All language subtitles for Night.Gallery.E00 (Pilot)(11-08-1969)The.Cemetery.Eyes.The.Escape.Route

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Original subtitles

Boa noite e bem vindos a uma apresenta��o particular...

de tr�s quadros exibidos aqui pela primeira vez.

Cada um �, � sua maneira, uma obra de arte.

N�o por alguma qualidade art�stica especial...

mas porque cada quadro mostra...

suspenso no tempo e no espa�o...

um momento congelado de um pesadelo.

O primeiro � de uma pintura g�tica em tons de cinza e preto.

Um peda�o do passado conhecido como a cripta da fam�lia.

A este chamamos simplesmente "O Cemit�rio".

� seu, se quiser. Dois metros de terra e tudo o que ela cont�m.

Senhoras e senhores, esta � a Galeria do Terror.

Precisa de algo mais, sr. Hendricks?

Vou lev�-lo para perto da janela, senhor, por alguns minutos.

Ele n�o comeu muito hoje.

Ele come pouco ao almo�o, senhor.

Ent�o, por que serve tanta coisa, Portifoy?

� um desperd�cio, Portifoy.

O sr. Hendricks n�o se queixa, sr. Jeremy.

E o dinheiro � dele.

Me diga uma coisa, Portifoy.

Durante os 30 anos que passou servindo fielmente...

esse peda�o de carne meio morto que est� l� em cima...

n�o sabia que em algum lugar havia um sobrinho, n�o �, Portifoy?

Nem mesmo o seu tio sabia, senhor.

Bom, agora j� sabem.

Por isso pense nisso, Portifoy.

Me diga uma coisa, Portifoy.

Quando foi que meu tio pintou isso?

Antes de sua �ltima embolia.

Muito alegre.

Faz qualquer um duvidar que meu tio tenha um m�nimo de talento...

como tamb�m de sua sanidade, com sua m�rbida obsess�o pela morte.

O que o meu tio fazia para se divertir antes de ficar doente?

Com tanto dinheiro...

Quais eram seus outros interesses al�m da pintura?

A pintura sempre foi o seu �nico prazer, senhor.

E tamb�m a casa. Era tudo o que lhe importava.

Sim. Isso era o que minha querida m�e dizia, Portifoy.

Morreu relativamente jovem por trabalhar demais...

e ter orgulho em excesso.

N�o podia rebaixar-se a procurar seu irm�o rico e recluso.

Sua dignidade estava acima de tudo.

Esta era a sua maior qualidade, a dignidade.

Como resultado, passei grande parte da minha vida...

tomando gosto pela vida boa, mas sem ter meios.

Muito triste, senhor.

� s� uma tristeza passageira, Portifoy.

Se a pintura era o �nico capricho do meu tio...

acho que ele ter� uma exist�ncia muito mais despreocupada...

a partir do dia em que deixar de ver esta paisagem...

e passar a fazer parte dela.

Por que n�o diz o que pensa?

- Sou um sem-vergonha, certo? - � um canalha, senhor.

Que criatura ador�vel.

Pode dizer o que quiser. Est� ouvindo, Portifoy?

Porque quando eu for dono desta casa...

se voc� n�o andar nos trilhos direitinho...

vai se arrepender do dia em que nasceu.

Tio.

Tio, vim conversar um pouco com o senhor.

N�o, n�o. N�o se mova, n�o senhor.

Fique sentadinho a� e deixe que eu fale.

Tive uma manh� muito interessante, sabe?

Li toda a correspond�ncia que estava em seu escrit�rio.

E advinhe o que encontrei!

Sim, correspond�ncia.

Cartas para o seu advogado.

A respeito de qu�?

A respeito de seu testamento.

O seu estilo liter�rio me impressionou, tio.

Sim senhor. Preciso e direto no ponto.

Diz somente o que precisa dizer. Me impressionou muito.

E quanto ao conte�do, me impressionou ainda mais.

Descobrir que minha m�e era sua benefici�ria...

me comoveu, tio. Me comoveu profundamente.

O que mais havia? Sim, eu anotei.

Aqui est�.

"Se ela n�o mais estiver viva...

tudo ir� para o seu �nico descendente".

Tio.

Ao ler isso, pode acreditar...

eu chorei.

Chorei de verdade.

Que grande cora��o. Que desprendimento.

Est� quente aqui.

N�o acha, tio?

Muito bem.

Isso. Assim est� melhor.

N�o precisa chamar o Portifoy, tio.

Ele j� est� velho. Por que importun�-lo?

H� 30 anos ele o serve fielmente.

Por que n�o lhe dar a tarde de folga?

Agora...

seus m�dicos disseram para te manter longe das correntes de ar.

Parece que o senhor pode se resfriar e at� ter uma pneumonia.

