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A INVEN��O DE MOREL
N�o tenha medo!
Por favor, me escute!
Voc� n�o vai dizer que me viu, n�o?
Apelo � sua generosidade!
Est�o me procurando! Eu posso explicar tudo, acredite em mim!
Eu sei que n�o significo muito para voc�,
mas eu n�o lhe farei nada! Eu posso explicar, se me ouvir.
E se voc� n�o contar a seus amigos.
Por favor! Diga alguma coisa!
Me insulte! Diga-me que causo-lhe horror!
V� e me denuncie se quiser, mas pelo amor de Deus, n�o fique calada assim!
...voc� voltar no tempo, antes daquela noite...?
N�o, eu n�o posso mais acreditar em voc�.
A influ�ncia do futuro sobre o passado.
� algum tipo de piada?
Acredite em mim, Faustine!
N�o! Eu sei o que voc� procura.
� uma pena que voc� n�o acredite em mim,
e que n�o possamos... nos entender.
Uma pena. E por qu�?
Porque temos uma temporada breve, tr�s dias.
E ent�o n�o importar� mais.
Nossa! Voc� est� tentando me assustar? N�o � t�o ruim assim.
N�o, eu n�o queria assust�-la. Se falei com muita veem�ncia, me perdoe.
Eu n�o queria alarm�-la.
E tamb�m, n�o queremos ficar aqui discutindo eternamente.
Morel, voc� sabe que eu acho-lhe muito misterioso?
N�o h� mist�rio!
N�o leve o que eu digo t�o a s�rio.
�s vezes, um homem quer despertar a curiosidade de uma mulher
para tornar-se interessante.
N�o se zangue.
N�o, Morel. H� algo que voc� est� escondendo de mim.
Mas, mais cedo ou mais tarde, voc� vai ter que confessar.
Sim, eu farei voc� falar.
N�o � a hora dos fantasmas. Vamos entrar.
- Hoje, n�o... eu n�o o vi. - E isso desagrada-lhe?
Amanh� haver� um novo.
- Eu perdi toda a sua confian�a. - Toda!
- Antes de voc� acreditava em mim. - Agora, isso n�o � mais poss�vel.
Acreditaria se eu dissesse que eu poderia fazer
voc� voltar no tempo, antes daquela noite em Biarritz?
N�o, eu n�o posso mais acreditar em voc�.
A influ�ncia do futuro sobre o passado.
� algum tipo de piada?
- Acredite em mim, Faustine... - N�o!
Eu sei o que voc� est� procurando.
� uma pena que voc� n�o acredite em mim,
e que n�o possamos... nos entender.
Uma pena. E por qu�?
Porque temos uma temporada breve, tr�s dias.
E ent�o n�o importar� mais.
Nossa! Voc� est� tentando me assustar? N�o � t�o ruim assim.
N�o, eu n�o queria assust�-la. Se falei com muita veem�ncia, me perdoe.
Eu n�o queria alarm�-la.
E tamb�m, n�o queremos ficar aqui discutindo eternamente.
Morel, voc� sabe que eu acho-lhe muito misterioso?
N�o h� mist�rio!
N�o leve o que eu digo t�o a s�rio.
�s vezes, um homem quer despertar
a curiosidade de uma mulher para tornar-se interessante.
N�o se zangue.
N�o, Morel. H� algo que voc� est� escondendo de mim.
Mas, mais cedo ou mais tarde, voc� vai ter que confessar.
Sim, eu farei voc� falar.
E por que ele escolheu este fim de mundo?
- Ele deve saber! - Eu n�o duvido. Mas como isso ocorreu a Morel?
Ele deve ter tido seus motivos.
O que est�o esperando? O jantar est� pronto.
Apressem-se.
N�o se esque�a que � apenas o nosso pobre olhar...
...que transforma os movimentos do m�gico em magia.
Quantas vezes nos indagamos sobre o destino do homem...
empregando as mesmas f�rmulas:
"Aonde estamos indo? O que estamos esperando?"
