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Se me envergonhar, voc� vai ver s�!
Conhe�o bem o seu tipo.
Est� chorando porque quando a pegamos
sua m�e tentou defend�-la e caiu no rio.
Morreu diante de seus olhos.
Esses atores s�o masoquistas?
Se eu os escolhi, significa que s�o.
O sexo � pol�tica?
Naturalmente.
N�o h� nada que n�o seja pol�tica.
Quando sair seu �ltimo filme,
"Os 120 dias de Sodoma",
o senhor vai escandalizar mais uma vez?
N�o h� nada que n�o seja pol�tica.
Mas eu penso que escandalizar seja um direito,
e ficar escandalizado � um prazer
e quem recusa o prazer de se escandalizar � um moralista,
aquilo que se chama moralista.
Por que hoje n�o � mais um militante?
Em que sentido?
N�o � mais um militante pol�tico.
Sou mais do que nunca.
Sente nostalgia do tempo
em que as pessoas o insultavam na rua?
Ainda me insultam.
E isso lhe provoca prazer?
N�o recuso porque
n�o sou um moralista.
Qual defini��o prefere?
Poeta, romancista,
roteirista, ator, cr�tico, diretor?
No passaporte,
escrevo simplesmente escritor.
Caro Alberto,
te mando este manuscrito
para que me d�s um conselho.
� um romance
mas n�o est� escrito como o s�o os romances s�rios:
a sua l�ngua � aquela que se usa para a ensa�stica,
para certos artigos jornal�sticos,
para as resenhas e
para as cartas privadas, e mesmo para a poesia.
Esse � o conselho que te pe�o:
isso que escrevi � suficiente
para dizer de forma digna e po�tica aquilo que gostaria de dizer?
Gostaria tamb�m que voc� levasse em conta, ao me aconselhar,
que o protagonista deste romance � aquilo que �
e, � parte as analogias da sua hist�ria com a minha,
acho isso repugnante.
Este romance n�o serve muito para minha vida...
N�o � um an�ncio. Mas um pre�mbulo de um testamento,
o testemunho daquele pouco de saber que uma pessoa acumulou,
e que � completamente diferente daquilo que esperava
ou imaginava.
Amor.
Vai.
Muito bem.
Assim. Vai..
Sim...
Ninni... Pieruti
Mam�e.
Voc� voltou... Ficamos tanto tempo separados.
Vou levantar, mam�e.
Ol�, Pieruti.
Ol�, bom dia.
Como foi de viagem?
Bem, obrigado.
Escuta, Graziella... voc� precisa ler o �ltimo romance de Sciascia.
Pode peg�-lo na minha escrivaninha.
� um livro muito importante.
Obrigada, vou ler.
Carlo Levi ligou.
Sim.
O diretor do La Stampa pediu que voc� ligasse.
Sim.
Ah, passei a limpo o seu discurso para o Congresso
dos radicais e o coloquei em sua escrivaninha.
Muito bem, obrigado.
Carlo n�o era o �nico personagem "potente"
que se adaptava a semelhante festival oficial.
Lugar de arrivistas,
de esnobes,
de figuras de segundo plano,
de funcion�rios e de burocratas com as esposas.
E n�o era o �nico a manter as apar�ncias por interesse.
Ao centro, motor im�vel, estava o Chefe de Estado...
Mesmo na democracia continua o
"santo jogo dos reis", e a vida cerimonial
da realeza se mistura na etiqueta burguesa...
Ao redor de Carlo, enquanto isso,
rec�m chegado, havia puro caos.
Ultimamente tenho sido atacado por certos jornalistas,
jornalistas ligados � ENI.
Quanta esperan�a desprezada. Por isso tive que cuidar do meu jeito.
� importante, diga aos americanos
que o governo n�o tem nenhuma inten��o de taxar o petr�leo.
Certo, certo, certo.
Vincenzo Cazzaniga � muito estimado
justamente no �mbito do Banco do Vaticano.
A fam�lia Agnelli resgata
o dinheiro atrav�s do Banco do Vaticano.
