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* Para Que Os Outros Possam Viver *
Desculpe incomodar outra vez chego atrasado, meu relógio atrasou 15 minutos.
Não, não tenente, marca certo. Passaram 15 minutos.
- Tem um cigarro, o meu acabou. - Ah, sim, pegue. . .
Tenente, quer ler alguma coisa?
Tenho a revista Esquire ela está perfeita. Não quer.
Procura o monte Gigie tenente? Hã? Procura o campo Gigie.
Está marcado aqui.
Sim, todos os campos de concentração vermelhos estão marcados com alfinetes.
Vamos ver Gigie, Gigie. . .
até esta parte, 41º se deve estar por aqui.
Vamos ver. . .
Sim, aqui está. Saman. . . não, não, não, Gigie. . .
Aí está, Gigie.
Sim.
Bem, não precisará do mapa para se lembrar. Não é?
Absolutamente.
O coronel está para chegar.
Me disse isso há 20 minutos.
Tenente é uma investigação formal. Não precisa ficar nervoso.
Não estou nervoso, tudo o que eu quero é que isso acabe logo, aguardo uma licença.
Teremos todos que ficar aqui para depor na corte marcial.
Não sei, talvez não chegue a ter corte marcial.
Como é possível?
O coronel é o chefe encarregado da investigação.
Ele coleta todos os dados e passa seu relatório ao general.
Então, depende do general se terá corte marcial ou não.
Num caso como este não haverá dúvida.
Não, eu não garantiria. Pode me dar os cigarros?
Obrigado.
Oxalá terminem logo.
Ah. . . Tenente não tema.
O coronel Edwards facilitará as coisas. Vai ver.
Não faça uma idéia errada dele porque pertence ao Estado Maior.
Nem sempre esteve no escritório da Infantaria.
É um grande militar. Estivemos juntos na frente.
Universitária.
Tem talento, beleza, personalidade. . . tudo.
Seu único defeito é que não gosta dos sargentos.
Coronel Edwards, como atrasou.
Sim. Sinto ter feito o Miller esperar.
Não digo por isso. O general ligou. . . duas vezes.
Entre.
O general me chamou?
Ah, sim Will. Entre, entre. Estava te esperando.
Desculpe senhor, tinha que interrogar algumas pessoas do caso Cargill.
Fora do escritório?
Sim senhor, era o mais conveniente, são civis.
Olha Will, está demorando neste caso mais tempo que costuma. . .
Trabalha nele há vários meses.
Sim, eu sei.
Temos outros casos esperando.
Todos pressionam para ativá-lo.
Eu entendo, senhor.
Já não sei como protelar, nem é justo para os envolvidos.
Então espero que termine o mais rapido possível.
Farei tudo que puder, senhor. A última testemunha está me esperando agora.
A última?
Sim senhor.
Bem, esperava isso.
Ao serviço.
Bem, usa um bom cronômetro, tenente.
Vamos ver. . . 15 de maio de 1954. Lua cheia.
Onde se vê a hora entre tantas coisas? Deve ter custado muito.
Eu ganhei numa aposta.
Baker.
Sim, às ordens.
Por favor, leve isso à chefia.
Sim, senhor.
Sente-se, tenente.
Sinto tê-lo feito esperar, não pensei que ia demorar tanto.
Não importa.
Terminaremos logo. São perguntas de rotina.
Vamos ver. Onde paramos ontem?
Pergunta: Conhecia o major Cargill antes de estarem presos no campo Gigie?
Resposta: Não, nem eu nem os outros.
Obrigado. Muito bem.
Há quanto tempo estava nesse campo quando puseram o Cargill com vocês?
Uns quatro meses.
Então, antes que acontecesse, viveram juntos nove meses.
Sim senhor. Exato.
Bem, diga-me tenente. . . Como aconteceu?
Coronel, foi uma coisa repentina, pegou todos nós de surpresa.
Sim, mas como foi?
Sabe certamente, aqueles papéis dirá.
Aqui eu tenho as declarações de 14 testemunhas diferentes, tenente.
Mas preciso da sua versão pessoal.
Sim, senhor.
Quero que conte como se lembrar.
Sim, senhor. Vou contar como me lembro.
Para saber o que é frio de verdade, só estando na Coreia do Norte.
Como todos os dias nos levantaram ao amanhecer
e nos fizeram sair para ouvir outro dos seus discursos.
Era tudo igual,
exceto uma coisa.
O coronel Kim demorava.
Aí está o careca.
Sim, o honorável coronel Kim.
Vai saber o que fez com o Cargill desta vez.
O de sempre, colocá-lo no buraco.
Sim, mas aposto que antes deixou o Kim fazer uma confusão.
Estou preocupado com o Cargill.
Se quer se preocupar com alguém faça isso pelo Kim.
Sentem-se, senhores.
Sentem-se.
Hoje vamos insistir no tema de ontem:
A história dos sistemas sociais precedentes foi uma história de luta de classes.
De luta entre opressores e oprimidos. Todos. . .
Vamos, repitam comigo: O comunismo é a paz. Certo.
O comunismo é. . .
Bem camaradas, já que não querem me escutar, talvez. . .
Tragam o prisioneiro!
Camarada Cargill, a classe é sua.
Sei que isso será uma surpresa para vocês, mas
espero que colaborem comigo.
Nesta primeira sessão discutiremos o assunto do ponto de vista histórico.
Como o coronel Kim disse,
a história dos sistemas sociais anteriores
foi uma história de luta de classes.
A burguesia, que dispõe de meios, instrumentos de produção,
explorou a classe trabalhadora que deles dependia.
Mas, ao mesmo tempo
a burguesia forjou as armas da sua própria destruição.
Ela tem. . .
Você coloca muito bem major.
Aqui não faço falta. Continue.
Ah sim, um aviso. . .
Se algo acontecer a este camarada, retaliarei. . . com todos.
Ao mesmo tempo, a burguesia forjou as armas da sua própria destruição
e criou os homens que utilizarão.
Chega, já foi embora.
Criou os homens que utilizarão essas armas.
São os proletários, os portadores da nova civilização.
Já foi embora.
A nova utopia,
é a causa pela qual todos os homens de boa vontade do mundo
devem devotar as suas energias, seu talento e sua vida.
No comunismo só há uma classe. E trabalham pela paz.
O comunismo é a paz.
Esperem, esperem. . .
Ouçam, ouçam. . .
Não se gabem de heróis.
Este homem é muito perigoso, precisa de resultados.
Miller. . .
Você não entende?
Miller. . . Você não entende?
Eu não entendia.
Nem agora entendo. Continuo sem entender.
E esse foi o primeiro sinal que tinha passado para o inimigo.
Sim, senhor. O primeiro sinal que tivemos.
E depois daquilo continuou em suas atividades?
Sim, senhor. Até o momento em que deixamos o Gigie para a troca.
Diga Miller, o que mais fez que possa ser considerado colaboração?
Várias. Disseram-nos que
falou no rádio dizendo que os EUA fazia guerra bacteriológica.
Claro que não temos certeza.
Sei que assinou uma daquelas confissões com informes porque eu vi.
Como esta?
Sim, senhor. Isso mesmo.
Também fez noticiários para o inimigo?
Noticiários?
Não, senhor. Não poderia fazer.
Miller, que razão poderia ter para passar para o inimigo?
O que sei, eu pensei e
talvez fosse um plano, ou seja, que sempre professou essas idéias.
Ontem disse que ninguém suspeitava dele. Quer modificar essa afirmação?
