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Original subtitles

Est� acordado!

Ele acordou.

- Santo Deus. - Ele acordou.

UM ANO ANTES

Bom dia.

Bom dia.

N�o � bom, de todo.

Cura para a ressaca

e a marca��o das 10 horas.

N�o recebo ningu�m antes do meio-dia.

Nem pensar nisso. Insististe.

Disseste que t�nhamos de fazer isto, nem que tivesses de implorar.

Cara�as.

A ama.

Au pair. Toma.

Au pair.

Mna. Jessel.

Sou o Peter Quint. Trabalho com o Henry.

Sr. Quint.

Desculpe, tem uma n�doa. A�.

Precisa de um minuto?

N�o.

J� est� bom.

Ele vai reparar.

Est� bem.

- Fa�a o favor. - Obrigada.

Sr. Wingrave,

esta � a Rebecca Jessel.

Acabei de ler sobre a sua vit�ria

no caso Baker

e tiro-lhe o chap�u.

Leu onde?

The Telegraph, claro.

Tem uma n�doa na blusa.

As crian�as t�m que idade? Sete e nove?

Deduzo que n�o me adianta de nada estar preocupada com blusas.

De facto.

A ag�ncia falou-lhe das nossas circunst�ncias?

Sim, lamento imenso a sua perda. Eu...

... s� posso imaginar o que as crian�as t�m...

- N�o tenho os meus �culos, Peter. - Claro.

Tem refer�ncias impec�veis.

Universidade de Londres, Faculdade de Estudos Orientais e Africanos.

Estudou na SOAS?

S� fiz l� um curso de poesia russa.

E a passagem pela Universidade de Economia de Londres?

N�o � um basti�o de Russo nem bardos.

Estudei l� Direito P�blico.

As surpresas continuam.

Ent�o, porqu� candidatar-se a um cargo de ama

se ambiciona outras coisas?

Acho que n�o encaro isto dessa forma.

Sempre fui boa ama, para ser sincera.

Tenho uma mente inquisitiva.

Fa�o perguntas sobre mim pr�pria e o mundo que me rodeia todos os dias,

e � isso que adoro fomentar nas crian�as.

Espero que isso n�o seja um problema, Sr. Quint.

Ent�o, o que achas?

Au pair.

- Correto, era o foco principal de hoje. - Chamaste-lhe "cargo de ama".

Chamei? Enganei-me.

Que disparate, Peter. Ambos sabemos que n�o te enganas.

Tem a certeza de que � ele?

Sem d�vida.

Tamb�m o vi ontem, na varanda.

- A Hannah diz que se chama Peter Quint. - Eles sabem quem �.

Lembro-me bem dele, mas achei que estaria longe daqui, numa praia.

Meninos, porque n�o v�o para cima?

- Mas... - N�o discutam. Subam.

V�o.

O Quint tirou o dinheiro de uma das contas do Sr. Wingrave.

Mais de 200 000 libras.

Custa a crer que voltasse para roubar a baixela. Mais algu�m o viu?

Bem, eu n�o vi, mas de certeza que ela n�o se enganou.

E as crian�as?

Tamb�m n�o viram.

Eu fiz uma busca e n�o vi nada.

Acho que as minhas luzes o afugentaram. Quem quer que fosse.

Tranquem as portas, as janelas, e liguem-nos se o voltarem a ver.

Para j�, n�o podemos fazer muito mais.

Ent�o, � s� isso?

Fiz uma busca. N�o sei que mais quer que fa�a.

Qualquer coisa!

Ou�a,

eu fiz uma busca.

O Peter � um sacaninha, mas n�o � perigoso.

� ladr�o.

N�o lhe d� acesso �s suas contas

e n�o dever� ter problemas.

Tamb�m vou ligar ao Sr. Wingrave.

Talvez ele tenha outro conselho.

Esperava muito da Pol�cia, se a mem�ria n�o me falha.

E deve manter contacto com o seu superior.

Vou dar outra volta pela propriedade.

Quando sair.

Minha senhora.

- Vai ligar ao Henry? - Vou, mas ele est� a duas horas daqui.

Vou ligar ao Owen e � Jamie.

Aonde vai com isso?

