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UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
A Marta usava muito o chat.
Com o irm�o, o Brais
e com algu�m chamado dante78.
- "Tenho de falar contigo." - Jeitosa,
tudo bem? Porque n�o fazes um trabalhinho?
- Anda ao meu carro. - Sai da minha frente.
Um bom crist�o n�o devia ajudar uma mulher insultada?
- Para ti, sou um pecado, um erro! - N�o.
Ent�o, o que sou?
- Uma irm�? - Ou n�o tens irm�os?
Sim, tenho uma irm�.
- Que se passa? - � a Rosa.
N�o confio nela.
� estranha. Mentiu sobre a fam�lia.
Est� a virar tudo do avesso.
"Onde nos podemos encontrar?"
"Se te falou de mim, sabes onde estou."
E tu que aqui est�s, � alma viva,
deixa quantos h� colhido a morte.
"QUANTOS H� COLHIDO A MORTE"
Acha que ser�o os corpos?
N�o sei.
H� ossos de animais e humanos.
E isto.
N�o tinhas deixado de fumar?
Ai, meu Deus! Deus lhe pague!
Sempre veio.
Deu-se a tanto trabalho para me ajudar!
Presumo que isto seja por causa da quinta.
- N�o �? - N�o.
Para que lhe ofere�o ovos?
Viemos aqui por causa disso, mas encontr�mos algo diferente.
N�o me diga que deitaram mais lixo?
N�o. Quando esteve aqui pela �ltima vez?
N�o sei bem. H� seis ou sete meses.
Mas s� vim buscar as aparas de madeira e fui-me embora.
Estava tudo revirado.
Tive medo que animais selvagens c� estivessem estado, ou pior...
... ocupas.
N�o viu os graf�tis l� dentro?
N�o, o que dizem?
- Obscenidades? - Algo do g�nero.
Sabe da fossa atr�s do armaz�m?
Com a doen�a das vacas loucas,
houve quem matasse e enterrasse o gado por aqui,
para evitar pagar ao veterin�rio.
Talvez tenhamos encontrado um local desses.
Se eu soubesse, nunca teria feito a minha quinta aqui.
N�o podemos fazer nada com a investiga��o em aberto,
mas, assim que for poss�vel, os seus problemas ser�o ouvidos.
- Agrade�o-lhe muito. - Tenente.
T�o jovem e j� � tenente?
Encontr�mos algo, venha.
Os ossos estavam todos misturados,
mas, no caos, encontr�mos um corpo com roupa.
� recente?
N�o, a roupa impediu a decomposi��o.
Ser� mais f�cil fazer um teste de ADN.
Est� tudo bem?
Enquanto esteve fora, atualiz�mos
o quadro com as fotos, tal como pediu.
- Onde estiveste? - Com a Corunna.
Este caso passou a prioridade zero.
Que acham � primeira vista?
N�o sou entendido, mas isto
parece pertencer a um culto sat�nico ou algo semelhante.
H� velas e outras coisas da igreja.
Vou ver o padre.
Chama-se Padre Amaro. Vou avis�-lo.
H� restos humanos e de vacas nas fossas.
Falei com uma mulher que disse que � do tempo das vacas loucas.
Isso j� foi h� dez anos.
Talvez tenham usado essas fossas para esconder outros restos.
O que disse o m�dico-legista?
S�o ossos de mulheres jovens em fases de decomposi��o diferentes.
Esta mand�bula n�o est� muito deteriorada, pode ser recente.
Levou um golpe forte,
tanto que lhe falta um pr�-molar.
Uma das ra�zes ficou incrustada.
Quantos corpos ser�o?
Vai ser dif�cil reconstru�-los todos.
Mas no total s�o dez cr�nios.
O mesmo n�mero de conjuntos de roupa na mala.
E as aparas de madeira colocam o Xacobe nos dois locais.
- Parece ser o autor. - N�o poderia ter levado a Marta.
E se n�o estiver relacionado com ela?
H� v�rios elos de liga��o. Os casos est�o relacionados.
E o corpo n.� 11, o que estava vestido?
Tamb�m era uma jovem.
As roupas dela n�o t�m nada a ver com as da mala.
S�o simples e confort�veis.
Tamb�m encontr�mos cal�ado, sapatilhas.
O cr�nio mostra um traumatismo grave
e encontraram um orif�cio de bala
na caixa tor�cica, perto do cora��o.
Neste caso, o assassino teve um m�todo diferente das outras.