Que tal se pusermos � prova esses conselhos m�dicos?

Podemos ver o qu�o forte o senhor �.

N�o � refrescante, tio?

O frio! O vento!

N�o s�o revigorantes?

E pense nisso tio.

A �ltima coisa que ver� na vida...

ser� o cemit�rio da fam�lia a� embaixo.

Lembre-se bem dele.

Observa-o bem, como um morador observa a sua nova morada.

Muito bem. Agora vou deix�-lo.

Nigu�m vai aborrec�-lo.

Nem Portifoy e nem eu viremos a seu quarto na pr�xima hora.

Melhor ainda, nas pr�ximas duas horas.

Deve ser tempo o bastante...

para simplificar as coisas.

Continua tudo na mesma.

Dizem os m�dicos que o coma pode durar bastante tempo.

Que pena.

Me comunicaram que j� est� sabendo...

de certos pontos do testamento.

S� dos pontos que estavam...

em documentos no escrit�rio do meu tio.

Diga-me, quem lhe contou da minha reconfortante descoberta?

Um passarinho.

Um passarinho vestido de mordomo...

que deve tomar cuidado para que n�o lhe cortem o bico.

De qualquer modo...

j� que a minha m�e era a benefici�ria principal...

e eu sou o seu �nico descendente...

isso significa que vir� tudo para mim.

O homem ainda n�o morreu!

Pode por favor conter-se...

at� que ele morra realmente?

O sr. Hendricks faleceu.

Nunca recobrou a consci�ncia.

J� posso reclamar a minha heran�a?

Seria pedir muito que se encarregasse primeiro do funeral...

e mostrasse um pouco de pesar?

� um requisito legal, senhor advogado?

Digamos que � o que se esperaria de um homem civilizado...

como um gesto de respeito e agradecimento.

Ver�, sr. Carson...

que n�o sou um homem civilizado.

Sou um sobrinho ovelha negra...

muito ego�sta.

Doutor, por favor, cuide do enterro e dos proclamas.

- E ponha na conta. - Ele ser� enterrado no cemit�rio da fam�lia.

- Me pediu isso v�rias vezes. - Encantador.

Se algu�m precisar de mim...

estarei l� dentro.

Doutor!

Ele n�o deveria estar coberto, com as m�os cruzadas sobre o peito?

Digo, n�o � parte do ritual que ele pare�a estar em paz?

Ele deveria ressuscitar...

a tempo de deserd�-lo e chut�-lo daqui para fora.

Isso lhe daria paz.

N�o � necess�rio que nos acompanhe � porta, Portifoy.

Quer prestar-lhe os �ltimos respeitos?

- Est� morto, senhor? - Para sempre.

Algo importante, Portifoy.

H� uma pequena parcela legada a voc� no testamento.

Acho que 800 d�lares enquanto viver.

800 d�lares?

Oitocentos d�lares... por m�s.

Gostaria de permanecer aqui, senhor, se me permite.

Excelente. Muito bem.

Ent�o, Portifoy, a primeira ordem do dia...

� que tire daqui todas essas pinturas horr�veis e...

Algum problema, senhor?

- Que coisa estranha. - Estranha, senhor?

- Veja isso. - O que � senhor?

O quadro, essa pintura. Olhe!

Foi alterada.

N�o compreendo.

N�o tem olhos? N�o est� vendo?

� uma tumba rec�m aberta.

N�o h� nada a�, senhor.

Bem, deixa para l�.

Pode retirar-se. Sirva o jantar � hora de sempre.

Sim.

A� est� o meu c�o de guarda. � Osmond Portifoy.

Se n�o precisa mais de mim, senhor, trancarei tudo e irei dormir.

� essa a sua vida, n�o �, Portifoy? Trancar tudo e ir dormir.

Quando eu morrer levarei comigo a sua imagem...

andando pela casa todo empertigado...

carregando uma bandeja sobre o bra�o...

e me olhando de modo recriminador.

� assim que olha para mim, n�o �, Portifoy?

Por que ser�?

� como...

Como um gerente de banco olha quando encontra um balan�o errado.

Mudou de novo!

Mudou de novo!

Agora h� um ata�de na pintura.

Agora h� um ata�de a�. Isso n�o estava a� antes!

Em nome de Deus, o que est� acontecendo?

Trouxe-lhe um pouco de ch�, senhor.

N�o quero ch� nenhum.

Como quiser, senhor.

Sim senhor?

Cuidou da pintura, como pedi?

Sim senhor. Est� l� pendurada como sempre.

Como sempre?

N�o entendo.

Eu a queimei. Atirei-a no fogo.

Eu a vi queimar e virar cinzas.

E a� est� ela, na parede... como sempre.

� sua imagina��o, senhor.

