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SRA. LOWRY E FILHO
Eu pinto o que vejo.
Eu pinto aquilo que sinto.
Sou um homem que pinta. Nem mais, nem menos.
Cada quadro que pinto começa sempre da mesma maneira.
Começa com a mesma cor.
Por baixo de cada quadro está a cor branca.
Branco neve.
LANCASHIRE, INGLATERRA, 1934
Não.
Apanhei-vos! Eu dei conta, não, não.
Eu vi-te, eu vi-te.
Não, não, hoje não, Não há guloseimas hoje.
Não, dei tudo aos meninos bons...
...não, não, não...
hoje não, não, não.
Amanhã, se tiverem sorte. Se vocês não forem marotos.
Eu quero hoje!
Lava a cara, que eu amanhã dou-te.
Dois minutos.
Olá.
Muito bem, muito bem, sim, isso é...
Diga-lhe que telefono amanhã à mesma hora.
Obrigado, obrigado.
Desculpe.
Lá está aquela mulher de novo.
Muito refinada. De penteado e vestuário imaculados.
Eu gosto. Classe média.
Eu sonhava em ser pianista.
Eu praticava e pratiquei todos os dias...
enquanto morámos em Victoria Park.
Era um mundo diferente.
És tu, Laurie?
Sim mãe, sou eu. Quem mais poderia ser?
Não faço ideia. Podia ser um ladrão!
Os ladrões não têm a chave da porta da frente.
Tudo é possível, morando-se em Pendlebury.
As pessoas fazem todo o género de coisas más...
assim que tu virares as costas.
O que estás a fazer?
Estou a pendurar a minha gabardine, mãe.
Não a deixes pingar.
Não, mãe.
Limpa os pés. Sacode o guarda-chuvas.
Estás-me a ouvir, Laurie?
Sim, eu ouço-a, mãe.
Então, porque não me respondes?
Não sejas tão conflituoso.
És tão irritante.
Entra.
Boa noite, mãe.
Boa noite, Laurie.
Vamos, então.
Lembraste-te de trancar a porta da frente?
- Tranco-a sempre. - Bom...
Não podes facilitar.
Não, mãe.
Houve uma mulher que na semana passada...
deixou a porta só no trinco...
e em menos de uma hora, ficou sem os tapetes.
Os culpados tinham levado tudo,
incluindo um tapete de retalhos.
Esta ladroagem.
Quem lhe contou essa história?
O Anglican Times, e esses não mentem.
É esse o tipo de pessoas com quem vivemos aqui...
os nossos vizinhos, a...
A classe operária.
Por onde andaste? Atrasaste-te muito.
Sabe onde estive, mãe.
Passei o dia a trabalhar.
Onde estiveste hoje?
Na Old Trafford.
Espero que te tenhas lembrado de lavar as mãos.
Tenho as mãos limpas, mãe.
Eu vou decidir isso. Deixa-me ver.
Satisfeita?
Suponho que estejam.
Ora, aqui está.
Como foi o seu dia, mãe?
O mesmo de sempre.
Fico para aqui deitada, à espera do inevitável.
Não diga isso.
Porque não? É verdade. Não adianta termos ilusões.
Nós sabemos para onde esta vida me leva.
Não. Ainda vai durar muito anos.
Como é que sabes?
Consigo ver.
Espero que sim.
- Desculpe, sim. - Em baixo.
Tudo bem, está feito.
Certo, obrigada.
- Não puseste açúcar! - As minhas desculpas.
Não notou nada de diferente na rádio hoje?
- Não. - O concerto da tarde?
Não, não notei.
Hoje foi um dos dias maus. As dores...
Pensei que a cama se iria transformar no meu caixão.
Não deve desistir, mãe.
Porque não?
Que mulher não sonha em morar num terraço de quatro assoalhadas...
em Pendlebury?
- Tome o seu chá. - Obrigada.
Sentir-se-á melhor amanhã. Certo, hum?
E lembre-se que o Dr. Mills vem visitá-la, não é?
Sim, sim.
O Dr. Mills fará uma das suas passagens semanais...
e eu sou-lhe grata por todos dos seus remédios.
Sim, mãe. O Dr. Mills mantém-na feliz, não é?
Não, eu nunca estou feliz.
Não sou feliz desde 1868, o ano da minha 1ª comunhão.
Isso foi há muito tempo, mãe.
Há uma vida inteira.
Nós estamos em 1934.
Eu sei isso.
Eu culpo o teu pai por tudo.
Por tão abrupta queda.
Olá? É o cobrador das rendas.
Sou eu.
Eu tinha grandes espectativas para ti e para o teu pai.
Pensei que ambos seriam empresários de sucesso.
Homens de iniciativa.
Mas ele não conseguiu e tu também não.
Uns incompetentes.
Já vou!
O que é o jantar? Laurie!
- Salsichas. - Carne de porco ou vaca?
