All language subtitles for onore.20

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic Download
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian Download
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

As minhas memórias dessa época são confusas.

Só me lembro de me sentir sempre culpada

e de não ser boa o suficiente.

É tudo para ti?

É demais, não achas?

O açúcar está fora dos gráficos. E a manteiga.

Digo isto porque me importo.

Eu sei que sabe bem. Já tive a tua idade.

Mas a tendência é piorar. É como fumar crack.

Bom dia, Éléonore. Desculpa não ter ligado de volta.

Ainda não tens novidades?

Na verdade, até tenho.

- Então, gostaram? - Sim, adoraram.

Acham-te uma escritora talentosa.

Mas recusaram-no.

Dizem que 700 páginas é demais para um primeiro romance,

especialmente um com um tom tão forte e pesado.

Se queres a minha opinião, acho que o livro é muito exigente

para os leitores de hoje em dia. Simplesmente não há mercado para...

Sorte a minha que eu tinha a minha família.

A minha mãe tem muitos defeitos, mas, pelo menos, tem uma qualidade.

Ensinou-me a mim e à minha irmã que a família é sagrada.

Devem estar sempre disponíveis uns para os outros.

Que raio estás aqui ainda a fazer, Victor?

- Hector! - Hector, Victor... tanto faz!

Ela não atende.

O que fazemos?

- Devo ir buscá-la? - Sim, mas despacha-te.

Não te preocupes. Tenho o meu telefone.

Se acontecer alguma coisa, liga-me.

Não, não!

Estou tão fartinha de ti!

Estou a ir!

Merda.

- Ainda na cama a esta hora? - Por que estás aqui?

A mãe e eu estamos lá em baixo. Ligamos-te várias vezes.

Merda, o telemóvel!

Deixei-o no escritório do centro de emprego.

Quem era o tipo que estava na tua cama?

Ninguém importante.

Andas deprimida há muito tempo.

Não estou deprimida. Estou lúcida.

Então, pede ajuda à tua lucidez crónica.

Já chega!

- És ridícula. - Ela não pode faltar à consulta.

Como consegues viver num sítio destes?

A mente humana é simples.

Tem dois estados. Por um lado,

a neurose.

E por outro...

As pessoas normais?

As pessoas normais? Não, não.

Nem pensar. A neurose é a pessoa normal.

Por outro lado...

temos a psicose.

Uma perda de ligação com a realidade.

Então, eu sou psicopata?

Bem...

Você...

Você acha-se psicopata?

Está ciente que depende de si

adaptar-se ao mundo e não o contrário?

Mas como?

Tenho 34 anos, desempregada, nunca tive relações estáveis.

A minha vida não é como a imaginava quando era pequena.

Raramente é.

A mãe está muito preocupada contigo.

Não consegue pregar olho.

Perdi o apetite. Não me apetece comer.

Mal toquei no peixe.

Vai ao médico.

- Isso não vai ajudar. - Mas se não comes nem dormes!

Eu preciso é que tu mudes.

E que te comportes como uma adulta.

Controla-te antes de ficares senil como a tua avó.

- Ainda não cheguei a esse ponto. - Ela disse exactamente o mesmo.

- Todos podem ter depressão. - Não.

Não podes pôr todas as culpas na depressão.

Eu também estou deprimida. Toda a gente está.

Se o teu pai conseguisse ver-te!

O psiquiatra diz que não devias falar no pai.

- Isso não é saudável. - A tua imaturidade é que não o é!

Não andei a sacrificar-me apenas para te ver a falhar.

Fizeste muito pouco.

Querias escrever, tentaste e falhaste.

Se tivesses talento, por esta altura já o saberias.

Estás a envelhecer. Mas ainda não é tarde para mudar.

A mãe arranjou-te um emprego.

Mas um a sério. Não para seres caixeira.

Que piada.

Tenho de crescer e a mãe arranja-me um emprego.

A tua irmã é tão bem-sucedida.

Segue o exemplo dela. Deixa-a ajudar-te.

Tem de ser ela a dar o primeiro passo. Tipo os drogados e os alcoólicos.

Somos a tua família, Éléonore. E adoramos-te.

Queremos o teu bem.

Como é que eu estou?

- O meu cu parece grande. - Nada disso.

Sê honesta.

Tu é que não estás habituada a estas roupas.

Tens de abraçar a tua feminilidade.

- É só uma entrevista de emprego. - Mais uma razão.

As mulheres têm de usar os seus atributos.

Mas esse colar é ridículo.

- Tira-o. - É o meu amuleto da sorte!

Já não tens doze anos. Pára de acreditar nessa merda!

Tira.

Já te disse para o tirares.

Está melhor.

Não tinha os mesmos gostos que a minha irmã no que tocava a roupa,

mas ela sempre brilhou no mundo.

Com licença.

Cuidado!

Bom dia! Estou atrasada para uma entrevista com o Harold Graziani.

É no terceiro andar, mas o elevador está avariado. Use as escadas.

Como eu a entendo!

A entrevista não era às cinco?

Afirmativo.

Acho que ela acabou de chegar.

"Ela?"

Johanna!

Johanna, tem um segundo?

Não se esqueça da reunião de logo à noite!

Mas eu não...

É sobre o meu novo assistente.

Há algum problema?

Arranjamos alguém o mais rápido possível.

- Certo, mas eu disse que preferia um... - Um o quê, Harold?

- Não vai trabalhar com uma mulher? - Não, não é isso.

Então, o que é?

É só que...

É só que o quê, exactamente?

Estou habituado a homens. É mais fácil para mim.

- Mais fácil? - Vá lá, não me olhe assim.

Toda a gente sabe que adoro mulheres.

Mas no trabalho é complicado. Mudanças de humor, sensibilidade...

Muitas mulheres também preferem trabalhar com homens. É só perguntar.

Você deve ser a Éléonore. Eu sou a Johanna.

Isto é da minha mãe.

- Sou chato e bem complicado. - Eu reajo bem às críticas.

Se há coisa que não suporto mesmo é má ortografia.

