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NOS ANOS 90, A INVASÃO DA IMPRENSA NO CASAMENTO REAL
ALCANÇOU UM NÍVEL SEM PRECEDENTES.
EM 1993, O PARLAMENTO CONVOCOU
OS LÍDERES DOS TABLOIDES DO REINO UNIDO.
O ASSUNTO ERA A PRIVACIDADE.
Num inexplicável...
Deixe-me continuar um segundo. Deixe-me...
- Pergunta... - Estou cá para responder.
Pergunte, vou responder-lhe.
Não, tem de me deixar terminar. Vai deixar-me terminar?
KELVIN MACKENZIE ERA EDITOR DO THE SUN, O TABLOIDE MAIS VENDIDO DO RU.
Referiu-se ao seu jornal como o jornal que defende o direito a saber,
o direito do leitor a saber.
Saber o quê?
Há algum limite?
Há algum domínio de privacidade no qual
até o The Sun e os leitores não devam intrometer-se?
Há algum direito complementar da parte do cidadão comum,
complementar ao seu direito a saber?
O seu direito à paz?
Acho que é uma questão interessante.
Acho que não é uma resposta fácil.
Quando comecei a minha vida pública,
compreendi que a imprensa podia estar interessada
no que eu fazia.
Mas não tinha noção
do quão esmagadora essa atenção se tornaria.
A imprensa e a Diana precisavam uma da outra,
alimentavam-se uma da outra.
Ela era muito boa a lidar com isso,
por vezes, até os manipulava.
Não podem usar isso sem que volte para assombrar-vos.
Era como uma barragem num rio.
Estava subitamente a rachar.
Algo que controlava imenso poder.
Simplesmente...
... explodiu.
A Grã-Bretanha tinha perdido a sua sanidade coletiva.
Ela estava a descobrir a celebridade no cargo.
Ela tentou fazer algo com isso,
tentou fazer algo de valioso.
Nas cinzas do seu casamento,
ela teve sucesso em criar-se como marca.
A princesa do povo.
É possível suportar uma situação difícil
e criar uma vida muito animada.
Quando chegou o anúncio, eu não quis acreditar.
Não conseguia aceitá-lo.
Diana, Princesa de Gales, ficou gravemente ferida.
Todos os donos e editores...
... têm sangue nas mãos.
A Princesa Di está morta.
E a quem devemos pedir satisfações?
Como é que isto pôde acontecer? Vamos a meio da história.
Muitos de nós já sabiam que o Príncipe Carlos estava
apaixonado por outra.
E sempre tinha estado.
JORNALISTA DE MODA
Gostavam muito um do outro,
o Carlos e a Camilla.
E acharam que enquanto fossem discretos...
BIÓGRAFA REAL
... podiam ir de férias juntos, ocasionalmente.
Ele encontrou uma alma gémea,
partilhavam muito mais em comum.
As suas paixões são mais parecidas.
PRIMA DE CARLOS
A Camilla gosta de ser mais privada
e não precisa de ser uma estrela num palco.
Em 1986, a Diana sabia perfeitamente
o que se passava.
Dava para ver nas imagens.
Era a outra coisa nela que era tão paralisante.
CORRESPONDENTE ABC
Dava para ver nas fotos como eles se davam.
Quando ela percebeu que era sério, deve ter sido um abalo...
BAILARINO DA ROYAL BALLET
... provavelmente muito perturbador.
A imagem pública era de uma mulher feliz a divertir-se
e a aproveitar a vida.
E havia um vácuo enorme em redor da sua vida.
AMIGO DA DIANA
Ela era muito infeliz.
Ao longo da história, não seria uma surpresa
os homens pensarem que tinham direito a ter uma amante.
HISTORIADORA
Mas não eram apenas os homens,
era geralmente aceite entre as esposas
que tinham de produzir um herdeiro e um suplente.
E depois podiam arranjar um amante.
É assim.
"QUANDO TINHA 24 ANOS APAIXONEI-ME INTENSAMENTE...
ELE FOI O MELHOR AMIGO QUE ALGUMA VEZ TINHA TIDO."
Quando a Diana decidiu procurar amor fora do casamento,
não surpreende que um dos primeiros homens tenha sido o Barry Mannakee,
que era o seu guarda-costas.
Alguém cujo trabalho era protegê-la.
EDITOR-CHEFE, PEOPLE
Ela sentia-se segura com ele.
Carlos e Diana estavam num avião privado para o Festival de Cinema de Cannes...
BIÓGRAFA REAL
... em 1987.
Antes de entrarem, o Carlos soube que o Barry Mannakee
tinha morrido num acidente de motorizada.
POLÍCIA DE DIANA É MORTO
E ele teve de dar-lhe a notícia.
Ela estava inundada em lágrimas
e a aia dela estava a tentar consolá-la.
Mas nada parecia resultar.
Ela queria alguém que a amasse.
Ela procurou ser amada incondicionalmente.
"FIQUEI FELIZ EM ABDICAR DE TUDO ISTO."
James Hewitt foi uma relação muito importante para ela.
Se não tivesse casado com o Príncipe,
o James Hewitt podia ter sido o homem com quem casaria.
Ela e o Carlos estavam tantas vezes separados
que Hewitt estava com os filhos dela
e eles aprenderam a gostar dele.
Foi transferido para a Alemanha
e esse foi o fim.
O padrão dos últimos anos da Diana
com muitos parceiros masculinos...
HISTORIADOR
... é um argumento para os que diziam que
não era propriamente culpa do Carlos.
Não estou a sugerir que fosse promíscua, pelo contrário.
Não acho que ela desejasse sexo com estes homens.
Ela desejava amor.
Ela passava tempo com as pessoas, mas não eram
pessoas para passar o resto da vida.
AMIGA DA DIANA
No fundo do seu coração,
era o Carlos.
A Diana esteve no 40º aniversário da irmã da Camilla.
A Diana usa essa ocasião para confrontar a Camilla
cara a cara, sobre o que se passava.
E disse, resumidamente,
não faças de mim idiota.
Ela não podia viver uma mentira.
Não é possível quantificar a intensidade sísmica que isso foi,
na natureza da monarquia.
Foi uma cena...
... no seu círculo próximo.
Expôs que
a Camilla e o Carlos tinham um caso.
CARLOS E DIANA: MOTIVO PARA PREOCUPAÇÃO
Até alguns editores da imprensa sabiam disso.
O MISTÉRIO ADENSA-SE
A nossa escritora Judy Wade,
foi a primeira a reparar
que esta relação não estava bem.
Disse que viu as mãos separadas...
EX-EDITOR ASSISTENTE, THE SUN
... vi o olhar dela, acho que se passa algo.
33 DIAS
Com tantos jornais concorrentes, houve sempre competição intensa.
É HÁ QUANTO TEMPO VIMOS OS REAIS JUNTOS EM PÚBLICO
E eles tinham de ter contactos dentro do palácio,
tinham de ter fontes.
EMPREGADO REVELA AGONIA SECRETA
E quantias incalculáveis de dinheiro trocavam de mãos.
SOZINHA: DIANA LEVA WILLIAM DO HOSPITAL PARA CASA
Pagam a mordomos, pagam a colegas de casa...
CORRESPONDENTE NPR
... pagam a moços de entregas. Fazem-se passar por algumas pessoas.
Acho que ficaríamos um pouco paranoicos.
Quem será o próximo a enganar-me?
Havia engano em todo o lado,
podia confiar-se em alguém?
Ela foi espiada, precisava de privacidade...
AMIGO DA DIANA
... e não tinha muita privacidade.
É um sítio vulnerável para se estar.
É como descobrir
que o quarto está sob escuta.
Ela preocupava-se que alguém estivesse a ouvir
a central telefónica do Palácio de Kensington.
Era a sua preocupação.
Começámos a usar destorcedores,
ligávamo-lo e distorcíamos a mensagem.
Muitas vezes tínhamos um minuto de conversa nos destorcedores,
em que a oposição ouvia...
Era discurso distorcido. E a linha era cortada.
Era muito sério.
Ela estava a ficar paranoica
com tudo, e com razão.
