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Original subtitles

SEM LIMITES

O mundo que pretendemos conquistar não tem fim.

Não há beira por onde se precipitar ou navegar rumo à escuridão.

Um homem não deve perseguir mais do que a luz da sabedoria.

Com valentia, incessante e sem vaguear.

Ainda que para isso devamos enfrentar a nossa escuridão interior.

PALÁCIO REAL LISBOA, PORTUGAL

Guardas.

Capitão Magalhães, o rei não poderá receber-vos.

As audiências terminaram por hoje.

Voltarei amanhã.

Capitão Magalhães,

o rei não deseja ver-vos.

Ministro,

lutei pelo nosso rei durante 20 anos.

Em Cananor, em Malaca, em Marrocos…

Eu sei! E estamos-lhe muito agradecidos.

- É assim que me agradecem? - Capitão.

As vossas anteriores audiências resultaram muito incómodas para o rei.

Vim defender a minha honra e pedir o que considero justo.

Sinto muito.

Ministro! Hoje não venho pedir,

mas, sim, oferecer.

É uma descoberta de um valor incalculável.

Enviai um requerimento.

Se o que ofereceis for de interesse, eu irei comunicá-lo ao rei.

Nem sequer me recebeu.

Passei dois anos da minha vida a investigar.

Falei com astrónomos, com pilotos, com cartógrafos, mas o meu rei…

… recusou ver-me.

Seria uma descoberta única.

Que ficaria para a História.

A passagem está ali,

à espera que alguém a atravesse.

E daí chegaríamos ao nosso destino!

Voltaríamos carregados de tesouros.

O rei ver-se-ia obrigado a tratar-me com respeito.

Fernão…

É hora de descansar.

Vamos.

Vem.

Fernão…

Vem.

Encontrarei um monarca que respeite o conhecimento.

- Acusar-te-ão de traição, meu amor. - Não importa.

Irei a Espanha.

Falarei com o meu pai e o meu irmão.

Têm amigos na corte do rei Carlos.

Vamos.

A 500 QUILÓMETROS SEVILHA, ESPANHA

Sacas a bordo.

Vejam, é Clemencio, o avarento!

Clemencio, há quanto tempo!

- Bem-vindo. - O que tens para nós?

Vamos ver.

O que têm para mim?

Cobre, linho, cereais.

- E ferro. - Ferro.

E Elcano?

- Morreu. - Morreu?

Aonde vais?

Elcano, bem-vindo!

Clemencio, há quanto tempo!

Vejam o que encontrei.

Sacana! Eu mato-te!

- Passaram mais de seis meses. - Sim, senhor.

Mas valeu a pena.

Só saberei quando vir o conteúdo da vossa arca.

- Avarento zarolho. - Avarento?

Clemencio, o que faz a vossa senhora com aquele cavalheiro?

Não, era a vossa irmã.

É isto que nos ofereceis? Vamos procurar outro.

Não!

Esperem. Talvez…

Talvez possamos chegar a acordo.

Talvez.

Um pobre velho embarcou

Disse: "Senhor, quero embarcar."

Para ver o mar e a sua imensidão

Mas o capitão não o deixou subir

Vão tornar a vida dele infernal

Capitão!

Um brinde ao mar e ao nosso capitão!

Um brinde ao mar, por nos permitir gozar os prazeres da vida!

Cuidado! Basta!

Quieto!

Basta!

Castelhanos filhos da puta!

Tomem lá, filhos da puta!

Vamos ver.

Apresento-vos o vosso rei, Manuel de Portugal!

O que fazes?

Vamos procurar outra taberna!

- Vamos. - Não.

Porque não? Acabámos de chegar a terra.

- Não é de madrugada, capitão. - Vou para o barco.

Porque vais para o barco?

Sebastián!

Vamos para uma taberna que não esteja cheia de portugueses de merda.

Vamos mostrar-lhes que Elcano e os homens dele chegaram!

Bela celebração, Elcano.

Desgraçado.

Gostas de ser o grande capitão?

Mas esqueces que fomos nós, os genoveses,

que emprestámos dinheiro para comprar o barco.

Decidiste pagar à tripulação e não a nós?

Muito bem!

Mas, em troca, nós vamos ficar com o barco.

Não. O Guetaria não é só meu, pertence à Coroa.

