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QUE GRANDE EMBRULHADA!
NA NOITE ANTERIOR
Cá estamos nós outra vez, porque o crime nunca dorme.
Amanhã vou reformar-me.
E quero apresentar-vos o meu substituto.
O jovem inspetor Jackson.
Parabéns.
Deixo a capitania deste belo barco a um grande homem.
Estou?
Giovanni, como estás?
Vão sair agora?
Não, Giovanni, eu já saí. Estou fora de casa. Que pena.
Não, eu também estou numa festa.
Estamos a divertir-nos imenso.
Danças em linha, por cima das mesas... É um fartote.
Não ouves nada porque eu me afastei.
Ouve, Giovanni, ouve.
Pronto. Estás a ouvir, Giovanni? É uma barulheira. Pronto.
Um segundo, malta, estou a falar com o meu amigo Giovanni.
Talvez noutra altura.
Está bem. Um abraço. Obrigado, Giovanni. Adeus.
Megan.
Meu amor.
Agora que foste promovido, vais estar muito ocupado.
Mas mesmo que não me dês atenção e me ignores, eu nunca te trairei.
Porque eu amo-te, bolachinha.
Também te amo, bolachinha.
Mas que fogoso.
Tenho de compensar os anos que passei sem ti.
Espera.
Anda.
Este é o quarto do Robertino.
Boa.
Mudar de cidade não será fácil para ele.
Para que se adapte, vou pô-lo na escola com os filhos de uma colega minha.
Assim posso saber se ele está a estudar, o que faz depois das aulas, com quem está...
Amor.
As crianças têm de poder respirar, certo?
Desculpa.
Não há problema.
Mãe, o que foi?
Nada. Está a ficar tarde e ainda não voltaste.
Fiquei preocupada e queria saber de ti.
Sim. Mas, mãe, por favor...
Onde estás a esta hora?
Estou em casa da Agata.
Diz-lhe "olá".
A minha mãe diz "olá".
- Ela também manda cumprimentos. - Sim, está bem.
Ouve, porque não vens cá jantar amanhã? Podes trazer essa mulher, se quiseres.
A tua irmã vem.
Temos de a distrair para não pensar naquele tipo.
Não posso, mãe, o Robertino chega amanhã.
Lembras-te? É o filho da Agata. E ela vai fazer um jantar.
Não posso faltar.
Está bem. Até logo.
- Desculpa se te incomodei. - Não, mãe...
Adeus, mãe.
Sim, eu dou-lhe beijinhos.
Está bem, adeus. Adeus, mãe. Adeus.
Desavergonhada!
Ela gosta muito de ti.
Ouve lá! Estou à tua espera.
Então? Qual é a pressa?
Um minuto.
Um minuto? Temos de ir trabalhar. As pessoas não podem esperar por ti.
Como podes viver num sítio destes? Sozinho, como um cão.
Mais vale só do que mal-acompanhado.
Eu renasci desde que deixei a tua irmã.
Além disso, já não tenho de ser vegano. Não vês a minha pele a brilhar? E cresci!
- Certo. - E quem é que está sozinho?
Sozinho, amigo?
Todas as noites saio com mulheres diferentes.
- E chegas ao trabalho sempre cansado. - Deixa-me contar-te.
Ontem, fui sair à noite.
Voltei às quatro.
No entanto, sinto que dormi a noite toda.
Estou fresco e descansado.
Não exageres com as mulheres, ouviste?
Posso ser sincero contigo?
Quando a tua irmã me traiu com aquele tipo, o "bombonzinho",
ela fez-me um favor.
Ela deu-me uma nova vida.
Eu renasci!
Devias pensar duas vezes antes de te acorrentares à Agata.
Os homens são predadores.
Está na nossa natureza.
Vês as garras?
Eu caço todas as noites.
Olha, estás armado em caçador-furtivo?
Olha para este tipo! A carroça deve ter uns 100 anos.
Ele ainda vai matar alguém.
Vá lá, ultrapassa-o.
Os meus cumprimentos ao Don Vito Corleone!
Perguntamo-nos, esperançosos, após os últimos acontecimentos:
"Vamos ter uma nova guerra da máfia?"
Seja como for, o homicídio de Gambino continua por resolver.
Já agora, no outro dia não consegui dormir porque não parava de pensar num pormenor.
Qual?
Quando entrámos em casa do Gambino, a televisão estava a funcionar.
- Eu liguei-a. - E depois?
É estranho, amigo.
Se a TV estava a funcionar, porque é que nos ligou?
- O que queres dizer, Salvo? - Que é muito estranho.
Se eu fosse o assassino,
teria posto dois tipos como nós no sítio certo à hora certa
só para os incriminar.
Prometeste que ias parar de dizer "Se eu fosse o assassino..."
Cuidado!
Não está aqui ninguém. Vamos embora! Chegamos a casa e limpamos a carrinha.
Como na prequela de The Touch of the Killer.
- A prequela? - The Look of the Killer.
Estás louco?
Não me fizeste sofrer que chegue? Desta vez, fazemos o que eu disser.