- Carne de porco. - Bem passadas, espero.
E bem secas. Não consigo digerir nada com gordura.
Eu sei, mãe.
Londres?
Quantas salsichas quer, mãe?
Não consigo comer nada. Esta noite, não.
- Uma ou duas? - Três.
Percebido.
E uma fatia de pão com manteiga. Para facilitar a digestão.
E o pão barrado dos dois lados.
Percebido.
Onde as compraste?
- As quê? - As salsichas.
- No talho. - No talho de quem?
Do McCreadie ou do Harrison?
Do McCreadie.
Com o Arthur McCreadie não há que enganar.
Há anos que anda a matar coisas.
Compraste-as ao Arthur McCreadie ou ao rapaz?
Hum, ao rapaz.
Ele viu-te a chegar, esse rapaz.
- Não viu nada. - Viu, sim.
E vendeu-te as salsichas velhas.
Ele é manhoso.
Ele nasceu em Chorlton-cum-Hardy.
Enquanto tu nasceste...
- O quê? - ...Ingénuo.
Ingénuo. Não há mal nenhum em ser ingénuo, ou há?
De tempos a tempos, eu divirto-me com a vida.
E entristeço-me com ela.
- Continua a chover. - Ainda chove?
Pinga, que pinga.
- Pinga, que pinga. - Pinga, que pinga.
- Lágrimas de Deus. - Lágrimas de Deus.
Só desejo que seja feliz, mãe.
Um dia.
- Desejas? - Sim.
Não sejas lamechas, Laurie.
Lá vem a mulher outra vez.
- Qual mulher? - A nossa nova vizinha.
A sério?
Tem vida social, não? Consegues ver o que trás vestido?
Bem, roupas.
- Não sejas idiota. - Estava a brincar, mãe.
Vês alguém a rir?
Ela anda sempre imaculadamente vestida, não anda?
Uma mulher de classe.
Eu gosto.
Vamos, anda à mamã!
Anda, meu amor.
Pergunto-me, porque morará ela aqui.
Penso o mesmo. É óbvio que está, uns pontos acima dos restantes.
Talvez esteja a passar por momentos difíceis.
Quando se usa casacos de peles, não.
E um marido que veste fatos caros.
Reparaste na pinta de chapéu que ele tem?
- Não, não reparei. - Devias ser mais observador.
Um homem deve reparar nas pessoas de negócios.
Isso se quiser subir na vida. Ando sempre a repetir-to.
Bonito menino.
Deves dar-te com gente importante, Laurie, para evoluíres.
Mas tu nunca me ouves,
preferindo ficar fechado no sótão...
de roda do teu passatempo.
Não é um passatempo, mãe.
- Não é? - Não, não é.
Então o que lhe chamas?
E até onde isso te levou?
A lado nenhum.
Nós não o podemos manter.
Ficas sentado lá em cima,
noite após noite,
a gastar petróleo.
Pensa nas nossas dívidas.
Eu estou a amortizar isso, mãe.
As dívidas são do pai. Por isso não se deve preocupar.
Como pensar pagar-lhes, com o salário de um simples empregado?
És um homem de meia-idade. E não tens uma promoção à 25 anos.
Eu consigo fazer isso, mãe. Prometo-lhe.
Estou determinado a pagar aos credores do pai.
Pouco a pouco.
Sempre um optimista.
A esperança alimenta muitas pessoas ao longo da sua vida, mãe.
Sempre um optimista.
A maioria da gente em Pendlebury não faz nada e esse é o seu problema.
Não conseguem evitar a pobreza. Não é vergonhoso nada ter, pois não?
Claro que é. Nós somos da classe média, Laurie.
Vivíamos acima das nossas possibilidades, mãe.
O pai sabia isso. Ele procurava fazê-la feliz.
Feliz? No dia do casamento, choveu.
A desgraça abateu-se sobre mim desde esse dia.
Ele converteu-me na anedota da família.
Durante anos cravou dinheiro aos meus conhecidos...
E eu nunca soube de nada.
Servi às tuas tias e tios doces franceses do Greenhalgh's,
quando nessa altura estávamos completamente tesos.
Devem ter achado ridículos os meus guardanapos em renda de Nottingham.
- Mais alguém quer chá? - Eu sim.
A mãe nunca gostou de nenhum dos meus quadros?
Não.
E não sou a única, pois não?
Leste o jornal da noite?
O jornal da noite, mãe?
Sim, costumas trazer o jornal da noite para casa, não é?
Bem, hoje esqueci-me.
Ai, esqueceste-te.
Muito bem, então. Serei eu a ler-to?
Não preciso que mo leia, mãe.
Porque não? Precisas de andar informado.
Um quadro horroroso.
A pintura do Sr. L.S. Lowry, "Vindo do Moinho"...
é confuso e parece ter sido pintado por uma criança.
As pessoas, se isso lhe podemos chamar, não passam de borrões.
