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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

Sabe o que � a pris�o?

Uma sucursal do inferno.

Todas estamos aqui devido a uma escolha ruim.

Ela vai te proteger.

E, quando se mata algu�m...

voc� desaba pela ladeira da perdi��o.

Voc� fica cada vez pior.

Cada vez mais perdida.

Mas voc� deve parar.

Deve perdoar.

Bem-vinda ao clube das que querem escapar a todo custo.

Zulema tem tr�s milh�es de euros enterrados no Marrocos, n�?

Conven�a seu irm�o a ir procurar.

Eu solto voc�.

N�o vou te ajudar a fugir, Macarena.

Sinto muito.

O �nico jeito de recome�ar do zero

� cumprindo uns tr�s anos e meio...

Estou fazendo isso por sua causa. Por nossa causa.

Preciso de voc�.

Isso n�o faz sentido.

Quando me vi presa aqui,

eu me agarrei a voc� como a um bote, desesperada.

Mas voc� tamb�m. Se agarra a mim pra evitar a Saray.

Terminou com a Cachinhos, n�o? Pois agora n�s somos irm�s.

V�o apostar em voc� se chegar � final.

Mas � claro que n�o vai ganhar.

Voc� se acha a rainha do peda�o.

Agora tem um chefe novo.

Eu.

Ela escreveu meu nome no bra�o e me mostra sempre que a vejo.

Anabel vai sair da solit�ria hoje � tarde.

O que podemos fazer?

Conseguir a gangue mais perigosa da pris�o.

Comprando a gangue. Com o dinheiro dela.

Aposto que o dinheiro est� aqui.

Se pegar o dinheiro, v�o me matar.

Estou fazendo igual a voc�. Sobrevivendo.

Vejo que fez novas amigas na minha aus�ncia.

Eu as comprei com seu dinheiro.

Filha da puta.

Filha da puta!

Me soltem!

-Soledad N��ez, aceita casar comigo? -Sim!

-Querida, por que... -Parab�ns, Sole.

-Obrigada. -O dia do casamento � inesquec�vel.

Voc� est� gr�vida. De 20 dias.

N�o pode ser de 20 dias, porque meu marido s� me visitou h� 15 dias.

N�o me injete nada!

Estou t�o feliz!

Agora a prioridade � a sa�de da Saray. Cuidarei disso pessoalmente.

V�o soltar a Zulema. N�o podemos ir mais longe.

Mas eu posso.

Posso fazer o servi�o sujo.

Quero que fa�a algo por mim. Minha liberdade.

Tem minha palavra.

Uma seringa e ar a caminho do seu cora��o.

Reze para meu cora��o explodir. Porque eu vou te matar.

Carregar!

Ela voltou. Mas entrou em coma.

Talvez seu plano n�o fosse t�o ruim.

Vou voltar, Fabio.

Preciso muito fazer xixi.

Bastante.

-Podemos parar? -J� mijou 50 vezes.

Mas preciso muito mijar.

N�o consigo segurar, n�o d� pra evitar.

Estou gr�vida e, se preciso fazer, n�o tem jeito.

N�o podemos parar?

-Olha a vaca! -Vaca?

-� a sua m�e, Anabel! -Ent�o tragam...

Se a m�o for maior que a cara...

Isso.

Chefe.

Pode colocar m�sica, por favor?

Volte ao seu banco.

Garotas! Ela n�o quer botar m�sica.

-E queremos m�sica, n�? -Porra!

Ligue o r�dio. A Tere d� uma dedada em voc�!

-N�o, eu dou! -M�sica!

Fa�a um favor! � s� apertar o bot�o.

-Quero mijar! -M�sica!

Isso!

Quero muito mijar!

Dada a falta de espa�o em Cruz do Sul, receberemos novas presas.

Saray Vargas. Quatro anos.

CRUZ DO NORTE

Assalto e agress�o.

Estefan�a Kabila. Quatro anos por roubo e posse.

Estava no semiaberto,

mas perdeu no primeiro dia por roubo e posse.

O lugar est� livre?

Se for sapat�o, gosto de homem.

Se quer amizade, nem perca tempo.

Far� um favor para mim.

Tenho cara de idiota?

Me deixe em paz.

Quieta!

Vamos, mami!