Certo.
Para n�s, Andreotti e a honestidade s�o uma coisa s�.
Porque se ele diz que a explos�o da bomba
em Mil�o n�o � um problema nosso,
isso significa que n�o � um problema nosso.
Bem, ent�o nos adaptamos...
nos adaptamos a tudo isso.
Ok, de acordo.
A arte narrativa, como voc�s bem sabem, est� morta.
Estamos todos de luto.
Isto n�o � um conto, mas uma par�bola.
O sentido desta par�bola � justamente a rela��o
de um autor com a forma que cria.
A arte narrativa, como voc�s bem sabem, est� morta.
Estamos todos de luto.
Isto n�o � um conto, mas uma par�bola.
O sentido desta par�bola � justamente a rela��o
de um autor com a forma que cria.
Andrea Fago, ou "o homem que come",
toma normalmente o voo Alitalia DC9,
em uma tarde serena de primavera,
com destino � Cidade do Cabo.
- Para o senhor. - Obrigado...
Como se chama, senhorita?
Caterina.
Caterina.
Que horas terminamos aqui, Caterina?
O pouso ser� ao meio-dia.
E j� tem compromisso para o almo�o?
N�o.
Posso convid�-la?
Por que n�o?
Teriam sido algumas horas de um voo pac�fico e maravilhoso.
O primeiro lugar, Egito.
Com o seu Nilo,
com suas �rvores verdes,
com as palmeiras e
campos de cereais e vilarejos ocre-escuros.
E depois o Sud�o,
com seu intermin�vel deserto meridional,
maravilhosamente rosa.
O rosa desse deserto, devo insistir, �
realmente impressionante:
mas ainda mais impressionante � a sua imensid�o.
Ele n�o tem fim e � sempre igual.
Desde Cartum at� depois do lago Rodolfo.
O que confere uma sensa��o de terror
a esse deserto, no entanto, � o fato de n�o ser um deserto,
mas um enorme pa�s vazio, esquecido por Deus e pelo homem.
Bem, foi em meio a este
deserto que o Alitalia DC9 se lan�ou.
Tudo que vou lhes contar n�o apareceu
no teatro do mundo, mas no teatro de minha mente.
Aconteceu n�o no espa�o da realidade,
mas no espa�o da minha imagina��o.
Foi, enfim, desenvolvido n�o atrav�s das regras contradit�rias
do jogo da exist�ncia, mas atrav�s das regras
contradit�rias do jogo da minha raz�o.
Andrea Fago observava aqueles homens que se aproximavam.
Os homens antigos que ele conhecia t�o bem.
Contemplou, ou antes os reconheceu, em sil�ncio.
Depois um sorriso
extraordin�rio rasgou sua boca
e iluminou seus olhos.
Era o sorriso enigm�tico e t�o
profundamente humano que nascia deste pensamento:
a continuidade entre mim e eles, retornando deles para mim,
se interrompe: eu sou uma forma cuja consci�ncia � ilus�o.
Aqui est� a lista das entrevistas para Sal�.
Para o lan�amento do filme,
o advogado insiste que se apresente primeiro em Mil�o.
Est� convencido que l� teremos
maior chance de passar pela censura.
Tomara que tenha raz�o.
Um pouco de otimismo... Aceita?
S� para experimentar.
Tia Susanna, quem mandou este foi Gaetano Perusini,
especialmente para Pier Paolo.
Ah, de Rocca Bernarda.
Est� tamb�m... Furio Colombo?
Sim. Para o La Stampa,
para o novo suplemento de literatura deles.
Mas querem que seja o quanto antes.
Se poss�vel hoje � tarde.
E ent�o, Graziella,
o que visitaram nos �ltimos dias?
Fomos aos jardins de Castel Fusano.
Um lugar lind�ssimo. Cheio de lindas flores.
E voc�? Gostou de Estocolmo, Pieruti?
Sim, mam�e, mas acho que eu e voc�
jamais conseguir�amos viver l�.
E o que achou do Nobel para Montale?
