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- Bom dia, Sr. Pes. - Bom dia.
- Eu o acompanho ao Dr. Vitelli. - Deixa, sei o caminho de cor.
- Bom dia. - Bom dia.
- Oi, Giulietta - Oi, Alessandro.
- Combinado no fim de semana? - Claro.
- Alessandro! - Massimo!
- Como est�? - Finalmente!
- Com licen�a. - Vamos, vamos.
Conhece o meu novo s�cio, Diego Spadafora?
- Acho que n�o. - Mas eu o conhe�o.
Sou um grande f� dele.
Diego � um aristocrata que ama o cinema.
Uma raridade.
N�o sabe, mas sem a ajuda financeira dele
n�o ter�amos feito muitos filmes.
Agora, finalmente, decidiu ficar s�cio da minha empresa.
Eu realmente acredito no projeto.
Ent�o... voc� trouxe?
N�o, ter� que esperar mais alguns dias,
mas n�o se preocupe, est� saindo algo muito surpreendente.
- Merda! Segue postergando durante meses! - Eu sei.
- N�o li nem uma linha! - Massimo, sabe como � feito.
N�o gosto de perder tempo com minhas coisas,
a n�o ser que esteja absolutamente convencido.
Conte qualquer coisa.
Na vida, como no cinema, o mais importante � o que n�o dizemos.
N�o se preocupe, o tema estar� aqui em uma semana.
Mas primeiro preciso de algo.
O qu�?
Um adiantamento... pequeno.
Bem-vindo ao maravilhoso mundo do cinema.
- Com licen�a. - Por favor.
Alessandro, � o �nico escritor
a quem dou dinheiro numa caixa preta.
- Mas este cheque � o �ltimo. - Tem raz�o.
Olha, � uma coisa incr�vel.
Bem. Tem algo para mim?
E por qu�?
Aqui est�.
Pronto, acabou.
Sim, mas agora...
- Aqui est�! Dr. Pes. - Sim? - N�o, eu digo...
O cheque est� pronto.
J� vou, eu o alcan�o.
- S� um segundo. - Sim
Se voc� n�o andar logo, estou fodido.
Caro Spadafora!
Recomendo o "ricciola", agora � �poca destes peixes.
O que voc� quer?
Me embrulha aqueles?
- Ricciolas? - Sim.
25.
Tinha raz�o em confiar.
Vou ter que falar em ingl�s,
sobre um assunto que sei pouco ou nada.
Qual seria o assunto?
"O valor do livro no mundo contempor�neo".
Uma verdadeira estupidez.
Tenho que encontrar uma maneira de sair disso.
Mas n�o pode, Arturo, voc� � o Ministro da Cultura.
Os livros s�o o seu "neg�cio principal".
Mas voc� tem que me ajudar,
preciso de algumas frases de efeito.
O ministro brit�nico � algu�m que gosta de se gabar.
Amalia, mas voc� est� me escutando?
O que voc� est� fazendo?
Estou trabalhando para voc�, Arturo.
Escuta isto:
George Bernard Shaw foi perguntado uma vez
se acreditava que o Esp�rito Santo tinha escrito a B�blia,
e o escritor respondeu:
"Cada livro que vale a pena reler,
para mim foi escrito pelo Esp�rito Santo".
- O que voc� acha? - � maravilhoso.
� maravilhoso, como voc� consegue fazer?
Assim, t�o de repente? Quero ver!
- Apenas leia. - Tem raz�o.
Vou preparar o peixe.
Preciso de pelo menos dez desses compromissos,
quero acabar com ele!
Como est�?
Maionese est� um pouco l�quida, mas o peixe est� bom.
Onde voc� conseguiu?
No mercado, m�e, na peixaria comum.
Desculpa.
- Sim? - Como estava o peixe?
Como sabe o meu n�mero?
� meu trabalho saber os n�meros de telefone.
Desculpa, mas quem � voc�?
Coloquei meu cart�o na sacola.
Voc� o encontrou?
Sim.
Tenho uma hist�ria que pode lhe interessar.
Venha me ver.
Quem era?
Um pervertido.
Estou feliz que tenha decidido vir.
Sente-se.
Sobre o que queria falar comigo?
Posso lhe oferecer uma hist�ria muito especial,
que voc� nunca teria acesso,
mas aconselho a n�o falar de mim com ningu�m, nem com o seu pai.
Pode ser perigoso para sua m�e e voc�.
Por qu�? Conhece a minha m�e?
N�o se preocupe com quem eu conhe�o.
Eu a escolhi porque, como eu, voc� faz do sigilo um culto.
Se quiser escrever esta hist�ria,
deve permanecer nas sombras.
Estamos na garagem subterr�nea de uma cidade grande.
Um homem elegante, com um rosto tipicamente anglo-sax�o,
perambula com um olhar perdido.
Posso ajud�-lo?
Pode me dizer onde posso pagar?
Por ali.
� muito gentil, obrigado.
E agora veja como o jornal informa as not�cias.
Preso um vagabundo em um estacionamento da capital.
Ele � acusado da agress�o...
que ontem causou a morte do famoso
cr�tico de arte brit�nico John Morris.
O homem, psiquicamente perturbado
e com v�rios antecedentes criminais,
confesssou o horr�vel crime.
De onde veio esse vagabundo?
- Eles inventaram. - E como voc� sabe?
Sigilo profissional.
Que t�tulo voc� daria � sua hist�ria?
"Uma hist�ria sem nome".
Mam�e!
N�o dormiu nada?
- O que � isto? - O que �, � um tema.
Estou revisando os erros ortogr�ficos.
Olha, m�e, faz um favor?
Pode tocar a campainha da pr�xima vez antes de entrar?
Porque esta � a minha casa agora.
Quantas hist�rias!
- Voc� � minha filha, n�o? - Sim, mas prometa.
Tudo bem, eu prometo.
Obrigada, me trouxe a��car mascavo.
- Quem escreveu? - Alessandro Pes.
Vamos!
Por que n�o o v� mais?
Isso � assunto meu.
N�o � ruim. O que voc� acha? Gosta?
N�o sei.
Me d� aqui,
agora chega.
N�o pode ler tudo.
Al�?
Al�? Sou Valeria Tramonti, bom dia.
Est� doente?
Sim, pela voz pode perceber que tenho um pouco de febre.
Muita tosse, estou na cama enrolada
porque n�o estou me sentindo bem,
Ficarei assim pelo menos alguns dias.
Oi.
Aqui est� o seu tema.
S� falta o final.
Do que se trata?
Desta vez voc� ter� que fazer pelo menos o esfor�o de ler.
Quer me fazer chorar? Por que essa coisa agora?
- Tenho que ir. - Nem vai tomar um caf�?
Eu j� tomei.
Pes.
- Gostou? - Gostei?
� �timo, Diego!
Diego, olhe aqui! Pessoal, vamos l�...
conseguimos!
Valeria!
Queria dizer que gostou do tema. O produtor decidiu tocar.