-Quieta. -Mami!

Antonia Trujillo.

Oito anos. Roubo com viol�ncia.

Vou explicar para entender.

Estou sendo transferida da Cruz do Sul.

Ao chegar � Cruz do Norte, v�o revistar at� meus dentes.

Por qu�?

Dizem que n�o sou confi�vel.

Frutos, desligue.

Relaxa, Mill�n.

-N�o h� nada errado. -Mami!

Mami!

Vamos!

Soledad N��ez. Vinte anos por assassinato.

Queimou o marido vivo.

Voc� � de um bloco para presas n�o violentas.

Entendeu?

N�o?

Vai levar uma coisa por mim.

Teresa Gonz�lez Largo. Seis anos. Drogas.

O que �?

Drogas?

Drogas?

Rebola!

Vamos!

Anabel Vila Roig. Onze anos. Roubo, tr�fico de pessoas, drogas...

O pacote completo.

Tenho cara de traficante?

Abaixa!

Abaixa!

E sobe!

Sobe!

Onde quer que eu ponha?

Abra as pernas

e enfia na xoxota.

Macarena Ferreiro.

Agora.

Sete anos por desfalque, lavagem de dinheiro,

oculta��o de bens, homic�dio culposo,

agress�o e homic�dio doloso.

IDENTIFICA��O

Um amor de pessoa.

No total, 13 novas presas, muito perigosas.

Sem d�vida, n�o s�o irm�s de caridade.

Roubaram, deram golpes, sequestraram, mataram...

Segundo as fichas, podem repetir a dose.

Vamos tomar todas as precau��es.

Altagracia, prepare a admiss�o delas.

Vamos coloc�-las no bloco tr�s.

O que ela disse? � imposs�vel.

No tr�s?

Aquele bloco j� � dureza agora, n�o �?

Se as botarmos l�, vira um barril de p�lvora.

Se voc� p�e uma filha da puta com outra filha da puta,

uma acaba se amansando.

Vamos deixar as presas nos ajudarem em nosso servi�o.

TRANSFER�NCIA PENITENCI�RIA

Ei!

Porra.

-Chegamos? -Sim.

-S�o... -Que feio, merda!

Est�o armados, n�?

Vejam.

Olhem.

Andem, sigam as outras.

AFASTE-SE

Bem-vindas � Cruz do Norte.

Sou Altagracia.

N�o sou sua amiga nem confessora.

N�o sou sua m�e.

Vieram cumprir pena e se reintegrarem na sociedade.

Esse � o meu objetivo.

Se me ajudarem, n�o fodo voc�s.

Algo errado?

Esse lance de "boa policial" � assustador,

mas sabemos como � a Admiss�o.

N�o vou revist�-las.

N�o temos de tirar a roupa?

Depende de voc�s.

Ter�o a chance de se revistarem.

Por qu�?

Porque s�o as principais interessadas para que n�o entrem facas...

nem drogas...

nem merdas de contrabando.

Se algu�m fizer vista grossa,

vai preferir ser mandada pra solit�ria.

Primeira fila, virem para as colegas.

-Quando quiserem. -O que faremos?

Voc� n�o vai me tocar.

Vamos, Antonia.

-N�o sei, garota. -Tire as roupas.

-Qu�? -Tamb�m a calcinha.

Que porra est� fazendo?

P�s na linha amarela, cara pra parede

e incline-se.

Bem...

N�o importa se est� menstruada.

Vamos.

-Seja gentil, Antonia. -Que nojo.

Por que sempre tem de ser voc�?

-Vamos, Antonia. -Lavou a xoxota, n�?

Sim, lavei hoje cedo. Antonia, por favor.

-Pronta? -Muito bem.

-Prepare-se. -N�o vai doer, Sole.

-N�o. -O que � isto?

-Vai pro inferno. Pare. -Garota...

Ser� uma situa��o desagrad�vel.

N�o posso evitar.

Mas n�o far� nem dir� nada.

N�o me entregar�.

Porque, se fizer isso,

juro que acabo contigo.

Chefe.

Porra, olha as presas do bloco n�o violento.

Sinto muito.

Desculpe, mas n�o vou p�r o meu na reta por ti.

-Mercedes, n�? -Sim.

Pegue as roupas e venha comigo.