Em Estocolmo eu disse que deveriam
ter dado a Sandro Penna, n�o a Montale.
Falando nisso, como est� Sandro?
Voc� o visitou recentemente?
Sandro est� doente e pobre...
agora se lamenta que n�o consegue mais mastigar.
N�o entendo por que n�o quer colocar uma dentadura...
agora est� com a mania de telefonar para c� � noite...
E fala, fala, fala...
Na �ltima vez, tia Susanna largou
o telefone na mesinha e voltou a assistir televis�o...
Voc�s deveriam � transcrever tudo aquilo que ele diz.
� um grande poeta.
� Laura.
Chegou...
- Ol�, Graziella! - Ol�, Laura.
Tudo bem?
Sim. E voc�?
Seja bem-vinda, Laura.
Querido.
Bom dia!
Ol�.
Susanna...
Tudo bem?
Sim, sim.
E voc�?
Uma cadeira.
Como foi de viagem?
Bem, bem. E a sua?
Zagreb... o seu amigo Jancso
nos massacrou por todo o filme.
Nos �ltimos dois dias gravamos
sem descanso, noite e dia.
Uma loucura, Paolo.
E conseguiu dar o que ele queria?
Naturalmente.
No come�o, tentou me impedir
de improvisar...
Mas no fim... eu o ajudei a dirigir as cenas de orgia.
Ah, as atrizes socialistas
uma maravilha...
Adoro elas, s�o realmente profissionais.
Colocavam creme para hemorroidas
nas vaginas para esconder as rugas...
Agora eu tamb�m passo.
Mas aqui... nos p�s de galinha, olha!
J� que n�o tenho dinheiro para
creme de luxo... Oh, que del�cia!
Est� com fome?
N�o, mas n�o sabe como me fez falta a comida italiana na Iugosl�via.
A comida l� � horr�vel...
N�o sei por que comunismo e boa cozinha n�o caminham juntos...
Ah, trouxe uma coisa para voc�...
Espero que goste.
M�sica tradicional croata.
Ah, obrigado.
E tamb�m para as meninas...
Obrigada.
Imagina. E Susanna...
Oh, que gentileza.
Faltava esse disco para voc�.
Posso?
Claro.
Quer vinho?
Sim, quero...
Ah... pode colocar suas joias.
Laura, � verdade que voc� fez a voz do diabo?
Sim, Graziella, trabalhei para o diabo..
O cinema de Hollywood...
Ajude um pobre coroinha, padre...
Oh... Querida, vou lhe mostrar como dan�am os comunistas.
Os comunistas dan�am,
e at� que dan�am bem, veja.
Isso, agora pegue-o.
Pegue...
Graziella... voc� precisa
colocar uma maquiagem...
voc� � t�o bonita...
For�a, Graziella, venha dan�ar...
Isso!
Boa noite.
- Boa noite. - Entre.
Boa noite.
Boa noite, seja bem-vindo.
Obrigado.
Gostaria de um caf�?
N�o, obrigado, �gua est� �timo.
Como est�?
Bem. Por favor.
Vamos come�ar...
Ent�o... Nos seus escritos,
nos seus artigos, voc� deu muitas vers�es daquilo que detesta
e iniciou uma luta solit�ria contra as institui��es
contra as ideologias, contra os poderes, contra algumas pessoas
e para deixar nossa conversa menos complicada
eu chamarei tudo isso de "a situa��o"... Claro que
me refiro �quela cena a que voc� normalmente se dirige.
Mas quero lhe fazer uma obje��o.
Digamos que seu pensamento seja um pensamento m�gico.
Voc� faz um gesto com a m�o e tudo desaparece
tudo aquilo que voc� detesta.
Voc� ent�o fica sozinho, sozinho e sem meios.
Sem meios de express�o, quero dizer.
Sim, entendo.
Voc� fala de um pensamento m�gico
que n�o apenas procuro mas no qual acredito, e n�o porque
me considere uma esp�cie de feiticeiro,
mas porque sei que batendo sempre no mesmo prego
� poss�vel derrubar uma casa.