Marionetas ridículas suspensas num cenário industrial esquálido.
Se esta é a visão do Sr. Lowry da paisagem e gentes de Lancashire,
eu sinto imensa pena dele.
É um quadro medíocre e um insulto ao povo de Lancashire.
O Sr. Denby não ficou impressionado, Laurie!
Sabe lá ele.
Sabe lá ele?
Sabe mais do que tu. Ele sabe tudo! Ele é crítico de Arte!
Não me interessa o que o Sr. Denby sabe, mãe.
Ele não me conhece e eu não o conheço a ele.
Mas soube do teu quadro! O "Vindo do Moinho".
E não gostou! Comparou-o mesmo a um insulto!
Porque pintas tu isso, Laurie?
Pintar cenários industriais esquálidos,
que ninguém quer comprar!
Pinto o que vejo, mãe.
Nem mais, nem menos.
Pinto o que sinto.
O que sentes? Então e o que eu sinto?
Não quero sentir que todos se riem de mim.
Ninguém se ri de si, mãe.
Gozar com as minhas pinturas é gozar só comigo.
Sim! Todos os quadros parecem ter sido pintados por uma criança.
Sim, mas não foi uma criança quem os pintou, mãe, fui eu.
Sim, precisamente.
Desiste... Laurie.
Pelo meu bem.
Tenta encontrar outro passatempo.
Não é um passatempo, mãe. Eu andei em Belas-Artes.
Numa escola à noite. Durante 15 anos.
E aonde te levou isso? A lado nenhum.
Eu sei tudo sobre dons artísticos, Laurie,
e tu não tens nenhum. Não és artista, nem nunca o serás.
Então, que sou eu, mãe?
Desde que nasceste, que faço a mim mesma essa pergunta.
Qual o propósito do Laurie?
Para quê nasceu ele?
E não sei!
Não faço ideia daquilo que és ou de quem és!
Sou um homem que pinta.
Nem mais, nem menos.
Eu pinto para passar o tempo.
Pinto para fazer algo.
Não tenho jeito para mais nada.
Noite após noite, eu sento-me aqui... no sótão.
Há o silêncio da casa.
O cheiro a aguarrás.
O assobiar do candeeiro a petróleo.
Lá fora, uma estrela solitária toma conta de mim.
Este é o meu mundo.
Sinto-me seguro aqui.
Sozinho.
Eu pinto e volto a pintar.
Uma borradela aqui com o dedo. Uma pincelada ali.
Eu vejo a luz e o ambiente.
Nos lugares mais sombrios.
O arco ferroviário, o viaduto em pedra.
Eu vejo beleza em tudo.
Um homem só precisa de abrir os olhos e ver.
Observar tudo.
- Olá! - Olá!
Vida!
O que isso faz de mim?
Serei eu um artista?
Como te intitulas tu, Laurie?
Olá! É o cobrador das rendas.
O cobrador das rendas chegou!
Sou eu!
O Sr. L.S. Lowry.
Que bela sobremesa, Laurie.
Excedeste-te mesmo esta noite.
Um verdadeiro mimo para a minha digestão.
Ainda bem que gosta, mãe.
- Obrigado. - E gosto.
Fica-se sempre bem quando há ameixas com creme.
Que horas são?
- Oito horas. - Como é que sabes?
Porque o relógio do corredor tocou.
Porque não acertas melhor os meus relógios, Laurie?
Nunca sei a quantas ando.
Há uma maneira de saber sempre as horas nesta casa, mãe.
Pelo meu método.
Existe um método na tua loucura,
lá isso eu concordo.
- Eu sou confuso. - Sim, tu andas confuso.
Mas reconheço que és pontual.
Bem, nem todos podemos ser iguais, pois não, mãe?
Não, isso é verdade.
Chegaste de novo atrasado, esta noite.
Não chegaste, Laurie?
- Cheguei? - Sim, pelo menos 10 minutos.
Começava a ficar preocupada, com o que andarias a fazer?
Eu, hum...
Nem pensar.
Certo.
Então?
Tenho uma novidade para lhe contar, mãe.
Novidade? Que tipo de novidade?
- Recebi uma carta. - Uma intimação? Por dívidas do pai?
Não, não, não, não...
Eu recebi esta carta outro dia, e vem... hum...,
Vem de Londres.
- Londres? - Sim.
Londres? Quem conheces tu em Londres?
O senhor Bernstein, mãe.
O Sr. Bernstein é o dono de uma galeria.
E...
quer ver alguns dos meus quadros e se gostar deles,
existe a possibilidade de eu fazer uma exposição.
Não é, não é maravilhoso? Finalmente...
alguém viu algo em mim e no meu trabalho.
Londres!
Sim, sim, Londres. O que me diz?
Não podes acreditar em tudo o que vem escrito numa carta...
Laurie, especialmente uma vinda de Londres.