Imagina��o?

O senhor me queimou de prop�sito.

N�o, Portifoy. Foi a sua imagina��o.

A bandeja, o bule, a sua m�o queimada...

s�o s� a sua imagina��o.

N�o � essa a explica��o que se d�...

para explicar todas as coisas estranhas que acontecem por aqui?

N�o � imagina��o, � uma alucina��o prolongada.

Deixe tudo a�. Se quiser algo, te chamo.

Se me chamar, sr. Jeremy...

ser� � longa dist�ncia.

Do que est� falando?

N�o passarei outra noite nesta casa.

Em vida, ele precisava de mim.

Mas depois de morto, � obvio que � forte o bastante para cuidar de si mesmo.

Escute, velho, a morte � definitiva. � o fim de tudo.

N�o acredito nisso, sr. Jeremy.

Acredito existirem coisas mais fortes do que a morte e mais duradouras do que a tumba.

Acredito que o �dio seja mais forte do que a morte, sr. Jeremy.

E acredito que est� vendo isso agora.

Passarei a noite no hotel da cidade e amanh� mando buscar minhas coisas.

Mas, eu eu? O que vou fazer?

Quem vai cuidar de mim?

Use sua imagina��o, sr. Jeremy. � muito bom nisso.

Me diga uma coisa, tio.

Por que n�o fica quieto onde est�?

Esta � a �nica homenagem que receber� de mim! Vivo ou morto!

Telefonista, ligue-me com o hotel da cidade.

Eu sei, mas eu n�o tenho o n�mero.

Ficaria muito agradecido.

Al�? Gostaria de falar com Osmond Portifoy?

Registrou-se a� esta tarde.

Como n�o pode cham�-lo? Voc� tem que...

N�o me importa se s�o tr�s horas da madrugada!

Telefonista.

Meu nome � Jeremy Evans. Estou na residencia Hendricks.

H� um invasor aqui.

Mande a pol�cia imediatamente.

Ele est� l� fora. Por favor chame a pol�cia...

e pe�a que venham imediatamente.

Sim, sim.

Quem �?

Quem est� a�?

Quem est� a� fora?

Voc�!

N�o pode estar aqui! Voc� est� morto e enterrado!

Voc� morreu!

Deveria estar em sua tumba! Voc� est� morto!

Al�, doutor?

Quem fala � Portifoy, da casa do sr. Hendricks.

Aconteceu um acidente, senhor.

Parece que o sr. Jeremy caiu das escadas.

Creio que est� morto.

Parece que quebrou o pesco�o.

Obrigado, doutor. Deixarei uma luz acesa.

Creio que merece umas longas f�rias, Gibbons.

Desempenhou sua tarefa... extraordinariamente bem.

De verdade.

Quinze pinturas a 500 d�lares cada uma.

E diria que foram bem baratas, pelo resultado.

Estou de acordo.

Obrigado.

- Posso contar? - Se quiser.

Est� tudo a�, mais 500 d�lares adicionais.

Pode n�o ser um Rembrandt, Gibbons, mas voc� tem uma assombrosa habilidade...

para imitar o estilo de outras pessoas.

Suponho que tenha meios de me pagar.

Economizei toda a minha vida.

Mas logo estarei bem de novo.

Esqueci de lhe dizer...

que o sr. Hendricks me tinha muita considera��o.

Estipulou em seu testamento que se n�o houvesse descendentes vivos...

seis meses ap�s o seu falecimento...

todos os seus bens seriam herdados por seu velho criado...

e mordomo.

Ande, Gibbons. Aproveite os frutos de seu trabalho.

E se o sobrinho n�o tivesse quebrado o pesco�o?

O que teria feito?

Teria posto algo em sua bebida?

N�o seja rude, Gibbons.

Se esse lament�vel acidente n�o tivesse acontecido...

ele teria enlouquecido lentamente.

E ao ser colocado em um manic�mio, eu estaria exatamente onde estou agora.

O mesmo fim, mas por meios diferentes.

Pode jogar isso fora para mim?

A morte me deprime.

A partir de hoje este ser� um lugar alegre.

Boa noite, Gibbons.

Boa noite, Portifoy.

Sr. Portifoy.

Sr. Portifoy.

Descanse em paz, sr. Hendricks.

Descanse em paz.

Para tr�s, Jeremy. Para tr�s, Jeremy.

Para tr�s, Jeremy!

Volte para a sua tumba!

Para tr�s.

Para tr�s, Jeremy.

Obra de arte n�mero dois.

Um retrato da srta. Claudia Menlo.

Uma rainha cega que reina em um apartamento de luxo na 5� Avenida.

Uma matrona imperiosa e mal�vola...

que logo encontrar� uma escurid�o mais negra que a da cegueira.