Igualmente, sou uma defensora.

- Mesmo em emails. - Não poderia concordar mais.

Desculpe.

Isso eu não tolero. Até já repreendi os meus ex-assistentes.

O pior é o «'tás» quando devia ser «estás».

- É insuportável. - Por favor, pare, eu...

E os erros gramaticais? E os substantivos irregulares no plural,

tipo «corrimãos» e «corrimões», essas coisas.

Desculpe.

Desculpe. Estou muito nervosa.

Quer ser editora?

- Quero. - Tem a certeza?

Sim, tenho.

- Gosta de ler? - Imenso.

Há que ler muito, se quiser fazer tudo como deve ser.

Romance erótico?

Romance erótico? Acabei de dizer que gosto de ler!

- Não considera isso literatura? - Você sim?

Esta pergunta tem rasteira, não tem?

Sabe onde está?

- És tu que estás a tocar feita maluca? - Sim, há umas duas horas.

Alguém se esqueceu do Prozac! Não ouvimos, desculpa.

- É Zoloft. - Calma, estou a brincar.

Feliz aniversário.

Que raio é isto?

Podias ter almejado mais.

E fazer um esforçozito.

Por que está toda a gente a olhar? Tu disseste-lhes alguma coisa?

Não sejas tão paranóica! Tenta confiar em mim uma vez que seja.

Adeus por agora.

Não vais cumprimentar o teu sobrinho?

- Ele está grande. - Pega nele.

Não, posso deixá-lo cair de cabeça.

Anda lá, não deixas nada!

Cuidado.

Que rechonchudinho!

Dá vontade de untá-lo com alho e rodeá-lo de batatas.

Ele está a falar para ti, Éléonore. Que adorável!

Estás contente por me ver?

Estás contente por ver a tia Éléonore?

Sim?

Pega nele.

Sim, disseste que sim?

Não, disseste que não!

- Cuidado. - Com calma.

Pega nele.

- Pousa-o, vai ficar mal-disposto. - Deixa-me pegar nele.

Pronto, já está.

Parece que acabou agora de ser lavado a seco.

A não ser que estejas debaixo de uma luz brilhante.

Vou para casa. Estou nervosa e não conheço ninguém.

Sabes uma coisa?

Esse top não funciona. Pareces suicida. É muito sombrio.

Tenho aquilo de que precisas!

- É tudo uma questão de detalhes. - O que é isso?

Isso é horrível.

Às vezes, consegues ser tão engraçada!

É Chanel.

- Não, não! - Sim, sim!

Há alguém que veio especialmente por tua causa.

Por isso, faz-me o favor de deixares a tua mulher interior sair!

Fico tão feliz por a tua irmã nos ter apresentado.

Adoro a Honorine.

O aniversário é dela e é ela quem dá os presentes.

Não assinei nenhuma linha pontilhada.

Linha pontilhada, essa é boa!

- Tenho a certeza de que vamos dar-nos bem. - Achas que sim?

O meu instinto raramente falha.

- Sabes o que mais gosto em ti? - O quê?

A tua atenção aos detalhes.

Tipo aquele broche.

Diz muito sobre a tua personalidade.

Isso quer dizer o quê?

Que és sofisticada e ousada.

Felina.

Felina?

Isso é uma forma educada de me chamar puta.

- Come outro. Sei que adoras. - Já comi o suficiente.

Vá lá, mais um não faz diferença.

Esta pessoa encantadora que nos deixa à vontade é a minha mãe.

Dificilmente precisarias de mim para te deixar à vontade, querida.

Muito prazer.

Ficaste com o emprego?

O emprego! Se eu soubesse, não tinha lá ido!

- O que aconteceu? - Nada.

O tipo é um idiota. Ele não me quer.

- Ele disse isso? - Era óbvio.

Algo de errado fizeste.

- És boa a autosabotar-te. - Pelo menos, sou boa em alguma coisa.

Calminha aí, tigre!

Estou só a honrar a tradição.

Mas hoje não é Natal.

Calma.

Deixa, tu também queres!

O Harold pode ser intimidante, mas é um bom tipo.

Se tiver dúvidas, ligue ao Antoine, o último assistente dele.

Não hesite.

Os seus compromissos são o principal.

No final de cada dia, verifique a agenda online.

Reveja os compromissos do dia seguinte com ele.

Validem-nos sempre juntos. É muito importante.

- Anoto na agenda? - Nunca usou agendas online?

Vou falar com ela sobre a indumentária. Isto não é uma festa da Fashion Week.

Não, não sou nada mau! Mas é muito cedo para ver isso.

- Está a correr bem? - Sim, não é muito difícil.

Força, é para si.

- Estou? - Não é assim!

Escritório do Sr. Graziani, bom dia. Vê? Diga assim!

- Você acabou de o dizer. - Ande lá!

Escritório do Sr. Graziani!

Desligaram.

Bom trabalho. Mal posso esperar para ler.

Vai dando notícias. Vamos jantar logo?

Sim, vamos fazer outro prato de frutos do mar.

Pareço?

Depressivo? Não, não.

Ando só preocupado, nada sério. Não te preocupes.

É gentil da tua parte perguntares. Enfim, vemo-nos em breve.

E chamou-me misógino!

Devo admitir que estou agradavelmente surpresa.

Devia parar de ouvir fofocas.

Está a deixar cair a armadura.

Não tarda, vejo-o de calças de ganga!

Cuidado com este personagem. Precisa de evitar estereótipos.

- O nome próprio pode ser problemático. - Problemático?

Maomé...

- É fortemente conotado. - Conotado como?

É o nome do meu namorado.

Quem é ela?

O que é que ela está a fazer? Mas ela passou-se?

Ela vai partir aquilo!

E aquela parva está ali a ver!

Não é assim! Deixe-me tratar disto.

Temos de falar sobre isto.

Eu não estava...

totalmente convencido pelo que li.

- Adeus, Brieu. Boa noite. - Igualmente, Harry.

Já tentaste o 404?

