All language subtitles for Ep2 Sandokan The Mysterious Prince

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Original subtitles

Contamos sentados na terra nua, tristes histórias da morte dos reis,

como alguns foram depostos,

outros mortos em guerra,

outros perseguidos pelos fantasmas aos quais tiraram o trono.

Alguns envenenados pelas esposas, outros trucidados no sono.

Todos assassinados.

Na cavidade que cinge as têmporas mortais de um rei

a morte tem corte.

Não pensava ouvir declamar versos do Ricardo ll por estas bandas.

A morte de um rei, porque Sandokan era um rei.

Cada um festeja como quer.

Eu declamo Shakespeare... e os meus cortesãos, ouve?

Estão na farra.

Não pensa, Sir James, que o evento mereça ser celebrado?

Como as hienas...

e se apinham sobre os cadáveres.

Até parece que está triste.

É dificil de explicar.

E ainda mais de entender.

Coronel, o que é a Inglaterra para si?

O verde dos prados da sua fazenda?

As luzes de "Trafalgar Sqquare", numa noite de Natal?

O seu colégio na Academia Militar?

O seu circulo, a corte de "St. James"?

Para os Ingleses como eu, nascido longe da pátria mãe, é diferente.

A Inglaterra é o Império.

É o curso dos bárbaros no deserto, iluminados pela lua.

É o sarg. Irlandês que me ensinava em criança as canções militares.

É o mercado da lavoura, onde mil dialetos Indianos se confundem.

É a rebelião Muçulmana de Niro.

É a tragédia das crianças Afegãs.

É a aventura, é...

talvez o Sandokan.

Coleri tinha razão. Em cada conquistador há um poeta.

Nunca senti isso ao escrever asim na nossa vocação Imperial.

Sandokan e eu estivemos um contra o outro,

durante muito tempo.

Agora que ele morreu...

é como se uma parte de mim morresse.

- Sempre é válida a aposta? - Óbviamente. 24 garrafas de vinho.

Lamento, mas na minha opinião é um homem morto.

Nunca se sabe, com estes orientais. O Marsala, e não um qualquer vinho.

Fique descansado, vieram 4 caixas do nosso ducado na Sicília

e garantiram que é melhor do que o do ano passado.

- Quer experimentar? - Com muito gosto.

Dizem que foi uma colheita excepcional.

- Melhor que o indiano que nos dão. - Tiro o chapéu face a um conhecedor.

Quatro balas, quatro dias em coma. O mérito, se se salvar, será seu Dr.

Recuperou a consciência.

Este homem tem uma fibra fantástica.

Se calhar fez mal em apostar, Lord Guillonk.

Gostava que pudesses falar...

Provávelmente, não entenderia uma palavra

e talvez nem falas a minha língua.

Mas, neste momento, tenho a sensação

que iria ouvir a tua voz como se ouve uma música.

Não sei porque provocaste em mim esta inquietação.

Deve ser porque é a primeira vez que vejo de perto um homem da tua gente.

Nós, lngleses, somos tão pálidos em comparação convosco...

Como se... em vós, a vida tivesse mais força.

Sinto que, em ti, essa força está ainda viva.

Não morras...

Não podes, não deves.

Consegues falar?

Onde estou?

Que lugar é este?

Labuan.

Está na minha casa. Sou Lord Guillonk, da Companhia das Índias.

Durma, está muito cansado.

Que música estranha...

Tão diferente da nossa.

É muito bonita.

É a minha sobrinha Marianna a tocar.

É música inglesa?

Não, é Vivaldi. A mãe da minha sobrinha era italiana.

ltaliana?

- Que significa italiana? - A Europa é tão longe para vocês.

ltália é um país semelhante ao vosso,

banhado pelo mar e aquecido por um sol lindíssimo.

O meu irmão era cônsul em ltália, junto do Papa.

Agora perguntará quem é o Papa.

É o Patan. Foi encontrado no alto mar.

Deve estar no mar há uns dez dias, pelo menos.

São buracos de balas. Houve uma batalha.

Preparem dois praho. Partimos já.

Pobre Patan, insistiu tanto para embarcar.

Alegra-me saber que está melhor. Está já fora de perigo.

É um milagre, durante dez dias a febre não lhe deu descanso.

Lamento que, por minha causa, tenha perdido uma aposta.

- 24 garrafas do seu vinho. - Então ouviu? Não nos julgue mal.

É o nosso vício, lngleses, apostar em tudo, Alteza...