Santo Padre!
- Larga-o! - Pronto, Tonino. Está bem.
Santo Padre! Sou eu. Consegue ouvir-me?
Sou eu, o Tonino!
- Não o vimos. Não foi de propósito! - É verdade.
Sou a sua Coisa Inútil.
Sei que são fugitivos e andam escondidos, mas se passam a estrada, sejam visíveis!
Não!
Rezem.
Porque este é o vosso último dia.
Não!
- Peguem nele! Ponham-no na carrinha! - Está bem.
- Sim. - Vá lá, depressa!
- Está bem. Baixa a arma, Tonino. - Depressa!
- Baixa-a. - Depressa!
Baixa-a.
Vamos! Vá lá!
- Está bem. - Vá lá.
Vamos.
Agora, nada de parvoíces.
Venham comigo. Vamos!
Continuem a rezar. Lembrem-se de que têm um alvo nas costas.
- E agora? - Fugimos.
Não podemos. Ele tem uma arma.
Eu fujo e tu ficas.
Deem-me os telemóveis.
- Sim. - Claro.
- Desliguem-nos. - Claro.
Se tivéssemos deixado o Santo Padre e fugido, estaríamos livres.
Silêncio! Têm de ficar calados!
- Aonde achas que nos está a levar? - A jantar fora.
REPARAÇÃO DE ELETRODOMÉSTICOS
Saiam.
Vamos!
- Porquê? Aonde vamos? - Para ali. Mexam-se.
Mexam-se, vamos!
Em frente!
Parem.
De joelhos.
Porquê eu?
Porquê? Porque estarmos aqui é culpa tua.
Tua e das malditas séries de TV!
- Cala-te! - Por favor.
Façam-me o que quiserem, mas deixem a minha mãe em paz. Ela não fez nada.
E não façam mal à Ester. Ela é inocente!
Eu sonhava com uma vida com ela,
com a nossa vida juntos,
e continuava e sonhava se ainda pudesse sonhar que...
Chega! Tantos verbos!
Por favor, Tonino, pensa antes de disparares.
Nem os santos nem a virgem vos salvam.
Não!
Santo Padre!
Anda, vamos fugir!
Pare, Santo Padre!
Santo Padre!
Santo Padre, pare!
Santo Padre!
Santo Padre!
Pare!
Senhor Coisa Inútil, esqueceu-se de puxar o travão de mão.
Vou matar-vos na mesma.
Não, espera, Tonino.
Porquê?
- Não tem nenhuma vantagem para ti. - Nem para nós.
Precisas de nós vivos.
Sem a ajuda do Valentino, o Santo Padre estaria morto.
Ele tem razão. Não gosto de me gabar, mas neste caso é justo.
Ainda podemos ser úteis.
Por exemplo, já pensaste onde vais esconder o Santo Padre?
Claro que já...
Claro que já pensei nisso.
Tonino!
Temos o sítio perfeito.
Um sítio seguro.
Longe de olhares curiosos.
Se isto forem disparates,
estão mortos.
Acho que não disseste disparates.
Nem costumo dizer.
Queres mesmo levá-los para tua casa?
E para onde queres ir? Para a tua? Pelo menos, ganhamos tempo.
Então? Estão aos segredinhos?
Falem mais alto!
Está bem, Tonino!
O número que tentou contactar não está disponível.
Por favor, tente mais tarde.
Não! A polícia!
Raios!
Se lhes disserem alguma coisa,
vai ser uma carnificina.
Pode ser que não nos mandem parar.
POLÍCIA
Lembrem-se de que eu não tenho nada a perder.
Bom dia.
- Bom dia. - Bom dia.
- Os documentos do carro, por favor. - Claro.
Porque tem o para-brisas partido?
Foi um acidente.
Com uma gaivota.
O que transportam?
O que estamos a transportar?
Bem...
Antenas antigas.
Quadros elétricos antigos.
Cabos elétricos gastos.
Coisas inúteis, basicamente.
Podemos ver a parte de trás?
Sim, claro.
Bem, estão no vosso direito.
Sim, exato. É um serviço aos cidadãos.
E se alguém estiver a transportar coisas... sem querer, claro.
- Ora... - Pois.
- Até nos fazem um favor. - Obrigado.
Abra, por favor.
- Os documentos parecem estar em ordem. - Verifique outra vez.
Ele é o namorado da Sra. Scalia, sabia?
Pois é! Eles são os dois técnicos de televisão.
Mas se ele é o namorado da comissária Scalia,
o senhor deve ser o Amorzinho, não é?
Sim, claro que és o Amorzinho.
Sim, é o Amorzinho.
- Veja. - Sim.
- Amorzinho? - Que foi?
- Vê? É ele. - Sou eu.
Pois é!
Eu estava distraído.
- Já agora, desculpe... - Diga.
Como é o namorado da Sra. Scalia...
- Sim. - É ele.
Pode fazer-me um pequeno favor?
- Claro. - Claro, ele é mesmo assim.
Pedi para ser transferido para Milão,
mas ainda não recebi resposta.
