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Zulu
Só o Rei é Senhor abaixo do céu,
e não homens bárbaros e desumanos
Se Deus ajuda nosso justo zelo
O que há de nos custar?
LOPE DE VEGA, A Fonte da Ovelha, Ato III
ISTO ACONTECEU
- Redação.
Bom dia. Longa distância,
chamada de Puebla.
Pronto?
Cinco funcionários da Universidade Autônoma
de Puebla
foram linchados esta noite por mais de 2000 habitantes
da cidade de
San Miguel Canoa.
Ao serem confundidos com estudantes.
Quatro deles morreram.
Outro se encontra gravemente ferido.
Os cinco funcionários tinham ido em excursão à cidade ...
de onde pretendiam sair para a montanha La Malinche.
La Malinche?
La Malinche.
Quando saiam desse lugar...
foram atacados pelos habitantes armados...
...com facões e paus...
...com facões e paus.
Haviam sido confundidos com estudantes da Universidade...
...de Puebla.
E...
...dizia-se...
que pretendiam colocar...
...uma bandeira vermelha e preta...
...na igreja local.
Uma bandeira vermelha e preta na igreja?
Caramba!
Os mortos são:
Julian Gonzalez...
Roberto Rojano...
...Jesus Carrillo e Ramon Gutierrez.
Espere, espere!
Julian Gonzalez.
Certo.
Roberto Rojano.
Certo.
- Jesus Gutierrez. - Não.
- Carrillo - Certo.
Jesus Carrillo...
Ramon Gutierrez.
Perfeito.
Os feridos...
...Miguel Flores Cruz,
...está internado na Cruz Vermelha desta cidade.
Há vários feridos entre os agressores.
À Meia-noite e quarenta...
À meia-noite e quarenta.
A cidade continuava em desordem.
Os corpos dos funcionários da Universidade de Puebla...
...ficaram mutilados.
E até agora, não foi possível...
...identificá-los.
Isto é tudo.
O que pode me dizer sobre os mortos?
Sabe-se os nomes, mas não quem é quem.
- Você tem fotos? - Não creio que haja tempo.
Mas se conseguir, te falo.
Tudo bem, obrigado.
16 DE SETEMBRO (Dia da Independência)
EXIGIMOS JUSTIÇA
ACUSAMOS À IMPRENSA AMARELA DE PUEBLA
EXIGIMOS JUSTIÇA
CANOA
La Malinche.
Ou melhor, Malintzin...
bela e esplêndida montanha...
4150 metros acima do nível do mar.
Vulcão morto.
Rodeado de terra seca.
Erodida.
Vizinha dos grandes vulcões.
O Popocatepetl,
o Iztlaccihuatl,
o Citlaltépetl ou Pico de Orizaba.
Malintzin significa em Nahuatl
a nora recém-casada.
Ela é Malintzin para o sogro desde quando se casa
até quando tem o primeiro filho.
Também tem sido chamada Matlalcuyetl.
A senhora com a saia verde.
Em Nahuatl, se pluralizam as palavras que implicam vida, movimento.
A montanha tem plural, por que não é inerte.
Vive.
San Miguel Canoa está no pé da montanha, dentro dos...
34.000 hectares que pertencem ao estado de Puebla.
É uma de suas 14 comunidades.
50.000 pessoas formam a população do local.
A porcentagem de erosão é de 100 por cento.
A população toma pulque (uma bebida alcóolica)
em vez de água.
e carne só uma vez por semana.
Alguns, ainda menos.
San Miguel Canoa, 1968.
5945 Habitantes.
Muitos não falam espanhol.
A maioria é analfabeta ou semianalfabeta.
Está a apenas 12Km de Puebla, capital do estado.
Se chega por uma estrada pavimentada.
San Miguel Canoa é a fronteira com a montanha.
Os homens e as mulheres do lugar,
construíram com as próprias mãos um caminho que chega
até o pé da montanha.
Até aos viveiros da Secretaria da Agricultura e Pecuária,
e ao acampamento do Departamento de
de Conservação de Solo e Água.
A população vive em sua maioria da agricultura.
Segundo estatísticas, se cultiva milho,
feijão, batata,
trigo, feijão-de-lima.
Hoje estamos plantando milho.
Plantávamos feijão,
mas eles não crescem mais.
Feijão-de-lima?
Bem...
...algumas vezes,
lado a lado.
Se não der de um lado, dá em outro.
Feijão?
Alguns conseguem, outros não
Uns anos dá, outros anos não.
Batata? Não, de jeito nenhum.
Batata, não.
De repente, um pouquinho.
Trigo?
Não, já não.
Antes sim, a maior parte semeava trigo.
Mas agora não.
Já não semeiam.
Vivemos devendo.
Como vivíamos antes,
não havia pobreza.
A colheita?
Bem, certo, certo, não dá pra dizer a cada ano.
Não temos cargas regulares...
... só cargas irregulares.
Alguns dias nós temos 90...
algumas vezes passa de 100...
quando não vai bem a colheita, conseguimos apenas 80 cargas.
- Não é verdade? - Isso mesmo.
Quanto nós fazemos?
Não, não vendemos.
Temos que guardar.
E assim temos para todo o ano.
Vamos vendendo...
50...30...
... 60, 100 quilos.
Dependendo do que precisamos nesse dia.
Às vezes,
não mais de 10 quilos.
De dinheiro?
Não percebemos isso.
Não fazemos conta disso.
É isso.
As pessoas têm que recorrer à exploração da madeira.
O corte é sem controle e clandestino
mas diante dos olhos de todos.
Lenha, carvão,
madeira para a construção que os homens vendem na cidade
para poder sobreviver.
Cortam lenha...
fazem carvão...
Extraem vigas...
caibros.
Alguns são donos.
De nossa gente da cidade.
Outros simplesmente pegam...
...simplesmente pegam.
Já não lhes dizemos nada.
Já não os paramos por que...
eles matam.
Sim.
O que dá a terra não é suficiente.
Então, alguns trabalham de peões com outros.
Mas a maior parte trabalha em Puebla.
Como pedreiros...
ajudantes de motorista de caminhão...
nos moinhos de trigo...
para a companhia de água da cidade.
Alguns estão na fábrica...
mas poucos.
Há três escolas primárias.
Uma pertence à comunidade.
A outra está na parte alta da cidade.
E no centro está a mais recente.
Escola Benito Juarez.
Existe também uma escola secundária recém-inaugurada.
Nem todos vão à escola.
Mas a maior parte sim.
Escola secundária?
Poucos.
De cada 10...
dois, três.
Às vezes não vai nenhum.
Na escola primária uma cacetada.
Mas na secundária, poucos.
Os que vão é por que seus pais podem...
Chegam até a terceira da secundária.
Está dividido.
Outros...
os ricos...
como os filhos dos donos dos caminhões...
vão estudar em Puebla.
Sim.
Nós pedimos que se fizesse uma escola pré-fra...
pré-fabricada do governo.
Que agora se chama Benito Juarez.
Antes aqui, só havia a escola do Sr. Padre.
Como em toda cidade, há uma igreja.
Também aqui, o sacerdote ocupa um lugar importante
na organização social.
e sua influência é determinante na vida da cidade.
Mas talvez seja difícil encontrar um padre...
...tão particular.
Chegou com sua cozinheira ou governanta
em São Miguel Canoa, há oito anos,
Vindo de Aguatenpan, Puebla, de onde ele saiu...
dizem seus inimigos, devido às reclamações dos moradores
sobre o que eles chamavam...
seus abusos.
Não, fique você também.
Um pouco mais juntos.
Desde que chegou, formou várias congregações.
Os membros tornaram-se seus seguidores incondicionais.
E através deles, começou a controlar a cidade.
Aqueles que estão contra ele...
dizem que ele tem um domínio completo sobre boa parte da cidade.