Vou fazer a minha busca.

Sr. Quint.

� um prazer rev�-lo.

O prazer � meu, Mna. Jessel.

N�o h� muitas esta��es nesta parte do caminho, infelizmente.

Desligue, se n�o se importa.

Ent�o, foi a favor ou contra a minha contrata��o?

- Acha que isso importa? - Bom...

Disse que trabalhava com o Sr. Wingrave, mas pareceu-me que a entrevista era sua.

Bem, eu tinha de a contratar.

Quer dizer, j� sou mo�o de recados, motorista e aia.

Se n�o a contratasse, tamb�m seria ama.

Sir Henry � uma pessoa complicada?

� boa pessoa.

Est� a passar um mau bocado.

Em que me meti, exatamente?

Bem, as crian�as s�o inteligentes.

Ainda que um tanto estranhas.

O rapaz � metido com ele, e a rapariga fala com o papel de parede.

Eu referia-me a... Como est�o a lidar com tudo?

Depois de tudo o que passaram.

Sabe...

Os pais n�o voltaram para casa.

S� isso.

N�o compreendem muito mais do que isso.

Ol�.

Que flor t�o linda que tu �s! Como te chamas?

Sou a Flora.

Significa flor. Em latim.

Claro que sim!

- Tu deves ser o Miles. - Ol�.

Deixe-me adivinhar, deve ser a nossa Mary Poppins.

Bem, n�o sou praticamente perfeita,

mas sou... perfeitamente espl�ndida.

- Hannah Grose. - Rebecca.

- � um prazer conhec�-la. - Igualmente.

Este � o Owen.

Prazer.

- E a nossa Jamie. - Ol�.

N�o devias fumar.

Tens raz�o.

Gostas?

Basta virar.

E acender.

- Quero mostrar-lhe tudo. - Isso.

Tem de ver o jardim das est�tuas.

- Deixa a Mna. Jessel instalar-se... - N�o faz mal.

Muito bem.

O jardim das est�tuas � o meu preferido.

Tem flores, claro.

E muito mais.

E s�o todas... perfeitamente espl�ndidas.

A Mna. Jessel deu por si, ao andar pela propriedade de Bly pela primeira vez,

a desejar nunca ter de sair dali.

E afinal...

... nunca sairia mesmo.

- Credo! - Credo!

Matei muitas ratazanas com ela.

N�o me importo nada de juntar o cabr�o do Quint � lista.

Deduzo que n�o gostes dele.

Nem imaginas.

Estou a aprender.

J� percebeste.

Acho que ele pode aprender com este momento.

J� viste l� em baixo?

A Hannah deve t�-las deixado acesas.

Ela acende-as e depois esquece-se.

Um dia, deita fogo a isto.

Vamos.

N�o h� sinal do Pete da Varanda.

Quer um chocolate quente?

At� me arrepio s� de pensar que ele anda por a�.

E se ficarmos aqui esta noite? S� para prevenir.

- Sim! Uma dormida! - Sim! Era giro.

- Isso seria espl�ndido. - Uma dormida juntos. Era giro.

E a tua m�e?

� s� uma noite. J� est� a dormir. � melhor eu ficar aqui.

- Caso certa pessoa apare�a. - Era �timo.

N�o tocou no chocolate quente, Sra. Grose.

Posso beb�-lo?

- N�o, sen�o n�o dormes. - Sim!

Vamos passar a noite acordados!

� tudo t�o entusiasmante!

Vamos ficar acordados a noite toda e vai ser perfeitamente...

O que lhe passou pela cabe�a para aparecer aqui?

N�o pode querer mais dinheiro. N�o pode ter gastado o que roubou.

N�o, obrigada, querido.

Um de n�s tem de estar s�brio para o enfrentar.

Queres o ati�ador ou a ca�adeira?

Casti�al na biblioteca.

Toma.

E se for ele que tem ligado para aqui

e desligado?

N�o eram partidas?

Bom, talvez n�o sejam.

A quem tentaria ligar?

Talvez � Becca.

Porque ligaria a uma morta?

Talvez n�o saiba que morreu.

N�o era conhecida fora do condado.

Ele pode n�o saber de nada.

