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Absolvo-te de todos os teus pecados
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
A RAPARIGA INVISÍVEL
Julia.
Onde vais a esta hora?
A casa da Patri. Não consigo dormir.
Porque foste ao escritório e mexeste nas minhas coisas?
Estou a falar contigo. Foste ao escritório e mexeste nas minhas coisas.
Sim, entrei no teu escritório.
Vi as fotos e reparei que faltava um stick de hóquei.
- Acho que a mataram com isso. - O quê?
Sim, faltava um. Estavam 11 e há sempre 12.
Não importa. Não podes mexer nas minhas coisas.
- Papá, ouve-me. - Não, ouve-me tu a mim.
Não podes espiar um relatório policial.
Além do mais, sabes o mal que te pode fazer?
Eu sei, mas era minha colega e preciso de saber.
Que seja a última vez em que mexes nas minhas coisas. Ouviste?
Papá, estás a deixar morrer a planta da mamã.
Bem, estamos a deixar morrer.
Olha.
Toma.
A ver se a Judit Polgár te ajuda a resolver o enigma.
Obrigada.
Como estás?
Não dormi nada esta noite.
Nem eu.
Olha.
A Guarda Civil encontrou uma bússola junto ao corpo da Aurora
Já falam do assassino da bússola.
Mas que bússola?
Como souberam? É segredo policial.
Tu sabias, foi o teu pai ou...
- Espreitei o relatório. - O quê?
Onde estão os teus pais?
Conta-me.
Não, é melhor não.
As imagens são horríveis.
Vi que a golpearam e levaram o telemóvel.
Não percebo como é que se soube.
Eu só contei ao Emi.
O Emi não contou nada, tenho a certeza.
Se tu dizes.
Nunca sei o que ele pensa. É meio estranho, não?
Os alunos do 1oB não fizeram algo com uma bússola?
A aula do Montero, não é?
Sim.
A este imagino-a a fazer qualquer coisa.
Porque haveria o Montero de a querer matar?
- E se seguirmos o enigma? - Vamos.
- Sim? - Sim.
Podes começar.
Obrigado.
Como está a Julia?
Podes imaginar.
Está mal.
Acho que
...a vou mandar para os meus sogros, em Madrid.
Não?
Não sei.
E tu, como estás?
Estou atarantado.
Não temos nada.
Mataram uma miúda. Estamos todos atarantados.
Quem está mal também é a Virginia.
Achei-a muito perturbada, ontem.
Sabes como ela é. A minha irmã sempre foi frágil.
Envolve-se muito com os miúdos.
E o que aconteceu foi terrível.
Quanto mais cedo encontrarmos o culpado, melhor.
Obrigado, Fernando. Tenho de ir.
- Não levas nada? - Não, tenho de ir.
Boa sorte.
Virginia, Virginia.
Virginia.
- Olá. - Olá.
Queria perguntar-te sobre o trabalho.
Claro, diz.
Adorei o que disseste na aula sobre Chus García.
Devias ser a única que estava a ouvir.
Estavam todos em modo de segunda.
Bem. Essa coisa
de escrever a partir de imagens,
sensações, cheiros...
adoro, mas não sei por onde começar.
Tem calma, é uma questão de entrega,
Gostas de escrever sobre o quê?
Não sei.
Desculpa.
É o meu irmão, ligo-lhe depois.
Certo.
Diz-me, quais são os temas de que mais gostas?
Temas...
Eu começo a escrever, mas...
não sei...
escrevo um pouco, só um pouco, sobre amor.
Não sei, estas coisas...
O amor é um tema enorme...
Vá lá...
Merda de sinos.
- Bom dia. - Bom dia.
- Como estás? - Bem.
- Os teus pombos vão de vermelho este ano. - Sim.
- Já vais? - Sim.
Já te chamaram para fazer declarações?
Já viste as redes?
Então não sabes da bússola?
O que é isso da bússola?
Parece que apareceu uma bússola junto ao corpo
E já falam do Assassino da Bússola.
- E depois? - Como assim, e depois?
És tu que lidas com as bússolas na escola, não é?
Qualquer um a podia ter apanhado e deixado ali.
Não me fodam.
Porque estás tão preocupada?