Não, senhor. É que agora pensando, considero possível, não acha?
Na verdade não suspeitaria do Harry como não suspeitaria de um irmão.
Você e o Cargill eram muito amigos?
O Cargill e eu? Não, senhor.
Sua maneira de falar me fez pensar que eram bons amigos.
Não, senhor. Não tinha com ele mais amizade que com qualquer outro.
Ele tinha algum amigo íntimo no grupo?
Não, senhor.
Por quê?
Bem, nas 24 horas anteriores à essa mudança morreram dois homens.
O capitão Connors e o tenente
Harvey senhor.
Sim, é isso, o tenente Harvey.
A propósito, do que o Harvey morreu?
Pensei que o senhor soubesse.
Não.
O tenente Harvey morreu de uma disenteria aguda.
E o capitão Connors?
A mesma coisa, senhor.
Essa disenteria devia ser tremenda. . .
Sim senhor, realmente assassina.
Tanto que oito dos nove mortos no barracão, foi de disenteria.
Parece que em caso de disenteria a taxa de mortalidade é muito elevada.
Sobretudo quando não há remédios.
O caso é que apresenta a desidratação
e o paciente sofre uma depressão progressiva até que. . . morre.
Todos vocês se tornaram meio médicos, não é isso?
Sim, senhor. Forçosamente.
É muito triste ver os amigos morrerem desse jeito.
Isso é o que eu quero saber tenente.
Se uma impressão tão forte pode fazer um homem perder a cabeça.
E mais ainda se a vítima era um amigo próximo.
Sei onde quer chegar, mas eu já disse, o Cargill não tinha amigos íntimos.
Por quê? Bem, não sei. . .
Era áspero? Retraído?
Não, senhor. Era muito simpático. . .
Todos brincavamos com ele, chamavamos ele de "professor".
Não porque realmente fosse professor, mas havia ensinado numa escola.
Tinha sido instrutor.
Instrutor, isso mesmo.
Quando o chamavamos de professor não era gozação, nada disso,
porque todos o víamos com apreço e respeito
desde o momento que chegou em Gigie.
É precisamente uma das coisas que mais lembro do meu tempo de guerra.
O que, tenente?
A primeira vez que o Cargill entrou no barracão,
um dos homens tinha morrido naquela noite.
Nos deram permissão para enterrá-lo.
Estávamos na chuva e um companheiro lia a Bíblia.
Quando íamos cobrir o corpo, o Cargill se aproximou da sepultura e disse:
Meu irmão morre para eu viver,
serei digno de tal sacrifício?
Desde então, sempre que falava lhe escutávamos.
Confiavamos nele, o respeitavamos. Entende?
Meu irmão morre para eu viver.
Essa filosofia não parece comunista, tenente.
Mas isso foi 9 meses antes da mudança. Teve tempo para pensar.
Você sabe como são essas pessoas.
Os que pensam demais se arriscam a ser vítima das suas idéias.
E ao Cargill aconteceu isso?
O quê?
Há muitos homens que passam para o inimigo por interesse ou em busca de bem-estar.
Mas você não acha que foram essas as suas razões.
Não, senhor. Nada indicava uma coisa dessas.
Então realmente acredita que abraçou suas idéias?
Isso eu não sei, não há mais que uma pessoa que possa dizer.
Não se movam.
Will o sargento Fleisaker disse que o rapaz do campo Gigie está aqui.
Sim, general. Tenente Miller, o general Connors.
Tenente, conheceu o meu filho o capitão Connors, Joe Connors?
Sim, sim, senhor.
Sei que interrompo, mas queria notícias.
- É muito natural, senhor. - Me dá um minuto, Will?
Às ordens, Evans.
Bem, ei. . .
Menta?
Obrigado.
Conheceu o meu filho antes de ir para Gigie?
Sim, senhor. Estávamos na mesma companhia.
Excelente companhia tenente, vocês se comportaram como heróis.
Obrigado, senhor.
Não seria o mesmo sem o seu filho.
A verdade é que. . .
a morte do Joe para os homens do campo foi. . . como perder um irmão.
Você devia conhecê-lo bem.
É natural vivendo juntos num barracão tanto tempo. . .
Sim, senhor. . . Conhecia ele muito bem.
Tenente, quer me acompanhar para tomar uma bebida no clube?
General. . .
Quero falar do Joe com calma.
Will. . .
Sim, senhor.
Pedi um minuto e preciso de uma hora. Algum inconveniente?
Agora ia. . . Sim, nenhum, general.
- Continuaremos amanhã, Miller. - Vamos rapaz.
Sim, senhor.
Como o Fleisaker sabia que o Miller estava aqui?
Já conhece o Fleisaker, senhor, é como um radar humano.
Sim.
Senhor, isso está pronto.
Obrigado.
Certo Baker, o que foi?
Nada coronel, nada mesmo.
Não me engana, você sempre tem algo.
Essa é uma observação pouco amistosa.
Indica uma completa falta de confiança e não. . .
Desculpa se feri seus sentimentos Baker, vamos diga o que quer?
Posso considerar isso como uma permissão para discutir o assunto?
Enquanto eu respiro, considera como uma permissão.
Só pretendo ajudar no que posso, coronel.
Acredito que este caso é muito fácil e muito claro. . .
Ah, já sei.
Veja, só temos que pegar um cartão,
perfurar para cada falta que esse major Cargill cometeu,
colocar numa máquina automática
e esperar as respostas concretas. Essa é a solução deste caso.
Sim.
E quanto antes acabarmos, muito melhor.
Por quê?
Como?
Por quê? Tem que dar uma razão.
Se o coronel permitir, eu direi que está enganado.
Eu não sou um intelectual, não preciso de razões.
Mas já que o coronel me deu permissão para falar do assunto,
aproveito para dizer que não gosto do coronel encarregado do caso.
É um barril de pólvora, senhor!
Baker, você tem algo mais a dizer?
Sim, senhor.
Responda sim ou não? Tem algo mais a dizer?
Sim, senhor.
Então cale-se!
Sim, senhor.
Bem, bem, espere. . . Espere um pouco. . .
Se quer fazer algo por mim, vá à máquina e traga café. Café, Evans?
Sim, senhor.
Não se incomode eu convido.
Se o coronel dá uma festa de despedida.
Que diabos tem hoje?
Pode não ser o Baker.
O quê?
Desculpa, talvez você está meio nervoso, na medida do possível.
Você acha?
Bem, se realmente pede minha opinião, sim.
Evans, estou cansado de me analisarem hoje.
Cansado de me dizerem como devo cumprir o meu dever.
E se eu estou nervoso e porquê!
Senhor, o que são circunstâncias atenuantes?
Não, não, não eu explico. A pergunta é. . .
Pode uma circunstância ser atenuante para uma pessoa e não para outra?
Isso é sempre uma questão de opinião Baker.
Bem.
Suponha que o filho de um general morreu num campo inimigo. . .
Digo apenas como exemplo. . .
Suponha que um major estava no mesmo campo e passou para o inimigo para salvar a vida
e agora está muito tranquilo.
Baker, existem procedimentos específicos em todos os casos
em que é possível a corte marcial, não?
Sim.
E se precisar usar algum tempo, vamos usar, certo?
Claro.
Para que no dia se forme a corte com toda a consideração pelos seus direitos
e sob o código da justiça militar, entendeu?
Tudo isso está muito bem com respeito ao código,
mas em relação ao general. . .
O general é um bom amigo meu.