Claro que sim.

Quando amanhecer e o juiz souber que deste o barco,

vai doer-te mais a cabeça.

CORTES DE CASTELA ESPANHA

Bom, já sabemos que o rei Carlos é muito jovem,

mas extremamente ambicioso.

Se vos reprovarem por seres português, já sabeis.

Dizei que sois casado com a minha irmã Beatriz,

- que é espanhola e de família nobre. - Fala espanhol.

As audiências terminaram. Sua Majestade parte em viagem.

- E quando regressará? - Daqui a três semanas ou um mês.

- Não podeis entrar! - Pode. É o capitão Fernão de Magalhães.

- Tendes de me ouvir. - Como vos atreveis?

Venho oferecer-vos o maior feito de sempre.

- Levem-no daqui! - Majestade, escutai-me!

- Serei o príncipe mais rico da Terra! - Parem!

Soltem-me.

Vossa Majestade.

Há um caminho mais curto para chegar às Índias e às suas riquezas.

Um caminho pelo oeste.

Se me permitis…

A terra das novas Américas não acaba no sul.

Há um canal que comunica com o outro grande mar

e que vai dar às Ilhas das Especiarias.

Quando abrirmos essa nova rota, Espanha será dona do comércio de especiarias.

Os vossos lucros serão imensos.

E porque haveríamos de confiar em vós?

Um português.

O meu rei ignorou os meus conhecimentos.

Sou livre de os oferecer a quem acreditar neles.

Pedis um ato de fé.

Pelo contrário. Há anos que visito a tesouraria de Lisboa.

É onde guardam as cartas de navegação

e os livros de observação de todas as expedições portuguesas.

Passei anos a calcular e a estudar para encontrar essa passagem.

Outros já a procuraram.

Se ninguém a encontrou, é porque não existe.

Existe, Alteza.

Existe. Se me derdes a vossa bênção,

irei descobri-la para vós.

Quantas expedições liderou, capitão?

Nenhuma.

Mas navego há 20 anos.

Percorri várias vezes as costas de África e da Índia.

Vossa Alteza…

Se este homem nunca comandou um navio,

seria uma loucura dar-lhe uma expedição que nos custaria milhões de reais.

As especiarias são mais valiosas do que ouro.

Voltaremos carregados de noz-moscada, incenso, cravo…

O custo da expedição será insignificante

comparado com o que entrará nos vossos cofres.

Espanha será muito mais rica do que Portugal.

O risco vale a pena, Vossa Majestade. Garanto-vos.

O que pedis em troca?

Que as descobertas tenham o meu nome.

Glória?

É só isso que vos motiva?

Também quero uma quinta parte do lucro.

Para mim e para os meus descendentes.

Tereis de jurar lealdade a esta Coroa e a este rei.

Fá-lo-ei.

E de aceitar as condições impostas.

Aceitá-las-ei.

Rapaz.

Vem ter connosco.

Vá lá, só um pouco.

Só um pouco.

Como te chamas, rapaz?

Juan.

De onde és, Juan?

Dizem que sou de Santander, mas não sei.

Não conheci os meus pais.

Porque estás aqui, Juan de Santander?

Por tropeçar.

Quando fugia, depois de roubar uma galinha.

SEVILHA, ESPANHA

Capitães.

Vossa Eminência.

Recebi a aprovação de Sua Majestade e do Conselho das Índias.

Capitão Mendoza, comandareis a nau Victoria.

Capitão Quesada, comandareis a nau Concepción.

E vós, capitão Cartagena, comandareis a nau San Antonio

e sereis o observador real da expedição.

Sereis responsável

por defender sempre os interesses da Coroa de Espanha.

Garanto que serão, Vossa Eminência.

E os outros navios?

O capitão Serrano comandará a Santiago

e Magalhães comandará a Trinidad e o conjunto da expedição.

O nosso rei depositou a confiança nesse português,

mas sabemos bem que os nossos vizinhos não são de fiar.

Não. Sabemos que os nossos vizinhos são o nosso maior inimigo, Eminência.

Se foi capaz de trair o seu próprio rei, o que será capaz de nos fazer?

Frente a frente.

Olha para ele… E eu a ver, pávido e sereno, como uma coruja.

- Cara de coruja. - Olhos deste tamanho.

