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No distante norte da Sib�ria...
nas montanhas Verkhoyansk, conheci os Evens...
uma pequena tribo n�made de criadores de renas.
Homens livres...
que n�o t�m bens materiais, apesar de serem muito ricos...
pela habilidade deles de viver em harmonia com a natureza.
Em cl�s de quatro a seis fam�lias...
conduzem um grande rebanho de renas semi-selvagens...
que v�o passando atrav�s das gera��es por milhares de anos.
Aos Evens, que compartilharam seu incr�vel modo de vida comigo...
eu dedico este filme.
LOUP - UMA AMIZADE PARA SEMPRE
Serguei, n�o saia da�!
Tome.
Minha primeira recorda��o do seu pai...
foi o dia em que ele vestiu esta t�nica.
Ele mal tinha 15 anos.
As mangas foram at� os joelhos.
Vai ficar melhor em voc�. Vamos l�, vista.
Pare de sonhar agora.
- Est� com medo? - N�o, estou bem.
J� estive l� em cima sozinho.
Agora � diferente, Serguei.
Conhe�o voc�. Sempre com a cabe�a longe.
M�e, eu n�o sou mais crian�a.
Ainda �, por mais cinco minutos.
Serguei, voc� vem?
Meu nome � Nicolai, l�der do cl� Batagai...
que vaga pelas pastagens da montanha Kharanga.
Hoje, estou ca�ando carneiro selvagem.
� tradi��o oferecer a carne na cerim�nia da 1� Lua de ver�o.
Durante o banquete, designamos quem olhar� as renas no inverno.
E meu filho, Serguei, foi o escolhido.
- Wladim, precisamos de voc�. - Ningu�m precisa de mim.
Ora, vamos.
� uma pena meu pai n�o estar mais aqui.
N�o mudaria nada.
Serguei � um ano mais velho que voc�.
Ele deve vigiar o rebanho.
Quem disse que ele conseguir�?
No ano que vem ser� a sua vez.
Vamos!
Venha.
Serguei...
o cl� escolheu voc� para cuidar...
do nosso bem mais precioso. O grande rebanho.
� ele que seguimos...
e que nos d� tudo o que precisamos.
- Vai cuidar dele? - Sim.
Proteg�-lo?
Sim.
N�o enxergo mais, ent�o vou dar meu rifle a voc�, Serguei.
Agora ele � seu.
Que o esp�rito de nossas montanhas esteja com voc�.
Vida longa a Serguei!
Vai ficar bem?
Coloque na mochila. N�o leve nas costas.
Prefiro carregar comigo. Nunca se sabe.
Do que tem medo?
De nada.
Nada.
- Voc� entendeu tudo? - Sim, papai.
O rebanho est� no planalto de Jana.
- Est� sabendo? - Sim, n�o se preocupe.
Ent�o, v�. N�o deixe o rebanho sozinho por muito tempo.
Com esses malditos lobos por a�.
Pode ir.
Muito bem.
� Mouriak! Vejam, � Mouriak!
Sauda��es, Moujouk. Seu esp�rito tem guiado minhas jornadas.
Fico feliz em saber que est� aqui, Mouriak.
Esses encontros devem alimentar nossos dois cl�s.
Mouriak!
Nicolai!
Vamos l�.
Moujouk!
Vai ficar muito tempo?
At� o inverno terminar.
Vou levar 20 machos dos grandes.
Voc� se tornou uma mo�a linda, Nastazia.
Seus pais n�o est�o aqui?
N�o, eles est�o com o rebanho, perto de Sebiane.
Est�vamos ficando preocupados.
Achei que nunca chegar�amos aqui.
Serguei est� aqui?
� o guardi�o do rebanho agora.
- Onde ele est�? - L� em cima, com o rebanho.
Serguei lamentou n�o poder ver voc�.
Dois anos � muito tempo.
- Deve estar mais alto do que eu. - Quase.
