All language subtitles for Candido Lopez - Los Campos de Batalla [2005]

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Original subtitles

Houve uma vez na Am�rica do Sul, quando as fronteiras entre os pa�ses...

eram ainda imprecisas,

uma guerra que apenas figura nos livros de hist�ria.

Uma guerra na qual o Imp�rio do Brasil e as nascentes rep�blicas...

da Argentina e do Uruguai formaram uma alian�a para lutar contra a Rep�blica do Paraguai.

Houve um soldado que pintou essa guerra...

Ontem � noite eu tive um sonho.

Hoje, todos que estamos aqui estamos tomando mate, esperando a hora.

Todos vamos morrer.

Todos.

E eu, Coronel, te digo uma coisa meu Coronel...

vou morrer 100 metros na sua frente.

Esse era seu privil�gio: poder morrer diante de seu chefe.

E assim foi.

E eu disse: Luis Mar�a Campos, que era baixinho, que era tenente:

"Voc�, 'homenzinho', ficar� aqui para contar.

E efetivamente ele o contou.

Naquela manh�...

C�ndido L�pez recebeu um estilha�o de metralhadora, na m�o direita.

E ent�o ele a enfaixou...

E sa�a tanto sangue que veio um ajudante, fez aum vendagem e o mataram.

Ele estava muito exposto e o arrastaram para fora e o tiraram dali.

Solano Lopez n�o merecia o que seu povo fez por ele.

Solano Lopez foi um canalha, em todos os sentidos.

Ele gritou, em meio da selva:

"Morro com minha p�tria"

Verdade absoluta: ele havia matado o Paraguai.

Ele mesmo, com sua loucura.

Isso � um fato.

Vamos em frente.

Esta � a batalha de Boqueron.

A maior de todas as suas pinturas de batalha.

De guerra, hein.

Um dia vamos l�.

Senti um fantasma atr�s de mim, que estava me espionando.

Eu me virei e vi Jos� Luis. Eu estava com medo.

Ent�o, Jos� Luis olhou para mim e disse: "Desculpe-me".

Este � C�ndido L�pez.

Ele disse: quero fazer algo sobre C�ndido L�pez.

Estou tentando encontrar algu�m que poderia me ajudar.

Voc� encontrou, sou eu.

Me disse: ah, voc� sabe sobre C�ndido L�pez?

Disse sim. Sou seu neto. Ele n�o podia acreditar!

Conheci Adolfo L�pez em uma loja de fotoc�pias...

em meio a uma discuss�o com os empregados sobre a reprodu��o fiel das...

cores nas fotos que eu havia tirado.

Adolfo est� escrevendo um livro com lembran�as de fam�lia sobre seu av�...

e, antes de termin�-lo,...

pensa em viajar pelos lugares que ele atravessou...

durante a Campanha da Tr�plice Alian�a contra o Paraguai.

Deveriam ter usado cores aqui.

Pelo menos para o rio Paran�, que � uma refer�ncia, n�o?

Esta � a ilha onde houve o combate.

As paisagens mais perto que se v� nos quadros est�o a poucas horas de Buenos Aires...

As mais distantes, em um pa�s esquecido...

no cora��o da Am�rica do Sul.

Longe do mar.

A� est�o as quatro bandeiras. Boa ideia.

Muito bonito.

Voc� n�o percebe que eu procuro coisas raras neste?

Cirilo Batalla Hermosa � um paraguaio amigo de Adolfo.

Um admirador da obra de C�ndido L�pez...

e conhecedor dos lugares por onde ele passou, como um soldado.

Onde passou seu av�.

- Sim... E nada mais, at� Curupayti. - Claro.

Onde ele termina as guerras e... suas pinturas.

As pinturas tamb�m terminam a�.

Eles haviam planejado uma viagem para recordar, juntos,...

os campos de batalha, onde seus av�s se enfrentaram.

Mas poucos dias antes da partida, Adolfo come�ou a sentir-se mal e decidiu n�o viajar.

Eu j� estava obcecado com a ideia de encontrar os locais exatos que se v� nos quadros.

C�ndido L�pez Os campos de batalha

C�ndido L�pez se alistou como um volunt�rio no ex�rcito argentino...

no batalh�o da Guarda Nacional de San Nicol�s.

Como sabia ler e escrever,

foi nomeado primeiro-tenente e lhe deram um pelot�o.

Mas como n�o sabia como manejar uma arma...

preferiu o posto de segundo-tenente.

"Voc� est� aqui"

Em junho de 1865, as primeiras tropas aliadas...

marcharam em dire��o � prov�ncia argentina de Corrientes.

Comecei a pintar em Rosario. Pintar carros me fazia mal.

Ent�o tive que desistir da pintura e comecei a trabalhar na constru��o civil.

Ei, Batalla!

- Pensei que voc� n�o me reconhecesse. - De jeito nenhum!

A primeira pessoa que Cirillo Batalla me apresentou...

para mostrar onde tinha havido o primeiro combate,

foi o senhor Ocampo.

Um escritor amigo seu...

que perdeu a vis�o em crian�a em um acidente,

e a quem Batalla explicou detalhadamente o que se v� nas pinturas de C�ndido L�pez.

"Lugar hist�rico: Yatay.

Vit�ria dos ex�rcitos aliados sobre o invasores na Guerra do Paraguai.

17 de agosto de 1865. "

A maioria das pessoas n�o quis ir para lutar contra os paraguaios.

Eles eram "irm�os", afinal.

O lugar onde Ocampo nos levou...

n�o tinha nada rela��o com os penhascos que aparecem na pintura da Batalha de Yatay...

onde se enfrentaram os ex�rcitos aliados de Argentina, Brasil e Uruguai...

contra o Paraguai.

Devemos buscar onde est� a grande vala comum.

L�, eles enterraram, despejando, os corpos de muitos paraguaios.

A segunda pessoa que nos apresentou Cirilo foi Don Eugenio Colunga...

descendente de um soldado paraguaio, morto na batalha.

Eles vieram e os sentimos...

que chegaram a cavalo, com todos os seus petrechos de guerra...

fazendo muito barulho. Sentimos todos.

Sa�mos para fora... N�o havia ningu�m l�!

Todos os paraguaios estavam mortos... Como a minha m�e diz.

Eles v�m...

para visitar o outro morto.

Alejandra, sua filha e seu marido Fabi�n Leguiza...

nos levaram finalmente para as colinas onde foi esbo�ada a pintura.

No princ�pio da viagem, n�o me importavam muito as raz�es e objetivos da guerra.

Nem suas conseq��ncias.

Na prov�ncia de Corrientes, a guerra n�o foi uma guerra nacional...

foi uma guerra civil.

A sociedade corrientina se fratura.

Nossos velhos aliados haviam sido os paraguaios...

enquanto que nossos principais inimigos haviam sido o Imp�rio do Brasil e o porto de Buenos Aires.

Fica meio louco se juntar a eles em uma luta contra os nossos amigos.

E l� estavam as tropas.

S� segui, fascinado, o rastro do pintor...

C�ndido L�pez, o primeiro homem entregue de Curupayti.

Estas �rvores que eu te digo que s�o �rvores nativas.

E essas barrancas aqui, claras, com barro...

� sinal de que �gua sobe e desce.

Este arroio era mais estreito, era menor?

Sim, no ver�o ele baixa, a�.

Isso foi h� 150 anos.

Eles v�o para a floresta procurando por lianas (cip�).

Todas as suas pinturas t�m um ponto de vista de altura...

do qual se pode ver muitas a��es, ao mesmo tempo.

Todos os homens s�o igualmente pequenos frente � natureza.

O acampamento argentino, em Uruguaiana, estava onde ainda existe o acampamento brasileiro.

Os soldados vieram dessa parte, da parte de tr�s.

Um coronel aposentado, chamado Carlos Fonttes...

se aproximou para ver o que est�vamos fazendo.