CHEF DE DIANA
Com tanta coisa à volta dela.
Ela sabia que ia haver uma explosão.
Estava a tornar-se inevitável algo ser revelado
sobre o casamento ser um desastre e assim.
Ia acontecer.
E a sua maior preocupação
era os seus dois filhos.
Como os meninos eram os herdeiros da instituição,
a instituição podia envolver-se e dizer: "A partir daqui é connosco."
Não eram apenas os filhos dela,
eram herdeiros e suplentes ao trono.
Ela podia ter sido marginalizada e...
Acho que isso teria sido um desastre.
O que ela precisava
era de avançar primeiro.
Ela precisava de fazer-se ouvir.
Ela queria contar ao mundo.
Havia uma espécie de medo nela
e o medo transformou-se em revolta
e força ao dizer ao mundo qual era o seu ponto de vista.
Ela viu o Andrew Morton, era fácil de o ver,
ele era alto e belo.
Andrew Morton já tinha escrito sobre ela,
tinha-o feito de forma bondosa e solidária
e ela apreciava isso.
Então, ela gravitou na direção dele.
Ele já estava a escrever a sua biografia. Diana disse que talvez
devesse ajudar o Morton e o livro.
Não estava preparada para confiar em mim para contar a sua história,
nem nos seus amigos, nem nos jornalistas dos tabloides.
Queria ser ela mesma a falar à nação.
Eu disse: "Não podes ser entrevistada por ele, senão ficarás vulnerável.
Pensa muito bem
no que realmente queres fazer e certifica-te de que
não danificas a organização
de que os teus filhos acabarão por fazer parte."
Era um projeto secreto da Diana.
O Carlos não sabia disto.
Foi um procedimento muito deliberado,
o Morton decidia o que queria.
Escrevia as questões.
Entregava-as ao James Colthurst.
Eu recebia as questões.
Eu aparecia, ela tirava-me as perguntas da mão e dizia:
"Será mais rápido se as ler e responder agora."
E abriu-se.
Depois eu voltava e entregava a cassete.
Acho que ela estava aliviada por ir ser ouvida pela primeira vez,
e talvez compreendida.
Quando a Princesa Diana casou com o Príncipe Carlos,
esperava-se que ela se envolvesse.
Mas não se esperava que fosse independente.
E essa é a diferença chave.
Antes do livro do Andrew Morton ser publicado,
ela começou a ficar nervosa e preocupada.
Ela sabia que o mundo estava prestes a cair-lhe em cima.
7 DE JUNHO DE 1992
O primeiro excerto do livro
aconteceu em junho de 1992.
O Carlos e a Diana passavam o fim de semana em Highgrove
e estavam a receber o designer de interiores do Carlos, Robert Kahn,
que estava sentado à mesa do pequeno-almoço,
e alguém trouxe um fax
que tinha a primeira parte deste livro,
e entregou-o ao Carlos.
E o Robert Kahn viu-o a ler isto.
E viu um olhar de alarme na cara do Carlos...
DIANA LEVADA A CINCO TENTATIVAS DE SUICÍDIO POR CARLOS
... porque isto ia aparecer no Sunday Times daquele dia.
E abalou a Família Real.
Foi completamente sem precedentes,
não se fazia isto.
Os jornais desta manhã falam no rumor que a Princesa Diana
fez cinco tentativas de suicídio.
O livro pinta uma imagem deprimente de um casal em guerra.
PRINCESA DIANA "TENTOU SUICIDAR-SE"
Disseram que a Princesa tinha colaborado e dado fotografias.
PEDE AJUDA
O Palácio de Buckingham nega que ela tenha colaborado com o autor.
As revelações foram chocantes.
A bulimia e os casos.
Por outro lado,
havia muito gente a simpatizar,
pois tornava-a real.
PARCEIRA DE CARIDADE DA DIANA
"A BULIMIA COMEÇOU NA SEMANA DO NOIVADO...
O MEU MARIDO PÔS A MÃO NA MINHA CINTURA E DISSE
'UM BOCADO GORDINHA AQUI, NÃO É?'"
Ela trouxe algo a público que nunca tinha sido falado antes.
Tirou o estigma dos distúrbios alimentares.
Foi uma mensagem incrivelmente poderosa.
Fez-nos perceber que ela tinha os mesmos problemas que todos os outros.
A HISTÓRIA VERDADEIRA
O público simpatizou muito com ela, principalmente as mulheres.
A Diana teve um impacto enorme
nas pessoas que passaram por batalhas emocionais.
9º CONDE SPENCER IRMÃO DE DIANA
Identificaram-se com ela e com o que lhe aconteceu.
"NÃO ACHEI QUE FOSSE SUFICIENTEMENTE BOA PARA A FAMÍLIA DELE,
POR ISSO DESCONTAVA EM MIM MESMA...
MAGOEI-ME A MIM EM VEZ DE VOS MAGOAR A TODOS."
Finalmente, ela estava num caminho dirigido por ela mesma.
E o feminismo trata-se disso mesmo,
encontrar o caminho interior e depois agir.
Quando as cartas começaram a amontoar-se,
ela percebeu que tinha tocado em muitas pessoas.
As cartas eram muito importantes para ela.
O tema era gratidão.
Sempre gostei muito da Diana,
pela sua sinceridade e...
... pelas coisas por que passou.
Acho que ela devia ser rainha.
Ela é uma mulher contemporânea.
E acho que todos a admiramos.
Ela estava ansiosa por tentar controlar a sua própria narrativa.
E ela viu o livro do Morton
como uma forma de o fazer.
E saiu-lhe o tiro pela culatra.
Ela era muito boa a lidar com a imprensa,
às vezes em manipular a imprensa,
mas quando fazemos da nossa vida um ativo,
não temos controlo nenhum.
Subitamente, duas conversas telefónicas clandestinamente gravadas
foram publicadas.
É muito difícil, muito complicado,
ele torna a minha vida numa verdadeira tortura.
Era véspera de fim de ano
e a Diana e o seu amante da altura, o James Gilbey,
estavam a conversar por telefone.
Não acho que fosse uma relação terrivelmente séria.
Mas o tom da conversa transmitia intimidade,
o uso de
alcunhas como "Squidgy".
Squidgy, beija-me.
Meu Deus.
Adoro.
Sem que o James Gilbey e a Diana soubessem,
aquele telefonema estava a ser gravado.
E alguém tinha uma gravação dele
que chegou aos escritórios
de um jornal tabloide.
São duas pessoas a falar sobre
estarem apaixonadas.
Uma delas, por acaso, é a Princesa de Gales.
Uma delas não é o Príncipe Carlos.
É mau,
mas vai ficar pior.
Entretanto, uma conversa telefónica entre o Carlos e a Camilla
foi ilegalmente gravada.
Não consigo começar a semana sem ti.
Eu encho o teu tanque.
Enches, sim.
O Príncipe Carlos ia tornar-se Rei de Inglaterra.
É do Rei de Inglaterra que estamos a falar.
AS GRAVAÇÕES DOS TELEFONEMAS DA DIANA E DO CARLOS
FORAM ENVIADAS PARA OS TABLOIDES ANONIMAMENTE.
OS TABLOIDES DECIDIRAM PUBLICÁ-LAS,
AFIRMANDO QUE ERAM DO INTERESSE PÚBLICO.
Qual era a necessidade
do público saber,
que interesse público, no meu ponto...?
Está a tentar explicar o que acha que é notícia.
Está, sim, a todas as pessoas...
Espere, deixe-me responder, o senhor já falou.
Kelvin Mackenzie era editor do The Sun.
E, de certa forma, era a personificação perfeita
de um editor de tabloide.
Era duro, exuberante,
o facto de poder envolver destruir as vidas das pessoas
não era problema dele.
A palavra que o descreve seria iconoclasta.
Houve muitos outros epítetos, desde então.
Creio que é hostil para com a imprensa
e não quer que as pessoas saibam a verdade
sobre a vida pública.
Mas devo dizer que os seus modos ofensivos e agressivos
não nos ajudam a ver o seu lado.
Exceto o parlamento, não conheço ninguém preocupado com a imprensa.
