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Este � Gordon Welchman,
um her�i da decodifica��o da Segunda Guerra Mundial.
Sem ele, o ultra-secreto c�digo alem�o Enigma
poderia nunca ter sido decodificado.
A guerra poderia ter durado mais dois anos
e dezenas de milhares mais teriam morrido.
Gordon Welchman deveria ser famoso.
Sua contribui��o para a guerra foi t�o grande quanto a de Alan Turing.
Por que nunca ouvimos falar dele?
Quando eu era crian�a, havia na fam�lia o sentimento
de que papai tinha feito algo importante durante a guerra,
mas n�s n�o sab�amos os detalhes
e eles realmente n�o podiam ser ditos.
Gordon Welchman foi o arquiteto de uma t�cnica de decodifica��o
que era t�o inteligente e t�o poderosa
que seu uso em tempo de guerra em Bletchley Park
ainda permanece secreto.
Como Turing, seu extraordin�rio legado come�ou em Bletchley
e continua at� hoje.
Assim como Turing � celebrado como o g�nio por tr�s dos computadores
que dominam o nosso mundo, a influ�ncia de Welchman
tamb�m est� em toda parte.
Mas at� agora, ele permaneceu nas sombras.
Seu trabalho secreto na decodifica��o e nas comunica��es
teve um impacto muito al�m do que ele poderia ter imaginado.
Somente agora, com as recentes revela��es de Edward Snowden
da extens�o da vigil�ncia global pelo GCHQ na Gr�-Bretanha
e da NSA na Am�rica,
podemos entender o verdadeiro legado de Gordon Welchman.
Parece-me que...
algumas das coisas foram mantidas em segredo por muito tempo.
Turing foi arruinado por sua vida privada,
mas agora foi oficialmente perdoado
e celebrado como um verdadeiro her�i brit�nico.
Mas quando Gordon Welchman escolheu sair das sombras
para revelar seus segredos,
o mundo sombrio da espionagem estava esperando.
Este homem, que ousou confundir-se com seu pr�prio legado,
foi finalmente destru�do por ele.
BLETCHLEY PARK G�NIOS ESQUECIDOS DA DECODIFICA��O
Legenda rMonta
Setembro de 1939.
Assim que a Gr�-Bretanha declarou guerra � Alemanha nazista,
um extraordin�rio ex�rcito estava sendo montado
em Bletchley Park em Buckinghamshire
para lutar uma guerra secreta.
Sua miss�o era decodificar o c�digo mais dif�cil j� inventado,
criado em uma m�quina chamada Enigma.
A Enigma era fundamental no sistema de comunica��es alem�o.
Se pudessem decodific�-la,
esses mestres do xadrez, viciados em palavras cruzadas
e fan�ticos por bridge,
poderiam salvar a Gr�-Bretanha dos nazistas.
Os mais brilhantes estavam sendo recrutados
das universidades da Gr�-Bretanha.
Dois desta elite foram o renomado matem�tico Alan Turing,
e o reitor da Universidade de Sidney Sussex, Cambridge,
Gordon Welchman.
Gordon Welchman era muito charmoso.
Era bonito e sabia que era.
Tinha jeito com as mulheres.
Era fantasticamente brilhante,
muito competitivo, um homem muito orgulhoso.
Ele fazia alpinismo,
velejava, adorava dan�ar.
Aqui est� um homem que assistia � filmes de Hollywood.
Era uma esp�cie de Errol Flynn e Robert Donat.
Era esse o modo de viver de um jovem arrojado,
em oposi��o � mentalidade ap�tica de muitos de seus colegas.
Welchman foi um dos cinco integrantes da equipe inicial,
que recebeu a tarefa imposs�vel de decodificar a Enigma.
A Enigma usava uma combina��o de rotores, conex�es e cabos
para codificar as mensagens alem�s.
As chances de decodific�-las
eram de uma em 159 trilh�es.
Welchman adotou uma abordagem radical.
Ele ignorou as mensagens ileg�veis,
e concentrou-se sobre o que poderia ler.
As primeiras letras e n�meros de cada mensagem
n�o estavam em c�digo.
Eram sinais de chamada, como endere�os,
identificando de quem e para quem eram as mensagens.
Foi um ponto de partida brilhantemente simples,
que se mostraria crucial.
Quando estudei aquela primeira cole��o,
comecei a ver, ainda que debilmente,
que eu estava diante de algo muito diferente.
Welchman come�ou a rastrear esses sinais de chamada.
Quem estava se comunicando com quem,
quantas vezes, e em que dire��o.
Cham�vamos isso de bate-papo que vem pelo ar.
E dessa forma pod�amos construir
uma imagem de uma unidade alem�.
Da for�a a�rea, por exemplo.
O quartel-general, todas as esta��es,
e como eles mant�m contato e enviam mensagens.
Est�vamos lidando com um sistema de comunica��es
que serviria �s necessidades das for�as alem�s.
Os sinais de chamada representavam aquelas for�as
cujos comandantes teriam que enviar mensagens uns aos outros.
A t�cnica que Welchman usava foi chamada de an�lise de tr�fego.
A simples observa��o de que uma mensagem deve incluir
detalhes do remetente e do destinat�rio,
permitiria a Welchman ver toda a rede do inimigo.
Com esta simples descoberta, a decodifica��o moderna nasceu.
E permitiu que Welchman come�asse a desvendar os segredos do inimigo
a centenas de quil�metros de dist�ncia.
Havia um grande mapa na parede e voc� podia visualizar
toda a configura��o do sistema de comunica��es alem�o.
Foi a primeira grande descoberta de Bletchley.
E tinha sido alcan�ada sem ler uma �nica mensagem.
Sem uma an�lise de tr�fego, voc� nunca teria sido capaz
de usar criptografia para ganhar a guerra.
Quando voc� ouve frases como:
"an�lise de tr�fego" ou "intelig�ncia de sinais",
n�o soa t�o glamoroso, realmente.