É o cacique: aponta prefeitos,
vereadores, juízes de paz.
Controla o poder.
É, além disso, tesoureiro do Comitê de Desenvolvimento,
da Comissão de Água Potável, da Energia Elétrica, etc...
Adoremos ao Senhor.
Pra tudo pede.
Alguns de nós o chamam de "Cacalote".
Cacalote.
Cacalotl.
Corvo.
HISTÓRIA DE UM SACERDOTE ÍMPIO.
Embargos, abusos...
Em 1963, ele trouxe para baixo a água da montanha ...
Recolheu 170 pesos por chefe de família.
E construiu uma fonte, essa junto da igreja...
Para as pessoas possam encher os seus potes.
Há quem diga, que àqueles que são seus inimigos...
ele nega.
Depois, 100 pesos!
Para impedir que Canoa fosse...
anexada ao município de Puebla.
Mas foi anexada. E o dinheiro?
Desapareceu!
Mas como diz que é amigo de governadores,
e políticos.
Ele diz que, em troca conseguiu que a rodovia fosse construída,
e o telefone fosse instalado.
As autoridades locais são colocadas por ele.
NEFASTA DIVISÃO E ÓDIO
Cobra a luz!
A ponte que mandou fazer na segunda barranca...
...50 centavos!
Queriam os companheiros do CCI (Central Campesina Independente) fazer um encontro...
Chamou a sua gente com o sino...
trancou-os na igreja e deu-lhes "muita bebida".
Disse-lhes que aí estavam os comunistas
e que queriam levar as pessoas da cidade...
a serem ateus e inimigos de Deus.
O prefeito assistente...
o juiz, o Comandante da Polícia...
vieram para dizer que não se podia fazer o encontro.
Então, saiu toda a gente da igreja
e os companheiros tiveram que sair correndo.
Um mês depois, voltaram.
E estávamos preparados.
Então, ele chamou a polícia por telefone.
Ele tem espiões.
A todos que chegam que não são daqui lhes perguntam:
Quem é você?
O que está fazendo aqui?
É muito safado.
Ou será que não quer que lhe tirem sua cidade.
Nas últimas eleições...
há dois anos...
chegou à missa das cinco...
e disse:
"Hoje votem em nossos candidatos"
"Porque defendem nossa fé"
"Nossa igreja"
E às oito, outra missa.
Já não os deixou sair.
Contou-os, enfileirou-os e levou-os para votar.
Com paus e terra, para jogar nos olhos dos do outro partido.
É muito canalha.
Não dou os 100 pesos. Que se ponha a trabalhar
para que saiba o valor do dinheiro.
Mas outros habitantes consideram que seu padre é um homem bom,
abnegado,
empreendedor, dinâmico, desinteressado.
busca o bem de todos e fez muito para a cidade.
Graças ao padre o povo tem a luz elétrica,
negociou com a Secretaria de Agricultura para...
evitar a erosão da terra.
Ele ajudou o Governo na compra do terreno
para a zona industrial.
Ele ajuda as autoridades na cobrança das taxas para
a ponte, a luz e a rodovia.
E as terras comunais?
A cidade já não o aguenta!
Mandaram uma carta para as autoridades eclesiásticas.
No ano passado. Uma carta com recibo.
Um recibo de entrega.
Ao próprio Papa.
Pedindo sua des...
Sua destituição.
O que os seus acusadores têm feito para a cidade?
É gente que procura problemas
mal aconselhada.
Por outro lado, o Padre trouxe a luz...
a água, a estrada e o telefone.
Sim, com certeza...
Pela água cobrou 100 pesos de cada um.
Pela luz, cacetada, 175.
E tudo o mais que cobra?
Tudo que faz é cobrar.
Estrada...
Dizem que é amigo dos figurões...
lá do governo.
Vejam as obras que estamos executando!
O Padre nos ajuda.
Aqueles que o atacam...
são os inimigos do progresso de nossa cidade!
Se você quiser.
Mas agora não, que já vamos trabalhar.
Mas mais adiante posso levá-los ao Malintzin.
Conheço bem os caminhos.
Comigo, seguros e contentes.
Têm gente que é risco. Mas comigo não.
Quero te falar a verdade.
Como amigo de sua confiança, de sua pessoa.
Nesta cidade vai sair alguma merda.
Já atraímos muito.
Por Deus.
E a cidade já traz isso tudo de antes.
Andam dizendo que nos vão matar.
Que nos vão roubar.
PUEBLA, AS VITÍMAS
Então Moi, você vai?
Não seja medroso.
Não, cara, eu não sou alpinista como você.
Vamos praticar montanhismo
temos que aproveitar, é um feriado de três dias.
Eu sou muito preguiçoso. E isso de andar subindo montanhas...
Você está indo para o Popo?
Não, ao Malinche. É mais fácil. Quer ir?
Não, ao porto com minha esposa e filhos. Quem vai?
Até agora ... Amado Perez, "Flintstone", "Piu-Piu"...
Ramon, Hilário...
Miguelito.
Rojal e seus amigos.
O "Marroquino".
- Até meu irmão quer ir. - Não, obrigado.
É perigoso nesses lugares, hein!
Isso é o que dizem, Já subi duas vezes.
Na primeira, paramos na quadra de basquete
de San Miguel Canoa, e começamos a jogar "21".
Chegaram uns caras da cidade, entraram.
Na saída, devido ao exercício e ao calor...
Comprados pulque. Uma xícara,
40 centavos, eu me lembro.
E as pessoas eram muito boas, amigáveis.
Na segunda vez, fomos seis companheiros.
Aí está o Ramon. Certo, cara?
Ele também vai.
- De que se trata? - A excursão, dia 15.
Desta vez eu vou subir.
Mas se "Bombo" vai, eu não vou ajudar.
Dessa vez fomos seis companheiros, e nos separamos em dois grupos.
Eu fiquei com os gordinhos.
Meu amigo aqui e Francisco.
Pedro, "Gravata" e o "Marroquino" formaram uma equipe.
Chegando à pedreira, cada um seguiu seu caminho!
Uns disseram: "É por aqui". E eu : "Não, é por aqui"...
E eu escolhi o caminho mais difícil.
- Pois é. - E como eram gordinhos.
Não!
Sim! Eu caminhava 10 metros, puxava a corda, e eles subiam...
E assim eu os levei.
Gordinho, mas forte. É no basquete, eu vou ser
- recrutado para as Olimpíadas! - Sim, certo.
Você disse que era um especialista, mas levou-nos no caminho mais difícil.
Vocês só chegaram aos poços de areia.
Porque "Bombo" começou a vomitar!
Sofreu do mal da montanha. Começou a vomitar e desmaiar.
Voltei pelos outros.
Vocês desceram para o abrigo, certo?
Sim. E eu não sou nenhum expert, mas eu encontrei o caminho...
E ajudando "Bombo", que estava bem fodido.
Têm onde ficar se chegar a noite?
Na mesma pedreira onde está a parede, que se vê daqui...
tem uma cabaninha de troncos e palha. Mas está toda destruída.
Naquela noite nós ficamos nas rochas, certo?
Sim. E estava frio.
Nessa viagem, peguei um facão...
e quando íamos subir a montanha, um dos camponeses disse:
- "Aonde vão?" - "Lá em cima", dissemos.
Ele deve ter pensado que íamos destruir a montanha.
As pessoas de lá fazer essas bolas de carvão.
É um dos negócios que têm ali.
Eles têm esses fornos, e eles fazem essas bolas de carvão.
Alguns nem sequer falam espanhol.
Mas o "Marroquino" falava com eles e os entendia. Deram-se bem.
Bem, pessoal, eu tenho um jogo de basquete.
Até mais.
Eu tenho que deixar alguns papéis, mas vamos lá.