Insistiu para que visit�ssemos o museu hist�rico da cidade...

onde est� uma espada que pertenceu a D. Pedro II:

poeta, fil�sofo, um cientista...

e Imperador do Brasil, em tempos da guerra.

Se ele n�o tivesse essa ambi��o...

que ele j� trouxe doutrinado. Porque ele foi educado na Fran�a.

Na pr�pria Fran�a, ele j� tinha aquelas ideias napole�nicas...

de Imperador, de dominar.

Quando ele morreu, em Aquidabana...

sua carruagem tinha um manto e uma coroa.

� sinal que vem confirmar que ele queria ser imperador...

e unir aqui os povos platinos. Queria unir.

A inten��o dele era fazer um governo s�.

Ele j� estava at� com a coroa e o manto.

Por um momento, senti que me perdia com o idioma.

Porque parecia que Fonttes estava falando sobre o imperador do Brasil...

mas na realidade estava falando de Francisco Solano L�pez...

o "outro" L�pez... o presidente paraguaio.

Paraguai era um dos mais pa�ses modernos da Am�rica.

Ele tinha uma fundi��o. O Brasil n�o tinha fundi��es, ent�o.

Quando eu era crian�a, puseram o seu nome na rua em que vivia com minha fam�lia.

Perguntei ao meu pai, que estava irritado com a altera��o do nome, quem era este L�pez.

E me respondeu que era algu�m que se n�o tivesse sido parado no tempo...

Buenos Aires teria terminado sendo a capital do Paraguai.

Houve conflito no Paraguai, com as pessoas de origem espanhola.

Eles tinham todo o dinheiro, tinham terra...

e o governo come�ou a tomar um pouco da terra deles para ajudar os pobres.

Ent�o, eles ficaram irritados, venderam suas terras e se mudaram para Buenos Aires.

Mais tarde, eles formariam uma legi�o, a Legi�o paraguaia.

Solano L�pez nunca invadiu Buenos Aires...

mas alguns paraguaios que viviam no Rio da Prata estavam decididos a derrub�-lo...

e tamb�m formaram parte do ex�rcito aliado.

Esta aqui � a trincheira. Esta � a rua que estamos passando.

Onde estava a trincheira � a avenida que estamos passando.

� esquerda, a vila...

E � direita, a Tr�plice Alian�a, sitiando.

"A rendi��o de Uruguaiana" 18 de setembro de 1865.

Uma das pequenas figuras ao fundo � Pedro II, Imperador do Brasil.

Ele veio do Rio de Janeiro para presenciar, com seu ex�rcito,...

composto fundamentalmente por escravos negros...

a rendi��o das tropas paraguaias, que haviam se apoderado da cidade.

A refer�ncia para encontrar o ponto de vista das pinturas...

poderia ter sido o antigo cemit�rio.

Mas em seu lugar h� uma f�brica abandonada e favelas.

� um document�rio que vai passar em Buenos Aires.

Quando essa ponte foi inaugurada havia uma frase:

"Tudo nos une, nada nos separa ".

"Tudo nos une e nada nos separa ".

E aqui estava esta pedra, n�o � isso?

N�o, essa pedra foi colocada agora. N�o, estou dizendo que n�o � velha.

"Acampamento argentino em Uruguaiana. Imp�rio do Brasil ".

Agora, se o povo paraguaio tem Solano L�pez como seu her�i...

� problema deles.

Eu quando escrevo hist�ria, procuro escrever hist�ria aquela cient�fica, e n�o pol�tica.

Por que deturpar os fatos? Houve uma guerra. Houve genoc�dio? Houve.

E qual � a guerra em que n�o h� genoc�dio?

Houve alguns comandantes que se excederam?

Houve.

No final de setembro, os Aliados voltaram ao territ�rio argentino...

para perseguir o resto do ex�rcito paraguaio...

que vinha avan�ado pelo Rio da Prata.

O primeiro corpo do Ex�rcito argentino...

atravessou o rio Corrientes no dia 5 de novembro de 1865.

Dava para um carro passar, para levar para o outro lado.

Aqueles que morriam em combate deixavam suas coisas abandonadas...

ou, antes de morrer, enterravam seus pertences, algum companheiro.

Esta � a m�quina?

Gastamos o tempo procurando com isto.

� um hobby.

Tamb�m somos aficcionados por arqueologia, buscamos tudo que...

seja necess�rio para enriquecer a cultura, enriquecer a n�s mesmos.

Isso que dizem n�o vai mexer com t�mulos...

porque v�o sair vivos porcos sem cabe�a, touros sem cabe�a.

� tudo um conto, lendas.

Aqui em Corrientes h� lendas est�pidas.

Eu vi um cara que tirou um barril de barro...

de mais ou menos 50 litros...

cheio de libras esterlinas.

At� dentro tinham as marcas das libras esterlinas.

As que apoiavam na parede, como eram redondas...

tinham um c�rculo meio branco.

Algumas eram como uma lua, quando est� em quarto-crescente.

Em 12 de novembro, uma missa foi celebrada na margem do rio Batel.

O General Bartolom� Mitre...

Presidente da Argentina e comandante das For�as Aliadas...

manda chamar � sua presen�a o soldado que tinha feito os esbo�os sobre os movimentos do tropas.

C�ndido L�pez se apresenta ante ele, temeroso,

mas Mitre, depois de ver seus esbo�os, em l�pis, o felicita e incentiva-lhe para seguir com o trabalho.

algurando-lhe que, algum dia, servir� como testemunho da hist�ria.

E Mitre disse que ele estaria em Assun��o, em tr�s meses.

Estas eram as cabanas dos soldados paraguaios.

Foram queimadas.

Essas cruzes foram onde os paraguaios enterram seus mortos.

Em 11 de dezembro, a coluna argentina acampa na cidade de Empedrado...

nas margens do rio Paran�.

O rio deve estar abaixo, olhando para a praia.

Temos de encontrar um banco de areia, que h� por a�, para poder v�-lo.

Esta casa estava aqui na �poca da Guerra do Paraguai.

Como faziam essas casas?

Este � um poste de quebracho (madeira).

A madeira forte pela qual os ingleses vinham para aqui, para Empedrado.

Eles vieram para extrair o tanino do quebracho...

com o qual curtiam o couro.

Come�a a parecer-me absurdo fazer esta viagem sem Adolfo...

o neto de C�ndido L�pez.

- � este o caminho para a ponte Pexoa? - N�o, caminho errado.

- E por onde �? - Depois da guarida.

A v�spera do Natal surpreendeu os aliados cruzando o Riachuelo...

perto da Ponte Pexoa.

Depois de uma campanha de sete meses, as tropas estavam exaustas de cruzar rios.

- Qual configura��o que devemos usar? - 250, 16.

Dizimadas, mais pela c�lera do que pelo enfrentamento com o inimigo, que retrocedia.

� profundo?

Bom, Colo!

Agora leia, da�!

Antes de ir para a guerra...

C�ndido L�pez errou pelo interior da prov�ncia de Buenos Aires...

fazendo retratos a �leo.

Ele se juntou a um franc�s para fazer t�o bem daguerre�tipos.

Mas, com a nova tecnologia perdeu mais e mais dinheiro a cada ano.

Em uma das cidades, conheceu Emilia Magallanes...

a filha de um senhorio que, mais tarde, seria prometida a outro senhorio.

Seus professores de pintura o encorajaram a aperfei�oar-se como paisagista.

Mas, sem dinheiro suficiente para estender uma viagem � Europa,

come�ou a viajar atrav�s da Argentina.

O que nos faz com que n�s, correntinos, sejamos mais argentino do que paraguaios?

Se vamos analisar, somos mais paraguaios que argentinos.

Fomos fundados por um paraguaio.

Nos proclamamos, durante tr�s s�culos, filhos diretos de Assun��o...

e temos uma rela��o com a Argentina que remonta a 1861...

em outras palavras, apenas a 140 anos.

O que � que nos torna mais argentinos que paraguaios?