Como a m�sica gravada, esperamos at� recebermos a ordem para nascer?
Oh, N�o!
De novo, n�o! N�o esta noite, por favor.
Poder�amos escolher algum outro t�pico de conversa?
Mas por qu�? Isso me interessa muito.
- Morel, siga, por favor. - N�o, n�o, eles est�o certos.
Falaremos disso em outra ocasi�o mais oportuna.
Ah, bom! Vamos falar da constru��o da quadra de T�nis.
Eu digo que uma quadra esportiva neste lugar isolado n�o faz sentido.
Somos um grupo pequeno.
E o mais forte n�o faria nada al�m de repetir as suas vit�rias.
O T�nis � jogado por prazer. N�o � uma competi��o, � uma cerim�nia!
E tamb�m ir� ensinar os homens a perder para as mulheres.
- Ele ensina a perder. - Isso � educativo, n�o �?
Sim, especialmente quando � uma dupla mista.
E tamb�m ele melhora o f�sico. � um ant�doto para o sedentarismo.
Eis o remorso de quem comeu demais!
� preciso pensar nessas coisas antes do jantar, meu caro.
Sim, n�o h� melhor rem�dio do que uma boa dieta. N�o � verdade, Morel?
Uma dieta? N�o, isso � uma ilus�o. Um engano da alma sobre o corpo.
E o corpo paga o engano, ignorando os benef�cios da dieta.
Voc� n�o deve ser impaciente. Certo?
Ei, olhe.
Bela jogada, Faustine!
Como foi sua viagem? Tudo em ordem, Capit�o?
Tudo bem. Um mar calmo, o vento favor�vel.
Voc� encontrou tudo? Foi capaz de trazer tudo o que pedi?
- Sim, tudo, claro. - Com licen�a. Voltaremos logo.
� tarde, ainda temos que nos preparar.
S� um momento.
Eu tenho que lhe dizer algo. Eu n�o disse antes por causa dos outros.
Mas eu tenho que falar com voc� e algumas outras pessoas.
- Eu estou ouvindo. - N�o, aqui n�o. Hoje � noite.
Quando todos forem dormir, voc� fica aqui.
- Tarde assim? - � melhor. Quanto mais tarde, melhor.
Mas devemos ser discretos. Eu n�o quero que as mulheres saibam.
Histeria s� provoca mais histeria.
Tchau.
Se eu lhe dissesse que todas as suas emo��es e palavras s�o gravadas...
Isso n�o me importaria.
Faustine, eu preciso falar com voc� com urg�ncia.
Agora? Por qu�?
Voc� tem que me escutar.
- Certo, vamos ao museu. - N�o! N�o l� dentro. � melhor aqui.
Estou com frio, vamos entrar.
Quero aproveitar esta oportunidade.
Longe do museu e dos olhos de nossos amigos.
N�o pode ser t�o urgente...
Devo avis�-la, e sei que posso, porque voc� � diferente das outras mulheres.
Voc� nunca perde o controle de seus nervos.
Certo, mas eu me recuso a ficar aqui fora e conspirar.
- Sinto-me rid�cula. - Certo, como quiser.
Hoje � noite, quando todos tiverem ido, me fa�a um favor e fique.
N�o pode faltar ningu�m. N�o come�arei at� estarem todos aqui.
Quem est� faltando?
- Falta Jane Gray. - Nada surpreendente!
Temos de encontr�-la.
Quem seria capaz de traz�-la at� aqui, afinal?
- Ela deve estar presente. - Talvez ela esteja dormindo.
Eu n�o come�arei at� que ela esteja aqui.
- Eu vou busc�-la. - Eu vou com voc�.
H� outra cadeira vazia.
Quando ele tem que estar aqui, nunca aparece.
Teremos que procurar por toda a casa. Eu o vi entrar aqui h� pouco tempo.
- N�s o procuramos por toda parte. - Isso n�o basta. Devem traz�-lo aqui!
Heinz est� dormindo, ningu�m consegue acord�-lo.
Muito bem, ent�o. Vamos come�ar. Azar dele.
