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"DOIS ANOS E MEIO ATR�S O INFERNO VEIO ME FAZER UMA VISITA SURPRESA"
ANDREW SOLOMON
HELEN
"Parab�ns pra voc�,
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida"
Feliz anivers�rio!
- O que achou? - Gostou?
- Meu Deus! - Feliz anivers�rio!
Feliz anivers�rio, Helen.
Feliz anivers�rio.
N�o � lindo?
Voc� mesma que fez?
Sim.
Querida, � lindo.
Fa�a um pedido, M�e.
Ajude!
Obrigada, meu bem.
S� uma.
Uma curta.
Vamos comer!
Se eu atirar naqueles caras l� fora
e alegar inSanidade tempor�ria,
voc� confirmaria a minha vers�o?
Merda.
O despertador n�o tocou.
Vamos.
� quase oito horas.
A Julie tem prova no primeiro per�odo.
- Onde est� a sua gravata? - N�o sei.
N�o posso lev�-la.
Tenho essa reuni�o est�pida da faculdade mais cedo.
- David! - Estou levantando!
Acorde!
Acorde.
Temos que ir, querido.
Todos estar�o l�.
Eu j� disse ao Brian que iria,
e se agora eu n�o for, ele achar� que sou medrosa.
- Bom dia. - Voc� sabe que � dif�cil
conseguir uma reserva no Claires nessa �poca do ano.
- Achei que gostaria - Eu dormi bem.
Obrigado.
Voc� nunca disse que tinha planos.
Era para ser uma surpresa.
- Quem limpou? - Mas...
- Eu. Mas n�o � essa a quest�o. - Quando?
A quest�o �, nunca disse
que tamb�m podia sair no final de semana.
- � louca, ia ajudar. - O Dave disse.
Isso � verdade?
Algu�m deveria te dizer.
Bem, esqueci!
Voc� n�o vai, e � isso.
�timo! Muito obrigado!
Mas se acha que vou no Claires contigo,
pense de novo!
Ela tinha que estar na escola em sete segundos. Tenho que ir.
Ol�?
Posso ajud�-la?
Eu s� estava...
O que est� fazendo aqui?
Bem, posso fazer para voc� essa pergunta.
N�o era para ningu�m estar aqui a essa hora da noite.
Ent�o o que ainda faz aqui?
N�o est� na minha aula de teoria musical?
S�, n�o consigo, fazer direito.
Nada que toco parece adequado, nem uma simples nota.
N�o s�o as suas notas que est�o erradas.
Mas precisa ir mais devagar.
Tente prestar mais aten��o
no que acontece entre as notas.
Tente tocar no tempo.
O que quer dizer?
Suspens�o. Sil�ncio.
� onde voc� encontrar� o que est� procurando.
Na dist�ncia entre as coisas.
E voc� n�o devia mesmo fumar aqui.
Avise-me quando quiser ir.
Abrirei para voc�.
N�o precisa pular a janela.
N�o vejo vindo.
Mas consigo sentir.
Est� l�.
Ol�, Helen.
Oi, Donna.
Acha que eles v�o ler o seu relat�rio, retirar o processo,
e nos enviar�o um pedido de desculpas?
Ou uma cesta de frutas.
A Helen est� aqui.
Ol�, amor.
Gra�as a Deus que est� aqui.
Tem que me salvar dele. Ele acha que � invenc�vel.
O que est� fazendo aqui?
Na verdade, estava longe desse bairro,
e pensei em vir aqui e dizer ol�.
Mas voc� est� muito ocupado.
Desculpe, devia ter ligado antes.
N�o, est� perfeito. Almo�aremos daqui a pouco.
- Por que n�o vem conosco? - �.
N�o, obrigada. N�o estou com fome.
N�o precisa comer. S� nos acompanhe.
Sabe, eu...
Queria mesmo ir para casa e trocar de roupa.
Tem certeza?
Sim. Absoluta. S� queria vir e dizer ol�.
- At� mais tarde. - Tudo bem.
- Tchau, Suz. - Cuide-se, querida.
