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Estás nesta casa por favor, meu bem.
Não me irrites.
Vem a casa esta noite, amor.
Eu não vou desistir, Nathan.
Achei que pudesses querer jantar hoje.
Tenho um encontro.
Ele não é novo e sabe disso.
Com a tua idade, podes fazê-lo implorar.
- Mudou-se quando para cá? - Não é por muito tempo.
O meu visto expira daqui a cinco meses.
É o nosso hétero simbólico.
- E os pais vão-se divorciar. - Claro, tens muita piada.
Tu tem-los visto?
ESTRANHOS COMO NÓS
6º EPISÓDIO
A senhora desculpe, mas reclamaram da transpiração em excesso.
- Importa-se de sair? - Fedelho atrevido...
- Sumo de laranja? - Com vodca.
Olá, mãe.
Suponho que a Marie te tenha contado. Não consegue ficar calada.
É nova?
Tenho-a há que tempos.
Vês? Podia ter-ta dado. Compro-te coisas e não usas.
E o que é que ele diz?
Ele agora é um expert.
Pelos vistos, há um formulário na câmara municipal.
Sem advogados, nem custos. Divorcias-te por 45 libras.
- Não é preciso um motivo? - Quanto é que custou?
Não sei. 80.
18?
- 80. - Por uma camisa?
- Ele deve ter dito porquê. - Deixei de o ouvir há muito tempo.
Ele pega por tudo. Por exemplo, a Marie...
Para ele, o Robert deixou-a por causa da comida e do álcool.
Ele adora uma discussão.
E tu, o que respondeste?
Ando a ver apartamentos.
Procuro um pequenino em Hale.
Mantenho-me em forma, cá me hei-de safar.
Podes mostrar-me as vistas, ser o meu guia.
Os bares de solteiros, deves conhecê-los todos.
Vá lá, não disseste nada. Como é que vai?
Aquele teu encontro. A tua nova namorada.
Menos mal.
Então ainda continuam a sair? Há quanto tempo?
- Como é que ela se chama? - Rosalie, estou com um cliente.
Desculpa.
O senhor tem vários brindes com o cartão de sócio.
Junte os pontos e pode ganhar viagens e fins-de-semana.
- Há alguns brindes na loja? - O que tem em mente, senhor?
Pensei na hipótese de pinar com um dos funcionários.
Exactamente que género de pinanço tem o senhor em mente?
Estava a pensar na foda completa.
Muito bem, senhor. É a oferta especial da semana.
Pontos de bónus.
Tê-la-á no seu carro dentro de 10 minutos.
Isto ultrapassa as minhas obrigações laborais.
E ele não o pagou. Se disser que o fez, é mentira.
É do seguro.
Espera um minuto.
Viva.
Vamos sair. É noite dos estudantes no Paradise.
Estou precisado de uma queca educativa.
Não posso. Estou ocupado.
Tu nunca estás ocupado... Ah, pois, o Cameron.
Vai-te foder! Vince, tens de vir.
Os meus pais estão loucos. Passaram-se da merda da mona!
Parece um parvo a dançar.
É giro, mas dança como...
Eu vou pô-lo na cama.
Vai para casa. Estou lá em 20 minutos.
Tens os pontos de bónus, lembras-te?
Devia ter escolhido os 50% de Nescafé.
Vince!
Vince, socorro!
Pelo amor de Deus, ajuda-me! Vão matar-me.
Têm canivetes e tudo. Não param de seguir-me.
- Vão matar-me. - Quem?
Ninguém, otário! É só uma entrada em cena.
Vê, sou eu, regressei! Estou em casa!
O Rodrigo enlouqueceu, pôs-me a correr.
Perseguiu-me por Balham com uma arma.
- E o teu emprego? - Caguei!
Puseram-me no turno de Sábado à noite.
Sábado à noite! A mim, um homossexual.
- Posso ficar em tua casa? - Sim.
Mas eu vou ficar em casa do Cameron.
Este é o Cameron. Cameron, Alexander.
Já nos conhecemos. Eu estava no funeral do Philip Delaney.
Australiano, mas que bem!
Lá em baixo, flautas aborígenes, mamíferos com bolsas.
Montes de coisas. Amo!
Podemos ir?
Não há crise, vai com este pessoal. Vejo-te amanhã.