Era capaz de matar por uma empada de marisco.

Dá-me um segundo.

- Está a apanhar o jeito? - Sim.

A Sarah explicou-lhe a respeito das mensagens?

- Aponte sempre o número. - Claro, sem problema.

E pela manhã...

- Ir buscar um croissant à padaria. - A da esquina.

Com o toldo listrado.

Quando se habituar, fica fácil. Boa noite.

Boa noite, Harry.

Harold. Toda a gente me trata por Harold.

Isso não é verdade. Aquele sujeito tratou-o por Harry.

Aquele sujeito e eu temos uma longa história.

É Harold para si.

Se é o que prefere.

É o que prefiro.

Está bem.

Esta nova assistente que me arranjaram é um caso sério.

Ouvi dizer que não estás a responder às mensagens dele.

Estou, sim.

Ele gosta de ti.

Editora Afrodite.

É um sinal!

É Afrodite, não Cupido.

- Eu vi-vos na minha festa. - Eu estava bêbada.

Não te percebo.

Andaste com tantos falhados.

Pela primeira vez, um tipo incrível interessa-se

e tu armas-te em virgem tímida.

- Não estou a armar-me em nada. - Então, qual é o problema?

Não sei.

Ele é muito confiante.

- Ele deprime-me. - Não, não voltes a dizer isso!

Tu é que perguntaste.

- Deixa-me enrolar-te os lábios. - Combinamos que não se mexia na boca.

Pronto, como queiras.

O que vêem nele? O que tem o Lucas de especial?

Os outros que arranjaste eram especiais?

O que não a punha de pé, o rato de laboratório clepto...

Cala-te.

E esses são só os que eu conheço.

Se queres a minha opinião, considerando todas as coisas,

não estares interessada nele é muito bom sinal.

Mas se queres ser feliz, tens de decidir sê-lo.

Dá os passos racionais que te farão feliz.

Ele tem o pacote completo.

Um bom trabalho, um bom apartamento, uma conta bancária recheada.

O que mais queres?

Pois, eu digo-te o que é.

O amor é como um imóvel. Tens de ter visão a longo prazo.

Queres que ignore os teus olhos ardentes e o teu coração mau?

Só quero o silêncio.

Entregue sem inimigo, sem valor e sem fé.

- Tu não és juíza. - A tua guerra não é minha.

- E o teu amor é... - É a Christine.

Fui jantar com ela ontem.

Achei que agora já seríamos capazes de conversar.

Que par de masoquistas!

Ela ainda sente alguma coisa.

O céu é ameaçador.

Mas não sei se ela me vê como alguém do passado ou do futuro.

Estou tão ansioso. Tenho tudo atracado aqui.

Faço muito ou muito pouco?

Está bem.

Vai-te embora, canalha.

Em nome de Alá, queima esta cidade!

Foge dos meus braços!

O que faço com a Christine?

Estou perplexo. Quanto mais sei, menos entendo.

O facto de falarmos novamente é bom sinal, não é?

Cada vez que tento dar-te um conselho, engano-me.

Os homens e as mulheres são muito diferentes!

Só uma mente feminina pode compreender outra mente feminina.

Devias perguntar a uma mulher amiga em quem confies.

Talvez "amiga" seja pedir demais.

Uma mulher que conheças a quem poderias pedir conselhos.

- Uma confidente. - Uma confidente?

Uma das tuas escritoras, talvez.

Elas conhecem muita gente.

Não quero a minha vida pessoal nas redes sociais.

Ouve, Harry, tenho de ir.

Então...

Tens um novo emprego.

- Eu acabei de te dizer isso! - Por favor.

Então, isso é bom. Foi uma boa decisão.

Tens de ser paciente, mas vai...

- Em última análise, vai dar frutos. - Óptimo! E no que toca ao coração?

Isso é o que me interessa.

Vejo duas mulheres contigo.

Bem ao teu lado.

E estão a bloquear-me a visão.

Membros da família, talvez?

Vês algum potencial para o amor?

Compra três cartas.

- Ena! - O que foi?

Estas duas cartas lado a lado...

Anunciam uma renovação do amor.

Vejo uma pessoa nova.

E...

- Formarás família dentro de dois anos. - Uma família?

Eu?

Compra mais duas cartas.

O encontro acontece numa festa.

Debaixo de alguns ramos.

Ao início, o papel desse homem na tua vida não ficará claro.

Mas, ainda assim, ele é o único. Verdadeiramente o único.

Mudar-te-á a vida.

Tens a certeza?

Como sempre te disse, não foste feita para mulheres.

Magoaste-me!

Espero que tenha sido dentro.

- Não. - Dizes tu.

Se contarmos todos os fora, passaremos aqui a noite.

Deixa comigo!

Relaxa a pélvis.

Deixa-me mostrar-te, gatinha.

Sou péssima nisto.

Vê.

Vês a tua perna aqui?

Balanças o corpo para trás, abres a anca e...

Espera!

Mantém-te aqui. Atenção à anca, abre e...

- Relaxa a anca. - Isso faz cócegas!

Parabéns pela tua filha. Que transformação.

E o namorado...

Isto é sério?

É totalmente novo. Mas muito promissor.

Foi a irmã que o desencantou.

Ele criou uma start-up de entrega de alimentos.

É um grande sucesso.

E tem um apartamento enorme no 9º Arrondissement.

Aquilo lá é chiquérrimo. Bem melhor do que costumava ser.

Bem burguês.

É a raquete, gatinha. Vou comprar-te uma nova.

É melhor seres paciente.

Fica com a tua nova raquete.

Cuidado, a minha irmã é de longe a pessoa mais sensível que conheço.

Não sou supersensível.

Vocês irritam-me!

Está tudo bem!

Vai lá ou ela vai amuar até amanhã.

Espero que ela não o assuste como fez aos outros.

É a rainha do drama.

Estão obrigados por lei a fornecer fidelidade, conforto e protecção mútuos.

Devem também respeitar a personalidade do outro e aceitar as vossas diferenças.