O que lhe faz pensar que tenho sangue nobre?

O anel no seu dedo. É um brasão real e vale uma fortuna.

Foi uma oferta.

Uma oferta do meu irmão.

Provávelmente conhece-o, é o Sultão de Shaja.

- Shaja? - Sim.

Porquê?

Quero entrar em negócios com esse reino há muitíssimo tempo.

Lamento, nunca me ocupei de negócios.

Eu, pelo contrário, vivo em Labuan por isso mesmo.

lrei acompanhá-lo a Shaja e poderá apresentar-me ao seu irmão.

Uma pequena curiosidade que espero irá satisfazer.

O cirurgião extraiu 4 balas do peito. O seu corpo estava coberto de feridas.

O meu navio foi atacado por piratas.

Atirei-me ao mar, não me lembro de quase nada.

Não sei como vim aqui parar.

Foi encontrado pelo nosso servo Daro, um pobre surdo-mudo.

Conseguiu explicar que um príncipe, ou coisa assim, estava ferido na praia.

A pessoa mais feliz ao saber que está melhor será a minha sobrinha Marianna.

Assistiu-o dia e noite.

A sua sobrinha é...

a pérola de Labuan.

É chamada assim pelos malaios.

Chegou de lnglaterra há pouco. O meu irmão morreu há quatro anos

e a sua esposa, como disse uma italiana, apenas um ano depois.

Marianna terminou os estudos e mandei-a vir.

lrei dar uma festa pelos seus 18 anos,

espero que seja nosso convidado, se conseguir levantar-se.

Agora deixo-o descansar.

Patife! Malandro! Ladrão e canalha!

Já te ensino a roubar.

- O que se passa? - Peço desculpa, senhor...Excelência.

Este homem deve ser punido.

É possível, mas não aqui.

- O que é que ele fez? - Roubou os charutos do patrão.

É surdo-mudo, mas com as mãos é mais rápido de um raio.

Devolve o que roubaste.

Disse para devolveres o que roubaste.

Nada mais que um pacote de vinte.

De resto, a aldeia onde nasceu só tem ladrões.

Trabalhavam para a Companhia das lndias

e metade da colheita desaparecia.

Tivemos de os prender e queimar a aldeia.

- Podem ir. - Alteza...

És então, um pobre surdo mudo, um terrível criminoso.

Roubaste tabaco aos lngleses, tabaco cultivado nas plantações malaias.

Um pacote de cinquenta.

És mesmo um ladrão.

Não há muita diferenca entre nós. Tu és um ladrão e eu um pirata.

Não te preocupes, estás bem acompanhado.

Chamam-me o Tigre da Malásia.

O meu sonho...

A imagem que perseguia no delírio.

Porque não ficou apenas um sonho?

É a pérola de Labuan.

Mas também a sobrinha de um inimigo,

o representante da Companhia das lndias.

Mercadores, especuladores, nem sequer soldados.

O que estou aqui a fazer? Yanez e Mompracem esperam por mim.

Tenho de ir.

Lamento, mas tenho de eliminar-te.

Melhor assim, muito melhor.

Afinal devo-te a vida.

Chegámos.

- Vive aí? - Não vais arrancar-lhe uma palavra.

Às vezes, fica sentado e não diz nada.

- Não se sabe nada dele, donde vem? - Da Índia.

Os malaios chamam-no Homem Santo.

- Conhece-lo há muito tempo? - Desde que o meu marido morreu.

Estava desesperada, não sabia o que fazer e vinha aqui todos os dias.

- O que é que ele te dizia? - Nada ou pouco mais.

Estávamos sentados em silêncio, nem sequer nos olhávamos de frente.

Foi assim que decidi não voltar para a lrlanda.

As palavras e o silêncio no Oriente assumem significados diferentes.

É outro mundo e sinto que estou a ultrapassar a fronteira que os divide.

Tudo deve acontecer devagar. Pode ser doloroso, mas muito bonito.

Ás vezes, tenho até medo.

Há um poema malaio que diz:

Se dentro de ti, da morte nasce a vida, deixa-a viver.

Se dentro de ti, da vida nasce a morte, não tenhas medo.

A morte é também vida, a vida é também morte.

A morte é também vida, a vida é também morte.

É muito diferente dos poemas que nos ensinam na escola.

É como se fosse escrita só para mim.

Vai ter com ele.

Porque não vens comigo?

Vai sózinha. Decerto é o que tu queres.

