All language subtitles for Bitter Daisies s01e02

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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

Onde nos encontramos?

Na estrada da f�brica. Tenho de te contar uma coisa.

Tenente Rosa Vargas,

Pol�cia Judici�ria, Guarda Civil da Corunha.

Estou aqui para reunir informa��es sobre uma desaparecida, Marta Labrada.

- A Marta tinha um carro. - Marta!

- Tinha esta matr�cula? - Sim.

Era ela. De certeza.

O Mu�iz mentiu.

Ele tinha a chapa de matr�cula do carro da Marta.

� um crime.

Chama a Pol�cia Cient�fica.

Queres algo especial?

N�o. S� quero ver.

� dela?

V� por ti mesma.

GUARDA CIVIL POL�CIA JUDICI�RIA

N�o h� corpo. S� roupa.

H�, sim. Mas n�o est�o aqui.

O corpo da Marta � s� mais um.

Acho que temos um assassino em s�rie.

Obrigada. Ajuda-me muito falar consigo.

Os problemas de amor s�o dolorosos.

Levo-te a casa.

Ainda tenho uma aula.

N�o te preocupes.

Depois de tudo o que aconteceu, � melhor descansares.

Justifico-te a falta.

Obrigada.

Ela n�o atende.

O Miguel, o vosso professor?

N�o sei. A �ltima vez que o vi, estava com a Rebeca.

Onde est�o?

O cabr�o tem a minha filha.

Vamos encontr�-la. Onde � o gabinete dele?

Onde raio est�?

Ol�. Desculpa o atraso.

Estivemos a preparar a reuni�o desta semana.

M�e, encontraram a D�ri.

- A s�rio? - Sim.

Que bom!

Disse-te que ia aparecer.

- Est�s a estudar para o teste? - Sim.

- Queres ajuda? - Sim.

O que est�s a estudar?

Estamos a dar o corpo humano.

� um tema dif�cil.

Por enquanto, est� a correr bem.

Qual � o osso mais comprido do corpo?

Sabias que temos mais de 200 ossos no nosso corpo?

A s�rio? S�o muitos para decorar.

Ent�o e estes?

S�o as costelas.

Sabes os nomes todos?

N�o todos, na verdade.

- Eu digo-te. - Est� bem.

Este � o cr�nio,

dividido em partes diferentes.

O angustioso estado das pessoas

que est�o aqui em baixo,

pintou a minha cara com a piedade

que confundiste com terror.

DANTE ALIGHIERI, INFERNO QUARTO CANTO

"O ANGUSTIOSO ESTADO"

Hoje, em Santiago de Compostela,

marca-se o in�cio da 35.� Jornada Mundial da Juventude,

que culminar� com a chegada de Sua Santidade, em cinco dias.

Estima-se que mais de um milh�o de pessoas, sobretudo jovens,

j� encham as ruas da capital galega.

Conchi, apaga-me essa merda do Papa.

Nem vamos ter liga por causa dessa merda.

Para onde olhas?

N�o tenho medo da Guarda Civil.

Anteontem, n�o parecia.

Uma coisa � um homem, outra coisa � uma novata.

Se fosse por mim, passaria a tarde numa cela.

Ainda estou a tempo.

N�o tens coisas melhores a fazer?

Como o morto que encontraram na f�brica velha?

Onde ouviu isso?

� uma vila pequena. Sabe-se tudo.

Sabe-se mal. N�o encontr�mos nenhum morto.

Bom dia.

Temos o relat�rio da Pol�cia Cient�fica.

GUARDA CIVIL

Nunca tivemos um caso assim.

E se queremos ajudar a tenente,

vai precisar de um espa�o para trabalhar.

E de um quadro, para p�r as coisas do caso.

N�o � muito, mas � o que temos.

Comecemos por rever.

A Marta Labrada trabalhava na gasolineira com a Rafa

e morava na Pens�o Santa Rita.

Aqui ficam suspeitos e testemunhas, como a tua filha.

Se for dif�cil, h� muito que fazer no evento do Papa.

Rebeca, a minha filha.

E Brais, o namorado.

Ambos amigos da Marta.

Algo mais sobre eles?

O Brais trabalhava na oficina com o Mu�iz

e o Mu�iz tentou fazer-nos crer

que a Marta fugiu e est� em paradeiro desconhecido.

Na oficina, encontr�mos a matr�cula do carro da Marta,

que apareceu queimado na f�brica velha.

A chapa de matr�cula da oficina

pertence ao carro queimado.

V�o analisar a bala encontrada l�.

J� pedi para este caso ser de prioridade um.

T�o alta?

Se esta roupa fosse de mulheres mortas, seria de prioridade zero.

O que diz dessa roupa?

� roupa barata.

Tamanhos e tipos de desgaste diferentes.

Pelo estilo e tipo de roupa, podia ser de...

Parece de prostitutas.

Ia dizer que parece de raparigas muito novas.

A equipa forense fez dez combina��es poss�veis, o que daria para dez mulheres.

E a Marta Labrada pode ser uma delas?

Pelo desgaste da mala e da roupa, n�o.

