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Heather O'Donnell Pianista
Anota��es para uma filmagem do
Capital de Marx
segundo os cadernos de notas de Eisenstein, 192728
A decis�o est� tomada, o Capital
segundo o roteiro de K. Marx irei filmar -
esta � a �nica poss�vel sa�da formal
Ontem pensei muito sobre o Capital
no Ulysses de Joyce h� sobre isso
um maravilhoso cap�tulo,
escrito em maneira escol�stica catequista
coloca-se quest�es
e d�-se respostas a isso
quest�es sobre: como uma l�mpada de querosene � acesa
as respostas dadas s�o, contudo, de cunho metaf�sico
o tema dos teares
e do ataque �s m�quinas -os tecel�es precisam
perceber o seguinte conflito:
bondinho el�trico em Xangai
e milhares de 'coolies' que assim ficaram sem sustento
que sobre os trilhos se deitam
e morrem
Um bom epis�dio em Paris
com a perna amputada, sobre
carrinho de rolim�,
comete suic�dio
se jogando na �gua
no decorrer de todo o filme uma sopa
� cozida pela mulher para seu marido que retorna
A mulher que cozinha e o marido que volta
A associa��o da terceira parte ,por exemplo, prov�m da pimenta,
com a qual ela condimenta: pimenta caiena
diabolicamente picante Dreyfus
no porto navios afundados
os navios ingleses que afundam
poderiam muito bem com a tampa da panela ser cobertos
em vez de pimenta naturalmente tamb�m poderia ser
o petr�leo para o fog�o Primus
e a passagem para o "�leo"
IRMELA ROELCKE PIANISTA
"12 de outubro de 1927.
Decidi filmar "O Capital" baseado no texto de Karl Marx.
Esta � a �nica solu��o formal poss�vel.
Noite de 4 de novembro de 1927.
Nos EUA, at� os cemit�rios t�m propriet�rios.
Concorr�ncia total, m�dicos subornados e por a� vai.
Os moribundos recebem folhetos...
"Somente aqui encontrar� a paz eterna...
� sombra das �rvores e o riacho borbulhante.
Para "O Capital"."
"2 de janeiro de 1928.
Para "O Capital".
A bolsa de valores n�o deve ser representada como uma bolsa...
como em "O Jogador", exceto por meio de milhares de detalhes.
As recepcionistas como acionistas.
A press�o dessas recepcionistas...
para que a R�ssia Sovi�tica reconhe�a sua culpa."
"4 de abril de 1928.
An�lise de um cent�metro de uma meia de seda.
7 de abril de 1928, 0h45.
Uma meia feminina rasgada...
e a meia de seda num an�ncio de jornal.
A �ltima come�a a se agitar e multiplica-se em 50 pares de pernas.
Teatro de revista.
Seda.
Arte.
Batalha por um cent�metro de meia de seda.
O velho g�nero retratava uma trama sob v�rias perspectivas.
O novo g�nero edita uma perspectiva...
a partir de v�rias tramas."
Sobre a repeti��o
com vistas � an�lise dial�tica,
i.e. uma an�lise em contradi��es,
um procedimento assim � algo excelente
Desse modo o seguinte deve ser formulado:
um par de meias de seda -Arte
um par de meias de seda -Moral
um par de meias de seda -com�rcio e concorr�ncia
um par de meias de seda -mulheres indianas,
que casulos de seda sob suas axilas
precisam incubar!
Temos aqui uma meia de seda da mais alta qualidade...
e aqui, a cinta-liga...
que � colocada no quadril da mulher...
e fechada nas costas.
Ent�o, a mulher, tomando o cuidado de n�o rasg�-la...
puxa a meia para cima, na perna direita ou na esquerda.
Quando um homem desprende esta uni�o entre meia...
cinta-liga e corpo feminino...
Sem cuidado, h� o risco de correr um fio
Seda Arte
Luta por um cent�metro de meias de seda
os estetas s�o a favor
o Episcopado e a
Moral contra
Mas esses fantoches dan�am nas cordas
dos fabricantes de seda e dos que com eles
em conflito est�o
produtores de tecidos para o vestu�rio superior
Na �ltima parte a sopa est� pronta
uma sopa sem valor nutritivo
O marido chega "socialmente irritado"
A quente sopa de �gua ...dilui
seu pathos conciliat�rio
perspectiva de confrontos sangrentos
e o pior � -
a indiferen�a social,
que equivale a trai��o social
O homem abra�a o esqueleto da sua mulher
uma "surpresa",em verdade l�rica,:
Ela lhe estende um cigarrinho barato
Quest�o da amplitude do material que pode ser flu�da
Ela precisa com inacredit�vel laconismo ser solucionada,
a saber, em cada parte de modo pr�prio
Uma parte possivelmente at� como "filme de fic��o"
Uma outra parte de uma cr�nica cinematogr�fica
Um cap�tulo � necess�rio para a compreens�o materialista
da "alma"
No dia 12 de outubro de 1927...
Eisenstein escreve esta primeira anota��o..
"Decidi filmar "O Capital", baseado no texto de Karl Marx"
Como foi esse dia?
Bem, foi o dia seguinte ao t�rmino das filmagens de "Outubro".
Ele voltou imediatamente a Moscou e no dia 12 come�ou a editar...
porque no dia 7 de novembro...
o filme estrearia na comemora��o do Teatro Bolshoi.
Havia 49 mil metros de filme...
que deviam ser reduzido...
a 2 mil metros, era a condi��o.
Dois mil metros equivalem a uns 90 minutos
-E quanto disse que ele filmara? -49 mil metros
-Est� preservado? -Parcialmente
Pela primeira vez na vida...
ele teve total liberdade de recursos para a produ��o.
Nessa �poca, um filme sovi�tico normal...
custava cerca de $30 a $40 mil rublos.
Seu filme "Outubro", apesar de se passar em cen�rios originais...
custou $800 mil rublos.
Ele se sentia o Cecil B. De Mille do cinema sovi�tico..
e achava que filmara o filme maior da hist�ria..
"Os Dez Mandamentos da Revolu��o de Outubro".
O filme recebeu amplo apoio de todos.
O Comit� Central discutiu e corrigiu o roteiro, v�rias vezes.
Eisenstein tinha a cidade inteira para si, podia filmar � noite...
e desligava a eletricidade da cidade para fazer uma cena...
e as pontes eram erguidas e baixadas no meio do dia...
uma opera��o gigantesca.
E agora ele tinha a miss�o de converter em filme...
esses milhares de metros de filmagens.
E isso era imposs�vel, pois n�o havia tempo h�bil.
Para poder trabalhar dia e noite, ele tomava anfetaminas com receita...
drogas para melhorar a performance atl�tica, como chamamos hoje...
e uma vez ficou 48 horas seguidas na sala de edi��o.
Mas depois de duas semanas nesta maratona...
ele ficou cego.
-Cego? Ele n�o via as imagens? -Cego
N�o conseguia enxergar as imagens. J� era dif�cil ver nessa Moviola..
Essa Moviola n�o era uma mesa de edi��o..
mas um visor de imagens, com fotogramas min�sculos..
-como hoje na internet. -Isso. E o filme inteiro..
tudo que ele editou, o fez com sua mente...
depois, revisou parcialmente e corrigiu o que p�de.
Ele ficou totalmente esgotado.
E nesse estado de sa�de, no meio da edi��o de "Outubro"...
e achando que est� criando um novo tipo de cinema...
completamente diferente dos filmes que j� fez...
totalmente diferente de qualquer outra coisa...
pensa que depois disso...
a �nica coisa que poderia filmar seria "O Capital".
Durante o curso deste trabalho...
em que est� cego e totalmente esgotado...
no qual n�o consegue reduzir o filme a 2 mil metros...
ele pensa na teoria e no conte�do de um filme que ainda n�o existe...
EISENSTEIN ENCONTRA O ULYSSES DE JOYCE ...e come�a a preencher...
EISENSTEIN ENCONTRA O ULYSSES DE JOYCE ...come�a a escrever esse di�rio.
Ele vai a psicanalistas para se tratar, porque sente...
que sua capacidade criativa est� bloqueada
E vai a tr�s m�dicos para se curar das neuroses e da crise...
e tendo em vista seu total esgotamento nervoso...
ele � mandado para o sul.
Ele vai e leva um livro, presente da mulher de Maxim Litvinov...
"Ulisses", de Joyce.
-Quando ele embarca... -Em russo?
-N�o, em ingl�s. E em alem�o. -Em ingl�s.
Por falar em l�nguas, Eisenstein falava franc�s..
ingl�s, alem�o, russo... alguma outra?
Sim, um pouco de espanhol, que aprendeu no M�xico.
S�o essas as l�nguas que falava.
�s vezes, ele mudava de l�ngua no meio de uma frase
Na cabe�a dele, tudo se misturava, como em Babel
Ele n�o sente que se mistura...
mas que usa o idioma, ou a palavra do idioma...
-Que melhor se adapta. -Que melhor se adapta
Por isso, escreve uma frase em cinco l�nguas...
se preciso.
E o interessante � que sua l�ngua �ntima...
a que usa no di�rio, � a l�ngua alem�.
E este di�rio, estas anota��es que o acompanham..
s�o de 1927-1928 at� 1929
Em 1929, n�o h� mais anota��es, mas seus planos continuam
Eisenstein visita Joyce em Paris Se seguirmos esses planos at�..
Eisenstein visita Joyce em Paris ...o fim, o encontramos em Paris
Em 29 e 30 de novembro de 1929..
depois da Sexta-Feira Negra, cerca de um m�s depois..
ele visita Joyce, que est� cego
Pode descrever esse encontro?
Sim. Ele voltara de Londres nesse mesmo dia...
e L�on Moussinac marcou o encontro.
Era um cr�tico de cinema comunista, afinado com a imprensa comunista...
que Eisenstein havia conhecido em Moscou.
E os tr�s v�o visitar Joyce.
Eisenstein vai com Montague e Moussinac...
e na casa de Joyce...
encontram Simon Kuslansky, um imigrante russo.
Joyce queria aprender russo com ele, e aprendeu.
O encontro n�o durou muito...
e Eisenstein n�o sabia como reagir...
porque qualquer contato com imigrantes russos...
eram monitorados cuidadosamente.
E apesar de ter encontrado muitos imigrantes russos nessa �poca...
ele n�o sabia como reagir.
Justo nesta �poca, havia uma leva de pessoas que n�o queria retornar...
muitos conhecidos de Eisenstein eram desse c�rculo...
Podia tratar-se de um trotskista..
ou de um emigrante, um czarista, tudo podia ser muito perigoso
Era perigoso, por isso ele n�o sabia...
e jamais menciona Kuslansky em suas mem�rias.
Escreve que era um personagem duvidoso...
que os acompanha durante a visita.
Joyce est� cego...
mas conta a Eisenstein que viu "O Encoura�ado Potemkin".
E Eisenstein escreve em suas mem�rias que Joyce leu algo para ele...
coisa que ele mesmo n�o pode fazer. Mas Joyce n�o l� por si...
mas, sim, p�e um disco...
e a voz de Joyce � que l� algo.
Uma confus�o de m�dia...
que Eisenstein experimenta diante de Joyce.
-Planejam trabalhar juntos? -Sim
Joyce achava que seu romance s� poderia ser filmado por dois diretores...
Eisenstein ou Walter Ruttmann...
ou seja, achava poss�vel.
Eisenstein pensa em filmar "O Capital" como "Ulisses"...
e quando ele faz anota��es sobre sua concep��o, como filmar "O Capital"...
ele anota que o far� igual a como "Ulisses" foi escrito...
cuja a��o ocorre num �nico dia.
Um dia na vida de um homem, Leopold Bloom..
que re�ne a hist�ria toda desde Homero..
at� um pub em Dublin..
Isso mesmo. E Eisenstein queria fazer algo semelhante.
Queria pegar um dia da vida de uma pessoa...
e nesse dia, incluir desde Homero at�... tudo...
condensar tudo neste dia...
Queria escrever o livro sobre as for�as essenciais do homem?
Talvez.
Ele dizia que, no final das contas..
concebeu todo o filme enquanto andava num bonde..
da pra�a Strastnaia, em Moscou, onde est� o monumento a Puchkin..
at� Nikitsky, ou Petrovskie Vorota..
que fica a cerca de 10 minutos de bonde..
n�o � longe, a p� leva 10 minutos tamb�m.
O filme inteiro neste trajeto, e depois reduziu um dia a uma noite.
E tudo termina sendo uma noite, como o �ltimo cap�tulo...
o mon�logo interior da mulher de um oper�rio.
E a partir desse mon�logo interior da mulher do oper�rio...
ele consegue fazer o mesmo que Joyce com um dia na vida de Bloom.
Ele n�o queria que o filme fosse...
uma hist�ria ou anedota...
mas, sim, uma possibilidade de se fazer livres associa��es.
E, nessa unidade m�nima, o caminho...
do meio-dia, na mesa � cama...
nessa unidade m�nima da a��o motora...
est� condensada toda a hist�ria da humanidade.
Fala de mercadorias, coopera��o, grandes maquin�rios, hist�ria
O trabalho das gera��es mortas..
tudo isso aparece. E no �ltimo cap�tulo..
onde queria tratar da luta de classes em forma associativa
Como imaginamos isso?
Como imaginamos isso? Vejamos...
h� dois momentos que considero interessantes.
Ele fala de sua teoria de um cinema intelectual...
mas a escreveu dopado, em um estado orgi�stico-dionis�aco.
E essas drogas o ajudam a liberar o fluxo de consci�ncia.
Parece que quando ele l� "Ulisses"...
se encontrava em um estado semelhante...
porque descreve que sofria de dores de dente...
e estava tomando analg�sicos fortes...
e, de repente, seu corpo se libertou de sua consci�ncia...
e nesse estado ele anotou algumas ideias, impulsos...
esse mon�logo interior, seu pr�prio mon�logo interior...
E ele previu estes filmes..
e poderia t�-los feito assim como Mozart comp�s �peras
Acredito que sim, mas nunca chega a faz�-los...
somente faz anota��es.
Pensou em escrever um cat�logo de associa��es...
em como reunir esses impulsos...
para depois us�-lo como refer�ncia...
para montar essa rede de associa��es, uma rede de associa��es...
para que os espectadores pudessem acompanhar este filme jamais feito.
-N�o conseguiriam acompanhar? -Talvez
Em "Outubro", as associa��es podem ser seguidas perfeitamente
Sim, mas os cr�ticos n�o quiseram seguir.
Disseram que n�o eram fisiol�gicas o bastante.
Em lugares onde Eisenstein pensou ser fisiol�gico o bastante...
os cr�ticos alegaram que este efeito n�o ocorrera...
e que o ru�do do estalido de um copo, que voc� ouve...
eles n�o escutaram.
Por ocasi�o do plano de Eisenstein (1928), de "cinematografar" O Capital
"Uma aranha executa opera��es que se assemelham �s de um tecel�o...
e a abelha envergonha muitos arquitetos...
com a constru��o de seus favos de cera."
Not�cias da Antiguidade Ideol�gica
"Mas o que distingue, a princ�pio, o pior arquiteto..
da melhor abelha..
� o fato de ele construir primeiro o favo na cabe�a...
antes de constru�-lo em cera.
No fim do processo de trabalho, obt�m-se um resultado...
que no in�cio j� estava presente na ideia do trabalhador...
que, portanto, j� estava presente idealmente.
O trabalhador n�o apenas efetua uma mudan�a de forma no elemento natural...
ele realiza no elemento natural, ao mesmo tempo, o pr�prio objetivo...
por ele bem conhecido, que determina como lei...
o modo do seu operar...
e ao qual deve subordinar sua vontade."
"O Capital", Marx-Engels, volume 23, 193.
Pr�logo da "Contribui��o � Cr�tica da Economia Pol�tica", MEW 13.
"O homem �, no sentido mais literal, um "zoon politikon"...
n�o � somente um animal social...
