-lo. - Para quê?
Se ele assusta toda a gente, significa que isto é só nosso.
Deixem-no trabalhar.
CHALK RIVER TERRITÓRIO DO WYOMING
NA MESMA REGIÃO, NA MESMA DATA
Sargento Whipp.
Mandaram-no sair?
Cabo McClintock. Saí sem licença.
Juntamente com outros dois. Os soldados Myers e Flynn.
- Porquê? - Caça.
- Búfalos? - Índios.
As ordens são deixá-los em paz.
Talvez seja por isso que saímos sem licença.
Não é da minha conta.
Fui dispensado, vou para casa.
De vez?
- A guerra acabou, não foi? - Sim.
- Falhou. - Feri-o.
- Isso é falhar. - Então, vou acabar o serviço.
Não sei porque disparou, sequer.
Uma merda de um lobo?
Fazemos assim, eu trago-o para cá,
e fazemos uma estola com ele para a sua linda noiva.
Não se preocupe, não lhe digo que a fiz.
- Ela nem sabe que existe. - A Lady Cornelia Locke?
Não me diga. Holland Park West, número cinco.
E conhece a entrada dos mercadores, sem dúvida.
Sim, conheço tudo.
Tudo.
É o meu trabalho.
Ponha a chaleira ao lume.
É atrevido com o homem que lhe paga as contas.
Não sou eu. É o conselho de administração.
Veio para controlar o dinheiro
e, tem de admitir, ele demonstra uma certa bravata.
É mau com o dinheiro?
Como se costuma dizer?
Podemos perder fortuna várias vezes, a confiança, só uma.
Como um homem que perdeu muitas fortunas,
a minha confiança sofreu muito.
Não é bom quando um criado diz ao patrão o que fazer.
Não se preocupe. Em Inglaterra, temos um sistema de classes.
Para o bem e para o mal, o David Melmont sabe onde se situa.
Mas não temos disso aqui, por isso, fique atento.
Já vi o que acontece a homens como ele num sítio destes.
Às vezes, a liberdade não é bonita.
Vamos lá.
Cheyenne.
Vamos deixá-los em paz.
De quantas flechas preciso para me dizer que estou em apuros?
Nenhuma, porque não estamos.
Porque está a fazer isso? Para ver se não nos seguem?
Disse que eles não nos dariam problemas.
Não darão.
Aquele lobo só lhe fez pior. Não querem problemas, como nós.
Não sei se verá isto tão gentilmente
quando nos levarem o lucro.
Esta é fraca. Temos de a manter debaixo de olho.
Não é a única.
Parece Delfos. Feito por Deus.
Tem uma palavra para "beleza" nesse seu registo?
Sim. Tenho-a registada como...
... "custos imprevistos".
Eu é que tenho a visão.
Eu tenho um código para isso.
Quer mesmo ouvi-lo? Não quero turvar-lhe a visão.
Não, continue.
Está bem, então.
Do primeiro ao quinto ano, os seus lucros aumentarão seis vezes.
Ficará muito rico.
E, depois, do quarto ao sétimo ano,
vem a concorrência, trazendo mais volume e baixando os preços.
Mas continuará rico.
Depois, no sétimo e oitavo ano, o mercado ficará saturado.
Os preços vão cair, os custos vão subir.
No décimo ano, vai falir.
- E o senhor, também. - Bem, não.
Sabe, este livrinho aqui, este livrinho aqui...
Sim, isto aqui. Diz-me quando devo sair.
No seu lugar, estaria a vigiar-me como um falcão.
Já estou.
Sabe, senhor, sabe...
Nunca se sabe, nunca se sabe.
Talvez, talvez um dia, talvez um dia...
... eu e o senhor pudéssemos ser sócios.
Eu sei, porra.
Eu sei, porra.
Tal como sei que ter merda no sapato
cheiraria muito melhor do que eu.
E é exatamente esse o cheiro que estou a sentir em si.
Ao menos, conhecemo-nos.
Do que está a falar? Não faz ideia.
Não faz a mínima ideia de quem eu sou.
Porque se soubesse, o que saberia realmente é que...
... eu sou o escolhido.
Ó do acampamento!
Soldados em patrulha. Permissão para aproximar?
Armas para cima, devagar.
Cabo Jerome McClintock.
Soldados Billy Myers e Timothy Flynn.
Dispõem-nos um pouco da vossa companhia?
Claro que sim.
Obrigado.
- O que é isto? - A Alegria do Soldado.
- É o que mantém um exército de pé. - Ou fora dele.
Os Vikings costumavam tomar opiáceos
para matar sem remorsos.
Parece-me bem.
A julgar pela cor da sua roupa, diria que está cá há pouco tempo.
- Doze dias. - Enganei-me.
- E vocês? - Em patrulha.
- Pequena patrulha. - Coisas não oficiais.
Como por exemplo?
Você é muito direto.
- É só curiosidade. - Cuidado com isso.
Todas as armadilhas são iguais.
Patrulha de execução, já que pergunta.
Em nome do Primeiro Regimento dos Voluntários do Colorado.
