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"RAPSÓDIA"
O SUL DA FRANÇA
Lembrou minha filha de que nossos convidados estão para chegar?
Ela já está descendo para vê-lo.
- Para me ver? - Foi o que ela disse.
Quer pôr isso no carro?
Aviso para onde deve mandar minhas malas depois.
- Sim, senhora. - Chegou, Louise.
Desculpe, pai, tenho de sair.
- Estou vendo. - Vou para Zurique.
Zurique?
Estudar piano no Conservatório.
Sério?
Isso parece determinado e com altos propósitos...
mas desde que o som da técnica musical...
pode levar uma década ou duas para se desenvolver...
não pode esperar para depois do nosso almoço?
- Seu almoço, pai. - É minha anfitriã.
Puramente decorativa. Não precisa de mim.
Claro que não preciso.
Relações baseadas em necessidade são cansativas.
Vamos nos valorizar, respeitar, gostar um do outro...
e deixemos a necessidade aos necessitados.
Não falou em amor. Onde o amor entra?
Em Zurique, eu presumo.
A propósito, quem é o moço?
Discuti sua habilidade musical desde seus 10 anos.
Não vai enfrentar a disciplina do Conservatório.
Tinha medo de que tivesse de conhecê-lo.
Tinha medo?
Ia estragar tudo. Não iria gostar dele.
Nunca ouvi falar dele.
Por isso mesmo não gostaria dele.
Ele não é ninguém. Tocava violino no Cassino...
para terminar seu último ano em Zurique.
Onde o sentaria hoje, pai? Ao lado de Matisse?
Rubinstein, ou da Srta. Hepburn?
Mostre sua opinião sem desarrumar a mesa.
Estou errada?
Se acha que o glamour da luta sempre me fascinou, está certa.
Admiro a orquídea, não o lixo em que cresce.
Posso me dar ao luxo de aproveitar o melhor...
do produto final.
Por que perder meu tempo com outra coisa?
E você, também?
Um dia, Paul será o melhor. É muito talentoso.
Há milhares de talentosos que nunca dão em nada.
Eu não me importaria que fosse um afinador de piano.
Eu o amo e vou me casar com ele. E não tente me impedir.
Eu já a impedi de fazer alguma coisa?
Não, infelizmente.
Seus convidados estão chegando.
Vou lhe avisar onde estarei hospedada.
Estragaria se eu perguntasse o nome dele?
Paul Bronte.
Lamento ter de ficar magoado com ele.
Mostra bom gosto ao escolhê-la...
mas acaba com isso, arrastando-a ao casamento.
Ele não me arrastou para nada. Nem sabe que vamos nos casar.
Ainda.
- O que foi? - Eu devia ter virado.
Esta é a estrada para Saint Moritz.
Já esteve lá? Meu pai vai todo ano.
Em dezembro a neve bate em sua janela.
Pode pegá-la e lavar o rosto com ela.
Deve estar linda agora.
Não, é Mendelsson.
- Não precisa gostar dele. - De Mendelsson?
- Não, do meu pai. - Nem o conheço.
Eu sei. É o que ele diz.
O que não impede que não goste de você.
Por que gostaria de mim?
No lugar dele, eu brigaria, antes de deixá-la viajar...
com um salafrário como eu.
- Ele não liga para o que eu faço. - Então, é um tolo.
Você liga para o que eu faço?
Foi uma má idéia deixar você vir junto.
- Preciso trabalhar. - Pode trabalhar.
Vou estudar também.
Pequena Lulu, tudo é um jogo. Não é?
Não é justo. Sei que tem de trabalhar, mas...
por que Zurique? Estudou tanto tempo lá.
Por que não em outro lugar, como Paris?
Há um professor em Zurique.
Há muitos bons professores em Paris.
Não como o Prof. Schuman.
Por ele que toquei no verão no Cassino...
competindo com bêbados, crupiês e roletas.
Nunca estive em Paris com alguém que amo.
Não seria maravilhoso? Não pensar...
só provar, sentir...
Convenceu-me, Lulu. Você vai para Paris.
Encontro-a lá em dois anos.
- Não brinque. - Não estou brincando.
Volte ao carro, vamos para Zurique.
Ouça, não haverá nada lá, mas o Conservatório, música...
- e trabalho duro. - Você estará lá.
Está certo.
APARTAMENTO MOBILIADO ALUGA-SE
- Que quarto claro adorável! - Posso pôr cortinas.
Não, está bem.
Tinha um quarto pequeno no sótão. Estou interessado.
Lamento. Aluguei-o há meia hora.
Não há outras vagas?
Lulu, parece que vai ficar sozinha.
Com licença. Frau Sigerist, tem as chaves do meu quarto?
Claro.
- Tem também a da porta da rua? - De todas as portas.
Trago suas chaves mais tarde.
Acaba de alugar o quarto do sótão?
Poderia...
- Posso? - Obrigada.
Sou Paul Bronte. Esta é a Srta. Louise Durant.
- James Guest. - Como vai?
- É do exército de ocupação? - Fui um soldado.
Sou pianista.
Primeiro ano? Há uma regra no Conservatório.
Os mais antigos, este é meu último ano...
têm direito antecipado a todos os quartos.
Lamento, mas pode retirar suas coisas sem grandes problemas.
- Não? - Não, mas valeu a tentativa.
- Permita-me. - Obrigada, ponha ali.
Ouça, quero competir pelo quarto, luto com você.
Vai perder, fui um soldado.