Aqueles que mudaram a hist�ria
n�o foram nem os cortes�os nem os assistentes dos cardeais,
mas aqueles que souberam dizer "n�o".
A recusa sempre foi um gesto essencial e, na verdade,
para funcionar deve ser
grande, absoluto, absurdo.
O bom senso nunca conseguiu parar a "situa��o".
Veja bem, s�o tr�s os discursos:
qual � "a situa��o"
a raz�o de par�-la ou destru�-la
e de que forma.
Bem, agora descreva "a situa��o".
Voc� sabe bem que seus escritos
e sua linguagem tem o efeito da
luz do sol que atravessa a poeira.
Que � uma bela imagem mas � dif�cil de entender.
Obrigado pela imagem do sol, mas
minha pretens�o � bem menor.
Pretendo simplesmente que voc�
se d� conta desta trag�dia.
Qual � a trag�dia?
A trag�dia � que n�o existem mais
seres humanos, somente estranhas m�quinas que se batem umas nas outras.
E essa trag�dia come�ou
com aquele universal,
obrigat�rio
e perverso sistema de educa��o que forma a todos n�s,
desde as ditas classes dirigentes
at� os pobres.
Que nos joga a todos dentro da arena do "querer tudo"
cada coisa a qualquer pre�o.
Da� a raz�o pela qual
todos querem as mesmas coisas
e se comportam do mesmo modo.
Por isso, se tenho em m�os um conselho de administra��o
ou uma manobra financeira, uso tudo isso.
Ou posso usar um porrete.
E quando decido usar um porrete
eu uso minha viol�ncia para obter aquilo que quero.
Por que eu quero?
Porque me disseram que � uma virtude querer.
Eu exercito meu direito, minha virtude.
Sou um assassino, e sou um grande homem.
Dessa forma, hoje as pessoas se matam sem escr�pulos...
Por isso o panorama mudou
agora existe o desejo de matar
e esse desejo nos liga a todos como irm�os sinistros
na derrocada sinistra de um sistema social inteiro
que fabrica gladiadores, todos educados para ter
possuir e destruir.
Voc� nos v� como pequenos pastores sem educa��o escol�stica
ignorantes mas felizes.
Vou lhe dizer francamente:
eu des�o ao inferno
e sei muitas coisas que ainda n�o tiram a paz dos outros.
Mas fiquem atentos.
O inferno vai chegar em voc�s.
� verdade que ele usa
uniformes diversos e
coloca diferentes m�scaras.
Somos todos v�timas e somos todos culpados.
Mas a vontade, o desejo...
de dar a porretada,
de agredir, de matar,
� forte e est� em todos.
N�o vai restar por muito tempo a experi�ncia
privada e arriscada de quem
como posso dizer...
Tocou "a vida violenta".
N�o se iludam.
Voc�s
com a sua escola
a televis�o
a pacatez dos seus jornais
voc�s
s�o os grandes conservadores dessa ordem horrenda
baseada na ideia de possuir e na ideia de destruir.
Vamos voltar � pergunta inicial.
Voc� magicamente apaga tudo,
a escola obrigat�ria,
os funcion�rios eleitos,
a pr�pria televis�o.
E o que lhe resta?
Tudo.
A mim resta tudo.
Eu mesmo.
Estar vivo.
Estar vivo no mundo.
Ver, trabalhar, entender, meus livros.
Os meus filmes.
Eu continuaria a fazer filmes mesmo se fosse o �ltimo homem no mundo,
talvez continuaria a faz�-los
porque preciso deles
porque tenho prazer em faz�-los.
Ou me suicido... ou os fa�o!
Eu, eu... fazendo filmes
fazendo os filmes
expresso a mim mesmo, de algum modo.
Se depois essa minha express�o � alienada,
paci�ncia!
Mas tentei me expressar
de forma livre, na medida do poss�vel.
Agora chega, n�o quero mais falar de mim.