Ol�, pessoal.
Depois que devolver as composi��es de voc�s, discu...
Iremos...
Com licen�a.
Vou me deitar.
Durma bem, querida.
Certo.
Resposta sincera: gostou do jantar?
Estava incr�vel.
Sim, certo. Seja l� o que for isso.
Boa noite.
Helen?
Adoro esse carro.
Sei que ama.
Vai me deixar participar do seu segredo?
O que o faz pensar que tenho segredo?
N�o tem?
N�o para voc�.
O que �, querida?
N�o � nada.
S� estou cansada.
Estou muito cansada. � s� isso. N�o � nada.
Eu sempre odeio o in�cio de semestre.
Vamos entrar.
- Voc�s j� jantaram? - Sim.
Julie testou seu primeiro molho carbonara.
Foi assustador.
Voc� est� bem?
O que est� fazendo aqui, querida? Por que n�o est� na escola?
Fui na escola.
Que horas s�o?
S�o quatro e quinze.
Jesus...
Devo ter dormido como uma pedra.
Poderia me ajudar com esses c�lculos?
Preciso mesmo acab�-los antes de sair.
Sim.
S� me d� um minuto.
Quer que eu ligue para o pai vir me pegar?
N�o.
Claro que n�o. Vou lev�-la.
N�o vou viajar pelo mundo, M�e.
Voltarei em tr�s semanas.
Sei.
Certo.
Vai, M�e!
- Oi, Pai! - Ol�, linda!
- Como est�? - Bem.
Vem c�.
- Tudo bem, entre. - Certo.
Pai, vem c�! Quero te mostrar uma coisa!
Pai!
Tudo bem.
N�o acho que ela deveria tentar se acertar com ele.
Ela tinha � que fazer as malas,
pegar as crian�as e se mudar para a Calif�rnia,
e processar o maldito
at� que ele n�o tenha mais nada.
Est� certo que quer sair com ela?
N�o. Com licen�a.
Ele � o maior maldito chav�o do peda�o, certo?
Antes de mais nada, ele transou com todas as assistentes que teve,
mente para a Louise sobre isso h� tr�s anos e meio,
e faz ela se sentir culpada por n�o estar com ele.
Como se fosse culpa dela que ele transa por a�
como um maldito cachorro no cio.
Pensei que s� cachorras ficavam no cio? N�o �?
O que os cachorros fazem?
� uma condi��o permanente para eles que n�o precisam de um nome.
Susanna, lembre-me quando foi exatamente que perdemos
a habilidade de termos uma conversa civilizada?
- Com licen�a. - N�o queria levantar isso.
- Sim, queria. - Queria? N�o mesmo.
Sim, voc� fez uma refer�ncia ao...
Acreditamos que a vida pode ser perfeita.
Ent�o somos sempre miser�veis porque a vida nunca � perfeita.
Enquanto elas acharem que mesmo sob as melhores circunst�ncias
a vida pode melhorar.
Ent�o o que est� dizendo?
Que devemos diminuir as nossas expectativas
ao ponto que elas j� chegaram?
N�o, ela disse que temos que ir na Europa mais vezes.
E voc� n�o precisa voltar, David.
N�o existe espa�o para melhoras na vida dele.
Ele adora a pr�pria vida.
N�o � nojento?
Algu�m deveria me processar.
- Vou. - Agora tem servi�o.
Isso pode ser um desafio.
Helen, voc� ainda est� a� dentro?
Helen?
Com licen�a. Voc� viu a minha esposa?
Helen?
Helen!
Que diabos est� acontecendo?
O que est� fazendo aqui?
Desculpe, n�o me sentia bem.
Qual � o problema? Voc� est� bem?
Sim, n�o � nada.
Nada? Voc� desapareceu sem dizer nada para a gente.
Sinto muito.
Deveria ter dito alguma coisa.
Ou�a, David, n�o � nada com voc�.
Existe outra pessoa?
Existe?
Espere um pouco. � disso que se trata?
Est� suspeitando que ando te traindo?