Bem, agora voc� ter� que escrever o roteiro.
- � assim que se chama, n�o? - Sim, claro.
E desta vez tamb�m n�o assinar�.
Esta � uma hist�ria que, como n�o h� nenhuma como ela,
desenvolvida para a imagina��o mais selvagem,
que remotamente poderia imaginar.
O lugar: uma vila no mar.
O protagonista: sempre o mesmo cr�tico ingl�s de arte.
O fato remonta alguns dias antes
de seu assassinato no estacionamento.
� "A Natividade", n�o h� d�vida sobre isso.
Conte-nos em que condi��o encontrou o quadro.
Ele passou por muita coisa, mas ainda est� intacto.
Quanto pode valer?
- Uma obra-prima n�o tem pre�o. - N�o seja rid�culo.
Tudo tem um pre�o.
150 milh�es.
Posso lhe fazer uma pergunta?
- Sim. - Por que o tem naquela piscina?
Isto � o que combinamos para voc�.
Quem eram aqueles homens?
Eu adoraria saber.
Eu s� conhe�o um.
Seu nome � Romeo Agate, � um dos fugitivos...
mais procurados no mundo.
Mas a cara dele n�o � mais assim.
Aparentemente, se submeteu a uma opera��o facial pl�stica.
� assim que poderia parecer hoje.
Pode ficar, s�o c�pias.
E o quadro?
Este Caravaggio teve uma vida muito atormentada.
Rua da Imaculada Palermo, 1969
Foi roubado pelos mafiosos h� 50 anos
de um orat�rio em Palermo.
- Eles pegaram. - Melhor assim.
Entra que est� frio.
Desde aquele dia, os chefes da m�fia
continuaram passando-o de m�o em m�o.
At� que um arrependido disse a um juiz...
que a tela foi dada de comer para os porcos.
Sejam verdadeiras ou falsas, as hist�rias que nos contam
nunca s�o o que parecem.
O quadro � provavelmente de um dos participantes da reuni�o
que estava l� para compr�-lo.
Neste momento, a m�fia precisa fazer dinheiro.
Morris falou com voc� sobre isso?
Sim, ele veio me ver imediatamente
depois de fazer a avalia��o.
- Al�? - Sim? - Escuto longe, onde est�?
Estou na Sic�lia, num convento muito isolado,
h�spede de um amigo frade.
Preciso de concentra��o total. Desculpe por um momento.
Desculpe, me v� um tamarindo?
- Quer algo? - N�o.
Um tamarindo, obrigado.
Desculpe, era minha vez de confessar, fale.
Desculpe incomod�-lo,
s� queria lhe dar uma boa not�cia.
Os chineses toparam o nosso filme.
A cena do cr�tico com os olhos vendados deixou eles alucinados.
Mas como voc� se mete nessas situa��es?
Tr�s quartos de disciplina e um quarto de talento.
Enfim, tenho outra boa not�cia para voc�, sabe?
S� que se quiser saber do que se trata,
ter� que abandonar seu ref�gio.
Sr. Kunze!
Mestre, decidiu realizar outro filme?
H� um ano anunciou que deixaria o cinema.
� verdade, mas com todo esse dinheiro na mesa...
n�o se pode recusar!
Pode dizer do que se trata?
� um filme sobre crime.
- Sobre o crime perfeito. - E como �?
O crime � perfeito quando n�o existe.
Quando n�o deixa vest�gios.
Prazer em conhec�-lo, Sr. Kunze. Sou Riccardo...
- O seu int�rprete. - Esta � uma boa not�cia.
- A prop�sito, Diego... - Diga, Condessa.
Lemos as not�cias do seu novo filme.
A hist�ria do roubo do quadro parece muito intrigante.
� uma bomba.
E pensar que s� demos aos jornais um pouco de...
inspira��o.
Ouvir� muito sobre isso.
Como consegue certos filmes?
N�o os escrevo sozinho, entro s� com o dinheiro.
- Quer uma carona? - Obrigado.
Quem escreveu o filme de que falava?
Alessandro Pes.
Um grande escritor.
Imagine que o roteiro ainda n�o acabou,
ele nos envia as cenas pouco a pouco.
Foi inspirado em uma hist�ria real?
Mas n�o!
� um filme inventado.
Est� brincando?
A hist�ria � verdadeira.
Nossos amigos n�o ficar�o felizes que voc� a espalhe.
De quem Pes ficou sabendo?
De quem soube? Mas o que voc� est� dizendo?
Deixe-me ler as p�ginas do roteiro.
Escuta, Diego,
fizemos esta aposta s� porque nos tinha garantido...
que poderia controlar a empresa de cinema do seu amigo.
Nem eu nem os outros jamais ter�amos pensado...
em por nosso dinheiro nas m�os dos criadores.
Mas n�o entendi... absolutamente
que seu quadro fosse um Caravaggio.
Neste caso, nem sequer entendeu agora.
Voc� apenas se limitou a entrar em contato com o Sr. Morris.
Um perito de arte muito bom,
mas muito falador para os nossos gostos.
Mas ent�o n�o foi um acidente?
Voc� � quem est� dizendo isso.
E a hist�ria do vagabundo no estacionamento?
Sabe-se l�.
Talvez fosse um siciliano.
Olha, ainda temos tempo.
Se quiser acabar com o filme, � s� querer.
Isto seria outra merda.
- Desculpe, voc� � o motorista? - Sim.
Por que esta mudan�a de plano?
J� que est� na Sic�lia, neste belo convento,
o diretor preferiu realizar a reuni�o em Palermo.
Siga-me, h� um pequeno caminho a percorrer.
Desculpe, mas falta muito?
Uns vinte minutos.
Desculpe, para onde vamos?
Para um lugar lindo, siga-me.
Espere um pouco, deixe-me fazer pelo menos uma liga��o.
Pelo menos isto.
Irene? Eu te amo... Al�?
Al�?
Daqui para frente n�o tem mais sinal. Siga-me.
N�o reconhece este lugar?
- N�o entendi. - N�o se lembra daqui?
N�o, mas quem � voc�?
Quero ver Vitelli, Spadafora, tenho um encontro
com o diretor, Kunze, onde ele est�?
Vamos! N�o reconheceu a piscina?
� a sua casa, n�o?
Sente-se, sente-se.
- Sr. Pes. - Sim.
Quem lhe contou a hist�ria do estacionamento?
Ningu�m. Eu inventei, como sempre.
Tem certeza?
Desculpe, isto � uma reuni�o de roteiro ou um interrogat�rio?
N�o se preocupe, Alessandro.
Estamos aqui para refrescar sua mem�ria,
mas deve nos dizer por que conhece os personagens t�o bem.
N�o tenho que lhe dizer nada.
S�o personagens da minha imagina��o.
S�o os meus fantasmas.
Como disse Flaubert:
"Madame Bovary sou eu".
Caro amigo, n�o damos a m�nima para o seu Flaubert.
S� nos interessa saber
quem � esse "sujo" que lhe disse estas coisas?