Não se importem comigo.
Estás bem?
Até amanhã.
Virei as costas por um segundo!
Vince Tyler, aquilo é ou não é um namorado?
Não é um namorado-namorado. Estamos na boa.
É um namorado, aldrabona! Namorado com N maiúsculo.
Não é. É só um tipo, mais nada.
- A mim pareceu-me um namorado. - Pára com isso.
Muito bem, mas diz-me: quando bates uma pensas nele?
- Que é que isso tem a ver? - Pensas no Cameron?
Não.
Parabéns, ele é teu namorado.
Parece que sim.
Anima-te, pelo amor de Deus! É boa foda?
- É excelente foda. - Então pronto.
Não sei, é como... Ele não é muito de sair.
Quero dizer, sai comigo. Vai à Canal Street,
mas está um bocado de fora.
Às vezes olha para mim como se eu tivesse sido criado por lobos.
Enfim... O tempo dirá.
Deixa cá ver a lista... Não posso dizer que uso Omo.
Nem dizer "invertido", "roto" ou que o carro só "pega de empurrão".
Não penses que tens piada porque não tens!
Conversa com ele.
Eu já o fiz até à exaustão. Agora é a tua vez de conversar.
E não é falar! É conversar a sério.
Porque tens as chaves?
Estão a ficar velhos. É claro que tenho as chaves.
Cuidado com a carpete.
Ele é que a pagou, pode fazer o que lhe apetecer.
Os miúdos não vieram?
- Não, para termos sossego. - Ficaram com quem?
Sozinhos. Deixei-os a brincar num penhasco.
Ele está no jardim.
Não lhe fales no carro. O ruído na bagageira irrita-o.
Ele deitou-se?
Tinha o estômago às voltas. Vomitou o jantar.
Estava na cama antes do telejornal.
Está com bom ar.
Serve.
Como vão as coisas?
Ocupado?
Sim.
É bom.
Está ali uma forquilha.
A menos que essa fatiota seja demasiado cara para cavares.
Que pontaria!
Porra, quantas fizeram?
Foi o Bernie. Está a poupar para um carburador.
- Mãe, este é o Cameron. - Já nos vimos, na verdade.
E este é o Bernie. É o hospede.
Não é um carburador, é uma cambota.
- E este é o Nathan, o hóspede nº 2. - Não sou hóspede, sou refugiado.
Não te pires, bonzão. Vêm aí mais.
- Contabilista, com que então. - Sim.
Aqui é tudo dinheiro à vista, não te vás chibar.
Nem uma palavra.
Casa própria?
Sim.
- Carro próprio? - Sim.
- Tem dentes próprios também. - Não estejas tão certo.
O Corega é praticamente invisível. Não é, Bernard?
Sua puta de merda.
Está bem, Cameron. Serves.
Irene, o nosso Vince arranjou namorado.
Bem jeitoso!
É mas é sinal que estou a ficar velha.
Vá, as caixas não se mexem por magia!
Ela é assim com todos os teus namorados?
Quais namorados? És o primeiro.
O que bebes? Chá?
Aviso já que é do rasca, chá de saqueta.
Gostas ou não queres?
Como assim, chá de saqueta?
Como assim "como assim"? Chá de saqueta.
Uma saqueta com chá, olha!
Que bem pensado!
Fazíamos algo parecido em passeios nos bosques.
Púnhamos as folhas de chá numa placenta de coala.
Sabia bem. Com um ligeiro travo a carne.
Estás a gozar comigo.
Sim.
Tudo bem. Eu sabia.
Estás aprovado.
- Nathan, trouxeste o recibo? - Sim.
Verifica os números, senão roubam-nos.
Para que conste, eu tive vários namorados.
- Tipo, quem? - O Simon Harris, para começar.
- Não gostavas dele. - E o Darren Rlifford.
- Ele não gostava de ti. - E o Dominic Baxter.
Esse roubou-te o dinheiro todo!
Mãe, obrigado. Só estava a dizer que foram vários.
Não penses que sabes tudo de mim.
E tu, Nathan? Já tiveste namorado?
Eu só tenho 15 anos.
Por momentos, julguei-te a voz da experiência.
É óbvio que não.
Pronto, põe aqui.
Agora, eu seguro e tu tiras o vaso.