Mas preocupam-se com o que se passa nos altos cargos.
E querem que jornais como o The Sun os exponham.
Ambas as gravações foram terrivelmente desconfortáveis.
A publicação dessas cassetes foi
a pior quebra de protocolo da imprensa, moralidade básica e decência.
Isto ia transformar
como todos seriam tratados, todas as celebridades.
O nível de intrusão foi elaborado durante os anos da Diana.
Era como uma barragem num rio.
Era algo que controlava um poder enorme.
Começaram a aparecer excertos
na imprensa australiana.
ESCANDALOSO! EXPLÍCITO! REALEZA CHOCANTE
Uma revista australiana publicou o que alega ser
uma chamada telefónica entre o Príncipe e...
Uma revista australiana publicou o que diz ser o guião não censurado...
Sempre houve a dúvida de como foi lá parar.
Quem publicou as cassetes?
EDITORA-EXECUTIVA, VANITY FAIR
TRANSCRIÇÃO ESCALDANTE
A revista australiana New Idea não diz como obteve a cassete,
mas crê ser autêntica.
A revista é de Rupert Murdoch,
cujos jornais ingleses incluem o The Times e o The Sun.
The Sun publicou um escândalo que envolve a Diana.
THE SUN NOMEIA HOMEM NA CASSETE DA DI
O Sr. Murdoch negou conhecer a decisão de publicar.
O jornal que convidou o país a ouvir em qualquer telefone.
Ouçam a conversa e julguem.
O que é que o seu dono, ou quem o abordou...?
O Sr. Murdoch contratou-me.
Rupert Murdoch tem muito interesse
no que acontece neste país.
O Sr. Murdoch alguma vez discutiu consigo a política do jornal
em relação à monarquia e à Família Real?
A Diana era
um peão, num jogo de xadrez maior.
Era o Murdoch e o The Sun contra a Família Real.
Não se conta a história
da evolução da imprensa e do jornalismo
no mundo da língua inglesa sem nos centrarmos no Rupert Murdoch.
O Rupert Murdoch ter comprado The News of the World, em 1968,
e depois o The Sun em 1969,
foi um ponto de viragem enorme na história dos jornais britânicos.
Mais um elo na cadeia vasta de um império que se expande.
AUSTRALIANO FALA DOS PLANOS PARA O MUNDO
Como australiano, ele tinha pouco carinho pela Família Real.
Não via a necessidade deles.
Nunca seria possível abrir-se para a sociedade
até enfrentarmos este sistema de classes.
E era difícil ver como o fazer com a Família Real presente.
A FALAR EM 1989
Ele viu-os como forragem.
Forneciam uma quantidade inacreditável de material para as suas publicações.
Anteriormente, os editores
tinham decidido o que devia entrar nos seus jornais,
impondo os seus próprios valores, as suas éticas,
os seus padrões.
O Murdoch apareceu e disse:
"Não estou interessado nisso.
Só quero dar às pessoas o que elas querem.
Como vou descobrir isso?"
Em 1970, vamos pôr uma rapariga nua no jornal.
Isso é popular? É, sim. Certo.
Foi a fundação do nascimento da Miúda da Página 3.
As Miúdas da Página 3 do The Sun eram um exemplo perfeito de um jornal
que exigia ser levado a sério, de certa forma,
mas mesmo assim reduzia as mulheres aos seus corpos.
A Diana também foi reduzida à sua aparência, à sua figura.
O Rupert Murdoch decidiu
que isto era uma das grandes narrativas que iam usar,
e iam usá-la durante anos.
MAMÃ DAS BAHAMAS!
Arranjariam forma de a pôr em fato de banho?
DI AO SOL
Se vissem o rabo real, seria publicado?
ESTÁS NOVAMENTE RABOLICIOSA
A Princesa Diana era como carne fresca.
DIANA: PARA ONDE FORAM AS CURVAS?
Dar às pessoas o que elas querem, era tão simples como isso.
A VERDADE NUA... SEM CINTURA, ANCAS E RABO
Quanto mais bela se tornava, mais as pessoas gostavam
de a tentar humilhar.
DI AOS ESTALOS
UMA ESTALADA NA CARA MANTÉM-NA JOVEM, MAGRA E SENSUAL
O público britânico estava a ficar muito perturbado
pelo que a Diana estava a passar,
mas continuavam a comprar as revistas e os jornais.
Com o tempo, esqueceram-se de que era uma pessoa real
e viam-na apenas como uma comodidade.
A revolução começa aqui: MSNBC.
Houve uma explosão de canais por cabo.
Ela era como um catalisador para aquela indústria.
ESPECIAL CNN
A Princesa tagarelou aos tabloides.
A Diana tornou-se na mulher mais fascinante do mundo.
Ao mesmo tempo,
as notícias de 24 horas tornavam-se parte das nossas vidas.
O que fazemos para encher isso?
Os tabloides enlouquecem.
E revelaremos as palavras dela sobre o JFK Jr.
E chamam-se "notícias".
A instituição pode estar condenada.
Não por haver algo que seja notícia no que se passa.
É porque o público quer ler sobre isso.
Subitamente, os jornais têm competição a sério, diariamente.
Isso deixa-os mais desesperados.
A TV era agora uma ameaça verdadeira à existência deles.
Sabe que ela está de férias? Tem-na perseguido para tirar fotos.
Tem as suas compensações.
Há alguma coisa que não faria por uma foto?
Nem por isso. Não acho que haja.
Não acho que devesse haver algo que nos impedisse de tirar fotos.
Então, o melhor é fazê-lo descaradamente,
e depois, pelo menos, chateámo-los por algo no final.
O apetite global
por fotos de paparazzi tornou toda a gente num paparazzo.
Tornou-se claro para as pessoas no ginásio da Diana:
"Aqui está ela a treinar,
vou tentar conseguir uma foto e vendê-la."
Alegadamente, foram tiradas sem ela saber.
Os jornais diziam que não eram eles mas, na verdade,
os jornais britânicos eram piores do que os paparazzi estrangeiros.
FOTÓGRAFA REAL
Pagavam vastas quantias de dinheiro a estes paparazzi.
Ela deve ter-se sentido muito violada.
Apareciam-lhe de todos os ângulos.
TRAIDOR REVELA SEGREDOS DA DIANA
Uma das maiores traições foi quando o James Hewitt
vendeu a sua história.
PRINCESA APAIXONADA
Princesa Apaixonada, escrito com a colaboração do Major Hewitt,
foi publicado.
Ela estava destruída.
TRAIÇÃO DE UMA PRINCESA
Ela sentia-se cercada.
- Uma foto. - Não!
Não!
Eles gritavam para ela olhar e isso.
Mas diziam coisas piores,
para provocar algum tipo de reação que desse uma foto valiosa.
"Diana, não se sente envergonhada?"
"Diana, o que pensa agora da Camilla?"
"O que faz com ela na cama que não fez consigo?"
Todo o tipo de coisas. "Quem anda a ... agora?"
Não acho que o Rupert Murdoch
tivesse conhecimento sobre
as atividades ilícitas que se passavam.
Mas ele criou a cultura
em que ocorreu o que fizemos à Diana.
Diana!
Deixem-me em paz.
Além de ténis, também joga golfe?
Podia fazer um hole in one com este grupo.
Deixem-me em paz.
Sou editor do The Sun há 12 anos,
agora, a imprensa está no seu melhor comportamento.
Diria que se comporta melhor agora,
do que em qualquer altura de que me lembro.
Dê-me uma foto e vou embora.
Não!
As pessoas gostam do que fazemos.
Não o veem como vocês o estão a ver.
Da perspetiva dos nossos leitores, é incrível. É fantástico!
Fora!
Fora. F-O-R-A, fora.
Faça uma boa viagem.
De certas formas, a Diana serve como a negação
à ideia
de que os jornalistas aderem a um princípio mais elevado.
Ela não era uma coisa, era uma pessoa,
e trataram-na como um objeto.
Não pode haver dúvidas de que ultrapassámos a marca.
Perdemos qualquer sentido de ética.