Heinz � muito pregui�oso, ele permanecer� adormecido.
Se tivermos de arrast�-lo para c�, nunca come�aremos.
Eu tenho de ler para voc�s uma declara��o.
Nada de grave, mas de modo a evitar qualquer falha, eu decidi l�-la.
Ou�am-me, por favor.
Voc�s ter�o que me perdoar por esta cena.
Primeiramente cansativa, depois, terr�vel.
Vamos esquecer isso.
Isto, assim como a boa semana que tivemos, no final ser� o mais importante.
Eu pensei sobre n�o dizer nada.
Para n�o alarm�-los.
Eu poderia ter escondido isso de voc�s at� o
�ltimo momento, para n�o haver uma rebeli�o.
Mas j� que voc�s s�o todos meus amigos, voc�s t�m o direito de saber.
Meu abuso envolve fotografar voc�s sem sua permiss�o.
Naturalmente, n�o � s� uma fotografia comum. � a minha �ltima inven��o.
Todos n�s viveremos para sempre nesta fotografia.
Imaginem um palco,
sobre o qual nossa vida foi encenada nos �ltimos 7 dias.
Estamos atuando, mesmo neste exato momento.
Todas as nossas a��es permanecer�o gravadas.
- Isso � imoral... - Espero que seja uma piada...
� intoler�vel.
Eu poderia ter dito, quando chegaram: "Viveremos por toda a eternidade".
Mas, talvez, teria arruinado tudo na tentativa
de manter uma alegria cont�nua.
Eu pensei: "N�o importa o tipo de semana que passaremos juntos... "
"...seria bom se n�o sentirmos a necessidade de ocupar-nos".
N�o � esse o caso? Eu estava certo,
eu tenho dado a voc�s uma eternidade agrad�vel.
As obras do homem nunca s�o perfeitas. E nem a minha �.
Est�o faltando alguns dos nossos amigos: Claude, Marlene, Leclerc...
E, claro, o pobre Charlie. Mas eu tenho ele aqui comigo.
Se algum de voc�s deseja ver Charlie de novo, pode ser arranjado.
Ele foi um dos meus primeiros testes com sucesso.
J� n�o tiveram...
a esperan�a absurda de realizar eternamente
suas fantasias mais profundas?
Imaginar uma vida feliz com uma mulher
que voc� n�o tem esperan�a de conquistar?
Esta � a g�nese da minha inven��o.
Eu tinha planejado antes de vir para c� que seria s� eu e ela.
Mas isso foi descartado depois que eu confessei meus sentimentos a ela.
Eu poderia, talvez, t�-la raptado,
mas ent�o ficar�amos brigando eternamente.
E dizer "eternamente" n�o � exagero.
Mas chegou o momento de explicar a minha inven��o para voc�s.
Vou tentar coloc�-la em termos simples, compreens�vel a todos.
Voc�s devem saber que o tel�grafo ou o telefone...
...suprimiu a aus�ncia, no que diz respeito � audi��o.
E que a televis�o ou o cinema fez o mesmo para o sentido da vis�o.
� onde a minha inven��o entra.
Devo mencionar que estou muito grato �s ind�strias francesas de Cuny...
...e aos su��os da Swachter por toda sua ajuda. Ao mesmo tempo...
...n�o experimentei nada al�m da
desconfian�a de meus colegas cientistas.
Eu pesquisei instrumentos que pegariam
ondas e vibra��es nunca antes gravadas.
Obtive, com relativa facilidade, as sensa��es olfativas.
Mais dif�ceis foram as t�rmicas e t�teis.
Aperfei�oei a grava��o destas imagens e sons...
...melhorando a grava��o de vozes antigas
e de sistemas de grava��o de imagem.
Com qualquer pessoa, por exemplo a nossa ador�vel amiga Madeleine...
...agora podemos sentir o cheiro do perfume de jasmim em seu seio.
Ou segurar seu cabelo liso em nossas m�os.
Mas se abrirmos nossos receptores completamente...