- Nunca esperava… - Aí estava, com os olhos deste tamanho.

- Nunca esperava que fizesse aquilo. - Que querias que fizesse?

Nada.

Obrigado.

Por Dom Diogo, que nos conseguiu a audiência com o jovem rei.

Por Dom Diogo.

Não vejo a hora de partir, Fernão.

Piloto para a Trinidad, uma dúzia de marinheiros e poderemos zarpar.

Fernão, tereis de ser prudente.

Há boatos de que Cartagena e Mendoza

não vão permitir que a glória recaia num português.

Pai.

Irmã,

não vos preocupeis.

Se ousarem desafiar-nos, provarão o aço das nossas espadas.

Isso colocaria contra vós toda a tripulação.

Seremos prudentes.

Não estejais triste, Beatriz.

Como quereis que esteja?

O meu marido e o meu irmão vão partir e não sei se voltarão.

Voltaremos.

Sobre os seus braços recai toda a responsabilidade.

Mas também recairá toda a glória.

Vale a pena procurar a glória, se morrer nessa procura?

Beatriz…

Por…

Basta!

Basta, criança!

Deixa-me!

- Para outro navio, este está cheio. - Ponham as rações no porão.

- Vamos. - Tu, ajuda-o!

Atrás de mim.

Um, dois, três!

Um, dois, três!

Um, dois…

Capitão Fernão de Magalhães.

Sou Antonio de Pigafetta e venho alistar-me na sua expedição.

Preciso de marinheiros e pilotos experientes.

Creio que não sois nem um nem outro.

Um, dois…

Trago uma recomendação de Sua Santidade Leão X.

Isso não vos torna mais apto. Um, dois, três!

Capitão, estudei as línguas indígenas.

… dois, três.

Enrique é de Malaca. Também as conhece.

Um, dois, três.

Agora, prendam-na.

Capitão, de nada servem os maiores feitos se não houver ninguém para os relatar.

Eu escreverei sobre vossas façanhas para a posteridade.

Nome.

Agustín Ocaña.

- Espanhol? - De Sevilha, senhor.

Desculpe.

Queres ir parar atrás das grades?

- Não. - Anda.

Tonto! Vai.

- Chamo-me Omar. - Pachito.

- Pablito? - Pachito.

- Bem-vindo. - Obrigado.

Vai.

Cinco homens.

Desculpe, senhor.

Veja aqueles navios tão bonitos.

Não percebo.

Como é possível?

- Não, senhor. - Não vos preocupais.

Dou-vos esta moeda para que compre uma taça de vinho no porto.

Que se passa?

Larguem-me. Vamos!

Estás bem?

Arrisqueis a vida por um escravo dias antes de zarpar?

Este homem está ao serviço da Coroa de Espanha, como vós e como eu.

Leva para o meu camarote.

- Que aconteceu? Estais bem? - Sim.

- Calma. De onde sois? - Do Sacro Império Romano-Germânico.

Aqui tem, comandante.

Metade são espanhóis.

Os outros são italianos, franceses, portugueses, gregos.

E dois alemães.

São 237 almas.

Muito bem.

Gente sem ofício.

- Fugidos da justiça. - Sim, é o que temos.

Mas também, Fernão,

quem se atreveria a ir ao fim do mundo se não fossem estes e os loucos como nós?

Tu! Vem cá.

E continuamos sem um piloto.

Sim.

Levanta-te, desgraçado!

Que se passa?

Capitão.

Sou o capitão Fernão de Magalhães.

Pareceis ter irritado o rei.

Sim.

Tenho uma proposta para vós.

Deve ter ouvido muitas recusas para ter de vir aqui.

Muitos temem o enorme desafio que lhes ofereço.

- E porque sois português. - Como vos atreveis?

Se vierdes connosco, ficarás livre e vossas dívidas serão perdoadas.

Dizem que estudastes navegação com o próprio Vespúcio

e que sois um excelente piloto.

É verdade?

Não.

Sois ou não um excelente piloto?

- Já não sou piloto, sou capitão. - Capitão…

Um capitão sem navio!

O rei já escolheu os capitães da expedição.

Voltaremos com os porões a transbordar.

Podereis comprar outro navio.

A escolha é vossa: o mar ou a cadeia.