� tamb�m um animal que s� na sociedade se pode individualizar."
"Cr�tica da Filosofia do Direito de Hegel", MEW 1.
"O homem n�o � um ser abstrato, acocorado fora do mundo.
O homem � o mundo do homem."
Meta Real Montagem em s�rie
Paisagem com ind�stria cl�ssica
"Entendemos que a hist�ria da ind�stria..
e a atual exist�ncia objetiva da ind�stria..
s�o um livro aberto das for�as essenciais do homem..
percebemos a psicologia humana existente."
"V�-se como a hist�ria da ind�stria
e a exist�ncia objetiva da ind�stria
tornaram-se o livro aberto das for�as da consci�ncia humana,
a psicologia humana sensivelmente presente..."
"Suponhamos que produzimos como seres humanos...
cada um de n�s se afirmaria duplamente em sua produ��o...
em rela��o a si pr�prio e ao outro.
Em minha produ��o, eu realizaria minha individualidade...
minha particularidade.
Trabalhando, experimento a alegria de manifestar a individualidade...
da minha vida...
e, contemplando o objeto produzido...
alegro-me ao reconhecer minha pr�pria pessoa...
como um potencial que se realizou...
como algo vis�vel, tang�vel, objetivo."
"O uso que voc� fa�a do que eu produzi...
e o prazer que obtenha dar-me-ia a alegria espiritual...
de satisfazer atrav�s do meu trabalho, uma necessidade humana...
UM HOMEM � O ESPELHO DO OUTRO ...de contribuir para a realiza��o..
UM HOMEM � O ESPELHO DO OUTRO ...da natureza humana..
e de aportar ao outro o que lhe � necess�rio."
"Nossas produ��es seriam como espelhos...
em que nossos seres se irradiam um ao outro.
Nossas produ��es seriam como espelhos...
em que nossos seres se irradiam um ao outro.
Suponhamos que produzimos como seres humanos...
cada um de n�s se afirmaria duplamente em sua produ��o...
em rela��o a si pr�prio e ao outro.
Nossas produ��es seriam como espelhos...
em que nossos seres se irradiam um ao outro."
O lamento da mercadoria n�o comprada
Um ato de compra dura 30 segundos
O consumidor se decide em m�dia em 7 segundos
Dois ter�os das decis�es s�o tomadas somente no supermercado
Esses s�o os fatos da pesquisa de mercado -
Qu�o triste fica o empacotado que precisa ser devolvido, e at� destru�do
O que � uma popula��o de gado em que se encontrava uma vaca louca,
perante um mercado a ser esvaziado no s�bado a partir das 16h
Isso moveu Wolfgag Rihm, enquanto garfava
macarr�o no restaurante Borchert em Berlim, i.e.
apaziguava as frustra��es das paredes estomacais
ap�s um ensaio na �pera Unter den Linden
Elas, as libidinosas c�lulas das paredes estomacais,
recomendaram-lhe um lamento,
dedicado �s mercadorias declaradas in�teis das grandes lojas -
Nunca Wolfgang Rihm conseguiu uma m�sica f�nebre mais sutil
do que aquela sobre uma coisa de interesse secund�rio:
Uma garrafa de "Dyspio", em passagem,
por ele n�o comprada (o que quer que ela contenha)
que, ao perambular pela loja de departamento
Lafayette o contactou
Ele n�o reagiu r�pido o suficiente
Talvez fosse um perfume,
talvez uma bebida ao menos uma mercadoria
Agora, o raio informativo estava assentado no c�rebro
de Rihm e de l� gerou um lamento
O qual na revista Theater Heute o 1� lugar obteve,
imediatamente ao lado do 1� lugar para a casa de �pera de Stuttgart
como a melhor casa no tri�nio -
M�QUINAS ABANDONADAS PELAS PESSOAS
"N�s habitantes do Cosmos"
A Via L�ctea � um
plano espiralado
que ordena massas estelares
Aqui, uma vista do centro
A Terra se move ao redor do Sol
O Sol se move � 750.000 kmh
ao redor do centro
para uma volta, ele precisa de
250 milh�es de anos
aproximadamente 4 milh�es de anos � a idade
do planeta Terra
Objetiva e determinada
� a intera��o de
quatro bilh�es de anos de evolu��o,
2000 anos de tempo hist�rico,
toda a paisagem da ind�stria
e o sentimento de
todo o corpo
As c�lulas sabem tudo
at� nas estrelas chegar,
algo assim a cabe�a
nunca experimentou ou esqueceu
"Um homem n�o pode voltar a ser crian�a, a n�o ser que caia na puerilidade.
Por�m, n�o � verdade que � sens�vel � inoc�ncia da crian�a...
e que deve aspirar a reproduzir a sinceridade da crian�a?
N�o � verdade que o car�ter de cada �poca, sua verdade natural...
SOPHIE ROIS, CANTORA se reflete na natureza infantil?
Por que motivo ent�o a inf�ncia hist�rica da humanidade...
o momento do seu pleno florescimento...
n�o h� de exercer o encanto eterno dos momentos que n�o voltam a acontecer?
H� crian�as deficientemente educadas e as que crescem demasiado depressa.
A maior parte dos povos da Antiguidade inclu�am-se nesta categoria.
Os gregos eram as crian�as normais."
Que interessante!
O encanto de sua arte n�o se encontra para n�s
em contradi��o com a etapa n�o desenvolvida da sociedade
em que cresceu
� antes o seu resultado e est� inseparavelmente
relacionado com o fato das condi��es sociais imaturas,
sob as quais elas surgiram
e somente podem surgir, nunca podem retornar -
Duas agentes se preparam para sua miss�o
"Tornar l�quido"
equivale a se tornar transparente
ESFERA P�BLICA (1967)
"Do conceito, que no evidente
n�o se dissolve,
colocar as coisas em movimento"
Existia o perigo de uma
ideal�stica paix�o
nesse princ�pio met�dico,
diziam alguns
Querem nos privar disso?
Isso seria ent�o protestante,
diziam outros
Eles n�o conseguiam se dominar,
quando se tratava
de "tornar l�quido"
"Pois nada pode um e tudo ser
Uma fissura os separou!"
isso j� se sabe no caf� da manh�
Com gosto, teria o fantasioso
F. Wolff indisciplinadamente com o
"tornar l�quido" manejado
"A terra preta bebe,
assim bebem elas as �rvores,
bebe o mar a correnteza
bebe o Sol os mares
a lua at� o sol...!"
� tudo �gua, seus sapatos, sua perna...
seu bra�o, suas m�os, tudo � �gua.
Mesmo que haja outras coisas misturadas...
dois ou tr�s por cento de algo, subst�ncias...
o que podem fazer sozinhas? N�o sabem andar nem voar.
N�o fazem nada.
Voc� s� pode andar, sentir-se mal, animada porque cont�m �gua.
-Por causa da �gua? -Por causa da �gua. S� por causa dela.
Aqui estamos na Alemanha Oriental..
e somos feitas de �gua
Viemos dos oceanos, dos muitos e v�rios oceanos..
a uma agrad�vel temperatura de 37 C
TEMA DO CURSO: COMUNISMO... Com ou sem luta de classe..
PODER SOVI�TICO MAIS ELETRIFICA��O Estudamos lutas de classe
(Subtexto: "tornar l�quido")
Luta de classes dos oceanos..
-s�o oceanos, s�o �gua. -Oceanos e lutas de classes.
Temperatura agrad�vel, l�quido.
-� sobre outras lutas de classe... -Sobre �gua...
estamos na Alemanha Oriental agora... mas �ramos �gua.
-L�quidos. -�ramos �gua.
Concentre-se no curso.
Curso. Um curso sobre o oceano, um curso oce�nico?
Havia isso de onde viemos?
Estamos capacitadas? Temos uma capacita��o oce�nica?
Com ou sem luta de classes, a luta � composta de homens...
que s�o feitos de �gua.
Ou seja, luta de classes igual � �gua.
�gua � usada para se obter energia.
Por exemplo, energia el�trica, centrais hidrel�tricas.
Eletricidade.
E...
uma for�a sovi�tica...
� necess�ria para eletrificar.
E da� resulta um comunismo.
Neste momento, somos oceanos secos.
A Alemanha Oriental � um oceano drenado...
um oceano que desapareceu, mas que voltar� com a n�voa...
que vai para a atmosfera...
e desce em forma de chuva.
Porque s�o mem�rias. Precisamos de �gua...
em qualquer forma, pois � o que somos. Tamb�m precisamos de mem�rias...
chuva...
n�voa e vapor.
No territ�rio da RDA...
poder� ter pal�cios e castelos..
mas s�o todos feitos de �gua.
O oceano sumiu, desapareceu acima da minha cabe�a...
desapareceu.
Mas a RDA j� faz parte do oceano.
Por que � composta de �gua?
Porque a parte mais importante de uma luta de classes...
em sua forma��o, s�o as pessoas que participam, os homens.
V�rios homens, um ao lado do outro...
constituem "os homens"...
mas tamb�m podemos falar de partes de um oceano...
que unidas e, sem a pele, formariam um enorme oceano.
Significa que o oceano se rebela. Rebeli�o do oceano.
O oceano quer ser oceano, permanecer oceano...
e n�o ser mais nada.
E como isso se relaciona com a eletrifica��o?
� assim...
uma gota de �gua, por exemplo...
n�o basta para se construir uma hidrel�trica.
Uma gota cai e seca rapidamente.
Mas uma bolsa de �gua, por exemplo, ou v�rias bolsas de �gua...
e diversos recipientes de �gua e cidades enormes...
ou seja, dep�sitos de �gua...
podem gerar muito mais for�a.
E, portanto, mais energia e eletricidade...
ou seja, um territ�rio que seja um bols�o de �gua comunit�rio.
Como eletrificar uma for�a sovi�tica?
Para isso, a �gua � muito importante.
Como eu disse, uma gota d'�gua por si n�o tem tanta for�a...
que uma aglomera��o tem. Ent�o, uma for�a sovi�tica...
digamos, uma aglomera��o de gotas d'�gua...
vamos supor que a for�a sovi�tica seja uma aglomera��o de gotas...
e como a eletrificamos?
Como?
E a eletrifica��o, ao mesmo tempo, j� � uma for�a.
De modo que j� h� corrente ali...
Por exemplo, esta separa��o sutil entre voc� e mim...
� a pele, � o que nos separa. Precisa ter cuidado...
porque sen�o...
n�o podemos distinguir uma da outra.
Distinguir uma �gua de outra onda de �gua...
E que rela��o tem isso com a eletrifica��o?
� o seguinte...
temos uma origem comum...
e devemos tomar consci�ncia disso.
Voc�, �gua. Eu, �gua. E juntas...
mesmo que sejamos diferentes...
cabelo diferente, olhos diferentes, mas somos feitas de �gua.
Temos que retornar � �gua e descobrir nosso elo comum.
Uma quest�o de suma import�ncia que devemos cuidar.
Voc� deve cuidar de si, eu devo cuidar de mim...
mas n�o s� da pele, mas de todo o corpo.
De tudo, do anterior, posterior, inferior e superior.
-Toda essa �gua? -Como cuido do meu oceano?
Como cuido dele?
Os oceanos n�o ficam s� parados. Est�o em constante movimento.
Tempestade. Vagarosamente...
vagarosamente ela aumenta.
Como cuido dele, numa tempestade?
Claudia Buckler e Stephanie W�st nos pap�is de agentes da Stasi em servi�o preparat�rio (1989)
"SVEN M�LLER E RENATE PFL�GER SE PREPARAM "Quando o homem real, corp�reo,
EM 1988 PARA O EXAME DE SUBOFICIAL ...de p� sobre a terra firme..
TAREFA: MARX - PRIMEIROS ESCRITOS ...e aspirando e expirando
todas as for�as naturais..
assenta suas for�as essenciais reais e objetivas..
como objetos estranhos mediante sua aliena��o..
o ato de assentar n�o � o sujeito...
� a subjetividade de for�as essenciais objetivas...
cuja a��o, por isso, deve ser tamb�m objetiva.
O ser objetivo atua objetivamente...
e n�o atuaria objetivamente...
se a objetividade n�o estivesse na determina��o de seu ser.
O ser objetivo cria e assenta objetos...
porque ele pr�prio � posto por objetos, porque � originalmente natureza.
No ato de p�r, n�o cai, pois, de sua atividade pura...
em cria��o do objeto, sen�o que seu produto objetivo...
confirma sua atividade objetiva...
sua atividade como atividade de um ser natural e objetivo.
Vemos aqui como o naturalismo ou humanismo coerente...
se distingue tanto do idealismo como do materialismo...
e, ao mesmo tempo, constitui sua verdade unificadora.
Vemos, tamb�m, como s� o naturalismo...
est� em condi��es de compreender o processo da hist�ria mundial."
Muito bem.
O que entende por...
"naturalismo", neste contexto?
Que � algo natural.
As pessoas deveriam entender isto sem ajuda.
Certo, vou ler de novo...
"Vemos aqui como o naturalismo ou humanismo coerente...
se distingue tanto do idealismo como do materialismo."
Certo.
As pessoas n�o deveriam ser t�o idealistas...
e nem t�o materialistas.
Deveriam ser naturais e humanas, n�o?
Mas o que significa ser natural?
Bem, n�o pensar tanto.
-Acho que n�o. -N�o acha?
N�o.
Mas ent�o o que significa "naturalismo coerente"?
Que j� existe, n�o �?
Isso.
Ou o humanismo? Fala dos dois, dos dois conceitos, n�o os distingue.
� diferente do idealismo e do materialismo.
S�o opostos. Naturalismo e humanismo...
se op�em ao idealismo e ao materialismo.
Ser humano significa ser social, certo?
-Tamb�m v� assim? -Diria que sim.
E ser naturalista significa ser como � um ser humano.
Isso. E materialismo significa n�o fazer tantas compras. N�o �?
Ou seja, dar valor �s coisas.
-Claro, dinheiro. -Isso, dinheiro.
Mas por que idealismo? O idealismo � importante para n�s.
Isso mesmo. N�o faz nenhum sentido.
Tem que fazer. Tenho certeza.
Marx deve ter pensando em algo.
Espere, tem mais...
"E, ao mesmo tempo, constitui sua verdade unificadora."
"Vemos aqui..." acho que � a frase mais importante.
"Vemos aqui como o naturalismo ou humanismo coerente...
Ou seja, o naturalismo j� existe.
Sim... e... ou..."ou" significa "e" aqui. "E o humanismo"...
"Se distingue tanto do idealismo como do materialismo".
O bem e o mal.
"E, ao mesmo tempo, constitui sua verdade unificadora."
N�o entendo isto.
Que verdade unificadora? Do naturalismo e do humanismo?
Ou do naturalismo e do materialismo?
Uma verdade para os quatro?
Espere.
"Vemos, tamb�m, como s� o naturalismo...
est� em condi��es de compreender o processo da hist�ria mundial."
Vamos tentar entender o come�o do texto.
Est� bem.
Quando o homem real... entendemos "real".
-"Corp�reo" tamb�m, certo? -Certo.
"De p� sobre a terra firme..."
-Refere-se � p�tria, com certeza. -E tamb�m ao planeta, n�o?
Mas "firme"? N�s a deixamos firme.
Certo.
Nossa p�tria a deixou firme.
"Quando o homem real, corp�reo", significa tudo � de verdade.
"De p� sobre a terra firme..." Quem est� de p�?
"E aspirando e expirando todas as for�as naturais..."
-O homem. -O homem est� de p� na terra.
E ele est� com as for�as da natureza em si.
Vento, fogo, terra...
Vento... voc� j� disse.
-�gua. -�gua, claro.
"Assenta suas for�as essenciais reais e objetivas..."
"For�as essenciais"?
Ent�o quem � ele?
Na realidade somos reais e corp�reos, mas n�o objetivos.
Esse � o problema.