Esta � a sua hist�ria.

- Desculpe. - Procura a srta. Menlo?

No �ltimo andar. � a �nica no pr�dio.

- Eu sei. - Voc� a conhece?

Sou o seu m�dico h� anos.

- � um retrato muito bom dela. - N�o muito, doutor.

H� algo que n�o pude capturar.

- O que �? - Sua crueldade.

- � cega desde que nasceu. - Causa e efeito...

H� um m�s estou pintando isto.

Um verniz final e estar� pronto.

Sempre me perguntei que tipo de mulher construiria um pr�dio na 5� Avenida...

para ser sua �nica moradora.

Vou lhe dizer que tipo de mulher, doutor.

Um pequeno monstro. � isso o que ela �.

- Boa tarde. - Ol�, doutor.

A senhorita o espera. Quer que guarde o seu casaco?

N�o, obrigado.

Como � pontual, doutor! S� chegou uma hora atrasado.

Vi o seu retrato. Creio que o artista a favoreceu.

Se o fez, dr. Heatherton...

foi o �nico em meus 54 anos de vida.

Ningu�m nunca me favoreceu em nada.

Come�ando por Deus.

Desculpe por ter chegado tarde. Estive o dia todo em uma cirurgia.

Isso me impressiona. Sempre me impressiona.

O constante e eterno salvador.

Sobre o que quer falar?

Sobre o que j� falamos ao telefone.

Como lhe disse, srta. Menlo...

a opera��o sobre a que me perguntou s� foi tentada em animais.

- Com �xito. - Um chimpanz� e um c�o.

Em ambos foram injetados nervos �ticos de doadores cujos olhos estavam s�os.

Em ambos os casos, puderam ver.

Um, por uns momentos. O outro, por umas horas.

Os doadores, � claro, ficaram cegos.

� tudo s� uma experi�ncia.

Se funciona em animais, pode funcionar em seres humanos.

N�o � preciso ser um cirurgi�o famoso para chegar a esta conclus�o.

Famoso ou n�o, srta. Menlo...

nenhum cirurgi�o chegaria a esta conclus�o e a tentaria.

Deve compreender uma coisa, srta. Menlo.

Em primeiro lugar, o melhor que poderia esperar...

supondo que o trasplante do nervo �tico tenha �xito...

seriam umas 11 ou 13 horas de vis�o. N�o mais.

Logo estaria cega de novo.

Mas h� ainda um obst�culo inconteste.

Que obst�culo?

Precisa de algu�m disposto a renunciar � sua vis�o para sempre...

para que a senhora a tenha por 12 horas.

N�o creio que exista tal pessoa.

Bobagem, doutor. Todos t�m um pre�o.

Por seus olhos? Tenho minhas d�vidas.

Est� equivocado.

Meu advogado encontrou esta pessoa.

Defendeu-a em um caso criminal h� algum tempo.

O homem precisa muito de dinheiro.

Aceitou doar seus olhos e deixar de ver...

- por uma certa quantia em dinheiro. - Quanto?

Novecentos mil d�lares.

Foi o que pediu e eu pagarei.

Srta. Menlo, ou�a-me com aten��o.

S� existem quatro homens que podem realizar esta cirurgia.

Sou um deles, mas n�o posso falar pelos outros.

Eu tiraria a vis�o de uma pessoa...

para que a senhora a tenha por umas horas, tanto quanto mataria uma crian�a.

Fui claro?

Quero que leia algo, dr. Heatherton.

Neste envelope tenho um dossi� completo...

sobre o dr. Frank Heatherton.

O impec�vel dr. Heatherton.

O respeit�vel dr. Heatherton.

Vamos.

Leia.

Eu lhe disse que todos t�m um pre�o.

� porque todos t�m algo a esconder.

E o senhor, doutor...

tem mais do que todos.

Acho que est� tudo a�.

Lembra da jovem?

A srta. Grace Reardon, de 22 anos...

que morreu em uma mesa de cozinha porque o aborteiro...

tinha os h�bitos higi�nicos de um porco e a destreza cir�rgica...

de um encanador.

Ela foi ver este carniceiro ao inv�s de voc�...

este m�dico de moral r�gida e limpeza extrema...

que em algumas vezes, como nessa ocasi�o...

revelou um lado ligeramente mais escabroso de seu car�ter.

A divulga��o destas informa��es...

atrapalharia bastante a sua carreira profissional...

e o seu casamento.

N�o � mesmo, doutor?

Sim, obviamente me destruiria como m�dico...

e acabaria com o meu casamento de 25 anos.

Se � isso o que quer fazer, srta. Menlo...

tem todos os meios necess�rios.

Como deve ter notado durante todos esses anos...

que tem cuidado de mim...

n�o estou interessada em ajudar ou arruinar ningu�m.