Tudo bem, homens! Tudo é possível na paz.
Quanta preguiça.
Um pouco de respeito, baixinho!
- O que está fazendo? - Lendo sobre as novidades.
Você também vai para as manifestações estudantis?
Eu? Não me pagam para isso.
Eu acho que você é um desses encrenqueiros, agitadores...
criminosos e anti-mexicanos, que como diz aqui
"Os psicólogos e os sociólogos...
com toda a sua ingenuidade...
pedantismo..." Jesus!
"Já inventaram filosofias e álibis para eles"...
"desculpas e paliativos".
"Que sabem nossos jovens bandoleiros de estruturas políticas
econômicas e sociais, de modo a poder mudá-las e...
substituí-las por outras mais justas e eficazes?"
"Que sabem do Sr. Marx, e do Sr. Marcuse?"
"Que sabem de gramática e de ortografia?"
Está vendo? Vê-se que você não sabe nada de gramática, e anda também...
com seus "paliativos"!
Não.
- Eu não me meto. - Você nem liga, não é?
- Você viu o Rojano? - Ele estava aqui, mas disse que ia...
indo para o Barroco para ver sobre o som.
Bem, já vou.
- Eu tenho que trabalhar. - Certo.
Com 8 a 10 metros de material podemos fazer uma barraca.
Bem, não uma tenda, mas algo parecido.
Bom, porque lá em cima não tem nada.
Eu tenho uma câmera. Você está levando o violão?
Como vou subir com o violão. Temos que levar apenas o necessário.
Você vai à reunião de funcionários?
Não. Eu tenho que ir ver alguns amigos.
- Estão ensinando a desenhar. - Você é bom?
Eu desenhei um Cristo que dei ao meu irmão.
Prontos, companheiros?
- Até mais tarde. - Até mais.
Segure isso.
Vai ficar difícil.
Eu não entendo. Não sei distinguir um grupo do outro...
por que estão brigando.
- Estou com os alunos. - Eu também.
Eu não.
Eu sei que eles erram, que ficam loucos.
Mas no fundo, o que buscam é positivo para o povo.
- Claro! - Eu não sei.
O problema é que eles estão ficando violentos.
- O problema é que somos trabalhadores. - E daí?
Creio que os trabalhadores não podem se misturar muito com os estudantes.
Como não?
Trabalhadores são uma coisa, os estudantes, outra.
Nos respeitam, os respeitamos. Mas estamos separados.
O problema é que não sabemos nada,
só o que dizem os jornais.
E você sabe como são os malditos jornais.
Toda essa conversa de desagravo...
- Você que são da Mesa Diretora... - Isso de por uma bandeira...
no lugar da do México? Caralho, cara!
Pare com isso Flintstone, uma das coisas que prestei mais atenção, foi quando
levantaram bandeira de greve na Cidade do México.
- E daí? - Acharam que era uma bandeira comunista...
Claro.
Aqui veio uma comissão de estudantes explicar sobre o movimento.
Qual é?
- A repressão que está fazendo o Governo. - Isso é o importante.
Sinceramente que estou com os estudantes e acho que têm razão.
Como diz Roberto, nós somos diferentes.
- Claro. - Por quê?
Nós vivemos e trabalhamos no mesmo lugar.
- Não é a mesma coisa. - Não, não.
Não acho que devemos pertencer a grupos de estudantes,
considerando o movimento que eles fazem.
Sim, me dou conta que a situação está difícil e que os jornais os atacam.
- Mas eu não sei nada de política. - Talvez devêssemos aprender.
Talvez devêssemos também pagar.
Vamos embora?
Agora vamos dividir.
O quê? Trouxe de novo uma nota de mil?
14 DE SETEMBRO
Santiago Arce, dedica com todo o carinho essa peça para Josefina Luna Coyotl...
...da seção 4.
São 25 centavos.
Reconheço, Senhor ...
...que sou culpado...
...eu sei que eu fui...
...um pecador imperdoável...
...Peço-lhe, Senhor.
Para me fazer bem.
Porque eu tenho um amor.
Puro e sereno.
Creio que à noite, saíram outra vez às ruas.
Talvez até tenham posto a bandeira na Catedral.
O cara do futebol disse na TV.
Comunistas, filhos do diabo!
Ateus, inimigos de Deus e da nossa Santa Madre Igreja.
Estou indo, Padre.
Que Deus te acompanhe, filho.
Devemos estar alerta.
Como venho repetindo, vão vir buscar-me.
Todas essas calúnias, todas essas difamações,
Essas cartas ao bispo e ao Papa.
Seus inimigos escrevendo para desacreditar uma de seus mais...
...fiéis servos.
Não fique com raiva.
Já sabe que te faz mal.
Sabem que se eu não estou aqui, eles vão tomar a cidade.
Tudo começou quando chegaram esses do CCI.
Eles tumultuaram, dividiram a cidade!
Eles são os que incitam os que não querem pagar.
Estão valentes, claro.
Já nem sequer temem que os deixem sozinhos com seus pecados
na hora da morte.
O dia em que os expulsamos, deveríamos ter sido mais enérgicos.
Deus nos dá direito para defendê-lo de seus inimigos.
Mas esse Martin, teve medo.
Devíamos ser mais enérgicos, para que não voltem aqui.
Para que se acabem as calúnias.
Acalme-se.
Ingratos.
Depois de tudo que eu fiz para a cidade.
São inimigos de Deus, da igreja, são hereges.
Mas também são inimigos desta cidade, do seu progresso...
... de tudo o que fizemos esses anos.
E agora, dedicamos uma canção para Pablo Arce.
Para que se lembre. Não está pagando o que deve!
Se até na minha frente...
paqueravas, meu amor.
O que dirá pelas minhas costas.
E eu um prisioneiro seu.
Esse é Nicolas Sanchez, que venha sua esposa.
Já está caído, venha buscá-lo.
Que venha sua esposa com um saco para levá-lo.
Traga uma carroça para levá-lo.
Já não se aguenta. Já caiu.
Onde está indo minha vida?
GUERRILHA COMUNISTA
CRISTIANISMO SIM COMUNISMO NÃO
Dizem que vão tirar sua religião.
Como? Isso não te tiram.
Já o seu dinheiro...
- E eles levam as crianças. - Verdade?
Você não ouviu o padre? Não leu os jornais?
Não viu tudo o que eles fazem? Está na TV.
- Aonde você vai? - Para Puebla.
Olá. Dê-me alguns cigarros.
Para consertar um microfone e comprar algum remédio.
Eu queria usar os alto-falantes.
Mas você leva o microfone e de repente precisamos dele.
- Temos de estar prontos. - O outro está lá.
Você está doente? Para que os remédios?
Para minha esposa.
Está sangrando lá em baixo.
Embaixo, onde fica a virgindade.
Vamos lá, não vamos demorar.
O que eu vou fazer em Puebla?
Não, melhor ficar.
Vamos ficar preparados para atacá-los.
Talvez desta vez, nós vamos morrer.
Que?
Você não leu o jornal?
Vá até ao Padre para que ele leia para você.
Já não têm coesão.
Por que ouvem ao padre?
Vão tirar o que de nós?
Não temos nada.
Mas eu disse a você.
A cidade está com medo desde antes...
Muito ruim.
Alô?
Não, não está aqui de manhã.
Na parte da tarde.
Por volta das 3.
A atitude assumida no local dos fatos
pela parcela rebelde dos estudantes universitários e politécnicos
que causou tanto dano ao país dentro e fora de suas fronteiras
é chamada pelo que é: uma tentativa de usurpar funções.
segundo os acordos firmados no último encontro em Tlatelolco
continuam com o propósito definido de alcançar parcialmente
o poder público. Tentam, através dos tumultos e
e do terror tomar as mãos de uma multidão
e tumultuar a direção do país.
o que simplesmente comprova a falta da sinceridade e o reduzido
conhecimento daqueles que conceberam semelhante possibilidade.