Talvez tenha gastado o dinheiro todo ou se tenha arrependido.

Ou talvez tenha saudades dela.

Por isso,

liga c� para casa de vez em quando, na esperan�a de que ela atenda, o que...

... nunca acontece.

Ent�o...

... ele regressa para descobrir porqu�.

Isso n�o � bom para ningu�m.

N�o quero estar presente quando o Quint souber que a Rebecca Jessel est� morta.

- Ent�o, estas duas s�o amigas? - Sim.

S�o amigas.

Melhores amigas.

As bonecas s�o rid�culas.

As bonecas s�o maravilhosas.

Podemos inventar todo o tipo de pessoas e contar hist�rias com elas.

Ol�, chamo-me Flora.

Mas n�o s�o inventadas.

Vou fazer uma sua.

Qual � a sua cor preferida?

N�o tenho uma preferida, gosto de todas.

Ent�o, fa�o-lhe uma com todas as cores.

Obrigada.

Entre!

Interrompo?

Vim fazer um recado que Sir Henry me pediu.

Encontrei isto

e achei que flores t�o belas merecem uma mulher bela.

S�o para ti, Flora.

Muito obrigada!

S�o perfeitamente espl�ndidas.

Nunca ningu�m me tinha dado flores.

Achei que eram para a Mna. Jessel.

E agora ela ficou cheia de ci�mes.

Podemos partilhar, n�o podemos, Flora?

Claro.

Tome uma flor, por favor.

Bem, obrigada, Flora.

Vamos p�-las na �gua, sim?

Volto j�.

N�o estragaste o jardim da Jamie, pois n�o?

- Se estragaste, ela zanga-se. - Essa j� nasceu zangada.

N�o sei porque a Flora fica t�o tolinha com umas florzecas.

Sabes o que importa na vida, Miles?

- N�o s�o flores. - N�o.

Chaves.

Sabes, as pessoas s�o como divis�es trancadas.

Todas t�m fechaduras diferentes, e temos de adivinhar a forma da chave.

Por exemplo, como h�...

... chaves para todas as portas nesta casa excessiva e inutilmente grande.

Chaves diferentes para portas diferentes.

Se quiseres que algu�m abra uma porta,

tens de experimentar chaves diferentes at� encontrar a que funciona.

Por exemplo,

para pessoas como o teu tio,

a chave dele � o dinheiro. Ou a lisonja.

Para os cavalos, s�o cenouras. E, para as mulheres, para a maioria...

... s�o flores.

Ent�o, porque deste as flores � Flora?

N�o dei.

Ainda a trabalhar?

Estou quase a acabar.

N�o estou ansioso por sair agora.

Ent�o, n�o saias.

Bebe um ch� at� a chuva parar.

Est� bem.

Ent�o, o que achas disto?

� um bom trabalho.

Sim.

Os meninos s�o muito queridos,

mesmo que, �s vezes, tenha de limpar pegadas de lama.

J� sa�ram � noite por duas vezes.

N�o, referia-me a esta situa��o.

Viver numa mans�o,

os jardins de est�tuas, dar ordens a criados, esta palha�ada.

Quer dizer, n�o sou propriamente a dona da mans�o.

Passei a manh� a limpar vomitado da camisola do rapaz.

Desculpa, n�o tem piada.

Uma pessoa t�o inteligente como tu.

Chega a ser ofensivo.

N�o faz mal.

O Miles � um querido.

N�o era isto que querias.

N�o consigo imaginar uma jovem Rebecca Jessel

a olhar pela janela, para o c�u, a sonhar que um dia,

um dia, estaria a limpar vomitado de um mi�do rico,

enquanto o tutor dele bebia at� cair para o lado.

�s demasiado boa para isto.

Demasiado boa.

E demasiado inteligente.

O Henry pode n�o ver isso, mas eu vejo.

Vi-o no primeiro dia.

Eu disse-lhe: "Um dia, ainda vai ser minha chefe."

Diz-me o que queres.

Quer dizer, toda a gente quer algo na vida,

e aqueles superiores a n�s convenceram-nos de que isso � mau.

Ent�o, o que queres, Rebecca?

Quero ser advogada.

Assim � que se fala.