...podemos ter a pr�pria Madeleine na nossa frente.
Reproduzida. Id�ntica.
S�o imagens gravadas...
...mas ningu�m a confundiria com nada menos do que uma pessoa viva.
Mas a m�quina n�o apenas captura. Ela registra e projeta.
Em qualquer lugar no espa�o livre. Durante o dia ou � noite.
De in�cio, eu tinha a inten��o de captar
apenas algumas cenas de nossa vida aqui...
...e apresent�-las como recorda��o,
como um �lbum de momentos agrad�veis.
Eu nunca poderia imaginar, quando comecei a perceber,
ap�s as primeiras experi�ncias...
...que essas pessoas reproduzidas eram quase conscientes de si mesmas.
N�o eram imagens mortas reproduzidas como objetos inertes...
...e ningu�m foi capaz de distingui-las de pessoas reais.
Eu encontrei-me diante de pessoas que tinham sido reconstru�das,...
...no entanto, que desapareceriam se o projetor fosse desligado.
Elas revivem apenas os momentos
experimentados quando a cena foi feita...
...e uma vez terminada, as repetiria, como os quadros em um rolo de filme...
...que, depois de chegar ao final, iria come�ar de novo desde o come�o.
Agora, se admitirmos que a consci�ncia distingue tudo, desde os...
...objetos at� as pessoas que nos rodeiam...
...n�o podemos fazer o mesmo com estas
recria��es transmitidas pelo meu equipamento?
Uma vez que todos os sentidos est�o unidos, certamente a alma deve seguir.
Se Madeleine estava em nossa presen�a, pela vis�o, pelo som...
...pelo gosto, pelo cheiro, pelo toque...
...bem, ent�o essa � a verdadeira Madeleine, em sua totalidade.
Seria dif�cil desenvolver um sistema semelhante de reproduzir a vida?
Pensem nisso! N�o tenho a pretens�o de criar a vida...
...apenas de registr�-la e projet�-la.
Todos devemos ter, em algum momento, considerado uma concep��o similar.
J� n�o falamos antes de como algumas imagens parecem possuir uma alma?
Minha inven��o parece confirmar isso!
Naturalmente, no come�o eu encontrei muitos problemas.
Os primeiros indiv�duos de minhas experi�ncias
eram funcion�rios da empresa Swachter.
Eu n�o os informei. Abri a m�quina e os gravei enquanto eles trabalhavam.
Podemos ver as primeiras imagens?
Se � isso que voc�s querem, ent�o por que n�o?
Embora, devo avis�-los: Algumas imagens s�o totalmente monstruosas.
Excelente, ent�o v� em frente e nos mostre.
Um pouco de divers�o nunca fez mal a ningu�m!
Eu exijo v�-las, e eu sei sobre as mortes inexplic�veis na Swachter.
Quero parabeniz�-lo. Parece que achamos um crente.
Imbecil, voc� n�o me ouviu? Charlie tamb�m se foi.
Foi quando Morel estava na Swachter,
que os empregados come�aram a morrer.
Eu vi as fotos deles nos jornais. Irei reconhec�-los.
Viu? Voc� o ofendeu. Voc� tem que se desculpar.
Eu n�o posso acreditar que voc� sequer pensaria em dizer tais coisas.
Voc� n�o entende? O deixou nervoso!
- N�o vejo por que teve de insult�-lo! - Por que n�o entende?
Ele gravou Charlie com a m�quina dele e Charlie est� morto!
Ele gravou empregados da Swachter...
...e todos morreram misteriosamente.
- Agora ele diz que nos gravou. - E n�s n�o estamos mortos.
Ele gravou a si mesmo, tamb�m!
Por que n�o entendem que isto � apenas uma piada.
Eu nunca o vi zangado antes.
Morel n�o se comportou bem, ele deveria ter nos informado.
- Vou encontr�-lo. - N�o, voc� fica aqui.
Eu vou. Para pedir desculpas a ele, e pedir-lhe para continuar.
Ele n�o quer voltar. Eu n�o conseguiria convenc�-lo.
