All language subtitles for Down in Paris (2021)

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Original subtitles

Vamos repetir, tens de falar.

E... acção!

Não te esqueças, Patricia... senão, não posso...

Acção!

Acabei de chegar.

É muito bonito.

O cemitério é muito bonito, vais ver.

Perto do mar,

muito tranquilo

e silencioso.

Tem árvores.

Vais gostar.

Ele ficará bem.

Vais quando estiveres melhor.

Não.

Não, cerca de vinte pessoas.

Os mais próximos.

Foi uma cerimónia muito simples.

Tocaram Debussy.

Toda a gente lhe prestou homenagem...

Não.

A culpa não é tua.

Corta!

Não é o que querias?

Não está bem?

Não era isto que querias?

Sim... sim... Não tem a ver contigo...

Alguma coisa não está a funcionar.

- Quantas planos fizemos? - Foram 15.

Não, não é esse o problema.

Todos aos vossos postos.

Vamos tentar novamente?

Não fiz bem?

Sim.

- Diz-me, diz-me... - Estiveste bem...

Mudamos alguma coisa então?

Não sei.

- Que espelho usamos? - O barroco. Já te disse!

- Não consigo continuar. - Está bem. Paramos 5 minutos!

Richard, estás bem?

Estou com calor... Sinto-me sufocar...

Faz uma pausa, isso vai ajudar.

O dia está quase no fim.

Qual é o problema da cena?

Não funciona.

Há coisas que não funcionam. E bloqueamos. Mas depois...

Com licença.

Quando estiveres pronto...

Podes continuar tu?

- Preciso de um pouco de ar. - O quê?

Podes dirigir a cena?

A sério?

É uma cena-chave, não sei se...

Eu não consigo continuar.

O que se passa?

Não consigo. Arranja outra pessoa.

Que estás a dizer?

Escolheste mal. O Simon vai fazer melhor do que eu.

Estás a brincar?

Estás cansado. Vou fingir que não ouvi nada.

- Estou a falar a sério. - Não é verdade, estás cansado.

- O que falta fazer hoje? - Inserções.

Podemos filmar com a Patricia.

Podemos fazer a cena amanhã?

Sim, vou tratar disso.

Perfeito.

Filmamos a cena amanhã.

Vai para casa e descansa. Amanhã vais estar bem.

- Amanhã vai estar tudo igual! - Amanhã vais estar em forma!

O Simon trata disto hoje. E tu vai descansar.

Richard?

Achas?

Eu sou o produtor, eu decido.

Simon, conto contigo.

Sem problema.

Vamos mudar o planeamento!

Vá, até amanhã!

- Boa noite, senhor. - Boa noite.

Que quer tomar?

Um uísque, por favor.

- Obrigada. - De nada.

Sou tão desastrada!

É inglês?

De Londres.

Fantástico.

Posso oferecer-lhe uma bebida?

Na verdade, já tenho uma... por isso...

gostaria de ficar sozinho se não se importar...

- Desculpe... Claro. - Está bem.

Desculpe.

É minha última noite em Paris.

Adoro Paris.

- Não gosta Paris? - Desculpe,

sabe quantos turistas britânicos vêm a Paris?

Se eu falasse com todos...

Desculpe. Não precisa de ser mal-educado. Só lhe ofereci uma bebida.

Pode parar de falar comigo? Por favor?

Pelo amor de Deus!

- Desculpe, não quis ser mal-educado. - Não há problema.

Hoje tive um dia mau.

Chamo-me Richard.

Sou a Elizabeth.

Então... em que zona de Londres mora, Elizabeth?

- Brixton. - Simpático.

E você? Em que zona de Paris mora?

Nation.

Perto do "Bois de Vincennes", na floresta.

Vou lá muitas vezes, na verdade.

Não conheço.

É como o Hyde Park?

Ah não, é menos civilizado,

mais selvagem, sabe.

Como Hampstead Heath?

Sim, parecido com Hampstead Heath.

Eu sou de Manchester.

Saí de lá depois de me formar na Universidade.

Andou na universidade de Manchester?

- Eu andei na universidade de Manchester! - Não!

- Sim! - Em que campus?

Eu estava em Northampton.

- Eu frequentei o Met em Didsbury! - Está a brincar!

Não! Em que ano esteve lá?

Vim embora em 1999, por isso estive lá em 1996.

Eu saí em 1995.

Então, é um artista?

Sim. Bem, sou realizador.

Uau! Fantástico!

Não é assim tão fascinante.