N�o. � claro que n�o.
Ent�o, o que �? O que � t�o ruim que n�o pode me contar?
Sinto muito.
Sente pelo qu�?
Helen, costumava saber tudo a seu respeito.
No melhor e na pior, lembra?
Vamos, querida. Fale comigo. O que est� acontecendo?
Pare! Por favor!
Por favor pare de me interrogar.
Helen?
Jesus Cristo.
Helen!
Deus!
Helen!
- David? - Oi, querida.
Sr. Leonard?
Como ela est�?
N�o h� nada fisicamente de errado com a sua esposa.
Liguei para o Dr. Barnes. � o neurologista de plant�o.
N�o entendo. Disse que n�o tem nada, de errado com ela.
Ter� que esperar pelo Dr. Barnes.
Podia me dar um maldito tempo, n�o?
Ela estava praticamente desmaiada.
Parece que o problema � psiqui�trico.
De que diabos est� falando?
N�o tem nenhuma causa f�sica para os sintomas dela.
Olhe, isso �...
Quer saber? Quero uma segunda opini�o, certo?
Eu sou a segunda opini�o.
Por favor espere pelo Dr. Barnes.
Sofre de ins�nia ou hipers�nia?
Mais ou menos sono que o normal?
Ela n�o dorme a noite toda de vez em quando,
mas sempre dormiu bem.
J� esteve deprimida a maior parte do tempo
por mais de duas semanas?
Helen?
Estive.
J� notou uma redu��o de interesse
na maioria dos aspectos da sua vida?
J� teve uma grande perda ou ganho de peso
sem mudar a dieta?
Ela emagreceu, sim.
� incapaz de se concentrar ou pensar claramente?
Sra. Leonard, poderia responder as minhas perguntas?
J� esteve aqui antes?
N�o.
Algu�m j� lhe prescreveu...
Sim.
Como �?
J� estive aqui antes.
Quando?
Doze anos atr�s.
H� quantos anos est�o casados?
Sete anos.
Ent�o entendo que n�o tinha ci�ncia desse primeiro caso.
Como foi que n�o vi isso acontecendo?
N�o � t�o incomum. Algumas pessoas escondem bem.
Deveria ver alguns dos atores que temos na ala do suic�dio.
Vou prescrever para ela um antidepressivo,
e tranquilizante para controlar a ansiedade.
Mas leva ao menos duas semanas at� que ela sinta uma resposta
dos antidepressivos. Em alguns casos,
os efeitos colaterais podem ser desconfort�veis,
mas tendem a diminuir de duas a quatro semanas.
Que tipo de efeitos?
Pode variar.
N�usea, sonol�ncia, suor noturno, pris�o de ventre, diarreia,
vis�o turva, sede.
Assegure-se que ela n�o consuma �lcool,
e � muito importante que ela continue com a medica��o
regularmente.
A Helen � uma
mulher feliz, bem sucedida.
Ela ama o trabalho, a filha.
Sua esposa n�o � triste, sr. Leonard.
Sua esposa � doente.
Vamos para casa, amor.
Vamos.
Helen.
Por favor.
N�o.
Elas n�o ajudam.
� muito cedo para falar, sabe disso.
Elas s� pioram.
Isso deve ser tempor�rio.
Obrigado.
Como foi que nunca falamos a respeito disso?
Voc� n�o quer ouvir.
Tente.
N�o posso.
Desculpe.
Quero que pegue esses livros para mim
e cancele o meu almo�o com o Lucas.
E diz para ele que quero continuar com o julgamento.
- Ele fede a rato. - Deixe feder.
- Para que precisa disso? - Apenas fa�a, certo?
Envie-os para a minha resid�ncia, por favor.
O que est� acontecendo, David?
Vou tirar uns dias de folga.
Rapaz, eu tamb�m vou, quando isso acabar.
N�s merecemos.
Digo agora.
Espere...
- Hoje? - Sim.
Perdeu o ju�zo? Estamos na v�spera do julgamento!
Pediremos um adiamento.