Há alguma coisa que possa fazer?
- É de Milão? - Não.
Mas não há máfia em Milão.
Bem, há a 'Ndrangheta.
Preciso de uma mudança.
- Sim, claro. Uma mudança. - Faz sentido, claro.
Porque não? Claro.
- Aqui têm. - Obrigado.
Podem ir.
Podemos ir?
- Vamos. - Podemos ir.
Então... Vamos.
- Obrigado. - Tenham um bom dia.
- Boa sorte com tudo. - Adeus.
Herdei esta casa da minha avó.
Quando acabei com a Ester, decidi mudar-me para cá.
Meninos, cuidado.
Se pensarem sequer em enganar-me, estão mortos.
Se tentarem chamar a polícia, estão mortos.
Se o Santo Padre morrer,
estão mortos.
E se ele sobreviver, mas com uma deficiência?
Estão mortos.
- Se outra pessoa chamar a polícia? - Mortos!
Vão buscar o Santo Padre e ponham-no lá dentro.
E se, enquanto o levamos...
Como podes viver neste chiqueiro?
Bem, fiz uma festa aqui ontem à noite.
Não disseste que saíste?
E depois trouxemos a festa para cá.
Bem, precisamos de um médico.
Vai ao hospital principal e traz-me o Prof. Tantillo.
Ele é da Cosa Nostra. Vai buscá-lo, trá-lo para cá e vê se ninguém te segue.
Está bem.
- Eu vou com ele. - Não.
Tu ficas aqui.
Se o teu amigo pensar
em chamar a polícia,
tu és um homem morto.
Tens duas horas.
Está bem.
Volto às duas.
Não!
Às cinco para as duas.
Certo.
Por favor, Salvo.
Às cinco para as duas.
Olha lá. Não vês a lixeira que aqui está?
Pega num saco e limpa isto.
Mexe-te!
HOSPITAL PRINCIPAL
É uma vergonha!
As coisas em Itália são uma bodega porque nós somos uma bodega!
- Bravo! - Obrigado.
Onde está o Tantillo?
Desculpe, onde está o Prof. Tantillo?
Desculpe, é o Prof. Tantillo?
Não. Infelizmente, ele teve de ir fazer uma cirurgia urgente numa clínica privada.
Como se chama a clínica?
AQUI PAGAM BEM CLÍNICA PRIVADA
- Onde está o Prof. Tantillo? - No bloco operatório.
- Certo, adeus. - Aonde vai?
Com licença. Prof. Tantillo, tenho de falar consigo com urgência.
O professor teve um problema de saúde.
E a máscara?
Desculpe.
Eu não lhe disse isto, mas, no seu lugar...
- O que foi? - Eu passava pelo clube de ténis.
Certo. Boa sorte. Adeus. Desculpe.
Prof. Tantillo.
Lamento, o Prof. Tantillo acabou de sair.
Para onde foi?
Quem é o Tantillo?
Peço desculpa. Professor, é só um minuto, se não se importa.
Desculpa, Tonino?
Quando disseste "exatamente duas horas",
não querias dizer exatamente isso, certo?
Há sempre alguma margem de manobra.
Pões o papel com o papel
e o plástico com o plástico.
Que planeta vamos deixar aos nossos filhos?
Certo.
O telemóvel do utilizador pode estar desligado.
Ainda?
Isto vai demorar? Tenho um torneio de voleibol.
Professor, por favor, não vê que tenho um amigo em perigo?
- Não, agora não! - Pode ser que não nos mandem parar.
POLÍCIA
Sou o namorado da comissária Agata Scalia.
Tonino.
Não estamos em Milão, onde toda a gente anda sempre a horas.
Na Sicília, se marcamos qualquer coisa, por exemplo, para as cinco para as duas,
pode ser algures entre a uma e as quatro e meia.
Agora que lavaste os talheres,
o que se segue?
Pô-los na gaveta.
Primeiro tens de os secar, senão ficam com manchas.
- Nunca lavaste a loiça? - Estas coisas são as mulheres que fazem.
Eu é que faço estas coisas em casa.
Eu sou uma mulher?
Não, Tonino. Não, claro que não. Não foi isso que quis dizer.
Coleciono selfies com pessoas famosas.
Bem, eu não sou famoso.
Eu imprimo-as.
Tenho uma parede em casa cheia de gente famosa.
Está bem, tire lá.
- Sorria. - Sorrio.
Posso ir?
Obrigado, adeus.
Passei a manhã a ligar-lhe e tem sempre o telemóvel desligado.
Pode estar a trabalhar e tê-lo desligado.
Ester, ele nunca faz isso.
Vá lá, não te preocupes.
Se eu souber dele, digo-lhe para te ligar logo.
Agora tenho de ir.
Claro, desculpa.
Tonino.
Tens de mudar a água, de vez em quando.
Senão, estás só a espalhar a sujidade.
Já chega!
Sei que me vais matar. Portanto, despacha já isso!
Gente como tu só sabe disparar!
É a única coisa que te faz sentir bem.
Não!
Legendas: Rita Castanheira
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