- Se precisar de ajuda, grite. - Vou gritar.
Há um grande segredo para o sucesso por aqui, sabia?
- Fique longe das garotas. - Prefiro ser um fracasso...
como você.
Parece que não vou ficar completamente sozinha.
- Eu devia ter lutado com ele. - Não é do tipo soldado.
- Tenho de achar um quarto. - Não muito longe.
- Não estamos no carro. - Está tentando me assustar?
Não sou muito bonzinho, fique sabendo.
- Vou me arriscar. - Estou preocupado.
Vai ficar com frio, com fome, solitária?
Sinto-me responsável. Não gosto disto.
Farei com que goste.
Já quis algo em sua vida que não pôde ter?
- Algumas coisas. - E o que aconteceu?
Eu as consegui.
Preciso achar um quarto.
Jantamos no Seyfert"s na esquina.
- Eu a encontro lá às 19h30. - 19h30.
Olhe!
Com licença.
- Procura alguém? - O Sr. Bronte.
Paul Bronte?
- Conhece-o? - Claro.
Devia saber que ele a veria antes.
Sente em nossa mesa até ele chegar.
- Bem, eu... - Por favor.
Certo.
Meu nome é Mike Dove, viola. Conheça já o pior de mim.
Conheçam uma velha amiga, que não me disse o nome.
Louise Durant.
- Madeleine, Yvonne, Krafft. - Como vão?
Por minha sorte, ela está esperando Paul.
- É namorada do Paul? - Yvonne é francesa.
Naturalmente.
- É instrumentalista, ou voz? - Instrumentalista.
Ela toca no coração dos homens como uma fada.
Só no meu tempo livre.
- Vai estudar aqui? - Claro.
Ela é uma diletante, como algumas pessoas aqui.
Mas cuidado, a mãe dela dá as melhores festas de Zurique.
Eu não tenho paciência com gente que perde tempo.
Eu digo: "Fique em casa, fiquem belas, tenham filhos...
mas não atrapalhem".
Que instrumento toca?
Ele está aprendendo a tocar o caixa.
Você e suas piadas de mau gosto.
Sou um violoncelista secundário...
mas posso ser um gerente de concerto de primeira...
- como meu tio. - Edmund Striller.
Ouvi falar dele.
Sr. Bronte! Como vai, meu garoto!
Paul, meu amor, sentiu saudades de mim?
- Duvida? - Bronte!
Dove, seu patife!
Kraffty, como vai? Yvonne, Madeleine.
Olá, Paul?
Como foram os musicais no navio?
Ainda não consigo tocar sem sentir enjôo.
Não devia falar com você.
Consegui com meu tio que ele tocasse...
como primeiro violino no quarteto de cordas...
e ele vai tocar no Cassino.
Nada de quartetos para mim, quando tocar em concertos...
será solo.
- Vejo que conheceram Lulu. - Todos foram gentis comigo.
Especialmente Dove, com certeza. Fora!
Cassinos, música de dança. Toda a sua técnica arrasada...
- aposto. - Aposta?
Quanto? Um jantar com champanhe?
- Está certo. - Certo.
Há um violinista na casa?
Para você.
Bravo!
- Olá, Paul. - Olá, Madeleine.
CONSERVATÓRIO DE ZURIQUE
Quer que entre com você?
- Olá, querido. - Olá, Effie.
- Vem à festa no domingo? - Talvez.
- Traga seu violino. - Não saímos mais juntos.
Bem, então mande o violino.
- Quer que entre com você? - Vou ficar mais nervosa.
Faça seu melhor e não se preocupe.
De um modo ou de outro.
Como vai? Sou Louise Durant.
Oh, sim.
Chegou cedo. Precisa esperar.
Perdão, mas quem está tocando o piano?
É um aluno novo, fazendo seu exame de entrada.
- Não, está tudo errado. - O tempo?
Sua interpretação. Chopin é lírico e romântico.
Está confundindo esta qualidade...
tornando-o insuportavelmente romântico.
- Desculpe. - Precisa de, não sei...
equilíbrio, centro de gravidade, sem isso...
- Pickard! - O quê?
Ele que deve lidar com você. Aonde vai?
- Achava que fui rejeitado. - Rejeitado?
Do que está falando? Tem um ótimo talento.
Ia perder tempo criticando-o, se não o tivesse?
- Obrigado, senhor. - Não me agradeça.
Eu não crio o talento, apenas o reconheço.
O Prof. Pickard é um de nossos melhores professores.
E eu vou ouvi-lo duas vezes por mês.
- Obrigado. - Talento é apenas a centelha.
Precisa de muito abano para tornar-se chama.
Não temo o trabalho.
Quanto tempo pretende ficar conosco?
Depende de quanto tempo o meu dinheiro vai...
Entendo.
Há umas bolsas de estudo. Veremos, depois.
Estou contente que esteja conosco.
Eu também. Obrigado.
- Consegui. - Que bom!
Ele vai me ouvir duas vezes por mês.
Parabéns.
- Srta. Durant. - É a próxima?
Calma. Não tem com o que se preocupar.
Como sabe? Ouviu-me tocar?
Vai se sair bem.
Que tal um café depois? Eu a espero.
Não, obrigada, tenho um compromisso.
Talvez na próxima. Boa sorte.
Obrigada.
- Como vai, Prof. Schuman? - Como vai, Srta. Durant?
- Estudei piano oito anos. - Isso não é necessário.
Toque algo, por favor.