Esse � o problema. Come�amos do fim?
Ou leio uma frase, como leria na nossa l�ngua...
e a traduzimos para uma linguagem coloquial, moderna?
Est� bem.
-"Quando": Quando. -"Quando".
"Quando o homem real", ou seja, o verdadeiro...
O verdadeiro, o natural, talvez.
-O natural, corp�reo... -De p� sobre a terra socialista...
aspirando...
-Vento... -Vento, fogo, �gua, mares...
E o homem que respira, ou seja, n�s...
Claro. E o primeiro par�grafo �: Quando...
o homem socialista...
De p� sobre a terra socialista...
"Assenta suas for�as essenciais reais e objetivas...
como objetos estranhos mediante sua aliena��o..."
"O ato de assentar n�o � o sujeito"...
"Suas for�as essenciais reais e objetivas"...
"For�as essenciais" s�o o que ele � e � capaz de fazer.
"Mediante sua aliena��o"...
Ent�o a aliena��o seria o que faz ou o que diz porque a expressa?
"Como objetos estranhos".
Acho que sim, que simplesmente...
E se s� decorarmos?
-Ou fazemos uma cola? -Sim, talvez. Voc� pode fazer?
Posso.
Certo. Mas podemos tentar decorar.
Tive uma ideia. Acho que se refere a n�s, aos socialistas...
E se descobrirem a cola? Desculpe. Termine.
Quando o homem real, ou seja, quando n�s, como socialistas...
como pessoas portadoras da verdade divina...
-� assim. -�.
Se tentarmos manipular a natureza...
n�o vai dar certo.
E essa manipula��o acontece tanto no materialismo...
como no idealismo.
Valores idealistas, etc.
Por isso, o homem nu, socialista...
precisa se basear no naturalismo ou no humanismo.
-Isso. -Isso.
"Quando o homem real, corp�reo, de p� sobre a terra firme...
e aspirando e expirando todas as for�as naturais...
assenta suas for�as essenciais reais e objetivas...
como objetos estranhos mediante sua aliena��o...
o ato de assentar n�o � o sujeito...
� a subjetividade de for�as essenciais objetivas...
cuja a��o, por isso, deve ser tamb�m objetiva.
O ser objetivo atua objetivamente...
e n�o atuaria objetivamente...
se a objetividade n�o estivesse na determina��o de seu ser.
O ser objetivo cria e assenta objetos...
porque ele pr�prio � posto por objetos, porque � originalmente natureza.
No ato de p�r, n�o cai, pois, de sua atividade pura...
em cria��o do objeto, sen�o que seu produto objetivo...
confirma sua atividade objetiva...
sua atividade como atividade de um ser natural e objetivo.
Vemos aqui como o naturalismo ou humanismo coerente...
se distingue tanto do idealismo como do materialismo...
e, ao mesmo tempo, constitui sua verdade unificadora.
Vemos, tamb�m, como s� o naturalismo...
est� em condi��es de compreender o processo da hist�ria mundial."
-Dev�amos conseguir compreender. -�!
Temos uma rela��o especial com o ano de nascimento..
e procuramos descobrir o que aconteceu na �poca
Sim, h� toda uma bibliografia sobre esse ano, 1929...
que parece mais uma colagem, na verdade...
porque � muito dif�cil v�-lo como unidade.
Foi um ano turbulento.
A primeira coisa que me ocorre � a Grande Depress�o...
H. M. ENZENSBERGER FALA DE 1929 ...foram tempos perturbadores
-Mas com um ver�o como todos. -Sim
E no outono, aquela cat�strofe
Se voc� se colocar no lugar de Eisenstein..
que, nesse mesmo ano, se seguirmos suas anota��es..
ele tinha um projeto gigantesco..
e esperava que a Gaumont, Hollywood ou a Uni�o Sovi�tica..
o contratassem para filmar, e nunca recebeu essa incumb�ncia
Houve muitas incumb�ncias que n�o recebeu.
Creio que era... h� certas pessoas...
que s�o muito sui generis para a ind�stria...
ele, por exemplo, se interessava por Joyce...
que tamb�m n�o era uma pessoa...
com boas rela��es com a ind�stria.
Claro, n�o s� estava cego, mas tinha ideias restritivas..
N�o era qualquer pessoa que poderia filmar seu "Ulisses"
S� Ruttman ou Eisenstein
-Ele disse isso? -Ou um ou o outro
Parecia muito seletivo
-Estavam negociando? -Estavam
Mas ele alegava que poucos tinham talento para film�-lo
Sim, isso tamb�m � marcante nessa �poca.
Poderia sintetizar com a f�rmula: As pessoas se conheciam.
O que � curioso, porque n�o tinham tanta mobilidade quanto agora...
em que qualquer estudante j� esteve em Nova York
N�o era assim.
Mesmo assim, havia uma pequena comunidade de "conhecidos", digamos.
Eles sabiam disso.
Agora, nos planos de Eisenstein..
a crise econ�mica mundial n�o aparece em lugar nenhum
Isso, porque seu enfoque era outro.
O M�TODO-BALEIA DE EISENSTEN Mas acho que h� um excesso..
O M�TODO-BALEIA DE EISENSTEN ...ideias demais nessas anota��es
Era imposs�vel realizar tudo que tinha imaginado.
Ele era algu�m...
que trabalhava com uma quantidade enorme de material...
chamo isso de "m�todo-baleia".
Voc� deixa todo o pl�ncton entrar, se acumular e...
-Algo fica. -Algo fica
Parece que esse foi seu m�todo...
pois a impress�o de que � uma desordem, que tudo vale.
E isso s� pode acontecer numa mente como a de Eisenstein.
PODERIA A SEXTA-FEIRA NEGRA... Digamos que voc�,
SER POETICAMENTE CANTADA? ...empregando os recursos da po�tica..
se dedicasse a esta Sexta-Feira Negra..
seria poss�vel poetiz�-la?
� um evento cujas consequ�ncias pr�ticas se notam depois
Sempre quis que Marx tivesse descrito um fen�meno assim
Tinha grandes problemas de representa��o.
Eisenstein disse que a Bolsa de Valores n�o devia ser fotografada.
E isso traz grandes problemas de representa��o. Por exemplo...
sempre quis escrever...
um poema bem longo sobre assuntos econ�micos.
Um poema sobre economia seria um grande tema.
Mas as dificuldades s�o grandes. Por que n�o foi poss�vel?
Porque n�o consegui, poderiam dizer.
N�o h� muitos exemplos a seguir sobre este tipo de coisa.
Na Antiguidade existiam os coros que descreviam hist�rias completas
Mas um drama � um tema ligeiramente diferente.
Nem � o melhor trabalho de Brecht...
mas temos "Santa Joana dos Matadouros", que n�o � ruim.
-Tamb�m d� uma ideia da Bolsa. -D�, isso mesmo
Mas, liricamente, � um tema que...
tem que haver uma raz�o...
para que na literatura l�rica se ache t�o poucos exemplos disso.
Historicamente, a poesia fala de tudo que � imagin�vel...
mas isso � omitido, estranhamente.
At� o Minist�rio de Finan�as do Reich quis fazer algo assim
Foi apresentado o balan�o financeiro..
numa festa de natal em 1941..
entraram em cena os ativos, e os passivos responderam
Os coment�rios vinham do ponto
-Quiseram fazer um drama... -Um tipo de charada..
uma charada da situa��o financeira, mas n�o foi dram�tico
Claro que n�o. Creio que isso responde a raz�es objetivas.
N�o s� n�o tinham talento, mas havia tamb�m raz�es objetivas...
esses problemas de representa��o.
Mesmo um assunto como dinheiro...
para a maior parte das pessoas...
a diferen�a entre dinheiro e capital n�o � clara.
Dinheiro � o que carrego no bolso.
-Que n�o se multiplica sozinho. -N�o se multiplica. E que se dissipa..
H� toda uma doutrina da consist�ncia do dinheiro
O met�lico, as moedas...
depois, o papel-moeda, que d� liquidez...
falamos de fluxo de dinheiro, ou seja, que � l�quido...
e em um n�vel superior, o dinheiro eletr�nico...
que n�o passa de um impulso el�trico.
E estes n�veis de abstra��o...
de algum modo fogem...
ao senso comum.
Uma crian�a entende o que � o dinheiro no bolso...
mas n�o o que � um derivado. N�o d� para explicar a uma crian�a.
Posso lhe contar a hist�ria de "Jo�o Sortudo"..
e a pepita de ouro que se deprecia, se � trocada..
mas se mudo de n�vel..
por exemplo, com a hist�ria da nota de um marco..
uma nota toda marcada do Reich..
que sobreviveu � guerra e que em 1949 n�o valia nada..
essa nota tem uma hist�ria, mas n�o pode ser vista
Tamb�m existe uma forma gasosa de dinheiro: A bolha.
A bolha, a bolha imobili�ria.
-A bolha financeira. -Ou a infla��o..
a infla��o tamb�m � um tipo de incha�o.
E a� se nota que tudo � uma quest�o de confian�a
O cr�dito flui na bolha
E quando as pessoas deixam de confiar acontece o que aconteceu em 1929.
-A bolha estoura. -Isso
A partir da�, o poeta teria o que cantar
-Se olhar para... -Sim, claro
As consequ�ncias s�o mais f�ceis de descrever...
do que o sistema em si.
-E se fizessem como John dos Passos... -Sim
-Como uma grande montagem... -Certo
A confian�a, que � essencial ao sistema, tem como contraponto a desconfian�a...
na grande montagem.
E creio que � uma...
n�o s� existe com a esquerda...
mas essa desconfian�a existe tamb�m na classe trabalhadora...
com os fazendeiros etc.
-� preciso levar a s�rio. -Muito
Se arriscarem, � perigoso...
porque v�o se lembrar.
Tanto grandes empresas como a Siemens, quanto as pequenas..
recorrem a espi�es, que conhecem essas armadilhas arriscadas..
onde h� esses focos de desconfian�a..
por exemplo, contra economistas como Barone..
em quem os fazendeiros n�o confiaram mais
Isso.
O Reich usava a SA para limpar empresas inteiras
Sim, mas acho que � consequ�ncia...
de que hoje reina uma grande cegueira empresarial.
Se olhar para como as empresas se apresentam...
se um banco se promove com o slogan...
"A faixa verde da simpatia."
N�o conhe�o ningu�m que espere que um banco seja simp�tico.
N�o � tarefa de um banco.
� dinheiro jogado fora, e cegueira empresarial.
Qualquer empregada dom�stica...
poderia ter explicado a eles e poupado milh�es, porque n�o funciona.
Mas, claro, eles vivem em seu pr�prio mundinho.
� muito... estranho como se v� isso de fora, mas n�o de dentro.
Pode chamar de cegueira empresarial, ou autorrefer�ncia, tanto faz.
H� raz�es baseadas na teoria dos sistemas que as pessoas...
bem, os pol�ticos tamb�m dizem "as pessoas de fora".
Claro que � uma loucura.
Onde vive o pol�tico? N�o � fora.
No Parlamento, na capital
Isso... e � tudo... acho que n�o podemos atribuir a algo subjetivo...
de algu�m que diz isso � obtuso.
Ele mora numa bolha.
� caracter�stico de voc�s que escrevem..
supor a exist�ncia de pessoas muito talentosas da RDA..
que durante a vida viram tantos monumentos a Marx..
que foram obrigadas a ler tantos textos..
e que agora est�o paralisadas..
e que poderiam estar igualando-se a Marx, complementando-o..
para explodir todas essas bolhas
De alguma forma, poderiam exercer a cr�tica..
que tem o valor de entreter
-Mas sou bem pessimista, porque... -Isso n�o aconteceu
Claro. Por que n�o?
Por que tantas pessoas passaram 4 ou 5 anos na escola aprendendo russo...
e falam russo t�o mal ou nem falam?
Deixaram de lado. � uma quest�o de ser contraproducente na educa��o.
Significa que Marx � bom demais para ser ensinado pelos professores
Claro! O melhor seria ler Marx debaixo da mesa.
-Escondido. -Escondido
REA��O IMUNE Acho que as crian�as
CONTRA "FALSOS TONS" s�o imunes a isso..
mesmo nas coisas simples, n�o � preciso ideologias
J� o sistema imunol�gico... h� rea��es imunol�gicas..
e as crian�as t�m um ouvido muito bom...
contra essas tentativas pedag�gicas em que algo n�o soa bem.
Ent�o essa via de acesso aos textos de Marx..
-est� bloqueada. -A princ�pio
Os textos de Marx perdem..
quando viram material did�tico, s�o ignorados
Ou seja, quando se trata de Marx, n�o h� m�todo de detec��o inicial, nem tardia
Por exemplo, no sul da Inglaterra, oficiais da Stasi encontraram..
em outubro de 1989..
escritos de Marx que poderiam mudar tudo
Foram apresentados ao Comit� Central em v�o, que debandara..
-vindo tarde n�o ajuda. -Mas nem tudo est� perdido
Todas as folhas impressas que sobreviveram...
mesmo aquelas que est�o na mente das pessoas...
� preciso tempo, n�o sei com certeza...
mas imagino que at� a literatura que parece inofensiva...
em algum momento tem seu renascimento.
De repente, as pessoas dizem que n�o eram t�o ruins.
Ou como Sloterdijk lidou com isso, por exemplo...
que conduziu uma discuss�o sobre Marx, tamb�m.
Em parte, bem inventiva...
p�s Marx em um contexto de globaliza��o
-Sempre tem outro... -De ira tamb�m, "thymos". Sloterdijk..
tra�a uma trajet�ria da ira at� hoje..
usando a terminologia de Marx
� o que digo, nem tudo est� perdido.
Poderia descrev�-lo? N�o v� dizer que a barba era seu �nico tra�o distintivo
Bem, para come�ar, acho que n�o era uma pessoa muito feliz
Vemos isso em suas rela��es pessoais.
A dif�cil e estreita amizade com Engels...
Mas um bom amigo? N�o se sabe com certeza.
Acho que ele era t�o obcecado... essas pessoas...
que t�m uma opini�o..
MARX E ENGELS COM AS FILHAS DE MARX ...no caso de Marx, provavelmente
MARX E ENGELS COM AS FILHAS DE MARX ...uma opini�o fundamentada..
que acha que s� ele pode fazer algo..
significa que tem uma miss�o..
tem que fazer e ningu�m mais..
e n�o pode delegar, precisa ele fazer mesmo..
e isso leva a uma postura, como dizer..
de ego�smo, tamb�m, de concentra��o, mas tamb�m significa que...
-A pessoa converte-se em instrumento. -Eu me transformo num instrumento
E isso... claro que n�o � receita...
para uma vida amena e feliz. Com certeza.
Da�, todas as doen�as, erup��es, essas coisas psicol�gicas. Mas acho..
uma vez reuni v�rias declara��es sobre ele...
coisas ditas por quem o conheceu...
Ele escreveu cartas, di�rios, tamb�m.
E obtive um mosaico de opini�es bem contradit�rias...
at� com coment�rios muito amargos sobre Marx...
uma compila��o que na RDA jamais poderia ser publicada na �poca.
Ele tamb�m foi um dos fundadores...
da tradi��o do insulto da esquerda.
A esquerda sempre foi n�o s� de insultar advers�rios...
mas, tamb�m de se insultarem dentro do partido.
Uma tradi��o que come�ou com Marx, que era o mestre do insulto.
Ele tinha ideias geniais.
Ainda me lembro de como se referiu a Bakunin. Ele disse...
"Bakunin, um Maom� sem Alcor�o."
Cada coisa que lhe ocorria!
E n�o deixa de ter raz�o.
Assim ele expressava suas emo��es.
L�nin levou essa atitude ainda mais longe.
� curioso que diante de todas essas reviravoltas...
voc� n�o dizia de pronto...
"N�o vou entrar...
porque todos se tornam traidores, vira-casacas...
oportunistas...
uma tradi��o enorme que, creio eu, come�ou com Marx.