Mas que "sujo"? N�o existe "sujo".
Mas ent�o, como fala, n�o faz parte do meu c�rculo.
Posso saber quem � voc�?
Voc�! Que tem o jeito de uma pessoa decente,
fa�a-os raciocinar, diga para me deixarem ir.
Olha, n�o estamos brincando. Conv�m dizer tudo e agora!
S� estou escrevendo um filme.
Ent�o certamente saber� como vai acabar.
O que ser� da pintura de Caravaggio?
N�o sei, s� estou nas primeiras p�ginas,
ent�o a imagina��o vai e vem...
e honestamente agora mesmo tenho um grande vazio na minha cabe�a.
Onde esteve ontem � noite?
N�o me lembro, passou muito tempo.
Como est� dormindo?
De pijama ou de camisola? Nenhum dos dois.
Pus apenas duas gotas de perfume franc�s.
- Que diabos est� dizendo? - Parecem piadas num filme.
Est� brincando?
Alessandro,
este roteiro � mesmo seu? Outra pessoa n�o escreveu?
O que est� insinuando? Sou eu.
Sou o General Della Rovere!
Eu n�o vou dizer nada.
Entende?
Cara de merda!
Filho da puta!
Foi socorrido ao amanhecer em um estacionamento do aeroporto.
Um an�nimo chamou a ambul�ncia. Foi encontrado no ch�o.
Provavelmente um roubo deu errado.
� s�rio?
Est� em coma profundo.
Ainda n�o sabemos se pode acordar.
- Ele falou, disse alguma coisa? - S� o nome de uma garota.
Valeria?
N�o... Irene.
Valeria Tramonti. Muito prazer.
Prazer em conhec�-la, Irene.
Viu como aqueles bastardos o deixaram?
Ele at� me ligou, mas a linha caiu.
� colega dele?
N�o, sou apenas uma amiga, tamb�m trabalho no cinema,
mas como secret�ria.
� por isso que ele nunca me falou de voc�.
N�o sabe como � um g�nio!
Nas f�rias desaparecia por meia hora
e voltava com 30 p�ginas escritas.
Uma facilidade para escrever que n�o te digo!
Sim.
Voc� sabia.
A pol�cia est� convencida de que foi roubado.
N�o foi um roubo. Foram eles.
- As mesmas pessoas que mataram Morris? - Sim.
E como sabe?
� o meu trabalho.
Aqui est� John Morris no momento de sua estada em Palermo.
- E isto? O reconhece? - Spadafora!
O dinheiro que investe em filme n�o � dele, mas deste advogado.
Que � um candidato da Cosa Nostra.
N�o acredito!
Sempre houve um grande "feeling"
entre o mundo do cinema e do crime.
Deus...
Est� dizendo que Alessandro est�
em coma por causa da minha hist�ria?
Receio que sim.
Mas n�o se culpe.
- Estou tonta. - N�o, n�o.
- Descanse. - Obrigada.
Est� melhor?
Venha, mas n�o fa�a barulho.
Este � o quarto ao lado.
N�o se preocupe, nunca encontrar� o microfone...
� invis�vel.
Quem �?
Acho que � a amante dele.
- De quem? - De Agate, o fugitivo.
Ele usou este quarto para seus encontros...
e ela vem todos os meses regularmente.
Quase parece que o espera.
Passa os dias na frente do espelho,
�s vezes, at� dorme.
Mas ele n�o apareceu at� agora,
e � estranho.
Valeria, esquece essa hist�ria.
Tornou-se muito perigosa,
com certeza encontrar� uma melhor.
N�o. Nunca deixei uma hist�ria pela metade.
"O cinema � uma inven��o sem futuro". Louis Lumi�re.
Por favor.
Bom dia. Senhora, senhores... Sr. Kunze.
Desculpem o atraso.
Tive um contratempo.
Eu queria agradecer pela escolha do meu int�rprete.
Parece um deus grego.
N�o agrade�a a mim, mas ao meu s�cio.
Foi ele quem cuidou disso.
Bem, vamos come�ar.
Primeiramente, gostaria de dar as boas vindas
ao Sr. Deng, presidente da sociedade Blue Dragon.
- Dr. Spadafora, bom dia. - N�o estou para ningu�m!
Al�?
Que diabos voc� fez? Quase o matou!
Mas agora quem resolve essa hist�ria? Fala pra mim.
- Spadafora j� voltou? - Sim, est� no quarto.
Nem sonhe com isso!
Diego!
Desculpe, tenho que deix�-lo.
Os chineses querem saber como termina a hist�ria do quadro,
e tamb�m querem ver Alessandro! N�o sei o que dizer.
Estamos ferrados.
50 p�ginas maravilhosas,
um filme que se vende em todos os lugares
e este imbecil tem o c�rebro esmagado!
Massimo, por favor, calma.
Ver� que Pes deixou algo, um script ou uma anota��o.
N�o! Estou voltando agora da casa dele e n�o tem nada.
Revirei o est�dio inteiro.
Seu computador est� vazio! Al�m de mil jogos de p�quer,
n�o h� absolutamente nada!
Pensa, � incr�vel, ele tinha
tudo na cabe�a e escrevia de repente.
N�o sei como continuar!
Basta por uma dezena de roteiristas escravos
e deixar que Kunze escolha o melhor.
� s� Kunze ficar sabendo...
que vai nos abandonar!
Pensei que, como sempre, tudo correria bem,
voc� colocava a cara e eu a hist�ria.
Quem poderia ter imaginado?
Alessandro,
voc� chamou de colabora��o,
mas vamos dizer como as coisas s�o:
voc� n�o tinha escrito uma �nica linha durante anos.
Sim, tudo bem, �s vezes uma ideia, mas nada importante.
Puro neg�cio.
Agora, n�o quero critic�-lo,
eu nunca fiz e voc� n�o far� ainda agora que est� assim,
mas sim, � verdade que o cinema � metade sedu��o...
voc� nos seduziu a todos,
foi um campe�o absoluto.
Seduziu produtores e distribuidores,
atrizes, atores, cabeleireiros, maquiadores,
figurantes, estagi�rios,
Alessandro... os jovens!
E ent�o, entre uma transa e outra,
quando lhe restou tempo,
me seduziu tamb�m.
E o que eu fiz?
Eu te dei todo meu amor, minha fantasia,
e em troca voc� me tratou como uma idiota.
Meu amor,
sua hist�ria vai sobreviver:
"Uma hist�ria sem nome" de Alessandro Pes.
Gostou?
Gostou.
Alguma novidade?
N�o? Meu Deus.
Lamento, eu sei, � muito dif�cil.
Ele estava escrevendo uma parte maravilhosa para mim,
era a oportunidade da minha vida.
Pensando bem, haveria um papel...
e voc� seria perfeita.
E como voc� sabe?
� a �ltima cena que escreveu, tinha acabado de entregar.
S�rio, a �ltima?
Sim. Voc� tem que fazer o teste.