Estavam l� h� muito tempo e a Marta desapareceu h� quatro dias.

O que mais h�?

Algumas pe�as t�m manchas, talvez de sangue.

Tamb�m vermelhas, podem ser de tinta.

V�o analisar no laborat�rio e procurar ADN.

Na mala n�o estava s� roupa.

Estava uma peruca e v�rias joias, muitas estragadas.

� curioso.

- O qu�? - Como disse a equipa forense,

com isto pod�amos vestir dez raparigas,

com acess�rios e tudo, mas ficariam descal�as.

N�o encontraram cal�ado.

Se � um assassino em s�rie,

pode ter um fetiche e colecionar os sapatos das v�timas.

Mas h� duas coisas estranhas.

Entre a roupa, havia dois disfarces de coelhinha

e uma bolsa com uma mancha de batom.

Porqu� pintar com batom?

A mancha n�o estava de fora, mas por dentro.

Talvez tenha sido usada para asfixiar uma das mulheres.

Que filho da...

Ou ter uma parafilia.

Algu�m com asfixiofilia tem prazer sexual sendo asfixiado

e tamb�m gosta de asfixiar.

Podemos enfrentar um poss�vel assassino em s�rie, pervertido, com fetiches

e parafilias. N�o est� mal.

O principal suspeito � o Mu�iz.

O juiz j� emitiu o mandado de busca.

At� estarmos certos, � melhor n�o alarmar as pessoas.

J� se especula sobre o que encontr�mos na f�brica.

Eu trato disso.

A Pol�cia Cient�fica continua a recolher amostras na pens�o e na oficina.

O juiz pediu ao banco que nos envie as contas da Marta.

Veja se consegue que nos enviem tudo das mulheres desaparecidas na �rea.

Fala com o Brais. Trabalha na oficina, pode ter visto algo.

Mais uma coisa.

Onde h� lojas de disfarces?

LISTA DE LOJAS DE DISFARCES

Estou. T�m ou tiveram um disfarce de coelhinha?

N�o, n�o pe�o para encomendarem, pergunto se t�m.

Sei que n�o � Carnaval.

Que lhe importa para o que o quero?

Sim, de coelhinha.

N�o, n�o � o mesmo.

O tamanho? Tanto faz.

Sim, pode ser pequeno.

Grande tamb�m, n�o importa.

Se n�o t�m, porque perguntou o tamanho?

De coelhinha, sim.

T�m?

Estou muito interessada.

Posso falar consigo?

A LOJA DA LOLA

Sim, at� logo.

O que fazes?

N�o! N�o!

N�o me toques!

N�o sabia que ele tinha essas matr�culas.

Sei que � ilegal

e t�-lo-ia denunciado. - Est� bem.

N�o viste nada estranho?

Ver, n�o.

Mas o Mu�iz tem estado estranho, h� uns meses.

De mau humor.

Falta ao trabalho, deixa as coisas a meio.

Se perguntamos, manda-nos � merda e diz que � o chefe.

Viste a Marta Labrada por aqui?

Ou o Mu�iz falou-te dela?

N�o.

Quanto tempo vai estar fechada?

N�o sei.

O juiz � que sabe.

Os clientes perguntam pelos carros.

E n�o sei como isso me vai afetar.

Se o Mu�iz n�o volta ou � condenado...

� o meu emprego.

Com a tua idade,

um rapaz com dinheiro, com carro...

Aposto que as raparigas adoram, certo?

Trouxeste muitas c�?

A sua filha nunca.

- J� n�o estamos juntos. - N�o?

Quem acabou?

Ela.

Sei que n�o gosta de mim,

mas... - N�o � por ti.

A Rebeca merece melhor que esta vila de merda.

Concordas comigo, n�o?

Trabalho para que tenha um bom futuro longe daqui.

N�o quero que se apegue a nada.

Nem a ningu�m.

Muito bem, Bernab�. Que corajoso!

N�o foi nada, querido. V�s?

Chamou-me porque n�o te encontrava.

Vi agora a mensagem. Est�s bem?

- Lutou com um rapaz. - Deixa-me ver.

Devias ver como ficou o outro.

Ele queria tirar-me isto.

Eu fico com ele.

Est� bem. Passa-se alguma coisa?

N�o.

Mas � melhor ires.

Est� bem. Sim.

Antes que algu�m nos veja.

Jeitosa, que fazes a�?

Porque n�o fazes um trabalhinho?

Porque n�o bazam?

- Anda ao meu carro. - Sai da minha frente, idiota.

Ligou a perguntar por este disfarce?

Guarda Civil.

Tamb�m temos de guarda.

N�o, disse que sou pol�cia.

Desculpe.

� t�o nova e com roupa normal.

� da Guarda Civil? A s�rio?

Procuro uma pessoa que comprou um disfarce destes.

Tem uma lista de clientes?

N�o.

Mas passou-se algo de estranho com este disfarce.

H� duas semanas...

N�o estamos no Carnaval, nem no Dia das Bruxas.

� quando mais vendemos. No resto do ano, n�o d� para muito.

Uma festa, despedida de solteira...