O que é que você faz?

Trabalho para o SNS, em pesquisa na saúde.

Enfadonho.

O que faz parece-me fascinante!

Tento fazer filmes

que tenham algum conteúdo... Mas...

Não é fácil...

Não aceita mesmo uma bebida?

Não, na verdade tenho de ir. Agradeço.

Nem mesmo um brinde rápido à Universidade de Manchester?

Vá lá, só um.

Por favor.

Um gin tónico, por favor! E outro uísque para este senhor.

- Merci. - De nada.

Não se quer sentar comigo?

Bem, cinco minutos.

Adoro Paris.

Que cidade romântica!

O que fez?

Subi à Torre Eiffel.

Adoro os Champs Elise!

Champs Elysées. Diz-se "Champs Elysées".

Estive em Notre Dame.

E no Centro Pompidou...

Ah... Todos os clichés, basicamente.

Sou uma turista inglesa, afinal de contas.

Sim... Você não parece inglesa.

Não sou. Sou meio inglesa, meio persa.

- Ah! Isso é o Irão? - Sim.

- Ninguém percebe de onde sou. - Não pensam que é parisiense?

Não, percebem o meu sotaque quando falo francês.

Também não gostava, os franceses são tão temperamentais.

Já reparei...

- É uma brincadeira! - Desculpe.

Não tem problema.

O que quer dizer?

Os franceses, passam de bem-dispostos

a irritados, num segundo.

Acho que é a veia latina, sabe...

Tem razão.

Mas adoro os franceses. Saúde.

A Manchester.

Fiz um teste de ADN recentemente.

Está na moda agora. Toda a gente faz.

Sim, gostaria de fazer. Deus sabe o que iria encontrar...

- Fiquei completamente arrasada. - Porquê?

Não tenho uma gota de sangue francês em mim.

Adoraria ter algo francês em mim.

Talvez mais tarde, com esse decote!

Desculpe.

Merci.

Vai pensar que sou louca, mas...

Estava à espera de encontrar em Paris

algum romance com um francês maravilhoso.

Não olhe para mim!

Você é inglês!

É casado?

Sou solteiro.

Não tem nenhum amigo francês solteiro,

sexy e simpático... que me possa apresentar?

Não, não tenho!

- E todos os meus amigos preferem homens. - Você também?

- Sim. - Eu sabia.

É assim tão óbvio?

Não, mas tenho um pequeno radar gay.

Tenho muitos amigos gay em Londres.

Quer outra bebida antes de ir?

Não, tenho de ir a um sítio.

Um "sex on the beach", por favor.

Merci.

"Sex on the beach"!

- Madame. - Merci.

Vamos sair e engatar um homem. O que acha?

Oh não. Obrigado. Tenho mesmo de ir.

Bem... à paixão francesa!

À paixão.

Se não me olhar nos olhos quando brinda

terá 7 anos de mau sexo. - Isso explica tudo, então.

À paixão e à amizade!

Fale-me mais sobre si.

Como é ser realizador de cinema?

Parece que carrega o mundo aos ombros.

Para ser franco,

Hoje estava a meio das filmagens

e de repente vim-me embora!

E sabe de uma coisa?

Acho que não vou voltar.

Acho que acabou para mim.

Bem, se serve de consolo,

também não quero voltar para Londres.

Porquê?

Amanhã tenho de levantar os resultados de alguns exames no hospital.

Nada sério, espero.

Bem, sim...

Talvez só precise de descansar um pouco.

De manhã as coisas vão parecer melhor.

Para ser franco, não é assim tão simples.

Talvez esteja a ser muito autocrítico.

Faz uma tempestade num copo de água...

Desculpe. Você não me conhece. Não sabe nada da minha vida.

Tem toda a razão.

Desculpe.

Não, sou eu! Estou a ser um pouco francês, não é?

Tenho mesmo de ir.

Tudo bem, como quiser.

Foi um prazer conhecê-la... A sério.

- Igualmente. Foi um prazer. - Ouça...

Sinto que vai correr tudo bem com os resultados dos seus exames.

Merci.

- Foi um prazer conhecê-la. - Foi um prazer conhecê-lo.

- Dê-me um abraço. - Claro.

Ouça, ainda vai encontrar esse homem.

- A noite é uma criança! - Merci!

Até à vista.

- Richard! - Sim?

As coisas vão melhorar.

Sim, obrigado.

Richard!

Merda!

Boa noite.

Tudo bem?

Sim e convosco?