Ele deixou os pap�is sobre a mesa. N�s poder�amos terminar de l�-los.
Voc� s� iria ofend�-lo ainda mais.
N�o � isso que ele queria? Que soub�ssemos de tudo.
- E afinal, ele j� nos disse. - Leia, Alec.
Portanto, eu decidi continuar com o melhor plano.
N�s descobrimos esta ilha sob circunst�ncias que todos conhecem.
Eu dei-lhes apenas tr�s condi��es.
A regularidade normal da mar� lunar e abund�ncia da mar� meteorol�gica...
...que garantam um fornecimento constante de energia,
com interrup��o apenas ocasional.
A dificuldade natural de aproxima��o e uma quantidade abundante de luz...
...que permitiria a capta��o de imagens perfeitas.
Eu investi minha fortuna para a compra da ilha...
...e constru��o do museu.
Eu aluguei o barco que nos trouxe aqui...
...e que retorna hoje para nos pegar.
Eu tomei as minhas medidas, para que o Capit�o McGregor e seus homens...
...nunca mais voltassem aqui.
Eu chamei este local de museu...
porque eu sempre quis construir grandes
registros ou museus de imagens...
...p�blicas ou familiares.
Portanto, esta ilha � nosso para�so particular...
...perfeitamente protegido.
Mesmo que partamos amanh�, ficaremos aqui por toda a eternidade...
...repetindo os momentos desta semana, um ap�s o outro.
E sem a capacidade de deixar essa consci�ncia que n�s criamos.
A proje��o n�o reprisa nada al�m do que foi gravado...
...e no futuro manter� esta proje��o para sempre.
� isso, terminou.
Segue a data: Ilha de Caponero, Julho de 1929.
- Faustine? - Sim?
Est� arrependida de vir aqui? Nesta ilha, eu quero dizer.
A companhia � agrad�vel, mas... o vento...
Tente me entender.
Diga-me, Morel, o que voc� realmente quer?
- Se eu dissesse tudo o que eu queria... - Eu me sentiria ofendida?
� isso que voc� acha?
Quem sabe, talvez n�o.
Os dias passam.
Podemos, pelo menos, come�ar a falar menos formalmente, depois de hoje?
Claro que sim.
Eu tenho que aprender a quebrar o h�bito.
Eu devo ir agora.
Boa noite.
N�o desconfio de voc� mais.
Voc� n�o ama Morel, eu sei.
Mas eu amo a sua imagem.
Se eu voltasse para o mundo para revelar esse segredo...
...veriam a minha hist�ria como as divaga��es de um homem louco.
O mesmo Morel me impediria...
...se ele ainda estiver vivo.
Se estiver, ele deve ser pelo menos 50 anos mais velho.
Quando me preocupava... a persegui��o policial...
...as imagens da ilha... moviam-se como pe�as de xadrez...
...seguindo um plano estrat�gico para me capturar.
Eu tenho que me convencer que n�o h� necessidade de escapar.
As imagens me assustam...
...mas me protegem.
Eu n�o posso mais partir!
A viagem � irrepet�vel...
...o barco est� arruinado...
...e eu n�o posso fazer outro.
Nenhum navio cruza o horizonte...
...al�m do nosso...
...que n�o existe.
As paredes...
...s�o proje��es!
Para derrub�-las, eu vou ter que desligar os motores.
E se Morel gravou os motores, tamb�m?
E se estes s�o apenas proje��es?
Os fantasmas dos motores reais.
Voc�s ter�o que me perdoar por esta cena.
Primeiramente cansativa, depois, terr�vel.
Vamos esquecer isso.
Se Madeleine estava em nossa presen�a, pela vis�o, pelo som...
...pelo gosto, pelo cheiro, pelo toque...
...bem, ent�o essa � a verdadeira Madeleine, em sua totalidade.
Seria dif�cil desenvolver um sistema semelhante de reproduzir a vida?
Pensem nisso! N�o tenho a pretens�o de criar a vida...
...apenas de registr�-la e projet�-la.