De mim
j� disse bastante,
todos sabem que
as minhas experi�ncias
eu levo � s�rio, talvez eu erre,
mas eu vou continuar a dizer que estamos todos em perigo.
Pasolini, se essa � sua vis�o da vida,
n�o sei se vai aceitar a pergunta,
mas como pode distanciar o risco e o perigo?
Est� tarde.
� melhor pararmos.
Talvez possa me deixar as perguntas.
Existem alguns pontos muito absolutos,
me d� o tempo para pensar.
Para mim � muito mais f�cil escrever do que falar.
Acrescento algumas notas e lhe dou amanh�.
J� tem um t�tulo?
"Estamos todos em perigo?"
Fascista, escroto, de volta ao esgoto!
- Boa noite. - Boa noite.
Boa noite, Pierp�.
Est�o fechando?
N�o, para voc� estamos sempre abertos.
Professor, venha.
Tudo bem?
Sim.
Por onde andou?
Em Estocolmo.
Ah, e o que aconteceu em Estocolmo?
Traduziram meu livro "As cinzas de Gramsci".
Ah, parab�ns!
Voc� viu a confus�o que est� na rua?
Dois garotos foram assassinados bem aqui na esquina.
Um era fascista, tinha s� 16 anos.
E como vingan�a, mataram um que n�o tinha nada a ver com a hist�ria.
Roma est� acabada, meu amigo.
Voc� deveria abandon�-la e viver no exterior.
E o que vou fazer no exterior?
Eu s� sei fazer espaguete.
Voc� n�o pode nem imaginar quanta gente iria enlouquecer
com a sua comida na Fran�a ou na Alemanha.
Ah, eu acredito... com aquele lixo que comem!
Hoje vou fazer a sua bistequinha com um pouco de salada.
�timo... mas
estou esperando Ninetto.
Ok.
Caro Eduardo
aqui est�, finalmente, por escrito,
o filme que h� anos comento com voc�.
N�o d� nem tempo de ir dormir � noite e j� s�o 9 da manh�.
Epif�nio!
Epif�nio dedico a voc�:
aprior�sticamente, por comprometimento, por escolha.
Traga-me um pouco!
Vamos fazer o seguinte.
Epif�nio � voc�.
O "voc�" do sonho, aparentemente idealizado,
mas real.
Carol�, voc� sabe que fica nervosa com caf�!
Espero, com toda minha paix�o, n�o apenas que
o filme o agrade e que o aceite fazer: mas que
me ajude e me incentive a atacar esse projeto.
Voc� est� bebendo na minha frente?
Veja bem, fa�amos o seguinte.
Agora eu vou fazer as compras,
depois volto, a gente faz
um belo caf�, um pouco para cada:
um pouco para voc�, um pouco para mim. Est� bem?
Ent�o v� r�pido!
Est� bem!
R�pido, Epif�!
Nunzio!
Garoto!
Mas voc� mal come�ou a trabalhar e j� quer se aposentar?
Acorde!
Vamos!
Vamos!
R�pido, Epif�!
N�o se preocupe, Carol�!
Tranquila!
Sim, tranquila...
Vou fazer as compras!
R�pido!
Estou indo!
Eu poderia tomar um caf�?
N�o, vamos �s compras.
Quero o caf�!
Nasceu o Messias!
Nasceu o Messias...
Melhor assim...
Epif�nio, nasceu o Messias!
Todos comentavam no mercado!
Nasceu o Messias!
Nasceu o Messias!
Mas quem foi que falou?
Como assim, quem falou?
Estavam todos falando!
Nasceu o Messias!
Nasceu o Messias!
Mas voc� acredita em tudo!
Vai saber o que voc� entendeu!
Uma vez voc� trouxe sardinha quando eu pedi truta!
Sim, sim... vou ao banheiro!
A estrela de Bel�m!
Nasceu o Messias!
Nasceu o Messias!
Nasceu o Messias!
Epif�nio! Onde voc� vai?
Vou procurar o Messias!
� s� o que me faltava!
E agora quem vai me fazer caf�?
Venha! Venha!