Trouxe a minha amiga Lucy Mallory.

Lembras-te da senhora de cabelo ruivo, da plantação a norte?

Podes ensinar-me a perceber o mundo que me rodeia?

Quero aprender a amar as pessoas de cá.

- Consideram-te uma espécie de Santo. - Tento apenas compreender Deus.

É possível compreender Deus?

Decerto é possível tentar percebê-Lo.

- Em que Deus acreditas? - No verdadeiro Deus. O Trimutri.

Este templo é dedicado a ele. Tem três nomes.

Brama: a força da criacão,, que continua sempre a criar.

Visnú: a força que continuamente conserva o que foi criado.

Shiva: a força que sempre destrói. São, porém, todos uma única força.

Cada um diferente e igual ao outro.

Percebes as minhas palavras, a minha língua.

É estranho, parece que compreendes também o que não digo.

Aproxima-te.

- O que é? - Marquei-te com o sinal de Deus.

Não tenhas medo. O fugitivo voltou voluntáriamente.

A pérola de Labuan é demasiado bela,

o seu olhar...

acendeu uma fogueira no meu coracão.

Não irei partir...

enquanto não me tiver queimado.

Festa magnífica Sr. Guillwert.

E o champagne à altura da situação.

- Bebe um copo comigo? - Porque não, por uma vez!

Se fosse outra pessoa, diria que era um homem abstémio.

Quase, abstémio!

Não posso mais com estes muçulmanos que não bebem.

- Todos compostos. - Poderão sentir-se pouco à vontade.

Eis a lrlanda ao ataque. Desisto e dou o jogo como ganho.

É possível que um homem inteligente como você não entenda isso?

Convidaram-no e não lhe dirigem a palavra.

De que se pode falar com os indígenas? Nem do tempo e nem das corridas.

Como se sentiria se fosse o único europeu numa festa muçulmana?

Sedento. Prefiro as festas com muito champanhe.

O Capitão Van Doren.

O Capitão Van Doren.

Caríssimo Capitão, fico feliz pela sua presença.

O prazer é meu. Pena não podermos concluir negócios.

Saberá que perdi o navio e a carga.

Alegra-me o facto de, pelo menos, ter salvo a vida.

Aconteceu tudo de forma insólita. Uma história de romance de aventura.

Não vejo a sua sobrinha Marianna.

Lady Mallory diz que as mulheres devem fazer-se de difíceis.

Sobretudo as mais admiradas.

lrá ficar para a caçada?

Certamente, sei que será conduzida pelo mais famoso caçador indiano.

- Bengali, é o Tremal Naik. - Está aqui na festa?

Não quis vir. Ele também quer fazer-se de difícil.

Sei que tem mais um hóspede especial.

Tive a honra de salvar a vida ao irmão do Sultão de Shaja.

Foi também atacado pelos piratas.

Negociei muito em Shaja, conheço tanto o sultão como o irmão.

Gostaria muito de cumprimentá-Lo e felicitá-Lo por ter escapado.

Venha comigo.

Eis sua Alteza.

Alteza, conhece o Capitão Van Doren?

Não pode ter-se esquecido de mim.

Tive recentemente o prazer de ser hóspede no seu reino.

E quis oferecer-me uma jóia de valor inestimável.

A sério? O que fez o Capitão para merecer tal oferta?

Portou-se de forma muito corajosa.

Fico feliz por conseguir agradecer-lhe novamente.

E eu por confirmar o meu juízo a seu respeito.

Um modo original de enfrentar o calor.

- Acho que fica muito bem. - Se a minha filha vestisse aquilo...

Serão os efeitos das aulas sobre o Oriente?

Estes tolos tão indignados deviam aprender algo com a Marianna.

Marianna, que ideia foi essa de te vestires assim?

Vai já mudar de roupa!

Tio, estamos na Malásia, não há mal nenhuma em usar um vestido malaio.

Lord Guillonk. Preciso da sua ajuda.

Certas mascaradas são de mau gosto.

Milady, quando estive doente esteve ao meu lado, dia e noite.

É o sinal da minha gratidão.

Alteza, oferecer um anel a uma europeia tem um significado especial.

Por favor, não se ofenda, não posso aceitar.

Lamento.

Marianna.

O senhor é um príncipe, é verdade,

mas sempre tem sangue malaio nas veias, não te esqueças.

É melhor não exagerares com as tuas homenagens a este país.

O Coronel Sir William Fitzgerald.