Ele era o mestre dos insultos.
MOTIVOS CINEMATOGR�FICOS NO ANO DE 1929 Que imagens havia em 1929..
"FUGA DA PROPRIEDADE" ...que podiam ser filmadas..
do ponto de vista de "O Capital"?
Sim, por exemplo, agora...
com a crise imobili�ria nos EUA...
vemos essas fotos de pessoas fugindo de suas pr�prias casas...
voc� v� que as casas j� est�o parcialmente demolidas.
As torneiras j� n�o funcionam.
A raz�o � que n�o puderam arcar com as presta��es.
Nos EUA, n�o � obrigat�rio se registrar...
n�o h� um cart�rio de registro...
voc� pode ir simplesmente embora, sair de sua propriedade.
� uma imagem muito eloquente, se conseguir capt�-la.
Esse tipo de fotos deve ter existido tamb�m naquela �poca.
Na produ��o de imagens havia forte interesse pol�tico, todas tinham...
uma fun��o de agita��o.
O "sop�o", a mis�ria, eram muito mostrados...
embora n�o necessariamente com uma clara orienta��o...
mostravam o trigo sendo destru�do, me lembro dessas fotos.
Isso tudo � eloquente.
Depois, pode passar a outra foto, um luxuoso desfile de moda...
que tamb�m existia durante a crise.
Ent�o, pode fazer a montagem de um ano assim...
mesmo assim, duvido que possa realmente...
Isso que disse, a imagem das pessoas fugindo de suas casas..
-Essa � boa... -� forte, intensa, nunca vi no cinema
-As outras coisas, sim. -Conhecemos devido � agita��o..
porque serve de propaganda. H� uma ret�rica..
uma ret�rica que surge muito r�pido...
de explora��o imediata de uma situa��o atrav�s de imagens.
� o que os notici�rios mostram
Como o mul� do Afeganist�o que visita Berlim..
vemos o velho presidente e o jovem potentado do Oriente
S�o imagens frequentes, mas pouco analisadas
Devo ir para o Afeganist�o e comprar uma fazenda l�?
O que mais me interessa...
e a qualquer um que saiba algo desta �poca poderia responder...
�: O que voc� teria feito?
Suponhamos que estudasse em uma universidade, tivesse 23 anos...
seus pais n�o t�m mais dinheiro, est�o desempregados etc.
Quais s�o suas alternativas?
A polariza��o era t�o extrema...
que todos na centr�fuga eram empurrados para as margens...
ent�o eu vou para a direita, ou me junto aos comunistas?
Era muito dif�cil resistir a isso.
Havia for�as muito poderosas atuando.
E muita coisa depende dessa decis�o.
Ent�o � interessante estudar em detalhes...
em que dilemas as pessoas se encontravam...
COMPANHEIROS SOCIALISTAS (ASSASSINADOS) Que tipo..
de situa��es impostas, involunt�rias, as pessoas tiveram que escolher
Acho poss�vel colocar-se no lugar dessas pessoas..
e se perguntar: "Voc� teria ficado dividido? Como?
E surge outro aspecto interessante da �poca: A vida dupla.
Cada vez mais gente...
entrava em situa��es em que n�o devia ou n�o podia levar uma vida s�...
assim tinha esse ambiente de provoca��es e intrigas...
dos servi�os secretos.
Havia frentes, alian�as estranhas.
A esquerda tinha gente que n�o queria aliar-se nem aos moscovitas...
nem aos socialdemocratas.
E havia pessoas muito interessantes...
intelectualmente muito produtivas como Korsch...
que acabaram esmagados por isso..
durante o curso da hist�ria. Eles n�o foram capazes..
trotskistas e todo o resto...
confesso que isso me interessa...
pois acho que n�o era poss�vel ficar satisfeito em dizer...
"Vou me unir a esses ou aqueles."
Porque provavelmente teria conhecido algumas pessoas...
que pensassem diferente.
Nem que fossem tr�s ou quatro.
O que significa isso? Como afeta a biografia?
Como evitar os campos de concentra��o e todas as implica��es?
Porque n�o se sabia ent�o como isso podia ser perigoso.
-N�o se sabia. -N�o se sabia
� um contraste curioso que alguns achassem..
que ainda podiam mudar o mundo
1929, O �LTIMO ANO EM QUE ALGU�M... Eu n�o posso reformar
...AINDA PODERIA ACREDITAR... ...o ex�rcito do Reich..
...EM TRANSFORMAR O MUNDO ...mas posso ir � China..
como instrutor impulsionar o grupo de Chiang Kai-Shek
Posso mudar meu destino..
mas tamb�m posso mudar o mundo..
como o filme "Kuhle Wampe" do mesmo ano
Ou at� antes, Hammerstein foi � R�ssia...
e colaborou com o Ex�rcito Vermelho...
ou falou com Hindenburg e tentou salvar Hitler no �ltimo minuto.
H� muitas hist�rias. Ent�o, pensa: "Ser� hora de dar um golpe de estado?"
Se pergunta isso quando est� na posi��o dele.
Mas tudo est� aberto e ao alcance das pessoas
Marx diz que o homem, segundo a lei do capital..
n�o passa de um ap�ndice da produ��o..
um ap�ndice de seu destino, ou seja, ele n�o pode nada
Na verdade, esta doutrina da depress�o..
� o que subjaz � verdade
N�o sei, n�o. Acho...
que isso talvez seja um defeito cong�nito da teoria.
Havia declara��es famosas...
sobre o papel dos grandes personagens da hist�ria...
e isso era minimizado.
O importante eram as rela��es objetivas, de produ��o.
� desestimulante
N�o � exatamente motivante...
por outro lado, dizemos: "N�o � verdade.
Sem Napole�o, a hist�ria francesa teria sido muito diferente.
Sem mencionar nosso chanceler austr�aco
UMA FRAQUEZA DA TEORIA? Se esse personagem..
tivesse sido eliminado a tempo, tudo teria sido diferente
-� um ponto fraco da teoria. -Um ponto fraco da teoria
E um ponto forte da associa��o po�tica seria..
contar a Napole�o..
sem muito alvoro�o, que no fim, ele fracassa. E como isso � frustrante..
passar direto aos patriotas prussianos..
� tirania do �dio ou � cr�tica violenta de Kleist
"Expropria��o dos expropriadores"
O Capital refuta a si mesmo sexta-feira negra
Princ�pios da vida na sexta-feira negra
N�o fa�o nada por nervosismo
Eu me peguei quando com "olhar inibido as placas ruidosas
tentei levantar" Eu me visto com cuidado,
i.e. roupa que traz azar eu evito (=pe�as de roupa que j� trouxeram azar uma vez)
H� dois dias, quando as bolsas desmoronaram
come�ou com as minas brasileiras, eu ainda poderia
salvar minha fortuna
Agora eu olho com "inabal�vel tranquilidade" a decad�ncia
n�o cometo, em meio � destrui��o
nenhum erro adicional
por fraqueza humana
Apenas sete grandes especuladores,
que por momento em equipes de ca�a podem unir-se
e raramente um contra o outro agir,
eles est�o em uma situa��o, assim como os gnomos de Zurique,
em tal crise planejar e executar pilhagens segundo o plano
Qualquer um que seja menor do que eles ir� evitar movimento
A vantagem de cat�strofes mar�timas consistia em que,
previsivelmente, no avan�o do vento,
ao navio ou ao velejador n�o se defrontava nenhum obst�culo
e com certeza a tempestade passaria ap�s algum tempo
(demasiado tarde para condi��es humanas, mas visto do planeta seguramente) se p�e
A imagem da quebra da bolsa, diz o dr. S�hnlein,
corresponde mais ao processo em que um moderno navio de guerra,
cuja proa foi atingida por um tiro de foguete
com poderosa din�mica de PS que lhe est� embutida,
e na superf�cie do oceano submerge
e ao centro da Terra se dirige
Em uma certa profundidade da �gua
o encoura�ado ir� explodir, as partes singulares perdem velocidade
e come�am com menos de 1g para o fundo do mar afundar
"N�o s�o s� os cinco sentidos, mas tamb�m...
os assim chamados sentidos espirituais..."
"Os sentidos pr�ticos: Querer, amar.
Em suma, a sensibilidade humana...
a humanidade dos sentidos..."
GALINA ANTOSCHEWSKAJA TRADUTORA
"surge somente atrav�s da exist�ncia do objeto...
atrav�s da natureza humanizada..."
"A forma��o dos cinco sentidos � um trabalho...
de toda a hist�ria universal at� os dias de hoje."
"Pois n�o s� os cinco sentidos..
mas tamb�m os assim chamados sentidos espirituais."
E como fica em russo?
Ver, ouvir, tocar, degustar, cheirar
Os assim chamados sentidos espirituais..
os sentidos pr�ticos: Querer, amar
QUERER, AMAR, LUTAR, FUGIR, APRENDER
RESPIRAR, SENTIR, PENSAR Em suma, a sensibilidade humana
TRABALHAR, ESTAR EM SOCIEDADE
A humanidade dos sentidos..
surge somente atrav�s da exist�ncia do objeto..
atrav�s da natureza humanizada..
Quer dizer que se constroem cidades e da� surge o cidad�o
O solo � arado
E depois surgem os agricultores e a revolu��o agr�ria
Em seguida, empresas e trabalhadores..
desenvolvem..
interesses totalmente opostos
Uma nova natureza humana
A ind�stria
Assim, n�s temos, canteiro ap�s canteiro..
uma natureza humanizada
� assim que surgem os seres humanos
Pessoas s�o ecos das coisas, e as coisas, o eco das pessoas
E isso significa que a forma��o dos cinco sentidos..
� um trabalho de toda a hist�ria universal at� os dias de hoje
Por nossas almas correm o Eufrates e o Tigre..
e h� pir�mides dentro de n�s
E as grandes vias por onde marchavam os legion�rios de Roma..
e o sofrimento das guerras dos camponeses..
e depois, a Revolu��o Francesa..
torrentes de homens lan�ando-se sobre Paris
E uma alegoria, que parece um anjo e traz uma tocha..
traz a liberdade ao pa�s
E de novo o sofrimento das f�bricas inglesas
E as f�bricas e os navios..
que capturam King Kong..
e cruzam os mares, levando-o para os EUA
O gorila furioso quase destr�i o navio
E enquanto protege a garota linda e branca no alto do arranha-c�us..
e apanha os avi�es do governo..
chegam outros avi�es do governo e o crivam de balas de metralhadoras
N�o � exatamente um para�so..
mas a exist�ncia objetiva..
a natureza humanizada..
Pode dizer isso em russo? "Natureza humanizada"?
� claro. "Ochelovechit".
Humanizada. "Human-izada".
"Ochelovechit".
Com um "O" mai�sculo.
Como �mega, n�o �?
O, "Ochelovechit".
"O-che-lo-ve-chit". Uma palavra bem grande...
que come�a com "O" e cont�m a palavra "chelovek", homem.
-Como se diz "alma" em russo? -Dusha
-Dusha. Dusha. -Du-sha
-D-U-S-H-A. Dusha. -Dusha
-Onde mora a alma? -Onde? Entre os homens
-Em algum lugar. -Mas se uma pessoa reage � outra..
quando uma coisa ou um homem reage..
Ent�o tem essa palavra, a alma.
� como dizer: "Ele � um homem com alma."
Em russo se diz: "Undishevishlovek"...
e significa que ele est� pronto para arcar com seus problemas.
-Significa... -Dividir� seus problemas comigo
Vai dividir e ajud�-lo.
N�o s� dividir, � pouco. Ajudar.
Ajudar
Em russo, h� um ditado interessante que diz...
"Estou disposto a lhe entregar minha �ltima camisa."
Isso tamb�m seria "ter alma".
Se estou pronto...
-Seria "alma" ou "aben�oado"? -"Aben�oado"
Porque "aben�oado" � uma ideia crist�
Certo, mas n�o importa a palavra "aben�oado"...
est� arraigada como conceito crist�o em muitos..
-Mas em Marx n�o aparece. -N�o importa
As pessoas leram Marx, fecharam o livro...
e entregaram a prova.
-Mas a palavra, "a alma"... -Permaneceu
Permanece entre as pessoas.
-Nunca pediram na prova? -Nunca
-N�o serve para avan�ar na profiss�o? -N�o
Mas se � como uma reserva, uma luzinha no cora��o
� uma luzinha. Se dizemos que algu�m � "seelisch"...
� porque "tem alma", e � um termo positivo.
Cada...
-H� can��es sobre a alma? -Can��es... n�o sei dizer. Mas h�..
Alguma m�sica com alma? Sobre o amor? H� muitas
N�o sobre a alma, n�o falam muito disso.
Mas existe a ideia de "sem alma".
Em russo � "bezdushnichelovek".
-Sem alma. -Sem alma
Sem alma � como "maldito"
Pode ser. Mas este termo exato, "bezdushnichelovek"...
"o homem n�o tem alma".
Mas os "malditos desta terra" que se agrupam..
pretendem conquistar almas?
Sim, mas se fala assim de uma pessoa...
� melhor esquecer essa pessoa. � um crit�rio ruim.
Por escrito n�o se usa normalmente.
Se algu�m...
escreve uma carta sobre uma pessoa...
pode dizer isso em particular.
Mas se for uma carta oficial, ent�o n�o.
Esta palavra nunca � escrita, eu jamais li.
Ent�o, em discursos do partido, nos programas partid�rios..
-na Constitui��o... -N�o se menciona alma
Quando dizemos: "A alma humana � indivis�vel"..
seria o artigo um da Constitui��o
Exato. Mas, veja...
A alma humana � soci�vel
E, nesse sentido, � indivis�vel, pois sempre surge em companhia de outros
Exato.
"A alma n�o � um Robinson", artigo tr�s da Constitui��o
Exato, � muito interessante.
Mas, veja, a alma...
n�o pode ser agarrada.
-Mas... -Ela voa? Tem asas?
Asas?
-Respira? -Sim, respira
-Ela respira e � a respira��o? -� a respira��o. Al�m disso..
se tenho alma, preciso mostr�-la para algu�m.
A alma... n�o posso viver sozinha como Robinson Cruso�...
s� com minha alma e ficar assim com minha alma. � imposs�vel.
Porque a alma...
� algo intang�vel.
Mas, eu sei, por exemplo...
se dizemos "aben�oado" em rela��o ao marido...
Se diz "feliz"
Estava feliz, estava preparado...
A entregar sua alma. Como presente
Como presente e dar sua �ltima camisa.
Quando se fala sobre a �ltima camisa, talvez soe pr�tico demais.
Muito materialista. Mas talvez porque a alma seja intang�vel.
Mas tamb�m se fala da alma de uma m�quina..
-N�o. -Sim
-Mas n�o da alma da Bolsa. -N�o
-Existe uma economia da alma? -N�o
-Uma pol�tica da alma? -N�o
Mas seria uma quest�o de economia pol�tica..
se a alma de alguma forma se perdesse?
Ent�o diria que as pessoas que escrevem...
ou que fazem tal pol�tica...
agem com o pensar e com a alma das pessoas...
para as quais eles fazem pol�tica.
Ent�o n�o s� os cinco sentidos..
Poderia continuar traduzindo para o russo?
Ent�o n�o s� os cinco sentidos..
ou seja, o nariz, o olho, o ouvido, a pele..
-A pele, isso. "Kozha". -A pele. "Kozha"
Isso significa pele. "Kozha".
Uma pele muito inteligente..
O interessante � que a palavra "pele", "kozha"...
� usada para tudo: Bota, gente.
A "pele" dos barcos, dos homens
Pele humana. Isto � pele humana.
-A p�tria n�o tem pele? -N�o
A p�tria tem territ�rio e sentimentos.
UNI�O SOVI�TICA
-N�o, animais t�m pele. -Animais t�m pele
Animais t�m pele
As almas de todas as gera��es oprimidas..
se lan�am sobre a R�ssia como uma tempestade, pode-se dizer?