Em todas as cidades fundadas rio abaixo, por crioulos nascidos em Assun��o, Paraguai...

nenhuma cresceu tanto como o porto de Buenos Aires.

Negociando todo tipo de bem produzido na Inglaterra...

e cobrando o tr�nsito de todas as mercadorias que chegavam do rio acima.

O conflito irrompeu quando em 13 de abril de 1865...

os paraguaios capturam dois barcos da Marinha da Argentina...

estacionados no porto de Corrientes.

No dia seguinte, ocupam a cidade, com o apoio de parte da popula��o...

e sequestraram as esposas dos principais chefes militares da prov�ncia.

Os"porte�os" (cidad�os de Buenos Aires) enfurecidos...

respondem � chamada do presidente Mitre...

que, a partir da varanda de sua casa, proclamou que, em uma semana, estaria em campanha...

e em tr�s meses em Assunci�n del Paraguai.

Isto foi tomado pelos paraguaios durante a invas�o...

e, em seguida, os aliados trouxeram de volta.

Esta pintura evoca a morte de Toribia de los Santos de Sosa.

Ela � a �nica que morre... Morre de c�lera.

E voc� pode ver todas as mulheres cativas...

inclusive as crian�as, Carmencita e Manuel.

Terminada a guerra...

as quatro cativas e as crian�as regressaram para Corrientes...

enquanto milhares de "correntinos" viajaram na dire��o oposta...

mudando-se para o Paraguai.

... de qualquer pa�s que ia se casar com uma paraguaia se retirava.

E por que isso aconteceu?

Porque morreram todos os paraguaios.

- Morreram todos os homens, claro. - E ent�o eles se beneficiaram dessa lei.

"O povo de Corrientes a Mitre.

O caminho para a vit�ria e nacionalidade ".

Voc� seguiu o livro para chegar at� aqui?

� o nosso guia.

N�o espere encontrar a costa como era h� 100 anos.

N�s estamos t�o longe no tempo...

Voc� conhece alguma floresta como esta?

Provavelmente, os nativos sim, n�o eu. Eu sou da civiliza��o.

N�o nasci aqui, lamentavelmente.

- Havia mais mata antes? - Sim, muito mais.

Cortaram tudo.

- Quantos anos tem esta �rvore? - 150 anos.

- Quantos? - 150.

Elas crescem lentamente.

H� provavelmente uma bala no seu interior.

Parece um pouco como a algaroba, mas menor...

Cirilo nos levou at� a praia, que d� nome � pintura.

No outono de 1866, o ex�rcito paraguaio havia sido expulso da Argentina...

e os aliados se preparam para invadir o Paraguai.

Isto � Estero Bellaco (uma das mais sangrentas batalhas da Guerra do Paraguai).

N�o, eu n�o entendo guarani.

Eles dizem que viveram em Estero Bellaco.

Isto � Curupayti.

Como se pronuncia isso?

Pode ver isso bem.

As cores das pedras s�o vivas.

O que sabemos � o que estudamos.

O que sabemos � que os paraguaios nos invadiram.

O que voc� sabe?

Isso � o que lhe foi ensinado.

E o que te ensinaram?

- As coisas n�o foram dessa maneira. - Como foi?

Por exemplo, Marechal L�pez foi em apoio ao Uruguai.

Houve um mal-entendido e � assim que a guerra come�ou.

Uma vez que todas as defesas paraguaias sobre a costa...

foram bombardeados pela Frota Imperial Brasileira...

os aliados avan�aram at� Paso de Patria...

Esta � da It�lia... Espanha.

Traziam mercadorias para fazer neg�cios.

Ao chegarmos em Paso de Patria...

nos instalamos em uma pousada de propriedade de Laureano Ruiz e sua esposa...

C�ndida.

Ent�o, muito mais tarde...

Longino e Odina s�o dois professores, amigos de Cirilo Batalla.

Estudei nesse edif�cio...

N�o se emocione.

O que voc� estudou l�?

Eu comecei a escola prim�ria, neste edif�cio.

Havia a esta��o do tel�grafo, antigo quartel de Marechal L�pez..

que se transformou em uma escola, mas j� n�o existe mais.

Poucas coisas ficaram.

Levaram tudo, saquearam.

- Mostre-me a outra pintura. - Qual?

O hospital.

Ela � professora de artesanato.

Ocampo.

A segunda pintura que C�ndido L�pez esbo�ou...

em Paso de Patria, tr�s meses depois...

tem alguns elementos da primeira.

Uma pequena capela e duas �rvores altas, que j� n�o existem.

O lugar agora � o hospital do ex�rcito aliado.

Esta � a batalha de Tuiuti.

Seu pai era mais velho que eu e meu irm�o...

N�o usa sapatos?

N�o estou entendendo.

- Eu estou bem com os p�s descal�os, eu estou bem. - N�o precisa de sapatos.

N�o, apenas com os p�s descal�os, com essas esporas.

O povoado de Paso de Patria est� no extremo sul do Estero Bellaco...

um p�ntano com muito poucos caminhos transit�veis.

... Voc� n�o pode andar na lama...

As tropas sa�ram por esse caminho para ir � guerra. Era o �nico caminho.

No inverno de 1866, sobre 20 quil�metros quadrados de p�ntanos...

ocorreram cinco batalhas que definiram o curso da guerra.

- Jos� Mar�a Burgu�s. - Brugu�s.

- General Jos� Mar�a Burgu�s.

Apenas o peito e a cabe�a est�o � esquerda.

Isto se parece com a barba...

Assim se cuidam dos monumentos da guerra.

Epis�dio na linha de frente argentina, em Estero Bellaco.

02 de maio de 1866.

7.000 morreram e 14.000 ficaram feridos.

� por isso que o Paraguai ficou fraco, na guerra, depois disso.

- Onde poderia ser esta montanha? - S�o dados daqueles dias!

Paso de Patria foi a base dos aliados...

e ser� tamb�m a nossa, por poucos dias.

Cavalo, cavalo...

Enquanto n�o estiver numa sela est� tudo bem.

Esta est� completa.

Foi cortada para quebr�-la durante as mudan�as.

- De que pa�s �? - Da Bol�via.

- Quem usava? - Todo mundo na Am�rica.

Os policiais paraguaios foram vestidos pela Fran�a.

Ali voc� vai ver... Paris.

Algumas pessoas no Paraguai eram muito ricos.

Fomos saqueados ap�s a guerra. Levaram tudo embora.

Levaram muito ouro, roupas.

Segundo a hist�ria, a guerra n�o era contra o Paraguai.

Era contra o tirano, Francisco Solano L�pez.

Tuiuti. 24 de maio.

Batalh�es de quatro e seis linhas iniciam a batalha.

�s 10 da manh� come�ou o combate.

Aqui houve, aproximadamente, segundo a hist�ria, seis a sete mil mortos...

neste lugar.

Neste mesmo lugar, regado com o sangue...

das pessoas que lutaram por alguma causa.

E a consequ�ncia � que o sangue chegou a Estero Bellaco...

onde as pessoas bebiam �gua e isso levou � c�lera.

Aqui come�ou a c�lera.

E onde est� esse monte, com os animais, que est�o a�...

A� foi que eles se encontraram.

Nosso Marechal L�pez ofereceu a Mitre um cigarro.

E Mitre disse: eu nunca fumo um cigarro do inimigo.

Nesse meio tempo, Os�rio, o brasileiro...

estava em Estero Bellaco.

- Ele n�o veio. - N�o, ele n�o veio.

O acordo da Tr�plice Alian�a era um tratado...

que os tr�s teriam que decidir.

Jamais iam chegar a um acordo sem as tr�s partes.

Faltando um, n�o se podia chegar a um acordo.

Uma cl�usula secreta no Tratado...

tamb�m estipulava que nenhum dos os ex�rcitos poderia abandonar a guerra...

at� que o presidente paraguaio fosse derrubado.

Voc� tem que estudar.