Pessoas pretensiosas fazem todo o tipo de promessas...
sem intenções de as cumprirem.
O Sr. Bernstein pareceu-me muito sincero...
quando falei com ele ao telefone.
Telefone? Tu telefonaste ao senhor Bernstein?
Finalmente, esta noite falámos.
Assim, por isso cheguei, sabe...
O que te disse ele?
- Elogiou-me. - Ele elogiou-te?
Não tenho razões para duvidar dele, mãe.
Bem, isso depende, não é?
- De quê? - De ele ser confiável.
Ainda assim, é uma boa carta pelo que diz.
Põe-na sobre a lareira.
Guarda-a para a leres nos dias maus.
Bem, todos precisam de um incentivo...
de vez em quando, acho eu.
Caro Sr. Lowry, Caro Sr...
Caro senhor Lowry, existe simplicidade no seu trabalho.
Nada é artificialmente criado através...
através da analogia ou da representação.
Tudo nos é transmitido pela pura expressão dos sentimentos.
Sentimentos.
Tenho os pés frios.
- Já te disse, volta a pôr os dentes. - Mas os dentes magoam-me.
Bem, quero lá saber. Não te beijo sem pores os dentes.
Não é higiénico.
Para onde olhas, Laurie?
Para as chamas da lareira.
Trémulas. Como as asas de uma traça.
As coisas que tu vês.
De onde herdaste isso, não imagino. De mim não foi, de certeza.
Imaginação.
Nunca me irás deixar, pois não, Laurie?
- Não, mãe. - Prometes?
Prometo.
Isso é bom.
E está bem.
Afinal, que mulher te quereria?
Tu e eu, para todo o sempre.
Deitados aqui.
Seguros.
Viajando para longe.
Como um barco.
Sim.
Como um barco no mar. Navegando para longe.
Seguros.
Ai, estes rafeiros.
Estragam sempre tudo, não é?
Escova-me o cabelo, sim?
Conta-me o teu dia.
O que gostaria de saber, mãe?
Tudo. O teu dia é o meu dia.
Eu não vejo ninguém, só a empregada.
Estou a fazer bem?
Impecável.
Tu escovas lindamente.
Bem, mãe, hoje vi um homem...
Cobrador das rendas!
- É você, Sr. Lowry. - Vejo que o encontrei.
Vera, o Sr. Lowry está aqui!
Um homem?
- Sim. - Que tipo de homem?
Eu vi um homem a tomar banho.
- No banho? - Sim.
- Como é lá no buraco? - Escuro como breu.
Vera! O Sr. Lowry está aqui!
É mineiro de carvão na Agecroft Colliery.
A mulher dele não o deixa entrar em casa todo sujo.
Cinco xelins, senhora.
Sr. Lowry, estamos um pouco apertados esta semana.
Estão? Certo. Então já é a segunda vez este ano.
Lamento. Não houve horas extras, pois não, Stanley?
- Sem ovos não se fazem omeletas. - O que estás a fazer?
Onde está o raio da minha toalha?
És nojento.
As coisa que se vêem, aqui em Salford.
Tenho a minha mãe lá dentro para tomar chá.
Anda cá que estou a falar contigo, aonde pensas que vais?
Para onde vai este mundo?
Custa a acreditar na quantidade de ateus que tens que visitar.
- Eu não me importo. - Mas devias.
É educativo ver como os outros vivem, mãe. São vidas.
- Vidas sórdidas. - Não, vidas reais.
Fazem parte deste mundo, mãe.
As pessoas são como os macacos, na sua maioria.
Adivinhe que mais eu vi hoje?
Nem quero adivinhar.
- Deixe-me dizer-lhe. - Não.
Hoje...
eu vi uma mulher...
- Mulher? - Sim.
Que tipo de mulher?
Uma mulher a apanhar o autocarro.
E o que há de anormal nisso?
Ela tinha barba.
Viste uma mulher com barba?
Sim!
E bigode.
E bigode?
Mas, porque usaria ela bigode?
Não faço ideia.
Não lhe perguntei.
Porque não?
Não seria cortês, mãe.
- Mas, era postiça? - Postiça?
Sim! Postiça com um elástico. Ia a algum baile de máscaras?
Não.
Então, porque usaria barba em público?
Bem, está a deixá-la crescer.
A lei permite isso?
Suponho que sim.
Era verdadeira?
Sim.
- A barba era verdadeira. - E estava limpa?
E penteada na perfeição.
Ela tinha dignidade.
Uma certa nobreza.
Em aceitar quem era.
Eu achei-a muito...
bonita.
Que nojo.
Tu espantas-me.
As coisas que dizes, e as coisas que vês...
Não admira que nunca tenhas tido uma namorada.
Isso não tem nada a ver.
Tem, sim.
Tu achas bonitas coisas que mais ninguém acha.
Fiz um esboço dela no dorso de um envelope, quer ver?
Veja.
Não, não queria.