Da data do julgamento? E se o juiz negar?
Voc� cuida disso!
Te ligo amanh� de noite.
- Helen. - Fique longe de mim. N�o venha...
N�o vou toc�-la, certo?
S� sentarei aqui, certo?
- David. - Estou bem aqui, querida. Aqui.
N�o posso...
N�o posso mais fazer isso!
Vou receitar outra medica��o.
Mas enquanto ela se recusar a ser hospitalizada...
N�o v� o quanto ela est� doente?
Tenho medo de perd�-la de vista.
Nesse ponto, s� posso ajudar a sua esposa
se ela quiser ser ajudada.
- Essa � a lei. - Eu conhe�o a lei!
A minha esposa est� doente e me diz que n�o pode ajud�-la?
Est� esquecendo que essas leis
foram criadas para proteger pessoas como a sua esposa, sr. Leonard.
Preciso que assine isso.
Declara que est� de alta contrariando a recomenda��o m�dica.
Helen.
Por favor.
Tudo bem, vou lev�-la para o seu quarto agora.
S� seguir por aqui.
- Oi. - Ol�.
Posso falar contigo um instante?
Quer entrar?
N�o quero que a Julie saiba que estou aqui.
Podemos ir para outro lugar?
Ela estava pronta e querendo
abandonar a filha de um ano, David.
Isso n�o � exatamente algo que uma m�e fique feliz em compartilhar.
Se a Julie n�o tivesse acordado chorando naquela noite,
a Helen n�o estaria hoje viva.
Ela nunca se perdoou por isso.
E voc�? O qu� fez?
Nunca tive uma chance. Ela me excluiu desde o in�cio.
N�o queria falar a respeito.
Tentei lutar, mas lutava contra ela.
E perdi.
Fim da hist�ria. Nunca mais falamos disso depois.
Tentei, ela nunca queria.
S� fingindo que nunca aconteceu.
E ent�o ela se mudou sem mim.
N�o vou deixar que isso aconte�a.
N�o seja um imbecil, David.
Acha que isso trata-se de amor?
N�o �.
N�o h� nada que possa fazer.
N�o acredito nisso.
Est� tudo bem.
N�o tenha medo.
Est� tudo bem.
Voc� � uma �tima professora, sabe.
Nunca mais vou lecionar.
Voc� n�o est� acabada, Helen.
S� est� perdida.
Oi!
Ol�!
Espere um pouco.
Jesus, Mathilda.
Vamos. Vamos limpar isso.
Oi.
Oi.
O que houve com ela?
Ela est� na minha aula.
Ela estava na minha aula.
Hoje tenho aula.
J� cuidei disso. N�o se preocupe. Disse que estava doente.
Deveria estar na aula.
Helen, olhe para mim.
Se n�o quiser ficar aqui, me diga.
Te levo para casa agora mesmo.
Como est� a Julie?
Conversou com ela?
Ela est� bem. Volta para casa no s�bado.
Disse que te ama.
N�o quero que ela saiba por que estou aqui.
Diga que tenho um v�rus ou algo assim. Nada muito s�rio.
N�o pode esconder isso dela. Ela n�o � mais um criancinha.
N�o quero que ela saiba por que estou aqui.
Ent�o ter� que ficar longe dela.
Tudo bem, posso lidar com isso.
Helen... Contei para ela.
Ela me perguntou, e contei para ela.
N�o tinha o direito de fazer isso!
- Entendeu? - Tudo bem. J� chega, Helen.
Ela � a minha filha! Voc� nem � o pai dela!
N�o tinha o direito de fazer isso!
N�o quero que fale a meu respeito com o meu marido.
Desculpe, Dra. Sherman.
Est� tudo bem, Susan.
Se... Eu...
Se n�o permitir, n�o pode falar a meu respeito com ele, certo?
Isso mesmo.
Se n�o quero que ele...
Se...
Se n�o quero que fale com ele, n�o vai?
Por que n�o senta?
Onde vai?
Por que teria que lhe dizer isso?
N�o precisa.