Acho que � uma das raz�es pelas quais Gordon Welchman
n�o foi muito reconhecido, mas se as pessoas soubessem
o quanto ele foi importante na opera��o Bletchley Park,
olhariam para ele de uma maneira completamente nova.
Os c�digos ainda n�o tinham sido quebrados,
mas Welchman j� sabia a posi��o exata e o poder
de milhares de tropas alem�s
e centenas de aeronaves, usando o poder da an�lise de tr�fego.
Ele percebeu que Bletchley Park poderia se tornar uma poderosa
parte das defesas da Gr�-Bretanha,
como o Ex�rcito, a Marinha e a For�a A�rea.
Sua arma seria a intelig�ncia.
Ningu�m mais parecia estar se importando com essa potencial
mina de ouro.
Ent�o elaborei um plano abrangente,
que exigia uma coordena��o estreita entre intercepta��o de r�dio,
an�lise do tr�fego interceptado...
identifica��o das chaves Enigma
decodifica��o das mensagens das chaves identificadas,
e obten��o de informa��o atrav�s das decodifica��es.
Esta ainda era a "falsa guerra",
antes dos combates entre a Alemanha e a Gr�-Bretanha terem come�ado.
Welchman estava propondo uma reorganiza��o total
de Bletchley Park.
Um plano radical que exigiria muito mais pessoas
do que alguns professores resolvendo quebra-cabe�as.
Welchman procurou o chefe.
Ele conseguiu aprova��o para o meu plano
e pudemos come�ar a recrutar o pessoal de alta qualidade
que seria necess�rio.
A cria��o de Welchman foi chamada de "Barrac�o 6",
um nome modesto que n�o faz jus � magnitude
do que foi alcan�ado dentro de suas paredes.
Neste modesto barrac�o, pessoas brilhantes fizeram avan�os
que ajudaram a mudar o curso da guerra.
Por mais de 70 anos, ficou esquecido, desprezado e abandonado,
at� que foi restaurado pelo Bletchley Park Trust
exatamente como teria sido em 1940.
Havia algumas pequenas l�mpadas
penduradas em fios do teto, cadeiras desmont�veis
e mesas n�o muito confort�veis.
Esse era o nosso equipamento,
o que n�o condizia com uma poderosa m�quina do governo.
Jane Fawcett foi uma das 400 pessoas
que trabalharam no Barrac�o 6.
Todos juraram segredo absoluto.
Muitos levaram os segredos para o t�mulo.
Agora, poucos ainda est�o vivos.
Eu estava na Divis�o Real de Sinais
e, contra minha vontade, fui transferido para Bletchley
e l� fui aprender a ser um interceptador.
Eu vi um aviso:
"Precisa-se de homens com qualifica��es adequadas
"para transfer�ncia para a divis�o de intelig�ncia".
Eu era um pouco sonhador e pensei:
"Eu poderia me envolver em algumas opera��es clandestinas."
Bletchley percorreu o pa�s
procurando as pessoas certas para esse trabalho ultra-secreto.
Foram atr�s de elegantes debutantes...
vindas dos escal�es superiores da sociedade, aparentemente
porque achavam que uma mo�a de boa fam�lia
seria capaz de guardar um segredo.
Eram dias felizes.
Participei do processo que resultou nas fotos das debutantes
e considerei isso como um completo desperd�cio de tempo e dinheiro.
E ent�o a guerra estourou.
Tenho uma carta de um dos meus melhores amigos, que dizia:
"Estamos muito ocupados, precisamos de voc�,
poderia ajudar?"
Enquanto Panzers alem�es corriam pela Europa, Bletchley Park
finalmente encontrou uma maneira de ler as mensagens Enigma.
A intelig�ncia produzida recebeu o codinome "Ultra".
Quase imediatamente, proporcionou um grande avan�o.
30 anos ap�s a guerra, na �nica entrevista filmada de Welchman,
ele revelou como essa intelig�ncia tinha sido transformada em
vantagem durante a retirada das for�as brit�nicas em Dunquerque.
Na batalha da Fran�a, provavelmente a coisa mais importante
que resultou do Ultra, ainda est�vamos come�ando,
foi que descobrimos muito cedo
que est�vamos numa posi��o desesperada.
Isso mostrou que o Barrac�o 6 foi criado na hora certa.
E decidimos sair o mais r�pido poss�vel.
Isso proporcionou tempo para organizar uma frota
de pequenos barcos que conseguiram tirar as tropas de Dunquerque.
O sucesso imediato do Barrac�o 6
foi um testemunho da vis�o de Welchman.
Voc� precisa disso porque,
em um lugar cheio de cientistas distra�dos
que abriam portas de arm�rios pensando que era a sa�da
ou tentando enfiar sandu�ches em seus cachimbos,
voc� precisa de algu�m
com a clareza de pensamento de Gordon Welchman.
Acho que ele era a pessoa certa no momento certo.
Ele tinha v�rias caracter�sticas pessoais
que eram vitais para seu trabalho.
Ele n�o tinha tempo para bobagens.
H� uma guerra e ele tem uma id�ia muito particular
de como esta guerra deve ser travada.
At� o final de 1940,
o Barrac�o 6 era o cerne de toda a opera��o Bletchley Park.
Aqui, eles usaram an�lise de tr�fego para selecionar
e identificar redes e operadores de r�dio alem�es.
O tr�fego foi ent�o interceptado
e decodificado, gra�as a um not�vel novo dispositivo mec�nico,
que estava ajudando a quebrar c�digos Enigma, diariamente.
Era chamado de "a bomba".
Simulava todas as configura��es poss�veis do rotor da Enigma.
"A bomba" podia verific�-los centenas de vezes
mais r�pido que um ser humano.
Mas era muito limitado. Para executar um teste,
precisava comparar uma frase curta do c�digo
com o que o analista supunha que podia ser a mensagem original.
Por exemplo, as mensagens em alem�o podem come�ar com as palavras:
"Heil Hitler".
Essa suposi��o era conhecida como um "ber�o".