A clareza e a moderação com que as autoridades
tem sempre agido se confrontam ante uma proposta negativa,
que resulta evidente.
A solução, significa a paz.
A paz, significa a Olimpíada.
a todo custo vamos evitar a paz?
O que propõe os conspiradores é impedir as Olimpíadas
É o antipatriotíssimo em ação.
O que houve, Julian.
Está um pouco nublado ao norte.
Além disso, eles não pagaram. Se eles pagarem, nós vamos.
Você está ficando com medo.
Aqui, às quatro em ponto.
Conheço bem essa montanha. E se chove, o temporal fica
muito forte lá em cima. Temos que chegar antes que anoiteça.
Vou até Jesus, para ver se ele quer ir.
Eu vou com Miguel comprar algumas coisas.
Algum material para a tenda.
Quero meu 22. Para atirar nos coelhos.
E um rádio para ouvir música.
Nada muito pesado. Até às quatro.
Roberto, não se esqueça das cordas.
- Não. - Está bem.
É muito caro para mim.
Pode por algo?
Porque não levar meu 22.
Bom dia, senhora. Jesus está?
Sim, Julian. Está deitado, entre.
Jesus! É Julian.
Entre. O que há?
Está doente? Não vi você no trabalho...
Não quero sair.
Já tinha tido que não estava para ninguém.
É que me convidaram para uma festa, mas estou sem vontade.
Vão umas gringas, mas a bebida você sabe, não dá pra mim.
Eu queria convidá-lo para a excursão com os rapazes.
Já havia te falado, não? Mas não decidimos nada.
Mas você queria ir.
Para o Malinche?
Certo.
Vamos. Que devo levar?
Um cobertor, roupas grossas.
Você tem uma mochila? É melhor para levar as coisas.
Eu tenho duas, se quiser.
Eu tenho uma lanterna, só temos que comprar as pilhas.
Miguelito vai levar seu 22, você gosta de atirar.
Que máximo! Que hora nós vamos?
Marcamos na universidade às 4.
- Passo para te pegar? - Claro.
Nos vemos.
Que? Só vamos nós?
Vocês três.
Nós temos que trabalhar.
O restante deve vir em breve.
O que há com esse capacete?
Por quê? Não posso?! O marciano não entende
É para a expedição. Não usam em seu planeta?
- Será que chegam ao topo? - Se sairmos já, sim.
É fácil. Não é como o Popo ou o Pico.
- Você já subiu o Pico? - Não, isso é para os adultos.
A parte mais fácil é a face norte. A meio laranja.
Existem fendas.
E quando neva na noite anterior, é difícil...
Por que a neve ainda não assentou e há pontes falsas...
Esse é o perigo que tem. Tem que testar a neve com uma vara
e de preferência ir com quem conhece esse tipo de neve.
E uma corda de 20 metros.
- Sim, certo. - Sim!
Há quatro anos, saiu um grupo de Puebla
Eram os mais experientes.
Na noite anterior, havia caído um forte temporal.
Mas como eram experientes, seguiram.
E na terceira fenda: záz!
O que houve? Onde estão os outros?
Espera, deixe-me terminar.
Três foram soterrados. Só um escapou.
Dos outros, dois foram tirados seis meses depois.
E o terceiro, eles nunca encontraram.
Olha, o Sr. Ávila me emprestou.
Se cairmos em uma fenda, vão dizer o mesmo de nós.
Também consegui uma faca, olhe.
Parece uma árvore de Natal!
O que houve com o rifle?
Não, era muito pesado.
Eu o traria, mas não poderia carregá-lo.
Depois, quando minha mãe me viu...
"O que está levando aí?"
"Vai se meter em problemas."
"Vá sem ele."
Parecem bebês, o que a mamãe diz.
Não devemos ir. Ninguém veio.
E sem o rifle, não tem graça.
- Mas eu trouxe o rádio. - Para quê?
Lá em cima não se precisa de barulho. Você vai ver.
É um lugar bonito.
Um lugar cheio de silêncio.
Muito bom, sem som.
É como algo assim, entre a vida e a morte.
Sim, você vai dizer que é o céu.
Todo mundo está contra mim.
Mesmo minha noiva disse, que o tempo está ruim.
Vamos para casa. Não veio ninguém...
E o baixinho não trouxe o rifle.
Já que estamos aqui, somos cinco, o que queremos mais.
Estamos prontos.
Como quiserem. Mas se vamos, vamos.
Vamos.
São quatro e meia. Temos que sair ao menos às cinco.
Para chegar ao mais tardar às 5h30 a San Miguel.
Vamos então.
Seu irmão queria vê-lo.
- Ele está no Barroco. - Se alguém vier...
- ...podem nos encontrar no ônibus. - Até mais.
Já vou.
Vai aonde?
Para o Malinche, com outros companheiros.
Vá em frente, mas por diabos estão indo para lá?
Eu me comprometi. E como dizem, gosto é gosto.
Deus te abençoe, se acaso não regressar.
Obrigado.
Cada um paga o seu.
Vai chover.
Não, não vai.
São seis pesos por cabeça. O meu é de porco e presunto.
Mocassins de camurça.
Pra que levar esses sapatos? Não servem, só te vai atrapalhar.
Eu sou assim, sempre na moda.
Vamos arrumar algo para beber, lá em cima faz muito frio...
Precisamos de algo para nos manter aquecidos.
- Vamos pegar cinco para o grupo. - Certo.
Comprei duas. Uma de conhaque e outra de tequila.
Vamos à casa do Sr. Maldonado...
É sempre divertido.
Se a idéia é o Malinche, vamos mesmo que sejamos poucos.
Sai em 10 minutos mas já está cheio.
Vamos no outro. Mas sai em meia hora.
Vamos em pé São só 20 minutos.
Olhe para o céu, o temporal esta se formando.
Vamos nesse.
Vamos.
Vamos.
Aqui está mais um.
Entrem!
Meninos, um viva para a Universidade.
Certo!
Um, dois, três.
- Para onde vão? - Para San Miguel, cinco.
Paguem.
Vamos Ramon, canta como Pedro Infante.
Como quando ganhou o disco de ouro no rádio.
Foi de lata!
Que tal isso...
Amorzinho, coração...
Eu te pico com o meu dardo!
Nenhum respeito!
Cante como José Alfredo!
- Eu faço a segunda. - Certo.
Me cansei de pedir.
Me cansei de dizer-lhe.
...que sem ela eu morreria de tristeza.
Ela não quis me escutar...
...se teus lábios entreabertos...
Chucho quer impressionar as pessoas aqui com seu capacete!
Parece bobo.
Eu só estou brincando com você...
Eu vou te pegar!
Cante outra.
Estou tão longe da terra onde eu nasci.
e a nostalgia invade o meu pensamento
Calem-se!
- Estão me aborrecendo! - O que há de errado com ele?
- O que estamos fazendo, senhor? - Acalme-se.
É gente de pouca cortesia.
- Acalme-se. - Não foi nada.
Espere! Está caindo.
Está chovendo!
Não vamos chegar ao topo.
Como não?
Talvez ela vai passar.
Vamos lá. Para a venda.
São de sardinha essas latas?
- Sim. - Dê-me uma, por favor.
Dê-me uma de pimenta.
Da grande. Obrigado.
Eu quero alguns amendoins.
Os apimentados.
E senhora. Um saco de biscoitos.
Quanto?
- Um e cinqüenta. - Dê-me dois.
- Você quer refrigerante? - Não.
A tempestade começou.
Eu já sabia , um vento norte de Veracruz.
Talvez passe rápido.
- Certo? - Quem sabe.