Est� um garot�o.
O garot�o n�o pode voltar mais cedo?
O que voc�s est�o tramando?
Eu trouxe um fog�o. As noites est�o frias.
Diga...
- Serguei pode voltar antes? - N�o h� troca antes de uma semana.
Nicolai!
Tudo bem, vou recuar.
Vou ficar aqui, n�o se preocupe.
Voc� � linda, magn�fica.
Vou chamar voc� de Voulka. Gosta?
Tchau, Voulka! Vou deixar voc� em paz...
at� seus filhotes crescerem um pouco.
Quem s�o?
Estamos aqui para te substituir.
Seu pai nos mandou. Mouriak est� aqui.
- Vai ter uns dias de folga. - Agora?
N�o, no pr�ximo ver�o.
Quero tocar o rebanho.
Tem l�quen aqui.
Est�o inquietos. V�o em dire��o a Ouchaka.
Nicolai vai levantar acampamento.
Vai encontr�-los no vale.
Ele quer ir para Ouchaka para pescar.
N�o est� com frio?
Vamos! Vamos!
Vejam, � o Serguei!
- L� em cima. - � o Serguei.
- Nastazia? - Sim.
Serguei.
Olhe, mam�e, Nastazia e Serguei pararam.
- Est� mudada. - Voc� tamb�m.
Vamos.
Em frente.
Pena que perdi a cerim�nia.
Vai me mostrar?
Pare com isso.
Nicolai disse que acamparemos...
nas pastagens de Kalanka, � beira do rio.
Podemos ir ao estreito de Pulka.
Lembra?
N�o vou ter tempo, preciso voltar ao rebanho.
Nicolai vai ca�ar amanh�. Pode esperar at� ele voltar.
- Wladim est� l� em cima. - Sou eu que tenho de vigiar.
Ele pode substituir voc�.
N�o posso ficar, Nastazia.
Meu lugar � l�, entende?
Sim, eu entendo. Compreendo perfeitamente.
N�o fique chateada. O rebanho l� em cima � importante.
Ent�o, volte para l�!
Nastazia!
Falta muito ainda?
Alexeiv, venha ver!
- � dif�cil dizer. - N�o � um carcaju.
Um lobo?
� o que parece.
Vamos seguir as pegadas?
N�o est�o atacando as renas.
Dev�amos averiguar mesmo assim.
Certo.
Um lobo morto � melhor do que um vivo.
Est� indo tudo bem l� em cima, Serguei?
Sim.
Tem certeza?
Sim, nenhuma novidade.
Est� tudo bem.
- Tudo bem com o l�quen l�? - Sim, mas as trarei para baixo.
O l�quen parece mais denso. As renas est�o seguindo.
Cad� a Nastazia?
Est� cansada.
- Quer ca�ar amanh�? - N�o, vou voltar para l�.
Mas Wladim pode ficar l� em cima.
- Nastazia perguntou... - Eu cuido do rebanho.
O resto � assunto meu tamb�m.
Alexeiv, n�o vale a pena ir longe. Tem lenha boa aqui.
J� de volta?
Onde estavam?
Por que n�o levaram o rebanho para Ouchaka?
Est�vamos ocupados.
- Podemos fazer isso agora. - N�o preciso de ajuda.
Tem um lobo por a�.
- Viu as pegadas dele? - E da�?
"E da�?" N�o sou o guardi�o do rebanho...
J� chega! Sei o que devo fazer!
Quem voc� pensa que �? N�o levante a voz para mim!
Parem!
Venha. Tudo isso est� subindo � sua cabe�a.
- Tudo bem? - Sim.
- Talvez n�o devesse ir. - �. Ele est� estranho.
- Estranho? - Est� escondendo alguma coisa.
Eu levaria o trabalho mais a s�rio.
- � muito longe? - A tenda dele fica junto ao lago.
Boa viagem.
Venha.