Pensámos que estava ali alguém que tinha privilégio
e tinha sacrificado o seu direito à privacidade,
simplesmente por ter o privilégio que ela tinha.
"DESDE O PRIMEIRO DIA, SABIA QUE NÃO SERIA A PRÓXIMA RAINHA."
Palácio de Kensington, o Príncipe e a Princesa de Gales dormiram lá
mas crê-se que foi em suites separadas.
Os Príncipes começaram uma digressão de quatro dias na Coreia do Sul.
A visita é vista como um passo importante na promoção das trocas com a Grã-Bretanha.
Mas foram incapazes de evitar continuar a especulação
sobre o estado do casamento deles.
Os relatórios ouvidos incluem especulação
de que a Rainha a forçou a ir com o Príncipe à Coreia do Sul,
num esforço de salvar o casamento.
Estava claro que mal falavam um com o outro.
Não conseguiam olhar um para o outro, estava complicado.
Foi uma viagem muito fria.
E essa foi a última viagem que fizeram juntos.
Quando ficou claro que as coisas estavam mal,
a Rainha e o Príncipe Filipe
convocaram uma espécie de sessão de aconselhamento familiar,
em que se sentaram
com a Diana e o Carlos e disseram:
"Vá lá, vamos falar sobre isto.
Podemos ajudar-vos de alguma forma?"
E o Carlos disse: "O quê?
Querem que fale sobre o que sinto,
para amanhã de manhã estar na capa dos jornais?"
E olhou para a Diana.
A Diana desatou a chorar.
E estava feito.
9 DE DEZEMBRO DE 1993
É anunciado pelo Palácio de Buckingham que, com muito pesar,
o Príncipe e a Princesa de Gales decidiram separar-se.
Os Príncipes deixaram claro que não planeiam divorciar-se.
A separação foi uma surpresa e um choque para os ingleses.
HISTORIADORA
Foi anunciada por John Major, no Parlamento,
e isso mostra como o casamento real era importante.
Foi um momento importante na história inglesa.
Sua Majestade e Sua Alteza Real
esperam que as intromissões
na privacidade do Príncipe e da Princesa
possam agora parar.
Apoiado.
ACABOU.
A realidade da separação foi muito dura.
Ela estava muito infeliz.
E isso levou-a a decidir retirar-se da vida pública.
CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO, PEOPLE
Senhoras e senhores, Sua Alteza Real, a Princesa de Gales.
Durante os meses seguintes,
vou procurar uma forma mais adequada
de combinar um papel público relevante
com, espero eu, uma vida mais privada.
Num discurso emotivo, a Princesa retirou-se eficazmente
da maioria do seu trabalho público.
DI ABALADA RETIRA-SE DA RIBALTA REAL
DIANA: QUERO ESTAR SOZINHA
Ela ficou completamente farta disso.
Ela sentia que eles tinham tido o suficiente.
ELA SAIU DA EMPRESA
ELA VAI FICAR MUITO ABORRECIDA
Claro que tínhamos o evento que, a meu ver,
foi o início da detonação da bomba Diana.
29 DE JUNHO DE 1994
E isso foi o documentário feito por Jonathan Dimbleby
sobre o Príncipe de Gales.
A ideia era mostrá-lo numa perspetiva melhor.
Mas teve o efeito oposto.
Tentou ser fiel e honrar a sua esposa
quando fez o juramento do casamento?
Sim. Claro que sim.
- E foi. - Sim.
Até se ter tornado
irremediavelmente destruído.
CARLOS: TRAÍ A DIANA.
Isto fez a Princesa Diana pensar: "Tenho de voltar a ter voz."
Acho que se ela quisesse ficar quite,
era suficientemente experiente para usar a imprensa.
APRESENTADORA DE NOTÍCIAS ABC
Ela devia ir a uma galeria de arte.
Mas parou o carro a cerca de 100 metros.
E caminhou em direção das câmaras, completamente deslumbrante.
A Princesa Di usava a moda como uma arma extremamente eficaz.
As pessoas derrubavam-se para tirar fotografias.
No dia seguinte a história seria sobre Carlos e o seu adultério...
FOTÓGRAFO REAL, THE SUN
... mas a capa seria a Diana.
E foi.
ENQUANTO A NAÇÃO VÊ O DOCUMENTÁRIO REAL,
UMA PRINCESA DIANA RADIANTE E CONFIANTE FAZ UMA APARIÇÃO PÚBLICA.
Ela viu-o como uma espécie de guerra pela aceitação pública.
A VINGANÇA DE DIANA TOMA LÁ!
As pessoas não se fartavam da Princesa Diana.
Ela sabia disso e sabia como usar isso.
A Princesa saía e dizia: "Acho que hoje é um dia forte, Colin."
Conduzíamos até à frente,
virávamos à direita e não importava quem nos via.
GABINETE DE PROTEÇÃO
Sim, as fotografias seriam tiradas.
Há mulheres que genuinamente não querem estar em público.
Mas a Diana não era a Greta Garbo.
Ela disse-me para lhes dar sempre algo.
À imprensa.
Posso ter falado sobre a imprensa,
como sendo demónios a perseguir a Diana,
mas isso era apenas parte da imagem.
Ambos os lados eram cúmplices nisto.
Podíamos chamar a Princesa Diana de vítima,
mas ela não era apenas uma vítima.
Por mais que se sentisse perseguida pela imprensa,
ela também se sentia emocionalmente alimentada
e sustentada pela imprensa.
A Diana via os jornais todas as manhãs,
para ver se estava na capa.
Ela usava os jornalistas.
JORNALISTA DE GUERRA
Havia jornalistas que ela conhecia e a quem contava coisas,
e depois elas apareciam nos jornais.
Ela esperava que estivéssemos lá.
Era parte do plano dela.
Tal como ela não existia para nós sem estar nos jornais,
ela não existia para si mesma
a menos que pudesse ver a sua mais recente imagem,
refletida na página impressa.
Quem vai fotografar agora?
Ainda vamos fotografar a Diana durante uns tempos.
A imprensa é um animal selvagem.
Não se pode usar isso sem que volte para assombrar-nos.
Receio que isso tenha sido
o início de um período
que culminaria na sua morte.
Quando o casamento começou a desmoronar,
ela fez um ótimo trabalho em termos de usar a imprensa
em sua vantagem.
DIANA EM TEMPESTADE NA BBC
Ela jogava com o sistema, porque era ágil e jovem,
e normalmente estava dois passos à frente do palácio.
VINGANÇA DE CONTAR-TUDO DA DIANA
E isto foi...
... a sua arma secreta.
Foi a maior arma que ela alguma vez usou.
Ela teve de passar por muitos subterfúgios
para chegar ao programa.
Entraram câmaras em segredo no palácio.
Ela não disse a nenhum funcionário...
Di ao vivo 21h40
... até quase à véspera da transmissão.
Acho que é indicativo que ela sentia, novamente,
que não podia confiar em muita gente.
Martin Bashir tornou-se confidente da Diana,
e ela queria apresentar a sua versão.
O que ela fez, em grande.
Foi a entrevista mais brilhante,
a televisão mais fascinante, que alguma vez vi.
Foi traiçoeiro, pensei.
Não acho que muita gente queria que eu fosse rainha.
Na verdade, quando digo muita gente, refiro-me ao sistema com que casei,
porque eles decidiram
que sou uma incapaz.
VIRAM, HORRORIZADOS, ENQUANTO SE FAZIA HISTÓRIA
Quando pensamos na razão de ela fazer isto,
temos de ver as circunstâncias.
Quer estivesse certa ou errada nestas decisões,
ela sentiu-se num aperto.
Éramos três neste casamento.
Por isso, era gente a mais.
Não era preciso ver para saber o que tinha sido dito...
ÉRAMOS TRÊS NESTE CASAMENTO ERA GENTE A MAIS
... porque saiu em todos os jornais do mundo.
Eu não o podia evitar.
DIANA: O HEWITT FOI MEU AMANTE
Não conseguia acreditar.
DI DECLAROU GUERRA À FAMÍLIA DE CARLOS
A vossa relação foi mais do que uma amizade próxima?