Porque vão começar a fazer perguntas. Vais ver.
Estás preocupada por ti?
Estou preocupada pelos dois.
O Assassino da Bússola
Não sei o que fazer acerca do Iván.
Ninguém nos viu.
Sim, mas não o posso deixar tranquilo
Não é problema nosso, caralho.
Sim, e tu que farias?
Nada, não te rales.
- É fácil de dizer, não é? - Não, gaja.
- Obrigada. - Alguma coisa sabes onde estamos.
- Olá. - Olá.
Bom dia, miúdas.
Sim, o que for preciso. Queremos que se resolva rapidamente.
- Obrigada pela colaboração. - Sempre que quiser.
- Mantenho-vos informados. - Obrigado.
- Obrigada. - A sargento quer falar convosco.
- Estou no intervalo. - Por favor, é rápido.
Como estão, raparigas?
São da turma da Aurora, não é?
- Sim. - Sim.
Podem contar-me o que fizeram na noite de sexta?
- Estivemos na feira. - Sempre?
Papá?
Menina linda, leve alecrim.
Porque foste ao escritório e mexeste nas minhas coisas?
Eu sei, mas era minha colega e preciso de saber.
Já falam do Assassino da Bússola.
Não podes espiar um relatório policial.
Vi as fotos e reparei que faltava um stick de hóquei.
Acho que a mataram com isso.
Já falam do Assassino da Bússola.
Mas era minha colega e preciso de saber.
Preciso de saber.
Quantos sticks de hóquei têm no ginásio?
Acho que há 12.
- Como assim, acho? - Não, há 12. Porquê?
- Há 12? - Sim.
E bússolas?
Entregamos uma a cada aluno.
- Da escola inteira? - Não,
só aos do 11o ano.
se me desses uma lista, seria uma grande ajuda.
Olha para mim.
Estamos a falar, caralho.
- Mais algum professor? - Não.
Só eu.
Mas...
Não encontro a minha.
Passei o dia todo à procura, em casa, em todo o lado e nada.
É estranho, não é?
Se a tivesse matado não ia deixar a puta da bússola lá.
- Que relação tinhas com a Aurora? - Nenhuma, era uma aluna apenas.
Estou aqui desde sempre, todos me conhecem.
Tu sabes que eu sou incapaz de fazer mal a alguém.
- Este é o Aquiles, não é? - Sim.
Enquanto campeão deve ter matado mais do que uma fêmea.
As que foi preciso.
A Aurora também te mandava fotos? Meu, responde-me.
Estou a ficar maluca Por favor responde-me!
Temos de falar.
O que fazes aqui?
O que achas?
Que fodeste o penso ao molhá-lo.
Sargento.
Continue no escritório.
Vera.
Vera.
A Aurora tinha uma tatuagem com as coordenadas do olival.
Sabes porque é que esse lugar era especial para ela?
Ela nem me contou quando a fez.
Meu tenente, temos de levar o computador também.
Depois de o analisarmos devolvemos-te.
Miguel Ángel.
Isto é muito perturbador para ela. Olha para ela.
A Vera precisa de descansar. Podem continuar amanhã?
Não.
Já encontraram o Bernardo?
Vera, sabes se o Bernardo e a Aurora se viam?
Ela tinha medo dele. Como podia vê-lo?
Tenente, estava escondida atrás do computador.
- Sabias que tinha esta caixa ali? - Não.
O que é isto tudo?
Ela tinha alguém?
Não sei.
A Aurora era muito reservada.
Que tens?
Vê.
- O que é isto? - A Aurora.
Quem pode ter-lhe feito isso?
Não sei.
Mas o Bernardo...
é um tipo doente.
Estava maquilhada, como se fosse ver alguém.
Alguém da escola?
Talvez, não sei.
É como se não a conhecêssemos.
Coitada.
O que é isto?
- Deixa ver. - Uma tatuagem.
São coordenadas.
Porque haveria de tatuar este lugar?
Deixa ver.
O que tens aí?
- Aí onde? - No braço.
Não é nada.
Emi.
- O que se passa? - Nada.
Mostra-me.
- Quem te fez isso? - O meu pai.
Temos uma relação de merda.