�timo.
Sim!
M�e!
Estou t�o feliz que est� aqui.
Eu tamb�m, querida.
Chutamos uns traseiros no s�bado, sim.
E o David gravou tudo, ent�o podemos assistir mais tarde.
Deveria deitar e descansar um pouco.
Sim, e cozinharei para a gente,
e depois podemos assistir ao jogo, certo?
Tenho uma ideia.
Que tal n�s tr�s viajarmos no final de semana que vem?
Sinto muito, querido. N�o posso.
Vamos, m�e. Por qu� n�o?
Tenho uma ideia melhor.
Por que voc�s dois n�o v�o?
Ser� divertido.
N�o, queria que f�ssemos todos. Ficaremos aqui.
Tenho dever de casa.
Vamos, "Doce".
Se considerarem esses princ�pios, a sonata de Schubert...
Ele teria feito algo assim...
Isso � uma bobagem!
Hoje isso � tudo.
N�o quero conversar.
Certo.
Est� parecendo melhor.
�, decidi ser boazinha por um tempo.
Os cinco piores conselhos
de pessoas que n�o sabem do que est�o falando.
Tire umas f�rias.
Leia um livro.
Corte o cabelo.
Redecorar.
Tente ioga.
A cinco melhores formas de se matar.
As cinco melhores raz�es de viver mesmo assim.
N�o posso voltar.
Continuo vendo todos a minha volta,
mas � como se n�o pertencesse mais l�.
E vejo...
Vejo o quanto deixo o David triste.
Vejo o quanto deixo a Julie triste,
e isso se torna muito pior, mas n�o posso voltar.
E fico muito doente de pedir desculpas por isso.
Ent�o n�o se desculpe.
Tem ideia do quanto fiquei preocupado? Liguei para todos!
- Desculpe, David. - Liguei para os hospitais!
Pode ao menos imaginar o que achei que tinha acontecido?
N�o percebi que estava t�o atrasada!
N�o � a �nica aqui que est� sofrendo!
Entende?
Eu sei.
Sabe?
Acho que n�o.
N�o acho que saiba como � viver
com a sombra da mulher que ama!
Droga!
- Nunca mais fa�a aquilo de novo. - David.
N�o!
- David, sinto muito. - Nunca mais, ouviu?
Ol�, "Treze".
Oi.
S� queria te dizer
que vou posar na casa do pai.
Por qu�?
Rec�m � quinta-feira, n�o?
Sim, � quinta.
S� quero dar para voc� e ao Dave um pouco de espa�o.
N�o precisa fazer isso. Sabe disso, n�o?
Tenho que ir. Nos vemos na segunda.
N�o sei.
Aquele maldito filho da m�e!
N�o, David, n�o ligue.
O que houve?
Por que n�o protocolou a minha proposta de adiamento?
Desculpe, mas j� tenho muito por fazer, certo?
S� me falta ter que fazer o seu trabalho assistencial.
S� pedi uma coisa, e voc�...
N�o � s� uma coisa!
� uma depois de outra e estou cansado.
Limpe a sua bagun�a e me deixe de fora.
N�o tem sido al�m de um peso, David.
- Calma! - Ela n�o precisava ser presa.
- Quem liga? - Quer saber? Vamos indo.
Voc� n�o liga nem um pouco para tudo isso?
Para o qu�? Para a sua viciadinha de merda?
N�o, n�o ligo.
Deixe-a cumprir a pena. Talvez ela aprenda...
David! Pare! David, n�o! Pare!
Pare! David, n�o!
Obrigado pela carona.
De nada.
Gostaria que houvesse algo que pudesse fazer por voc�, David.
Eu sei.
Boa noite, Susanna.
Boa noite.
O que est� fazendo aqui?
A Helen me chamou.
O que houve?
N�o se preocupe. Ela ficar� bem.
Agradeceria se n�o fumasse aqui.
Agora estou indo.
N�o, por favor n�o v�.
Est� tudo bem. Conversamos amanh�.
Eu... Dei para ela tr�s tranquilizantes.