N�o quero ser solicitadora.

Advogada a s�rio, como o Sr. Wingrave.

Mas, primeiro, preciso de um patrono.

Tr�s alunas do meu ano conseguiram um e todas desistiram no primeiro ano.

Um monte de velhos a tentarem enfiar a m�o pela nossa saia acima,

durante seis meses,

enquanto tentamos convenc�-los de que n�o temos o c�rebro entre as pernas.

E tentaste outra via?

As tuas refer�ncias s�o impec�veis.

Os Astor, Bryce e Gray de Norfolk. Quando pessoas dessas te conhecem,

veem algu�m inteligente e engenhoso a cuidar dos seus herdeiros.

Mas agora...

Agora, tens a mulher ou o filho deles a recorrerem a ti.

E continuas concentrada, continuas a impressionar,

passas por cima dessas m�os gananciosas e encontras um mentor de valor.

O Henry � conselheiro da Coroa e mestre em legisla��o comercial,

mas j� sabias isso quando te candidataste.

J� te topei, Rebecca.

J� te topei.

Ent�o...

... porque est�s aqui?

Porque estou aqui,

na Terra?

Porque estou aqui, a trabalhar para o Henry ou...

... porque estou aqui contigo quando devia estar em Londres h� uma hora?

Vamos por ordem.

Porque estou aqui, na Terra?

Para garantir que deixo mais do que tirei. Porque trabalho para o Henry?

Porque, podes n�o perceber pelo meu ar,

mas tamb�m h� uma barreira que n�o consigo ultrapassar.

Tendo crescido onde cresci, n�o fa�o parte da merda do clube dos ricos.

Ent�o...

... porque estou aqui?

N�o sei.

Mas sinto...

... esperan�a.

E isso n�o me acontece muitas vezes.

Tenho de ir. Desculpa.

- Tens a certeza? Ainda n�o... - N�o faz mal.

O pior j� passou.

Mas obrigado pela bebida e pela companhia.

De nada.

Obrigado pela conversa.

H� muito tempo que n�o tinha uma a s�rio.

Boa noite, Rebecca Jessel.

Boa noite, Peter Quint.

Est�s bem?

C�us, lamento imenso.

Na verdade, n�o durmo bem h� dias.

Bem, Sra. Grose, agora � tarde demais.

V� l�.

Encosta-te e descontrai.

Preferias ser tu aninhada nele?

As mo�as da vila andam doidas por ele.

Ele nem sabe, o que s� piora a coisa.

Parecem a Bonnie e o Clyde.

Sim,

se o Clyde tivesse tra�do a Bonnie.

Ele fugiu.

Ela pagou o pre�o.

E ent�o? Anda a perseguir uma morta?

Arrisca ser preso por algu�m que nem levou consigo? N�o faz sentido.

O amor errado pode foder-nos.

Segue-nos.

Leva-nos a fazer merdas muito est�pidas.

E esses dois,

garanto-te que tinham um amor errado.

Todos tivemos um amor errado, por uma raz�o ou outra.

Mas vi como ele a manipulou.

Como se infiltrou nela.

Sei porque tanta gente confunde amor com posse.

Mas sabes o que isso significa?

Ele n�o a prendeu s� a ela.

Prendeu-se a si pr�prio.

E espero que ela assombre esse cabr�o para sempre.

As pessoas confundem, n�o �?

Amor com posse.

Sim, � verdade.

N�o devia ser poss�vel.

Quer dizer, s�o opostos. Amor e propriedade.

Sim.

Deviam estar na cama.

Sim!

Sim.

- Eu levo-os. - Est� bem.

Vamos l�.

Obrigada.

�s a maior.

Tive um pesadelo.

Fiz-lhe mal.

- E ficou triste. - Nunca me deixas triste, fofucho.

Tens copas?

N�o.

�s mesmo aldrabona! Consigo ver duas a�!

Para de ver as minhas cartas! Mna. Jessel, ele est� a fazer batota!

- Est�s a mentir e isso � batota! - N�o �!

Para de fazer batota, Miles.

Peter!

O que fazes aqui?

E, mais importante, compraste-me mais flores?

N�o.