A residência da família será escolhida em comum acordo.

Nenhum dos cônjuges pode beneficiar-se

individualmente do valor da casa da família

ou os seus móveis...

Não te cheira a merda?

A merda?

Calcaste alguma coisa?

Merda!

O croissant!

A ideia é permanecer fiel ao último romance,

acrescentando um toque fresco e moderno.

Não sei, parece carrancudo. Está vazio, não tem história.

- É deprimente. Não acham? - Isso é um pouco duro.

- É discreto, chique e elegante. - Certo, chato.

Se me permitem,

acho que o que a Chloé está a tentar dizer

é que falta mistério.

É isso, o mistério.

Não interrompa a reunião da Chloé Safir!

Já chega de palhaçada?

Foi o meu gato. Tem problemas de barriga e...

Que se foda o seu gato!

Juntamente com os seus rolos do cabelo e as calças de treino!

Não vê que estamos em reunião? Pire-se mas é daqui!

A sério, mas que desastrada. Isto aqui não é o recreio.

- Outra vez a última a sair? - É igual todos os dias.

Os outros vão para casa e ele fica tipo múmia atrás do ecrã.

Ele não tem pressa de voltar para casa.

Pois.

Harold, posso entrar?

Tem um minuto?

Queria pedir desculpa...

Se quer saber se pode ir para casa, a resposta é sim.

Então, boa noite. Até amanhã.

Espere.

Tem algum plano?

- O quê? - Quer ir tomar um copo?

Vai outro?

Não, prometi a mim mesma que não beberia durante a semana.

Porquê, é alcoólica?

Estou a brincar, não se ofenda. Não posso dizer mais nada.

Não me ofendi. Não se preocupe.

Mas até que o era sem me aperceber.

Não se rale, estou bem.

Adoro beber. O que posso dizer?

É mau para a saúde. Também adoro fumar.

E comer salame e queijo.

Ai sim? Não gosta de couves e quinoa como as outras miúdas?

Está a dar em cima de mim?

Mas você passou-se?

Está a fazer-me perguntas estranhas! E se alguém nos vê aqui?

Toda a gente vem aqui depois do trabalho,

quando temos de rever as nossas anotações ou discutir um livro!

Ora veja.

É prático, é mesmo ao virar da esquina.

Desculpe, não sabia disso.

Então, é capaz de reconhecer?

- De reconhecer o quê? - Nada, esqueça.

Não se preocupe.

Convidei-a para vir aqui hoje

porque quero discutir sobre um manuscrito que ando a ler.

- Gostaria de saber o seu ponto de vista. - O meu ponto de vista?

É sobre a plausibilidade da história.

- E caracterização. - Vou lê-lo.

Não, já tem que lhe chegue. Vou resumir-lho.

Como é que se chama?

- O quê? - O livro.

- Uma Mulher Cartesiana. - Estou a ver. É um romance erótico?

Não, de forma alguma.

É muito mais sério. Publicamos outras coisas.

Romances eróticos vendem bem, mas publicamos uma ampla variedade.

Desde que a personagem principal seja feminina e moderna.

Quero outra bebida. Acompanha-me?

Pode ser.

O que acha? É a história de amor ou um conto patético

de dois ex-namorados presos num relacionamento disfuncional,

condenado a repetir os mesmos erros?

Bem, não poderiam ser os dois?

Deixe-me ler o livro. Seria bem mais simples.

Uma coisa é certa.

Quer ela o ame ou não,

ele é o personagem mais interessante.

Sentimos uma verdadeira solidão nele.

Por que diz isso?

A sua dor...

Ele está a alimentá-la, não acha?

Traga a conta, por favor.

Seja como for...

O pobre parece mesmo torturado.

Inconscientemente, carrega um fardo pesado.

Acha que sim?

- Que tipo de fardo? - Não sei.

Sinto uma infância infeliz.

Pode até ser um homossexual que não saiu do armário.

Não, isso é ridículo! Está completamente errada!

Vocês, homens, são engraçados com o medo da homossexualidade.

Não comece! Está só a imaginar coisas.

Como é que sabe? Pode estar no subtexto.

- Nas entrelinhas. - Não, dificilmente!

Não há absolutamente nada nas entrelinhas. É muito sensível.

Um idealista.

As mulheres não são as únicas com sentimentos.

É por aqui que vou.

Para o 9º Arrondissement.

Mudou-se para lá?

Não, prometi ao meu namorado que dormiria lá esta noite.

Mas anime-se. Ainda dou umas por fora!

Estou a brincar, calma!

Que engraçado! Fique bem, até amanhã.

Adeus.

Harold!

Pode falar comigo abertamente, sabe?

Não sou uma idiota chapada.

Rápido, porra!

O que é que ele queria?

Só queria conversar.

Conversar? Não confio nele.

Não me digas que tens ciúmes. Isto é motivo para separação.

Só estou a dizer que é melhor que ele não te assedie sexualmente.

Ele é inofensivo.

Espero bem que sim. Para o bem dele.

Ou terá de se ver comigo.

O assédio sexual parece excitar-te.

Tu é que me excitas!

Espera, a técnica da estrela nunca falha.

Que grande tanga!

Desculpa.

Não gosto disso!

- E assim? - Sim. Mas, por favor, cala-te!

- Isto é bom? - Sim, mas cala-te.

"Aventura feminista tórrida" "Para quebrar tabus"

"Orgásmico" "Incontornável"

Bom dia e sejam bem-vindos.

A convidada de hoje é Chloé Safir,

que está aqui para falar do seu mais recente romance, Diário de um Traidor,

que já é um best-seller.

- Olá, Chloé. - É tão bom estar aqui.

Qual é a sensação de ser a autora de um best-seller?

Habitua-se com o tempo?

O que mais me importa é o processo criativo.

É para isso que vivo. Tal como a minha música.

Promoção, marketing, vendas. Não poderia importar-me menos.

Isto está certo?

Muitos dos seus detractores dizem que vende pornografia feminina.

Esses não sabem nada a respeito de mulheres.