- Não é muito bom, é? - Não.
Quero estudar aqui. Pago o dobro.
Algumas vezes, aceitamos menos dinheiro, nunca mais.
Por que uma garota bonita quer sentar na banqueta...
durante 8 a 9 horas? Faz mal para a forma.
Estou apaixonada por um músico. Ele é violinista.
Não podia se apaixonar por um homem de negócios?
Não aconteceu. Isso importa?
Um grande violinista pode ser um marido regular...
e um grande marido pode ser um violinista regular.
- Não pode ser ambos? - Pode.
Mas seria bigamia ele amar sua música tanto quanto sua mulher.
A menos que ela a ame também. Ama?
Não, mas posso aprender a amar, ou ao menos, entender.
Por isso quero estudar aqui. Para ser parte disto.
Preciso de sua ajuda, professor.
Vários professores dão aulas depois do horário.
- Falarei com um deles. - Obrigada.
Espero não tê-la assustado.
Pode haver alegria em amar um músico.
Eu ainda o amaria, se não tocasse mais em toda a vida.
- Mas ele estaria feliz? - Acho que sim.
Então, não tem com o que se preocupar.
E vejo que ele também não.
- Boa sorte. - Obrigada.
E então?
- Paul Bronte! - Como vai, professor?
Entre um pouco, estou livre agora.
Como se saiu, Lulu?
O Prof. Schuman é muito gentil, vai dar um jeito.
Ótimo. Eu disse para ela não se preocupar.
- Entre, entre. - Espere-me, sim?
Estou encantado em vê-lo e por ter decidido voltar.
- Nunca houve dúvidas. - Teve um bom verão?
Não tão mau, se gosta das valsas de Strauss.
O dinheiro é bom, e se tem planos de ter uma vida familiar...
Só tenho um plano. O que tinha no começo.
- Tem certeza? - Mais que nunca.
Ótimo, então vamos ao trabalho.
- Agora? - Sim.
Está certo.
Decidi que vai tocar Tchaikovsky com a Filarmônica.
- Não está satisfeito? - Que honra!
- Só espero que... - Esperança não leva a nada.
Trabalhar é a coisa. Trabalho e horas ao violino.
É uma partitura marcada: Minhas marcas.
O modo que eu tocaria, se pudesse.
- Vamos tentar? - Estou pronto.
Três acordes, antes de você entrar.
Tempo, Paul, tempo.
Louise! Louise!
Vou tocar Tchaikovsky com a Filarmônica!
Em uma hora, por favor. Não quero perder meu trem.
Bom, obrigada.
Que idéia é essa? Aonde vai?
- Vou embora daqui. - Por quê?
Certo, está brava, eu a fiz esperar.
- Fez? - Desculpe.
Perdi a noção do tempo.
Lulu, me desculpe. Não fique em silêncio!
Jogue algo em mim! Grite!
Não tenho razão de gritar.
Eu me atrapalho uma tarde, e você vai embora.
Não é você, eu fracassei.
Que bobagem! Disse que Schuman ia arrumar...
Não foi isso que eu disse! Eu vim para ficar com você.
- Nada mudou isso. - Esta tarde mudou isso.
De repente eu me vi. Semanas, meses...
sentada em ante-salas como um móvel.
Sabia que eu tinha de trabalhar.
Sim! Mas não assim!
Vivendo, respirando, comendo música.
Sem falar, nem pensar em outra coisa.
Não posso viver assim.
Talvez meu único talento seja amar alguém.
- É um lindo talento! - Não.
Pare de falar como uma tola. Pare de falar.
Não, Paul, eu não posso ligar, quando você quer...
e desligar quando não quer.
Tem de me largar, enquanto eu posso.
Está certo, vá. É tão livre quanto eu.
O que quer que eu faça? Diga que eu faço.
Quero que precise de mim, tanto quanto preciso de você.
Eu preciso de você. Eu a amo.
Vou prová-lo. Mas fique.
Diga que ficará.
Quer assinar aqui, por favor?
- Muito obrigada. - Obrigado.
Que acha do meu novo piano?
Bacana?
O som é tão bom quanto a aparência?
Espero que sim. Não posso devolver.
Se não fosse tão bonita, eu ficaria com ciúmes.
- O que está tocando? - Uma velha música folclórica.
Acho que é um reflexo. Foi minha primeira peça.
- "See How l"m Jumping". - O quê?
- É o nome dela. - Não sabia que tinha um nome.
Eu toco uma mão.
Tinha uma babá, tocávamos juntas.
Veja como estou pulando Pulando, pulando
Veja como estou rolando Como uma bola
Você não sabia que Eu pulava tão rápido
Você não sabia que Eu pulava tão alto
Veja como estou pulando Pulando, pulando
Quando estou cansada Eu caio
Tucker. Era o nome da babá. A de quem eu gostava.
Odiava meu primeiro professor de piano.
Ele batia nas minhas articulações.
Eu pensava: "Um dia vou sentar numa plataforma de concerto...
e eu vou fazê-lo sentar na última fila da galeria".
Pobre Dick. Morreu há quatro anos.
Isso bateu nas minhas articulações de novo.
Querido. Sentia que era você.
É um anjo por ter ligado. Senti sua falta.
Sentiu minha falta? Foi uma resposta curta.
Bem, entro nos detalhes mais tarde.
Pessoalmente.
Certo. Termino em 15 min.
Venha logo. Tchau.
Deixaram um telegrama para você. Está naquela mesa.