Que papel � esse? Fale mais.
� um belo papel.
Posso at� sugerir roupas.
- Vamos? - Sim.
E como estou?
- Como uma puta. - Como uma puta?
Santa e puta.
Uma personagem arriscada.
Mas voc� consegue interpretar.
Chegaram e-mails dele ontem � noite
e ele est� em coma h� tr�s dias.
Mas quem poderia ter enviado?
Um mit�mano ou um louco.
Leia, � tudo muito bom!
Este "mit�mano", como voc� diz,
conhece a hist�ria, escreve como Alessandro,
� preciso inclusive na na numera��o das cenas.
Voc�, Spadafora, se comportou como
um incapaz, se me perdoar, como um imbecil.
Mas... estes s�o termos que machucam,
ent�o, por caridade, entendo suas raz�es, n�o permita.
Obrigado.
Para... minha defesa, s� posso te dizer
que quando Pes teve esse desagrad�vel acidente,
tinha quase certeza que o filme seria interrompido.
Mas ent�o voc� n�o entendeu?
Estamos pouco ligando se este filme vai ser feito ou n�o.
Nosso problema � outro:
Quem conhecia a hist�ria al�m daquele roteirista est�pido?
E sobretudo quem conhece a outra parte da hist�ria,
aquela que ainda n�o aconteceu.
- A outra parte? - Sim.
Certo, doutor, acho que n�o entendi muito.
N�o importa.
Quanto menos souber, melhor ser�.
- Mas ainda pode ser perdoado. - De que maneira?
Ajudando-nos a tirar o quadro de Palermo.
E como, doutor?
Em Palermo h� postos de controle por todo lado.
Se voc� que trabalha no n�cleo para obras roubadas, quem...
Est� brincando?
Meus colegas n�o devem saber de nada.
Consiga outra ideia e n�o perca tempo,
temos que levar o Caravaggio para Roma
o mais r�pido poss�vel. At� logo.
Como est� seu amigo, o roteirista?
Estacionado.
Coitadinho.
Sabe o que era bom no roteiro que estava escrevendo?
Que todos os personagens eram falsos, ningu�m se salvava.
Inclusive o investigador.
Como o investigador tamb�m? Principalmente o investigador!
Ele era o mais amb�guo de todos.
Valeria? Valeria! Pegue.
- Sim. - Pegue. � sua.
Como est� distra�da! N�o gosto de jogar assim.
- Tenho que sair. - Agora? Nunca sai a esta hora.
- Eu sei, eu mudei, mam�e. Acostume-se. - Tem namorado?
Estou convencida de que sabia desde
o in�cio quem era Spadafora.
Ele me escolheu s� porque trabalhei para voc�.
N�o � assim.
Eu esperava que o vazamento fosse atribu�do � Spadafora.
Para atingir Spadafora, mandou meu amigo ao massacre.
Pelas minhas informa��es,
Pes teve que voltar de f�rias duas semanas depois.
- Est� mentindo! - N�o!
E voc� tamb�m sabe.
Estava protegida pelo anonimato
e eu nunca a colocaria em risco.
N�o acredito em voc�.
Ent�o n�o est� mais interessada nessa hist�ria?
Qualquer dia vai precisar de mim de novo.
Eu tenho o fio da hist�ria.
Est� enganado.
Posso fazer isso muito bem sozinha.
Sim? O que foi?
O cheque para o Sr. Kunze.
Venha.
S� acho que � uma loucura continuar deste modo,
com as cenas que chegam pouco a pouco.
- E o que gostaria de fazer? - Parar.
Pressionar a este senhor X para que se apresente.
Ele certamente n�o pode fingir permanecer no anonimato.
As cenas s�o maravilhosas.
Se o nosso autor quer ficar no anonimato, o que importa?
Francamente, essas �ltimas cenas
n�o me parecem � altura da primeira.
A m�fia n�o se comporta
como imagina este misterioso roteirista.
Por qu�?
Voc� conhece t�o bem a m�fia...
e os mafiosos?
N�o, o que isso tem a ver?
- N�o sei nada sobre isso. - Ent�o cale a boca.
Ser� um al�vio para nossos ouvidos.
Diego!
O cheque.
Olha, Vitelli...
no roteiro, h� cenas que poder�amos filmar agora.
Quero ir para a Sic�lia imediatamente para film�-las.
Mas nem sequer fizemos as loca��es.
Estou acostumado a trabalhar com rapidez.
Vamos fazer as duas coisas.
Certo, diga a ele para me dar alguns
dias para organizar a viagem.
Certo! Mas deve me prometer mais uma coisa.
Tem que manter Spadafora longe de mim.
- Valeria! - Sim?
Talvez...
a �nica solu��o seja voc� cuidar da organiza��o.
Eu?
- Sua secret�ria. - Sim.
Pode confiar nela cegamente.
Parab�ns pela promo��o.
Obrigada!
Vamos terminar passando muito tempo juntos.
Olha, mas este Sr. X...
voc� alguma vez j� o viu?
E como voc� faz o pagamento? N�o est� lhe dando os cheques?
Que eu saiba, ele trabalha de gra�a.
E como voc� o imagina?
Um cara de apar�ncia normal, o cl�ssico insuspeito,
um daqueles esquizofr�nicos
que ainda vive com sua m�e aos 40 anos.
A grosso modo, quanto... que tempo temos para...?
- Em que sentido? - No sentido de que...
Eu lhe digo que os tempos s�o apertados, muito apertados.
- Est� bem. - N�o podemos dar ao luxo de cometer erros.
N�o se preocupe.
- Quanto tem? - N�o sei, vamos ver.
Estes s�o os documentos, explique o que tenho que fazer.
Deve abrir todos os arquivos dos filmes dos �ltimos dez anos.
Minha m�e, dez anos?
Dr. Spadafora!
Eu tinha esquecido isso,
pensei que n�o havia mais ningu�m.
Mande-a embora.
Est� procurando algo? Posso ajud�-lo, talvez...
Olha, Valeria...
N�o podemos embarcar...
na produ��o de um filme t�o caro
sem saber quem est� escrevendo.
- Claro. - Entende, n�o?
Sim, sim.
N�o, n�o, n�o.
Devo admitir, Dr. Spadafora, que
todos estes mist�rios me angustiam.
Exatamente.
H� um amigo meu, um perito em inform�tica,
que est� instalando um sof...
- Software? - Software!
Para tentar entender de onde partem os e-mails do Sr. X.
Vamos! Vou lhe mostrar.
Infelizmente, n�o sei muito sobre
essas coisas, Dr. Spadafora.
N�o se preocupe, Valeria.
Veja, precisamos de todos os temas, os roteiros,
as listas,
tudo o que Pes escreveu ao longo dos anos para esta produtora.
Sim, querido!
Sim, eu li, e estou muito emocionado.
Foi realmente um soco no est�mago.
Para que precisa dos arquivos antigos?