- Que aconteceu h� duas semanas? - Desculpe.

Um homem pediu-nos 15 disfarces iguais a este.

Foi este homem?

N�o, era mais novo. Uns 30 e pico.

De aspeto normal.

T�o normal, que n�o sei se me lembraria, se me mostrasse uma foto.

- Ele disse para que os queria? - N�o era falador.

- Pagou com cart�o ou dinheiro? - Dinheiro.

Mas n�o foi o mais estranho.

Uns dias depois,

veio uma rapariga e comprou o mesmo disfarce.

Como era a rapariga?

Essa era f�cil de lembrar. Era nova.

Muito bonita. A senhora tamb�m � bonita.

E muito alta.

Ela n�o era t�o alta. Era assim...

Era esta?

Sim, era esta.

Disse que era para uma pe�a de teatro.

Mas n�o sei em que pe�a de teatro aparecem coelhinhas dessas.

S� se for uma vers�o picante de Os Velhos N�o Se Devem Apaixonar.

S� mais uma coisa. Conhece?

N�o, de todo.

Lembrar-me-ia.

Quanto custam estas perucas?

O que queres?

Pedir-te desculpa.

Pedir desculpa � uma inven��o fabulosa.

Tentas usar-me como colch�o

e quando recuso, chamas-me pudica e pronto.

Na manh� seguinte pedes desculpa e tens a Rebeca de volta?

- N�o. - Rebeca.

Rebeca!

Amo-te.

Sei que nunca to disse, porque n�o sou rom�ntico.

Mas � verdade.

Fui um cabr�o, um idiota, o que me queiras chamar.

- Foste. - Estou arrependido.

N�o te quero perder, Rebeca.

Obrigado por isto.

E por n�o contares

que estava contigo quando vimos o carro da Marta.

Para qu� a preocupa��o?

O teu pai esteve na oficina.

Acham que o Mu�iz teve algo a ver com o desaparecimento.

Se descobrirem que menti...

E se descobrirem?

N�o fizeste nada, pois n�o?

N�o. Claro que n�o.

N�o quero que chegues tarde.

Eu levo-te, se quiseres.

Passei a sa�da e n�o sei onde estou.

No meio da floresta.

H� uma esp�cie de armaz�m vermelho.

E pain�is publicit�rios.

VILA SUSANA KM 25 SEM PAIN�IS PUBLICIT�RIOS

SA�DA DA AUTOESTRADA - AC 27 TEM PAIN�IS - SEM ARMAZ�M VERMELHO

� verdade o que dizem da f�brica?

Que encontraram um morto?

Encontr�mos provas de um caso, n�o um morto.

E tive de falar com o teu ex.

J� estamos juntos.

Se queres estudar fora, n�o podes perder tempo com esse arruaceiro.

N�o � um arruaceiro.

E tiveste de ir com a tua companheira nova?

- Companheira? - Chama-se Rosa Vargas.

Esteve na minha escola.

N�o � minha companheira. � da Judici�ria.

Estamos a ajud�-la numa investiga��o.

- Como �? - Como �? Bem...

Um pouco estranha.

� bonita?

N�o. � normal.

J� sabem que n�o posso falar do trabalho.

Gostava de ir jantar a Vigo, mas n�o posso.

Temos um caso muito importante.

Como assim, "final da vida"?

Vou reformar-me e n�o morrer.

Porque te preocupas tanto agora, se nunca ligas ao teu pai?

N�o ligo para n�o te chatear. Parece que nunca ligo em boa altura.

Sandra, ouve, n�o desligues...

Merda.

�s igualzinha � tua m�e.

Encontrei a loja de disfarces.

Uma loja a 20 km da vila.

- A Marta... - N�o se mexa!

M�os ao ar!

Soube que andavam � minha procura.

O corpo est� onde ele disse. Queimado.

O que mais querem saber?

Matou a Marta Labrada?

Matei.

- Porqu�? - Como o fez?

H� quatro dias, vi-a no carro.

Disparei e ficou ferida.

Queimei o carro na f�brica e guardei as matr�culas.

- Vendem-se por muito dinheiro. - E a Marta?

Escondi-a num edif�cio abandonado, no parque industrial.

- Matei-a ontem e enterrei-a. - Porque a queimou?

Para n�o ser encontrada.

Para n�o deixar provas.

- Sim. - Que mal tinha deixar provas,

se se ia entregar e confessar?

Responde, Mu�iz.

Pensava fugir, por isso a queimei.

Mas, depois, mudei de ideias.

E a roupa que encontr�mos?

� s� roupa.

Tinha sangue. Estava onde deixou o carro da Marta.

- T�m os corpos? - N�o.

- N�o passa de roupa. - E se aparecerem?

Ent�o, falaremos.

Porque o fizeste? Raios!

Estiveste no batizado da minha filha e da minha neta...

N�o sou dos que se deixam lixar.

Se algu�m se aproxima demais e com m�s inten��es...

Foi por isso que matou a Marta? Ela aproximou-se demais?

N�o o planeei.

Meteu-se no meu caminho.

Tentou roubar-me.