Pronto.
- Já deves saber. - Já.
Bem, mas...
... mudámos de ideias.
O nosso seguro de vida chegou ao termo no mês passado.
Mais vale usá-lo.
Dado o montante, o divórcio levaria tudo.
Entretanto, a tua mãe fez as reservas.
Paris, no mês que vem.
Certo.
Então era isso? Era apenas isso?
O jogo da semana?
- Mantém-na ocupada. - E a Marie?
Anda morta de preocupação. Tem os miúdos para cuidar e...
Está bem!
Porque é que estou surpreendido?
Tu diverte-te.
Diverte-te e faz-nos perder tempo. Tudo bem!
Estão a ficar uns lunáticos. Ali por casa, mortos de tédio!
Cristo! Não há melhor exemplo contra uma vida a dois.
Casado 33 anos qualquer um acaba assim.
Se passasses mais tempo com eles... Aprende o idioma deles, Stuart.
Os miúdos estão aí não tarda.
- Tenho coisas a fazer. - Até à vista, então.
Podias dizer-lhes que és gay. Não morrem de ataque cardíaco.
E se morrerem, herdamos a casa.
Mesmo que eu comesse uma mulher diferente por noite,
não era da conta deles.
Mas tu tens tanto orgulho. Como é que eles não se encaixam nisso?
Não podes falar de nada àqueles dois!
Quanto demoraste a dizer-lhes que o Robert ia embora?
- Já ele ia a meio da auto-estrada. - Mas acabei por contar.
Ia fazer o quê? Mentir pelo resto da vida?
Fode-te, Marie.
Vai-te foder tu.
Eu avisei-te!
Passa em casa da minha mãe e ela dá-te uma lista de compras.
- Compraste as canetas de feltro? - Sim.
Para que as quer ela?
Sabe Deus o que vai no mundo da Hazel.
No Natal prometeram-lhe enfeites, 10 pence por cada carregamento.
Correu mal e ela acabou por ficar com meia tonelada de café.
Olhem-me só aquilo.
Olá.
Eu disse olá!
Eu disse olá!
Olhem para mim, eu disse olá!
A Hazel ficou com meia tonelada de café por seis meses.
Em Agosto estava sólido. O Bernie teve de o partir.
Eles que se fodam!
Eram os pais dele.
Qual é a dela?
- Cá vamos nós, Janice. O que bebes? - Eu vou buscar.
Não, a primeira é por minha conta. É de boas-vindas.
- Quem é aquela? - A mãe dele.
Estás a gozar!
E a Marie a mostrar-se preocupada.
Lembras-te dela aos 17 anos? "Eu sei de ti."
"Vi as tuas revistas. Vou contar aos pais."
Tinha de lhe pagar, caralho! Bebes outra?
- Qual é o problema? - É uma longa história.
Tenho uma ideia, Nathan.
Pagas tu. A tua semanada é o dobro do que eu ganho.
Qual é a tua ideia?
Vim tomar um copo. É permitido, não é?
Contei à tua mãe o melhor dia da minha vida:
o meu filho assumiu-se e descobri tudo isto.
- Isto não é só para ti, Nathan. - Embaraças-me.
Estou com a Hazel. Não te incomodo.
Andas a seguir-me, é embaraçoso.
- Vamos. - Bebidas a 1 libra no Manto's.
Não faças isso.
Ela está a esforçar-se. Comprou uma saia nova.
Esta é o Grilo Falante!
Nathan, só uma bebida!
Que se fodam!
Dá-lhe tempo.
O Vince ficava embaraçado sempre que eu aparecia.
Ainda fica, algumas noites, mas é culpa do Bacardi.
Tenho a minha bebida. Vou ficar e continuar a vir.
Não desisto dele. Vou continuar a vir.
- P'ró caralho, Christian. - Ouviram?
Mandou-me p'ró caralho. O Nathan Maloney sabe falar mal.
Vá lá, conta-nos tudo. Dizem que saíste de casa.
Que foi? Problemas em casa?
- A tua mãe é puta? - Cala-te.
- Christian Hobbs, andas tão longe! - Eu comi-a.
Ela estava a pedi-las. Até com um cão ela fodia.
O Nathan fugiu?
Coitadinho, o pai não consegue pô-la de pé.