N�o me importam suas atividades extra-curriculares...

ou as negociatas de meu advogado...

ou qualquer coisa que n�o me envolva.

O que sempre me interessou, minha �nica preocupa��o, doutor...

� a minha pessoa.

11 horas, 12, menos ou mais, n�o importa.

Quero ver alguma coisa.

�rvores, pr�dios, animais...

flores, avi�es, cores!

Os ricos ociosos.

Precisam fazer algo para acabar com a monotonia.

Como fu�ar a terra, igual a um c�o buscando um osso...

e finalmente desenterrar o que um homem deve manter em segredo...

para garantir a sua sobreviv�ncia.

Muito bem, srta. Menlo.

Por que? N�o sei, mas dou muita import�ncia � minha sobreviv�ncia.

Farei a sua cirurgia. Quem � o doador?

Meu advogado lhe dar� todas as informa��es.

� um meliante sem import�ncia.

Combine tudo com Packer.

Quero que seja o quanto antes.

Est� claro, doutor?

O que est� claro � que satisfar�...

um capricho durante umas poucas horas...

e um homem perder� seus olhos gra�as a mim.

S� espero que ele se d� conta...

do quanto perdeu por t�o pouco.

Lou, n�o fa�a isso comigo.

Sabe como fico enjoado.

Conte outra, Sidney.

Por favor, tenha compaix�o.

Estou enjoado. Esta coisa me faz sentir doente.

Te faz sentir doente?

Voc� n�o sabe o que isso significa.

Isto � ficar doente:

Me deve muito dinheiro, e h� tempo demais.

Isso � ficar doente. Ficar doente at� a morte, sabe?

Lou, eu vou...

Vou conseguir muito dinheiro amanh�.

Servirei de cobaia para um doutor.

V�o fazer umas experi�ncias...

e v�o me pagar muito por isso.

- Est� de brincadeira, Sidney? - Eu juro sobre o t�mulo do meu pai.

� verdade.

Voc� tem muita imagina��o.

Vai ficar rindo, �?

Que tipo de experi�ncia?

N�o me permitem dizer.

Eu juro, Lou! � isso mesmo!

� uma cirurgia, mas n�o posso falar nada sobre isso.

� ilegal ou algo assim. Mas juro que � verdade.

Haver� uma reuni�o sobre isso amanh� � tarde...

com um advogado e um m�dico.

E amanh� � noite vou ser internado em um hospital particular.

E quando me dar� o meu dinheiro?

Quando me pagarem.

V� � minha casa depois das tr�s.

Estarei com ele.

Est� bem, Sidney.

Irei a sua casa amanh� � tarde.

Se n�o estiver com o meu dinheiro, ter� 15 segundos para rezar.

Gostei muito desta conversa com voc�.

GEORGE Y. PACKER DOUTOR EM DIREITO

Bem, o que lhe parece, doutor?

Pode ser?

Terei que fazer mais testes no hospital, mas creio que n�o muitos.

N�o pedimos muito, s� seus olhos, � tudo.

- Ela tamb�m o pegou, n�o �? - � o estilo dela..

Sabe que pe�as mover...

essa mulher t�o fr�gil como um p�ssaro.

Amea�a destruir tudo em seu caminho...

que seja um obst�culo...

ao que ela quer alcan�ar.

E ent�o surge um pobre indiv�duo...

que serve a seus prop�sitos...

e � ele quem ser� destru�do..

Sr. Resnick, por favor, assine aqui.

� tudo meio engra�ado.

Teria que ser um advogado para ler isso e entender.

� s� assinar nesta linha, sr. Resnick, onde diz "doador".

Ou�am, s� por curiosidade...

s� por curiosidade mesmo...

o que vou doar? E o que me dar�o em troca?

Bem, sr. Resnick, doar� os seus olhos.

Especificamente, o nervo �tico central.

Poderia usar os termos m�dicos.

Falar das fibras nervosas, dos neur�nios e das...

Eu acredito, eu acredito.

N�o tenho alternativa.

Nenhuma.

Aqui, me tiram os olhos. L� fora, me tiram a vida.

Muito bem, sr. Resnick.

O anjo salvador, certo?

Sidney...

o que d� a vis�o.

- Afinal, o que h� para ver? - Sr. Resnick.

J� vi tudo mesmo.

Vi a segunda luta entre Louis e Schmeling e ganhei muito dinheiro.

E vi o Derby de Kentucky tr�s vezes!

E vi quando Bobby Thomson acabou com os Dodgers.

J� vi tudo, homem. Tudo.

Mas me pergunto...

- Me permite? - Claro.

Me pergunto...

Como ser� quando for sempre meia-noite...

e ningu�m apagou a luz?