Não tenho interesse nas aberrações deste mundo.
Mãe, eu gostaria de poder pintá-la um dia.
Capturar a sua aparência para que outros também a vejam.
Essa mulher deve estar num circo, não pintada num quadro.
Que vergonha.
Porque não tentas pintar algo de pitoresco?
Sabes, algo de bom gosto?
O que sugere exactamente que eu pinte, mãe?
Taças com fruta já seriam um progresso.
As pessoas gostam de coisas bonitas.
As flores agradam a todos.
Também é vida.
Maçãs, laranjas, um cacho de uvas...
Algumas peras.
Bananas. Empilhadas ao alto...
Não sejas ridículo.
Os meus quadros são...
Não são apenas imagens de fábricas, moinhos e ruas, mãe.
Cada janela, cada tijolo, cada mancha de cor, é...
É parte de mim.
Eu tenho que o fazer, mãe.
Sou compelido a largar tudo.
Devias consultar o Dr. Mills.
Tu não estás bom da cabeça.
Controla-te.
Quando...
veja, quando eu...
Quando eu ando pelas ruas de Salford,
a fazer as rondas, a cobrar as rendas às pessoas,
sinto necessidade de capturar os seus modos de vida, mãe.
Olhe, o nosso mundo.
E a sua verdade.
Como te atreves?
A verdade não tem nada a ver com viver-se em Pendlebury.
O nosso mundo era outro, forçados a deixar em Victoria Park.
Viemos para aqui porque o teu pai não tinha dinheiro...
para morarmos noutro sítio. Ele falhou-nos.
Laurie, ele falhou-me.
Há tantos anos, mãe.
Eu pertencia a Victoria Park.
Um sítio de pessoas elegantes.
E do cheiro a lavanda, nos corpos das pessoas.
Era um mundo diferente.
Eu não suporto a fealdade.
Não tenho estofo para isso.
Nunca estive num moinho em toda a minha vida.
Só de idealizar isso me repugna.
Há um moinho no outro lado da rua, mãe. Ao virar da esquina.
Nós, conseguimos ouvi-lo.
Pessoas trabalham lá todos os dias.
Vivem disso. E nós ouvimos o martelar, o martelar ao longe.
Fazemos parte disso, mãe.
É a Humanidade.
A sobrevivência.
É a luta pela vida.
Aonde vês tu beleza?
Ali.
Eles são como ratos.
Preto carvão, vermelho escuro, azul da Prússia, ocre amarelo.
As multidões podem ser o lugar mais solitário.
Assombram-me, as almas solitárias.
Fantasmas...
És tu, Laurie?
Sim, mãe.
Quem mais poderia ser?
Não faço ideia, podia ser qualquer um.
Entra.
Boa noite...
Certo, pois...
Muito bonito. O que é? É um...
Diga-me, porquê o...
Hoje tive uma visita.
Uma visita?
Nós não temos visitas.
- Eu tenho. - Não tem, não.
Você fez o mundo sofrer durante dez anos.
As suas únicas visitas são o Dr. Mills e a rapariga que limpa o pó.
E a chegada do jornal da noite.
Bem, hoje tive uma visita.
Visita, de quem?
- Não consegues adivinhar? - Não.
- Consegues, sim. - Não consigo.
- Consegues, sim. - Não consigo. Foi o oficial de justiça?
Não. Lembras-te sempre das coisas mais terríveis.
Não, hoje...
telefonou-me uma senhora.
Quem?
A nova vizinha do lado.
A Sra. Stanhope.
- A Sra. Stanhope? - A Sra. Stanhope.
Ela queria ver-me.
Está a fazer uma colecta para a Igreja de São Bonifácio.
Um fundo para o restauro.
Então eu disse-lhe; É claro que pode vir. E deixei-a entrar.
Você? Deixou entrar uma estranha em casa? Você?
A Sra. Stanhope não é uma estranha.
Laurie!
A Doreen é a minha nova amiga!
Doreen?
Sim.
Temos muito em comum.
O marido da Doreen está a fazer-lhe a vida numa lástima.
Achas que nado em dinheiro?
Bem, era o que dizias quando me fazias a corte.
Ele é deputado do Partido Trabalhista.
Tens sempre uma resposta, não é?
Forçou-a a viver em Pendlebury.
No meio do lixo.
Vê lá se atinas!
Ela não anda feliz.
Bem podes ir morar sozinho naquele pardieiro em Pendlebury.
Ela faz compras no "Marshall & Snelgrove".
E ficou cá muito tempo?
O tempo suficiente para se ter uma conversa educada...
fazer amizade, e Laurie...
isso não foi tudo.
Ela gostou de um dos teus quadros.
Qual, de qual?
"Barcos à Vela", de 1930.
A Sra. Stanhope percebe de pintura, vai a exposições de Arte.
Claro que ela nunca ouviu falar de ti, mas elogiou o teu quadro.
Ela nunca...