São apenas velhos idiotas que já nem se põem em pé.

Totalmente vulgar, ainda por cima!

Poupe-nos lá aos seus comentários.

- Bom dia. - Bom dia, Harold!

É melhor engatar a velocidade, temos um dia agitado pela frente.

É para já, meu general.

Harry, posso servir-lhe um café?

Harold, desculpe.

Como correu a exposição?

- Correu bem. - Eu disse que ela ia gostar.

Estou a começar a conhecer a sua Christine.

Para os amantes da arquitectura, foi imperdível.

Foi uma boa recomendação.

E o restaurante tibetano?

- Ela adorou. - Maravilhoso.

Está a conquistar pontos.

Agora tem de a surpreender.

Torne-se um estranho para ela. Faça o oposto do que ela espera.

Combine coisas e apareça sem avisar.

Agora não é boa altura. Falamos sobre isso mais tarde.

O quê?

Não, eu...

Saia, por favor.

Voltaste a vê-la?

- A quem? - Chloé Safir.

Andámos na primária juntas. Ela é tão talentosa.

Pareço um travesti com isto!

Tretas, ficas bem gostosa.

Só te falta a confiança.

Não achei que levasses os escritores a sério.

Já viste os livros que ela vende? Ela é uma estrela.

Se queres um conselho, devias tornar-te amiga dela.

Dar-lhe graxa, queres tu dizer.

Chama-lhe o que tu quiseres. Agora só te safas com uma "rede".

E, para além disso, ela é linda.

E então? Ela é escritora, não concorrente de um reality-show.

Vem cá.

As tuas bochechas.

Suga-as para dentro

Está sempre no teu melhor.

Não queres que uma miúda mais bonita e mais nova roube a atenção.

Não, não sabia.

Qual jantar?

Mas logo à noite?

Vá lá, estou feita num oito!

Só quero tomar banho e enfiar-me na cama com o saco de água quente.

Ele vai contar-lhe das boas.

Tenho de ir indo.

Estou a fazer-lhe sinal há horas.

Os envelopes nunca mais acabam!

Pare antes que eu comece a chorar.

Vou embora, prometi ir ao espectáculo de ballet da filha da Christine.

- Eu também dançava ballet! - Deixe isso para depois.

O que lhe parece? Fico ridículo com o chapéu?

- Ou excêntrico? - Excêntrico?

Sabe, para um encontro...

O chapéu está bom, a camisola é que é um desastre.

Um desastre?

Harold, olhe bem para si!

Desculpe a honestidade.

Obrigado pela sua honestidade.

Vou morrer congelado, mas não faz mal.

Vai valer a pena. Foi oferecida?

Sim, foi.

O que está a fazer?

Relaxe e confie em mim.

Despejou o frasco do perfume!

E pronto.

Muito melhor. Já não parece um padre.

Tem um cachecol? Para dar um pouco de cor.

Um cachecol?

- Vou emprestar-lhe o meu. - Mas é que nem pensar!

Não vou usar um cachecol de mulher.

Bem, não é de mulher. E vai mantê-lo quente.

Não vou usar nada seu!

É um cachecol, não um sutiã.

Esqueci-me de lhe dizer, a Chloé Safir ligou.

Tem uns capítulos para o novo livro. Poderia ir recolhê-los?

- Posso ir amanhã? - Não, ela vai para Roma logo.

Ela não pode enviar um e-mail com eles como toda a gente faz?

- Vou enviar um mensageiro. - Nada de mensageiros.

Tem de ser recolhido directamente. É a lei do comércio!

Mantenha tudo em brasa leve. Deixe-a a questionar-se.

O Harold não está aos pés dela e pode sair a qualquer momento.

Já ouviu falar em "discrição"?

Obviamente que é um conceito que não lhe é familiar.

Cuidado, não tenho cópias. Escrevi num Remington antigo.

Como os melhores.

- Posso pedir-lhe um favor? - Claro.

Poderia autografar isto?

Quero surpreender a minha irmã. Ela adora-a.

Use o meu site, querida.

- Mas ela conhece-a. - A sério?

Andaram na primária juntas. Lembra-se dela?

Honorine Berthier.

A que tirava as melhores notas.

Honorine Berthier! Como está ela?

Continua bonita?

- Sim. - Dê-lhe um beijo meu.

Inacreditável!

Então, você é que é a maninha dela!

Sinok...

Era assim que ela lhe chamava.

Como o personagem d'Os Goonies.

Sinok.

As crianças conseguem ser tão cruéis.

Dê cá isso.

Então...

Honorine Berthier...

Posso pedir um favor de volta?

Enquanto eu estiver fora, importa-se de me regar as plantas?

É só durante o fim-de-semana. Voltarei na segunda-feira.

O assistente anterior do Harold, o Antoine, costumava fazê-lo.

Importa-se?

Obrigada, obrigada!

- Não se esqueça dos acentos. - Os acentos?

O Meu Remington é QWERTY. O Antoine preenchia-os à mão.

Nunca conheci o Antoine.

Não queres tentar?

Terra chama Gatinha?

Desculpa, estou exausta.

Com saudades de algo?

Perto do teu bolo.

Estiveram sempre aí, como podes não os ver?

O quê?

- O porta-chaves é novo? - Quero que venhas morar comigo.

Quero adormecer e acordar ao teu lado a semana inteira.

Fico mesmo contente. Mas isto foi rápido, estou confusa.

Desculpa, achei que era isto que querias.

Quando é que todos vocês decidiram saber o que eu quero?

"Vamos arranjar à Éléonore

um tipo um grande carro e uma grande casa

que tenha chão de madeira e gerânios!

E vamos vesti-la mal para ela não parecer sonsa ou fufa."

Talvez precises de tempo para pensar.

Sim, é isso.

Tempo. Preciso de tempo.

Para tomar as decisões certas.

Eu ligo-te.

- Qual é a tua? - Vai à merda!

Idiota.

Olá, Éléonore. É o Harold.

Pode trazer-me o manuscrito da Chloé?