O que farei?

Usarei uma bengala e venderei l�pis?

O que fazer?

Talvez chorar um pouco.

Terei muito tempo para isso, muito tempo.

Ainda posso chorar com meus olhos, n�o �?

Sem nenhuma restri��o, sr. Resnick.

Sem nenhuma restri��o. Doutor, o senhor sabe dizer as coisas.

- � claro que sabe... - Aqui est� o seu dinheiro, sr. Resnick...

com algum extra por nossa conta...

e o endere�o do hospital.

Deve estar l� �s 7 da noite.

Est� pesado.

Espero n�o passar por uma loteria.

Os jogos de azar s�o minha perdi��o.

� um v�cio, eu sei.

Por exemplo, cavalos, aposto 5 contra 1...

que 24 horas depois que me cegarem...

vou querer me matar.

� esta a aposta que fa�o.

Quando o vir, beberei o Central Park.

Deixarei que entre por meus olhos, at� que me inunde o c�rebro.

Farei um registro de tudo o que vi neste curto tempo...

para lembrar delas o resto da minha vida.

O que se pode fazer? Nada.

� a hist�ria da vida do simples Sidney.

Escreva na l�pide, sim?

"Aqui jaz Resnick.

Queria ir a Miami Beach e fumar uns charutos...

e era tudo o que queria".

Que isso lhe sirva de li��o.

� isso o que se ganha por ser pobre.

Te arrancam os olhos.

A hora esperada pode ser a qualquer momento...

como disse, depois das cinco.

Permita-me dar-lhe alguns conselhos.

Tire as bandagens lentamente.

Em seu lugar eu manteria os olhos fechados...

e o quarto no escuro.

A luz deve ser introduzida lentamente, pouco a pouco.

� como acostumar-se a um membro artificial.

Pode levar tempo at� que os olhos se ajustem...

e que aceitem a luz.

Talvez horas.

O que foi, doutor? Est� admirando minhas obras de arte, n�o �?

J� tinha tudo planejado, n�o �, srta. Menlo?

� claro. Todas as pinturas e estatuetas...

est�o aqui onde posso v�-las...

se for de tarde ou de noite.

Meus olhos v�o tirar fotografias, doutor.

Fotografias de tudo, e que arquivarei para futuras consultas.

Uma consulta futura muito grande...

dependendo do tempo que viver.

Agora, se j� terminou, doutor...

Srta. Menlo...

espero que aproveite bem as pr�ximas 11 ou 12 horas.

Espero...

que seus olhos vejam o que � importante ver.

Espero que meus esfor�os n�o tenham sido em v�o.

Pelo nosso bem, tamb�m espero doutor.

- Ent�o boa noite. - Diga adeus, doutor.

- N�o voltaremos a ter contato. - Que pena.

Ent�o vai se desfazer de mim.

Todos os que cruzam o meu caminho...

s�o descartados quando n�o t�m mais serventia.

- Claro. - Doutor.

Acenda a luz, por favor. A da entrada.

Pode deixar.

Se me vir na cidade esta noite, doutor...

deve apresentar-se.

Me ocorreu que nunca vi o seu rosto.

Vai me reconhecer, srta. Menlo.

Serei um homem alto, com olhos doentes.

A dor em meu semblante...

e uma infec��o incur�vel em minha consci�ncia.

Vai me reconhecer, srta. Menlo.

Obrigada, Heatherton.

C�us! N�o!

Bruxo! Charlat�o!

Curandeiro! Carniceiro!

Vou acabar com voc�!

Heatherton! Quero que volte aqui!

Elevador!

Heatherton, por favor, volte.

N�o funcionou.

N�o serviu de nada.

Est� tudo escuro de novo.

Heatherton, por favor.

Quem est� a�?

Tem algu�m a�?

Algu�m pode me ver? Preciso de ajuda!

Heatherton. Por favor.

Policial, o que aconteceu?

Um apag�o. N�o h� eletricidade. Aonde vai, senhor?

A Westport, Connecticut.

Desejo-lhe sorte.

V� pela Columbus Circle, at� chegar � rua 79.

Mas saia da cidade se puder.

- Quanto tempo isso vai durar? - � melhor perguntar ao prefeito.

V� andando.

Posso ver.

Estou vendo o sol.

O sol � de um dourado intenso.

Isso � cor!

Meu Deus! Que lindo!

Est� desaparecendo.

Espere, ainda n�o!

11 horas!

E j� se acabaram!

Isso n�o � justo!

N�o! N�o � justo!

N�o estou pronta. Volte!

N�o pode me deixar.

Por favor volte.

Eu o quero! Quero o sol!

E agora o �ltimo quadro.