Vai!

Que assustador.

Vai!

Vai!

Vai!

Vai!

-Parem. -Vai!

Vai!

Vai!

Vai!

Vai!

Vai!

Vai!

Sabemos que n�o � seu.

Pode perder a condicional por algu�m que a apunhalaria sem pestanejar.

Diga quem deu a voc�.

Mercedes Carrillo.

Vereadora urbanista.

Condenada a quatro anos e meio.

Prevarica��o, malversa��o, suborno...

N�o seja burra, Merche.

N�o acredito. N�o quero acreditar.

H� 20 pessoas dispostas a assumir sua vaga na C�mara.

Quer jogar fora tudo que conquistou?

N�o cumpriu nem metade da senten�a,

mas, por ajudar na investiga��o,

o juiz a considera para o regime semiaberto.

M�e?

O que foi, m�e?

Pol�cia Civil, parada!

Est� presa! Deite no ch�o!

M�e!

Mal chegou � Cruz do Norte, Mercedes.

N�o nos force a mand�-la � solit�ria.

E restringir telefonemas por um m�s.

Ajude a si mesma.

Diga um nome.

Chefe, pode desligar o r�dio?

O que foi? N�o gosta da m�sica?

Escolhi quando chegamos, Sole.

N�o falei que queria a de cima?

-Voc� � um saco, relaxa. -Durmam juntas e transem.

-N�o. Eu j� disse. -� uma boa ideia.

Vamos dormir juntas.

-Vamos dormir juntas. -Sole, por favor, diga a ela.

-Vamos dormir juntas. -Foi a �ltima a chegar.

-Escolhi esta cama. -Mas � verdade?

Voc�s duas. At� chegar, era voc�. Sempre foram as duas.

Nas outras, sim, mas na nova pris�o...

N�o se sente mal?

Mal? Por qu�?

Por causa do que fez.

O que fiz?

A novata vai passar a primeira noite na solit�ria por sua causa.

O que queria que eu fizesse?

Dizer �quela mulher

que traz�amos muamba nas xoxotas?

Se n�o pensa na sua seguran�a, tudo bem.

Nem na sua nem na das outras, mas eu cuido disso.

Do que est� falando?

Algu�m tinha de levar a culpa para trazermos as coisas,

ela deu azar.

� justo? N�o.

Mas estamos na pris�o.

N�o precisa de realidade virtual pra ficar at�nita.

Sil�ncio nas celas!

Est� magoada por causa do Fabio?

O que isso tem a ver?

Pode ser a causa da sua frieza.

Porque n�o � uma filha da puta.

-A Maca por quem me apaixonei... -Nem imagina.

N�o faz a m�nima ideia

de quem era a Macarena por quem se apaixonou.

N�o me conhecia.

Me convidou pra sair quando est�vamos tomando banho.

N�o nos conhec�amos.

Sim.

Tem raz�o.

Sou uma puta idiota que se apaixona � primeira vista,

mas espero morrer assim.

N�o se preocupe, n�o me meto mais na sua vida. Fa�a o que quiser.

-Vou dormir em cima. -Est� bem.

Glorioso ap�stolo S�o Judas Tadeu, rogue por n�s pecadoras.

A�, Sole!

Primeiro, rezo pelo nen�m da Saray. Sei que ser� uma menina.

A coitadinha n�o tem culpa de nada.

Mas nascer� presa como um p�ssaro.

Uma boa ciganinha.

E que n�o puxe nada da m�e dela.

Am�m.

Rezo pela Cachinhos,

para que deixe de amar o amor e ache quem a ame.

Ei, ela j� achou.

Que ela ache quem possa amar

e n�o termine levando um p� na bunda.

Ningu�m pode tirar isso de mim.

Tamb�m rezo, se a Saray deixar, pela novata.

Mercedes, a coitada, j� est� na solit�ria.

Que ela n�o aprenda nada ruim conosco, por favor,

e que passe ao semiaberto assim que poss�vel.

Tamb�m rezo pela Macarena...

minha menina. Para que recupere a alma.

Ela � uma boa pessoa. �, sim.

E quanto a mim? N�o reza por mim?

Por fim, quero pedir...

Que a mulher andando no corredor n�o seja a Zulema

e que o esp�rito dela j� esteja contigo.