SE ESTÁ ENTEDIAD A D A MÚSICA, VENHA A ST. MORITZ.
AMOR, PAI.
É melhor eu não gastar o piano.
Vai à casa dos Cahill no domingo à noite?
No "open house" dos Cahill?
- Talvez pudéssemos... - Desculpe, mas estarei fora.
Vou ver meu pai em St. Moritz.
Por que não usa o piano enquanto eu estiver fora?
- Acho que não. - Não seja tolo.
Está parado aí. Você o amacia para mim.
Peço à Frau Sigerist que dê as chaves para você.
Então, não posso brigar. Divirta-se.
Vou me divertir.
A Srta. Durant acaba de chegar, está na suíte dela.
Obrigado.
- Louise! - Olá, pai.
Minha querida.
Estou muito contente em vê-la.
Sua educação musical não parece lhe fazer mal.
- Eu gosto. - Agora que acabou...
Pai, gostaria que conhecesse Paul Bronte.
Sim, Sr. Bronte. Como vai?
Como vai, senhor?
Achei que deviam se conhecer.
Espero que não se importe com a surpresa.
Parei de me importar com suas surpresas há tempos.
Vou preparar-nos um drinque. Ainda Bourbon, minha querida?
- Com gelo. - E o Sr. Bronte?
O que bebem os jovens músicos?
Geralmente mascamos o gelo.
- E em ocasiões especiais? - Qualquer coisa cara.
Arrumou um quarto para o Sr. Bronte?
- Sim, falei com o gerente. - Obrigado.
Temos de voltar amanhã à noite.
Paul tem seu primeiro ensaio com a orquestra...
- na segunda. - Ensaio?
Serei o solista da Filarmônica de Zurique no mês que vem.
- Parte do currículo. - Última parte.
Vai tocar o Concerto de Tchaikovsky. Por que não vai?
Já ouvi o Concerto de Tchaikovsky.
Sim?
Com licença, o quarto do Sr. Bronte está pronto.
Acho que vou me trocar.
Trouxe seu violino. Poderia nos dar uma amostra?
Receio que não. Só toco por prazer ou por dinheiro.
E um homem com seu talento para procurar ambos...
vai entender, com certeza.
- Vamos tomar um café antes? - Ao meio-dia.
- Bem, o que achou? - É importante?
Não, mas estou curiosa.
É vaidoso, tem língua afiada e um charme arrogante.
Uma combinação só perdoável, com um talento espetacular.
Está aborrecido, não?
Porque ele não ficou paralisado como os outros.
Porque foi páreo para você.
Eu perguntaria se ele é páreo para você?
Acho que sim.
Ou mais pertinentemente, você é páreo para ele?
Como assim?
Se tem ilusões de se casar com ele, arrume um beija-flor.
- Está enganado. - Estou?
Ele me ama.
Não o tipo de amor que você exige.
Você necessita que precisem de você.
E o Sr. Bronte não precisa de ninguém.
Exceto a si mesmo, claro.
- Não está se descrevendo? - Pode ser.
Talvez por isso eu o ache tão aborrecido...
e você o ache tão atraente. Aceite, minha querida...
há pessoas que não podem ser possuídas.
Quer apostar, pai?
- Quem é? - O garçom, senhor.
Entre!
Bom dia.
- Bom dia, Sr. Bronte. - Abra, por favor.
O que foi? São 8h30!
O sol nasceu às 5h00.
Obrigada.
Dormiu bem?
- Mas não o suficiente. - Coitadinho.
- O que está fazendo? - Champanhe e suco de laranja.
Minha mistura favorita.
Não é um modo maravilhoso de começar uma manhã?
Você é um modo maravilhoso de começar uma manhã.
- Está vestida para quê? - Vamos esquiar.
Você vai esquiar, eu vou estudar.
Está uma manhã gloriosa. Estude mais tarde.
Eu não devia ter vindo.
Que tolice. Tem estudado demais.
É exatamente do que precisa. Vamos.
- Não sou bom de esqui. - É tão fácil!
E não tenho roupas.
Se andar logo, dá para tomar um café da manhã rápido.
Estou descendo, amor.
Um drinque para o pianista.
Mãe, só estou me aquecendo.
Tive o maior trabalho em fazer meu tio se interessar.
Está óbvio agora porque perdeu um mês no Cassino.
Quando ele tem o primeiro ensaio com a orquestra?
Amanhã de manhã.
Que direito ele tem de passar o fim de semana em St. Moritz?
- Quem está em St. Moritz? - Paul com a garota.
- É sorte se ele voltar. - Isso não é verdade.
Não é? Eu os vi partir.
Devia saber, eles saem debaixo do seu nariz.
Ela não passa de uma...
Peça desculpas por isso, ou acabo com você.
- Calma, Guest. - Peço desculpas.
Vai estragar a festa.
Desculpe.
Você voltou?
Não é meio tarde para?
Desculpe. Estava pensando em você.
- É tão linda. - É melhor que vá embora.
Estou muito cansada.
Por favor. Importa-se?
Pode me dar a chave?
Obrigado pelo uso do corredor.
Ele é bonito.
Não, Sr. Bronte, tem de tocar isso no seu tempo restrito.
Siga meu toque. De novo, senhores, de...
quatro compassos, antes da letra F...
O que quer dizer com: "Siga meu toque"?
Nesta passagem não há desculpas para tais liberdades.
Tem de ficar com a orquestra. Siga-me.
