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- Patri. - Caraças, que susto!
- Desculpa, tenho pressa. - Acompanho-te.
Não é boa ideia andares sozinha pelas ruas.
Não há problema, vou à esquadra.
À esquadra?
Patricia, se sabes algo podes contar-me.
Não sei nada. Deixa-me passar.
Não, eu trato disso, caralho.
Eu vou.
Porque não queres que vá à esquadra?
Tranquila, miúda.
Tranquila.
Foda-se, tu és o Tezaru!
Patri.
Era só um jogo.
Um jogo? Estavas a espiar-me, filho da puta!
Não podes contar-lhes.
- Não podes contar-lhes. - Deixa-me.
Patri, por favor, não podes.
Patri.
Patri.
Patri, não.
Patri?
A RAPARIGA INVISÍVEL
Está bem. Vou buscar o carro.
Apanhámo-lo.
Há centenas de fotos e vídeos de miúdas.
Também da Patricia Herreros.
Anda, caralho!
Vamos.
Vamos, afastem-se!
Afastem-se!
Filho da puta!
Vamos!
Vamos!
Começou por ser um jogo inocente.
Não me lixes, era uma aluna.
Por isso quis parar, mas...
... Ela queria continuar, e continuar...
Porque não sabia que eras tu. Enganaste-a durante meses.
Não queria fazer-lhe mal.
Está morta!
Perseguiste-a!
Se ela falasse das fotos,
iam acabar por saber que eu era o Tezaru.
Foi um acidente.
E a Aurora? Também foi um acidente?
Estás fodido.
Eu não matei a Aurora.
Eu nem estava na feira a essa hora.
Jantei com uma amiga em minha casa.
Foi um acidente.
Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso Reino...
Obrigado.
Lázaro, caraças...
E as pessoas...
... Se não fosse o teu pai...
Porque te chamou, o meu pai?
Por causa da minha relação com a Aurora.
Encontraram mensagens no telemóvel dela.
Também troquei mensagens com a Aurora e não me chamaram.
Sim, mas as minhas eram intensas.
Chateámo-nos.
Não me estás a contar tudo.
Quando quiseres,
eu estou aqui.
Se quiseres podes contar-me.
Bom dia.
- Olá. - Bom dia.
Olá. Podes fazer o café? Vou à casa de banho.
Disseste-lhe alguma coisa?
O Iván esteve aqui em casa?
Sim, apanhámo-lo os três.
Já temos o assassino, papá. Porquê essa cara?
Ganhei o direito a saber o que se passa, não?
O Lázaro garante que não matou a Aurora.
Estamos a confirmar o álibi.
Ferrer.
Já era tempo, cabrão.
Estou farto deste lugar.
Raspas e só há merda.
Parece que não foi boa ideia vir quando a tua mãe morreu.
A merda do café não sobe?
Agora procuras-me?
O que queres agora?
Dizer-me que encobriste um assassino?
Fiz o que tinha a fazer. Tu sabes.
O que eu sei é que podias ter evitado a morte dessa rapariga.
É o que eu sei.
Gostes os não, tenho de respeitar os meus princípios.
- Como tu respeitas os teus. - Quais princípios?
Cobardes como tu fazem as pessoas perder a fé.
Eu não sabia.
Não sabia que tinha matado a Patricia.
Sabia das fotos. Só me contou isso.
Lamento.
Que mais sabes?
Se sabes mais e não me contas, vou atrás de ti, Ferrer.
Foda-se meu, não acredito.
Estávamos a trabalhar com um assassino.
O que tens?
Nada.
Queria que levássemos com as culpas, o cabrão.
Tenho de ir. Vou ter com a Alicia.
Adeus.
Avisem-me.
Iván!
Iván.
- Que caralho queres, Vanesa? - Que bruto que és.
Soubeste do Lázaro?
Claro. Fui eu que o apanhei.
Com a Julia e o Emi.