- Sim. - Tudo bem.

Vamos a um bar novo... Pink...

Mister Pink.

Grande nome.

Que importa, se for fixe?

Vens connosco?

- Estás a brincar? - Não.

Tens alguma coisa que fazer?

Sim. Tenho um encontro.

E como está a tua vida?

A trabalhar num novo filme?

Sim, estou no meio de uma filmagem.

Óptimo!

- E como está a correr? - Muito bem.

Que bom.

- Tenho de ir. - Espera um pouco.

Dois minutos.

Foi bom vermo-nos de novo, certo?

Na verdade, não!

Andas com alguém? É isso?

Isso interessa-te?

Tenham uma boa noite. Divirtam-se.

Espera... Dá-me dois segundos para me despedir de ti.

Não demoramos.

Então,

está tudo bem nas filmagens?

Há muita pressão.

Mais do que o normal?

É diferente.

Estás bem?

- Pareces cansado. - Não sei...

Às vezes, pergunto-me porque continuo...

Todos passamos por isso, não?

Não sei.

E tu?

Como estás?

Estou bem, sim!

Pensei muito em ti, ultimamente.

Acabei de regressar da Índia.

Não! A sério?

Gostaste?

- Liga-me um dia destes e tomamos um copo. - Gostaria muito.

- Tu também podes ligar-me. - Sim... mas com o Frédéric, é complicado.

Tens sabido do Mathias?

Não, e tu?

- De que falavam? - Do Mathias.

Chateou toda a gente, ninguém o quer ver.

Não fales assim dele, por favor.

Eu gosto dele.

Era o melhor amigo do teu namorado, faz parte!

É um chato.

Olha, e as minhas chaves?

O quê? Ainda essa história?

Quero as chaves de volta.

Ok. Se as encontrar.

- Não sabes onde estão? - Não.

Estou-me a lixar para as tuas chaves.

- Talvez... - Talvez o quê?

Talvez te estejas a lixar porque... isso não te diz respeito.

Não faças filmes...

Filmes?

- Os teus disparates de sempre. - O quê?

As tuas invenções, como os teus filmes!

- Não fales dos meus filmes! - Não te preocupes, não falo.

Então és um artista...

E tu, o que és?

- Pelo menos eu tenho uma vida! - Vives de quê, hein?

Estás lixado porque estás sozinho!

Passaste dos limites!

Parem.

Filho da puta!

Parvalhão!

Tem calma!

Sente-se bem?

Não suporto lutas.

É mais forte do que eu.

Chamei um Uber. Deixo-o em algum lugar?

Obrigado!

Peço desculpa.

Aqui está ele.

Vem?

Não conheço a vossa história, obviamente,

mas achei que corria perigo.

Obrigado.

Quando o vi...

Dei-lhe tudo.

Fui psiquiatra, psicólogo,

cozinheiro...

Nunca foi o suficiente.

Ele esvaziou-me.

Foi recente?

Terminámos há 5 meses.

É como se nada tivesse mudado.

Como se tivesse voltado atrás no tempo.

Uma vez tive uma luta na rua com o meu ex.

Ninguém fez nada para ajudar.

Por sorte consegui fugir incólume.

Ele desistiu.

Chateava-se por qualquer razão.

Arranjava sempre uma desculpa. Eu nunca fazia nada bem feito...

Finalmente, decidi que não aguentava mais.

Disse-lhe que o ia deixar.

Ele perdeu a cabeça

e tentou bater-me.

Eu fugi!

E ele seguiu-me pela rua.

Não o tinha voltado a ver?

Não.

Cruzei-me com ele por acaso.

É normal. Ainda está tudo muito vivo.

Quando começamos a andar à pancada...

Preciso virar a página,

mas não consigo.

Eu também precisei de algum tempo.

Não pensou em mudar de livro?

O quê?

Sabe, virar a página, mudar de livro...

Não consigo livrar-me de livros antigos.

Desculpe, pode deixar-me aqui, por favor?

- Desculpe, eu... - Não, tudo bem, mas já cheguei.

Obrigado.

- Muito obrigado. - De nada.

Boa noite.

Richard, é o Maurice. Não me ligaste de volta.

Deves estar em casa agora.

Toma um copo e descansa.

Contamos contigo amanhã.

O Simon reparou que deixaste o guião com as tuas notas.

Só para saberes.

Está aqui. Até amanhã!

- Boa noite. - Entre, Richard.

Obrigado.

Sente-se.

Obrigado.