� como o clima
Porque aquele que foi tratado injustamente jamais perece
� verdade.
Porque dizem que os russos t�m uma alma especial.
Nunca gostei muito desse conceito...
pois ele �: "A alma russa � t�o...
Mas Dostoievski achava que sim, Puchkin disse que era
Todos dizem isso. Os estrangeiros...
at� os alem�es dizem: "Queria tanto entender a alma russa!"
Onde est� ela? Em algum lugar diferente dos outros homens?
N�o, n�o.
� que provavelmente deve haver...
Mais press�o, porque na R�ssia as pessoas vivem mais distantes..
n�o em Moscou, nas cidades, mais distanciadas..
-N�o � verdade. -Elas est�o mais dispostas que outras?
As pessoas est�o mais dispostas a conversar umas com as outras.
Al�m disso, e acho engra�ado...
na R�ssia temos uma nova profiss�o...
a de psic�logo.
GALINA ANTOSCHEWSKAJA, TRADUTORA Nos Estados Unidos, at� onde sei...
� muito moderno ir a um terapeuta...
e resolver quest�es com ele...
como uma separa��o, como criar os filhos...
e aos poucos aprendem esse tipo...
de matem�tica. A arte de curar a alma.
-Entender a matem�tica da alma. -Poder contar com a alma
Isso mesmo. Mas...
em minha opini�o, na R�ssia existe at� hoje uma ideia interessante...
� intraduz�vel. Colete. Isto � um colete.
O colete n�o tem mangas.
Mas vem uma amiga e chora no meu colete.
Significa que quem chora no meu ombro nunca chora.
Ela me conta tudo...
e pergunta como viver agora.
E agora posso viver porque consolei minha amiga?
Todas as pessoas precisam de consolo.
Aqui, em geral, ou seja, no caso da Alemanha...
as pessoas nem sempre est�o dispostas a bater � porta de algu�m e dizer...
"Estou com um problema, ele me deixou e fiquei s�.
Levou todo o dinheiro."
Acredito que n�o seja t�o comum aqui falar assim com uma amiga.
Hoje, por exemplo, passei a manh� falando com uma amiga...
sobre o que ela deveria fazer com o marido.
Ele bebe e por a� vai. Ela n�o quer ir ao terapeuta...
e escreveu uma carta, perguntando o que fazer.
E tenho que consol�-la, acalm�-la e lhe dizer..
"Sinto muito, mas tem que continuar a viver com ele."
-N�o pode fugir. -N�o tem outro
A alma permaneceria de qualquer forma.
Voc� � respons�vel por ele.
Sua alma � respons�vel por ele.
Isso � alfabetiza��o da alma, de alfa a �mega..
-e aprende v�rias etapas de consolo. -Isso
E se preserva em sua identidade
Claro, permanece sempre a mesma.
Por isso, eu rio da op��o psicanal�tica...
Pois a alma, por si, esse conceito...
pode por vezes proteger as pessoas.
Se eu sei exatamente que quando o procuro...
e sei que voc� � uma pessoa com alma...
eu posso ter esperan�a de contar com sua ajuda.
-Onde est� a alma do dinheiro? -Do dinheiro?
Boa pergunta!
A alma de um rel�gio? Um rel�gio tem alma
-Um rel�gio? -Sim, de onde vem sua regularidade..
pontualidade, equil�brio, entre seus mecanismos, isso se chama alma
Pode ser. Talvez este conceito em russo seja diferente...
-se chama "mecanismo". -Mecanismo
-E "mecanismo" n�o combina com alma. -N�o
Por isso, em russo, essa palavra n�o tem vida.
Alma � alma. Rel�gio � rel�gio. Mecanismo...
de rel�gio � outra coisa.
O homem n�o pode viver como um mecanismo que marca o tempo.
-E a economia, tem alma? -A economia tem
Porque todos est�o se esfor�ando..
e a vida social est� dentro de uma economia..
que n�o pode ser produzida individualmente
N�o, a economia � constru�da...
Com in�meras pessoas que se esfor�am
E as pessoas est�o se esfor�ando...
E esse esfor�o � explorado injustamente..
-no entanto, continua sendo esfor�o. -Com certeza. � assim que deve ser
Apesar das m�s inten��es..
da economia, faz algo ben�fico para os indiv�duos ao reunir as pessoas
Re�ne, porque esses homens que trabalham o fazem com alma.
-N�o se pode viver sem alma. -Nem saberia o que � isso
Exato.
O escravo n�o sabe o que � esfor�o
Escravo?
N�o tem raz�o para tal. Nunca aprendeu
O escravo s� aprendeu a se proteger...
a viver na terra.
E Marx escreveu sobre isso
-"FOR�A DE TRABALHO" ATIVIDADE DA ALMA=- Em outras palavras.
-"FOR�AS ESSENCIAIS HUMANAS-" Provavelmente.
E onde Marx fala de "for�a de trabalho"..
deve-se ler "atividade da alma", das "for�as humanas essenciais"
Provavelmente.
Como se diz "for�as humanas essenciais" em russo?
Homem � "dushevek"...
alma � "dusha", for�a � "sila".
Ou seja, ess�ncia e alma s�o a mesma palavra.
Isso mesmo.
Isso mesmo.
TIA-AV� ANTONSCHEVSKAIA (1918)
Como "pensa" o filme?
Dietmar Dath, autor de romances, sobre a pergunta de Marx:
"Se o dinheiro pudesse pensar, como se explicaria?-"
KARL MARX "O CAPITAL"
Pode o capital dizer "eu"?
Como teria Eisenstein filmado o Capital de Karl Marx?
Vamos imaginar Eisenstein em 1929
Era um homem cheio de energia..
vigiado de perto pela censura..
mas, digamos, "armado" com seu "thymos"
Este homem quer filmar "O Capital", mais precisamente o primeiro volume
Um ano depois de fazer anota��es para isso, visitou Joyce em Paris..
no dia 29 de novembro de 1929..
ou seja, depois da cat�strofe econ�mica
O homem est� cego, como Homero
Do que teriam conversado?
O problema � que os filmes de Eisenstein e a literatura de Joyce...
podiam dialogar entre si muito mais do que eles mesmos.
Como marxista, eu diria que o material...
era mais interessante que a discuss�o entre os sujeitos.
Acho que Eisenstein poderia ter conversado com Dickens...
sobre filmar "O Capital". O problema com Joyce �...
que ele e Shakespeare t�m uma ideia de homem...
que parte de algo j� resolvido.
Ou melhor, em Joyce, o homem tem uma natureza t�o universal...
que ele j� tinha conseguido a liberdade...
que � tema da arte de vanguarda de Eisenstein, j� � uma realidade para ele.
Arno Schmidt disse: "Tudo que j� escrevi ou que j� pensei...
precisa ser tratado como algo vivo para sempre."
Era assim para Joyce, mais em "Finnegan's Wake"...
ao passo que Eisenstein deve criar essa liberdade de outro modo.
Mas acho que Eisenstein criou ao...
N�o pode definir liberdade s� como "menos regras"...
mas, sim, como mais regras para maior flexibilidade do jogo.
Se tenho dez regras e adiciono vinte que as contradizem...
crio din�mica e liberdade...
criando mais liberdade pela multiplicidade de par�metros.
-Uma categoria de contexto. -Isso
Por isso estava interessado em coisas como filmar "O Capital"...
por isso tinha tanto interesse na ideia...
n�o filmaria uma lista telef�nica, tinha que filmar "O Capital"...
porque a lista � somente uma representa��o do mundo.
No in�cio, tomou de Joyce uma ideia bem simples..
um dia na vida de Bloom..
o her�i de "Ulisses, um dia da vida..
e esse dia cont�m toda a hist�ria universal..
todas as c�lulas do corpo, e tudo que existe..
ou seja, todos os romances em um dia. Isso o atraiu
Mas, no in�cio, para seu projeto..
ele a usa como uma hist�ria de uma viagem..
como um elemento de liga��o..
pois n�o conseguiria expressar no cinema a livre associa��o de Joyce
N�o seria poss�vel num filme
Acho que o filme... o livro � centrado em Bloom e diz...
a partir de Bloom vejo o dia como sendo universal.
Eisenstein parte desse dia.
A partir desse dia, entendo meu objeto como universal.
Quer dizer que o filme pensa...
n�o sei se ele faz isso, mas se penso em Eisenstein, parece que sim.
O filme pensa...
que o mundo aqui � de l�.
Ou seja, que a possibilidade � que essa concretiza��o...
que o cinema lhe d� surge porque � mais abstrato do que escrever.
� mais eterno, � uma arte do tempo...
n�o posso decidir a velocidade da leitura. O filme estabelece esta velocidade.
UMA OBRA-COMENT�RIO EPIFANIA E HIPER-TEXTO Com a ideia de filmar "O Capital"..
Eisenstein aspirava a uma obra que comentasse..
uma justaposi��o de realidades que pudessem se ro�ar..
o que estava no in�cio do filme..
tamb�m devia estar presente no final
No computador poder�amos justapor isso sem esfor�o..
e ter essa m�dia, que damos uma clicada, como ao usar um DVD..
Um hipertexto, mas com filme.
-Dramaturgia esf�rica. -Com certeza
N�o importa aonde vai, o contexto, a conex�o fica
Acho que � sua ideia central
O legal � que... isso que � t�o impressionante em "O Capital"...
se proceder dessa forma, formar uma esfera e fechar...
como faz a arte aut�noma, a teoria aut�noma...
que n�o est� preocupada em incluir as recentes...
mat�rias sobre economia na teoria...
ou que esqueceu o que acontece na Venezuela...
mas, sim, em construir uma arquitetura...
como um filme faria.
Muitas vezes mais realista no fim do que esse monte de pesquisa...
porque o mundo tamb�m � assim.
Como se passasse algo que atrai..
e se est� repleto de interesses, se subjetivamente � forte..
ent�o atrai o que � importante e deixa o restante de lado
-Totalmente. -E essa atra��o..
A suc��o...
� o que Benjamin fez..
quando em um artigo se concentrou num aspecto..
e em duas semanas escreveu um trabalho diferente..
onde o aborda de outra forma..
como um morcego que emite um eco. Cada um � diferente
A "GRAM�TICA" DO CAPITAL Voc� falou antes de "sujeito"
Na gram�tica, o sujeito �..
usando termos de Marx de "O Capital"..
"EU" NO CAPITAL= ...que � o que pode dizer "eu",
O JURO DO JURO ...seria o capital..
-a acumula��o de interesse. -Isso mesmo
-A autovaloriza��o do valor. -As m�scaras do capital
E n�o � o sujeito..
porque sujeito pode ser s� a for�a de trabalho, a mudan�a da mat�ria
Se observar esse sujeito, poder� concluir claramente..
que a mis�ria ser� confrontada com algo, no m�nimo, a partir do diafragma
Talvez at� as c�lulas se mobilizem contra ferimentos, dores etc
Tudo que est� fora em algum momento se volta para o interior..
de modo tal que essa necess�ria falsa consci�ncia, esta ideologia..
nunca � reflexo das atuais circunst�ncias
Mas h� mesmo reflexos? Acho que...
um grande tend�o de Aquiles da ideia de ideologia de Marx e Engels...
� a ideia do reflexo.
� equivocada, porque s�o tanto romancistas quanto pessoas
N�o s� isso. Como comparo um mundo com uma ora��o?
N�o d�. Se digo: "O gato est� deitado no tapete".
O que � esse "o"? Posso peg�-lo? N�o.
O que � "deitado"? O que corresponde a isso? H� uma rela��o.
Precisamos considerar uma guinada pragm�tica...
que est� na teoria de Feuerbach...
e em vez de reflexo, falar de coordena��o.
De coordena��o de a��es.
L�ngua e descri��o servem para que concordemos sobre o que fazer.
E se olhar para isso assim...
ent�o "O Capital" de Marx e seu "Manifesto Comunista"...
que s�o vistos como uma ruptura na teoria de Marx.
O jovem Marx que quer romper e mudar tudo...
e o Marx maduro que v� a totalidade e que a mudan�a � imposs�vel.
Ent�o, isso funciona...
se decidirmos coordenar a��es sempre haver� um aspecto fatalista...
"as coisas s�o como s�o." E um aspecto rebelde, tamb�m necess�rio.
� preciso poder dizer: "Isso � lixo". Deve haver sentimento de injusti�a.
As c�lulas devem se rebelar, como disse, devemos ver a injusti�a...
para num segundo momento recuarmos at� o estoico...
e analisarmos a situa��o, ver de onde vem a injusti�a.
Depois, o terceiro momento, dizer: "Por isso queremos erradic�-la".
Em vez de reflexo, falar de coordena��o de a��es...
que j� est� na palavra "manifesto".
O QUE SIGNIFICA PARA VOC� E o termo "moderno"...
...O TERMO "MODERNO"? ...que mencionou...
e cita a "Nova Objetividade"..
o movimento do final da d�cada de 20..
poderia analisar o termo "moderno"?
Analisar n�o posso, mas posso trat�-lo de modo sint�tico
-Voc� tem 38 anos, n�o �? -Isso
Meu conceito de modernidade � totalmente normativo. N�o tento...
olhar e classificar coisas, e dizer: "Tudo isso � moderno".
Como posso conceber um conceito que resuma tudo?
Ent�o, meu conceito de modernidade � marxista.
Para Marx, a idade moderna � o momento...
em que uma riqueza abstrata e geral se estabeleceu...
atrav�s do capitalismo, j� que n�o s� sobrevive.
Agora j� tem um menu maior e a quest�o �: "O que queremos?"
A quest�o j� n�o � o "ser" para o "deve ser"...
agora a vontade est� presente, "o dom�nio da vontade do homem."
O mundo como dom�nio da vontade do homem.
� o n�cleo de seu conceito de aliena��o, distinto de Hegel.
Quando diz: "Meu trabalho n�o � meu"...
n�o est� se queixando da produ��o em s�rie...
mas que as pessoas fazem besteiras que n�o est�o no dom�nio da sua vontade.
Que est�o � margem da produ��o..
como espectadores de suas pr�prias vidas
-Simples ap�ndices. -Ap�ndices sendo arrastados...
Isso. E para mim, a modernidade � o momento...
em que o que quero de repente tem import�ncia.
Por isso surge um Nietzsche, e tamb�m um Rousseau.
Por isso muita gente pode desenvolver modelos...
que com uma din�mica incr�vel...
e at� autorit�ria exigem que "isso deve ser feito".
Ent�o, a industrializa��o moderna..
digamos, a agricultura em uma segunda natureza..
em outro estado de agrega��o
Por isso gosto da foice e do martelo. Na verdade, n�o foi muito pensado.
Foi s� uma concess�o que fizeram para enaltecer os camponeses...
que simbolizasse as coisas, como um crucifixo.
Mas � interessante por duas coisas que disse...
a foice significa: "tenho uma intera��o com a natureza."
Preciso colher, semear, fazer essas coisas...
porque sou um ser vivo e tenho um d�ficit homeost�tico com o meio."
O martelo significa que "produzi com meu trabalho...
que surge da intera��o com a natureza...
que por sua vez posso convert�-lo em objeto da elabora��o...
Atrav�s do trabalho posso trabalhar...
posso produzir coisas como se viessem da natureza."
E esse � o livro secreto..
que est� nas entrelinhas de Marx..
A Economia Pol�tica da For�a de Trabalho
H� sociedades, por ex., na Mesopot�mia..
que ao longo de mil�nios est�o ativas
Em outros casos, como na Europa, viveram menos, 400, ou at� 40 anos..
mas que produziram muito
E elas s�o f�bricas onde se constr�i algo..
que na verdade n�o s�o vistas em toda a descri��o econ�mica
Exato. Digamos que o Manifesto � parte...
de uma filosofia de trabalho, "O Capital" tamb�m...
s�o partes contrastantes, contradit�rias de sua filosofia de trabalho.