O teu tio mandou-me fazer recados, vou ficar aqui alguns dias.

- Dias? - Isso mesmo.

A Sra. Grose est� a preparar-me um quarto.

O tio Henry vem c� em breve?

N�o sei.

Porqu� essa cara?

Por nada.

Tamb�m perdi o meu pai.

Eu era mais velho do que tu. E ele n�o valia grande coisa, mas...

J� viste isto, certo?

Era do meu pai.

� um pedacinho dele.

Uma das �nicas partes boas.

Porque n�o ficas com ele?

Queres?

Mas n�o pegues fogo � casa.

Vamos jogar �s cartas!

Tens de ter cuidado, porque o Miles � um batoteiro danado.

- � verdade? - Tirando isso...

... � perfeitamente espl�ndido.

Sim, e �s perfeitamente doidinha.

Para, Miles!

Desculpa, n�o devia...

N�o conseguia dormir e...

Bom dia.

Bom dia.

Algum sinal dele?

N�o, nada. Dei uma vista de olhos r�pida.

Estamos bem seguros.

Acho que o Sr. McQueeny, o meu vizinho, pode olhar pela minha m�e hoje.

Posso ligar-lhe e ficar por aqui, por precau��o.

N�o, a s�rio.

- Sinto-me t�o mal. - � s� um dia.

E ela precisa de passar um dia sem mim. Pode fazer toda a diferen�a.

Obrigada por vires em nosso socorro.

Voc�s socorrem-me sempre.

Bom dia, est� na hora de aco...

J� est�s levantado.

Como te sentes?

Sensacional. Maravilhoso, ali�s. Podemos fazer um piquenique?

Est� um dia maravilhoso.

Quando encontrarmos a Flora, vamos sair.

Encontrar a Flora? Ela n�o est� no quarto?

Flora?

J� acabei.

E queria mostrar-lhe uma coisa.

- Aqui tem. - Obrigada.

Disse que a sua cor preferida eram todas as cores,

e o Miles diz que, se misturarmos todas as cores do mundo,

d� negro.

Bem, � linda.

Adoro.

� linda.

At� o Peter o disse esta manh�.

Ele passou c� a noite.

Bem, � divertido t�-lo c�.

Flora.

- Flora. - N�o!

N�o!

N�o!

N�o!

N�o tem febre.

Fazemos assim, querida.

Vais passar o resto do dia na cama.

Ela estava inconsol�vel.

Receio que isto n�o seja in�dito.

N�o admira, dado o que passaram.

Sim.

Quando falar com o Henry, diga-lhe que eu disse que est�o bem.

Est�o mesmo bem?

Bem, n�o t�m nenhum problema f�sico. Quanto ao resto, n�o sei.

Eu saio sozinho.

- � sempre bom v�-la, Hannah. - Igualmente.

N�o acredito que ele n�o veio.

Disse-lhe que chamei um m�dico.

Ele disse: "Mantenha-me informado."

Diga que ligou para o m�dico-legista, talvez venha.

S� se algu�m morresse � que Henry Wingrave voltava.

Disse o mesmo quando falei do Quint. "Mantenha-me informado."

Continuo sem perceber.

Ela estava junto ao lago.

Mas ela odeia o lago.

Pois.

Miles, porque n�o ajudas o Owen a fazer o pequeno-almo�o?

Ela n�o odeia o lago.

Porque haveria algu�m de odiar um lago?

Ela est� sempre a falar nisso.

Sim,

mas a Flora mente.

Bom dia.

Sim, �.

Meu Deus, tenho de me levantar.

- J� vais. - N�o, para. A s�rio.

A s�rio, Peter.

Volta!

Olha, espera a�, est� bem?

Tenho de ir.

Mas podem esperar. Por favor.

Ficas outra noite, certo?

Certo?

Pelo menos.

Digo ao Henry que a casa vai pelos ares se n�o ficar a semana toda.

Ent�o, n�o te esque�as disso.

S� at� logo � noite.

Volta para a cama.

Por favor.

Paci�ncia.

Parece que hoje somos sete ao jantar.

- Ele tamb�m fica c� esta noite? - Parece que sim.

Mas n�o sei por quanto tempo.

O que � isso?