Chegaram.
Tudo bem, Aldo?
Tudo bem, obrigado.
Ol�.
Ol�!
Vai com o Paolo.
Vem aqui.
Coisa mais linda.
Aldo, o que temos hoje?
Essa noite tenho um fais�o delicioso que eu cacei...
se agrada � senhora, � claro.
Sim, sim, claro, e um pouco de macarr�o para o menino.
� pra j�. E um pouco de vinho?
Sim, sim, um vinho.
Adriano.
E ent�o?
Como � lindo.
Lindo do papai... Tesouro... Est� sempre com fome!
Est� sempre comendo.
Quer vinho?
Sim.
Boa noite.
Boa noite.
Ol�.
Veja! Como sorri.
Como sorri.
Ent�o? Hein?
O que aconteceu com o papai?
Ali est� a estrela de Bel�m!
Ali nascer� o Messias!
Vamos! Vamos!
Bom dia.
Bom dia, tudo bem?
Sim, e o senhor?
Posso ver um documento?
Olha s� que rabo lindo que ela tem!
Voc�s s�o estrangeiros?
Sim.
Nota-se, na verdade.
Bom retorno.
Obrigada, at� logo.
Bom dia, tudo bem?
Sim?
Sim!
Posso ver um documento, por favor?
Claro. Aqui est�. Mostre o documento, vamos.
Que ar inteligente...
Estrangeiros, n�o � mesmo?
Sim.
Posso fazer uma pergunta?
Voc�s gostam mais de homem ou mulher?
O que posso dizer?
Gostamos de mulheres!
Ah, mas j� est� se adaptando, n�o?
N�o h� nenhum problema.
Posso dar um conselho?
Seria mais conveniente que andassem pela zona burguesa,
se sentir�o mais � vontade.
Aproveitem a cidade.
- Bom dia. - Obrigado.
Romano! N�o �?
Eu sabia, descobri voc�!
Ele tamb�m?
N�o, ele � um pouco daqui, um pouco de l�.
Escuta, mas voc� n�o � um pouco...
Hein? N�o?
Um pouco o qu�?
Mas por que est� aqui?
Eu fa�o por dinheiro, � isso.
Voc�s est�o com sorte, est�o mesmo com sorte...
Ah, sim?
Essa � a cidade mais livre do mundo.
Essa � a cidade das l�sbicas e dos gays.
E hoje, meu amigo, est�o com sorte!
Porque vai acontecer um grande evento!
Voc�s querem ir?
Mas se paga?
Para voc�s � de gra�a.
Vamos, vamos l�.
Vamos!
Boa noite.
Boa noite.
O que � este lugar?
Aqui � a Festa da Fertilidade.
Ah..
� uma coisa importante para esta cidade.
Voc� deve saber
que aqui em Sodoma, durante o ano,
os gays est�o com os gays e as l�sbicas com as l�sbicas.
Por�m, em um dia espec�fico,
que � hoje, e como � importante,
eles todos se re�nem,
se juntam e se reproduzem.
Depois, as l�sbicas voltam a fazer com as l�sbicas e os gays voltam...
Os gays voltam...
Com os gays.
Espere, antes de abrir a porta
n�o seria melhor bater?
Para n�o incomodar...
N�o, fique tranquilo!
Esta � a cidade da toler�ncia.
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Caralho, caralho, vai tomar no cu!
Boceta, boceta, vai tomar no cu!
Est� se mexendo.
Sim! Est� se mexendo!
Temos que ir!
Vamos! Vamos!
A alma de Epif�nio se descola do corpo agora que est� morto.
Nunzio est� ali e o espera, e finalmente entendemos que na verdade � um anjo.
Epif�nio est� muito feliz por conta disso e Nunzio lhe diz:
Vamos ao para�so.
E assim come�am a caminhar
e andar em dire��o ao c�u
deixando o planeta Terra para tr�s.
Os dois sobem, sobem, sobem
e sobem... mas nunca chegam ao para�so.
Epif�nio pergunta: Onde � o para�so?