Tenha calma.
N�o precisa se alarmar, est� tudo bem.
Venha, belezinha.
Venha.
Venha.
Venha c�.
Venha.
Vem, vem.
Isso, assim.
Muito bem, voc� n�o tem medo.
Calminha a�.
Mantenha a calma. Assim mesmo, Voulka.
Pode ficar com seu filhote.
Espere a�, Voulka...
essas pegadas n�o s�o suas.
Voc� tem um amante?
Voc� � o mais corajoso.
Um verdadeiro l�der.
Vou te chamar de Kamar.
Kamar.
Venha.
Voc� � a mais t�mida.
Venha, n�o tenha medo.
Nastazia!
Voc� � louco! Completamente louco, Serguei!
Vai ser uma surpresa geral.
N�o conte para ningu�m, ou estarei perdido.
Vai perder tudo!
O que deu em voc�? Por que fez isso?
N�o sei, Nastazia.
N�o tive coragem de mat�-los.
N�o tem nada a dizer?
- Aonde voc� vai? - Para o acampamento.
Pare!
Veja!
N�o pode ir agora.
� uma tempestade. N�o pode cruzar o desfiladeiro.
Seria loucura ir esta noite.
Isso n�o vai mudar nada.
Voc� teria feito o mesmo.
� melhor achar uma solu��o.
Serguei!
A� est� voc�.
- E Nastazia? - Estou aqui.
Est�vamos preocupados com voc�.
Com esse temporal, n�o � bom passar a noite nas montanhas.
Que bom que voc�s est�o aqui juntos.
Essa lenha est� bem seca.
O tempo est� abrindo.
- Como est� indo com o rebanho? - Estou dando conta.
- N�o tem certeza? - Est� tudo bem, acredite.
Wladim viu pegadas de lobo.
Ent�o?
Sim, talvez tenha uma pegada por aqui.
Talvez uma? Uma n�o � o bastante?
Como voc� n�o notou?
- Wladim vem e... - Eu vi pegadas, mas...
Voc� as viu, sim ou n�o?
Diga!
Eles ficam longe das renas no ver�o.
Que bom que ficam longe delas!
Mas os lobos atacam no come�o do outono.
O que est� havendo?
Sossegue, Nicolai, ele est� fazendo um bom trabalho.
Pode confiar nele.
At� me deixou para tr�s pelo rebanho.
Certo.
Vamos! Vamos!
Sinto muito, Nastazia.
Eu devia ter contado logo. Fui um idiota.
- Isso � loucura, Serguei. - Nunca ir�o saber.
- Como est�o as coisas l�? - Bem.
- E Nastazia? - Ela est� com Serguei.
Que bom.
Estava ficando preocupada com ela.
Onde mais ela estaria?
Voc� est� estranho.
N�o, eu estou bem.
Eles est�o se entendendo bem.
Ent�o, qual � o problema?
N�o sei. Serguei est� estranho. Esquivo.
� porque Wladim contou a voc� sobre os lobos.
Desde que o pai morreu, ele tem inventado coisas...
para chamar sua aten��o.
N�o preciso de Wladim para formar uma opini�o.
Devia confiar mais no seu filho.
Voulka!
Voulka!
Voulka!
- Eu trouxe algu�m. - Voulka � sua namorada?
Fique aqui. N�o tenha medo.
Calma, Voulka. Devagar.
Kamar...
pequeno Kitnic...
e Baikal.
Como vai, Kitnic?
Tudo bem.
Voc� tem que recuar. Ela n�o te conhece.
- Entende os lobos agora? - Tenho que entender.
Devia acampar em outro lugar.
Est� muito perto do covil.
Vamos para uma �rea mais aberta.
Tocaremos o rebanho e mudaremos a tenda.
N�s?
- Acho que � o suficiente. - N�o vai adiantar.
V�o comer as renas quando o inverno chegar.
Ao menos v�o nos seguir agora.