Temos ordens de discri��o com a imprensa,
por causa do Papa, acho.
Assim que poss�vel, ser� enviada a UCO para a investiga��o.
Entretanto, temos de recolher toda a informa��o poss�vel.
E continua no comando.
Av�, fiz-te um desenho!
Ol�.
Vamos sair daqui.
Trouxeste-me um desenho, que lindo.
- Que era aquilo, av�? - Nada, querida.
Era assustador.
H� pessoas m�s no mundo.
Promete que tens cuidado.
Mas tu proteges-me.
Ol�, Sandra. Como est� Vigo?
Bem. Tenho folga hoje,
vim ver o chefe e trazer-lhe isto.
Porque de certeza que n�o se anda a alimentar bem.
Olha o que tenho no bolso, preparado para a tua visita.
Que bom!
J� a comer porcarias, Nuria?
Foi o av� que me deu. Guardou para mim.
As crian�as sempre comeram estas coisas.
- Onde ponho isto? - No frigor�fico.
Nuria, fica aqui com o Mauro.
- Como est�s? E a escola? - Demais.
Abrimos uma r� para ver como � por dentro.
Quem �s tu?
Sou a Rosa.
Trabalho com o teu av�.
- E fazes o qu�? - O mesmo que ele.
Comes d�nutes e passas multas? � o que a m�e diz.
Investiga��es e proteger as pessoas.
- �s Guarda "Civila". - Sim.
E n�o usas uniforme?
N�o � obrigat�rio.
Os investigadores quase nunca usam.
Tamb�m tens uma arma?
Sim, mas � um segredo. Olha, est� aqui.
E tamb�m mato extraterrestres.
Que fixe! Quero ser como tu quando crescer.
Que se passou? Magoei-te?
N�o, com licen�a.
Ela � muito estranha, j� te disse.
N�o � normal reagir assim.
E h� mais.
O qu�?
Que se passou?
Se foi algo que a minha neta disse,
pe�o desculpa, ela � teimosa.
N�o, a sua neta � um doce.
Lembrou-me da minha irm�.
Ao jantar, disseste que tinhas uma irm�,
mas quando te perguntei, disseste que n�o. Em que ficamos?
Tinha uma irm�. Ela morreu.
Tinha a idade da Nuria.
Foi por isso que me emocionei.
N�o queria ficar assim na tua casa.
Desculpa.
Podem-me ajudar com o caso hoje?
O Mauro ajuda-a.
O Papa chega amanh� a Santiago. Estou � rasca
com os recursos que tenho.
Certo. Vamos dividir as tarefas.
Vou falar com o Padre Amaro e ver se sabe algo destes rituais.
Vai ao clube. Tendo em conta as roupas e a idade das mulheres,
talvez l� trabalhassem.
Trabalhei aqui toda a vida.
Mas n�o sou como elas.
As mi�das v�m e v�o, v�m de outros clubes,
porque os clientes se fartam de ver sempre as mesmas.
E quando saem pela porta,
ningu�m pergunta por elas, nem quer saber.
Desaparecida?
Por mim, est�o todas.
Para si.
Posso ver as garrafas de champanhe?
Uma das grandes.
S�o mais caras.
Muito mais do que no supermercado.
N�o quero comprar.
O carimbo � vosso?
Sim, � invent�rio.
O Vidal � um chato com isso.
N�o pode faltar um c�ntimo.
Vendem noutro s�tio?
N�o, nunca.
Viu alguma mulher aqui, ultimamente?
N�o as que c� trabalham.
Sim, uma cliente.
� pouco usual.
Ligue-me se ela voltar.
Obrigado.
Ol�, � do seguro?
N�o. Sou a Tenente Vargas, da Guarda Civil.
H� quanto tempo est� ali?
Desde esta manh�.
O seguro pediu para n�o tocarmos em nada,
mas se n�o chegarem em breve, desmonto-o.
Os mi�dos t�m catequese e n�o quero que vejam isto.
Encontr�mos algo parecido numa quinta.
Acha que pode ser um ritual sat�nico?
N�o percebo muito disso, mas...
Acho que podia ser.
Ontem, assaltaram a igreja e levaram �gua benta, velas,
batinas e at� h�stias.
Para que quereriam isso tudo?
Aqueles que adoram L�cifer gostam dessas coisas,
para gozarem com a Eucaristia.
Desconfia de algu�m?
N�o.
Enviaram a Guarda por causa desta partida?
N�o � uma partida.