"É uma imagem perfeitamente encantadora."
"É uma imagem perfeitamente encantadora."
- Isso é maravilhoso, não? - Sim!
Estou impressionado. Na verdade, estou...
Bem, pasmado, diga-se.
Eu também. Laurie, trá-lo cá a cima para eu mesma o poder ver.
Quero saborear a "imagem perfeitamente encantadora" da Sra. Stanhope.
- Quer mesmo? - Quero!
Anda, despacha-te!
Tem cuidado agora!
Ó, que emoção.
Cuidado com os bibelots de porcelana.
Com o meu cãozinho "Pug".
É uma antiguidade, acho eu.
Aqui está, mãe.
O quadro.
Sim.
Sim, agora vejo o que a Sra. Stanhope viu.
- Gosta deste, mãe? - Gosto. Os teus méritos são óbvios.
Eu pintei-o para si.
- Pintaste? - Sim, sim.
- Bem, não lembro quando foi. - Foi para os seus anos.
Não se lembra?
Eu pintei-o de memória. É um vislumbre do passado.
- "Barcos à Vela." - Um vislumbre do passado.
Isto é o que eu chamo um quadro a sério.
Porque é que tu já não pintas coisas assim?
O mar, o céu...
Bem, você disse-me que não tinha gostado.
- Disse, nada. - Sim, disse.
Quando eu lho dei, virou a cabeça,
e fechou os olhos.
Bem, deve ter sido num daqueles meus dias maus.
Não, não, eu gosto deste quadro. Muito mesmo.
Dançamos juntos à beira-mar.
Sim. Na calçada em Lytham St. Annes.
- Eu tinha sete anos. - Sim, tinhas.
Whitson.
Que bonito que tu eras.
E quão abençoada eu fui.
A vida parecia tão prometedora no início...
Aquela luminosidade...
- "Barcos à Vela". - "Barcos à Vela".
- Gostou mesmo do quadro, mãe? - Sim, gostei.
É uma imagem perfeitamente encantadora.
Gostava que eu o pendurasse na parede do seu quarto?
Aqui?
Sim, para que possa vê-lo todos os dias.
Qual seria o benefício disso?
- Pensei que tinha gostado. - E gostei.
- Eu pago a inscrição de dois xelins. - Para o quê?
Para a "Exposição de Verão na Academia de Manchester."
A Sra. Stanhope diz que artistas amadores podem expor lá.
Eu quero que exponhas o "Barcos à Vela".
E quando o Sr. Denby o vir, fará uma crítica digna do teu talento.
E toda a gente em Manchester a vai ler,
e irás encher a tua mãe de orgulho.
Ou não vais?
Hum? O que dizes?
- Não sei mãe. - Como assim, não sabes?
Bem, eu pintei-o para si.
Bem, claro que pintaste.
Mas eu quero que todos o admirem.
Fazes isso por mim...
não fazes?
Isso far-me-ia tão feliz.
- Feliz? - Sim.
Bem, eu fiz-me pintor por si, mãe.
Claro que faço.
Claro.
Ó, que maravilha!
Jogos de infância. Amigos de infância.
Coisas que eu nunca tive.
Que é? Quem está aí?
E brincar.
Não há aqui ninguém! Bem, bem, bem, bem.
Isto é muito estranho.
Isto é muito estranho.
Bem...
Eu acho que vou, acho que vou espirrar.
Onde está o meu dinheiro? Espero que ninguém o apanhe.
Fomos sempre a mãe e eu.
Agasalhado, enclausurado.
Escondido atrás das cortinas de renda.
Tique-taque, tique-taque.
Deves ter sempre cuidado com as outras crianças.
Piolhos e lêndeas.
Não percebo.
O crítico de arte, o Sr. Denby,
não fez nenhuma menção ao teu quadro, na "Exposição de Verão".
Não fez?
Não. E a Doreen Stanhope contou a todos os seus amigos cultos...
Mãe, não são precisos críticos para se saber do que gostar, pois não?
Claro que sim. As pessoas precisam de ser instruídas. É uma obrigação.
A pintura está lá e existe. Existirá sempre.
As pessoas podem ver o seu valor. Ou não.
Ainda tenho cabeça para escrever ao editor do jornal a reclamar.
O homem afirma ser especialista, especialista em quê?
É óbvio, que não percebe nada de Arte.
Absolutamente.
Graças a Deus que não concordaste com a exposição em Londres.
Beba o chá, mãe, que fica frio.
Paguei dois xelins pelo privilégio de expor o teu quadro...
na "Exposição de Verão".
Porque é que as pessoas não vêem aquilo que nós conseguimos ver?
"Uma imagem perfeitamente encantadora."
O vais fazer esta tarde?
O habitual.
Posso começar pelas suas janelas.
Andas a trabalhar demais, querido.
Era bom saíres um pouco.
Não é saudável estares sempre comigo.