Existe aqui um hotel ou algum lugar para ficar?
Não, aqui não.
Aqui não é a cidade.
Vá perguntar ao padre ou na prefeitura.
De toda forma vamos precisar das lanternas.
Temos cinco e uma não tem pilha, nem lâmpada.
Vocês vendem pilhas para lanternas?
Não.
Não sabe onde as vendem?
Na rua lá em cima.
- Vamos, Ramon. - Certo.
Vamos pedir um lugar para ficar ao padre.
Certo.
Desculpe-me.
Nós gostaríamos de falar com o Sr. Padre.
Para quê?
Somos viajantes,
vamos ao Malinche, mas já não podemos subir hoje.
Disseram-nos que podíamos talvez ficar aqui, só esta noite.
Qual é o problema com você?
Nós estamos indo para a Malinche mas a chuva nos parou.
Queríamos ver se podíamos ficar aqui, e sair de madrugada.
- Quantos vocês são? - Cinco.
Os outros três ficaram na venda.
- São de Puebla? - Sim.
Vamos ver o que diz o Sr. Padre.
As figuras de barro.
Não são enfeites, está enganado.
Isso confirma minha teoria, esse lugar exato
- Posso assegurá-lo. - Ponha a dinamite.
Fazer grandes escavações.
- Agora mesmo... - Não!
A partir de agora vamos ter cuidado.
Olhem,
Enquanto eles compram as pilhas, vamos de uma vez para a igreja.
Pra ver se nos deixam ficar.
Vamos.
A chuva diminuiu um pouco.
- O que acontecer com você? - Meu coração...
Não sei se poderei...
Que querem aqui?
Queríamos ver o sacerdote.
Não está. Para que o querem ver.
Bem, veja só...
O que queremos é passar a noite aqui.
Deixem-nos na Igreja, mesmo que fechados.
Só para não nos molharmos.
Não, aqui não se pode. Melhor irem por que senão...
... vai ficar ruim para vocês.
Vão rápido, não queremos problema.
O que nós fizemos?
Só pedimos abrigo. O que há de mal?
Vão embora!
Que desejam?
Padre, queríamos ver se nos dá um lugar para passar a noite.
Viemos em excursão ao Malinche mas com o temporal, a noite...
... e tudo, já não vamos poder subir hoje.
Amanhã cedinho, nos levantamos e nos vamos.
Quem são vocês? Tem alguma identificação?
- Quantos são? - Somos cinco companheiros.
Não trouxemos identificação, mas viemos de Puebla...
somos da Universidade.
Eu não posso receber desconhecidos.
Não há lugar e não vou deixar na igreja
gente que não sei quem é
e de onde vem.
Mas viemos da Universidade. Você pode perguntar.
Talvez. Mas aqui não pode.
Diga ao comandante.
Deixe-os ficar na Prefeitura.
Na prefeitura ou na cadeia. Vocês decidem.
Onde for. Apenas para passar a noite.
- São estudantes? - Não, empregados.
Trabalhadores da Universidade.
Deem-nos um lugarzinho.
É uma noite.
É uma cidade pequena, e a cadeia está muito ruim.
E na prefeitura, não está o prefeito.
Ele foi para Puebla. E eu não posso.
Olhem.
Na venda tem um quarto.
Pergunte se eles alugam.
Obrigado.
Assim que eles chegarem nós vamos.
Quem sabe conseguiram algo.
Puta merda, muita água!
Já estaríamos lá em cima.
O que aconteceu?
Jesus, que gente tão desconfiada!
Até o padre maldito queria que nos identificássemos.
E o chefe de polícia estava lá.
Ele ia nos deixar ficar na prefeitura.
Já nos ia dar pousada, de repente mudou de idéia.
Vamos sair daqui.
Na igreja queriam nos balear.
Espere, é o jeito deles.
Disseram-nos que a senhora da venda tem um quarto.
Pode nos alugar.
Senhora.
Disseram-nos que tem um quarto.
Podemos ficar essa noite? Te pagamos.
Vou ver o que diz o meu marido.
Quero ver como vão reagir quando o Rei da Selva disser...
Perguntamos a sua senhora se poderia alugar um quarto
para passar a noite.
Íamos para o Malinche, mas como vê...
Não temos com que nos cobrir, por isso que pedimos esse favor.
Eu só tenho um quartinho.
Vá ver o Sr. Padre.
Só nos restou regressar para Puebla.
Ainda há ônibus?
Não.
O último saiu há 10 minutos.
Mas podem ir até a estrada e pegar um táxi a algum lugar.
Eles trazem as pessoas de Puebla, e voltam vazios.
Verdade?
Vá ver!
O que faremos? Para onde vamos?
Vamos apenas voltar, Julian.
Aqui chegam os táxis para regressar à Puebla?
Talvez sim,
... às vezes.
- Já não tem ônibus? - Não.
O falecido Cruz, que trabalhava na direção
tinha uma fazenda aqui.
Eu conheço a sua família. Desviamo-nos um pouco do caminho.
Ou o "marroquino".
Sua avó vive aqui por cima.
Cale-se, além do mais está chovendo.
Bem, se um táxi vier, nós vamos.
Ou se querem, a pé.
São apenas 6 quilômetros.
Já que chegamos até aqui, devemos subir.
Vamos tentar a sorte.
Vamos pegar uns sanduíches e uns refrigerantes...
Duas pepsis, duas de maçã e uma vermelha.
Chegando.
Vá ver, Miguel.
É um carro particular.
Vamos pegar uma garrafa e tomar algo mais forte.
De jeito nenhum, não como as coisas estão.
Vamos lá, cara.
Ei! Você é engenheiro?
Você veio pelo ouro?
Bem, então...
Conseguimos. Vamos tomar uma cerveja.
- Eu vou tomar um refrigerante. - Um refrigerante e três cervejas.
E essa chuva, hein?
Vai por toda a noite. Estamos presos aqui.
- De onde são? - De Puebla.
Seguíamos para o Malinche, mas a chuva nos pegou.
Não há lugar para passar a noite.
Já fomos à prefeitura, à Igreja e nada.
Você sabe onde poderíamos ficar?
Bem, eu sou daqui mas vivo na Cidade do México.
Vim acertar um dinheiro com meu irmão.
E vamos passar o feriado aqui.
Sobrinha. Venha.
- Te apresento um amigo. - Prazer em conhecê-lo.
Eles querem passar a noite aqui para subir amanhã o Malinche.
Poderiam ficar casa do seu avô?
- Ele tem muito espaço. - Eu não sei.
Vamos ver.
Parece que já conseguimos onde ficar.
Esse amigo vai nos levar a casa de um parente.
Já vamos. Enquanto se secam, nós vamos andando pela estrada.
Ih, cara, isso já deu errado.
Viemos escalar a montanha, e não vamos voltar assim.
Se já conseguimos onde ficar, qual é o problema?
Eu não queria por que sei como fica quando chove.
- Mas já que viemos, vamos fazê-lo. - Claro.
Somos três contra dois. Mas podemos tirar a sorte.
Coroa, ficamos.
Cara, nós vamos.
Eu jogo.
Ganharam.
Vamos lá!
Miguel, Jesus, Roberto, Ramon.
Prazer em conhecê-lo. Minhas sobrinhas, seu namorado.
Vamos passar primeiro na casa de meu irmão.
É como se fosse a minha casa. Já trouxe amigos antes.
- Diminuiu a chuva. - Vamos.
Vamos.
Josefina ... Olhe ali.
Esse desgraçado!
Ele era seu namorado. Quanto é isso?
- 5 pesos. - Nós já pagamos.
- Vamos lá, então. - Vamos.
Ei, você, pague-me!
Você estava dando em cima dela!
Sim, eu vi!
Não seja tímido.
Sim.