Se as cenas foram enviadas pelo nosso Sr. X,
Pes se via for�ado a cada vez criar um novo arquivo
para cancelar o original, mas �s vezes, esperamos,
poderia ter se esquecido.
Mas os antigos roteiros n�o foram escritos pelo Sr. X.
� um pouco ing�nua, n�o?
Por que acha que ele...?
� verdade...
Desculpe. Sim!
Acha que � f�cil conseguir certas imagens?
Olha, h� algo muito forte, e h� o suficiente para todos.
Temos que falar de novo sobre minha compensa��o.
Olha, n�o me encha o saco.
Terminamos aqui, podemos ir.
Tirei meus sapatos.
N�o suporto a noite.
Sim, pode tirar o que quiser.
Precisa da minha ajuda para orient�-lo nos arquivos antigos?
Sim...
Mas o que diria sobre fazer em casa confortavelmente?
- Posso falar de voc�, Valeria? - Claro.
- Qual � o seu nome? - Muzio.
Como Muzio Scevola.
E o que fazemos com Spadafora?
N�o tem problema.
Saio primeiro e te espero depois de virar a esquina.
Bravo. N�o quero que fa�a uma m� imagem de mim.
Encontrado.
O Sr. X � uma mulher.
Amalia Roberti, lhe diz algo?
Espera!
Venha e olhe, nada mal.
Venha!
N�o sabia que era t�o louca.
Sabemos o que somos, mas n�o o que poder�amos ser.
O que � isso, um enigma?
N�o, � Hamlet, Shakespeare!
Sim... Shakespeare.
Ignorante.
- Muito apertado? - N�o, n�o. Vamos, vamos!
Ainda tem que ter paci�ncia.
Ainda?
Onde vai?
� uma surpresa.
Pode falar.
Estou com um amigo de Spadafora, t�cnico de inform�tica.
- Por qu�? - Valeria!
Valeria!
- J� vou! - Que gritos s�o esses?
N�o me fa�a perguntas, ou�a.
Esse cara pegou os dados do computador do Vitelli,
e n�o sei porque e nem como, chegou � minha m�e!
Sua m�e?
Por um tempo enviei arquivos
do Pes de um computador antigo da minha m�e.
E onde est� o cara agora?
- Eu o amarrei na cama. - O qu�?
� um jogo er�tico que vi fazer em um filme.
Voc� est� louca! Saia da� imediatamente.
Me d� o endere�o e saia da�
imediatamente!
- Foi muito gentil em vir. - Imagina.
Quero retomar o discurso iniciado ontem.
Aconteceu algo novo?
Para dizer a verdade, n�o.
Mas Muzio... desapareceu.
N�o se encontra em nenhum lugar,
procurei no escrit�rio dele, tamb�m.
E o que aconteceu com ele?
A pol�cia...
Encontraram a gravata dele amarrada na cabeceira da cama.
Talvez um jogo er�tico.
Mas � uma coisa terr�vel!
� o que me diz. Terr�vel...
Escuta, nos pr�ximos dias,
na Sic�lia, poder� passar muito tempo com Kunze.
Tente descobrir se ele est� escrevendo...
o maldito roteiro!
Est� me pedindo para espion�-lo?
Mas n�o, estou apenas dizendo para
voc� tomar cuidado com o que faz, o que diz.
� uma garota muito bonita, Valeria.
Nunca espionei ningu�m, mas posso tentar.
Tenho certeza que far� muito bem.
- Minha m�e tamb�m est� l�! - E qual �?
- Aqui est�. - Caramba!
Uma linda mulher.
Este, por outro lado, � Nobis, o poderoso
subsecret�rio da Presid�ncia...
com delega��o ao servi�o secreto,
o conhece tamb�m?
N�o.
N�o...
Mas como Muzio tem todas essas imagens?
N�o � dif�cil, h� c�meras em todos os lugares.
Em bares, restaurantes, na rua, nos banheiros!
E h� os telefones celulares e as microc�meras de bolso.
Em resumo, a oferta � intermin�vel.
- Ele tamb�m? - Sim, o Presidente do Conselho.
Aqui est� ele em sess�o com a psicanalista.
Ent�o Muzio espionou os homens do poder para chantage�-los?
Ou para amea��-los.
Vai me ajudar a entender as raz�es.
Eu?
Sim, sou aposentado.
N�o tenho colaboradores,
e n�o tenho que prestar contas a ningu�m.
Vou a Palermo tamb�m.
Kunze me aceitou pelo personagem!
Tudo gra�as a voc�.
Dizem que a m�sica vai acord�-lo do coma.
Te viram bebendo em uma fonte,
esse n�o era eu.
Te viram nua pela manh�,
mesquinha, travessa.
Contanto que n�o me desnude...
- Era a m�sica favorita dele. - Eu sei.
E foram espancados, Deus, que surra!
Te viram levantar sua an�gua...
sua an�gua at� o cabelo.
Que negro!
Ent�o me disse "pobre homem",
"seu sexo no banheiro".
Saiu com sua amiga,
alta, grande e com aquela vagina.
Ambos fazendo algo importante,
�nico e grandioso...
Por que mudou seu penteado?
- Ent�o, n�o gosta? - Sim, um pouco Nikita.
E os �culos?
Coloquei lentes de contato, queria mudar.
Estranho, voc� nunca quis mudar.
Nunca diga nunca, mam�e.
E voc� nunca seguiu um filme.
Muitas novidades,
acho que est� escondendo algo de mim.
Olha quem est� falando!
- N�o faz outra coisa na vida. - N�o fale bobagens.
A �nica foto dos meus pais juntos.
Voc� a deixou em um livro.
N�o sabe que para um crime perfeito
tem que eliminar todas as provas?
E... a��o!
Corta!
Mais r�pido.
O cinema morreu quando o p�blico decidiu usar seus ouvidos,
al�m dos olhos.
Ent�o, eles abriram suas bocas vorazes
e vomitaram palavras, palavras, palavras, bl�, bl�...
Sabem quem disso isso?
Gloria Swanson, em "Crep�sculo dos Deuses".
Bem, o e-mail acabou de chegar,
agora encontraremos o ponto de partida.
� o hotel onde a empresa est�.
- T�rreo? - Sim, obrigado.
Parab�ns.
Embora a mat�ria-prima seja toda minha,
fez um trabalho excelente.
S� que, para ser sincero,
as �ltimas p�ginas s�o um pouco fracas.
Como as leu?
Estou preparado.
Por que est� aqui?
Porque quero ajud�-la a escrever o final.
O que acha?
- Angelo, � perfeito. - N�o est� mal.
Kunze antecipou as filmagens
e nos deu menos tempo para preparar.
Olha, h� muita dist�ncia entre o bra�o e a asa do anjo.
Errei sobre a inclina��o.
E o pacote, o que me diz?
O transporte est� programado para ter�a.
Eu recomendo.
Meu sogro n�o deve suspeitar de nada,
deve ser uma surpresa.
E certifique-se de fazer um pacote discreto,
do tipo que n�o d� para notar.