Foi, sim.
DI TEVE UM CASO
Foi infiel?
Sim, adorava-o, estava apaixonada.
AMAVA O JAMES HEWITT
Mas fui muito desapontada.
Ela está a falar de distúrbios alimentares e depressão pós-parto,
de se sentir isolada e sozinha.
As pessoas não falavam dessas coisas, em 1995.
Mal falamos sobre isso agora.
FÚRIA DA RAINHA
A entrevista Panorama foi longe demais para a Rainha.
MANTIDA NO ESCURO PELA PRINCESA QUE CONSIDERAVA UMA FILHA
FÚRIA DO PALÁCIO POR ACORDO SECRETO DE TV
Obviamente, a Rainha estava zangada. E, obviamente, sentiu que era pessoal.
Analisando isso agora,
o que todos estavam a tentar fazer era claramente delirante.
E nesse sentido, a transmissão Panorama trouxe o delírio ao fim.
ACHO QUE CARLOS NUNCA PODERIA SER REI
Aquele foi o momento em que a Diana teve de
começar a sair da realeza.
O PALÁCIO NÃO PERDOARÁ
Hoje a Rainha enviou uma carta ao filho Príncipe Carlos...
A RAINHA EXIGE O DIVÓRCIO
... e à sua esposa afastada, Diana...
DIANA FAZ UM ACORDO
... a pedir-lhes que se divorciem, rápido.
DIVÓRCIO HOJE
QUE TRISTE EXEMPLO PARA TODOS NÓS
A RAINHA RETIRA O TÍTULO A DIANA
Alegadamente, receberá 26 milhões de dólares.
Manterá os apartamentos no Palácio de Kensington.
E continuará a ser conhecida como "Diana, Princesa de Gales".
A SUA HUMILHAÇÃO REAL
Expulsaram-na como se fossem precisar de um mergulhador para a encontrar.
PRINCESA CONCORDA COM DIVÓRCIO
Mas ninguém ia brincar assim com a Diana.
FIM DO CONTO DE FADAS
DIANA: METO O CARLOS NUM BOLSO
DIVORCIADA, ENVIA UM SINAL PARA ATERRORIZAR A FAMÍLIA REAL
A Diana usou o seu encanto e entendimento do poder da imagem...
DI DESLUMBRA CHICAGO
... e sim, este sistema enorme, em sua vantagem,
para recriar-se, das cinzas do seu casamento,
e tornar-se na princesa do povo.
Quero receber a convidada de honra,
Diana, Princesa de Gales.
DI LIVRE PARA ENCONTRAR AMOR
VITÓRIA DO DIVÓRCIO DE DIANA
A Diana sabia que aparecer ia melhorar a sua imagem pública,
ia torná-la mais popular do que já era.
DI ESTEVE MUITO BEM!
O SEU FUTURO COMEÇA DI-VÓRCIO!
Sim, estamos a descer a Gloucester Road.
A Di e os filhos.
Acho que parece o Harbor Club.
Vocês, vão para a relva, ali.
Podem ir para ali e dar-lhes algum espaço?
Tradicionalmente, se não se é de sangue real,
não se é protegido quando
deixamos o útero, por assim dizer.
E eu pensei: "Como é que ela vai sobreviver?"
Ela é agora um ex-membro da família real.
E a polícia decidiu que
ela não precisava de proteção.
Tornou-se uma guerrilha. Foi quase como uma guerra.
Lembro-me de ela ter sido vista a ir a uma livraria.
Ela tinha conseguido despistar todos.
Mas um fotógrafo tinha-a visto.
Este fotógrafo ficou lá, literalmente...
E nós pensamos:
ele deve perceber que
aquilo é horrível de se fazer.
Mesmo na cara dela, mesmo perto.
Era o que as pessoas queriam.
Estavam fartas das fotos falsas,
todas produzidas e belas.
Queriam ver a realidade.
Queriam vê-los nas suas atividades diárias.
Era assim que íamos ver as celebridades
no futuro.
Sinto que, de certa forma, somos todos cúmplices,
porque se ninguém comprasse essas revistas,
ou ninguém abrisse essas fotos, eles não as vendiam, mas nós compramos.
Todos o fazemos.
Eu estava farta daquilo.
E entendo que ela também.
Eu estava farta daquilo.
E pensei que já não queria este trabalho.
Não é bom. Não é agradável.
Uma das minhas colegas com quem eu viajava sempre,
estava sempre a dizer: "O que tens?
Porque não vens? Vais perder as minas terrestres.
Vais perder... Quem vai a Angola."
E eu disse: "Não vou. Não quero ir."
E naquele momento, senti um grande alívio por me afastar.
Se senti isso, como acham que ela se sentiu?
Odiaria ter estado na posição dela.
Tudo o que ela fazia
era seguido e documentado.
E ela nunca estava fora da ribalta.
Mas também vi a forma como ela a usou.
MÃOS CURATIVAS
O que se passa, François, é que tenho o interesse da imprensa.
Sim.
Vamos levá-los onde possam ser positivos e documentar uma situação,
que seja angustiante como esta. Sim?
Fui lá a pensar que não seria uma viagem séria.
E, na verdade, a viagem foi muito diferente.
Devido ao que faço, estava habituada a ver coisas assim.
Mas, mesmo assim, foi chocante.
Ela perdeu a criança?
Ela podia cheirar numa sala e sentir quem estava a sofrer mais,
quem estava mais deprimido ou suicida. Quem estava mais ferido...
PARCEIRO DE CARIDADE DE DIANA
E ela atraía aquelas pessoas para si, como um íman.
Os amigos não a ajudam?
Não a ajudam, pelo que sei.
Quem trabalhou com a Princesa, em 1997,
teve o privilégio de a ver no seu melhor.
Isto é ela a mandar, a pegar no seu poder
e a usá-lo.
Ela fez a caminhada famosa pelo campo de minas.
Estávamos todos a pensar se ela o ia fazer mesmo.
E ela estava a caminhar por um caminho.
Mas havia minas nos dois lados.
E, no final,
alguns jornalistas, a brincar,
estavam a dizer-lhe que não tinham fotos boas,
para ela repetir.
E ela repetiu.
Pensei que é enervante caminhar num campo de minas.
Então, fazê-lo uma segunda vez...
Mas ela sabia o que aquelas fotos significariam.
Algumas pessoas não gostaram.
Houve críticas por parte de alguns ministros do governo.
Um ministro disse que a senhora era um perigo à solta
por apoiar esta campanha.
Quer comentar?
Só estou a tentar abordar um problema que se passa
em todo o mundo, é só isso.
Estou quase a desfazer-me em lágrimas.
Não se preocupe com isso.
Quem sou... Quem disse que sou um perigo?
SÓ ESTOU A TENTAR AJUDAR
Ela queria chamar a atenção,
não havia muito que o governo pudesse fazer.
Ela tinha muito mais atenção do que qualquer ministro na Grã-Bretanha.
DIANA, A DESAFIADORA
Tive o privilégio de trabalhar com líderes em todo o mundo.
Num vi esta luz carismática
a sair energicamente de alguém.
E, na verdade, a mudar as coisas.
Quando fomos negociar a proibição de minas terrestres,
a imprensa estava lá,
e ajudou-nos a garantir que o tratado incluía provisões para as vítimas.
Foi o 1º tratado de controlo de armas com provisões humanitárias.
Por causa da Princesa de Gales.
A MINHA CRUZADA DAS MINAS TERRESTRES, POR DIANA
E, dessa forma, ela pressagiou, até certo ponto,
pessoas como o George Clooney, a Angelina Jolie,
talvez até o Bono,
a mostrar como se podia usar a celebridade
e, desde que se soubesse onde estavam as câmaras, como atrair a atenção,
e do que se falava,
podia fazer-se o bem.
MISSÃO DE MISERICÓRDIA
Ela não se tornou famosa porque não havia do que falar.
Ela continuou a ser famosa porque ela era a Diana.
Agora ela era livre.
Agora, quem é o próximo?
E essa é uma história ótima.
"Quem ficará com a Diana?"
Antes era: "Quem ficará com o Carlos?"