Estes rituais podem estar relacionados com v�rias mortes.
Estamos a investigar discretamente. N�o queremos assustar as pessoas.
Entendo. N�o se preocupe comigo,
mas acha que as mortes est�o ligadas a rituais sat�nicos?
� a nossa melhor teoria.
Eu n�o sou detetive,
mas acho que est� errada.
Porqu�? Um padre � suposto acreditar no Diabo, n�o?
Sim, e acredito nele, mas o Diabo � mais discreto.
N�o se esconde atr�s de um carneiro sacrificado
ou de um pentagrama.
Isso � superficial, s�o truques.
Um jogo. N�o tem nada a ver com o Mal real.
Onde se esconde o Diabo, ent�o?
Oi�a...
H� crimes terr�veis...
... mas o autor n�o chega a isso do dia para a noite,
� pouco a pouco.
Come�a com coisas pequenas.
L�cifer n�o se parecia com um monstro,
era lindo.
N�o amea�ava nem possu�a ningu�m. Exatamente o oposto.
Era bem-educado e persuasivo.
O Mal, ao contr�rio de rituais e de gestos bomb�sticos,
esconde-se em plena vista,
debaixo de disfarces inesperados,
ao nosso lado, no nosso dia a dia.
Que fazes aqui a estas horas?
Vim ver-te.
Estou ocupado.
Deixei a Pamela no bar para te vir visitar.
Depois de ontem, pensei que gostarias.
Vamos entrar. O Bernab� s� chega mais tarde.
Vim propor algo melhor.
Que tal se eu voltar depois do trabalho
e passamos a noite juntos?
A noite inteira.
Queres acordar ao meu lado?
N�o sei.
N�o sabes?
Tens a no��o dos favores que vou dever ao Vidal por passar a noite fora?
N�o quero que devas favores por minha causa.
Sim, mas a escolha � minha.
Tua e da escumalha que vai ao clube.
� por isso que est�s assim?
Reconheceste os tipos no restaurante?
Xabier,
n�o fa�as nada, por favor.
Podes arranjar problemas graves com aqueles tipos.
Xabier, por favor.
- Jura por Deus que n�o fazes nada. - N�o invoques o nome do Senhor em v�o.
Jura pelo que quiseres, ent�o.
Juro.
Ent�o?
Queres que passe aqui a noite ou n�o?
Est� bem.
Podias estar mais entusiasmado.
Disse, n�o disse?
Vemo-nos mais tarde.
O Xabier, o sacrist�o, depois arranja isto.
Foi assim que a deixaram.
Aprendi em Criminal�stica que quando se vai a algum lado,
deixa-se sempre algo e leva-se algo.
Diziam-nos algo parecido nos retiros espirituais.
Mas acho que se referiam a algo diferente.
Isto n�o tem nada de espiritual.
Mas quem arrombou a porta deixou algo para tr�s.
Fala a Tenente Vargas. Preciso das fotos
do cacifo da bomba de gasolina.
Para o meu telem�vel.
Sim, o que foi arrombado.
Que est� a fazer?
J� revistou este s�tio e n�o encontrou nada.
- N�o toque nisso. - Arrombaste a igreja?
V�s esta marca?
� a mesma que deixaste no trinco da porta que arrombaste.
N�o...
- Foste tu? - Sim, com alguns amigos.
Puseste aquela merda sat�nica
na quinta? - Sim.
Foste tu que mataste as mulheres?
- Que mulheres? - Mataste-as?
- N�o fiz nada! - N�o mintas! Mataste-as?
N�o fiz nada! N�o me fa�a mal!
N�o fiz nada!
Por favor.
De certeza que n�o �s a �nica envolvida nisto.
Uma seita implica mais pessoas.
Escreve aqui os nomes e n�meros de telefone.
N�o vou fazer nada disso.
N�o me pode magoar � frente dele.
� melhor colaborares.
N�o vou, porque n�o o fiz sozinha.
N�o conhecem o poder de Sat�.
E como a sua escurid�o est� enraizada nesta vila.
Vou ligar � tua m�e e ver o que ela acha.
- Vamos ver a tua arrog�ncia a�. - N�o, por favor.
N�o a envolva nisto.
Sabes o que tens a fazer.
Explica o que vimos na quinta.
Somos cinco amigos que se re�nem para venerar Satan�s.
Mas n�o mat�mos ningu�m.
Mas arrombaram a igreja. E os ossos?
Fazemos os rituais na quinta abandonada.