E tirar boas notas e estudar matem�tica.

Matem�tica � o que move o mundo.

Matem�tica ou economia?

Matem�tica. Economia � baseada em matem�tica...

Eu n�o sei sua nacionalidade.

O que sei que ele fez os planos...

Derlis P�rez � um top�grafo...

que est� fazendo c�lculos para a constru��o de uma barragem em Paso de Patria...

afetada pelas cheias do Rios Paran� e Paraguai.

... com as coordenadas UTN...

e coincide com os planos do Instituto Geogr�fico Militar.

A bala.

- � uma bala? - Sim.

H� muita quantidade de balas.

A �gua dos rios e p�ntanos move continuamente o solo da regi�o...

descobrindo armas e outros objetos do tempo da guerra.

Ou ind�cios de pequenos tesouros que as pessoas enterravam quando abandonavam suas casas...

para evitar os abusos do ex�rcito invasor.

Mas a maioria nunca voltou.

Minha av� era do tempo da guerra dos anos 70.

Ela me contava sobre os cavalos marchando, queria dizer, dos brasileiros.

Vinham os Camb�s, atrav�s dos campos como corvos.

E n�s os atac�vamos, uma, duas vezes, e depois lhes furavam com lan�as...

Os dentes... brancos, ela disse.

No fundo de sua casa, o velho Avalos continua cavando um po�o...

com a esperan�a de que vai encontrar algo, algum dia.

Ele disse: vamos seguir este caminho.

Cada noite, em seus sonhos, Dona Aureliana...

espera o homem que vai lev�-la para o tesouro.

Ele tentou me acordar, mas eu n�o consegui.

E me disse: este tesouro que est� aqui. Este, veja...

E se podia ver todas as coisas brilhantes que me mostrava.

Me disse: veja, este tesouro � para voc�, mas s� para voc�.

N�o traga nenhuma pessoa com voc�. Convers�vamos...

- A professora acha que o que estamos fazendo n�o � bom? - N�o sei.

- N�o sabe, por qu�? - Voc� me disse ontem.

Ela acha que est� fazendo algo para beneficiar os argentinos.

� por isso que voc� disse: melhor ir para a escola?

Este � o bombardeio pelas tropas aliadas...

nesta cidade.

E esta � uma imagem da Batalha de Estero Bellaco.

Os livros antigos, digamos assim, os primeiros livros traziam mais informa��es.

Mas os novos livros, com esta "reforma", s�o bastante pobres.

O que aconteceu em Curupayti?

Algu�m sabe o que aconteceu em Curupayti?

Houve uma batalha em que o Ex�rcito paraguaio foi vitorioso.

Quem foi o Marechal Francisco Solano L�pez?

Era o presidente da rep�blica...

e estava no comando do ex�rcito paraguaio.

- Quem te disse? - Meu av� e minha av�.

Ent�o se deu que ele teve de abandonar o pa�s.

Por isso que ele n�o fez.

A �nica coisa boa sobre ele �...

que morreu por sua p�tria e por sua bandeira.

Morreu com sua p�tria ou por sua p�tria?

Com sua p�tria, n�o. Paraguai manteve um peda�o.

Estou certo ou n�o?

Por sua p�tria, n�o com sua p�tria.

Mas ele disse: morro com o meu pa�s.

Para a minha p�tria.

Com a minha p�tria.

Ent�o, se ele morreu com a sua p�tria...

qual nacionalidade n�s temos aqui?

Quando C�ndida terminava de tingir o cabelo de Laureano...

foi a vez de Capullo...

o falso d�lmata que Carlitos inventou...

depois de ver o Filme de Walt Disney.

Laureano parece um extraterrestre.

Ningu�m sabe quem fundou Paso de Patria.

- N�o? - N�o se sabe.

Todas as outras cidades t�m a sua hist�ria.

Esta n�o tem.

Se voc� buscar, pode ser que encontre a sua hist�ria. Pode ser.

H� algo aqui.

Bala de mosquete paraguaio.

E diz algo: se est� achatada, � porque bateu em algo.

O monumento estaria por aqui...

E n�s estamos cavando nesta zona...

Tony Pollard � um arque�logo brit�nico.

Especialista em campos de batalha.

Est� fazendo pesquisas, em diferentes lugares do mundo, para um projeto de televis�o.

Podemos localizar a posi��o das tropas que estavam disparando,

para onde disparavam, onde estava a artilharia...

Tamb�m podemos utilizar como refer�ncia as pinturas, feitas...

com base em mem�rias, e a esbo�os que foram desenhados...

em seu momento. Podemos descobrir se coincide ou n�o...

com as evid�ncias que encontramos no terreno.

Se tem rela��o com a batalha, tal qual ocorreu...

ou se h� muito de imagina��o.

Acredita que as pinturas t�m muito de imagina��o?

Possivelmente. � um artista...

e os artistas s�o famosos por sua imagina��o.

E, al�m do mais, lutou por um dos ex�rcitos...

Sim... Obviamente, lutou para o ex�rcito argentino...

seus sentimentos seriam pr�-argentinos.

N�o � um observador muito neutro.

Suas emo��es v�o estar desse lado.

Ele disse que algumas pessoas fizeram po�os por aqui, muito profundos...

-... como de 4 metros. - Buscando tesouros...

Sim, mas n�o h� tesouros aqui.

As pessoas imaginam coisas.

Mas, o que � certo � que os animais nunca ficam...

dormindo neste lugar.

Todos os animais, justo antes do anoitecer, come�am a correr...

para todo lado, como loucos...

Esta n�o � uma raposa.

- N�o �? - N�o, n�o �.

- N�o, � como aquele animal... - Aguaraguaz�...

que ri...

� o esp�rito de algu�m.

- � uma raposa. - � muito alta para ser uma raposa.

� muito bonita.

Na manh� seguinte, sa�mos para as trincheiras de Curupayti...

o �ltimo local onde C�ndido L�pez fez esbo�os e lutou.

Todas as guerras na hist�ria tiveram ou t�m algum motivo econ�mico.

O Paraguai, depois do governo do Dr. Francia...

que governou quase 40 anos...

deixou para o estado uma enorme fortuna.

Era um dos pa�ses mais ricos da Am�rica do Sul.

A primeira locomotiva da Am�rica do Sul foi montada no Paraguai...

a primeira fundi��o de ferro, em lbicuy...

onde come�aram a fazer implementos agr�colas:

arados, enxadas, fac�es.

Todas essas ferramentas a Inglaterra exportava...

e o Paraguai estava fazendo uma sombra aos produtos ingleses.

Isso n�o cabia na cabe�a deles, vindo de um pa�s t�o pequeno.

Derlis P�rez conseguiu que nos aloj�ssemos no rancho de Don �tis...

perto das trincheiras.

N�o acho que os argentinos nos tra�ram.

Se voc� ler a hist�ria dos ga�chos argentinos...

eles eram contra a guerra.

Ningu�m queria... Isso � o que disse o Marechal L�pez ao General Mitre...

Somos irm�os dos argentinos, n�o queremos isso...

Deixe-nos s�s com os brasileiros.

Deixe-nos com os brasileiros, e voc�s v�o embora.

Podemos facilmente vencer os brasileiros.

N�o se meta, General, nesta guerra, disse ele.

- S� nos deixe com os brasileiros. - E vamos cuidar deles.

Nessa �poca, o Paraguai exportava muitas coisas para os ingleses...

e os ingleses n�o queriam esse com�rcio.

Vender ferramentas, vender armas e outras coisas, bem caro...

e tomar barato as mercadorias do Paraguai.

Mas os paraguaios n�o aceitaram isso.

Carlos Antonio L�pez disse: "N�o, se voc� quer o que eu tenho...

traga-me o dinheiro, que eu lhe vendo. "

Mas o que voc� quer me vender, eu posso produzir aqui.

E isso foi a ofensa mais forte para o ingl�s.

Este � o bombardeio em Curupayti.

Isso seria visto em algum ponto, por aqui.