Por que n�o explica tudo ao seu pai?
N�o, voc� n�o o conhece.
Mataram 17 lobos no inverno passado. Nem tiveram chance.
Nem tentou falar com ele.
Falar com ele significa condenar nossos lobos.
Voc� n�o tem escolha.
Quer que n�s mesmos os matemos?
Voulka!
Venha, Voulka.
N�o tenha medo. Venha.
Venha, Voulka.
Chegue mais perto. Assim.
Mais perto, Voulka.
Isso. Muito bem.
Fora!
V� embora!
� incr�vel como eles cresceram r�pido.
Eu os vi h� dois dias, na entrada do vale.
Acho que se instalaram l�.
N�o est�o longe do rebanho, mas tudo bem por ora.
Sim, claro! O macho grande come�a a se interessar.
N�o se preocupe.
- Por falar em lobos... - Eles est�o aqui?
Espere. Fique aqui.
Venha.
Venha c�.
Pode vir.
Isso, assim.
Isso, venha.
- Quem � esse? - Kamar, o mais corajoso.
Diga "oi" para Nastazia. Venha.
Foi o primeiro a vir at� mim.
Cad� o Kitnic?
Ali est�! Venha.
Esta � Voulka.
Relaxe, n�o vai fazer nada. Voulka, vem!
Ela ainda � meio selvagem.
Baikal! Venha, Baikal!
- Nunca se aproximou dele? - N�o a menos de 50 metros.
Ele mant�m dist�ncia.
- � muito desconfiado. - Ele me d� medo.
Acha que a neve permanece?
N�o nos baixos vales. Mas aqui, sim.
- Sabe o que significa? - N�o.
As renas ficar�o no curral no inverno.
Longe dos lobos.
E partiremos em breve.
Quero que fique, Nastazia.
Sabe o que isso significa?
Sim, eu sei.
Tem certeza?
Nastazia, venha ver!
H� pegadas por toda parte!
N�o � apenas um lobo, � uma matilha!
- Uma matilha vagando por aqui! - N�o, s�o s� dois ou tr�s.
Est� me gozando?
N�o v�o atacar o rebanho.
- Eles comem perdiz. - "Eles comem perdiz"! Perdiz!
Eles devoram nossas renas!
Vamos partir.
Acha que n�o s�o capazes de nos seguir?
Desmonte sua tenda e venha ao acampamento.
Amanh�, vamos reunir o rebanho para levar ao curral.
Mouriak vai nos ajudar.
- Vamos seguir pelo vale? - Sim. Iremos pelas montanhas...
com o rebanho.
O curral � longe do acampamento?
Uns 15 minutos.
Vamos nos juntar a voc� quando terminarmos.
Serguei vai ficar para vigiar.
Depressa! N�o vamos perder tempo!
Vamos.
R�pido! Mexam-se!
R�pido!
Venham! Vamos!
Vamos.
Coloque as renas para dentro!
Vamos �s tarefas.
- Quem vigia as renas? - Isso � trabalho do Serguei.
Nicolai, os lobos nos seguiram.
- Voc� viu as pegadas? - Todo mundo viu.
Agora que as renas est�o aqui, Alexeiv e eu podemos ca��-los.
Sim. V�o.
Voltem ao acampamento depois.
Eu ouvi. Sei o que est� fazendo. Vou com voc�s.
Voc� vai ficar aqui e vigiar as renas.
N�s cuidaremos dos lobos. Ordens do seu pai.
Cada um tem a sua tarefa.
Esperem!
Parem!
- N�o precisamos de voc�! - Onde est�o indo?
N�o faz sentido procurar juntos.
Vamos para Ouchaka. Procure em outro lugar.
Vou deix�-los. Irei direto ao p� do desfiladeiro.
Ent�o vamos!
Voulka!
Voulka!
N�o! Voltem!
N�o!
Ah, n�o!