Coronel eu tambem sou um bom amigo do sargento Fleisaker,
que trabalha no escritório do general e o sargento Fleisaker acha que. . .
Baker, cale-se. Não falemos mais disso.
Bem. . . Não darei mais conselhos.
Bem.
Senhor. . . O major Cargill está na recepção.
Está bem, que suba.
Pode subir major.
Aqui major.
O major Cargill, coronel.
Entre major.
Sente-se.
As notícias andam rápido, não?
Bem, acho que sabe das graves acusações que recaem sobre você, major.
Primeiro vamos rever os direitos que lhe concede o código da justiça militar.
Não precisa responder. . .
Não tenho que responder perguntas tendenciosas,
não tenho que fazer nenhuma declaração,
tenho direito de ser representado por um advogado.
Artigo 31 do código, eu sei de cor. Estou disposto a responder as perguntas
e não quero estar presente quando interrogar as testemunhas.
Bem. . . vamos começar, nome, grau e número.
Harry Cargill, major, artilharia 09432305.
É o mesmo major Harry Cargill que foi prisioneiro no campo Gigie da Coreia?
Sim senhor.
Foi feito prisioneiro durante a ruptura do rio Yalu na Coreia do Norte?
Sim senhor.
Ficou hospitalizado dois meses e depois foi transferido para o campo Gigie.
Exato.
Bem major, tem contra você determinadas acusações.
Vou listar para dar-lhe a oportunidade de fazer uma declaração. Em primeiro lugar. . .
Posso fumar?
Em primeiro lugar diz que em novembro de 1951
fez algumas emissões pelo rádio para o inimigo dizendo
que tinha tomado parte na guerra bacteriológica.
Então?
Desculpa. Quer. . . repetir, por favor?
Diz que em Novembro de 1951
fez algumas emissões pelo rádio para o inimigo onde disse falsamente
que fez parte da guerra bacteriológica. É verdade?
Sim.
É acusado tambem de fazer palestras da
propaganda doutrinária do inimigo aos seus companheiros de prisão. É verdade?
Sim, senhor.
Tenho aqui uma declaração de ter usado germes
na guerra que supomos com a sua assinatura.
Sim é a minha assinatura.
Olhe primeiro, major.
Sim, é a minha assinatura sim.
Alguma vez fez noticiários de propaganda para o inimigo?
Sim, sim fiz.
Ouça major, disse que tem direito a um advogado para defendê-lo
e aconselho que mande chamar um antes de prosseguir.
Não quero advogados, só quero terminar isso o mais rápido possível.
Você percebe que é acusado de traição?
Sim, eu percebo.
E ainda quer confessar sem consultar um advogado.
Por que não? Eu sou culpado.
De tudo?
Sim, de tudo.
Inclusive de fazer noticiários para o inimigo?
Major, porque está tentando se enforcar? Confessa ter feito coisa que não fez?
Porque como disse, quero acabar com isso o mais rápido possível.
Bem, isso é tudo?
Não, não é tudo.
O exército quer saber se você fez essas coisas e por quê. Sente-se!
Bem, major.
Bem, o quê?
Por que fez essas emissões e deu essas palestras?
Porque tive que fazer.
Era submetido a tortura?
Sim.
Como?
Me torturando.
Há várias formas de aplicar tortura, qual era?
Me jogavam num buraco.
E como era isso?
Uma espécie de poço cavado no chão
com placas em cima onde ficava incomunicável.
Quantas vezes foi jogado no poço?
Não sei 9, talvez 10 vezes, não me lembro.
Isso o forçou a se render?
Sim.
O dia que passou para eles, tinham te jogado no poço?
Sim.
E no dia anterior?
Sim.
E o anterior a esse?
Sim.
E o anterior tambem?
Sim.
Não é verdade major e você sabe, tenho aqui a declaração de 14 testemunhas
negando que houvessem lhe jogado no poço num desses dias.
Fale! O que você propõe?
São detalhes sem importância, sou culpado, isso importa, não?
Não quer fazer nenhuma declaração em sua própria defesa?
Não, não quero.
Neste caso é inútil prolongarmos essa conversa, não é isso?
Sim, é inútil.
Espere major, ainda tem uma coisa.
Hoje no nosso noticiário vamos realizar uma entrevista
com um oficial do exército dos Estados Unidos.
As verdades que expõe são interessantes para todos os povos asiáticos.
Vou fazer as perguntas, quem é você?
Major Harry Cargill. . .
O que propõe com isso?
Quero que faça o favor de identificar essas vozes.
Para que os ouvintes saibam que isso é verdade diga o seu número de matrícula. . .
O meu número de matrícula é. . .
É a minha voz, é suficiente?
Quem lhe interroga?
O coronel Kim chefe do campo Gigie, tire-o!
Não, talvez lhe interessa ouvir todo o diálogo, major.
Estava num esquadrão de bombardeiros, que missão tinha esse esquadrão?
Coronel, não poderiamos ouvir isso outra hora?
Temos que ouvir agora.
- Que tipo de bombas? - Bacteriológicas. . .
Quer dizer com germes? Germes mortais?
Sim, com germes, germes mortais.
Os aviões americanos lançam germes mortais. . .
Tire-o!
sobre o povo asiático inocente e indefeso da Coréia, os Estados Unidos.
Tire-o!
Iniciaram a guerra bacteriológica contra o povo asiático, não é isso?
Por favor, tire-o!
Não é isso, major?
Tire-o!
Jura que é verdade o lançamento dessas bombas por aviões americanos?
Por hoje é só.
Mas voltará a ser chamado amanhã.
Sua declaração é interessante, mas incompleta.
Apenas dizer que é culpado não é suficiente.
Você não entende coronel.
Eu sou culpado.
Pode ir, o exército não paga horas extras.
Quer ter a declaração do Cargill o quanto antes.
Isso mesmo, vamos, vamos sair daqui.
O Baker também está pressionando você?
O que quer dizer?
Como é que este caso é tão urgente?
Não, senhor.
O Baker não falou sobre o que pensam Fleisaker ou o general?
Não, por quê?
Por nada, mas tenha em mente uma coisa, Evans. . .
Neste escritório este caso é igual aos outros.
Sim, senhor.
O que acontece?
Desculpe, não posso ir com você, tenho que voltar.
Para trabalhar?
Sim. Boa noite, Evans.
Você viu isso?
O que foi? Dormiu aqui esta noite ou o quê?
Conte-me. O que aconteceu?
Conte-me.
Não aconteceu nada.
Olhe para isto.
Algo especial?
E pergunta, é uma ordem do general.
O certo é que o despacho não é de nenhum sargento.
Sargento.
Deixe de piadas. Olhe a assinatura, por favor.
Assinado Joseph Connors tenente-comandante-em-chefe.
O corrente é que as ordens são assinadas pelo assistente,
mas que o general assine pessoalmente é significativo, muito significativo.
Dado o acúmulo de trabalho observado em algumas seções desta chefia
é ordenado que todo o trabalho acumulado seja liberado com eficácia. . .
"Com eficaz e rapidez", garanto que o coronel vai passar mal.
Acha que isso é dirigido ao coronel?
A única forma de por mais claro seria colocar em letras luminosas:
"Não perca tempo no caso Cargill"
Ah, sargento, você é muito rápido nas suas conclusões.
Verdade?
Um momento, não pode fazer isso.
Eu sei.
É um documento oficial.
Trarei de volta, é que quero consultar com o Fleisaker.
O que vai consultar com o Fleisaker?
Bom dia, senhor.
Bom dia.
É que queria ter certeza que não erraram o endereço.