Encontr�mos uma fossa cheia de ossos, no bosque.
Lev�mos alguns para os rituais.
Encontraram ossos e n�o disseram a ningu�m.
Assim pod�amos us�-los.
Mas nunca mago�mos ningu�m.
Juro.
- Est� convencido? - Estou.
Vou falar com eles e confirmar os �libis,
mas duvido que tenham algo a ver com os outros crimes.
Os corpos mais antigos estavam na fossa h� dez anos.
Nessa altura, eles eram crian�as, por isso...
Tamb�m acho que n�o foram eles.
Contudo, magoou a Rafaela.
Ouvi dizer que lhe apontou a arma.
Por sorte, ela n�o apresentou queixa.
- Ela resistiu. - Resistiu?
Acho que fui afetada.
Os corpos das mulheres e a mem�ria da minha irm�.
A nossa miss�o � proteger as pessoas,
n�o � a p�tria e isso tudo.
S�o as pessoas.
Para isso, elas t�m de confiar em n�s.
N�o volta a acontecer.
� um bom detetive, pena nunca ter ido para a Judici�ria.
Teria feito grandes coisas.
Nunca � tarde demais.
Ainda tenho dois dias.
Passei a sa�da e n�o sei onde estou.
No meio da floresta.
H� uma esp�cie de armaz�m vermelho.
E pain�is publicit�rios.
Que devo fazer? Ligar ao seguro, � oficina?
Sr. Padre?
Dante78.
Quieto! N�o se mexa.
Que se passa?
� o dante78.
Sim, � o meu nome de utilizador.
Ent�o o Diabo esconde-se em s�tios inesperados.
Vejo que sabe do que fala.
Mas n�o sei a que se refere.
- Era o amigo secreto da Marta Labrada. - Sim.
Matou-a e �s outras mulheres?
N�o. Ajudei-a, eu era seu amigo.
Porque saiu do chat quando me tentei encontrar consigo?
Era a tenente?
Meu Deus. Estava a mentir e assustei-me.
Digo-lhe tudo o que quiser,
mas baixe a arma.
N�o fui ter com a Marta.
Ela veio ter comigo.
Porqu�?
Por engano.
Apanhei-a a roubar na sacristia.
O engano n�o foi t�-la visto,
mas n�o haver nada de valor.
O que fez?
Dei-lhe o dinheiro que tinha, uns 30 euros.
Ela amea�ou-o?
Estava assustada.
Implorou para n�o chamar a Guarda Civil e tive pena dela.
Levou o meu dinheiro e foi-se embora.
No domingo seguinte, fizemos uma coleta
e algu�m deixou 30 euros num envelope.
Quando a missa acabou,
ela estava � minha espera.
- O que queria? - Saber porque a ajudei.
Disse-lhe que
a �nica forma de explicar era que ela me ajudasse,
e talvez a� me compreendesse.
Ela ajudou-o?
No servi�o social da par�quia.
Foi sempre discreta.
N�o queria que ningu�m soubesse.
Muitos gabam-se do trabalho de caridade, mas outros como a Marta
parecem envergonhar-se.
Sabe o que a Marta fazia?
Na bomba de gasolina?
Ou das drogas, prostitui��o e chantagem aos clientes?
Uau.
Pensei que os padres mantinham as confiss�es em segredo.
E � verdade.
Mas a Marta n�o era crente,
por isso, nunca foi uma confiss�o. S� fal�vamos.
Aliviava a alma com algu�m que n�o a julgava.
N�o a julgava?
S� Deus nos pode julgar, eu n�o.
Encobriu um crime.
O meu trabalho n�o � a lei, nem o pecado...
... � a reden��o.
Acha que a Marta estava no caminho certo?
Acho.
Ela fez muitas coisas boas.
Com o Bernab�, por exemplo.
Muitos gozam com ele. Ela n�o.
Era carinhosa e am�vel.
Tratava-o como um irm�o mais novo.
Quem a ter� levado?
Ela nunca mencionou nomes de clientes.
Mas no dia anterior ao desaparecimento,
pediu-me para lhe guardar uma coisa.
Disse-lhe que o faria,
mas depois ela disse que j� n�o era preciso.
- O que era? - N�o sei.
Sabe onde est� o Bernab�?
N�o. Fora.
- Sai. - Porqu�?
Porque o meu irm�o disse-me para n�o falar contigo.
Que o que tu queres saber... com ele.
Muito bem.
Mas n�o disse que n�o me podias ouvir?