Vamos beber alguma coisa primeiro.

Obrigado.

Saúde!

Parece ser um assunto urgente.

Sim. Obrigado por me receber.

Sabe que gosto de si, Richard.

Eu sei.

Quando as pessoas estão preocupadas vêm ver-me.

Tento tranquilizá-las,

mas nem sempre consigo.

Não posso mentir.

Elas vêm por isso, pela verdade.

Você pode pensar que sim,

mas nem sempre estão preparadas para ouvir

o que eu tenho para dizer.

Vamos falar sobre si.

Há muito tempo que não vinha cá.

- Pelo menos 6 meses. - Sim, provavelmente.

Vamos ver em que ponto estamos.

Boas notícias,

deixou aquele homem.

Sim.

Já há muito tempo que o prevenia.

É verdade.

Encontrei-o na rua.

Agora mesmo?

Pouco antes de vir para aqui...

Lutámos.

Tudo tem solução.

Pense num cão que passeia.

Vai de um lado para o outro

farejando aqui e ali,

e refaz os seus passos.

E de repente, ladra para um pássaro.

Que voa...

Normalmente,

o pássaro permanece fora do alcance.

Mas deu um objetivo ao cão.

Fez com que ele reagisse.

Que mudasse de lugar.

Compreendo.

Você ainda não está a ladrar, mas vai acontecer.

Vou continuar.

Vejo uma perda...

de alguém próximo,

um familiar.

Sim, perdi o meu pai...

Conhece as regras.

Você está à beira do precipício

de onde seu pai acabou de saltar.

Percebeu que ele não era imortal.

Está a segurar a mão da sua mãe.

Depois do seu pai será a vez dela,

e depois dela será a sua.

Eu sei!

Você acabou de compreender

a sua mortalidade.

Você ainda não sabe, Richard

que o seu pai está dentro de si.

Desculpe.

- Ele está consigo. - Consegue vê-lo?

Não. Não sei fazer isso.

Não é da minha competência, Richard.

- Vamos continuar? - Sim.

Vejo um encontro,

espetacular,

é uma coisa natural.

Vejo um homem,

um homem bonito.

Talvez um artista.

Um príncipe,

um rei entre os homens.

São boas notícias.

Estou feliz por si, Richard.

A sessão terminou.

Vi o que tinha a ver.

Outro copo?

Sim.

Obrigado.

Acabei de abandonar a rodagem do filme.

Deixou tudo?

Não sei.

Não sei o que fazer.

Olhe para dentro de si.

A resposta está dentro de si.

Fechou a porta demasiado rápido.

Abra-a novamente.

Feche outras.

Deixe entrar um pouco de ar.

Dê um passo atrás, se necessário.

Combinado.

Olhe sempre para a frente.

E venha ver-me novamente em breve.

Terá mais coisas para me dizer.

Muito obrigado, Samantha.

Obrigado.

Não precisa de me acompanhar.

Boa noite.

Adeus.

Boa noite.

"Desculpa, Maurice, adormeci."

"Até amanhã."

"Boa noite."

Vem para a noite do retiro?

Não. Não sei!

Deus nunca dorme!

Venha!

- Boa noite. - Boa noite.

De momento não há ninguém, mas a igreja está aberta toda a noite.

- Aproveite. - Obrigado.

Está a rezar?

Está a rezar?

Não sei. Talvez.

Olhei para si e perguntei-me por que razão um homem bonito

estaria na igreja à noite?

Estou aqui por acaso.

O acaso pode fazer maravilhas.

Eu não estou aqui por acaso.

- Estou sempre na igreja. - À noite?

Não há ninguém.

É tranquilo.

Observo.

Ouço.

A maior parte das vezes as almas perdidas.

As almas penadas, se preferir.

E vi-o.

Você caminha com graça.

Com graça?

Senti uma espécie de ingenuidade em si,

uma fragilidade.

Fiquei curioso.

Observei-o.

Tentei compreender o seu mistério.

Todos os homens têm o seu mistério.

Este lugar convida à espiritualidade.

A espiritualidade pode dar-nos respostas.

Eu não estou a perguntar nada.

Duvido.

Procurei um lugar calmo

para me recolher, mais nada.

A sério?

Entraste aqui, deste um pequeno passeio,

viste as estátuas, as luzes, a decoração...

Até acendeste uma vela.

Na verdade, foi o pitoresco que te atraiu,

o ambiente,

a excitação mística. Admite!

Ninguém se deixa enganar.

Muito menos Deus!