Isso � um Bordeaux muito espec�fico que te deixaria de boca aberta, Hannah.

Queres um copo?

Foste � adega?

Sim, tudo bem. O Henry deu permiss�o.

Guardo um copo para ti, se quiseres. � um ano �timo.

N�o posso. Tenho de voltar!

Eu sei. S� uns minutos, por favor.

Voltaram ao mesmo. Porque sujam isto tudo de lama?

Eles que limpem.

Nem sequer deviam andar aqui. N�s tamb�m n�o.

N�o faz mal. O dono deixa.

- As crian�as... - Est�o bem.

J� tratei disso, est� bem?

Sim.

Confias em mim?

Sim, confio em ti.

- Espera. - O que est�s a fazer?

- � surpresa. - Meu Deus.

V�, mais uns passos.

- N�o tenho muito tempo. - Eu sei.

Pronto. Abre os olhos.

De quem � isto?

� teu.

N�o entendo.

� um dos meus projetos, o invent�rio desta ala.

Algumas coisas v�o ser leiloadas, mas... o Henry deu-te isso, se quiseres.

- N�o acredito. - Sim.

Custou a convenc�-lo.

Mas... sou persuasivo quando � preciso.

- Mas isto era da... - Ela nunca o usou.

Ele foi perent�rio.

Ela nunca o usou, por isso, n�o te sintas mal.

Experimenta.

V� l�, experimenta!

N�o.

Um vison destes...

... tem de ser sentido na pele.

Uma vez na vida, pelo menos. N�o h� nada igual.

Deixa-me mostrar-te

como �s linda.

- Deixa-me ver, ent�o. - N�o, s� no final.

Com licen�a.

- Os meninos est�o no relvado. Sozinhos. - Sim, claro.

- Claro. Lamento imenso. - Eles est�o bem.

A blusa, talvez.

C�us.

Lamento imenso.

Esta ala est� interdita.

Cuidado, Hannah.

- Sabes que posso... - O qu�? Despedir-me?

Sim, sei isso muito bem, Peter.

Ele d�-te ouvidos.

Podias p�r-nos todos na rua, se quisesses. Sabes que mais?

Neste momento, n�o quero saber.

Se voltar a encontrar-te aqui, a mexer nas coisas da Charlotte,

Deus me valha, juro que te arrasto pela orelha para fora desta casa

e te atiro ao lago sujo!

Entendes?

�timo.

Agora, arruma isto tudo. Est� quase na hora de jantar.

Meu Deus, isto est� divinal!

Este bolo vai ficar uma loucura.

Precisa de algo. Morango ou lim�o?

- Primeiro eu, sou mais velho. - Quero provar!

J� fiz massas boas,

mas esta � o m�ximo.

Que caras tristes. Talvez precisemos de um bolo maior.

- Deixa-me provar! - Pronto, toma.

V�.

Divinal.

- Mas falta-lhe morango. - � a minha vez.

Precisa de mais lim�o.

T�m mesmo de provar isto, � fant�stico!

- V�o concordar. Precisa de mais morango. - Lim�o!

- Est� bem, deixa-me provar. - A Jamie, n�o!

- Tem de sobrar massa para o bolo. - Chega-te para l�.

Morango.

V�, querida.

Provas, depois sorris.

- N�o... - V� l�.

Sen�o, fico ofendido.

Isso mesmo.

Fiz asneira.

N�o.

- Tu �s... - N�o.

... uma mulher "amassada".

Por amor de Deus.

Est� divinal. Est� perfeito assim.

N�o ajudaste nada!

V� l�, Rebecca.

Queixo para cima.

Obrigada.

Delicioso.

Eu digo...

... lim�o.

Temos aqui uma batalha "massiva".

V�, Pete, vais desempatar.

N�o, tanta press�o.

Caramba, que espet�culo.

Acho que precisa...

... de morango.

Embrulha, Miles!

J� est�o a dormir.

A Flora est� toda suja de massa.

O que se passa?

Vou voltar para Londres.

Pensei...

Ambos tivemos uma noite dececionante, n�o �, Rebecca?

Quando voltas?

- N�o sei. - Demoras muito?

N�o tenho a certeza.