� imposs�vel n�o ouvires o que te rodeia.
Continua o que est�s a fazer.
O Padre Amaro disse que a Marta era boazinha,
que era tua amiga.
Foi um sim?
A Marta queria guardar uma coisa. Deu-te algo?
Sabes onde o pode ter deixado?
E de algu�m que possa saber?
N�o posso pintar isso.
Mas a Marta falava sempre da melhor amiga.
Rebeca!
J� passei isto a ferro. N�o devia ter de o trazer.
A piscina j� abriu?
Estava a organizar o arm�rio.
Que milagre.
N�o ias ter com o David?
Sim, j� vou sair.
O David parece bom mi�do, mais maduro que o Brais.
N�o comeces, m�e. O David � s� um amigo.
- Amigo? - Sim, s� um amigo.
N�o sejas chata.
Rebeca.
Ol�. J� sabe alguma coisa da Marta?
N�o.
N�o sei porque me preocupo, depois do que ela me fez.
Nem deixo de pensar no Brais.
Afasta-te dele e pensa noutra coisa.
Se precisares de falar, liga-me.
Desculpa falar disto agora,
mas a Marta pediu-te para guardares algo?
Um cart�o de mem�ria?
N�o.
N�o te contou onde guardava coisas secretas?
Ela dizia que o melhor esconderijo est� em plena vista.
Mas n�o sei o que isso significa. O que procura?
- Grava��es. - Dos homens com quem dormia?
Como sabes disso?
O meu pai. Ele nunca diz nada sobre os casos.
Contou-me s� para me chatear.
Certo.
A Marta nunca te contou dos homens?
No dia antes de desaparecer, ouvi-a falar ao telem�vel.
Sobre v�deos que tinha posto online.
N�o sei o que lhe disseram,
mas ela zangou-se tanto que atirou o telem�vel e partiu-o.
N�o encontr�mos nada.
Nem no computador, nem nas contas.
O computador dela?
Ela disse-me que estava estragado.
Pediu-me o tablet emprestado.
Emprestas-me o tablet?
Sim.
- Queres boleia? - Pode ser.
Ol�, Rosa.
Estamos a juntar dinheiro para um presente para o Alberte.
Claro, quanto?
Vinte euros.
Isso n�o � o tablet da minha filha?
Sim, a Marta usou-o para carregar um v�deo atrav�s de uma conta falsa.
Por isso � que n�o havia nada no computador.
N�o digas nada, est� a ser dif�cil para ela.
N�o me digas como educar a minha filha.
Vamos ver o v�deo.
Sem a Rebeca saber, a Marta usou o tablet
para criar uma conta falsa e p�r um v�deo online.
� a grava��o que faltava?
N�o, ou n�o � o v�deo completo, s�o s� alguns segundos.
Tinha esta mensagem:
"Se n�o quiseres ver tudo, sabes o que tens a fazer."
Chantagem. N�o era brincadeira.
Deve ser algu�m com muito dinheiro,
para ela achar que poderia resolver os problemas de uma vez.
Acho que a Marta sabia desta festa,
vestiu um fato de coelhinha,
filmou o tipo rico e carregou o v�deo
para o chantagear por uma quantia enorme.
Mas escolheu a v�tima errada.
� prov�vel que j� esteja morta.
Mas o corpo dela n�o estava na fossa.
Pela mesma raz�o da �rika.
A �rika foi usada para nos distrair.
Isto mostra o tipo de pessoa com quem estamos a lidar.
Algu�m que mata sem hesita��o,
nem que seja para criar pistas falsas.
E se o autor se foi embora, ou estivesse s� de passagem?
N�o deixaria pistas falsas.
� algu�m local
e muito perigoso, com muito dinheiro.
Mas temos uma nova pista neste v�deo.
N�o podem haver muitos s�tios assim.
Encarregas-te tu?
N�o vai ser f�cil que todos me deixem entrar em casa.
Espreita pelas janelas.
N�o tenho de te dizer como fazer o teu trabalho.
Comporta-te.
Qual � a urg�ncia? Quem � este?
Sou o Iv�n Lemos. Boa tarde, tenente.
O Iv�n arrendou uma casa id�ntica � do v�deo.
Organizou festas com mulheres na casa?
Com prostitutas vestidas de coelhinhas, sim.
Uns amigos e eu.
Conhecia a Marta Labrada?
Veio a uma festa. Filmou-a e tentou chantagear-me.