Nunca me tinha dito isso, mãe. Porquê agora?
Esta tarde, a Doreen Stanhope vai telefonar para me ver.
Vamos dividir umas fatias de tarte de baunilha do Greenhalgh's.
Então, porquê a cara triste?
Não tenho a cara triste, mãe.
Bem, isso é discutível.
Porque não fazes umas sandes e passeias por Farnworth?
Isso era bom.
Eu não quero ir passear em Farnworth.
Bem, aqui não podes ficar.
Laurie!
Pretendo conversar com a Doreen, e tenho direito a alguma privacidade.
Desculpe-me, por a estar a estorvar, mãe.
Não, só quero que tu saias mais.
É tudo. E insisto.
Muito bem. Se me quer fora de casa...
vou até Bolton.
Não, só quero que tu saias por um bocado.
Enfim, qual é a grande atracção em Bolton?
Uma chaminé. Sim, é a mais alta de Lancashire.
Tu sabes mesmo gozar a vida.
Posso fazer alguns esboços pelo caminho.
- Não te atrases. - Não me vou atrasar, mãe.
Goze-se bem da sua tarte de baunilha.
Tenho intenção.
Ainda bem.
Ciumento.
Durante anos, eu vim até aqui.
Durante anos, atravessei este campo.
Sozinho. Eu não preciso de ninguém.
Pode-se ver tudo daqui de cima.
Como um pássaro, eu observo.
A grandeza de tudo.
A paisagem, as cidades, o soltar do fumo, o vapor e o fogo.
O poder da indústria,
como uma fornalha...
...que arde.
"Caro Sr. Lowry,"
"Há uma simplicidade no seu trabalho."
"Nada é artificialmente criado através da analogia ou da representação."
"Tudo nos é transmitido pela pura expressão dos sentimentos."
Há um mistério em tudo.
Uma poesia.
Todos pensam que podem fazer o que querem. Não podem, sabem.
Ninguém é livre.
Somos todos prisioneiros. De uma tela.
E somos todos uns estranhos uns para os outros.
Olá mãe! Sou eu!
Mãe?
Teve uma tarde boa?
Falaram de coisas interessantes?
Quanto tempo ficou a Sra. Stanhope?
Foi uma visita rápida.
Bem, vejo que não comeu as suas fatias de baunilha.
A Sra. Stanhope não estava de bom humor e eu também não.
Devo tirá-las daqui, e guardá-las na despensa?
Até podes atirá-las de uma da tuas chaminés que eu quero lá saber.
Mãe, o que passa? Qual é o problema?
Tu sabes bem qual é o problema.
Sei?
Sim, sabes!
- Não, não sei. - Não sabes?
Então lê isto e tudo ficará esclarecido.
É um cheque, mãe, de 20 libras!
20 libras!
Isso, parte a casa. Não bates bem da cabeça!
És como a tua mãe.
Como te atreves a falar da minha mãe?
Eu ainda não tinha acabado!
Não tinhas acabado! Eu é que acabo contigo!
Sai da minha casa. Arruinaste-me. Arruinaste-me a vida toda.
O Sr. Stanhope quer-me comprar um quadro.
Quer?
Quer-me comprar um quadro. O Cyril!
O Cyril quer comprar-te um dos teus quadros.
- Sim. - E que quadro é?
O quadro exposto na "Exposição de Verão".
E como se chama o quadro?
- "Vindo do Moinho." - Não consegui ouvir.
"Vindo do Moinho."
E como foi ele parar à "Exposição de Verão"?
- Pu-lo eu lá. - Puseste?
Expus duas pinturas, mãe.
"Vindo do Moinho" e "Barcos à Vela".
E não me contaste?
Não me mantiveste informada.
Eu não a quis incomodar, mãe Sabe como é...
Pensei que era melhor não saber.
Bem, agora já sei, não é? E a Sra. Stanhope também.
A Sra. Stanhope não gostou, não, ela não ficou satisfeita.
Ela acha que "Vindo do Moinho" é um quadro sórdido e feio.
E eu também!
Ela subiu na vida, e não quer ver operários...
pendurados na parede da sala,
para a fazem lembrar-se que nasceu em Cotton Bottom Lane.
Ela está furiosa!
E fez-me prometer que não te deixava vender o quadro. E eu prometi-lhe.
Tu és malicioso. E egoísta.
Desde a tua concepção, que me roubas a vida.
Eu sacrifiquei tudo por ti, e tu o que fizeste por mim?
- Pinto, mãe. - Cenas industriais que ninguém quer.
Bem, o Sr. Stanhope quis.
O Sr. Stanhope. O que percebe ele de Arte?
Ele é socialista.
Fez carreira entre os sujos e a ralé.
É a Sra. Stanhope que me preocupa.
E as suas amigas, as amigas cultas. Com quem me quero integrar.
Não ficou contente, um pouco?
Só um pouco, por alguém querer comprar-me um quadro, mãe?