Se estivessem certos em sua suposi��o,
a bomba poderia come�ar a quebrar o c�digo.
Mas eles precisavam de ber�os precisos.
Para encontr�-los, Welchman percebeu
que as rotinas humanas dos operadores alem�es
poderiam ser o elo vulner�vel.
O que Welchman descobriu
foi que entendendo a maneira como os alem�es
usavam suas comunica��es, era poss�vel prever mais facilmente
de onde determinados tipos de mensagem poderiam vir.
Havia um comandante alem�o em algum lugar na Bretanha
que, durante a guerra,
enviava todas as manh�s uma mensagem, dizendo:
"Alles ist in Ordnung". "Tudo est� bem aqui".
Era a mesma frase que ele usava todas as manh�s,
e que era uma d�diva de Deus para os decodificadores.
Era uma d�diva de Deus, porque se pudessem descobrir o que estas
letras codificadas eram, estariam perto de quebrar o c�digo.
Ardilosamente, eles visaram operadores espec�ficos,
tentando provoc�-los a usar frases previs�veis.
Chamavam isso de "jardinagem".
Um oficial alem�o na Bretanha
costumava relatar, "avi�o solit�rio se aproximando".
Assim, envi�vamos regularmente esse avi�o,
para que ele enviasse a mesma mensagem.
Com um ber�o, a equipe de Bletchley poderia acionar a bomba,
e esperar encontrar as configura��es da Enigma.
Mas era uma corrida contra o tempo.
Os c�digos alem�es eram alterados � meia-noite.
E a bomba levaria dias para encontrar uma resposta.
Mesmo se quebrassem o c�digo,
seria tarde demais para ajudar os Aliados.
A genialidade de Welchman foi chegar a uma modifica��o
do brilhante projeto de Alan Turing.
E faz�-lo funcionar muitas vezes mais r�pido.
Foi Gordon Welchman
quem identificou o que as m�quinas necessitavam que poderia dar-lhes
eleg�ncia e beleza na maneira com que elas trabalhavam.
Welchman veio com uma solu��o inspirada e improvisada.
Um simples circuito el�trico que melhorou drasticamente
as chances de encontrar as configura��es corretas do rotor.
Era chamada de "placa diagonal". O impacto foi imediato.
Reduziu o tempo de dias para horas ou mesmo minutos.
Os c�digos poderiam ser quebrados,
�s vezes antes mesmo de serem lidos pelo destinat�rio.
� um exemplo da intelig�ncia matem�tica de Gordon Welchman,
compar�vel � de Alan Turing.
Em Dunquerque, a intelig�ncia Ultra tinha provado seu valor,
livrando milhares de soldados da morte ou da captura.
Em maio de 1941, Bletchley Park provou que a intelig�ncia
tamb�m poderia trazer a vit�ria.
A maior parte da nossa frota estava em busca do Bismarck.
Ele era o mais recente navio alem�o,
a melhor coisa que eles tinham na marinha, e era muito importante.
O cruzador Bismarck era o navio mais temido da Marinha Alem�.
Em 24 de maio de 1941, afundou o orgulho da Marinha Brit�nica,
o HMS Hood, o maior e mais moderno navio da Gr�-Bretanha.
1.400 marinheiros brit�nicos perderam a vida.
Apenas tr�s sobreviveram.
Churchill ordenou que a Marinha Real afundasse o Bismarck.
Mas onde ele estava?
Em Bletchley, a equipe de Welchman acredita que as mensagens alem�s
podem revelar sua localiza��o.
Gordon estava sempre imerso nos pensamentos mais profundos.
N�o era uma pessoa muito soci�vel, que eu me lembre.
Porque n�o tinha tempo para conversar com as pessoas.
Ele estava
montado num cavalo tremendamente importante
e tentando chegar o mais depressa poss�vel.
Procurar na totalidade das comunica��es navais alem�s
qualquer refer�ncia ao Bismarck foi um desafio assustador.
O que eu tinha que fazer era pegar os telegramas Enigma
assim que chegavam ao Barrac�o 6, e coloc�-los na m�quina.
Tinha que olhar se estavam todos em alem�o, � claro.
E se pareciam ter algum interesse.
Finalmente, a descoberta que estavam esperando.
Descobrimos uma mensagem de um comandante alem�o
para o comandante do Bismarck dizendo: "Aonde voc� est� indo?"
"Estou preocupado com meu filho, que est� a bordo".
E veio a resposta, que dizia: "Brest".
Finalmente, eles tinham uma localiza��o.
O Bismarck estava indo para o porto de Brest
no norte da Fran�a, usado pela marinha alem�.
Uma poderosa frota da Marinha Real
foi imediatamente enviada para ca�ar o Bismarck.
Neste, que � talvez o filme naval mais dram�tico j� feito,
voc� ver� o Bismarck errando o alvo contra um dos nossos navios.
Foi durante a persegui��o no Atl�ntico,
quando o navio nazista fugia do nosso esquadr�o.
Eu trabalhava 24 horas nesse per�odo
sem nada para comer e sem dormir.
Mas era muito empolgante.
Um torpedo lan�ado por um biplano Swordfish
danificou o leme do Bismarck.
Os cruzadores brit�nicos fecharam o cerco.
Todos est�vamos ansiosos querendo saber o que aconteceria
porque sab�amos que era uma das principais batalhas da guerra.
Quando estas imagens foram feitas durante a a��o,
o Bismarck estava afundando.
Chegou ao Barrac�o 6 a �ltima mensagem enviada pelo Bismarck.
"Navio incontrol�vel, vamos lutar at� o �ltimo morteiro."
"Viva o Fuhrer."
Eles o afundaram.
O principal navio da marinha alem� afundou
com mais de dois mil homens.
Foi um dia inesquec�vel.
Est�vamos montando um quebra-cabe�a,
mas metade das pe�as estava faltando.
Agora tudo fazia sentido e o quebra-cabe�a se completou.
Ficamos revigorados imediatamente.