Quando a linha melódica estiver com a orquestra, vou seguí-lo...
quando estiver comigo, o senhor que me segue.
Não é uma questão de linha melódica, mas...
de manter o solista e a orquestra juntos.
- Isso é uma interpretação. - Engana-se!
Não, senhor!
Pode interpretar, quando dominar a tradição.
Está entre profissionais.
Como ousa questionar as instruções do maestro?
A passagem diz: "molto sostenuto il tempo".
Veio despreparado!
Conheço este concerto, tão bem quanto qualquer um.
Sinto-o, quando o toco.
Se quer um violinista tradicional, tem milhares!
Senhores, vamos continuar.
- Paul! - Não seja tolo, Paul!
- Para onde vai? - Quem se importa?
Eu.
Como ele ousa dizer isso para mim?
- Meu bem! - "Entre profissionais."
Tenho de lamber os sapatos dele e dizer: "Sim, senhor".
"Claro, por certo."
Não precisa fazer nada. Pode fazer o que quiser...
ir para onde quiser.
Claro.
Todos os lugares com que sonhamos.
Só tem um lugar com que sonhei. Onde eu estava.
E fui chutado.
- Paul, meu querido. - Não me console.
Eu sei o que fiz. Sei tão bem quanto Schuman.
Fiz o que qualquer músico de segunda faria: Fracassei.
- Não é verdade. - Você deve saber.
Onde eu estive todas essas semanas, meses?
- Quando devia estar trabalhando? - Mas estava trabalhando.
Com metade da cabeça.
Estaria melhor se não tivesse ido para lá nesta manhã.
Já recuperou o controle?
Desculpe, Prof. Schuman, o senhor estava certo...
eu estava despreparado. Mas sou melhor que isso.
Sabe disto.
Cada estudante aqui espera levar algo raro...
ao mundo da música.
Poucos conseguem, pois não sabem se disciplinar.
Não há grande arte sem disciplina.
Nem disciplina, sem sacrifício.
Pode nos dar licença?
- Há outro ensaio na quarta. - Obrigado.
Não quero que agradeça, mas que me justifique frente ao maestro.
E principalmente, em três semanas, justifique-se.
Farei isso. Obrigado.
- Ele me deu outra chance. - Eu sabia.
Não tinha de se preocupar.
Tenho três semanas antes do concerto.
Três pequenas e preciosas semanas e vou estudar 18 horas por dia.
- Enquanto os dedos aguentarem. - É claro.
Vou ajudar de todos os modos que puder.
Só tem um modo de me ajudar agora.
Como?
Ficando longe de mim até depois do concerto.
- Ficar longe? - Sim, Lulu.
De certo modo, é quase um elogio.
- Se é o que precisa. - É assim que se fala.
Acaba rápido.
E depois?
O depois está a cem mil notas de distância.
- Paul? - Sim?
Não podemos nos encontrar só no jantar?
- Conversar? - Ligue para mim.
- Quer dizer ao telefone? - Todo dia. Às 20h00.
Meu bem, senti tanto a sua falta, essas duas últimas semanas...
Nunca adiam um concerto, não é?
Vai ser na semana que vem.
Não sei. Tenho tido pesadelos...
onde vivem adiando-o. Cada vez para mais longe...
e eu vou envelhecendo.
Está certo.
Passa por aqui? A caminho do concerto?
Entendo.
Não, tem de ficar com Schuman, se precisar.
Vou aos bastidores quando acabar.
Certo. Amanhã às 20h00. Boa noite, amor.
SOLISTA PAUL BRONTE, VIOLINO
Contrate-o para uma turnê. Quero ser o empresário.
Tio, prometeu que se eu achasse um novo talento...
eu me beneficiaria.
Vamos aos bastidores.
Quero minha porcentagem.
Foi maravilhoso.
- Sinto muito. - Eu também.
Nunca mais toque, senão eu morro.
- Eu o vejo lá fora. - Está certo.
Jovem, preciso lhe falar. É melhor irmos para o camarim.
- Paul! - Espere.
É uma decisão muito sábia.
Boa noite, Paul. Vejo-o em Roma.
Boa noite, Sr. Striller. Vejo-o mais tarde, Kraffty.
Obrigado, de novo, professor.
E lembre-se, trabalho e mais trabalho. Quero notícias.
Que tal, Lulu? Que tal? Começou.
Trabalhei tanto e esperei tanto...
que não pode ser rápido demais!
Nem grande demais! Nem rico demais!
Vou comprar esta roupa e tirar uma foto com ela.
- Já fez seus planos? - Claro!
O Sr. Striller me consegue três apresentações no mês que vem.
E em duas semanas, toco em Roma. Pense!
Um palco como este em Roma.
E os aplausos repentinos que o assustam.
Foi para isso. Todos os anos, este é o pagamento.
Claro, tem o dinheiro, os hotéis, todos os bons tratos...
mas este é o departamento de Krafft...
Lulu, não está comigo.
Não sorriu, nem me beijou...
nem me disse como estive bem.
Todo mundo fez isso. Não basta?
O que foi?
Parece que está ofendida com o que eu fiz.
Está ofendida com meu sucesso. Não pode dividi-lo comigo?
Eu quero, Paul. Espero que me deixe.
Desculpe, é que essas três semanas foram duras para mim.
Achava que ia odiar este lugar e todos nele.
Vou ficar contente, quando partirmos.
Roma é um lugar tão maravilhoso.
O vinho, os sinos, as igrejas.
É uma cidade adorável para você se casar.