E sempre me lembram dos m�rmons.
O racioc�nio deles � sempre: "Por que existe o Livro de M�rmon?
Por que existe outro livro al�m da B�blia?"
Eles argumentam que a palavra de Deus � uma escritura...
h� um livro na mesa, um livro com um prego cravado.
Esse seria a B�blia.
O problema � que pode gir�-lo para qualquer lado, em torno desse prego.
Por isso precisa de um segundo livro...
para que o primeiro fique parado e assim saber o que ele quer dizer.
-� o que os m�rmons pensam? -Sim. � isso que pensam
-O que diz o Livro de M�rmon? -Diz que Jesus foi at� os �ndios..
porque s�o as tribos perdidas de Israel.
Mas o paralelo com Marx �...
que o primeiro prego s�o Marx e Engels, as obras completas...
e o segundo, por muito tempo, foram os russos...
ou o marxismo-leninismo.
Este segundo prego foi arrancado...
e o livro voltou a girar. E acho que isso � bom.
Mas h� tantos marxismos agora
H� Moishe Postone, que diz que � uma cr�tica � industrializa��o
Wolfgang Pohrt diz, ao contr�rio, que � uma filosofia do valor utilit�rio..
que espera que a industrializa��o fa�a algo por n�s..
mas precisamos de pol�tica
Temos Michael Lebowitz, que disse como voc�...
"Preciso da outra perspectiva de "O Capital"...
o que acontece com o trabalho, com o trabalho vivo."
Significa que voc� gira Marx em todas as dire��es...
e talvez, a partir da repluraliza��o...
seja poss�vel que n�o haja mais marxismos...
porque haver� tantos marxismos que em seu conjunto...
ser�o iguais ao socialismo...
que Marx acreditava ter encontrado e pensava ser o �nico.
Porque tem outra coisa tamb�m: O movimento real das sociedades
PUDESSE O DINHEIRO PENSAR, Fazem isso sem nos perguntar,
COMO ELE SE EXPLICARIA? ...mesmo n�o sendo observados...
fazem isso cegamente
E como essa � a esfera real..
� positivo..
que os espectadores possam mudar de lentes
L�CIFER VISITA A... O problema com toda essa leitura,
...REC�M-CRIADA TERRA ...an�lise e coment�rios sobre Marx...
SE O DIABO FOSSE UM TE�LOGO, ...� esquecer que vivemos
O QUE DIRIA DE SI? ...num sistema...
onde os grandes bancos podem ruir..
e reduzir a p� enormes somas. E Marx prop�s um dem�nio..
deu ao socialismo o que John Milton deu ao cristianismo...
"O que o dem�nio pensaria e faria...
se ele se interessasse por problemas teol�gicos?"
E "O Capital" diz: "Se o dinheiro pensasse, como se explicaria?"
N�o � a explica��o de Marx de como deveria ser...
� a explica��o de como o dinheiro quer ser.
"O Capital" foi escrito da perspectiva do capital.
Algo que nunca ningu�m fez, talvez Benjamin poderia t�-lo feito...
� reescrever "O Capital" da perspectiva das for�as produtivas.
E quanto a Marx..
Antiguidade, ideologia?
Suas refer�ncias s�o Epicuro..
claramente contra o cristianismo, o ascetismo...
o estoicismo...
-contra, digamos, os burgueses. -O que disse ele do estoicismo?
Na disserta��o de doutorado, ele fala disso...
de Epicuro, das diferen�as etc.
E se entendi bem, n�o h� nada de sistem�tico sobre o estoicismo...
mas aparece quando ele fala sobre o conceito de postura.
Ele gostava dessa postura. Acho que �...
Calma imperturb�vel. Atitude contemplativa
Isso mesmo. E creio que essa � a atitude...
que permite que Marx e Engels escrevam frases...
por exemplo, no "Manifesto do Partido Comunista"...
que sempre terminam com uma vit�ria de uma classe sobre outra...
ou, e a� aparece o estoico e Hegel desaparece...
a queda das classes que lutam.
Ele tratou disso. N�o � que o socialismo seja inevit�vel...
mas poderia tamb�m ser que nada acontecesse.
Ent�o, Epicuro, estoicismo, ceticismo...
outra virtude grega que Marx traz da Antiguidade...
e por �ltimo, o sofisma.
Ele n�o temia ser tachado de sofista...
dizia ser melhor ser meio sofista, usar os argumentos e depois...
nos manuscritos dizer: "Vamos esquecer isso.
Escrevi quatro p�ginas e n�o chego a lugar nenhum."
-Como um advogado. -�, um advogado que investiga isso..
e n�o teme perguntar a si mesmo, justamente como um sofista...
mas n�o como algo pejorativo ou ruim...
mas vendo no sofisma uma poderosa arma do Iluminismo...
na capacidade, que chama depois de dial�tica...
de dar tr�s, quatro, cinco voltas nas coisas.
Significa que pode confiar num pensamento que muda..
contanto que se comporte como uma ave rebelde
Isso mesmo.
E n�o pode planejar para onde ele vai voar
Isso. � a rela��o com Prometeu...
a quem chamou de o santo mais importante do calend�rio filos�fico.
O PROMETEU ACORRENTADO A rela��o de Marx com a Antiguidade...
serve para impedir a rigidez ideol�gica..
de Hegel, a quem admira, de seu hegelianismo de esquerda.
Significa que onde Marx tenta usar a antiguidade cl�ssica...
ele tenta escapar ficando parado.
Ao optar por um ponto fora do que est� acontecendo
Exato, exato.
E chama isso de passado, Antiguidade, mas, na verdade, � o futuro.
Rosa Luxemburgo e seus seguidores fazem o mesmo quando se referem a Esp�rtaco
Isso.
"Devemos seguir a maioria, mesmo que ela esteja errada."
Eles tomaram essa frase de Esp�rtaco
At� ent�o, as hordas de escravos haviam derrotado as legi�es romanas..
e se dirigiam ao norte..
e poderiam fundar um yenan ou uma nova rep�blica l�
Mas agora s� queriam saquear novamente e retornar
E Esp�rtaco termina sendo minoria
-Esse era o sentimento... -Dos comunistas, digamos
Que veem a 1� Guerra Mundial como uma guerra industrial
Acredito que isso se deva ao fato..
de que � prefer�vel aprender de uma a��o errada...
do que de uma teoria infal�vel que nada ensina.
Preferem seguir o processo hist�rico e isso tamb�m � uma atitude grega...
� uma atitude tr�gica.
Aprenderemos com isso mesmo sabendo que os resultados podem ser catastr�ficos.
Continuaremos o aprendizado at� o final por curiosidade.
Talvez porque dentro de n�s, dos homens..
haja algo que esquecemos..
que foi parte da nossa evolu��o social..
de tempos felizes, e que nos salva inesperadamente
Ignoramos as sa�das de emerg�ncia. Na verdade, � um antiplano
Luhmann tem uma frase �tima..
"O marxismo n�o vai se repetir porque j� aconteceu."
Significa uma rea��o. Para usar termos da f�sica..
uma retroalimenta��o, muito pior que essas part�culas de Heisenberg...
que mudam quando observo.
Se conto a algu�m algo sobre elas e como s�o as coisas...
podem reagir de modo t�o distinto e imprevis�vel...
que esse car�ter cient�fico se perde.
Se os macacos entendessem de etologia...
a etologia teria um s�rio problema.
Essa hist�ria dos camponeses... Marx tra�a paralelos...
que adorava, aprendidos com os cientistas.
Ent�o, ele diz...
"n�o podemos ignorar...
que esse enorme n�mero de pessoas...
talvez 80% dos russos trabalhassem no campo nessa �poca...
enquanto que nos EUA hoje seriam 6 ou 7%...
e disse: "Ser�o cada vez menos. V�o se industrializar."
E aqui surge o paradoxo, que gostaria de ter lido como jornalista...
pois ele foi um excelente jornalista tamb�m. Uma premissa de sua ideia de socialismo...
� que tudo pode ser produzido em conjunto pela sociedade...
inclusive o setor agr�rio. Haver� f�bricas, ind�strias...
ou filmes, ou melhor ainda, cultura.
A industrializa��o avan�a...
e cria as condi��es para o socialismo.
Mas o que acontece quando os pr�prios socialistas...
que confiam nesta lei...
que a industrializa��o avan�ar� e que poder�o construir o socialismo...
o que ocorre se eles t�m que criar as pr�prias condi��es, como na R�ssia?
Adoraria ter lido isso como jornalista. Ou seja...
n�o t�m que demonstrar a verdade da teoria na pr�tica...
mas, sim, for�ar a verdade na teoria.
� uma situa��o bem diferente para os cientistas.
Os cientistas n�o formulam uma hip�tese...
e ajustam o experimento at� que se prove a hip�tese.
Mas em �mbito normativo...
nas quest�es sociais, pol�ticas, a tarefa pode ser exatamente essa.
Stalin se viu diante deste problema...
"Sei que tudo ser� industrializado...
mas j� que n�o aconteceu, terei que fazer isso."
Aqui surge outra coisa que Freud observou bem
Ele descreve a imagem de uma igreja que fica em solo romano..
que antes era um templo pag�o..
-e se torna um... -Um santu�rio medieval..
at� se transformar na moderna igreja crist� de hoje..
mas todas as constru��es..
todos os pensamentos e cren�as que ali residiam ainda permanecem
Do mesmo modo, se constr�i o interior do ser humano. � a alma
Com certeza. A evolu��o � assim, n�o se pode localizar...
um ponto arquimediano, fora da Hist�ria e dizer: "fechado para reformas".
O homem n�o pode fazer isso. Mesmo sendo guilhotinado..
seus filhos continuar�o carregando sua antiga alma..
que abriga os tempos antigos
-Algo que Marx chama... -"O peso das gera��es mortas"
"O peso das gera��es mortas..
que oprime como um pesadelo o c�rebro dos vivos."
Ele disse isso se lamentando..
podia ter dado um vi�s positivo..
e dito "que ricos n�s somos"
Ele disse. Em "O Capital", enfatizou, dizendo...
"Onde eu estaria sem o capitalismo?"
Essa hist�ria de terror que descreve, acumula��o original...
camponeses a�oitados, for�ados a trabalhar em f�bricas, uma incr�vel...
-acumula��o... -S�o castigados, ficam mais calejados
S�o destru�dos e criam resist�ncia dentro de si
Isso. S�o extens�es do menu, digamos, em linguagem de computador.
Mais op��es. N�o est� substituindo...
Ou part�culas. H� uma parte que se separa..
� energia pura e serve para algo novo, a outra parte � destru�da
Isso significaria que os biocosmologistas..
na Revolu��o Russa dissessem..
uma revolu��o sem ressurrei��o dos mortos � inimagin�vel
Devemos demonstrar gratid�o ao trabalho das gera��es mortas..
e, assim, os ressuscitaremos na ind�stria
Precisamos desenvolver a astron�utica..
porque n�o haver� mais lugar para todos na Terra
A n�o ser que os homens diminuam.
-Interessante. -A n�o ser que usemos computadores
-Mas n�o sabiam disso. -� um belo aspecto
Nem sabiam as condi��es para o que queriam, porque...
como o anjo benjaminiano da hist�ria...
essas condi��es estavam sempre no futuro.
Na verdade, nos abrimos para o futuro..
de onde agora falamos..
nos estabelecemos nas luas de planetas extrassolares..
onde esperamos que as condi��es sejam boas..
e conquistamos esse espa�o com a mente..
enquanto remontamos aos cl�s, aos fazendeiros..
�s forma��es anteriores, � revolu��o agr�ria
Se n�o houvesse tesouros, ser�amos desnecess�rios
Cavam po�os profundos devido � press�o l� embaixo para que explodam.
E isso � uma din�mica muito freudiana.
Vista de uma lua extra-solar (4003 d.c.)
Sobre o oceano de gelo da lua de J�piter Europa
Jovens m�sicos de Riederinger
O poeta Wallace Stevens disse certa vez: "O que � comunismo?
Um instrumento para melhorar a aten��o da humanidade!"
Stevens n�o era comunista
Mas nisso concordariam os comunistas l�cidos e os anticomunistas
Porque se diz que n�o vai dar certo como os socialistas querem...
quando existe uma argumenta��o t�o forte quanto a de Marx...
voc� tamb�m � obrigado a justificar e apresentar um bom argumento.
Em geral, Marx elevou com "O Capital"...
n�o s� o n�vel da discuss�o sobre quanto os homens podem fazer...
como podem planejar viagens espaciais, gen�tica etc.
Em todo conselho de bio�tica h� um padre presente
Tamb�m deveria haver um comunista presente.
-Padre tamb�m, mas um marxista... -Marx disse que n�o era marxista..
talvez porque recha�asse esse termo
Se pudesse descrever, como..
Seria uma m�scara de personagem?
Ou um telesc�pio ou microsc�pio..
Talvez, no sentido da po�tica de Ezra Pound, uma "personae"...
como se imaginasse estar em uma pe�a hist�rica...
como os franceses foram romanos na Revolu��o Francesa...
se os imaginar saindo do Senado e quem sabe de onde mais.
Podemos dizer que o Iluminismo produziu um g�nero, chamado marxista
Os marxistas s�o necess�rios porque existe mais de um socialismo.
O que Marx n�o queria imaginar, o que mostrava seu g�nio...
seu elemento erostr�tico, prometeico, proteico...
era a possibilidade de haver v�rios modelos de socialismo.
Seu g�nero era o correto. N�o precisava de "marxismo".
N�o precisa de marxismo como n�o precisa de darwinismo...
se tudo � biologia.
Se tem a biologia apropriada ent�o n�o precisa de darwinismo.
Precisa do darwinismo quando surgem os lamarckistas.
Do mesmo modo, deve haver marxistas porque h� keynesianos...
-Escola de Chicago. -Escola de Chicago ou lassalianos..
ou os inc�modos anarquistas.
� a� que precisamos de marxistas.
O maior desejo de Marx era n�o precisar disso.
O DESEJO MAIS FEBRIL DE MARX Mas precisamos de mais aten��o.
Estar � altura desses problemas, uma prontid�o..
estar disposto a ver estas hist�rias..
"N�O SE ASSUSTAR PERANTE PROBLEMAS!" voltar ao estoicismo, sem medo...
mas, sim, alegres em ver como s�o delicados..
e precisos s�o os processos hist�ricos
N�s dois somos escritores, e podemos criar..
mais do que uma, duas express�es..
ESTRUTURA CRISTALINA"M�NADAS DO CONHECIMENTO" ...cristaliza��o. O que �?
Junte isso..
que at� agora pouco era como uma solu��o, �gua..
de repente se cristaliza e pode caminhar sobre ele
SALTOS SOCIAIS Antes era vapor e agora � gelo.
Ou como diz Marx, tudo que � s�lido se desmancha no ar.
� o que o capital faz: Uma liquidifica��o e evapora��o.
Esse liquefazer-se � uma express�o do movimento de protesto
Liquefazer as coisas petrificadas
Tocar sua pr�pria m�sica para faz�-las dan�ar
S�o imagens que sup�em a diferen�a entre estados da mat�ria
Constela��es s�o outra coisa
Seriam como padr�es de estrelas..
que pela gravita��o... bem, n�o as constela��es..
mas os planetas, as gal�xias estariam unidos pela gravita��o
E existem as lentes gravitacionais.
Na Teoria da Relatividade, quando tem uma massa...
ela faz uma dobra no espa�o-tempo, o que significa...
que a luz de um astro perto de um grande objeto...
chega at� mim de modo que vejo o astro em um lugar que n�o est�.
Poderia se perguntar se a URSS n�o foi algo parecido.
Seria como dizer...
que a ideia de onde estamos agora...
Marx ainda tinha, n�o foi distorcida durante 70 anos...
porque algu�m deu um salto normativo e quis ter logo...
o que Marx descreveu como processo.