N�o acredito! Zule!

Zulema!

Puta merda! N�o creio. Zulema!

-Porra, �! -Ela n�o estava em coma na UTI?

Vaso ruim n�o quebra.

Cuidado com o que falam dela,

ela ainda � minha amiga, pelo resto da vida.

J� entendi por que a Maca queria tanto uma faca.

-Puta elfa do inferno. -Tr�s, sete.

Zulema! Filha da puta!

Agora estamos todas aqui!

-Estamos todas aqui! -Bons sonhos, queridas.

-Tomara que consiga descansar. -� isso a�!

Estamos todas aqui!

Ei. Escute, bonita.

Tem algo legal a� pra mim?

Trouxe algo ou n�o?

Serei um amor, se quiser.

Muito amorosa.

Escute.

-Porra. -Ei.

Saia da minha cama, novata.

Quer dormir? Deite no ch�o.

Filhas da puta.

Ei.

Tragam um len�ol ou manta para cobrir o corpo.

N�o � um espet�culo, porra!

Preciso de uma manta pra cobrir isto.

Nem me fale em morte, filho.

Morrer � uma merda.

Mas, morrer na pris�o, � pior ainda.

Parir e morrer aqui �...

Mesmo que fosse uma morte de merda, preferia morrer na minha cama.

Mas n�o vou morrer na pris�o. Vou sair.

N�o me meto em problemas.

Ir ao c�u sozinha, como quando nasceu, � uma pena.

Cansei da porra desta bola!

Temos medo desde a hora de nascer.

Mas eu n�o penso nisso. N�o levo as coisas muito a s�rio...

Se penso algo ruim, mando logo � merda.

Melhor morrer dan�ando ou trepando.

O refeit�rio est� aberto para o primeiro turno do caf�.

As detentas atrasadas ser�o punidas.

As detentas n�o podem deixar o refeit�rio

at� acabarem de comer e devolverem a bandeja.

Chinesas na cozinha, na Admiss�o, na lavanderia...

J� sabemos quem manda aqui.

N�o espanta, j� que tem bilh�es de chineses.

-Mami, coma um pouquinho. -Estou sem fome.

Mami, precisa comer.

-Ai, n�o. -Vamos ver.

Por que as chinesas comem salm�o e a gente, esta merda?

N�o pergunte, Antonia. Coma logo.

As chinesas v�o comer minha xoxota com pauzinhos.

Uma piada. Um chin�s quer trabalhar como gar�om.

O dono do bar diz:

"O turno vai das 6h � meia-noite."

E o chin�s responde: "Bem como queria. Meio per�odo."

-Outra. -N�o entendi.

Como se chama o homem mais alto da China?

-Quem sabe? -O homem... Porra!

Chen Fim.

Qual � sua, filha da puta?

Acha engra�ado?

Que pris�o de merda.

Tenta entrar com uma faca na xota,

mas s� passa uma noite na solit�ria?

-N�o me entregou, n�? -N�o falei nada.

Muito bem. Vai me fazer outro favor.

Maca.

J� chega.

N�o se meta.

V� ao banheiro no bloco tr�s.

-N�o vou. -Vai, sim.

V� ao banheiro no bloco tr�s.

Na pen�ltima cabine, veja a lata de lixo.

N�o vou.

Olhe na lata de lixo.

Dentro, tem um saco com um celular.

Use-o.

N�o poder� telefonar por dias.

Ligue pra ela.

Ligue pra sua filha.

Quem �?

Oi, amor.

-Sou eu, a mam�e. -Mam�e!

Mam�e, tenho um presente pra voc�.

-Tem? -Mas... n�o posso contar.

-A vov� n�o quer que conte, n�? -Porque � uma surpresa.

Quero muito te ver, docinho.

Eu te amo muito, meu bem.

Muito bem.

Amanh� vamos jogar buraco na minha cela.

Muito bem, mami. Vamos jogar um pouco.

-At� que � bom. -�, sim.

Estou bem, obrigada.

Aten��o.

Cabines tr�s e quatro da sala de visitas est�o quebradas.

As detentas que as usariam hoje

ser�o transferidas para amanh�.

Como est�o?

Como foi o enterro do seu pai?