- E ent�o? - As pegadas foram apagadas...
pelo vento.
Serguei se juntou a n�s no rio.
N�s nos separamos. Ele foi para o desfiladeiro.
O qu�? N�o est� com as renas?
Ele voltou?
Lmagino que sim. N�o as deixaria sozinhas.
- Veja se ele est� no curral. - Eu irei.
Ficarei na cabana com Serguei.
Foi o que planejamos.
Vamos, r�pido!
� estranho que tenha ido sozinho.
Est� fazendo pouco caso de mim. Falei para ele ficar.
- E se ele ainda n�o voltou? - J� estar�amos sabendo.
Nastazia teria nos avisado.
Vamos.
Tudo bem?
Cad� suas renas?
Fale comigo!
- Wladim os encontrou? - N�o.
Ele voltou. N�o achou as pegadas por causa do vento.
Quem est� vigiando o rebanho?
Temos que ir!
Serguei, olhe!
Ah, n�o!
Eles s�o lobos, Serguei! Lobos!
Eu queria tanto mudar as coisas.
Mudar a natureza?
O que voc� quer?
Que os lobos parem de comer renas para que n�o os matemos?
Em que mundo voc� vive?
- Ainda assim, eu n�o os odeio. - Sua fam�lia os odeia?
N�o, assim como o lobo n�o odeia sua presa.
Todos lutam pela sobreviv�ncia. Aceite isso.
N�s criamos renas.
Estou com medo, Serguei.
Voc� mentiu para n�s, Serguei!
Desde o come�o!
O que est� aprontando?
O que est� escondendo de n�s?
Wladim tem raz�o. Voc� � muito jovem para cuidar do rebanho.
Se n�o � homem para o cl�...
como pode ser homem para uma mulher?
Prepare as renas. V� com Andrei.
Desta vez, n�s os pegaremos.
Vamos seguir as pegadas at� os lobos.
Sou eu que tenho de resolver isso, e mais ningu�m!
- J� ouvi isso antes. - � entre eles e eu.
D�-me uma chance.
� a �ltima.
A derradeira.
Vamos.
- Tenha cuidado. - Foi bom ver voc�.
Vai por Rhandiga?
Nunca mais passarei por l�.
Tudo foi posto abaixo.
Todas as �rvores se foram.
As chuvas do outono lavaram o solo. N�o sobrou nada.
N�s tentaremos impedi-los.
Sei que posso contar com voc�.
Eu zelarei por Nastazia. Diga aos pais dela.
E voc�, tome conta do seu filho.
No pr�ximo ver�o, iremos visit�-los.
- Est� triste? - N�o � isso!
� o Serguei. Faz muito tempo que partiu.
Ele nos prejudicou. O que mais espera dele?
N�o me importa o que pensa o cl�. Voc� n�o entende.
S� me importa onde ele est�...
o que est� fazendo e se est� bem.
Um lobo.
Serguei.
A morte.
- Morte? - O lobo.
Um lobo, a morte.
Um lobo?
E Serguei?
Serguei...
Serguei?
Eu n�o sei.
Vamos!
Bom, muito bom.
Vamos!
Devagar.
Vamos, vamos!
Devagar, devagar.
Por que fizeram isso? Foi errado.
N�o!
De novo, n�o!
N�o!
Parem!
Baikal...
Baikal...
Eu n�o queria fazer isso, Baikal.
Tudo bem?
Voc� n�o parece bem.
Alexeiv, olhe as renas. Eu cuido disso.
Ou�a, Serguei n�o � uma crian�a.
Ele est� acostumado. Conhece as tempestades.
- Ele n�o tem abrigo. - Tem que encontrar seus lobos!
� isso que importa.
Precisa provar que � capaz.
Ele quebrou nossas regras.
- Pensou que... - Nossas regras?
Nossas regras.
Suas regras, que voc� imp�e a todos n�s.