"O Capital" engendra sua pr�pria supera��o.
N�o est� longe. Mas vemos a estrela onde ela n�o est� na verdade.
Ent�o isso n�o era socialismo..
era um ve�culo..
que transforma um pa�s n�o industrializado..
em uma na��o industrializada
� a tese da moderniza��o recuperadora..
mas eu diria que toda moderniza��o � assim...
porque recupera o lado social e o pol�tico...
o que j� estava na mente ao verem a m�quina a vapor.
H� algu�m que a aciona. Gostaria de distinguir...
a tentativa de avan�ar rapidamente...
isso seria a industrializa��o, passando por cima de corpos...
e a tentativa de saltar, que seria a tentativa russa.
E, pessoalmente, com olhar estoico...
n�o aceitaria que algu�m dissesse...
que saltar � mais honrado que caminhar...
mesmo que signifique cair de bru�os ou de costas.
� interessante tamb�m quando posso dizer...
quantas pessoas posso convencer a saltar comigo e como.
Quero dar um exemplo do Meio Oeste..
havia uma cidadezinha..
e l� vivia uma jovem
Tamb�m havia um jovem sedutor e despreocupado da Costa Leste..
que seduzia todas as mulheres que encontrava
Ele trava contato e seduz esta jovem tamb�m e a transforma
Ela acaba inspirando o ar da cidade..
e se converte em uma maravilhosa mulher, Mae West..
que acaba tendo uma carreira cinematogr�fica extraordin�ria
-Esse seria um salto. -Com certeza
E, para Marx, "O Capital" tamb�m foi um salto...
hist�rico ao dizer: "Criaremos riqueza abstrata...
n�o acumularemos isso ou aquilo, mas mercadorias."
-A mulher chorou quando ele a deixou. -A acumula��o original n�o � bonita
Se as pessoas fossem obrigadas a ir para a cidade, para n�o morrerem de fome no campo...
n�o � melhor que o sedutor que troca de mulher.
Mas vamos nos deter nesse pensamento amargo..
do homem que n�o � explorado..
que n�o conhece a acumula��o original..
nem a disciplina industrial
Precisa ter se esfor�ado para refletir sobre a supera��o do trabalho.
Acho que essa ideia da dial�tica est� correta...
mas voc� precisa ter cuidado...
j� que pode explicar qualquer coisa com isso
Pensar em algo implica poder pensar o oposto, ou n�o � pensar.
Vamos examinar o termo "m�scara teatral"..
O QUE SIGNIFICA 'M�SCARA TEATRAL' EM MARX? ...de que Marx trata.
� um elemento cinematogr�fico
Acho que � meio redundante. Um personagem n�o � uma m�scara?
Em grego significa "tra�o distintivo"
Mas, nesse sentido, n�o � algo...
que sai de voc� como um "eidos".
Adorno e Horkheimer dizem: "Personagem � aquele que..
surge quando a sensibilidade emerge e se desaponta..
e a cicatriz que se formou � o personagem
Eu diria, tomando a m�scara teatral em sentido cr�tico...
como � s� uma m�scara, n�o � um verdadeiro personagem.
Ent�o talvez se refira �quele que usa esta m�scara e n�o sabe...
que se comportar como um porco a vida toda, mesmo por um bom motivo...
que possa ser justificado em sua mente como quiser...
dever� cedo ou tarde admitir para si mesmo...
"Estou agindo como um porco, mas sei que n�o sou um."
N�o tem de onde recuar.
A cr�tica da m�scara significa que n�o h� nada por tr�s dela...
mas o que parece estar por tr�s da m�scara...
que o homem queria que estivesse por tr�s...
o capitalista individual � a m�scara...
e a sociedade toda � o que est� por tr�s dela...
ou seja, nada. Uma abstra��o vazia.
Esta � minha vis�o cr�tica da palavra. Mas � um problema porque...
a ideia � de que a pessoa aut�ntica � melhor que a artificial.
-Ent�o poderia retirar a m�scara. -Sim, e por tr�s estaria..
a verdade, a sinceridade, que seriam um valor em si.
Prefiro ter um nazista falso que nunca atuou como queria...
a um aut�ntico.
Para mim, autenticidade n�o � um valor...
mas qu�o destrutiva � minha atua��o, seja ela aut�ntica ou n�o.
Invertendo: Olhando essa matrioshka a quem chamamos de "homem", diz..
NOS 5 SENTIDOS EST� CONTIDA "A forma��o dos cinco sentidos � um
A HIST�RIA MUNDIAL trabalho de toda a hist�ria universal."
Poderia descrever isso? Agora n�o escrevemos "O Capital"..
mas, ao contr�rio, escrever�amos o que � um homem
Para mim, o rosto, como um...
arquivo, no qual as coisas s�o guardadas...
� menos importante do que a m�o, pois a m�o fez alguma coisa.
Em geral n�o gosto de descri��es antropol�gicas...
que veem as pessoas como objeto de suas vidas...
mas diria que...
em algum momento...
Spengler disse o que odiava na esquerda.
O �dio ao destino.
Acho que � um valor positivo, �timo. Endosso o �dio ao destino.
� id�ntico � percep��o da injusti�a.
Parece que a glorifica��o do destino...
encarnada nessas matrioshkas, nessas vov�s, � muito problem�tica.
Acharia a hist�ria menos problem�tica, ou mais heroica...
se falasse da hist�ria...
se tiv�ssemos a imagem sugestiva de uma pessoa com rugas...
n�o gosto porque sugere de um modo muito banal.
Ia gostar se a mulher dissesse...
"Escondemos a pessoa da pol�cia secreta...
e fizemos isso e aquilo..."
porque a� n�o estaria s� contando uma hist�ria, mas dando raz�es.
E se transforma em sujeito...
quando d� raz�es ao que fez e experimentou...
e isso me interessa cem vez mais do que um rosto enrugado ou...
talvez isso seja por meu lado romancista.
"Uma hist�ria me interessa mais do que uma foto..."
Podemos concordar a respeito de um objeto
Claro que � fant�stico se tiver hist�rias sexuais..
que deem um certo status de objeto.
Claro que estou usando uma pessoa nesse caso...
assim como uso algu�m se me trouxesse �gua.
Pode ser mais espec�fico?
A quest�o � at� que ponto podemos concordar.
Quando o outro faz uma troca comigo...
esse � o ideal da troca justa. Est� por tr�s da cr�tica da troca injusta.
"O Capital" diz isso e declara que deveria ser poss�vel a troca justa...
que deveria ser poss�vel coordenar a divis�o de trabalho sem hierarquia.
O ideal marxista de trabalho basicamente � dizer...
"N�o podemos tirar os benef�cios da divis�o de trabalho...
que gera tanta riqueza...
e possibilita um menu t�o amplo de op��es...
n�o podemos acabar com a esc�ria da hierarquia, hist�ricas para ele...
porque para a divis�o do trabalho, o chefe da aldeia dizia...
quem era o mais fraco, quem era o xam�."
As pessoas podem concordar, mas dizer: "N�o serei xam� para sempre.
Serei at� quando eu quiser."
E o modelo disso, para mim, s�o as rela��es amorosas.
O modelo de troca justa.
Algo m�gico se d� nas rela��es amorosas..
al�m do fato de serem justas ou injustas..
mas nasce ali algo que n�o existia..
-sem qualquer sacrif�cio. -N�o sei se n�o sacrifica nada
Para criar, tem que haver queima para gerar energia.
Anos de vida. Apesar de ficarem mais valiosos com isso
Sim, refinados, como na agricultura.
MAIS-VALIA EM RELA��ES AMOROSAS Certo. Se amo outra pessoa...
MAIS-VALIA EM RELA��ES AMOROSAS ...e temos uma troca...
"EU" SOU MAIS POR VOC�" ...ent�o n�s dois temos algo mais...
mais presen�a, mais presente, mais objetividade...
Mais deles mesmos, cada um mais do outro.
E n�o pode ser devolvido
E se fosse imaginar isso, por um lado..
temos o amor � primeira vista..
temos pessoas que vivem a vida toda sem estarem apaixonadas..
e no fim descobrem que � um amor � francesa
E cinco mil possibilidades intermedi�rias indescrit�veis.
Seriam caracterizados por serem duas pessoas que se enriquecem..
que nossa mente � mais soci�vel..
e necessita dessa intera��o social. at� um beb� precisa
� mais do que a m�quina a vapor, mais que a eletricidade.
� o conceito de que o trabalho pode ser liberado.
Falar da m�quina a vapor foi s� a porta de entrada.
Mas creio que o verdadeiro modelo...
que se v� nas rela��es amorosas, amizades e outras coisas...
� que pode haver divis�o de trabalho...
'que n�o sejam hier�rquicas, mas modulares etc.
Esta � a resposta ao enigma da hist�ria que ele chamou de comunismo.
Temos alguns express�es para isso. Por ex., "l�dico"
Isso, como Freud observa, � algo..
que o jogo n�o se op�e � seriedade, o jogo � s�rio
� uma entrega absoluta. L�dico n�o � bem o termo..
mas � t�pico dessa troca
Ent�o precisamos de novas palavras para design�-lo
-E novos m�todos. -E novos costumes
E novos costumes. E praticar a pol�tica do amor..
mudaria o sentido de pol�tica, mudaria a economia..
mesmo que j� exista uma
Vamos imaginar o seguinte. Temos um cron�metro de trabalho
Ele entra no quarto do casal e diz: "Voc� pode fazer isso mais r�pido
Posso lhe mostrar sete truques..
para que atinja o orgasmo sem nenhum esfor�o
Mas devo adverti-los: N�o podem repetir isso."
Esta � a cr�tica quanto ao lucro.
Se o motivo da produ��o � o lucro...
se a mais-valia n�o � um pr�mio por produzir bem...
mas � o significado de trabalho...
ent�o o resultado � uma porcaria. Essa � a cr�tica de tal efici�ncia.
Marx acredita que essa racionaliza��o � irracional...
pois sua motiva��o � irracional.
Norman Mailer disse..
"O amor n�o � uma meta, mas, sim, uma recompensa."
Ent�o n�o pode dizer: "Farei tal coisa para receber o m�ximo de amor"
Isso � loucura. Nem posso produzir e dizer..
"Vou produzir a m�xima mais-valia para reutiliz�-la..
e aumentar ainda mais o valor." � loucura.
E o amor "empilhado"? Seria poss�vel?
Melhor ainda, "acumulado".
Acumulado. Oculto
O amor empilhado � parat�tico. V�rgula e depois, Lucy, v�rgula etc.
N�o � cristalino o bastante. A hipotaxe � mais bonita.
Depois de conhecer a pessoa que me lembra que aprendi de outra...
que sou quem quero ser, mas nem sempre posso...
e aprendi com ela outras formas de ser...
que combinam com a pessoa que ainda n�o conheci e por a� vai.
N�o empilhar, mas acumular.
� lindo porque � um modo de guardar
Dura mais, mais do que s� juntar.
Enquanto que empilhar o amor levaria � desintegra��o
Sim, e cada coisa que viesse s� negaria a anterior...
em vez de tentar outra troca.
� interessante que ao abordar..
este trabalho t�o fortemente subjetivo na rela��o..
compreendemos que � a busca da felicidade..
que � inerente a n�s, que est� incrustada em n�s
� a interface entre o reino da necessidade e o da liberdade, como disse Engels.
Na verdade, � o registro mais prim�rio.
O amor �, se for ver...
a recompensa, geneticamente falando, uma recompensa por reproduzir.
� um pr�-requisito da natureza, porque ningu�m...
tem rela��es sexuais para reproduzir, nem um c�o...
e eles n�o pensam. N�o dizemos...
"Vamos fazer isso agora", mas: "Fazemos porque nos d� prazer.
E � prazeroso porque cumpre esse programa gen�tico.
Por um lado, � pura necessidade...
por outro, � onde entra a liberdade do homem.
Isso passa pela cabe�a dele e ele pode refletir sobre isso...
"N�o posso separ�-lo da reprodu��o"...
o que n�o significa que eu n�o reproduza...
mas que nos leva de volta � modernidade...
e que volta a ser uma quest�o de vontade.
"Estou fazendo porque queremos ter um filho? Para nos consolar?
Porque nos amamos?" H� mil raz�es, � uma amplia��o do menu.
E h� outra raz�o..
que n�o podemos controlar o amor
Quando, por exemplo, Isolda ergue sua espada..
para esfaquear o homem ferido que matou seu noivo..
nesse momento o amor lhe penetra os olhos..
e ela n�o consegue se separar dele
� mais forte do que qualquer po��o de amor
Ali�s, eles nem chegam a ter filhos
N�o acredito que o mundo seja como Wagner.
� mais interessante, como descreve Shakespeare.
Como Shakespeare
Muito mais divertido.
Pode descrever uma cena rom�ntica em Shakespeare?
UMA HIST�RIA DE AMOR PESSOAL As cenas s�o muito �ntimas para mim.
Posso descrever alguma minha, mas n�o as dele
Ent�o comece por uma sua. Por amor a Marx
Por amor a Marx. Certo. � uma hist�ria de amor..
voc� vai para o trabalho e l� conhece uma pessoa
Esse trabalho era para ser um per�odo passageiro na sua vida.
E a ideia era...
"Farei isso durante um tempo...
at� juntar o que quero em alguns anos e depois saio."
Mas ent�o conhe�o uma pessoa e me apaixono.
De repente, tenho uma nova decis�o diante de mim...
posso ficar aqui e tentar...
tornar esta passagem algo permanente...
para estabilizar este amor...
Ou posso sair para estabilizar esse amor...
porque s� ent�o saberei...
se nosso amor s� tem chance se eu ficar...
ou se � forte o bastante...
-Estando longe. -Isso, se d� certo estando longe
Acho isso mais interessante do que Wagner, e Trist�o e Isolda...
PODE O CAPITAL DIZER "EU"? ...porque h� quatro op��es...
COMO TERIA EISENSTEIN FILMADO... ...em vez das duas de Trist�o e Isolda
O CAPITAL DE KARL MARX? ...que s�o o que queremos.
E depois de cinco invernos, se supuser que n�o morreram..
que est�o na Bretanha, num castelo, isolados, o que desejariam eles?
-Renunciariam ao amor deles. -Queria ver Eisenstein fazer isso
O mais importante na vida...
n�o se pode comprar com dinheiro!
A atriz Sophie Rois...
sobre as "moedas do amor"
Al�m disso, sobre Med�ia,
uma mulher que sabe lutar
Amor no sentido das mulheres,
diz Sophie Rois,
� mais duro do que cimento -
Amor mais duro do que cimento
Sophie Rois sobre amor aditivo e subtrativo
Med�ia alegava que se pode comprar tudo com dinheiro
Se posso comprar 24 cavalos e eles puxam minha carruagem..
-Ent�o tenho a for�a de 24 cavalos. -Tenho a for�a de 24 cavalos
Mas n�o � o caso do amor
� diferente. Se quero algo..
e estou dando a m�o para minha m�e e quero muito algo..
sou 7 vezes mais forte
N�o infinitamente, n�o 24 vezes mais forte
Certo.
Eu a puxo e ela me puxa
Juntos estamos unidos e somos fortes
E � parecido se estou apaixonado
Amor aditivo e amor subtrativo
Podemos dizer tal coisa?
O que seria para voc� o amor subtrativo?
SOPHIE ROIS, ATRIZ Quando os parceiros se enfraquecem
Est�o sempre juntos..
impedem-se de amar outros..
e em algum momento deixam de se amar
-Porque s�o muito moderados... -Que tr�gico!
E pouco generosos
Sim. Sim.
A quest�o � se voc� pode comprar o amor.
H� tamb�m o exemplo de Pai Goriot..
que deu todo o seu dinheiro a suas filhas...
para que estas pudessem ajudar seus amantes...
que s�o adeptos do jogo de dilapidar fortunas.
E elas se distanciam de seu pai..
e o dinheiro, a for�a motora que ele lhes deu..