Eu gosto de atirar em coelhos.
Talvez eu vá com vocês amanhã.
Na Cidade do México, gostam de atirar em estudantes.
E em Puebla.
Em Puebla não são tão duros com os estudantes.
Como não? Não é como no México, mas há um movimento.
- É por isso que eu sou um pintor. - Pintor?
Paredes. Não falta trabalho.
Ele conseguiu um emprego muito bom na Vila Olímpica.
Vá com ele, para que nada lhe aconteça.
Eu vou para minha casa, vou trancar-me.
Devem me perdoar...
Já viram que eu não tenho comodidades, mas por uma noite.
- Boa noite. - Boa noite.
Ao contrário, obrigado. Boa noite.
Amanhã levo vocês até lá.
Malinche é mulher... é uma cachorra!
Não deixa subir os homens de que não gosta.
Já mais ou menos a conhecemos.
Acorde-nos às cinco se nós dormimos?
- Claro. - Há dois caminhos, certo?
Podem passar pelos areais e seguir caminho...
mas é perigoso, perigoso.
Ou pelo "Ameyal". Eu vou te mostrar amanhã.
Ei Ramon ...
Pegue os biscoitos. Dê para as crianças.
Claro.
- Aqui, você quer um biscoito? - Obrigado.
Come! Come!
Vocês são de Puebla ou da Cidade do México?
Puebla.
Obrigado.
Chovendo forte.
Não morra, não queremos te matar.
Não vou morrer antes da hora.
Consertou o caminhão?
Não, vai ficar cinco dias parado.
- Você ouviu? - Delfino veio me dizer.
Ele trouxe alguns garotos da Universidade que estão criando problemas.
Alberto, dá-me uma cerveja.
Estão na casa de Lucas Garcia.
Filho da puta. Tinha que ser ele.
Os universitários vão ter o deles.
Ele vai lembrar de seu CCI, de seus embargos e suas porcarias.
Vamos ver para onde ele corre.
Vá em frente, Sr. Andrea, diga às pessoas para que fiquem prontos.
- Já disseram ao padre? - Delfino disse a ele.
Até aqui vêm. Já não têm respeito.
Também o seu primo Lucas.
Deus vai nos ajudar.
Vamos ao telhado. Nós podemos De lá se avista bem toda a cidade.
Certo.
Vamos lá!
Diga a Panfilo que traga toda a sua gente.
Você vai para a seção 5ª...
Vou ver Manuel na 6ª sobre seus alto-falantes.
Fique coma garota e formaremos dois casais.
Ela gosta de você!
Parece que vai haver defunto amanhã.
Seja tétrico...
No bairro Américas Unidas na Cidade do México, conhece?
- Sim. - Em Nativitas...
Você sabe, se for...
Desligue, não vê que as crianças estão dormindo.
Estão celebrando a independência.
- Mas é amanhã. - Adiantaram-se.
- É assim aqui. - Não.
Não, aquele maldito padre está mal intencionado.
- São foguetes? - Parecem mais tiros.
Hoje é sábado.
Eles ficam loucos com a bebida.
É melhor eu dizer-lhes para descerem e entrarem...
Me dá um biscoito.
De jeito nenhum.
Já estão de festa.
Você sabe onde ele trabalha? Na Vila Olímpica.
Uau, você vai estar lá, com os atletas e tudo!
Não, estamos quase terminando.
Os atletas estão chegando em cerca de duas semanas.
- Eu acho que alguns já estão lá. - Consiga um passe.
Falam mexicano, certo? Que dizem?
Quem sabe. Talvez aquilo que o padre quer.
Ele é manipulador?
Quando fomos vê-lo
não foi nada amável.
Aqui é ele que manda.
Sim.
Os melhores lugares, antes que nos ganhem.
Vamos tomar um trago com o senhor.
Já vai começar?
Não fode!
Amanhã...
...lá em cima.
O padre é um filho da mãe!
Sim, ele é a autoridade.
Ele queria me ferrar...
...eu não aceitei.
Chegaram! Canalhas, bandidos!
Já chegaram os bandidos na cidade!
Eu tenho minhas terras perto do "Ameyal".
O maldito padre queria me tomar, ele disse:
"Dê para a cidade."
Não dou! Eu dou onde eles ocupam.
Mas tudo, não!
Não.
Ele queria para ele, o maldito padre.
Eu não deixei, e ele não me ferrou.
Pegaram a terra em volta do "Ameyal" assim mesmo.
O "Ameyal"? O que é o "Ameyal"?
No Malintzin.
- O que é o "Ameyal"? - Eu não sei.
O que é o "Ameyal"?
A água. Colocaram-na em tanques para trazerem-na para a cidade.
Não conhecem o Colégio Lopez Mateos aí em cima?
Por lá passa a água.
Quantas escolas existem? Duas?
Parece que cerca de 3. Sim, 3.
A seção terceira e a quarta. Que Andrea continue.
Se eles puserem as bandeiras, é com vocês.
Eu vou avisar o Coronel em Tepeyac. Ele vai ficar furioso.
Não posso!
Olhe, chefe, empreste-nos os rifles talvez precisemos deles.
Estão chegando mais.
Andaram se metendo com as senhoras e com as mulheres.
Certo, certo. Não tinha nenhum partido.
Eles tem o maior partido: PRI.
Eu estou com o CCI agora.
- São muitos? - Não muitos, mas bastante.
Mas é o que digo, o Padre e as autoridades estão de acordo.
Esse Martin, que é prefeito. Ele o colocou lá.
Com os donos de caminhões.
Dizem: com dinheiro nunca vão nos ganhar.
Mas o prefeito que está lá agora não ganhou.
O nosso, sim. Mas não deu dinheiro... O Padre não o queria.
Há dois anos puseram um cretino na cidade.
Até mortos houve.
Até mataram uma criança por que nosso homem ganhou.
Saíram da igreja.
Puseram-se a atirar pedras na praça.
Foram buscar o nosso líder...
Entraram em sua casa...
... e mataram o menino que estava dormindo.
E antes, mesmo antes ...
O filho do comissário.
Um garoto moreno, cerca de 20 anos.
Ele era bom.
Sim!
Os donos de caminhões, com a aprovação do Padre
Fizeram-lhe até uma canção.
Vou lhes mostrar.
Já chegaram os bandidos à cidade.
Hereges!
Vizinhos e pessoas!
Olhem, já estão vindo!
Já estão perto!
Casa por casa.
Já estão roubando coisas e animais!
Venham todos!
Juntem-se na praça.
Estejam todos prevenidos.
Vão para a igreja, homens e mulheres.
Vizinhos, gente, já chegaram os bandidos.
Que disse? Que bandidos?
Às vezes vêm roubar animais.
Vamos ver.
Que ver que nada!
É outro esquema do Padre.
Essa que está falando é Andrea, ela é uma carmelita.
Uma carmelita!
Uma carmelita!
Um carmelita, sim. Da irmandade.
Todo dia 16 usam o escapulário e fazem missa.
Aqui está cheio. De carmelitas. São de adoração noturna.
Do coração de Jesus, são do dia primeiro,
são da Irmandade de São Miguel...
Alguns são apóstolos, na Semana Santa.
Os que mataram o garoto, apóstolos.
E comungam toda vez.
E você não é católico?
Um pouco, um pouco.
Mas pelo Príncipe Miguel, Eu não me meto com ninguém.
Esses filhos da puta que matam e se dizem católicos.
Dá para acreditar?
Eu não creio neles. Cometi meus pecados...
Onde posso ir ao banheiro?
Lá fora.
Olhem, gente!
Levantem-se.
Veja o que os estudantes estão dizendo!
Que vão colocar uma bandeira vermelha e preta na igreja.
Que vão roubar nossa religião
Não queremos!
Que vamos ver outras bandeiras!