Ela j� teve o suficiente por esta noite.
Certifique-se que ela n�o ter� mais.
Sei onde � a sa�da.
Preciso tirar outra licen�a por doen�a.
N�o.
Claro.
Entendo. Sim.
Vou sim.
Obrigada.
M�e!
Sinto muito, querida.
Frank.
Julie, quero,
falar sozinho com a sua m�e um instante, por favor.
Quer que ligue para algu�m?
Onde est� o David?
Quero que a Julie venha morar comigo.
O qu�?
Ela deveria ficar comigo por um tempo.
Por favor, n�o fa�a isso, Frank.
N�o pode tomar conta dela.
E n�o brigue comigo por isso.
Vai perder.
Deus, voc� � t�o ador�vel.
Helen!
Helen! Acorde! Helen!
Maldi��o!
Helen! Vamos! Querida! Acorde!
Acorde!
Helen!
Vamos!
Sra. Leonard?
Onde vai, sra. Leonard?
Onde vai?
Quero ir para casa.
N�o pode ir.
- Como �? - N�o pode ir. Est� sob restri��o.
Como �?
Por que n�o volta para o seu quarto,
e chamo a sua m�dica?
Onde est�o as minhas roupas?
N�o vestia nenhuma quando foi trazida para c�.
Quero ir para casa.
Sinto muito, mas n�o � poss�vel.
Seu marido lhe internou anteontem.
Quero ir para casa.
Helen...
Voc� quase morreu.
Desculpe.
N�o precisa se desculpar comigo.
Quase n�o fui para casa naquela noite.
Mas voc� foi.
N�o queria ter que ir para casa.
Voc� tinha que ir para casa, David.
Ela n�o pode esperar por voc�.
N�o funciona desse jeito.
Ela pode esperar por voc�?
N�o.
Voc� n�o vai gostar do que tenho para dizer.
Acho que deveria pensar em ECT.
Tratamento de choque?
Sei que � assustador. E conhe�o a fama.
Mas ECT poderia ajud�-la.
E os efeitos colaterais tendem a ser mais tempor�rios.
N�o.
Nunca. Prefiro morrer.
Helen.
J� disse, n�o.
Ningu�m est� te for�ando...
Sai daqui!
Sai!
Tudo bem, j� chega.
J� chega.
Sr. Leonard. Por favor.
Sra. Leonard.
Voc� entendeu esses procedimentos?
Sim.
Importar-se-ia de explic�-los para mim?
Vejo um punhado de estranhos
que acham que sabem o que � o melhor para mim.
Acredita que eles sabem o que � melhor para voc�?
Gostaria de poder decidir sozinha onde e com quem me tratarei.
Decidiu se suicidar, sra. Leonard. N�o � verdade?
Foi uma burrice da minha parte.
Tamb�m n�o � verdade, que essa, foi de fato,
a segunda vez que tentou se suicidar?
A sra. Leonard sofre de uma severa depress�o suicida.
Sem tratamento cont�nuo e supervis�o,
existe um grande risco que ela tente suic�dio novamente.
A sra. Leonard indicou de qualquer forma
que planeja parar com a medica��o se for embora daqui?
Ela n�o acredita que o rem�dio esteja ajudando.
Mas ela n�o indicou
que planeja parar, n�o �?
Isso n�o se trata somente da medica��o.
Dra. Sherman, ela indicou
que planeja parar com a medica��o?
N�o. Mas a sra. Leonard precisa de ajuda.
A sra. Leonard indicou
que planeja tentar contra a vida novamente
se ela sair daqui?
N�o. Mas n�o significa que ela...
Nada mais, Merit�ssimo.
Acho que o Estado n�o cumpriu o seu dever de provar
com uma prova clara e convincente
que a paciente seja um perigo para si mesma ou para os demais.
Est� livre para partir, sra. Leonard.
Parab�ns.
Cuide-se e boa sorte.
Quem �?
Quero ver a Helen.
N�o acho que ela queira v�-lo.
N�o seja rid�cula. Sei que ela est� aqui.