Não é fácil.
Acho que agora acredita em mim coronel, quando eu digo. . .
Baker quer me trazer um pouco de café. . .
O que fazemos com o documento?
Café, Baker.
Quer um bolinho ou dois?
Só café, Baker.
Só café, café, Baker, Café, Baker. . .
O Baker disse que o general assinou isso pensando em você.
O Baker disse. . .
O Baker e Confúcio desempenham aqui um cargo muito parecido.
Vamos proceder como se o documento fosse exatamente o que parece,
uma ordem geral para avivar todos os trabalhos.
Sim senhor, vamos proceder como se fosse isso.
Se o general quisesse me dizer algo, diria diretamente, sem muitos rodeios.
Sim, senhor.
Desculpa.
Não tem importância, sei que está muito cansado.
Desculpa, Evans.
Não sobrou nenhum bolo.
Terminou com isso?
Sim.
Sim.
Técnica usada pelos norte-coreanos para convencer os soldados americanos.
Métodos psicológicos de lavagem cerebral.
Leve-os para a biblioteca e depois desça e me peça um carro.
Vamos para algum lugar?
Sim, vamos para um lugar.
Sra. Cargill?
Sim.
Sou o coronel Edwards, oficial de investigação.
Meu marido já foi ao seu escritório.
Sim, eu sei. Por isso eu vim.
Quero falar com você.
Me permite?
Você é muito mais jovem do que eu pensava.
32 anos.
Não parece.
Acho que sim.
Sra. Cargill,
entendo quanto penoso que tudo isso deve ser para você, mas infelizmente é necessário.
Eu vim porque procuro por todos os meios ser justo com o seu marido, dando-lhe oportunidades,
mas não posso fazer sozinho, me ajude.
Como espera que eu ajude?
Acredite, não sou seu inimigo, nem do seu marido.
Mas deve saber que sofre graves acusações e não se defende.
Diz que não se defende?
Você não sabia?
Não.
Você realmente não sabia?
Não.
Supõe que razão deve ter para não se defender?
Veio me pedir para comparecer como testemunha?
Sim, senhora, porque acho que no fundo disso se esconde algo.
Se teme que a sua declaração possa prejudicar ou piorar a situação,
saiba que as coisas não podem ficar pior para ele do que já estão.
O que vão fazer com ele?
Pelos dados que obtivemos sofrerá a pena máxima.
Portanto, Sra. Cargill, diga o que sabe e só vai ajudar.
Eu não sei nada.
Mas o que ele falou da sua vida no campo concentração?
Não me disse nada.
Nesses meses que está aqui não disse nada?
Tem coisas na vida das quais um homem não quer falar. Ou às vezes não pode. . .
Nem com sua esposa.
Principalmente com sua esposa.
Não perguntou? Não ficou curiosa?
Esteve ausente 2 anos, 8 meses e 17 dias.
Sim, fiquei curiosa.
Achei que era melhor esperar.
Quando desejasse falar, falaria.
Mas não fez.
Do que costuma falar?
Do que falamos quando não queremos dizer nada? Bobagens, coisas triviais fácil de esquecer.
E desde que voltou não revelou nada sem querer?
Não.
Coisas que escapam, que começa contar e não termina, nunca aconteceu?
Não.
Não disse absolutamente nada?
Só me lembro de um comentário que fez no dia que chegou, disse:
Por que quase todos podemos pertencer só a uma família?
A um país a uma religião.
Por que não pertencemos todos a uma só coisa, à raça humana?
Sra. Cargill, um homem com tais idéias pode abraçar qualquer causa
e se for a causa errada acho. . .
Acha realmente que passou para o inimigo?
Não, não, eu não disse isso.
Mas acha possível?
Não é?
Isso fizeram com ele, torcer seus sentimentos
até o ponto de temer um instinto generoso
e se envergonhar de sentir compaixão dos outros homens?
Desculpa Sra. Cargill, mas é um truque batido que oculta a triste realidade atrás de uma bela frase.
Sofreu muito, por que não deixam ele em paz?
Ter sofrido muito não é uma defesa, para sua segurança deve obrigá-lo a falar.
Mas não percebe como está? Está profundamente ferido,
ninguém gosta dele. Seus amigos viram as costas, está perdido, abandonou tudo.
Coronel por favor devolva o seu lugar, devolva o seu lugar. . .
Nada posso fazer Sra. Cargill sem saber o que aconteceu, tem que falar.
E pretende que eu o obrigue, não é isso?
Sim.
Coronel. . .
Coronel, está em casa há 5 meses, 5 meses.
E em todo esse tempo não tivemos um momento de intimidade.
Como eu posso fazê-lo falar?
Ah, Sra. Cargill, por favor.
Coronel.
Calma, Sra. Cargill.
Alguém tem que ajudá-lo.
Haverá algum meio, deve ter.
Eu tento isso Sra. Cargill, acredite eu tento.
Desculpa.
Não, não, é natural.
Antes de ir preciso fazer outra pergunta.
Sim.
Houve alguma coisa em especial da qual o seu marido tivesse medo?
Medo?
Sim, sabe se houve algo durante a guerra ou
talvez antes que lhe produz medo ou inquietação?
Medo?
Não, não acredito.
Acho que só uma vez mencionou essa palavra, foi numa carta,
mas não vai ajudar no que você procura. . .
Não, não, me conte.
Veja só dizia: Por fim cheguei a sentir medo.
Sim.
E me lembro porque nunca tinha escrito nada parecido.
Por que tinha medo? Dizia por quê?
Não, acho que não.
Faz tanto tempo, 9 anos.
Por favor, qualquer coisa que se lembrar pode servir muito.
Bem. . .
Ainda me lembro do final da carta, era como uma citação literária.
Dizia. . .
Quem mata um homem mata o mundo inteiro.
E acrescentava: Quantos mundos eu matei?
Quem mata um homem, mata um mundo inteiro. . .
Quantos mundos eu matei?
Acha que pode ajudar?
Não sei Sra. Cargill, não tenho certeza, é possível.
Agradeço por ter me recebido, desculpe tê-la incomodado.
Não diga isso.
Tchau.
Coronel.
Sim?
Coronel, se conseguir alguma coisa. . .
Bem, se ele disser alguma coisa. . .
Me comunicará, certo?
Sim, conte com isso.
Obrigada.
Esperarei.
Tchau, Sra. Cargill.
Tchau.
Avisarei quando estiver tudo em ordem.
O major Cargill está esperando.
Eu sei.
Evans, nele há dois homens.
O quê?
O que vimos aqui ontem e o que a sua esposa descreve, dois homens diferentes.
Sua esposa?
Sim, estive falando com ela.
E foi bom fazer. Porque o homem que está aí fora e o seu Cargill. . .
Bem, o seu Cargill não cometeu traição.
O seu Cargill pode ter mudado.
Claro que mudou, mas como e porquê!
É possível que algum fator causal.
Fator casual! Evans, onde aprendeu essa linguagem forense?
Meu pai era advogado.
Verdade?
Não é nada extranho senhor, há mais de 200.000 advogados em todo o país.
Não precisa se surpreender.
Tudo em você me surpreende, Evans.
Coronel, estávamos falando de um fator causal.
Ah sim, sim, é verdade. . .
Ia dizer que alguma coisa aconteceu para o Cargill mudar.
Algo importante, sem dúvida, repentino, porque. . .
Espera um pouco.
O Miller esteve declarando ontem e disse uma frase ao descrever a mudança do Cargill.
Não disse algo como. . .