Vendia droga, n�o era boa rapariga

e ningu�m sentiria falta.

Tal como as outras?

Porque se entregou?

Gosto de ca�ar e n�o de ser ca�ado.

N�o tenho feitio de presa.

Estou velho para andar a fugir.

Viverei melhor na pris�o que na oficina.

Para mim, � claro.

� psicopata e temos a confiss�o.

Caso encerrado.

Nada mal para uma novata.

O que �? O que foi?

N�o tem l�gica.

Concordo. Nada disto tem l�gica.

O Mu�iz � louco. Que l�gica querem?

N�o tem l�gica porque o conhe�o desde sempre.

N�o o conhe�o e tamb�m n�o percebo.

N�o suspeit�mos dele quando veio c� com a hist�ria de que a Marta o roubou.

E quando s� queremos falar, desaparece.

E, de repente, entrega-se e assume tudo.

Os psicopatas querem reconhecimento, que se saiba.

Estava a brincar connosco.

Porque n�o temos sapatos?

Porque n�o fala das outras, se quer reconhecimento?

Est� a encobrir algu�m.

Est�vamos a aproximar-nos de algu�m e ele veio despistar-nos.

Agora que temos o carro e a roupa, aparece e assume tudo.

Porque faria algo assim?

N�o sei.

Esclareceremos as d�vidas quando chegar o relat�rio da Bal�stica.

Muito bem. Obrigada.

O que �?

A bala foi disparada pela pistola do Mu�iz.

- Caso encerrado. - Se est� a encobrir algu�m,

pode ter ficado com a pistola dessa pessoa.

Pode. Mas os casos fecham-se com provas e factos e n�o hip�teses.

Tens uma confiss�o, a arma do crime e o corpo. Que mais queres?

Senhora, um dia destes, mata-me de susto.

Respire, ou ainda lhe d� uma coisa.

- Hoje tenho muita pressa. - Muita pressa.

Assim, n�o chega a velha.

Se chegar aonde vou, j� fico feliz.

S� um minuto, mulher.

Fez algo acerca do meu problema?

O avi�rio?

- N�o, ainda n�o. - Ainda n�o?

Pensei que sim.

Como vi tanto movimento da Guarda

na estrada e em toda a vila...

Isso foi por outra coisa.

- Que coisa? - Coisas da Guarda Civil.

E n�o me pode contar?

Nem me contam a mim.

Est� bem.

Deve ser pela visita do Papa.

Andam todos malucos com isso.

Mas n�o se preocupe.

Se descobrir algo, conto-lhe.

Mas n�o se esque�a do meu assunto.

- N�o se preocupe. - Espere.

Para ver o que a vila perde por causa dos meus problemas.

Uma d�zia e a fartura.

A fartura?

Tem de ser um n�mero �mpar, para dar boa sorte.

E a si boa falta lhe faz, rapariga.

Dr. Andrade? Queria falar de um dos seus pacientes.

Mu�iz.

Sim, da oficina.

Olha para mim!

Quem �s?

Quem eras quando vinhas comer a minha casa?

N�o sei se mataste as raparigas

ou encobres o filho da puta que o fez.

Mas, seja como for, n�o te reconhe�o!

N�o sei porque o fazes, nem porque n�o queres falar comigo.

O que me escondes?

Est� a morrer.

Cancro de pulm�o, est�gio IV, com met�stases por todo o corpo.

Est� vivo por milagre.

O filho � camareiro na Alemanha.

Acaba de receber imenso dinheiro.

Pensa que � da venda da casa.

Mas o banco disse-me que est� hipotecada

e a oficina tem preju�zo.

Onde arranjou o dinheiro?

Ou melhor,

quem lhe pagou para assumir um crime que n�o cometeu?

Quero um advogado.

N�o me venhas com essas.

De onde vem isso? Confessa!

Prefiro inspirar �dio que compaix�o.

Algu�m mais n�o acredita nisso.

Acabo de falar com o seu filho.

N�o o metam nisto.

Foi o Mu�iz que o meteu.

Ele disse-me que � um homem bom e trabalhador

e quero acreditar.

Ligue-lhe. Ele est� � espera.

Que mem�ria quer que tenha do seu pai?

Diz-nos quem est� por tr�s disto.

Mu�iz!

Chame uma ambul�ncia.

SUSPEITOS - AMIGOS - DESAPARECIDA

O Mu�iz chegou morto.

Lamento. Enganou-me completamente.

Isto � do banco onde a Marta tinha o dinheiro.

- Algo interessante? - Posso?

Movimentos do �ltimo ano.

O sal�rio da gasolineira,

algum dinheiro extra,

provavelmente de droga.

N�o gastava muito.

Caramba!

O que foi?

H� quatro meses, come�ou a ter grandes rendimentos extra.

De quanto?

De 3000 euros. Cinco vezes, de forma irregular.

A que se pode dever?

N�o sei, mas � claro que a pessoa que procuramos

teve dinheiro para pagar ao Mu�iz.

Pode ter a ver com a Marta.

Se precisar da nossa ajuda, pe�a.