Estás a gozar comigo?
Agora andas com os cromos?
Pelo menos não me abandonam quando preciso.
Certo.
Ao trabalho, temos muito para fazer.
- Parabéns, tenente. - O que é isto?
Estão contentes.
Apanhámo-lo.
O relatório do disco duro.
Assediava as miúdas com o nome de Tezaru.
Há dezenas de miúdas aí.
Também entrava nas webcams
e chantageava-as.
Que tipo. Professor de informática, está-se a ver.
Com a Patricia estava agarrado. Obcecado.
Há centenas de imagens dela.
E da Aurora Ríos?
Da Aurora não.
Quer dizer, não encontrámos nada.
Nem uma?
Não, mas para um juiz é elementar.
Meu tenente.
Pode acompanhar-me?
O que foi?
São de dez minutos antes do fogo de artifício.
Quase do mesmo instante em que mataram a Aurora.
A mulher que está com o Lázaro foi localizada?
Sim, e corrobora a história dele.
Além disso pediram comida e foi confirmado.
Esta tarde gravámos um comunicado.
- Cancelem-no. - Não podemos.
Estão a pressionar muito de Madrid.
- As pessoas... - Não sabemos quem matou a Aurora.
Se não foi o Lázaro teve de ser a Virginia.
Não sabemos isso.
Todas as provas apontam para ela.
Julia, o Emi está em casa?
Sim, porquê?
- Papá, o que se passa? - Mas está contigo?
Queria falar contigo a sós.
Afinal o Lázaro tem um álibi. Ele não matou a Aurora.
Sabes a que hora o Emi voltou da feira?
Não sei.
Mas achas mesmo que o Emi...
Ele não tem álibi.
E a Virginia?
As provas não são conclusivas.
Ouve, não estou tranquilo com o Emi em casa.
Diz-lhe para ir para casa dos pais.
A sério, papá? Estás a pedir-me que o expulse.
Preferes que lho diga eu?
Não.
Vemo-nos mais tarde.
Julia?
Sim, Emi.
- Tudo bem? - Sim.
O que fizeste quando saíste da feira?
Era o teu pai, não?
Ele perguntou-me.
Diz-lhe a verdade. Que fui fumar um charro no miradouro.
O Lázaro tem um álibi, ele não matou a Aurora.
E como eu não tenho, volto a ser suspeito.
Sim, Emi.
Certo.
Toma.
Diz ao teu pai que vou para casa.
E obrigado por estares aí.
Julia, e esta tarde? Encontramo-nos?
Onde?
Estás bem?
Sim.
Tens a certeza?
Desculpa.
Acho que isto é demasiado para mim.
Isto não...
Porque enviaram mensagens de amor minutos antes?
Deve ter-se passado algo entre elas quando se encontraram.
Algo?
Algo que a levasse a matar à pancada,
com tanta violência?
Não sei como não entendes.
Se a Aurora falasse, a vida da Virginia ia à merda.
Não, não entendo, Maite. Explica-me outra vez.
Adorava que não fosse isso.
Mas ela tinha o telemóvel, Miguel Ángel.
Tinha o pingente que lhe arrancou.
Recordo-te que ainda não temos a arma do crime.
Sabemos que foi um stick de hóquei.
Foi no ginásio, estava à mão.
O Emi não tem álibi.
O Emi e a Aurora tiveram uma discussão de miúdos e foi há meses.
Foi a Virginia, Miguel Ángel.
Não consegues perceber porque é a irmã do teu melhor amigo.
- Mas é óbvio. - Não tem nada a ver.
É óvio como?
Não me parece, Maite.
Não me parece.
Lamento.
São as provas.
Não vou fechar o caso até estar completamente seguro.
E ainda não estou.
Espero que tenhas razão.
Onde vai esta?
Sabe-se lá.
Está a demorar, não?
Vamos?