Todos devemos ter, em algum momento, considerado uma concep��o similar.
J� n�o falamos antes de como algumas imagens parecem possuir uma alma?
Minha inven��o parece confirmar isso!
Naturalmente, no come�o eu encontrei muitos problemas.
Os primeiros indiv�duos de minhas experi�ncias
eram funcion�rios da empresa Swachter.
Eu n�o os informei. Abri a m�quina e os gravei enquanto trabalhavam.
Por que n�o entende? Ele gravou Charlie com a m�quina e Charlie est� morto!
Ele gravou empregados da Swachter...
...e todos morreram misteriosamente.
Agora ele diz que nos gravou.
Venha para dentro, Morel!
N�o foi nada, por favor. Pedimos desculpas.
Stevere � um imbecil.
E os outros, um bando de covardes.
Mas voc� tem que entender. O que voc� disse, � perturbador.
Para mim, foi o mesmo, mas eu n�o tive tempo para pensar sobre os perigos.
Mas por que essa ideia?
Um belo retrato do grupo, voc� n�o acha?
Talvez a minha primeira ideia fosse melhor. S� eu e Faustine.
Faustine? Agora eu entendi.
N�o, voc� n�o entendeu.
Poderia ter sido mais agrad�vel, mas tamb�m poderia ser falso.
Poder�amos ter atuado. Eu, o papel do pretendente...
...e ela, a mulher lisonjeada que resiste apenas por orgulho.
Em vez disso, eu quis uma imagem completa de todos n�s.
N�o um duelo sentimental.
Mas quem veria isso? Para quem serviria?
Para n�s mesmos, eu espero.
Pensei que talvez nos levaria de volta aos nossos anos mais felizes.
Claro, eu me aproveitei de voc�s. Eu manipulei a sua consci�ncia.
Mas n�o valeu a pena?
Est�vamos seguros e confiantes, t�o cheios de raz�o e felicidade.
N�s pensamos que a felicidade destes anos duraria para sempre.
Ao contr�rio, est� tudo prestes a acabar.
Longe daqui j� � muito diferente.
A imortalidade que eu dei-lhes foi a �nica forma
de prolongar esses dias de alegria despreocupada.
Venha e explique aos outros.
N�o, n�o h� mais nada a explicar.
Faustine, finalmente!
Eu esperei a mar� mudar por tr�s dias.
Eu pensei que talvez o curso da lua tivesse mudado.
Eu ativei o mecanismo de grava��o.
Agora eu estarei a seu lado por toda a eternidade,
nesta semana que nunca termina.
Quem sabe o que se passa no c�u de sua consci�ncia.
Faustine, finalmente!
Eu esperei a mar� mudar por tr�s dias.
Eu pensei que talvez o curso da lua tivesse mudado.
Eu ativei o mecanismo de grava��o.
Agora eu estarei a seu lado por toda a eternidade,
nesta semana que nunca termina.
Quem sabe o que se passa no c�u de sua consci�ncia.
Uma dieta? N�o, isso � uma ilus�o.
Um engano da alma sobre o corpo.
E o corpo retribui o engano ignorando os benef�cios da dieta.
Como foi sua viagem? Tudo em ordem, Capit�o?
Tudo bem. Um mar calmo, o vento favor�vel.
Voc� encontrou tudo? Foi capaz de trazer tudo o que pedi?
Sim, tudo, claro.
Pensei que talvez nos levaria de volta aos nossos anos mais felizes.
Claro, eu me aproveitei de voc�s. Eu manipulei a sua consci�ncia.
Mas n�o valeu a pena?
Est�vamos seguros e confiantes, t�o cheios de raz�o e felicidade.
N�s pensamos que a felicidade destes anos duraria para sempre.
Ao contr�rio, est� tudo prestes a acabar.
Longe daqui j� � muito diferente.
A imortalidade que eu dei-lhes foi a �nica forma
de prolongar esses dias de alegria despreocupada.
Segue a data: Ilha de Caponero, Julho de 1929.
Tradu��o: deadmeadow
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