-Ele est� em seu leito de morte... -Como o Rei Lear
E diz: "Meu Deus, se eu tivesse dinheiro agora...
se tivesse guardado, minhas filhas estariam ao meu lado...
derramando l�grimas de verdade...
enxugariam minhas bochechas e beijariam minhas m�os."
Ou seja, se ainda tivesse dinheiro, seria amado.
Ele n�o faz a pergunta protestante...
-"Elas me amariam... -Por quem sou
Isso. N�o � t�o ing�nuo para esperar que o amariam por quem �...
mas percebe...
"Se ainda tivesse dinheiro, me amariam.
Mas n�o tenho mais, por isso estou sozinho."
Significa que, por exemplo...
que voc� pode comprar o amor.
Claro que n�o compra pondo o dinheiro na mesa...
e dizendo "quero isto por aquilo", tem que haver algo mais.
Isso. O que...
Wolfgang Pohrt descreveu como sorte no amor.
De repente um momento irracional, algo � acrescentado...
Como se �s vezes se pudesse alcan�ar o imposs�vel
Isso! Supera as diferen�as de classe, sociais...
-Diferen�as de idade. -Isso
S�o hist�rias de amor muito interessantes...
nas quais, de repente...
uma pessoa sem instru��o, da classe errada...
consegue algo com sua capacidade, com sua beleza, seu charme...
com seu talento...
alcan�a algo novo...
e chega a um ponto em que as pessoas se sentem gratas.
E, onde, claro, elas o amam por isso.
"Um carrasco tu �s! M�os e p�s, certamente, E a cabe�a e as n�degas s�o todos teus.
Tamb�m todos os bens, que gozo livremente Deixam por acaso de ser sempre meus?
Se eu posso adquirir 6 poldros bem fogosos N�o s�o minhas as for�as que todos t�m?"
Karl Marx, sobre a faceta antropol�gica do dinheiro
"O dinheiro � a proxeneta..
entre a necessidade e o objeto...
entre a vida humana e os meios de subsist�ncia."
O dinheiro � a proxeneta.
Sim, e esse meio � a ternura, o contato corporal..
a identifica��o com o outro. Eu amo algu�m
� um meio de subsist�ncia
-N�o posso viver de outro modo. -Certo
Toda pessoa necessita de um pouco disso, at� as crian�as
Uma crian�a que n�o recebe isso acaba ficando doente
Isso � o dinheiro entre as pessoas
�s vezes voc� conta belas hist�rias para algu�m e esse � o dinheiro do amor
-Isso � bom... -Sim, dinheiro do amor tamb�m.
-Ele � versado no amor. Certo? -Certo
Algu�m, e n�o � culpa dele... espera o amor por muito tempo..
e o que acumula o beneficia
Ele tem uma vantagem
E algumas pessoas jamais ser�o amadas.
Pode acontecer tamb�m.
-Injusto. O socialismo n�o muda isso. -N�o
Se ele nunca foi amado, se nunca fui amado, isso acontece
Felipe, o rei Felipe da Espanha..
se torna cruel e faminto de amor
N�o h� cura para isso. Pode dar um golpe de estado..
e ainda n�o descobrir o amor
Nem pode exigi-lo ou exigir justi�a.
-N�o, n�o. -N�o h� solu��o
O cristianismo promete essa solu��o, n�o?
Mas como? Todos guardam um pouco de amor
-� dif�cil. -� dif�cil
Todos podem guardar amor e dar
� uma boa ideia, porque � imperdo�vel n�o ser amado
Vamos imaginar que o dono de uma poderosa empresa de navega��o..
e sua esposa, que est� loucamente apaixonada por ele..
t�m um filho que adoram..
"QUE EU N�O SEJA AMADO(A) ...e uma filha que engorda,
DEVE SER UM ENGANO" ...pois n�o � amada. Imperdo�vel.
Como crian�a, n�o imagina..
que n�o � amada.
Talvez saiba, sinta, mas quando me lembro...
"Deve ser um engano."
Certo, mas acha que � um erro de c�lculo...
que n�o enxergou direito...
mas uma pessoa precisa ser amada. N�o consigo imaginar outra coisa.
Voc� disse antes que Marx partiu da ideia que se pode dissolver a fam�lia
Que interessante. E se perdeu. N�o discutimos essa possibilidade...
de dissolver a fam�lia.
SOPHIE ROIS, ATRIZ N�o pode. Ningu�m diria disso.
Todos, todos os partidos rejeitam a ideia.
O certo � que a estrutura de fam�lia e de cl�s..
� menos adequada para o socialismo
Para criar uma f�brica de pessoas na sociedade..
que estejam interessadas em serem iguais entre si..
h� que se superar a no��o de fam�lia..
e substitu�-la por outra coisa amorosa, mas isso n�o existe
Ent�o, sempre voltamos � sociedade das cavernas..
da sociedade tribal, � fam�lia
A fam�lia nos pede...
-N�o quero ser negativo. -Nem eu. Voc� tem que..
Todos t�m algumas coisas como certas...
como sua fam�lia, que voc� n�o quer questionar.
Mas tamb�m � poss�vel pensar as coisas sob outro �ngulo, e nos perguntar...
se a fam�lia � uma institui��o b�rbara.
B�rbara, certo... E ao mesmo tempo..
Bem, b�rbara n�o � o termo certo, mas algo antiquado...
Mas todas as sociedades que conhe�o..
s�o pequenas carvoarias..
onde de algum modo o amor est� sendo cozido..
o interesse por outro, e um protege o outro..
ou luta com outro para proteger um terceiro
Na verdade, � nosso arsenal, que podemos deixar solto
� nosso verdadeiro capital, que � acalentado nas fam�lias
S�o nossos campos emocionais
Mas � tamb�m o que nos leva � loucura. Ou por que as pessoas se matam?
Ou matam outra? Porque n�o h� como sair da fam�lia.
N�o pode anular um filho como a um contrato. Div�rcio � diferente.
Mas n�o pode romper o contrato com seu filho...
nem com seus pais.
A �nica sa�da � se matarem.
-Fam�lias s�o m�quinas de matar. -Como em Shakespeare
H� muitos dramas ali dentro
Ou tamb�m, isso � mais recente...
Elfriede Jelinek, com "Os Exclu�dos"...
em que Paulus Manker, no filme, massacra sua fam�lia.
Mas, na verdade, � um grito de desespero
Ela persegue o assassino. N�o h� como escapar.
-N�o podemos anular esse contrato. -Isso
"AO FUNDO, OUVIMOS... Uma fam�lia da China,
"AO FUNDO, OUVIMOS... ...com um s� filho, � uma tentativa..
...NORMA DE BELLINI" ...de domar algo
A m�sica que ouvimos ao fundo..
tem a ver com uma sacerdotisa..
que venera uma deidade lunar, Norma
Ela � virgem, mas j� tem dois filhos com um oficial do ex�rcito da ocupa��o
� outro exemplo de como a fam�lia permeia as coisas
Mas, ao contr�rio de Medeia, ela n�o mata os filhos..
para castigar o amante infiel
Tenho impress�o que Medeia n�o trata do amor infiel.
Acho que... para mim, � curto demais...
-N�o � um monstro que mata crian�as? -N�o, de jeito nenhum. � um..
ato pol�tico frio, calculista...
A dinastia aqui que est� sendo planejada..
seus sucessores ser�o eliminados
-Sim, sen�o ela n�o teria... -Mesmo que sejam meus pr�prios filhos
Nenhum dom�nio.
"Quando o ser humano se tornou mulher..."
as mulheres eram seres humanos..
aconteceu uma mudan�a traum�tica.
Desde ent�o, as mulheres n�o s�o mais humanas, s�o mulheres.
Porque os humanos hoje... pode-se ver claramente no teatro.
Fausto sobe ao palco e � um ser humano.
Representa toda a humanidade.
Como ser humano, claro que penso como Fausto.
N�o penso como Margarida. Ela n�o � humana. S� � no olhar dele.
Tudo est� subordinado � sua subjetividade.
Hamlet sobe ao palco e � a humanidade.
Medeia sobe ao palco e tem problemas com a menstrua��o.
Ela n�o representa a humanidade. Ela representa...
o problema de ser mulher
Como voc� disse, um problema com o amante infiel
N�o acredito que seja isso..
mas, sim, que j� n�o seja um ser humano completo.
E vemos que ela n�o o aceita.
-Ela exige seus direitos. -Ela exige a qualquer custo
E nunca � apresentada como um ventre assassino.
"Meu marido me deixou, ent�o vou matar meus filhos."
N�o, ela age diferente.
Um rei chega � cidade e ela tenta tocar a vida.
N�o � um assunto emocional...
que veio desse lugar onde gostamos de p�r as mulheres...
um lugar reduzido ao visceral, ao emocional. Nada disso.
Mas ela j� n�o tem espa�o para se mover.
Porque agora � s� uma mulher com dois filhos.
Todo o resto foi removido. Est� fora de seu raio de a��o pol�tica.
-J� n�o � mais rainha, s� esposa. -Desterrada
Exato. Ela � tratada como esposa, e rejeitada como esposa.
E um rei chega � cidade e ela faz um trato com ele.
"Voc� � est�ril, resolverei seu problema.
Prepararei uma po��o e ter� filhos.
Mas prometa que me abrigar�, haja o que houver."
Isso aparece em Eur�pides.
Ela pensa com anteced�ncia. Ela planeja.
Faz um contrato transparente. � uma estrategista pol�tica.
Depois...
como todo homem tem...
ela tem direito...
� fama e � dignidade.
N�o quer ser s� uma biologia feminina, dependente do amante.
Ela tamb�m quer... se seu marido pode dizer...
"Quero ser rei e n�o ficar s� fugindo.
Agora tenho chance de ser algu�m..."
Ela tamb�m quer ser algu�m. Est� ofendida e n�o vai tolerar isso.
Quer viver como uma pessoa completa...
com fama e honra e com dignidade humana.
Por isso, mata seus filhos, para ferir seu marido mortalmente.
E l� fica ela, na carruagem de H�lio.
-Ela voltar� ao seu pai. -Sim, ela � parente de um deus do sol
E come�a tudo de novo
AMOR MAIS DURO DO QUE CIMENTO Adoraria interpret�-la,
AMOR MAIS DURO DO QUE CIMENTO ...de verdade, naquela carruagem...
S. ROIS SOBRE AMOR ADITIVO E SUBTRATIVO ...e n�o em uma cozinha.
N�o queria interpretar uma mulher casada do s�culo 19
Nem quero um papel de uma imigrante, que ela n�o �
Trata-se de um tema pol�tico, de uma quebra de contrato
RAIMO SIRKI�, TRIST�O
"Se o amor vale" foi elaborado...
por Richard Wagner em Trist�o e Isolda...
como obra de dois s�culos...
da m�sica moderna
Werner Schroeter, agora, encenou...
essa obra em Duisburg, de tal modo...
que os marinheiros fadados � morte...
do Encoura�ado Potemkin...
no �ltimo momento...
de suas vidas, se inventam...
vivenciam para si a utopia do amor -
Renascimento de Trist�o no esp�rito do Encoura�ado Potemkin
Werner Schroeter encena Trist�o e Isolda em Duisburg
Somos marinheiros num navio de guerra.
Qual � sua primeira cena? O que faz?
Seremos fuzilados, por assim dizer.
N�s fazemos um motim em um navio e somos fuzilados.
-Quanto tempo ficam em cena? -No total? A apresenta��o inteira.
Em diferentes apari��es.
N�o aparecem mais tarde como mortos-vivos?
N�o, somos outros marinheiros.
Sou um marinheiro de Essen.
Sou um marinheiro de Duisburg.
Sou um marinheiro de Duisburg.
-Mas � japon�s. -�, um marinheiro japon�s de Duisburg.
Sou um marinheiro da Argentina.
Sou um marinheiro de Paris.
Sou um marinheiro de D�sseldorf.
A�, tremem as espingardas.
Fogo
�s armas!
O inimigo ao alcance do tiro
Todos contra um!
Um contra todos!
Aten��o-
Senhor Schroeter, no in�cio h� uma pantomima..
antes de come�ar o drama musical
O que � isso?
� o contexto no qual eu montei a �pera.
Conta a hist�ria de um grupo de pessoas...
os marinheiros do encoura�ado Potemkin...
WERNER SCHROETER, DIRETOR ...que s�o fuzilados, mas n�o s�o.
Est�o nesse lugar...
e diante da imin�ncia da morte, diante da morte certa...
inventam essa hist�ria, este "Trist�o e Isolda". Esse � o contexto...
para o motim no navio de guerra...
que � totalmente justificado.
Eles tamb�m sabiam...
que n�o sobreviveriam...
e em vista desta viagem...
sabiam que assim que chegassem a Odessa...
enfrentariam a morte certa.
Ent�o pode imaginar...
que as pessoas se conformam com a situa��o e ficam let�rgicas...
ou completamente hist�ricas, ou tentam inventar ou sentir alguma coisa...
t�o importante quanto a vida: O amor e a morte.
E assim surgiu o contexto para a pe�a de Trist�o.
Voltando � situa��o. Eles se amotinaram contra os oficiais..
de acordo com o direito mar�timo
Navegaram pela frota russa que os cerca, nenhum tiro � disparado
Chegam a um porto neutro, mas n�o podem ficar
Isso.
-Foram condenados. � essa a situa��o. -Isso
E a morte os aguarda. O czar os matar�
Isso mesmo.
E agora, como origem da trag�dia ou do drama..
"A LIBERDADE DOS MARINHEIROS" ...surge o esp�rito da verdadeira...
classe oper�ria revolucion�ria
-N�o da Gr�cia. -N�o, n�o
Ent�o, existe a liberdade.
A liberdade de n�o se acomodar e ficar num lugar s�...
mas, sim, como Carmen canta...
� tamb�m esse sentimento...
essa ideia de liberdade.
"Esse momento embriagador de liberdade.
E o c�u � como o universo, a terra..."
tudo � meu, n�o me apego a nada.
Mudo de um ponto a outro, e vivo este movimento...
n�o quero me prender a nada, nem a uma pessoa.
Como Don Jos� que quer ficar com ela no fim.
Como se voasse. Voc� disse que antes da morte..
o enforcado, no momento da pr�pria morte..
rev� sua vida passar como um filme
-Sim. Quem sabe dizer com certeza? -E a� surge a utopia
-Pode-se dizer que sim. -O amor � uma utopia
A principal.
E o pr�prio Wagner disse que nunca amou..
e por isso comp�s a �pera. Bem, n�o se pode chamar de �pera
Disse que a chamou de outra coisa, do que foi?
Obra de arte completa, obra de arte musical.
-Mas ele chamou isto de trama? -Chamou
Uma trama como "L'Orfeo, favola in musica" de Monteverdi..
que pensou como uma hist�ria, uma trama
Ele queria fazer algo simples, com poucas pessoas
Uma pe�a comercial..
que rendesse dinheiro, Trist�o
-�? Eu n�o sabia disso. -Mas ele interrompe Siegfried..
-Isso eu sei, mas... -para fazer algo simples, sem coro..
ou com poucos coros
Como uma pe�a de c�mara, que virou uma grande obra
-N�o deve ter sido simples. -Algo que os palcos n�o queriam
Sim. A hist�ria de suas produ��es foi uma corrida de obst�culos.
Foi...
Queria algo menos complicado
Ele estava nesse enorme "anel"
Mas se analisar a hist�ria...
como ele retrata o tema Trist�o e Isolda, � extremamente dif�cil entender...
os enredos em que esses personagens se envolvem...
Werner Schroeder, Diretor sem poder encontrar a si mesmos.
E se o amor � a �nica utopia...
a morte � a realidade desta utopia.
Renascimento de Trist�o no esp�rito do Encoura�ado Potemkin
Em colabora��o com a
Comunidade de Teatro D�sseldorf - Duisburg
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