Sabem a que horas o Emi regressou da feira?
Porquê? O meu filho fez alguma coisa?
Não sei.
Mas o caso não estava fechado?
Estamos a verificar alguns pontos.
Deve ter sido tarde.
Estávamos a dormir. Como podemos saber a que horas chegou?
Além disso...
Porque não lhe pergunta? Ele vive em sua casa, certo?
Não brinques comigo.
Alguma vez vos falou da Aurora?
Se há alguma suspeita sobre o meu filho, gostaria de saber.
Se está preocupado com o seu filho, responda.
O meu filho nunca me conta nada.
O Emi e a Aurora eram colegas de turma, mas não se viam há muito tempo.
Sobre o resto podemos ler. Vamos, Rocío.
Iván.
Iván, estás aí?
- Iván? - Já venho. Toma.
Iván.
- Iván! Arranja-me alguma coisa. - O que fazes aqui?
- Arranja alguma coisa. Por favor. - Não tenho nada, vai-te foder!
O que tiveres.
Quantas vezes te disse para não vires aqui?
- Muitas? - Então porque vens?
- Porque preciso, por favor. - Não tenho nada, vai-te embora.
É a amiga da minha menina.
- Bernardo. - Deixa-me falar com ela, por favor.
O Lázaro não matou a minha menina.
Sei que me podes ajudar.
Ajuda-me a encontrar o assassino.
Bernardo, chega aqui.
Ouve-me.
- Não te aproximes dela, ouviste? - Sim.
Não te aproximes dela, estás a ouvir?
Vai.
Põe-te a andar, caralho.
Olá, jeitoso.
Queres oferecer alguma coisa?
- Vais dizer que não a duas boazonas? - O quê?
É o que fazes com a Julia, não?
Então? Não te chamaram?
Pobrezito. Não querem fazer um trio contigo?
Não te preocupes. O Iván vai deixá-la em breve.
E assim volta para ti.
Tão esperta e nem percebe que ele está com ela por interesse.
O Iván não estaria com ela se não precisasse.
Para o álibi.
Sabes que a Julia mentiu por causa do Iván, certo?
És estúpida ou quê?
Acabaste de foder o Iván.
Julia!
Julia!
Julia, onde estás? Estou em tua casa.
Descobri uma coisa e precisamos de falar. Liga-me, por favor.
- Emi, a Julia não está? - Não.
Algum problema?
Sim.
- Até logo. - Até logo.
Viste o tenente?
- Saiu há pouco. - Como assim, saiu?
Estamos à espera dele para gravar um comunicado.
- Mas saiu. - Espera.
É ele, espera aqui.
Onde estás?
Às ordens.
Jesús, suspende isto que temos de ir.
Amigo, desmonte isso, não vai haver.
Ingrid, queremos falar contigo.
- O que se passa? - É melhor na esquadra.
Falamos lá com calma.
- Caralho. Vai-te foder, puta! - Vamos!
- Sargento. - Põe-no na cela.
- Vamos ouvi-lo. - Certo. Anda, vamos.
Estavas na escola na noite em que mataram a Aurora.
Isso já sabemos.
Não precisas de mentir.
Não vou dizer nada.
Só com um advogado.
Já falaram por ti.
Na verdade, não precisamos.
A tua amiga contou-nos tudo.
E não estou a falar da Julia.
O que disse não é verdade.
A Ingrid assegura que estiveste à noite na escola.
Por que o fizeste?
Porquê?
Desta vez ninguém vai mentir por ti.
É a palavra dela contra a minha e ela sabe.
Sabes que és o único que não tem álibi?
Queres mesmo ir a julgamento?
Sem álibi e com alguém que afirma que estiveste lá.
Sim?
Queres arriscar 20, 25, 30 anos de prisão?
Muito bem. Vemo-nos no tribunal.
Um momento.
Quer saber o que aconteceu?
Legendas: Nuno Camarneiro
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