Eu não estou à procura de Deus.

Mas Deus conhece-te.

Tu és um rei.

E vieste de visita!

Sabes que Cristo expulsou os mercadores do templo. Isso diz-te alguma coisa?

Sim.

É uma parábola.

São os factos!

Tu só vês estátuas, decorações, velas...

Mas tudo tem um significado.

Não sou muito religioso.

Lá está. Isso diz tudo.

És um impostor.

- Um blasfemo. - Acaba com isso!

A igreja está aberta a todos.

Tenho o direito de estar aqui.

É verdade.

Mas apenas para os dignos.

Eu não sou indigno.

Por seres artista?

Sim. Porque sou um artista.

Artista!

É normal duvidar.

Não duvido, sei muito bem ouvir.

Artisticamente, há muito tempo que não fazes nada.

A tua vida amorosa é um fracasso.

Os teus filmes não valem nada.

Não precisas de uma igreja, precisas de um psiquiatra.

Quem é você?

O que significa exactamente ser artista?

Não és artista só porque dizes que és.

Isso é muito fácil.

Um artista tem uma missão,

o dever de transmitir uma visão.

- Uma interpretação do mundo. - Sim, claro.

A arte deve abrir as portas ao indizível.

Tu és apenas um convencido pretensioso.

Consideras-te um artista para te admirares ao espelho.

Tudo isso são conversas ocas.

Queres ter sucesso, não?

É essa é a tua verdadeira motivação.

Queres ser admirado,

que te julguem talentoso.

Queres as passadeiras vermelhas e limusines.

Não, não é isso que procuro.

É tão infantil.

Apenas queres ser amado,

como uma criança.

O amor está na natureza da criança.

Para receber amor primeiro tens de dar amor.

Isto também se aplica à tua vida pessoal.

És apenas um bufão egoísta.

Mas tu sabes tudo isso.

Não te digo nada de novo.

Talvez...

Precisavas de ouvir isto.

Irmãs!

Vinde, irmãs!

Vinde!

Ligou para o Mathias.

Deixe mensagem e ligarei de volta.

Que fazes aqui?

- Olá, Mathias. - Sabes que horas são?

Sim.

- Preciso falar contigo. - Agora não.

É importante.

Estou à espera de uma pessoa.

Para fazer sexo.

Ah, está bem.

- Posso voltar mais tarde. - Acho melhor não.

- Preciso falar contigo. - Não me interessa.

- É muito importante. - Para mim não. Não te quero ouvir.

Está bem.

Desculpa.

Boa noite.

Boa noite.

Boa noite.

Vou querer...

Um falafel?

- Vegetariano? - Sim.

Quero um, então.

Sente-se.

Boa noite.

- Para comer aqui ou para levar? - Para levar.

O normal.

- Senhor? - Obrigado.

Duas especialidades gregas.

- Molho? - Com molho branco.

Olha para ele!

O vagabundo?

Viste os olhos dele?

Olha como ele come!

Tudo bem?

Vou perguntar.

As batatas fritas estão boas?

Estás a gostar?

Gostas de comida árabe, não é?

Não respondes?

Que falta de educação.

Onde estão as tuas maneiras?

Deve ser surdo-mudo.

Fala!

As batatas são saborosas?

Achas que estão boas?

Vamos ver...

Deliciosas.

Já não tens fome?

Podem deixá-lo em paz, por favor?

Quem falou contigo?

Ele não fez nada.

Conheces este tipo?

Se tiveres fome, come.

Eu não quero a porcaria da tua comida!

Olha para baixo quando falo contigo.

Baixa a cabeça quando falas comigo.

Isso tem graça?

Não te metas!

Esta porcaria de comida!

Já basta!

Deixa-o em paz.

Ele não te fez nada.

Quem diabo és tu?

Não fales assim comigo!

Ele não te fez nada.

Vamo-nos voltar a encontrar!

Coitados.

Obrigado.

Não há problema.

Queres-te sentar?

Sim.

Desculpe.

Sim?

Traga outra dose. Eu pago.

É muito amável.

- Está bem? - Sim.

- Esqueceu-se do seu cachecol. - Obrigado.

Acontece!

Obrigado, jovem. Pela comida.

Não te admires que te trate por "jovem".

Tenho idade para ser teu pai.

A França está mal, sabes.

Apesar disso, é o país das batatas fritas.

São tipicamente francesas.

Os ingleses chamam-lhes french fries.

Aqui está.

Quando era criança, não comíamos batatas fritas.