Que alguém tenha visto algo...
Ninguém viu nada!
Bem, o Sr. Bernstein viu alguma coisa, em Londres.
Disse-o na carta, aqui.
Bem. Deixa-me ver isso.
- Dá-me isto. - Certo.
Não, não, não, não, não!
Graças a Deus que acabou.
Ainda não acabou, mãe.
Até vou enviar ao Sr. Bernstein mais alguns dos meus quadros.
O Sr. Bernstein ainda não se decidiu.
Manda-lhe mais alguns quadros, para veres o que ganhas com isso.
Então, foi isto que a vida me deu.
Tu, eu...
O cobrador de rendas...
O inválido...
Faço o meu melhor, mãe.
- A sério? - Isso mesmo.
Porque é que quando eu olho para ti, eu...
quero sempre cerrar os olhos.
Eu nunca quis um filho, nunca.
Nunca, nunca quis um filho, eu nunca quis um filho...
Esse, sou eu, mãe.
É o homem à sua frente, sou eu!
Nem mais, nem menos.
E o que és?
Um homem, mãe.
Um homem que pinta.
Você nunca gostou de nenhum dos meus quadros, mãe?
Não! Não! Essa é a genuína verdade.
Laurie!
O que estás a fazer?
Laurie, eu caí da cama!
Laurie!
Anda levantar-me!
Laurie! O que estás a fazer?
Laurie!
Laurie!
Eu vou queimá-los, mãe.
Vou queimar os quadros todos!
Gostava que o tivesses feito há anos.
- É isso que quer? - Anda, faz isso!
- Isso fá-la-ia feliz? - Faz isso!
- Agora! - Tudo o que eu pintei foi para si!
Vou fazê-lo, mãe, por si.
Cada quadro que fiz foi para ela.
Cada quadro, cada quadro que fiz...
foi para ela!
Tudo o que faço é por ela.
Tudo o que faço, é por ela.
Tudo o que faço é...
por ela, por amor...
Ninguém me vem visitar agora.
Nenhuma senhora telefona.
Já não há a Sra. Stanhope.
A Doreen.
A Sra. Stanhope disse-me que iríamos a sítios cultos.
Iluminar-nos com pessoas esclarecidas.
A um mundo diferente.
Pinga, que pinga.
Pinga, que pinga.
Esta é uma bela tigela de sopa.
Nem muito quente, nem muito fria.
No ponto.
Espero que limpes o quintal.
Os vizinhos não gostam de desarrumação.
Estás muito calado hoje!
Está maldispostos com alguma coisa?
Queimaste-os?
- Queimei o quê, mãe? - Queimaste os quadros?
Não, mãe, não. Achei melhor não.
Não quis sujar a roupa da Sra. Stanhope.
Isso foi sensato. Fico contente em ouvir isso.
Não devemos incomodar os vizinhos. Podemos vir a precisar deles.
Mais tarde, volto a pôr os quadros no sótão, onde devem estar.
Escondidos.
O que vais fazer ao meu quadro?
- Ao seu quadro? - "Barcos à Vela."
Bem, vou buscá-lo à exposição, suponho, e vou...
Bem, suponho que o vá pendurar no corredor.
Queres pendurá-lo aqui?
Na parede do meu quarto.
Sempre vou olhando para ele enquanto estou deitada, não achas?
Aqui mãe, aqui está o seu quadro.
O meu quadro.
Um vislumbre do passado.
Dançamos juntos à beira-mar.
Na calçada.
- Em Lytham St. Annes. - Sim.
Tudo, tudo fica, prisioneiro.
Como tu eras bonito e o quão abençoada fui.
A vida parecia tão prometedora no início...
Aquela luminosidade.
Mãe e filho.
Um dia irão demolir esta casa...
e ninguém saberá que moramos aqui.
Toda a nossa existência terá sido em vão.
Veja, mãe?
Ali. Ficou tudo aprisionado na tela.
Para sempre.
Não é?
"Barcos à Vela."
"Barcos à Vela."
Elizabeth Lowry morreu em 1939.
Mais tarde nesse ano L.S. Lowry fez a sua maior exposição em Londres.
L.S. Lowry tornou-se num dos mais famosos e amados artistas britânicos.
Hoje os seus quadros vendem-se por milhões de Libras.
Recebeu o grau de Cavaleiro e a Ordem de Oficial do Império Britânico em 1968.
Recusou ambas,
"Parecem-me desnecessárias uma vez que a mãe morreu."
Em Outubro de 2000 abriu o Centro de Artes Lowry
em Salford Quays honrando o artista e a sua obra.
Sou um homem que pinta. Nem mais, nem menos.
FIM
Tradução : Letras & Ideias Richard Perry / Rita Salema
SRA. LOWRY E FILHO
Realização
Produção
Argumento
Música
Director de Fotografia
LETRAS & IDEIAS - LX - 2019
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