Boa noite.
Est� aqui?
Vamos pegar o quadro, esperem aqui.
Por favor.
Cuidado pessoal, vamos!
Devagar.
Quem fez isso?
Venha aqui.
Venha, venha aqui.
E anda com o carrinho!
Aten��o para os lados!
Ainda "mais chuva"!
Mais �gua, mais �gua!
Parem!
Muito bem, bravo pessoal.
Desliga.
Me d� aqui.
Est� feito.
Quando o ferramenteiro vier, entregue o quadro falso.
E ferramos eles.
Onde est�o as irm�s?
Estamos aqui, mestre!
Voc�s s�o irresist�veis!
O que descobriu?
Spadafora substituiu a c�pia de Caravaggio pelo original.
E a fez desaparecer.
E como voc� sabe?
Notei na proje��o.
Nosso pintor tinha deixado de lado os detalhes,
na verdade, a asa e o bra�o do anjo tinham um pequeno defeito,
em vez disso, o que vi nos jornais
estava intacto, perfeito.
- E quando o quadro partiu? - Ontem a noite.
A essa altura, j� ter� chegado.
Pena que perdemos uma boa oportunidade.
N�o acredito que seja a �nica.
No computador de Muzio, entre outras coisas, descobri...
que ele e seus s�cios estavam
esperando uma reuni�o no Palazzo Chigi.
Pode ter algo a ver com Caravaggio.
Com certeza.
� nossa �ltima noite aqui em Palermo
e ainda n�o me ofereceu uma bebida.
E...
Est� bem.
Entre.
- U�sque? - �timo.
Mas voc� � sempre t�o controlada...
ou �s vezes se deixa soltar?
Deve haver algo especial.
Tentarei fazer o melhor que puder.
Riccardo...
Bom dia.
- O que faz? - Te olho.
Tchau, Palermo
Ent�o, Alessandro, como est�?
Acho que est� melhor.
Est� com uma cor bonita esta manh�.
Realmente est� melhor?
Bem, para os m�dicos, � estacion�rio.
Mas, n�o me custa nada ser otimista com ele,
ent�o confesso que tenho uma impress�o estranha,
�s vezes, quando estou aqui, sinto-me vigiada.
Tamb�m tente falar com ele, ver� que lhe faz bem.
Tchau, Alessa!
- At� logo. - At� logo.
Cl�nica. Durante o dia.
A enfermeira abre a persiana. Antes de sair, apaga a luz.
Nas sombras vemos o contorno do fugitivo deitado na cama.
O rosto coberto por uma bandagem vistosa,
o fugitivo se levanta, ent�o, lentamente,
come�a a remover as bandagens.
No espelho seus l�bios se movem estranhamente, e murmuram:
"A partir de hoje este rosto ir� proteg�-lo".
Parab�ns, nada mal.
Sabe, aquela enfermeira tem uma voz muito sexy.
Foi ela quem me acordou.
- Quando voc� saiu do coma? - Faz dois ou tr�s dias...
No m�ximo uma semana, n�o me lembro.
Mas n�o posso ficar muito tempo,
por favor, fecha a persiana...
que poderia voltar.
Sim, claro.
O que que est� fazendo?
Avante, filhos da p�tria
O dia da gl�ria chegou
- Irene sabe? - N�o, est� louca, n�o contei a ningu�m!
E por qu�?
Se descobrem que sa� do coma, me matam.
N�o, por enquanto estou aqui em coma, lindo, lavado, penteado,
por outro lado, o cateter tem o seu motivo.
E quanto tempo quer ficar?
Enquanto estiverem soltos, n�o vou sair daqui.
- Os tapas doem. - Sinto muito.
- Tudo por minha culpa! - N�o.
Na verdade, h� tamb�m pequenas vantagens.
Que significa?
Me fez querer escrever de novo.
S�rio?
Ent�o � fant�stico! Falta todo o final.
Senti sua falta.
Eu tamb�m.
Sim.
Ent�o, voc� o encontrou?
N�o. Nenhum sinal do roteiro.
N�o � ela?
N�o, Valeria, n�o tem nada a ver com isso.
Que merda!
De uma pessoa assim n�o poderia esperar
que escrevesse "A Odisseia"!
Estamos no ponto final.
- Te ligo depois. - Por qu�?
Para quem trabalha, Riccardo?
Para quem pague.
Viu que n�o disse nada sobre Valeria para ningu�m.
Por qu�?
Est� apaixonado por ela?
Nem sabe do que se trata?
N�o queriam me dizer.
Na verdade, me pediram para n�o falar com ningu�m:
"� uma reuni�o que n�o existe oficialmente", disse Nobis,
o subsecret�rio da Presid�ncia.
Boa reuni�o secreta!
Quem sabe o quanto voc� se diverte!
Amalia, voc� n�o entende. Voc� vir� comigo.
Durante a reuni�o, poderiam me
fazer perguntas que n�o posso responder.
N�o, nem pense nisso.
Amaliuccia, sabe que sem voc� estou perdido.
Escutei a conversa entre minha m�e e Onofri.
Amanh� � a reuni�o secreta no Palazzo Chigi.
� a reuni�o que Muzio esperava.
Chegou o momento...
que Amalia... � o nome dela, n�o?
Sim.
- Nos d� uma m�o. - Est� brincando?
De modo algum.
Sua m�e cuidar� para que o Ministro fa�a sua parte.
Voc� n�o a conhece, nunca far� uma coisa dessas.
- Voc� ir� convenc�-la. - O qu�?
Esta � a nossa �nica possibilidade.
Mam�e!
- O que est� fazendo? - Estou lendo.
Por favor, me deixa ler, quero ver como termina.
- Vamos! - Por favor, mam�e, por favor!
Mas sabe que Pes � bom. Eu o havia subestimado.
N�o se consegue parar de ler.
O que est� acontecendo? Por que est� me olhando assim?
Mam�e, � hora de confessar algo.
O qu�?
Os roteiros do Pes s�o escritos por mim.
Voc� os escreve?
E desde quando?
- Durante anos, mam�e. - V�rios anos?
Tudo come�ou por acaso, no escrit�rio.
Alessandro sempre me deu o fio
e de vez em quando, depois das reuni�es,
vinha sentar-se ao meu lado.
Um dia, ele teve uma ideia sobre um assunto.
Devo dizer que a ideia foi �tima.
Mas ele n�o sabia como continuar,
e ent�o eu por divers�o...
comecei a inventar uma hist�ria,
era muito boa, e ele ficou sem palavras.
E ent�o prop�s uma sociedade.
Que sem vergonha!
N�o, foi t�o f�cil que aprendi muito r�pido.
Quer dizer, ele deve todos os sucessos a voc�?
Mas fui eu quem quis assim.
E por qu�?
Como por qu�? Como por que, mam�e?
Eu aprendi com voc�.
Por que n�o me contou?
Tinha medo do seu julgamento.
E o enredo? De onde vem o enredo?
Isso n�o posso contar.