Teria de tentar convencer os meus homens.

Já se alistaram. Como penseis que vos encontrámos?

Capitão.

Precisaremos de um grumete.

Que fazeis aqui?

Trago uma mensagem de nossa Majestade, el-rei de Portugal.

Ordena-vos que abandoneis este projeto e que regresseis imediatamente a Lisboa.

Nossa Majestade será generoso para com vossa mercê.

Sinto muito, ministro, mas já dei a minha palavra ao rei de Espanha.

Entrar ao serviço de um monarca estrangeiro

é a pior afronta que podeis fazer contra o vosso rei.

Passei 20 anos a lutar pelo meus país.

E o que fez o rei quando mais necessitei?

Desprezou-me.

Indicai um preço.

Dizei! Quanto quereis para abandonar esta loucura?

Não entendeis?

Não abandonarei os meus sonhos por nenhuma bandeira nem esmola.

- Saí da minha casa! - Reconsiderai, Fernão!

Pensais que os capitães espanhóis que vos acompanham

vão confiar num estrangeiro?

Acreditais que vão permitir que termineis com vida?

Saí de minha casa!

Sabei que não vivereis para saborear a glória que procurais.

Fora da minha casa.

Não vivereis.

Que te disse?

Pediu-me que te convencesse.

Mas disse-lhe que és um homem de honra,

que serás fiel à tua palavra, meu amor.

Tudo o que se pode calcular e prever

já calculaste e previste.

Porque não esperas que nasça?

Gostaria de estar contigo quando nascer.

Mas não podemos arriscar que o rei mude de ideia.

Gostava de ficar.

E se o estreito não existir?

O que fazes?

Encontraremos o novo caminho.

Chegaremos às Ilhas das Especiarias.

E vamos ter a vida que merecemos.

Não duvides.

Espera pelo meu regresso.

Prometo que, com os lucros da viagem, comprarei uma quinta e serás minha mulher.

- Porque te ris? - Outro marinheiro prometeu-me o mesmo.

Mas não voltou.

Esperarei seis meses.

Mas traz-me um bom presente que mereça a espera.

Elcano!

É bom ver-vos, capitão!

- Não disse? - Sebastián!

- Este é Juan, um dos nossos. - Senta-te aqui, rapaz.

- Queres vinho? Já provaste? - Não sei.

Aqui tens.

- Enche. - Bebe, Juan!

Isso.

- Isso, Juan. - Diz-me que vais connosco.

Sim!

Como podia ir sem ti?

Se os golfinhos morrem de amor

Pobre de mim

Que farão os homens

Que têm corações ternos?

Desde que vi o mar afora

Ergui os olhos e vi a minha terra

Pensando nunca mais regressar

Ergui os olhos

E vi a minha terra

Bravo!

- Irmã. - Irmão.

Cuidai dele, sim?

Não vos preocupeis.

- E cuidai de vós. - Sim.

Ide.

Elcano.

Eu nem sei nadar.

Nem eu.

Cuidai da minha irmã.

- Pai. - Adeus.

Estarei convosco assim que possível.

Todos a bordo!

Toma.

Para nos teres nos teus pensamentos.

Sim?

Estarão sempre nos meus.

Vamos! Todos a bordo!

Embarcai!

Volta.

O teu corpo lindo

Leva-me à morte

Levantai-me, mãe

Quando o sol nascer

Fernão de Magalhães.

Partilhareis vossas decisões como comandante da expedição

com o observador real, Dom Juan de Cartagena.

O comando da expedição deve ser…

Comandante,

dissestes que aceitaríeis as condições do rei. São estas.

Preparem-se para zarpar! Todos aos seus postos.

- Içai as velas! - Içai as velas!

Segurem-nas!

Içar a vela da proa!

Haverá algo que supere isto?

Informai el-rei que as nossas ofertas de nada serviram.

Nem as nossas ameaças?

É um louco!

Está empenhado em demonstrar que as suas teorias são verdadeiras,

que esse maldito estreito existe.

E se existir?

O comércio de especiarias ficará sob controlo do Reino de Espanha.

Temos de fazer alguma coisa. Temos de agir.

Já o fiz.

Acabei de informar a armada.

Isso é como procurar uma agulha num palheiro.

Não se um dos seus tripulantes nos ajudar.

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