N�o s�o minhas, s�o as regras do cl�.
Regras que regem nossas vidas.
E nos mant�m vivos.
Nicolai, um l�der tem de saber evoluir.
Seu filho pode n�o estar agindo errado.
Voc� precisa encontr�-lo. Tenho um mau pressentimento.
Vamos. Vamos!
Kamar, Anouska, Kitnic! Venham.
N�o v�o embora, sou eu.
Venham.
Minha bela Anouska...
Meu lindo Kamar...
Venham, sou eu. Vejam, estou sem rifle.
Anouska!
N�o tenha medo.
Sou eu, Anouska.
Venha, bonita. Sou eu mesmo.
Venha, Kitnic, sou eu.
N�o tenha medo, meu lindo. Voulka, sou eu.
N�o tenha medo.
Venha c�.
Eu vi a fuma�a. Imaginei que fosse voc�.
Veio me checar?
Um lobo?
- Muito bem, Serguei. - Os outros est�o bem adiante.
N�o vim checar voc�.
Est�vamos preocupados.
Vou voltar e tranquilizar a sua m�e...
e deixar que fa�a o que tem de fazer.
Estarei no Lago Ozala, mudamos o acampamento.
Lembra?
Foi onde pegamos aquela truta enorme.
Voc� quase caiu no buraco.
Fique calmo.
Calmo.
Venha.
Venha.
Vamos.
Isso.
N�o tenha medo.
Isso, muito bom.
Venha c�. Isso, isso.
Mantenha-me aquecido.
Voc� � um amor.
Venha. Isso me aquece.
Isso.
Venha.
Cuidado, isto � fogo.
N�o! N�o toquem nas renas!
Eu disse n�o! Mandei n�o tocar!
Eu disse n�o!
N�o!
N�o, acabou!
Kamar! Olhe s� para voc�!
Vamos!
Assim! Muito bom.
Assim. Muito bem, venha.
Vamos!
D� uma olhada l� embaixo.
Est� vendo?
Todo aquele territ�rio?
Voc�s podem ca�ar l�.
Anouska! Venha.
Venha.
Ou�a, Torok, voc� n�o pode mais cruzar o rio.
N�o me siga. Deve ficar aqui.
Aqui tem tudo o que precisa.
Voltarei com Nastazia no pr�ximo ver�o.
N�o! Acabou.
N�o! N�o!
V�o embora! V�o!
V�o embora!
Fiquem a�! Isso mesmo.
Assim.
Fiquem a�.
Isso.
� Serguei!
Nicolai, � o Serguei.
Serguei...
Tudo bem?
Vamos.
Deixe, v� se aquecer. Vou ver as renas.
� loucura o que voc� fez.
At� onde chegou?
Deixe-o falar.
- Ent�o? - Havia seis deles.
Matei o lobo novo primeiro.
Os outros fugiram.
Eu os alcancei, mas n�o consegui me aproximar.
Em momento algum. Estavam sempre � frente.
Poderia ter levado semanas.
Mas num vale que n�o conheciam, eu os encurralei num penhasco.
Um dos lobos se matou. Uma queda de 100 metros.
Olhei para os outros.
Est�o mortos.
- Trouxe as peles? - Eu fa�o as perguntas.
Est�o no barranco.
V� busc�-las se quiser.
Olhe para o rebanho.
Eu o vi crescer. Gosto dele.
E odeio que seja atacado.
Sabe, Serguei...
seus lobos...
n�o quero v�-los de volta.
O l�quen est� crescendo aqui.
Vamos nos mudar logo.
Nastazia se juntar� ao seu cl� antes da Lua dos ventos.
Eu irei com ela.
Nicolai est� chamando.
Pegue umas renas para a festa.
Estou indo.
Pronto.
- Tudo bem? - Sim.
N�o sei que segredo voc�s dois dividem.
E nem quero saber. S� espero que seja um bom segredo.
O que � um bom segredo?