Pedi uma autoriza��o especial

para ir ao enterro, mas negaram.

N�o viemos falar do enterro do papai.

Viemos falar do testamento dele.

Garotas...

seu pai me deu tudo quando estava vivo.

O papai te nomeou a �nica herdeira.

Que coincid�ncia, n�?

-Como? -Foi voc�.

Sabemos que foi voc�.

N�o ver� um centavo do nosso dinheiro, seu lixo.

Filha da puta. Nem um centavo, ouviu?

Assassina de merda! � nosso.

Para que voc� quer? N�o, o dinheiro � nosso,

-s�o as nossas casas! -J� chega.

Merda! � nosso!

Sabe quanto custa uma presa por m�s?

Quatro mil euros.

Alojamento, pens�o completa, m�dico particular...

Sabe quanto custa uma bala?

Um euro.

Que pol�tica de reintegra��o mais interessante.

Reintegra��o n�o existe.

� s� uma palavra que pol�ticos inventaram para ficarem � vontade

quando mandam as coitadas cumprir 20 anos de pris�o.

Voc� n�o foi ontem.

Prometeu muito no WhatsApp, mas me deixou na m�o.

Aconteceu algo com a mulher e as crian�as.

Ei.

Para compensar por ontem,

comprei uma coisa. Veja.

Onde pegou?

N�o prefere agradecer?

No bairro onde cresci,

com esta pulseira

dava pra estimar que resgate pediriam � sua fam�lia

depois de te sequestrarem.

Voc� ganha 1.800 euros por m�s.

Ganha dois extras e um b�nus.

Hipoteca, filhos na escola, esposa...

Porra, como comprou isso, Unai?

A prazo.

A prazo, uma ova.

Onde pegou?

N�o pode agradecer e calar a boca?

Vou � sala de controle.

Voc� era mais baixa.

Eu cresci.

J� voc� continua aqui.

Eu te admiro.

Passou de mimada...

a uma aut�ntica filha da puta.

-Gra�as a voc�. -N�o.

Est� nos seus genes.

Eu falei...

pra rezar pro meu cora��o explodir.

N�o rezou o bastante.

Continuo viva.

Continuo viva.

E promessa � d�vida.

N�o acredito.

Est� bonita.

Estou gr�vida.

O que foi?

Contemplando Guernica?

� o muro das despedidas.

-Sou Pruden, do bloco um. -Soledad.

-Rec�m-chegada. -Entendi.

Muito prazer.

Quando a pena acaba, as presas penduram...

uma lembran�a. Qualquer coisa.

Uma deixou a calcinha.

Sim.

Vov�. Vaza.

Vamos logo.

Estou indo.

E a�, Sole?

Quer ideias para decorar as casas novas?

Vi o testamento do seu falecido marido. Ele te deixou tudo.

Duas casas no centro,

um apartamento na praia... Que bom pra Sole.

As casas n�o s�o minhas.

Claro que n�o s�o.

Elas s�o minhas.

Voc� me deve uma bolada. Acha que esqueci?

N�o te devo nada.

Claro que deve.

Voc� era meu banco, quando bancos s�o roubados,

a seguradora banca o dep�sito dos clientes.

Entendeu?

Porra, e quem vai assumir o assassinato do meu marido?

Acha que n�o sei que foi voc�?

E a presun��o de inoc�ncia?

O que eu disser ser� usado contra mim?

N�o pode me acusar de matar seu marido

porque n�o tem provas.

Eu te adorava, Sole.

Escute.

Vai pegar as escrituras das casas

e passar tudo para mim.

Sabe por qu�?

Lembre-se:

quando terminar sua senten�a, usar� andador

e n�o precisar� delas.

E se eu n�o transferir?

A incis�o tinha 12cm de comprimento e 5mm de profundidade.

Rompeu o esternoclidomast�ideo e a car�tida dele.

Ele foi degolado.

-O que � isto? -Que legal.

S�o galinhas.

-Que nojo. -S�o lindas.

S�o tantas, n�?

Na Cruz do Norte,

a oficina ocupacional acontece num galinheiro.

Cada uma cuidar� de uma galinha.

Seus nomes est�o nas gaiolas. Procurem as suas.

Ei, olha, Anabel.

-� a Saray? -Tere.

Saray!