"Este homem. . .
este homem é muito perigoso."
Sim ele disse, nós saberemos logo.
Você anotou?
Aqui está.
Não entendo isso.
Desculpa.
Não se gabem de heróis, este homem é muito perigoso.
Isso mesmo.
Isso mesmo. Este homem é perigoso.
E este homem tinha que ser o coronel Kim.
O coronel Kim é muito perigoso.
E foi algo repentino. Todos disseram.
Não é isso?
Acho que sim. Vou ver.
O major Cargill temia algo, não sabemos o que, nem porque, mas algo, algo novo, você tem aí?
Aconteceu inesperadamente, fomos pegos todos de surpresa.
De uma maneira rápida.
Fomos pegos todos de surpresa.
Senhor, temo interromper o curso das suas idéias. . .
Não se preocupe, diga, diga!
Veja, falando de palavras repetidas.
Palavras repetidas?
Dado que todos disseram que foi inesperadamente, mas há algo mais.
O quê?
No decorrer da conversa
quando começam a descrever a morte do Harvey e do Connors
todos usam as mesmas palavras para falar sobre a doença
e as suas consequências como
disenteria e desidratação.
Isso é natural, não tinham médicos e se acostumaram com essas coisas.
Palavras repetidas. . .
Tomou nota destas frases, Evans?
Sim, senhor. Sim.
Declaração do capitão Mike Stuart.
Vamos ver.
Pergunta: Como morreu o tenente Harvey?
Resposta: Em consequência de uma disenteria aguda.
Disenteria e desidratação. Tem alguma outra?
A do tenente Polska.
Em consequência de uma disenteria aguda, disenteria, de quem é esta?
Leia, do tenente Harper.
Morreu em consequência de uma disenteria.
Um caso agudo.
Nenhum disse de um caso grave. Sempre disseram agudo.
Sim, senhor. Isso mesmo.
Você está certa Evans, são muitas testemunhas usando as mesmas palavras.
Eu acho importante.
Quando se usa na taquigrafia uma frase várias vezes, acaba tendo essa impressão.
Evans sempre que quiser interromper o curso das minhas idéias,
ou seja, se notar algo que chame a sua atenção em especial. . .
Como o seu pai era um advogado, heim?
Sim, senhor.
Lamento interromper o seu trabalho Will, quero falar com você.
Às ordens, general.
Não me disse que o tenente Miller era a última testemunha no caso do Cargill?
De fato.
Por que foi ver a esposa do Cargill?
Há poucas coisas nesta chefatura que escapa do sargento Fleisaker e você sabe disso.
General, o Cargill recusa se defender.
Achei conveniente falar com sua esposa.
Está preocupado com sua defesa?
Senhor, tenho que cumprir a minha missão com justiça. . .
Você insinua que eu peço para não cumprí-la com justiça?
Não, senhor.
Will, há anos trabalhamos juntos. Você me conhece melhor que ninguém.
Eu sempre procurei ser justo.
Isso mesmo.
Deixo fazer as coisas do seu modo, mesmo que leve mais tempo que o necessário.
Mas a Sra. Cargill não pode servir como testemunha
de algo que aconteceu num campo da Coréia a 9.000 milhas daqui.
Will. . . Eu não queria.
Mas tenho que perguntar oficialmente e pela primeira vez, o que acontece neste caso.
Não posso entregar um relatório general, até conhecer todos os fatos.
Junte-os logo, acabe sua investigação e convocamos uma corte marcial.
General, não podemos investigar com justiça se começamos dizendo que haverá corte marcial.
Isso é prejulgar a evidência.
Existe a possibilidade do seu relatório não solicitar corte marcial?
Tudo que posso dizer senhor é que. . . que é cedo para saber.
Com evidências conclusivas de colaboração?
Fotocópias da sua assinatura em confissões? Sua voz em emissões a favor do inimigo?
Há coisas pouco explicadas, general.
Motivos insuficientes para uma corte.
Motivo insuficiente?
O motivo pode estar tão claro que não percebeu que foi um plano premeditado.
Como?
Acho que o Cargill estava do lado do inimigo antes de ir para o campo Gigie.
Mas não há nenhum indício para acreditar, general.
Nem o contrário.
Para eles era muito importante que um oficial americano,
um major, um homem responsável, passasse para o inimigo.
Will, teria sido melhor para ambos, especialmente para mim,
passar este caso para outra chefatura.
Mas o Pentágono enviou para cá e aqui está, temos que resolvê-lo.
Eu sei.
E eu entendo, general.
Está bem.
Então vamos terminar com rapidez e eficácia.
Veja, afinal isso tambem tem o seu lado humano.
Esses homens. . . Após os sofrimentos no campo. . .
Têm que reviver aquele tempo e recordar todos os fatos para servir como testemunhas.
É uma coisa cruel.
Se pudesse ver ontem o tenente Miller no clube dos oficiais entenderia.
Estava muito nervoso.
Não conseguia falar e chorava quando lembrava do meu filho.
Me contou que quando morreu um dos companheiros, no enterro. . .
Na hora do sepultamento o meu filho foi para a beira da cova e disse:
Meu irmão morreu para eu viver.
Serei merecedor desse sacrifício?
Sim, senhor. É um sentimento muito elevado.
Não gosto de falar do meu filho.
O que me preocupa é pressionarmos homens inocentes.
Não parece justo.
Por isso tem que terminar logo, para retomarem a vida normal, é tudo que peço.
Vou tentar.
Bem, tinha certeza.
Mas vou continuar investigando.
Ainda assim?
É melhor pegar o caso Cargill e vir ao meu escritório imediatamente.
Disse imediatamente, senhor.
Eu sei.
O caso Cargill.
Sim.
Coronel eu. . .
Não quero o Cargill antes do Miller chegar, eu não quero que se encontrem ainda.
Sim coronel, mas e o general?
Olha, Baker, desta vez faremos do meu jeito.
Certo, senhor.
O que acontece aqui?
O general está reclamando.
Ei recepção? Scotty, o major Cargill está aí embaixo?
Sim? Diga-lhe para subir, certo.
O que aconteceu?
Está bem, não me diga.
Não preciso ser um gênio para perceber.
O general lhe admoestou. Está se expondo a uma punição
por um traidor que não quer se defender, que se recusa a dizer a verdade, não?
Sim.
Estou a muito tempo no exército com este homem e garanto que. . .
Bem, desculpe-me senhor.
O coronel pediu para esperar no escritório dele.
Baker.
Ei? Não se meta nisso.
Major.
Sente-se, fique confortável.
Quer um cigarro?
Baker, faça o favor de arquivar isso.
Vamos, deixe por hora, não. . .
Bem, está bem, como você quiser.
Major, estamos diante de uma situação muito violenta.
Agora o coronel está no escritório do general e estão conversando.
O coronel tem que aguentar, como se diz no jargão militar. . .
Uma boa enxurrada, ou seja, neste caso uma tempestade.
Mas você não parece se preocupar muito.
Baker, realmente. . .
Todos sabemos que o general está uma fera, por que ele não deve saber?
Peço mil perdões.
Realmente não quer um cigarro?
Não.
São longos com filtro.
Não, não obrigado.
Garanto que não são perigosos, major.
Têm uma percentagem de celulose purificada e uma substância especial. . .
Radioativo M3, é um tabaco especial,
Eu fumo sempre porque acho que é o melhor. Por isso ofereci.
Agradeço a sua gentileza.
Ah, claro, neste departamento somos sempre muito amáveis.