Um segredo que n�o cause sofrimento se for descoberto.
Serguei e eu somos fortes para enfrentar.
- Ent�o,'� um bom segredo. - E um segredo!
Sua noiva � linda.
Devem estar crescidos.
Kamar deve estar dando as ordens.
Ele n�o deixava as renas em paz.
Sempre as mordia.
- E Anouska? - Anouska e Kitnic...
ainda s�o apegados � m�e.
Iremos v�-los no pr�ximo ver�o.
Vamos pegar o mesmo caminho?
Se os rios estiverem em cheia, iremos pelo planalto.
- Acha que estar�o l�? - Espero que sim.
� um bom lugar. Eles t�m tudo que precisam.
Todo ano � a mesma coisa. Nunca matamos todos.
- Nunca vai acabar. - E por que deveria?
Dividimos as montanhas com os lobos.
Tendemos a esquecer.
Nosso problema n�o s�o os lobos.
Os homens descendo o Maska s�o.
Eles acham que a terra � deles.
- V�o nos destruir. - N�o vir�o t�o longe.
Est�o construindo uma estrada para Rhandiga.
Mouriak me contou. Est� tudo devastado.
Mas, com uma estrada, sabemos o que acontece.
- N�o sobra nada. - Rhandiga fica longe.
Muito longe, mas logo ficar� perto.
- Devagar. - Ah, �? Por qu�?
Porque eu tamb�m posso v�-los.
Como se chamam seus cinco lobos?
Anouska... e Kitnic? � isso?
- O que ele disse? - Nada, eu explico.
Sim, claro. Explique bem.
- Ele est� bem? - N�o sei.
N�o foi nada, s� uma pequena luxa��o.
Vou controlar a dor com argila. N�o � nada.
Pronto.
Serguei, avise o cl�.
Uma nevasca se aproxima.
Aquela que anuncia o fim do inverno.
Mas o vento n�o � s� o que ou�o.
Isso n�o � bom. Nada bom.
Ou�am.
Peguem seus rifles.
Certo. Irei pela direita com Serguei.
Wladim, voc� vai pela esquerda.
Leve tr�s ou quatro homens com voc�.
Pegue o tren�. Os outros seguir�o a p�. Certo?
N�o h� tempo a perder.
N�o precisa esperar.
Vai rev�-los logo. Mas n�o no mesmo estado.
- Ent�o? - Acertei um, talvez dois.
Pela esquerda, vamos cerc�-los.
Vamos!
Pode deixar.
Vigie o rebanho, eu cuido dos lobos.
Ah, � voc�! Meu p� prendeu na correia.
Ele achou que voc� era uma rena e atacou.
Tome, eu peguei seu rifle.
Voc� fez o que p�de.
Tinha que acabar assim.
Sabe disso.
Muito bem, Wladim.
Ser� um bom guardi�o no pr�ximo ver�o.
Serguei?
- Serguei? - Desapare�a!
- V� dar uma olhada. - V� para o inferno!
Eu iria se fosse voc�. Tem seis deles.
Seis!
- Seis? - Serguei, matamos seis deles.
Seis...
Tinham sobrado cinco dos seus lobos, n�o?
N�o eram os nossos lobos, Nastazia!
N�o eram os nossos lobos.
Eu tamb�m estou feliz.
Mas n�o vai passar a sua vida com os lobos, vai?
Gra�as a essa hist�ria e ao meu filho Serguei...
compreendi que os lobos n�o s�o nossos inimigos...
exceto quando atacam nossas renas.
Agora, preciso ensinar a Serguei que os lobos devem permanecer lobos...
e n�o s�o nossos amigos.
Para isso existem os c�es.
E n�s, Evens...
permanecemos n�mades, sempre defendendo nossas renas.
Esse equil�brio se chama harmonia.
A harmonia com a qual desejamos viver entre as montanhas...
com as renas e os lobos.
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