Foi a primeira vit�ria significativa da Gr�-Bretanha
nos dias mais sombrios da Segunda Guerra Mundial.
Bletchley Park tinha provado que intelig�ncia podia afundar navios.
Welchman sabia que tinham poucos recursos,
ainda era uma ind�stria caseira e poderiam conseguir muito mais.
A equipe e as m�quinas trabalhavam 24 horas por dia,
mas os resultados n�o eram conseguidos a tempo.
Welchman percebeu que n�o tinha escolha sen�o ir ao alto comando.
Ele, juntamente com Alan Turing e Stuart Milner-Barry, escreveu
uma mensagem audaciosa a Winston Churchill.
Gordon pressionou Churchill a fornecer mais pessoal
porque percebeu que est�vamos sobrecarregados
e sob muita tens�o.
E que nosso equipamento era p�ssimo.
Imagine escrever uma carta como esta para Winston Churchill.
"Caro Primeiro Ministro,
"h� algumas semanas nos deu a honra de uma visita
"e acreditamos que considera o nosso trabalho importante.
"Pensamos, no entanto, que devia saber
que este trabalho est� sendo feito,
"e em alguns casos n�o est� sendo bem feito,
"principalmente porque n�o temos pessoal suficiente."
Tinha tudo a ver com Gordon Welchman.
"Vamos direto ao chef�o."
E foi exatamente o que ele fez.
E ele recebeu uma resposta imediata.
"Certifique-se de que eles tenham tudo o que querem,
"com a m�xima prioridade
"e informe-me assim que for feito.
"Comece hoje."
Esse memorando teve um efeito not�vel.
Bletchley realmente recebeu mais recursos.
Pr�dios novos foram constru�dos.
As instala��es se transformaram, de uma s�rie de barrac�es,
em uma gigantesca linha de produ��o de decodifica��o.
Agora, 70 anos depois, isto � o que resta dela.
O Barrac�o 6, feito de madeira, transformou-se
neste enorme edif�cio de tijolos.
Milhares de pessoas trabalharam aqui 24 horas por dia
e em condi��es de sigilo absoluto,
decifrando as supostamente indecifr�veis mensagens alem�s.
Representou um not�vel reconhecimento
do poder da decripta��o no esfor�o de guerra.
Duas bombas se tornaram duzentas.
A popula��o de Bletchley Park
chegou a mais de 8.000 pessoas at� o final da guerra.
Este era o escrit�rio de Welchman.
Sua vis�o transformou uma casa de campo
na primeira f�brica de decodifica��o do mundo.
Bletchley Park decodificava a Enigma diariamente,
revelando os segredos internos da m�quina de guerra alem�.
E estava mudando o curso da guerra.
Eles acessaram os planos de batalha de Rommel,
e suas for�as foram expulsas do Norte da �frica.
Eles localizaram os U-Boat escondidos no Atl�ntico,
e eles foram implacavelmente ca�ados.
E, gra�as a Bletchley,
os aliados sabiam que tinham enganado Hitler
fazendo-o acreditar que os desembarques do dia D
eram apenas uma distra��o,
deixando suas for�as expostas � invas�o em massa dos aliados.
Os cientistas em Bletchley estavam assumindo o controle
sobre um imponente e vencedor ex�rcito teut�nico.
O trabalho deles ajudou a encurtar a guerra em dois anos
e Gordon Welchman foi fundamental para essa conquista.
Consider�-lo o Henry Ford da criptografia
n�o � uma met�fora ruim.
Foi a industrializa��o da criptografia.
Foi um feito surpreendente.
Este � Barrac�o 6. Que emocionante. Este � o lugar.
A sala de decodifica��o.
Ah, veja essas m�quinas.
Esta � a administra��o.
Aqui ficavam papai e Stuart Milner-Barry.
E posso ver quem � quem.
Aqui est� o cachimbo do papai. Lembro dele mexendo nos cachimbos.
Deve ter havido uma n�voa de fuma�a.
Fizeram um belo trabalho e, veja:
"Mais forte a cada dia, temos que continuar".
Devem ter precisado muito disso durante suas 15 horas por dia.
Meu Deus, papai realmente se sentou aqui.
E imaginar que, passaram de apenas 100 ou 200 pessoas,
em agosto de 1939 em Bletchley Park,
para cerca de 10.000 pessoas, em janeiro de 1945.
Se o elegermos como, provavelmente, a figura chave,
seu legado � o que Bletchley Park conseguiu,
sua contribui��o para o sucesso
e a vit�ria aliada em 1945.
� dif�cil deixar um legado maior do que esse.
Uma guerra acabou, mas outra estava prestes a come�ar,
e que mostrou outra not�vel
contribui��o de Gordon Welchman, mas a um custo pessoal devastador.
As opera��es em Bletchley foram encerradas na primavera de 1946.
E a maioria das pessoas foi autorizada a sair
e voltar � vida cotidiana na Gr�-Bretanha p�s-guerra.
Mas foram advertidos
a nunca falar sobre seus trabalhos no tempo da guerra.
O mais surpreendente, para a maioria de n�s,
foi o fato de que conseguimos manter segredo.
Nunca tive permiss�o para falar com ningu�m
sobre o que eu fazia em Bletchley.
Minha m�e e meu pai n�o sabiam.
Minha mulher n�o sabia quando me casei com ela.
Foi realmente inacredit�vel,
que tivesse sido mantido.
Sabendo que fez muito para ajudar a mudar o curso dos eventos,
como se adaptar a uma vida depois?
No entanto, o legado do Barrac�o 6 permaneceria.
A cria��o de Welchman seria o modelo
para o GCHQ na Gr�-Bretanha
e da Ag�ncia Nacional de Seguran�a, a NSA, na Am�rica.
Mas o governo brit�nico, quase falido ap�s a guerra,
foi for�ado a reduzir suas opera��es.
Ele se viu cada vez mais frustrado
com a atitude
do governo brit�nico para este novo campo
que eles ajudariam a criar. Uma esp�cie de estudo
e desenvolvimento de sistemas de comunica��o e de eletr�nica.