Agora, temos de tratar de outros assuntos.

Com o Papa, tenho metade do pessoal em Santiago

e vamos precisar de todos.

Claro.

Miguel, podemos falar um minuto?

Sim, claro.

Investigo o desaparecimento de uma rapariga, Marta Labrada.

A que trabalhava na gasolineira?

Sabe algo mais dela?

N�o.

Porque acha que tinha isto entre as suas coisas?

� um dos nossos uniformes.

As raparigas p�em iniciais nas etiquetas, para o caso de os perderem.

Pelas iniciais, pode ser da Rebeca Seoane.

Sentirei falta do Mu�iz.

N�o me importo com a oficina.

Era estranho, mas bom tipo.

Foi melhor comigo que o meu pai.

N�o sabias que estava doente?

Podes acelerar quando disser?

Claro.

Acelera.

Acelera!

J� est�. Para.

- Que �? - Tiveste tempo de apagar fotos,

mas n�o mensagens.

Foi h� muito tempo.

Est�vamos juntos antes de a Marta aparecer.

Foi uma vez. Uma parvo�ce. Amo-te.

- N�o � o que dizes nas mensagens. - Espera.

Rebeca, espera.

Espera, por favor.

- Espera. - Deixa-me!

Procurava-te. Est�s bem?

Dei-lhe outra oportunidade

e o cabr�o tra�a-me com a Marta.

N�o quero que lhe aconte�a nada de mal,

mas se a visse agora, arrancava-lhe os olhos.

Como me p�de fazer isto?

Lamento muito.

Toma.

Lamento por ele e n�o por ti.

N�o encontrar� melhor na vida.

O meu pai ficar� maravilhado.

N�o gostava do Brais.

�s vezes, os pais t�m raz�o.

O meu pai tem sempre.

N�o quero que lhe conte nada.

Gosto que me veja como a sua menina.

Ama-lo muito, n�o �?

Devo ser a �nica da escola que tem orgulho no pai.

Mesmo que guarde segredo.

N�o � f�cil ser filha de um guarda civil.

Porque deste um uniforme � Marta?

Estava pequeno.

Ela disse que o queria para o Carnaval, mas nem veio.

Achas que o Brais fez algo?

J� n�o sei o que pensar.

E arrependo-me.

De qu�?

N�o contei a verdade toda.

Quero que vejas esta foto.

A dedicat�ria era para ti.

- N�o. - N�o estou a perguntar.

A Rebeca contou-me tudo. Porque mentiste?

Pela Rebeca.

Eu e a Marta decidimos n�o contar.

Se gostavam tanto da Rebeca, porque lhe fizeram isto?

Para ser sincero,

a Marta dava-me coisas que a Rebeca n�o queria ou n�o podia dar.

Ent�o, usaste as duas.

N�o. Amo a Rebeca.

Mas a Marta era...

N�o sei.

Ou a odiavas, ou ficavas louco por ela.

Do amor ao �dio � um passo.

N�o fiz nada � Marta.

Estava aqui a trabalhar quando desapareceu.

Quem podia ter sido?

N�o sei. A Marta era muito reservada, at� comigo.

Vi na conta dela que, de vez em quanto, recebia muito.

Traficava.

� muito dinheiro para um traficante.

- No que estava metida? - N�o sei.

Mas, h� uma semana, despediu-se de mim.

Disse que arranjou um trabalho novo

e que quando lhe pagassem, se ia embora.

Quando desapareceu, pensei que fosse por isso.

Mas n�o podia contar � Rebeca.

Que trabalho era?

N�o me disse.

MARTA QUARTO 11

- Ol�. - Ol�.

S�o muito bonitas.

Queres comprar algo mais?

- Claro. - N�o. Esta.

- Um euro e meio, certo? - N�o.

Para ti, � s� um euro.

Obrigada.

De nada.

Vendes muitas destas?

N�o muitas.

Uma amiga minha tinha uma.

Deves lembrar-te dela.

A Marta Labrada.

Marta.

- Marta. - Passou-se algo com ela?

N�o. Ela era

muito s�ria com todos.

Mas sorria sempre para mim.

Ent�o?

Disse-me que havia gente que lhe queria fazer mal.

- Que gente? - N�o me disse.

N�o...

- Quando te contou isso, Bernab�? - N�o sei.

Espera.

H� quatro dias.

Foi quando desapareceu.

Havia outra pessoa ou outro carro, nesse momento?

Tenta lembrar-te, � importante.

N�o, n�o posso, porque...

Porqu�, Bernab�? O que foi?

N�o posso, desculpa.

N�o me toques. Est� bem?

- N�o me toques. - Est� bem.

- S� mais uma coisa. - O qu�?

Tiraste uma foto � Marta?

Posso v�-la?

Est� bem.

Ela sorria sempre para mim.

DESAPARECIDA RESPONDE POR D�RI

Desculpa.

- �s a Rosa, certo? Da Guarda Civil? - Sim.

Sou a Luisa. Esposa do Mauro.

- Muito prazer. - Igualmente.

O meu marido fala muito de ti.

Mas �s mais alta do que pensava.