- E fez o qu�? - Sou divorciado.
Disse-lhe que n�o me importava
que mostrasse os v�deos � minha ex-mulher ou que os pusesse na Internet.
E os seus amigos?
Dei os nomes ao Mauro.
Somos todos divorciados ou solteiros.
Pagamos a umas putas, fazemos uma festa e � s� isso.
Nunca fizemos mal a ningu�m.
Podem revistar a casa.
� o que faremos.
Bom trabalho.
Vou ligar � Pol�cia Cient�fica.
O Iv�n e os amigos t�m todos �libis
no dia do desaparecimento.
S�o uns idiotas, mas n�o s�o assassinos.
O Xacobe volta a ser o principal suspeito.
Para a Marta n�o, mas para as outras.
N�o me admirava que a Marta se tivesse ido embora
e estamos a fazer um alarido para nada.
Vou passar a informa��o � UCO,
mas h� algo que refuta a tua teoria.
Um novo relat�rio qu�mico.
A tinta vermelha encontrada na roupa
n�o coincide com a encontrada na casa do Xacobe.
Tem de haver outra pessoa ligada
�s roupas e aos corpos.
Senhor, perdoa-me, porque vou pecar.
O que fazes tu aqui?
Vim dar a catequese.
V� estas.
V�s como seduzes a c�mara?
- N�o. - Nasceste para isto.
- N�o. - Olha s�. V� bem isto.
Esta... est� espetacular.
Vou emoldurar esta.
Olha s� a minha cara.
O que tem de errado? �s linda.
Olha...
- Olha. - E as selfies que tir�mos?
Selfies? N�o. N�o sei.
Deixa-me ver.
- N�o vejas essas. - Deixa-me ver.
- Deixa-me ver. - N�o.
- N�o. - Deixa-me ver.
- Deixa-me... - N�o.
N�o me tires a c�mara. D�-me.
N�o. Lamento.
Porque n�o?
Porque n�o �s o Brais.
Cinquenta e tr�s.
Menina.
Estamos a questionar os nossos clientes
para saber se est�o satisfeitos.
Est� satisfeita?
Sim, estou muito satisfeita.
Eu n�o estou.
Quem �s? Que diabos fazes aqui?
�s dos russos? Dos romenos? Colombianos?
Albaneses kosovares?
Desembucha, estou a ficar sem pa�ses.
Sou uma cliente que se quer divertir.
E isto n�o � nada divertido.
Sei que j� � tarde.
Mas nem imaginas o meu dia.
Andaste a fumar?
- N�o. - Cheiras a tabaco.
Todos na esquadra fumam.
Estava no outro casaco.
Pronto.
Fumei alguns cigarros.
Quando isto terminar, deixo de fumar de vez.
N�o estou preocupada por fumares, mas por mentires.
Lu�sa...
Sobre que mais andas a mentir?
- Nada. - Mauro, n�o sou parva.
Sei que me andas a esconder algo.
- Tem a ver com a Rosa? - Com a Rosa?
- N�o. - Ela fuma?
N�o. N�o sei. Que importa isso?
Achas que ando a dormir com ela?
Tenho de atender.
Sim?
Ela est� a� agora?
Sim. Obrigado.
Tenho de ir.
- Era ela? - Era o Alberte.
Tenho de voltar � esquadra.
Ol�, Lu�sa.
Estou aqui a comer verduras, a ser saud�vel.
N�o.
N�o, era outra pessoa. N�o telefonei. Est� tudo bem?
Ele disse que organizou a festa, mas n�o confio nele.
Conhe�o-o.
Costuma c� vir.
Ele gosta desse tipo de festas, mas � um z�-ningu�m.
Ent�o sabes dessas festas.
N�o sei de nada. Ningu�m sabe.
- S� boatos. - Que boatos?
Gente com muito dinheiro pagou o suficiente
para que ningu�m saiba de nada.
Onde s�o as festas?
N�o sei. N�o nos contratam aqui do clube.
S�o todas de fora e muito novas.
Como a Marta Labrada.
E a Vivi, que aqui trabalha.
- Ela foi a uma festa dessas? - � o que dizem.
Antes de vir para aqui, h� dois anos.
- Tenho de falar com ela. - N�o.
Ela n�o te vai contar nada.
Nem como pol�cia nem como cliente.
Tem medo. Deixa-me falar com ela.
Est� bem.
Outra coisa.
Reconheces?
N�o.
Pergunta � Vivi se esteve na festa.