Foi um desperd�cio terr�vel para ele.
Bletchley tinha liderado o mundo com suas not�veis inven��es.
Welchman achava que estavam desperdi�ando esse legado.
� o sentimento de um homem que entende muito
sobre a revolu��o do computador, a era do computador chegando
porque essa era come�ou em Bletchley Park.
Welchman percebeu que tinha que aproveitar a oportunidade
para desenvolver o que tinha criado em Bletchley Park.
Ele estava determinado a ficar na vanguarda
da revolu��o do computador.
Isso significava ir para a Am�rica.
O Instituto de Tecnologia de Massachusetts
foi instado pelas for�as armadas a criar um novo centro de pesquisa.
Eles criaram o MITRE
para desenvolver tecnologias de defesa altamente secretas.
E estavam recrutando os melhores c�rebros.
Eu imagino que o governo da Inglaterra
entrou em contato com o governo dos Estados Unidos
e disse que tinham uma pessoa maravilhosa
e ele gostaria de um emprego.
Trabalhando aqui, Gordon Welchman
retornou ao centro de uma outra guerra de intelig�ncia.
A Guerra Fria.
A FOR�A A�REA DOS ESTADOS UNIDOS APRESENTA
EM SUA DEFESA
Uma das amea�as mais perigosas para a seguran�a do nosso pa�s
� a possibilidade de ataque por bombardeiros inimigos
municiados com armas nucleares.
Esta era uma guerra em uma escala global.
Grandes avan�os na tecnologia foram necess�rios
para conter a chamada Amea�a Vermelha.
Durante esse per�odo houve a crise dos m�sseis de Cuba.
Foi realmente um per�odo dif�cil.
Eu constru� um abrigo anti-bomba em meu por�o em Bedford.
Um ataque nuclear de grande escala nos Estados Unidos poderia produzir
uma precipita��o radioativa que cobriria dois ter�os da na��o.
N�o podemos nos dar ao luxo de correr esse risco.
Welchman recebeu a mais alta autoriza��o de seguran�a civil,
mas isso significava tornar-se um cidad�o dos EUA.
O trabalho exigia uma autoriza��o de seguran�a muito alta.
Na verdade, era t�o alta que eu a tornei secreta.
Com a perspectiva assustadora de um confronto nuclear,
Welchman recebeu a tarefa vital
de garantir que as comunica��es militares dos EUA
fossem capazes de resistir a ataques.
Tudo que aprendeu em Bletchley Park era agora aplicado para ajudar
a alcan�ar a supremacia americana, em uma escala muito maior.
A an�lise de tr�fego na Segunda Guerra Mundial
levou Welchman a entender como
a informa��o flu�a e de quantas maneiras diferentes.
Welchman percebeu que as comunica��es militares
n�o tinham mudado desde seus dias em Bletchley.
O comando emitia uma ordem, as unidades faziam relat�rios.
Mas na guerra moderna,
acesso instant�neo � informa��o do campo de batalha era essencial.
Repito, este � um alerta amarelo.
E a tecnologia dos computadores avan�ava r�pido o suficiente
para tornar isso poss�vel.
Ele disse: "Com essas comunica��es digitais,
"podemos fazer coisas que nunca conseguimos antes".
Assim como havia usado a an�lise de tr�fego
para invadir as redes alem�s,
agora Welchman usava toda sua experi�ncia para fazer o oposto.
Ele desenvolveu um novo tipo de rede,
constantemente atualizada,
compartilhada imediatamente e totalmente segura,
para servir a um campo de batalha onde a informa��o era poder.
Todos periodicamente transmitiam informa��es
sobre onde estavam e o que estavam fazendo.
Welchman chamou sua id�ia de "ferradura",
mas todos a conhecemos hoje como "nuvem".
O sistema de Welchman conectou instantaneamente avi�es,
submarinos, for�as terrestres, navios de guerra.
Todos os elementos da estrutura de comando ao mesmo tempo.
Uma vez implantado,
qualquer um que quisesse saber que avi�es amigos
estariam numa determinada �rea, poderia descobrir imediatamente.
Como um Google instant�neo.
E isso tr�s, quatro d�cadas antes do Google.
Gordon veio com uma id�ia radical e as pessoas olharam para ele
e disseram: "Isso � muito bom."
Meu chefe me chamou e disse: "Muito bem, fa�a funcionar".
Suas id�ias foram realmente um divisor de �guas.
Mudaram a forma de pensar sobre comando e controle
e mudaram a maneira como as batalhas eram gerenciadas
e a guerra era travada.
Ainda est� em uso hoje e o ser� por um longo tempo.
O legado dos dois gigantes de Bletchley Park
permanece at� os dias atuais.
Alan Turing fez uma contribui��o decisiva
para a revolu��o do computador.
O trabalho de Welchman predefiniu
como a internet e a nuvem iriam mais tarde se desenvolver,
e como a tecnologia permitiria uma sociedade da vigil�ncia.
Em 1971, Gordon Welchman mudou-se para a cidade de New England
e casou-se com sua terceira esposa, Teeny.
Nos demos muito bem assim que ele se mudou,
e nos visit�vamos regularmente.
Era um lugar que ele realmente gostava.
Gostava de viver aqui. Adorava a cidade.
Tinha agora 65 anos e ainda muita energia.
Tinha tido uma influ�ncia decisiva na Segunda Guerra Mundial
e agora na Guerra Fria.
No entanto, tudo o que ele realizou
s� era conhecido em seu mundo clandestino.
Incrivelmente, o sucesso de Bletchley Park
permaneceu secreto por duas d�cadas.
Mas ent�o, em 1974, ocorreu um evento
que teve profundas consequ�ncias.
O Ultra Secreto, um livro de um ex-oficial do MI6,
revelou pela primeira vez o papel dos decodificadores
na vit�ria na Segunda Guerra.