Mas vais ficar bem, n�o vais?

Como assim?

Quero dizer

que, se vais namoriscar com ele mesmo � minha frente, porque ficaria?

Entretanto, se tiveres fome, pede ao Owen que te meta algo na boca.

Parece que isso n�o te incomoda.

Enlouqueceste?

Estou a falar do homem para quem abriste a boca nem h� duas horas!

Louco?

Querias que te levassem a s�rio.

Disseste que aceitaste este trabalho para n�o seres assediada por velhos,

mas, se forem mais novos e burros, j� abres a boca quando te mandam?

Fazes ideia da figura que fazes?

Ele s� me pediu para provar a massa dele.

Foda-se!

�s ing�nua quando queres ser.

� bom saber.

� bom saber que, quando um homem te pede para pores algo na boca,

n�o tem de pedir duas vezes.

Ele n�o pediu. Est�s a entender mal!

Vais ficar bem.

- Eu aviso-te. - Hannah, n�o me insultes.

S� me sujou a boca.

Estou?

Peter?

Aten��o, por favor!

- Flora! - Bem-vindos � hora da hist�ria.

Como te sentes? Meu Deus, andaste a maquilhar-te.

Hora da hist�ria!

- C�us, hora da hist�ria. - Hora da hist�ria.

Venham.

Como se nada fosse.

Estes dois recuperam depressa.

- Foram obrigados a isso. - Pois, � a tua primeira hora da hist�ria.

- Pois. - Fazem muito isto.

- Vamos despachar isto. - Empolgante.

A hora da hist�ria � um especial da Flora.

� como terapia para eles.

Significa que assimilou o que andava a remoer.

- Certo. - Aten��o.

Bem-vindos � hora da hist�ria.

For�a, Flora!

Esse n�o � o meu nome.

N�o � o nome dela.

Chamo-me Caudas.

E o que �s, Caudas?

Uma gata, claro.

Uma gata chamada Caudas.

J� vi de tudo.

Em pequenina, ca� de um carrinho de ma��s e n�o tinha onde viver.

Vagueei, miei

e segui sempre o cheiro das ma��s. Talvez assim encontrasse a minha m�e.

A minha m�e era uma gata das ma��s.

E o que fizeste?

Encontrei uma camisola gigante na floresta

e puxei um fio.

Puxei-o todo.

Demorou uma eternidade.

Que novela enredada.

Um enredo enovelado.

Mas, quando acabei, era t�o agrad�vel e quentinho.

Enrolei-me bem com delicadeza.

Era de l�, com certeza.

Aten��o, n�o tenham qualquer rea��o, como o meu amiguinho estranho.

Porque, depois de terminado,

ficou "perrfeitamente" espl�ndido.

E tu, como te chamas?

Sou o Fofucho.

O fantoche.

E o que �s tu, fantoche?

Um fantoche chamado Fofucho.

Fui feito pelo Claude.

A fazer fantoches era magistral.

Adorava-os muito,

apesar de ter 20 e tal.

Um era muito tolo,

e o outro era muito est�pido.

Um ria-se muito,

e o outro...

... pouco.

Um dia, o Claude decidiu partir,

sem se despedir,

e deixou os fantoches em casa.

Com o passar do tempo,

acabaram por se esquecer de que tinham fios.

E, depois,

esqueceram por completo que eram fantoches.

E depois...

... o Claude voltou.

Estava t�o empolgado.

Mas eles j� n�o se lembravam dele.

E dos seus fios.

Riram-se quando ele disse que os tinha feito.

Riram-se dele.

E ele ficou... t�o triste.

Mas continuaram a rir!

Fantoches est�pidos!

Fantoches est�pidos

que se esqueceram!

Ent�o, ele puxou-lhes os fios.

E magoou-os.

Gra�as a Deus, salvos pelo Peter Quint.

Lamento, Pete. Tenho m�s not�cias, ela morreu.

C�us.

Sim, n�o. Sim, est� aqui.

Um momento.

� o teu vizinho.

O Sr. McQueeny.

Lamento imenso, Owen.

Lamento imenso.

Vou acender uma vela.

Estou t�o contente... por teres ficado.

Eu tamb�m.

Quem diria?

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