Vamos!
Sabe que sou muito boa em guardar segredos.
Mam�e...
Tudo bem.
Mas primeiro voc� tem que me fazer um favor.
Estas s�o as chaves da entrada lateral do Palazzo Chigi.
V� at� o primeiro andar, � direita
h� uma sala de servi�o, ningu�m vai incomod�-lo l�.
Estamos lan�ando uma s�rie de medidas...
para ajudar as pessoas sem renda e os idosos.
Daremos not�cias depois do pr�ximo Conselho.
Desculpe, mas preciso ir agora, tenho um compromisso.
- Desculpe - Por favor.
Um bom dia hoje, n�o �, Sr. Ministro?
- Muito lindo. - Obrigado pela paci�ncia.
Obrigado a voc�.
J� ouviu falar de "A Natividade" de Caravaggio?
N�o, o que �?
Um quadro que foi roubado pela m�fia 50 anos atr�s.
E por que est� me contando agora?
Porque pode ter algo a ver com a sua reuni�o.
O que sua m�e disse?
Est� indecisa. N�o confia em voc�.
Meu Deus! Eu disse "voc�", desculpe.
N�o, n�o precisa se desculpar, � uma �tima ideia.
Tranque a porta com chave.
Olha, v� para o quarto de sempre e n�o saia de l�.
Tenho que ir.
Sim, mas n�o se comprometa sem me consultar.
Est� bem.
Espera!
Substitu� a caneta de Nemi, o Ministro de Economia,
por uma id�ntica equipada com uma microc�mera.
A vis�o � um pouco emba�ada,
a Lars von Trier, diretor que, al�m disso, eu odeio.
A prop�sito,
aqui dentro est� seu roteiro.
Riccardo enganou voc�.
N�o foi totalmente altru�sta, o rapaz.
Est� com eles?
Est� com quem paga.
No final, ele mudou de ideia e n�o traiu voc�.
- N�o chore. - N�o, n�o.
Aqui estamos.
Desculpe! Desculpe o atraso.
Agora que estamos todos aqui, podemos come�ar.
Como sabem, este encontro tem um car�ter excepcional,
e dele n�o ficar� nenhum vest�gio ou registro.
Por mais de meio s�culo,
a obra-prima absoluta de um g�nio da nossa pintura...
foi roubada da comunidade.
Estou falando de "A Natividade" de Caravaggio,
um quadro que at� agora foi considerado perdido.
Entretanto a tela existe e ainda est� em bom estado.
E, acima de tudo, h� a possibilidade de recuper�-lo.
- Ouviu? - Espera.
O melhor vai vir agora.
- Quer explicar os detalhes, Enrico? - Sim.
Meses atr�s, foi feito um contato an�nimo
com um funcion�rio da unidade especial
para a recupera��o de obras de arte,
propondo a devolu��o do quadro.
Agora, o funcion�rio queria checar a autenticidade da obra
e foi confirmado.
Ent�o, neste ponto se trata de autorizar a opera��o...
e, claro, em segredo absoluto.
Desculpe um momento.
Quer que eu acredite que esse desconhecido est� agindo...
por puro esp�rito filantr�pico?
Sim, salvo algum imprevisto.
Bem, nesse caso, haveria uma despesa.
Querido Onofri,
os imprevistos, pela sua natureza,
s�o imprevis�veis.
Desculpe, Arturo, mas n�o entendo,
deveria ser o primeiro a comemorar
e em vez disso, fica contra.
Mas n�o, presidente, s� estava tentando entender.
Nemi, poderia explicar aos seus colegas
os benef�cios econ�micos desta opera��o?
Como sabem, na �poca...
o roubo do Caravaggio foi comentado em todo o mundo.
Trazer essa obra-prima de volta para casa iria curar uma ferida.
Na avalia��o das ag�ncias de qualifica��o
a It�lia passaria
da atual BBB- a BBB+.
Essa tela se tornaria a met�fora de um pa�s renascido...
que reencontra sua grandeza perdida.
Obje��es?
- O que foi? - Desculpe, a pr�stata.
Tenho que ir ao banheiro.
- Est� indo � minha m�e. - Leve este papel,
est� no �ltimo escrit�rio, no outro corredor,
deve chegar antes do Ministro.
Est� louco, como fa�o?
N�o vai encontrar ningu�m,
todos os empregados foram dispensados.
Eu esqueci.
Entregue isto tamb�m.
- O que � isso? - � uma pequena ajuda
para Onofri, um fone de ouvido.
Anda logo!
Tem que dar isto ao Ministro.
E isto tamb�m.
Aqui.
- O que �? - Um fone de ouvido para Onofri.
Mam�e...
Voc� tinha raz�o.
A reuni�o � sobre o quadro de Caravaggio que roubaram.
Falam de um an�nimo que quer
devolv�-lo ao Estado, mas eu digo,
se � um presente, por que precisam do meu consentimento?
Porque est�o lidando com a m�fia.
Com a m�fia?
Leia.
- O que est� fazendo? - N�o se preocupe.
E um fone de ouvido para se comunicar melhor entre n�s.
N�o...
Na pr�tica, trata-se de fazer o que fazemos pelos ref�ns,
ou seja, uma opera��o secreta.
Usaremos fundos dos servi�os secretos.
Presidente, se quiser minha aprova��o,
deve apresentar a descoberta do quadro
como resultado de uma
opera��o de intelig�ncia policial,
talvez acompanhado de alguma pris�o.
O que houve? N�o d� para ver mais nada.
- Por favor, Trezzi. - N�o sei.
O Dr. Trezzi � o funcion�rio que assumiu
a responsabilidade pela opera��o.
- Ol�. - Quer explicar ao Ministro...
o que decidimos fazer
juntamente com o an�ncio da descoberta do quadro?
Haver� tr�s pris�es.
Tr�s figuras que correspondem ao perfil exigido.
Not�cia de primeira p�gina.
Ent�o, Arturo, podemos prosseguir?
N�o, Presidente. Tenho algumas d�vidas
que gostaria de esclarecer.
Aqui est� o Dr. Trezzi,
para responder a todas as d�vidas.
Estou � sua disposi��o, Ministro.
Fontes muito confi�veis...
disseram que a doa��o de Caravaggio
� na realidade uma venda.
E que o pre�o foi acordado em 150 milh�es de euros.
E quais seriam essas fontes fantasmas?
Direi com prazer se me revelar quem � o seu doador imagin�rio.
Direi com prazer se me revelar quem � o seu doador imagin�rio.
O que � verdade nesta hist�ria, Nobis?
Nada. Tenho certeza que existe algu�m que est� conspirando...
para que o quadro n�o retorne ao Estado.
Presidente...
Pergunte o que ser� deste governo
quando souberem que seu administrador...
negociou com a m�fia a compra de uma obra-prima roubada!
A compra de uma obra-prima roubada?
Est� sugerindo coisas muito m�s, Ministro.
Difama��es que ter� que responder.