Whitehall concordou que seria melhor,
para que houvesse uma divulga��o controlada,
uma vers�o n�o-sensacionalista, feita por Fred Winterbotham.
Mas isso abriu as comportas.
De repente, veio � luz um mundo at� ent�o secreto.
Foi um momento chocante para todos aqueles, que como Welchman,
haviam feito um juramento de sigilo.
Por v�rios anos eu nem li hist�rias sobre a guerra
com medo que, de alguma forma, eu pudesse revelar
coisas que aprendi com o Ultra.
No entanto, Welchman sentiu, pela primeira vez,
que poderia dizer a sua fam�lia o que tinha feito na guerra.
Acho que foi um enorme al�vio.
Ele podia contar essas hist�rias, podia falar conosco
e compartilhar mem�rias que manteve em segredo por tanto tempo.
Houve uma transforma��o em seu comportamento.
Essa revela��o me permitiu descobrir
que meu av�, entre todas as pessoas,
era uma esp�cie de prot�tipo de um nerd.
Por acaso, outra veterana da guerra secreta
tamb�m estava vivendo em Newburyport.
Fui convidada para um jantar uma noite.
E ent�o, do nada, Gordon disse:
"Bem, eu estive em Bletchley durante a Guerra."
E, � claro, fique de boca aberta,
porque eu havia trabalhado
como operadora de intercepta��o em Chicksands.
Tudo que intercept�vamos ia para Bletchley.
Welchman come�ou a pensar que deveria escrever sua hist�ria.
"Parece que tenho uma responsabilidade muito especial,
"j� que sou a �nica pessoa viva que conhece por dentro
"um epis�dio muito revelador na hist�ria da criptografia."
Em 1977, ele tomou a decis�o de aparecer na BBC,
onde, pela primeira vez na televis�o,
ousou revelar a hist�ria ainda secreta da intelig�ncia Ultra.
N�o sei se devo dizer isto,
mas parece-me que...
algumas coisas foram mantidas em segredo por tempo demais.
Que h� um ponto em que...
voc� provoca mais dano enganando seu pr�prio povo
sobre a verdadeira hist�ria da Segunda Guerra
do que contando o que realmente aconteceu.
Ele escreveu o livro aqui.
Ele vinha aqui sozinho para trabalhar,
e voc� n�o podia perturb�-lo em seu escrit�rio.
Depois ele sa�a e era o vov� novamente.
Determinado a colocar tudo em pratos limpos,
bem como dar reconhecimento p�blico �queles cujo trabalho
ajudou a ganhar a guerra,
discretamente contatou velhos colegas.
Escreveu usando sua prodigiosa mem�ria.
N�o tinha acesso a documentos oficiais,
que ainda eram secretos.
Levaria sete anos.
Acho que foi quase uma compuls�o escrever o livro.
� uma atitude humana e compreens�vel
ele pensar: "N�o importa o qu�o dif�cil ser�,
"quero que o mundo saiba o que eu consegui".
Acho que meu pai sentiu que conhecia um importante
peda�o da hist�ria que poucas pessoas conheciam.
Ele lia os obitu�rios
e percebia que restavam cada vez menos pessoas.
A Hist�ria do Barrac�o 6
foi publicado nos EUA em fevereiro de 1982
e no Reino Unido em maio.
Pela primeira vez impressa,
a hist�ria secreta do papel dos decodificadores na Segunda Guerra
foi posta a nu, incluindo o uso da an�lise de tr�fego de Welchman.
Al�m de contar a verdadeira hist�ria
da perspectiva de um participante,
o livro incluiu um alerta.
SIGILO, SEGURAN�A, E SOBREVIV�NCIA
Welchman acreditava que as li��es da guerra estavam sendo ignoradas.
Os americanos estavam cometendo os mesmos erros
em termos de seguran�a que os alem�es tinham cometido.
Ele pensou que poderia falar sobre isso
ao p�blico em geral, sem revelar nenhum segredo,
sem revelar hist�rias que n�o deveriam saber.
Ele esperava ganhar dinheiro,
mas principalmente provocar uma discuss�o.
O mundo secreto n�o esperou muito para revidar.
Eu estava indo para o trabalho e um carro acelerado
parou quase no meio da rua.
Ningu�m p�ra l�, ent�o tive que ver o que estava acontecendo.
Aquela � a casa de Gordon.
Dois homens sa�ram, vestindo terno preto,
gravata preta e �culos escuros.
Pareciam os Homens de Preto. E correram pela rua.
Gordon atendeu � porta
e era poss�vel v�-los
discutindo alguma coisa e, de repente,
Gordon bateu a porta na cara deles.
Mais tarde, descobri que era a Ag�ncia Nacional de Seguran�a.
Havia livros sobre "o segredo Ultra"
antes do livro dele.
N�o havia novidade nenhuma.
O segredo estava revelado, mas o livro de Welchman era
o primeiro sobre criptoan�lise por algu�m que participou daquilo.
O que Gordon Welchman estava fazendo n�o era divulgar
os detalhes da opera��o Enigma,
ele estava dizendo que n�o h� sistema de comunica��o
que pode resistir a este tipo de ataque criptoanal�tico.
Se nosso continente fosse atacado,
este telefone vermelho seria acionado e instantaneamente
os Estados Unidos lan�ariam o maior contra-ataque da hist�ria.
A intelig�ncia de sinais permaneceu, naquela �poca,
no centro do confronto durante a Guerra Fria.
Isso era muito importante e o mais secreto poss�vel.
Acho que as pessoas que viram o que ele escreveu
sentiram que ele estava comprometendo as opera��es atuais.
O trabalho de Welchman na Segunda Guerra Mundial
foi desenvolvido 40 anos antes,
mas o que ele descobriu ainda era t�o vital para
o mundo secreto, que revel�-lo,
mesmo agora, era considerado perigoso.
Foi uma ironia que isso iria destru�-lo.
Em 22 de fevereiro de 1982, a NSA voltou.
Dois jovens vieram,
um de NSA e um da intelig�ncia da For�a A�rea.