Decerto tens saudades de comida caseira,

janta l� em casa quando quiseres.

- N�o ser� poss�vel. - N�o sejas t�mida.

- Esperamos-te amanh� � noite. - N�o posso.

Depois de amanh�, ent�o. Pelas 22 horas.

Adeus. Nesta vila, somos gente muito am�vel.

Toma, D�ri.

Isto � para ti.

Caso haja um acidente.

J� que n�o sa�mos muito.

Nem tenho tempo de te devolver aos teus donos.

PRONTA PARA TUDO. CASA PR�PRIA OU DOMIC�LIO.

�TIMO SERVI�O. DISCRETA.

Ol�, sou a Marta. N�o posso atender.

Deixa mensagem e n�mero e ligo-te de volta.

P�TALAS - AS RAPARIGAS MAIS SEXY SERVI�O 24 HORAS

E o jantar?

No tacho, � s� aquecer.

O dinheiro?

� a primeira vez que me pedes dinheiro.

� um trabalho, certo?

� pelo que aconteceu na vila?

N�o fizeste nada.

N�o nos dev�amos conhecer.

E um bom crist�o n�o devia ajudar uma mulher insultada?

Mesmo que seja uma puta?

Porque � assim que me v�s.

Mesmo que n�o durma com outros h� anos.

Insultaram-te e n�o reagi. Mas j� est�.

- Acabou. - N�o.

N�o acabou, Xabier.

Acontece-me todos os dias.

O que � isto tudo?

Quando vais � igreja e te confessas ao teu amigo padre,

falas de n�s como um pecado, certo?

� assim que me v�s?

Como um pecado?

N�o fiz as leis da Igreja.

N�o te estou a perguntar pelas leis da Igreja,

mas pelo que sentes.

E est� claro que para ti sou um pecado! Um erro!

- N�o. - Sou algo que te envergonha.

- Tamb�m n�o. - Ent�o, o que sou?

A culpa � minha por me iludir.

Pagas-me porque fa�o bem o meu trabalho.

Cuido de ti

e fa�o-te feliz.

Mas eu n�o tenho de o ser.

A Samanta?

Teve de ir.

Hoje, diverti-me na igreja.

Vendi uma das minhas figuras � Rosa,

a amiga do Mauro.

Da Guarda Civil?

� muito simp�tica

e faz muitas perguntas.

Que perguntas?

J� era hora de renovar a mercadoria.

N�o �s mau. Quanto cobras?

Como assim?

Eu � que pago.

E pago muito bem. Por ti, ainda pagava mais.

N�o tocas at� pagares.

Aqui, quem paga manda.

Est�s a cinco segundos de viver o momento mais humilhante da tua vida.

Se n�o gostas que os homens te abordem, o que fazes aqui?

Uma mulher pode gostar de estar com outra mulher, ou aqui � estranho?

Querida,

estou c� h� tanto tempo, que nada me parece estranho.

Mas numa terra pequena � pouco frequente.

E se estiver disposta a pagar?

Caramba.

Acho que te confundiste.

Aqui, n�o se paga por isso.

Isto � um neg�cio legal.

Um clube.

Vendemos o champanhe que os clientes pagam �s raparigas.

O que acontece depois, nos quartos,

n�o nos diz respeito.

S� os arrendamos e vendemos o champanhe.

E quanto custa?

Depende.

Para convidar aquela.

Oitenta euros.

� champanhe caro.

Queres ou n�o?

Pamela?

Sei que n�o � habitual, mas quer convidar-te.

O que achas?

Estive em trios com uma colega.

Mas nunca s� com uma mulher.

Ent�o, se queres algo especial...

... n�o sejas t�mida.

Sim, quero algo muito especial.

Quero falar.

"Falar."

Dizer-me coisas porcas ou assim?

Falar das coisas que acontecem nesta vila.

As pessoas n�o v�m c� falar.

Sou uma guarda civil.

Procuro uma rapariga. Marta Labrada.

Trabalhou aqui?

Alguma vez ouviste:

"Calada como uma puta?"

A Marta ganhava dinheiro a deitar-se com homens.

Tinha um cliente que queria o estilo colegial.

Apaixonou-se por ela e deu-lhe muito dinheiro.

Hoje, encontr�mos o corpo de uma rapariga.

- De quem? - Pensamos que � a Marta.

E que esse cliente a matou.

Tamb�m sabemos que n�o foi a sua �nica v�tima.

H� outras?

Ele procura mulheres com quem ningu�m se importa.

Como tu.

Tens de me ajudar.

- N�o posso. - Diz-me que cliente

gosta de menores de idade e de uniformes.

Ou fodemos, ou vais-te embora.

Se n�o paramos isto, morrer�o mais.

Toma.

� o meu n�mero.

N�o gosto que a tenhas convidado.

Muito menos sem me consultares.

Convidas o Alberte quando queres.

O Alberte � da casa.

O que tem a Rosa? Porque n�o queres que venha?

Deixa-te nervoso, ou n�o queres que me conhe�a?

- N�o sejas parva. - Ent�o?