O que foi, Paul? Eu disse algo errado?
Não, é que não haverá tempo para nada disso em Roma.
Tenho todo um programa para preparar.
Tenho de trabalhar como um cão!
Na verdade, Krafft disse que...
Eu acho melhor que venha mais tarde.
Depois que eu pegar o jeito.
Como um seguidor de acampamentos?
Não fique nervosa!
Por isso fiquei sentada três semanas naquele quarto...
sem vê-lo, sem perturbá-lo?
Sabia como aquelas semanas eram importantes para mim.
Sim e eu as dei para você, mas agora acabou!
Não acabou, está só começando. Isso vai ser a minha vida.
Música, concertos, programações, estudos.
E onde eu entro nela, ou Krafft não lhe disse?
Ele não tem nada a ver com isso. Eu sei do que preciso.
Achava que precisasse de mim.
Se me ama, sabe que preciso ficar livre por um tempo...
para trabalhar, para me achar! Não posso ser possuído, sufocado!
Não vou deixar que você faça isso comigo.
A maior noite da minha vida, e está tentando roubá-la de mim!
Vai ter muitas grandes noites: Roma, Paris, Londres...
todas as grandes capitais da Europa, com Krafft do seu lado.
Sim, ao menos ele não odeia o meu trabalho.
Não, ele o ama.
Mas nunca perca o seu violino...
senão será o homem mais solitário do mundo!
Sr. Guest! Sr. Guest!
- Sim, o que foi? - Rápido, por favor!
- O que foi? - Não sei, ouvi uma coisa.
Um barulho estranho. A porta está trancada.
- Tem certeza de que ela está aí? - Sim, por favor!
O médico já vai vir.
Ela é uma garota forte. Está bem.
Frau Sigerist, o telegrama que recebi:
"Sua filha precisa do senhor", foi assinado pelo Sr. Guest.
É o vizinho de cima. Um bom amigo de sua filha.
E o Sr. Bronte?
Ele foi para Roma, para tocar num recital.
Entendo.
Eu lhe disse que o senhor está aqui, Sr. Durant.
Obrigado, doutor.
Quando ela poderá viajar?
- Não gostaria de precipitar nada. - Nem eu, doutor.
Como vai, querida?
O médico disse que vai estar boa logo.
Acho que Frau Sigerist está desapontada.
Contava em mimar você por uns tempos.
Por que não fala?
Estava certo. Ele não me queria de verdade.
Ele queria... Não está contente consigo mesmo?
É o que pensa de mim? Que gosto de vê-la ferida?
Acabou. Vai esquecê-lo. Pode até aprender com isso.
Não vou esquecer, mas aprendi.
Não cometerei o mesmo erro de novo.
Você e Paul me ensinaram: Seja a amada, não quem ama.
Gostaria que eu ficasse, até que se sinta melhor?
Não esqueça de si mesmo.
Estranho, tantos anos e ainda não nos comunicamos.
Seriam as minhas palavras ou os seus ouvidos?
O médico disse que logo estará bem.
Por que não vem comigo a Paris?
Promete ser uma temporada estimulante.
- Desculpe, eu não... - Tudo bem, Jim.
Meu pai estava saindo. Este é o Sr. Guest.
- Como vai? - Que bom que veio.
Frau Sigerist disse que deve beber isto.
Sem discussões. Sou maior que você, mesmo quando está de pé.
Deixe-me arrumar isso. Levante um pouco.
É um enfermeiro mais persuasivo que Frau Sigerist.
Por isso que ela me mandou.
Vou indo. Até logo, Sr. Guest.
- Já vai? - Sim, eu preciso.
Está em boas mãos. "Au revoir."
Até logo.
Certo, tome tudo.
- Não era tão ruim assim. - Nada é tão ruim quanto parece.
- Isso tem uma moral? - Não, eu não...
Não se preocupe. Não faço isso de novo.
Tem um momento entre...
que tem um desejo desesperado de partir.
Não parece que vale a pena morrer por nada...
nem por ninguém.
Obrigada por arrombar a minha porta.
Quando quiser, garota.
Eu consegui! Eu consegui!
- Que sorte! - Entre, vamos comemorar!
- Não, obrigado. - Comemorar o quê?
Consegui a bolsa de estudos. Schuman acaba de me dizer.
Que bom!
- Quem está tocando? - Paul Bronte.
Sua estréia em Roma.
- Vamos beber à sua boa sorte. - Não, obrigado. Tenho de ir.
- James? - Sim?
- Como ela está? - Bem, bem.
- Para onde vai? - Para Paris.
Paris? Quando você?
O médico passou e me deu alta.
Achou que eu ficaria aqui para sempre?
Não pode ir. Não deixo.
Não seja tolo, James.
Não pode se despedir e ir embora.
- Por que não? - Você sabe.
Não depois destes últimos dias.
Sabe o que sinto por você. Até me fez pensar que...
Não posso evitar o que pensou. Foi gentil, fiquei agradecida.
- Não basta? - Está mentindo.
Por que mentiria?
- Consegui uma bolsa hoje. - Parabéns.
Sabe o que isso quer dizer? Se der duro um ano, posso tocar...
Sim, eu sei. Tocar com a Sociedade Filarmônica.
Engraçado. Enquanto Schuman falava, eu pensava em você.
Como ficaria, quando contasse. Que diria, se pedisse para ficar.
Ficar aqui? Não vejo a hora de ir embora.
Espero nunca mais ver este lugar.