Eles disseram: "Esta informa��o nunca foi liberada,
"e, portanto, ainda � uma viola��o das leis de segredos de guerra".
Gordon ficou surpreso, e disse: "Isso � absurdo".
Estavam dando um recado a ele, e era um recado amea�ador.
Acredito que eles conversaram com o Sr. Welchman.
Fora isso, n�o sei se posso falar algo significativo.
Ficou claro que as autoridades americanas n�o iriam recuar.
Foi realmente muito devastador.
Ele n�o estava preparado para isso.
Welchman conhecia outro escritor que estava preparando um livro
revelando os segredos obscuros da pr�pria NSA,
que estava fazendo o que podia para impedir a publica��o.
Welchman pediu sua ajuda.
Mor�vamos no mesmo bairro,
para que pud�ssemos nos reunir fisicamente.
� o tipo de coisa que voc� n�o quer
falar pelo telefone, especialmente quando est� lidando com a NSA.
Eles diziam que ele n�o podia escrever nada.
N�o podia fazer publicidade,
responder � perguntas de rep�rteres,
aparecer em programas de televis�o e assim por diante.
E isso era um grande problema.
A NSA estava efetivamente tentando destruir o livro de Welchman.
Amea�ado de pris�o, ele foi for�ado a cancelar toda a publicidade.
A publica��o no Reino Unido piorou as coisas.
A primeira-ministra Margaret Thatcher
teve de ser informada sobre o problema de Gordon Welchman.
O Secret�rio de Gabinete escreveu � primeira-ministra explicando
quais quest�es estavam em jogo, e que era improv�vel
que houvesse alguma forma legal de agir contra Gordon Welchman.
Sendo assim, Bamford acredita que os brit�nicos for�aram a NSA
a manter a press�o sobre Welchman.
Acho que o GCHQ desempenhou um papel muito importante,
talvez o mais importante. Acho que a maioria das instru��es
que a NSA estava recebendo vinha do GCHQ.
Os diretores da NSA e do GCHQ
eram quase como parceiros na mesma organiza��o.
A NSA amea�ou Welchman com uma lei pouco conhecida
redigida em 1940
para lidar com o compartilhamento de criptologia.
Esta mesma lei est� sendo usada agora contra Edward Snowden.
� parte da Lei de Espionagem.
Acho que � dez anos de pris�o e uma multa pesada.
Eram acusa��es muito s�rias.
Eu podia ver que ele estava nervoso.
Podia ver os efeitos ps�quicos que a NSA estava provocando.
Isso devasta algu�m que dedicou toda a sua vida tentando proteger
o governo e agora eles est�o dizendo
que v�o acus�-lo de um poss�vel crime,
o de revelar segredos ao inimigo.
Houve um ato final com consequ�ncias devastadoras.
Em 29 de abril de 1982,
a autoriza��o de seguran�a de Welchman foi revogada.
De repente, ele desapareceu.
"Caro Sr. Welchman.
"Como voc� sabe, o Departamento de Defesa
"levantou d�vidas sobre sua recente publica��o.
"A MITRE Corporation acredita que seria mutuamente ben�fico
"suspender temporariamente seu acesso a materiais secretos
"e a dados t�cnicos sob a cust�dia da MITRE,
"at� que a situa��o tenha sido resolvida.
"Esta suspens�o entra em vigor nesta data.
"Por favor, confirme o recebimento desta carta
"assinando no espa�o abaixo."
E ele assinou.
Sim, isso deve ter sido absolutamente devastador.
Em vez de permanecer em sil�ncio, Welchman partiu para a ofensiva.
Escreveu cartas e artigos que esperava que o absolvessem,
incluindo um trabalho in�dito recentemente descoberto,
"Ultra Revisitado: Um Conto de Dois Contribuidores".
A hist�ria da vida de Alan Turing e a minha t�m duas coisas em comum.
Primeiro, termos sido considerados dois dos maiores contribuintes
para o sucesso da guerra de Bletchley Park.
E segundo, termos sido considerados "riscos � seguran�a".
O que aconteceu comigo
pode ser comparado com o que aconteceu com Turing.
Para a comunidade de intelig�ncia, Welchman estava sendo ing�nuo
imaginando que poderia revelar segredos do Barrac�o 6 impunemente.
Mas ele nunca deixou de acreditar que esta era uma informa��o
que o p�blico precisava saber.
Receio que o fato fundamental � que Gordon Welchman,
que n�o esteve envolvido em nada disso depois da guerra,
n�o estava em posi��o de conhecer-se a si mesmo,
e nem em posi��o de se considerar uma autoridade
sobre o que poderia ou n�o ser liberado.
O que eles n�o pararam para pensar foi que a forma como
a criptoan�lise abordou a decodifica��o da Enigma
era t�o sens�vel na d�cada de 1980,
e continua sendo ainda hoje, como tinha sido naquela �poca.
Ele estava entrando em uma �rea de tomada de decis�o
que n�o dizia respeito a ele.
Com Welchman amorda�ado pelos servi�os de seguran�a,
seu livro fracassou.
As c�pias n�o vendidas foram destru�das.
A press�o tamb�m veio em um momento muito dif�cil.
Ele tinha tido mais problemas de sa�de.
E para aumentar a tens�o, a mulher de Welchman, Teeny,
acreditava estarem sendo vigiados.
Ela comentou sobre a sensa��o de estar sendo vigiada.
Isso realmente arruinou o final da vida dele.
Foi uma cruel ironia que Welchman, um mestre do mundo secreto,
que ajudou a vencer a guerra, quebrando c�digos inimigos
e ajudou o Ocidente a vencer a Guerra Fria
mantendo suas comunica��es secretas,
tenha sido v�tima do segredo de estado.
Acredito que as regras sobre o sigilo
eram realmente inflex�veis.
As pessoas que aplicaram essas regras inflex�veis
tinham passado toda uma carreira sendo doutrinadas
com a id�ia de que o segredo era a base de tudo.
Hoje fico feliz que o livro exista.