Não queremos! Que vão nos tirar...
... Deus e nosso Príncipe!
São Miguel nos proteja!
São Miguel nos proteja!
Isso está uma merda!
Não é conosco.
Nós vamos sair de manhã cedinho.
Que alvoroço.
Faz mal à cidade os aparelhos de som.
Aqui os chamamos assim
Por Deus, gritam uns com os outros.
Zombam. Se um está com raiva do outro...
... gritam com a pessoa no alto-falante.
E o outro, em outro aparato, faz o mesmo.
Mulheres de idades maiores inventam coisas.
Mandam crianças.
Dedicam canções de zombaria.
Comigo, há oito dias, na seção primeira...
Não me citaram. Não me citaram, mas eu me dei conta!
E aquilo feio, um aparato com três trombetas em um poste.
Há muitos em toda parte!
Vocês vão ver.
Você deve se lembrar.
Uma menina que tinha um bebê e não casou...
Tocam e anunciam.
... tocam essa em que chora um bebê, mas um bebê de verdade está chorando.
Ah, sim, é como uma "guaracha".
"Porque chora o bebê, mamãe?"
O padre disse para que telefone para a polícia em Puebla...
Por que aqui estão uns estudantes que vão botar uma
bandeira comunista na igreja.
E vão matar pessoas.
Bem, se o padre disse, eu ligo.
Mas mais tarde.
E para que você venha também.
Não.
Eu não quero me envolver.
Já se esqueceu que o Padre ajudou a construir
o segundo piso de sua casa.
E arranjou para que tivesse o telefone?
Acordem, irmãos!
Não durmam!
Chegou o momento. Chegaram os comunistas!
Ninguém deve dormir!
Deus e São Miguel precisam de nós!
Estão turbulentos.
Há muitos nas ruas.
Feche a porta.
Como é isso que o Padre manda no sistema de som?
Aquele maldito padre.
Gritam, zombam de quem não paga.
Há um acordo.
O Padre trás a cidade no cabresto. Eles têm medo.
E as cornetas dizem que, se não pagou
que venda os burros e os porcos para pagar.
Para pagar o que?
Os dízimos, primícias e domenicas,
A primícia é de 30 pesos, domenica é 12.
Eles exigem, assim.
E como tem um acordo com as autoridades todas.
Sim, vejam:
Eles tomam nossos arados e animais...
então gritam nas trombetas que vamos ir para o inferno com Juarez.
Caralho!
Não, então nós temos que dar uma parte da colheita.
Ele pede mais!
De cada 100 cargas, ele pede 10.
Mas quase ninguém dá.
Talvez uma. E depois, para comprar candelabros...
... para pintar a igreja.
E a cidade tem que pagar pelos seus cavalos.
E ele usa os terrenos da cidade,
as terras comunais.
E ele mesmo faz seu cinema domingo.
Mas como é possível? Você paga?
É claro!
As minhas terras não.
Mas, por Deus, eu dou. Sim, por que nos dá recibos.
É assim que se acostumou o povo.
Veja só.
Passam comissionados casa por casa.
E a quem não dá dinheiro, não dão o recibo.
Para que servem os recibos?
Bem... se você precisa de uma missa...
Ou o nascimento de uma criança...
Ou um finado que se tem que enterrar.
Ou necessita um casamento.
Você vai e ele diz: "Mostre-me os seus recibos!"
"Não tem? Você não tem pago, não te atendo! "
Barbaridade! Queixem-se ao governo.
Nós escrevemos ao governo...
Mas... como eu disse.
Eles têm um acordo. Um acordo.
Na verdade, muita gente não entra na igreja.
Como os que escreveram e enviaram a carta.
Não entram.
Por que não entramos?
Se entramos, nos encaram.
Eles só olham.
Não entramos mais pra que não nos condenem como aos outros.
Tirem a sua propaganda!
Que nos digam quando chegam os outros!
Antes estiveram aqui uns estudantes de Puebla.
Há cerca de quinze dias.
Pessoas do Padre dizem que eles roubaram.
É fofoca. É fofoca.
Eles chegaram a falar com gente, aconselhar.
Deve ter sido os estudantes de Direito.
Eles vieram em um ônibus?
Ônibus, sim, ônibus.
Eles queriam escrever sobre o padre.
E um monte de coisas contra a universidade.
- Eu lhe disse, Julian! - Apenas fofocas.
Estiveram falando comigo, e ainda me deram um cinzeiro!
Por Deus!
Olhem...
Isso está muito mal.
Aqui está, olhem.
O que fizeram?
Não fizemos nada, senhor.
Caralho!
Pedro!
Tire-os pelo barranco e leve-os até os tubos.
Vamos, lá não nos encontram.
- Nossas coisas! - Deixe-as!
Estão por todos os lados. São muitos!
São estudantes! São os comunistas que eles dizem!
Não, somos empregados! Trabalhadores da Universidade!
Abra a porta, Lucas!
Por que vai se meter?
Eu quero ver quem são.
Qual está roubando? Qual é comunista?
Estes filhos da puta vão fazer uma barbaridade.
Eu disse a você, idiota!
Quando eu ouvi os sinos da igreja, eu despertei.
Olhei pela janela.
As luzes da igreja estavam acesas.
Vi muitas pessoas correndo pelas ruas.
Gritavam que haviam chegado uns estudantes de Puebla
e que iam linchá-los.
Gritavam e diziam muitas palavras feias.
Estavam exaltados.
Não pude fazer nada. Como me encontro um pouco enfermo de embolia
decidi dormir.
Encontravam-se estirados dois corpos
Eu disse aos camponeses para chamar a polícia em Puebla.
Ali perto, nas ruas ao redor, e entre a gritaria.
Sim, os excursionistas foram pedir pousada para passar...
a noite na sacristia.
Mas lhes foi negada pela cozinheira.
Pois como eu disse anteriormente...
me encontro enfermo.
Talvez o erro foi assegurar que eram universitários.
É um momento em que há tensão, e o povo se sente ofendido
por que anteriormente outras gentes, não sei de onde,
haviam tratado de realizar propaganda anticatólica.
entre a população.
O sentimento católico dessa gente é muito profundo.
Muito arraigado.
Ontem à noite?
Como que não?
Há dois domingos se anunciou um sermão.
Daqui a quinze dias
preparem-se.
Parte disse na missa, parte na noite.
Convidou a toda gente.
Disse:
"Vejam, vão chegar em quinze dias"
"Vai acontecer!"
"Estejam prontos".
"Está vindo a Universidade".
"Eles vêm para me matar! "
"Vêm matar o Príncipe!"
Por isso, as pessoas acreditaram nele.
Oito dias depois
outra vez anunciou.
Por isso o Senhor quer prevenir aos mais humildes
e queridos de seus filhos.
Quer guiá-los.
O demônio anda solto!
Podemos vê-lo todos os dias.
Podemos lê-lo nos jornais.
Está em todas as partes.
Até nos servidores do Senhor
nos sacerdotes que escreveram um documento
ditada pela mão do demônio!
Mesmo em Roma!
São os novos Judas.
Os que traem a Deus, nosso Senhor.
E que vêm com agrado,
como já levantaram os comunistas!
Que incendeiam ônibus, destroem comércios,
Insultam as pessoas!
Já puseram uma bandeira.
Vermelha como o inferno.
Negra como o pecado!
Levantaram-na na frente das autoridades.
Isso é um escárnio!
É uma grosseria!
Colocaram-na na Catedral.
Mas não estão só na Cidade do México.
Estão em Puebla
E logo... estarão aqui!
Há alguns dias
alguns de vocês vieram se queixar
que chegaram uns estudantes.
Foram recebidos por alguns de nossos irmãos.
Como lhes digo, o demônio está em toda parte.
Em todos os que vivem em pecado.