Nunzio responde que � l� em cima.
E assim sobem mais e mais
e continuam subindo, mas n�o chegam nunca ao para�so, at�
que ficam cansados e devem parar.
O para�so n�o existe.
Epif�nio d� uma mijada,
depois se vira e olha em dire��o ao planeta Terra.
Ru�dos distantes s�o ouvidos, vindos de l�,
m�sicas, vozes, cantos dos pobres,
m�sicas da moda, can��es revolucion�rias.
Epif�nio olha o planeta e diz: "No fim das contas,
estou contente por ter seguido a estrela
porque gra�as a ela tive a oportunidade
de conhecer melhor aquele planeta que amo tanto"
Ent�o olha para Nunzio e diz:
"E agora?". E Nunzio responde: "O fim n�o existe.
Vamos esperar, algo vai acontecer"
Quero fazer o filme o quanto antes.
Estou indo... Tchau.
Boa noite.
Jack Palance, est� dirigindo?
Hoje n�o esqueci a carteira.
Por onde voc� andou?
Longe.
Venha.
Bonito.
Voc� roubou?
N�o, um amigo me deu,
me trouxe da Am�rica.
Est� boa a noite?
N�o posso reclamar.
Est� com fome?
Claro!
- Boa noite, professor. - Boa noite.
Obrigado.
Giuseppina, o professor chegou.
Professor, boa noite.
Boa noite.
Boa noite.
O que voc� quer comer?
O que gostariam?
Para ele, um prato de espaguete e depois o peito de frango...
Eu... j� jantei.
O que gostariam de beber?
Para mim, uma cerveja.
Para mim, nada. Obrigado.
E ent�o... est� trabalhando?
�s vezes trabalho numa oficina.
� mesmo?
Voc� gosta?
Mais ou menos... cansa, sempre a mesma coisa.
Obrigado.
Mas... voc� gosta de carros?
Sim.
E o meu?
Sim.
Talvez voc� possa dirigir.
Eu tenho um, mas o motor de arranque estragou,
e estou sem dinheiro.
E voc� tem namorada?
Sim.
O que voc� faz com ela?
Voc�s gostam de ir dan�ar?
Sim, ela gosta de dan�ar.
Eu tamb�m.
Mas � caro.
N�o precisa de dinheiro para dan�ar.
Dinheiro se precisa sempre.
E voc�... se mete... nos esquemas?
Como assim?
Com a... pol�cia.
Foda-se a pol�cia, s�o uns escrotos.
A �ltima vez me prenderam por causa de uma bobagem.
Bom apetite.
Bom, n�o �?
Boa noite.
At� logo, professor.
Vamos ver o mar?
Sim, mas quanto tempo leva?
Tenho compromisso.
N�o se preocupe, vale a pena.
Hei!
Que porra voc�s est�o fazendo?
Que belo carro, bichona, ele � seu?
Que porra est�o fazendo essas duas bichas com o cu de fora?
O que voc� acha que est� fazendo?
Pois eu vou dizer o que essas bichas est�o fazendo.
D� o dinheiro, cuz�o.
Vai no carro!
Levanta essa bicha de merda...
Cuz�o...
Levanta... mas que nojo
vou arrebentar teu pau, nojento.
Seu chupador de pica!
Levanta essa bicha de merda!
Bicha...
Homem de merda...
Chupador de pica!
Vou te arrebentar!
Bicha de merda...
Cuz�o!
N�o entendo como � poss�vel...
Era bem aqui.
Tenho certeza, era aqui.
O qu�?
O para�so?
Escuta, n�o consigo mais.
E como todas as estrelas,
at� a estrela que eu segui foi s� uma bobagem.
Mas se n�o fosse essa bobagem,
Terra, n�o a teria jamais conhecido.
Maaaa... e agora?
E agora nada.
O fim n�o existe.
Vamos esperar.
Algo vai acontecer.
N�o consigo, n�o consigo dizer
que mataram outro filho seu.
Eu conto a ela.
Legendas: Billy Bugiardo
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