Sabem que usamos as horas nos preocupando, não?
Mesmo com quem não merece.
Aí está o coronel como exemplo, preocupado com você.
Não para de trabalhar no seu caso e com muito afinco. Sabe o que eu penso?
É um pensador tão profundo que não poderia adivinhar.
Acho que poderia mostrar gratidão pelo que o coronel faz falando em seu favor.
Dizendo simplesmente a verdade. É claro que se não quiser tenho outra sugestão.
Que sugestão?
É bom que perguntou. Vou dizer.
Vou dizer porque não gostaria que tivesse um câncer de pulmão, senhor.
Baker.
Deixe-o falar.
Obrigado senhor. Se aceita a minha sugestão é um ataque cardíaco, um atropelamento. . .
Morra. Pegue alguma coisa. Isso é o que poderia fazer.
Baker, isso é insubordinação.
Sério? Sabe o que pode acontecer com o coronel?
Que o general lhe dê uma avaliação ruim e fique como coronel o resto da vida.
Bem, se todo o mal que pode lhe acontecer é isso.
Isso não é tudo, com o tempo vai se ver obrigado a se afastar.
Então o que?
Agora parece que isso está longe mas os anos passam rápido.
Vou te dizer uma coisa, senhorita universitária.
Quando um militar vai para a reserva não pode por um anúncio nos jornais dizendo:
Oficial aposentado com muita experiência solicita um novo emprego.
Neste país não há mais que um exército e servimos a ele.
Esse homem está expondo a sua carreira.
Eu saio em sua defesa porque sei que ele merece.
Necessitamos homens como o coronel porque é justo, é honesto e digno de respeito.
Pelo bem do exército temos que procurar não perdê-lo.
E muito menos por quem não corresponde.
Entendeu, major?
Major, de certa forma tem razão.
Se falar facilitará o trabalho do coronel.
Olha, só pedem para dizer a verdade para que ele possa fazer um bom relatório.
A verdade.
É conveniente.
Porque todo mundo luta pela verdade?
Por que consideramos a verdade como algo digno e maravilhoso?
A verdade pode ser destrutiva e mais amarga que uma mentira.
Porque a mentira vem para morrer, mas a verdade perdura.
Não me digam o que é a verdade, eu já vi. O asco, a tortura, a miséria.
O que um homem pode fazer ao outro. Essa é a verdade.
Mas se lhe salva ou pode ajudar de alguma forma.
Podem pegar um bloco de granito e submetê-lo a pressão
até que o calor produzido converta a pedra em líquido.
Percebe? Granito, esse é um fenômeno científico.
Mas existe outro fenômeno.
Se trata de algo menos consistente que o granito.
Realizado com o cérebro humano. Submetido a alta pressão também se torna água.
Quando isso ocorre não é chamado de fenômeno científico.
Chamam ele de covarde, traidor, inútil.
Não podem entender.
O coronel quer entender, quer saber a que pressão você foi submetido.
Fale com ele sem medo.
Por que não se defende? Porque você não tenta se salvar?
Não é apenas uma coisa que acaba com a resistência de um homem, não é tão simples.
Ninguém pede respostas simples.
Não há nenhuma resposta.
Vamos parar esse assunto.
Sente-se Cargill.
Se bem me lembro você fuma. Não, major?
Não quero, obrigado.
Peço desculpas por ontem.
Refiro-me à fita. Não pensei que lhe causaria tanta impressão.
Espero que hoje tenha se recuperado o suficiente para responder algumas perguntas.
Hoje não sei mais do que sabia ontem.
Então hoje talvez diga algo mais do que ontem.
Já lhe disse ontem que sou culpado, não sei porque continuar falando desse mesmo assunto.
Não vamos falar do mesmo assunto, major.
Gostaria de tocar em alguns pontos que nem sequer mencionamos ontem.
Há uma continuidade de acontecimentos muito estranha.
De acontecimentos?
Um certo padrão de vida naquele campo: lavagem cerebral, doença, fome, morte.
Em nove meses nenhum se rendeu.
E num período de três meses ninguém morreu.
Então, de repente, talvez muito rápido.
Dentro de 48 horas morreu o tenente Harvey, o capitão Connors e você passou para o inimigo.
Isso mesmo.
Houve alguma relação entre as mortes do Harvey e Connors e sua rendição?
Nenhuma.
Sua mudança foi tão imediata às mortes que me obrigou a imaginar.
Não houve nenhuma relação.
Certo. Eu aceito.
A propósito, como o Harvey morreu?
Não me lembro.
Não se lembra?
Não se pode lembrar de tudo.
Não, claro major, em que enterro você disse:
Meu irmão morreu para eu viver, serei merecedor desse sacrifício?
Eles lhe disseram, não?
Não creio que se vergonha de ter dito, certo?
Eu disse, por quê?
Se tivesse que me dar uma razão por que passou para o inimigo, qual seria?
Sempre há homens mais fracos que outros.
Quer dizer que era o mais fraco dos seus companheiros?
Sem dúvida.
Assinou confissões, falou no rádio, palestras, tudo por ser fraco?
Para preservar a vida.
E no seu desejo de preservar a vida não pensou nas conseqüências do que fazia?
Conseqüências?
Não lhe ocorreu que provavelmente 200 milhões de asiáticos estavam na balança.
Que suas palavras eram armas contra tudo aquilo que sempre acreditou.
Não se importou?
Não, não me importei.
Nem se importou de pôr em perigo a vida de milhões de compatriotas.
Porque isso custará que a Ásia se una ao inimigo. Não se importou?
Quantas vezes devo repetir? Eu já disse, não me importei.
Diga novamente major Harry Cargill, especialista em guerra bacteriológica!
Cale-se!
O que foi major, não gosta de ouvir? Sabe o que eu acho?
Que teve medo ao ouvir a gravação ontem neste escritório porque lhe deprime.
Os fantasmas dos cérebros mortos te constrange mais que os cadáveres.
Cérebros que você ajudou a matar com as suas emissões.
Cérebros completamente nulos por culpa sua. Não é mesmo?
Eu disse para se calar.
Responda! Não é?
Não quero responder.
Responda!
Que tipo de atropelo é esse?
Não é que você quisesse, mas não, não haverá atropelo.
Saiba que você vai se defender, queira ou não.
Porque temos normas da justiça que temos que seguir.
Normas da justiça. Pobre tolo.
Isso é antiquado coronel, fora de uso.
Você e suas normas são coisas do passado.
Há um novo mundo, ruindade, destruição, luta de morte. . .
Talvez seja o caminho normal, porque a humanidade não merece nada melhor.
Você acha sinceramente?
Sim, eu acredito.
Quem mata um homem mata o mundo inteiro, quantos mundos terei matado?
Quem disse isso?
Sua esposa.
Minha esposa? Não envolva ela.
Procuro onde posso, Cargill. Agora entre aqui. . .
Não tem direito, não importa o que. . .
Eu disse que é uma ordem.
O Miller chegou?
Sim, senhor.
Certo, que entre.
Estas são as cópias da declaração do Miller.
Obrigado, chame o Baker.
Sim, senhor.
Entre, tenente.
Sente-se.
Nós não temos nada de novo para tratar.
Esta noite estive revendo sua declaração e queria esclarecer alguns pontos.
Ajudarei no que puder, senhor.
Fico feliz. E já esperava.
Primeiro, quando o Cargill disse: "Este homem é muito perigoso"
Sabe a quem se referia?
O Cargill disse isso?
São suas palavras de ontem.
Não senhor, não creio que disse.