Meu palpite � que tinha mais a ver com a paran�ia
em manter o sigilo, que � uma esp�cie de doen�a brit�nica.
Ele pode ter sido apenas uma v�tima de seus momentos finais.
N�o estou dizendo que ele era inocente.
Ele havia infringido as regras e a lei nunca foi aplicada.
Mas ele perdeu o emprego e o sustento...
sem nunca aparecer em um tribunal ou enfrentar uma acusa��o criminal.
Agora, Welchman estava gravemente doente com c�ncer,
mas continuou com sua luta para esclarecer as coisas.
Isso motivou esta carta do chefe do GCHQ.
"Foi, como eu acredito que voc� sabe,
"um grande choque para o meu antecessor
"e para as autoridades dos EUA
"quando voc� publicou seu livro em 1982,
"sem nos consultar e desrespeitando os acordos
"que milhares de outros observaram fielmente.
"Estou desapontado ao encontr�-lo seguindo o mesmo caminho
"novamente em 1985."
E a carta continua: "� um golpe amargo para n�s,
"bem como um exemplo desastroso para os outros,
"quando ex-colegas valorizados decidem nos decepcionar."
E, finalmente, acho que ele percebeu que n�o iam desistir.
Eles provavelmente n�o conseguiriam process�-lo,
mas iriam quebr�-lo financeiramente.
Gordon Welchman nunca se recuperou.
Tr�s meses depois, em 8 de outubro de 1985,
ele morreu.
Isso tornou infernais dois dos �ltimos tr�s anos de sua vida.
Mas seu legado continuaria.
Ap�s sua morte, seus m�todos
e id�ias n�o s� se tornaram parte do pensamento militar do Ocidente,
como se tornaram o cerne das novas redes de intelig�ncia,
enquanto o mundo tornava-se cada vez mais conectado, via computador.
Em junho de 2013, Edward Snowden vazou dezenas de milhares
de arquivos altamente secretos.
Nossas ag�ncias de intelig�ncia estavam colhendo metadados.
Nossos n�meros de telefone, endere�os IP,
os sites que visit�vamos, � quem escrev�amos ou lig�vamos
e onde est�vamos a qualquer momento.
De repente ocorreu-me que, o que agora fazemos com metadados
�, em certo sentido, uma vers�o altamente desenvolvida
do que Welchman come�ou com an�lise de tr�fego.
� isso. Metadados e an�lises, agora, num mundo digital,
s�o essencialmente a nossa maneira de fazer an�lise de tr�fego
e pode ser muito revelador.
Para muitos, o que Snowden revelou
� que vivemos em um estado de vigil�ncia,
e que o GCHQ e a NSA usaram o legado de Welchman
contra seus pr�prios cidad�os, destruindo nossa privacidade.
Para outros, a an�lise de tr�fego est� nos mantendo seguros.
Ap�s o 11/9, foram os analistas da CIA,
herdeiros, de certa forma, de Welchman e Bletchley Park,
que lideraram a ca�ada ao homem mais procurado do planeta,
Osama Bin Laden.
Se eu quiser entender como destruir uma organiza��o terrorista
se quiser destru�-los como organiza��o,
tenho que procurar suas vulnerabilidades,
e para isso tenho que entender sua rede de comunica��o.
A t�cnica que eles usaram foi introduzida por Gordon Welchman
no Barrac�o 6.
Era o equivalente moderno da sua an�lise de tr�fego.
O que chamamos de an�lise de link, ou an�lise de rede,
numa vers�o mais sofisticada, � a ferramenta fundamental
para encontrar redes secretas, sejam terroristas ou criminosas,
porque eles tentam esconder sua estrutura organizacional.
Como posso encontrar essas pessoas ou esses lugares?
Como posso faz�-lo com precis�o suficiente
para n�o bombardear uma cidade inteira?
Desenvolvida em Bletchley Park e aperfei�oada nos Estados Unidos,
a an�lise de dados levaria uma equipe de fuzileiros navais
at� Osama Bin Laden.
Hoje, Edward Snowden � considerado um traidor
por revelar os segredos da moderna an�lise de tr�fego.
Gordon Welchman tamb�m veio a p�blico
por algo em que realmente acreditava.
Mas depois de uma brilhante carreira,
passou os �ltimos tr�s anos da vida lutando contra uma doen�a,
lutando pela sua reputa��o
e sentindo-se marginalizado do mundo que ajudara a construir.
O brilhante trabalho de Alan Turing em Bletchley Park
fez dele uma figura ic�nica em nossa hist�ria.
Seu esp�rito pioneiro provocou a revolu��o do computador
e agora � parte de nossas vidas.
Foi a desgra�a de Gordon Welchman
que impediu que sua brilhante realiza��o
rendesse os elogios p�blicos que ele merece.
Seu trabalho ultra-secreto impacta cada um de n�s agora
tanto quanto Turing.
Mas foi esse segredo que negou a ele
seu leg�timo lugar em nossa hist�ria.
Gordon Welchman foi, sem d�vida, um g�nio.
Sua genialidade, no entanto, s� � reconhecida
na comunidade de intelig�ncia
para a qual ele deu uma contribui��o extraordin�ria.
99.9% das pessoas no mundo
nunca ouviram falar de Gordon Welchman.
Voc� diz o nome dele e elas olham surpresas,
e ainda assim ele contribuiu muito.
Encurtar a guerra em dois anos? Deus do c�u.
Salvou milhares de vidas e ainda ningu�m sabe quem ele �.
N�o tenho d�vidas em dizer que ele era um g�nio.
Claro que o tema aqui �: "Gordon Welchman,
o homem esquecido de Bletchley Park."
Tenho muito orgulho do meu av�.
Ainda �s vezes aflita sobre o que aconteceu
depois que ele publicou seu livro e quanto isso significava para ele.
Ele estava orgulhoso do que tinha feito.
Foi uma pena ele n�o ter sido reconhecido
e � uma pena ele n�o poder estar aqui hoje.
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