Estação Bonne Nouvelle?

Ela deixou o envelope na estação de metro.

Diga-lhes para ligarem a qualquer hora. Haverá uma bela recompensa.

Obrigado.

Que grande merda!

Lamento imenso.

Ainda o vejo nas mãos!

Uma sem-abrigo entrou e começou a tocar acordeão...

- Ainda consigo vê-lo! - Consegue vê-lo!

O que direi à Chloé? Isto é uma catástrofe!

Lamento mesmo muito. Posso fazer alguma coisa?

Sim, pode estar calada.

Feche a matraca e nem um pio!

Isso não! Se há alguém que devia estar a chorar, sou eu.

- Confiou em mim e eu decepcionei-o. - Claro que sim.

Não foi um desempenho propriamente digno de registo.

Sou uma falhada.

Tem o nariz a escorrer, limpe-o.

A culpa é da minha irmã. Sabe o que ela me chamou?

Não comece. Você é uma irresponsável.

Sabe qual é o seu problema?

Acha-se demais e não sabe qual é o seu lugar.

Em cada limite que não devia transpor, arranja uma maneira de o fazer.

É patológico! Você não pode parar!

Acha-se inteligente, mas não é.

Não contes à mãe até arranjares outro emprego.

Isto vai deixá-la um caco.

Aquilo não era para mim. Melhor agora do que mais tarde.

Como raio é que perdeste aquele envelope?

Pode acontecer a qualquer um.

Não tenho assim tanta certeza.

Parece freudiano.

Honorine, por favor! Poupa-me à tua psicologia de poltrona.

Não trinca nada? Está de dieta?

Como dizia o meu falecido marido: "Estou sempre entre duas dietas:

a que não fiz e a que estou a planear fazer."

- Fantástico, Dominique. - Obrigada.

Então, o que acham?

Adoro.

Quero comprar o grande para o meu escritório.

E tu?

Acho óptimo, muito interessante. O uso das cores...

Sim.

Disse-lhe que era fantástico.

Mas acho-o horrível.

Sem emoção, sem técnica.

Honestamente, por que é que ela se rala?

Aqui está a artista! O próximo Nicolas de Staël.

É mesmo.

Obrigado por terem vindo.

Se há uma pessoa cuja opinião é importante para mim,

ela é a vossa mãe.

Segura nisto, por favor.

Vou atender lá fora. Sim?

Sabes, a tua mãe tem muito orgulho em ti.

Tem?

Sim. E disse que o patinho feio dela finalmente se tornara num cisne.

E tu conheces a tua mãe.

Quando elogia é sempre sincera.

O que se passa com ela? Parece que algo não está bem.

E, zás, o meu pior pesadelo tornou-se realidade.

Em criança, tinha medo de perder a minha mãe, tal como perdi o meu pai.

E agora aqui estava. O universo queria apanhar-me.

Ou talvez a culpa tenha sido minha. Por perder a porra do maldito envelope.

E pronto, o inevitável aconteceu.

Eu sabia que sim.

Toda aquela dor e tristeza...

"Primeiro Martine casa-se; depois Martine fica viúva.

E agora Martine é enterrada."

O doutor está optimista, tu ouviste-o.

Se desse para nos fiarmos neles!

Nenhum diagnosticou o teu pai com precisão.

Deram-se grandes avanços entretanto.

Podes nem precisar da quimioterapia.

Vocês estão muito optimistas.

Não sei porquê, mas senti uma necessidade urgente de me encontrar com o Harold.

E não era apenas para o ver.

Eu queria que ele me abraçasse, que me consolasse.

Que modos são esses? Ir-se embora sem se despedir?

E o seu namorado onde fica no meio disto tudo?

- Ele apoia-a? - Ele não é mesmo meu namorado.

Já passaram três meses. Ele é amigo da minha irmã.

Ela andava a tentar empurrar-nos um para o outro há muito tempo.

Mas se sucumbiu, é porque ele tem qualidades.

Sim, sem dúvida.

Não me parece convencida.

A verdade é que ele está cheio dele.

O dinheiro é tudo para a minha mãe e para a minha irmã. É tipo Deus.

Qualquer pessoa com dinheiro brilha mais aos olhos delas.

É assim que funciona o mundo, não acha?

Se tivesse ficado com ele, era capaz de achar o mesmo.

- Tem razão, vou deixá-lo. - Não foi isso que eu disse!

- Mas deu a entender. - Nem pensar.

Deixe-me dizer-lhe uma coisa.

Os casais, o futuro, as crianças...

Nada disso faz sentido para mim. Tudo me parece sem sentido.

Vamos acabar mortos e enterrados, seja lá como for.

Deveria apaixonar-se. Isso dar-lhe-ia luz.

Sabe o que é o amor? São duas neuroses interligadas.

Li isso em qualquer lado. E é bem verdade.

Talvez ainda não tenha conhecido a pessoa certa.

Pois, mas também nenhum casal que eu conheça me faz querer tentar.

Entre a minha irmã a sufocar o namorado,

a minha mãe a viver na sombra do meu pai,

e o Harold...

a ser comido vivo pela sua relação.

- Já tarde. Temos de ir para casa. - Quero dançar! Vamos dançar!

Não, ninguém aqui vai dançar.

Vamos para casa como bons meninos.

- O Harold não é animado. - Nunca disse que o era.

Bem, às vezes, até que o é sem o querer ser.

Não se chateie! Faz parte do seu charme.

- Qual é o meu factor de charme? - Não sei e não quero saber.

Não fique tão tenso. Já andei com homens da sua idade.

Chega deste absurdo.

E já perdeu o último metro. Venha comigo.

- Mais um para a estrada? - Tarde demais, os bares já fecharam.

E já bebeu o suficiente.

O escritório não será tão divertido sem mim, admita.

Vai ter saudades minhas.

Dificilmente. A Éléonore é a pior assistente que já tive.

A sério que fui a pior? Tinha-nos como uma boa equipa.

Se acha que perder a nossa melhor escritora é ser uma boa equipa...