- Srta. Durant? - Sim?
- O recibo. - Obrigada.
- E o piano. - Piano?
Já decidiu o que fazer com ele?
- Sim, vou dá-lo ao Sr. Guest. - Não, obrigado.
Gostaria que ficasse com ele.
Mande-me uma gravata. Isso cobre tudo.
Avisa-me depois. Chamo os homens para levar as malas?
Num minuto.
Não devia ser tão sensível.
Aceite o piano. Faça bom uso dele.
Um dia, se quiser, pode jogá-lo em mim.
Não fique desesperado. Vai superar isso.
Nós superamos tudo.
É mesmo?
Você superou?
Era o que ele queria, em vez de você.
Mas não sou Paul. Preciso de você. Eu a amo.
- Desligue! - Não. Ouça-o.
- E vou fazer com que o esqueça. - Não! Só vai se machucar.
Eu me arrisco. Não me machuco tão fácil.
Diga que não vai me deixar. Fique comigo.
AMSTERD AM PAUL BRONTE - VIOLINISTA
VIENA SOLISTA PAUL BRONTE
SOCIED ADE MUSICAL NÁPOLES PAUL BRONTE
ORQUESTRA SINFÔNICA DE LISBOA
MADRID PAUL BRONTE
SOCIED ADE MUSICAL DE BUENOS AIRES
SOCIED ADE MUSICAL DE PARIS
PAUL BRONTE VIOLINISTA
Tem o jornal de Londres?
"Musical Courier" por favor.
Sr. Bronte. Como vai?
- Está com ótima aparência. - Obrigado.
E indo bem, como os jornais sempre me relembram.
Tive dificuldade em conseguir entrada para o seu concerto.
Seu interesse é lisonjeiro.
Deve ser porque não vou tocar o Concerto de Tchaikovsky.
- Fui desagradável? - Não.
Mas é um privilégio que agora merece.
- Vai ficar muito tempo? - Não. Só uns dias.
Devo ir andando.
Lulu...
é Paul.
- Sim, eu sei. - Como vai?
- Estou bem. - Estou embaixo.
Gostaria de vê-la. É possível?
- Está aí? - Sim, eu...
Posso subir agora?
Sim, me dê 15 min. Não, 10 min.
Certo, vou tomar um drinque no bar.
- Guest, como vai, soldado? - Tudo bem.
Bronte!
Se não é o homem em pessoa? Sente-se!
Só uns minutos. Preciso ver uma pessoa.
O que é isso? Tome um drinque pelos velhos tempos.
- Dê um drinque ao meu amigo. - Tenho um no bar.
Traga-o para cá e um outro duplo.
- Duplo, Sr. Guest? - Foi o que eu disse. Duplo.
Ora, ora, ora.
Se ficar no bar do Ritz, acaba encontrando todo mundo.
Todo mundo que é alguém.
Não me venha com essa. Você é grande.
- Como tem passado? - Muito bem.
Está de férias ou estudando com alguém?
Estou estudando com o professor aqui. Temos dias puxados, não?
E ele nunca bate nas minhas juntas.
- Não toca mais? - Só para adormecer.
Não tenho um único objetivo, como você.
E não durmo numa cama de pregos.
Mas todo aquele estudo. Em Zurique, você...
Zurique?
Aquilo era coisa de criança. Pense bem.
16 horas num piano. A troco do quê?
Deixe lhe pagar algo. Qualquer coisa.
- Não, obrigado. - Algo caro.
Um Corona, ou um conhaque Napoleon. Eu assino tudo.
Assino Durant, e eles trazem o caviar, ou prefere?
- Durant? - Não sabia?
É um bom nome. Devia ser o primeiro a saber.
Louise e eu...
Devíamos ter lhe mandado um convite especial.
- Quando isso? - Duas semanas depois que partiu.
Casamos a caminho de Paris. Numa pequena prefeitura.
Numa cidadezinha chamada Wachfola.
É justo, não?
Tem tudo o que quer. E eu, tudo o que não quis.
- Meio a meio. - Tenho de ir agora.
- Bebe e foge? - Adeus, Guest.
Você conseguiu. Foi um desafio.
Temos de repetir uma hora destas.
- Não! Eu assino tudo. - Adeus, Guest.
Sempre achei que quando o visse...
lhe daria um murro.
Até superei isso.
Minha mulher estava certa. Você supera tudo.
- Ele foi para lá. - O que lhe disse?
Contei a história da minha vida. Beba comigo que conto para você.
Professor, tenho outra convidada. A Sra. Guest.
Dê-lhe um Bourbon com gelo e mais um para mim.
Ele não vai beber mais hoje. Entendeu?
Sim, senhora.
Eu o esperei. Por que não veio?
- Vi seu marido. - Sei o que pensou.
Mas ele pediu por isso. Ele sabia que eu o amava.
Eu também, assim que ouvi sua voz.
Eu me divorcio dele. Faço qualquer coisa.
- A mesma de sempre. - Não, eu mudei!
Acredite. Sei o que esperar de você agora.
- Podíamos ser felizes! - Sobre os ossos de um morto?
- Meu estômago não é tão forte. - Esperam-no, Sr. Bronte.
Toda vez que olhei para ele, eu me vi. Como eu seria.
Mas ainda me ama.
E sempre desejarei que você tivesse sido diferente.
ENTRAD A DOS ARTISTAS Louise!
Disse que tinha aprendido. Não aprendi.