O que foi, Nathan? Ela pediu que lhe desses uma?
P'ró caralho, puto!
É a minha boleia.
Adeus!
- Vou levar-te a casa. - Óptimo. A Hazel vai fazer pizza.
Vai fazê-la ela mesma, arranjou uma receita...
Eu disse casa.
Otário.
- Vai lá. Deixa-os tentar. - Eu vou voltar para casa da Hazel.
Nathan, os teus pais sabem. Não sabes a sorte que tens.
Vai e discute. Vai e grita. Vai e... vê televisão com eles.
Não quero saber, mas entra ali.
Se eu for...
Posso ter outra foda?
Que lata...
Boa sorte.
Que caralho...?
Qual é tua, caralho?
- Merda. - É o meu pai.
Nathan, entra em casa. Ele tem 15 anos!
- Este miúdo tem 15 anos! - E depois?
O jipe só tem 6 meses e você fodeu-o.
Filho da puta!
Estou a avisar. 99... Mais um 9 e tenho aqui a polícia.
Liga, trá-los cá. Vou dizer-lhes o que fizeste a um miúdo de 15 anos.
Bem visto.
- Roy, o que estás a fazer? - O que já devia ter feito há muito tempo.
É ele, não é? Stuart Jones?
Roy, pelo amor de Deus, não sejas estúpido.
Janice, leva-o para dentro.
Leva-o já para dentro!
Levem-no para cima e fechem-no no armário.
Seu grande filho da puta.
Viste o que aconteceu ao carro?
Helen, volta para casa.
Vão para dentro da merda da casa!
O que é que o Nathan fez?
Filho da puta!
Entra em casa!
Estás a voltar? Queres mais?
Eu dou-te mais.
Dou-te a sério.
Grande filho da puta.
Roy, amorzinho: menos escândalo.
E ele: "99 e mais um 9!"
O meu pai todo vermelho, parecia ir explodir.
Se rebentasse um vaso sanguíneo no meu fato, era um homem morto.
"99 e mais um 9!"
Vou ligar à tua mãe. Alguém tem de o fazer.
Nathan Maloney, és um cabrão cheio de sorte.
Primeiro inventas um pai violento. Depois arranjas mesmo um.
- Isso é ter sorte? - É uma longa história.
"15 anos!"
Ainda são só oito da noite, Stuart. Há tempo para um encore.
Como assim?
Pegaste numa família e separaste-a. O que se segue?
Não foi culpa dele, sê justo. Ele só lá foi levá-lo.
E ele tinha saído de lá por causa de quem?
- Só fiz o que era certo. - Ele tentou ajudar.
Naquele jipe discreto para todos verem.
Que subtil.
Vá, meninas, acabou!
Cala a boca. Vamos ter porrada.
Que se lixem os pais dele. Tens uma boa história para contar.
Todos me caem em cima!
Até já vêm do outro lado do mundo para isso.
- Que é? - Stuart, onde te meteste?
Se devolvesses uma chamada...
Não acreditas no meu dia. Fui atacado!
Pois... Podes vir cá esta noite? É muito importante.
Não posso.
O jipe já era. Vejo o Alfred amanhã, sem falta.
Nenhum destes cabrões
tem o mínimo de compaixão.
Tudo por causa do Nathan e culpam-me a mim.
Fui bom, tentei ajudar. Na próxima já sei!
Stuart!
Eu vou casar.
Que história é essa, caralho?
Eu ligo para o restaurante para guardarem a mesa.
É melhor cancelar.
O meu visto está a expirar.
Se me casar e conseguirmos convencer o Ministério
de que é uma relação a sério, posso ficar.
Tão simples como isso.
A Romey é que se ofereceu, eu não pedi nada.
É só um papel, não significa nada.
Eu não disse que significava.
- Porque me caem todos em cima? - Pobrezinho!
É claro que estás preocupado, Stu. Quero dizer, há o Alfred.
O que tem ele?
É óbvio que vou ter de viver aqui a tempo inteiro.
Já me informei, o Ministério pode investigar a qualquer momento.
Por isso vou cá estar permanentemente. Não tenho escolha.
- Mas tu és o pai dele... - Quem disse que não era?
Podias ser tão presente como eu.
Se te esforçasses.
- Desculpa, estou esfomeado. - Serve-te.