A primeira linha de trincheiras...

e a segunda linha de trincheiras fortes, nas costas.

Eles refor�aram essas trincheiras.

Este seria o ataque � terceira coluna argentina em Curupayti.

Esta � a coluna por onde vinha marchando C�ndido L�pez.

Se cr� que este seria ele, o que est� recostado.

Ele desenhou a si mesmo encostado em um tronco. Convalescente de uma ferida na m�o.

Visto mais ou menos assim.

Este seria o lado paraguaio, que est� imaginado, se v� a trincheira paraguaia.

Ent�o isso seria visto a partir de... provavelmente a partir daqui.

As pinturas de C�ndido L�pez, sobre o assalto a Curupayti...

s�o sequ�ncias como um relato cinematogr�fico.

Uma t�cnica que foi mais desenvolvida do que a pintura e a fotografia...

na cr�nica dos acontecidos, que surgem anos mais tarde.

8... 9... 10... e depois da batalha... 11.

... creio que � imposs�vel, pela quantidade de vegeta��o que existe, nesse momento.

N�o se v� nada.

Este seria o navio afundado.

Este � o ponto onde estamos agora.

Este � o riacho onde o Rio de Janeiro afundou.

Que parte seria esta?

Esta deve ser a torre.

A torre, a parte mais alta.

- O n�vel da �gua, naquele momento, estava mais alto que esse.

Possivelmente, no n�vel do solo em que estamos parado, agora.

Este est� no meio do barco...

por isso, deve estar por l�, por aqui.

Mais ou menos tem 40 metros de comprimento.

O afundamento do melhor navio de guerra da Frota Imperial...

foi um mau agouro para os aliados...

dispostos a avan�ar sobre Curupayti.

Tamb�m foram as chuvas ca�das, nos �ltimos dias de inverno, que atrasaram o ataque...

e permitiram que os paraguaios refor�assem suas trincheiras.

�s 7 da manh�, se mobiliza a esquadra brasileira, pr�ximo de Curupayti.

O comandante brasileiro assegurou que em duas horas...

destruiriam a trincheira de Curupayti.

O plano de guerra era que, quando cessasse o bombardeio...

deveriam avan�ar os ex�rcitos da Argentina e do Brasil...

mas em algo ele errou...

porque n�o destruiu um �nico ponto da trincheira de Curupayti.

- Por qu�? - Porque desconheciam o tra�ado.

Voc� v� essas �rvores redondas mostradas em suas pinturas.

S�o t�picas dessa �rea.

Em 22 de setembro, pela manh�, os oficiais argentinos estavam tomando mate...

esperando a hora.

Ao meio-dia, um barco da Frota Imperial deu o sinal...

de que a trincheira paraguaia havia sido totalmente destru�da.

Todas estas ervas daninhas n�o estavam l�, nessa �poca.

Os clarins e tambores de todas as companhias repetiram a ordem...

e o ataque foi lan�ado.

C�ndido L�pez marcha com seu pelot�o, na terceira coluna argentina.

Eu encontrei a comida da v�bora.

Em guarani, � um emoirembiu (fruta t�pica).

Para os que n�o conhecem, � uma fruta bem amarela.

Posso passar?

Infelizmente n�o podemos ficar nesse lugar, porque est� debaixo d'�gua agora.

Est� totalmente alagado e � imposs�vel transitar por ali.

Parou o bombardeio brasileiro...

porque eles achavam os paraguaios estavam todos mortos.

Eles dispararam mais de 5.000 balas de canh�o.

S� se podia ver fuma�a. N�o se via nada.

Os paraguaios deram a ordem para n�o dar um tiro mais.

Deixassem que o inimigo se aproximasse, cerca de 10 metros.

Cada um devia escolher a seu alvo.

Assegurando-se de que cada bala encontrasse seu alvo.

Os oficiais das For�as Aliadas usava seus uniformes de gala...

e foram apanhados por atiradores paraguaios.

O culto para as apar�ncias vistosas se tornou fatal.

Milhares de soldados aliados avan�aram contra um pelot�o de fuzilamento.

O Visconde de Tamandar�, Comandante da Frota Imperial...

n�o conseguiu identificar que iria acontecer um sinal para lan�ar o ataque suicida...

e fora levado a seu cargo pelo Imperador do Brasil.

C�ndido L�pez � ferido na m�o direita...

quando tentava passar a linha de frente das trincheiras.

"Batalha de Curupayti. Aos soldados de Curupayti...

dignos filhos do Marechal de A�o".

A linha de defesa paraguaia era inquebr�vel

e apenas sofreu baixas.

Foi a sua maior vit�ria. E a �ltima.

Antes do p�r-do-sol, Mitre ordenou a retirada das for�as aliadas.

S� falta o �ltimo quadro.

O �nico que o pintor n�o viu com seus pr�prios olhos.

O do ap�s a batalha...

quando um pelot�o de soldados paraguaios se encarregou de capturar prisioneiros...

e obter dos mortos suas armas, suas roupas...

as libras esterlinas que acabaram de receber com pagamento...

e os biscoitos que carregavam para o almo�o.

O cerco imposto pelas for�as aliadas e a dura��o da guerra...

estava terminando com todo a reserva de comidas e medicamentos.

C�ndido L�pez consegue voltar, ferido, para o acampamento argentino.

L�, sua m�o direita � amputada.

O m�dico respons�vel pela opera��o, sente que terminou a carreira do pintor.

Brasil vence a Copa do Mundo e os paraguaios...

v�o celebr�-lo mais que os brasileiros.

Eles os amam mais.

Mas se a Argentina joga...

Se me permite, sem ofender.

O conceito que temos, os paraguaios...

n�o dos argentinos, mas dos portenhos...

que s�o muito vaidosos e sempre nos viram como menores.

A gangrena avan�a e C�ndido L�pez � enviado de regresso para Buenos Aires...

onde lhe amputam todo o seu bra�o direito.

Uma vez que terminamos a viagem marcada pelas pinturas...

parte da equipe voltou para Buenos Aires para come�ar outros trabalhos.

Mas Marcelo, o cinegrafista, me deixou sua c�mera.

Cirilo Batalla ficou em Humayta, a cidade onde ele nasceu.

Quando comprei isso, eu vim aqui e quase ca� de costas.

Alegadamente, eles encontraram um tesouro aqui.

Mantenho um pequeno museu.

Todas as pe�as mais importantes tenho guardadas.

Isto s�o balas de metralhas.

Tinha uma malha de arame e uma tampa.

Quando disparava o canh�o, se espalhavam como uma espingarda.

Uma muni��o de metralha destruiu sua m�o direita.

Mas come�ou a treinar a sua m�o esquerda...

e um ano mais tarde, enviou, como presente, ao m�dico que lhe atendeu, depois da batalha...

sua primeira pintura feito com essa m�o.

Logo come�ou a passar para �leo, um a um, os esbo�os feito durante a campanha.

Esta � outra casa.

Voc� pode ver as funda��es, o quarto, o ch�o.

Ficou assim, depois da guerra.

Aqui um cimento e uma parede.

Aqui o piso de um quarto, provavelmente.

E aqui, tudo isso voc� pode ver.

Aqui estava outra parede.

Meu bisav� veio de Buenos Aires...

para Corrientes, meu av� nasceu l�...

e veio para o Paraguai depois da guerra.

Casou-se com Mercedes Hermosa. Ela esteve na guerra.

Ela era muito jovem quando a guerra terminou.

Era irm� do Coronel Hermosa...

veio de Humayta...

e voltaram para Humayta, de Cerro Cora...

ap�s os cinco anos que durou a guerra.

Ela me contava coisas da guerra, quando era velhinha, tinha cerca de 80 anos.

E ela me contava, quando eu era pequeno.

Eles eram muito ricos e perderam tudo na guerra.

"Tinhamos muitos animais, fazendas...

t�nhamos casas e perdemos tudo na guerra.