Espero que me perdoe. E melhor sorte com a nova.

Com o novo. Não quero mais mulheres.

Abri uma excepção consigo. A experiência não correu bem.

Obrigada. O Harold é um verdadeiro cavalheiro.

Seja sincero comigo.

Observou-me durante semanas.

Eu sou normal?

- Normal? - Seja directo e sincero.

Nunca conheci uma mulher normal.

Esqueça o que eu disse. O Harold não é cavalheiro nenhum.

Vá para casa em segurança. E mantenha a cabeça erguida.

Se o meu pai estivesse vivo, aposto que ele seria como o Harold.

Esqueça o que lhe disse na outra noite. Não foi aquilo que quis dizer.

Fiquei zangado.

A Éléonore é perfeita.

Aprenda a aceitar-se. Será mais fácil apaixonar-se.

E assim foi.

A merda estava a crescer como uma bola de neve a toda velocidade.

Uma lei da natureza:

quando uma coisa dá errado, tudo dará errado.

Como estás? Forte, espero eu.

Sim.

Mais ou menos.

Tens a certeza de que não queres vir cá dormir?

Hoje não. Tenho muita coisa para ler.

Podes ler aqui comigo.

Acho que preciso de ficar sozinha, Lucas.

Se mudares de ideias, não hesites.

Obrigada. És um doce.

Fico feliz por a operação ter corrido bem.

Mais um!

Todos estes presentes... Sinto-me uma estrela.

Faz-me lembrar do concurso de Miss Côte d'Azur.

- Mãe, não comeces. - Foi Miss Côte d'Azur?

- Ficou em segundo. - Eu devia ter ganho!

Mas ganhou a lambisgóia que dormiu com metade do júri!

O que foi? É verdade. Devia ter sido eu a ganhar.

Toda a gente disse isso.

- É de outro dos teus admiradores? - Não, desta vez não.

Este é da tua irmã.

Ela é muito sensível.

Ela podia ter cá vindo, não achas?

Sabes como ela é. Tem medo de quartos de hospital.

Fazem-na lembrar de coisas más acerca da doença do vosso pai.

Tu eras pequenina.

Tu não tens tantas lembranças. Sofreste bem menos.

E o Lucas?

Como está ele?

Onde é que ele está? Ele é bom rapaz.

É bom rapaz...

Isso não quer dizer que tenha de andar sempre atrelada a ele!

Ouvi dizer que te convidou para irem morar juntos.

Faz um esforço.

Tens sorte por ele estar interessado.

Sim, muita sorte.

Vou pôr-me de joelhos e agradecer.

E pronto!

Estás finalmente em casa.

Os macarons têm de ir para o frigorífico senão estragam-se.

Sim, já vou tratar disso.

A D. Antoniadi já não vem cá? isto está cheio de pó.

Acho que vem amanhã.

Não devias estar a trabalhar?

Não percas o emprego por minha causa.

Mãe, tenho de te contar uma coisa.

Já não era sem tempo!

Finalmente, vais parar de me fazer de parva!

- Tu sabias? - É evidente.

A tua irmã contou-me.

Estava curiosa para ver quanto tempo demorarias para me contar.

Sempre foste muito frágil.

Precisas de alguém como o Lucas para tratar de ti e da tua vida.

O que eu sentia pelo teu pai também não apareceu logo.

Não?

Achava que tinha sido amor à primeira vista.

Isso foi o que eu vos disse quando eram pequenas, mas não é a verdade.

Os sentimentos aumentam com o tempo.

Acredita, é sempre assim. Pelo menos, no amor que dura.

Durante toda a minha vida,

acreditei que o meu pai e a minha mãe

tinham vivido a maior história de amor de todos os tempos.

O Titanic era para meninos à beira da história deles.

Sentia-me sortuda por ser fruto de um amor tão lindo.

E tão puro.

Você está a crescer.

Está a começar a perceber que, por norma, as coisas

são mais complicadas do que podem parecer quando vistas de fora.

Sabe, mais cedo ou mais tarde todos nós acabamos por dar conta

que os nossos pais são seres humanos como todos os demais.

Eu sou apenas mais uma sacana como todos os outros.

Não me chegou a dizer, uma certa vez,

que o seu maior desejo era sentir-se como os demais?

Quando eu era pequena,

e depois de o meu pai ter morrido,

quando vi a minha mãe a chorar com os discos do Joe Dassin,

pensei: "É isto que tem de se encontrar."

"Isto é o amor verdadeiro."

E agora percebe que corria atrás de um ideal inatingível.

Olá, Christine, sou eu. Não te esqueças da festa logo.

Vai ser estrondoso! Espera até veres as decorações!

Não vais querer perdê-la.

Cuidado com os fios. Não é para incendiarem isto.

Já contamos, pá. Faltam duas caixas.

Afinal são três.

Claro que espero.

- Tudo em ordem? - Sim, não se preocupe.

Estão a trabalhar nisso? É bom saber.

Sim, mano?

E as duas caixas?

As três caixas!

Pode parar de dizer "mano"? Isso é insuportável.

Mano?

De certeza que queres vir?

Sim, é uma distracção bem-vinda.

Não me apetece ficar sozinha. E não vejo a Johanna há anos.

Vou tomar um copo com a Johanna.

O médico disse para ires devagar com a bebida.

Então e a comida e o riso? Esquece isso, essa não sou eu.

É a Christine?

Ela não veio?

A festa ainda não acabou. Ela pode aparecer.

Não, ela não vem. Nem sequer atende o telefone.

Pode ter ficado sem bateria.

Pois pode.

Devo ir buscar-lhe uma bebida?

Vou pegar buscar-lhe uma.

Estás à procura dele?

Acho que tem companhia.

O que estás a fazer?

- A Éléonore conhece-a? - É a minha mãe.

Deixa-nos dançar, querida. Traz de volta tantas memórias!

E aí percebi que o novo amor era para a mãe e não para mim!

A minha família perturbou-lhe a visão.

Deixaste-o ficar por causa de uma cartomante?