Em quem não vem à Missa.
Aos que estão unidos a esses grupos inimigos de Deus.
Vieram para ver se a terra era fértil.
Para plantar sua semente.
Agora não virão só para ver.
Vêm para me matar!
Para poder colocar sua bandeira!
Vêm para queimar o Príncipe São Miguel.
E quando já ninguém, ninguém os proteger,
vão levar os animais, vão levar os seus filhos,
para serem os servidores do diabo!
Bestas da luxúria
e do pecado!
Devemos estar preparados, devemos estar prontos.
Devemos estar com Deus...
... e Ele estará conosco.
Não só nos domingos nas missas,
no sermão.
Fazia reuniões às 9 da noite.
Com pessoas que ele escolhia.
Os encarregados das Irmandades, acreditaram.
E outros,
por que lhes convinham.
Estava em seu quarto? Ha!
Se assustou? De jeito nenhum!
Ele estava satisfeito.
Ele ficou satisfeito.
Já tinha essa intenção há vários dias.
Para a festa do dia 29.
Muita gente chorou com o príncipe
pelo que aconteceu.
O padre disse: "O que aconteceu?"
"Nada aconteceu!"
Porque no tempo de Hernan Cortez,
ele governou, dominou, maltratou gente, ele ...
e a gente aguentou.
Tomem um pouco mais!
Saiam!
Não é o que dizem! São empregados, trabalhadores!
Saiam!
Não é o que dizem! Que venham as autoridades!
São trabalhadores. Enganaram vocês!
Viemos para subir o Malinche!
Vamos rezar, porque estamos ferrados.
Canalha!
Querem roubar-nos!
Filho da puta!
Eu vou matar você!
Matem-nos!
Matem-nos!
O que está acontecendo?
Por que vocês vieram? Quem são vocês?
Por favor, senhor! Viemos para escalar o Malinche!
Você vê?
Você é o culpado disso.
Devemos levá-los para a cadeia.
Devemos levá-los para a cadeia!
Por favor, chame a polícia!
Leve-nos para a cadeia!
- Eles querem nos matar! - Leve-nos para a cadeia!
Por que vocês estão aqui?
Vou levá-los para a cadeia, eles não vão escapar...
Vou me assegurar para que os castiguem!
Cretinos!
Vocês devem me obedecer, porque senão os matam...
Vamos bater nesses cretinos!
Comunistas!
Aqui para roubar!
Desgraçado!
Eles puseram pedras lá para não deixá-los passar.
Vamos.
Morra de uma vez, filho da puta!
Quem os mandou, malditos? Os chefes comunistas!
Onde está a propaganda? As bandeiras?
Na casa do cretino do Lucas, verdade?
Quando vêm os outros?
Querem o Príncipe! Querem queimá-lo!
O que diabos está acontecendo?
Você se machucou?
Alguém deve ir trazer o Nicolas.
Que venha. Que eu disse!
Chame pelo telefone.
Eu vou chamar a Cruz Vermelha em Puebla.
Eles vieram, mas eles puseram pedras, não os deixaram passar.
Foram-se.
Livrem-se das malditas pedras!
E rápido! E tragam Nicolas!
Comunistas! Filho da puta.
Cristianismo, sim! Comunismo, não!
Cristianismo, sim! Comunismo, não!
Cristianismo, sim! Comunismo, não!
Cristianismo, sim! Comunismo, não!
Pelo amor de Deus! Por favor!
Agora se voltas a Deus? Canalha comunista!
Por favor, nós não fizemos nada! Eu só trabalho na universidade.
Nós não somos comunistas!
Onde está a propaganda? Onde estão as bandeiras?
Por favor, não me mate!
Tenho quatro filhos! Minha mãe.
Eu não sou um estudante. Eu só trabalho lá!
Onde está a propaganda?
Onde está o ônibus?
Quando vêm mais comunistas?
Queria levar os animais!
Eu vim para ver o que se passava com tanta gritaria.
Disseram-me que havia feridos.
Para chamar Puebla.
A ambulância.
A polícia.
E ao cruzar o pátio de minha casa
ouvi uns tiros.
E me senti ferido.
Viu quem foi?
Não.
Quando estiverem todos mortos
os levamos para a ravina.
Temos que queimá-los, que enterra-los para que as autoridades
não os encontrem!
Você!
Vá para casa!
Estão feridos! Foram pegos pelos comunistas!
Não deixem passar mais os comunistas.
Comeram e beberam e não pagaram!
Eu te disse.
Desgraçados...
Agora ele está ferido.
Por que ele. Por que só ele?
Pelo Príncipe Miguel.
Ele mesmo se feriu, estava guardando a arma.
Que me diz, como está?
Como estão seus animais?
Tudo bem, e os seus?
Vão bem.
Comunistas !
Já os mataram? Já os destroçaram?
Cale-se!
EXÉRCITO OCUPA UNIVERSIDADE
Não quero fazer nenhuma declaração.
Isso é mentira.
Mentira que queríamos colocar uma bandeira
Mentira que queríamos roubar um armazém.
Bem, os companheiros puseram o que lhes disseram na cidade.
A versão publicada é uma síntese de suas declarações
e das declarações recolhidas na cidade.
e das autoridades
Quero que diga aqui, diante de todos elas não são verdadeiras?
Ele disse que não!
Recordo tudo perfeitamente.
Minuto a minuto.
Mas cada um de nós viveu coisas independentes.
Pontos de vista diferentes.
Roberto disse que havia uma janela na casa do Sr. Lucas.
Eu digo que não.
Sim, no fundo, perto do altarzinho.
Lembro-me dos gritos na casa
Depois foi como um pesadelo. Até que veio a ambulância.
Calem-se!
Vão ser castigados!
Sabemos quem são os responsáveis pelo que se passa aqui!
Calem-se!
- O que você está fazendo aqui? - Somos da universidade.
Da universidade.
Onde estão as autoridades locais?
- Aqui estou, senhor! - Deixe-o passar!
Pergunte quantos vieram, como se chamam, onde vivem.
Quantos eram.
Cinco e os da casa.
Quantos morreram?
Creio que o dono da casa. Deixe-me ir para casa!
Carregue suas armas!
Se ficarem no caminho, disparem!
Vamos à ambulância.
Fora do caminho.
Se este homem morre, vocês se comprometem!
Agora sim eu vou para minha casa.
E vocês que são as autoridades, onde estavam?
Não podíamos fazer nada.
Você, o prefeito da cidade...
Olhe como você está!
Completamente bêbado!
Onde você estava?
Eu estava em Puebla.
Uns assuntos.
Na convenção.
Verdade?
Calma, estamos quase chegando, aguente.
Cortaram meus dedos!
Nós vamos ajudá-lo. Calma.
Eu não aguento mais!
Chame o Dr. Gonzalez.
Que barbaridade! Olha como chegou.
E ainda vive.
O que come que resiste tanto?
Já andam pedindo casa por casa.
Para se acertar com o governo
pelos mortos da Universidade.
Aos que se meteram e aos que não.
Por culpa de uns que incitaram o povo.
Agora toda a cidade está em julgamento.
E agora está em apuros com o Governo.
Estávamos mal...
Agora estamos pior!
...e adoram a Deus...
...os anjos cantam e adoram a Deus.
Bendito, bendito seja Deus...
Os anjos cantam e adoram a Deus.
Foram emitidos 17 mandatos de prisão, cinco foram submetidas a processo;
Duas saíram livres ao não provarem-se sua participação nos fatos.
Uma terceira foi condenada a oito anos,
Saindo livre dois anos depois
quando a sentença foi revogada. Os dois restantes foram condenados
a 8 e 11 anos de prisão e cumprem atualmente a sua sentença.
Nenhum dos identificados como os principais incitadores
foi submetido a processo.
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