Sim, você disse tenente, declarou
que o Cargill disse: não se gabem de heróis, este homem é muito perigoso.
Bem, se está aí, sem dúvida eu disse, desculpa, tinha esquecido.
Por que lhes falou assim?
Pois está bem claro, não.
Você acha?
Absolutamente.
Pelo que entendi, o coronel Kim ficava impaciente
como o tempo passava e nenhum prisioneiro se rendia, pensaria tomar outras medidas.
Pensava?
Não sei senhor, foi o Cargill quem disse, não eu.
Sim. . .
Entre outras coisas o Cargill disse:
"Meu irmão morre para eu viver, serei merecedor desse sacrifício?"
O Cargill não disse isso?
Sim, senhor.
Ou foi o capitão Connors?
Não, senhor.
Ao general você disse que tinha sido o seu filho.
Coronel. . .
Com todo o respeito ao general, não deve ter entendido,
porque foi o Cargill quem disse.
Sim, sim. . .
Outra coisa Miller, um dia antes
do Cargill se render morreram dois homens.
O tenente Harvey e o capitão Connors.
Isso eu também disse ontem, senhor.
Sim, sei que disse, se não tiver inconveniente diga do que o Harvey morreu.
Você já sabe, senhor.
Pode me dizer outra vez?
Sim, senhor.
Vá em frente.
O tenente Harvey morreu de disenteria aguda.
E o Connors?
O mesmo.
Disenteria aguda?
Sim, senhor.
Tem certeza?
Sim, senhor. Eu presenciei.
Entre.
Perto da porta Baker.
Bem major, pode entrar.
Fique frente a ele.
Agora diga Miller, como morreram o tenente Harvey e o capitão Connors?
Eu já disse.
Quero ouvir novamente. Parece que nem todos se lembram como você.
Morreram de disenteria aguda.
Creio que em casos de disenteria a taxa de mortes é muito alta.
Sobretudo onde não há remédios.
Costuma apresentar. . .
A desidratação.
A desidratação.
E o doente sofre. . . uma depressão geral.
Leia isso tenente.
Coronel. . .
Não, não podíamos fazer nada. . .
Ele e todos, estávamos todos iguais.
Tínhamos. . . tínhamos que buscar o arroz
e. . . e buscar a água. . .
Tentamos salvar os doentes e. . .
Você disse tudo?
Resposta! Você disse tudo?
Eu não disse nada.
Sim, você disse, disse sim. . .
Disse que não se lembrava que morreram de disenteria, não recordava nada,
venha falar Miller! Diga a verdade!
Não.
Vamos, a verdade não mentiras, nem parágrafos decorados, a verdade!
Miller, não diga nada, eu não disse.
Não fui só eu, tem que acreditar em mim.
Então não foi só você, vamos confesse! Como aconteceu? Conte!
Estávamos todos de acordo, todo o grupo, juro que é a verdade.
Teve uma votação! Tinha que fazer! Todos estávamos de acordo! Todos menos ele!
Não façam isso.
Está decidido.
Por que não?
Você não queria e fizemos sem o seu voto.
Não fale mais.
Quem tirar essa. . .
já sabe.
Todos estamos de acordo.
Ninguém falará.
Nunca.
Nisso te incluimos Cargill.
Entendido?
Você deve entender.
Vamos.
Vamos.
Depressa, depressa que vem.
Pegue uma.
Vamos. Já vem.
Sabem que isso deve ser um segredo.
Vamos ver.
Quem pegou?
Vamos.
Harper.
Eu não.
Miller.
Aqui está ele.
Já sabe o que fazer.
Miller não faça, ainda está em tempo. Não faça. . . Miller não faça.
Olá.
Olá, pessoal.
Que dias eu passei!
Como me fizeram sofrer.
Connors sai ou. . .
O que acontece?
Sente falta de alguém?
Não de ninguém.
Vamos, olha de novo.
Olha bem.
Olha com atenção
e observa esse canto.
E o Harvey?
Onde acha que está Connors? Está morto.
A noite passada falei para não tentar escapar.
Que era um suicídio.
Tinha uma chance em mil.
Nem uma sequer.
O que quer dizer?
Me solta rapazes! Me solta. . . !
Como descobriram que o Harvey tentava fugir?
Não sei, eu não mencionei o seu nome.
O que lhes disse?
Nada.
E como descobriram?
Eu não sei.
Por algum delator.
O Tiu foi o único que saiu do barracão desde ontem.
Isso não prova nada.
Dez homens tentaram fugir sem sucesso.
- O Harvey queria fazer uma loucura. Todos sabem. - Cale-se!
Mas há algo que deve saber: O Harvey não tentou fugir.
O quê?
Havia desistido de tentar fugir, tinha convencido ele!
Ainda viveria se não fosse você!
Não, eu não. . .
Cale-se!
Você disse a eles.
Sabiam o que procuravam.
Procuravam um homem com uma faca.
Revistaram o Harvey e o mataram pelas costas porque o delatou.
Ouça, o Kim prometeu não matá-lo.
Você o delatou.
Prometeu não matá-lo, prometeu eu juro, não. . .
Não, não. . .
Deixe-o agora. Deixe-o. . .
Não Miller. . .
Delator. . .
Miller não. . .
Eu não queria, eu não queria. . .
Não queria. Tive que fazer.
Me obrigaram, juro que é verdade.
Lamento ter feito isso.
Não importa.
É melhor assim.
O segredo me atormentava.
Me julgarão por assassinato?
Não, não creio.
Tem certeza?
Evans, as notas.
Miller, quero que veja isso.
Não haverá relatório no arquivo.
Vamos esquecer. A prova é inadmissível.
Baker?
Tenente, tenente, vamos. . .
Desculpa. . .
Não me toque.
Tenente, tenente, vamos. . .
Vamos tenente. . .
Bem Cargill, isso faz parte dos fatos, conta o que falta.
Seria inútil.
Poderia servir para você.
Não me ajudaria em nada, acredite.
Não creio, diga o que sabe.
Não houve mais delatores.
Não minta, os outros estavam lá, sabem o que aconteceu e falarão.
Você acha?
Não coronel, pelo que o Miller fez, todos são responsáveis.
O que você pretende fazer,
força-los confessar e depois pedir desculpas?
Fala logo, temos pouco tempo.
Não me importo.
Eu me importo, diga tudo o que você sabe.
Você perde tempo.
Fala.
Seria tudo inútil.
Seria um transtorno para todos.
Acredite, são homens bons e nobres.
Mas quando muito pressionados começam se matar uns aos outros.
Ninguém pode condená-los por isso.
Não condeno nem desculpo, apenas tento ajudá-lo.
Diga uma coisa, o que acontecerá quando essa pressão chegar a toda a humanidade?
Eu já vi o começo do fim e sou o único que o conhece.
Cargill, o que importa agora é a verdade. . .
Vamos rapaz, calma!
Miller, acalme-se!
Não fui só eu, estávamos todos de acordo! Você!
Diga! Diga! O que acontece?
Calma.
Se acha superior ao resto do mundo?
Não podia se humilhar matando um delator, quando o traidor foi você e não nós.
E agora me julgarão por assassinato.
Não, não vão.
De que assassinato fala?
Assassinato, assassinato.
Quem foi assassinado?
Um repugnante espião. . .
- Miller, cale-se. - Deixa ele falar!
General, este homem não tem condições para falar nada.
Matamos ele essa é a verdade!
Delatou um companheiro achando que ia fugir e o matamos!