ALGUMA VEZ DESCOBRIRÁ O MARIDO NÚMERO 2
Era muito difícil para a Diana namorar.
E, uma vez, ela disse-me: "Lana, quem me quereria?"
Onde quer que fosse, eles seguiam-na,
o que quer que ela fizesse, era muito difícil para ela.
A Diana apaixonou-se por um cirurgião paquistanês chamado Hasnat Khan.
E eles tiveram um romance,
que foi muito discreto.
E ela sentia
que ele a compreendia.
REI DE COPAS DA DI PRINCESA DIZ: CIRURGIÃO É INSPIRAÇÃO
Ela admirava o seu trabalho humanitário,
ela desejava ser alguém como o Hasnat Khan, que salvava vidas.
"RAINHA DE COPAS" E CIRURGIÃO CARDÍACO
VISITAS AO HOSPITAL À MEIA-NOITE
Encontrar um parceiro que pudesse lidar com a Diana...
... AGORA SABEMOS PORQUÊ
... e tudo o que isso envolvia,
era uma empreitada
incrivelmente complicada,
e ela estava apaixonada pelo Dr. Khan.
Ele não gostava nada da ribalta.
DIANA E EU DOUTOR ATRAENTE
Isso não o atraía
e, por isso, a relação não funcionou.
DI DEVASTADA APÓS MÉDICO, COM QUEM ESPERAVA CASAR, A DEIXAR
Foi devastador para ela.
HASNAT PARTIU O CORAÇÃO DELA
Quando Dodi Fayed surgiu na sua vida,
ela encontrou alguém que gostava da ribalta
e não se importava de lidar com isso.
GLAMOROSO, APAIXONADO, SEDENTO DE ATENÇÃO
Também encontrou alguém com meios financeiros para cuidar dela.
FEITOS UM PARA O OUTRO
Metê-la em aviões privados e contratar a segurança necessária.
E comprar-lhe alguma privacidade.
De muitas formas, ela provavelmente viu-o
como o seu Aristotle Onassis.
Achei, principalmente no último ano,
que ela era uma mulher muito entusiasmante.
Mais relaxada e mais...
... sem o véu por cima dela.
Estava feliz em seguir com a vida.
Acho que ela cresceu.
Achei que foi ótimo ver alguém florescer.
Ela traçou um plano
de como o futuro ia ser para ela, na vida.
Não acho que a relação com Dodi fosse séria.
Acho que ela também estava a divertir-se muito.
Mas ela precisava da proteção.
Os Fayeds eram capazes de fazer avançar a situação
e de cuidar dela, com a sua própria segurança.
Mas acho que não poderiam estar preparados para a enormidade do interesse
na Princesa Diana e no filho deles.
UM HOMEM PARA DI
O que me chamou a atenção neles
foi terem uma relação de seis semanas
que começou em meados de julho, de 1997.
E só em inícios de agosto
é que a imprensa descobriu
que o Dodi e a Diana tinham um romance.
E depois perseguiram-nos.
Estavam sempre em cima deles, tiravam todo o tipo de fotos deles,
a passar tempo juntos, em vários iates Fayed.
Estavam em alta-perseguição, sete dias por semana,
porque era uma relação exótica.
O BEIJO
DODI VIAJA PARA COMPRAR ANEL DE NOIVADO A DIANA
Os caçadores também vinham de fora. Tornou-se num frenesim
e isso foi uma pena.
Mas houve alturas em que as pessoas disseram
que, no iate, ela parecia provocá-los.
Estiveram no Sul de França, na última semana de agosto.
Por capricho, decidiram
ir passar a noite a Paris.
Os filhos da Diana, William e Harry, ainda estavam em Balmoral.
Por isso, ela ia voltar para uma casa vazia.
Então, porque não?
Ligou para o escritório, falou comigo e disse:
"Eu voltar é desperdiçar tempo."
Eu disse: "Sem problema, minha senhora,
fico a postos, até quando for preciso."
Naquela noite, a 30 de agosto,
em que o Dodi arranjou um plano para despistar os paparazzi,
os paparazzi foram mais espertos do que o Dodi,
e estavam à espera atrás do Ritz.
Não se pode proteger alguém o tempo todo.
Não se pode.
Nunca se sabe quando eles vão aparecer.
Agentes de proteção próxima são uma coisa,
mas paparazzi em motas muito rápidas são outra coisa.
Era meia-noite e meia.
E recebo uma chamada a dizer que a Diana tinha tido um acidente.
A perguntar se podia apanhar o primeiro avião da manhã.
O telefone tocou e a minha esposa atendeu.
Era uma da manhã.
Era um dos polícias de Balmoral a telefonar.
Disse para pedir ao Colin para se levantar,
para se sentar na cama e me ouvir.
Ele disse: "Colin, a tua patroa está ferida,
ela teve um acidente rodoviário."
E eu disse: "Muito obrigado, pode dizer-me quais são os ferimentos?"
Ele disse: "Acho que um braço, uma perna e outros cortes e contusões."
Se lermos o caso, foi o que aconteceu. Achavam que ela estava ferida.
Este é um relatório especial da ABC News.
Boa noite, sou o Kevin Newman. Houve um acidente terrível,
envolvendo a Diana, Princesa de Gales, em Paris.
O próximo telefonema foi do secretário privado: "Anda para cá."
Diz-se que está nos cuidados intensivos...
Estavam a chegar relatórios confusos.
O Dodi estava muito ferido.
A Diana estava numa máquina de suporte de vida, ou assim.
Não sabemos precisamente a condição dela.
Recebemos relatórios a dizer que tem uma concussão.
Algures após a meia-noite, hora local,
estiveram envolvidos em algum tipo de colisão.
Não sabemos com o quê ou... mas sabemos qual foi a consequência.
O carro capotou, ficou virado ao contrário.
A especulação cresce sobre serem notícias sinistras.
Cerca de uma hora depois, o escritório ligou e disse:
"Fretámos um avião em Heathrow, vai já para lá."
E literalmente deixei a minha mulher em casa, peguei nas câmaras...
Acho que eram três horas, três e meia,
o Michael Gibbons estava à nossa frente e disse:
"Ela morreu,"
assim.
Ela morreu.
Como assim, morreu?
Este tipo na televisão, atrás de si,
diz-nos que ela está ferida.
Diana, Princesa de Gales, ficou gravemente ferida num acidente, em Paris.
Estou preocupado com a falta...
com a falta de notícias
ou falta de uma declaração.
Perguntamo-nos se nos estão a dizer a verdade toda.
Stephen, tenho de interromper,
porque nos últimos momentos
a Press Association na Grã-Bretanha, citando fontes britânicas anónimas,
informou que a Diana, Princesa de Gales, morreu.
Isto ainda não foi confirmado por nenhuma fonte oficial.
A primeira coisa que ele disse: "Certo, Colin,
vais a Paris e representas-me?"
E a minha esposa, generosamente, conseguiu arranjar
dois lugares no primeiro avião.
Que estava cheio de imprensa, completamente cheio.
O agente da Princesa de Gales que estava a viajar para Paris
teve de sentar-se num assento da tripulação, à frente.
Estava a abarrotar.
Ao aterrar em Paris, o escritório ligou e disseram que ela tinha morrido.
Quatro e meia, lembro-me de aterrar no Aeroporto em Le Bourget.
O telefone tocou e havia mais membros da imprensa no avião.
Eu disse: "A Diana morreu."
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
Entrei no hospital e estava...
... caótico, mesmo.
Estavam lá muitas pessoas.
Percorri o corredor até ao quarto em que a Princesa estava.
Ela estava numa cama,
com lençóis normais,
coberta até aqui.
Uma janela enorme à esquerda.
E pude ver, muito rapidamente, que estavam pessoas no telhado,
a uma grande distância.
E podiam ainda não ter localizado o quarto em que estávamos.
Entretanto, estava a discutir pôr lençóis nas janelas,
o que fizemos.
Para a imprensa não ver.
Eu vivia na África do Sul, na altura, e os meus quatro filhos viviam comigo.
Eram muito novos.