N�o a conhecemos, � estranha e n�o confio nela.

Ainda ontem, o Miguel disse-me que esteve na escola a perguntar pela Rebeca.

Depois viram-nas a falar na rua e a Rebeca estava a chorar.

- A Rebeca n�o me contou. - Nem a mim.

Antes, contava-nos tudo.

- N�o culpes a Rosa. - Ent�o culpo quem?

A n�s. Algo estaremos a fazer mal.

- Que culpa tenho? - Estamos a perd�-la

por causa desse feitio horr�vel que tens ultimamente.

Antes, n�o eras assim.

Se n�o gostas, sabes o que fazer.

O pequeno-almo�o?

Vai j�.

Como querem que confie neles, se n�o param de discutir?

E quando conto algo de que n�o gostam, armam uma confus�o.

Ignora-os. Em breve ter�s 18 anos e poder�s fazer o que quiseres.

E vou fazer o qu�? Sair de casa? Com quem?

O Brais traiu-me. A Marta traiu-me.

Podes confiar em mim.

Eu sei. Desculpa ser t�o chata.

N�o sei o que faria sem ti.

Os amigos servem para isso.

Al�m disso, quando o meu primo vir as tuas fotos,

come�ar�s a ganhar dinheiro como modelo e influencer, ver�s.

A� poder�s fazer o que quiseres.

Obrigada.

David. N�o preciso de mais confus�es.

- N�o. Espera. - Larga-me.

- Espera. - Mandei largar.

- Ouve. - David!

Larga-a.

Ele magoou-te?

- N�o. - Ent�o o que foi?

Tudo o que eu tinha desapareceu.

- Sim? - Rosa, � a Pamela.

Ainda queres falar comigo?

Daqui a meia hora, na Pens�o Santa Rita. Quarto 10.

- Ent�o? - Deixe o meu irm�o em paz!

- Largue-me! - Para!

Porque tem de o chatear?

Xabier, o que fazes?

O Bernab� conhece a Marta Labrada e procuro-a.

S� lhe fiz umas perguntas, nada mais.

O Bernab� nunca faria mal.

N�s sabemos, Xabier. N�o fiques assim.

Da pr�xima, fale primeiro comigo.

Agora vai. Agradece n�o seres preso.

Eu � que decido se o prendemos.

N�o fiques zangada.

Pode ser bruto, mas � boa pessoa.

Antes era um tolo,

mas o que aconteceu ao irm�o arruinou-lhe a vida.

Um dia, bebeu demasiado e teve um acidente de moto.

Levava o Bernab�.

Ele n�o teve nada, mas o Bernab� ficou como est� agora.

O Xabier mudou. Deixou de beber, passou a ir � igreja

e dedicou-se a cuidar do irm�o.

Por isso � t�o protetor.

- Tu sabes... - Eu entendo. Tenho de sair.

- Queres que v� contigo? - N�o.

Ningu�m sabe pelo que passo e tratam-me como uma crian�a.

N�o percebem nada.

Para os teus pais, ser�s sempre uma crian�a. N�o leves a mal.

Obrigada. Ajuda-me muito falar consigo.

Bebe isto. Vai relaxar-te um pouco.

Achas que �s muito crescida?

N�o temos tanta diferen�a de idade.

H� pouco, estava na universidade, com os mesmos problemas.

Os problemas de amor s�o dolorosos.

Mas, felizmente, s�o breves.

A juventude dura muito pouco.

E quando acaba, lamentas ter perdido tempo

com lamenta��es,

quando havia tanto para gozar.

Que cliente pediu mulheres de uniforme escolar?

Encontraram mesmo o cad�ver de uma mulher?

- Sim. - Era a Marta?

Isso � confidencial.

Se n�o me vais dizer nada, podes ir.

N�o quero perder tempo.

H� uns dias, desapareceu uma rapariga do clube.

�rika.

Estava c� h� pouco tempo, mas era encantadora.

Aguentava tudo isto para mandar dinheiro aos filhos.

Pensas que encontr�mos a �rika?

Desapareceu h� dois dias.

O corpo estava queimado. Ser� dif�cil identificar.

Tinha um dente partido recentemente.

Alguns s� se sentem homens quando batem numa mulher.

Achas que algu�m queria que pens�ssemos que a Marta est� morta?

Esta vila tem muitos pecados.

Pode ser que uma rapariga morta seja a melhor forma de os manter ocultos.

O David � uma crian�a, como todos os teus amigos.

Apesar de serem da mesma idade,

�s muito madura para os rapazes da tua idade.

Talvez por isso me sinta t�o s�.

N�o tens de te sentir.

Est� bem. Muito obrigada.

Verificar�o os dentes.

Dizes-me se for a �rika?

Primeiro, tens de me dizer quem � o cliente

que gostava de mi�das de uniforme.

Chamo-me Ana e n�o sou mexicana.

Os clientes gostam de mulheres ex�ticas.

� s� marketing.

Como acabaste no clube?

Como todas as hist�rias que acabam mal.

Um pai que te bate, apaixonada pelo homem errado.

Pelo menos, n�o fui traficada.