- É quem vocês são? - Éramos. Sempre seremos.
- Contra quem? - Um índio.
Chamado Falcão em Fuga. Cheyenne.
Ouviram falar dele?
Viram-no?
Nem mais ninguém.
Bem, ele anda por aqui.
- Porque o querem? - Ele matou o meu irmão.
Não se limitou a matá-lo.
Esquartejou-o como se fosse uma vaca.
- O que fez ele? O seu irmão... - Como assim?
Foi por estar aqui. Como vocês estão agora.
Mas mais do que isso.
Estiveram em Sand Creek, certo? Se são Voluntários do Primeiro.
Pelo que ouvi, isso foi horrível.
Quando é que não é?
Faziam malas com partes íntimas de mulheres.
Ainda tenho, se quiserem ver.
Calma. Não.
- Por favor. - Querem que vamos?
- Vão andando. - Eu não.
Não, eu não. Gostava muito que ficassem.
Querem saber porque estamos aqui?
Daqui a um ano, vamos trazer 50 mil cabeças de gado para aqui.
Cem mil dólares do meu empregador. É um grande negócio.
E não posso permitir que algo impeça isso.
Nem lobos, nem leões, muito menos índios.
Não há nenhuns.
Isso é que há. Há, sim. Há.
- O que viram? - David!
Cale-se.
O que farão com o tal índio quando o encontrarem?
O mesmo que ele fez ao meu irmão.
Vou arrancar-lhe os olhos, pô-los numa pedra
para ele se ver a morrer.
Sim. E depois? O quê?
Tribunal marcial, provavelmente. Para vocês.
Vão meter-vos na cadeia? Não me parece bem.
Não, não é.
Sabem, sou como vocês.
Passei a vida no negócio da carne,
não no vosso negócio da carne, no negócio da carne. Matadouros.
Dos pátios até às salas de reuniões. Sei como é.
E vocês, cavalheiros, são os abatedores do meu ofício.
Fazem coisas em que os outros não querem pensar,
mas têm de ser feitas.
E aqui, neste momento,
algo tem de ser feito.
Eu vi índios.
- Onde? - Eu disse para se calar.
- Quem lhe daria ouvidos? - Está despedido, ouviu?
Despedido.
Sabe bem rir-me na sua cara.
Até agora, foram todos nas suas costas.
Vá lá, seu maricas de pergaminho!
Sente-se.
Bolas.
Mostre-nos.
Parece caça à galinha-brava.
- Tinham uma calibre 58. - O quê?
Não!
Não há nada que possa fazer! Nada!
Ele também vai matá-lo.
Deve ser a desculpa que ele procura!
Vamos até Fort Fetterman e reportamos isto.
Entendido?
É o melhor que podemos fazer.
Sargento Whipp.
Enviaram-no a si?
Então, porque está aqui?
Vou para casa.
Quer...
... fazer alguma coisa?
Não é da minha conta.
Está tudo bem, rapazes. Ele é um de nós.
Não é, batedor?
Quem és tu?
Quem?
Não é o Falcão em Fuga, isso é certo.
COMPLEXO DE CONTABANDO DE MATA NA ÁGUA, 1890
QUINZE ANOS DEPOIS
Eram a minha família.
Jerome McClintock, Billy Myers, Timothy Flynn.
Sabe onde estão agora?
E o civil, o Melmont?
O que lhe aconteceu?
Ou também não era da sua conta?
LONDRES
QUINZE ANOS ANTES
Teve sorte em apanhar-me.
Como só vim para a competição,
ainda nem abrimos a casa. Entre, entre.
E ganhou?
Bem, foi uma confusão.
Uma das concorrentes lançou uma seta com raiva. Consegue imaginar?
E quase atingiu um cavalo com uma lança em Bayswater.
Acho que fez pontaria ao árbitro.
Não há hipótese de ganhar.
É arqueiro, senhor...
Melmont. David.
Não. Não desde que inventaram a pistola.
Ficava horas a olhar para ele. Imaginava-me lá.
O senhor esteve lá a sério.
- Por favor. - Obrigado.
- Traz notícias? - Não soube do Thomas?
Bem, suponho que não haja correios.
Há nos fortes.
Mas o que vou dizer-lhe é melhor dizê-lo apenas a si.
Sim?
O Thomas está preso.
Imagino que seja preciso muita força para puxar um arco assim.
Mas, para o que vai ouvir,
terá de ser muito mais forte.
Diga-me.
Tudo começou com um lobo.
Não sei o que o levou a fazer aquilo.
Acho que foi o país, Mna. Locke.
Ele deixou-se levar por isso.
Eu fui a favor de o tirar de lá e não falar no assunto.
Pela companhia, mas principalmente por ele.
Eu sei que ele tem tido dificuldades com...
- Dinheiro. - Foi por isso que lá fui, não foi?
Mas não o consegui salvar.
Não o consegui salvar disto.
O nosso guia foi a um forte do exército e denunciou-o.
Começou tudo.
Enviaram uma equipa de busca e acabaram por...
Ele e os soldados foram encontrados...