Tivemos que come�ar tudo de novo".

Isso ela me contava.

Documento assinado pelo general C�mara sobre o assassinato de Marechal L�pez.

Eu n�o entendo, porque est� em portugu�s.

Havia cinco navios que continuamente bombardeavam aqui.

Alguns atingiram a igreja.

Os paraguaios se prepararam para se defenderem dos inimigos...

estavam comemorando o anivers�rio do Marechal, para sair � noite.

Ent�o ees tocaram, toda a noite, m�sica para tapar os ru�dos.

Os ru�dos de remos, dos barcos.

E depois, no outro dia, o comandante brasileiro ficou intrigado com a falta de ru�do.

Ele mandou uma comiss�o para investigar. E todos haviam partido, durante a noite.

Nunca havia escutado as coisas que Batalha contava.

Uma imagem vale mais mais que mil palavras.

Volte em breve, e diga oi aos portenhos para mim.

Mas uma vez li que a palavra certa no momento preciso...

vale mais do que mil imagens.

Ele me recomendou que eu pegasse um �nibus em Pilar e visitasse os Contreras.

Uma fam�lia de bi�logos de Corrientes...

vivendo no Paraguai h� muitos anos...

possuem a maior biblioteca da regi�o.

... Eu n�o sei o que eles est�o fazendo aqui...

Figuras como, por exemplo, Richard Burton...

o famoso explorador ingl�s, que descobriu a foz do rio Nilo...

estave aqui como jornalista e supervisor.

H� fotos dele como um anci�o.

Seu rosto marcado por cicatrizes recebidas em �frica.

� dif�cil para os argentinos, porque Burton tinha dito que...

na resid�ncia presidencial da Argentina...

ele viu m�veis saqueados do pal�cio presidencial em Assun��o.

Havia cerca de 2000 ingleses trabalhando aqui.

Paraguai trouxe muitos estrangeiros de todas as profiss�es para ensinar...

e o que buscava era ser auto-suficiente, em todos os sentidos. Ao ponto de...

Enquanto o Paraguai tentava seu pr�prio desenvolvimento independente...

isolado da guerra civil nas Prov�ncias Unidas do Rio da Prata...

Argentina ainda n�o existia como uma rep�blica.

Tr�s anos antes da guerra come�ar...

a confedera��o, com sede no Paran�...

concorda com os portenhos uma nova Constitui��o Nacional...

que estabelece Buenos Aires como a capital.

Seis meses depois de Bartolom� Mitre assumir como o primeiro presidente...

da Argentina, ex-general Ven�ncio Flores, um de seus antigos comandados...

desembarca no Uruguai com o fim de derrubar o governo, eleito dois anos antes.

A frota Imperial brasileira ap�ia a a��o de Flores e bombardeia a cidade de Paysandu...

defendida por generais leais ao governo de Montevideo...

que, depois de serem rendidos, s�o fuzilados.

� beira de ser derrubado...

o governo do Uruguai solicita, por vias diplom�ticas...

a interven��o do Paraguai...

o �ltimo garantidor, nos acordos de autonomia e livre navega��o no Tratado do Prata.

Mas, quando Solano L�pez desafia Mitre

e avan�a sobre a prov�ncia de Corrientes...

a Tr�plice Alian�a j� estava formada...

e a guerra contra o tirano invasor se transforma na desculpa perfeita...

como um direito de passagem para o ex�rcito argentino.

Uma vez recuperada da derrota em Curupayti...

e com cr�dito externo para a compra de equipamentos...

os ex�rcitos do Imp�rio brasileiro e da Rep�blica Argentina

continuam a sua marcha sobre o territ�rio paraguaio.

Todo povo, quando est� ocupado, j� desaparece a capacidade

para mobilizar as pessoas.

Se as pessoas se mobilizam, � uma mobiliza��o t�o fortemente popular...

como a que foi retratada por Goya, por exemplo...

durante a rebeli�o espanhola, contra a ocupa��o francesa...

Longe da mirada do Tenente C�ndido L�pez.

Havia tantos argentinos propriet�rios de terras no Paraguai...

que houve uma associa��o de propriet�rios de terras argentinas no Paraguai.

Em 1912, com Estanislao Zeballos, entre outros...

com Drago, que est� relacionado aos Mitres

publicam um mapa do Paraguai para tentar recuperar...

seus direitos como propriet�rios.

At� aqui.

Esta parte do Paraguai.

Em vermelho, est�o marcadas as fra��es...

em m�os argentinas no Chaco paraguaio.

Frankenheim, Cook e Lumb, Nelson, Eloy Palacios, Bouvier.

A fam�lia Bouvier tamb�m possui terras em Formosa.

O banco franc�s, Casado S.A

A melhor terra era nessa faixa aqui.

Porque nesta faixa se montaram os portos onde se produzia tanino...

que foi uma mat�ria de exporta��o de enorme valor e gerou fortunas t�o grande como...

a dos Casado e Pinasco, por exemplo.

Devoto, os Devotos, Villa Devoto mesmo, velha fam�lia portenha.

Aqui diz: do total do Chaco paraguaio, tr�s quartos pertencem aos investimentos argentinos.

Este � um dos resultados da guerra.

N�o provocamos a coisa: a guerra j� foi para conseguir isto.

Isso aconteceu mais tarde.

Anos ap�s regressar do front, C�ndido Lopez se reencontra com Emilia Magallanes...

a filha de um fazendeiro que conheceu antes de ir para a guerra.

Seu marido havia morrido devido � epidemia de febre amarela...

e ela estava sozinha, com sua pequena filha, Sara.

Ol�.

Qual � o caminho para lbicuy?

Siga reto, onde diz Cerro lbicuy.

� asfaltado?

Em uma parte, depois j� n�o tem mais.

Tenho de fazer esta curva?

Justamente na curva, onde diz "La Morocha"

C�ndido e Emilia se casam tr�s meses mais tarde...

em 22 de setembro...

no anivers�rio da Batalha de Curupayti.

A guerra acompanhou C�ndido L�pez at� o fim de sua vida.

Senti que tinha que continuar a viagem at� o final da guerra.

Este era um chassi para vag�o de trem.

Este cravo indica que era daquela �poca.

Foi fabricado antes da guerra.

A �gua vinha de uma represa, rio acima...

Alejandra Pe�a � uma muse�loga que participou da...

reconstru��o das ru�nas da fundi��o de lbicuy...

feita com planos originais daquela �poca.

... e ativava um enorme fole que estava colocado neste lugar.

E isso aquecia o funil...

E essa rampa?

A rampa serviu para trazer o combust�vel para o dep�sito.

Este material � todo original.

Alguns destes azulejos, os mais antigos, foram trazidos da Inglaterra...

... resistentes ao calor, feitos a partir de material.

Ent�o eles descobriram que tinham bons materiais aqui...

para a produ��o de telhas de qualidade semelhante.

Alguns dos azulejos que vemos na tremonha foram feitas aqui.

Paraguai n�o tinha d�vida externa...

e n�o estava em d�bito com a Inglaterra.

Paraguai contratou t�cnicos ingleses, pagando-os em dinheiro...

e n�o havia empr�stimos, nem d�vidas futuras.

O Canh�o Christiano foi uma das �ltimas pe�as que se fundiu em lbicuy.

Feito com o bronze dos sinos retirados das igrejas...

quando o bloqueio imposto pelos aliados...

impediu a chegada de armamentos para refor�ar as defesas paraguaias.

Isso � uma coisa muito estranha, muito estranho este lugar.

Por exemplo, imagine o poderio que significava o potencial econ�mico...

que poderia significar, mesmo para seus novos propriet�rios...

aqueles que chegam a este lugar e se apoderam.

No entanto, a primeira coisa que eles fizeram foi destru�-lo.

E a engrenagem principal encheram de areia...

Eles fizeram isso virar com areia para rebent�-lo.

Em 1� de janeiro de 1869, quase quatro anos depois de come�ada a guerra...

os aliados chegaram nos arredores de Assun��o.