A �ltima parte da apresenta��o � sobre Josef Strobe...

um criminoso nazista de guerra, que se esconde na Am�rica do Sul...

um monstro que queria ser pescador.

Esta � a sua hist�ria.

Mas que bagun�a � essa?

Volte a dormir, velho...

ou eu o fa�o dormir.

N�o fa�a tanto barulho.

� muito persuasivo, herr Strobe!

A proximidade de uma vadia barulhenta me faz ficar assim.

Mas se algu�m te furar com isso...

como ficaria ent�o?

Deve aprender a viver com um pouco de dor, querida.

� disso que o mundo � feito.

Assim, se acostuma.

J� estou bastante acostumada.

� a caracter�stica da minha ocupa��o.

E � o que mostra o meu corpo.

Mas todos sempre mostram alguma valentia, n�o �?

Ao inv�s de...

uns tantos mil por dia na c�mara de g�s...

Agora �...

um ou outro b�bado vestido de marinheiro.

Ou uma prostituta que fala a minha l�ngua.

Este � um acidente de nascimento, herr Strobe.

O idioma � a �nica coisa que temos em comum.

E?

Boa noite, herr Strobe.

V� para o seu quarto...

e tenha um de seus pesadelos.

Quando ou�o todo o seu medo atrav�s da parede...

� uma noite de gl�ria para mim.

Gruppenf�hrer Herme Arndt. Ali�s Josef Strobe.

Seu �ltimo paradeiro conhecido Caracas, Venezuela.

Saiu do pa�s em abril de 1961.

Sup�e-se que atualmente se encontre em Buenos Aires.

H� algo de concreto?

O de sempre. O viram aqui e ali.

Dizem que trabalhou em uma f�brica de a�o.

Investiguei tudo. Nada realmente.

Procurei nos bares, grupos sociais alem�es, tudo.

Nem sinal dele.

Mas provavelmente ele est� aqui.

Desta vez me basearei em meus instintos.

Pode ter feito uma cirurgia pl�stica...

usar barba e bigode...

ou um chap�u que esconda o seu rosto.

Ele est� aqui...

e vamos encontr�-lo.

Um pesadelo.

Aqui est� um pesadelo.

Estive presente a este tipo de coisa.

Tive um amigo, Jacob Sternbach, que foi crucificado assim

Levou dois dias para morrer.

Me desculpe. O quadro me afetou.

Me traz muitas recorda��es.

Espero n�o o ter perturbado.

- Senhor? - Sim?

Eu j�...

J� nos encontramos antes, n�o �?

N�o creio. Acabo de chegar.

� alem�o, n�o �?

N�o. H�ngaro.

Me parece... Me parece conhecido.

Nunca esteve em um campo de concentra��o?

Em Auschwitz ou... em Oranienburg?

Estive nos dois lugares.

Me chamo Bleum.

J� lhe disse que n�o sou alem�o.

Me desculpe.

Senhor, o museu vai fechar.

Queira sair, por favor.

Senhor, deve sair, por favor.

Por favor.

Pesadelos outra vez, herr Strobe?

V� para o inferno.

Dizem que agora � um amante de arte.

Uma amiga me disse que o viu esta manh� no museu.

O que o atormenta esta noite?

Gretchen.

Converse comigo um pouco.

Sobre o que quer falar?

Algo me aconteceu outro dia...

e hoje de novo.

- O qu�? - Estava olhando para um quadro.

Um quadro de um... pescador...

em um lago nas montanhas.

Depois de um momento pareceu como se...

- Como se o qu�? - Como se fosse eu que estivesse no bote...

pescando.

N�o havia dor.

Nenhuma fuga. Eu...

olhava por cima do meu ombro.

O que espera ver?

Fantasmas.

Fantasmas israelitas.

Parece que existe uma lista de procurados.

- Sim, existe. - E depois de Eichmann...

� voc� o primeiro dessa lista, herr Strobe?

� bem prov�vel.

O que fariam com voc�?

�timo.

O que pe�o afinal?

� pedir muito parar de fugir?

Deixar de procurar as sombras para me esconder nelas?

Onde est� esse Deus cheio de compaix�o e de perd�o de quem tanto falam?

Que me apare�a agora.

Que me d� uma oportunidade de sobreviver.

S� isso. Sobreviver.

Como naquele bote...

e naquele lago.

Se eu tivesse...

me concentrado...

com todas as minhas for�as...

Se eu tivesse exercido toda a minha vontade...

teria entrado naquela pintura.

Estou surpresa, herr Strobe.

Quem haveria de pensar...

que a �nica coisa que deseja � um bote com remos?

Sim.

Somente isso.

Voc�, o deus vestido de preto...

que acabou com milhares de vidas...

E a �nica coisa que deseja � um bote com remos!