- E a tua mãe? - A minha mãe não faz nada.
Tem medo dele.
Caralho.
Porque não vens uns dias para minha casa?
Tens a certeza?
Sim, Emi, de certeza.
Obrigado, Julia.
Anda, vamos, não há nada aqui.
O teu pai não se importa?
Não faço ideia.
Boa tarde.
Olá, Miguelito, o que fazes em Quintilla?
Estou à procura do Bernardo.
Sabes onde está?
Sabia que não ia demorar até apareceres.
Porque te tornaste chui, filho?
- Não combina contigo. - Vá, deixa-te de tretas.
Toda a gente sabe que o teu pai te obrigou.
Candela,
ela tinha 17 anos.
Como podes pensar que fui eu, Miguel Ángel?
Eu não penso nada.
Conta-me tu, o que se passou?
Eu estava em casa, inconsciente.
A coca que circula por aí é lixo, deviam investigar isso.
Bernardo,
conta-me o que aconteceu.
Acordei de manhã...
... e vi a notícia na televisão.
E?
- Desapareceste. - Que havia de fazer?
Era certo que vinhas ter comigo, tu ou essa gente.
O que tens aí?
O que fizeste?
- Como fizeste isso? - Não me lembro.
- Filho da puta. - Não me lembro.
Bateste-lhe, cabrão?
Bernardo, passaste a vida a ameaçar levar a tua filha.
Sim ou não?
Miguel... Miguelito...
Bernardo, tu oferecias bijuteria à tua filha?
- O que estás a dizer? - Bijuteria.
Cala-te, lá lhe ia dar isso.
Eu dava-lhe joias.
Dei-lhe um colar e brincos.
Lembras-te como era?
Não me lembro.
Também não te lembras do colar que lhe arrancaste?
Como podes pensar que eu matei a minha filha, Miguel?
Miguel, olha para mim. Miguel!
Imagina que matavam a tua.
Não fales da minha filha ou rebento-te aqui a cabeça.
- Imagina que matavam a tua. - Não fales da minha filha.
Tira estas coisas! Merda!
- Leva-o. - Tira-me estas coisas, Miguel!
Miguelito, Miguelito...
Desculpa.
Mais uma coisa.
Um vizinho viu um rapaz sair da escola à mesma hora em que mataram a Aurora.
Chama-se Iván Pardo.
- O que se passa, Jesulín? - A puta da tua mãe, Iván.
Foste visto a sair da escola no dia e hora em que mataram a Aurora.
- É o que se passa. - Não é verdade.
Não é?
Onde estavas entre as 23 e as 24 de sexta?
Olá.
Julia.
Papá, de onde estás a ligar?
Da esquadra.
O que se passa?
Tenho de fazer-te umas perguntas. Vem cá.
Já te disse que não tenho a ver com essa rapariga.
Tem cuidado com o que dizes, miúda.
Julia.
Olá, Iván.
- Julia, preciso da tua ajuda. - Porquê? O que se passa?
Alguém disse à Guarda Civil que
me viram sair da escola à hora do assassinato.
O quê?
Tens de dizer que estávamos juntos a essa hora.
Como assim? Eu não estava contigo.
Para a Guarda Civil sim. Eu disse-lhes isso, Julia.
Porque disseste isso? Estás a meter-me em problemas.
Julia, peço-te por favor.
O que fazias na escola a essa hora?
Quando nos virmos conto-te tudo.
- Não, conta-me agora. - Ao telefone não.
Julia?
O que fazes aqui sozinha?
Não sabes que há um assassino à solta?
Não me vou fechar dentro de casa.
O tipo é um psicopata, disseram na televisão.
Vai continuar a matar.
Sabes que me roubou a bússola e a pôs lá?
O teu pai quer culpar-me e eu sou inocente.
Sabes que sou bom professor, e nunca...
Tenho de ir embora.
- Como estás, Julia? - Bem.
São só umas perguntas, está bem? Vens comigo?
- Olá, Julia. - Olá, papá.
Julia...
Chamámos-te porque queremos saber o que fizeste na sexta à noite.
Estiveste com o Iván Pardo?
Sim, estava com ele.
Legendas: Nuno Camarneiro
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