A cidade estava vazia.

A capital havia sido transladada, ante a imin�ncia do desembarque inimigo.

M�veis, roupas, j�ias, cortinados, lembran�as da fam�lia...

cruzes dos cemit�rios, Cristos arrancados das igrejas...

tudo foi saqueado pelas tropas brasileiras que entraram na cidade.

S� ficaram a salvo os pequenos tesouros que as pessoas tinham enterrado...

antes de abandonar suas casas.

Quando est�vamos prestes a sair, ocorreu o acidente.

A terra desmoronou e caiu em cima de n�s...

e ca�mos no po�o.

Meu companheiro ficou completamente enterrado...

e eu, at� a cintura.

Meu companheiro me pediu ajuda...

e o propriet�rio da casa chamou os bombeiros.

Quando eles estavam entrando no po�o, meu companheiro ainda estava falando.

- Estavam j� perto? - Sim.

Como sabe?

Quanto mais se aproxima, mais te marca a m�quina...

A necessidade, a ambi��o ou o sonho de encontrar algum tesouro enterrado...

adiciona ainda mais v�timas de uma guerra, que terminou mais de 100 anos atr�s.

C�ndido e Emilia deixam a cidade...

e se mudam para o campo com seus seis filhos.

Adolfo me contou que seu pai lhe contava...

que C�ndido passava todo o dia pintando quadros da guerra em seu pequeno ateli�.

Seus filhos n�o podiam entrar...

e o espiavam pela porta entrefechada.

Alguma pergunta?

A mim me impressiona muito o fato de que havia crian�as lutando.

De 8, 9, 10 anos...

que punham barbas posti�a e, como j� n�o tinham nem fuzis, n�o tinham lan�as...

ent�o eles faziam suas lan�as com pontas de facas...

para lutar contra o advers�rio, contra o inimigo.

Como ele poderia ter feito esbo�os de uma batalha...

onde os soldados inimigos eram crian�as?

Naquele campo plano, o Conde D'Eu ordenou que se pusesse fogo para serem queimados...

e morreram todas as crian�as que ainda estavam vivas.

Entre o arroio Yuquiri e o arroio Peribebu�...

est� a cruz que havia sido colocada l� pelo Presidente Cirilo Antonio Rivarola.

- Em homenagem �s crian�as... - Em homenagem aos brasileiros.

Como os brasileiros?

Colocou-a em homenagem aos brasileiros.

Ele foi o primeiro presidente paraguaio que havia assumido durante a ocupa��o.

Isso foi em 1869.

Ele era daqui, vivia no Paraguai?

Era paraguaio, mas havia vindo com uma legi�o paraguaia.

Com uma legi�o paraguaia.

C�ndido L�pez e sua fam�lia vivem em extrema pobreza.

Mas o maneta de Curupayti s� est� disposto a vender seus quadros...

para o Estado argentino...

como um testemunho da hist�ria.

40 e as tr�s salas, 60...

Estamos combinados.

Elisa Lynch foi uma mulher irlandesa...

que Solano L�pez conheceu na Corte de Napole�o III...

e seria a m�e de quatro de seus filhos.

Sian Rees � uma escritora ingl�sa autora de um romance baseado na hist�ria de sua vida.

... e este � o Marechal com Panchito...

... seu filho mais velho com Elysa Lynch.

"Ex-combatentes dos anos 70."

Meu bisav�...

lutou na grande guerra.

V� saber as pessoas que vieram...

Por exemplo, lembro que uma vez veio uma francesa.

Mas tamb�m...

aqui as pessoas e as autoridades...

n�o querem que se conte.

Por qu�?

Porque n�o querem que as pessoas saibam o que aconteceu em Peribebui.

Em uma oportunidade veio me ver...

o policial militar que est� aqui...

e tamb�m as autoridades de Don Alicio.

Voc� conhece muito bem a hist�ria da guerra da d�cada de 70.

Eu tenho alguns livros...

escritos na Espanha, depois da guerra...

e tenho alguns livros sobre o hist�ria contempor�nea do Paraguai.

Quando h� uma visita, � melhor n�o lhes contar nada.

N�o h� nada para dizer �s pessoas.

Alguns aproveitam e dizem mais ou dizem menos, ent�o...

ent�o � melhor n�o contar.

Peribebui foi defendida por residentas,...

as mulheres que acompanharam o ex�rcito do Paraguai...

a seus maridos, a seus filhos.

As que plantavam os campos, na linha de frente...

cozinhavam para os soldados...

e come�aram a empunhar suas armas, � medida que estes iam desaparecendo.

No final do dia, um menino matou um general brasileiro.

E, em repres�lia, os brasileiros rodearam o hospital...

o fecharam e queimaram vivas centenas de pessoas dentro.

E como o ex�rcito paraguaio teve que se retirar abruptamente...

eles deixaram no lugar os arquivos da Na��o.

Deixaram para tr�s uma enorme quantidade de tesouros.

Deixaram para tr�s documentos que registravam a hist�ria do...

Paraguai desde suas origens. Desde o nascimento...

da na��o em 1542.

Esses arquivos se perderam, foram queimados.

Os Aliados os usaram para fazer fogo, para aquecer...

as pessoas, para cozinhar a carne...

E tr�s s�culos de Hist�ria se perderam em uma noite...

Em 1885, C�ndido L�pez exp�e os primeiros 29 quadros sobre a guerra....

que ele havia terminado.

As cr�ticas foram crueis:

Nada mal para um maneta.

Se algu�m contempla os quadros de longe, n�o se sente tanto os seus defeitos.

Por que pintou a terra vermelha?

Porque no Paraguai a terra � vermelha.

Algumas das cenas pintou mais de uma vez.

Primeiro com uma perspectiva de lente angular...

pondo-se mais perto dos personagens.

Alguns anos depois, desde um do ponto de vista mais distante.

A constru��o � muito inconstante.

Pelo tamanho do barco...

teria sido melhor que n�o tivessem tentado...

navegar no mar.

Acho que aqui tem um ninho de vespas.

- Sim, tem algo a�. - H� um ninho de vespas.

- Um qu�? - Um ninho de vespas.

Estes insetos picam.

"Navio mercante constru�do na Inglaterra, Ranger, de 120 toneladas. "

Acredita que o Reino Unido teve algum interesse direto nessa guerra?

N�o, n�o um interesse direto.

Interesse comercial, talvez?

Um vago interesse comercial. Mas n�o mais que isso.

Todas as vezes que vim ao Paraguai...

escutei dizer e li livros da guerra do Paraguai escritos...

por historiadores sul-americanos...

e fiquei surpresa e at� achei gra�a...

que a maioria declara como uma certeza, como...

um fato objetivo:

"A guerra da Tr�plice Alian�a foi provocada...

ou financiada pela Inglaterra."

Imperialismo e com�rcio s�o duas coisas diferentes.

- Voc� acredita? - Sim.

E, claro, os pa�ses comerciantes...

que t�m bens para exportar...

t�m um grande interesse em assegurar seus mercados.

Mas, at� este ponto, isso n�o � imperialismo.

Isso � simplesmente interesse comercial. Manejos comerciais.

Creio que o Paraguai teria que mudar, cedo ou tarde...

... porque todos os pa�ses do mundo desenvolvido...

estavam se tornando cada vez mais sofisticados em seus...

assuntos financeiros. E para ter com�rcio internacional...

necessita-se de financiamento internacional.

E o Paraguai estava muito orgulhoso de n�o ter d�vida externa...

o que � muito bom, mas se n�o se tem d�vida externa...

tampouco se tem cr�ditos externos.

N�o se tem tamb�m nenhum tipo de conv�nio.

Mas eles n�o o necessitavam.

Mas durante a guerra, sem d�vida, eles o necessitavam.

Se antes da guerra Solano L�pez tivesse...

empregado o mesmo tempo em consolidar as rela��es...