Est� bem.
Olha...
... queres dormir comigo?
N�o � o meu estilo.
Nem o meu.
Mas pod�amo-nos divertir.
A divers�o � rara por aqui.
Obrigada, mas n�o.
Pamelita, relaxa, est�s mais tensa que as amarras de um navio.
E essa gaja? Disse-te quem era?
De onde vem ela? Que faz aqui?
N�o us�mos a boca para falar.
Que malandra.
N�o gosto dessa tipa. Para a pr�xima, faz perguntas.
Quero saber quem ela �.
- � uma cliente que paga bem. - Fala com ela.
Como queiras.
Como est�s?
Vivi!
Chega aqui. Anda.
Vem c�.
Mais perto.
Tapa isso com maquilhagem.
E n�o fa�as essa cara de passarinho,
que ningu�m te come.
Os clientes v�m-se divertir
e com essa cara de cu at� fazes hienas chorar. Vai.
Vai l�, vai.
Eu ajudo-te.
N�o v�s que estragas a maquilhagem quando choras?
O tipo � um cabr�o.
Ainda me mata, um dia.
E o chefe nem quer saber.
Ningu�m quer.
Eu quero.
Viste-a na festa em que estiveste?
N�o, por favor.
N�o me perguntes sobre a festa.
N�o se pode falar sobre isso.
- Nem comigo? - Com ningu�m.
Eles foram bem claros.
Se disser algo,
a minha fam�lia, os meus amigos e eu...
... pagaremos caro.
Essa gente n�o � como esta.
S�o muito piores.
Os mesmos canalhas, mas com mais dinheiro.
Usam o medo para nos prenderem. Tal como aqui.
Eu sei, porque era como tu.
Mas apercebi-me que se n�o fizermos nada,
acabaremos como a �rika.
A �rika foi-se embora.
Vivi, ela foi morta.
E outras tamb�m foram mortas.
O que sabes pode-nos ajudar a encontrar o cabr�o que nos anda a matar.
Confia em mim.
Confia em mim, mi�da.
- O que fazes aqui? - Foi o que combin�mos.
Sim, claro.
Vamos para casa. Estava a fazer comida para amanh�.
O que guardas a� dentro?
- Nada. - Nada?
Ent�o porque estavas a� t�o tarde?
Estava a guardar ferramentas.
A nossa primeira noite juntos.
Era o que querias, certo?
- E a menina? - Est� no quarto.
Desculpa.
Era suposto ires busc�-la depois do teste.
- Eu sei, mas... - Liguei-te montes de vezes
e n�o atendeste.
Tive de sair da minha reuni�o
para a levar a comer o gelado que prometeste.
Sabias que a reuni�o era importante.
Desculpa.
N�o sei o que se passa, mas tens andado estranho.
Esqueces-te da nossa filha, n�o me ajudas.
As cadeiras dos teus pais est�o no meio da garagem.
Arrumo tudo amanh�.
Est�s bem?
Sim.
- De certeza? - Sim.
Vem c�.
E a mulher que tem a cadela?
N�o podia vir hoje.
Vem amanh�.
Que mulher estranha.
Vou-me deitar.
Eu j� vou.
J� acordaste?
Vou fazer o pequeno-almo�o.
Tive um furo e deixei o para-choques num sinal de tr�nsito.
E perdi a pulseira da m�e.
Passei a sa�da e n�o sei onde estou.
No meio da floresta.
H� uma esp�cie de armaz�m vermelho.
E pain�is publicit�rios.
Mauro, a tua mulher ligou-me ontem.
Eu sei.
E onde estavas?
N�o me quero intrometer, mas espero que n�o andes a tra�-la.
Estava a seguir a Rosa.
De onde vem isso?
De coisas deste g�nero.
Desculpe.
Este terreno � seu?
Que lhe interessa?
Queria saber se havia aqui um painel publicit�rio.
N�o sei.
Sempre houve aqui esta planta��o de...
- Milho. - Isso. Milho.
Depende. As colheitas mudam todos os anos.
O que havia h� dois anos?
Quem � a senhora?
Guarda Civil. Sabe o que estava plantado h� dois anos?
N�o sei. Estava em Barcelona nessa altura.
Herdei este terreno no ano passado.
E como n�o tenho trabalho na constru��o, ocupo-me com isto para sobreviver.
Mas o que estava aqui plantado antes?
Nada, era s� ervas.
E estes dep�sitos sempre foram desta cor?
Silos. Chamam-se silos.