- Ficarei feliz de repetir, at� no tribunal! - Se necess�rio!
N�o sei quais s�o suas fontes, Arturo,
mas o que est� dizendo � preocupante.
N�o vou negar que o regresso
de Caravaggio para n�s teria sido providencial,
nosso governo agora est� morto.
Mas quem est� nos espionando?
- Inclusive agora, agora mesmo. - Merda, chegou para mim tamb�m!
A opera��o est� suspensa.
Presidente, n�o se intimide, meus homens cuidar�o disso!
Calado, Nobis! Disse que n�o ser� feito nada.
E lembrem-se que esta conversa nunca aconteceu.
Voc� e Trezzi t�m que sair agora,
quero ficar a s�s com meus colegas.
Estou orgulhoso de voc�.
Voc� foi muito bem, al�m de todas as expectativas.
Sabe, Valeria, quem faz o meu trabalho...
deve se acostumar a esconder seus sentimentos,
mas com voc� n�o consigo.
Agora voc� tem que ir, � muito perigoso ficar aqui.
V�.
Voc� n�o vem?
Ainda tenho uma coisa para fazer.
Sim?
Vi a mulher do Hotel Internacional.
Onde?
No escrit�rio com Trezzi.
Eu disse que o acordo tinha terminado.
O que est� fazendo agora?
Entrou no banheiro.
- Vou entrar agora tamb�m. - N�o, me espera!
Al�!
Deus!
Onde voc� est�?
Eu a vi.
N�o � ela, � ele.
Como assim? O que est� dizendo?
- � Agate! - Merda!
Sim.
Onde est� indo?
Meu Deus, est�o me seguindo.
- Mas quem? - N�o sei quem s�o!
Fale onde est�.
Estou num corredor com bustos, h� um rel�gio � esquerda.
Meu Deus.
Estas s�o as chaves e o endere�o de um apartamento seguro.
N�o deve ir para casa esta noite,
podem vir procur�-la.
- E minha m�e? - Leve-a com voc�.
Assim que poss�vel, estarei com voc�s.
E ent�o finalmente poderei conhec�-la.
Te cuida.
Mam�e, � voc�? Suba at� o segundo.
Um graduado policial
morreu esta tarde em um acidente de carro.
Seu carro foi encontrado completamente queimado
perto da autoestrada Roma-N�poles.
Era considerado um dos mais
brilhantes super policiais italianos,
Goffredo Rea estava aposentado faz alguns anos.
Em 1980, ele veio � tona por seus m�todos imprudentes...
com o qual tinha resolvido casos importantes...
relacionados com o crime organizado.
Premiado com a medalha de ouro por m�rito...
Ele quem me contou a hist�ria do filme.
Mam�e, quem �?
Eu esperava que ele nunca iria encontr�-la.
Por que o conhecia?
Conhecia.
Claro...
� meu pai, n�o?
Sim,
ele era seu pai.
Trabalhamos na mesma se��o,
estava encarregada de ler os documentos...
e ele estava encarregado de miss�es especiais.
Ficamos somente um ano juntos,
est�vamos muito apaixonados, mas n�o nos d�vamos bem.
Nunca daria certo, teria sido uma vida imposs�vel.
Quando nos separamos, n�o contei que estava gr�vida.
Por qu�?
Porque ele era um urso,
nunca se adaptaria � vida familiar,
nunca.
Contei para ele sobre voc�
s� mais tarde quando era mais velha.
E ent�o ele come�ou a me atormentar,
porque queria conhec�-la.
Mas voc� o impediu.
Sim, porque n�o queria que arruinasse sua vida.
Mam�e!
SEIS MESES DEPOIS
Sabe, Dr. Pes,
voc� declarou que foi sequestrado
e submetido � viol�ncia.
Tamb�m declarou que seus sequestradores
antes de deix�-lo � beira da morte
pediram que confessasse se voc�
era o autor do roteiro do filme...
"Uma hist�ria sem nome".
Pode repetir o que respondeu?
Eu disse que era o autor.
E � verdade?
N�o.
E "A mulher impaciente"?
Foi um grande sucesso...
e, se posso dar uma opini�o,
inclusive um filme muito emocionante.
Tamb�m n�o escrevi.
Est� me dizendo que nos �ltimos dez anos,
ganhou pr�mios, arrecadou royalties,
por filmes que nem sequer escreveu uma linha?
Sim.
Por favor.
Diga-me, Dr. Pes,
a autora dos roteiros e filmes que estamos falando
� a aqui presente Valeria Tramonti?
Sim.
Valeria, por que permitiu essa trapa�a?
Se n�o for estritamente necess�rio,
prefiro n�o responder.
N�o acha que a verdade � sempre necess�ria?
N�o responde?
Claro que Kunze � um m�gico.
Escolheu dois atores que se parecem muito conosco.
Notou?
Voc� � mais bonita.
A verdade muitas vezes mata, mas a fic��o nos salva.
Sempre fui apaixonada por Alessandro.
- N�o � muito rom�ntico? - N�o.
- Posso? - Sim.
Voc� se importa?
Obrigado.
Desculpa.
FIM
Obrigado.
Bom filme.
Sou eu.
Mas est� vivo?
Claro que sim, s� tenho que ficar um pouco escondido.
Tenho que ir agora.
Mande um abra�o a Amalia.
O CARAVAGGIO ROUBADO legendas @drcaio
Quatro meses ap�s ser preso,
o advogado Seminerio foi envenenado na cadeia.
Nobis ainda est� sob cust�dia do Servi�o Social.
Trezzi, da Unidade de Obras Roubadas,
cumpre senten�a por roubar
livros antigos de uma biblioteca de N�poles.
Na lista do FBI o roubo do Caravaggio
est� em primeiro de dez crimes de arte n�o resolvidos.
A pista mais recente � que a tela foi vendida,
em peda�os, a um comerciante su��o.
Do roubo se arrependeram Francesco Marino Mannoia,
Gaspare Spatuzza, Salvatore Cancemi
Vicenzo La Pianna, Giovanni Brusca, Gaetano Grado.
Em uma vers�o o quadro foi enterrado
com os tesouros do chef�o Gerlando Alberti;
em outra, a tela foi devorada por porcos.
- Qual � o seu nome? - Muzio.
Como Muzio Scevola?
O arrependido Giovanni Brusca disse aos ju�zes
que a obra de Caravaggio seria
proposta pela m�fia ao Estado como
moeda de troca na negocia��o para
obter o cancelamento do artigo 41.
Alberto Rak continua a seguir as pistas do Caravaggio roubado.
O fugitivo Romeo Agate se refugiou em Madagascar
onde iniciou uma nova vida com o nome de Barbara Fuentes.
Anos depois, foi convidada para participar
de uma s�rie de televis�o brasileira
que lhe deu enorme popularidade.
O filme de Jerzy Kunze ganhou
o Le�o de Ouro no Festival de Veneza.
Valeria Tramonti recebeu uma indica��o
ao Oscar por melhor roteiro original.
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