Ent�o, � isso?
Joga fora a vida que tinha, se esquece da gente, da Julie,
de todo mundo que te ama,
e desiste?
� isso?
N�o, n�o � isso.
Bem, � o que parece para mim.
� porque voc� n�o v� da forma que vejo.
E suponho que ela veja, n�o?
A culpa n�o � sua, David.
Quando � que vai entender isso?
Sabe, � engra�ado como estou tendo problema com isso
porque se a culpa n�o � minha, se n�o � minha a maldita culpa,
ent�o por que diabos levo toda a culpa?
Por qu�?
Voc� me lembra quem eu costumava ser.
E n�o vale a pena lutar por isso?
Helen? N�o vale?
A Julie est� melhor longe de mim.
Isso � um loucura.
Vou lev�-la para casa.
Eu n�o vou.
N�o sabe o que est� falando.
Certo, vamos.
N�o! Eu n�o vou contigo!
Solte ela.
- Sai da minha frente. - N�o!
Quem diabos voc� acha que �?
Acha mesmo que vou deix�-la escapar assim?
Sua doida maldita!
Quero que voc� saia!
Deus, sinto muito. Desculpe.
O que a torna t�o especial?
Ela n�o me pergunta como me sinto.
Ela sabe.
Sabe, voc� est� certa. N�o tenho uma pista de como se sente.
Nem sequer me atrevo imaginar.
Mas sei como me sinto.
Voc� � a minha vida, Helen.
Sem voc� e a Julie, o mundo n�o significa nada para mim.
E nada vai mudar isso, nunca.
Espero que um dia lembre disso.
Vamos sair daqui.
De quem � essa casa?
� a minha casa.
Est� com frio?
- N�o. - Bom. Vamos caminhar.
N�o vai conseguir ir embora, sabe.
Nunca disse que faria.
Ela estava doente desde quando me lembro dela.
Ent�o, numa manh� ela levantou, e fez o caf� da manh�.
E depois de tirar a mesa e me mandar para o meu quarto,
ela se enforcou.
E deixou para a filha de oito anos essa maldita casa.
Ent�o o que acha?
Devo ficar com ela?
Ou devo fazer um seguro e pagar algu�m para colocar fogo?
Quero que me conhe�a, Helen.
Nunca quis isso com ningu�m.
Helen!
Helen?
A morte estava t�o pr�xima.
E t�o promissora.
Boa tacada, Julie!
Bom trabalho, Julie.
Obrigada.
Ol�. Foi muito bonito.
Como est�?
Alguma coisa aconteceu com a m�e?
N�o, querida. N�o �...
N�o � por isso que estou aqui. Desculpe.
Vem c�.
Deus, sinto a sua falta.
Queria visit�-la no hospital.
Mas o pai achou que n�o era uma boa ideia.
Ele � um covarde.
Voc� o chamou de covarde?
Sim, chamei.
Acha que ficaremos juntos de novo?
Como fic�vamos?
Uma resposta sincera?
Uma resposta sincera.
Eu n�o sei.
Talvez n�o.
Mas espero que sim, sabe. Espero mesmo.
Sabe onde ela est�?
Julie?
Voc� � a Mathilda?
Estava... Estou procurando a minha m�e.
Ela est� aqui?
Helen?
Deixe-me em paz, por favor.
M�e?
Minha pobre querida.
Desculpe ter te deixado, m�e.
N�o.
N�o diga isso.
N�o, querida, sou eu que pe�o desculpa.
Eu que sinto muito.
Minha crian�a querida.
N�o importa o quanto seja longa a jornada
ou qu�o profunda a descida
no fim, s� � preciso de um �ltimo passo.
Um passo...
Entre eu e a loucura.
Entre a dor e nada.
Um �nico e pequeno passo.
O que lembro � uma sensa��o que a realidade � fina.
Acho que � fina, sabe.
Fina como o gelo do lago ap�s um degelo.
E preenchemos as nossas vidas com ru�do, luz e movimento
para esconder a finura de n�s mesmos.