- Quanto tempo leva? - O tempo que levar...
mas, se não aprender com os seus erros, nunca aprenderá.
Vamos nos sentar.
Talvez devesse ter lhe contado sobre James.
Por quê? Foi um casamento de inconveniência. O que acha?
Acho que nem pensei nele. Mas isso não importa.
- Paul não me quer mais. - Acho que ele quer.
Tem medo de mim. Talvez ele tenha razão.
- Quais são seus planos? - Eu não sei.
Só uma coisa. Divorciar-me de James o quanto antes.
Por que a pressa?
Não acha que já fiz demais com ele?
Há um ditado que diz: "Nunca bata num homem caído".
Ajude-o antes.
Meio heróico, mas eficiente.
- O que quer dizer? - Nada de tortuoso.
Arrependimento faz bem à alma...
e o Sr. Bronte pode ficar satisfeito sabendo que tem alma.
Não posso. Não sei onde começar.
Quer apostar?
- Henry, viu o Sr. Guest? - Veio buscar a passagem de trem.
Passagem? Para onde?
- Marselha. - Marselha?
Sim, madame.
Sr James. Guest, um recado para o senhor no Bureau.
Sr James. Guest, um recado para o senhor no Bureau.
Obrigada.
O que foi? Deixei todas as roupas, não?
- Esqueci do relógio. - Pare, James!
- Aonde vai? - O que lhe interessa?
Fiz tudo o que pude. Dei tudo o que tinha.
Não bastou. Mas não é sua culpa.
Há um navio de carga que sai de Marselha amanhã.
16 dias até Nova York.
Talvez consiga que as mãos fiquem firmes...
para dar aulas de piano em Scratton.
Eu vou com você, James. Mas para Zurique.
- Zurique, por quê? - Negócios não terminados.
- Eu? - Nós dois.
- Qual é o trato? - Não é um trato.
A consciência está incomodando? Não vamos mais nos enganar.
Quero que termine o que começou.
- Que prove algo. - Que sou um gênio como ele?
Podia ser. Se não fosse por mim. Se eu tivesse ajudado...
Ninguém me torceu o braço. Não se sinta culpada.
Não tenho de sentir nada. Já tentei isso.
Não sentir nada.
Quer dizer que voltaria a Zurique, como a odiava...
- por mim? - É um chamado.
VIRTUOSE PAUL BRONTE
Que tal um passeio? Nós dois?
Feitora de escravos!
CONCERTO JAMES GUEST
Bravo!
- Foi ótimo, Paul. - Maravilhoso!
COMO DIZER A PAUL QUE FIZ ISSO POR ELE? L.
- Quem é L? - Amor, Krafft.
O que significa?
Que algumas vezes, é ótimo estar errado.
Obrigado.
Não precisamos do resto do 2º movimento.
- Bravo, Sr. Guest. - Obrigado.
Ótimo, senhores.
Quero refazer duas partes. O 1º movimento...
oito compassos antes do nº 8.
- Pronto, Sr. Guest? - Um momento, senhor.
Prof. Schuman, alguém pode achar os números para mim?
- Seria mais rápido. - Claro.
Ajuda-me, por favor?
Acho que seria melhor alguém que conhecesse a música.
Ninguém conhece essa música melhor que minha esposa.
Pronto, maestro.
- Está linda. - James!
Você, também. Estou nervosa.
Eu que devia estar nervoso, não você.
Acho que não sou boa em esperar.
Por que não vai ao Seyfert"s comigo?
Não poderia.
Gosto das tradições. Schuman não vai se importar.
Prefiro não. Vocês fizeram demais.
E eu prometi a Frau Sigerist...
Nos bastidores, a primeira coisa.
Dê-me uma coisa sua. Uma mágica.
Um cacho de seus cabelos. Uma jóia.
Não conseguiria sem isso. Sem você.
Vejo-a nos bastidores.
Dê-me o lenço. Não é verdade o que pensa.
Pode conseguir sem mim. Precisa!
É bom, é brilhante, não pode falhar.
Não tem nada a ver comigo. É você, o seu talento!
- Não precisa de mim. - O que quer dizer?
Depois do concerto...
Paul me levará com ele.
Paul?
Que espécie de demônio você é?
Fazer isso comigo? Dizer-me antes...
Mas tinha de lhe dizer, não vê?
Como deixá-lo lá, pensando que não consegue sozinho?
Se fizesse, teria de dizer amanhã, e o resto de sua vida...
acreditaria que não consegue sem mim...
mas consegue! James, eu sei.
Nunca duvide.
Não precisa de uma bengala. É um ser humano inteiro, de novo.
Não queria dizer isso agora. Não pretendia.
Mas precisei!
Por favor, entenda!
Bravo! Bravo!
Bravo!
Bravo!
- Lulu? - Paul?
- Onde estava? - O avião atrasou.
- Você o ouviu? - Ouvi.
Olhe para ele. Naquela montanha, sozinho.
Nada no mundo importa, a não ser este momento.
Contou de nós?
Vamos aos bastidores?
- Parabéns, James. - Vamos todos aos Zeyfert"s.
- Venha. - Acho que não.
Precisa vir. É sua noite, James.
Certo, vou me trocar e os encontro lá.
Certo.
Um segundo.
Eu estava certa, não?
Sabia que conseguiria sozinho.
Estava aqui?
Eu vi tudo.
Onde está Paul?
Ele se despediu e me desejou boa sorte.
Todos os tolos precisam de sorte.
- Louise! - Oh, James!
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