- Num... - Continue.
No Rancho de Porcos.
- Uma quinta? - Um bordel.
É essa a ironia.
O exército não quis matar, mas matou muito.
Não conseguiram parar.
Em vez disso, os soldados foram acusados de uso não autorizado de...
- Mulheres. - E de se ausentarem sem licença.
E todos receberam uma dispensa desonrosa.
Por sexo ilícito, mas não por homicídio em massa.
E o Thomas?
Está ferido, à espera do pagamento de uma multa.
Talvez devesse apenas cumprir a pena.
A questão é que...
... não é uma prisão, é um poço.
Bem fundo.
Quando vier a chuva, vai começar a encher.
Pode demorar uma semana ou um mês, mas virá.
- Quanto? - Duas mil libras.
Esterlinas.
Porque veio ter comigo?
- Porque é noiva dele. - Não estamos noivos.
- Ele disse que a pediu em casamento. - E pediu.
- Disse ao meu pai... - Não. Não.
Nem a mais ninguém.
É a última oportunidade do Thomas e nunca terá outra.
Fui eu que fiz o meu pai investir.
Ora aí está. Poupe algumas vergonhas.
- Vergonhas com que posso viver. - Mas ele não pode.
E a companhia também não.
O meu pai falou-me de si.
- Sim? - Sim.
O que disse ele?
Não tenho a certeza. Começou no...
- No negócio da carne, sim. - Sim.
- Nos poços de sangue. - E depois?
Como tenho cabeça para números, sabe...
Aqui está o senhor.
Sim, mas não se preocupe, eu ainda sei o meu lugar.
Ninguém deve saber isso.
Então, devo ser idiota.
Um servo leal como eu.
À companhia. Ao Sr. Trafford.
E a si, claro.
Agora mais do que nunca.
Mas não podemos deixá-lo enfiado num poço, pois não?
- Não. - Não. Não.
Não.
Às vezes, pergunto-me se haverá horror em todos nós.
Há.
É por isso que salas bonitas como esta são tão importantes.
Escondem-nos isso.
E esta é a sala mais bonita que já vi na vida.
Eu arranjo-lhe o dinheiro.
Bom dia.
Mna. Locke.
Achou que eu era o carteiro?
Acho que ele já cá esteve.
É do Thomas.
Não foi ele. Foi o senhor.
Tudo.
Eles prenderam-no?
Sim.
E o poço?
Sabe que mais? Sabe o que aprendi?
O ódio é muito mais quente que um casaco de pele de urso.
Embora os meus dedos dos pés estejam um pouco pretos.
E a multa foi muito alta, deixe-me dizer-lhe. Quase fiquei sem dinheiro.
- Vai denunciar? - Assim que sair...
- Não fará isso. - Farei.
Vou abrir aquela janela e vou gritar "mentiroso".
"Ladrão. Assassino."
Não chega à esquina.
Não. Porque, sabe...
... eu vou até ao Colorado.
O Rio Alamosa.
Arranjei um amigo e ele vai mostrar-me o caminho.
E com esse dinheiro...
E com esse dinheiro... Com esse dinheiro...
Sim. Vamos comprar uma parte de uma mina de ouro. Uma grande mina.
Porque eu e aquele país...
... somos assim. - Saia.
Mas ainda não fizemos um acordo.
E digo-lhe mais, vou prometer-lhe...
... que nunca falarei disto. E a menina vai fazer o mesmo.
Mas digo-lhe uma coisa.
Tinha razão quanto a estas salas.
Não significam nada.
Uma vez, enfrentei um lobo.
A merda de um lobo!
O que é isso?
Antonín Dvořák?
- Falta-lhe um pouco. - Ai sim?
Sim.
- Ela foi para a cama. - Sim?
Eu vou embora. Faça o mesmo.
Mas não já.
Continue a tocar. É bonito.
Um acordo é um acordo.
Ponha as luvas. Alguém vai reparar.
Alamosa!
Sei que o horror não fazia parte de mim,
mas fui o único a escolher vir para este lugar.
Eu, que procurava salvar a minha fortuna sob um risco tão grande.
E foi a mim que o diabo seguiu.
Ao meu serviço, na verdade, ele roubou.
O que não me deixa alternativa.
É aqui que devo ficar. Colocar-me contra este país.
Deixá-lo testar-me, resistir-me,
derrotar-me durante os anos que pareçam adequados.
Não sei que material será moldado pelo seu fim,
ou mesmo se um fim chegará,
mas rezo para que a minha vida anterior
tenha sido há muito apagada e perdoada
por estes ventos duros e implacáveis.
As minhas últimas palavras para ti, querida Cornelia, devem ser um aviso.
Nunca venhas a este lugar.
Os males que foram libertados, apesar do meu papel involuntário,
deixa-os ficar aqui, comigo,
para que tu possas permanecer
e viver em perfeita segurança do outro lado do mundo.
É neste desejo profundo que espero permanecer, para sempre.
O teu verdadeiro protetor, Thomas Trafford.
Legendas: Cláudia Pereira Iyuno-SDI Group
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