Vejam. Muito ruiva pra ser a Saray.

� minha vizinha?

-Lindinha. -� minha vizinha.

Olha s�. Moram juntas.

Quando crian�a, eu queria ser agricultora.

Virou cafetina, ent�o...

-Agricultora, puta, galinha... -Que saco.

Que fedor, n�?

Fede. O que comem? Que nojo.

Ter�o de limpar as gaiolas, alimentar as galinhas, pegar os ovos.

Amanh� receber�o a escala.

Olha, Tere! Esta galinha � a sua cara. Veja!

Olhem! Tem cara de viciada!

Antonia, coloque a galinha na gaiola!

Mandei colocar na gaiola!

-Ei! -Ei.

-Voc� � t�o bruta. -Babaca.

Tranquem a porta.

-Galinhas s�o putas. -Antonia � t�o engra�ada.

Altagracia. A minha n�o se mexe.

O que foi?

-� mau agouro. -Saiam todas.

-D� azar. -Vamos.

� um mau agouro. Ela acabou de chegar.

Depressa.

Zahir e Ferreiro ficam comigo.

Falei porque vi uma galinha morta.

D� azar. Eu falei, mas n�o acreditaram.

Ningu�m acredita em ciganos. S�o coisas de ciganos.

� assim que funciona. N�o � magia negra nem bruxaria.

� uma coisa que os ciganos...

O que est� fazendo? O que � isso?

-Sou uma galinha. -Galinha n�o faz assim.

� gutural.

Bola com Aspas que toca pra Jonny.

Jonny joga atr�s pra Radoja,

e o s�rvio acabou de entrar. O mais...

O sandu�che.

-Obrigado. -A posi��o mais longa

-da segunda parte... -Qu�?

-Como est� a partida? -Muito chata.

S� no meio-campo e poucos gols.

Vamos fazer um bol�o. Topa?

Nem fodendo. Quer minhas bolas? Um pouco?

Cara. � a minha vez. Vamos l�.

N�o, fa�a sua ronda. Mudaram a escala.

� mesmo?

Tenho cada de idiota?

Ent�o, fiquem � vontade.

N�o levantem. Beleza. Conhe�o o caminho.

-Um forte abra�o. -At� logo.

Noite chata do caralho.

Sabe por que cuidam de galinhas?

Nas outras pris�es, as detentas costuram,

apertam parafusos ou pintam.

Aqui, cuidamos de galinhas.

Porque � uma tarefa ocupacional

em que se responsabilizam por outro ser vivo.

� uma reintegra��o ativa e participativa.

Essa � a vers�o oficial.

Bela merda.

Qual � a vers�o extraoficial?

Voc�s cuidam de galinhas

para n�o se esquecerem que aqui,

s�o galinhas.

Deitem.

Qu�?

Mandei se deitarem.

Pare.

Vamos deitar.

Moram em gaiolas.

Alimentamos voc�s.

Que nojo.

Limpamos suas gaiolas.

E, quando apagam as luzes...

se acomodam e dormem.

Li suas fichas...

e sei quem s�o.

Zero, um.

Quando estiverem livres, podem se arrancar os olhos,

mas enquanto estiverem aqui...

n�o permitirei vingan�as.

Se uma escorregar no banho, ou acordar esfaqueada...

vai acontecer igualzinho com a outra.

A partir de hoje, s�o g�meas id�nticas.

O que uma sentir...

a outra tamb�m sentir�.

Tudo o que uma sofrer, a outra tamb�m sofrer�.

A partir de hoje,

seus destinos est�o unidos.

Tr�s, dois.

-O que foi? -O que aconteceu?

O que � aquilo? O que foi?

-Porra, tem um cara ca�do. -O que foi?

Aten��o. Agente ferido. A caminho do acidente.

Agente ferido no bloco de celas.

-Agente ferido no bloco tr�s. -Unai?

No bloco tr�s!

Unai.

Vou matar voc�s, filhas da puta!

Vou matar todas!

Vou matar voc�s!

NO PR�XIMO EPIS�DIO

Est� com medo?

Nesta cela, eu sou Deus.

Aqui, se n�o est� com algu�m, est� fodida.

Esta noite, vou descobrir quem matou Unai.

Maca!

Legendas: Leandro Woyakoski

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