� onde se guarda a comida do gado.
Sempre foram azuis?
N�o, foram pintados h� coisa de dois anos.
Eram vermelhos.
Presumo que as flores sejam para algu�m que morreu num acidente.
Sabe quem foi?
N�o.
Nem sei de nenhum acidente.
- Nem quem as p�e ali? - Tamb�m n�o sei.
Mas s�o mudadas quando secam.
H� sempre flores frescas.
QUEM DEIXA MARGARIDAS?
PORQU�?
Sim, Alberte.
O que se passa?
� isso que quero saber.
Andam-me a espiar?
Ainda bem que o fiz.
O que fazia assim vestida, naquele lugar?
Tentei ir como Guarda Civil, mas n�o resultou.
N�o resulta nem para o Mauro, e ele � de c�.
� mais prov�vel que uma prostituta fale com uma cliente do que com uma agente.
Fi-lo para obter informa��es.
- Isso � perigoso. - Devias ter-nos dito.
O caso � meu, informo-vos do que for conveniente.
Claro, mas por cortesia, devia-nos ter dito.
Sempre fomos sinceros e prest�veis.
Compreendo o seu m�todo, mas n�o gosto de segredos.
Sei que posso confiar em voc�s, mas e no resto
da esquadra e dos tribunais de Muri�s?
Que tem?
O Mu�iz chegou aqui antes de o termos chamado.
Parece que est�o sempre dois passos � nossa frente.
- Achas que temos um infiltrado? - Possivelmente.
- N�o confia em n�s? - Confio.
Asseguro-lhe que tudo o que dizemos fica aqui.
Tens a minha palavra.
Certo.
- Chega de mentiras. - De acordo.
- Tenho uma reuni�o. - Com quem?
A Pol�cia Cient�fica.
Aqui, D�ri. Espera a�.
Descobriste algo?
Esta mulher n�o esteve na festa.
- De certeza? - Sim.
Que mais te contou?
Houve outra festa h� umas semanas. Com v�rias mi�das jovens.
Jovens?
Todas menores.
Os clientes pagam bem para as estrearem.
Drogaram-nas antes.
Eles sabem como faz�-las...
... ser d�ceis.
Onde foi a festa?
Numa casa com duas colunas ao lado da porta.
Perto da antiga estrada para Portugal.
Que se passou na festa?
Segundo a Vivi, todo o tipo de coisas.
Sexo em grupo, viola��es simuladas,
sadomasoquismo.
Alguma delas morreu?
Ela disse n�o ter visto nada...
... mas n�o me surpreenderia.
Como � que a Vivi acabou no clube?
N�o sei.
Mas o cabr�o do Iv�n n�o sai de cima dela desde ent�o.
Se n�o a espancar at� � morte, ela acaba por se suicidar.
- H� outras como ela no clube? - N�o.
Vou tentar tratar do Iv�n, mas a Vivi devia denunci�-lo.
Est� aterrorizada, Rosa.
Estamos todas.
Toma. Quero que v�s imediatamente.
N�o quero que te aconte�a nada.
H� poucas coisas na minha vida das quais me orgulho.
Esta � uma delas.
Pela primeira vez na vida, fa�o algo de bom.
Ana, isto � perigoso.
Eu sei.
N�o vou at� que encontres o assassino
e ele pague pelo que fez.
Devo isso � �rika.
- Ol�. - Ol�, querido.
- N�o ias sair? - Ia, sim.
Onde est� o Xabier?
Foi chamado para um trabalho.
Tu n�o ias com ele?
N�o.
Disse-me para ficar em casa, desta vez.
� melhor, assim fa�o as minhas coisas.
Eu vou sair para n�o me atrasar.
- Est� bem. Adeus. - Adeus.
Alto!
N�o te mexas.
A Marta Labrada sabia onde e quando seria a festa.
Algu�m lhe contou.
Algum dos organizadores.
Conta-me como � que a Marta sabia das festas!
Ela n�o � importante.
Importante � o que ela filmou.
Onde est� a grava��o?
S� a Marta sabe.
O CULPADO ANDA � PROCURA DELA.
Que te fizeram eles?
Pamela, que se passa?
N�o!
Agora sabes porque estou aqui.
N�o h� volta a dar.
Se n�o me ajudas, ao menos n�o me atrapalhes.
- Bernab�. - Sim?
O que tem o teu irm�o no armaz�m?
N�o sei.
Bernab�.
Legendas: Mariana Lima
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