Como vai?
Bem.
Eu... N�s nos conhecemos?
Com certeza n�o.
Quer mudar isso?
Helen.
Pare!
Pare!
- Mathilda? - Jesus.
O que est� fazendo aqui?
Voc� n�o foi no hospital.
N�o. Amanh�.
Achei que iria sair amanh�, n�o?
N�o, hoje.
Ia peg�-la.
- Eu sei. - Pensei que era...
Pensei que era amanh�.
O que estou fazendo?
Oi.
Estou t�o feliz que est� em casa. Os dias foram confusos.
Desculpe pela bagun�a.
Eu ia arrumar tudo para voc�.
Foi uma ideia est�pida, acho. Droga.
Quer uma bebida?
Deixe-me servir uma bebida.
N�o me olhe desse jeito.
Vi que encontrou o "Macho".
�. Onde o pegou?
Encontrei-o.
Olhe, Helen. Sinto muito mesmo.
Pensei que era amanh�, pensei.
Acordei voc�?
Pesadelos.
Eles dizem que � normal. Passam depois um tempo.
Agora que tem essa vida nova, o que vai fazer com ela?
N�o quero uma vida nova.
Sinto muita falta da minha antiga vida.
Tamb�m n�o sei se sobrou alguma coisa dela.
Vai descobrir, eu acho.
Mathilda.
O que est� fazendo?
N�o sou como voc�, Helen.
Estou cansada
de baixar o volume o tempo todo.
�s vezes s� quero ouvir m�sica alta e clara,
sabe do que estou falando?
Queria saber.
Escrit�rio do David Leonard, por favor.
Sabe onde ele trabalha agora?
Obrigada.
Como foi a sua entrevista?
�tima.
Ou�a, sairei para comprar uns alimentos.
Volto logo.
Tudo bem. Muito obrigado. At� mais.
Voc� est� �tima.
Voc� sempre foi um mentiroso terr�vel, David.
Voc� est� terr�vel.
Mas, voc� est� �tima.
Diferente.
Foi um inferno.
Perdi parte da minha mem�ria,
e n�o sei se um dia voltar�.
Ainda estou tomando os rem�dios,
mas n�o existe garantia que n�o vou recair.
E estou constantemente com medo da ideia...
E me odeio por isso.
Eu me odeio pelo que fiz com a Julie e com voc�.
Odeio essa doen�a.
�s vezes ainda sinto como se n�o fosse aguentar mais.
Mas estou grata por estar viva.
Volte para casa, Helen.
Nunca mais ser� a mesma coisa.
Talvez...
Mas voc� sempre ser� a �nica.
Oi, Macho.
N�o, fique.
Meu Deus!
Mathilda?
N�o tem ar.
Vem aqui!
Est� tudo bem.
Voc� quer voltar, n�o �?
Estou tentando lembrar quem eu era.
Sinto falta da minha fam�lia.
Sinto falta da minha filha.
Sim.
Entendo isso.
N�o podemos nos esconder aqui para sempre.
Eu sei.
Mas n�o quero deix�-la, Mathilda.
Nunca.
Sabe disso, n�o �?
Sei.
Sinto muito por assust�-la.
Mathilda?
Oi.
O que est� fazendo aqui em cima?
Pensando.
Sobre o qu�?
Coisas.
Jesus.
Por que est� t�o frio? Estou congelando.
Vamos voltar l� para dentro.
N�o.
Vamos ficar aqui sentadas um pouco, certo?
S� um pouquinho.
Como posso dizer tchau para voc�?
- Est� frio. Muito frio. - Vamos descer.
Estou t�o aliviada, sabe?
Tudo vai ficar bem.
Sim.
Estou bem aqui.
Eu sei.
Mas voc� n�o pertence a esse lugar, Helen.
Vamos. Est� com frio.
- Vou peg�-lo. - Certo.
Macho!
Estava preparada para lutar.
N�o estava preparada para perder.
Macho!
Vem aqui!
Macho!
PARA KATINKA 1965-1995
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