Eu disse-lhes: "Lamento, a tia Diana morreu."
A Eliza, lembro-me de olhar para mim com o seu sorriso e dizer:
"Mas não na vida real, papá."
Ela achava que era uma história terrível que devia ser um conto, ou assim.
E isso foi
muito triste, sim.
O Príncipe veio ter comigo e disse:
"Colin, obrigado por teres vindo e pelo que fizeste.
Vais voltar no avião."
E sempre me lembrarei...
... da Lady Sarah McCorquodale,
a dizer: "Acho que teremos um funeral privado sossegado, Colin."
Não sei se já estiveram numa rua com tanta gente que não se podem mexer,
mas quando saímos do aeroporto e virámos à esquerda,
que é a A40 para Londres,
não havia carros,
havia pessoas,
pessoas em cima de pessoas, o caminho todo.
Provavelmente eram seis a oito quilómetros.
Fiquei tão chocado que voltei para a cama,
e voltei a ficar em estado de coma. Não consegui lidar com aquilo.
Voltei para a cama, entorpecido.
Eu estava grávida de seis meses, da minha filha.
Senti que o meu coração tinha sido arrancado.
Uma descrença de que algo tão horrível lhe pudesse acontecer.
Foi um choque, literalmente, foi um choque.
Uma perda muito triste.
É uma tragédia.
Vamos sentir muito a falta dela. Nem sequer percebemos, até ter acontecido.
Como é que isto pode acontecer, estamos a meio da história?
Era alguém que tinha sido arrancada no auge da sua vida,
quando pensámos que ela ia para um lugar mais feliz.
Ela era a mulher mais famosa do mundo e foi assassinada aos 36 anos,
num acidente de carro, perseguida por uma horda de paparazzi, num túnel,
com um motorista bêbado ao volante.
E ia sem cinto.
O que poderia ter feito, pensamos sempre,
meu Deus, quem me dera ter podido protegê-la...
Foi devastador.
Só lhe deram meia vida.
A PRINCESA ESTÁ MORTA
Acho que estávamos todos juntos de luto.
A natureza trágica da implosão daquele conto de fadas.
O presidente russo, Boris Yeltsin,
disse que a Princesa Diana era conhecida e amada pelos russos.
Fiquei muito impressionado com ela.
Deixem-me repetir,
eu e a Hillary estamos muito tristes com o acidente horrível,
que tirou a vida à Princesa Diana.
Não é altura para recriminação, mas para tristeza.
No entanto, diria que sempre acreditei que a imprensa acabaria por matá-la.
Mas nem eu podia imaginar que teriam influência direta na morte dela,
como parece ser o caso.
Fiquei furioso, não fiquei só zangado.
Fotografei o caixão a sair
e entrei num táxi para voltar ao hotel, para processar o filme.
O táxi não me levava. Disse: "É um assassino."
PAPARAZZI ASSASSINOS
Nesta altura, já se sabia que os paparazzi perseguiam o carro,
e todos pensaram que foi esse o motivo para ela ter morrido.
Pensei que tinha dito: "É assim que isto acaba."
Esta história terrível
de manipulação e crueldade nojenta.
Fez um sentido terrível, teria sempre de ser assim.
Algo de terrível aconteceria devido a esta
fome absoluta e interminável
por mais da Diana.
Foram vocês que a mataram.
Foram vocês, imprensa, que a mataram.
Vocês são o lixo.
Ela está morta por vossa causa, dos fotógrafos.
Horrível.
Porque é que os paparazzi os perseguiam? Se não houvesse dinheiro nas fotos,
não estariam a persegui-la no túnel.
O que aconteceu em França foi imperdoável.
E terrivelmente triste.
Tiraram-lhe a vida.
Desculpem.
Culpo o jornal The Sun e os da sua laia.
Mataram a Diana.
DIANA MORTA
Como ela foi perseguida no túnel por fotógrafos, nós, na imprensa,
tivemos um sentido absoluto de responsabilidade pela morte dela.
O DIA QUE NUNCA ESQUECEREMOS
Foi um momento de introspeção.
Sem dúvida. Ainda é.
DIANA MORTA
PRINCESA E DODI MORTOS EM ACIDENTE
Estou em Hyde Park, com milhões de pessoas.
Sim, a culpa é um pouco nossa, pois compramos os vossos jornais, então...
Mas é uma tragédia.
DIANA, PRINCESA DE GALES
NASCEU: 1 DE JULHO DE 1961 MORREU: 31 DE AGOSTO DE 1997
Olá, obrigado por terem vindo.
A Princesa Di morreu.
E a quem devemos pedir justificações?
O motorista do carro? Os paparazzi?
Ou as revistas e os jornais que compram estas fotografias
e tornam os fotógrafos em caçadores de prémios?
ONDA DE REPUGNÂNCIA EM RELAÇÃO A TÉCNICAS DE TABLOIDE
Quando há um choque, queremos culpar alguém.
E os jornais estavam aterrorizados.
É HOMICÍDIO?
ESQUADRÃO DO TERROR DETÉM 7 PAPARAZZI PARA INTERROGATÓRIO
Acredito que houve uma pressão calculada
dos jornais tabloides para redirecionar a fúria pública
para longe deles e em direção à monarquia.
EDITORES DE TABLOIDE BARRADOS DA ABADIA
A principal atitude era que não éramos nós, a culpa não era nossa,
o motorista estava bêbado e a culpa era toda dele.
Perceberam rapidamente que é sempre melhor atacar do que defender,
em termos da forma como os jornais se organizam.
O SEU POVO ESTÁ A SOFRER FALE CONNOSCO, MINHA SENHORA
Foram os primeiros a destacar que a Rainha tinha sido lenta
a reagir numa forma que acharam ser apropriada.
O DEVER REAL, USAR UMA CARA CORAJOSA
Acho que houve um elemento de...
... da imprensa divergir a atenção sobre si, de forma deliberada.
PODE CULPAR-SE O PRÍNCIPE CARLOS?
Mas o comportamento da Família Real
não ajudou.
Acho que a nossa Rainha devia estar em Londres, com o povo.
É a nação dela
e eles deviam saber como o povo se sente em relação a Diana.
E um dia, dois dias, três dias,
passaram-se dias e não houve uma palavra da Família Real.
Foi surpreendente.
Acho que a trataram de forma terrível. Um autêntico choque.
São as pessoas mais frias do mundo.
O mundo queria que a Rainha e a Família Real
viesse para Londres.
Havia uma sensação estranha de que...
... a Rainha podia agir como algum tipo de bálsamo...
O VOSSO POVO FALOU, AGORA DEVE FALAR, MINHA SENHORA
... a mãe consoladora, que se ela estivesse em Londres,
todos se sentiriam melhor.
PORQUE É QUE A FAMÍLIA REAL NÃO PODE MOSTRAR A SUA DOR?
Muitas pessoas esperaram esta semana
com uma enorme antecipação para que a Família Real se envolvesse,
e a Rainha voltou ontem.
Esta família que estava em luto e em choque,
foi obrigada a dar um espetáculo em público,
para salvar-se.
4 DE SETEMBRO DE 1997
Esta semana, em Balmoral, temos tentado ajudar o William e o Harry
a aceitar a perda devastadora
que eles e nós sofremos.
Quando o ouvimos, percebemos subitamente
que esta mulher não é apenas uma Rainha.
Ela é a avó daqueles rapazes.
Estavam preocupados com pessoas a gritar, a falar mal.
E, na verdade, aconteceu o oposto.
A criança ofereceu flores.
Aquele é um dos minutos em que a humanidade se torna verdadeira.
Porque não foi ensaiado
e ela pensou genuinamente...
Desculpem, estou a ficar comovido.
... que as flores estavam a ser-lhe dadas,
para as pousar para a Diana.
Ela perguntou: "Devo...
Queres que ponha as flores à Diana?"
E a menina disse: "Não, são para si."
E...
... acho que...
Acho que é o momento, tal como podem ver...
... pela minha reação...
Foi o momento em que tudo mudou.
Estar aqui, na Abadia de Westminster, é uma experiência extraordinária.
Atrás de mim estão milhares de pessoas.