Eu estava com ele por causa de uma! Esse é que foi o meu erro.

O coitado está cá num estado!

Achei que os galhos de que ela falou fossem o visco,

mas eram folhas de palmeira!

Visco, folhas de palmeira... Que ridículo! Não preciso disso.

E o cancro da mãe?

Que tem o cancro da mãe?

Ela tem de estar feliz para melhorar!

Como é que isso vai ajudar?

A mãe precisa de um homem que a ame. Ele é perfeito para ela, é óbvio.

Tudo o que sei é que só posso contar comigo mesma.

O que isto quer dizer?

O que queres dizer com isso?

Eu sempre fui a cola que manteve tu e a mãe juntas.

- Mas tu esqueces-te disso. - Tem cartão de cliente?

Estou em crer que vais voltar à escrita. É esse o plano?

- Vais voltar a ser escritora? - Sim, vou voltar a escrever.

Eu sabia. Digo-te, és uma idiota!

Não sabes não te autosabotar! Sempre a dar tiros nos próprios pés!

- Tem cartão de cliente? - Não!

Não tenho a porra do cartão! Pare de me perguntar!

Já tenho cartões que me cheguem na merda da carteira!

Estás totalmente instável.

Homens, empregos... Nada que se aproveite.

Não é possível! Fizeste isso de propósito?

Apanha as coisas.

Não fiques aí parada. Faz alguma coisa!

Estou farta, Honorine.

Deixa-me em paz. Estou farta de que me derrubes

e de me chamares maluca apenas para te sentires bem!

Perdeste o fio à meada.

- Isso é um absurdo. - Vês?

Estás a fazê-lo outra vez.

É tão natural que nem dás conta.

O que estás a fazer? Onde é que vais?

Não podes deixar-nos assim!

Estou-me a cagar! Desemerda-te!

Estás a ter uma recaída! Tens de atentar na medicação.

Os teus valores nunca foram os meus.

Vais ficar louca como a avó Babette!

Vai à merda! Digo-te eu e diz-te o Sinok!

O Sinok?

De onde veio isto?

É um caso perdido.

Não viu isto a chegar. Deve achar que sou maluco.

Não, não mesmo.

Fiquei impressionado com o que me disse na primeira vez que tomamos um copo.

Sobre alimentar a própria dor.

Isso deixou-me a pensar. Talvez o que eu tomei por amor...

não fosse realmente amor.

Só diz isso porque conheceu a minha mãe.

Não sei explicar, mas no momento em que a vi...

Eu sabia que ela seria importante na minha vida.

Não sei, Harold.

Fico preocupada consigo.

O Harold não percebe.

Acha que a Christine era má? A minha mãe é muito pior.

A Éléonore estará lá para me ajudar.

Algumas pessoas são assim. Incapazes de mudar.

E ele, o que espera?

Não consigo ler-lhe a mente.

Quer voltar a ver-te e conhecer-te.

O que foi?

Nada. Mas é bom que ele não tenha muitas esperanças.

O que queres dizer? Isso não é lá muito bom.

Vamos cancelar isto. Não quero ir.

O que queres dizer?

- Concordaste com o encontro às 4. - Mas mudei de ideias.

Não podes cancelar o encontro em cima da hora!

Eu faço o que eu quiser. Mudei de ideias.

Conheço o tipo dele. É dos que se atira logo aos meus pés.

- Chato. - Sabes que mais?

Tens razão, não te forces.

Vou enviar-lhe uma mensagem. Assim não tens de o fazer tu.

Costumavas ficar zangada quando eu saía com algum homem.

Ficava zangada porque nos mentias. Achei que devíamos ser abertas.

Isso nunca incomodou a tua irmã.

Mas eu não sou a minha irmã.

Sou o contrário, na verdade.

Nunca deixes que outras pessoas decidam por ti. Nunca!

Às vezes, estou errada e cometo erros.

Mas são os meus erros.

Mas é assim que sigo em frente. E que vou crescendo.

Que livro é este, idiota?

És um falhado feioso.

Vais acabar por ser padre ou bicha. Mostra-lhe como é, Jennifer!

- Queres isto? - Vem cá buscá-lo.

- Chuta mas é cinco paus, cenourinha! - Não dês!

Qual é o vosso problema? Isso é forma de tratar alguém?

Olhe, minha senhora. Ele é deficiente motor.

Estamos a tratar dele.

Vamos embora.

Imbecis!

O meu livro!

O que estás a ler?

Deixa ver.

É um grande livro.

Tinha mais ou menos a tua idade quando o li.

Eles são sempre maus para ti?

Na escola também?

Não te preocupes.

Eles são idiotas.

A tua vida vai ser mais interessante do que a deles.

Estás a olhar para o meu colar?

É um amuleto da sorte.

Podes ficar com ele.

Sempre que tiveres medo, aperta-o com força.

Não me arranja um?

Tinha um amuleto japonês, mas roubaram-mo.

Está sem sorte, desculpe.

Desculpe!

Desde que o perdi, é só problemas. A scooter está sempre a avariar.

Está a seguir-me?

Trabalho aqui perto. Chamo-me Paul.

Já a vi por aqui, não já?

A sua cara não me é estranha. Não teve o cabelo verde?

Tem um gato?

Eu também tenho um. Chama-se Iago, como o bandido de...

- Eu sei quem é o Iago. - Sabe?

- Ele caiu do quarto andar. - Merda, lamento.

Ele está bem, só fez um arranhão.

A cena marada dos gatos...

É que quanto maior for a queda, um tanto melhor.

- Eles têm... - Pára-quedas.

Pois, têm pára-quedas.

- Chamo-me Éléonore. - Certo.

Tenho meia-hora. Podemos ir tomar um chá.

- Um quê? - Um chá.

Um chá?

- Qual é o nome do seu gato? - Lúcifer.

- Está a brincar, não está? - Não, é mesmo.

- Que nome o dele! - Porquê?

É um bom nome.

Pois, mas não deixa de ser estranho.

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.