Porque me contas isto tudo?

Para confiares em mim.

Se queres que confie, diz-me quem � o homem.

Ficarias espantada por saber quantos homens respeit�veis

fantasiam em faz�-lo com uma mi�da.

Depois voltam para casa, para o beijo de boa-noite aos filhos.

Estamos rodeados de monstros.

Levo-te a casa.

Ainda tenho uma aula.

N�o te preocupes.

Depois de tudo o que aconteceu, � melhor descansares.

Justifico-te a falta.

Obrigada.

Sabes quem �, certo?

Ana, tens de me dizer.

A Marta e outras mulheres podem estar em perigo de vida.

Estou a arriscar-me por ti. Quero algo em troca.

Tens de apanhar o culpado.

N�o deixarei que te aconte�a nada.

Tens a minha palavra.

Mas tens de me dizer quem � o homem.

Ela n�o atende.

- Viste o Miguel? - N�o.

O Miguel, o vosso professor?

N�o sei. A �ltima vez que o vi, estava com a Rebeca.

Onde est�o?

- O cabr�o tem a minha filha. - Vamos encontr�-la. O gabinete dele?

Onde raio est�?

- Merda. - O que �?

Porque quereria o meu uniforme?

Quem sabe? Mas decerto n�o � o que mais te d�i na Marta.

Nunca disse o nome da minha amiga.

Rebeca, sou o professor, tenho de saber de voc�s.

Pare o carro! Deixe-me sair!

Miguel, para o carro!

Para o maldito carro!

Sai da�!

Sai.

Calma, Mauro.

Antes que chegue o juiz e o meu advogado,

gostava de saber de que pensam acusar-me.

� suspeito do desaparecimento da Marta Labrada

e possivelmente de outras mulheres. - Qu�?

� absurdo. Quando desapareceu a Marta Labrada?

H� cinco dias. Entre as 15h30 e as 16 horas.

Qual � a gra�a?

H� cinco dias, estava num congresso em Madrid.

Falei diante de mil e tal professores de toda a Espanha.

Podem comprovar. Est� na p�gina do Minist�rio da Educa��o.

Irei comprovar.

Sabemos que paga para se deitar com mulheres muito novas.

Sempre maiores de idade.

N�o tenho porque o negar.

�s vezes, vou �s putas. Sim, como muitos.

Mas n�o vou ao clube,

porque n�o seria bom que os pais que est�o l� vissem o professor das filhas.

Por hipocrisia da parte de todos, sim.

Mas n�o � um crime.

Pelo menos, n�o � o crime de que me acusam.

E pedir-lhes que vistam o uniforme da escola onde trabalha?

Porque era o que fazia com a Marta Labrada.

� estranho, um fetiche, mas n�o � crime.

Nunca pedi � Marta que usasse esse em concreto.

Podia ser qualquer um.

Quanto pagava � Marta?

Duzentos euros, mesmo que me tenha sa�do mais caro.

Porqu�?

Tratam-me como culpado quando sou uma v�tima.

A Marta filmou um dos nossos encontros.

Chantageou-me para n�o divulgar o v�deo.

Custou-me 3000 euros.

S� pagou isso?

Parece-lhe pouco?

A Marta tinha cinco dep�sitos com a mesma quantia na conta.

Sou professor e n�o futebolista.

N�o poderia pagar tanto.

� um bom motivo para lhe fazer mal.

Sim, mas tenho um �libi.

O que aconteceu com a Rebeca?

Nada. E nada ia acontecer. N�o lhe ia tocar.

S� se ela deixasse.

� menor.

T�m provas disso?

N�o.

N�o sou perfeito, mas n�o � a mim que procuram.

Agora v�o soltar-me,

ou preferem passar vergonha � frente do juiz?

- At� amanh�. - Adeus.

VOU CHEGAR TARDE. TRABALHO.

Nunca mais te quero ver em Muri�s.

A Marta prostitu�a-se e chantageava os clientes.

O Miguel foi um deles.

Mas n�o � o nosso homem.

Chantageou outros quatro. Talvez um seja o assassino.

Se n�o o encontrarmos, voltar� a matar.

Ol�.

Toma, p�e isto.

O que �?

Gostas?

Tiraram ADN das manchas de sangue. Pertence a mulheres.

Tamb�m tiraram ADN da n�doa de batom, mas, aten��o,

� de um homem.

J� vi que gostaste e vens repetir.

H� algum cliente que goste de se vestir de mulher?

- Porqu�? - � o nosso suspeito.

S�o os encontros da Marta com cinco clientes.

Conhecemos um, o Miguel.

Mas tem um �libi.

Est�s t�o bem, que vamos experimentar algo mais art�stico.

Tira o soutien.

Tapa os seios com as m�os

e vou focar-me na lateral.

A Marta desapareceu, n�o morreu.

At� termos os corpos, n�o passa de roupa.

Mas h� um corpo.

Da �rika Mejade.

Devia trabalhar no clube.

O que aconteceu � �rika?

Teve problemas consigo ou com algum cliente?

Comigo? N�o.

Legendas: Ana Braga

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