Comíamos batatas

e mais nada.

Isso no meu meio social.

A classe alta comia batatas fritas.

Com carne vermelha.

Assada.

Quando és jovem

pensas sempre "vou fazer isto e aquilo..."

Nunca devemos abandonar os nossos sonhos.

Fazê-los acontecer.

Agora, por exemplo,

como batatas fritas.

Tantas quantas quiser. Quando quiser!

Vem aqui muitas vezes?

Já te vi antes. A tua cara não me é estranha.

Conheço-te.

A sério?

Vou-me lembrar.

Talvez seja a barba.

Como um santo de igreja

ou Jesus Cristo.

É crente?

Acredito no que vejo.

É que...

Há pouco aconteceu-me uma coisa...

uma espécie de milagre.

Não há milagres.

Eu estava

no ar,

suspenso do chão,

como se estivesse a voar.

Eu também voo.

Toda a gente voa.

Não é nada de especial.

Lembrei-me!

Já sei.

És o filho da minha vizinha.

Como é que ela se chama?

Como se chama a tua mãe?

O quê?

Vou dizer-te uma coisa,

nunca confiei em ti.

Não gosto da tua cara.

És estrangeiro?

Sim. Também ele...

Os turcos são diferentes.

Trabalham, são pessoas sérias.

Não são como os funcionários públicos,

todos comunistas,

não querem trabalhar,

só pensam nos seus interesses.

És judeu?

Não.

Estou de olho em ti.

Estou de olho em tudo.

Vejo tudo! Sei tudo!

Com licença, tenho de ir.

Adeus.

Não me tomes por um louco.

Não me julgues!

Parvalhão.

Olá.

Merda. Não acredito! Voltaste?

Sim.

- Desculpa. - Vou-me embora. Até breve.

Não tinha dito que não voltasses? Lembras-te?

Não. Eu... eu não queria, mas mudei de ideias.

Entra.

Eu não prestava para nada.

Não estive à altura.

Não me comportei como um verdadeiro amigo.

Lamento.

Isto não é como tu queres.

Não estou disponível para ti. Lamento.

Não vamos ficar zangados para sempre, apesar de tudo.

Não estou zangado. Até voltares cá esta noite, já não existias.

Fui descuidado.

E havia também o Frédéric...

A culpa é dele, talvez?

Não,

mas ele fez tudo para me afastar de ti.

Dizia que a culpa era tua...

Porque o engatei?

Estava num clube, bêbado, e engatei-o?

- Foi o que pensaste? - Não. Não pensei isso.

Passei uma semana no hospital! Onde estava tu?

Ainda estão juntos?

Não.

Terminei a relação.

Que boa notícia.

Mathias.

Que é?

Perdoa-me.

Queres uma cerveja?

Sim.

- Toma. - Obrigado.

Posso?

Como estás?

Estou bem.

Fui a um psiquiatra.

Cortei com alguns amigos e conheci outros.

Passaram-se muitas coisas num ano.

É verdade, já passou um ano...

Mas, diz-me...

que te aconteceu para me vires bater à porta a meio da noite?

Para me vires com esta conversa?

É uma noite estranha.

Estão a acontecer coisas...

Coisas?

Aconteceu-me uma coisa irreal.

Pensei em contar-te.

O que te aconteceu?

Na verdade...

Tinha de vir.

Não podia esperar mais.

E como pensaste que eu iria reagir?

Não sei. Precisava de te dizer isto.

Precisava de te voltar a ver.

Não sei se devo agradecer-te.

Talvez tenhas feito bem em vir.

Talvez não.

Logo veremos.

E quando estreia o teu quinto filme?

Ainda estou em filmagens.

Neste momento?

Sim. Mas é difícil. Tenho muitas dúvidas... Mathias.

Estás passado como de costume!

É diferente.

Acho que é demasiado ambicioso.

Felizmente tu és ambicioso. Caso contrário seria difícil continuar.

Achas?

Preciso dormir.

Estou estoirado.

Eu também. Vou deixar-te descansar.

É verdade...

Soube do teu pai.

Lamento muito.

O cancro espalhou-se por todo o lado.

Obrigado.

Bem, vou-me embora.

Boa noite.

Bom regresso a casa.

Obrigado.

Olá.

Olá.

Que fazes?

- Aqui? - Sim, aqui.

De que gostas?

Depende...

Vamo-nos divertir.

Entramos?

Sim.

- Não beijas? - Depende.