... com bancos e governos estrangeiros que o que empregou...

... para consolidar suas for�as no Paraguai...

creio que a guerra teria tomado um curso muito distinto.

Se o Paraguai n�o houvesse tentado ser auto-suficiente...

talvez a guerra nem sequer teria existido.

Na minha opini�o, L�pez ficou louco, durante a guerra...

mentalmente afetado.

Ele n�o queria vender os quadros da guerra...

...a nenhum colecionador particular.

E o Estado Argentino n�o queria compr�-los.

Ent�o teve que come�ar a pintar estas naturezas mortas...

...para ganhar algum dinheiro.

Porque n�o tinha dinheiro para viver com sua fam�lia.

J� tinha dez filhos...

Mas os assinava como "Zepol", seu sobrenome escrito ao contr�rio.

Esta � a est�tua do Marechal.

Por que est� ai?

� muito pesado para mim.

Pr�ximo do fim, o Marechal mandou fuzilar alguns de seus melhores lugares-tenentes...

suspeitados por qualquer motivo, acusados de maneira injusta...

aqueles que lutaram grandes batalhas...

aqueles que seguiam o acompanhando a um destino evidente.

Aqueles que integravam uma caravana, onde a sua pr�pria m�e e suas irm�s...

viajavam presas em jaulas, acusadas de querer tra�-lo.

At� mesmo seu pr�prio irm�o, que caiu na estrada...

morto de fome, como muitos outros durante a guerra.

... Eles lhe pediram para se render.

E meu pai me disse que Panchito L�pez disse

que preferia morrer a se render.

Voc� j� se rendeu, algum dia?

Sim... Quero dizer, n�o.

Por que n�o?

Porque os paraguaios jamais devem se render.

- Estamos cortando madeira para a Argentina. - Para exporta��o.

O dono � brasileiro.

O dono do dep�sito de madeira?

A� est� o dono.

Vai cobrar agora para a entrevista.

H� pouca. Um pouco de curupa�, mbuirapita.

Est� dif�cil j� a madeira. Um pouco escassa j� est�.

Finalmente, o Estado argentino...

comprou os quadros sobre a campanha no Paraguai...

para exp�-los um tempo no Minist�rio da Guerra.

Logo foram guardados em um dep�sito do Museu Hist�rico Nacional.

O pagamento foi suficiente para o pintor...

comprasse uma casa na periferia de Buenos Aires...

para onde se mudou com sua esposa e 12 filhos.

As pessoas parecem almas, deitadas l�.

C�ndido L�pez montou seu ateli� no quartel dos inv�lidos

onde vai pintar seus �ltimos quadros.

Ol�.

Onde � o Hotel de Turismo?

Pedro Juan Caballero, porto livre, fronteira com o Brasil.

Nossa �ltima parada antes de Cerro Cora...

o lugar onde os aliados finalmente alcan�aram L�pez...

e sua caravana fantasmag�rica.

Aqui, na terra, no meio, � terra de ningu�m.

� minha direita est� o Paraguai...

e � minha esquerda est� o Brasil.

Quem foi para a frente da guerra...

do Brasil, foram os negros, os ind�genas, os escravos...

principalmente os escravos...

e que, na verdade, a parte n�o era deles.

Ent�o eles n�o tinham nem raz�o para lutar.

Eles foram para a guerra com a esperan�a de conseguir terras p�s-guerra.

Ent�o, quem fosse lutar, havia uma promessa...

do Imperador que depois seria libertado e ganharia terra.

Ent�o eles n�o estavam lutando contra uma na��o.

Eles estavam lutando em favor deles pr�prio.

O que � muito diferente do povo paraguaio.

Eles tinham amor muito grande pela terra.

Eles trabalhavam a terra, eles tinham sua pr�pria terra.

E havia um governo, que, desde o in�cio...

deu toda assist�ncia para que a terra fosse trabalhada.

Se a gente for olhar com o cora��o...

a gente vai dizer que foi a guerra da vergonha nacional...

onde tr�s pa�ses se uniram...

para destruir um pequeno pa�s que...

se hoje n�o tivesse sido destru�do pela Tr�plice Alian�a...

seria hoje um sustent�culo da Am�rica Latina...

Mar�a Estela Rocha e Maria Aparecida de Almeida...

s�o duas professoras de Ponta Por�...

que decidiram usar, em suas aulas...

livros de hist�ria diferentes dos que habitualmente usavam.

Este � o lugar onde morreu o Marechal...

nas margens do Aquidaban, um arroio.

Com a morte do Marechal terminou a guerra contra a Tr�plice Alian�a...

que teve Paraguai contra tr�s pa�ses:

eram Argentina, Brasil e Uruguai.

Essa guerra come�ou em 1865...

e terminou justamente aqui em Cerro Cor� em 1� de mar�o de 1870.

Neste lugar pediram rendi��o ao Marechal L�pez...

pelo Coronel C�mara, o comandante do Ex�rcito Brasileiro.

Ele n�o quiz se render, e eles tiveram que mat�-lo.

Aqui, ele pronunciou a sua famosa frase: "Morro com minha p�tria".

Depois de hav�-lo matado...

..os soldados brasileiros arremessaram-se em cima do cad�ver do Marechal...

cortando-lhe as orelhas, os dedos, e mutilando-o...

antes de devolv�-lo � sua companheira durante toda a guerra...

que foi Elisa Lynch.

N�o se sabe, at� agora, por que se refugiou nessa parte, o Marechal e seu ex�rcito.

Ningu�m sabe exatamente o porqu�. H� muitas teorias.

Durante a guerra de cinco anos...

a d�vida externa dos tr�s pa�ses aliados...

se multiplicou em milh�es de libras esterlinas.

O Paraguai, por sua vez, se viu obrigado a pedir empr�stimos a bancos ingleses...

para indenizar os pa�ses vencedores.

No caso do Imp�rio do Brasil e da Rep�blica Argentina...

tamb�m se anexaram grandes por��es de seu territ�rio, como parte do pagamento.

"A guerra contra o Paraguai termina pela simples raz�o - horresco referens - de que matamos todos os Paraguaio com mais de dez anos"

Domingo F. Sarmiento Presidente da Rep�blica da Argentina (1868-1874)

O governo dos legion�rios, instalado em Assun��o...

proibiu o uso do idioma guarani em todo o territ�rio do Paraguai.

O decreto continuou em vigor at� o ano de 1992...

quando um censo revelou que o falava 90% da popula��o.

Paraguai [em guarani]: A �gua que corre para o mar

Buenos Aires, cidade de torres an�s.

Fim da viagem.

Eu estou perdido.

Onde est� o Mausol�u dos Guerreiros Paraguaios?

- Por esse caminho. - Obrigado.

C�ndido L�pez chegou a pintar...

59 dos 90 esbo�os que realizou durante a campanha.

Morreu em Buenos Aires, com 62 anos, em 31 de dezembro de 1902.

- De que morreu? - Do cora��o.

No final da exposi��o comemorando...

o centen�rio de sua morte...

os quadros da guerra retornam ao dep�sito do Museu de Hist�ria Nacional...

onde estiveram guardados durante d�cadas.

E me pergunto, a mim mesmo: � a guerra?

N�o sei se � a guerra.

H� um monte de gente...

pequenas pessoas que se parecem com formigas.

Mas essas pessoas podem n�o ser soldados.

Podem ser trabalhadores de uma represa...

uma rede de estradas...

de uma obra p�blica.

S�o pequenas pessoas que trabalham em alguma obra superior...

uma obra comum, uma obra solid�ria.

como significa um conjunto de pessoas.

N�o � um conjunto an�rquico.

N�o s�o crian�as que v�o a um piquenique.

V�o organizadamente fazer algo.

Mas podem ser outra coisa que n�o seja a guerra.

Infelizmente, � a guerra.

Os uniformes t�m os bot�es pintados...

mas os soldados n�o t�m boca...

nem olhos.

Somente os mortos v�em o fim da guerra.

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