Sabe uma coisa, herr Strobe?

Seus desejos s�o realmente bem extravagantes.

Anseia pelas coisas mais...

pelas coisas mais caras e imposs�veis de conseguir.

Paz e imortalidade.

Esque�a, herr Strobe.

O pre�o � uma alma e uma consci�ncia, e voc� n�o tem nenhuma das duas.

V� para o inferno!

Depois do senhor, herr Strobe.

Boa tarde.

Gosta dele, n�o �?

De certa forma.

E do quadro do campo de concentra��o...

n�o gosta dele, herr Arndt?

O que disse?

Acho que se enganou.

Eu me chamo Strobe.

Josef Strobe. O senhor me chamou por outro nome.

Me perdoe. Acho que foi isso mesmo.

O senhor me lembrou algu�m.

Algu�m chamado Herme Arndt.

Herr Arndt n�o gostava de judeus.

Ficava parado na entrada principal de Auschwitz...

com um bast�o nas m�os.

Indicava quem iria morrer...

e quem ficaria vivo por uns tempos.

E como foi que escapou, herr Bleum?

Um campo de concentra��o pode ser uma boa escola...

onde um homem pode aprender a permanecer vivo.

Tenha um bom dia, herr Strobe.

Eu sabia quem o senhor era.

N�o se esquece um homem como o senhor facilmente.

Que comovente.

E agora, tomaremos um trago?

Ou falaremos dos velhos tempos?

O que faremos, hein?

Do que gostaria?

Diga-me e verei se posso agrad�-lo.

Diga-me, herr Bleum...

Eu mudei muito?

N�o. N�o, gruppenf�hrer.

O senhor mudou muito pouco.

Excelente.

Excelente, herr Bleum.

A mem�ria ainda est� inteira.

O corpo est� um tanto... deteriorado, n�o �?

O meu corpo foi muito maltratado.

Isto, me fizeram com um cigarro aceso...

durante uma tarde, digamos, mon�tona.

Uma divers�o, gruppenf�hrer...

algo que o senhor muito aprecia.

Diga-me, herr Bleum.

Est� feliz relembrando essas coisas?

- Ou est� pensando em...? - Contar a todos?

O que o senhor acha?

Acho, herr Bleum...

que se tem algo a dizer ao Deus de Israel...

este � o momento.

Estou em paz com Deus.

E isto � algo que voc� nunca ter�, gruppenf�hrer!

O senhor crucificou muitos 'Cristos'...

para que Deus possa lhe perdoar.

- Ainda � um m�rtir, n�o �? - N�o. Sou simplesmente...

seis milh�es mais um.

A que horas sai o pr�ximo �nibus?

Para onde o senhor quer ir?

Para qualquer lugar fora da cidade...

para o mais longe poss�vel.

Bem, este vai para Mar del Plata.

Tem sorte, parou de chover. N�o vai demorar a sair.

Depois de 20 anos n�o � muito.

Desculpe, acho que temos um conhecido em comum.

Conhece o sr. Bleum?

Escutem, n�o me importa o que Bleum tenha dito.

- Est� completamente louco. - Vamos.

Me escutem.

Eu n�o sou quem voc�s querem.

H� outros mais importantes.

Como Martin Bormann, ainda est� vivo.

Podem acreditar, est� vivo.

E M�ller. Heinrich M�ller est� vivo, na Sil�sia.

Me escutem. Conhe�o estes homens, posso encontr�-los.

Por favor. Deve haver um pre�o.

H� um pre�o, n�o importa qual!

Tomem cuidado com essas pinturas.

Ponham-nas com cuidado no caminh�o.

Est� bem!

Ningu�m liga para cultura neste pa�s.

H� coisas mais interessantes na vida.

- Ningu�m liga para as pinturas. - Est� bem, tomaremos cuidado.

N�o deixem que se molhem.

- Agora m�os � obra. - Est� bem, est� bem.

Andem logo, est� ficando tarde.

Est� bem.

E tomem cuidado quando as guardarem, por favor!

Quem est� a�?

Quem est� a�?

'Shalom', gruppenf�hrer. 'Shalom'.

Por favor. Se existe um Deus, que me apare�a agora.

Coloque-me no quadro.

Devo entrar no quadro.

Por favor.

Deus, Cristo, seja l� quem for!

Coloque-me dentro do quadro!

Tenho que entrar no quadro.

A esta hora?

O que foi agora?

N�o est� ouvindo?

Deve ser um cachorro atropelado.

Parece tudo em ordem.

Se tinha algu�m aqui, j� se foi.

Onde est� o "El Pescador"?

- O que estava em exposi��o? - Era emprestado. J� foi embora.

O diretor p�s o do campo de concentra��o no lugar.

� espantoso.

Boa noite.

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