Depende... Não sabes dizer mais nada?

Não estás com tesão.

Dá-me algum tempo.

Pensas demais, não é?

Depende.

Chupa-me.

Que bom.

Fode-me!

Está bem.

Espera.

Não tenho preservativos.

Tomo PrEP.

- Sim, mas... - O quê?

- Estás limpo? - Sim, estou.

É um pouco estranho para mim.

Sabes para que serve o PrEP?

Sim.

Vamos a isso.

Espera.

Não te agrado?

Não estou acostumado. Existem outras DST.

Se tens medo, fica em casa!

Não, não é isso.

Isto não funciona, esquece!

Não preciso dos teus problemas!

- Desculpa. - Sim. Adeus.

Chega, vai-te embora!

Sou simpático, ele é que... enfim...

Tudo bem?

Sim.

Vens?

Estou com o meu namorado, pode ser?

Sim.

Olá.

Olá.

O que aconteceu com o outro?

Nada... um parvalhão!

De onde é esse sotaque?

Sou inglês.

A sério?

Pensei que eras espanhol ou português...

Não. Mas sou meio indiano...

- Exótico! - Obrigado.

Não sei porque agradeço...

Queres?

Tens lubrificante?

Não te preocupes.

Para que precisas disso?

Olá, Maurice.

Olá, bonitão.

Queres subir para um pouco de prazer?

Não, obrigado.

Vá lá, o prazer nunca é demais!

Olha... Sou gay.

Não tem problema.

Não sou homofóbica. Amo todos os homens!

Tens um cigarro?

Sim.

Deixei de fumar, mas apetece-me um.

- Tens lume? - Sim.

Obrigado.

- Sabe bem. - Sim.

O que fazes na rua a estas horas? Passeias?

Sim. Gosto de passear à noite.

Tens razão, é outro mundo.

Mais tranquilo.

Não gosto de fumar em pé.

Parece que estou a trabalhar!

Tens clientes a esta hora? Não há ninguém!

Às vezes.

Está muito diferente.

São menos excitados que antes. Mais simpáticos.

É mais calmo.

Vives no bairro?

Não.

Vim visitar um amigo.

Um amigo que não via há muito tempo.

Tinha vontade de falar com ele.

Sobre quê?

És curiosa!

É verdade.

Vives sozinho?

- Porque perguntas? - Porque não?

E tu, vives sozinha?

De momento, sim.

Fui casada, sou divorciada.

Tenho um filho.

E tu, és casado?

Sim. Quer dizer, não, sou solteiro.

Tenho de me habituar a dizer que sou solteiro!

É recente?

Mais ou menos.

Estiveram juntos muito tempo?

Cinco anos.

Percebo!

Estar sozinho também é bom.

Fazes o que quiseres. Não tens de prestar contas a ninguém.

O divórcio foi difícil?

Sim.

Quanto tempo levaste para seguir em frente?

Levei...

dois anos, mais ou menos.

Olhando para trás, não mudaria nada.

Agora conheço-me melhor.

E tenho um filho.

Como se chama o teu filho?

Lolo.

É bonito. É francês?

Italiano.

Sim, tu pareces...

Italiana!

Bem, acho que vou para casa. Estou cansado.

Obrigado pelo cigarro.

Importas-te que te acompanhe?

Vou fechar a loja. Vou-me deitar.

Claro! Vem.

É grátis?

Extremamente caro!

Bem, vou para ali.

Foi um prazer conhecer-te.

- Boa noite. - Para ti também.

Olá.

Que estás a fazer?

Estou a ver os peixes.

A meio da noite?

Aqui ninguém me incomoda.

É verdade.

Já viste algum?

Sim, olha, ali...

Não os vês?

Os teus pais não vão ficar preocupados?

Zangaste-te com eles?

Mais ou menos.

Não quero voltar para casa.

Quando eu era novo o meu pais era muito severo comigo,

mas gostava muito de mim.

Tenho certeza que o teu também gosta muito de ti.

Sabes, perdi o meu pai.

- A sério? - Sim.

Já não posso estar com ele,

nem ouvir a sua voz.

Ele estava num hospital em Espanha, estava muito doente.

Foi difícil.

Tive de lhe dar banho, como se fosse uma criança.

Não é normal darmos banho ao nosso pai.

Nesse momento, compreendi...

... que o amava muito.

Tenho muitas saudades dele.

Percebo,

mas vai correr tudo bem, já és crescido.

Obrigado.

Contas-me uma história?

Gostas de histórias?