Seu filho, seu valoroso filho!
- Vamos. - Fora Baker, leve-o daqui.
O que ele ia dizer?
General, está transtornado, tudo que dissesse não significaria nada. . .
Quando o derrubou é porque sabia o que ia dizer.
Algo sobre o meu filho querer fugir. Não é?
É inútil insistir, general.
Coronel ordeno que diga o que sabe sobre um caso da minha jurisdição, se nega?
Não, senhor.
Muito bem, o nome do soldado que traiu o meu filho.
Vê o que representa a verdade?
Reserve as observações irônicas para outra hora.
General, não tentava falar com ironia.
Por hoje é só Cargill. Você pode ir.
Um momento, major.
Está muito tranquilo e seguro. Não é mesmo?
Respaldado por um processo legal.
General. . .
Me enerva ver os traidores como você entre nós. . .
General, peço que não continue.
Por que não diz quem traiu o meu filho?
Insisto que o deixe ir embora.
Estou interrogando-o, coronel!
Fala major. Quem foi?
Quem traiu o meu filho?
Não. . .
Não posso responder. . .
Não pode. . .
Honra de traidores. Não é?
Um verme protegendo outro. . . Um bastardo traidor!
Basta, senhor basta.
Desculpa general, mas não posso permitir que continue sem saber a verdade.
Ninguém traiu o seu filho.
Não foi morto pelo inimigo.
Seus companheiros o mataram.
A traição. . .
ele a cometeu.
Isso é falso. . .
Não senhor, é verdade.
Uma mentira inventada por você para proteger esse homem.
É a verdade, senhor. . .
Tem alguma prova?
Eu tenho.
Provas determinantes.
Todo homem tem um limite, senhor.
Não é um crime ser humano.
Era o meu filho.
Sabia o que era a coragem. . . e a nobreza.
Não perdôo a covardia. . .
e muito menos no meu filho.
Por quê?
Sim, senhor. Por quê?
Por que censuramos antes as pessoas queridas que as que odeiamos?
Talvez porque a sua fraqueza seja um reflexo da nossa? É isso?
Eu não amava o seu filho, general.
Mas tambem não odiava. Isso me dá forças para falar melhor que ninguém em sua defesa.
Um homem pode ser um herói em toda a sua vida. . .
Mas se no último mês dela, ou na última semana,
ou no último minuto é muito pressionado e cede na sua coragem,
fica marcado para sempre.
Não se pode ser herói eternamente, devia ter um limite de tempo.
Não há defesa para a traição.
No seu lugar não usaria a palavra traição, nem julgaria friamente as ações dos outros.
Não se disponha a ser um herói às custas dos outro, general.
Nem odeie nunca um homem pelo que fez sob pressão.
Seu filho era um herói, dou a minha palavra.
Foi um herói por muito tempo, falhou apenas um dia.
Em nome de Deus, então todo esse tempo não significa nada?
Vai perdeu o amor pelo seu filho por que falhou no último dia?
Eles não entenderam e o mataram,
mas pelo menos, pelo menos pensavam ter uma razão, salvar suas vidas.
Que razão você tem, general? Algumas normas? Um código?
Não basta, porque esse código não ensina os homens a afrontá-lo. . .
Tambem não dá as soluções, não estão nele.
Chega major, já disse o bastante.
Não senhor! Seu filho era um ser humano e alguém precisa falar por ele.
Meu filho está morto e nisso há dignidade, seja como foi sua morte.
Mas você está vivo
e me envergonharia de tolerar que ataque um código
sob o qual homens melhores que você viveram e morreram.
O código, o que pode exigir esse código de um homem?
Tudo e se esse homem for um militar. . . a vida.
A vida? Você acha que é o máximo que pode perder?
O que sugere essa pergunta?
Vou dizer. Darei a explicação que espera.
Num campo de concentração ninguém se rende.
Meses e meses de frio e tortura, passando fome e ninguém se rende.
Até que um dia um homem desmaia e seus companheiros o matam por isso.
O chefe do campo fica furioso porque arrebataram a vitória que ele havia conseguido.
Então chama o oficial superior e diz:
Minha paciência atingiu o limite. Se não cooperarem mato os 16 homens.
O que você faria, general?
Quero que responda. O que você faria? Se negar? Deixar matá-los?
O digno é correr esse risco.
Talvez.
Talvez.
Talvez essa seja a resposta
para os heróis.
Mas eu não era um herói. Não podia correr esse risco.
Para mim esses 16 homens, suas esposas, suas famílias,
eram muito importantes. E continuam sendo ainda.
Quantas mentiras pela vida de um homem?
Eu não sei.
Aquele dia mudou tudo o que queria.
Tudo.
Eu pressenti, general.
Conforme a sua folha de serviços não podia cometer uma traição por motivos egoístas.
Não podia se defender sem acusar os outros 16 homens.
Lamento a situação e sinto como este homem sofreu.
Precisamente porque sinto, entendo para o que é o código.
Ordeno que faça o seu relatório em seguida.
General é uma aplicação muito rígida das leis.
Você acha?
Tem sofrido um castigo.
Não há exceções.
Nem para este homem, nem para meu filho, nem para ninguém.
Porque depois de dizer como poderia desculpá-lo, resta de pé um fato.
Que passou para o inimigo.
General, devo dizer que se levá-lo para a corte, pedirei para ser seu defensor.
Você está no seu direito.
Major Cargill. . .
Me fez uma pergunta e merece que eu responda:
A decisão que tinha que tomar no campo de concentração
é a mesma que deve tomar qualquer comandante militar.
Decisão que implica a vida ou morte dos seus soldados.
Você é um homem sensível,
humano,
eu simpatizo com os seus sentimentos.
Mas também é militar e como militar faltou,
como faltou o meu filho.
Fala de 16 homens, multiplique por milhares e carregue esse peso nas suas costas.
Tente dormir ouvindo os gritos daquelas esposas e daquelas crianças.
Eu tenho feito major, todo comandante militar tem que fazer.
Porque até vivermos num mundo melhor assim será.
Por isso temos um código, major.
O código é a nossa Bíblia e com ele agradecemos à Deus.
Espero ansioso o seu relatório.
Dadas as circunstâncias, não farei parte do tribunal.
O general está certo.
Cometi uma falta e devo ser julgado. Os motivos não importam.
Importam sim.
O tribunal ouvirá para julgar o seu veredicto.
E como sempre fará justiça.
Não disse aos seus companheiros porque havia se rendido, certo?
O coronel Kim te obrigou a esconder?
Evans, anote isso por favor
Quanto à acusação do major Harry Cargill as nossas recomendações são as seguintes:
Há evidências suficientes para provar a colaboração voluntária do major Cargill com o inimigo.
Há também evidências indicando que fez de forma altruísta
para proteger as vidas dos seus companheiros.
Embora sua decisão foi equivocada
sem dúvida não é um traidor.
Portanto recomendo retirar todas as acusações e não convocar uma corte marcial.
Não se deixe enganar por esta recomendação. . . haverá um conselho de guerra.
Já contava com isso, mas fico feliz em saber que alguém entende.
Temos um longo caminho, você estará aqui amanhã?
Sim, senhor. Estarei aqui.
Sim, senhor. Estamos livres.
Então às 8 horas.
E major. . .
Dê lembranças à sua esposa.
Sim, senhor.
Coronel. . .
Acha que conseguiremos encontrar as respostas?
Tudo o que posso prometer major,
é que eles saberão que temos.
LEGENDAS : Laercio Tradução da legenda em Espanhol
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