Começaram a chegar ontem e algumas até no dia anterior.
Acho que, como família, queríamos reclamá-la e dar-lhe paz.
Então... Esperávamos um funeral pequeno aqui, para começar.
Mas depois tornou-se claro que isso não era apropriado, porque
as pessoas tinham o direito de se despedirem.
Lembro-me de as pessoas programarem os despertadores para a verem casar.
A morte dela foi
não apenas um evento enorme, como o casamento tinha sido,
foi... uma grande tragédia.
As pessoas tocavam-me, agarravam-se a mim...
Porque a conhecia e lhe tinha tocado pessoalmente.
Achavam que teriam um pouco dela, tocando em mim.
Foi assim poderoso.
O centro de Londres era como um cemitério. Não havia trânsito, nada.
Tirando as pessoas que iam para o funeral. Não havia nada.
Era como se tivesse havido uma explosão nuclear.
O que, de certa forma, tinha havido.
Mesmo em frente ao Palácio de Buckingham, a Rainha baixa a cabeça.
MAMÃ
No funeral dela, senti que tinha o dever de lembrar
as pessoas que ela teve de aturar muito lixo dos jornais.
E elas não gostaram de o ouvir,
mas tinham de o ouvir.
Acho que ela nunca compreendeu porque é que as suas boas intenções
eram ridicularizadas pela imprensa.
Porque parecia haver uma luta permanente para a destruir.
É desconcertante.
É um ponto para recordar,
que entre todas as ironias sobre a Diana,
talvez esta tenha sido a maior.
Uma rapariga com o nome da deusa antiga da caça,
foi, no final,
a pessoa mais caçada da era moderna.
A coisa que mais me impressionou,
e que nunca esquecerei,
foi quando o Spencer discursou sobre a Diana,
que foi incrivelmente certeiro,
sem se alongar nem exagerar.
Só factos.
E, subitamente... Vou desatar a chorar.
Acima de tudo, agradecemos a vida de uma mulher.
Tenho muito orgulho em poder chamá-la de irmã.
A única,
a complexa,
a extraordinária e insubstituível, Diana,
cuja beleza, tanto interna como externa,
nunca desaparecerá das nossas mentes.
Podia ouvir-se um alfinete a cair, enquanto ele falava.
Depois, o que ouvi...
... foi a chuva ou as flores do outono no chão.
Tal como agora sabemos, foi um aplauso a começar nos parques e nas ruas.
E apesar daquele aplauso se aproximar cada vez mais,
e literalmente começou no topo final da abadia,
e atravessou a congregação.
Noventa e nove por cento das pessoas lá, incluindo os filhos, aplaudiram.
E foi o momento mais fantástico, foi mesmo,
aquele som é algo que nunca esquecerei.
De longe, a parte mais difícil do dia não foi discursar,
mas foi caminhar atrás do caixão da minha irmã, com os filhos dela.
Particularmente, naqueles dias, o Harry era pequenino
e eu estava muito preocupado.
Que trauma que é uma criança caminhar atrás do corpo da mãe.
É horrível.
E pensei, meu Deus, espero que consigam ultrapassar isto.
E fiquei espantado por se terem portado tão bem. Foi mesmo incrível.
Ela foi uma vítima das circunstâncias.
Mas a história da Diana não é sobre vitimização.
É sobre redenção.
A Diana foi pioneira em termos de ensinar a usar o seu perfil
para tornar o mundo num lugar melhor.
E, assim, espero que compreendam porque quis fazer a minha parte
para trabalhar na direção de uma proibição mundial destas armas.
No Diana Award, referimo-nos a ela como uma perturbadora positiva.
Ela perturbou sistemas de forma positiva.
Ela fez-nos pensar fora da caixa.
Quando a Princesa Diana morreu, perdemos muito mais que um ícone da moda.
Perdemos uma lutadora incansável
pelos desfavorecidos,
pelos fracos, pelas pessoas que não tinham voz.
E a morte dela deixou um buraco enorme na sociedade.
ADEUS, DIANA
Penso nos pais
que nesta noite estão de volta de uma cama de hospital.
Os dois príncipes estão muito melhor equipados como resultado do que ela
era e de como ela era,
do que estariam se tivessem um rato como mãe.
Este verão marca os 20 anos desde a morte da nossa mãe.
Desde ajudar a destruir o estigma da SIDA,
a lutar para banir as minas terrestres e apoiar os sem-abrigo,
ela tocou as vidas de milhões.
Nunca saberemos o que a nossa mãe continuaria a fazer,
mas, de certa forma, eu e o Harry
sentimos que a nossa mãe vive nos atos incontáveis
de compaixão e coragem
que ela inspira nos outros.
Acho que a Diana sabia que estava a criar um futuro rei.
Mas acho que o que ela queria fazer
era ter, antes de um rei,
uma pessoa baseada em amor, afeto
e no mundo real.
E esse é o seu principal legado.
O que perdemos com a morte da Princesa Diana foi uma mulher bela,
uma princesa bela, que era uma mãe maravilhosa.
Quem sabe o que a vida dela a levaria a fazer?
Mas ela deixou dois filhos extraordinários
e um legado incrível,
que vai viver para sempre.
E adoro ver a forma descomplicada
com que lidam com as pessoas e as deixam confortáveis.
É tão fácil ligar os pontos entre eles e a mãe deles.
Algures no mundo, agora, um pai faz a pior das escolhas:
arriscar cultivar um campo minado ou deixar a sua família passar fome.
Isso não é nenhuma escolha.
Ela foi a maior estrela e depois a estrela apagou-se.
E agora, quando olhamos para o William e o Henry,
vemo-los com uma sensação nova.
Eles não eram apenas a Família Real,
eram meninos que perderam a mãe.
E acho que isso nunca mudou.
O que é fantástico para mim é que a passagem do tempo,
agora o William e a Catherine
têm quase a idade que a Diana tinha quando morreu.
Uma das grandes tragédias, claro,
é que a Diana teria sido a melhor avó de sempre.
Estás a gostar?
Adoro o facto de ainda existir muita veneração na sua família,
pelo que ela era e o que significava, e acho isso fantástico.
PRINCESA KATE SEGUIR OS PASSOS DE DIANA
Aquele brilho que a Princesa Diana trouxe à monarquia
ainda lá está hoje.
Como feminista, acredito que o legado da Diana
para as mulheres, e para o mundo em geral,
é ela ter-se tornado
na escritora da sua própria história.
Que tenha começado como...
... uma folha ao vento,
sem direção, a fazer o que se esperava dela.
E depois, simplesmente, tenha sido um reator,
reagindo a coisas sem visão clara de quem era,
do que queria fazer ou ser.
E através de uma jornada pessoal longa e dolorosa,
que a levou a alguns sítios escuros,
ela tenha chegado ao outro lado e se tenha tornado numa mulher
confiante, direcionada, controlada,
que tinha agência, autonomia e autoridade.
Essas três coisas que todas as mulheres modernas precisam e ela conseguiu ter.
Nunca poderá haver outra Diana.
Ela representou um momento no tempo em que o mundo mudou.
Ela foi um novo tipo de realeza.
Se todos fizermos a nossa parte
para que os nossos filhos se sintam valorizados,
o resultado será tremendo.
Sair e fazer aquelas coisas todas contra as probabilidades,
tornou-a num centro de poder que nunca será esquecido.
Por quanto as vende?
Essa vai por 3,40 euros.
- Só isso? - Sim.
Vamos ter princesas, celebridades, realeza,
mas nunca haverá ninguém como ela.
Quantas vezes faz o exame para ver se o tumor está a encolher?
Ela é única.
Ela é uma das mulheres mais importantes do século XX.
Um dos motivos para querer falar agora
é porque, após 20 anos,
uma pessoa passa de pessoa contemporânea a histórica.
E a Diana merece um lugar na história.
É importante que as pessoas com menos de 35 anos,
que, provavelmente, não se lembram dela,
saibam que foi uma pessoa especial, e não só bonita.
FILHOS DE DIANA COMO A SUA MORTE OS MOLDOU
Legendas: Ana Braga
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