Quando for grande, vou contá-las aos outros.

Ah sim? Eu também gosto de histórias.

O teu pai tinha orgulho em ti?

Acho que sim.

Então, contas-me uma história?

Sim, conto.

Era uma vez um menino que passeava junto ao canal de St. Martin.

Estava a tentar ver os peixes.

E há muitos, muitos, peixes lá em baixo.

E havia peixes de várias cores.

Havia peixes amarelos,

vermelhos, verdes... Olha aquele verde!

Outros eram laranja, e havia também peixes pretos.

Mas os peixes não queriam que o menino os visse,

pensavam que ele ia comê-los.

Então pularam para fora da água

e bateram no nariz do menino com os seus narizes de peixe.

Os peixes não têm nariz.

Têm sim. E têm cócegas!

Vou atirar-te à água!

- Onde vives? - Ali.

- Queres que te leve a casa? - Está bem.

Então vamos ter com os teus pais.

Eu disse-te, havia muitos peixes.

Não muitos, só vi alguns.

- É por aqui? - Sim.

Vamos.

Vou dizer ao teu pai...

Está bem? Consegue ouvir-me?

Consegue falar, senhor?

Senhor?

Estou bem.

Está ferido?

Não, obrigado.

Vou levá-lo ao hospital.

Não, não é necessário.

Não, é melhor.

Vem uma pessoa buscar-me.

Está bem?

Sim, sim. Está tudo bem.

Vamo-nos sentar aqui.

Está tudo bem?

Não tem nada partido?

Não. Os meus braços e pernas estão a mexer bem!

Dói um pouco, mas estou bem.

Assustei-me!

Não tive tempo para me assustar, foi tudo muito rápido...

Não estava à espera disto.

Estava a sonhar acordado?

Estava a pensar...

a ouvir música...

Felizmente, não ia muito depressa.

- Posso tratar-te por tu? - Sim.

O que estavas a ouvir?

"This is my life" (Esta é a minha vida)...

Da Shirley Bassey?

Conheces?

Claro. É super kitsh.

Estou bem, estou bem.

Noto aí um sotaque. És inglês?

Sim.

Vem mesmo alguém buscar-te?

Não estás a dizer que sim, para te livrares de mim?

Não me quero ver livre de ti. Não penses isso.

Na verdade, o meu assistente...

Tens um assistente?

Sim.

Sou realizador de cinema. Estou a fazer um filme.

Interessante!

Sim!

Vou deixar-te o meu cartão.

Caso tenhas algum problema com o seguro.

Ou simplesmente para me ligares.

Bem, vou andando...

No meu carro!

Ah, sim! Desculpa!

- Lamento deixar-te. - Não, está tudo bem!

- Então, liga-me. - Está bem, Claude.

E tu?

Como te chamas?

Richard. Chamo-me Richard.

Adeus, Richard.

Foi estranho... tipo um choque elétrico.

Imagino! E ele foi-se embora?

Sim.

- Participou o acidente? - Não foi preciso. Tenho o número dele.

- Conseguiu descansar? - Sim, um pouco.

Vamos ao set? Ou precisa de passar em casa ou numa farmácia?

Não, vamos direto.

Podes parar aqui um momento?

- Aqui? Agora? - Sim, por favor.

Acende o pisca-pisca. Cinco minutos!

Elizabeth!

Elizabeth!

Richard, olá!

Como estás?

Dei uma queca com o barman!

- Tenho de ir! - Bon voyage!

- Adeus! - Au revoir!

Au revoir!

Diz-me, quem era a giraça?

Ninguém!

A vida é bela.

Bela novidade!

O teu guião está no porta-luvas.

Fantástico!

Obrigado.

Consegui perceber o que me estava a bloquear!

Óptimo.

Precisava de sair do estúdio, ir para o mundo real.

Então... Canal San Martin, noite, reflexos da luz na água...

A câmara vira para a direita,

e vê-se um edifício, um único apartamento iluminado.

Rose está lá dentro, ao telefone.

A câmara avança,

passa pela janela, estilo Antonioni.

E então começamos!

Parece-me muito bem.

O Maurice vai adorar.

Por falar no Maurice, sabias que ele é gay?

Claro! Toda a gente sabe!

- Sabias? - Tu não?

Ninguém me disse nada.

Vi-o no "Le Depot".

- A sério? - Sim.

Que foste lá fazer ontem à noite?

É melhor não falar disso!

Bem, vamos para o estúdio.

Ao meu pai.

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