Lord Guillonk. Lady Marianna. Parabéns pelos seus 18 anos.

Percorri muita estrada para estar ao seu lado hoje.

Muito obrigada, Sir William.

Quero apresentar-lhe um valoroso oficial de Sua Majestade britânica.

O Coronel Sir William Fitzgerald.

Assim que chegou encheu-se de glória

enfrentando e matando Sandokan, o pirata mais terrível da Malásia.

Não imaginava encontrar o homem que matou o Tigre da Malásia.

O nosso hóspede também foi vítima de piratas, atacaram o navio e feriram-no.

Podia ter sido até o próprio Sandokan.

- Onde foi ao fundo o seu navio? - Ao largo das ilhas Romades.

É mesmo onde afundámos os piratas.

Estranho, não ouvimos a batalha, nem vimos os escombros.

O mar é muito grande.

Marianna, lembra-se? Deve-me uma dança desde Londres.,

- Não dançámos juntos toda a noite? - Na verdade, não toda.

A última dança foi com o anfitrião. Agora tem de me compensar.

Com prazer, mas prometi esta dança a Sua Alteza.

Perdoe-me, mas não conheço as danças europeias.

Então, vamos nós.

- Um casal deveras estupendo. - Admiremo-los.

Juventude e felicidade são tão breves.

- Ficam muito bem juntos. - Atenção aos mexericos, Sra. Mallory.

Escondemo-nos no fosso. Assim que passarem, disparamos.

Há sepoys escondidos. São três e um sargento.

Esperem que passemos para disparar.

- Façam o que eu fizer. - Está bem.

Então, Sambigliong, estás a brincar?

Vá lá. Despacha-te.

Vou já.

Sempre a mesma história, nunca há ninguém do meu tamanho.

Todos magrinhos.

Mando-te prender por teres a farda amarrotada.

A culpa não é minha, não caibo cá dentro,

- O rapaz é o grande Tremal Naik? - É, mas espera até entrar em ação.

- Porque está ali especado? - Antes de começar a caçada,

pede sempre perdão ao seu Deus pelo tigre que irá matar.

Foi o tigre. Quando entrámos na selva, ele foi à frente.

Ouvimos rugir e os gritos.

Quando chegámos, já era tarde, o tigre tinha desaparecido.

Fêmea.

- O que significa fêmea? - O tigre.

Vimos só um macho nesta zona.

- Estes são dentes de fêmea. - Onde vais?

Os batedores vão encaminhar o tigre na nossa direcção, aí partiremos.

Vou à frente. Entre vocês e os batedores.

Vou esperar o tigre sózinho.

Não, vais connosco. Os hóspedes querem divertir-se.

A morte não deve divertir, mesmo a morte de um animal.

Estás a armar-te em filósofo agora?

Tremal Naik, paguei-te, lembra-te disso.

Para matar o tigre. Mas decido eu onde e como.

É muito jovem, mas também muito corajoso.

- É seu, se quiser. - Já tenho este.

- Esta é uma arma perfeita. - O que conta não é a arma, é o homem.

Alteza, não participa na caçada?

Não, Milady, parto.

- Parte? - Sim, hoje.

Tão cedo?

Tenho saudades da febre que em mim ardia, Lady Marianna.

Queria voltar a delirar, a estar entre a vida e a morte

porque via a imagem de uma mulher maravilhosa,

que parecia poder entender-me e amar-me enquanto cuidava de mim,

uma mulher que, esperava eu, nunca me iria abandonar.

Mas a febre passou, o sonho acabou

e a realidade apresenta-me uma imagem diferente,

demasiado diferente. Por isso, vou-me embora.

Alteza,

disse coisas que eu queria ter dito,

aliás, que sonhava ouvir dizer.

- Fique mais tempo, por favor. - Disse-me...

que no seu país oferecer um anel tem um significado especial.

Creio que representa uma promessa.

Nós também temos uma forma de fazer promessas.

Matar um tigre para a mulher que se ama.

Matarei o tigre para si, Lady Marianna.

Alteza, o que está a fazer? Volte para trás, volte para trás!

Não é só o Tremal. Não faz sentido enfrentar o tigre sózinho. É loucura.

Se é uma loucura porque não o impede? Ou o seu espírito desportivo proíbe-o?

É só orgulho. São uns exibicionistas.

Exibição, orgulho, coragem... o que interessa a razão?

É um gesto bonito,

que pode também ser feito por um oficial da rainha Vitória.

Amigos, atenção! Todos em marcha!

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