Como te chamas, mesmo?
Cameron.
Deves conhecê-los há séculos, o Stuart e o Vince.
Há demasiado tempo.
É sempre assim? O Vince a correr atrás dele?
É a maior história de amor jamais contada.
Cameron, muito depois de ires à vida, ele terá o Vince.
O pequeno acólito do Stuart, pobre coitado.
Se te serve de consolo,
o Vince pode esperar a vida toda que nunca terá aquela foda.
Merda.
Tu estás com o Vince.
Pois...
Merda...
É um erro compreensível.
Stuart e Vince...
Ele ama-o, eles amam-se. São amigos.
Eu amo os meus amigos, tu não? É só isso, amizade.
Não é que eu não soubesse.
Tens queijo Cambazola no frigorífico, serve-te.
Come-o todo.
Vince... Para ti, não.
Fui ver o Frank, voltou para o hospital. Pensei em...
Vejo que estás ocupado.
É o Alfred.
É da Romey, uma amiga.
Ela está a dar uma festa e eu fiquei com ele
por causa do fumo dos cigarros e assim.
- Ela deixou o bebé contigo? - Sim.
Como é que ele está? O Frank?
Está bem.
Vamos ficar aqui ou...
Claro, desculpa.
Este sítio deve ser caro.
Eu posso pagar.
- Não é um exagero? - Não.
Suponho que nos aches malucos.
Completamente.
Não era a brincar, o divórcio.
Eu pensei nisso.
Estou só com 55 anos. Tenho uma vida pela frente.
Vocês morriam um sem o outro.
Não me parece.
Tu conheces a tua mãe...
Não é fácil.
Olha para ele, quer colo.
Vá lá, pequenino. Pronto...
A Marie tem estado ao telefone, a dar-nos nas orelhas.
Há que reconhecer, a tua irmã diz o que pensa.
Pois... E depois repete.
Nunca fizeste isto antes, pois não?
Tens de ficar atento ao pequenino a noite inteira.
Ela deixa o bebé contigo?
- É uma amiga. - Deve ser uma grande amiga.
Não é esse género de amiga.
Stuart, eu não pensei nisso um instante sequer.
Eu e a tua mãe, não admira que estejamos assim.
Parece...
... que dissemos tudo o que havia a dizer.
E no entanto, acho que não dissemos nada.
Se alguma vez...
Se alguma vez houver algo...
Como o quê?
Estou a estorvar-te. É melhor ir andando.
Tem cuidado com ele.
Se ele não adormecer, liga à tua irmã. Ela diz-te o que fazer.
Estou atrasado, vou ouvir a tua mãe. Ela detesta que eu conduza à noite.
Mas se ralha é porque se preocupa comigo.
Isso é que conta.
Vens buscá-lo de manhãzinha. Tenho de estar no tribunal às dez.
Pois é, tenho pensado nisso.
- O que vamos fazer? - Com o quê?
Com o aniversário do Vince.
Depende de eu ainda cá estar.
É o quê? Uma família?
Esta gente sempre reunida, a tua família de faz-de-conta.
E ainda tiveste um bebé para completar.
Se achas que isto é uma família, estás fodido.
É sexo. É sempre sexo, contigo.
Tudo o que tu fazes é sexo.
Porque julgas que o Vince está sempre ali?
Ele é meu amigo.
Ele está só à espera.
Está à espera há tanto tempo que julga ser feliz.
Estar contigo todos os dias da vida dele
é o mais próximo que ele vai conseguir chegar.
Próximo de quê?
Do dia em que finalmente o fodas. E não me digas que não sabias!
Eu posso ir-me embora, posso desaparecer.
Acho que ele nem dava por isso.
Mas ele vale a pena.
Ele merece uma hipótese, não merece?
Então, o que devo fazer?
Deixa-o em paz, se és alguma espécie de amigo.
Porque não existe o Vince.
Ele não existe por si só. Tu não deixas.
Eu gosto dele.
Se calhar, sou estúpido...
... mas gosto mesmo dele.
NO PRÓXIMO EPISÓDIO
Surpresa!
Oh meu Deus!
Não o vais foder nunca, para quê mantê-lo à espera?
Sobe e tira o caralho para fora!
Já vi melhor.
Tradução e Legendagem LAPORT INC.
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